Flávio Bolsonaro faz primeira aparição pública em culto na Flórida após fuga

  • Por Marcos Hermason | Folhapress
  • 02 Nov 2026
  • 16:19h

Foto: Reprodução / Instagram @celeiroflorida

Derrotado nas eleições presidenciais deste ano, o senador Flávio Bolsonaro fez neste domingo (1º) sua primeira aparição pública desde que fugiu para os EUA. Ele participou de um culto evangélico ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro, no estado da Flórida.

 

O senador, que também estava acompanhado da esposa Fernanda Bolsonaro, participou de um culto na igreja Celeiro, do pastor José Maurício Fernandes, conhecido como Paizão.
 

Flávio está nos Estados Unidos desde quarta-feira (28). Ele fugiu do Brasil após ser derrotado nas urnas, questionar o resultado das eleições e dizer que pediria a anulação do pleito. Já nos EUA, divulgou carta de teor golpista em que se dizia o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
 

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pastor Paizão se dirige a Flávio durante o culto deste domingo e afirma: "Não ganhou ou perdeu porque com Jesus você não perde. E, se perder, você está ganhando".
 

Flávio Bolsonaro afirmou na sexta (30) que sua fuga não é sinal de fraqueza e voltou a insinuar fraude no resultado das eleições, sem apresentar provas. Ele alegou ter decidido a fuga para os EUA junto à esposa, Fernanda Bolsonaro.
 

Apesar da narrativa de tom golpista, o senador agradeceu pelos quase 60 milhões de votos que recebeu no último dia 25." Isso [os 60 milhões de votos] me dá muita força, muita consciência, ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar", disse.
 

Ao concretizar a fuga para os Estados Unidos, Flávio repete o pai, que foi para os Estados Unidos no final de 2022 sem reconhecer a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como mostrou a Folha de S. Paulo, o senador do PL acabou isolado pelas principais lideranças da direita, que já reconheceram a vitória do petista.

Brumado: Cemitérios ficam repletos de visitantes durante o Dia de Finados

  • Milhares de lembranças, saudade e homenagens marcaram o Dia de Finados em Brumado, nesta segunda-feira (2). Os cemitérios Senhor do Bonfim, localizado no centro da cidade, e Santa Inês, situado na saída para Livramento de Nossa Senhora, receberam um grand
  • Brumado Urgente
  • 02 Nov 2026
  • 14:57h

Foto: Laércio de Morais I Brumado Urgente

Desde as primeiras horas do dia, a movimentação foi intensa nos dois cemitérios, com a presença de pessoas que aproveitaram a data para visitar os túmulos de seus entes queridos, levar flores, acender velas e dedicar momentos de oração e reflexão à memória daqueles que já partiram.

O cenário foi marcado por manifestações de fé, respeito e saudade. Entre os visitantes, famílias inteiras compareceram aos locais para preservar uma tradição que atravessa gerações e mantém viva a lembrança de pessoas que fizeram parte de suas histórias.

No Cemitério Senhor do Bonfim, um dos mais tradicionais de Brumado, a movimentação reuniu moradores que foram homenagear familiares sepultados no local. Já no Cemitério Santa Inês, situado às margens da saída para Livramento de Nossa Senhora, o fluxo de visitantes também foi expressivo ao longo do dia.

Mais do que uma data dedicada à memória dos falecidos, o Dia de Finados representa um momento de reencontro com lembranças, histórias e sentimentos que permanecem vivos, mesmo diante da ausência física de quem partiu.

Em Brumado, a grande presença de visitantes nos dois cemitérios reafirmou a importância da data para a população, em um dia marcado pelo silêncio, pelas orações e, sobretudo, pelas demonstrações de amor e saudade.

Laudo aponta morte súbita de médica gaúcha que faleceu após maratona na Espanha

  • Bahia Notícias
  • 02 Nov 2026
  • 12:19h

Foto: Arquivo pessoal

A autópsia realizada no corpo da médica oftalmologista gaúcha Victoria d'Azevedo Silveira, de 29 anos, que faleceu durante uma viagem à Espanha, apontou "morte súbita" como a causa do óbito. Segundo informações do g1, a médica, natural de Porto Alegre, viajou à Europa acompanhada da mãe e faleceu no último domingo, 25 de outubro. 

 

O laudo pericial foi concluído neste sábado (31) pelas autoridades espanholas, mas a família relata que ainda aguarda esclarecimentos sobre os fatores que desencadearam a parada repentina das funções vitais.

 

Segundo informações da tia da atleta, Victoria e a mãe viajaram para disputar a Meia Maratona de Valência. Na prova, a atleta amadora conquistou o segundo lugar entre as participantes brasileiras. Após o evento esportivo, Victoria e a mãe seguiram de trem para Barcelona. Na manhã de segunda-feira, 26 de outubro, a jovem não acordou.

 

Adepta da corrida há quatro anos e com rotina regular de treinos e exames, Victoria era especialista em glaucoma e filha única. Com o término dos exames periciais no país europeu, os familiares organizam os trâmites burocráticos e têm a expectativa de realizar o traslado do corpo para o Brasil na próxima semana.

Apoio a Trump entre latinos cai às vésperas da eleição para Congresso dos EUA

  • Por Mayara Paixão | Folhapress
  • 02 Nov 2026
  • 10:22h

Foto: Joyce N. Boghosian / The Official White House

Há um conceito nos Estados Unidos muito importante em eleições, como a da próxima terça-feira (3), que renovará o Congresso: os estados-pêndulo. São aqueles que ora votam mais pelos democratas, ora mais pelos republicanos. Desta vez, essa mesma designação tem sido usada para outro setor, o do eleitorado americano.

 

O eleitor de origem latina no país se tornou o chamado "eleitor-pêndulo". Historicamente, os latinos apoiaram mais os democratas, mas nas últimas eleições eles cresceram seu apoio para os republicanos, o que ajudou, inclusive, na eleição de Donald Trump. Agora, eles migraram de novo e desinflaram o apoio republicano.
 

Cálculo do jornal New York Times com base em pesquisas realizadas no último mês mostra que os democratas lideram entre os prováveis eleitores latinos por 35 pontos percentuais, com 64% das intenções de voto, ante 29% para os republicanos. Em 2024, Trump conseguiu 48% dos votos latinos. Em 2020, 36%.
 

Nas chamadas midterms, as eleições de meio de mandato, serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara e um terço das cadeiras do Senado de 100 membros. Hoje, republicanos contam com estreita maioria em ambas as Casas, o que facilita o governo de Trump. Na Câmara, possuem 218 cadeiras, ante 214 dos democratas. No Senado, 53, ante 45 para os democratas e 2 para independentes.
 

Quem é o chamado eleitor latino no país? O Pew Research Center, um dos institutos de pesquisa demográfica no país, estima que haja 39 milhões de latinos aptos a votar nos EUA (o voto no país não é obrigatório). Eles representam 16% do eleitorado total.
 

Em torno de 25% deles são imigrantes que nasceram em países latinos e depois conseguiram cidadania americana. Os outros 75% são filhos de latinos que já nasceram nos EUA, explica Mark Hugo Lopez, diretor de raça e etnia no Pew.
 

São também jovens. Em torno de 30% têm de 18 a 29 anos, enquanto essa parcela para o eleitor geral é de 25%. Mais da metade deles tem origem mexicana.
 

Os brasileiros não estão inclusos nesse grupo. Ainda que o Brasil seja parte da América Latina, o Censo americano historicamente considera que latinos são aqueles cuja língua materna é o espanhol. Assim, até espanhóis são tratados como latinos (ou hispanos, dado que no país os dois termos são usados, quase que sem distinção); os brasileiros, não.
 

A popularidade do presidente tem caído entre todos os setores latinos, mostra recente pesquisa do Pew. Ele é aprovado por 24%, quando, entre todos os segmentos da população, sua aprovação gira em torno de 32%. Entre os latinos que votaram nele em 2024, a aprovação é de 57%, mais de 30 pontos a menos do que era logo que seu segundo mandato começou, em janeiro de 2025.
 

O mesmo levantamento, que escutou 5.000 americanos de 28 de setembro a 4 de outubro, mostrou que a economia é o fator que mais motiva os latinos na hora de votar (86%). Depois estão a saúde (80%), a educação (75%), o futuro da democracia (69%) e, finalmente, a imigração (64%). O custo de vida está em alta no país.
 

Jaime Flórez, o diretor de comunicação hispânica no Comitê Nacional Republicano, diz à reportagem que o partido desconfia das pesquisas. E que há uma campanha massiva da imprensa contra Trump. Afirma, ainda, que o partido vê a possibilidade de um recuo no apoio latino, mas bem distante do tamanho que as pesquisas indicam.
 

Flórez, que é natural da Colômbia, diz que a campanha de Trump contra a imigração não abala a comunidade latina porque a comunidade que vota já está regularizada e concordaria com as deportações.
 

Parte é verdade: imigrantes em situação irregular não podem votar nos EUA. Nem sequer imigrantes em situação regular que detêm o green card, que fornece autorização de residência permanente, podem fazê-lo. Somente aqueles com cidadania americana o podem.
 

O ICE, a agência de migração americana recalibrada sob Trump, tem aumentado o número de prisões de imigrantes que votaram em eleições passadas sem que tivessem esse direito, o que é considerado crime.
 

O pesquisador Mark Hugo Lopez, por sua vez, diz que dois terços dos eleitores latinos afirmaram que a imigração é uma preocupação na hora de definir o voto. "Portanto, a imigração é, sim, um fato na conta."
 

"Isso tende a ser importante para latinos que são filhos de pais imigrantes, já que muitos que nasceram nos EUA podem ser filhos de pais em situação irregular", segue ele.
 

Nesta eleição há 4 milhões de latinos que estariam aptos a votar pela primeira vez, dado que completaram 18 anos. Se eles decidirão ir às urnas é outra questão.
 

A deputada pela Flórida María Elvira Salazar, talvez o nome mais conhecido entre os congressistas de origem latina (seus pais são cubanos, e ela nasceu em Miami), foi uma exceção nesse sentido. Salazar é republicana e, em setembro, publicou um vídeo no qual dizia que Trump foi longe demais em sua política migratória.
 

"Os mesmos hispânicos que ajudaram você a chegar à Casa Branca em 2024 se sentem traídos hoje", dizia ela em mensagem a Trump. "Não estou falando sobre dar a anistia a eles [imigrantes]. Estou falando sobre dar a eles uma vida digna nesta terra prometida."
 

Quando perguntado sobre o tema, Jaime Flórez disse que María Elvira está tentando a reeleição e que fez o que era preciso para se comunicar com a sua base.

Gás de cozinha fica mais caro na Bahia após novo reajuste da Acelen; botijão sobe até R$ 15

  • Brumado Urgente
  • 02 Nov 2026
  • 08:16h

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

O preço do gás de cozinha sofreu um novo reajuste na Bahia e ficou mais caro a partir deste domingo (1º). A elevação de 17,5% no valor do gás liquefeito de petróleo (GLP) vendido às distribuidoras deve acarretar um acréscimo de R$ 12 a R$ 15 no valor final do botijão repassado ao consumidor.

 

Segundo informações confirmadas por Robério Souza, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sinrevgas) ao g1, este é o maior aumento registrado no estado desde que a empresa Acelen assumiu a gestão da Refinaria de Mataripe, em dezembro de 2021. O repasse atinge diretamente toda a cadeia de distribuição e comercialização do produto.

 

Em nota oficial, a Acelen informou que o preço da tonelada do GLP comercializado para as distribuidoras subiu de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90. A empresa explicou que sua política de preços é orientada por critérios de mercado, acompanhando as variações da cotação internacional do petróleo, custos de frete e flutuações do câmbio.

 

Este é o sétimo reajuste do produto contabilizado em 2026, sucedendo oscilações registradas ao longo do ano que incluíram altas expressivas, como os 15,2% aplicados em abril e os 9,59% em junho, além de reduções pontuais nos meses de julho e agosto. A taxa anunciada para novembro representa o maior índice de variação do ano.

PT trava disputa interna e abre debate sobre futuro do partido no pós-Lula

  • Por Catia Seabra e Caio Spechoto | Folhapress
  • 01 Nov 2026
  • 12:13h

Foto: Juca Varella / Agência Brasil

A cúpula do PT enfrenta disputa interna motivada por insatisfações acumuladas ao longo da eleição e já debate sobre o futuro do partido após a aposentadoria do presidente Lula.

 

Diante de críticas à condução da campanha, petistas se articularam, na última semana, pela convocação de uma reunião presencial do Diretório Nacional, instância máxima do partido. O objetivo é fazer uma avaliação da disputa e articular a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas.
 

Na quinta-feira (29), uma ala do partido chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória anterior do partido, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha. Sob pressão, o presidente do partido, Edinho Silva, convocou o diretório para o dia 13 de novembro.
 

No PT, a expectativa é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador. Dirigentes do partido se queixam de concentração de decisões. Líderes estaduais cobram mais autonomia para decidir sobre o destino de recursos da legenda.
 

O próprio Lula externou crítica ao presidente do partido em fala à militância divulgada acidentalmente em canal da sigla. "Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou.
 

