Após depoimento, defesa de Vorcaro diz que conversas com 'A Turma' eram desabafos de indignação
- Por Constança Rezende | Folhapress
- 01 Out 2026
- 18:08h

Foto: SAP-SP/EFE
A defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, relacionou falas encontradas no celular do ex-banqueiro investigadas pela Polícia Federal como possíveis ameaças a inimigos como "desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas".
A afirmação foi feita, por meio de nota, após o ex-banqueiro prestar depoimento de cerca de duas horas à Polícia Federal, nesta quarta-feira (30), de forma virtual. Vorcaro foi ouvido no inquérito sobre "A Turma", grupo que seria utilizado para intimidar pessoas consideradas adversárias do banco.
"Foi irrefutavelmente esclarecido que o investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja", diz o comunicado.
Ainda de acordo com os advogados de Vorcaro, as falas do ex-banqueiro no grupo "foram proferidas em momentos de indignação" e "jamais redundaram em consequências práticas ou em qualquer risco real a terceiros".
A decisão de prender novamente Vorcaro, em março deste ano, do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), cita falas encontradas no celular de Vorcaro em tom de ameaça contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Nos diálogos, Vorcaro, referindo-se a Lauro, afirma que "tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele". Em seguida, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário e integrante do grupo, responde: "Vou fazer isto".
Em outra troca de mensagens citada, Vorcaro diz "Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".
A PF relata que Sicário recebia R$ 1 milhão por mês pelo trabalho, que incluía acesso de informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês.
Mourão cometeu suicídio na cela da Superintendência da PF de Minas Gerais em 4 de março, logo após ser preso durante uma das fases da operação Compliance Zero, que investiga o banco.
A defesa de Vorcaro afirmou que ele conhecia apenas Mourão da chamada "A Turma" e que teria um contrato formal e lícito com ele de prestação de serviços de inteligência e segurança digital.
"Ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro", sustentou a defesa.
A Polícia Federal também detectou que o grupo obteve informações de processos sigilosos por meio de consultas registradas nos logins funcionais de servidores do MPF (Ministério Público Federal).
A defesa, porém, afirmou que o depoimento evidenciou, de forma contundente, que Vorcaro sempre buscou a adoção de medidas jurídicas e oficiais cabíveis em situações de contrariedade, "sem jamais solicitar acesso indevido a sistemas restritos ou qualquer tipo de providência ilegal".
Os advogados também afirmaram que ficou demonstrada a inexistência de qualquer plano de fuga de Vorcaro. O dono do Master foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
A defesa alegou, porém, que "há provas cabais" de que ele havia feito prévia comunicação da viagem a diversas autoridades, "bem como reservas antecipadas de hotel e salas de reunião e registro de plano de voo".
Por fim, a defesa declarou que "causa enorme perplexidade que mensagens protegidas por sigilo legal, entre Daniel Vorcaro e seus advogados, sejam ilegalmente devassadas, vazadas e utilizadas para narrativas fantasiosas".
Também pediu que ele aguarde o desfecho das investigações em liberdade, "pois não haveria qualquer acusação formal ou denúncia em seu desfavor e que os motivos que ensejaram a prisão não mais persistem".
Em 2º turno, Flávio marca 49% contra 43,5% de Lula, que perde também para Caiado e Cury, mostra pesquisa
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 01 Out 2026
- 16:20h

Foto: Montagem com fotos Agência Brasil, Agência Senado e redes sociais
Pesquisa Futura/100% Cidades, divulgada nesta quarta-feira (30), revela um cenário em que os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) aparecem à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos cenários de disputa em segundo turno.
A melhor posição foi registrada pelo candidato Flávio Bolsonaro. O senador do PL aparece nos cenários de segundo turno com 49% das intenções de voto, contra 43,5% do presidente Lula.
Já o candidato Ronaldo Caiado (PSD) tem 45,6% de intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula. Na disputa contra Caiado, Lula registrou 42,4% neste cenário, o que significa um empate técnico dentro da margem de erro.
Contra o escritor Augusto Cury, o presidente Lula também sofre derrota no segundo turno, apesar de haver empate técnico. De acordo com a pesquisa, Cury acumula 45,1% das intenções de voto, enquanto o líder petista tem 42%.
No embate contra o candidato Romeu Zema (Novo) em um possível segundo turno, Lula está na frente, mas também em situação de empate técnico. Neste confronto, o petista soma 45,1% das intenções de voto, ante 42,2% do ex-governador de Minas Gerais.
Lula também lidera o cenário contra Renan Santos: o presidente tem 44,6% das intenções de voto, contra 40,7% do candidato do partido Missão.
A Futura/100% Cidades entrevistou 2.000 eleitores entre os dias 25 e 29 de setembro, por meio de entrevista telefônica. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pela Futura e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-01122/2026.
Eduardo Bolsonaro ameaça retaliar diplomatas que 'sabotaram' governo de seu pai caso Flávio seja eleito
- Por Patrícia Campos Mello | Folhapress
- 01 Out 2026
- 14:27h

