- Por Gabriel Lopes/Bahia Notícias
- 24 Set 2024
- 10:10h
Foto: Divulgação / PRF
Dados compilados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que a Bahia é o quarto estado com maior número de apreensões de armas de fogo em rodovias federais registradas nos últimos seis anos.
O número foi revelado pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. No levantamento, realizado entre janeiro de 2019 e 31 de julho de 2024, também foi possível identificar que o município de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, ocupa a 9ª posição do ranking entre todas as cidades brasileiras.
Nacionalmente, a análise dos dados revela, ainda, que as apreensões de fuzis quadruplicaram no período de cinco anos e meio. No período, 12.898 armas foram retiradas de circulação pela PRF em rodovias federais. Dessas, 11.370 eram armas de fogo — as demais, armas brancas, como facas e punhais.
Confira abaixo as 10 cidades com maior volume de ocorrências no período apurado:
- Rio de Janeiro - RJ (223 armas de fogo apreendidas)
- Porto Velho - RO (218)
- Santa Terezinha de Itaipu - PR (194)
- Seropédica - RJ (154)
- Boa Vista - RR (135)
- Brasília - DF (123)
- Vilhena - RO (119)
- Duque de Caxias - RJ (117)
- Vitória da Conquista - BA (104)
- Lavrinhas - SP (103)
Entre 2019 e 2024, o total de apreensões de todas as armas apresentou oscilações, mas registrou uma queda de 17,5% em 2024 comparado ao primeiro ano desta série histórica, que abrange os mandatos de Jair Bolsonaro e Lula.
Neste ano, a média está em 129,1 mil apreensões realizadas pela PRF por mês — uma arma a cada cinco horas.
- Por Eduarda Pinto/Bahia Notícias
- 24 Set 2024
- 08:20h
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado
Em cenário no qual a Bahia agrupa as cinco cidades mais violentas do país, segundo o Atlas da Violência de 2024, os municípios baianos vêm se articulando — já há algum tempo — para municipalizar a gestão de segurança pública. Uma das opções é recorrer ao Programa de Desenvolvimento/Implementação de Políticas de Segurança Pública, Prevenção e Enfrentamento à Criminalidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que, por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), passou a subsidiar ações municipais voltadas para segurança pública.
Ao Bahia Notícias, o MJSP informou que apenas oito dos 417 municípios baianos recebem apoio do programa nacional. São eles: Camacan, Cocos, Correntina, Fátima, Feira de Santana, Itarantim, Jequié e Valença. Juntos, os municípios receberam repasses que chegam a R$ 2,8 milhões.
Para celebrar um convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública para ter acesso ao FNSP, o ente federado, no caso o município precisa instituir um plano local de segurança pública e integrar o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp). Além disso, é necessário manter uma guarda municipal, realizar ações de policiamento comunitário ou, ainda, institua Conselho de Segurança Pública.
Do convênio mais caro ao mais barato firmado entre os entes federativos e o MJSP, os valores flutuam entre R$ 497 mil e R$ 200 mil.
O município que solicitou o maior valor de financiamento foi Jequié. A Cidade Sol, considerada a segunda cidade mais violenta do país segundo o Atlas da Violência de 2024, solicitou uma verba de R$ 502,920 mil para estruturar a Guarda Civil Municipal do através da aquisição de veículos. O convênio iniciado em dezembro de 2023 possui vigência até maio de 2025 e teve sua extensão adiada duas vezes após atrasos burocráticos no processo licitatório para a contratação de uma empresa que cumprisse os requisitos.
Em seguida, o município de Correntina, no extremo oeste baiano, celebrou um convênio com o MJSP em março deste ano, no valor de R$ 494,930 mil, também para a compra de veículos para a Guarda Civil Municipal. Na descrição da licitação divulgada em junho, o Município apontou que buscava a “aquisição de veículos automotivos caracterizados como viaturas para uso da Guarda Civil Municipal de Correntina-BA, sendo 4 (quatro) veículos do tipo motocicleta e 2 (dois) veículos do tipo SUV, padronizados, caracterizados com grafismo/adesivagem, adaptações (incluindo celas), equipamentos e acessórios (incluindo sinalização e acústica), a serem adquiridos por processo licitatório”. O convênio em andamento possui vigência até março de 2023.
O município de Cocos, por sua vez, solicitou R$ 494,630 mil em convênio com o ministério para a “estruturação da patrulha da Guarda Civil, visando a assistência às escolas e promoção das medidas de enfrentamento a todos os tipos de violência escolar”, diz o extrato do convênio. O convênio iniciado em dezembro de 2023 se estende até dezembro de 2025.
Em Itarantim, no médio sudoeste baiano, a gestão municipal solicitou um suporte financeiro de cerca de R$ 489 mil, para o “reaparelhamento da Guarda Civil Municipal de Itarantim, por meio da aquisição de veículos, capacitação, materiais de publicidade (informativos e expositivos), bem como equipamentos de proteção individual, informática, comunicação e segurança”, aponta o extrato do convênio. Ainda segundo o convênio, firmado em dezembro de 2023, os materiais serão disponibilizados especialmente para ações preventivas e socioeducativas, a exemplo da ronda escolar. A vigência do financiamento vai até dezembro de 2025.
Com um convênio firmado em agosto de 2022, o Município de Camacan, no litoral sul baiano, solicitou um financiamento de R$ 305,388 mil para a “aquisição de viaturas padronizadas com vias a modernizar a guarda municipal”. Com a licitação sendo homologada em maio deste ano, o convênio foi reajustado duas vezes — uma vez com termo de acréscimo no valor, em cerca de R$ 3,8 mil, e a segunda de vigência, em dezembro de 2023 — até março de 2025.
O município de Fátima, há cerca de 332 quilômetros de Salvador, solicitou o apoio financeiro do ministério para “reestruturar, modernizar e fortalecer a Guarda Civil Municipal de Fátima-Ba por meio da aquisição de equipamentos bélico, material de informática, áudio e vídeo, possibilitando a manutenção das rondas escolares”, aponta o extrato de convênio. Firmado em dezembro de 2023, o convênio foi ajustado no valor de R$ 221,235 mil, a ser pago até dezembro de 2025. Conforme as atualizações do processo, a aquisição dos materiais está em fase licitatória.
A segunda maior cidade da Bahia, em termos populacionais, Feira de Santana também aparece na lista do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A gestão da Princesa do Sertão firmou um convênio com o ministério em dezembro de 2020, solicitando o financiamento de R$ 200 mil para “fortalecer a Guarda Municipal do Município de Feira de Santana, por meio da aquisição de capacetes e motocicletas caracterizadas”, aponta o documento do convênio. Após dois processos de licitação desertos e prorrogada com termos aditivos de vigência, a parceria entre o município e o órgão federal chega ao fim em dezembro deste ano.
