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Dólar abre em alta à espera de novos dados de emprego nos EUA

  • Por Júlia Galvão | Folhapress
  • 06 Nov 2026
  • 16:11h

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

O dólar abriu em leve alta nesta sexta-feira (6). Às 9h52, a moeda era cotada a R$ 5,502, alta de 0,27%, com investidores à espera de novos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. Os números podem influenciar as expectativas sobre os próximos passos do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) em relação aos juros na próxima reunião.

 

No cenário doméstico, os investidores seguem atentos a possíveis sinalizações sobre os rumos da política econômica do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente em relação à condução fiscal.
 

Na véspera (5), a moeda americana fechou a R$ 5,487, em alta de 0,68%, enquanto a Bolsa brasileira, por outro lado, recuou 0,81%, aos 166.191 pontos. O pregão foi marcado pela volatilidade e pela cautela dos investidores. O movimento pressionou ativos de mercados emergentes, como a Bolsa brasileira e o real.
 

A cautela foi motivada pelo temor de que o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e a maioria democrata no Congresso representem um freio aos investimentos em inteligência artificial. Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones registraram fortes quedas, em movimento que contaminou os mercados globais.
 

Nas última terça-feira (3), o Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso americano nas eleições de meio de mandato dos EUA. Com a apuração ainda em andamento, a oposição ao presidente Donald Trump havia obtido 251 das 435 cadeiras da Câmara, contra 155 dos republicanos. No Senado, os democratas já tinham garantido ao menos 54 dos 100 assentos.
 

A mudança na composição do Congresso repercutiu nos mercados diante do temor de que a maioria democrata altere o ritmo de expansão da infraestrutura de inteligência artificial. Integrantes do partido defendem medidas para conter os impactos da expansão dos data centers, o que pode elevar os custos das empresas e afetar novos projetos.
 

"Agora existe a possibilidade de que os anos de impulso do governo Trump para a expansão da IA sejam, de alguma forma, reduzidos, pois muitos aspectos do setor de IA foram ignorados pelo atual governo", afirma Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote Bank.
 

O S&P 500 recuou 4,16%, aos 7.368 pontos, enquanto o Dow Jones perdia 3,44%, aos 51.521 pontos. O Nasdaq registrou a maior baixa entre os indicadores, de 5,52%, aos 24.315 pontos
 

O movimento da tarde destoou do visto durante a manhã, quando investidores corrigiram parte das perdas recentes em meio à expectativa de um encontro entre Lula (PT) e economistas para discutir medidas de controle da trajetória da dívida pública brasileira.
 

Segundo noticiou a Folha de S.Paulo, o presidente Lula iniciou nesta quinta-feira (5) uma série de conversas com economistas e empresários de diferentes vertentes para discutir os rumos da política fiscal do governo, segundo apurou o jornal.
 

O primeiro encontro foi com nomes mais próximos do presidente. Lula recebeu o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o presidente do BNDES, Aloísio Mercadante, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
 

Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a prometer resultados melhores nas contas públicas para os próximos anos, mas não falou sobre medidas concretas.
 

No começo da semana, a possibilidade de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, ser apresentada ao presidente preocupou analistas. O Executivo negou que houvesse uma reunião prevista entre Lula e o economista.
 

Lara Resende defende há anos que o problema fiscal do Brasil está nos juros, e não nos gastos primários do governo, que excluem o pagamento de juros da dívida. Segundo ele, a Selic elevada faz os encargos da dívida crescerem em ritmo superior à capacidade de geração de riqueza do país, o que explicaria a trajetória do endividamento público.
 

A proposta envolveria a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por definir metas conjuntas para um horizonte de quatro a cinco anos. O Banco Central se comprometeria a manter a Selic entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do PIB, estimado em cerca de 5,5%. Como etapa inicial, a taxa seria reduzida gradualmente ao longo de 12 meses, até 7,5%, com uma margem de segurança de dois pontos percentuais em relação ao PIB potencial.
 

Investidores também repercutiram a decisão do Copom na véspera (4), quando o colegiado manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu o ciclo de cortes. Foi a primeira reunião após a reeleição de Lula. A decisão unânime veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas e foi justificada pelo aumento das incertezas, pela elevação das expectativas de inflação e pela desaceleração mais acentuada da atividade econômica.
 

O comitê retirou do comunicado a referência ao ciclo de flexibilização dos juros, sinalizando maior disposição para manter a taxa inalterada por algum tempo. Não indicou, porém, por quanto tempo pretende fazer isso nem deu pistas sobre os próximos passos.
 

A decisão ocorreu em meio à cautela dos investidores após a vitória de Lula. Na última semana, a Bolsa recuou 18%, na maior desvalorização desde 2020, enquanto o dólar subiu 9,18%, maior alta em 18 anos. Os juros futuros acumularam avanço superior a 2%.
 

A reação reflete o receio de que o governo não adote medidas suficientes para equilibrar as contas públicas. A perspectiva de continuidade de uma política fiscal expansionista eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores, pressiona os juros de longo prazo e pode encarecer o crédito para empresas e consumidores.
 

A alta do dólar também aumenta os custos de produção de empresas que dependem de insumos importados e pode dificultar a convergência da inflação à meta.
 

No primeiro Boletim Focus após a eleição, economistas elevaram as projeções para a inflação e a Selic. A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5,19% para 5,22%, enquanto a previsão para a taxa básica no fim do ano subiu de 13,25% para 13,5%. Para 2027, a projeção da Selic avançou de 11,75% para 12,5%.
 

"A desancoragem das expectativas de inflação puxa essas expectativas para cima. Inclusive, no horizonte relevante de atuação, que é o segundo trimestre de 2028. Isso significa que, para convergir para 3%, o Banco Central precisa se mostrar contracionista. Consequentemente, tem menos motivos para continuar cortando os juros se, no horizonte relevante de atuação, temos observado uma elevação das expectativas", diz Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research.
 

Para Leonel Oliveira Mattos, o cenário é de complexidade. "O Copom não mencionou que o descolamento das expectativas de inflação ganhou força principalmente após a reeleição de Lula. Ainda assim, o Comitê procura preservar sua credibilidade e sinalizar ao mercado financeiro e aos investidores que adotará uma postura mais conservadora sempre que houver uma deterioração significativa das expectativas inflacionárias".

Servidores têm salários zerados por greve, e decisão agrava conflito no IBGE, diz sindicato

  • Por Leonardo Vieceli | Folhapress
  • 06 Nov 2026
  • 14:11h

Foto: Reprodução / IBGE Notícias

Dezenas de servidores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foram surpreendidos pelo desconto integral na folha de pagamento dos dias nos quais estiveram em greve em agosto e setembro, afirmou a associação sindical que representa a categoria, a Assibge.

