Consumo deixa de ser motor do PIB e deve ter menor crescimento desde pandemia

  • Por Folhapress | Maeli Prado
  • 12 Out 2026
  • 18:21h

Foto: Divulgação

Considerado o motor da economia nos últimos anos, o consumo das famílias perde tração e deve ter o menor crescimento desde a pandemia neste ano e no próximo, segundo economistas. Com o principal pilar da demanda enfraquecido, eles esperam que o investimento e as exportações ganhem mais espaço como impulsionadores da atividade.
 

A expectativa é que o avanço do consumo no pós-pandemia (a alta média foi de 3,3% entre 2021 e 2025) desacelere para em torno de 1% neste ano e abaixo disso no ano que vem —os economistas mais pessimistas veem risco até de estagnação do indicador.
 

A razão é que o total gasto pelos brasileiros com bens e serviços, que responde por 63% do PIB (Produto Interno Bruto), vem sendo refreado pelo endividamento e comprometimento de renda elevados e pelo ímpeto menor do mercado de trabalho e do crédito em relação a anos anteriores.
 

O impulso fiscal também tende a se reduzir no ano que vem para conter a crescente relação entre dívida e PIB, que atingiu 82,9% em agosto, o maior patamar em cinco anos, segundo dados do Banco Central.
 

É um movimento na direção contrária dos últimos anos, quando a taxa de desemprego se reduziu à mínima histórica, os benefícios sociais tiveram forte alta e os empréstimos a consumidores saltaram mais de 60%, de acordo com dados do BC.
 

Esses foram os fundamentos que permitiram ao consumo avançar 3% em 2021, 4,1% em 2022, 3,2% em 2023 e 5,1% em 2024. Em 2025, com a base de comparação forte do ano anterior, a alta foi mais modesta, de 1,3%.
 

Esse modelo dá sinais de exaustão. No segundo trimestre, o consumo das famílias medido pelo IBGE recuou 0,4% ante os primeiros três meses do ano, e há risco significativo de voltar a cair no terceiro, segundo economistas.
 

O passo lento das compras de bens e serviços pelas famílias faz com que economistas ouvidos semanalmente pelo Boletim Focus, do BC, já vejam a atividade econômica se expandindo apenas 1,41% no ano que vem, contra 1,80% da projeção no início do ano.
 

"As expectativas para o PIB estão desacelerando, e o principal fator é o consumo das famílias mais fraco", afirma Felipe Camargo, economista da Oxford Economics. "Os dados de vendas no varejo, principalmente o ampliado [que inclui veículos e material de construção], estão surpreendendo para baixo."
 

Para ele, após anos de queda acentuada do desemprego, o mercado de trabalho não tem como repetir o mesmo ritmo de geração de vagas. "Houve uma queda de 10 pontos percentuais na taxa de desemprego nos últimos anos, e isso não se repete. Não dá para continuar gerando emprego formal na velocidade que geramos no passado."
 

Segundo o economista Manoel Pires, coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público do FGV Ibre, o enfraquecimento é ainda mais intenso. Quando se olha o consumo per capita, aponta, o indicador cresceu 0,67% entre o quarto trimestre de 2025 e mesmo período de 2024.
 

A alta do consumo nessa métrica entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025, calcula, foi de 0,07%, apontando para a estagnação.
 

"É um dado muito forte para ser ignorado", afirma. "Houve uma ruptura do comportamento histórico e se chega a uma estagnação, o que ajuda a explicar por que o governo tem bons resultados para entregar, como o desemprego baixo, mas isso não se traduz em boa popularidade."
 

Há um outro ponto fundamental que explica a desaceleração do consumo: economistas destacam que o endividamento e o comprometimento de renda rondam patamares recorde —os indicadores alcançaram 49,9% e 28,7%, respectivamente, em julho, segundo o BC.
 

"Vemos o consumo abaixo do que poderia ser por conta das famílias mais endividadas e da renda mitigada pelo pagamento de principal e juros", afirma Natália Cotarelli, economista do Itaú Unibanco, que vê o consumo crescendo 1,1% neste ano e no próximo. "Além disso, o crédito a pessoas físicas deve continuar desacelerando."
 

Apesar disso, ela avalia que o mercado de trabalho ainda garantirá uma sustentação mínima do consumo no ano que vem. "A taxa de desemprego aumentará, mas ainda deve ficar em 6,2%, um patamar ainda baixo", diz.
 

O peso do endividamento acumulado é apontado por Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV Ibre, como o fim de uma ilusão ancorada em estímulos do governo que sobrecarregaram o orçamento público e o privado.
 

"Consumo é essencial para o crescimento, mas se cresce anabolizado pelo governo, a gente sabe que não acaba bem", diz. "Essa fantasia que vivemos é fantasia mesmo: a conta chegou. Não temos superávit, o governo está endividado e as famílias estão endividadas."
 

Para Matos, tentar reanimar a demanda via gasto público em um cenário fiscal vulnerável gera um curto-circuito que obriga o Banco Central a manter a taxa básica em patamares elevados por mais tempo.
 

"O Brasil vive um cabo de guerra entre política fiscal e monetária. Juro real muito alto é como tomar antibiótico por muito tempo: vem o Banco Central como bombeiro e você precisa estender o remédio, gerando efeitos colaterais severos", compara a pesquisadora.
 

Matos vê o consumo desacelerando para uma alta de 0,9% em 2027, mas há cenários ainda mais pessimistas. Luís Fernando Cezario, economista-chefe da Asset 1, projeta para o PIB uma oscilação entre recuo de 0,1% e alta tímida de 0,3% em 2027, com o consumo variando entre estagnação e avanço de 0,5%, dependendo do esforço fiscal feito pelo próximo presidente da República.
 