O município de Valença, no sul baiano, por sua vez, também deve receber do MJSP, até agosto de 2025, a verba de R$ 200 mil para “fortalecer a Guarda Civil Municipal do Município de Valença por meio da aquisição de viaturas caracterizadas, armamentos e equipamentos de informática”, segundo o extrato de convênio. O processo, iniciado em dezembro de 2020, teve a vigência alterada cinco vezes, até o momento.
- Bahia Notícias
- 23 Set 2024
- 18:20h
Foto: Divulgação / CBG
Brasileira com mais medalhas olímpicas na história, Rebeca Andrade encerrou a temporada de 2024 com mais um pódio ao conquistar a medalha de ouro nas barras assimétricas durante o Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, que foi realizado em João Pessoa, no último domingo (22).
Passada a conquista, a ginasta publicou uma carta aberta em seu Instagram, onde revelou que pensou em encerrar a carreira após o ciclo olímpico de 2024. Em carta escrita em março deste ano, Rebeca declarou que foi em um momento de tristeza como forma de desabafo que considerava dar um ponto final em sua carreira em Olimpíadas.
Entretanto, Rebeca Andrade ressaltou que mudou de planos e que passará por um recesso para cuidar do corpo e da mente e após isso, irá para mais um ciclo.
Confira a carta na íntegra:
E mais um ciclo chegou ao fim.
No dia 16/03/ 2024, em um momento de tristeza e mágoa, eu escrevi uma carta de despedida para a ginástica no notas do meu celular. Eu tinha certeza que esse seria o meu último ciclo olímpico, tudo terminaria depois de Paris e nessa carta eu estava falando comigo mesma, colocando pra fora coisas que pessoas me disseram e que me machucaram, mesmo eu sabendo quem eu sou. E na carta dizia assim:
Por causa de uma frase, falaram que o sucesso subiu a minha cabeça. Por causa de uma proposta, fui chamada de ingrata e egoísta. Por causa de uma palavra tirada de contexto em uma entrevista, zombaram de mim e disseram que eu estava no país errado e, essas coisas doeram em mim, principalmente por saber que eu não sou assim, as pessoas que olharam pra mim por um ângulo errado. Mas tudo bem, o mundo é assim, eu faço muito e penso em todos, mas as vezes preciso pensar em mim, e não é tão errado assim!
Por causa de um abraço, eu não desisti. Por causa de uma conversa, eu evoluí.
Por causa de um cuidado, eu persisti. E hoje eu sou feliz observando o orgulho dos que são importantes e que eu amo com todo o meu coração, vendo que eu venci! Venci as minhas barreiras, venci os meus pensamentos negativos, venci os dias ruins.. e a cada dia continuo vencendo alguma coisa dentro de mim!
Tenho orgulho de poder ser quem eu sou, sem esconder de onde eu vim.
Tenho orgulho da minha família que sempre fez o possível e o impossível para que eu fosse feliz. Tenho orgulho de ter cravado o meu nome na história do meu esporte, nos corações dos que estão aqui e dos que ainda estão por vir. Sou feliz por cada experiência que eu tive e vivi, mas a vida precisa seguir! Obrigada a todos que curtiram e fizeram parte da minha caminhada até aqui! Um ciclo se encerrou, mas eu acredito que tem um futuro lindo e brilhante que eu ainda vou trilhar!
(o futuro que eu mencionei acima era um futuro fora da ginástica, mas esse não era o plano de Deus pra mim!)
Hoje dia 22/09/2024, 6 meses depois, eu escrevo isso aqui:
Pensei que esse ano eu viria aqui para colocar um ponto final na minha trajetória na Ginástica, mas parece que tenho outros objetivos e planos para seguir..
Que orgulho poder olhar pra minha história e ver o quanto eu conquistei, ver que todos os dias de choros, dores, tristezas, e também os dias de alegria, sorrisos e conquistas me levaram TÃO longe! Nem nos meus melhores sonhos eu imaginei que me tornaria a maior atleta olímpica da história do meu país, mas Deus sim!
A sensação e a responsabilidade que vem de forma natural de ser um exemplo, tem um poder muito grande dentro de mim, mas como eu disse..vem de uma forma tão natural que não se torna um problema e nem me causa medo, é uma honra! Eu só tenho 25 anos, tenho tanto pra aprender ainda, mas trago comigo uma bagagem pesadíssima de momentos esportivos e pessoais importantíssimos que muitas vezes valem a pena ser compartilhados! Mostrar que eu não sou uma super heroína e sim uma pessoa que também falha, tem seus problemas, suas dificuldades e seus momentos de chutar o pau da barraca hahaha…e que mesmo assim se reergueu de diversas formas e enfrentou tudo com muita coragem, fé, determinação, foco e venceu cada obstáculo. É pra se orgulhar e mostrar que todos nós somos capazes de conquistar, a vida é assim!
Conhecer cada pedacinho meu e me respeitar tem sido incrível e um grande aprendizado. Espero poder continuar mostrando a beleza do meu esporte, sempre com um sorriso no rosto e fazendo vocês acreditarem que é sim possível alcançar os seus objetivos e realizar seus sonhos, mesmo com todas as adversidades que esse mundo tem!
Eu to MEGA ansiosa para as minhas férias, pra me conectar ainda mais comigo mesma, cuidar MUITO do meu corpo, da minha mente e ser uma Rebeca ainda melhor pra mim e, consequentemente pra vocês.
Obrigada Deus, família, equipe, clube, amigos, patrocinadores e a todos pelo carinho e torcida de sempre!
Meu ciclo esportivo de 2024 foi lindo e brilhante, mas o meu ciclo pessoal foi GIGANTE!
Logo mais eu to de volta!
- Por Leonardo Volpato | Folhapress
- 23 Set 2024
- 16:25h
Foto: Reprodução/TV Gazeta
O apresentador e atual candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB José Luiz Datena vai voltar à Globo após 35 anos. Ele será o primeiro postulante ao cargo a ser sabatinado numa série de entrevistas a partir desta segunda (23), às 11h45, no SP1 (Globo), sob o comando de Alan Severiano.
O retorno acontece três décadas e meia depois, já que ele trabalhou na TV Ribeirão, hoje renomeada como EPTV Ribeirão Preto, até 1989. Na época, em início de carreira, Datena fazia boletins esportivos e depois começou a tratar de outros temas de sua cidade-natal.
Um deles foi a quantidade de lixo na cidade, o que rendeu ao jornalista um prêmio Vladimir Herzog. Após se demitido, foi para a Band a convite do locutor Luciano do Valle (1947-2014).