 

Conforme a entidade, a medida foi implementada sem acordo com os trabalhadores e em parcela única, deixando inclusive funcionários com salários zerados no início deste mês.
 

O episódio marca um novo capítulo da turbulência envolvendo o sindicato e a gestão do economista Marcio Pochmann, que preside o órgão de pesquisas desde agosto de 2023.
 

Em nota divulgada nesta quinta-feira (5), a Assibge afirma que a decisão "agrava o conflito com a categoria e aprofunda o cenário de tensão na instituição".
 

"Diante de uma situação que exige diálogo e negociação, a direção do IBGE insiste em medidas unilaterais, desconsiderando os apelos do sindicato e as iniciativas de interlocução já construídas junto ao governo federal."
 

Procurado pela reportagem, o comando do instituto disse que comunicou por meio de ofícios ao sindicato, em 3 de setembro, e ao Ministério da Gestão e da Inovação, em 25 de setembro, que as negociações serão iniciadas após o período de defeso eleitoral. O defeso terminou em 25 de outubro.
 

Conforme a Assibge, os servidores que aderem a movimentos grevistas sabem que podem sofrer descontos salariais. A questão que irritou os funcionários é a forma como a medida foi implementada, sem acordo.
 

"Desde o início, a entidade reivindica a abertura de um canal efetivo de diálogo com a presidência do instituto, inclusive para discutir os descontos salariais e buscar uma solução negociada para as questões decorrentes da greve", diz a Assibge.
 

"Há mais de um mês, o sindicato elaborou e encaminhou à presidência do IBGE uma proposta de Termo de Acordo para formalizar os entendimentos e construir uma saída negociada para o conflito. No entanto, a direção do instituto vem sucessivamente apresentando novas exigências, prolongando as tratativas sem chegar a uma conclusão."
 

Os descontos teriam afetado principalmente uma parcela dos servidores na Bahia, onde a greve teve maior adesão.
 

O movimento havia sido convocado após críticas dos funcionários em relação à suposta falta de diálogo no instituto. Uma das questões citadas à época foi o corte de indenizações pagas a trabalhadores que fazem pesquisas em campo.
 

A decisão de descontar dias de paralisação não é ilegal, mas a medida sem negociação prévia vulnera o direito de greve, apontam os advogados Adovaldo Filho e Rodrigo Torelly, do escritório Mauro Menezes & Advogados.
 

Segundo eles, a execução do desconto de forma integral não se coaduna com princípios constitucionais de proteção aos trabalhadores em geral. Os advogados também afirmam que a remuneração dos servidores tem caráter alimentar.
 

"Assim, a despeito de não ser ilegal, tal medida é absolutamente grave, sobretudo em razão da ausência de negociação prévia", dizem os especialistas em nota.
 

A turbulência no IBGE se arrasta desde o segundo semestre de 2024, quando a Assibge passou a questionar medidas implementadas pela direção do órgão de estatísticas.
 

Uma delas foi a criação de uma fundação, a IBGE+, que poderia produzir trabalhos para o setor privado. O projeto não avançou após as contestações dos funcionários.
 

A Assibge convocou nesta quinta uma campanha nas redes sociais dizendo que o presidente Lula (PT) precisa olhar para o instituto. Lula indicou Pochmann para o IBGE em 2023.

Justiça autoriza três bets a voltar a funcionar em SP, e desembargadora chama proibição do governo federal de 'verdadeiro confisco'

  • Bahia Notícias
  • 06 Nov 2026
  • 12:17h

Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, autorizou três casas de apostas a voltar a funcionar no Brasil a partir desta quinta-feira (5). A decisão prevê multa de R$ 200 mil por dia ao governo federal caso a determinação não seja cumprida. Ainda cabe recurso.

 

Na decisão, a desembargadora Adriana Pileggi afirmou que proibir o funcionamento de empresas que receberam autorização do próprio governo, sem indenizá-las pelos prejuízos, representa um “verdadeiro confisco”.

 

A medida beneficia três plataformas da empresa CDA Gaming: Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online. A companhia entrou na Justiça para contestar a medida provisória editada pelo presidente Lula (PT) que proibiu as bets no país, pouco antes do primeiro turno das eleições presidenciais.

 

Para a desembargadora, o governo deu um prazo muito curto para que as empresas encerrassem suas atividades, sem considerar os investimentos feitos para obter autorização e operar legalmente no Brasil.

 

Na decisão, ela argumentou que as empresas receberam permissão do governo para funcionar e gastaram dinheiro com equipamentos, tecnologia e estrutura. Por isso, segundo ela, não poderiam ser obrigadas a encerrar as operações de forma tão repentina.

A magistrada também questionou a justificativa do governo de que a proibição seria necessária para proteger a saúde da população, os consumidores e as famílias dos prejuízos causados pelas apostas.

 

“A MP seria um milagre, resolveria tudo!”, questionou a desembargadora, ao afirmar que a justificativa apresentada pelo governo não era suficiente para sustentar a medida.

 

O pedido da CDA Gaming havia sido negado por dois juízes na primeira instância. A empresa recorreu e conseguiu uma decisão favorável no TRF3.

 

A autorização é provisória e vale apenas para as três plataformas da empresa. A proibição continua em vigor para as demais casas de apostas.

 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em 25 de setembro a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho".

 

A proibição, feita a nove dias das eleições, foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

 

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram três dias depois, em 28 de setembro, um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os efeitos da medida provisória de Lula que determinou a proibição imediata da exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets e dos cassinos online no país.


PROIBIÇÃO DO GOVERNO

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em 25 de setembro a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho".

 

A proibição, feita a nove dias das eleições, foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

 

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram três dias depois, em 28 de setembro, um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os efeitos da medida provisória de Lula que determinou a proibição imediata da exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets e dos cassinos online no país.

 

As entidades argumentam que a MP foi publicada sem demonstração de urgência. E que o próprio Executivo havia enviado ao Congresso o projeto de lei que resultou no marco regulatório do setor de 2023, destacando, à época, os benefícios econômicos da legalização.


As associações pedem que o STF suspenda integralmente a MP até a deliberação definitiva da medida pelo Congresso ou até o julgamento de ações em curso na Corte, preservando a vigência da legislação anterior e o funcionamento das empresas autorizadas.

AUDIÊNCIA PÚBLICA
Nesta terça-feira (3), o ministro do Supremo Luiz Fux realizou uma audiência pública para discutir a medida provisória que proibiu as bets. Ele é o relator das ações sobre o tema.