"A dinâmica do consumo como motor do PIB se esgotou, e vemos uma certa ressaca, ainda mais que no ano que vem haverá bem menos impulso fiscal", afirma.
 

Nos próximos anos, a expectativa é que o investimento e as exportações passem a sustentar a atividade, apesar de não compensarem totalmente a desaceleração do consumo, como ressalva Camargo.
 

"Um cenário em que o consumo desacelera permite que os juros caiam, e quem mais se beneficia são as firmas. E o investimento vem em seguida, como consequência", avalia o economista da Oxford Economics.
 

Ele vê espaço para alta de investimentos em infraestrutura portuária, como consequência da exploração da Margem Equatorial, além de aportes em data centers.
 

Para Silvia Matos, do FGV Ibre, o modelo centrado nas famílias se esgotou e exige uma virada estrutural. "PIB liderado pelo consumo não é sustentável. Para aumentar o potencial da economia, tem que ser liderado por investimento e ganhos de produtividade", avalia.
 

Na avaliação de Cotarelli, do Itaú, essa mudança é necessária, mas tem uma condição: "Agora vamos ver outros fatores impulsionando a atividade. O mais importante talvez seja o investimento, para termos um crescimento mais equilibrado, mas isso vai depender dos juros finalmente caírem mais."

Trump sugere renomear Oceano Atlântico ou Pacífico para "Oceano Trump" durante comício no Tennessee

  • Bahia Notícias
  • 12 Out 2026
  • 16:18h

Foto: White House

Em um discurso para apoiadores em Clarksville, no estado do Tennessee, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu renomear o Oceano Atlântico ou o Oceano Pacífico para "Oceano Trump" ou "Oceano das Américas". O republicano afirmou aos presentes que gostaria de ver a alteração concretizada antes de deixar o cargo.

A declaração ocorre no contexto de outras propostas de alteração na nomenclatura de marcos geográficos defendidas pela sua gestão. Anteriormente, Trump determinou que os órgãos oficiais do governo norte-americano adotassem o termo "Golfo da América" em substituição a Golfo do México, além de assinar um decreto para alterar o nome do Lago Ontário para "Lago América". Embora o governo dos EUA tenha prerrogativa para definir como suas próprias agências se referem a esses locais, essas decisões não possuem efeito vinculante para outras nações, tendo sido rejeitadas pelo México e pelo Canadá.

No mesmo evento, Trump voltou a prometer pagamentos de US$ 5.000 para cada adulto americano, condicionando o repasse à manutenção do controle do Congresso (Câmara dos Representantes e o Senado) pelo Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, as Midterms.

Ataque a tiros deixa dois mortos e um ferido em praça pública de Jequié

  • Bahia Notícias
  • 12 Out 2026
  • 14:14h

Foto: Blog Marcos Frahm

Dois homens foram mortos a tiros e uma pessoa ficou baleada após um ataque na noite do último domingo (11), na Rua Duque de Caxias, no bairro Barro Preto, em Jequié, no Médio Rio de Contas.

 

As informações são do Blog Marcos Frahm, parceiro do Bahia Notícias.

 

De acordo com a publicação, as vítimas estavam em uma praça pública, em frente a um quiosque quando foram surpreendidas por indivíduos que, segundo populares, passaram a bordo de um veículo de placa não anotada e efetuaram os disparos de arma de fogo na direção dos homens.

 

Na ação uma terceira pessoa foi alvejada, sendo socorrida com ferimentos ao Hospital Geral Prado Valadares – HGPV.

 

Os corpos dos dois homens ainda não identificados foram removidos pela Polícia Técnica e encaminhados ao Instituto Médico Legal – IML. 


A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar e Polícia Civil, que até o momento desta publicação não teriam identificado ou capturado os autores, que fugiram após o cometimento do crime. A Delegacia Territorial instaurou inquérito e apura o caso.

Bahia amplia alertas contra o El Niño em todo o estado e prevê calor extremo de até 41 ºC

  • Bahia Notícias
  • 12 Out 2026
  • 12:16h

Foto: Mateus Pereira GOV/BA

O Governo da Bahia intensificou as medidas preventivas para mitigar os impactos do fenômeno climático El Niño em todo o estado. Diante de projeções meteorológicas que indicam temperaturas acima de 41 °C e umidade relativa do ar caindo a níveis inferiores a 15% no centro-oeste baiano, o executivo iniciou o envio de alertas diretos via WhatsApp para a população dos 417 municípios, utilizando a base do portal ba.gov.br.

A mobilização reúne a Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

Para assegurar que a comunicação chegue de forma rápida e eficiente às localidades mais vulneráveis às intempéries climáticas, os municípios foram mapeados e divididos em três faixas de atenção. 142 cidades constam na primeira faixa de prioridade, enquanto 150 figuram na segunda. Já a terceira faixa de prioridade conta com 125 municípios. A categorização permite o direcionamento de orientações customizadas às necessidades específicas de cada região, garantindo cobertura integral do território baiano.

 

De acordo com o Inema, a combinação de calor intenso, baixa umidade e temperaturas acima da média histórica ao longo de todo o trimestre, impulsionada pelo El Niño, eleva os riscos de incêndios florestais e de complicações de saúde na população.

 

Os alertas emitidos pelo governo têm caráter estritamente preventivo. Eles incluem orientações práticas sobre como se proteger do calor excessivo, lidar com a aridez do ar e evitar práticas que possam provocar queimadas, visando capacitar os cidadãos a agir com segurança diante de cenários críticos.

Lula reúne multidão na Paulista e atos ocorrem em 76 cidades do país

  • Bahia Notícias
  • 12 Out 2026
  • 10:06h

Fotos: Divulgação / Ascom do PT / Ainoã Teles / Bahia Notíicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu milhares de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), durante a Marcha pela Democracia. Mobilizações também foram realizadas em outras 76 cidades brasileiras, em uma tentativa de ampliar o engajamento da militância para o segundo turno da eleição presidencial.

