Michelle Bolsonaro será candidata ao Senado, diz Bia Kicis
- Por Raquel Lopes | Folhapress
- 02 Ago 2026
- 16:14h

Foto: Reprodução / PL Mulher
A deputada federal e pré-candidata ao Senado Bia Kicis (PL-DF) anunciou neste sábado (1º), em Brasília, que fará dobradinha com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Durante o evento, ela também informou que Michelle não poderia comparecer porque estava no hospital passando por uma ressonância.
"A ressonância estava prevista para às 15h e até agora não tinha acontecido e portanto ela não vai poder estar aqui pessoalmente, mas ela me incumbiu de dar a vocês essa grande notícia. Michelle Bolsonaro anuncia que ela é sim pré- candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal.", disse Kicis.
"Acabou a dúvida, acabou o ministério. Nós caminharemos juntas Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Celina Leão. A maior chapa que esse Distrito Federal já viu, a maior, a melhor, feita por mulheres aguerridas", continuou.
Na sexta-feira (31), Michelle tinha afirmado que ainda não havia decidido se seria candidata.
O principal empecilho até então era o seu papel de cuidadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar e tem problemas de saúde.
Dirigentes do PL dizem esperar que Michelle entre na campanha de Flávio --e, no vídeo em que aceita as desculpas públicas do enteado, ela fala em sentar e conversar com o presidenciável. Esse encontro, porém, não foi marcado, segundo interlocutores de ambos.
Um dos irmãos de Michelle, Diego Torres Dourado (PL), que foi assessor do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve ocupar a vaga de primeiro suplente na chapa. O posto de segundo suplente ainda depende de tratativas.
A ex-primeira-dama também vai lançar outro irmão, Eduardo Torres (PL), na política --ele vai concorrer a deputado distrital no DF. Eduardo dividia com Michelle as tarefas relacionadas a Bolsonaro, inclusive entregando marmitas ao ex-presidente durante o período de prisão na Papudinha.
No regime de prisão domiciliar, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes não autorizou que Eduardo frequente a casa da irmã e atue como cuidador de Bolsonaro.
Depois do encontro com Michelle, Valdemar disse esperar que ela retome seu posto no PL Mulher após as eleições e declarou que, por enquanto, não nomeará uma substituta. Questionada sobre essa possibilidade, a ex-primeira-dama respondeu que seu ciclo no PL Mulher se encerrou.
A composição do PL-DF para a eleição, sob influência de Michelle, traz uma série de aliados da ex-primeira-dama. É o caso de Bia Kicis, que vai concorrer ao Senado, já que cada unidade da federação vai eleger dois representantes neste ano.
Mulher é presa com 100 maços de cigarros furtados em Alagoinhas
- Bahia Notícias
- 02 Ago 2026
- 14:10h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Uma mulher de 46 anos foi presa em flagrante pela Polícia Civil da Bahia, nesta sexta-feira (31), suspeita de receptação de 100 maços de cigarros furtados de um estabelecimento comercial em Alagoinhas.
A mercadoria foi localizada durante diligências no bairro de Santa Terezinha, onde, segundo a investigação, os produtos estavam sendo revendidos. A ação ocorreu após a prisão de um homem apontado como suspeito de furtar comércios da cidade. A mulher foi conduzida à unidade policial junto com os cigarros recuperados e permanece à disposição do Poder Judiciário.
Os produtos deverão ser devolvidos ao proprietário. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos na receptação. A ação foi realizada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Alagoinhas.
Contrabando do Paraguai rende lucro de até 500% ao crime organizado no Brasil
- Por Marcelo Toledo | Folhapress
- 02 Ago 2026
- 12:08h

Foto: Reprodução / Polícia Ambiental
Contrabandear produtos do Paraguai para o Brasil pode render lucros superiores a 500% ao crime organizado, o que tem feito com que facções criminosas estejam cada vez mais presentes no entorno de Foz do Iguaçu (PR), principal região de entrada de produtos ilegais no país.
A atividade movimenta bilhões de reais à margem da economia formal, sem recolhimento de tributos. Segundo órgãos de fiscalização, além de abastecer as organizações, o contrabando gera concorrência desleal com empresas que atuam legalmente e pressiona a arrecadação pública.
Atividade no passado restrita a sacoleiros ou muambeiros, como os compradores eram chamados, hoje o contrabando é essencialmente dominado por facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), mas também por grupos menores que buscam ganhar espaço.
Um estudo produzido pelo Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras), mostra que a margem de lucro do contrabando chega a 507%, em um mercado que movimenta R$ 60 bilhões anualmente, e que a prática se consolidou como uma das mais lucrativas frentes de atuação do crime.
O índice foi calculado a partir da diferença entre o custo estimado para trazer ilegalmente a mercadoria ao Brasil e o valor obtido com sua revenda no mercado clandestino, no qual a sonegação fiscal abre espaço para preços menores do que os praticados pelo mercado regular.
O contrabando de cigarros paraguaios é apontado como forma de financiamento de atividades dessas facções e até mesmo de grupos terroristas como o Hezbollah, conforme um relatório da década passada do Foundation for the Defense of Democracies, instituto de políticas dos EUA.
E é justamente o cigarro o produto contrabandeado que gera o maior índice de lucratividade, seguido por medicamentos (415% de lucro) --peptídeos e anabolizantes incluídos-- e smartphones (390%). Também integram a lista dos itens mais apreendidos perfumes, defensivos agrícolas, brinquedos, pilhas e baterias, vestuário, informática, bebidas alcoólicas, pneus e cigarros eletrônicos.
O Idesf chegou a essa conclusão a partir da avaliação de que apenas entre 5% e 10% das mercadorias contrabandeadas são apreendidas, o que significa que a movimentação financeira pode ser ainda superior, já que agentes da Receita Federal afirmam que a fiscalização na ponte da Amizade, por exemplo, não chega a 2% do fluxo de pedestres e veículos --são 100 mil pessoas por dia cruzando a ponte que liga o Brasil ao Paraguai.
Além disso, não é necessário usar a ponte para contrabandear produtos proibidos. Uma das regiões de Foz do Iguaçu com forte atuação do crime organizado é a Vila Portes, que fica às margens do rio Paraná e tem vários portos clandestinos improvisados para o recebimento de barcos que partem de Ciudad del Este.
