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Brasil registra 4,1 mil mortes por câncer de testículo em 10 anos; casos atingem jovens

  • Bahia Notícias
  • 10 Abr 2026
  • 10:54h

Foto: Bruno Concha/Secom

O Brasil registrou cerca de 4,1 mil mortes por câncer de testículo na última década, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com base em dados do Ministério da Saúde. No mesmo período, foram realizadas aproximadamente 17 mil cirurgias para retirada do testículo por causa da doença.

 

De acordo com a SBU, o câncer de testículo representa cerca de 5% dos tumores urológicos e atinge principalmente homens jovens, em idade reprodutiva. Ao todo, 61% das mortes registradas nos últimos dez anos ocorreram entre pessoas de 20 a 39 anos.

 

Para reforçar a importância do diagnóstico precoce, a entidade promove neste mês a campanha Abril Lilás. A detecção antecipada aumenta significativamente as chances de cura.

 

“O câncer de testículo não deve ser um tabu. O autoconhecimento é uma ferramenta importante. A recomendação é que o homem observe o próprio corpo e, ao perceber qualquer alteração, procure um urologista. Quando identificado no início, as chances de cura passam de 95%”, afirmou o presidente da SBU, Roni de Carvalho Fernandes.

Entenda o que é morte cerebral e protocolo necessário para confirmar diagnóstico

  • Por Geovana Oliveira | Folhapress
  • 07 Mar 2026
  • 08:33h

Foto: Reprodução / Shutterstock

Quando um paciente está em estado grave, é possível ouvir que ele teve morte cerebral, tecnicamente conhecida como morte encefálica, antes mesmo que o diagnóstico tenha sido de fato concluído.
 

caso de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, preso na operação Compliance Zero, que tirou a própria vida na cela da Polícia Federal em Minas Gerais, é um exemplo disso.
 

A confusão entre suspeita e diagnóstico tem uma explicação técnica, e entendê-la ajuda a interpretar esse tipo de informação. A reportagem procurou especialistas para explicar o que é a morte encefálica e qual o protocolo necessário para chegar ao seu diagnóstico.
 

O QUE É MORTE ENCEFÁLICA?
 

Morte cerebral é morte. Quando o diagnóstico é confirmado, afirma o médico intensivista Fábio Gomes, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, não há dúvida de que o fato é irreversível e equivalente à morte pelo coração parado.
 

A confusão começa porque o coração continua batendo. O órgão tem um sistema autônomo de disparo, um grupo de células que faz o coração bater independentemente de o cérebro estar funcionando ou não. É essa imagem, diz Gomes, a de uma pessoa deitada com batimento cardíaco e oxigenação, que causa angústia nas famílias.
 

O que aconteceu, do ponto de vista fisiológico, explica o intensivista, é que o encéfalo inteiro parou de funcionar -por isso, o ideal é chamar de morte encefálica e não cerebral. Tanto o córtex, responsável pelo pensamento, quanto a base cerebral, que controla funções básicas de sobrevivência como a respiração, ficam inativos. O encéfalo é o conjunto composto por cérebro, cerebelo e tronco encefálico.
 

Se o respirador for retirado, afirma Gomes, a pessoa para de respirar. Nenhuma função cerebral, da mais simples à mais complexa, está ativa. A reversibilidade, portanto, é zero. Não existe recuperação de um quadro de morte encefálica.
 

SUSPEITA NÃO É DIAGNÓSTICO
 

O que pode gerar confusão é a diferença entre a suspeita da morte encefálica e seu diagnóstico final, que depende de um protocolo.
 

"Existe uma diferença entre uma suspeita e realmente decretar aquilo. O protocolo de morte cerebral é bem sistematizado, tem critérios para ser iniciado e, em geral, é feito em três etapas ", diz o neurocirurgião Marcelo Valadares, mestre em neurologia.
 

Um profissional de saúde, por exemplo, pode comunicar à família que suspeita de morte encefálica, ou que o protocolo foi iniciado, sem que isso signifique que o diagnóstico foi fechado, ressalta Gomes. Também pode acontecer de o protocolo começar e precisar ser interrompido caso, em alguma fase, o paciente der qualquer sinal. Se ele respirar durante o teste de apneia, por exemplo, a prova é encerrada e o processo volta à estaca zero.
 

COMO A MORTE ENCEFÁLICA É DECRETADA
 

O protocolo para decretar a morte encefálica no Brasil é chancelado por especialistas médicos e pelo Ministério da Saúde. A última atualização dele está em uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) de 2017. Segundo Gomes, o protocolo nacional é mais rigoroso do que o de vários outros países.
 

O processo começa com a suspeita. O paciente está em coma, geralmente na UTI, em estado grave. Para abrir o protocolo, é preciso que esse coma seja não responsivo, ou seja, que o paciente não apresente nenhuma resposta cerebral a estímulos.
 

Além disso, a causa do coma precisa ser conhecida, como um trauma craniano, e o paciente precisa ter estabilidade mínima de pressão arterial e oxigenação. Todos os sedativos e anestésicos precisam ser retirados, e exames de sangue devem confirmar que nenhuma droga justifica o estado de coma.
 

Com essas condições atendidas, o protocolo se divide em três etapas, explica Valadares. A primeira e a segunda são avaliações neurológicas clínicas, feitas por médicos diferentes, com intervalo mínimo de uma hora entre elas para pacientes adultos.
 

Em cada avaliação, o médico testa cinco reflexos básicos do cérebro, como reações da pupila, da córnea e do ouvido. Depois, realiza a prova da apneia para ver se o paciente consegue respirar sozinho.
 

Se as duas avaliações clínicas estiverem concluídas, parte-se para o exame complementar de imagem cerebral. Na morte encefálica, o cérebro não recebe mais sangue. O exame, geralmente um doppler transcraniano, comprova a ausência de circulação, explica Gomes.
 

Somente com as duas provas clínicas e o exame de imagem apontando ausência de atividade é que o óbito é legalmente declarado. O processo costuma levar entre 24 e 48 horas, afirma Gomes.
 

A família não precisa autorizar o início do protocolo. "O diagnóstico de morte encefálica é um processo clínico", afirma Valadares. Os parentes são informados, mas a decisão médica é independente.
 