Foto: Divulgação

Segundo a Folha, convocado por estudantes, movimentos sociais, partidos de esquerda e grupos ligados à cultura digital, o ato ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente. No mesmo dia, aliados do candidato do PL também se reuniram na capital paulista para defender a mobilização eleitoral e cobrar providências da Justiça Eleitoral contra o que classificaram como mentiras da campanha petista.

 

Na Paulista, a manifestação ocupou cerca de 12 quarteirões. Não houve estimativa oficial de público. O Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP e do Cebrap, e a organização More in Common Brasil informaram que não realizaram contagem devido à falta de autorização para o uso de drone.

 

APELO AOS JOVENS

Durante o discurso, Lula reconheceu dificuldades para se conectar com a juventude e defendeu maior participação dos jovens nas decisões políticas.

 

“A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima para baixo”, afirmou o presidente, que também pediu o envolvimento dos participantes na vida pública e alertou para a importância da preservação da democracia.

 

Lula ainda prometeu uma revolução tecnológica caso seja reeleito e apresentou governadores nordestinos ao público, entre eles Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Elmano de Freitas, do Ceará, e Rafael Fonteles, do Piauí.

 

DIVERSAS CIDADES

Além de São Paulo, manifestações, caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens foram registrados em diferentes regiões do país, segundo a plataforma Comitê Popular de Luta.

 

Em Brasília, apoiadores ocuparam parte do Eixão Norte. No Rio de Janeiro, houve mobilização na orla de Copacabana. Em Recife, manifestantes saíram da região do Parque 13 de Maio e caminharam pelo centro até o Marco Zero.

 

Em Salvador, os atos ocorreram em Piatã, Campo Grande e Barra. Também foram registradas mobilizações em Goiânia, Belo Horizonte, Manaus, Vitória, Aracaju, Florianópolis, Campinas e Juiz de Fora, entre outras cidades.

 

A mobilização faz parte da estratégia do PT para ampliar a votação de Lula no segundo turno. Entre os objetivos estão reduzir a abstenção e convencer eleitores que apoiaram outros candidatos na primeira etapa da eleição.

 

Na primeira pesquisa Datafolha divulgada após a definição do confronto, Flávio Bolsonaro apareceu com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.

 

O presidente também reconheceu, na quarta-feira (7), que a campanha do primeiro turno teve problemas de organização. Segundo relato de uma conversa com aliados, ele avaliou que o esforço eleitoral foi o menos organizado de suas disputas presidenciais desde 1989.

 

A concentração de pessoas na Avenida Paulista levou o Metrô de São Paulo a fechar temporariamente a estação Trianon-Masp, da Linha 2-Verde. A companhia informou que acionou o plano de controle de multidões e ampliou a oferta de trens em outras linhas.

Idoso morre a caminho de almoço de família após carro derrapar e capotar na Bahia

  • Bahia Notícias
  • 12 Out 2026
  • 08:12h

Foto: TV Santa Cruz

Um idoso de 67 anos morreu após o carro que dirigia derrapar na pista e capotar. O acidente aconteceu na tarde do último domingo (11), na cidade de Itabela, no sul da Bahia.

 

De acordo com a TV Santa Cruz, afiliada da Rede Bahia na região, a vítima, identificada como Antônio Bispo dos Santos, estava a caminho de um almoço de família, na sede do município, quando ocorreu o acidente.

 

Câmeras de segurança instaladas na região registraram o capotamento. Um equipamento de segurança na Avenida Guaratinga registrou o momento exato em que o carro derrapa na pista e invade o acostamento no sentido contrário, girando pelo menos três vezes, sobre as cercas de imóveis que ficam à beira da pista. 

 

Segundo o g1 Bahia, a vítima chegou a ser socorrida com vida e foi encaminhada para o Hospital de Eunápolis, na mesma região do estado, mas não resistiu aos ferimentos. 

 

O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) da região, para necropsia e a Polícia Civil (PC-BA) informou que o caso foi registrado na Delegacia de Itabela.

Homem é detido por populares após importunar jovem sexualmente em Bom Jesus da Lapa

  • Bahia Notícias
  • 11 Out 2026
  • 12:36h

Foto: Reprodução / Achei Sudoeste

 

Um homem foi conduzido à Delegacia Territorial de Bom Jesus da Lapa pela 38ª Companhia Independente de Polícia Militar da Bahia (CIPM), na noite desta sexta-feira (9), após ser denunciado por suspeita de importunação sexual contra uma adolescente. O caso foi registrado perto de uma escola de polícia.

 

Segundo informou a corporação ao site Achei Sudoeste, parceiro local do Bahia Notícias, a guarnição foi acionada para averiguar uma ocorrência nas proximidades do Colégio da Polícia Militar, onde o indivíduo já se encontrava contido por populares. No local, a equipe colheu as primeiras informações sobre o fato.

De acordo com o relato do responsável pela jovem, o homem teria realizado contato físico de natureza sexual sem o consentimento da vítima. Diante da denúncia, os policiais encaminharam o suspeito à delegacia. A adolescente compareceu ao local acompanhada de seu responsável legal, juntamente com testemunhas do ocorrido, para prestar depoimento e esclarecer os detalhes do fato à autoridade policial.

 

A Polícia Civil ficará responsável por investigar o caso e determinar os desdobramentos legais.