A diferença de preço entre os cigarros brasileiros e paraguaios é de 650%, mas o estudo considerou a logística do contrabandista, que tem custo médio de 22%. Ela envolve não só o transporte, mas também pessoal (motoristas, laranjas para transportar os produtos etc.), depreciação de patrimônio (veículos apreendidos em operações, muitas vezes carretas que custam mais de R$ 1 milhão), honorários advocatícios e uma espécie de "seguro-desemprego" --para os períodos em que a quadrilha reduz a atuação devido a operações mais amplas de repressão.
No início de junho, a Receita Federal e a PF (Polícia Federal) deflagraram a operação Sicarius para combater uma organização criminosa que atuava na região de Guaíra (PR), que faz fronteira com a paraguaia Salto del Guairá.
Segundo os órgãos, a suspeita era que o grupo praticava lavagem de dinheiro proveniente do contrabando de cigarros e agrotóxicos.
Um doleiro teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024, controlando contas em nome de pessoas e de empresas de fachada. Só em suas contas bancárias pessoais a movimentação financeira foi de R$ 114 milhões no período.
"O contrabando não tem custo tributário, como ocorre com as atividades legalizadas, mas tem outros encargos, como o custo de não ser pego, o custo de ter um carro roubado e outros, intangíveis", disse o presidente do Idesf, Luciano Stremel Barros.
Reflexo da forte atuação contrabandista na região da tríplice fronteira, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) apreendeu entre janeiro e abril 6,3 milhões de maços de cigarros no Paraná, 46,3% do total de apreensões feitas nas rodovias federais de todo o país no período.
"Os cigarros envolvem grandes carretas, grandes cargas, demanda estrutura até de cooptação dos motoristas, uma estrutura de fato organizada", disse o superintendente da PRF no Paraná, Fernando César Oliveira.
O cigarro eletrônico, proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), também ganhou mercado no contrabando nos últimos anos, com R$ 440 milhões em apreensões entre 2020 e o ano passado.
Embora o Paraguai seja o grande centro de distribuição de contrabando na região, a Argentina também aparece no ranking dos produtos ilícitos com os vinhos. A diferença média entre os preços praticados no Brasil e no país é de 400%.
Excetuando-se o "custo contrabando" de 22%, ainda assim resulta em um lucro de 312% para quem promove a entrada ilegal da bebida no país.
DESTINO DAS APREENSÕES
Independentemente de qual órgão faça a apreensão, as mercadorias retidas por contrabando e descaminho são encaminhadas à Receita Federal e podem resultar em quatro cenários distintos.
Elas podem ser doadas, leiloadas, destruídas ou incorporadas ao patrimônio da União. O destino dos produtos não é único porque há variáveis envolvidas nos bens apreendidos. Brinquedos que não tenham selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), por exemplo, não estão aptos para uso e são destruídos.
A destruição é utilizada quando os produtos são falsificados e, portanto, não poderiam ser comercializados de forma alguma, como uma camisa de seleção ou clube de futebol.
O mesmo acontece com os cigarros e é o caso também de óculos, bebidas e roupas de grife. As bebidas alcoólicas apreendidas são destinadas a uma instituição de ensino superior, que as transforma em álcool gel para ser usado em repartições públicas, inclusive na própria delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu.
Os leilões do órgão federal envolvem itens como notebooks, smartphones e veículos apreendidos nas operações. Os bens também podem ser doados --a Receita recebe pedidos de entidades de todo o país pela internet.
Quando os itens apreendidos podem ser utilizados pela PF (Polícia Federal) ou pela própria Receita, uma opção é a incorporação dos materiais.
Robson Conceição perde para Raymond Muratalla em disputa pelo cinturão mundial dos pesos-leves
- Bahia Notícias
- 02 Ago 2026
- 10:05h

Foto: Steve Marcus/Getty Images
O baiano Robson Conceição foi derrotado por Raymond Muratalla por decisão unânime dos juízes na disputa pelo cinturão mundial dos pesos-leves. O combate foi realizado na noite deste sábado (1°) em Las Vegas, nos Estados Unidos, e terminou com a manutenção do título pelo norte-americano.
Robson buscava conquistar o segundo título mundial no boxe profissional, desta vez em uma nova categoria. Segundo o g1, após o combate, Muratalla reconheceu que não teve a melhor atuação e afirmou que tentou definir a luta nos primeiros assaltos.
Robson já havia conquistado um cinturão mundial na categoria super-pena em julho de 2024, ao derrotar O'Shaquie Foster. Meses depois, porém, perdeu o título em uma revanche contra o norte-americano. Após subir para o peso-leve, o brasileiro venceu Yonnaiquer Rondon e Helber Rojas em duas lutas realizadas no Brasil.
A sequência positiva terminou diante de Muratalla, em Las Vegas. Atual campeão da divisão, Muratalla ampliou a invencibilidade no boxe profissional para 25 lutas, sendo 17 vitórias por nocaute.
O norte-americano, de 24 anos, havia conquistado o título linear dos pesos-leves da Federação Internacional de Boxe (IBF) ao derrotar Andy Cruz por decisão majoritária, em janeiro. Contra Robson, fez sua primeira defesa do cinturão.
Adoecimento por bets afeta empresas com faltas, funcionários endividados e pedidos de adiantamento
- Por Pedro S. Teixeira | Folhapress
- 02 Ago 2026
- 08:03h

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O dono de restaurante Maurício Nishimori tem um funcionário que, por três meses seguidos, sumiu por um dia inteiro depois do depósito do salário. "Eu liguei para a esposa dele e descobri que o problema era aposta", disse Nishimori à Folha, pedindo para preservar os nomes de seu colaborador e de seu negócio.
O empresário lida com um desafio reportado por diferentes entidades patronais e sindicais: os efeitos do adoecimento pelo jogo no ambiente de trabalho.
Relatos de dívidas de milhares de reais e crises familiares ligadas a perdas nas apostas chegam aos departamentos de recursos humanos, de acordo com a ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos).
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) cita constantes pedidos de adiantamento e a desatenção dos funcionários como sinais de alerta.