E SE O PROTOCOLO NÃO FOR CONCLUÍDO?
 

Um paciente pode estar em morte encefálica sem ter passado pelo protocolo, que é rigoroso e leva tempo. Mas esse cenário não se prolonga indefinidamente, diz Valadares. O cérebro é responsável por uma série de regulações do corpo, e a partir do momento em que ele para, o organismo tende a se desorganizar. Na maior parte dos casos, afirma, o coração também para em poucos dias.
 

Mesmo sem protocolo formal concluído, explicam os especialistas, um paciente nessa condição raramente permanece assim por semanas ou meses.
 

Depois que a morte encefálica é decretada, abre-se a questão da doação de órgãos. Se a família autorizar, o paciente é mantido com suporte para que os órgãos permaneçam viáveis para transplantes. Caso contrário, é feito o atestado de óbito e as medidas artificiais são retiradas.
 

"É importante ter clareza. A gente tem o desafio de comunicar isso para os familiares e é uma situação muito triste. Se uma família passa por isso, ela precisa estar segura que é um processo bem feito", diz o intensivista.

Ivana Bastos parabeniza médica brasileira por pesquisa inovadora para o tratamento de lesões na medula

  • Bahia Notícias
  • 20 Fev 2026
  • 16:45h

Foto: Reprodução / Faperj

A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Ivana Bastos (PSD), parabenizou a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio pelo desenvolvimento da Polilaminina, medicamento brasileiro experimental que já possibilitou a seis pacientes tetraplégicos a retomada de movimentos. A congratulação foi realizada por meio de moção protocolada nesta quinta-feira (19), a qual foi direcionada também a toda a equipe científica responsável pela pesquisa. 

 

“Esta singela iniciativa parlamentar tem por objetivo reconhecer e enaltecer a relevante contribuição científica da Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e a equipe científica que atua ao seu lado, pelo desenvolvimento da Polilaminina, inovação brasileira de grande relevância na área da medicina regenerativa”, escreveu a deputada.

 

A presidente da AL-BA ressaltou Tatiana como uma referência internacional na Medicina Regenerativa. Além disso, ela destacou a atuação da Polilaminina como um medicamento com “possibilidade concreta” de regeneração de movimentos em pacientes tetraplégicos. 

 

“A Dra. Tatiana Coelho de Sampaio é referência nacional e internacional na área de biologia celular e biologia da matriz extracelular, liderando pesquisas de alto impacto científico no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A Polilaminina atua como um verdadeiro ‘andaime molecular’, capaz de orientar o crescimento, a migração e a reconexão de neurônios, recriando condições semelhantes às observadas durante o desenvolvimento embrionário do sistema nervoso, período em que a capacidade regenerativa é naturalmente mais elevada”, disse.

 

“Estudos experimentais e pré-clínicos demonstraram resultados promissores, especialmente no contexto de lesões da medula espinhal, apontando para a possibilidade concreta de recuperação funcional, devolvendo esperança, dignidade e qualidade de vida a milhares de pessoas que convivem com sequelas neurológicas graves. Trata-se de uma descoberta com potencial transformador, capaz de impactar profundamente a prática médica e o futuro dos tratamentos neurológicos”, completou.

 

Ivana relembrou que a Bahia possui participação nos avanços da Polilaminina, com o estado recebendo a primeira aplicação do medicamento em janeiro deste ano. Segundo a presidente da AL-BA, ainda há a previsão de uma nova testagem do remédio em território baiano.

 

“Ressalte-se que a Bahia já integra, de forma concreta, esse avanço histórico, tendo sido realizada a primeira aplicação da Polilaminina em nosso estado na data de 13 de janeiro de 2026, fato que posiciona o território baiano como protagonista regional na etapa inicial de aplicação clínica dessa inovação científica. Há, ainda, nova aplicação prevista, reforçando a continuidade dos estudos”, contou Ivana.

 

Fim de patente do Ozempic gera batalha de lobbies no Congresso

  • Por Fábio Pupo | Folhapress
  • 26 Jan 2026
  • 16:40h

Foto: Caroline Morais/ Ministério da Saúde

A proximidade do fim da patente brasileira do Ozempic, remédio para diabetes que ganhou projeção global por ser usado para emagrecimento, deflagrou uma disputa entre grupos empresariais no Congresso Nacional. A atual fabricante defende um projeto de lei que pode prorrogar em cinco anos seus direitos sobre o produto, enquanto farmacêuticas nacionais querem barrar a iniciativa para produzir suas próprias versões.
 

A dinamarquesa Novo Nordisk, dona da patente da semaglutida —substância contida no Ozempic e no Wegovy (ambos nomes comerciais da fabricante)— obteve em 2024 uma receita líquida global de US$ 28 bilhões com os dois medicamentos. A patente expira em março no Brasil, mas a empresa afirma que atrasos do Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) na análise do pedido justificam uma prorrogação.
 

De acordo com a companhia, o órgão responsável pela análise de patentes teria permanecido em estado de inércia no processo por quase oito anos. O pedido inicial da empresa foi feito em março de 2006 e o registro foi concedido 13 anos depois, em março de 2019.
 

A empresa levou a argumentação à Justiça, mas o Superior Tribunal de Justiça barrou o pleito em novembro. A decisão manteve a data original do vencimento para março e abriu espaço para a entrada de versões mais baratas.
 

Agora, a empresa tenta mudar a situação no Congresso defendendo uma alteração na legislação. O tema está sendo discutido principalmente por meio do projeto 5810/2025, que prevê prorrogação de até cinco anos no prazo de patentes "sempre que houver comprovado atraso" cuja responsabilidade não seja da parte interessada.
 

Um dos autores da proposta é o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). Em sua justificativa, ele afirma que tem como objetivo preencher o vácuo legal criado por uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2021, que declarou inconstitucional a previsão legal anterior, de garantia mínima de sete a dez anos para patentes após a concessão do registro e que abria a possibilidade de ressalvas em caso de atraso do Inpi.
 

"Desde então, a ausência de instrumento legal para compensar atrasos injustificados do Inpi compromete a segurança jurídica, a previsibilidade e o ambiente de investimentos em pesquisa e desenvolvimento", afirma o parlamentar na justificativa do projeto. "Ressaltamos a importância deste aperfeiçoamento legal para garantir maior segurança jurídica, promovendo clareza, previsibilidade e confiança para todos os envolvidos", diz.
 