 

Flávio exalta Bolsonaro e vê culto falar de voto; Lula mira gasolina subsidiada e tesouraço de rival

  • Por Italo Nogueira / Jorge Cosme / Renata Moura | Folhapress
  • 11 Out 2026
  • 10:38h

Foto: Reprodução

No primeiro sábado de campanha do segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) exaltou o pai durante uma carreata no Rio de Janeiro, enquanto Lula (PT) defendeu em Natal as medidas anunciadas pelo governo para conter o preço dos combustíveis. Os atos ocorreram a 15 dias da votação, marcada para 25 de outubro.
 

Em São Gonçalo (RJ), Flávio percorreu as ruas ao lado de Douglas Ruas (PL), governador eleito do Rio. Disse aos eleitores que aqueles que "tentaram calar Jair Messias Bolsonaro" contribuirão para sua vitória. Também repetiu que, se vencer o pleito, pretende receber a faixa das mãos do ex-presidente.
 

Jair Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar desde março, por razões de saúde. Em setembro de 2025, o STF (Supremo Tribunal Federal) o condenou a 27 anos e três meses de prisão por tentar dar um golpe de Estado após perder a eleição de 2022 para Lula.
 

Flávio promete conceder indulto ao ex-presidente caso seja eleito. Seus aliados esperam, antes disso, que o Supremo reveja a pena. O ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao tribunal por Bolsonaro, afirmou que deve analisar após o segundo turno uma ação que pode levar à soltura do ex-presidente.
 

Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que Bolsonaro continuaria inelegível mesmo que um eventual indulto resistisse a questionamentos no STF.
 

Em Brasília, Carlos Bolsonaro (PL), eleito senador, visitou o pai por duas horas. Ao sair, disse que o ex-presidente está otimista com a disputa e deseja passar uma semana em Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ), caso seja solto.
 

Depois da carreata em São Gonçalo, Flávio se reuniu com apoiadoras ao lado de Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha, e da vice-governadora eleita no Rio, Fernanda Louback (PL).
 

Em seguida, participou de um culto para celebrar o centenário da Assembleia de Deus Ministério Madureira, no ginásio Maracanãzinho, na zona norte do Rio. O bispo Samuel Ferreira conduziu um coro no ginásio lotado, que repetiu 14 vezes o lema "irmão vota em irmão". Flávio se declara evangélico.
 

Ferreira disse que não estava pedindo voto, mas afirmou que pediria se pudesse. Enumerou razões pelas quais apoiaria Flávio, entre elas a fé do candidato e sua indicação pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
 

Ao convidar o senador para o púlpito, o bispo o apresentou como futuro presidente da República. Parte do público gritou "É 22!", em referência ao número de Flávio na urna. O candidato respondeu: "O bispo não pediu, mas a igreja está pedindo".
 

Flávio disse enfrentar uma "guerra espiritual" durante a campanha. Ao final de seu discurso, cantou Hino da Vitória ao lado da cantora gospel Meire Cerqueira. Silas Malafaia também estava no culto, mas não fez discurso de teor político no período em que a imprensa esteve no local.
 

Em Natal, Lula fez campanha para Cadu de Lula (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte. Do alto de um carro, defendeu o pacote anunciado na sexta-feira (9) para conter a alta dos combustíveis, que o governo atribui à guerra no Irã.
 

"Estamos subsidiando para que o preço da guerra não chegue no pão do povo, não chegue no leite do povo", disse.
 

Anunciadas a 16 dias da votação, as medidas zeram os impostos federais sobre a gasolina, renovam a subvenção ao etanol e criam outra para a importação de diesel. A desoneração da gasolina equivale a R$ 0,89 por litro. As subvenções são de R$ 0,19 por litro de etanol e R$ 1,40 por litro de diesel importado.
 

O pacote valerá por 30 dias e custará R$ 5,2 bilhões, segundo o Ministério do Planejamento. O governo diz que usará a arrecadação adicional ligada ao petróleo para bancá-lo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou motivação eleitoral para o anúncio. Parte dos subsídios venceria na sexta-feira sem a renovação.
 

Lula afirmou que o preço da gasolina já caiu no Brasil. Um corte anterior de imposto federal, porém, não havia reduzido os preços nas bombas, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
 

O presidente também questionou o ajuste de R$ 250 bilhões estudado pela equipe econômica de Flávio. Disse que cortes desse tipo costumam prejudicar os mais pobres e afirmou que uma vitória do adversário colocaria em risco o Farmácia Popular, os institutos federais e o Minha Casa Minha Vida. A campanha de Flávio nega que as medidas estudadas façam parte de seu programa de governo.
 

"Eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país que teve coragem de cortar dos ricos, dos banqueiros, dos empresários, do sistema financeiro, dos fazendeiros e dos empresários."
 

O ato em Natal reuniu os governadores eleitos Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba; Rafael Fonteles (PT), do Piauí; Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia; e Elmano Freitas (PT), do Ceará. Lula pediu aos apoiadores que procurem eleitores mais velhos e os convençam a votar no dia 25.
 

Flávio chegou ao segundo turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar venceu a disputa presidencial.

Mãe teme por segurança de filha citada em lista de ‘estupráveis’ em escola na Bahia

  • Bahia Notícias
  • 11 Out 2026
  • 08:33h

Foto: Reprodução / Redes Sociais

A mãe de uma adolescente citada em uma lista de garotas classificadas como “estupráveis”, feita por estudantes do Colégio Anísio Teixeira (CAT), em Feira de Santana, relatou estar em choque e teme pela segurança da filha. O caso veio à tona após denúncias de estudantes nas redes sociais.

 

Segundo o Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, além de divulgar a lista e afixá-la em uma parede da escola, alunos teriam se fantasiado de homens envolvidos em casos de estupro e feminicídio. A situação provocou revolta entre estudantes, que realizaram um protesto na instituição. As aulas foram suspensas.

 

Em entrevista ao site feirense, a mãe afirmou que a filha está assustada e insegura. Ela contou que procurou a escola duas vezes para obter esclarecimentos sobre o caso e as medidas de proteção às adolescentes.

