Flávio Bolsonaro critica Toffoli e fala em censura após suspensão de campanha de Renan Santos
- Por Lucas Vieira/Bahia Notícias
- 01 Set 2026
- 18:25h

Foto: Charles Vieira
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou, nesta segunda-feira (31), a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF e do TSE, que suspendeu a campanha de Renan Santos, do Missão. O senador afirmou esperar que a candidatura seja restabelecida.
“Espero que o candidato Renan Santos restabeleça sua candidatura. O Presidente Jair Bolsonaro está com suas redes sociais bloqueadas há mais de um ano e a censura não pode mais ser banalizada no Brasil!”, escreveu Flávio na rede social X.
A decisão de Toffoli ocorreu após a identificação de um perfil no Instagram usado pela campanha que não teria sido informado à Justiça Eleitoral dentro do prazo. Além da suspensão da propaganda, o ministro determinou o bloqueio de repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e proibiu a participação da chapa em debates.
Governo notifica gigantes de vale-refeição por descumprir regras e permitir compra de bebida alcoólica
- Por Luany Galdeano e Nathalia Garcia | Folhapress
- 01 Set 2026
- 16:25h

Foto: Reprodução / Freepik
O Ministério do Trabalho notificou 115 empresas, incluindo gigantes do setor de vale-refeição, por descumprirem regras previstas em lei para a alimentação do trabalhador. A pasta prevê multas de até R$ 50 mil pela violação.
Entre as infrações está a cobrança de taxas consideradas abusivas sobre os estabelecimentos comerciais que aceitam vale-refeição e alimentação, além da permissão do uso do cartão para compra de produtos como bebida alcoólica, itens de limpeza e ração para animais, ou seja, não relacionados com nutrição do trabalhador.
As quatro gigantes do setor de benefícios -VR, Alelo, Pluxee e Ticket Restaurante- foram autuadas na ação por infrações apontadas pela equipe do governo. Já entre os estabelecimentos notificados há restaurantes, supermercados e empresas que concedem benefícios a funcionários.
Em notas enviadas por assessorias de imprensa, as quatro empresas confirmam o recebimento da notificação do ministério, dizem que prestarão os esclarecimentos necessários à pasta e defendem a própria atuação no âmbito do PAT.
A fiscalização do Ministério do Trabalho identificou descumprimento de decreto do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) publicado no fim de 2025, que estabeleceu limite de até 3,6% para taxas cobradas de restaurantes e supermercados por empresas de tíquetes, com redução de 30 para 15 dias no prazo para que os estabelecimentos recebem os pagamentos pelas transações.
Antes, as alíquotas chegavam a até 8%, o que elevaria o custo da alimentação do trabalhador, segundo integrantes do governo ouvidos pela reportagem.
A nova regra mantém ainda a proibição ao rebate, conjunto de descontos e bonificações para as empresas contratantes das bandeiras de vale-refeição e alimentação que levava ao aumento das taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais para compras nestes cartões.
Outro descumprimento, não relacionado ao decreto, diz respeito ao uso indevido dos tíquetes. Na fiscalização, os auditores detectaram que trabalhadores compravam com os cartões itens não relacionados a alimentação ou refeição, o que viola as determinações do governo para o benefício.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, as companhias de tíquetes davam benefícios para companhias que não aderissem ao PAT. Entre eles estava a possibilidade de que a empresas de vale-refeição pagassem uma parte dos benefícios oferecidos aos funcionários, como plano de saúde e programas de incentivo à academia.
Pelo PAT, o governo oferece ao empregador acesso a incentivos fiscais, como dedução de até 4% do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas para empresas enquadradas no regime de lucro real. Além disso, todas as beneficiárias do PAT são isentas do recolhimento do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) sobre o valor do benefício.
Com os vales, as empresas veem oportunidade de ampliar as vantagens concedidas para funcionários a um custo menor. Para muitas delas, pagar integralmente esses tipos de benefícios, incluindo impostos e encargos trabalhistas, seria mais custoso do que não receber os incentivos.
Além da continuidade dos incentivos, as empresas de vale-refeição e alimentação seguiram cobrando taxas mais altas e mantendo prazo acima de 15 dias para pagar os estabelecimentos comerciais, segundo o ministério.
Em nota, a Pluxee diz que a posição da companhia está baseada em análise da regulamentação vigente e diz que apresentará esclarecimentos e informações necessários ao ministério.
A Alelo afirma atuar em estrita conformidade com a legislação vigente e com as diretrizes do PAT e que apresentará justificativas técnicas dentro do prazo legal estabelecido pelos órgãos competentes.
A Ticket diz que apresentará defesa e os esclarecimentos cabíveis dentro do prazo previsto, pelos canais adequados.
Já a VR declara observar a legislação e a regulamentação aplicáveis ao PAT e afirma que os esclarecimentos serão apresentados nos procedimentos próprios, dentro dos prazos e pelos meios previstos na legislação.
Para Rogério Araújo, coordenador-geral do PAT, as empresas entendem que o decreto do Ministério do Trabalho cria regras apenas para as companhias que participam do programa.
Ele diz que as gigantes de vale refeição avaliam que há clientes concedendo auxílios por fora do programa do governo, baseados em regra da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e, por isso, não precisam se sujeitar às determinações da pasta.
"As empresas estavam oferecendo benefícios diferentes: um de acordo com PAT, outro de acordo com a CLT. Só que o decreto se aplica aos dois. Temos um parecer da consultoria jurídica do ministério dizendo isso. Limite de taxa, proibição de rebate, prazo de liquidação, é tudo igual. Essas regras têm que ser cumpridas em qualquer modalidade", afirma Rogério.
Sobre o uso indevído dos tíquetes, o coordenador ressalta que as empresas teriam mecanismos para impedir as compras indevidas. Ele cita, por exemplo, a suspensão em tempo real de transações consideradas suspeitas por operadoras de cartão de crédito.
"Eles sabem o que acontece. É uma questão de vontade de apertar o botãozinho e falar 'isso aqui não vai passar'."
O pagamento das multas pelo descumprimento do decreto pode não ocorrer devido ao processo ainda em suspenso, na avaliação de auditores consultados pela reportagem sob condição de anonimato. Eles defendem também um aumento no valor da multa, que não corresponde ao movimento bilionário das empresas.
Mais da metade dos brasileiros usuários de IA utilizam a ferramenta como suporte emocional
- Bahia Notícias
- 01 Set 2026
- 14:42h

Foto: Reprodução / Magnific
54% dos brasileiros que utilizam ferramentas de inteligência artificial, afirmam tratá-las como “conselheiras pessoais". Dados inéditos divulgados nesta segunda-feira (31) pelo levantamento do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade e Informação) comprovam essa e outras estatísticas.
Os dados são da terceira edição da Pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais. O centro é vinculado ao CGI.Br (Comitê Gestor da Internet no Brasil). Na pesquisa, foram ouvidos 2.500 usuários de internet com mais de 16 anos em todas as regiões do país.
Eles foram questionados sobre os tipos de informação fornecidos para as ferramentas de inteligência artificial generativa. Entre as categorias mais citadas, estão:
- Temas de trabalho ou estudo: 73%
- Gostos pessoais, como filmes e músicas: 58%
- Sentimentos e emoções 54%
- Saúde, sintomas e exames: 52%
- Envio de fotos pessoais 50%
As categorias menos citadas foram:
- Orçamentos e investimentos: 41%
- Nome, endereço, data de nascimento ou CPF: 37%
A pesquisa identificou ainda que a maioria (66%) dos usuários declara estar preocupada ou muito preocupada com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas de IA. Outros 22% dizem estar pouco preocupados, e 11%, nada preocupados.
Consultoria de amamentação oferece apoio a mães com dificuldades no aleitamento em Salvador
- Por Victor Hernandes/Bahia Notícias
- 01 Set 2026
- 12:28h

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Mulheres que enfrentam dificuldades para amamentar os filhos ganharam uma nova ferramenta de apoio durante a gestação e o período pós-parto: a consultoria em amamentação. O serviço consiste em um atendimento especializado realizado por profissionais capacitados, como enfermeiras, obstetrizes e fonoaudiólogas, com o objetivo de orientar e acompanhar a mãe e a família nas diferentes etapas do aleitamento materno.
Em Salvador, parte dessas profissionais atua de forma independente, oferecendo atendimentos individualizados, inclusive em domicílio. Para entender melhor como funciona o serviço, o Bahia Notícias conversou com Loise Chamusca, que trabalha há mais de 25 anos como consultora em amamentação.
Segundo ela, o sucesso do aleitamento não depende apenas da disposição da mãe em amamentar. A saúde materna, a anatomia da mama e as condições do bebê também podem interferir diretamente no processo. Entre os fatores estão a prematuridade, doenças preexistentes da mãe e disfunções orais que podem dificultar a pega correta do bebê.
“O preparo é para entender todo o processo. A consultoria vem exatamente porque muita gente desmama precocemente pela falta de entendimento, pela falta de orientação. Hoje, com o avanço da ciência, a gente sabe da importância do aleitamento humano quando pensa em viver mais e com melhor qualidade de vida”, explicou.
Para Loise, a amamentação está longe de ser simplesmente colocar o bebê no peito. O ambiente, a cultura familiar e as informações recebidas pela mãe também podem influenciar na experiência.
“Não é só colocar o bebê no peito e está tudo bem. Depende da mãe e do bebê. Existem muitos fatores que interferem diretamente para o sucesso da amamentação, desde a ambientação até a cultura das pessoas que, às vezes, acabam atrapalhando a mãe que amamenta”, afirmou.
A consultora também destaca que algumas condições de saúde da mulher podem repercutir na produção de leite, enquanto alterações na boca ou na sucção do bebê podem dificultar a retirada adequada do leite da mama.
“Muita gente tem algumas doenças pré-existentes que podem repercutir também na produção do leite. Tem bebê que não pega a mama direito, que não abocanha por alguma disfunção oral. Hoje, a consultoria trabalha em cima desse processo, avaliando quem é essa mulher e quais são os fatores de risco”, disse.
Durante o atendimento, a profissional avalia, entre outros aspectos, o formato da mama e a forma como o bebê deve fazer a pega para evitar ferimentos e garantir uma transferência eficiente de leite.
“Não existe leite fraco. Existe o bebê que não mama direito”, resumiu.
ACOMPANHAMENTO
De acordo com Loise, o ideal é que o acompanhamento comece ainda durante a gestação. A consulta pré-natal permite identificar possíveis fatores de risco e preparar a mulher para os desafios que podem surgir após o nascimento do bebê.
“Faço uma consulta pré-natal e avalio, oriento essa mulher e já identifico quais são os possíveis riscos dela. Claro que vai depender também do bebê depois que ele nascer. Oriento todo o processo e atendo essa mulher se ela tiver qualquer complicação, se machucar a mama ou se o bebê não estiver ganhando peso de forma eficiente”, contou.
O acompanhamento também pode continuar durante o puerpério e em outras fases da amamentação, principalmente quando surgem problemas como dor, fissuras, obstrução da mama ou dificuldades na pega.
“Vou avaliar todo o processo junto com essa mulher no período pós-parto ou em alguma fase da amamentação em que ela tenha alguma obstrução. Tudo isso a gente acolhe no puerpério também, que é quando ela fica muito vulnerável, fragilizada, e auxilia nesse processo de amamentação, de ajuste”, afirmou.
ATENDIMENTO INDIVIADUALIZADO
Cada consulta dura, em média, entre uma hora e meia e duas horas, mas o atendimento pode se estender pelo tempo necessário. Em Salvador, Loise cobra R$ 420 por sessão e atende, no máximo, quatro pacientes por dia, geralmente em domicílio.
A limitação da quantidade de atendimentos, segundo ela, é justamente para garantir que cada mãe e cada bebê tenham um acompanhamento individualizado.
“Cada mamãe e cada bebê vai requerer o seu tempo de adaptação. Às vezes eu atendo crianças prematuras, bebês com muitas dificuldades e bebês especiais. Cada mãe traz a sua necessidade”, explicou.
A profissional conta que trabalha com consultoria em amamentação há mais de 25 anos. Segundo ela, a maior parte das mulheres que procuram o serviço atualmente tem entre 25 e 45 anos, em um cenário no qual muitas mulheres têm optado pela maternidade mais tarde.
ACOLHIMENTO
Uma das mães atendidas, a médica Mirella Pelissari, de 37 anos procurou ajuda em dois momentos diferentes: no nascimento do primeiro filho, há seis anos, e novamente após o nascimento da filha caçula, hoje com seis meses.
Ela conta que buscou a profissional em meio ao que descreveu como um momento de “desespero” e sofrimento provocado pelas dificuldades para amamentar.
“Foi o desespero mesmo, de sofrimento, de uma dificuldade de amamentação. Então eu tive dois contatos com Loise, com o Socorro da Amamentação: no meu primeiro filho, há seis anos, e agora com a minha bebê, de seis meses”, relatou.
Para a mãe, o acompanhamento foi um “divisor de águas”. Além do conhecimento técnico acumulado pela profissional ao longo dos anos, ela destaca o acolhimento recebido durante o atendimento.
“Ela foi um divisor de águas na minha vida, não só tecnicamente — porque ela tem muito conhecimento, de muitos anos nessa área —, mas como ser humano. Ela é um ser humano incrível”, afirmou.
De acordo com ela, o atendimento não se limita a ensinar técnicas de amamentação, mas envolve também a mãe, o bebê e os demais integrantes da família.
“Ela acolhe a gente não só como profissional ensinando técnica, técnica, mas também como pessoa. Ela se coloca no lugar da mãe, da família da mãe, dos pais, de todo mundo, e consegue integrar e entregar isso com muito carinho para todos nós”, completou.
Governo da Bahia afasta três servidores da Educação e investiga suspeitas de violação ética e importunação sexual
- Por Mauricio Leiro / Ronne Oliveira / Lucas Vieira/Bahia Notícias
- 01 Set 2026
- 10:25h

Fotos: Reprodução / Google Street View
O Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação da Bahia (SEC-BA), instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra quatro professores da rede estadual de ensino e determinou o afastamento preventivo de três deles. As medidas foram publicadas na edição de quarta-feira (26) do Diário Oficial do Estado (DOE).
As portarias foram assinadas pelo secretário estadual da Educação em exercício, Marcius de Almeida Gomes, e têm como foco apurar possíveis infrações funcionais, incluindo suspeitas de importunação sexual, violação de deveres éticos e condutas incompatíveis com o exercício da função pública.
Segundo a SEC-BA na publicação, os processos estão fundamentados no Estatuto dos Servidores Públicos do Estado da Bahia (Lei nº 6.677/94), no Estatuto do Magistério Público Estadual (Lei nº 8.261/2002), no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e, em alguns casos, no artigo 215-A do Código Penal, que tipifica o crime de importunação sexual.
PROFESSORES AFASTADOS
Entre os servidores afastados está Sérgio Correia Silva, docente no Colégio da Polícia Militar (CPM) Luiz Tarquínio, localizado no bairro do Bonfim, em Salvador. Alvo do PAD instaurado pela Portaria nº 1496/2026, ele foi afastado preventivamente por 60 dias, prazo que poderá ser prorrogado. A apuração envolve supostas violações aos estatutos dos servidores e do magistério, além de possíveis infrações ao ECA e suspeita de importunação sexual.
Também foi afastado por 60 dias o professor Messias Sacramento Alves, da Unidade Escolar Estadual Cleriston Andrade, em Itacaranha, também na capital baiana. O PAD foi aberto por meio da Portaria nº 1497/2026 e investiga possíveis transgressões funcionais e suspeita de importunação sexual.
Já o professor Jeferson Braga de Sá, lotado no Colégio Estadual Paulo VI, na cidade de Rio do Pires, foi afastado por 90 dias. A medida cautelar foi adotada durante a fase de investigação preliminar e está fundamentada no artigo 183 da Lei Estadual nº 12.209/2011. O prazo também poderá ser prorrogado.
SEM AFASTAMENTO
A SEC-BA instaurou ainda o PAD nº 1523/2026 para investigar o professor Matheus Silva de Santana, vinculado à Unidade Escolar Estadual Adelaide Souza – Anexo Distrito São Benedito, em Nilo Peçanha. O processo apura suposto desvio de conduta ética relacionado aos estatutos dos servidores e do magistério. Neste caso, não houve determinação de afastamento preventivo.
Dos quatro, Matheus consta com histórico criminal. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) traz registros de que o nome de Matheus Silva de Santana também aparece em processos cíveis e criminais registrados nos últimos anos. Entre os procedimentos localizados estão ações penais relacionadas a roubo majorado, autos de prisão em flagrante e investigações por tráfico de drogas e condutas afins, além de processos na esfera cível.
Os registros indicam que parte dessas ações já foi encerrada, com baixa definitiva, enquanto outros procedimentos apresentam movimentações processuais posteriores. Os documentos consultados não permitem concluir, por si só, sobre eventuais condenações definitivas em todos os casos identificados.
A Secretaria da Educação não relacionou o atual Processo Administrativo Disciplinar aos processos judiciais anteriores envolvendo o servidor. Segundo a portaria publicada no Diário Oficial, a investigação administrativa tem como objeto a apuração de suposto desvio de conduta ética no exercício da função pública.
De acordo com a pasta, os afastamentos têm caráter preventivo e não representam punição antecipada. A medida busca garantir a regularidade das investigações, evitar interferências na coleta de provas e preservar testemunhas e possíveis vítimas. Nos casos de Sérgio Correia Silva e Messias Sacramento Alves, ambos afastados por 60 dias, a SEC-BA argumenta que a medida é necessária para impedir eventual influência dos investigados sobre testemunhas e sobre a produção de provas.
Já no caso de Jeferson Braga de Sá, afastado por 90 dias, a justificativa apresentada pela administração estadual destaca a necessidade de resguardar estudantes envolvidas na ocorrência, preservar a lisura das investigações e evitar possíveis constrangimentos às supostas vítimas e testemunhas.
Durante o período de afastamento, os servidores continuam recebendo remuneração normalmente, conforme prevê a legislação. Caso as irregularidades sejam confirmadas ao término dos processos, os professores poderão ser punidos administrativamente com advertência, suspensão ou demissão do serviço público estadual, conforme estabelece a Lei nº 6.677/94.
As investigações conduzidas pela SEC são independentes de eventuais procedimentos criminais e têm como foco apurar a conduta funcional dos servidores no âmbito da administração pública estadual. Na mesma edição do DOE, a Secretaria da Educação também determinou o arquivamento de sindicâncias e processos administrativos instaurados entre 2014 e 2017.
O governo estadual ainda informa que os casos tiveram a punibilidade extinta em razão da prescrição intercorrente, situação que ocorre quando o prazo legal para conclusão e julgamento do processo é ultrapassado pela administração pública. Com isso, as apurações foram encerradas sem aplicação de penalidades administrativas.
A reportagem entrou em contato com o Comando do Colégio da Polícia Militar (CPM) Luiz Tarquínio e com a Secretaria da Educação da Bahia (SEC-BA) para questionar os motivos que levaram à instauração dos processos administrativos e aos afastamentos preventivos dos professores citados.
No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno dos órgãos. O espaço permanece aberto para manifestações e eventuais esclarecimentos.
Lula recebe empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada, nega atritos com Galípolo e fala em equilíbrio fiscal
- Bahia Notícias
- 01 Set 2026
- 08:44h

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, nesta segunda-feira (31), um jantar com banqueiros e empresários no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, em Brasília. O evento contou com 25 convidados, incluindo os empresários André Esteves, do BTG, Joesley Batista, da JBS, e Rubens Menin, da MRV, e durou 3 horas.
Segundo informações do Metrópoles, a realização do jantar foi organizada após Lula ter demonstrado incômodo com o jantar promovido por Flávio Bolsonaro com empresários, na última quinta-feira (27), em São Paulo. A coluna Igor Gadelha relatou que no evento desta segunda, o presidente tentou ampliar sua interlocução com representantes do setor privado e aproveitou o encontro para negar atritos com o atual chefe do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.
Segundo relatos, primeiro Lula deu a palavra aos empresários e ouviu apelos para que o governo dê mais sinalizações sobre equilíbrio fiscal. Depois, discursaram o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), além de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em sua fala, segundo relatos, Lula fez um balanço das ações do governo e afirmou que respeita o presidente do Banco Central e ressaltou ter uma amizade com o banqueiro. Lula argumentou ainda que, apesar de ser muito cobrado pelo empresariado pelos juros altos no Brasil, tem pouca influência sobre a política monetária, em razão da independência do Banco Central, aprovada pelo Congresso.
Os empresários trouxeram à mesa ainda a temática da segurança pública. O petista, contudo, ressaltou que o tema passará a ser uma questão da União após a aprovação da PEC da Segurança. As informações são do Metrópoles e da coluna Igor Gadelha.
Confira lista completa dos convidados para o jantar:
- Presidente da República
- Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
- Dario Durigan, ministro da Fazenda
- Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
- Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento
- Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
- Tarciana Medeiras, presidenta do Banco do Brasil
- Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal
- Edinho Silva, presidente do PT
- Josué Gomes, Coteminas
- André Esteves, BTG
- Luiz Carlos Trabucco Cappi, Bradesco
- Rubens Ometto Silveira Mello, Cosan
- Joesley Batista, JBS
- José Seripieri Filho, Amil
- Henrique Constantino, Gol Linhas Aéreas
- André Gerdau Johannpeter, Gerdau
- Rubens Menin, MRV Engenharia
- Eraí Maggi, Grupo Bom Futuro
- Fábio Ermírio de Moraes, Votorantim Cimentos
- José Luís Cutrale Júnior, Cutrale
- Chain Zaher, Grupo SEB
- Roberto Setúbal, Itaú Unibanco
- João Alves de Queiroz Filho, Hypera Pharma
- Ricardo Lacerda, BR Partners
O FEMP-B está de volta! O Festival de Música Popular - Brumado chega à sua 7ª edição
- Brumado Urgente
- 01 Set 2026
- 08:33h

Foto: Divulgação
Evento acontece nos dias 4 e 5 de setembro e promete duas noites de muita música, talento e cultura na Praça Coronel Zeca Leite
O FEMP-B está de volta! O Festival de Música Popular de Brumado chega em 2026 à sua 7ª edição e promete movimentar a cidade com dois dias dedicados à música autoral de artistas locais.
Nos dias 4 e 5 de setembro, a Praça Coronel Zeca Leite (Praça da Prefeitura) será palco de grandes apresentações, reunindo artistas e músicas que representam a força e a diversidade da produção musical.
Na sexta-feira, 4 de setembro, às 20h, acontece a eliminatória, com 20 músicas concorrendo no palco do festival. No dia seguinte, 5 de setembro, também às 20h, as 10 músicas classificadas retornam para a grande final.
Além da competição, o público poderá conferir pocket shows especiais com artistas convidados, tornando o FEMP-B uma grande festa da música.
E o FEMP-B vai muito além do palco! O FEMP-B também está presente no ambiente digital. O público pode acompanhar o festival, conhecer os artistas, conferir vídeos, fotos e novidades por meio das principais redes sociais.
Instagram: https://www.instagram.com/fempbrumado/
TikTok: https://www.tiktok.com/@fempbrumado
YouTube: https://www.youtube.com/@fempbrumado
E tem novidade: o FEMP-B está no Palco MP3! Na plataforma, o público pode ouvir as músicas dos artistas, incluindo gravações originais produzidas em estúdio, acompanhar as letras e conhecer ainda mais o trabalho dos participantes.
Palco MP3: https://www.palcomp3.com.br/fempbrumado
É uma forma de levar a música do festival para além dos dias de apresentações e continuar acompanhando os artistas durante todo o ano.
O encontro está marcado!
O 7º Festival de Música Popular – FEMP-B convida toda a população a participar dessa celebração da música autoral.
Dias 4 e 5 de setembro, a partir das 20h, na Praça Coronel Zeca Leite.
Prepare-se para duas noites de música, emoção, novos talentos e muita cultura!
FEMP-B – Ano VII. A música conecta. A cultura transforma!

Foto: Divulgação
Confusão entre direita e esquerda em ato na Paulista acaba na delegacia
- Por Bruno Ribeiro / Marcos Hermanson | Folhapress
- 31 Ago 2026
- 18:23h

Foto: Fabio Mendes / Divulgação
Sindicalistas de esquerda e influenciadores de direita se chocaram neste domingo (30) durante protesto pelo fim da escala 6x1 na avenida Paulista, em São Paulo, e a confusão terminou na delegacia. Segundo relatos, um grupo de videomakers foi até o protesto gravar entrevistas com os manifestantes presentes e fazer provocações – estilo que ficou consagrado pelo ex-deputado estadual Arthur do Val, o "Mamãe Falei".
Um homem de 70 anos que estava no local reagiu às provocações e agrediu um dos influenciadores, um rapaz de 17 anos. A polícia chegou para separar a briga e levou os envolvidos para o 78º Distrito Policial, no bairro dos Jardins. Ninguém ficou detido.
O caso foi registrado como vias de fato, lesão corporal e injúria, envolvendo o homem e o jovem.
A Secretaria Estadual da Segurança Pública afirmou que os dois acompanhavam uma manifestação quando o adolescente se aproximou do homem para entrevistá-lo. Durante a conversa, eles se desentenderam.
Centrais sindicais convocaram o protesto deste domingo na avenida Paulista, que tinha como mote o fim da escala 6x1, proposta aprovada pela Câmara dos Deputados e hoje em tramitação no Senado.
Homem morre a facadas em Barreiras; Polícia Civil investiga o assassinato
- Bahia Notícias
- 31 Ago 2026
- 16:54h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Um homem foi assassinado a golpes de faca no início da tarde deste domingo (30), no bairro Santo Antônio, em Barreiras. A identidade da vítima ainda não foi revelada.
De acordo com as informações iniciais, por volta das 12h30, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionada para prestar socorro, mas, ao chegar ao local, os profissionais apenas constataram o óbito da vítima. Policiais militares isolaram a área e mantêm o local sob segurança enquanto aguardam a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para a realização da perícia de praxe e posterior remoção do corpo ao Instituto Médico Legal (IML) da cidade.
Até o momento não há detalhes sobre a autoria dos golpes nem sobre o que teria motivado o crime. A Delegacia de Homicídios da Polícia Civil (PC-BA) deverá instaurar um inquérito para investigar os fatos e apurar as circunstâncias do assassinato.
Rio: Bombeiros resgatam 20 pessoas à deriva na Barra da Tijuca
- Bahia Notícias
- 31 Ago 2026
- 14:17h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Neste domingo (30), um grupo de cerca de 20 pessoas ficou à deriva na região da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, após uma mudança no vento. O grupo, que possuía pessoas entre 20 e 67 anos de idade, já foi resgatado por equipes do Corpo de Bombeiros.
De acordo com informações da Agência Brasil, algumas pessoas estavam em 5 pranchas de stand-up paddle e outras estavam nadando, indo em direção às Ilhas Tijucas. No processo de travessia, o grupo terminou sendo levado pelo vento para longe da rota prevista, em direção a São Conrado, bairro vizinho à Barra, dificultando o retorno à praia. “As pessoas já estavam a uma distância considerável da faixa de areia quando um dos participantes acionou o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193”, informou a corporação.
O sistema municipal Alerta Rio registrou ventos fortes pela manhã na estação Forte de Copacabana, na zona sul, e ventos moderados na Marambaia e Vila Militar, na zona oeste. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o grupo passou por avaliações médicas e todos se encontravam em boas condições, sem necessidade de encaminhamento para uma unidade hospitalar especializada.
Taylor Swift doa R$ 260 mil a mulher que se feriu ao socorrer adolescentes
- Por Folhapress
- 31 Ago 2026
- 12:29h

Foto: Reprodução / Youtube
Taylor Swift, 36, doou US$ 50 mil (cerca de R$ 260 mil) para ajudar na recuperação de Ashley Taunton, 42, auxiliar de enfermagem e mãe de três filhos, que ficou ferida ao tentar socorrer adolescentes envolvidos em um acidente de trânsito.
O caso ocorreu em julho, na I-95 Sul, em Rhode Island, no nordeste dos Estados Unidos. Taunton dirigia pela rodovia, acompanhada da filha mais nova, quando viu um veículo com adolescentes derrapar durante um dia de chuva. Ela parou para prestar socorro, mas acabou atingida por outro carro.
Após o acidente, familiares e amigos criaram uma campanha no GoFundMe para arrecadar dinheiro para o tratamento da mulher e ajudar nas despesas da família durante sua recuperação. A campanha chamou a atenção de Taylor Swift, que acabou fazendo uma doação.
Além do dinheiro, a cantora enviou uma mensagem diretamente à família. "Desejo a você a melhor recuperação possível e envio todo o meu carinho para sua família! Taylor", escreveu.
Taunton publicou a mensagem nos Stories do Instagram e reagiu à doação. "Como isso pode ser real? Obrigada! Estou sem palavras. Taylor Swift, você é um ser humano incrível", afirmou.
COP17 encerra sem acordo global contra secas e adia decisão para próxima edição
- Bahia Notícias
- 31 Ago 2026
- 10:46h

Foto: Reprodução / Agência Brasil
A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, terminou nesta sexta-feira (28) sem a aprovação de um acordo global para o enfrentamento das secas. O tema foi adiado para a COP18, que ocorrerá no Egito. Representantes de organizações ambientais e da sociedade civil avaliaram negativamente o resultado devido à ausência de decisões substanciais sobre o problema.
A proposta de criação de um mecanismo multilateral voltado para o combate coordenado às secas é defendida há pelo menos três edições da conferência por países africanos, que exigem apoio financeiro voltado a nações vulneráveis. Em contrapartida, países desenvolvidos, incluindo integrantes da União Europeia, posicionaram-se contra compromissos obrigatórios e gastos externos.
Como alternativa ao impasse intergovernamental, foram lançadas iniciativas paralelas durante o evento, a exemplo do Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), desenvolvido pela UNCCD e por Luxemburgo com apoio da IDRA, cujo objetivo é mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para segurança hídrica, agricultura sustentável e recuperação de terras. Além disso, ocorreu o lançamento da segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que apresentou o Índice de Resiliência à Seca (DRI) para auxiliar na avaliação da capacidade de adaptação dos países.
Ex-prefeito Thiancle Araújo se manifesta após detenção em motociata e alega abuso de autoridade de PMs
- Bahia Notícias
- 31 Ago 2026
- 08:43h

Foto: Reprodução / Redes sociais
O ex-prefeito de Castro Alves e candidato a deputado estadual, Thiancle Araújo (PSD), se manifestou oficialmente após ter sido detido em Alagoinhas neste domingo (30), durante um evento de "motociata". Segundo informações do Blog do Valente, parceiro do Bahia Notícias, o político teria entrado em conflito com policiais militares. Em nota, ele diz ter sido vítima de “abuso de autoridade e agressões físicas”.
“O candidato a deputado estadual Thiancle Araújo (TH) denuncia ter sido vítima de abuso de autoridade e agressões físicas durante um ato de campanha realizado na tarde deste domingo (30), em Alagoinhas-BA”, diz a nota oficial.
O comunicado à imprensa detalha as circunstâncias do evento. Segundo o parlamentar, a “motociata”, com mais de 150 motocicletas, era um evento da campanha de Thiancle ao lado do deputado federal Marcola “e havia sido previamente comunicado ao comando da Polícia Militar conforme os procedimentos previstos para a realização de eventos dessa natureza”.
A discussão com os policiais teria ocorrido por conta de um aparelho de som do tipo “paredão”. A nota do ex-prefeito narra que “o veículo responsável pelo som utilizado na mobilização havia sido devidamente contratado para essa finalidade e estava sendo utilizado em conformidade com as normas eleitorais aplicáveis à campanha”.
O candidato, que além de ex-prefeito é advogado vinculado a Ordem dos Advogados do Brasil seção Bahia (OAB-BA), alega que ao tentar dialogar com os agentes de segurança, foi agredido e retirado a força da motocicleta que utilizava.
Em nota, Thiancle diz que “vem enfrentando situações que considera perseguição e ações desproporcionais” durante seus atos políticos. Na ocasião, o ex-prefeito foi detido e levado à delegacia local. Devido às credenciais do político, o caso tambéme stá sendo acompanhado pela OAB-BA.
Ainda em comunicado oficial, Araújo garante que serão adotadas todas as medidas legais e diz que “é fundamental que o Comando-Geral da Polícia Militar da Bahia tome as providências necessárias para apurar rigorosamente os fatos e, caso sejam constatadas irregularidades, adote as medidas cabíveis”.
“Situações dessa natureza não podem ser tratadas como algo normal, especialmente durante um período eleitoral, quando deve prevalecer o respeito às instituições, à legislação e ao direito democrático de participação política”, conclui Thiancle Araújo.
Confira a nota do candidato na íntegra:
“NOTA OFICIAL
O candidato a deputado estadual Thiancle Araújo (TH) denuncia ter sido vítima de abuso de autoridade e agressões físicas durante um ato de campanha realizado na tarde deste domingo (30), em Alagoinhas-BA.
Thiancle Araújo participava de uma motociata, com mais de 150 motociclistas, ao lado do candidato a deputado federal Marcola, reunindo apoiadores pelas ruas da cidade. O ato fazia parte da agenda oficial de campanha e havia sido previamente comunicado ao comando da Polícia Militar conforme os procedimentos previstos para a realização de eventos dessa natureza.
O veículo responsável pelo som utilizado na mobilização havia sido devidamente contratado para essa finalidade e estava sendo utilizado em conformidade com as normas eleitorais aplicáveis à campanha.
Ao tentar dialogar com os agentes e esclarecer a situação, Thiancle, que também é advogado, afirma ter sido retirado à força da motocicleta e agredido. Segundo seu relato, sua identificação sequer foi solicitada antes da abordagem.
De acordo com TH, este não seria um episódio isolado. O candidato afirma que vem enfrentando situações que considera perseguição e ações desproporcionais, que relaciona à sua atuação pública em defesa de pautas ligadas a pessoas mais simples, socialmente vulneráveis e frequentemente marginalizadas.
O candidato foi posteriormente conduzido à unidade policial. Representantes da OAB acompanharam o caso, prestando assistência ao advogado.
Diante da gravidade dos fatos, serão adotadas todas as medidas legais cabíveis, com o acompanhamento da OAB e de outras entidades competentes.
Também é fundamental que o Comando-Geral da Polícia Militar da Bahia tome as providências necessárias para apurar rigorosamente os fatos e, caso sejam constatadas irregularidades, adote as medidas cabíveis. Situações dessa natureza não podem ser tratadas como algo normal, especialmente durante um período eleitoral, quando deve prevalecer o respeito às instituições, à legislação e ao direito democrático de participação política.
Em breve, serão disponibilizadas mais informações sobre o ocorrido, incluindo vídeos que registraram momentos da abordagem e das agressões sofridas pelo candidato, para que a população possa conhecer os fatos e acompanhar os desdobramentos do caso”
Com votação travada na Câmara, PL da Misoginia propõe criminalizar discurso de ódio às mulheres
- Por Eduarda Pinto/Bahia Notícias
- 28 Ago 2026
- 16:25h

Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil
Em novembro de 2025, um dossiê produzido por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que, considerando apenas o Telegram, haviam mais de 220 mil usuários brasileiros distribuídos em 85 comunidades voltadas ao ódio e à incitação da violência contra mulheres. Já em março deste ano, o Projeto de Lei (PL) para a criminalização da misoginia, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), foi desengavetado e aprovado pelo plenário do Senado Federal e desde então a proposta foi tema de manifestações no Congresso, nas redes sociais e na imprensa.
A palavra “misoginia” tem origem no grego, a partir dos termos “miseó” e “gyné”, que significam “ódio” e “mulher”, respectivamente, e designa o ódio, o desprezo ou a aversão direcionadas às mulheres ou ao gênero feminino. Segundo o Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas (DesinfoPop), da FGV, esse tema é um dos pilares que sustentam grupos masculinistas nas redes sociais.
Essas comunidades de homens que promovem uma “revisão” das relações históricas de gênero formam a chamada “manosfera” ou “machosfera”. Na publicação “Redes de ódio e violência contra mulheres: mapeamento da machosfera brasileira no Telegram e redes de monetização”, os pesquisadores contabilizaram 7 milhões de conteúdos de radicalização misógina publicados entre setembro de 2015 e novembro de 2025.
A análise temporal torna o problema ainda maior: os conteúdos de ódio e de violência contra mulheres cresceram 600 vezes desde 2019, antes da pandemia, até 2025. A maior parte das comunidades se apresenta, ao menos inicialmente, como um espaço para debater as dificuldades ou frustrações masculinas sobre relacionamentos amorosos, boa forma física ou paternidade. No entanto, esses espaços funcionam como via de entrada para teorias conspiratórias e grupos extremistas.
Em meio a essa crescente de ódio, o PL da Misoginia (PL 896/2023) foi protocolado no Senado em março de 2023 e desengavetado depois de três anos. Na Casa Alta do Congresso, o texto teve uma tramitação relativamente rápida: passou pelas comissões em outubro, antes do recesso parlamentar, e foi votado em março, pouco depois do retorno às atividades. Sob a relatoria da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), o texto foi aprovado por unanimidade.
O PL, na forma em que foi aprovado no Senado, diz, no artigo 1°, “serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional ou praticados em razão de misoginia”.
O artigo 20 define que “na interpretação desta Lei, o juiz deve considerar como discriminatória qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão de cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher”.
No 3° parágrafo do artigo 141, o Parlamento acrescentou: “Se o crime é cometido contra a mulher no contexto de violência doméstica e familiar, aplica-se a pena em dobro”.
Agora, o texto está na Câmara dos Deputados, onde o grupo de trabalho liderado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) sugeriu alterações no texto do Senado. A principal mudança é criar penas para a disseminação de ódio contra mulheres na internet. Por acordo entre os líderes partidários, a proposta deveria ser votada no Plenário da Câmara dos Deputados até o início de julho.
A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 1º de julho, o regime de urgência para a pauta, para que ela pudesse ser votada diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões da Câmara. No entanto, o recesso parlamentar semestral começou e terminou sem que a pauta fosse avaliada.
Ainda este mês, representantes baianos de duas comissões solicitaram a adição de emendas ao texto: Capitão Alden (PL) teve um requerimento aprovado para apresentação de emenda de plenário por meio da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO); e Alice Portugal (PCdoB) também obteve o mesmo tipo de aprovação no âmbito da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR). Os detalhes das emendas não foram divulgados até o momento.
Para compreender os impactos da possível aprovação deste texto, o Bahia Notícias conversou com a desembargadora Nágila Maria Sales Brito, presidente da Coordenadoria Especializada para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).
Em entrevista, a magistrada destaca que o uso do termo “misoginia” dentro de processos judiciais acerca da violência contra a mulher ou discurso de ódio já é comum no mundo jurídico. “É muito utilizado, utilizado demais nos nossos processos, nas nossas palestras e em tudo que a gente comenta sobre esse fenômeno que estamos vivendo de aversão à mulher, de ódio”, relata.
A desembargadora afirma ainda que, no seu entendimento, esse ódio é a primeira manifestação de uma violência que provoca uma crescente de crimes de feminicídio e tentativa de feminicídio em todo o país. “A misoginia é aquele ódio à condição da mulher, que é a definição de feminicídio. Em todo feminicídio ou tentativa de feminicídio, a gente fala que é um crime de misoginia, que é um crime de ódio à mulher, que pode acontecer na ambiência doméstica e familiar ou também pela simples condição de ela ser mulher”, explica.
A percepção não é aleatória. O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026. O estado da Bahia registrou o quarto maior número de feminicídios do país no último ano. Ao todo, 102 mulheres foram assassinadas por motivos ligados à condição de gênero.
Nágila Brito narra que o uso do termo e a criminalização da prática ajudam a conceituar um problema que poderia parecer aleatório, mas não é.
“É um termo que é conhecido de quem estuda a violência de gênero. Qual é a diferença? A diferença é que [o PL] vai tipificar como crime e isso é muito importante. Principalmente pelo fato de que a partir daí nós vamos poder derrubar aquelas redes sociais que são genericamente chamadas de ‘red pills’, que incentivam o ódio às mulheres, que incentivam as mulheres a se autoflagelar, que estão conduzindo para mortes e ensinando os nossos adolescentes a terem essa aversão à mulher”, detalha a magistrada.
Em entrevista ao BN, a desembargadora de posiciona como uma defensora do avanço do processo de criminalização dos atos misóginos. “Essa é a defesa que eu faço, para que seja acrescida [a misoginia] a essa lei, a Lei 7.766, a lei que tipifica o racismo e que depois foi acrescida também aos crimes contra a diversidade sexual e agora só falta a mulher. Estava faltando exatamente aquele segmento que é o mais violentado. Porque dentro da família, a mulher é a pessoa que mais sofre violência e isso deve ter proteção do Estado por determinação constitucional”, afirma.
Desde 2023, a partir da Resolução n° 492/2023, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tornou obrigatória a capacitação de magistradas e magistrados em direitos humanos, gênero, raça e etnia, sob uma perspectiva interseccional. O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Judiciário foi criado para orientar a magistratura na adoção de um novo posicionamento da Justiça por meio da equidade entre homens e mulheres.
Nesse sentido, Nágila destaca que o PL da Misoginia reforça essas diretrizes e estabelece um parâmetro base para análise de crimes de violência e discurso de ódio contra mulheres. “Essa medida vai só reforçar a ideia da perspectiva de gênero, de quem julga, de quem investiga, de quem participa de alguma forma. Seja na sociedade, seja como professor, seja como advogado, seja como magistrado, como promotor de Justiça, todos temos que nas nossas profissões, nas nossas vidas, já aplicar essa perspectiva de gênero”, explica.
Ainda no âmbito do Judiciário, ela nega que a legislação, na forma em que o projeto tramita no Congresso atualmente, possa gerar divergências entre os magistrados. “Não há qualquer conflito entre o primeiro e o segundo grau. Aliás, o segundo grau é exatamente para isso, para reformar decisões aqui votadas”.
Para ela, que atua não apenas na Coordenadoria da Mulher, mas também como Ouvidora da Mulher no TJ-BA, “os meus colegas de segundo grau estão se conscientizando rapidamente da necessidade de julgar com perspectiva de gênero”. “Eles já entendem que, quando aquele juiz não julga com perspectiva de gênero, ali tem uma violência contra a mulher que tem que ser combatida, e eles já procuram uma melhor decisão. E a nossa obrigação como coordenadora da Mulher, e ouvidora da Mulher é capacitar”, aponta Nágila Maria.
Ao comparar a possível legislação acerca da misoginia com a Lei Maria da Penha, principal mecanismo jurídico de combate à violência contra a mulher, a desembargadora defende que não há conflito jurídico e nem possibilidade de dupla punição nos processos. “O tipo penal só vai trazer, tanto para para o Judiciário quanto para a sociedade de um modo geral, mais segurança. Mais segurança porque não vai se poder mais tratar isso como se fossem aquelas piadas absurdas, um discurso que incentiva agressões, que incentiva diminuir a mulher como ser humano. Tudo isso vai ser olhado de outra forma”, aponta.
Segundo ela, com a criminalização “as pessoas vão ter que ter mais cuidado, porque senão poderão responder por crime”. “Então, as pessoas vão se educar, vão se autoeducar”, resume a magistrada.
Ela completa: “E digo mais, eu acho que a mudança vai ser tão grande para a sociedade que pode diminuir os crimes, porque a misoginia alimenta o feminicídio, alimenta o ódio contra as mulheres. Então, o que a gente precisa é passar adiante o conhecimento dessa lei”, aponta.
“Porque mesmo dizendo que ‘a ninguém é dado desconhecer a lei’, homem médio, como a gente fala no Direito, o homem médio sabe que isso é errado, mas uma coisa é saber que é errado, outra coisa é saber que é um tipo penal e que ele pode responder por aquele crime e que ele pode ser preso”, completa.
Na fase atual de tramitação, o PL da Misoginia deve ser analisado no plenário da Câmara dos Deputados, precisando ser aprovado pela maioria simples dos votos. Caso seja aprovado sem alterações, vai seguir direto para sanção ou veto do presidente da República. Se for alterado, volta para o Senado, que analisa as mudanças da Câmara, podendo mantê-las ou recuperar o texto original.
CBF acompanha novo modelo do Campeonato Pernambucano e pode adotá-lo como referência, revela presidente da FPF
- Por Thiago Tolentino/Bahia Notícias
- 28 Ago 2026
- 14:25h

Foto: Rafael Vieira / FPF | Thiago Lemos / FPF
Com 31 clubes, duas etapas, regionalização e a unificação das antigas divisões, Pernambuco resolveu transformar seu Estadual em uma espécie de laboratório para um problema que atinge boa parte do futebol brasileiro: manter os campeonatos estaduais relevantes diante da redução de datas e do crescimento das competições nacionais e regionais.
Uma semana após a aprovação definitiva do novo formato do Campeonato Pernambucano, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, revelou ao Bahia Notícias que a experiência já passou a ser acompanhada de perto pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Em entrevista ao BN nesta quinta-feira (27), Evandro explicou que integrantes da entidade nacional têm procurado a Federação Pernambucana para obter detalhes sobre a implantação do modelo.
“As pessoas da CBF têm me ligado, me perguntado e me acompanhado. Sentem-se curiosas e estão analisando”, revelou.