 

A audiência reuniu representantes dos clubes de futebol, entidades da sociedade civil e ministros do governo. As apostas esportivas foram legalizadas em 2018, mas a regulamentação só veio no fim de 2023. O governo arrecadou cerca de R$ 15 bilhões com a taxação das apostas.

 

Na audiência, o ministro Luiz Fux defendeu o banimento das bets, mas afirmou que a medida do governo trouxe questões que precisam ser discutidas pelo STF, como a segurança jurídica dos contratos e os impactos econômicos da proibição.

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STF marca audiência de conciliação para debater implementação da escala 6x1

  • Bahia Notícias
  • 06 Nov 2026
  • 10:14h

Foto: Rosinei Coutinho/STF

A audiência de conciliação para discutir a implementação da emenda constitucional que extinguiu a escala 6x1 está marcada para acontecer na próxima terça-feira (10), na sala de Sessões da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, será discutida a jornada de 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado e os demais aspectos relacionados à transição para as novas regras. 

 

Segundo o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a redução da jornada e a ampliação do repouso semanal não estão em discussão. A audiência tratará exclusivamente de aspectos relacionados à implementação das novas regras, que podem ser objeto de negociação coletiva. A audiência será na próxima terça-feira (10), às 14h, na Sala de Sessões da Primeira Turma do STF. 

 

A audiência foi convocada no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8041, proposta pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O ministro intimou representantes das confederações sindicais empresariais de âmbito nacional (representantes das categorias econômicas) e das centrais sindicais (entidades de representação geral dos trabalhadores), a Advocacia-Geral da União (AGU) e as advocacias do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, além da Procuradoria-Geral da República (PGR).  

 

A emenda prevê prazo de 60 dias para a primeira etapa da redução da jornada, de 44 para 42 horas semanais, com duas folgas por semana. O limite de 40 horas semanais deverá entrar em vigor em um ano. Na avaliação de Dino, o texto distribuiu os impactos da mudança em etapas e reservou seu efeito mais expressivo para 12 meses depois da primeira etapa. Nesse contexto, a seu ver, o prazo de dois meses não parece, em análise inicial, inviável. 

 

Ele observou, porém, que a própria emenda mantém a exigência de negociação coletiva para ajustar a jornada diária ao novo limite semanal de 42 horas. Por isso, considera necessário buscar uma solução consensual, com a participação dos órgãos responsáveis pela norma e dos setores afetados. 

 

Dino ressaltou ainda que a declaração de inconstitucionalidade de uma emenda constitucional é uma medida excepcional, cabível apenas quando há violação dos limites impostos ao poder de reforma da Constituição. Não cabe ao Supremo, disse, substituir as escolhas do Legislativo por outras que considere mais adequadas ou convenientes, mas verificar se a emenda respeita os limites constitucionais. 

Alfabetizar crianças na idade certa pode elevar PIB per capita do Brasil em 29% até 2050, estima estudo

  • Por Isabela Palhares | Folhapress
  • 05 Nov 2026
  • 18:30h

Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Garantir que ao menos 90% das crianças brasileiras cheguem aos 10 anos com o domínio básico em leitura pode trazer efeitos expressivos ao crescimento econômico do Brasil. A alfabetização na idade adequada pode elevar o PIB per capita do país em 29,3% até 2050, segundo estimativa do Instituto de Evidência Educativa.
 

O instituto é uma organização internacional sem fins lucrativos que produz e analisa evidências educacionais nos países da América Latina. É apoiado por outras fundações da área, como o Instituto Natura.
 

A simulação calcula que o impacto econômico de alcançar esse patamar de alfabetização seria de US$ 8,34 trilhões (R$ 45,5 trilhões) adicionais ao produto econômico do Brasil acumulado entre 2031 e 2050.
 

O estudo divulgado na noite desta quarta-feira (4) parte de uma projeção feita pela What Works Hub for Global Education, uma parceria internacional que pesquisa a implementação de políticas educacionais em países de baixa e média renda. A parceria é liderada pela escola de políticas públicas da Universidade de Oxford e financiada por órgãos como o Banco Mundial, Unicef e a Fundação Bill e Melinda Gates.
 

Evidências científicas há muitos anos apontam que aprender a ler e escrever nos primeiros anos de escolaridade constitui base fundamental para o restante da trajetória escolar e a ampliação de oportunidades de emprego e ganho salarial ao longo da vida.
 

"Garantir aprendizagens fundamentais não é apenas um objetivo educacional: é também uma prioridade para o desenvolvimento econômico e social", diz o estudo.
 

Por isso, os pesquisadores decidiram avaliar o impacto econômico caso os países da América Latina e Caribe consigam superar a dificuldade que enfrentam em relação à alfabetização.
 

O ponto de partida é construído a partir do indicador de pobreza de aprendizagem do Banco Mundial e da Unesco, que combina informações sobre a proficiência em leitura das crianças escolarizadas e daquelas que estão fora da escola. Segundo esse indicador de 2022, apenas 46,7% das crianças de 10 anos da América Latina e Caribe atingem o nível mínimo de proficiência em leitura.
 

Isso representa uma distância de 43,3 pontos percentuais em relação a um cenário considerado de universalidade (90%) de proficiência mínima, reconhecendo que mesmo em sistemas educacionais de alta capacidade, uma parcela das crianças pode não alcançar esse patamar.
 

As simulações então comparam dois cenários: um de referência, no qual o país mantém inalterado o nível atual de aprendizagem; e outro, no qual se supõe que o país consiga alcançar 90% das crianças de 10 anos no nível mínimo.
 

O indicador aponta que o Brasil tinha 53,1% das crianças de 10 anos no nível mínimo de proficiência. Ou seja, mesmo acima da média regional, o país está distante do patamar de universalidade.
 

Com base em evidências que relacionam melhores resultados de aprendizagem fundamental a menor probabilidade de abandono escolar, o modelo supõe uma redução de 40% na probabilidade de abandono ou atraso escolar durante o ensino fundamental (do 1º ao 9º ano) para cada desvio-padrão adicional nos resultados de aprendizagem -por exemplo, se o risco inicial de abandono ou atraso em determinado país fosse de 10%, uma redução relativa de 40% o levaria a 6%- e de 25% na probabilidade de abandono na transição para o ensino médio.
 

Para o Brasil, essa simulação aponta que mais de 3,3 milhões de crianças adicionais chegariam ao 9º ano sem atraso entre 2031 e 2050. Outras 2,6 milhões chegariam ao ensino médio. Também calcula que 1,3 milhão de jovens teriam oportunidades de emprego nesse período de duas décadas.
 