Datena ficou muito conhecido por seu trabalho na Band, onde comanda há mais de 20 anos o Brasil Urgente.
Ele tem um acordo nos bastidores para retornar ao ar após a campanha -é o filho Joel quem tem comandado a atração-, inclusive com uma renovação de contrato acertada, algo já dito por ele mesmo. O jornalista tem vínculo até o fim de 2024, mas tirou uma licença não remunerada para realizar a campanha.
Os próximos candidatos na sabatina do SP1 serão Tabata Amaral (PSB), na terça (24); Pablo Marçal (PRTB), na quarta (25); Guilherme Boulos (PSOL) na quinta (26) e Ricardo Nunes (MDB) na sexta (27).
- Bahia Notícias
- 23 Set 2024
- 14:48h
Foto: Freepick
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou um conjunto de medidas às prestadoras de serviços de telecomunicações que visam coibir o uso de ligações telefônicas para aplicação de golpes e fraudes. São medidas em resposta à atualização de métodos feita pelos fraudadores, e complementares a outras já implementadas e em andamento.
As prestadoras deverão realizar novas etapas de verificação das chamadas, principalmente no que se refere à regularidade da numeração e à identificação de seu originador, visando garantir a transparência e a rastreabilidade das ligações telefônicas.
Dentre as medidas está a proibição da utilização múltiplos números aleatórios para chamadas de um mesmo originador, prática adotada pelo mercado de telesserviços que dificulta a identificação do originador e o bloqueio, no terminal do consumidor, de chamadas indesejadas ou fraudulentas.
Adicionalmente, determinou-se a criação de um canal setorial para centralizar o recebimento de denúncias de instituições financeiras sobre números utilizados para o cometimento de golpes e fraudes. As prestadoras deverão utilizar as informações recebidas para identificar o usuário e a prestadora de origem das chamadas, bloquear o acesso do usuário às redes de telefonia e acionar as autoridades de segurança pública.
O descumprimento das medidas estabelecidas pela Anatel poderá resultar na aplicação de multas de até cinquenta milhões de reais ou até mesmo na extinção da autorização para prestação de serviço de telecomunicações de prestadora que for considerada conivente com as práticas criminosas.
A Anatel reafirma seu compromisso com a proteção dos usuários e a integridade dos serviços de telecomunicações. Estas novas medidas representarão um passo significativo na luta contra fraudes e golpes, e espera-se que tragam resultados positivos ainda no presente ano de 2024.
- Por Folhapress
- 23 Set 2024
- 12:30h
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, negou que as queimadas e a alta dos juros afastem investimentos estrangeiros do país.
Haddad se manifestou sobre o cenário fiscal brasileiro e apontou que o investimento estrangeiros tem foco no longo prazo. O posicionamento foi dado a jornalistas neste domingo (22) em Nova York, onde o ministro participa de eventos da Semana do Clima.
"O estrangeiro vê de outra forma o Brasil, a médio e longo prazo", disse Haddad. Em complemento, o ministro comentou que participa de reuniões e ouve de estrangeiros propostas com foco em uma agenda que contrapõe o curto prazo.
Acredito que não (afasta investimentos). Só o capital especulativo, mas o capital que vai investir no Brasil por 15, 20 ou 30 anos não é afetado por esse tipo de ocorrência. Mas independente de qualquer coisa temos que cuidar deste cenário
Fernando Haddad
QUEIMADAS
O ministro acredita que a cooperação entre os estados seja a melhor solução para o combate às queimadas. Haddad citou o caso das enchentes no Rio Grande do Sul como exemplo à batalha enfrentada contra mais um episódio climático.
A tragédia no Rio Grande do Sul foi superada com dedicação do governo federal, com apoio dos estados e municípios. Temos que ter o mesmo apoio dos governadores dos estados afetados. Temos que trabalhar em parceria
Fernando Haddad
Haddad está em Nova York para apresentar projetos a investidores. Com o objetivo de conseguir fundos para a proteção de florestas tropicais, o ministro vai apresentar o Tropical Forest Facility Fund (Fundo de Apoio às Florestas Tropicais).
- Por Geovana Oliveira | Folhapress
- 23 Set 2024
- 10:10h
Foto: Agência Pará
As músicas do carimbó, ritmo tradicional do Pará, falam sobre o cotidiano dos ribeirinhos --o que vai de assuntos como amor, folclore, religião e comida à relação com o território. "Se por fora, eu pareço gente/ Por dentro, eu sou natureza", diz a música "Eu Venho de Longe", cantada pelo grupo Carimbó Cobra Venenosa.
A multiartista do grupo, Priscila Cobra, diz que prefere esse caminho para falar sobre a crise climática do que uma militância mais direta. "O carimbó canta os passarinhos, as árvores, a maré. Se você disser para alguém não jogar lixo de forma proibitiva, talvez ela nem ligue, mas se sentir o quanto a natureza é bonita e valiosa, provavelmente vai compreender que, por fora, é gente, mas por dentro é natureza", afirma.
Cobra foi uma das curadoras do Fórum de Arte pela Justiça Climática, que aconteceu da última segunda (16) até este sábado (21) em Belém, com patrocínio do Prince Claus Fund e da Open Society Foundations. O evento levou artistas de 20 países em desenvolvimento para um barracão de mestres do carimbó --como parte de um intercâmbio de práticas artísticas que denunciam a injustiça socioambiental.
Com a COP30, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, marcada para acontecer em Belém em 2025, todos os olhos se voltam à capital paraense. E os artistas se preparam para discutir de forma global o que já falavam internamente.
Essa foi a ideia do Prince Claus Fund, segundo o diretor-executivo, Marcus Desando. Para ele, "preparar as comunidades locais com meios para falarem sobre as questões [da mudança climática] é muito mais importante do que eles apenas chegarem na COP30 com cartazes". Afinal, diz, "a arte é a linguagem mais direta às pessoas".
Os problemas que as comunidades de Belém enfrentam, afirma, sejam direitos à terra, racismo ou questões climáticas, também são enfrentados por outras pessoas ao redor do mundo, que têm diferentes formas de solucioná-las.
"É uma oportunidade para Belém deixar sua própria voz mais forte para sair ao mundo", afirma, após ressaltar que "não é que eles já não saibam se expressar" e que os paraenses também têm muito a ensinar.
Durante os dias de troca, os artistas fizeram uma visita à Mãe Márcia de Xangô, na Ilha de Cotijuba, área de preservação na região insular de Belém. O coletivo da casa de axé promove educação ambiental na comunidade por meio de oficinas de desenho, música e poesia.
"As mudanças climáticas, que já não são mudanças porque estão no auge, fazem a gente precisar passar um alerta, e através da arte se torna mais rápido e mais leve", diz.
