- Por Victor Hernandes / Liz Barretto/Bahia NOtícias
- 24 Mar 2026
- 10:40h
Foto: Matheuos Oliveira / Saúde DF
De janeiro até 18 de março deste ano, foram registrados 787 procedimentos relacionados à Profilaxia Pós-Exposição (PEP) na rede municipal de Salvador.
Conhecida como PEP, a Profilaxia Pós-Exposição é uma medida de prevenção de urgência indicada após situações de risco para infecções sexualmente transmissíveis, como relações sexuais desprotegidas ou casos de violência sexual. O tratamento também pode ser indicado em situações de exposição ocupacional, como acidentes com material biológico.
De acordo com o infectologista Robson Reis, a PEP deve ser iniciada em até 72 horas após a exposição e consiste no uso de medicamentos por 28 dias, com o objetivo de reduzir as chances de infecção pelo HIV.
“A PEP é uma profilaxia pós-exposição. Profilaxia, como nós falamos, é uma prevenção. Então, o paciente que teve uma relação sexual desprotegida ou até mesmo, infelizmente, sofreu um abuso sexual pode fazer o uso. Idealmente, deve ser iniciada até duas horas depois, mas pode ser utilizada em até 72 horas”, afirmou.
Na prática, os atendimentos na capital se concentram em alguns pontos da rede. Em Salvador, o serviço é disponibilizado nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Adroaldo Albergaria, Hélio Machado, dos Barris e de Valéria, além do PA Alfredo Bureau.
A UPA dos Barris concentrou o maior número de atendimentos no início do ano, com 562 registros, equivalente a mais de 70% dos casos. Em seguida aparecem a UPA Hélio Machado, com 104, o PA Alfredo Bureau, com 45, a UPA Adroaldo Albergaria, com 44 e a UPA de Valéria, que registrou 32.
Apesar da disponibilidade do serviço, o especialista alerta para a necessidade de utilizar outras formas de prevenção. “Quando estamos nos referindo à prevenção contra o HIV-AIDS, é importante lembrar que temos diversas estratégias disponíveis, desde o uso de preservativos, seja o masculino ou feminino, até a profilaxia pré-exposição e a profilaxia pós-exposição”, disse Robson.
NOVA ESTRATÉGIA
Como forma de ampliar a prevenção dessas doenças, uma nova estratégia começa a ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS): a Profilaxia Pós-Exposição com o antibiótico doxiciclina, conhecida como DoxiPEP.
O uso da doxiciclina 100 mg foi aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), sendo a primeira forma de prevenção oral pós-exposição sexual desprotegida voltada para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas, como sífilis e clamídia.
O tratamento consiste no uso de dois comprimidos após exposições sexuais desprotegidas, com o objetivo de prevenir novos casos dessas infecções.
Neste primeiro momento, a estratégia será voltada para homens gays, bissexuais e mulheres transgênero que tiveram um episódio de IST nos últimos doze meses. O medicamento já é vendido em farmácias no Brasil e foi incorporado como estratégia de prevenção pós-exposição.
Até o fechamento desta reportagem, as secretarias de saúde do estado e do município de Salvador não informaram sobre a adoção da DoxiPEP na rede local.
- Por Mauricio Leiro / Leonardo Almeida/Bahia Notícias
- 24 Mar 2026
- 08:38h
Foto: Lucas Santa Bárbara | Agência AL-BA
Os deputados da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) seguem se movimentando na janela partidária visando a manutenção de seus respectivos mandatos e até “voos mais altos” dentro da política. Dentre as articulações, está uma possível filiação do deputado estadual Emerson Penalva ao União Brasil, após ele se despedir do PDT nesta segunda-feira (23), e a possibilidade da permanência de Vitor Bonfim no PV.
Segundo uma fonte ligada ao deputado ex-PDT, a migração de Penalva para o União seguiria na linha de manutenção dentro do arco de alianças do pré-candidato ao governo do estado, ACM Neto (União). Atualmente, o partido, junto do PSD, possui a maior bancada na AL-BA, com 10 deputados.
Levando em consideração a formação da Federação União Progressista (União e PP) e sua votação nas eleições de 2022, quando registrou mais de 51 mil votos, ele pode lograr êxito na disputa pela reeleição na Casa Legislativa. No entanto, em um cenário apenas no União Brasil, ele ocuparia apenas a quarta suplência.
BONFIM
Com uma candidatura à Câmara dos Deputados em mente, Vitor Bonfim ainda se encontra “travado” para a escolha de um partido e pode acabar permanecendo no PV, conforme um interlocutor confidenciou à reportagem. A permanência, inclusive, agrada lideranças do próprio partido.
Bonfim tinha conversas avançadas com o PSB, mas, conforme noticiou o Bahia Notícias, a saída do pré-candidato a deputado federal Bebeto Galvão da legenda impactou nas tratativas. A desfiliação levou o parlamentar a recuar do acordo prévio para “recalcular a rota”. Uma fonte da reportagem indicou que Vitor Bonfim tem receio de o partido não atingir o quociente partidário para a formação de uma bancada na Câmara dos Deputados.
Nesse meio tempo, o PSB anunciou a chegada da deputada federal em exercício, Elisângela Araújo, o que teria “animado” o restabelecimento do acordo. Todavia, uma liderança do partido não confirmou o retorno das conversas.
Outro fator que impactou foi a “ameaça” de rompimento do Podemos com a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O partido ficou no centro das atenções após, na época, a presidente nacional da legenda, a deputada federal Renata Abreu (SP), abrir negociações com o senador Angelo Coronel (Republicanos) para o receber na sigla, concedendo o poder de comandar as articulações da sigla na Bahia.