"Essas estimativas mostram que as melhorias nas aprendizagens fundamentais poderiam se traduzir em maiores oportunidades de progressão escolar e de inserção no mercado de trabalho. Sua relevância não reside apenas em aumentar o número de estudantes que avançam no sistema educacional, mas também em ampliar as possibilidades de desenvolvimento de capacidades e de participação econômica das novas gerações", diz o estudo.
 

Além dos potenciais benefícios para a trajetória individual das crianças, o estudo aponta que, quando a melhoria educacional alcança uma proporção importante da população, ela também repercute no crescimento educacional e nas finanças públicas.
 

No Brasil, a universalização da alfabetização na idade correta está associada a US$ 8,34 trilhões de produto econômico adicional acumulado entre 2031 e 2050. Ao final desse período, o PIB per capita seria 29,3% maior do que no cenário de referência utilizado pelos autores.
 

Os pesquisadores destacam que se trata de um exercício de simulação baseado em associações empíricas e em pressupostos de modelagem, e não de uma estimativa causal dos efeitos de uma política educacional específica.
 

O aumento da atividade econômica também teria implicações fiscais. O estudo estima que o Brasil poderia registrar U$ 1,17 trilhão de arrecadação tributária adicional acumulada entre 2031 e 2050. Para chegar a esse valor, os pesquisadores aplicaram à diferença de produto econômico entre os dois cenários a proporção entre arrecadação tributária e PIB observada em cada país.
 

"Essas estimativas correspondem a um cenário hipotético, e não a previsões nem efeitos comprovados de uma política educacional específica. Nossa análise evidencia que o desafio atual da América Latina não é apenas garantir a escolarização das crianças, mas que elas efetivamente aprendam", afirma Fiorella Santini, analista de dados do instituto.
 

A melhoria dos indicadores de alfabetização é uma das metas estabelecidas pelo PNE (Plano Nacional de Educação), aprovado no ano passado. A lei do plano prevê que o país garanta ao menos 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental até 2030 e prevê a universalização da alfabetização na idade certa até 2035.
 

O índice nacional, o Indicador Criança Alfabetizada, criado pelo governo Lula (PT), aponta que o país alcançou 66% das crianças alfabetizadas na idade adequada, em 2025.
 

O número representa o percentual de crianças que alcançaram a nota mínima para considerar que uma criança sabe ler e escrever ao fim do 2º ano do ensino fundamental, que recebe em sua maioria alunos com sete anos.
 

O percentual divulgado pelo governo representa avanço em relação ao ano anterior, quando o índice ficou em 59,2%. Também é uma superação da meta, que era atingir 64% de alunos da rede pública alfabetizados nessa série em 2025.

Senado aprova PEC da Segurança Pública em 1º turno sem emendas sobre redução da maioridade penal

  • Por Edu Mota / Ronne Oliveira/Bahia Notícias
  • 04 Nov 2026
  • 14:20h

Foto: Reprodução / TV Senado

O Senado aprovou nesta terça-feira (3), com 73 votos, a PEC da Segurança Pública sem as emendas que propõem a redução da maioridade penal. Com o resultado, os requerimentos que buscavam manter as propostas vinculadas ao texto foram prejudicados, e a matéria segue para análise do plenário em primeiro turno.

 

A PEC ainda precisa passar por uma segunda votação no Senado. Para ser aprovada em definitivo, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, o equivalente a três quintos dos senadores, nos dois turnos de votação. Mais cedo, os parlamentares aprovaram dois requerimentos para que as emendas relacionadas à redução da maioridade penal sejam analisadas de forma independente da PEC da Segurança Pública.

 

O PL defende a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes de menor gravidade e para 14 anos em crimes hediondos. Já a proposta apresentada pelo PT prevê a diminuição para 16 anos exclusivamente nos casos de crimes hediondos, mantendo a regra atual para os demais delitos.

 

O impasse em torno do tema provocou o adiamento da votação da PEC anteriormente. O governo federal sinalizou apoio à discussão da redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, mas defende que a mudança seja debatida em uma proposta própria, que já está em tramitação na Câmara dos Deputados.

 

Integrantes do PL, por outro lado, tentavam incluir no texto em análise no Senado a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes graves. A votação é considerada um dos primeiros testes de articulação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a vitória nas eleições. A gestão federal tem interesse em aprovar a proposta ainda em 2026, antes da mudança na composição do Senado a partir de 2027.

Governo Lula vence disputa com oposição e aprova PEC da Segurança Pública também em 2° turno

  • Por Edu Mota / Ronne Oliveira/Bahia Notícias
  • 04 Nov 2026
  • 08:44h

Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A votação ocorreu após um impasse envolvendo requerimentos apresentados por partidos para que emendas sobre a redução da maioridade penal fossem analisadas separadamente da proposta principal. No primeiro turno, o texto foi aprovado por 73 votos. Para avançar, eram necessários pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno.

 

Mais cedo, os senadores decidiram não apreciar, junto à PEC, os destaques apresentados pelo PL e pelo PT que tratavam da redução da maioridade penal. O plenário aprovou dois requerimentos para que as propostas tramitem de forma independente.

 

O PL defendia a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes de menor gravidade e para 14 anos nos crimes hediondos. Já a proposta apresentada pelo PT previa a redução para 16 anos exclusivamente em casos de crimes hediondos, mantendo a regra atual para os demais delitos.

 

Antes da votação em segundo turno, os senadores também analisaram o único destaque que permaneceu vinculado à proposta. Apresentada pelo PL, a emenda prevê que o Fundo Nacional de Segurança Pública também possa financiar ações das Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O destaque foi aprovado por 67 votos favoráveis e nenhum contrário.

 

A proposta estabelece na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com o objetivo de ampliar a integração entre União, estados e Distrito Federal no enfrentamento à criminalidade. Entre as principais mudanças previstas no texto estão:

  • Criação de polícias municipais: autoriza a criação de corporações municipais para atuar no policiamento ostensivo e comunitário.

  • Ampliação das atribuições da PRF: permite que a Polícia Rodoviária Federal atue também no policiamento de hidrovias e ferrovias, além de prestar apoio a outras forças de segurança quando solicitada pelos governadores.

  • Competência da União: mantém a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal sob competência privativa da União, assim como a definição de normas para as atividades de inteligência.

  • Expropriação de bens ligados ao crime: permite a expropriação de bens, direitos e valores econômicos envolvidos em atividades criminosas. A medida alcança organizações criminosas, grupos paramilitares e milícias privadas.

  • Regras mais rígidas para criminosos: prevê a obrigatoriedade de cumprimento de prisão em estabelecimentos penais de segurança máxima ou de natureza especial, além de restrições à progressão de regime, à liberdade provisória, com ou sem fiança, e à saída temporária.