Eles participaram de uma gira de umbanda, o que o argelino Mohamed Labat definiu como "relação com entidades e com a natureza". No fórum, Labat apresentou o projeto visual "PhosFATE", que aborda o fósforo e o impacto de sua exploração sobre os indígenas do Saara, além de desafios ambientais, as mudanças climáticas e a eutrofização (poluição gerada por excesso de nutrientes na água) do mar causada por fertilizantes.
O fósforo do deserto do Saara é um nutriente que chega à amazônia através da poeira transportada pelo vento e compensa a falta de fertilizantes naturais no solo da floresta brasileira, além de influenciar na formação e no volume de chuva na região.
Em uma roda de conversa, a moçambicana Yara Costa afirmou que as pessoas das diferentes comunidades representadas estão vivendo há muito tempo as mesmas crises.
"A gente só não está falando a mesma língua e não estamos falando do mesmo lugar", disse. A arte, para ela, seria uma maneira de apresentar a realidade do chamado Sul Global, conceito usado para definir países em desenvolvimento.
Costa expôs a instalação "Nakhoda e a Sereia", uma experiência imersiva que alerta para a forma como populações costeiras africanas do oceano Índico, que durante séculos mantiveram uma relação harmoniosa com o mar, estão sendo afetadas pelas consequências do aquecimento global --um problema pelo qual não são responsáveis.
Os grupos vulneráveis que não contribuíram para a emissão de gases do efeito estufa são os mais afetados pela mudança climática, segundo diversos estudos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em português). Esse é o conceito ao qual se refere o termo injustiça climática.
Os termos justiça e injustiça climática, usados pelo IPCC e entre pesquisadores, estão sendo adotados agora no discurso já recorrente das comunidades do Pará sobre ativismo socioambiental.
"A gente sempre fez [ativismo] dessa forma. Agora estamos nomeando dentro desses termos de conferências, de fóruns, mas sempre falamos sobre, porque não tem como separar uma mulher negra da periferia do seu território. É a nossa raiz", diz Joyce Cursino, fundadora da produtora Negritar Filmes.
No fórum, ela apresentou o documentário "A 7 Palmas da Liberdade", sobre uma produtora de óleo de palma que se apossou de um cemitério quilombola e proibiu a comunidade de cultuar seus mortos.
A produção do açaí para exportação e seu consecutivo encarecimento, a poluição dos rios por empresas, o descarte incorreto do lixo, a exploração do cacau, a falta de saneamento básico em Belém, o racismo, o descaso com os povos indígenas, a gentrificação e o olhar do Sudeste sobre a região foram temas abordados no fórum.
A própria preparação para a COP30 foi questionada. "Há todo um projeto de reforma dos centros da cidade, mas não existe algo claro sobre qual vai ser o recurso investido nos bairros mais pobres para que depois da conferência eles possam não sofrer com alagamentos e falta de saneamento básico", diz a carimbozeira Priscila Cobra.
Thiago Maiandeua, coordenador executivo do grupo de jovens pela justiça climática Rede Cuíras, se diz não muito animado para a COP30. Segundo ele, as pessoas do seu território, reserva indígena e área de proteção ambiental Algodoal-Maiandeua, não sabem o que significa o termo e até perguntam se tem a ver com a Copa, de futebol.
O rapper Pelé do Manifesto tem um olhar mais positivo. Segundo ele, o evento pode mudar a ideia das pessoas de que a amazônia é uma espécie de "quintal" do país e do mundo.
Ao final do evento, neste sábado, o foco do fórum foi em "reimaginar futuros". Para a artista multidisciplinar Deborah Jack, de São Martinho, há jovens sonhando com um futuro em que a natureza vence. "Acho que esse é o trabalho da arte", disse.
A repórter viajou a convite do Prince Claus Fund.
- Por Folhapress
- 23 Set 2024
- 08:04h
Foto: Reprodução / ABC News
Donald Trump disse neste domingo (22) que não deve concorrer novamente à Casa Branca se perder as eleições deste ano para Kamala Harris. A declaração do ex-presidente dos Estados Unidos, que tem 78 anos, foi feita à apresentadora Sharyl Attkinson no programa Full Measure.
"Não, eu acho que não. Eu acho que... que vai ser só isso", disse Trump quando questionado se ele disputará a eleição novamente em 2028, caso perca para Kamala.
"Eu não vejo isso de jeito nenhum", acrescentou o republicano sobre lançar outra candidatura à Presidência, afirmando que espera vencer as eleições deste ano, marcadas para o dia 5 de novembro.
Trump é o candidato a presidente mais velho da história dos Estados Unidos após Joe Biden desistir da tentativa de reeleição, e terá 82 anos nas eleições de 2028.
Biden tem 81 anos e foi pressionado pelo Partido Democrata a sair da disputa após um desempenho considerado desastroso que teve em debate com Trump em junho deste ano. O presidente apoiou Kamala, 59, para sucedê-lo como candidata do partido.
A vice-presidente está à frente de Trump nas pesquisas eleitorais, segundo média apontada pelo site FiveThirtyEight, ainda que por uma vantagem pequena, de 48,4% a 45,5%.
Neste sábado (21), Kamala aceitou o convite para um novo debate, na CNN, contra Trump em 23 de outubro, a menos de 15 dias das eleições americanas. O republicano, porém, disse que é tarde demais para debater novamente com a adversária.
Em um comunicado, a chefe da campanha de Kamala, Jen O'Malley Dillon, disse que a candidata do Partido Democrata "está pronta para outra oportunidade de dividir o palco com Donald Trump" e que ele "não deveria ter problemas em aceitar esse debate".
Trump, que estava na tarde deste sábado em um evento de campanha na Carolina do Norte, disse que já participou de dois debates e que o primeiro, contra Joe Biden na CNN, "foi muito justo" —na ocasião, o formato determinava que os dois moderadores não fariam checagem de fatos do que era dito pelos candidatos.
"Eles [a CNN] foram muito criticados pelos lunáticos da esquerda radical por serem muito justos. Em outras palavras, eles não serão justos novamente", disse Trump no evento.
Kamala rebateu neste domingo. Em um evento de arrecadação de recursos para a campanha, na cidade de Nova York, ela disse que Trump deveria aceitar a proposta de debate porque dois os candidatos "devem isso ao povo americano e aos eleitores".
"Nós deveríamos debater novamente", disse a candidata. "Meu oponente está arranjando um motivo para evitar [outro debate]".
- Bahia Notícias
- 22 Set 2024
- 14:03h
Foto: Reprodução / PRF
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 130 kg de maconha em um veículo roubado na BR-116, próximo ao km 669, em Jequié, no início da tarde do último sábado (21). O carro, abandonado às margens da rodovia, foi localizado pelos agentes após uma saída de pista. No veículo, foram encontrados 148 tabletes de maconha.