A proposta do parlamentar recebeu um requerimento de urgência assinado por deputados como Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL (principal bancada da Câmara), e Doutor Luizinho (RJ), líder do PP (partido com quarta maior representatividade na Casa). Caso aprovado o pedido, o texto poderia ir direto ao plenário, sem passar por comissões nem audiências públicas.
 

No fim de dezembro, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou o projeto a duas comissões (de Indústria e de Constituição e Justiça), abrindo caminho para que elas tenham apreciação conclusiva –quando não precisam passar por discussão em plenário.
 

Adriana Diaféria, vice-presidente do Grupo FarmaBrasil –associação que reúne fabricantes nacionais, interessadas em versões genéricas–, diz que o movimento na Câmara ocorre após o esgotamento das tentativas judiciais de reverter o entendimento do STF. "A grande preocupação agora é justamente o Congresso", afirma.
 

Uma das principais interessadas em oferecer um genérico do Ozempic é a EMS, mas há uma série de outros pedidos para fabricar canetas emagrecedoras na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
 

O Grupo FarmaBrasil aposta em um argumento específico para tentar convencer o Congresso a não aprovar o projeto. Seria o efeito que ele teria sobre uma série de outros medicamentos, inclusive de alto custo, para a população em geral e para o SUS (Sistema Único de Saúde).
 

"A garantia de uma extensão de exclusividade impede que os concorrentes possam trazer as versões genéricas para o mercado, que têm um preço muito mais acessível", diz Diaféria. "Quem vai ser prejudicado com essa medida vai ser diretamente a população e o próprio SUS, que já está com o seu orçamento absolutamente estourado".
 

As fabricantes nacionais apontam que outros produtos com patentes próximas do vencimento também poderiam ser beneficiados, incluindo medicamentos usados no tratamento de câncer e doenças autoimunes.
 

Além do projeto 5810/2025, há propostas semelhantes em tramitação no Senado e outros projetos mais antigos que tentam reintroduzir, por via legislativa, mecanismos de ajuste no prazo de patentes. Para Diaféria, o movimento é coordenado.
 

Em nota, a Novo Nordisk complementou que o projeto de lei "representa um passo importante para o fortalecimento do ambiente de inovação no Brasil". Segundo a farmacêutica, a proposta enfrenta o problema da ausência de mecanismos legais para lidar com atrasos injustificados do Estado na análise de patentes.
 

"O projeto não cria privilégios nem amplia direitos de forma automática. Ele propõe um mecanismo técnico já adotado internacionalmente, que apenas recompõe o tempo perdido quando a demora no processo de avaliação de patentes é atribuível exclusivamente ao próprio Estado. Trata-se de alinhar o Brasil às melhores práticas globais e garantir regras claras, estáveis e previsíveis", diz a empresa dinamarquesa.
 

O Inpi contesta o argumento da dinamarquesa, dizendo que a Lei da Propriedade Industrial (9.279/1996) prevê a proteção desde a data de solicitação da empresa. O titular pode usar o direito e, após a concessão por parte do Inpi, buscar indenização por eventuais usos indevidos retroativamente à data do pedido.
 

"O entendimento do Inpi, contrário à prorrogação da vigência das patentes, está consolidado na jurisprudência brasileira, com mais de 30 decisões judiciais favoráveis ao instituto em casos semelhantes, inclusive do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal", afirma o órgão, em nota.
 

A Novo Nordisk, por sua vez, diz que a patente, e não o pedido, é o instrumento que confere proteção efetiva ao titular. Além disso, defende que a indenização pode não sanar totalmente o eventual dano causado.
 

A empresa ressalta um ponto da lei que faz prescrever a ação de reparo do dano em cinco anos. "Mesmo que o titular ingresse com uma ação logo após a concessão de sua patente, só poderia buscar compensação pelos danos ocorridos nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da demanda", diz a companhia.
 

Saiba mais sobre a patente do Ozempic
 

Cronologia
 

- 20 de março de 2006: Pedido da Novo Nordisk no Inpi
 

- 26 de março de 2019: Deferimento por parte do Inpi
 

Fim da patente no mundo
 

- Brasil: 2026
 

- China: 2026
 

- Japão: 2031
 

- Europa: 2031
 

- Estados Unidos: 2032
 

Fonte: Novo Nordisk.

 

Uso prolongado de melatonina pode aumentar risco de insuficiência cardíaca, diz estudo

  • Por Luísa Monte | Folhapress
  • 04 Nov 2025
  • 14:44h

Foto: American Heart Association

O uso prolongado de melatonina foi associado a um risco maior de insuficiência cardíaca, hospitalização e morte em pessoas com insônia crônica, de acordo com um estudo preliminar apresentado nesta segunda-feira (3) no congresso anual da American Heart Association.
 

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal que sinaliza ao corpo o período escuro do dia, iniciando o processo que promove o sono. Suplementos (versões sintéticas quimicamente idênticas do hormônio) são frequentemente usados para tratar insônia, que é a dificuldade de adormecer ou permanecer dormindo.
 

Suplementos de melatonina podem ser comprados sem receita médica em muitos países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos. Agora, os resultados apresentados nesta segunda levantam preocupações em relação à segurança, para o coração, do uso prolongado da substância.
 

"Os suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos como comumente se presume. Se nosso estudo for confirmado, isso poderá afetar como os médicos aconselham os pacientes sobre indutores do sono", afirma Ekenedilichukwu Nnadi, autor principal do estudo.
 

Os pesquisadores usaram um banco de dados internacional (TriNetX) com informações de 130.828 adultos com insônia crônica. Eles foram divididos em dois grupos de controle e analisados em pares.
 

Pessoas que haviam usado melatonina no longo prazo (durante um ano ou mais) fizeram parte do "grupo melatonina". Aqueles que nunca tiveram melatonina registrada em seus registros médicos foram classificados como o "grupo não melatonina".
 

Pessoas que tivessem sido previamente diagnosticadas com insuficiência cardíaca ou recebido prescrição de outros medicamentos para dormir foram excluídas da análise.
 