 

De acordo com a mãe, a coordenação informou que a direção estava reunida com representantes da polícia, do Conselho Tutelar e de outros órgãos para discutir as providências. Ela também relatou ter sido informada de que os estudantes envolvidos teriam sido convidados a deixar a instituição.

 

COLÉGIO
Em nota publicada no Instagram, o Colégio Anísio Teixeira afirmou que acompanha o caso e adota as medidas cabíveis, com respeito à legislação e aos direitos dos envolvidos.


A instituição informou que as situações relatadas estão sendo tratadas por meio de medidas pedagógicas, observando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e os regimentos internos.

 

O colégio também reafirmou o compromisso com um ambiente escolar seguro, livre de violência, discriminação e constrangimento. Por envolver menores de idade, a instituição disse que preservará a privacidade dos estudantes, o que limita a divulgação pública de informações.

SUS transporta sangue raro via aérea para salvar paciente grave em Minas Gerais

  • Bahia Notícias
  • 10 Out 2026
  • 14:34h

Foto: Paulo Cavalcanti / HEMOCE

Uma bolsa de sangue raro coletada no Ceará chegou nesta sexta-feira (9) a Juiz de Fora, em Minas Gerais, para atender um paciente em estado grave que passou por um transplante renal e precisava de transfusão. O transporte, realizado na cabine de um avião comercial, foi a segunda operação do tipo no Brasil.

 

A compatibilidade sanguínea foi identificada após exames pré-transfusionais detectarem no paciente o anticorpo anti-Jsb, que dificultou a busca por uma bolsa adequada. A rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), do Ministério da Saúde, e localizou um doador no Ceará.

 

Após a coleta, o material foi liberado no mesmo dia e acondicionado em embalagem apropriada, com controle de temperatura. A operação foi viabilizada por uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas, permitindo o transporte gratuito na cabine e reduzindo o tempo de deslocamento.

 

O CNSR foi criado em 2013 e reúne atualmente 2.032 doadores. Segundo o Ministério da Saúde, o cadastro já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes. Outros doadores também estão sendo convocados para ajudar no tratamento do paciente mineiro.

 

A raridade de um tipo sanguíneo não depende apenas dos sistemas ABO e Rh. Outros antígenos presentes nas hemácias também influenciam a compatibilidade, e a necessidade de combinar características específicas pode tornar a localização de um doador mais difícil.

Anvisa determina recolhimento imediato do suplemento PeptiStrong por falta de segurança

  • Bahia Notícias
  • 10 Out 2026
  • 12:20h

Foto ilustrativa: Reprodução / Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta sexta-feira (9), o recolhimento compulsório de todos os lotes do produto PeptiStrong, fabricado pela empresa Manipulação Stevia Ltda., conhecida no mercado como Biostevi Pharma. A medida foi formalizada no Diário Oficial da União (DOU) por meio da Resolução nº 3.967/2026. Procurada, a Biostevi Pharma ainda não se manifestou.

 

De acordo com a agência reguladora, o produto traz em sua formulação a proteína de fava hidrolisada como ingrediente ativo. Trata-se de uma substância que ainda não passou pelos testes de segurança de uso alimentar nem obteve a aprovação sanitária exigida no Brasil.

 

Pelas regras da Anvisa, novos compostos ou ingredientes destinados à alimentação e suplementação devem ser submetidos previamente a avaliações de segurança, toxicidade e eficácia antes de serem disponibilizados para comercialização ao público.

 

As informações foram confirmadas pelo jornal Estado de S. Paulo, a determinação abrange a suspensão imediata da venda, distribuição e divulgação do produto, além do recolhimento de todas as unidades já distribuídas no mercado nacional.

Starlink tem liberação para conectar celulares a satélites e Vivo testa tecnologia no Brasil; entenda

  • Bahia Notícias
  • 10 Out 2026
  • 10:16h

Foto: Reprodução Redes Sociais

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a disponibilização de frequências de rádio à Starlink para viabilizar a conexão direta entre satélites e celulares no Brasil. A decisão foi tomada na sexta-feira (9), por quatro votos a um, e representa mais um passo para a expansão da tecnologia conhecida como Direct-to-Device (D2D).

 

A medida autoriza a Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX, a utilizar 15 + 15 MHz de espectro na banda S. O objetivo é permitir a comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis compatíveis, sem a necessidade de antenas parabólicas ou outros equipamentos externos para estabelecer a conexão.

 

Segundo o TeleSintese, a decisão também estabelece prazos diferentes para a utilização das frequências. Parte do espectro poderá ser utilizada até 2029, enquanto outra parcela tem autorização com prazo mais longo, conforme as condições definidas pela agência reguladora.

 

As informações sobre a aprovação foram publicadas pelo portal especializado Tele.Síntese. 

 

STARLINK E VIVO REALIZAM TESTES COM A TECNOLOGIA 
A expansão da conexão direta entre satélites e celulares também envolve a operadora Vivo. A empresa mantém testes com a Starlink para avaliar o uso da tecnologia D2D como alternativa complementar de cobertura móvel.

 

Em setembro, a Anatel prorrogou até 22 de abril de 2029 a autorização para a Telefônica Brasil, responsável pela Vivo, realizar operações experimentais com a tecnologia em todo o território nacional. A permissão contempla a possibilidade de exploração comercial dentro das condições estabelecidas no ambiente regulatório experimental.

 

A parceria busca ampliar as possibilidades de conexão em áreas onde a cobertura das redes móveis convencionais é limitada. Nesse modelo, os satélites podem funcionar como uma extensão da infraestrutura de telecomunicações, permitindo a comunicação com aparelhos compatíveis fora do alcance habitual das antenas terrestres.