Uma fonte da reportagem apurou que, para se manter na base de Jerônimo, a deputada teria exigido uma maior robustez para o partido na disputa das eleições para o legislativo.
- Bahia Notícias
- 23 Mar 2026
- 12:37h
Foto: Tânia Rêgo/Arquivo Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro teve o estado de saúde atualizado em boletim de saúde divulgado neste domingo (22), pela equipe médica do hospital DF Star. O ex-presidente está internado há mais de uma semana na Unidade de Terapia Intensiva e segue sem previsão de alta hospitalar.
Segundo equipe médica, Bolsonaro segue "com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora". O ex-presidente foi internado para tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração.
Cumprindo pena no Núcleo de Custódia da Polícia Militar (Papudinha), Bolsonaro passou mal na madrugada do último dia 13 na prisão e foi transferido para o DF Star.
- Bahia Notícias
- 23 Mar 2026
- 10:25h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os países da América Latina e do Caribe tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor dos minerais críticos existentes na região. Segundo ele, esses recursos podem ajudar os países a “reescreverem a história”, utilizando suas próprias riquezas para promover desenvolvimento interno, em vez de enriquecer outras nações.
Segundo a Agência Brasil, a declaração foi feita por meio de discurso lido pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira no sábado (21), durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino?Americanos e Caribenhos (Celac), em Bogotá.
“Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores”, declarou o presidente.
Lula lembrou que a América Latina detém a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo e que esses insumos são essenciais para a fabricação de chips, baterias e painéis solares, componentes centrais da revolução digital e da transição energética.
Nesse sentido, defendeu que os países da região participem de todas as etapas relacionadas a esses minérios, desde a extração até o produto final, incluindo processos de beneficiamento e reciclagem.
Integração regional
Lula também destacou a importância do fortalecimento da integração regional, o que, segundo ele, é fundamental no atual cenário de instabilidade política e geopolítica. Para o presidente, o enfraquecimento da articulação entre os países da região aumenta a vulnerabilidade a pressões externas e limita a capacidade de resposta a desafios comuns.
“A América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, afirmou Lula, por meio do discurso lido pelo chanceler.
“Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial. A Celac representa o maior esforço já feito para afirmar a identidade própria da América Latina e do Caribe no cenário internacional”, acrescentou.
O presidente também defendeu a ampliação do comércio intrarregional, a integração das cadeias produtivas e o fortalecimento de blocos como o Mercosul, afirmando que a integração regional é um instrumento para ampliar a soberania e o desenvolvimento dos países da região.
Diálogo com outros países
Ao tratar da presidência da Celac exercida pela Colômbia, Lula destacou a manutenção do diálogo com a China, a União Europeia e a África. “Esses países e blocos veem na América Latina e no Caribe um potencial que nós mesmos não sabemos reconhecer e aproveitar. É um paradoxo que uma região com tantos recursos ainda padeça de tantos males”, disse.
“Somos potências em energia, biodiversidade e agricultura. Mas o que predomina neste quadrante do planeta são sociedades profundamente desiguais e tecnologicamente dependentes. O que nos falta para romper esse ciclo de subdesenvolvimento é liderança política”, acrescentou.
Infraestrutura
Lula também defendeu a integração da infraestrutura regional. “Precisamos de rotas por terra, água e ar, do Atlântico ao Pacífico, por onde produtos possam circular e cidadãos possam transitar”, afirmou.
Ele ressaltou a necessidade de interligação das redes elétricas dos países da região, o que, segundo o presidente, garantirá e reduzirá o custo da oferta de energia.
“Em um mundo com bloqueios marítimos e cortes no abastecimento de insumos, essa integração é ainda mais importante”, disse.
Crime organizado
No discurso lido por Mauro Vieira, Lula enfatizou que uma região desarticulada favorece o crime organizado, e que isso reforça ainda mais a necessidade de colaboração entre os países da América Latina e do Caribe para atingir toda a cadeia de comando das organizações criminosas, sobretudo as esferas mais elevadas.
“Esse problema não é só latino?americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vem de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Ações pontuais geram resultados momentâneos. Apenas o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras”, afirmou.
Segundo Lula, o Projeto de Lei Antifacção, iniciativa do governo brasileiro para enfrentar as organizações criminosas, busca dar mais agilidade e eficiência às investigações, asfixiar o financiamento das facções e aprimorar os mecanismos de responsabilização de grupos ultraviolentos.
“Nosso objetivo é melhorar a articulação entre as polícias e reforçar o papel da Polícia Federal no combate a organizações criminosas e milícias privadas com atuação interestadual e internacional”, concluiu o presidente.
- Bahia Notícias
- 23 Mar 2026
- 08:32h
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Cientistas de todo o mundo tentam encontrar novas abordagens para a doença de Alzheimer, e dois laboratórios brasileiros têm se destacado nessa corrida. Recentemente, os pesquisadores Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por organizações internacionais por suas contribuições ao tema.
Segundo a Agência Brasil, Lourenço foi contemplado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, oferecido pela organização Alba a cientistas em meio de carreira que já alcançaram conquistas excepcionais. Já Brum foi escolhido como o Next “One to Watch” ("O próximo para ficar de olho", em tradução livre), prêmio concedido pela organização americana Alzheimer’s Association a jovens cientistas promissores.
A doença de Alzheimer é considerada um dos grandes desafios da medicina, já que até hoje poucos tratamentos se mostraram eficazes para retardar a sua evolução, e nenhuma cura foi encontrada.
O sintoma mais reconhecido é a perda de memória recente, mas, conforme a doença progride, o paciente adquire dificuldades de raciocínio, comunicação e até de movimentação, se tornando completamente dependente.