Foto: Agência Câmara
Em vídeo publicado na tarde desta quarta-feira (30) em suas redes sociais, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro prometeu fazer "uma faxina" no Itamaraty caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença a eleição.
Aumentando temores de que haveria uma "caça às bruxas" no Ministério das Relações Exteriores em um governo de Flávio, Eduardo afirmou que "mapeou" todos os embaixadores que saíram e entraram em postos no governo Lula e que estará "na cola" dos servidores que "sabotaram" o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Então, meu caro servidor do Itamaraty, se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola", diz Eduardo no vídeo. "Se você não fez isso, parabéns, você fará parte do time que vai resgatar a credibilidade do Itamaraty, que vai virar a página, de serem servidores de corruptos e filhos de corruptos para passar a servir o povo brasileiro."
O ex-deputado inicia o vídeo mostrando um áudio de uma suposta mensagem de um diplomata brasileiro oferecendo ajuda da embaixada do Brasil na Espanha para encontrar uma escola para os filhos de Lulinha, que se mudou para Madri, em 2025.
"Eu não tive recepção de embaixador, de diplomata, nem nada [quando mudei para os EUA]", diz Eduardo. "O dinheiro do brasileiro não é para proteger filho do presidente."
Ele prometeu retaliação contra o embaixador do Brasil na Espanha, o ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo. "Flávio Bolsonaro sendo eleito, certamente um dos primeiros a sair do posto será o embaixador do Brasil na Espanha para dar o exemplo de que isso não acontecerá."
Eduardo vive nos EUA desde março de 2025, quando deixou o Brasil afirmando que o Supremo Tribunal Federal (STF) recolheria seu passaporte para impedir sua articulação internacional contra o julgamento do pai no caso da trama golpista.
Naquele momento, licenciou-se por quatro meses do mandato de deputado e, encerrado o afastamento, permaneceu no exterior e passou a acumular faltas na Câmara. Em dezembro, perdeu seu mandato por excesso de ausências.
Já em junho deste ano, o STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, por articular nos EUA medidas de pressão contra autoridades brasileiras para interferir no processo contra o pai. Em setembro, ainda perdeu seu cargo de escrivão da PF por abandono de cargo.
Como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo, em caso de vitória de Flávio, há uma avaliação de que Eduardo sairia muito fortalecido, após o lobby por medidas de Trump contra o governo Lula, e seria difícil negar o comando do Itamaraty se ele quiser. Mas uma alternativa em discussão seria Eduardo assumir a Embaixada do Brasil em Washington.
No vídeo, Eduardo afirma que houve uma "sabotagem" ao governo Bolsonaro por parte dos diplomatas e que "eles ficaram tão à vontade que colocaram isso na matéria do Jamil Chade de maneira heroica".
A reportagem do então colunista do UOL relata a existência de uma rede clandestina de diplomatas do Itamaraty que, durante o governo Jair Bolsonaro, teria atuado para conter ou contornar diretrizes da política externa do governo.
"[A faxina] é para evitar esse tipo de coisa e relembrar que diplomatas, embaixadores e qualquer cargo dentro do Itamaraty são de servidores públicos, que servem ao público, não a seus próprios gostos, inclusive isso configura o crime de prevaricação."
Em conversas fechadas, Marcos Degaut, braço direito de Eduardo em política externa, afirmou que há o plano de implementar o "Marco Rubio overhaul" (reforma do Marco Rubio), uma ampla reestruturação das carreiras no Itamaraty.
Os diplomatas passariam a estar focados em regiões geográficas e temas específicos e teriam de cumprir metas de exportação, investimentos e inserção comercial, entre outras. Haveria também uma reforma total do sistema de promoções, fonte de insatisfação disseminada no Itamaraty hoje.
No Departamento de Estado, o "overhaul" de Rubio levou à eliminação de 1.300 vagas, fechamento de departamentos e postos, estabelecimento de metas quantitativas e qualitativas (com critérios como fidelidade à agenda de Donald Trump).
Rubio decretou que mérito seria o principal critério para promoções, não tempo de carreira. Sob seu comando, o Departamento de Estado atingiu número recorde de indicados políticos em substituição a funcionários de carreira -apenas 9% dos embaixadores vêm do serviço diplomático. Durante os 50 anos anteriores, esse percentual variou de 57% a 74%.
Degaut afirmou a interlocutores ouvidos pela reportagem que haveria necessidade de atribuir funções a algumas pessoas de fora do Itamaraty. Mas disse que não haverá uma caça às bruxas com perseguição por motivos políticos.
PROPOSTAS DE POLÍTICA EXTERNA DE LULA E FLÁVIO BOLSONARO
_Resumo dos programas de governo entregues pelas campanhas à Justiça Eleitoral_
LULA (PT) - FLÁVIO BOLSONARO (PL)
Tratar como prioridade a implementação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o combate à crise climática, inclusive o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), ambas iniciativas criadas pelo governo Lula - Abertura comercial: quer evitar a dependência de áreas críticas, como cadeias de suprimentos e de tecnologia
Fortalecer setor de inteligência para proteção de soberania e ameaças geopolíticas, cibernéticas e do crime organizado transnacional - Retomar cronograma de adesão à OCDE
Fortalecer vigilância territorial, proteção de recursos naturais e combate ao crime organizado transnacional - Encerrar gradualmente o IOF sobre o câmbio
Fortalecer Mercosul e aprofundar redes multimodais, em especial conexões com o Pacífico e o Caribe - Buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos Estados Unidos, da China e da União Europeia aos produtos nacionais
Fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) - Implementar plano nacional de integração às cadeias globais de valor, tendo como prioridade agroindústria avançada, minerais críticos, saúde e economia digital
Aprofundar relações com a África e a cooperação na área do Atlântico Sul e com os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assim como a União Africana e a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) - Colocar Brasil entre os principais destinos mundiais de investimento em transição energética até 2030
Defender reforma da ONU e maior representatividade do Conselho de Segurança, assim como da OMC e de instituições financeiras globais, como FMI, Banco Mundial e o chamado Banco do Brics; aprofundar aproximação ao Brics, ao chamado Sul Global e ao G20 - Combate ao crime organizado é tratado como questão de segurança e defesa nacional
Quer liderar governança internacional para tecnologias digitais e inteligência artificial - Incentivar tecnologias como drones e inteligência artificial.
_Fonte: Tribunal Superior Eleitoral_
Lula e PT ampliam votação do 1º para o 2º turno na Bahia desde 2002; veja números
- Por Lucas Vieira/Bahia Notícias
- 01 Out 2026
- 12:25h

Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os candidatos petistas à Presidência ampliaram a votação na Bahia do primeiro para o segundo turno em todas as eleições desde 2002, quando Lula venceu pela primeira vez a disputa pelo cargo. Segundo o levantamento feito pelo Bahia Notícias, o crescimento ocorreu em todas as seis eleições realizadas no período, embora em diferentes proporções.
Em 2002, Lula recebeu 2.899.280 votos no primeiro turno e saltou para 3.710.900 no segundo, um aumento de 811.620 votos. Naquele ano, o petista venceu a eleição nacional contra José Serra (PSDB) com 61,27% dos votos. Na disputa pelo Governo da Bahia, o representante da direita, Paulo Souto (PFL), venceu o petista Jaques Wagner no primeiro turno. Souto obteve 2.871.025 votos (53,69%), contra 2.057.022 (38,47%) de Wagner.
Em 2006, Lula foi reeleito com 60,83% dos votos no segundo turno, superando seu atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSDB), que obteve 39,17%. Na Bahia, o petista passou de 4.293.200 votos no primeiro turno para 5.188.314 no segundo, um salto de 895.114 votos.
Na disputa pelo Governo da Bahia, o PT também saiu vencedor. Jaques Wagner alcançou 3.242.336 votos (52,89%) e superou Paulo Souto no primeiro turno, que ficou com 2.638.215 (43,03%).
Indicada por Lula, Dilma Rousseff também venceu a eleição presidencial de 2010, com 56,05% dos votos no segundo turno, contra 43,95% de José Serra. Na Bahia, a petista teve 4.188.099 votos no primeiro turno e 4.737.079 no segundo, resultando em um crescimento de 548.980 votos.
Na disputa pelo Governo da Bahia, o “Galego” Jaques Wagner foi reeleito no primeiro turno, com 63,83%, contra 16,09% de Paulo Souto (DEM).
Em 2014, Dilma Rousseff foi reeleita com 51,64%, vencendo Aécio Neves (PSDB), que teve 48,36% no segundo turno. Na Bahia, a petista ganhou 767.010 votos de um turno para o outro, passando de 4.292.850 para 5.059.860. Na disputa estadual, Rui Costa (PT) garantiu 54,53% dos votos e superou Paulo Souto, que ficou com 37,39% no primeiro turno, sendo eleito governador.
As eleições de 2018 representaram o maior ganho de um candidato petista de um turno para o outro na Bahia. Fernando Haddad recebeu 1.042.946 votos a mais, passando de 4.441.955 no primeiro turno para 5.484.901 no segundo. Mesmo com o crescimento na Bahia, aquela foi a única eleição do século XXI em que o PT perdeu a Presidência da República.
Jair Bolsonaro (PL) alcançou 55,13% dos votos válidos no segundo turno, contra 44,87% de Fernando Haddad. Na corrida pelo Governo da Bahia, Rui foi reeleito no primeiro turno com 75,50% dos votos, contra 22,26% de José Ronaldo (DEM).
O menor crescimento ocorreu em 2022, com o próprio Lula, que ganhou 224.734 votos entre os dois turnos. Ainda assim, a eleição registrou os maiores números do PT na Bahia nos dois turnos, com 5.873.081 e 6.097.815 votos, respectivamente.
Naquele ano, Lula conquistou 50,90% dos votos válidos e superou Jair Bolsonaro, que teve 49,10%. A eleição também foi a única do período a ser decidida em segundo turno para o Governo da Bahia no período. Na disputa estadual, Jerônimo Rodrigues (PT) superou ACM Neto (União), com 52,79% contra 47,21%, respectivamente.

Foto: Ricardo Stuckert
Agora, Lula disputa seu quarto mandato à Presidência da República, com o primeiro turno marcado para o próximo domingo (4). As principais pesquisas eleitorais divulgadas até o momento apontam o presidente à frente de Flávio Bolsonaro (PL), mas indicam também um provável segundo turno.

Com parecer favorável de ex-ministro do STF, Muniz articula recondução à presidência da CMS; entenda o cenário
- Por Mauricio Leiro / Paulo Dourado/Bahia Notícias
- 01 Out 2026
- 10:43h

Fotos: Reprodução | Reginaldo Ipê / CMS | Rosinei Coutinho/STF |
O presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Carlos Muniz (PSDB), obteve um parecer jurídico favorável à possibilidade de ser reconduzido ao cargo para o biênio 2027-2028. Segundo apurou o Bahia Notícias, o documento foi produzido pelo escritório de advocacia do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, um dos primeiros indicados ao tribunal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu primeiro mandato.
O BN também apurou que Muniz pretende levar a tese defendida pelo escritório ao ministro Kássio Nunes Marques, do STF, na tentativa de obter uma espécie de aval de bastidores para o parecer.
Ainda de acordo com a apuração, um grupo de 3 a 5 vereadores da CMS prometeu apoiar Muniz na disputa pela presidência caso ele consiga esse respaldo informal do STF.
Apesar da articulação, ainda há dúvidas na Casa sobre o que acontece caso Muniz não obtenha esse aval do Judiciário. Em reunião de líderes na última quarta-feira (23), o próprio presidente afirmou aos demais que, caso não possa concorrer, vai se sentar com o prefeito Bruno Reis (União) para escolher, ao lado dele, o nome que terá o apoio da base do prefeito, majoritária na Casa, sobre o qual Muniz teria poder de veto. "Vai passar pelo papai aqui", disse ele na reunião, segundo relatos.
De olho na possibilidade de Muniz manter a candidatura mesmo sem o aval do STF, três vereadores disputam internamente a primeira vice-presidência da Casa, posto que seria o caminho alternativo para chegar à presidência. Ricardo Almeida (DC) é apontado como favorito, mas há relatos de que Sidninho e Maurício Trindade também estariam de olho no cargo.
A situação de Muniz guarda semelhança com um caso recente na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Adolfo Menezes (PSD) presidiu a Casa por três biênios seguidos: foi eleito em 2021, ao vencer Hilton Coelho (PSOL) por 60 a 1; reeleito em fevereiro de 2023, com 61 dos 63 votos; e eleito pela terceira vez em 2025, novamente com 61 votos. Uma semana depois dessa terceira eleição, o ministro do STF Gilmar Mendes determinou o afastamento de Menezes, ao lembrar que a Corte já firmou entendimento de que a eleição de membros da mesa diretora das casas legislativas estaduais não pode ultrapassar o limite de uma reeleição ou recondução consecutiva para o mesmo cargo.
Essa posição foi firmada pelo STF em dezembro de 2022, no julgamento de nove ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) sobre a reeleição de mesas diretoras de assembleias legislativas estaduais. Por maioria, os ministros decidiram que só cabe uma reeleição ou recondução, independentemente de os mandatos consecutivos se referirem à mesma legislatura. Ficou definido ainda que a vedação vale apenas para o mesmo cargo, sem impedir que um integrante da mesa anterior ocupe outra função na direção da Casa.
Segundo interlocutores da CMS, Muniz também se apoia no regimento interno da Câmara para defender que existe uma brecha em seu caso. A primeira vez que ele assumiu a presidência foi por sucessão, após a renúncia de Geraldo Júnior, poucos dias antes de o então presidente tomar posse como vice-governador da Bahia. Como essa passagem é vista por Muniz como um mero cumprimento da linha sucessória, e não como uma eleição, ele considera que uma eventual recondução em 2027 seria apenas a segunda vez em que ocupa o cargo por votação direta, já que enxerga a eleição de 2025 como a primeira.
Os encontros da reunião de líderes e as conversas com outros vereadores tornaram pouco provável qualquer acordo entre os dois principais nomes na disputa, o que abre espaço para uma eleição concorrida na Câmara, com chapas rivais. A avaliação é de vereadores ouvidos pelo BN sob reserva.
Além de Muniz, o outro principal nome cotado é o do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, Alexandre Aleluia (Novo). Os dois protagonizaram, na mesma reunião de líderes de quarta-feira que resultou no cancelamento da sessão desta segunda-feira (28), um embate que colegas descreveram como "muito feia." Segundo vereadores, o motivo real da discussão era a disputa pela presidência, e não a pauta de votação apresentada oficialmente.
Há ainda, de forma mais remota, a possibilidade de os 10 vereadores de oposição lançarem candidatura própria, na tentativa de se colocar como um "voto de minerva" em uma eventual disputa entre chapas. O grupo, no entanto, prega cautela: quer ouvir os dois lados antes de tomar uma posição e pretende negociar espaços em comissões da Casa em troca de um eventual apoio a uma das chapas.
Número de eleitores de 16 e 17 anos cai 22,8% desde 2022
- Bahia Notícias
- 01 Out 2026
- 08:00h

