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- Bahia Notícias
- 30 Dez 2024
- 13:38h
Foto: Divulgação / X / The Carter Center
Morreu, na tarde deste domingo (29), aos 100 anos, Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos entre os anos de 1977 e 1981. A informação foi divulgada por seu filho ao jornal americano "The Washington Post".
Jimmy era filiado ao Partido Democrata, foi senador e governador do estado da Geórgia antes de chegar à presidência, que foi marcada por uma grave crise econômica e esforços de paz em todo o mundo.
Foi sob o seu governo que que a disputa diplomática com o Irã implodiu, resultando no sequestro de 52 norte-americanos na embaixada de Teerã, em 1979. Os reféns só foram soltos 444 dias depois, já na gestão do presidente Reagan, e o caso manchou a reputação de Carter, criticado por lidar de forma desastrosa com o evento.
Ele continuou atuando politicamente por meio da Fundação Carter, criada por ele em 1982, e organizou missões diplomáticas pelo mundo. O político ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2002 pela promoção de soluções pacíficas em conflitos internacionais.
Junto de sua esposa, Rosalynn, Jimmy teve quatro filhos.
- Por Folhapress via Bahia Notícias
- 29 Dez 2024
- 08:17h
Foto: Reprodução / X
Um avião que transportava 175 passageiros e 6 tripulantes saiu da pista, bateu contra um muro e explodiu no Aeroporto Internacional de Muan, no sudoeste da Coreia do Sul, na noite deste sábado (28), já manhã de domingo no horário local.
De acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap, apenas duas pessoas sobreviveram. Todos os outros a bordo foram presumidos mortos pelos bombeiros.
A aeronave, um Boeing 737-800, decolou de Bancoc, na Tailândia, com destino a Muan. Na lista de passageiros do voo 2216 aparecem 173 pessoas de nacionalidade sul-coreana e dois tailandeses.
A Coreia do Sul cancelou todos os voos domésticos e internacionais que tinham como origem ou destino o terminal envolvido no acidente.
O acidente aconteceu às 9h07 no horário local (21h07 no horário de Brasília). Segundo a polícia e os bombeiros, o avião, operado pela companhia aérea Jeju Air, tentava pousar em Muan, localizado a 288 km de Seul.
Uma apuração preliminar indicou que o acidente foi causado por "contato com pássaros, o que resultou em uma falha no trem de pouso" enquanto o avião tentava aterrissar.
Em vídeo compartilhado pela imprensa sul-coreana, é possível ver a aeronave derrapando pela pista, aparentemente sem o trem de pouso acionado, antes de se chocar contra uma parede do terminal, o que resultou na explosão.
Equipes de emergência trabalhavam para resgatar passageiros pela cauda da aeronave, informou a Yonhap. Ainda segundo a agência, autoridades tinham conseguido apagar o incêndio. Também iniciaram uma investigação para determinar as causas do acidente.
Uma imagem mostra a parte traseira do avião em chamas no que parece ser a lateral da pista, com bombeiros e veículos de emergência próximos aos destroços da aeronave. Outras fotos mostraram fumaça e fogo em pedaços do avião.
O presidente em exercício da Coreia do Sul, Choi Sung-mok, exigiu que todos os esforços se concentrem no resgate às vítimas, informou seu gabinete. Choi foi nomeado líder interino do país em meio à crise política após o impeachment de Yoon Suk Yeol, que tentou dar um autogolpe no último dia 3.
- Por Igor Gielow | Bahia Notícias
- 26 Dez 2024
- 18:30h
Foto: Reprodução / AFP
O jato comercial da Embraer que caiu no Cazaquistão nesta quarta (25) pode ter sido vítima da defesa antiaérea da Rússia. As condições da rota, relatos de passageiros e imagens de dentro e de fora da aeronave sugerem que ela foi atingida por estilhaços de um míssil ou de um drone interceptado.
Até aqui, as autoridades são evasivas. Inicialmente, tanto o órgão regulador da Rússia, destino do voo da Azerbaijan Airlines, quanto do Azerbaijão falaram que o avião havia sido atingido por um bando de pássaros.
A versão desapareceu ao longo da tarde (manhã no Brasil), e os azeris falaram na "explosão de um balão" dentro do E-190, algo que não faz sentido ao pé da letra.