  • Integração entre forças de segurança: prevê a formação de forças-tarefa intergovernamentais e amplia a articulação entre os órgãos de segurança pública dos diferentes entes federativos.

 

A aprovação da PEC é considerada estratégica para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pretende recriar o Ministério da Segurança Pública após a conclusão da tramitação da proposta. A intenção do Executivo é estabelecer uma pasta permanente para coordenar as políticas nacionais do setor e ampliar a articulação entre os órgãos de segurança pública dos diferentes entes federativos.

Motorista que deu voadora e pisou na cabeça de idoso tem prisão temporária decretada pela Justiça

  • Bahia Notícias
  • 03 Nov 2026
  • 18:50h

Foto: Reprodução Redes Sociais

A Polícia Civil de São Paulo solicitou e obteve autorização da Justiça para prender temporariamente Denis Yong Kim, de 43 anos, suspeito de agredir um idoso de 79 anos que caminhava com o auxílio de muletas em Osasco, na Grande São Paulo. O homem está sendo procurado pelas autoridades.

 

 

A agressão ocorreu na tarde de sexta-feira (30), na Rua Octalles Marcondes Ferreira, no bairro Helena Maria. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o motorista para um Volkswagen Polo na via, desce do veículo e ataca a vítima.

 

Antes do episódio, o idoso aparece encostando uma das muletas no carro. Em seguida, o suspeito desfere um chute nas costas do homem. Depois que ele cai no chão, o motorista pisa com força na cabeça da vítima, que aparentemente perde a consciência.

 

De acordo com a Polícia Civil, por meio da TV Globo, a ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio por motivo fútil. A investigação avançou após os agentes identificarem o veículo utilizado no ataque e chegarem ao nome do suspeito.

Os policiais foram até o endereço cadastrado de Denis, mas não o encontraram. Vizinhos relataram aos investigadores que ele teria entrado no imóvel, recolhido alguns pertences e deixado o local. O suspeito já havia sido condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de um carroceiro, morto com uma flechada no pescoço após uma discussão, em 2016, no Centro de São Paulo.

 

A vítima da agressão, identificada como José Ricardo dos Santos, foi socorrida e levada ao Pronto-Socorro Osmar Mesquita. Posteriormente, foi transferida para a UPA Vila Menck, onde recebeu alta hospitalar. 

 

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Civil realiza diligências para confirmar a identificação do autor e providencia exames médico-legais na vítima. As medidas devem reunir elementos para o andamento da investigação e eventual responsabilização criminal.

Grécia compra aviões da Embraer em negócio que movimenta R$ 3,6 bi

  • Por Igor Gielow | Folhapress
  • 03 Nov 2026
  • 16:14h

Foto: Divulgação / Embraer

O governo da Grécia anunciou nesta segunda-feira (2) que irá comprar até seis aviões de transporte KC-390 Millennium da Embraer, consolidando a posição da aeronave no mercado europeu. O país será o nono no continente e o oitavo da aliança militar Otan a escolher o modelo.

 

Segundo o Ministério da Defesa grego, três aeronaves serão adquiridas agora, com mais três opções de compra por meio de um acordo conjunto com Portugal, que já recebeu 4 dos 6 aviões que encomendou da Embraer.
 

Pelo arranjo, Lisboa deverá fazer a compra dessas aeronaves adicionais e as repassará para Atenas, auferindo um lucro equivalente hoje a R$ 180 milhões em um negócio de R$ 3,6 bilhões. O negócio direto grego com a Embraer não teve valores divulgados.
 

A vantagem para a Grécia está na rapidez da entrega, já que o arranjo entre Portugal e a Embraer permite passar aviões na fila de produção. Com isso, o primeiro KC-390 do país será entregue já no próximo ano.
 

Hoje Atenas opera o avião de transporte que vem sendo devorado pelo KC-390 na Europa, o venerando C-130 Hércules. São 15 unidades do modelo quadrimotor turboélice americano, onipresente no mercado mundial desde os anos 1950 e que transporta até 19 toneladas.
 

O avião brasileiro, além de mais moderno e com dois motores a jato, leva até 26 toneladas. E a Grécia comprou a versão KC, em que o K indica a capacidade de reabastecimento aéreo que hoje seus Hércules não têm. Os gregos ainda voam 13 cargueiros italianos C-27J, para 11,5 toneladas. Na Europa, há cerca de 130 Hércules em operação.

A Embraer conseguiu fincar bandeira nesse mercado, e já vendeu seis unidades para Portugal, cinco para a Holanda, quatro para a Suécia, dois para a Hungria, dois para a República Tcheca, três para a Lituânia, três para a Eslováquia e quatro para a Áustria -único país que não é da Otan, mas opera em coordenação com a aliança de 30 países europeus, mais Canadá, liderada pelos Estados Unidos.
 

No caso dos Estados Bálticos, ainda não há contrato finalizado. O KC-390 também foi comprado por clientes da Ásia (Coreia do Sul e Uzbequistão), Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos) e América Latina (Colômbia).
 

A Embraer tem na mira ainda o maior mercado militar do mundo, os EUA, e a gigante asiática Índia. No primeiro caso, o obstáculo maior é que ainda há versões modernizadas do Hércules sendo feitas, enquanto a negociação com os indianos está mais avançada -lá, a expectativa é de uma encomenda de dezenas de aviões.
 

O KC-390 foi desenvolvido a partir de um pedido da Força Aérea Brasileira (FAB) em 2008, e o primeiro cargueiro foi entregue 11 anos depois. O negócio teve percalços, e a encomenda foi reduzida de 28 para 19 aviões, oito dos quais foram entregues. No meio do caminho, contudo, o avião tornou-se um sucesso de exportação.
 

Além de um projeto elogiado no mercado, há a realidade geopolítica: enquanto sua linha de produção começou a pegar ritmo em Gavião Peixoto (SP), o mundo afundou em um período de instabilidade, com guerras entre Estados voltando a ser a norma, como se viu quando Vladimir Putin invadiu a Ucrânia em 2022 e no ataque americano-israelense ao Irã, neste ano.
 

Com isso, houve uma aceleração global nos gastos militares, puxada pela percepção europeia de ameaça russa e pela volta de Donald Trump ao poder. O presidente americano tratou de desengajar-se das responsabilidades de defesa dos aliados continentais da Otan, levando a um programa de rearmamento.
 

Neste ano, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, os países da Europa programaram gastar 90% a mais com defesa, em termos nominais, do que no 2021 que antecedeu a Guerra da Ucrânia.
 

No caso da Grécia, que é afetada também pela instabilidade no Oriente Médio e no leste do Mediterrâneo, o rearmamento também acompanha a escalada de pretensões estratégicas de sua maior rival histórica, a parceira de Otan Turquia.
 