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
O Brasil tem 1,6 milhão de eleitores de 16 e 17 anos cadastrados para as eleições de 2026, cerca de 500 mil a menos do que em 2022, quando o número chegou a 2,1 milhões. A redução é de 22,8%, enquanto o eleitorado brasileiro, no total, continuou crescendo.
A queda entre os adolescentes supera a redução da população nessa faixa etária. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros de 16 e 17 anos diminuiu 5,6% desde 2022.
Considerando apenas os eleitores registrados no Brasil, a proporção também caiu. Em 2022, havia aproximadamente 34 jovens com título para cada 100 habitantes de 16 e 17 anos. Em 2026, são cerca de 28.
NÚMERO HAVIA CRESCIDO EM 2022
Em 2018, o eleitorado de 16 e 17 anos era de aproximadamente 1,4 milhão. Quatro anos depois, o número ultrapassou 2,1 milhões, crescimento de 51,1%.
A eleição de 2022 foi acompanhada por campanhas de incentivo ao alistamento eleitoral, ações nas redes sociais e pela Semana do Jovem Eleitor. Na época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atribuiu parte do aumento às iniciativas de mobilização.
Para 2026, o TSE voltou a promover ações voltadas ao público jovem, inclusive em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O número de eleitores de 16 e 17 anos, no entanto, voltou a cair.
VOTO É FACULTATIVO
O voto é facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos. Por isso, o alistamento eleitoral depende da decisão do próprio jovem e de fatores como mobilização, ambiente familiar e escolar e percepção sobre a importância da participação eleitoral.
Uma pesquisa Datafolha realizada em agosto apontou que 48% dos eleitores de 16 a 24 anos afirmaram que votariam caso o voto não fosse obrigatório. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, o índice foi de 61%. No conjunto do eleitorado, 56% disseram que iriam às urnas mesmo sem obrigatoriedade.
Apesar da redução no número de adolescentes com título, a participação desse grupo nas eleições de 2022 foi superior à dos eleitores com 70 anos ou mais. No primeiro turno daquele ano, 82,9% dos eleitores de 16 e 17 anos compareceram às urnas, contra 41,1% dos eleitores com 70 anos ou mais.
ELEITORADO MAIS VELHO CRESCE
Desde 2022, o número de eleitores com 70 anos ou mais aumentou em aproximadamente 2,4 milhões, chegando a 17,3 milhões em 2026.
A participação desse grupo no eleitorado também cresceu. Em 2010, os eleitores com 70 anos ou mais representavam 6,9% do cadastro eleitoral. Atualmente, correspondem a 10,9%.
Apesar da maior taxa de comparecimento entre os adolescentes em 2022, o tamanho do eleitorado mais velho fez com que o número absoluto de votantes fosse maior. Naquele primeiro turno, 6,13 milhões de eleitores com 70 anos ou mais compareceram às urnas, ante 1,75 milhão de jovens de 16 e 17 anos.
Pablo Marçal anuncia apoio a Flávio Bolsonaro e passa a colaborar com campanha
- Bahia Notícias
- 30 Set 2026
- 18:22h

Foto: Vittor Sales / Campanha Flávio Bolsonaro
O empresário Pablo Marçal (PRTB) anunciou, nesta terça-feira (29), apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e informou que passará a integrar a equipe de campanha do senador. O anúncio ocorreu durante um encontro em uma academia de jiu-jitsu, em São Paulo.
Segundo Flávio Bolsonaro, Marçal deverá colaborar na elaboração de propostas relacionadas ao empreendedorismo e à mobilidade social. O candidato afirmou que o empresário poderá contribuir para incentivar uma cultura de empreendedorismo e autonomia financeira entre as famílias.
“Pablo Marçal está vindo para nos ajudar nessa parte de empreendedorismo e de mobilidade social. É alguém que é um grande empreendedor, e está unindo forças nessa grande coalizão”, afirmou Flávio.
Marçal declarou que aceitou o convite para participar da campanha e manifestou apoio à candidatura de Flávio. Durante o anúncio, afirmou que seu objetivo é “aposentar Lula” e disse que outro candidato à Presidência deverá declarar apoio a Flávio ainda nesta semana.
“Eu cheguei a convite do Flávio e reafirmo a vocês que todos estão contra o PT agora, e é hora de salvar esse país”, declarou.
Apesar do apoio a Flávio, Marçal não disputa mais a Presidência da República. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu, em 11 de setembro, o registro da chapa formada por Marçal e Leonardo Avalanche, do PRTB. Segundo o tribunal, a candidatura foi negada por falta de comprovação de filiação de Marçal ao partido dentro do prazo legal.
Com o indeferimento da chapa, o PRTB passou a ter Leonardo Avalanche como candidato à Presidência. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
Mendonça vota a favor do apagamento dos posts sobre polêmica de Nossa Senhora Aparecida
- Bahia Notícias
- 30 Set 2026
- 16:20h