Três indícios sugerem que o avião foi atingido antes de cair. Primeiro, sua rota: ele ia de Baku para Grozni, a capital da Tchetchênia, voando pela costa do mar Cáspio a norte e fazendo uma curva à esquerda, entrando pela república russa do Daguestão, sobrevoando sua capital, Makhachkala.
Segundo sites de monitoramento de voo, a rota não mudou na última semana, sendo cumprida em média em uma hora. Nesta manhã, havia registro de ataques de drones ucranianos em toda a região, como as vizinhas Inguchétia e Ossétia do Norte.
Makhachkala teve seu aeroporto, o único da rota, fechado nesta manhã devido aos drones. O que foi possível observar por sites de monitoramento foi o desaparecimento do avião antes de chegar a Grozni, reaparecendo do outro lado do mar Cáspio, em Aktau (Cazaquistão).
Lá, vídeos de moradores mostram o avião alternando descidas e subidas, com o trem de pouso baixado, como se tivesse dificuldade de controle. Ao fim, ele parece tentar fazer um pouso de emergência e explode no solo.
O que ocorreu de um momento ao outro é mistério até aqui, mas um vídeo gravado por um passageiro dentro da aeronave dá mais uma pista. Ele mostra o que parecem ser danos internos na altura dos bagageiros do E-190, com ao menos dois sistemas de oxigênio com as máscaras penduradas. Um painel na parede da cabine também está danificado.
Relatos de sobreviventes dizem que o avião tentou pousar, presumivelmente em Grozni, mais de uma vez, quando ouve uma explosão do lado externo da aeronave. Segundo a mídia russa, a administração do aeroporto tchetcheno disse que havia dificuldades na hora do pouso devido a uma forte neblina.
Mas a evidência mais relevante veio após o desastre, com imagens de seções da fuselagem do avião. Nelas, é possível ver claramente furos compatíveis com estilhaços típicos de explosão de mísseis antiaéreos.
A Folha de S.Paulo ouviu dois analistas militares russos que viram as imagens e concordam com a avaliação.
Grozni é defendida, segundo analistas militares russos, por sistemas de curto alcance Pantsir-S1, calibrados para atacar drones. A bateria dispara mísseis que não atingem seus alvos, mas sim explodem a uma certa distância e lançam uma nuvem de fragmentos para otimizar a chance de acertar o inimigo.
Se foi isso que ocorreu, restará saber se algum sistema antiaéreo russo estava em ação contra drones. Neste caso, o míssil pode tanto ter atingido um drone e o E-190 quanto pode ter havido algum engano por parte de operadores.
A autoridade de aviação do Azerbaijão iniciou uma apuração e cancelou todos os voos no norte do Cáucaso até segundo ordem.
O episódio, que precisa ser apurado para sair do campo das especulações, lembra à distância o famoso caso do voo da Malaysia Airlines que foi abatido sobre o leste da Ucrânia em 2014, matando 298 pessoas.
Ali, ficou estabelecido por uma investigação internacional que um míssil antiaéreo do sistema russo Buk atingiu o avião, provavelmente por engano de seus operadores. A bateria estava na região então dominada pelos separatistas pró-Moscou que iniciavam a guerra civil que, em última instância, deu à luz a invasão total de Vladimir Putin contra o vizinho em 2022.
Os russos negam responsabilidade sobre o episódio e dizem que foi um míssil de Kiev, que também operava o mesmo sistema, que derrubou o Boeing-777.
- Por Victor Lacombe | Folhapress
- 14 Dez 2024
- 08:50h
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Depois de uma tentativa fracassada no último dia 7, o Parlamento da Coreia do Sul obteve apoio necessário e votou neste sábado (14) pela destituição do presidente Yoon Suk Yeol, 11 dias depois da tentativa de autogolpe promovida por ele com a decretação de lei marcial.
O impeachment foi aprovado por 204 votos a favor e 85 contra -- era necessário o aval de dois terços da Assembleia Nacional, ou 200 dos 300 assentos. Três congressistas se abstiveram e outros oito votaram nulo.
Logo após o anúncio, Yoon veio a público afirmar que "não vai desistir" após a votação. "Estou frustrado que todos os esforços até agora serão em vão", disse ele em declarações feitas à TV coreana.
No último dia 7, a votação de impeachment tinha falhado depois de um boicote do PPP. Neste sábado, como já havia indicado o presidente da sigla à imprensa, o partido não inviabilizou o movimento da oposição.