De acordo com a PRF, o veículo havia sido roubado no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 2024, o que levantou suspeitas entre os policiais, que seguiram para um terminal rodoviário nas proximidades. No local, encontraram um homem que havia saído de uma área de matagal e tentava comprar uma passagem para Minas Gerais.
O suspeito foi abordado e, segundo a polícia, apresentou versões contraditórias sobre sua presença no local e sobre a passagem que tentava adquirir. Ele se recusou a fornecer mais detalhes e afirmou que só prestaria depoimento em juízo.
O homem foi encaminhado à Polícia Judiciária de Jequié, enquanto o veículo e a droga foram levados para perícia no Departamento de Polícia Técnica.
- Por Ana Cora Lima | Folhapress
- 22 Set 2024
- 12:53h
Foto: Divulgação
A saída de Boninho da Globo ainda rende. Duas semanas depois do anúncio, Dani Calabresa lamenta o desligamento do diretor e conta que não sabe se vai continuar com o quadro no BBB.
"Quem sou eu para falar alguma coisa do programa? O chefão se pirulitou e não sei absolutamente de nada", disse ela no Rock in Rio, neste sábado (21).
Calabresa afirmou que, se depender de sua vontade, estará na próxima edição. "A decisão é do Rodrigo Dourado. Eles sabem que podem contar comigo. Me ligou e eu me taco lá na grama sintética [risos]".
A atriz também diz que Boninho é um chefe de deixar saudades e não querer ver pelas costas. "Ele foi muito legal comigo. Tive uma experiência positiva. Onde será que ele entregou o currículo, hein? De repente, eu entrego no mesmo lugar", brincou.
- Por Marianna Holanda e Ricardo Della Coletta | Folhapress
- 22 Set 2024
- 10:30h
Foto: Marcelo Camargo / EBC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a Nova York neste sábado (21) ciente de que vai precisar aumentar a ênfase em seus discursos para o tema do meio ambiente, diante da onda de queimadas que assola o Brasil.
Ao mesmo tempo, o petista --que participa pela nona vez da Assembleia-Geral das Nações Unidas-- quer aproveitar seus pronunciamentos para impulsionar um pleito histórico da diplomacia brasileira: a reforma da governança global, principalmente da ONU e de seu Conselho de Segurança.
O Brasil enfrenta a maior estiagem já registrada, com recordes de incêndios, cidades sob fumaça e rios com baixo volume de água ou em níveis desérticos. Além da repercussão internacional, o tema virou um problema de política interna para Lula, com governadores da oposição cobrando uma maior atuação na esfera federal.
Ciente de que será impossível evitar falar das queimadas, o presidente deve usar o exemplo dos incêndios para reforçar o argumento de que é preciso agir urgentemente em medidas relacionadas ao clima.
A ideia é elencar o caso brasileiro como mais um argumento para ações defendidas há muito pelo Brasil, entre elas a de que os países desenvolvidos devem concretizar antigas promessas de recursos para o enfrentamento ao aquecimento global.
A pauta do meio ambiente ganha um contexto ainda mais central na agenda internacional de Lula uma vez que o país presidirá, no ano que vem, a conferência do clima da ONU --a COP30.
Apesar de a agenda climática ter subido de patamar nas prioridades da viagem a Nova York, o principal tema da participação de Lula na ONU neste ano deve ser a defesa da reforma das instituições internacionais, tanto as de caráter econômico quanto as políticas. O argumento da diplomacia brasileira é que as estruturas atuais, muitas desenhadas no pós-guerra, não refletem a atual geopolítica internacional.
Lula deve abordar o assunto pela primeira vez neste domingo (22), durante a Cúpula do Futuro, presidida pelo secretário-geral da ONU, o português António Guterres. Trata-se de projeto no qual Guterres busca criar um legado do seu período à frente das Nações Unidas, num momento em que a efetividade do multilateralismo é questionado pelas diferentes crises geopolíticas da atualidade.
Por um lado, o documento final negociado pelos países para a cúpula traz pontos comemorados pela diplomacia brasileira, entre eles a referência à expectativa de que a reformulação do Conselho de Segurança ocorra até 2030. Também consta o reconhecimento de que é preciso corrigir injustiças na representatividade do órgão, com foco principal na África e citação da América Latina.
Por outro lado, resistências ao alargamento do colegiado, que vêm principalmente de Estados Unidos e China, impediram avanços almejados pelo Brasil. Os países conseguiram acordar apenas no sentido de intensificar esforços para rediscutir as categorias do conselho, hoje dividido entre membros permanentes e temporários. O mesmo ocorreu com o tema do veto, um dos pontos mais criticados por Lula, em que não houve consenso para uma linguagem mais assertiva.
Há ceticismo de diplomatas brasileiros de que as potências que hoje têm um assento permanente no conselho um dia de fato aceitarão sua expansão, independente das sinalizações políticas que venham da Cúpula do Futuro. A China, por exemplo, rejeita qualquer mudança que envolva elevar status de seus rivais, como a Índia.
Os EUA, por sua vez, disseram recentemente apoiar a inclusão de dois novos membros permanentes do continente africano, mas se opuseram a dar a esses possíveis novos integrantes o poder de veto.
"Há um reconhecimento de que essa expansão deve acontecer, que deve incluir as regiões subrepresentadas ou não representadas, como América Latina e África", diz o embaixador Carlos Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty. "Então você vai caminhando muito aos poucos com certos consensos que vão sendo construídos. Mas não se pode dizer que essa reforma vai acontecer no mês que vem."
A defesa da reestruturação da ONU deve constar tanto no discurso de Lula na Assembleia-Geral da ONU, na próxima terça-feira (24), como numa reunião de chanceleres do G20 no dia seguinte.
No caso do grupo que reúne as 20 principais economias do mundo, neste ano presidido pelo Brasil, os países negociaram uma declaração que aborda a necessidade de reforma do Conselho de Segurança. O texto traz uma linguagem em linha com o acertado pelos membros da ONU no Pacto do Futuro.
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- Por Folhapress
- 22 Set 2024
- 08:18h
Foto: Divulgação
Silvia Abravanel, 53, se emocionou no primeiro "Sábado Animado" (SBT) que gravou após a morte do pai, Silvio Santos.
No programa que foi ao ar na manhã deste sábado (21), Silvia se emocionou ao agradecer o público: "Por todo o amor que eu, minhas irmãs, minha mãe, nossos filhos e todos os netos receberam de vocês, desse Brasil lindo e maravilhoso."
A apresentadora ressaltou que ela e as irmãs continuarão à frente da emissora: "Vamos seguir fielmente, com toda certeza, esse legado que ele [Silvio] deixou de muito trabalho, honestidade e caráter."