Foto: Rosinei Coutinho / STF
O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou a favor da manutenção da proibição dos posts que traziam informações falsas sobre a retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil em caso de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. A votação acontece nessa quarta-feira (30) por meio do plenário virtual. Os ministros têm até 23h59 para inserir seus votos.
Em seu voto, Mendonça afirmou que a suspensão dos posts não caracteriza censura prévia. "As decisões não instituíram controle estatal antecedente sobre o que pode ou não ser publicado, nem submeteram manifestações futuras a prévia autorização judicial", declarou.
O ministro alega que não houve suspensão de perfis, contas ou canais de usuários, que nenhum perfil foi impedido de continuar publicando conteúdos, críticas, opiniões, sátiras, manifestações religiosas ou manifestações políticas.
"As determinações recaíram exclusivamente sobre publicações que reproduzissem o núcleo factual especificamente delimitado nas decisões, preservando-se integralmente a possibilidade de continuidade da atuação dos usuários nas plataformas", completa.
Bahia cria 11,6 mil empregos com carteira assinada em agosto, aponta Caged
- Bahia Notícias
- 30 Set 2026
- 14:17h

Foto: Reprodução / Agência Brasil
A Bahia criou 11,6 mil empregos com carteira assinada em agosto, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O estado teve 94,1 mil admissões e 82,5 mil desligamentos.
Com o resultado, a Bahia chegou ao oitavo mês consecutivo de saldo positivo e acumulou 72,7 mil novas vagas entre janeiro e agosto de 2026. Os dados foram sistematizados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
Conforme a pasta, o saldo de agosto foi superior ao registrado em julho, quando foram criados 4,8 mil postos, e ficou abaixo apenas do melhor resultado do ano. Também superou o saldo de agosto de 2025, de 11,3 mil vagas. Com as contratações, o estado passou a ter 2,2 milhões de vínculos formais ativos, alta de 0,53% em relação ao mês anterior.
SERVIÇOS LIDERA
A SEI informou que todos os cinco grandes setores da economia baiana registraram saldo positivo em agosto. Serviços liderou, com 6,1 mil novas vagas, seguido por indústria geral (2,1 mil), construção (1,7 mil), agropecuária (941) e comércio (757).
No mês, o Brasil abriu 165,8 mil postos e o Nordeste, 59,3 mil. A Bahia teve o quarto maior saldo entre os estados brasileiros e o segundo maior do Nordeste.
VAGAS NO ANO
De janeiro a agosto, a Bahia acumulou 72,7 mil novos empregos formais, crescimento de 3,40% em relação ao estoque de vínculos no início do ano.
Serviços também liderou o acumulado, com 43 mil vagas, seguido por construção (15,8 mil), indústria geral (11,9 mil) e agropecuária (3,8 mil). O único setor com saldo negativo foi o comércio, que perdeu 1,7 mil postos.
No mesmo período, o Brasil abriu 1,13 milhão de vagas e o Nordeste, 211,9 mil. A Bahia apresentou crescimento proporcional de 3,40%, acima das taxas nacional (2,41%) e regional (2,68%).
No acumulado deste ano, a Bahia teve o quinto maior saldo de empregos do país e o maior do Nordeste. Em termos proporcionais, ficou na sexta posição nacional e na segunda entre os estados nordestinos.
Atleta Keia representa Brumado e conquista título no Spring Games em Itabuna
- Brumado Urgente
- 30 Set 2026
- 13:52h

Foto: Divulgação
A atleta Keia, representante do Porão Community Fitness, de Brumado, foi destaque na 4ª edição do Spring Games, competição de CrossFit realizada nos dias 26 e 27, em Itabuna, no sul da Bahia.
Em sua primeira participação na competição, Keia encarou o desafio na categoria RX Feminino, demonstrando força, resistência, técnica e determinação durante as provas.
O excelente desempenho levou a atleta brumadense ao lugar mais alto do pódio, conquistando o título de campeã da categoria RX Feminino.
A conquista ganha um significado ainda mais especial por ter acontecido justamente na estreia de Keia no Spring Games. O resultado é reflexo da dedicação aos treinamentos e da preparação para enfrentar provas que exigem elevado condicionamento físico e equilíbrio entre diferentes habilidades.
Representando o Porão Community Fitness, Keia também levou o nome de Brumado à competição, alcançando um resultado de destaque diante de atletas reunidos em Itabuna.
A medalha de campeã passa a fazer parte da trajetória esportiva da atleta e reforça a presença de representantes de Brumado nas competições da modalidade.
Para Keia, a primeira participação no Spring Games terminou da melhor maneira possível: estreia, superação e o título de campeã RX Feminino.

Bombeiros da Bahia adotam doutrina de escuta e dissuasão em ocorrências de risco de suicídio
- Por Victor Hernandes I Bahia Notícias
- 30 Set 2026
- 12:01h