Dados sobre os brasileiros
O professor da UFRJ Mychael Lourenço estuda o Alzheimer desde a sua graduação em Biologia, e foi apurando esse interesse durante o mestrado, doutorado e pós-doutorado, até assumir a docência e fundar o Lourenço Lab, grupo de pesquisa dedicado às demências.
"Eu sempre me interessei por coisas misteriosas. Por exemplo: 'como é que o cérebro funciona?'. Não tenho resposta até hoje, mas continua sendo um objeto de interesse bastante grande", ele brinca.
Mas Lourenço não é movido apenas pela curiosidade.
"Nós temos hoje no mundo em torno de 40 milhões de pessoas com doença de Alzheimer. Dessas, umas 2 milhões devem estar no Brasil, um número que pode ser subestimado por causa de problemas de acesso à saúde e diagnóstico. E nós temos uma população que está envelhecendo cada vez mais, mas a maior parte dos estudos são feitos no Norte global. Nós precisamos de dados para entender a doença no Brasil"
O pesquisador explica que, desde quando Alois Alzheimer descreveu a doença, em 1906, já se sabia que ela causava placas no cérebro, mas somente na década de 80 cientistas descobriram que essas placas são compostas por beta-amiloide, fragmentos de proteína que se acumulam por alguma razão.
Contudo, drogas eficazes na remoção dessas placas não conseguiram reverter a doença, mostrando que há um hiato entre causa e efeito que a ciência ainda precisa preencher.
"A gente continua tentando entender o que faz com que o cérebro se torne vulnerável e desenvolva a doença, inclusive olhando para o que a gente chama de resiliência para o Alzheimer. Tem pessoas como a Fernanda Montenegro, por exemplo, com 96 anos, e completamente lúcida e ativa. E tem pessoas que desenvolvem a placa de beta-amiloide no cérebro e não apresentam sintoma cognitivo. O que elas têm de diferente?"
Em paralelo, o Lourenço Lab também está testando em animais substâncias que podem evitar o acúmulo da beta-amiloide e de outra proteína, chamada tau, que também está envolvida na formação das placas.
"Possivelmente, essas proteínas têm tendência a se acumular, mas as células têm um sistema natural de degradação que a gente chama de proteassoma. Mas, no Alzheimer, é como se a companhia de lixo parasse de funcionar. Então, aumentar a atividade desse sistema seria uma forma de tentar melhorar esse fluxo".
Diagnóstico precoce
Outra linha de pesquisa é voltada para o diagnóstico precoce da doença, o que pode possibilitar que ela seja controlada antes de causar danos irreversíveis ao cérebro.
Lourenço coordena uma pesquisa que busca identificar se marcadores biológicos encontrados no sangue de pessoas com Alzheimer em outros países também são válidos para os brasileiros, e se a nossa população apresenta algum marcador específico.
"A doença de Alzheimer não aparece quando os sintomas aparecem: ela começa a se desenvolver muito tempo antes. Então, a gente está tentando pegar essa janela, em que a doença está se desenvolvendo, mas os sintomas ainda não apareceram tão claramente".
"Talvez a gente nunca vai conseguir curar o paciente que já está num estágio muito avançado. Mas a gente pode conseguir interromper a doença antes disso", ele acrescenta.
As pesquisas com biomarcadores também foram responsáveis por colocar o médico Wagner Brum sob os holofotes. Hoje, ele faz doutorado na UFRGS e é pesquisador do Zimmer Lab, grupo de pesquisa sobre Alzheimer. Sua verve científica se manifestou desde cedo.
"Eu estudei numa escola pública bem tradicional do Rio Grande do Sul, chamada Fundação Liberato, que organiza uma feira de ciências que é a maior da América Latina. Eu cresci com a minha mãe me levando nessa feira, então, quando eu entrei no ensino médio, eu já comecei a trabalhar com pesquisa. Na faculdade, eu escolhi a UFRGS por ser uma faculdade com muita tradição em pesquisa, onde eu ia poder me desenvolver como médico pesquisador".
O trabalho de maior projeção de Brum foi o desenvolvimento de protocolos para a implementação clínica de um exame de sangue que consegue diagnosticar a doença de Alzheimer, a partir da presença da proteína p-tau217, um dos principais biomarcadores da doença.
Apesar de o teste ter se mostrado preciso durante as pesquisas, era preciso criar os padrões de leitura para que ele fosse adotado na rotina diagnóstica. E foi isso que Brum fez.
"Em pacientes com medição muito alta ou muito baixa, claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou não a doença. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermediária, e esses precisam de um exame adicional".
Do laboratório para o SUS
De acordo com Brum, o protocolo aumenta a confiabilidade do exame, e já está sendo usado por laboratórios na Europa e Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, apenas poucos laboratórios privados já incorporaram a tecnologia. Mas o Zimmer Lab continua suas pesquisas, almejando facilitar o diagnóstico da doença em larga escala.
"Para ele ser implementado no SUS, que é o nosso grande objetivo, são necessários estudos mostrando que a introdução desses exames pode melhorar tanto a confiança diagnóstica quanto mudar o tratamento do paciente. O que se tem visto em outros países é que esses exames fazem isso"
Testes com essa pretensão já estão sendo feitos no Rio Grande do Sul e depois serão expandidos para outras cidades do Brasil. Brum ressalta que, atualmente, o diagnóstico do Alzheimer é feito principalmente a partir dos sintomas, com a análise clínica feita pelo médico e o auxílio de exames não totalmente precisos.
"O que se acaba fazendo, mais comumente, são exames de imagem estrutural, tomografia ou ressonância, que conseguem informar quais partes do cérebro já apresentam uma atrofia. Mas até o processo do envelhecimento causa atrofia natural, assim como outras doenças neurodegenerativas. Existem padrões mais típicos ao Alzheimer, mas esses exames não são específicos"
Os dois testes precisos já existentes são o exame de líquor, que examina material retirado da coluna vertebral, e a Tomografia por Emissão de Positrons (PET-CT), mas ambos são caros e pouco acessíveis.