Com o impeachment, o primeiro-ministro Han Duck-soo assume as funções presidenciais, conforme determina a Constituição sul-coreana. Caso a Corte Constitucional chancele a decisão do Legislativo, o que é provável, novas eleições para o cargo de chefe do Executivo precisam ser realizadas em até 60 dias.
Investigado pela polícia por insurreição e alvo de protestos por sua renúncia, a permanência de Yoon no cargo se tornou praticamente insustentável na quarta-feira (11), quando fez um discurso televisionado no qual subiu o tom contra a oposição.
Na ocasião, disse que a declaração de lei marcial classificada como autogolpe pela oposição foi necessária e questionou a lisura das eleições legislativas de abril deste ano, nas quais perdeu a maioria na Assembleia Nacional. Yoon reafirmou também que não renunciaria. A posição do presidente causou surpresa e indignação até entre aliados, pois no sábado anterior (7), horas antes da primeira votação de impeachment, ele pediu desculpas à nação e afirmou que havia sido movido pelo desespero ao recorrer à lei marcial, que restringe direitos políticos.
No segundo pronunciamento, em uma tentativa de justificar a declaração da lei, o presidente afirmou que "grupos criminosos" que paralisam o trabalho do Estado e desafiam o Estado de Direito devem ser combatidos e impedidos de chegar ao poder "a qualquer preço".
A investigação contra ele levou a polícia sul-coreana a tentar fazer uma operação de busca no gabinete presidencial na quarta (11), mas os agentes foram impedidos pela equipe de segurança de Yoon. Além disso, o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun está preso desde o dia 8 --na última terça (10), ele tentou cometer suicídio na prisão.
Nos dias que se seguiram ao autogolpe frustrado, o líder da bancada governista no Legislativo, o deputado Choo Kyung-ho, havia dito que se esforçaria para tentar barrar um impeachment, mas que isso não significava concordância com a "lei marcial inconstitucional". Choo também teria pedido que Yoon deixasse o partido.
A declaração de lei marcial, na noite de 3 de dezembro, foi a primeira desde o fim da ditadura no país, em 1987. O texto suspendia atividades políticas e liberdades civis e levou militares às ruas de Seul, que chegaram a invadir o Parlamento, mas recuaram.
A medida foi rejeitada no Parlamento por unanimidade na madrugada de quarta (4), tarde de terça no Brasil, em uma votação sem participação de parlamentares governistas, que ademais também se manifestaram contra o expediente.
Ex-promotor de Justiça que se tornou estrela no país, Yoon Suk Yeol foi eleito em 2022 com uma plataforma conservadora no pleito mais apertado da história coreana. A vantagem em relação ao segundo colocado foi de apenas 0,73 ponto percentual.
Yoon liderava a equipe de investigação dos crimes que levaram ao afastamento da primeira mulher presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, presa e condenada em 2018 a 24 anos de prisão por uma série de violações envolvendo corrupção e abuso de poder. Libertada após um indulto presidencial em 31 de dezembro de 2021, tornou-se aliada de seu antigo algoz.
- Bahia Notícias
- 13 Dez 2024
- 18:01h
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Mark Zuckerberg, presidente e fundador da Meta, empresa dona das redes sociais Facebook e Instagram e do WhatsApp, doou 1 milhão de dólares (cerca de R$ 6 milhões) ao fundo de posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pelo jornal norte-americano Wall Street Journal. A contribuição ocorre apenas duas semanas após Zuckerberg jantar com o presidente eleito no resort de luxo que possui em Mar-a-lago, na Flórida. Durante o jantar, o milionário teria apresentado os óculos inteligentes desenvolvidos pela Meta ao futuro presidente.
O bilionário e o republicano já trocaram desavenças no passado, mas os ânimos parecem ter se acalmado passadas as eleições. Em 2021, após os ataques de apoiadores de Trump ao capitólio, as contas do então presidente foram banidas do Facebook e do Instagram. Trump, por sua vez, ameaçou retaliar Zuckerberg, este ano, caso ele “tentasse interferir nas eleições”.
O bilionário norte-americano é a terceira pessoa mais rica do mundo, segundo o ranking da Forbes, revista estadunidense de negócios e economia. O fundador do Facebook tem um patrimônio estimado de US$ 218,7 bilhões (1,32 trilhão de dólares), fruto de suas ações na empresa que fundou, ao lado do brasileiro Eduardo Saverin.