 

A aprovação de frequências para a Starlink e a autorização dos testes envolvendo a Vivo são medidas distintas, embora relacionadas ao desenvolvimento desse tipo de serviço no país. 

 

QUANDO A TECNOLOGIA ESTARÁ DISPONÍVEL 
Apesar da decisão da Anatel, a aprovação não significa que todos os brasileiros já possam acessar a internet da Starlink diretamente pelo celular. A disponibilização do serviço depende da implantação da infraestrutura necessária, da compatibilidade dos aparelhos e do cumprimento das exigências técnicas e regulatórias.

 

A tecnologia D2D permite estabelecer uma ligação entre satélites e celulares compatíveis, mas os recursos oferecidos podem variar de acordo com o serviço implementado, incluindo mensagens, chamadas e acesso à internet. O setor de telecomunicações acompanha a evolução dessas iniciativas, que podem ampliar a cobertura de comunicação em regiões afastadas dos centros urbanos e em localidades com infraestrutura terrestre limitada.

TJ-BA terá plantão extraordinário no feriado; veja serviços

  • Bahia Notícias
  • 10 Out 2026
  • 08:53h

Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) funcionará em regime de plantão extraordinário na segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida. A medida, regulamentada pelo Decreto Judiciário nº 1050/2025, abrange unidades judiciais de primeiro e segundo graus e tem como objetivo garantir a análise de demandas urgentes durante o período.

 

No primeiro grau, o plantão presencial funcionará das 9h às 13h, com atendimento a casos como pedidos de habeas corpus, comunicações de prisão em flagrante, solicitações de liberdade provisória, medidas cautelares urgentes e medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Fora desse horário, o atendimento será em regime de sobreaviso para situações de especial urgência, como risco de morte.

 

A Vara de Audiência de Custódia também funcionará das 9h às 13h, com análise de prisões em flagrante e pedidos relacionados à liberdade dos custodiados. Já o plantão de segundo grau atenderá demandas urgentes da competência do Tribunal de Justiça (TJ-BA), como habeas corpus, pedidos de liberdade provisória e tutelas provisórias de urgência.

 

Os expedientes devem ser encaminhados eletronicamente pelo Sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe), conforme o grau de jurisdição. Para o primeiro grau, o contato é (71) 3372-5346 ou 5345, além do e-mail [email protected]. No segundo grau, os telefones são (71) 3372-5610 e (71) 99626-0514, com atendimento por WhatsApp, além do e-mail [email protected].

 

O plantão extraordinário não se aplica aos cartórios extrajudiciais. O TJ-BA mantém ainda o plantão ordinário para questões urgentes fora do expediente regular, das 18h às 8h nos dias úteis e de forma ininterrupta aos fins de semana e feriados.

 

Flávio Bolsonaro promete revisar papel do Ibama, Funai e ICMBio e quer explorar gás de 'fracking'

  • Por João Gabriel e André Borges | Folhapress
  • 09 Out 2026
  • 18:48h

Fotos: Reprodução / Agencia Brasil

O plano de um possível governo de Flávio Bolsonaro (PL) sugere um licenciamento ambiental que autorize empreendimentos mesmo sem análise de impacto, eliminação de atribuições de órgãos ambientais e autorização de mineração de gás por meio de fraturamento hidráulico, a polêmica exploração subterrânea conhecida como "fracking".
 

Seu plano ecoa em discursos feitos pelo senador neste ano. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o candidato defendeu acabar com "amarras ambientais", disse que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) formam um "império" e são xiitas, comprometeu-se a "trazer para a Presidência da República" o licenciamento e prometeu não demarcar terras indígenas, repetindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje preso por liderar a tentativa de golpe após as eleições de 2026.
 

A campanha de Flávio foi procurada pela reportagem, por meio de sua assessoria de comunicação, desde a terça-feira (6), mas não respondeu ao pedido de posicionamento sobre os temas tratados nesta reportagem.
 

As prioridades ambientais de seu programa de governo seguem pelo mesmo caminho já percorrido pelo Congresso nos últimos anos, com aprovação de uma agenda criticada por ambientalistas, como a desidratação do Ministério do Meio Ambiente, a nova lei do licenciamento, a flexibilização para uso de agrotóxicos e o marco temporal das terras indígenas.
 

Em sua proposta, Flávio não menciona, nenhuma vez, termos como "aquecimento global" ou "mudança climática", nem mesmo as recentes ondas de calor que atingiram cidades brasileiras. Também ignora tragédias climáticas, como as enxurradas no Rio Grande do Sul e as secas na Amazônia. O texto cita, genericamente, enchentes, por exemplo.
 

As inundações do Sul atingiram 5,5 milhões de pessoas e causaram um prejuízo de R$ 319,1 bilhões ao agronegócio. No Norte e Nordeste, a falta de água afeta milhares de famílias, o transporte e a geração de energia.
 

Nem o plano de Flávio nem o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionam o El Niño, fenômeno climático que pode ter força e impacto inéditos no país em 2027.
 

"Vamos eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio", promete o plano do bolsonarista, sem detalhar quais seriam essas superposições e sinalizando a possibilidade de extinção de áreas.
 

De forma resumida, essas três entidades cuidam, respectivamente, da fiscalização e do licenciamento ambiental, dos povos indígenas e da gestão das unidades de conservação. Os três órgãos foram desidratados no governo de Jair Bolsonaro (PL), com perseguição a servidores e sucateamento das estruturas. O desmatamento florestal entre 2019 e 2022 explodiu, chegando a níveis recordes em todo o país.
 

Flávio promete "zerar o desmatamento ilegal até 2029". Essa meta, na prática, pode abrir espaço para o aumento da destruição florestal. Isso porque hoje grande parte da supressão vegetal é autorizada por órgãos estaduais ou municipais —ou seja, é legal.
 