Brum acredita que a adoção do exame de sangue poderia não só facilitar o diagnóstico, como aumentar a confiança dos médicos em suas condutas. No futuro, exames de biomarcadores também podem detectar a doença, antes que os sintomas apareçam.
"É muito bom ver que a comunidade de pesquisa internacional presta atenção no que a gente faz e valoriza o que a gente faz. Tem muita gente fazendo pesquisa de excelência no Brasil, em muitas áreas diferentes, e que merece visibilidade."
Os dois pesquisadores premiados trabalham com recursos de instituições de pesquisa como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Fundação Serrapilheira e Instituto Idor de Pesquisas.
- Por Laiz Menezes | Folhapress
- 22 Mar 2026
- 12:56h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a atuação da ONU (Organização das Nações Unidas) diante do avanço de guerras, em especial no Oriente Médio, ao discursar neste sábado (21), em Bogotá, na Colômbia. Ele afirmou que o Conselho de Segurança da entidade, criado para manter a paz e a segurança internacional, "promove guerras", ao citar os conflitos na Faixa de Gaza, na Ucrânia e no Irã.
"O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras", afirmou o presidente durante o 1º Fórum de Alto Nível Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos)-África. Ele disse ainda estar "indignado com a passividade" da organização.
Lula afirmou que o conselho não foi capaz de resolver conflitos em Gaza, na Ucrânia, na Líbia, no Iraque e no Irã. "Quem tem mais canhão, mais navio, mais avião e mais dinheiro se acha dono do mundo", disse.
O presidente também cobrou uma reforma urgente do órgão e defendeu maior representação de América Latina e da África. "Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se coloca mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?", questionou.
Ele classificou o momento atual de período com a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) e contrapôs os gastos militares à persistência da fome. "Enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome", afirmou.
Publicada no mês passado, a 67ª edição do Balanço Militar mostrou que o gasto militar global cresceu em 2025 e atingiu o maior patamar desde a Segunda Guerra. O avanço em relação a 2024 foi de 2,5% em termos reais, chegando a US$ 2,63 trilhões (R$ 13,58 trilhões). E segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), de 638 milhões a 720 milhões de pessoas passaram fome no mundo em 2024.
Lula dedicou parte do discurso ao caso do Irã. Ele relembrou que, em 2010, viajou a Teerã com o então presidente da Turquia, Abdullah Gül, para negociar um acordo sobre enriquecimento de urânio —proposta que, segundo ele, teve aval do então presidente americano, Barack Obama, em carta.
Segundo o presidente, o acordo foi firmado, mas Estados Unidos e Europa responderam ampliando o bloqueio ao país. "Depois de alguns anos, foram fazer outro acordo pior do que aquele que a gente tinha feito", disse.
Para Lula, o episódio faz parte de um padrão em que potências constroem a imagem de um inimigo para justificar o uso da força. "Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras", afirmou, em referência a argumentos usados pelo presidente Donald Trump para atacar o Irã, com base no temor de desenvolvimento de armas nucleares.
Outro tema abordado foi a disputa por minerais críticos e terras raras. Lula afirmou que países da América Latina e da África ainda enfrentam as consequências da colonização e alertou para o risco de uma nova forma de dominação, agora com base em recursos estratégicos. Segundo ele, potências estrangeiras tentam repetir uma lógica histórica de exploração.
"[Com os minerais críticos] é a chance de Bolívia, África e América Latina não aceitar ser apenas exportadora", disse, defendendo que investidores estrangeiros se instalem e produzam nesses países.
Lula também defendeu que o Atlântico Sul permaneça livre de disputas geopolíticas e anunciou que o Brasil organizará, em 9 de abril, uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.
- Por Raphael Di Cunto/ Augusto Tenório/ Catia Seabra/ Carolina Linhar | Folhapress
- 22 Mar 2026
- 10:52h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
A informação de que o banqueiro Daniel Vorcaro negocia com a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) um acordo de delação premiada aumentou o clima de tensão em Brasília com possíveis novas revelações sobre o escândalo do Banco Master.
A avaliação na classe política, jurídica e empresarial é a de que as revelações podem provocar danos em todas as vertentes. A eventual delação tem potencial de atingir integrantes do governo Lula (PT), do Congresso, da cúpula dos partidos do centrão, da oposição e do STF (Supremo Tribunal Federal), além de outras instâncias do Judiciário.
Entre os políticos, a principal preocupação é que as investigações invadam o período de campanha e que as repercussões da delação afetem o xadrez eleitoral, com denúncias e operações policiais ao longo do pleito. O ministro André Mendonça, relator do processo no STF, já afirmou a auxiliares que não pretende suspender as apurações durante a eleição.
No Congresso e no Judiciário, há críticas sobre o que veem como vazamentos seletivos de informações por parte da polícia, como forma de ganhar apoio popular para investigar autoridades. Há a percepção de que revelações sobre as festas luxuosas de Vorcaro, com gastos milionários, popularizaram e atraíram atenção para o escândalo, que, até então, era de conhecimento restrito a quem acompanha o mercado financeiro.
Congressistas ouvidos pela Folha preveem que os presidentes dos dois maiores partidos do centrão devem ser atingidos: Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP. Em conversas com aliados, eles confirmam as relações pessoais com Vorcaro —já explicitadas pela quebra de sigilo telefônico do banqueiro—, mas negam transações financeiras.
De acordo com relatos, Nogueira e Rueda defendem em conversas reservadas que a participação em festas não é crime e que todos os políticos desejavam se aproximar de Vorcaro na época. O ex-banqueiro participava e patrocinava eventos com autoridades.