Zuckerberg, no entanto, não é o doador mais rico do futuro presidente. Durante as eleições estadunidenses deste ano, Trump se aliou ao homem mais rico do mundo, Elon Musk, para conseguir se eleger novamente. Ao todo, o bilionário sul-africano investiu mais de US$ 250 milhões (R$ 1,5 bilhão) na campanha do republicano.
- Por Matheus dos Santos | Folhapress
- 12 Dez 2024
- 14:27h
Foto: Reprodução / Agência Brasil
O governo de Tóquio, capital do Japão, anunciou no começo de dezembro (3) que planeja implementar uma semana de quatro dias de trabalho para funcionários públicos. A medida busca incentivar casais a terem filhos e está marcada para começar a partir de abril de 2025.
O país tem atravessado uma crise de natalidade. Segundo a agência de notícias Reuters, o número de nascimentos no Japão caiu pelo oitavo ano consecutivo e atingiu seu menor patamar em 2023.
Segundo o Japan Times, o anúncio foi feito pela governadora de Tóquio, Yuriko Koike, em discurso na Assembleia Metropolitana da cidade. "Continuaremos a revisar os estilos de trabalho de forma flexível para garantir que as mulheres não tenham de sacrificar suas carreiras devido ao nascimento ou criação de filhos."
O objetivo, segundo Koike, é criar "um futuro onde tanto homens quanto mulheres possam prosperar".
Hoje, os funcionários do governo metropolitano têm uma jornada de trabalho que permite um dia extra de folga a cada quatro semanas. A regra será revisada para permitir um dia fixo de folga por semana.
Outra medida anunciada foi a possibilidade de pais com filhos matriculados do primeiro ao terceiro ano do ensino fundamental poderem trocar parte de seus salários pela opção de sair mais cedo do trabalho.
"Agora é o momento para Tóquio tomar a iniciativa de proteger e melhorar as vidas, os meios de subsistência e a economia de nosso povo durante estes tempos desafiadores", afirmou Koike.
Em 2023, os nascimentos no Japão caíram 5,1% em relação ao ano anterior (foram pouco mais de 758 mil bebês). Os casamentos também diminuíram 5,9%, para aproximadamente 489,2 mil -a primeira vez em, ao menos 90 anos, que ficou abaixo de 500 mil.
O secretário-chefe do gabinete do país, Yoshimasa Hayashi, disse em fevereiro que a taxa de natalidade está em uma situação crítica. "Os próximos seis anos ou mais, até 2030, quando o número de jovens diminuirá rapidamente, serão a última chance de reverter a tendência", afirmou na ocasião.
O total de menores de 15 anos no Japão está em baixa recorde e representa 11,4% da população total, enquanto o número de pessoas com mais de 65 anos está em uma máxima recorde de 29,1%, segundo o Ministério de Assuntos Internos e Comunicação do país.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Pesquisa da População e da Seguridade Social, a população do Japão deve diminuir cerca de 30% para 87 milhões até 2070, com 4 em cada 10 pessoas tendo 65 anos ou mais.
No Brasil, idosos devem ser a maior parcela da população em 2070, com quase 4 de cada 10 brasileiros, segundo projeções do IBGE.
Há também um debate sobre o fim da escala 6x1, que propõe alterar a jornada dos trabalhadores. O tema virou alvo de uma proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que busca alterar o artigo 7º da Constituição, inciso 13, que trata do tema.
A sugestão da parlamentar é adotar uma jornada de quatro dias semanais, seguindo o exemplo de alguns países do mundo e de algumas empresas no Brasil. Segundo especialistas, a medida pode gerar diminuição do estresse e da exaustão dos trabalhadores.
- Bahia Notícias
- 11 Dez 2024
- 14:45h
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Os rebeldes que tomaram o poder na Síria e depuseram o ditador Bashar al-Assad nomearam como primeiro-ministro interino do país Mohammad Al-Bashir, do Governo da Salvação, ligado ao maior grupo rebelde do país, o Hayat Tahrir al-Shaw (HTS). A nomeação foi anunciada pelo próprio Al-Bashir, durante um discurso televisionado nesta terça-feira (10)
Durante o período de três meses em que governará, Al-Bashir será responsável por supervisionar a transição para um novo governo. Até lá, ministros do antigo Governo da Salvação, bem como funcionários públicos da era de Bashar as-Assad, continuarão servindo no governo interino até 1º de março de 2025. Mohammad Al-Bashir, de 41 anos, é engenheiro e possui qualificações em inglês e na lei Sharla.