Nishimori afirmou que orientou seu funcionário a pedido da esposa dele. "Disse que ele iria perder o emprego, a família e a moradia caso continuasse na mesma", afirmou.
"Fui duro, mas não quero perdê-lo", emendou o empresário. Fora dos momentos de mania, o trabalhador não atrasa e é habilidoso. "Ele é um bom funcionário, gente boníssima, e mão de obra hoje é ouro."
Sem saber como lidar com um problema inédito, o dono do restaurante procurou solução na internet e recomendou que o trabalhador buscasse o teleatendimento oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde) --a inscrição é feita no Meu SUS Digital. A consulta, disponível para todo o país, é feita em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e ocorre sob sigilo.
O problema afeta desde pequenos negócios, como parte dos associados da Abrasel, até grandes companhias. A fabricante de produtos de limpeza Ypê, a siderúrgica Gerdau e a Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, organizaram ações de conscientização sobre os riscos das apostas --desde oficinas educativas até programas de acolhimento para colaboradores já adoecidos.
As empresas não informam se sofrem prejuízos ou qual seria o tamanho das perdas decorrentes do adoecimento de sua força de trabalho.
O impacto é notado primeiro no departamento de recursos humanos, onde chegam os depoimentos sobre as causas do adoecimento, diz a presidente da ABRH, Leyla Nascimento. "Embora seja uma questão recente e existam poucos dados, o endividamento e o jogo compulsivo afetam a saúde mental dos trabalhadores e podem reduzir a produtividade das empresas, piorando toda a economia."
No primeiro ano de mercado de apostas regulado, 2025, o número de afastamentos pelo adoecimento decorrente da perda de controle com jogo, chamada de ludopatia, subiu 59,8% frente a 2024 --passou de 425 a 679. São números modestos se comparados aos 4,5 milhões de afastamentos registrados pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) no período.
Na definição da OMS (Organização Mundial da Saúde), o diagnóstico da ludopatia ocorre quando o jogo ganha mais importância do que áreas centrais da vida, como relações familiares e de trabalho. "Como consequência imediata, o trabalhador pode se tornar mais desatento e relapso, o que pode gerar erros não costumeiros, mas suficientes para causar grandes prejuízos e até acidentes laborais", diz o médico do trabalho Marcos Mendanha.
Ele afirma que a dependência de apostas, por si só, não é uma geradora de incapacidade. Porém 82% dos pacientes que apresentam algum nível de transtorno do jogo têm algum outro transtorno mental associado, de acordo com estudo da Associação Europeia de Psiquiatria. "Quando os outros transtornos mentais se tornam perceptíveis, começam as faltas ao trabalho e os afastamentos por prazos maiores."
As associações mais comuns são a dependência de substâncias, como álcool e outras drogas, depressão e ansiedade. Esses transtornos estão mais ligados à incapacidade dos trabalhadores do que a ludopatia de forma isolada, de acordo com Mendanha.
A Femaco (Federação dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental e Urbana), que representa trabalhadores da limpeza, alerta sobre esses riscos em uma campanha de conscientização permanente desde maio. Nas palestras, a documentarista Renata Ketendjian relata como acompanhou a rotina de 23 pessoas dependentes de apostas no ano passado e recebeu a notícia do suicídio de oito delas.
"Enquanto muita gente ainda tratava as apostas online como entretenimento, nós enxergamos o que estava acontecendo na base da categoria: trabalhadores perdendo o salário, se endividando, recorrendo a empréstimos ilegais, adoecendo emocionalmente e, em casos extremos, chegando ao suicídio", afirma o presidente da Femaco, Roberto Santiago.
No segundo semestre de 2025, a Ypê realizou um projeto-piloto de educação financeira e dedicou uma das rodas de conversa ao tema. A palestra "Bets: Diversão ou Armadilha Financeira?" mostrou os impactos financeiros e emocionais das apostas, os principais gatilhos comportamentais, os sinais de perda de controle, as estratégias de prevenção e a importância da busca por apoio profissional.
Segundo a empresa, os participantes receberam informações sobre canais de acolhimento e suporte, incluindo o próprio Programa Cuidar, além de outras redes de apoio, como o CVV e os Jogadores Anônimos.
"Mais do que responder a uma demanda específica, a ação reflete a estratégia da companhia de atuar de forma preventiva, oferecendo informação, acolhimento e ferramentas que contribuam para o bem-estar integral das pessoas", afirmou Cristiane Lacerda Mutri, diretora de recursos humanos da empresa.
A Abrasel diz que o problema já é enfrentado por muitas empresas e pode impactar o ambiente de trabalho, o desempenho das equipes e a saúde financeira e emocional dos trabalhadores.
"Começamos a receber relatos de pedidos constantes de adiantamento, depressão e crises de pânico. Isso vem acompanhado de desatenção dos funcionários e saídas constantes para ir ao banheiro e jogar", diz Gabriel Miranda, líder da Abrasel SP. Por isso, a entidade elaborou um documento de orientação para seus associados, que nem sempre têm caixa para estruturar grandes programas de saúde mental.
A cartilha, segundo Miranda, visa ajudar o empresário a se portar da maneira correta diante desse novo desafio. O manual mostra como acolher o profissional e evitar problemas com a Justiça do Trabalho.
"É algo diferente do jogo do bicho ou do caça-níquel, por causa da acessibilidade. O jogo está no bolso do funcionário", diz.
Casos na Justiça também mostram demissões ligadas a comportamento compulsivo pelo jogo, e o TST (Tribunal Superior do Trabalho) avalia se deve comparar a ludopatia à dependência química, como critério de reversão da justa causa em decisões.
Autos de processos vistos pela reportagem mostram que uma falha recorrente nas reversões de justa causa relacionadas à dependência de jogos é a falta de ciência do patrão. Foi o caso de um vigilante de Vitória (ES) que foi demitido enquanto estava diagnosticado com a doença, mas não informou ao patrão do quadro clínico.
O diretor de saúde e bem-estar da ABRH orienta os funcionários a procurar os departamentos de recursos humanos em busca de acolhimento. "Nesses casos, a resposta adequada não é a justa causa pela compulsão, mas o encaminhamento para avaliação médica, tratamento e, quando necessário, afastamento pelo INSS."
- Teleatendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde)
O Ministério da Saúde lançou, em março de 2026, um programa de telemedicina focado exclusivamente em pessoas que enfrentam problemas com apostas. O atendimento é feito em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. O tratamento inclui ciclos de consultas por vídeo, com cerca de 45 minutos cada, com psicólogos e terapeutas.
A inscrição deve ser feita no aplicativo Meu SUS Digital (Android e iPhone). O serviço tem capacidade máxima de 600 atendimentos por mês.
- Jogadores Anônimos do Brasil
Encontros para compartilhar experiências e ajudar outras pessoas a se recuperar de problemas de jogo. Há cidades que realizam reuniões semanais regulares, jogadoresanonimos.com.br
- PRO-AMJO
Serviço do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP é voltado para estudar e tratar pacientes com transtorno do jogo. www.proamiti.com.br/transtornodojogo e (11) 2661-7805
- Serviços de saúde
Procure uma UBS (Unidade Básica de Saúde) ou um Caps (Centros de Atenção Psicossocial) mais próximos de sua residência para encaminhamento psicológico. O Instituto Vita Alere oferece uma ferramenta para localizar os pontos mais próximos de atendimento.
PV oficializa apoio à candidatura de Lula à Presidência
- Bahia Notícias
- 01 Ago 2026
- 18:20h

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O Partido Verde (PV) oficializou nesta sexta-feira (31) o apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi tomada durante a convenção nacional da legenda, realizada de forma virtual e transmitida pela internet.
O posicionamento já havia sido sinalizado pelo partido na semana passada, durante a convenção nacional do PDT. Na ocasião, o vice-presidente do PV, Reynaldo Nunes, participou do evento como representante da sigla.
Segundo o PV, a decisão busca reforçar o diálogo com forças democráticas e a construção de um projeto político baseado em sustentabilidade, inclusão social e fortalecimento das instituições.
Apesar da definição da legenda, Lula ainda é tratado como pré-candidato. A confirmação oficial do nome do petista deve ocorrer no domingo (2), durante a convenção nacional do PT.
Magreza de Ariana Grande em novo clipe, 'Petal', chama atenção de fãs
- Por Folhapress
- 01 Ago 2026
- 16:34h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias
O novo clipe de Ariana Grande, "Petal", recebeu uma série de comentários de fãs preocupados com a saúde da cantora, devido à sua magreza, com cenas nas quais é possível ver os ossos da cantora em seu peito e costas.
No clipe, Ariana interpreta Pepper, uma cantora que participa de uma série de testes para conseguir um papel ou contrato na indústria do entretenimento. Diante de uma banca de avaliadores, ela recebe críticas sobre sua aparência, personalidade e potencial comercial.
Entre os comentários, ouve frases como "sentimos falta de quem você era antes" e é chamada de pouco atraente, inautêntica e sem apelo para o mercado.
As cenas foram interpretadas como uma referência a críticas reais feitas sobre a aparência da cantora e sobre os rumos da carreira de Grande, fazendo comparações com outras fases da artista.
Nos comentários do vídeo, porém, os fãs demonstraram preocupação com a magreza da cantora, algo que já era notado desde a época em que ela estrelou os filmes "Wicked".
"Querida, não queremos a 'você' de antigamente nem a sua música antiga, queremos você saudável, e não parecendo que um vento mais forte vai te levar pelos ares", postou um usuário do YouTube.
"Quem vai dizer a ela que sentimos falta de vê-la com uma aparência saudável, e não da música antiga?", escreveu uma fã.
"Em que momento alguém vai intervir para ajudar? Ela está definhando", postou outro usuário.
"Ela está mergulhada nessa questão do transtorno alimentar, aposto que ver esses comentários só vão motivá-la a piorar. As pessoas ao redor dela são horríveis", escreveu outra pessoa.
"Estou muito preocupada com a saúde dela. Isso não é normal. Por favor, que alguém a ajude", escreveu mais uma pessoa.
O caso da artista é apenas um, entre vários, que ilustram como o botox, cirurgias plásticas e medicamentos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro -as canetas emagrecedoras-, agora interferem na construção de personagens e afetam a percepção do espectador em relação à obra. Nomes como Jim Carrey, Anne Hathaway e Charlize Theron também sofreram críticas recentes na mesma linha.
Cantor gospel Welisson Manfiny lança a emocionante canção “Restaura-me” em todas as plataformas digitais
- Brumado Urgente
- 01 Ago 2026
- 14:07h

Foto: Divulgação
O cantor gospel Welisson Manfiny acaba de lançar sua mais nova canção, “Restaura-me”, disponível em todas as plataformas digitais. A música chega com uma mensagem de esperança, cura e restauração, levando uma palavra de fé para todos que enfrentam momentos difíceis e precisam reencontrar forças em Deus.
Com uma interpretação marcante e uma letra inspiradora, “Restaura-me” convida o ouvinte a refletir sobre o poder restaurador de Cristo. A canção fala sobre recomeços, transformação e a certeza de que Deus continua levantando aqueles que confiam em Sua Palavra.
O lançamento já começa a ganhar destaque nas redes sociais e em páginas de divulgação da música gospel, alcançando pessoas de diferentes regiões e despertando o interesse do público pela profundidade de sua mensagem.
Welisson Manfiny tem se dedicado ao ministério da música como uma ferramenta de evangelização, buscando tocar corações por meio de canções que fortalecem a fé e aproximam as pessoas de Deus. Com “Restaura-me”, o cantor reafirma seu compromisso de anunciar o Evangelho através da música.
A nova canção já está disponível nas principais plataformas de streaming. O artista convida o público a ouvir, compartilhar e incluir a música em suas playlists, para que essa mensagem de restauração alcance ainda mais vidas.
Ouça agora e acompanhe o trabalho de Welisson Manfiny:
Spotify:
https://open.spotify.com/track/1a9zY8s9Pc6WaCB4GedSV9?si=fZ4VNW52TOSQ9vbX6AFsjQ&utm_source=copy-link&context=spotify%3Aplaylist%3A37i9dQZEVXbiSWECwalfCx&rowId=63393733313462343532656635343732
YouTube:
https://youtu.be/XXSqrFxDOBE?is=oBbcT5rxCnnyvFl8
Instagram:
https://www.instagram.com/welisson_manfiny?igsh=YjZ0ZzV6aTg1Ymt4&utm_source=qr
“Restaura-me” já está disponível. Ouça, compartilhe e permita que essa mensagem de esperança e restauração alcance o maior número possível de pessoas.
Governo desapropria área de 384 hectares para implantação de porto na Bahia
- Por Maurício Leiro I Francis Juliano I Bahia Notícias
- 01 Ago 2026
- 12:40h

Foto: Reprodução / Revista OE
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) assinou um decreto que declara de utilidade pública áreas de terra destinadas à implantação do Complexo Portuário e de Serviços Porto Sul, em Ilhéus, no Litoral Sul.
Ao todo, o decreto abrange 384,34 hectares [o equivalente a 384 campos de futebol] de áreas particulares, o que inclui benfeitorias e acessos existentes nos imóveis. Bens de domínio público não fazem parte da desapropriação.
Segundo publicação do governo estadual da última quinta-feira (30), as áreas foram definidas com base em estudos e projetos elaborados pela Superintendência de Infraestrutura de Transporte da Bahia (SIT), vinculada à Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). As coordenadas dos imóveis constam nos anexos do decreto.
Com a publicação da medida, a pasta de infraestrutura está autorizada a adotar os procedimentos administrativos e judiciais necessários para efetivar as desapropriações. Caso seja necessário, os processos poderão tramitar em caráter de urgência.
A pasta também ficará responsável por providenciar a imissão na posse dos imóveis e realizar o pagamento das indenizações aos proprietários, com apoio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). O decreto entrou em vigor na data de sua publicação.
O Porto Sul em Ilhéus é considerado uma extensão do projeto da Fiol [Ferrovia de Integração Oeste-Leste]. As obras do porto devem ficar sob responsabilidade da empresa portuguesa Mota-Engil que está finalizando a compra da Bamin [Bahia Mineração], companhia que tocava os trabalhos também da Fiol 1 [Ilhéus-Caetité] e suspendeu as atividades.
TJBA destaca medidas de combate à violência contra mulheres em mobilização nacional
- Bahia Notícias
- 01 Ago 2026
- 10:17h

Foto: Divulgação
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) participou, nesta sexta-feira (31), da cerimônia de mobilização do Pacto Brasil contra o Feminicídio, realizada no Cineteatro 2 de Julho, em Salvador. O presidente da Corte, desembargador José Rotondano, integrou a mesa de honra do evento.
A solenidade reuniu a primeira-dama Janja Lula da Silva, ministros de Estado, representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da Bahia e integrantes do Sistema de Justiça. A mobilização busca ampliar ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Durante o encontro, foram apresentadas iniciativas desenvolvidas pelo Judiciário baiano, como o aplicativo TJBA Zela, que permite solicitar Medida Protetiva de Urgência pelo celular, sem necessidade de advogado. Outra frente é o Núcleo TJBA Protege, unidade virtual que dá suporte às varas em processos relacionados a crimes contra a dignidade sexual. Segundo o tribunal, 61 magistrados atuam de forma especializada na força-tarefa.
A atuação também teria contribuído para reduzir o tempo de análise dos pedidos de proteção. Atualmente, conforme o TJBA, uma solicitação de Medida Protetiva de Urgência leva, em média, cinco horas para ser apreciada. Além de Rotondano, participaram da cerimônia a desembargadora Carmem Lúcia Santos Pinheiro, da Coordenadoria da Mulher do TJBA, e magistradas que atuam em unidades especializadas de Salvador e Camaçari.
Ao discursar no evento, o presidente do TJBA defendeu a integração entre as instituições para ampliar a proteção às mulheres. “Desejo que possamos sair daqui com ações ainda mais integradas, consolidando as instituições parceiras como defensoras e integrantes da vida das mulheres. O que nós desejamos é paz e que haja respeito e proteção às nossas mulheres”, afirmou.
Farmacêutica recusa oferta do Brasil por injeção semestral contra HIV, e governo aguarda contraproposta
- Por Bruno Lucca via Bahia Notícias
- 01 Ago 2026
- 08:34h

Foto: Divulgação / SES-DF
A farmacêutica Gilead Sciences não aceitou a proposta apresentada pelo governo brasileiro para a compra do lenacapavir, medicamento injetável de aplicação semestral apontado como a principal inovação recente na prevenção do HIV.
Em reunião realizada nesta quinta-feira (30), o Ministério da Saúde ofereceu pagar até US$ 400 por tratamento (cerca de R$ 2.037), valor até dez vezes superior ao praticado em países de perfil econômico semelhante, como Indonésia, Tailândia e África do Sul, segundo a pasta. Com a recusa, o ministério agora aguarda uma contraproposta da empresa.
Em nota, o governo afirma que as tratativas envolvem tanto a redução do preço como a possível transferência de tecnologia para o Brasil, com potencial de produção do medicamento para abastecer também outros países da América Latina.
As negociações incluem o uso do lenacapavir para profilaxia pré-exposição (PrEP) e para tratamento de pessoas vivendo com HIV.
Procurada, a Gilead confirmou a reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mas não comentou a proposta financeira apresentada pelo governo.
A empresa afirmou que permanece "comprometida em trabalhar de forma colaborativa" para ampliar o acesso ao medicamento no Brasil e disse continuar discutindo alternativas sustentáveis de longo prazo para o país, que ficou fora dos acordos de licenciamento voluntário firmados pela companhia com outros mercados de renda média e baixa.
A farmacêutica também destacou que assinou um memorando de entendimento com a Fiocruz para avaliar oportunidades de transferência de tecnologia e produção regional do medicamento.
A negociação ocorre paralelamente ao processo de definição do preço máximo de comercialização do lenacapavir no Brasil. Após a aprovação do medicamento pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) iniciou a análise do pedido de precificação, mas a Gilead entrou com recurso em 30 de junho.
Segundo a Anvisa, o processo deve ser concluído até 28 de setembro. Os pareceres técnicos só serão divulgados após o encerramento da fase de recurso.