Há um receio, no entanto, de vazamento de fotos e conversas pessoais que podem ser exploradas por adversários para constrangê-los na campanha.
À Folha Rueda disse que não comenta fofocas nem supostas delações. "Nunca fiz qualquer intermediação, não recebi vantagem e não tenho relação de natureza negocial com quem quer que seja nesse caso. Qualquer tentativa de me envolver é especulativa", afirmou.
Nogueira não respondeu à reportagem.
Aliados do presidente Lula também buscam blindá-lo e investem no discurso de que foi seu governo que desbaratou esquemas herdados da gestão Jair Bolsonaro. Na quinta-feira (19), ele disse em discurso: "Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente, do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central".
Colaboradores do presidente alimentam expectativa de uma atuação técnica do ministro André Mendonça. Na visão de aliados, ainda que haja uma tentativa de responsabilização do governo Lula, é impossível poupar a administração anterior.
Ainda segundo auxiliares, Lula afirma que, mesmo que viesse à tona a participação de algum aliado, seria uma gota em um oceano de bolsonaristas. Ministros do governo lembram que o presidente incentivou as investigações e sugeriu que os citados se explicassem.
Um deles minimiza o risco de Vorcaro proteger amigos em eventual delação e lembra que o banqueiro terá que fundamentar suas acusações. Apesar desses argumentos, uma ala do governo admite que acusações de Vorcaro podem causar danos eleitorais.
Entre políticos da direita e bolsonaristas, a negociação para a delação foi comemorada e a esperança é de que sejam atingidos nomes do centrão e da esquerda, mas principalmente ministros do STF. O discurso de membros do PL, por exemplo, é o mesmo que embasou os pedidos de CPI do Master protocolados por esse campo —de que tudo deve ser investigado.
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, escreveu: "Por favor, Vorcaro, delate todo mundo! Sejam políticos, pastores, empresários, ministros do STF etc. Em nome de Jesus".
Parte do bolsonarismo desconfia, porém, que Vorcaro pode tentar poupar as relações com ministros da Suprema Corte e entregar apenas políticos. Também há receio de que uma delação que implique o STF ou a própria PGR não seja homologada, numa tentativa de blindagem às autoridades.
Parlamentares do PL que mantêm uma briga antiga com o Supremo, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes, veem na delação uma oportunidade de expor o que consideram corrupção na corte e, assim, fortalecer o discurso pró-impeachment de ministros.
Nomes da direita também minimizam revelações que possam surgir a respeito da Igreja Batista da Lagoinha e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que usou um avião ligado ao dono do Master em agendas no segundo turno de 2022. Em suas redes, Nikolas comemorou uma notícia da delação dizendo que Vorcaro não pouparia ninguém.
- Bahia Notícias
- 22 Mar 2026
- 08:47h
Foto: Reprodução / Globoplay
O baiano Leandro Boneco se deu bem no último sábado (22). Após “sair da geladeira” e se salvar do paredão, o participante do BBB 26 venceu a 10ª disputa pela Prova do Anjo e ganhou o poder de imunizar um participante no paredão deste domingo.
O baiano também ganhou o poder de escolher dois participantes para cumprir o Castigo do Monstro dessa semana. Os escolhidos foram Jonas Sulzbach e Alberto Cowboy, que é o atual Líder da casa.
Os dois deverão representar uma moeda, sendo um a “cara” e o outro a “coroa” e deverão permanecer juntos de costas um para o outro, até a formação do Paredão, neste domingo (22). Os dois também perderam 300 estalecas e saíram do VIP.
Leandro foi o único a conseguir completar a prova, que exigia que os participantes empilhassem mini latinhas com uma pinça em até 20 minutos. Com a vitória, Boneco poderá assistir a um vídeo da família ou ganhar uma imunidade extra.
Ainda no último sábado, o baiano participou da dinâmica do “Triângulo de Risco”. Em uma primeira disputa enfrentada pelos quatro pirimeiros eliminados da Prova do Líder - Samira, Leandro, Juliano Floss e Chaiany -, Boneco foi o azarado e se tornou o primeiro emparedado da semana.
No entanto, na segunda fase da dinâmica, Leandro conseguiu escapar do paredão ao ter sua caixa trocada por Jordana, que acabou na Berlina. A dinâmica consistia em caixas numeradas escolhidas pelos participantes, em uma delas estava uma pulseira de indicação ao paredão.
Leandro escolheu Jonas e Jordana para participarem com ele. O gaúcho ficou com a caixa 3, Jordana com a caixa 2 - com a indicação - e o baiano com a caixa 1. Na escolha de trocas, Leandro escolheu trocar pela 2, o que teria incentivado Jordana a trocar novamente e recuperar sua caixa, a colocando na berlinda.
- Por Mariana Brasil | Folhapress via Bahia Notícias
- 21 Mar 2026
- 09:34h
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
O governo federal disse nesta sexta-feira (20) ter notificado três das quatro principais distribuidoras de combustível do país por elevação de preços sem justa causa.
No total, foram aplicadas 36 sanções entre multas e interdições pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), do Ministério da Justiça. Segundo balanço da pasta, 1.880 postos de gasolina já foram fiscalizados em 25 estados desde o dia 9 de março.
Hoje, as três maiores responsáveis pela distribuição no ramo são Ipiranga, Raízen e Vibra, mas o governo não confirmou os nomes das empresas notificadas. Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, as três receberam prazo de 48 horas para apresentar informações detalhadas à pasta da Justiça sobre o reajuste de preços que fizeram nos últimos dias.
A jornalistas, o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, afirmou que uma portaria com detalhes das responsabilidades de estados e municípios deve ser publicada entre hoje e amanhã no Diário Oficial da União.