Edinho também contrariou aliados ao se lançar à Câmara dos Deputados, valendo-se do protagonismo à frente do partido para atrair eleitores em detrimento de candidatos de São Paulo.
 

Reclamando de desorganização, candidatos contam que tiveram que redimensionar seus gastos após uma revisão do valor de recursos repassados já no curso da disputa.
 

Parlamentares eleitos também reivindicam maior controle sobre recursos do PT, o que provoca grande reação de dirigentes locais e defensores do rejuvenescimento partidário.
 

A discussão sobre o funcionamento da sigla poderá influenciar no médio prazo a ascensão de novos nomes. Um dos argumentos usados pelos dirigentes locais para cobrar mais poder sobre os recursos da sigla é que são eles que conhecem as conjunturas estaduais. Por isso, teriam mais condições para identificar candidatos com potencial que devem receber mais dinheiro para fazer campanha.
 

Um exemplo seria a campanha de Cadu de Lula ao governo do Rio Grande do Norte. Ele era um candidato forte e foi eleito, mas teve apenas R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional do partido para fazer campanha nos dois turnos. Diversos candidatos a deputado federal receberam da direção nacional do PT mais recursos de campanha que Cadu.
 

Mesmo que haja uma alteração na forma como o partido planeja suas candidaturas para a maioria dos cargos, é consenso que Lula é quem conduzirá sua própria sucessão. A vitória na eleição da semana passada deu a ele ainda mais força para controlar esse processo, reduzindo o risco de rachas entre grupos petistas na disputa pelo posto de candidato a presidente em 2030.
 

Aliados do presidente listam o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador Rafael Fonteles (PT-PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) como possíveis herdeiros do chefe do governo. Mas ressalvam que ele não deve antecipar essa discussão. Sinalizar um sucessor imediatamente deslocaria a perspectiva de poder para um novo nome e diminuiria a autoridade do atual chefe de governo.
 

Camilo e Fonteles fizeram suas carreiras no Nordeste. Caso um dos dois seja escolhido, a região ganhará poder dentro do PT. Lula nasceu em Pernambuco, mas entrou na política em São Paulo.
 

O atual chefe de governo foi o candidato petista em 7 das 10 eleições presidenciais disputadas pelo partido e participou das articulações das outras 3. Ele terá 85 anos quando seu próximo mandato, que começa em 5 de janeiro, acabar. Não deverá mais disputar eleições.
 

Apesar de já haver nomes considerados favoritos, aliados de Lula afirmam que esse quadro pode mudar até o momento de escolher um candidato para a próxima eleição. O exemplo, citado por diversos petistas, é a eleição de 2010. Os ministros José Dirceu e Antonio Palocci eram apontados como prováveis sucessores de Lula em seus primeiros mandatos. Os dois foram atingidos por escândalos, e Lula lançou Dilma Rousseff (PT).
 

Há anos petistas do Nordeste reclamam do poder de políticos paulistas sobre o partido, que tem em estados como Bahia, Ceará e Piauí seus melhores resultados eleitorais. Mas o número de filiados do partido em São Paulo desequilibra as votações internas em favor dos paulistas.
 

Em conversas com dirigentes do partido, Edinho Silva tem dito que a legenda precisa mudar sua organização interna, renovar quadros e reformular sua maneira de se comunicar.
 

Diretriz política aprovada pela Executiva petista na quinta-feira toca nesses assuntos.
 

"O PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política. Orientamos a realização de uma ampla campanha de filiação de jovens ao Partido dos Trabalhadores", afirma o texto.
 

"O partido deve incorporar novas formas de organização e mobilização, renovar sua comunicação e ampliar sua presença nos territórios, transformando o apoio eleitoral em força social organizada", afirma o texto.

Trump corrói disposição de defender democracia multirracial nos EUA, diz professora americana

  • Por Angela Boldrini | Folhapress
  • 01 Nov 2026
  • 10:16h

Foto: Reprodução / Agência Brasil

Durante seus estudos em direito em Harvard, nos anos 1980, Kimberlé Crenshaw foi convidada para um dos clubes exclusivos e prestigiosos da universidade. Ao chegar, descobriu que o local só aceitava que mulheres entrassem pela porta dos fundos. O colega homem que a tinha convidado, negro como ela, não a defendeu.

 

"A solidariedade só se aplicava às coisas que nos afetassem da mesma forma", escreve ela em sua autobiografia, "Backtalker: an American memoir" (ed. Simon & Schuster, 2026, sem tradução para o português). Ele estaria disposto a defendê-la de discriminação racial, mas não de gênero.
 

As duas questões, para Crenshaw, eram indissociáveis: ela não era apenas mulher ou negra, mas uma intersecção das duas características. Anos depois, já como pesquisadora, ela sistematizou a sensação de desamparo daquela noite e cunhou o termo "interseccionalidade".
 

A ideia de que as múltiplas camadas de identidade de uma pessoa se sobrepõem e produzem opressões específicas se tornou uma das principais bases dos estudos de gênero e de políticas públicas de diversidade e inclusão.
 

Agora, porém, tudo isso está ruindo, diz a professora da Universidade Columbia e da UCLA (Universidade da Califórnia Los Angeles) em entrevista à Folha.

Na tentativa de criar um consenso para derrotar o governo de Donald Trump —nas eleições de meio de mandato nesta terça-feira (3), mas também de forma geral—, a oposição tem se voltado contra grupos racializados e mulheres.
 

"A determinação de muitos que se consideram parte da coalizão democrata de sustentar uma democracia multirracial está sendo comprometida", afirma.
 

Crenshaw define a política Maga (Make America Great Again) como essencialmente racista, guiada por um sentimento de que os Estados Unidos estão sendo retirados dos brancos. "Fechar os olhos para isso, dizer que não podemos falar sobre o assunto ou que isso dificulta a construção das maiorias necessárias e, portanto, não podemos fazê-lo, significa aceitar que a sociedade continue sendo o que é", diz.
 

*Folha - A sra. já disse que o racismo contra pessoas negras é central para a política do Donald Trump. Por quê?*
 

*Kimberlé Crenshaw -* Um dos temas centrais que organizam tanto ressentimento e raiva, que são o combustível de grande parte da política Maga, é a ideia de que os eleitores cristãos brancos estão perdendo espaço.
 

O 6 de Janeiro [ataque ao Capitólio em 2021] é justificado porque estavam retomando seu país —a ideia de que a fonte da perda de seu direito de decidir são as comunidades negras e algumas latinas. Tudo é unido por um fio específico, segundo o qual aquelas pessoas não têm direito de estar onde estão, que é o "meu lugar".
 