No ano passado, Atenas aprovou um plano de gasto com armas equivalente a R$ 135 bilhões em 12 anos, do qual a compra dos KC-390 é o primeiro passo.

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Inscrições para vagas remanescentes do Fies terminam na terça-feira

  • Bahia Notícias
  • 03 Nov 2026
  • 14:12h

Foto: José Cruz/Agência Brasil

As inscrições para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), referentes ao segundo semestre de 2026, estão abertas até o dia 3 de novembro, exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Para acessar, é preciso fazer login pela conta da plataforma Gov.br.

 

O programa oferece financiamento para estudantes que desejam cursar o ensino superior em faculdades privadas bem avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC). O Fies cobre as mensalidades do curso e permite que o estudante pague, com condições facilitadas, o valor financiado após a conclusão da graduação.

 

Nesta edição, as vagas remanescentes destinam-se exclusivamente à contratação do financiamento no segundo semestre letivo deste ano, sem possibilidade de extensão do prazo. Uma das etapas do processo seletivo vai verificar se os candidatos pré-selecionados têm condições de acompanhar as atividades acadêmicas e concluir o semestre com aproveitamento suficiente.

 

QUEM PODE PARTICIPAR 
Para participar, é necessário ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010, com média igual ou superior a 450 pontos nas cinco provas de conhecimentos e nota acima de zero na redação. O estudante não pode ter participado do exame como treineiro.

 

O candidato também precisa ter renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos, de acordo com o edital, que trata da ocupação das vagas.

 

Na parte acadêmica, o candidato pré-selecionado deve ter condições de cumprir a frequência mínima exigida pela instituição privada de ensino superior neste segundo semestre letivo de 2026.

 

VAGAS 
Ao todo, são 50 mil vagas distribuídas pelo país. O edital reserva 50% dessas vagas remanescentes a candidatos com renda familiar mensal por pessoa de até meio salário mínimo e inscrição atualizada no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico). Para essa verificação, serão consideradas as informações cadastrais atualizadas até 8 de outubro de 2026.

 

Os estudantes pré-selecionados nessa modalidade poderão solicitar financiamento de até 100% dos encargos educacionais, conforme as regras do programa. O resultado da chamada única está previsto para 16 de novembro.

Lula indicará seis diretores do Banco Central até o fim de 2027, e mercado teme mudança de perfil

  • Por Adriana Fernandes e Nathalia Garcia | Folhapress
  • 03 Nov 2026
  • 12:06h

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá indicar mais seis nomes para a diretoria do Banco Central até o fim de 2027. Duas cadeiras estão desocupadas desde janeiro, e mais duas indicações poderão ser feitas até fevereiro do próximo ano. Outras duas vagas abrem em 31 de dezembro de 2027.

 

A possibilidade de mudança do perfil do BC e, portanto, do colegiado do Copom (Comitê de Política Monetária), que decide o rumo dos juros do país, entrou no radar de participantes do mercado financeiro após a vitória do petista nas eleições.
 

A principal preocupação é com a possibilidade de o BC passar a ser leniente no combate à inflação para acelerar a queda da taxa básica de juros, a Selic, em meio ao debate interno no governo sobre qual caminho adotar para a política econômica da gestão Lula 4.
 

Analistas já esperam a retomada com mais força do debate em torno da flexibilização da meta de inflação —hoje em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
 

A partir de 2028, último ano de mandato do presidente Gabriel Galípolo, os seis novos indicados por Lula vão se tornar maioria no colegiado do BC. O grupo é formado por nove cadeiras, incluindo a do chefe da autoridade monetária.
 

Restariam do atual colegiado apenas os diretores Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta), além do próprio Galípolo. Os mandatos destes três indicados por Lula terminam em 31 de dezembro de 2028.

A depender do perfil dos novos nomes, esse quadro poderia isolar Galípolo no último ano de sua gestão no BC. O chefe da autarquia tem sido alvo de críticas de integrantes do PT e do governo, inclusive da equipe econômica, que o culpam pela alta da dívida pública em decorrência dos juros elevados.
 

No terceiro mandato de Lula, houve um racha no Copom que gerou ruídos e levou a questionamentos sobre a credibilidade do BC.
 

Em 8 de maio de 2024, Galípolo e todos os outros indicados por Lula votaram por uma redução mais acelerada de juros de 0,50 ponto percentual. Pelo placar de 5 votos a 4, prevaleceu o corte menor na Selic, de 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano.
 

Depois daquele episódio, todas as decisões do colegiado foram unânimes.
 

Na semana passada, Lula se reuniu com ministros e falou sobre as indicações de nomes que precisam ser feitas ao Senado para autarquias, o que inclui as duas vagas para o BC represadas há quase um ano.
 

O rumor envolvendo uma possível indicação ao BC do economista de perfil desenvolvimentista André Roncaglia, diretor-executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional) e ex-colunista da Folha, mexeu com os preços do mercado financeiro.
 

Procurado, Roncaglia disse que ficou surpreso com as reportagens, pois não recebeu qualquer contato da equipe econômica neste sentido e não foi informado de nada. "Não me cabe comentar sobre algo que é prerrogativa do presidente Lula. O que posso dizer é que tenho mantido uma colaboração muito proveitosa com a Fazenda e o BC a partir de minhas atribuições no FMI."
 

Segundo ele, o fundo reconhece o valor das reformas econômicas empreendidas nos últimos anos e o papel do BC na manutenção da estabilidade da inflação e do sistema financeiro. "Trata-se de um momento excelente na relação do FMI com o Brasil."
 

Um ex-integrante do BC ouvido pela Folha sob condição de anonimato avalia que Roncaglia causaria turbulência devido ao histórico de ideias do economista. Na visão desse ex-dirigente, o diretor do FMI poderia abalar a credibilidade da autoridade monetária e passaria a mensagem de que Galípolo está enfraquecido.
 

A incerteza com relação à composição do Copom é vista por parte do mercado financeiro como uma fonte de volatilidade. Há temor de que o governo, crítico da atual política de juros, escolha nomes mais heterodoxos para o colegiado do BC, o que traria um risco significativo para o controle da inflação.
 

Para economistas ouvidos pela Folha, a escolha de diretores que se mostrem comprometidos com a meta de inflação seria uma sinalização importante para assegurar a credibilidade do BC.
 

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria, considera que a autoridade monetária pode virar uma espécie de bode expiatório no próximo ano, caso o governo não dê solução para a questão fiscal e veja sua popularidade cair já na largada da gestão Lula 4.
 