A definição do preço pela CMED, porém, é diferente da negociação conduzida pelo Ministério da Saúde. Enquanto a Câmara estabelece o preço-teto para comercialização do medicamento no país, a pasta negocia o valor que poderá pagar para incorporá-lo ao SUS (Sistema Único de Saúde).
O impasse ocorre em um momento em que o governo tenta ampliar o acesso a novas tecnologias para prevenção do HIV. Nesta semana, o ministério anunciou um acordo para aquisição do cabotegravir, da GSK/ViiV Healthcare, primeira PrEP injetável de longa duração que poderá ser ofertada gratuitamente.
A pasta também firmou um acordo com a farmacêutica MSD para acompanhar o desenvolvimento do MK-8527, comprimido de uso mensal para prevenção ao HIV que ainda está em estudos clínicos e poderá ser produzido no país futuramente.
Apesar desses avanços, o lenacapavir é considerado hoje o principal medicamento na prevenção da infecção por combinar alta eficácia com apenas duas aplicações por ano, o que pode aumentar a adesão à PrEP entre pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário dos medicamentos disponíveis atualmente.
Baianos nascidos em famílias abaixo da média de renda tem 75% de chance de permanecer entre os mais pobres, diz estudo
- Por Eduarda Pinto I Bahia Notícias
- 31 Jul 2026
- 18:40h

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Três a cada cinco baianos que nasceram em famílias abaixo da média de renda brasileira tendem a permanecer entre os 50% mais pobres do estado. Isso significa que há um baixo índice de mobilidade social no estado e no país. Essa consideração faz parte do Atlas da Mobilidade Social, estudo divulgado nesta sexta-feira (31), que mostra que gênero, raça e origem familiar são os principais condicionantes para a baixa mobilidade social no Brasil.
O Atlas é uma plataforma pública desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab. No Brasil, a mediana de renda (P50) domiciliar per capita fica próxima a patamares onde metade da população ganha valores inferiores à média geral de R$2.316.
Com base nisso, a origem familiar, no estudo, separa renda nos seguintes segmentos: “Abaixo da Mediana (P50)”, que separa os rendimentos pela metade e constam nesse segmento a metade inferior de toda a pirâmide de renda do país; “Classe Baixa (P1-25)”, os 25% com menor renda domiciliar da distribuição; “Classe Média (P26-75)”, o estrato intermediário que abrange os percentis 26 ao 75; e “Classe Alta (P76-100)”, como o quarto superior (os 25% mais ricos), incluindo o subgrupo de topo dos 10% com maior renda do país.
Na Bahia, 75,5% das crianças nascidas entre os 50% mais pobres do país tendem a permanecer nessa faixa de renda, o equivalente a três a cada quatro crianças. Já entre os 25% mais pobres, o índice de permanência dessas crianças é de 51,6%.
Quando avaliada a possibilidade de ascensão social, ou seja, que as crianças cheguem a “Classe Alta”, entre os 25% ou 10% mais ricos, o número é mínimo. Apenas 8,46% das crianças baianas nascidas abaixo da mediana de renda avançam para a faixa do quarto mais rico da população e apenas 1,36% chegam a ficar entre os mais ricos depois de adultos.
O estudo destaca ainda a disparidade regional de mobilidade social. O Atlas analisou que as maiores probabilidades de mobilidade concentram-se nas regiões Sul, Sudeste e em partes do Centro-Oeste. Já grande parte do Norte e do Nordeste apresenta as menores taxas de mobilidade, revelando territórios onde a pobreza tende a ser mais persistente entre gerações.
Entre os nordestinos, 76,7% das crianças nascidas entre os 50% mais pobres do país tendem a permanecer nessa faixa de rendimentos. Já no quarto mais pobre, considerando a Classe Baixa, o índice das crianças que permanecem na mesma faixa de renda enquanto adultos é de 51,62%.
Entre as crianças nordestinas que saem de uma faixa de renda abaixo da mediana para uma Classe Alta, entre os 25% mais ricos, o índice é de apenas 8,07%, ou seja, menos de um a cada dez. Em outro recorte da classe alta, considerando os 10% mais ricos do país, apenas 1,36% das crianças do Nordeste nascidas na metade da população abaixo da mediana conseguem avançar. O valor é equivalente a uma criança a cada 100.
Petrobras e governo travam embate sobre abertura do mercado de gás natural
- Por Nicola Pamplona | Folhapress
- 31 Jul 2026
- 16:33h

Foto: Reprodução / Agência Brasil
A ofensiva do governo para finalmente regulamentar a Lei do Gás, aprovada em 2021, gera um embate entre o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras, que tenta manter exclusividade sobre a infraestrutura de escoamento do combustível.
Nas últimas semanas, com apoio do ministério, a ANP tomou uma série de decisões que impactam a Petrobras. Primeiro, publicou regras para livre acesso a terminais de GNL (o gás natural liquefeito importado para abastecer térmicas), medida que afeta também outras empresas privadas.
Depois, decidiu mediar negociação com a estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) para acessar gasodutos que ligam campos do pré-sal ao continente. Abriu ainda consulta pública para debater regras de livre acesso a esses gasodutos e a estações de tratamento de gás.
Por fim, a agência prepara consulta pública sobre um mecanismo chamado "gas release", que obrigaria a Petrobras a transferir ao setor privado parte de seus contratos de venda do combustível a distribuidoras de gás canalizado.
A abertura de infraestruturas ao setor privado é um dos pilares da Lei do Gás, aprovada no governo Jair Bolsonaro (PL) com a promessa de ampliar a competição no setor. A ideia era permitir que outros produtores e importadores entrassem no mercado, ampliando oferta e reduzindo o preço do produto.
É também uma bandeira do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Petrobras, por outro lado, diz que as regras em vigor penalizam quem foi responsável pelos investimentos na infraestrutura.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, tornou a oposição ao 'gas release" em um mantra na concorrida agenda de eventos que promoveu no primeiro semestre. No fim de maio, por exemplo, afirmou que "uma canetada para trocar o gás de mãos" não baixará o preço.
Ela repete que medidas que reduzam a proteção do investidor podem inviabilizar grandes projetos de produção, principalmente as duas plataformas previstas para o litoral de Sergipe, onde a Petrobras pretende investir R$ 60 bilhões.
O Ministério de Minas e Energia defende em nota que "está voltado à implementação integral do marco legal, para promover um ambiente concorrencial, ampliar o acesso às infraestruturas essenciais e favorecer o desenvolvimento do mercado de gás natural, conforme previsto na legislação".
A pasta defende ainda o acesso da PPSA aos gasodutos, para que essa estatal possa vender mais barato a parcela da produção de gás do pré-sal que pertence à União. Silveira contava com esse gás para tentar incentivar projetos de fertilizantes ou petroquímica.
O secretário de Petróleo e Gás do ministério, Renato Dutra, chegou a enviar um e-mail cobrando posicionamento da ANP antes de reunião que discutiu o tema, em julho. Nem Petrobras, nem PPSA ficaram satisfeitos com a abertura de mediação.
A PPSA afirma que "as empresas estão em negociação para que a Petrobras passe a atuar como agente comercializadora do gás natural da União", solução que não agrada ao ministério. A Petrobras não comentou o assunto.
Segundo a ANP, a Petrobras é responsável hoje por 70% das vendas de gás natural a distribuidoras de gás canalizado ou grandes consumidores industriais no país. É uma fatia menor do que no início da década, já que a empresa vendeu ativos de gás durante os governos Michel Temer e Bolsonaro.
Ainda assim, a área técnica da ANP entende que um ambiente adequado de competição teria o agente dominante com menos de 40% do mercado. Os 30 pontos percentuais a mais que a Petrobras tem hoje deveriam ser divididos entre quatro ou cinco novos agentes.
"A ANP só está tentando cumprir o que está determinado na Lei do Gás. Não deveria ser tão difícil", diz Adrianno Lorenzon, diretor de Gás Natural da Abrace Energia, associação que representa grandes consumidores industriais.
Mesmo com a regulamentação adequada, porém, a Lei do Gás não trouxe o efeito prometido pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes, que previa redução do preço à metade com o aumento da competição.
Segundo dados de Minas e Energia, pelo contrário, o preço médio do gás vendido às distribuidoras subiu de cerca de US$ 6 (R$ 31) por milhão de BTU (quantidade de energia térmica liberada quando o gás é queimado) para cerca de US$ 10 (R$ 51) por milhão de BTU entre abril de 2021, quando a lei foi sancionada, e setembro de 2025, quando o ministério publicou o último boletim mensal sobre o tema.
Idade fisiológica de quem vive com HIV pode superar a real em até 13 anos, aponta relatório
- Por Claúdia Colucci | Folhapress
- 31 Jul 2026
- 14:37h

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
O sucesso da terapia antirretroviral, que transformou o HIV de sentença de morte em condição crônica, criou um problema que os sistemas de saúde do mundo ainda não sabem enfrentar: uma geração inteira envelhecendo com o vírus, e com corpos que envelhecem mais rápido do que deveriam.
Até 2040, estima-se que haverá 20,2 milhões de pessoas com 50 anos ou mais vivendo com HIV, 51% de todas as pessoas com o vírus, ante 29% em 2025, aponta relatório de uma comissão da revista The Lancet HIV, formada por mais de 30 pesquisadores de instituições como Yale, Johns Hopkins, Fiocruz e OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgado durante o congresso internacional de Aids, que termina nesta sexta (31), no Rio de Janeiro.
A maioria dessas pessoas (96%) estará vivendo em países de baixa ou média renda, como o Brasil, e é fundamental que recebam cuidado integrado e abrangente. Em entrevista à Folha por email, Amy Justice e Keri Althoff, autoras principais do relatório, lembram que, à medida que a prevalência do HIV entre pessoas mais velhas aumenta, a incidência também aumentará.
Um dos achados mais contundentes do relatório é sobre a diferença entre idade cronológica e fisiológica: aos 65 anos, uma pessoa com HIV tem expectativa de sobrevida equivalente a alguém 13,5 anos mais velho (homens) ou 11,6 anos mais velho (mulheres).
Mesmo depois que o HIV é suprimido, essas pessoas são fisiologicamente "mais velhas" que sua idade real, correndo risco de doenças cardiovasculares, hepáticas, renais e câncer mais cedo. Outro método, baseado em "relógios epigenéticos" que estimam a idade biológica a partir de marcadores no DNA, mostra pessoas com HIV com 3,6 a 5,2 anos a mais de idade biológica que a real.
"A idade fisiológica provavelmente é um guia melhor para o manejo clínico do que a idade cronológica", afirma Justice, ressaltando que, quando a sobrevida restante é inferior a dez anos, uma avaliação geriátrica completa é indicada—e, abaixo de dois anos, o planejamento de fim de vida deve começar.
Para ela, é preciso reconhecer que as pessoas envelhecendo com HIV têm maior risco de morbidade associada ao envelhecimento, e em idades mais precoces e integrar essas evidências aos cuidados. Os principais mecanismos envolvidos são a inflamação crônica e a disfunção imunológica.
A maioria das pessoas com HIV hoje com mais de 50 anos se infectou ainda jovem, nas décadas de 1990 e 2000, quando os protocolos recomendavam esperar a contagem de células CD4 (glóbulos brancos de defesa que coordenam o sistema imunológico) cair antes de iniciar o tratamento, deixando o vírus circular sem controle por mais tempo.
Somam-se a isso os efeitos colaterais de longo prazo dos primeiros esquemas de tratamento —hoje considerados ultrapassados—, que só agora os médicos conseguem mapear com clareza.
Segundo o médico Draurio Barreto, que coordena o programa de HIV/Aids do Ministério da Saúde, esse grupo acumula décadas de uso de um esquema medicamentoso com maior toxicidade. "O grande problema do envelhecimento é que tem gente tratando há mais de 30 anos. Então as pessoas têm problemas de osteoporose, fragilidade óssea e problemas renais", afirma.
Na ponta da assistência, esse retrato já é rotina. "Cerca de 70% do público é de 50+, em torno de 60% são mulheres idosas, muitas já sequeladas. São pessoas que vivem com HIV há mais de 20, 30, 40 anos", diz Américo Nunes, presidente do Instituto Vida Nova, ONG que atua na zona leste de São Paulo.