CONFLITO NA SÍRIA
O regime da família Assad na Síria caiu no último dia 8, após mais de 50 anos no poder. A queda ocorreu quando grupos rebeldes tomaram Damasco, a capital do país, forçando o ditador Bashar al-Assad a fugir para a Rússia, em busca de asilo.
A guerra civil no país surgiu em 2011, quando, durante a primavera árabe, o regime reprimiu uma uma revolta pró-democracia. Desde então, o país mergulhou em um conflito de grande escala e uma força rebelde foi formada. Além disso, o grupo terrorista Estado Islâmico conseguiu se firmar no país e chegou a obter o controle de 70% do território sírio.
Em 2020, um acordo de cessar-fogo foi assinado entre o governo sírio e os rebeldes. A partir deste momento, o conflito amainou-se. Ao todo, segundo estimativas da ONU, foram mortos mais de 300 mil civis na guerra.
- Por Folhapress
- 09 Dez 2024
- 15:45h
Foto: Reprodução/CNN
A extrema direita tem crescido na Alemanha e deve ser "normalizada'' nos próximos anos, analisam especialistas. O processo ocorre apesar das cicatrizes do passado nazista e das duras leis antifacistas do país.
O partido alemão de extrema-direita, a AfD (Alternativa para Alemanha), teve ganhos políticos significativos neste ano. Em junho, o foi o segundo mais votado nas eleições do Parlamento Europeu e colocou seus deputados em 15 assentos - um crescimento de quase 50% em relação a 2019.
O partido também ganhou em eleições estaduais. A AfD conquistou 32,8% dos votos no estado da Turíngia, no leste do país. Na Saxônia, estado vizinho e mais populoso, a sigla também se destacou, mas para o CDU (União Democrata-Cristã) de centro-direita.
Criada em 2013, a legenda sempre já foi investigada diversas vezes pela polícia alemã por seus posicionamentos. A AfD é conhecida por colocações extremistas, anti-imigração, anti-União Europeia, nacionalistas e, principalmente, que relativizam o regime nazista.
Na semana passada, por exemplo, a sigla protagonizou uma polêmica após usar um slogan nazista. O grupo do conselho municipal da AfD de Leuna colocou uma coroa de flores com a frase ''para os líderes, o povo e a pátria. Por quê?'' no cemitério da cidade. Ela foi removida após a repercussão.
Partidos de extrema-direita se tornaram populares em toda Europa nos últimos anos, mas o avanço na Alemanha chama atenção. ''O ressurgimento de um regime fascista em um país que iniciou duas guerras mundiais, com passado nazista, evidentemente chama atenção em qualquer circunstância'', entende Kai Enno Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP.
"SERÁ NORMALIZADO"
''Em algum momento, a extrema-direita será normalizada'', diz Lehmann. Para o especialista, o processo de normalização da ultradireita já tem ocorrido em muitas nações, como na Itália e na Áustria. Segundo ele, o mesmo deve ocorrer nos próximos cinco anos na Alemanha.
Até o momento, o país tem um "pacto de exclusão" do partido. ''Os partidos tradicionais tentaram excluir completamente a AfD na última década, deixando claro que não teria um governo com eles e nem mesmo alianças, mas isso não adiantou'', argumenta o professor da USP.
Neste ponto, Lehmann avalia que será inevitável formar coalizões no parlamento com a AfD. De acordo com ele, a dificuldade daqui em diante será governar de forma estável, já que as legendas CDU, SPD (Partido Social Democrata) e o partido Verde não terão cadeiras suficientes no parlamento para formar um governo maioritário.
O pesquisador também enxerga possíveis alternativas para este cenário. Lehmann explica que haveria como montar uma coalizão de minoria e buscar maioria de proposta em proposta, de modo mais instável. Outra opção seria obrigar a AfD ''a assumir responsabilidades de governo e mostrar como esse partido é incapaz de abraçá-las''. ''Uma coisa é criticar, outra coisa é governar. É muito mais complexo'', fala.