Nesse contexto, ele diz enxergar uma chance de o governo escolher pessoas que sejam mais maleáveis quanto à inflação. "Outra possibilidade sempre aventada nessa situação é aumentar a meta, que é uma jogada de toalha, a confissão de fracasso. Diria que esse vai ser um ponto de atenção nos próximos meses", diz.
 

Já Sérgio Werlang, ex-diretor do BC e professor de economia da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, diz que Lula sabe que inflação alta significa "falta de popularidade na veia" e deve optar por pessoas com perfil moderadamente conservador, ao estilo de Galípolo e do diretor Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos).
 

"São pessoas que têm uma visão mais ampla [da economia], mas que entraram [no BC] com esse compromisso fixado de meta em 3%", diz. "Não vejo uma grande modificação no Banco Central. Eu vejo uma manutenção do perfil médio conservador, não ultraconservador como chegou a ser no início do governo, com Roberto Campos Neto [cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2024]."
 

DIVERSIDADE
 

A escolha das diretorias também será um teste para o governo na questão da diversidade de gênero. Atualmente, há apenas uma mulher na cúpula do BC, a diretora Izabela Correa. Segundo relatos, a chefe do departamento de Organização do Sistema Financeiro, Carolina Bohrer, conta com a simpatia de Galípolo para assumir um posto na diretoria.
 

Para Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, a decisão do presidente sobre os nomes para o BC tem de ser tomada o mais rapidamente possível diante da falta de dois diretores.
 

"São diretorias importantes. [Levar] quase um ano começa a fazer diferença no trabalho do BC, justamente porque ele é desenhado para ter as nove diretorias. Quando você começa a acumular diretorias, naturalmente começa a faltar braço", afirma Megale.
 

O diretor do BTG Pactual e ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia diz que a situação econômica no mundo hoje é diferente do que era há dez anos e, por isso, há a necessidade de ter um BC mais conservador, capaz de preservar sua autonomia na política monetária. "Eu não acho que ele [Lula] fará diferente nas próximas nomeações. O Lula é forjado na negociação."
 

Para a área de Fiscalização, que ficará desocupada a partir de março, dois ex-membros do BC apostam que a vaga será preenchida novamente com um servidor de carreira.
 

Não se descarta a recondução do atual diretor, Aílton de Aquino, mas há dúvidas com relação ao desgaste provocado pelo escândalo do Banco Master. O diretor do BC teve de prestar depoimento à Polícia Federal sobre as ações de fiscalização que levaram à liquidação da instituição de Daniel Vorcaro. Internamente há confiança no trabalho dele.

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Novas regras do SAC entram em vigor com exigência de atendimento humano diário

  • Bahia Notícias
  • 03 Nov 2026
  • 10:08h

Foto: Reprodução / TV Globo

As novas regras para o funcionamento dos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) de empresas com serviços regulados pelo governo federal passaram a valer nesta segunda-feira (2). A principal mudança estabelece a obrigatoriedade de oferta de atendimento humano, via telefone ou chat, diariamente, no período das 8h às 20h.

 

 

A medida visa reverter a flexibilização adotada durante a pandemia de covid-19, que havia ampliado o uso exclusivo de ferramentas automatizadas. 

 

Segundo informações divulgadas sobre o decreto do governo federal, publicado em 13 de outubro, as normas aplicam-se a concessionárias de energia, operadoras de telefonia e planos de saúde, companhias aéreas e instituições do setor financeiro, como bancos e fintechs. 

 

O texto normativo fixa ainda a obrigatoriedade de acesso imediato às opções de cancelamento de contratos e limita o atendimento a, no máximo, cinco níveis de navegação para a resolução das demandas. 

 

Além disso, em casos de interrupção nas chamadas telefônicas antes da conclusão do serviço, as empresas ficam obrigadas a retornar o contato com o consumidor no prazo máximo de cinco minutos (300 segundos). Para empresas de serviços não regulados, como plataformas de transporte e entregas por aplicativo, o decreto prevê o envio de informações cadastrais sobre suas estruturas de atendimento aos órgãos governamentais.

Opinião: Oposição no Brasil e na Bahia tem oportunidade de superar e se afastar do bolsonarismo

  • Por Fernando Duarte I Bahia Notícias
  • 03 Nov 2026
  • 08:01h

Foto: Max Haack/ Ag. Haack

A oposição a Luiz Inácio Lula da Silva ainda tenta encontrar formas para a autoanálise necessária após ter sido refém do bolsonarismo no pleito de 2026. No esforço para aproveitar a onda antilulista, o cálculo que levou Flávio Bolsonaro (PL) a ser ungido como candidato do campo democrático à direita foi errado. Tanto que, passadas 48h do segundo turno, o Bolsonaro Similar fugiu e deixou quase 60 milhões de votos órfãos.

 

Nesse bojo, a oposição na Bahia foi tragada apenas na segunda etapa do pleito. Ainda assim, com consequências ainda não completamente mensuradas. Enquanto apenas bolsonaristas mais radicais faziam campanha para o candidato do PL no primeiro turno, o principal líder da oposição baiana, ACM Neto (União) embarcou no projeto do Bolsonaro Similar quando já não havia muitas opções de caminho. Derrotado pela segunda vez para Jerônimo Rodrigues (PT) - agora para um governador que não estava a reboque do candidato Lula -, o ex-prefeito de Salvador fez uma escolha para ganhar sobrevida eleitoral. Perdeu também.

 

Diferentemente de 2022, quando submergiu por um bom tempo, agora ACM Neto parece ter percebido que, uma nova ausência, geraria um vácuo de "poder" que poderia tê-lo defenestrado do antagonismo que as urnas lhe deram. Além de ter feito campanha para Flávio, na mesma semana do segundo turno publicou estar "arrumando a casa" para próximas etapas. Não ficou claro exatamente o que ele pretende fazer, porém é sabido que ele terá que lidar com o arranhão na imagem de moderado amplamente construída. Sob o risco de ser engolido pela emergência de uma liderança que simbolize o antipetismo, como ele já o faz, mas também o antibolsonarismo, que ganhou as eleições presidenciais em 2026.

 

Enquanto tenta se "reaprumar" na Bahia, essa mesma oposição tem, no cenário nacional, a oportunidade de se afastar do golpismo, explicitada com a "carta renúncia" do Bolsonaro Similar. Após ter sido fagocitada pelo bolsonarismo, o que se entende por direita democrática - da qual ACM Neto faz parte - pode retomar o protagonismo perdido desde a chegada de Jair Bolsonaro aos holofotes políticos. É claro que, nesse processo, a marca de adesão a Flávio será reforçada pelo lulopetismo - fortalecido localmente e também nacionalmente.