Os dados se referem a fiscalizações realizadas na esfera da proteção ao consumidor. Segundo o governo, o valor total das multas aplicadas pela Senacon ainda está sendo consolidado.
As informações foram concedidas em entrevista coletiva pelo chefe da Justiça junto ao secretário nacional do consumidor, Ricardo Morishita. Na fala à imprensa, também estiveram presentes o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e demais representantes do ministério.
Em paralelo, também estão sendo feitos monitoramentos por meio da ANP (Agência Nacional de Petróleo), cujas multas aplicadas até o momento variam entre R$ 50 mil e R$ 500 milhões, a depender da infração.
O preço dos combustíveis aumentou ao redor do mundo após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que culminaram no fechamento da principal rota de transporte do petróleo localizada na região, o estreito de Hormuz. Com o bloqueio, o barril de petróleo tem sido negociado acima de US$ 100.
No Brasil, o impacto nos preços levou a episódios de abuso por parte de postos de gasolinas e empresas. Na terça-feira (17), a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar condutas graves e abusivas no mercado de combustíveis.
Com a alta no petróleo e a pressão sobre o diesel, a categoria de caminhoneiros do país considerou a possibilidade de paralisação nacional e pressionou o governo federal por medidas.
De modo a controlar os preços, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, na semana passada, uma medida provisória que zerou PIS e Cofins do óleo diesel, estabeleceu o pagamento de subvenção a produtores e importadores e instituiu um imposto de exportação de petróleo.
A expectativa do governo é de redução de R$ 0,64 no litro do diesel vendido na bomba.
Junto a isso, o presidente determinou que postos de combustíveis deveriam anunciar a redução do imposto, conforme decreto.
De acordo com o governo, os postos de combustíveis devem adotar "sinalização clara e visível ao consumidor, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção".
A investigação da Polícia Federal se concentra em crimes de formação de cartel e contra a economia popular, além de irregularidades na ordem econômica que possuem repercussão nacional e exigem um tratamento uniforme em todo o país.
O inquérito foi aberto após ofício enviado pelo Ministério da Justiça com análise preliminar que indica aumentos abruptos e generalizados, muitas vezes sem correspondência com variações identificáveis de custos.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 20 Mar 2026
- 14:36h
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou nesta quinta-feira (19) que enviou um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) com questionamento sobre quem utiliza o número funcional que recebeu mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A conversa de Vorcaro com alguém do STF se deu antes do dono do Master ser preso.
“O relatório oficial que nos foi enviado é que o número é do STF. Está confirmado oficialmente que o senhor Vorcaro tinha acesso a alguém do STF”, apontou Viana, ao dizer que a CPMI recebeu um relatório do Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (Sittel), que confirmou que o contato de Vorcaro se deu com um número funcional do STF.
Viana disse que o relatório entregue pelo Sittel à CPMI do INSS indica que o número funcional do STF teria começado a operar no dia 22 de fevereiro de 2017. A data é exatamente um mês anterior à posse do ministro Alexandre de Moraes, indicado pelo então presidente Michel Temer (MDB) em 6 de fevereiro de 2017. O Sittel é um sistema desenvolvido pelo Ministério Público Federal (MPF).
“Não posso fazer uma afirmação de qual ministro é, uma vez que nós, naturalmente, vamos oficiar o STF para que nós tenhamos esta informação e a clareza de com quem estava o número no dia em que a comunicação feita”, explicou o presidente da CPMI do INSS.
De acordo com reportagem publicada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria mandado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, no dia em que foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro de 2025. A conversa teria se dado por meio desse telefone funcional que agora a CPMI do INSS quer saber quem utilizava.
O jornal O Globo apresenta prints de conversas atribuídas a Vorcaro e Moraes. A reportagem afirma que às 17h22 do dia 17 de novembro, algumas horas antes da operação da Polícia Federal que resultou na prisão do empresário, ainda no ano passado, Vorcaro teria mandado para Moraes: “Conseguiu bloquear?”.
A matéria do jornal O Globo afirma que a conversa atribuída aos dois foi encontrada pela PF no celular de Vorcaro.
- Bahia Notícias
- 20 Mar 2026
- 12:35h
Foto: Reprodução / Câmara dos Deputados
Um levantamento da Real Time Big Data indica que a maioria dos brasileiros rejeita a indicação da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. Segundo a pesquisa, 84% são contrários à escolha da parlamentar para o comando do colegiado.
O estudo aponta ainda que apenas 16% concordam com a indicação, enquanto 84% discordam. O nível de conhecimento sobre o tema é elevado: 82% dos entrevistados afirmaram já ter tomado conhecimento da nomeação, contra 18% que disseram não conhecer o assunto.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores em todo o país entre os dias 17 e 18 de março de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Quando segmentado por perfil, o apoio à deputada é maior entre os mais jovens: 25% das pessoas de 16 a 34 anos concordam com a indicação, ante 14% entre 35 e 59 anos e apenas 8% entre os com mais de 60 anos. Entre homens, 20% apoiam a indicação, enquanto entre mulheres o índice é de 12%.
- Por Carolina Linhares, Ana Pompeu e Luísa Martins | Folhapress
- 20 Mar 2026
- 10:33h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
A nova ofensiva para que o STF (Supremo Tribunal Federal) conceda a prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve a participação de Flávio e Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da bancada bolsonarista no Congresso e até de ministros da corte.
Políticos e advogados ouvidos pela reportagem dizem que a chance de que o ministro Alexandre de Moraes atenda aos apelos desta vez é mais concreta. Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e, após iniciar o cumprimento da pena na superintendência da Polícia Federal, foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha, no DF, em janeiro.