A gente tem obrigação com esse público maravilhoso que ele conquistou ao longo de 65 anos de televisão. Silvia Abravanel
Antes de continuar com o "Sábado Animado", Silvia finalizou: "A gente agradece por vocês terem abraçado a gente mesmo de longe. A todos esses lares que ele entrou, a gente promete que vai continuar levando, com o mesmo compromisso, tudo de melhor para vocês."
- Por Adriana Fernandes | Folhapress
- 21 Set 2024
- 16:27h
Foto: José Cruz / Agência Brasil
Em 2007, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava no início do seu segundo mandato e tinha acabado de anunciar a criação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A meta era crescer em média 5% ano, mas os juros em 11,25% eram um empecilho para os planos do presidente da República.
Na véspera da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), Lula ligou para o seu presidente do Banco Central: "Meirelles, eu nunca te pedi nada", disse. "É verdade", respondeu Henrique Meirelles. "Pois hoje eu vou te pedir. Vou te pedir que corte os juros, porque senão nós não vamos crescer os 5% da nossa meta. Você precisa colaborar e baixar a taxa de juros."
O diálogo é descrito por Meirelles no livro de memórias "Calma sob Pressão", da editora Planeta, que será lançado na terça-feira (24), em São Paulo.
Meirelles conta que respondeu a Lula que não precisava cortar os juros. "Nós vamos fazer a política monetária correta e o Brasil vai crescer mais do que 5%", argumentou o ex-banqueiro, ex-ministro da Fazenda e candidato à Presidência em 2018 pelo MDB, hoje com 79 anos.
O Copom manteve juros no mesmo patamar, Lula ficou zangado e parou de conversar com Meirelles. Meses depois, em nota cifrada numa coluna de jornal, recebeu o recado do petista: "A raiva passou".
Após 17 anos do pedido para o BC cortar a taxa Selic e com Lula de volta à Presidência para o terceiro mandato, a leitura do livro, escrito na primeira pessoa, passa a sensação de que a política econômica brasileira segue cercada dos mesmos impasses e dilemas do passado.
Pelo fato de Lula estar novamente no Palácio do Planalto, o 8º capítulo do livro "Sob Fogo Amigo 2003 -2008 " é, sem dúvida, o mais rico em detalhes sobre o jogo político, as intrigas dentro do governo e a pressão nos gabinetes de Brasília do ponto de vista de um dos principais personagens da cena econômica do país das últimas três décadas.
Alguns dos dilemas econômicos da época descritos na autobiografia, como a tentativa de acelerar o crescimento via aumento das despesas e estímulos fiscais, ataques ao BC para pressionar a redução dos juros e risco de contabilidade criativa, são temas das manchetes nos dias atuais.
O próprio Meirelles em uma das passagens do livro aborda esses problemas ao dizer que as políticas monetária e fiscal caminharam bem no primeiro mandato de Lula. "Palocci entendeu um conceito que muitos economistas da esquerda se recusam a aceitar: o gasto público tem efeito apenas até um certo ponto. O que gera emprego e crescimento de um país é o setor privado, não o público."
No capítulo "No olho do furacão - a crise do suprime", que trata dos anos da crise financeira internacional de 2008, momento de elevada tensão que explica o nome ao livro, Meireles não mede as palavras para relatar o confronto com Guido Mantega, que substituiu Antônio Palocci na Fazenda. A batalha era sobre o rumo das medidas a tomar.
"No meio do caos, o ministro Guido Mantega veio falar comigo. Ele não queria que o BC fizesse o leilão, mas que as linhas de crédito que estavam sendo disponibilizadas com recursos das reservas internacionais fossem canalizadas apenas pelo Banco do Brasil. Eu disse não", lembra.
As constantes trombadas entre Meirelles e Mantega nos bastidores eram conhecidas em Brasília, mas Meirelles fornece um olhar mais próximo aos conflitos da época.
Em outro trecho, Meirelles revela que Aloizio Mercadante o procurou ainda na campanha eleitoral de 2002 para que desistisse da candidatura a deputado pelo PSDB com o aceno de Lula para ser presidente do BC. Mercadante deixa claro na conversa que não dava para Meirelles ser presidente do BC de um governo do PT tendo sido eleito deputado pelo PSDB.
Lula venceu as eleições e Meirelles, eleito, desistiu do mandato aceitando o convite, com o compromisso do presidente de ter independência. De acordo com Meirelles, Lula também prometeu apresentar um projeto para deixar na "letra da lei a independência do BC". Lula concordou, mas o projeto não foi apresentado. A autonomia do BC, aprovada no governo Bolsonaro, virou alvo de críticas de Lula anos mais tarde.
Um segunda sondagem, desta vez para ser ministro da Fazenda no lugar de Joaquim Levy, foi feita pela presidente Dilma Rousseff, em novembro de 2015, por intermédio de Jaques Wagner (PT-BA), então ministro da Casa Civil e hoje senador.
No governo Temer, Meirelles propôs o teto de gastos, odiado pelo PT, que o substituiu no primeiro ano do Lula 3 pelo arcabouço fiscal. Para ex-ministro da Fazenda, o reconhecimento pelos banqueiros centrais das medidas de enfrentamento da crise de 2008 e o teto de gastos são os pontos mais altos e desafiadores da sua vida pública.
No livro, ele também conta episódios da sua infância e juventude em Goiás e do começo da vida profissional. Entres essas histórias, o serial killer que foi motorista da família e a disputa pelo grêmio estudantil em que escapou de ser baleado.
À reportagem, Meirelles diz que Lula tem que concluir que o governo precisa gastar menos. "Enquanto ele próprio e a equipe acreditarem que gastar mais é a solução, vamos ter essa questão [o problema fiscal]".
"Pela minha própria experiência o que funciona mesmo é cortar despesa e não ser criativo na contabilidade. É isso que faz com o que o Brasil possa crescer mais". O livro de memórias, diz, era um sonho antigo.
Lula assina um dos prefácios e Temer, o outro. "Faço questão de destacar a lealdade dele [Meirelles] ao nosso projeto de crescimento econômico com inclusão social", escreveu Lula.
Por coincidência, o lançamento do livro acontece na semana seguinte em que o Copom subiu a taxa Selic na primeira alta no governo Lula 3 e com o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, já indicado para presidir o BC.
Galípolo passa agora por um teste de fogo para mostrar que não será subordinado a Lula. "O Galípolo vai sofrer muito mais pressão do que o Meirelles. A expectativa que o PT tem sobre o Galípolo é muito maior", diz Thomas Traumann, coordenador editorial do livro.