O estudo mostrou que, entre adultos com insônia, aqueles que tiveram uso prolongado de melatonina tiveram uma chance 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca ao longo de cinco anos (4,6% de chance), em comparação com não usuários (2,7% de chance).
 

Em países onde é necessário prescrição médica, como Reino Unido, pessoas que tiveram ao menos duas prescrições de melatonina com pelo menos 90 dias de intervalo tiveram chance de insuficiência cardíaca 82% maior do que aquelas que não receberam receita.
 

Os participantes que tomavam melatonina tiveram uma probabilidade três vezes maior de serem hospitalizados por insuficiência cardíaca, quando comparados àqueles que não tomavam o suplemento (19% e 6,6%, respectivamente).
 

Ainda segundo o estudo, participantes do grupo melatonina tiveram quase duas vezes mais chances de morrer por qualquer causa do que aqueles no grupo sem melatonina (7,8% e 4,3%, respectivamente) durante o período de cinco anos.
 

Embora tenha encontrado uma associação, o estudo não conseguiu estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o uso prolongado da melatonina e os riscos cardiovasculares. "Isso significa que são necessárias mais pesquisas que testem a segurança da melatonina para o coração", diz Nnadi.
 

Além disso, a pesquisa tem várias limitações. O banco de dados inclui países que exigem receita médica para melatonina e países que não exigem. Como o uso de melatonina no estudo foi baseado em registros de medicação no prontuário eletrônico, todos que a tomavam como suplemento sem receita teriam sido incluídos no grupo sem melatonina; portanto, as análises podem não refletir isso com precisão.
 

Para Nhadi, a conclusão não é que a melatonina seja ruim e que todos devam parar de tomá-la, mas sim de que "não devemos presumir que algo não oferece riscos apenas porque é natural ou vendido sem receita médica".
 

É SEGURO TOMAR MELATONINA?

 

Lucio Huebra, neurologista membro da Academia Brasileira do Sono, diz que a melatonina normalmente é bem tolerada, com estudos mostrando baixa toxicidade, sem evidências de dependência, tolerância ou abstinência.
 

Segundo o médico, os efeitos adversos mais comuns são:
 

- Sonolência matinal
 

- Tontura
 

- Cefaleia
 

- Náusea
 

- Interferência no ritmo circadiano, especialmente se tomada em horários indevidos
 

O uso da melatonina e de outros indutores do sono, contudo, não é indicado para qualquer indivíduo, pois a grande maioria da população tem sua produção saudável.
 

Casos para os quais a melatonina é indicada:
 

- Indivíduos com diagnóstico de distúrbios do ritmo circadiano, como atraso de fase do sono
 

- Tratamento do jet lag
 

- Tratamento de irregularidade do ritmo circadiano em cegos
 

- Controle dos sintomas de algumas parassonias, como o transtorno comportamental do sono REM
 

Ainda assim, a melatonina não é o tratamento inicial indicado para transtorno de insônia crônica no Brasil.
 

A Academia Brasileira do Sono, como outras sociedades internacionais, indica medidas comportamentais, como higiene do sono e terapias psicológicas. Para casos em que o tratamento não funciona é indicado o uso de indutores do sono por períodos curtos, na menor dose possível, segundo Huebra.

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Anvisa aprova uso do Mounjaro para apneia do sono em casos de obesidade

  • Por Folhapress
  • 21 Out 2025
  • 16:04h

Foto: Divulgação/Bahia Notícias

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o uso do Mounjaro para o tratamento da apneia do sono em adultos com obesidade. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (20) no Diário Oficial da União.
 

A apneia obstrutiva do sono é uma condição que ocorre quando os músculos da garganta se estreitam durante o sono, levando a pausas temporárias na respiração que podem fazer as pessoas roncarem e acordarem sobressaltadas, com falta de ar.
 

Se não tratada, a apneia do sono pode aumentar o risco de doenças graves, como pressão alta, diabetes tipo 2, ataque cardíaco e derrame.
 

Ensaios clínicos já haviam mostrado que a tirzepatida, que está na mesma classe de medicamentos que o Ozempic e é vendida comercialmente como Mounjaro e Zepbound, melhorou significativamente os sintomas da apneia do sono obstrutiva em pessoas com obesidade.
 

O Mounjaro foi aprovado pela Anvisa neste ano para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 2, com sobrepeso com comorbidades e com obesidade.
 

Existem atualmente três medicações injetáveis aprovadas no Brasil para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2: a liraglutida (uso diário), a semaglutida e a tirzepatida (ambas de uso semanal) -comercializadas em diferentes dosagens, preços e nomes, como Saxenda, Olire, Wegovy, Ozempic e Mounjaro.

Estudo aponta que bebidas diet podem causar mais danos ao fígado do que as versões com açúcar

  • Bahia Notícias
  • 13 Out 2025
  • 12:42h

Foto: Reprodução/ Freepik

Um estudo apresentado na UEG Week 2025, principal congresso europeu sobre gastroenterologia, apontou que o consumo de bebidas adoçadas artificialmente — como refrigerantes “diet” ou “zero” — pode estar mais associado a problemas no fígado do que as versões com açúcar comum.

 

A pesquisa acompanhou mais de 123 mil pessoas do banco de dados britânico UK Biobank por cerca de 10 anos. Nenhum dos participantes tinha histórico de doenças hepáticas no início do estudo.

 

De acordo com os resultados, quem consumia mais de 250 gramas por dia de bebidas com adoçantes artificiais — o equivalente a uma lata — teve um risco 60% maior de desenvolver doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, condição que pode evoluir para cirrose e câncer de fígado. No grupo que consumia bebidas adoçadas com açúcar, o aumento de risco foi de cerca de 50%.

 

Durante o período de acompanhamento, 1.178 participantes desenvolveram a doença hepática gordurosa e 108 morreram por causas relacionadas ao fígado. Segundo os pesquisadores, apenas as bebidas diet apresentaram relação com mortes por doenças hepáticas, o que chamou atenção.

 

Ambos os tipos de bebida foram associados ao acúmulo de gordura no fígado. Quando os pesquisadores simularam a substituição de refrigerantes por água, houve uma redução no risco de desenvolver a doença: 12,8% no caso das bebidas com açúcar e 15,2% no caso das diet. No entanto, trocar uma pela outra não demonstrou nenhum benefício.