Além da união de esforços, a situação de saúde de Bolsonaro é apontada como um novo fator de convencimento. O ex-presidente foi internado na semana passada com broncopneumonia bacteriana causada por aspiração do vômito em decorrência dos soluços constantes. Sua equipe médica classificou o quadro como grave.
Aliados de Bolsonaro afirmam também que a fragilização de Moraes com o caso do Banco Master pode contribuir para que ele decida a favor de Bolsonaro.
Segundo esse raciocínio, Moraes teme ser atingido pelas investigações que miram Daniel Vorcaro, já que sua esposa foi contratada pela defesa do Master, e vai buscar manter uma ponte de diálogo e negociação com Flávio, uma vez que o senador está empatado com Lula (PT) nas pesquisas e poderia ser eleito presidente.
Um argumento utilizado por políticos e por outros ministros junto a Moraes é que uma eventual morte de Bolsonaro seria encarada politicamente como responsabilidade do ministro. A transferência para a prisão domiciliar, ao contrário, aliviaria essa acusação.
Interlocutores do senador afirmam que Moraes demonstrou ter gostado da visita de Flávio na terça-feira (17), quando o filho mais velho de Bolsonaro reforçou o pedido pela domiciliar.
Foi o mesmo relato feito após a primeira reunião de Michelle com o ministro, em janeiro. Como mostrou a Folha de S. Paulo, a ex-primeira-dama quer um novo encontro com Moraes para pedir que Bolsonaro cumpra pena em casa.
Segundo aliados do ex-presidente, Michelle quer ter a oportunidade de dizer pessoalmente ao magistrado que Bolsonaro não pode ficar sozinho à noite pelo risco de broncoaspiração. Ela também quer relatar a Moraes que, de acordo com a equipe médica, se ele tivesse sido socorrido cerca de uma hora mais tarde, o ex-presidente poderia ter morrido.
A atual internação de Bolsonaro mobilizou ainda ministros da corte. Ao menos dois ministros próximos a Moraes se dedicam a esse esforço de convencimento, iniciado ainda no ano passado. Nas palavras de um deles, a transferência passou a ser uma questão humanitária.
Ainda, outros três ministros relataram à reportagem que em outros momentos, o último deles no Carnaval, colegas têm conversado com Moraes sobre o tema. Alguns dizem, inclusive, que caso fossem relatores teriam concedido a medida.
A preocupação é o quanto uma piora do quadro de Bolsonaro poderia respingar na imagem já abalada da corte. Além do próprio relator, a questão poderia atingir todo o Supremo e os integrantes de forma mais ampla.
A proximidade do período eleitoral é outro elemento calculado por essa ala. Na avaliação desses magistrados, a corte pode não conseguir sair dos holofotes da política sem isso -ainda que outras matérias, como o caso Master, tenham crescido a atenção política sobre o tribunal mais uma vez.
Assim, ao menos metade dos ministros já entende que a melhor opção seria deixar Bolsonaro cumprir sua pena em casa.
Nesta quinta (19), foi a vez de Tarcísio reiterar o pedido da defesa do ex-presidente. O governador teve reuniões com os ministros Moraes, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin, presidente da corte.
Tarcísio viajou a Brasília para tratar principalmente do julgamento de uma ação que pede a suspensão da privatização da Sabesp, mas a expectativa de aliados e dos próprios ministros era a de que ele usaria a oportunidade para também pedir a prisão domiciliar.
Em janeiro, após a reunião com Michelle e a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, havia expectativa de que o ministro finalmente decidisse pela domiciliar. Mas a explosão do caso Master, com menção à mulher do ministro, aliada aos ataques de bolsonaristas a Moraes, teriam inviabilizado qualquer acordo. Com a internação, a possibilidade de decretação de regime domiciliar volta à mesa.
Em outra frente, mais de cem deputados federais da oposição e do centrão assinaram um pedido enviado nesta quarta-feira (18) a Moraes para pressionar pela prisão domiciliar.
A solicitação para Bolsonaro deixar a Papudinha, encabeçada por Gustavo Gayer (PL-GO), conta com a assinatura de dezenas de congressistas do partido do ex-presidente, mas também tem o apoio de nomes de outras legendas, como PSD, PP, MDB, União Brasil e Republicanos.
Na terça, a defesa de Bolsonaro apresentou ao Supremo um novo pedido de prisão domiciliar humanitária, sob o argumento de que houve uma piora da saúde de Bolsonaro, que resultou na internação hospitalar.
Os advogados citam que a internação emergencial demonstra um agravamento no quadro clínico de Bolsonaro e que a Papudinha é "absolutamente incompatível com a preservação de sua saúde e integridade física", o que pode levar a intercorrências fatais.
- Por Gabriel Lopes/Bahia Notícias
- 20 Mar 2026
- 08:29h
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), o deputado estadual Luciano Ribeiro (União), vice-líder da oposição na Casa, comentou o cenário político nacional com vistas às eleições de 2026 e possíveis reflexos na disputa estadual, que deve ser, mais uma vez, entre o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e o governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Questionado pelo Bahia Notícias, em entrevista concedida nesta semana, sobre a estratégia do grupo na próxima eleição presidencial — especialmente diante da possibilidade de alinhamento com nomes já colocados no cenário nacional — o parlamentar afirmou que mantém a defesa de uma candidatura própria do União Brasil, em conjunto com a federação formada com o PP. O parlamentar evitou comentar uma possível aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que já se colocou como pré-candidato.
“Eu sempre defendi que o nosso partido, e agora a nossa federação, União Brasil e PP, pelo tamanho que tem, pela importância que tem, pelo significado que tem, tenha candidato próprio. Eu acredito ainda que nós teremos um candidato próprio do nosso meio partidário. Então é isso que eu defendo, que tenhamos um candidato à presidência da República do nosso partido. Acho sim que é importante ter isso dentro do nosso partido. É uma eleição de dois turnos, então nesse primeiro turno, todos os partidos e principalmente o partido da envergadura, do tamanho da nossa federação, eu acho que é extremamente necessário que tenha um partido", afirmou.
Durante o bate-papo, o parlamentar também indicou que o foco deve estar voltado para os desdobramentos no âmbito estadual.
"Mas eu acho que nós aqui na Bahia não podemos, não devemos perder o foco da eleição, que é estadual”, afirmou. "Então é o governador Jerônimo com todas as suas deficiências, com tudo que mostrou nesses três anos de ineficiência, e que o próprio líder diz que é um governo mediano, confrontado com as qualidades, com o que já demonstrou ser o deputado, o líder, ACM Neto. É nesse confronto que eu acho que a gente deve focar para que a Bahia mude de mãos, para que a Bahia tenha um novo norte e possa viver novos tempos”, declarou.
A entrevista completa com o deputado será publicada na próxima segunda-feira.
- Bahia Notícias
- 19 Mar 2026
- 16:49h
Foto: Divulgação SSP
A tecnologia de Reconhecimento Facial da Secretaria da Segurança Pública da Bahia alcançou 500 foragidos da Justiça em 2026. A última captura aconteceu na noite da última segunda-feira (16), no município de Jacobina, interior da Bahia.
Um homem, com mandado de prisão preventiva por homicídio, foi alcançado por equipes do 29° Batalhão de Polícia Militar e encaminhado para a unidade da Polícia Civil.
No primeiro bimestre do ano foram alcançados homicidas, traficantes, estupradores, procurados por roubo, por prática de furto, porte ilegal de arma de fogo, além de procurados por dívida de pensão alimentícia.
FERRAMENTA
A tecnologia reforça a atuação policial no combate ao crime, possibilitando capturas de procurados da Bahia e de outros estados .
Implementada em dezembro de 2019, a ferramenta passou por ampliação contando com um maior número de pontos de imagens e com a implementação de Plataformas Elevadas de Observação, empregadas em grandes eventos da capital e do interior.
- Por Carolina Linhares e Raphael di Cunto | Folhapress
- 19 Mar 2026
- 14:45h
Foto: Saulo Cruz / Agência Senado
Depois de acertar o apoio do PL à sua candidatura ao Governo do Paraná, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) decidiu, nesta quarta-feira (18), deixar seu partido e se filiar à legenda de Flávio Bolsonaro para disputar a eleição. Moro tem aparecido à frente em pesquisas de intenção de voto no estado.
O senador se reuniu, durante a tarde, com a cúpula da federação União Brasil-PP para decidir por qual partido iria concorrer -o PL também havia lhe oferecido a legenda. A tendência do União Brasil era apoiar a candidatura de Moro, mas o senador enfrenta resistências no PP do Paraná.
A ideia, segundo a reportagem apurou, é de que a vaga de vice na chapa do senador seja oferecida à federação. O PL pretende também lançar o deputado Filipe Barros (PL-PR) ao Senado, e a segunda vaga de candidato a senador seria de Deltan Dallagnol (Novo-PR).
Mais cedo nesta quarta, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniu com Moro e declarou o apoio do PL à candidatura do senador, o que representou um rompimento com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD).
Como afirmou Valdemar, a preocupação do PL era a de garantir um palanque para Flávio no estado, já que Ratinho Jr. deve ser escolhido candidato do PSD à Presidência da República na próxima semana.
"Nós vamos ter que unir todo mundo lá para ele ganhar a eleição no primeiro turno. Senão nós estamos mortos por causa do Ratinho", disse Valdemar, pouco antes de Moro decidir trocar o União Brasil pelo PL.
Questionado sobre o rompimento entre o PL e Ratinho Jr, Valdemar respondeu que o governador do Paraná mora no seu coração. "Mas acontece que ele vai sair de candidato a presidente, então vamos fazer zero votos no Paraná? E Moro está lá explodindo. Talvez, com 22 [na legenda], Moro ganhe até a eleição no primeiro turno."
Na semana passada, Ratinho Jr. chegou a se reunir com o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), para tentar barrar o apoio do PL a Moro, o que atrapalharia seus planos de sucessão no estado.
A condição colocada pelo PL, no entanto, foi de que Ratinho Jr. desistisse de concorrer ao Palácio do Planalto para apoiar Flávio --o governador é cotado inclusive como possível vice do presidenciável bolsonarista. Mas o que ocorreu foi o oposto: o PSD consolidou a decisão de lançar Ratinho nos próximos dias, o que acelerou o acordo entre o PL e Moro.
Até esta quarta, havia um acordo para que a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro se aliasse ao candidato de Ratinho no estado, em troca de Filipe Barros concorrer ao Senado.
O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), trabalha para ser escolhido por Ratinho como seu sucessor, mas o governador demonstra preferência pelo secretário das Cidades, Guto Silva (PSD).
O acordo entre o ex-juiz da Lava Jato e o partido de Bolsonaro marca uma nova reviravolta na relação dele com o bolsonarismo. Em 2018, o hoje senador do União Brasil largou a magistratura para ser ministro da Justiça do então presidente eleito. Deixou o governo em 2020, acusando o ex-aliado de querer intervir na Polícia Federal.
Em 2022, tentou se lançar à Presidência da República, com discurso crítico ao bolsonarismo, mas não conseguiu apoio partidário no União Brasil.
"Chega de rachadinha", disse ele em pronunciamento em 2021, em uma referência a acusações contra o filho mais velho do então presidente.
Ainda em 2022, mudou de posição e fez campanha para Bolsonaro no segundo turno da eleição, tendo inclusive acompanhado o aliado em debate na TV Bandeirantes.