 

Por enquanto, já sobram candidatos a ocupar o vácuo do delirante "verdadeiro presidente eleito", cuja função de oposição à distância já foi colocada em xeque pelos próprios aliados. Há quem incense mais uma integrante do clã, Michelle Bolsonaro, ou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Daqui para 2030, há um longo caminho a ser percorrido. Especialmente pela oposição que não terá mais que enfrentar diretamente Lula.

Laudo aponta morte súbita de médica gaúcha que faleceu após maratona na Espanha

  • Bahia Notícias
  • 02 Nov 2026
  • 12:19h

Foto: Arquivo pessoal

A autópsia realizada no corpo da médica oftalmologista gaúcha Victoria d'Azevedo Silveira, de 29 anos, que faleceu durante uma viagem à Espanha, apontou "morte súbita" como a causa do óbito. Segundo informações do g1, a médica, natural de Porto Alegre, viajou à Europa acompanhada da mãe e faleceu no último domingo, 25 de outubro. 

 

O laudo pericial foi concluído neste sábado (31) pelas autoridades espanholas, mas a família relata que ainda aguarda esclarecimentos sobre os fatores que desencadearam a parada repentina das funções vitais.

 

Segundo informações da tia da atleta, Victoria e a mãe viajaram para disputar a Meia Maratona de Valência. Na prova, a atleta amadora conquistou o segundo lugar entre as participantes brasileiras. Após o evento esportivo, Victoria e a mãe seguiram de trem para Barcelona. Na manhã de segunda-feira, 26 de outubro, a jovem não acordou.

 

Adepta da corrida há quatro anos e com rotina regular de treinos e exames, Victoria era especialista em glaucoma e filha única. Com o término dos exames periciais no país europeu, os familiares organizam os trâmites burocráticos e têm a expectativa de realizar o traslado do corpo para o Brasil na próxima semana.

PT trava disputa interna e abre debate sobre futuro do partido no pós-Lula

  • Por Catia Seabra e Caio Spechoto | Folhapress
  • 01 Nov 2026
  • 12:13h

Foto: Juca Varella / Agência Brasil

A cúpula do PT enfrenta disputa interna motivada por insatisfações acumuladas ao longo da eleição e já debate sobre o futuro do partido após a aposentadoria do presidente Lula.

 

Diante de críticas à condução da campanha, petistas se articularam, na última semana, pela convocação de uma reunião presencial do Diretório Nacional, instância máxima do partido. O objetivo é fazer uma avaliação da disputa e articular a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas.
 

Na quinta-feira (29), uma ala do partido chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória anterior do partido, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha. Sob pressão, o presidente do partido, Edinho Silva, convocou o diretório para o dia 13 de novembro.
 

No PT, a expectativa é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador. Dirigentes do partido se queixam de concentração de decisões. Líderes estaduais cobram mais autonomia para decidir sobre o destino de recursos da legenda.
 

O próprio Lula externou crítica ao presidente do partido em fala à militância divulgada acidentalmente em canal da sigla. "Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou.
 

Edinho também contrariou aliados ao se lançar à Câmara dos Deputados, valendo-se do protagonismo à frente do partido para atrair eleitores em detrimento de candidatos de São Paulo.
 

Reclamando de desorganização, candidatos contam que tiveram que redimensionar seus gastos após uma revisão do valor de recursos repassados já no curso da disputa.
 

Parlamentares eleitos também reivindicam maior controle sobre recursos do PT, o que provoca grande reação de dirigentes locais e defensores do rejuvenescimento partidário.
 

A discussão sobre o funcionamento da sigla poderá influenciar no médio prazo a ascensão de novos nomes. Um dos argumentos usados pelos dirigentes locais para cobrar mais poder sobre os recursos da sigla é que são eles que conhecem as conjunturas estaduais. Por isso, teriam mais condições para identificar candidatos com potencial que devem receber mais dinheiro para fazer campanha.
 

Um exemplo seria a campanha de Cadu de Lula ao governo do Rio Grande do Norte. Ele era um candidato forte e foi eleito, mas teve apenas R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional do partido para fazer campanha nos dois turnos. Diversos candidatos a deputado federal receberam da direção nacional do PT mais recursos de campanha que Cadu.
 

Mesmo que haja uma alteração na forma como o partido planeja suas candidaturas para a maioria dos cargos, é consenso que Lula é quem conduzirá sua própria sucessão. A vitória na eleição da semana passada deu a ele ainda mais força para controlar esse processo, reduzindo o risco de rachas entre grupos petistas na disputa pelo posto de candidato a presidente em 2030.
 

Aliados do presidente listam o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador Rafael Fonteles (PT-PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) como possíveis herdeiros do chefe do governo. Mas ressalvam que ele não deve antecipar essa discussão. Sinalizar um sucessor imediatamente deslocaria a perspectiva de poder para um novo nome e diminuiria a autoridade do atual chefe de governo.
 

Camilo e Fonteles fizeram suas carreiras no Nordeste. Caso um dos dois seja escolhido, a região ganhará poder dentro do PT. Lula nasceu em Pernambuco, mas entrou na política em São Paulo.
 

O atual chefe de governo foi o candidato petista em 7 das 10 eleições presidenciais disputadas pelo partido e participou das articulações das outras 3. Ele terá 85 anos quando seu próximo mandato, que começa em 5 de janeiro, acabar. Não deverá mais disputar eleições.
 

Apesar de já haver nomes considerados favoritos, aliados de Lula afirmam que esse quadro pode mudar até o momento de escolher um candidato para a próxima eleição. O exemplo, citado por diversos petistas, é a eleição de 2010. Os ministros José Dirceu e Antonio Palocci eram apontados como prováveis sucessores de Lula em seus primeiros mandatos. Os dois foram atingidos por escândalos, e Lula lançou Dilma Rousseff (PT).
 

Há anos petistas do Nordeste reclamam do poder de políticos paulistas sobre o partido, que tem em estados como Bahia, Ceará e Piauí seus melhores resultados eleitorais. Mas o número de filiados do partido em São Paulo desequilibra as votações internas em favor dos paulistas.
 

Em conversas com dirigentes do partido, Edinho Silva tem dito que a legenda precisa mudar sua organização interna, renovar quadros e reformular sua maneira de se comunicar.
 

Diretriz política aprovada pela Executiva petista na quinta-feira toca nesses assuntos.
 

"O PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política. Orientamos a realização de uma ampla campanha de filiação de jovens ao Partido dos Trabalhadores", afirma o texto.
 

"O partido deve incorporar novas formas de organização e mobilização, renovar sua comunicação e ampliar sua presença nos territórios, transformando o apoio eleitoral em força social organizada", afirma o texto.