 

Os autores do estudo afirmam que os adoçantes artificiais podem interferir em processos metabólicos e na composição da microbiota intestinal, o que pode explicar os efeitos negativos mesmo na ausência de açúcar.

 

“Esses achados desafiam a percepção de que as versões ‘sem açúcar’ são automaticamente mais seguras. É necessário cautela e novos estudos para entender os efeitos metabólicos dos adoçantes artificiais”, alertam os pesquisadores.

Cientistas brasileiros criam medicamentos com proteínas da placenta para pessoas tetraplégicas

  • Bahia Notícias
  • 11 Set 2025
  • 10:22h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

Uma equipe de brasileiros descobriu que é possível reverter parte da mobilidade prejudicada por uma lesão na medula espinhal com uma proteína presente na placenta, a laminina. O tratamento está em fase experimental, mas já conseguiu mostrar eficácia.

 

O bancário Bruno Drummond de Freitas e outros participantes do estudo receberam um medicamento, polilaminina, criado a partir da proteína laminina. O bancário conseguiu ter a recuperação completa dos movimentos, após realizar o tratamento 24 após um acidente de carro que lesionou parte da medula espinhal. 

 

“No início, os médicos disseram que eu ficaria em cadeira de rodas para o resto da vida. Depois, que talvez conseguisse andar com muletas. Mas eu nunca perdi a esperança. Um dia, ainda no hospital, mexi o dedão do pé e aquilo foi um choque para todo mundo. A cada semana, eu evoluía mais”, relembra ele. 

 

A pesquisa foi liderada pela professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, e acabou contando com outros pesquisadores e especialistas. 

Wegovy e Ozempic: OMS inclui semaglutida em lista de medicamentos essenciais pela 1ª vez

  • Bahia Notícias
  • 06 Set 2025
  • 12:47h

Foto: Reprodução / Diário do Nordeste

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu pela primeira vez os medicamentos análogos ao GLP-1 — como a semaglutida, presente no Ozempic, e a liraglutida — em sua Lista Modelo de Medicamentos Essenciais, divulgada nesta sexta-feira (5).

 

A recomendação, no entanto, é restrita ao tratamento de adultos com diabetes tipo 2 que apresentem comorbidades, como doença cardiovascular, doença renal crônica ou obesidade.

 

A lista, atualizada a cada dois anos desde 1977, serve como referência para mais de 150 países na definição de tratamentos prioritários. Nesta edição, o comitê avaliou 59 propostas de inclusão, alteração ou exclusão de medicamentos.

 

De acordo com o Metrópoles, os agonistas de GLP-1 apresentaram benefícios relevantes, como melhor controle glicêmico, redução do risco de eventos cardiovasculares e desaceleração da progressão da doença renal crônica.

 

Por outro lado, o uso para tratar exclusivamente a obesidade em pessoas sem outras comorbidades não foi recomendado. O comitê apontou que ainda faltam evidências suficientes sobre impactos em desfechos clínicos importantes — como mortalidade e segurança a longo prazo — nesse grupo de pacientes.

 

Os especialistas também destacaram que, embora haja algum benefício em pessoas com obesidade, a magnitude dos efeitos é mais significativa e consistente entre pacientes com diabetes tipo 2.

 

Outro ponto levantado foi o custo elevado desses medicamentos. A OMS, porém, avalia que a iminente expiração das patentes da semaglutida e da liraglutida pode estimular a entrada de biossimilares no mercado, aumentando a concorrência e reduzindo preços.

Planos de saúde passam a custear contraceptivo Implanon; produto tem mais de 99% de eficácia

  • Bahia Notícias
  • 03 Set 2025
  • 16:14h

Foto: Adobe Stock / Reprodução G1

Planos de saúde de todo o Brasil passaram a cobrir a oferta do contraceptivo Implanon para mulheres de 18 a 49 anos. A medida foi iniciada nesta segunda-feira (1º) após aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), no último dia 8. 

 

A decisão chegou após o Ministério da Saúde anunciar a oferta do produto na rede pública de saúde. A pasta tem a expectativa de distribuir 1,8 milhão de implantes por meio do SUS até 2026 e 500 mil apenas neste ano. 

 

Segundo O GLOBO, o produto, fabricado pela empresa Organon, custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. O Governo Federal vai investir R$ 245 milhões.

 

O Implanon é indicado para prevenir a gravidez indesejada. O item é um pequeno bastão de plástico flexível, de 4cm por 2mm de diâmetro, que contém 68 mg de etonogestrel. Ele é aplicado diretamente sob a pele, embaixo do braço, com anestesia local, exclusivamente por um médico ou enfermeiro especializado na técnica.

 

A empresa produtora do implante comunicou que a eficácia para evitar a gravidez é de 99,95%, a maior encontrada entre todos os métodos contraceptivos.

CFM libera ozonioterapia para dores e feridas, mas Anvisa ainda não aprovou aparelho

  • Por Vitor Hugo Batista | Folhapress
  • 03 Set 2025
  • 14:11h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O CFM (Conselho Federal de Medicina) publicou na sexta-feira (29) uma resolução autorizando o uso da ozonioterapia para o tratamento de seis condições de feridas e dores musculoesqueléticas.
 

A ozonioterapia é um procedimento terapêutico que aplica uma mistura de oxigênio e ozônio nos pacientes por via endovenosa, retal, intra-articular, local ou intramuscular. A prática depende do uso de um aparelho gerador de ozônio. No entanto, esse equipamento não é aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para as condições que o CFM autorizou. Atualmente, o aparelho está liberado pela agência apenas para finalidades odontológicas e estéticas.
 

De acordo com a resolução do CFM, a ozonioterapia está autorizada como terapia médica adjuvante para tratar úlceras de pé diabético, úlceras arteriais isquêmicas, feridas infecciosas agudas e úlceras venosas crônicas. Já para dores musculoesqueléticas, seu uso é permitido na osteoartrite de joelho e na dor lombar decorrente de hérnia de disco.
 

Mas, segundo a Anvisa, até o momento, os únicos equipamentos regularizados pela agência para uso da ozonioterapia são para fins de dentística, periodontia, endodontia, cirurgia odontológica e limpeza e assepsia da pele, cuja segurança e eficácia já foram comprovados, e não para aplicações médicas em pacientes.
 

Segundo o CFM, a regulamentação da ozonioterapia ocorre no contexto da lei federal 14.648 de 2023, que autorizou o procedimento como complementar em todo o país, deixando a cargo dos conselhos profissionais a normatização do uso.
 

Mas a própria lei afirma que "a ozonioterapia somente poderá ser aplicada por meio de equipamento de produção de ozônio medicinal devidamente regularizado pela Anvisa ou órgão que a substitua".
 

A Anvisa afirmou que, desde 2023, não recebeu solicitações para regularização de dispositivos médicos que incluam novas indicações para ozonioterapia além das cinco já aprovadas.
 

"Assim, para que dispositivos médicos que utilizam ozônio possam ser utilizados para finalidade médica, é necessário que novas submissões de registro ou alterações de registro com novas indicações de uso sejam realizadas pelas empresas interessadas, apresentando evidências científicas robustas, de forma a comprovar a sua eficácia clínica para cada indicação de uso pleiteada", afirmou a Anvisa por meio de nota.
 

Em 2022, a Anvisa já havia publicado uma nota técnica destacando que "o ozônio é um gás com forte poder oxidante e bactericida" e que, devido a estas características, "é utilizado para fins odontológicos e estéticos, não havendo, até o momento, nenhuma evidência científica significativa de que haja outras aplicações médicas para a utilização de tal substância nas modalidades de ozonioterapia aplicada em pacientes".
 

A nota daquele ano alerta ainda para os riscos à saúde decorrentes do uso indiscriminado dessa tecnologia fora das indicações clinicamente comprovadas.
 

Em nota publicada em seu site oficial, o CFM destaca que o uso da ozonioterapia segue critérios claros, "com base em evidência científica atualizada, análise da relação benefício-dano e foco na segurança do paciente". A norma do conselho proíbe o uso da ozonioterapia para o tratamento de cânceres.
 

O CFM afirma também que a decisão é baseada em estudos clínicos randomizados recentes e metodologicamente aceitáveis, que buscam proteger o paciente e evitar o uso indiscriminado da ozonioterapia fora dessas indicações validadas.
 

A nota enfatiza ainda que a ozonioterapia não deve ser primeira escolha, mas um complemento após avaliação médica.
 

As sociedades médicas têm posicionamentos distintos em relação à autorização do CFM para o uso da ozonioterapia.
 

A ABOZ (Associação Brasileira de Ozonioterapia) comemorou o reconhecimento da ozonioterapia como prática médica complementar pelo CFM, destacando a importância do marco para ampliar terapias seguras e eficazes no Brasil.
 

Para a associação, a decisão abre um novo capítulo para ampliar o acesso com qualidade e embasamento científico.
 

A SBED (Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor) também recebeu a medida de forma positiva, ressaltando que a técnica já é amplamente utilizada por diversos profissionais da saúde que não são médicos, como fisioterapeutas, odontólogos e farmacêuticos, e que a liberação para os médicos era o que faltava.
 

A SBED destaca ainda que a ozonioterapia conta com "excelentes resultados e com larga experiência nacional desde 1975".
 

Por outro lado, a SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) disse que não foi consultada pelo CFM durante a elaboração da resolução e que sua comissão científica está atualmente analisando o tema para, eventualmente, emitir um posicionamento oficial.
 

A AMB (Associação Médica Brasileira) manifestou cautela em relação à recente resolução do CFM, afirmando que o tema precisa ser melhor avaliado, o que demanda tempo para uma análise aprofundada antes de qualquer posicionamento definitivo.
 

Já a SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia) afirmou que o assunto não está dentro do escopo de atuação da entidade, apesar da resolução do CFM mencionar a dor lombar da hérnia discal, que tem relação com o sistema neurológico.
 

A SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) fez uma avaliação cautelosa sobre o uso da ozonioterapia para o tratamento de úlceras nos pés em pessoas com diabetes, destacando que ainda não há evidências robustas e consistentes sobre o tema.
 

A reportagem também pediu posicionamento para a SBCJ (Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho), mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Estudo aponta que ibuprofeno e paracetamol podem aumentar resistência a antibióticos

  • Bahia Notícias
  • 28 Ago 2025
  • 16:37h

Foto: Arquivo / Agência Brasil

Medicamentos populares utilizados pelos brasileiros como anti-inflamatórios e analgésicos foram associados à resistência a remédios antibióticos por uma pesquisa da Universidade do Sul da Austrália (UniSA). O ibuprofeno e o paracetamol são citados no levantamento com outros sete medicamentos, que variam entre remédios para tratamento de pressão alta, redução de colesterol, problemas de sono, diabetes e congestionamento nasal

 

No primeiro estudo desse tipo, pesquisadores descobriram que o ibuprofeno e o paracetamol não apenas aumentam a resistência aos antibióticos quando usados individualmente, mas também a amplificam quando usados juntos.

 

Os pesquisadores avaliaram a interação de medicamentos não antibióticos, o antibiótico de amplo espectro ciprofloxacino e a Escherichia coli (E. coli) — uma bactéria comum que causa infecções intestinais e do trato urinário — e descobriram que o ibuprofeno e o paracetamol aumentaram significativamente as mutações bacterianas, tornando a E. coli altamente resistente ao antibiótico.

 

A pesquisadora principal, professora associada da UniSA, Rietie Venter, diz que as descobertas levantam questões importantes sobre os riscos da polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos), principalmente no atendimento a idosos, onde muitas vezes vários remédios são administrados regularmente.

 

“Os antibióticos são vitais há muito tempo no tratamento de doenças infecciosas, mas seu uso excessivo e incorreto generalizado levou a um aumento global de bactérias resistentes. Isso é especialmente prevalente em instalações residenciais de cuidados para idosos, onde eles têm maior probabilidade de receber prescrição de vários medicamentos, tornando-se um ambiente ideal para a proliferação de bactérias intestinais resistentes a antibióticos”, explica Venter.

 

De acordo com reportagem do “O Globo”, os pesquisadores revelaram que quando as bactérias foram expostas à ciprofloxacina juntamente com ibuprofeno e paracetamol, desenvolveram mais mutações genéticas do que com o antibiótico isolado, o que as ajudou a crescer mais rápido e a se tornarem altamente resistentes.