INSATISFAÇÃO DA POPULAÇÃO JUSTIFICA ASCENÇÃO DA AFD
Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM, analisa que parte das pessoas desaprova os rumos do país. ''Vejo que a AfD já tem um espaço garantido dentro da política alemã, tem uma simpatia sobretudo de eleitores da antiga Alemanha Oriental, que é a população mais insatisfeita com os rumos da política e economia alemã atualmente.''
Eleitores veem na AfD uma saída para as condições atuais. Uebel constata que ''eles não se veem beneficiados por programas sociais e se sentem colocados de lado''. Além disso, esse eleitorado também enxerga a questão migratória, da União Europeia e da integração econômica regional como um ''inimigo do seu bem-estar''.
AfD se vende como uma solução para um ''sistema ineficaz para o cidadão comum'' em meio à crise econômica do país. ''Nos últimos 15 anos, para muitas pessoas o sistema não está funcionando. Não há avanços de qualidade de vida, reformas no sistema social e previdenciário'', fala o professor Lehmann.
"Essa ascensão da extrema-direita na Alemanha é um movimento relacionado aos movimentos globais de aumento da extrema-direita, mas também uma forma de protesto, de manifestação contrária às estruturas políticas, como aconteceu no mundo todo, nos Eua com Trump, na Argentina com Milei e no Brasil com Bolsonaro", disse Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM.
Apesar disso, Uebel diz ainda não ver o partido de extrema-direita ganhando locais estratégicos do país. ''Não o vejo com capacidade de formar maioria no parlamento alemão. Ele não tem uma proeminência nacional que faça com que ganhe o parlamento ou até a presidência do país'', fala.
- Por Mayara Paixão | Folhapress
- 05 Dez 2024
- 09:22h
Foto: Reprodução/Youtube
Após um ano em um abrigo no Panamá, a menina brasileira Liliane foi repatriada nesta quinta-feira (5), com apoio do Ministério das Relações Exteriores, e ficará em uma unidade do Saica (Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes) em São Paulo.
Hoje com 2 anos e 2 meses, a criança cruzou a perigosa selva de Darién, um estreito inóspito entre a Colômbia e o Panamá, com a mãe, Sandra Mônica, natural de Angola, que morreu no trajeto. Liliane foi então direcionada ao abrigo para menores e ficou sob custódia panamenha.
Após a publicação de sua história pela Folha de S.Paulo em meados de setembro, o suposto pai de Liliane, também angolano, encontrou a reportagem por meio de parentes que vivem em Santa Catarina. Balduíno Mendes Maka, 38, segue em Luanda e não sabia sobre o paradeiro da filha. Agora ele busca uma forma de ir ao Brasil se reunir com a menina.
Seu posterior contato com o Itamaraty desenhou um novo cenário no caso. Com um possível parente próximo de Liliane disposto e com desejo de cuidar da criança, viabilizou-se a repatriação da menina, que neste um ano quase dobrou de tamanho e começou a pronunciar suas primeiras palavras. Balduíno não consta na certidão de nascimento dela, que nasceu em São Paulo, onde vivia com a mãe.
Ele conta que Sandra Mônica fez a perigosa rota migratória por terra para chegar aos Estados Unidos à revelia dele. Os dois se comunicavam diariamente por mensagens. "O plano não era sair do Brasil, mas ela foi induzida a fazer essa rota por outros imigrantes que moravam perto dela na República [região central de São Paulo]."
Sandra imigrou para o Brasil grávida de seis meses, em busca de condições melhores de vida, como tantos outros angolanos. Dados públicos revelam que a migração de cidadãos do país africano para o Brasil nos anos de 2022, quando a mãe de Liliane emigrou, e 2023 é recorde na série histórica —em torno de 3.600 em cada ano.
Muitos desses imigrantes querem se estabelecer no Brasil, mas tantos outros usam o país como trânsito para chegar aos EUA.
Balduíno Maka manteve contato diário com Sandra até o dia 22 de dezembro de 2023, quando parou de receber mensagens e atualizações do estado da esposa e de Liliane. Até então, enviava dinheiro por meio de uma empresa de transferências internacionais para ajudá-las na travessia. Nessa data, as duas já estavam na selva de Darién.