A declaração surge poucos dias depois de a FPF confirmar a maior edição do Campeonato Pernambucano em seus 113 anos. A temporada 2026/27 reunirá 31 clubes em uma estrutura única, após a integração das antigas Séries A1 e A2. A Federação define o modelo como uma tentativa de ampliar o calendário, reduzir custos e oferecer mais oportunidades esportivas aos clubes do interior.
A primeira etapa começa no dia 17 de outubro de 2026, com 24 participantes divididos em quatro grupos regionalizados: Sertão, Agreste, Zona da Mata e Região Metropolitana. Cada clube disputa cinco partidas na fase inicial. Os quatro melhores de cada chave avançam às oitavas de final. Oitavas e quartas serão decididas em jogo único.
Depois das fases eliminatórias, os quatro sobreviventes formarão um quadrangular. Os três primeiros avançarão à etapa decisiva, na qual encontrarão Decisão, Maguary, Náutico, Retrô, Santa Cruz, Sport e Vitória, já garantidos. Assim, dez clubes disputarão, a partir de janeiro de 2027, o título pernambucano.
A participação da CBF na construção do formato já havia provocado diferentes interpretações sobre a origem do projeto. Reportagens publicadas antes da definição do regulamento chegaram a atribuir à entidade nacional a proposta da mudança.
Ao Bahia Notícias, Evandro Carvalho fez questão de detalhar esse processo. Segundo o dirigente, não houve um modelo pronto entregue pela CBF à FPF. A Federação Pernambucana e seus clubes desenvolveram a fórmula a partir de discussões próprias, mas utilizaram informações, experiências e sugestões colhidas junto à Diretoria de Competições da Confederação.
“O novo modelo do Campeonato Pernambucano não foi idealizado pela CBF, mas construído em conjunto. Nós e a nossa DCO colhemos informações e opiniões junto à DCO da CBF. Eu, pessoalmente, conversei várias e inúmeras vezes com Júlio [Avellar], absorvendo o enorme conhecimento que ele tem em relação aos estaduais. Ele foi da Fifa e virou um especialista na questão dos campeonatos estaduais”, explicou.
O Júlio Avellar é diretor de Competições da CBF, responsável também pela apresentação da reformulação do calendário nacional para 2026.
A proximidade entre CBF e FPF no processo não é recente. Ainda em maio, a própria Confederação publicou em seu site a realização da primeira reunião da Federação Pernambucana com cerca de 30 clubes para discutir a competição de 2027, destacando a proposta de integração das etapas classificatória e principal.
A FPF, por sua vez, afirma oficialmente que o formato aprovado foi construído com participação direta dos clubes, que discutiram e votaram aspectos como regionalização, sistema de classificação e modelo dos mata-matas.
“A Federação e os clubes desenvolveram tudo. Evidentemente que eu, especialmente com Júlio, e a minha DCO, junto à DCO da CBF, colhemos dados e informações. Inclusive, nessas reuniões, várias vezes Mauro [Carmélio], do Ceará, estava presente, Ricardo [Lima], da Bahia, Felipe [Feijó], de Alagoas. Nós conversamos muito”, detalhou Evandro.
A transformação do Campeonato Pernambucano está diretamente relacionada às alterações promovidas pela CBF no calendário brasileiro.
Para a temporada de 2026, a Confederação reduziu os Estaduais de 16 para 11 datas, mantendo as competições entre janeiro e março. Na apresentação do novo calendário, a entidade afirmou que a medida buscava diminuir o desgaste dos principais elencos e, paralelamente, criar mais oportunidades de partidas para clubes das divisões inferiores.
A reformulação também atingiu a Copa do Nordeste. O torneio passou de 16 para 20 participantes e recebeu um período próprio no calendário nacional, sem sobreposição com os Estaduais. Em contrapartida, clubes envolvidos em torneios da Conmebol deixaram de participar da competição regional.
Para Evandro Carvalho, essa redistribuição de espaço tornou inevitável uma discussão sobre o futuro dos Estaduais, especialmente em regiões onde existe uma competição regional consolidada.
“Nossos estaduais estavam todos sucumbindo e morrendo por conta da falta de datas e da disputa de espaço com a Copa do Nordeste. Ela ocupa um nicho de espaço muito superior, em termos econômico-financeiros, ao dos estaduais, seja o Pernambucano, seja o Baiano, seja o Cearense. Se nós juntarmos os três estaduais, não teríamos a receita da Copa do Nordeste”, avaliou.
Na visão do presidente, Pernambuco aproveitou informações e experiências debatidas com a CBF para construir uma solução própria.
“Eu diria que a Federação se inspirou e absorveu o que a CBF podia nos dar de positivo e desenvolveu esse modelo”, completou.
Além da quantidade recorde de participantes, o novo Campeonato Pernambucano possui características pensadas especificamente para clubes de menor investimento.
A divisão regional da primeira etapa busca reduzir gastos com viagens, transporte e hospedagem. A FPF também ficará responsável por algumas despesas administrativas da competição, enquanto os clubes permanecerão com as receitas obtidas durante os jogos.
Outro ponto aprovado no Conselho Arbitral foi a participação obrigatória de dez jogadores oriundos das categorias de base entre os relacionados para cada partida. Cada equipe poderá colocar até 26 atletas na súmula. Segundo informações divulgadas após o arbitral, a medida também esteve entre as sugestões discutidas com a CBF.
O primeiro turno terá dez datas e será encerrado no fim de novembro. A etapa decisiva começa em janeiro e terá outras 11 datas previstas.
Com isso, a FPF pretende solucionar outro problema provocado pelo formato tradicional dos Estaduais: clubes eliminados precocemente ou fora das principais divisões, muitas vezes, enfrentam longos períodos sem calendário profissional.
Evandro Carvalho não esconde que pretende transformar Pernambuco em referência para uma eventual discussão nacional sobre o futuro dos Estaduais.
O dirigente afirmou ao BN que decidiu colocar a proposta em prática mesmo diante do caráter inédito do formato e considera positiva a possibilidade de a CBF aproveitar elementos do modelo posteriormente.
“Eu sou ousado e acho que era preciso inovar. Por isso resolvi ser o piloto de mim mesmo. Evidentemente, fico muito feliz se a CBF, ao final, adotar. Para nós será gratificante, porque mostrará que nós estávamos certos. A ideia é essa”, afirmou.
A possibilidade, contudo, ainda está no campo da análise. Até o momento, não há anúncio da CBF sobre adoção nacional da fórmula pernambucana ou determinação para que outras federações estaduais reproduzam o modelo.
Na Bahia, por exemplo, uma alteração semelhante não está em discussão neste momento. O Bahia Notícias apurou junto à Federação Bahiana de Futebol (FBF) que não existe, no presente cenário, perspectiva de mudança no formato do Campeonato Baiano baseada na experiência implementada em Pernambuco.