Barreto afirma que, nos últimos dois anos, o ministério ampliou progressivamente o público elegível para migrar a um esquema mais moderno, de duas drogas em comprimido único, hoje estendido a qualquer paciente com carga viral indetectável. Cerca de 500 mil pessoas no país já usam esse novo esquema.
Na experiência de Nunes, o desgaste de décadas de tratamento aparece sobretudo como sequelas motoras e psicossociais.
O relatório trata o comprometimento cognitivo como uma das "síndromes geriátricas" mais comuns nessa população. "As pessoas têm perda de memória. Você conversa, dá uma orientação, daqui a meia hora ela já não se lembra do que foi dito", relata Nunes. "E tem o medo do abandono, o isolamento, porque nem todos revelam o diagnóstico. Ainda temem o preconceito."
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Para Justice e Althoff, esse é justamente um dos maiores desafios para a próxima década. "Será preciso abordar o estigma associado ao envelhecimento e ao HIV, que pode impedir que pessoas mais velhas acessem os recursos necessários em suas comunidades."
Nunes concorda: "A gente trabalha isso, empoderando essas pessoas para que, quando sentirem vontade, estejam fortalecidas para falar sobre isso". Esse cruzamento entre envelhecer e viver com HIV cria, segundo ele, uma camada dupla de discriminação —o que a comissão chama de "estigma composto". "A gente talvez comece a perceber que essa população vai viver um duplo preconceito", diz.
Um capítulo do relatório trata da saúde sexual de idosos: 73% das pessoas entre 57 e 64 anos relataram atividade sexual no último ano nos EUA, caindo para 26% entre 75 e 85 anos, mas menos da metade já conversou sobre isso com um médico.
"Os limites de idade para a triagem de HIV precisam ser eliminados, e as pessoas mais velhas precisarão de intervenções de prevenção ao HIV adequadamente adaptadas", defendem as autoras, já que o rastreamento hoje simplesmente para na faixa dos 49 a 64 anos na maioria dos protocolos mundiais — um padrão associado a diagnóstico tardio em 39 de 40 estudos revisados pela comissão.
A "polifarmácia" é outro problema concreto: 89% das pessoas mais velhas com HIV tomam cinco ou mais medicamentos simultaneamente.
"É preciso ter cuidado para evitar a prescrição desnecessária de medicamentos não relacionados ao HIV entre pessoas envelhecendo com HIV, com consideração cuidadosa das possíveis interações medicamentosas", alerta Justice. Também é preciso atenção para prevenir o ganho de peso excessivo, com orientações sobre dieta adequada e exercícios físicos.
O relatório dedica atenção a grupos pouco estudados: mulheres, migrantes mais velhos, pessoas trans e não-binárias, povos indígenas e pessoas que já passaram pelo sistema prisional.
A invisibilidade das mulheres mais velhas já aparece nos dados brasileiros, segundo a infectologista Beatriz Grinsztejn, uma das autoras do relatório. "A maior parte dos diagnósticos entre mulheres vem se dando entre mulheres que não estão na idade reprodutiva", afirma.
Historicamente, a resposta ao HIV foi construída em torno de programas "verticais", focados só em diagnóstico, tratamento e supressão viral —modelo que salvou milhões de vidas, mas nunca previu uma população envelhecendo dentro dele.
Para Justice e Althoff, ambas as abordagens precisam ser "diagonalizadas", de modo que as pessoas envelhecendo com HIV tenham um cuidado informado tanto pelas necessidades especiais do HIV como pelas do envelhecimento.
Elas lembram, porém, que envelhecer bem com HIV só é possível com um tratamento antiretroviral eficaz e sustentado, apesar das mudanças no financiamento global do enfrentamento da epidemia de Aids.
A jornalista viajou a convite da IAS (International Aids Society)
Caiado compara Lulinha a Flávio Bolsonaro: 'O rei protege o príncipe'
- Por Folhapress via Bahia Notícias
- 31 Jul 2026
- 12:35h

Foto: Divulgação
Opositores fizeram ataques ao presidente Lula (PT) diante da abertura de investigação pelo STF (Supremo Tribunal Federal) contra o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Rival de Lula na disputa presidencial, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) comparou o caso com investigações que envolveram Flávio Bolsonaro (PL), também candidato a presidente, embora não tenha citado diretamente o nome do concorrente.
"Filho investigado por vender acesso ao governo e o pai que finge não ver. Esse é o retrato da novela política chamada PT", disse Caiado, que falou em "uma monarquia disfarçada de república, onde o rei protege o príncipe".
"Estou falando de Lula e Lulinha, mas pode ser interpretado como outro pai que protege outro filho. Já passou da hora de acabar com essa farsa."
A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), após pedido da Polícia Federal na última sexta-feira (24). Os investigadores da PF querem apurar os crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, com elos no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência.
A defesa de Lulinha nega que tenha havido qualquer ilegalidade nas atitudes do filho do presidente.
Em transmissão nas redes sociais nesta quinta (30), Flávio Bolsonaro falou das investigações envolvendo Lulinha no caso do INSS. Ele acusou o governo petista de interferir na PF para frear as apurações e fez um paralelo com os inquéritos envolvendo bolsonaristas.
"Para o Lulinha, está faltando braço, está faltando gente."
Outros líderes bolsonaristas também criticaram Lula ao comentar a abertura do inquérito. Deputado mais votado do país em 2022, Nikolas Ferreira (PL-MG) postou uma notícia a respeito em rede social e acrescentou: "Filho de Lula.... Lulinha é."
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse em rede social: "Cada enxadada uma minhoca".
Também na internet, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que tudo deve ser investigado "doa a quem doer". "Enquanto você faz fila no SUS, tem gente usando o Ministério da Saúde como balcão de negócio da família."
Em participação em podcast nesta quinta, o presidente Lula afirmou que não usará o cargo para proteger o filho. "Ele não tem o direito de errar. Não vão usar meu cargo para proteger [Lulinha]. Ele vai ter que provar que ele é inocente como eu provei, vai ter que provar. E se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra."