Poucos dias antes, Sandra havia mandado o último vídeo com Liliane para Balduíno. Ela estava na Colômbia, onde precisava pegar uma lancha para cruzar o chamado golfo de Urabá e chegar à entrada da selva.
"Agora falta o barco e selva. Vamos passar essa noite aqui. Que Deus me conceda boas pessoas para me ajudarem com a criança. Que Deus me ajude na mata", dizia, em um pedido tão comum aos migrantes que enfrentam a travessia, como em um presságio do que aconteceria.
As circunstâncias da morte de Sandra são desconhecidas. O que se sabe é que Liliane chegou ao lado panamenho de Darién levada por outros imigrantes, que relataram a morte da mãe. Subnotificados, óbitos na chamada "selva da morte" não são incomuns.
O caso está longe do fim. Balduíno já havia tido um pedido de visto anterior, feito à embaixada do Brasil em Angola, negado por falta de documentação. Com essa situação, contatou novamente a representação diplomática. Esta lhe disse que, para conceder o visto, seria preciso que Balduíno comprovasse o vínculo de paternidade, o que poderia ser feito por meio da Justiça brasileira. Ele precisaria realizar um exame de DNA. Balduíno afirma que nenhuma das clínicas que buscou em Luanda aceita realizar o exame à distância.
Seu primo, que mora em Santa Catarina, também diz estar disposto a ajudar com a menina.
A migração pelo estreito de Darién, por onde passam imigrantes da América do Sul e de países como Afeganistão, China, Índia e Paquistão, diminuiu em meio a políticas linha-dura do presidente panamenho, José Raúl Mulino. Neste ano, 286 mil imigrantes cruzaram a selva. Em 2023, foram mais de 520 mil.
Como estratégia, Mulino buscou apoio dos EUA, o destino final da onda de migrantes, e firmou um acordo com o governo de Joe Biden por meio do qual Washington financia os voos de deportação de imigrantes em situação irregular no país.
Não está claro se Donald Trump, expoente da política anti-imigração que assume a Casa Branca em janeiro, seguirá destinando a verba ao país da América Central.
Nos últimos seis anos, 17 mil crianças brasileiras fizeram essa perigosa rota. São, como Liliane, filhos de imigrantes que estavam no Brasil mas emigraram na tentativa de chegar aos EUA.
- Por Mayara Paixão | Folhapress
- 04 Dez 2024
- 16:32h
Foto: Governo Argentino
O governo de Javier Milei anunciou uma robusta reforma migratória na Argentina que poderia afetar a vida dos estimados mais de 95 mil brasileiros que vivem no país.
O porta-voz Manuel Adorni confirmou nesta terça-feira (3) que as universidades nacionais públicas poderão cobrar mensalidades de estudantes estrangeiros que não sejam residentes —boa parte dos universitários brasileiros tem residência para poder viver no país, de modo que a consequência pode ser amenizada neste caso.
O governo diz que 1 em cada 3 estudantes do curso de medicina é de fora do país. A maioria é do Brasil —em 2022, últimos dados disponíveis, eram 20.255. Há também muitos equatorianos.
A reforma ainda prevê o fim da gratuidade da atenção médica para os estrangeiros não residentes no país. Os detalhes das cobranças seriam definidos em breve pelos órgãos da área.
"Nos despedimos dos chamados 'tours de saúde'", ironizou Adorni, referindo-se à prática de residentes de países vizinhos irem à Argentina em busca de tratamentos médicos de qualidade superior à ofertada em seus próprios países. "Isso significa não apenas uma economia, mas também uma melhor atenção para os nossos cidadãos."
O governo também ampliou a cartela de justificativas que podem impedir a entrada de um imigrantes ou, uma vez em solo nacional, sua expulsão. Incluem-se neste pacote o imigrante detido em flagrante e aquele que "violentou o sistema democrático", como, nas palavras do porta-voz, "aquele que atacou as instituições democráticas".
Há dezenas de brasileiros que participaram dos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília em 2023 residindo na Argentina, ainda que este trecho do anúncio da reforma migratória não pareça ter qualquer relação com isso. Alguns deles foram presos após um juiz federal emitir mandatos de prisão respondendo a mais de 60 pedidos de extradição feitos pelo Brasil.
Ainda há muitas dúvidas sobre as consequências práticas das medidas anunciadas pelo governo, a começar pelo fato de que podem afetar predominantemente aqueles que não possuem residência, algo que é facilitado para cidadãos do Brasil.