Esse é um enquadramento que permite acreditar que suas violações da lei ou seu racismo são justificados. O racismo antinegro, especificamente, está na raiz dos ataques à diversidade, à equidade e à inclusão, aos direitos de voto, ao governo e ao Departamento de Educação. Ele é fundamentado na crença de que pessoas negras são menos qualificadas.
 

Toda a justificativa para nossa cidadania de segunda classe foi formulada em termos de nossa condição de "pessoas escravizáveis". O que fizeram conosco tornou-se uma característica essencial de quem somos. E essa parte da fundação dos Estados Unidos nunca foi realmente desconstruída. Portanto, ela continua por aí, como uma arma carregada, pronta para ser usada por pessoas como Trump e o movimento Maga.
 

*Folha - Trump também fez do controle da imigração uma de suas principais políticas. Até que ponto essa política diz respeito à imigração em si e até que ponto está relacionada à raça e ao tipo de Estados Unidos que seu governo deseja construir?*
 

*Kimberlé Crenshaw -* Acho que a resposta pode ser encontrada nos imigrantes que ele não quer e naqueles para os quais abriu as portas. Imigrantes sul-africanos, por exemplo, podem entrar sem apresentar uma história legítima de trauma, sem cumprir todos os requisitos tradicionais, particularmente quando solicitam asilo. Não precisam apresentar nenhuma evidência.
 

Enquanto isso, o presidente chamou outros imigrantes de pessoas indesejadas, vindas de "países de merda".
 

Está bastante claro que, mais uma vez, trata-se de um esforço para reforçar a ideia de que os Estados Unidos são um país de pessoas brancas e que fomos longe demais tentando defender que a raça não fosse uma condição de pertencimento.
 

*Folha Em outros momentos de avanços de direitos civis, já houve reações conservadoras nos EUA. O momento atual é diferente? É mais forte? Se sim, por quê?*
 

*Kimberlé Crenshaw -* Às vezes, a reação dura mais, é mais profunda e mais catastrófica do que o breve período de progresso que a antecedeu.
 

Veja a Reconstrução, por exemplo. Foi o período após a Guerra Civil Americana em que o governo apoiou, por um curto intervalo, o projeto de integrar as pessoas anteriormente escravizadas à cidadania. Foram aprovadas leis que garantiam direitos iguais de propriedade e de contratos, além de eliminar os obstáculos que nos impediam até mesmo de testemunhar em tribunais contra pessoas brancas. Foi criado o Freedmen's Bureau, e houve autorização para a construção de escolas.
 

Isso durou apenas oito anos e, então, foi derrubado. Suas consequências foram décadas de tirania racial, que duraram pelo menos 70 anos.
 

Essa é uma característica da nossa história: reformas modestas avançam e, em seguida, provocam uma reação contrária que não apenas dura mais, mas também aprofunda alguns dos padrões que as reformas tentavam eliminar.
 

Agora, talvez estejamos testemunhando uma reação à eleição do primeiro presidente negro [Barack Obama, eleito em 2008], seguida de outra reação ao movimento popular contra a violência policial antinegra [o Black Lives Matter, iniciado em 2013].
 

A questão é: até que ponto as pessoas preocupadas com a democracia estão conscientes de que não estamos falando apenas de um ciclo de dois anos ou de uma eleição presidencial? Que o que está em jogo é realmente o futuro do país, pelo menos durante este século, se não em parte do próximo?
 

*Folha - A esquerda no Brasil, assim como nos EUA, frequentemente afirma que, quando se dá muita atenção a questões de raça, gênero ou outros temas considerados "identitários", o foco se afasta das questões de classe e da desigualdade econômica, o que leva ao fracasso político e à ascensão da extrema direita. A sra. acha que esse é um problema político real?*
 

*Kimberlé Crenshaw -* Acho que essa crítica é o problema político real. Involuntariamente, ela revela como é limitada a compreensão de determinados setores da esquerda sobre a maneira como raça e gênero também são canais e reflexos da política de classe.
 

Na prática, quando analisamos os votos dos democratas na última eleição presidencial, constatamos que entre 92% e 94% das mulheres negras votaram contra o Maga. Entre os homens negros, foram 87%.
 

Mas essas pessoas não recebem o reconhecimento de que compreendem as questões de classe. Não recebem o reconhecimento de que são antiautoritárias. Isso acontece porque, para muitas pessoas da esquerda, o voto da classe trabalhadora é representado por homens brancos.
 

*Folha - Como acha que essas questões vão se manifestar nas eleições de meio de mandato?*
 

*Kimberlé Crenshaw -* A questão é quanto ressentimento e arrependimento existem em relação a uma guerra [do Irã] que nos prometeram que nunca aconteceria, aos preços que dispararam, à corrupção que afeta o orçamento da maioria dos consumidores, além do desmonte de alguns dos acordos básicos sobre o que constitui uma política legítima e o que é apenas tirania sob outro nome. Até que ponto esses sentimentos vão impulsionar o comportamento político?
 

A outra é quão eficazes serão os esforços para reprimir a política e a participação democrática.Temos uma Suprema Corte claramente alinhada às sensibilidades de Trump e que, consequentemente, esvaziou uma lei de direitos civis —a Lei dos Direitos de Voto— que estava em vigor havia seis décadas.
 

Esse ataque ao direito de voto está enraizado em ideias racializadas sobre quem está qualificado para votar. A lei está sendo usada de acordo com a ideia de que este é um país de pessoas brancas.
 

Suspeito que o resultado será uma combinação entre o grau de indignação das pessoas diante do que fizeram com nosso Estado, nosso governo, nosso país e nossa economia, e a eficácia dos esforços para sufocar a dissidência e a participação democrática, limitando essa indignação.
 

*Folha - Como acha que os anos Trump vão impactar as próximas gerações?*
 

*Kimberlé Crenshaw -* Algumas pessoas acreditam que o trumpismo precisa de Trump para continuar causando danos. Seria como uma gripe forte ou até um tornado: causa estragos, mas logo passa.
 

Outras pessoas, entre as quais me incluo, veem um colapso fundamental das ideias, dos acordos tácitos e do processo de 50 anos de construção de medidas e instituições democráticas destinadas a corrigir alguns dos erros do sistema. Essas instituições foram criadas para abrir caminhos que permitissem às futuras gerações ter maior acesso à riqueza do país e às oportunidades, além de evitar que fossem empurradas para alguns dos aspectos mais horríveis da sociedade americana.
 

Os ataques não poderão ser revertidos da noite para o dia. Essas estruturas levaram uma geração e meia, ou até mais, para serem construídas. E foram derrubadas praticamente da noite para o dia.
 