Em um cenário hipotético, o plano permite que o Brasil chegue ao fim do ano com uma cobertura total de floresta menor do que começou (ou seja, com alta de desmatamento), desde que nada tenha acontecido de forma ilegal.
 

O plano defende a fiscalização ambiental contra grilagem e garimpo ilegal, mas com foco em organizações criminosas e sem criar "novas obrigações" para o produtor.
 

As propostas de Flávio incluem um "licenciamento ambiental ágil, moderno e com segurança jurídica". Na prática, a ideia é que, caso o órgão de controle não se manifeste dentro de um determinado prazo —que ele não diz qual é—, a autorização ambiental será dada automaticamente.
 

O licenciamento ambiental é, historicamente, uma das principais áreas de debate entre ambientalistas e setores econômicos, que reclamam do prazo dos órgãos para avaliar processos. O plano de governo prevê liberar "grandes obras, usinas, minas e projetos industriais", mesmo que não sejam analisados seus impactos ambientais e sociais.
 

Em 2026, o Congresso aprovou uma nova lei de licenciamento, que flexibilizou, simplificou e afrouxou as regras destes procedimentofs.
 

Como revelou a Folha de S.Paulo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atuou diretamente para criar a LAE (Licença Ambiental Especial), processo que permite ao governo federal escolher, por critérios políticos, projetos prioritários e que passam a ter todo o processo de licenciamento acelerado, com prazo máximo de até um ano, independentemente de seu potencial impacto.
 

A nova lei também institui a LAC (Licença por Adesão e Compromisso), que autoriza um empreendimento apenas diante da promessa do empreendedor de cumprir regras ambientais.
 

O documento apresentado pelo filho de Jair Bolsonaro promete substituir o que define como "punição cega" a moradores da Amazônia por "orientação e regularização", mas não detalha se isso envolve reduzir ou suspender multas, embargos e apreensões por infrações ambientais.
 

Hoje, as condições previstas para um determinado empreendimento podem ser revisadas periodicamente pelo Ibama, uma vez que a realidade de um local, no mom ento em que a autorização é dada, pode mudar, assim como seus impactos sobre a região.
 

Flávio quer que as regras perdurem por 20 anos de forma estável, o que pode ignorar novos cenários de escassez hídrica ou riscos à população, por exemplo. E promete punir o Estado em caso de alterações antes desse prazo.
 

A ideia é que haja "estabilidade de regras" por até 20 anos e responsabilização do Estado por prejuízos quando voltar atrás em uma licença.
 

Na área de combustíveis, Flávio dedica parte de seu plano de governo a defender os biocombustíveis, pauta também levantada pelo governo Lula. Sobre petróleo, o documento é vago. Promete apenas que tal "riqueza" deve se "transformar em energia e emprego".
 

Um dos pontos mais polêmicos, porém, envolve a extração de gás. Seu plano defende a técnica do "fracking" no país, técnica que consiste em injetar fluidos por meio da abertura de um canal aberto no selo, a quilômetros de profundidade, para explodir rochas com alta pressão de produtos químicos e, assim, liberar o gás contido nas rochas.
 

O "fracking", já banido em dezenas de países, é criticado pelo risco de contaminação de rios e aquíferos subterrâneos, podendo fazer com que partículas poluentes se espalhem rapidamente por toda uma bacia hidrográfica.
 

O atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também defende esse tipo de extração e chegou a prometer a liberação desse tipo de projeto na gestão petista. Não avançou.
 

*
 

PRINCIPAIS PONTOS SOBRE MEIO AMBIENTE DOS PLANOS DE GOVERNO DE LULA E FLÁVIO
 

Tema/candidato - Lula (PT) - Flávio Bolsonaro (PL)
 

Mudança climática e aquecimento global Defende políticas de enfrentamento ao aquecimento global e menciona a mudança climática nove vezes Não menciona esses termos, apenas "eventos climáticos extremos" e uma única vez
 

Desmatamento e fogo Defende o Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo e "alcançar o desmatamento líquido zero até 2030" Defende zerar o desmatamento ilegal até 2029 e combater queimadas ilegais, fortalecendo a prevenção, o monitoramento, a fiscalização e o combate aos crimes ambientais
 

Fiscalização - Quer expandir monitoramento satelital e uso de inteligência artificial no combate a crimes ambientais e mecanismos de rastreabilidade e devida diligência nas cadeias produtivas - Propõe ferramentas aperfeiçoadas por inteligência artificial, imagens de satélite e ação coordenada "sem criar novas obrigações ou custos desnecessários para o produtor". Quer reforçar o combate às organizações criminosas envolvidas em desmatamento, extração ilegal de madeira, garimpo ilegal e ocupação irregular de terras públicas
 

Ordenamento territorial Propõe avançar na destinação das terras públicas para unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas ou assentamentos, e reforçar a regularização fundiária - Quer acabar com a política que criminaliza o morador da floresta e prevê a cooperação com os países vizinhos contra os crimes ambientais transfronteiriços e organizações criminosas
 

Entidades ambientais - Defende o Código Florestal, a Lei da Mata Atlântica e o fortalecimento de arranjos regionais de planejamento e governança, envolvendo União, estados, municípios, consórcios públicos, universidades, instituições financeiras e setor produtivo - "Vamos eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio" e "exigir transparência de financiadores e de projetos das ONGs que recebem recursos internacionais e judicializam ações contra a União", promete
 

Economia verde Cita o mercado de carbono e defende o pagamento de serviços ambientais voltados à biodiversidade e reconhecer legalmente a restauração biocultural como estratégia de Estado, distinta e complementar à restauração florestal convencional Defende pagamento por serviços ambientais, consolidar o mercado regulado de carbono, fortalecer a indústra de fármacos e cosméticos e posicionar o Brasil como fornecedor global de ativos ambientais
 