Foram promessas de campanha de Milei que despertavam preocupação das comunidades migrantes e que agora são consolidadas às vésperas de a gestão completar um ano na Casa Rosada.
Calcula-se que haja ao menos 3 milhões de estrangeiros vivendo na Argentina, sendo a maioria formada por paraguaios (900 mil), bolivianos (658 mil) e peruanos (289 mil). Brasileiros são a oitava nacionalidade na lista, compondo 3,13% da parcela de imigrantes.
Residir na Argentina é um processo facilitado para os brasileiros uma vez que os dois países compõem o Mercosul, bloco sul-americano. É possível pedir no consulado de seu país ou já em solo argentino a residência para estudante e a residência por nacionalidade.
A primeira permite ficar no país de 1 a 2 anos, sendo prorrogável para os estudos. A segunda, por sua vez, permite permanecer no país de forma temporária (até 2 anos) ou permanente (sem limite).
Antes desta reforma migratória, o governo de Javier Milei já havia anunciado alterações nas normas de concessão de refúgio na Argentina. Em outubro, estabeleceu que o refúgio não será estendido a quem for denunciado ou condenado em seu país por atividades terroristas, violações graves dos direitos humanos ou qualquer ação que comprometa a paz e a segurança internacionais.
- Bahia Notícias
- 03 Dez 2024
- 12:30h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Parlamentares da França afirmaram que apresentaram um voto de desconfiança contra o primeiro-ministro Michel Barnier, nesta segunda-feira (2). A moção foi apresentada após Barnier passar por cima do parlamento para aprovar uma lei orçamentária que prevê um aumento considerável de impostos.
O mandato de Barnier, que começou no dia 5 de setembro deste ano, pode acabar prematuramente após a apresentação, por parte dos parlamentares da esquerda, de uma moção de desconfiança devido à aprovação do orçamento de seu governo para 2025. O plano orçamentário inclui um aumento de impostos de 60 bilhões de euros (R$ 380 bilhões).
Barnier propôs corte de gastos, visando reduzir o déficit para 5% em 2025 e voltar a se alinhar às regras europeias, que estabelecem um limite de déficit em 3%, até o fim da década.
O premiê, escolhido como líder de um governo minoritário, apoiado por centristas e conservadores, tentou promulgar o orçamento usando uma cláusula constitucional que lhe permitia ignorar uma votação na legislatura. A manobra, no entanto, concede aos legisladores a chance de apresentar votos de desconfiança contra ele.
A esquerda francesa, que repetidamente prometeu derrubar o governo de Barnier, apresentou estes votos. “Apresentamos um voto de desconfiança. A queda de Barnier é uma conclusão precipitada. Macron será o próximo”, afirmou a parlamentar Mathilde Panot, da esquerda, opositora ao governo Barnier.
Caso a medida contra o premiê seja aprovada, ela lançaria a França em um caos político. A curto prazo, o projeto de lei orçamentária seria rejeitado, e Barnier e seus ministros serviriam como interinos até que Macron nomeasse um novo primeiro-ministro.
- Bahia Notícias
- 30 Nov 2024
- 14:00h
Foto: Reprodução/Divulgação
Universidades dos Estados Unidos têm a estudantes e funcionários estrangeiros que estejam de férias, que retornem ao país antes que o presidente eleito, Donald Trump, tome posse, em 20 de janeiro de 2025.
As promessas de campanha do republicano abrangem, entre outros pontos, deportações em massa de estrangeiros, o que preocupa as universidades, que temem que seus alunos possam vir a ser prejudicados.
À BBC, a professora da universidade do Colorado, Chloe East, afirmou que “todos os estudantes estrangeiros estão preocupados neste momento”. Isso porque Trump prometeu implementar a maior operação de deportação da histórica, utilizando o Exército estadunidense para isso.
Funcionários ligados ao governo afirmaram ser possível que sejam construídas grandes instalações de detenção para imigrantes sem documentos à espera da deportação. De acordo com o Portal de Imigração de Educação Superior, mais de 400 mil estudantes sem documentação estão matriculados no ensino superior dos EUA.
A Universidade de Massachusetts emitiu neste mês um alerta de viagem para seus estudantes e professores estrangeiros, para que retornem ao campus antes que Trump assuma a presidência. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade