Lula pede rigor fiscal e Haddad anuncia corte histórico de R$ 25 bi despesas

  • Bahia Notícias
  • 04 Jul 2024
  • 15:20h

Foto: Edu Mota/ Bahia Notícias

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (3) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que seja cumprido o arcabouço fiscal. Haddad também anunciou o corte de R$ 25,9 bilhões em despesas obrigatórias. 

Haddad deu entrevista para a imprensa após deixar o Palácio do Planalto, onde se reuniu com Lula e secretários da Fazenda em encontro da Junta de Execução Orçamentária (JEO). Essa junta, prevista em lei, tem o papel de assessorar o presidente em temas econômicos.

"Tivemos a oportunidade de nos reunirmos três vezes hoje. Lula me pediu que falasse para vocês. Primeira coisa que o presidente determinou é cumprir o arcabouço fiscal. Não se discute isso. São leis que regulam as finanças no Brasil e serão cumpridas. O arcabouço será preservado a todo custo", afirmou o ministro.

O ministro também detalhou os cortes nas despesas obrigatórias, que serão feitos com relação ao Orçamento de 2025.

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Segundo ele, esses valores que serão cortados correspondem a um pente-fino que o governo fez nos últimos meses para identificar gastos que poderiam ser encerrados. Ele disse ainda que as medidas podem ser antecipadas a depender do relatório de receitas e despesas do governo federal, a ser apresentado no dia 22 deste mês.

"Serão R$ 25,9 bilhões que vão ser cortados. Foi feito com as equipes dos ministérios. Um trabalho com critérios com base em cadastro, nas leis aprovadas. Algumas dessas medidas do Orçamento de 2025 podem ser antecipadas à luz do que a Receita nos apresente no dia 22 de julho", disse o ministro.

Dia de reuniões

Depois de dias de disparada para cima, o dólar cedeu nesta terça. Caiu 2% e fechou o dia cotado a R$ 5,56. Mas, nos últimos dias, tinha chegado a R$ 5,66, maior valor em dois anos e meio.

Analistas vinham alertando que a alta do dólar estava em grande parte ligada a um contexto político interno, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu sucessivas críticas à politica de juros do Banco Central e ao mercado financeiro.

O mercado vê nessas críticas um risco de interferência política na economia, o que afasta investidores e torna o real mais frágil. A queda desta quarta é atribuída a sinais mais positivos de controle da inflação nos Estados Unidos animaram os mercados.

Outro fator é que os investidores viram em reuniões de Lula com Haddad e a equipe econômica nesta quarta uma sinalização de que a alta do dólar e o controle de gastos por parte do governo vão receber uma atenção do presidente. Um dos temores do mercado é que Lula gaste além das receitas do governo.


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