CALMA SOB PRESSÃO
Preço R$ 59,90
Autoria Henrique Meirelles
Editora Editora Planeta
LANÇAMENTO
24 de setembro, a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi - av. Brig. Faria Lima, 2.232, Jardim Paulistano, São Paulo
O QUE MEIRELLES CONTA NO LIVRO
**O Mundo Caiu**
"Era preciso mostrar que estávamos falando sério. Por isso, logo na minha primeira reunião, decidimos aumentar ainda mais os juros que já estavam altos, agora para 25,5%. Como essa era a primeira reunião do BC sob o mandato de Lula, o mundo caiu. Deputados e senadores do PT chiaram. Eu fui em frente. Logo depois, José Dirceu, então ministro da Casa Civil, disse publicamente que o presidente Lula iria ordenar a queda dos juros na reunião seguinte. Na reunião do Copom de fevereiro, em vez ao invés de baixar a taxa de juros, como tinha sido anunciado pelo ministro Dirceu, nós subimos para 26,5%. Foi um acontecimento. Essa segunda alta dos juros -contrariando o que o ministro mais poderoso do governo havia dito- deu a todos a confiança de que o BC tinha realmente autonomia."
**O pedido de Lula ainda na campanha de 2002**
"Era início de julho de 2002 e eu estava no interior de Goiás fazendo campanha para deputado federal pelo PSDB quando o celular tocou com um número de Brasília. Do outro lado estava o então deputado federal Aloizio Mercadante, um dos mais próximos interlocutores do então candidato a presidente pelo PT. "Meirelles, em primeiro lugar, o Lula vai ganhar a eleição. Segundo: estamos pensando que você pode ser um bom presidente do Banco Central. Mas, poxa vida, não vai dar para você ser presidente do Banco Central de um governo do PT tendo sido eleito deputado federal pelo PSDV...", ele me disse. "Aloizio, estou no meio da campanha. Não vou renunciar agora [à candidatura a deputado federal] por conta de uma hipótese. E eu disse ao Lula: ‘não tomo decisões baseado em hipóteses’. Então, se de fato vocês ganharem a eleição e quiserem conversar comigo depois..."
**A pressão de Lula para cortar os juros**
"Um dia, em 2007, véspera da reunião do Copom, Lula me ligou: "Meirelles, eu nunca te pedi nada", ele começou. "É verdade", eu respondi. "Pois hoje eu vou te pedir. Vou te pedir que corte os juros, porque senão nós não vamos crescer os 5% da nossa meta. Você precisa colaborar e baixar a taxa de juros." "Não, presidente, não preciso. Nós vamos fazer a política monetária correta e o Brasil vai crescer mais do que 5%", eu contra-argumentei. Lula então passou a repetir as opiniões de várias pessoas que estavam buzinando no seu ouvido, que o único entrave para o Brasil crescer era eu. Ouvi tudo em silêncio e encerrei a conversa da forma mais polida."
**O pedido para deixar o governo Lula**
"Era maio de 2008, e concluí que era hora de ir embora. Havia um zum-zum-zum no mercado de que interlocutores do presidente estavam sondando possíveis nomes para o BC, e aquilo foi a gota d’água. Procurei o presidente Lula. "Presidente, a economia está muito bem, crescendo, inflação na meta, criamos empregos… para mim é o momento ideal para sair. E é um bom momento para o senhor também, porque vai ser uma mudança que não é por crise, nem por desentendimento, mas por um ciclo ter sido cumprido." "Meirelles, você nunca me convidou para jantar na sua casa…". Eu disse: "Ué, presidente, está convidado". [Lula não foi ao jantar] Passou cerca de uma semana, tínhamos uma reunião juntos, e eu perguntei: "Presidente, e a minha saída?". "Meirelles, nunca mais fale disso", ele me respondeu."
**O convite de Dilma**
"Em novembro de 2015, envolvido no lançamento do Banco Original, recebi um telefonema de Brasília. Não reconheci o número, mas atendi. "Meirelles, aqui é o Jaques. Gostaria de falar com você." Eu reconheci o tom de voz: era Jaques Wagner, à época ministro- -chefe da Casa Civil do governo Dilma. O então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estava na corda bamba, muito pelo fogo amigo do próprio governo petista, resistente às suas medidas para conter o déficit fiscal. Wagner chegou à minha casa, em São Paulo, por volta das 11h do dia seguinte. Wagner me disse que estava lá em nome da presidente Dilma Rousseff para me convidar para ser ministro da Fazenda. "Jaques, não vai funcionar. Eu e Dilma pensamos completamente diferente: eu acho que nós precisamos colocar um limite de gastos, ela acha que precisa gastar mais; eu acho que precisa fazer reforma da Previdência, ela discorda", eu disse. "A essa altura, ela concorda com tudo o que você propuser", respondeu Wagner. Ele fez uma ligação e botou Dilma no viva-voz. Ela estava numa reunião do G20 em Anatólia, Turquia. Conversamos francamente e ficamos de falar novamente quando ela retornasse ao país. Semanas depois da conversa com Dilma, Lula me telefonou reclamando por eu ter recusado o convite."
**O convite de Temer**
"Na véspera da votação do impeachment, Temer me chamou para ir até o palácio do Jaburu, onde morava como vice-presidente, e me convidou oficialmente. Eu o avisei de algumas coisas duras que precisavam ser feitas, entre as quais o que viria a ser o teto de gastos, e outras reformas fundamentais. Ele concordou. Aceitar ser ministro da Fazenda em 2016 foi uma decisão mais simples do que a de aceitar ser presidente do Banco Central em 2002. Em ambos os casos, a situação do Brasil era muito ruim, mas o problema do Brasil em 2002 era a falta de moeda forte, o país estava insolvente na dívida externa; em 2016, o problema era fiscal."
**Confronto com Mantega**
"Mantega afirmou peremptoriamente que o presidente Lula havia dado uma ordem para que o Banco do Brasil tivesse a exclusividade da operação [leilão de reservas. "Se ele deu essa ordem, ele está mal assessorado. Portanto, não vou seguir", respondi. Decidimos então marcar uma reunião para resolver o impasse. A reunião foi marcada para o dia seguinte, na base aérea de Cumbica, em Guarulhos entre o presidente, Mantega e eu. Mantega colocou suas posições sobre a exclusividade do Banco do Brasil. "Isso é um erro", retruquei. Depois de algum tempo de debate, o presidente Lula, que ouvia a nossa discussão, disse: "Vocês dois resolvem isso". Eu aproveitei e me levantei também. "Então está resolvido, presidente. Bom final de semana. Bom domingo, ministro. Amanhã, às 9h, tem o leilão." Mantega ficou sem reação."