Foto: Divulgação
Uma metodologia do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBM-BA) prevê a integração de equipes durante atendimentos emergenciais envolvendo pessoas em situação de crise suicida. A estratégia faz parte da implementação e difusão da doutrina de Abordagem Técnica à Tentativa de Suicídio (ATTS), metodologia voltada para o atendimento humanizado e a mediação de situações extremas de crise.
A iniciativa ganhou destaque ao longo do ano e teve atenção especial durante as ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio, que termina nesta quarta-feira (30). Em entrevista ao Bahia Notícias, o tenente-coronel Ramon Dieggo explicou que os estudos que fundamentam a ATTS tiveram início em 2005 e culminaram na estruturação do primeiro curso formal, em 2015, pela Escola Superior de Bombeiros de São Paulo.
A partir desse período, diferentes Corpos de Bombeiros do país passaram a adotar modelos de atendimento baseados na escuta qualificada e na dissuasão. Na Bahia, a doutrina começou a ser incorporada entre 2015 e 2016 e foi consolidada a partir de 2018, quando instrutores locais passaram por capacitação especializada para disseminar o conhecimento dentro da corporação.
Atualmente, o treinamento integra disciplinas das escolas de formação de praças e oficiais, além de passar por atualizações com base em pesquisas acadêmicas e dissertações de mestrado voltadas à elaboração de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs).
“Hoje nós temos o curso de Abordagem Técnica à Tentativa de Suicídio. Já estamos na segunda edição este ano e já está se iniciando aqui outra turma. Já realizamos três edições no nosso estado, essa é a segunda este ano”, apontou.
Segundo o tenente-coronel, a metodologia estabelece parâmetros específicos para a atuação em cenários de emergência e também utiliza uma nomenclatura própria. A pessoa em situação de crise deixa de ser tratada tecnicamente como “vítima” ou “paciente” e passa a ser denominada “tentante”.
“Estamos difundindo a doutrina da abordagem técnica à tentativa de suicídio. Então, hoje a gente lida também com a parte de como se preparar, de como atender, sabendo a importância de ter eventos como esse também durante o Setembro Amarelo, que é marcado pela prevenção. Passamos todo o mês de setembro fazendo e realizando pesquisa, eventos e pontuando a importância da capacitação, da prevenção e do entendimento sobre o fenômeno da crise suicida, sobre a suicidologia e, no nosso caso, o treinamento da abordagem técnica à tentativa de suicídio”, afirmou.
A atuação é baseada no manejo de dissuasão, com ferramentas de diálogo e escuta estruturada para tentar interromper a ação suicida durante o momento de crise. Toda a operação é orientada pelo princípio da Tríplice Segurança, que busca preservar a integridade do cenário, da equipe de resgate e da própria pessoa em situação de risco.
“Toda essa abordagem é feita de forma humanizada, onde nós escutamos os tentantes. Nós ouvimos essa pessoa no seu momento de crise através da abordagem de dissuasão, onde nós temos técnicas e procedimentos para demover o tentante, se aquela pessoa tiver a ideação suicida no momento de crise, no seu pior momento. Geralmente, ele escolhe um cenário de risco, um cenário alto, onde ele pode permitir o comportamento de autoextermínio. Então, dentro daquele contexto, a gente varre o cenário, atua com segurança e evita que ele consuma o ato”, revelou.
O tenente-coronel destacou ainda que a doutrina é aplicada durante a formação de praças e oficiais e também nos treinamentos de capacitação operacional realizados pela corporação.
“Geralmente adotamos procedimentos que visam à segurança do cenário, à segurança da equipe e à segurança do tentante. Nesse cenário, a partir da doutrina que foi desenvolvida em 2015 até os dias de hoje, nós aplicamos nos nossos treinamentos nas escolas do Corpo de Bombeiros. Ou seja, nós temos as escolas de formação — no caso do Bombeiro, nas unidades que fazem o treinamento e a capacitação operacional — e, na escola de formação, quando nós temos os cursos de formação, tanto de praças como de oficiais, essa doutrina é aplicada durante o processo de formação dos alunos. E, quando eles vão trabalhar nas respectivas unidades, já formados, eles já têm o conhecimento da doutrina”, completou.
INTEGRAÇÃO
Em meio a questionamentos sobre a presença e o papel de profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, durante ocorrências dessa natureza, o tenente-coronel explicou que a atuação direta no perímetro de risco imediato é de responsabilidade dos bombeiros militares, devido às características operacionais das ocorrências.
“Dentro desse trabalho, a gente procurou desenvolver um trabalho que visa à integração no cenário de emergência. Em cenários de emergência, em virtude até da questão do risco e da nossa missão institucional do Corpo de Bombeiros, quem atua é o Corpo de Bombeiros. Porque nem sempre um profissional de uma determinada instituição ou um agente de segurança, um operador de segurança, de emergência, um médico ou psiquiatra vai conseguir ter acesso ao local de risco e ter acesso a essa vítima, que, no caso, é explicada como tentante”, afirmou.
Ele explicou que situações envolvendo crise de saúde mental podem ocorrer em locais de difícil acesso e alta periculosidade, como pontes, viadutos, torres de telecomunicação ou de eletricidade e fachadas de edifícios. Nesses cenários, a aproximação exige equipamentos de proteção específicos, treinamento para salvamento em altura e domínio de protocolos de segurança.
Segundo Ramon Dieggo, a presença de profissionais sem capacitação para atuar nesses ambientes, assim como uma abordagem inadequada, pode aumentar os riscos da ocorrência.
“Como é que uma pessoa que nunca teve um adestramento, um treinamento, uma capacitação vai subir numa torre de eletricidade, por exemplo? Torres de telecomunicações, pontes, viadutos, fachada de prédio. Às vezes, os tentantes podem acessar locais utilizando métodos que tenham uma letalidade não só para ele, mas para outra pessoa. Então, essa pessoa, mesmo que queira ajudar, se não tiver uma noção de segurança e souber os procedimentos que devem ser feitos, até na simples linguagem de abordagem, nas simples palavras, compromete toda a segurança”, observou.
Embora a rede de saúde mental e os serviços de emergência atuem de forma integrada no encaminhamento e no acolhimento após a crise, a intervenção direta no ponto crítico de risco permanece sob responsabilidade dos bombeiros militares capacitados na doutrina ATTS.
“O nosso manejo dentro dessa metodologia visa à escuta desse tentante através da ferramenta de diálogo. Ou seja, como é que a gente engloba tudo isso? Nós trabalhamos com a abordagem humanizada, que é a abordagem de dissuasão. Escutamos a vítima com uma técnica apropriada, tendo aquele levantamento inicial, escutamos o que está acontecendo, entre outras questões”, finalizou.
Se eleito, Flávio planeja implementar no Itamaraty reforma importada do governo Trump
- Por Patrícia Campos Mello | Folhapress
- 30 Set 2026
- 10:07h