O que me preocupa ainda mais, se é que é possível imaginar algo pior, é que a determinação de muitas pessoas e grupos que se consideram parte da coalizão democrata de sustentar uma democracia multirracial também está sendo comprometida.
 

Ouvimos [o historiador] Timothy Snyder usar o termo "conformidade antecipatória". Eu acrescentaria a isso uma espécie de apagamento afirmativo. Não vemos muitas pessoas da comunidade progressista lamentando a perda do consenso de que somos uma sociedade pós-segregacionista, pós-escravidão e pós-genocídio.
 

Nunca deixaremos de ser uma sociedade marcada por essas histórias. Fechar os olhos para isso, dizer que não podemos falar sobre o assunto ou que isso dificulta a construção das maiorias necessárias e, portanto, não podemos fazê-lo, significa aceitar que a sociedade continue sendo o que é.
 

E é isso que me causa desespero. A luta já seria suficientemente difícil se estivéssemos todos de acordo sobre o que precisamos defender. Mas ainda não chegamos a um consenso sobre isso.
 

*Folha - Nas suas memórias, a senhora conta que seus pais estavam envolvidos em protestos e na luta pela igualdade racial. Existe hoje esse tipo de inspiração?*
 

*Kimberlé Crenshaw -* Nossa tarefa neste momento é resistir ao acordo com o retrocesso, resistir à restauração de antigas estruturas e resistir, em nome de nossos filhos, a uma história que lhes será contada sem a verdade. Nasci antes da aprovação das leis e da implementação das políticas destinadas a desmontar a supremacia branca. Nasci antes de sermos realmente uma democracia.
 

Ainda assim, meus pais acreditavam nessa possibilidade. Eles moldaram minha educação e até mesmo as conversas à mesa do jantar de maneira que nos tornássemos conscientes das restrições existentes, esperançosos em relação às oportunidades que estávamos lutando para tornar reais e preparados para aproveitá-las quando as barreiras caíssem.
 

É disso que precisamos neste momento: a mesma consciência, preparação e capacidade de imaginar uma realidade diferente.
 


 

*RAIO-X | Kimberlé Crenshaw, 67*
 

Formada pela Universidade Cornell, estudou direito em Harvard e leciona em Columbia e na UCLA (Universidade da Califórnia Los Angeles). Nos anos 1980, sistematizou o conceito de interseccionalidade, que analisa como diferentes formas de discriminação se sobrepõem. Cofundadora do African American Policy Forum, lançou a autobiografia intitulada "Backtalker" em 2026.

 

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Agentes dos EUA assumiram controle de parte de aeroporto para fuga de Flávio, diz jornal argentino

  • Por Ana Gabriela Oliveira Lima | Folhapress
  • 01 Nov 2026
  • 08:29h

Foto: Reprodução / CNN

Agentes dos Estados Unidos tomaram o controle de parte do aeroporto de Porto Iguaçu para ajudar na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil, segundo publicação do jornal argentino Clarín desta sexta-feira (30). O país também contratou ao menos três jatos privados para garantir que o plano fosse bem-sucedido, segundo a publicação.

 

De acordo com o periódico, representantes estadunidenses coordenaram ações para garantir a decolagem do jato particular no qual estava o político, assumindo parte do trabalho de agentes da polícia de segurança aeroportuária e funcionários de imigração.
 

O secretário de Estado Marco Rubio negou, na tarde deste sábado (31), que os Estados Unidos tenham facilitado a fuga do senador. Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28) e se autoproclamou "verdadeiro presidente eleito" do Brasil em uma carta de teor golpista depois de perder as eleições presidenciais de 2026. Em seguida, ele recuou da afirmação e se disse "líder do Brasil", mantendo o tom golpista da comunicação.
 

A afirmação de Rubio vai na contramão da apuração de outros veículos de imprensa. Segundo os jornais americanos The New York Times e The Wall Street Journal, o estrategista político americano Jason Miller, assessor de comunicação de Donald Trump, ajudou a organizar o avião particular que levou Flávio aos EUA após sua derrota na eleição presidencial.
 

De acordo com o Clarín, o governo estadunidense auxiliou com ao menos três aeronaves que estiveram no local para garantir que o plano foi bem-sucedido.
 

O jornal aponta que o dia da fuga foi marcado por confusão deliberada a partir de "falsas verdades" difundidas por autoridades, a fim de que o plano fosse bem-sucedido, dentre elas a divulgação de aliados de Flávio Bolsonaro de que ele já teria chegado aos Estados Unidos na terça-feira (27).
 

A operação também contou, segundo o Clarín, com o apoio do presidente argentino Javier Milei, que teria enviado o assessor Santiago Caputo à cidade de Misiones para garantir que o plano fosse exitoso.
 

Segundo o jornal, a operação contou com ao menos três aviões privados de alto custo operativo, coordenados pelo Departamento de Estado da Casa Branca, que aterrissaram na cidade ou foram usados como opções alternativas para garantir a chegada de Flávio até Miami.
 

O jornal também cita o uso de caminhões e carros com diferentes placas de identificação para confundir postos de controle, além da troca de informação entre agentes argentinos e estadunidenses.

Integrantes da equipe do DJ Arana são presos por documentos falsos em Congonhas ao tentar embarcar

  • Bahia Notícias
  • 31 Out 2026
  • 12:38h

Foto: Reprodução

Três produtores do DJ Arana foram presos em flagrante nesta sexta-feira (30) no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, suspeitos de usar e providenciar documentos falsos para embarcar em um voo para Brasília.

 

Eles foram liberados depois. O DJ também foi levado à delegacia e ouvido pela Polícia Civil, mas foi liberado por falta de indícios de participação no crime.

 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), dois homens apresentaram documentos falsos, e o terceiro seria o responsável por conseguir a falsificação. Os três, identificados como integrantes da equipe do artista, chegaram a ser presos em flagrante. Outras três pessoas, entre elas o próprio DJ Arana, foram liberadas porque a polícia não encontrou elementos que as ligassem ao crime. “As investigações prosseguem para esclarecer todos os fatos”, informou a SSP.

 

A fraude foi percebida por funcionários da Gol. Parte da equipe do DJ já estava dentro do avião, que precisou voltar para a área de estacionamento para que os policiais fizessem a abordagem.

Aneel mantém bandeira verde na conta de luz para o mês de novembro

  • Bahia Notícias
  • 31 Out 2026
  • 10:15h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (30) que a bandeira tarifária verde será mantida nas contas de luz em novembro. Com a decisão, os consumidores não terão cobrança adicional na tarifa pelo segundo mês consecutivo. A medida foi adotada diante da melhora nas condições de geração de energia, favorecida pelo aumento das chuvas nas regiões onde estão localizadas as principais hidrelétricas.