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- Bahia Notícias
- 21 Set 2024
- 12:23h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
Líder do Grupo City, conglomerado de clubes que está à frente do Bahia desde o ano passado, o sheik Mansour Bin Zayed Al Nahyan é também detentor de 5% das ações da Ferrari, uma das equipes automobilísticas mais tradicionais da Fórmula 1, BP Money, parceiro do Bahia Notícias.
Além do Bahia, na lista de times que integram fazem parte do Grupo City estão o Manchester City, o New York City, o Melbourne City, entre vários outros espalhados pelo mundo. Mansour bin Zayed al-Nahyan nasceu em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes, em 1970. Ele estudou nos EUA e se tornou dono da Al Jazira Football Club, time de sua cidade natal, antes de comprar o Manchester City, em 2008.
O sheik Mansour é irmão de Khalifa bin Zayed al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos e emir de Abu Dhabi desde 2004, após a morte de seu pai.
O bilionário dono da Ferrari e do Bahia é vice-primeiro Ministro dos Emirados Árabes, membro do Conselho Supremo do Petróleo e presidente da Emirates Racing Authority, órgão que está à frente da organização de corridas de cavalos de seu país. A riqueza de Mansour advém, sobretudo, dos negócios com essa commodity.
Confira a lista de clubes que integram o conglomerado do Grupo City
Europa:
Manchester City (Inglaterra)
Girona (Espanha)
Lommel SK (Bélgica)
Palermo (Itália)
ESTAC Troyes (França)
Istanbul Basaksehir (Turquia) – parceiro
Américas:
New York City (Estados Unidos)
Montevideo City Torque (Uruguai)
Bahia (Brasil)
Bolívar (Bolívia) – parceiro
Ásia:
Mumbai City FC (Índia)
Yokohama F. Marinos (Japão)
Sichuan Jiuniu (China)
Oceania:
Melbourne City (Austrália)
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- Por Beatriz Santos/Bahia Notícias
- 21 Set 2024
- 10:16h
Foto: Alexandre Loureiro / COB
A Bahia sempre se faz presente quando o assunto é ser referência em esportes. Do boxe, com Robson Conceição e o histórico Popó, com passagem pela natação de Ana Marcela e, especialmente, se destacando na canoagem com Isaquias Queiroz, que se tornou o segundo atleta com mais medalhas olímpicas do Brasil.
No sul do estado, o esporte que mais vem se destacando é a canoagem de velocidade. Os destaques canoístas têm origem, principalmente, em Itacaré, e os nomes escalados para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 foram Matheus Nunes, Jacky Goodman e Valdenice Conceição, além do medalhista Isaquias, de Ubaitaba.
Natural de Itacaré e representante de Maraú, Valdenice Conceição foi a primeira mulher brasileira a conseguir uma vaga nas Olimpíadas, na categoria da canoagem feminina, criada em 2020. A atleta de 34 anos é contemplada pelo Programa Bolsa Atleta do Ministério do Esporte, na categoria Pódio.
Criado em 2005, o Programa visa beneficiar atletas de alto rendimento com bom desempenho em competições nacionais e internacionais da sua modalidade. Em 2012, foi permitido que os atletas que se beneficiassem da Bolsa também poderiam ter patrocínios externos, e contar com mais uma fonte de renda para manter as atividades.
Em entrevista para o Bahia Notícias, a canoísta baiana relatou as dificuldades que enfrentava antes de ter o apoio do governo para chegar às competições. Sem recursos, a atleta e sua família buscavam doações para disputar os campeonatos.
“No meu começo não tinha Bolsa Atleta, Bolsa Esporte, patrocínios, então, tínhamos dificuldade de ir para os campeonatos, por não ter recursos. Com família de pescador não tinha como ter essa verba. Corríamos atrás de vaquinhas, de amigos, de parceiros que pudessem suprir as necessidades para chegar aos campeonatos. O Governo da Bahia faz o que dá para fazer. Não é o suficiente, mas, o que eles dão já ajuda. Já é de grande importância para todos nós atletas continuarmos treinando e se dedicando para melhorar, crescer, virar um atleta de alto rendimento e ser campeão mundial. Esse é o nosso objetivo, o foco principal. Ser melhor e abraçar o pouco que temos”, afirmou.
Valdenice Conceição nos Jogos Olímpicos de Paris | Foto: Alexandre Loureiro / COB
Além disso, Valdenice confirmou que grande parte dos apoios que os canoístas do sul da Bahia receberam veio somente após a medalha de prata conquistada por Isaquias Queiroz e Erlon Souza na categoria C2 — 1.000 m, nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
“O Governo da Bahia vem, há alguns anos, apoiando o esporte. A gente foi beneficiado depois dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, com as medalhas do Isaquias e do Erlon. Fomos beneficiados com mais apoio. Creio que a canoagem da Bahia teve mais atenção do Governo do Estado e, com certeza, pôde diferenciar na seleção de mais atletas que representam a canoagem brasileira”.
Medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, em 2023, Valdenice esteve próxima da primeira medalha olímpica da canoagem de velocidade feminina, nos Jogos de Paris 2024. Apesar da brasileira ter liderado as eliminatórias, a atleta ficou em 13º lugar na classificação final com o tempo de 46s82.
Contudo, para além dos nomes já consolidados no esporte, o que as entidades representantes da canoagem baiana fazem para aumentar a quantidade de atletas de alto rendimento que tornam o estado mais forte na atividade náutica?
A presidente da Federação Baiana de Canoagem (Febac), Camila Lima, respondeu à pergunta e falou sobre as estruturas que a Federação possui no entorno da Bahia para reforçar a equipe e o estímulo da prática do esporte.
“Contamos atualmente com três centros de canoagem estruturados nas cidades de Ubaitaba, Ubatã e Itacaré. Também contamos com sete escolinhas (Ubatã, Ubaitaba, Itacaré, Maraú, São Félix, Camamu e Itajuípe) para meninos de 7 a 18 anos para 510 alunos, treinando em equipamentos com todo suporte. Tudo isso patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia, através da Setre. A Sudesb também construiu núcleos em menor proporção nas cidades de Itajuípe e Camamu, entregues no primeiro semestre. O núcleo de Maraú e Ibotirama, estão em fase final para inaugurar. E o núcleo de Santo Estêvão está em construção. Tudo isso para agregar juntos as escolinhas para fomentar a base e consequentemente o alto rendimento”, comentou Camila.
O Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem 2024 foi finalizado na última quarta-feira (18) e, mais uma vez, a canoagem da Bahia se destacou. Respectivamente, as equipes de Ubaitaba (ACC) e de Itacaré (ACI) ficaram com o primeiro e o segundo lugar na classificação geral nacional.
Dentre todos os atletas presentes, Mateus Nunes Bastos, promessa para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, conquistou diversas medalhas. Dentre elas, a que mais brilhou foi a prata no C1 200 m.