Foto: Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) planeja implementar o modelo do secretário de Estado americano, Marco Rubio, no Itamaraty, caso vença a eleição. Essa é a ideia que Marcos Degaut, braço-direito do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em política externa, vem passando em reuniões fechadas com diplomatas e formuladores em que descreve propostas da campanha.
Nas conversas, Degaut disse, referindo-se a "nosso projeto", que a meta é implementar o "Marco Rubio overhaul" (reforma do Marco Rubio), uma ampla reestruturação das carreiras no Itamaraty. Os diplomatas passariam a estar focados em regiões geográficas e temas específicos e teriam de cumprir metas de exportação, investimentos e inserção comercial, entre outras. Haveria também uma reforma total do sistema de promoções, fonte de insatisfação disseminada no Itamaraty hoje.
A interlocutores Degaut afirmou que o plano é fazer uma política externa com concentração em 35 países considerados prioritários para o interesse nacional, chamados de G35, que incluiriam as nações que participam do G20. Em vez de dispersar recursos em inúmeras embaixadas, haveria alguns superpostos, com mais dotação orçamentária e de pessoal. Na África, por exemplo, África do Sul e Egito poderiam ser superpostos.
A reportagem falou com cinco pessoas que participaram de conversas com Degaut, que assinou um longo artigo sobre o tema com Eduardo Bolsonaro publicado no portal Gazeta do Povo este mês.
Nas conversas, Degaut tem dito que se opõe a um alinhamento automático aos EUA e defende a manutenção dos laços econômicos com a China. Mas ele enfatiza a necessidade de intensificar relações com Washington, com acordos comerciais e em minerais críticos, e reduzir a dependência de Pequim para exportações de commodities.
Ele citou os Emirados Árabes Unidos como um modelo a ser seguido e pregou "realismo propositivo" norteando a política externa. Degaut também ressaltou a prioridade de relações do Brasil com um Ocidente político, com foco em países do G20 e também Israel e os países da América Latina governados pela direita.
No Departamento de Estado, o "overhaul" de Rubio levou à eliminação de 1.300 vagas, fechamento de departamentos e postos, estabelecimento de metas quantitativas e qualitativas (com critérios como fidelidade à agenda de Donald Trump).
Rubio decretou que mérito seria o principal critério para promoções, não tempo de carreira. Sob seu comando, o Departamento de Estado atingiu número recorde de indicados políticos em substituição a funcionários de carreira -apenas 9% dos embaixadores vêm do serviço diplomático. Durante os 50 anos anteriores, esse percentual variou de 57% a 74%.
Degaut afirmou a interlocutores ouvidos pela reportagem que haveria necessidade de atribuir funções a algumas pessoas de fora do Itamaraty. Mas disse que não haverá uma caça às bruxas com perseguição por motivos políticos.
Nas promoções, Degaut indicou que a senioridade não seria critério absoluto para ocupação de postos. Haveria avaliação de como cada diplomata cumpriu sua função, e isso seria levado em conta para promoção.
Degaut foi secretário Especial de Assuntos Estratégicos no governo de Michel Temer e secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa no governo Jair Bolsonaro. Ele foi indicado para a Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes, mas não chegou a assumir.
Recentemente, atuou como presidente para a América Latina do Edge Group, indústria de armamentos dos Emirados Árabes. Procurado diversas vezes pela reportagem, não respondeu às tentativas de contato. A campanha de Flávio Bolsonaro disse que nem Degaut, nem Eduardo Bolsonaro falam pelo candidato, e que a campanha não irá se posicionar em relação a planos para política externa.
Em caso de vitória de Flávio, há uma avaliação de que Eduardo sairia muito fortalecido, após o lobby por medidas de Trump contra o governo Lula, e seria difícil negar o comando do Itamaraty se ele quiser. Mas uma alternativa em discussão seria Eduardo assumir a Embaixada do Brasil em Washington.
Na corrida para chefiar o Itamaraty caso Flávio ganhe estão ainda Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da OMC e a senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS). Corre por fora Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco do Brics. Degaut poderia ter algum papel no Ministério da Defesa ou no Itamaraty.
Existe grande insatisfação no Itamaraty em relação à lentidão das promoções e à falta de perspectivas para ascensão na carreira. Entre 2006 e 2010, houve expansão no número de diplomatas admitidos, que totalizaram quase 535 nesse período. Mas existem limitações de quantos podem ser promovidos por período, além de número limitado de postos.
Como resultado, há diplomatas há mais de dez anos sem receber nenhuma promoção. Também há críticas ao que seria a predominância de critérios políticos pesando nas promoções, com prioridade para diplomatas próximos dos cargos de chefia ou apadrinhados.
"O principal problema hoje é o imobilismo dentro da carreira", diz Gustavo Buttes, presidente da Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros. "A maioria dos diplomatas e das diplomatas passa muitos anos sem perspectiva clara de progressão, em razão de gargalos artificiais que se acumularam ao longo do tempo, gerando descontentamento e afetando a motivação de diferentes gerações."
No ministério, interlocutores argumentam que não há consenso sobre a reforma desejada e que seria preciso mudar a Lei do Serviço Exterior para mudanças maiores, mas não houve apoio político no Congresso para isso.
Procurado, o Itamaraty afirmou que houve 615 promoções nos quatro anos de governo Bolsonaro, e 622 nos quatro anos do atual mandato de Lula. O ministério informou que adotou uma série de medidas para aumentar a diversidade em seus quadros e mudanças no chamado quadro de acesso para promoções.
PROPOSTAS DE POLÍTICA EXTERNA DE LULA E FLÁVIO BOLSONARO
*Resumo dos programas de governo entregues pelas campanhas à Justiça Eleitoral_
LULA (PT) - FLÁVIO BOLSONARO (PL)
Tratar como prioridade a implementação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o combate à crise climática, inclusive o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), ambas iniciativas criadas pelo governo Lula - Abertura comercial: quer evitar a dependência de áreas críticas, como cadeias de suprimentos e de tecnologia
Fortalecer setor de inteligência para proteção de soberania e ameaças geopolíticas, cibernéticas e do crime organizado transnacional - Retomar cronograma de adesão à OCDE
Fortalecer vigilância territorial, proteção de recursos naturais e combate ao crime organizado transnacional - Encerrar gradual o IOF sobre o câmbio
Fortalecer Mercosul e aprofundar redes multimodais, em especial conexões com o Pacífico e o Caribe - Buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos Estados Unidos, da China e da União Europeia aos produtos nacionais
Fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) - Implementar plano nacional de integração às cadeias globais de valor, tendo como prioridade agroindústria avançada, minerais críticos, saúde e economia digital
Aprofundar relações com a África e a cooperação na área do Atlântico Sul e com os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), assim como a União Africana e a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) - Colocar Brasil entre os principais destinos mundiais de investimento em transição energética até 2030
Defender reforma da ONU e maior representatividade do Conselho de Segurança, assim como da OMC e de instituições financeiras globais, como FMI, Banco Mundial e o chamado Banco do Brics; aprofundar aproximação ao Brics, ao chamado Sul Global e ao G20 - Combate ao crime organizado é tratado como questão de segurança e defesa nacional
Quer liderar governança internacional para tecnologias digitais e inteligência artificial - Incentivar tecnologias como drones e inteligência artificial.
_Fonte: Tribunal Superior Eleitoral_
Justiça condena vereador baiano a 13 anos de prisão por homicídio motivado por ciúmes
- Bahia Notícias
- 30 Set 2026
- 07:50h

Foto: Reprodução / TV Santa Cruz
Um vereador de Itapé, no Sul baiano, foi condenado a 13 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato de um homem em janeiro de 2006. A sentença foi proferida nesta terça-feira (29), durante júri popular, informou a TV Santa Cruz.
Segundo a acusação, José Adenilton Santos Alves, conhecido como Denilton do Porco (Podemos), agiu motivado por ciúmes da companheira e matou Romildo Souza de Oliveira. A vítima foi baleada enquanto andava a cavalo, depois que o réu teria tomado conhecimento de um suposto envolvimento de Romildo com a companheira.