 

Segundo a agência, o cenário contribui para a recuperação dos reservatórios e reduz a necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custos mais elevados. A bandeira verde voltou a vigorar em outubro, depois de cinco meses de cobrança pela bandeira amarela. Nesse período, os consumidores pagavam um adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

 

Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza os custos de geração de energia no país. Na classificação verde, não há acréscimo na conta. Já as bandeiras amarela e vermelha representam cobranças extras, conforme as condições de produção. Atualmente, a bandeira amarela acrescenta R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos. Na vermelha, o adicional é de R$ 4,46 no patamar 1 e de R$ 7,87 no patamar 2.

Renato Cariani nega relação com tráfico de drogas após pedido de condenação do Ministério Público

  • Por Jorge Abreu | Folhapress
  • 31 Out 2026
  • 08:10h

Foto: Reprodução

O influenciador, empresário e atleta Renato Cariani, 50, se pronunciou na quinta-feira (29) sobre a decisão do Ministério Público de São Paulo de pedir à Justiça a condenação dele por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação atribui a ele o desvio de produtos químicos para fabricação de cocaína e crack entre 2016 e 2020.

"Gente, não é um processo novo, tá? Quem me acompanha há muito tempo no canal sabe, eu fui sócio de uma indústria química e essa indústria química foi vítima de uma fraude e essa fraude virou um processo porque eu sou um dos donos", disse em vídeo publicado no Youtube.

 

Cariani voltou a dizer ser inocente e afirmou que confia na Justiça. "Esse é o papel do Ministério Público, realizar acusação. E ele manteve essa postura até agora. O papel da minha defesa é o quê? É provar que nós estamos certos, provar nossa inocência", acrescentou.
 

A defesa do réu disse, em nota, que o processo se encontra em fase de alegações finais defensivas. Os advogados Aldo Romani Netto e José Eduardo Martins Cardozo afirmaram que responderão a cada uma das teses apresentadas, demonstrando que são improcedentes. Logo depois, o processo deverá ter decisão do juiz responsável. Não há prazo para que isso ocorra.
 

A Promotoria pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani em uma empresa para venda de produtos químicos, a Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda., em Diadema.
 

Foi pedida a condenação do suposto intermediário Fábio Spinola Mota, apontado como membro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
 

Mota havia sido preso no início de 2023 em uma operação da Polícia Federal, a Downfall, que investigou esquema de tráfico internacional e interestadual de drogas, com diversas ramificações no país.
 

A defesa de Mota diz que seu cliente é inocente. Segundo a advogada Paula Minichillo, durante a instrução criminal foram produzidas provas que refutam integralmente as alegações da denúncia e corroboram as declarações prestadas em seu interrogatório.
 

A investigação da Polícia Federal concluiu que parte do material adquirido legalmente pela Anidrol era desviado para a produção de drogas. Para justificar a saída dos produtos, eram emitidas notas fiscais falsas e depósitos em nome de laranjas, usando indevidamente o nome da biofarmacêutica AstraZeneca.
 

Conforme a investigação, foram desviadas cerca de 12 toneladas de produtos como acetona, éter etílico, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, manitol e fenacetina, substâncias utilizadas para transformar a pasta base de cocaína em pó ou em pedras.
 

Ainda conforme a polícia, as investigações tiveram início após a Receita Federal detectar depósito em dinheiro, no valor de R$ 212 mil, aparentemente feito pela AstraZeneca. A biofarmacêutica negou, porém, tal movimentação e também ligação com a empresa do influenciador.
 

Ao longo da apuração, Cariani apresentou troca de mensagens com um suposto funcionário do laboratório, Augusto Guerra. A análise telemática demonstrou, contudo, que teria sido Mota, amigo de Cariani, quem havia registrado um domínio na internet em nome da AstraZeneca, com extensão com.br, e criado um email em nome desse funcionário fantasma.
 

A estimativa da PF é de que o esquema de desvios de produtos possa ter rendido ao grupo valores superiores a R$ 6 milhões.

Supremo Tribunal Federal articula revisão de pena para o ex-presidente Jair Bolsonaro

  • Bahia Notícias
  • 30 Out 2026
  • 18:16h

Foto: Marcos Corrêa/PR

Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) tem defendido a redução de pena do ex-presidente da República Jair Bolsonaro. De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, os magistrados esperam que Alexandre de Moraes paute a ação que prevê a revisão da pena no plenário da Corte.

 

Especialistas especulam que a ação, que pode analisar a constitucionalidade da pena, reduziria o tempo de prisão de Bolsonaro em regime fechado de sete anos para 2 anos e 3 meses. Como o ex-presidente foi preso em 22 de novembro de 2025, e já cumpriu quase um ano da pena em regime fechado, ele poderia ser libertado no fim de 2027 ou início de 2028.

 

Os juízes ouvidos pela coluna de Bergamo explicam que a iniciativa do STF serviria para diminuir a tensão com o Senado, que, a partir do próximo ano, terá 28 senadores do PL e mais 22 divididos em outros partidos pró-impeachment de ministros do Supremo, como União Brasil, Republicanos, PP, Novo, Missão e Podemos.

 

As novas regras de cumprimento da pena definiriam o fim da prisão de Bolsonaro em regime fechado ao mesmo tempo que ajudaria a esvaziar propostas que preveem anistia para os crimes que ele cometeu.

 

A Lei da Dosimetria foi aprovada em dezembro de 2025 pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, com aval do próprio STF. Contudo, foi suspensa, ainda em maio, após a derrubada do veto de Lula, sob o argumento de que o plenário da Suprema Corte deveria julgar o mérito das ações de inconstitucionalidade que questionam a nova norma antes que ela de fato passasse a ser considerada para a redução das penas.

Escolas têm relatos de bullying político entre alunos após tensão na disputa eleitoral

  • Por Claudinei Queiroz e Ideídes Guedes | Folhapress
  • 30 Out 2026
  • 16:48h

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Toda a tensão vivida pelos eleitores do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, no último domingo (25), refletiu-se em instituições escolares nos dias seguintes, com crianças fazendo bullying político contra os colegas.

 

A maioria dos casos aos quais a Folha de S.Paulo teve acesso é de filhos de apoiadores de Bolsonaro direcionando ofensas, ameaças e xingamentos a estudantes filhos de defensores do candidato petista, que se reelegeu.
 

Mas também há reclamações do lado oposto, como a de um estudante de 16 anos do Centro Educacional 6 do Gama, no Distrito Federal. Ele afirmou nas redes sociais ter sofrido perseguição na escola após o primeiro turno da eleição por apoiar Flávio Bolsonaro e precisou mudar de unidade de ensino.
 