 

Preocupantemente, as bactérias não só se mostraram resistentes ao antibiótico ciprofloxacina, como também foi observada uma resistência aumentada a vários outros antibióticos de diferentes classes.

 

O estudo avaliou nove medicamentos comumente usados em cuidados residenciais para idosos: ibuprofeno (analgésico anti-inflamatório), diclofenaco (anti-inflamatório para tratar artrite), acetaminofeno (paracetamol para dor e febre), furosemida (para tratar pressão alta), metformina (para tratar altos níveis de açúcar associados ao diabetes), atorvastatina (ajuda a reduzir o colesterol e as gorduras no sangue), tramadol (analgésico mais forte após a cirurgia), temazepam (usado para tratar problemas de sono) e pseudoefedrina (descongestionante).

SUS vai oferecer dois novos tratamentos de endometriose em 2025

  • Bahia Notícias
  • 10 Jul 2025
  • 16:50h

Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

O Ministério da Saúde informou que as pacientes em tratamento de endometriose vão contar com duas novas opções de tratamento de base hormonal no Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda em 2025, o Dispositivo Intrauterino Liberador de Levonogestrel (DIU-LNG) e o desogestrel serão incorporados à rede de saúde pública de todo o Brasil. 

Nas mulheres que têm a doença, o tecido semelhante ao endométrio (que reveste o útero) cresce fora do útero em órgãos como ovários, intestino e bexiga, o que causa reações inflamatórias. Cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, infertilidade e queixas intestinais e urinárias com padrão cíclico estão entre os principais sintomas da endometriose.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo todo, representando mais de 190 milhões de pessoas. No Brasil, o SUS registrou mais de 53.793 atendimentos especializados em 2024. 

O Ministério deu mais detalhes sobre os novos tratamentos. O DIU-LNG, que pode ser conhecido pelas marcas mais conhecidas como Mirena ou Kyleena, suprime o crescimento do tecido endometrial fora do útero, sendo uma opção para mulheres com contraindicação ao uso de contraceptivos orais combinados (COCs). A nova tecnologia pode melhorar a qualidade de vida das pacientes, uma vez que sua troca só é requerida a cada cinco anos, o que contribui para aumentar a adesão ao tratamento. 

Já o desogestrel é um anticoncepcional hormonal que atua principalmente inibindo a ovulação, que pode reduzir a dor e dificultar a progressão da doença. Ele age bloqueando a atividade hormonal, que impede o crescimento do endométrio fora do útero. Esse medicamento poderá ser usado como primeira linha de tratamento, ou seja, pode ser prescrito já na avaliação clínica até que o diagnóstico se confirme por meio de exames. 

O DIU-LNG e o desogestrel foram incorporados pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria SECTICS/MS N° 41/2025 e da Portaria SECTICS/MS N° 43/2025. Na rede pública de saúde, as pacientes já contam com tratamento clínico e cirúrgico.  

No primeiro caso, é ofertada terapia hormonal, como o uso de progestágenos e medicamentos hormonais, como contraceptivos orais combinados (COCs) e análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH). Além disso, analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para controle da dor. Vale destacar que as mulheres também contam com acompanhamento multidisciplinar. 

Nos casos em que a cirurgia é indicada, estão disponíveis procedimentos como videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva para a remoção de focos de endometriose, também usada para diagnóstico quando necessário; a laparotomia, cirurgia aberta para casos mais complexos; e a histerectomia, que consiste na remoção do útero, sendo recomendada apenas em situações específicas e após avaliação criteriosa. 

Bebês de 1 ano terão reforço contra meningite com vacina mais completa

  • Por Folhapress
  • 30 Jun 2025
  • 14:40h

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O Ministério da Saúde ampliou a oferta da vacina meningocócica ACWY no SUS (Sistema Único de Saúde) para crianças de 1 ano.
 

O esquema vacinal inclui duas doses da vacina meningocócica C, aplicadas aos três e cinco meses, e um reforço aos 12 meses. A partir desta terça (1º), esse reforço passará a ser feito com a vacina ACWY, que oferece proteção ampliada contra os sorogrupos da bactéria causadora da meningite.
 

Crianças que já tomaram as duas doses da vacina meningocócica C e a dose de reforço não precisam receber a ACWY neste momento. Já aquelas que não foram vacinadas aos 12 meses poderão receber a dose de reforço com a ACWY.
 

No ano passado, o Ministério da Saúde lançou as Diretrizes para o Enfrentamento das Meningites até 2030, elaboradas em parceria com a sociedade civil e com organismos nacionais e internacionais. O documento está alinhado ao esforço global conduzido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para o combate à meningite bacteriana.
 

No SUS, a vacina meningocócica ACWY era ofertada a adolescentes de 11 a 14 anos, em dose única ou como reforço, conforme o histórico vacinal.
 

O Brasil registra em 2025, até o momento, 4.406 casos confirmados de meningite, sendo 1.731 do tipo bacteriana e 1.584 do tipo viral, além outras 1.091 por causas ou tipos não identificados.
 

Outras vacinas disponíveis no SUS, como BCG, penta e pneumocócicas (10, 13 e 23-valente) também ajudam a proteger contra formas de meningite.
 

A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal.
 

Pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas, mas também pode ter origem não infecciosa, como em casos de câncer (com metástase nas meninges), lúpus, reações a medicamentos, traumatismos cranianos ou cirurgias cerebrais.
 

No Brasil, a doença é endêmica. As meningites bacterianas são mais frequentes no outono e no inverno, enquanto as virais predominam na primavera e no verão.
 

Em geral, a transmissão ocorre de pessoa para pessoa, pelas vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Também ocorre por via fecal-oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes.

Taxa de evasão da 2ª dose da tríplice viral passa de 50% em 14 estados, diz relatório

  • Por Cláudia Collucci | Folhapress
  • 17 Jun 2025
  • 12:38h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A taxa de evasão entre a primeira e a segunda dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) ultrapassa os 50% em 14 estados brasileiros, entre eles Acre, Pará, Amapá, Maranhão e Mato Grosso do Sul, o que compromete a efetividade da imunização e aumenta o risco de reintrodução de doenças controladas.
 

O abandono também afeta vacinas como a pneumocócica e a rotavírus, o que dificulta o cumprimento das metas mesmo onde as primeiras doses tiveram boa cobertura.
 

Esses são alguns dos achados do Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo IQC (Instituto Questão de Ciência) com apoio da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e parceria do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), lançado nesta terça (17).
 

O relatório analisa doses aplicadas, taxa de abandono e cobertura da vacinação infantil e da vacina HPV para adolescentes, a partir do cruzamento de bancos públicos de vacinação com dados populacionais e de nascidos vivos. A proposta é dar transparência e acessibilidade a essas informações.
 

As disparidades regionais e municipais ainda preocupam muito, segundo o documento. Mesmo quando a média estadual é satisfatória, há uma variação grande entre os municípios, que apresentam coberturas vacinais muito diferentes ainda que sejam vizinhos.
 

"Se a gente pega municípios do Brasil por taxa de sucesso [da tríplice vira], só um punhadinho está com a cobertura adequada. E estamos vendo surtos de sarampo na América do Norte e casos ressurgindo por aqui", diz Paulo Almeida, diretor executivo do IQC e coordenador do relatório.
 

Neste ano, o Brasil voltou a apresentar casos de sarampo autóctones (com transmissão no país), após quase três anos sem registros. Em março, foram notificados dois casos em São João de Meriti, no Rio de Janeiro. Em abril, São Paulo registrou o seu primeiro caso autóctone.
 

De acordo com análise uma epidemiológica que integra o anuário, as tentativas de contenção do sarampo por meio de campanhas pontuais ou nacional nos últimos anos em geral não obtiveram adequada adesão da população e é fundamental desenvolver estratégias locais para resgate dos não vacinados.
 

Entre as ações sugeridas estão horário estendido de vacinação, abertura de postos de imunização nos finais de semana, vacinação casa a casa em localidades de difícil acesso e postos volante em áreas desassistidas de postos de vacinação.
 

Segundo Paulo Almeida, em conversas com gestores municipais e estaduais foi observado que o problema muitas vezes está na falta de ferramentas de diagnóstico da situação vacinal. "Falta orçamento, falta muita coisa."
 

Ele afirma que parte do interesse na construção da plataforma VacinaBR foi agregar esse dados compilados. "Pode permitir que gestores consigam ter um horizonte de onde investigar e entender qual imunizante está em condição pior."
 

Almeida diz que a proposta do anuário é fazer o que o Atlas da Violência faz na segurança pública. "Levantar dados, dar clareza e disponibilidade. E garantir para que não haja competição com o Ministério da Saúde em relação a isso."
 

O estudo considera dados entre 2000 e 2023. A partir de 2015, o país apresentou uma queda contínua e generalizada nas coberturas vacinais infantis, intensificada em alguns casos após a pandemia de Covid.
 

O relatório mostra que, em termos populacionais, apesar da recuperação observada em 2023, 80% ou mais da população brasileira ainda vivia em municípios que não atingiram as metas de cobertura vacinal para a maioria das vacinas analisadas individualmente.
 

Em nota, o Ministério da Saúde diz que reverteu a tendência de queda nas coberturas vacinais após quase uma década de retrocesso. Afirma que, em 2023 e em 2024, 13 das 16 vacinas recomendadas para o público infantil apresentaram aumento de cobertura. A tríplice viral, segundo a pasta, ultrapassou a meta de 95% de cobertura nacional.
 

"Em 2024, o Brasil saiu da lista dos 20 países com mais crianças não vacinadas no mundo (zero-dose) -até 2022, o país ocupava o 7º lugar no ranking mundial. Além disso, recebeu a recertificação de país livre do sarampo, conquista possível graças ao avanço da vacinação."
 

De acordo com o ministério, os resultados alcançados se devem ao fortalecimento do PNI (Programa Nacional de Imunizações) a partir de 2023, ao enfrentamento ao negacionismo, à retomada das grandes mobilizações nacionais, como o Dia D de Vacinação, e a vacinação nas escolas, além da garantia do abastecimento de imunizantes em todo o país.
 

A pasta afirma também que, para incentivar a vacinação nos estados e municípios, destinou um repasse extra de R$ 150 milhões por ano para fortalecer as ações regionais, adaptadas às realidades locais.
 

Um estudo da CNM (Confederação Nacional de Municípios) realizado no mês passado mostrou, porém, que o país segue com um problema de desabastecimento de imunizantes: 33,7% dos 1.490 municípios brasileiros pesquisados alegam enfrentar falta de vacinas.
 

Segundo Paulo Almeida, os dados de vacinação de 2024 não foram incluídos no relatório porque houve conflito de informações de doses aplicadas nas bases de dados do Ministério da Saúde e não haveria tempo hábil para ajustá-las até o fechamento do anuário.
 

"De fato existe um retrato melhor em 2024 do que em 2023, mas a gente continua com uma situação muito complicada nos rincões do Brasil em relação à taxa de cobertura e de pessoas que não tomam todas as doses", afirma.
 

Ele explica que, a partir da ferramenta, será possível entender um pouco mais a dinâmica desses municípios, o que possibilitará diferentes estratégias de enfrentamento.
 

Em outra análise que integra o anuário, a enfermeira sanitarista Antonia Maria da Silva Teixeira diz que o cenário desafiador para a vacinação infantil é evidenciado por mecanismos de avaliação internos do próprio governo federal.
 

Ela cita o Programa de Qualificação das Ações de Vigilância em Saúde, que oferece incentivos financeiros aos entes federativos por objetivos atingidos. Em 2023, menos de um terço dos municípios (32%) tinha atingido o índice de 95% de cobertura de quatro vacinas para crianças com menos de um ano de idade: pentavalente (terceira dose), poliomielite (terceira dose), pneumocócica 10-valente (segunda dose), e, com um ano, a tríplice viral (primeira dose).
 

Para Luciana Phebo, chefe de saúde do Unicef no Brasil, após anos de queda na imunização infantil, o país tem avançado na retomada da cobertura vacinal, mas há desigualdades regionais e estruturais que precisam ser enfrentadas. "Ter um instrumento como esse é essencial para acompanhar os avanços alcançados e para embasar a construção de políticas públicas de imunização cada vez mais eficazes."