Metas climáticas do Acordo de Paris Defende o TFFF (Fundo de Florestas Para Sempre), o Fundo Clima e o Eco Invest como formas de cumprir essas metas - Não trata do tema
 

Petróleo, gás e combustíveis fósseis - Defende o mapa do caminho global para longe dos combustíveis fósseis, investimentos da Petrobras em transição energética e promete que "novas reservas serão exploradas com cuidados socioambientais ainda maiores e visão estratégica". Não menciona Foz do Amazonas - Não menciona Foz do Amazonas e cita petróleo de forma genérica. Defende uma série de políticas sobre gás (como a exploração pelo Pré-Sal, o Gás do Povo e o fracking). "Nosso objetivo é a segurança energética total ao menor preço possível para o consumidor"
 

Minerais críticos e terras raras - Quer "evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas" e promover o beneficiamento e agregação de valor, para inserir o país de forma soberana nas cadeias globais Defende agregar valor, a verticalização com incentivos de mercado e atrair o capital estrangeiro e a tecnologia
 

Adaptação - Propõe a adaptação climática como eixo permanente do planejamento público, com planos estaduais e municipais de enfrentamento ao calor extremo e às enchentes, além de revitalizar bacias hidrográficas para combater a seca - Quer ampliar a infraestrutura de prevenção a eventos climáticos extremos, universalizar o acesso a sanemaneto básico, construis reservatórios para ter cidades protegidas da seca e da enchente e combater a seca para que a água chegue com segurança à torneira e à lavoura

Apesar de “ótima conversa”, ACM Neto nega debate para assumir ministério em eventual governo de Flávio Bolsonaro

  • Por Maurício Leiro / Victor Hernandes/Bahia Notícias
  • 09 Out 2026
  • 16:19h

Foto: Reprodução Redes Sociais

O candidato derrotado ao Governo da Bahia, ACM Neto (União), negou articulações para assumir um ministério em eventual governo do candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). O relato chega após uma reportagem do Bahia Notícias apontar que o ex-prefeito da capital baiana  almejava compor o eventual governo de Flávio, podendo integrar um ministério que trouxesse uma "conexão" com a Bahia e o Nordeste. 

 

 

Interlocutores apontam que a vontade seria de ter um ministério nos moldes do antigo Ministério da Integração Nacional, órgão que foi criado em 1999 sob o governo de Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de centralizar as políticas de redução das desigualdades regionais e coordenar frentes críticas como a Defesa Civil e a infraestrutura hídrica nacional.

 

Em contato com o site, ACM Neto confirmou que houve uma conversa com Flávio e classificou o encontro como “ótima conversa” ao decorrer da semana. Entretanto, o ex-candidato ao governo baiano disse que não tratou nenhum “ministério” em “nenhum momento”. 

 

ENTENDA O DEBATE
As articulações realizadas recentemente pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), culminando no apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, teriam passado por acordo futuro. Um encontro na última quarta-feira (7) pavimentou o apoio ao presidenciável e abriu um leque de possibilidades para uma futura gestão. 

 

Para além de organizar uma agenda ampla de Flávio na Bahia, buscando ampliar a votação no estado, alguns pontos futuros também foram debatidos. Lideranças presentes na capital federal e no encontro entre os "novos" aliados indicaram ao Bahia Notícias, sob condição de anonimato, que alguns pleitos foram apresentados. Por parte de Neto, o desejo é, de fato, compor o eventual governo de Flávio, podendo integrar um ministério que traga uma "conexão" com a Bahia e o Nordeste. 

 

 O Ministério da Integração Nacional, alvo do debate, ao longo das décadas passou por profundas reestruturações políticas: em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), foi fundida ao Ministério das Cidades para dar origem ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Essa configuração permaneceu até janeiro de 2023, quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva desmembrou novamente as áreas, rebatizando a pasta com o seu nome atual, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), devolvendo ao primeiro escalão o foco exclusivo no desenvolvimento das regiões mais vulneráveis do país.

 

Ao longo dessa trajetória, a Bahia exerceu forte protagonismo no comando da pasta, consolidando sua influência na articulação de grandes projetos para o Nordeste. Políticos baianos de grande peso nacional ocuparam a cadeira de ministro, como Geddel Vieira Lima, que liderou o órgão entre 2007 e 2010 gerenciando obras emblemáticas como a transposição do Rio São Francisco, e o engenheiro João Reis Santana Filho, que assumiu o posto em 2010 garantindo a continuidade de investimentos estruturantes em segurança hídrica e saneamento. 

 

A presença dessas lideranças reforça o caráter estratégico do ministério que, historicamente, canaliza demandas decisivas para o semiárido e para o fortalecimento da infraestrutura do estado. Outro ponto seria também o fortalecimento das relações políticas, já que a atuação direta também possibilita uma maior interação com prefeitos, mantendo o projeto político de ACM Neto aceso, pensando em 2030. A possibilidade também passaria, por um aceno que também já teria sido verbalizado pelo político, de que não seria candidato à prefeitura de Salvador. 

 

A entrega no ministério também contaria com a verticalização dos cargos, ampliando também a atuação do ex-prefeito na acomodação de aliados no estado. Outras duas siglas também despertam o desejo: Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Elas são autarquias e empresas públicas federais vinculadas ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, voltadas para o desenvolvimento regional, infraestrutura hídrica e apoio a municípios no Brasil.

 

Ambas possuem uma larga margem para atuação, especialmente no Nordeste e na Bahia, inserindo, de certa forma, a possível gestão de Flávio Bolsonaro em uma região onde ainda enfrenta desafios nas urnas.