Na ocasião, a governadora Celina Leão (PP) pediu à Secretaria de Estado de Educação que apurasse a denúncia. A deputada distrital eleita Estéfane Sampaio (Republicanos) foi à escola pedir a transferência do aluno. A atuação dela gerou um embate com o deputado distrital Gabriel Magno (PT), que criticou a abordagem à direção e aos professores.
 

Procurada, a secretaria afirmou que a Polícia Civil investiga o caso e que foi aberto um procedimento administrativo para apurar os fatos e eventuais responsabilidades.
 

Nesta semana, em Foz do Iguaçu (PR), um estudante de 12 anos teria sido cercado e chamado de "petista nojento", segundo relato da mãe no Instagram.
 

"É profundamente revoltante e doloroso testemunhar até onde o extremismo e a intolerância chegaram no nosso país. Quando o ódio político ultrapassa a esfera do debate e passa a violentar psicologicamente crianças no ambiente escolar, fica claro que perdemos todos os parâmetros de humanidade e convivência democrática", desabafou a mãe.
 

Em um comentário à postagem, outra mãe disse ter sido perguntada pela filha de seis anos: "Mamãe, por que querem matar o Lula?". Ela questionou de onde a filha tinha tirado aquilo e a resposta foi: "Meu amigo disse que vai pegar o Lula e enfiar uma faca nele".
 

Em mais de 2.800 comentários, vários outros pais relataram o mesmo problema. Alguns petistas disseram ter pedido para os filhos não tripudiarem dos que pensavam diferente, como uma mãe de Salvador (BA), onde o presidente Lula teve apoio maciço.
 

Na capital paulista, pelo menos duas escolas estão enfrentando casos de bullying político. Na Escola do Futuro, da zona sul, um pai contou à Folha de S.Paulo que a filha de 12 anos ficou aos prantos após ser cercada e pressionada por outros alunos, na segunda-feira.

Ele diz que o perfil dos pais de alunos da escola é de apoiadores de Bolsonaro, de classe média-alta e evangélicos. Afirma nunca ter se envolvido em confusão com ninguém por diferenças políticas e ideológicas e diz ter falado para os dois filhos seguirem a mesma linha.
 

Por esse motivo, declara ter ficado mais revoltado com os ataques à filha. Sua principal reclamação é que a escola nada teria feito para evitar o problema. Quando a estudante foi reclamar, ele conta, a orientadora pedagógica não chamou os alunos provocadores e só falou para ela que não era para discutir política na escola.
 

Na quarta-feira (28), ele voltou a procurar a reportagem e relatou que a filha reclamou de novos ataques a um professor, quando ele teria respondido: "Ué, você é petista mesmo? Então faz o L".
 

Em nota enviada à Folha de S.Paulo, a Escola do Futuro afirmou não tolerar ofensas, intimidações ou discriminação entre estudantes, por qualquer motivo, inclusive em razão das opiniões políticas de suas famílias.
 

"Na segunda-feira, a equipe de orientação educacional recebeu o relato de um estudante sobre ofensas verbais feitas por colegas e também recolheu, em salas de aula, adesivos de conteúdo político-partidário. A equipe interveio no mesmo dia, conversou com as turmas envolvidas e deixou claro que esse tipo de conduta não é aceito na escola", diz a nota.
 

A instituição destaca que não adota posicionamento político-partidário e preza pelo respeito às diferenças, ao diálogo e à convivência, com ações de prevenção ao bullying. "Todos os estudantes recebem o mesmo respeito e a mesma proteção, independentemente das convicções de suas famílias."
 

O outro caso é do tradicional Colégio Bandeirantes, também da zona sul paulistana. Um empresário postou um vídeo nas redes sociais revoltado pelo bullying sofrido pela filha adolescente.
 

No depoimento, ele conta que uma aluna falou que a filha dele deveria ser estuprada por apoiar Lula. E outra menina, que é bolsista, foi chamada de gorda e de escrota. No desabafo, ele afirma que a culpa não é dos alunos que praticam bullying, mas dos pais.
 

Nesta quinta (29), o Bandeirantes enviou um comunicado aos pais afirmando que os conflitos também podem ser oportunidades de aprendizado e que a escola não pretende determinar o que os alunos devem pensar.
 

Uma nota com o mesmo teor foi enviada à reportagem, na qual a escola diz ter ouvido os estudantes envolvidos no episódio para esclarecer os fatos, promover o diálogo e buscar a recomposição das relações. Ela reforça que não admite qualquer forma de intimidação, provocação ou desrespeito e que todos os posicionamentos políticos devem ser tratados com respeito.
 

"O Bandeirantes trabalha a igualdade política por meio de atividades que ensinam os alunos a compreender seus direitos, participar das decisões coletivas, respeitar opiniões diferentes e perceber que todas as pessoas devem ter voz nos assuntos que afetam a comunidade", diz a nota.
 

A política de supostamente aceitar os conflitos é criticada pelo pai da adolescente. Ele diz que permitir manifestação de crianças no fundamental, sem maturidade emocional, está criando situações de bullying. Segundo contou à Folha de S.Paulo, ele se reuniu com a direção do colégio nesta quinta para propor mudança nessa política, o que foi negado.
 

Ele afirma que os dirigentes negaram que a filha dele tivesse sofrido bullying e até sugeriram que ele a tirasse da escola, uma vez que não gostava da política da instituição. O empresário fala que não quer processar o colégio nem os pais da estudante agressora, mas está consultando um advogado para saber qual rumo tomar.
 

A reprodução dos discursos de ódio dos adultos prejudica o desenvolvimento da sociabilidade das crianças, afirma a psicóloga Vera Rocha Resende, mestre e doutora em psicologia clínica pela PUC-SP.
 

"Prejudica a concepção de mundo, de vida, implantando raízes muito negativas. Na consciência dessas crianças, quando se divide o mundo em nós e eles, nós somos ótimos, eles, não; nós vamos para o céu, eles, não. Acho que a gente precisaria reeducar esses adultos que estão produzindo esse tipo de comportamento nos filhos", diz Resende.

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Relatório da embaixada dos EUA classifica vitória de Lula como 'definitiva' e descarta impacto de horário ampliado

  • Bahia Notícias
  • 30 Out 2026
  • 14:40h

Foto: Ricardo Stuckert - PR / Divulgação

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília encaminhou, nesta segunda-feira (26), um relatório diplomático a órgãos governamentais norte-americanos, como o Departamento de Estado, classificando a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições como "definitiva" e "surpreendente". 