Foto: Reprodução / TV Santa Cruz / Vítima foi morta a tiros
Durante o julgamento, Denilton confessou ter efetuado os disparos, mas afirmou que agiu em legítima defesa. Ainda segundo a emissora, ele alegou que havia sido ameaçado antes por Romildo e interpretou um movimento da vítima, no momento do crime, como uma tentativa de intimidação.
O vereador permaneceu em liberdade durante o processo. Em 2021, a Justiça decidiu que havia elementos suficientes de autoria e materialidade para submetê-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.
Após o julgamento, Denilton foi encaminhado ao Conjunto Penal de Itabuna. A defesa informou que vai recorrer da condenação.
Leonardo volta a beber após 30 dias e brinca sobre abstinência
- Por Folhapress
- 29 Set 2026
- 18:09h

Foto: Reprodução / Instagram @poliana
O cantor Leonardo encerrou os trinta dias sem consumir álcool e voltou a aparecer com uma cerveja na mão. Médicos recomendaram a pausa na bebida após exames de rotina de sangue apontarem alteração nos níveis de triglicérides.
Em vídeo publicado por Poliana Rocha nos Stories do Instagram, o sertanejo brincou com o período de abstinência e disse ter enfrentado dificuldades para ficar longe do consumo de bebida alcoólica.
"Trinta dias não foi brincadeira, não, gente. Nunca mais eu faço isso. Eu prefiro ser um gordo feliz do que um magro triste. Graças a Deus passou essa agonia. Viv", afirma.
Na sequência, Poliana o incentivou a beber: "Bebe, amor". Leonardo então apareceu segurando a cerveja e comemorou o fim do período de restrição.
Segundo nota divulgada pela assessoria de Leonardo, a alteração nos exames do artista não foi considerada preocupante, mas levou os médicos a recomendar mudanças na alimentação com uma dieta mais balanceada e a suspensão do consumo de bebidas alcoólicas por trinta dias.
Inadimplência das famílias no crédito livre atinge novo recorde e chega a 8% em agosto, mostra BC
- Por Nathalia Garcia | Folhapress via Bahia Notícias
- 29 Set 2026
- 16:15h

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
A inadimplência das famílias no crédito livre, em que as condições são livremente pactuadas entre bancos e clientes, atingiu um novo recorde e chegou a 8% em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (29). É o maior nível da série histórica da autoridade monetária, iniciada em março de 2011.
A alta mensal foi de 0,2 ponto percentual, enquanto o aumento em 12 meses até agosto foi de 1 ponto percentual nessa modalidade. O indicador de inadimplência do Banco Central considera as operações com atraso superior a 90 dias.
No conjunto de todas as operações no crédito com recursos livres, a inadimplência atingiu 6,6% do total da carteira, com elevação de 0,2 ponto percentual em agosto. Nas operações com empresas, o avanço foi de 0,1 ponto percentual em relação a julho, atingindo 4,3% no mês passado.
Níveis elevados de endividamento e de custo do crédito sob efeito dos juros altos continuam pressionando a renda das famílias. O superendividamento da população brasileira segue atingindo patamares recordes nos últimos meses –motivo de preocupação para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral.
Em reação, a gestão petista aposta em novas etapas do programa Desenrola Brasil, de renegociação de dívidas, para alavancar a popularidade do presidente às vésperas do pleito.
Na última semana, o governo lançou uma nova fase do programa, na qual destinará até R$ 15 bilhões para adquirir carteiras de dívidas de pessoas físicas que estão com atraso de 2 anos a 4,5 anos nas modalidades cartão de crédito (parcelado e rotativo) e crédito pessoal. A ideia é renegociar ao todo R$ 150 bilhões em dívidas.
O aumento da inadimplência foi observado em diversas modalidades de crédito. No caso do rotativo do cartão, houve um salto para 66,2% em agosto, contra 65,5% no mês anterior –ou seja, uma elevação de 0,7 ponto percentual.
O rotativo é a linha de crédito mais cara do mercado, recomendada por especialistas apenas em casos emergenciais. Ele é acionado quando o cliente não paga o valor integral da fatura na data de vencimento. Desde 2024, a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura do cartão não pode mais superar o dobro do montante original, incluindo juros e encargos.
No cartão de crédito como um todo, que inclui rotativo e parcelado, a inadimplência atingiu o recorde de 10% em agosto, alta de 0,5 ponto percentual em relação a julho.
Cresceram também as operações com atraso tanto no crédito pessoal consignado (subindo a 3,8% em agosto), em especial na modalidade voltada para trabalhadores do setor privado (10,6%), quanto no crédito não consignado (11%), sobretudo na opção sem garantias (15,6%).
Parte do aumento recente nos índices oficiais de inadimplência decorre de mudanças nas regras contábeis, não de novos atrasos imediatos. Segundo o BC, essa fatia do efeito contábil corresponde a cerca de 40% do crescimento registrado.
O endividamento das famílias voltou a subir e atingiu 49,9% em julho, com aumento de 0,2 ponto percentual no mês. Nesse cálculo, o BC considera o saldo das dívidas das famílias no mês de referência, agosto nessa situação, em relação à renda disponível acumulada nos últimos 12 meses.
O comprometimento de renda ficou estável em relação a junho, situando-se em 28,7%. Nesse caso, o cálculo considera o saldo das dívidas em relação à renda mensal das famílias. Os dois indicadores são divulgados pelo BC com uma defasagem maior, com dois meses de diferença.