 

O documento pontuou que o pleito ocorreu de maneira majoritariamente pacífica, apesar de registros pontuais de dificuldades operacionais em algumas regiões. O documento obtido pela Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (30), indica que a extensão do horário de votação por duas horas foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e teve impacto insignificante no resultado final. 

 

Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados no texto, apenas 34 mil votos (cerca de 0,03% do total) foram depositados após as 17h, montante insuficiente para alterar a margem de cerca de 4,4 milhões de votos que consolidou a eleição do petista frente ao senador Flávio Bolsonaro.

 

O parecer da representação diplomática ressaltou ainda a validação do pleito por missões internacionais, ressaltando que observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) declararam não ter "nenhuma dúvida sobre os resultados". 

 

Embora aliados do candidato derrotado e o próprio Flávio tenham classificado o desfecho como "impossível de aceitar", o relatório observou que lideranças do campo conservador reconheceram publicamente o resultado das urnas.

 

No entanto, a avaliação técnica da embaixada contrasta com as declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem questionado reiteradamente a lisura do processo eleitoral brasileiro. 

 

Na segunda-feira (26), o republicano declarou que "A impressão que passou para o mundo foi terrível. Eleições precisam ser indiscutíveis". Já nesta quinta-feira (29), Trump voltou a criticar a votação, embora tenha indicado que pretende dialogar com o presidente reeleito. "Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha", afirmou. 

 

Ao ser questionado sobre quem considerava o vencedor legítimo, o mandatário norte-americano evitou resposta direta: "Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro. O atual presidente me pediu para não tomar partido, e eu não tomei. Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, achei uma vergonha".

 

Lula tenta evitar que caso Flávio Bolsonaro vire crise diplomática por ajuda de Trump em fuga

  • Por Caio Spechoto, Mariana Brasil e Catia Seabra | Folhapress
  • 30 Out 2026
  • 12:01h

Foto: Reprodução Bahia Notícias

O presidente Lula (PT) decidiu não se envolver no enredo político da fuga de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato derrotado ao Planalto, para os Estados Unidos.
 

A avaliação no Planalto é de que uma intervenção do petista seria despropositada, porque Flávio estaria se desgastando com a história e, por isso, não haveria sentido em arriscar uma crise diplomática com o presidente americano, Donald Trump, por causa do adversário político.
 

A determinação foi mantida mesmo depois de os jornais americanos The Wall Street Journal e The New York Times afirmarem que Trump ajudou Flávio a fugir para os EUA.
 

O jato particular em que Flávio viajou foi providenciado, segundo as duas publicações, por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca —informação também sustentada por um aliado de Flávio à Folha.
 

Miller estreitou laços com a família Bolsonaro quando esteve no comando da Gettr, rede social conservadora. Em setembro de 2021, chegou a ser interrogado pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília, em investigação sobre atos golpistas conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após participar de conferência organizada por Eduardo Bolsonaro, na qual também se encontrou com Jair Bolsonaro, então presidente da República.
 

Flávio partiu rumo aos Estados Unidos após ser intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes —ele é alvo de inquérito que apura seu envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro com bets. O senador passou por Argentina e Equador antes de chegar ao território norte-americano.
 

Auxiliares de Lula têm repetido que eventuais providências relacionadas à fuga de Flávio cabem ao Judiciário, não à Presidência da República. O chefe do governo tem demonstrado, em conversas internas, preferir dedicar seu tempo a outros assuntos –ele acaba de ser reeleito e precisa esquadrinhar sua nova gestão. Também tenta evitar que as negociações sobre o tarifaço fiquem ainda mais difíceis.
 

Um integrante do alto escalão diz que a fuga foi tão absurda que não deveria ser elemento com potencial de desencadear qualquer crise para Lula.
 

O governo brasileiro pretende preservar a relação comercial com os Estados Unidos e manter as negociações em curso, mesmo com as notícias que ligam o governo americano à fuga de Flávio. A avaliação interna é de que não convém colocar o episódio no centro da relação entre os dois governos.
 

Como mostrou a Folha de S.Paulo, aliados do petista avaliam que Flávio Bolsonaro tenta atrair Lula para uma armadilha para sabotar a relação entre o petista e Trump, descrita como boa por ambos. Por esse raciocínio, o candidato derrotado busca provocar o presidente brasileiro para que ele tome uma atitude ou dê uma declaração que estresse sua relação com o presidente americano.
 

Na quarta-feira (28), o senador do PL divulgou uma carta em que se proclamava "verdadeiro presidente do Brasil". Depois, atualizou o documento e referiu-se a si mesmo como "líder do Brasil". Ele afirma, sem apresentar prova nenhuma, que a eleição brasileira foi fraudada. Na segunda (26), Flávio havia dito que desistiria de anular a eleição na Justiça e declarou que não fugiria do país.
 

Trump até o momento não reconheceu explicitamente a vitória de Lula e disse que a eleição brasileira foi uma vergonha. Apesar disso, ele afirma que conversará com o brasileiro. De acordo com Trump, o próprio Lula pediu que ele não tomasse lado na disputa.
 

A orientação dada aos auxiliares de Lula é não alimentar uma polêmica em torno da fuga de Flávio e manter uma postura pragmática. Integrantes do governo avaliam que Lula saiu fortalecido da reeleição e não precisa cobrar de Trump o reconhecimento da vitória, ainda não expressado pelo presidente americano.
 

Na avaliação de um auxiliar do Planalto, cobrar publicamente o reconhecimento poderia transmitir uma imagem de fragilidade que o Brasil não precisa assumir. Um diplomata do Itamaraty afirma que, neste momento, as providências relacionadas à saída de Flávio do país cabem ao Judiciário, e não ao presidente da República.
 

O governo também considera relevante o fato de partidos de diferentes espectros políticos, inclusive o PL, terem reconhecido a vitória de Lula. Outro reconhecimento considerado importante pelo governo foi o do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.
 

O grupo político do chefe do governo brasileiro diz acreditar que a ida do adversário para o exterior tende a dispersar seu eleitorado. No domingo (25), Flávio Bolsonaro teve 59,8 milhões de votos para presidente da República e perdeu para Lula por 3,6 pontos percentuais.
 

Diversos aliados de Lula relataram à Folha a avaliação de que a fuga de Flávio Bolsonaro é benéfica para o presidente reeleito. Em seu aniversário de 81 anos, o petista citou o episódio como um dos mais vergonhosos da história do Brasil.
 

A análise é de que o senador abandonou um patrimônio eleitoral imenso e desorganizou a oposição, que agora precisará construir uma nova opção de poder –ou seja, um nome forte e incontestável em seu campo político para disputar a próxima eleição presidencial contra o grupo de Lula.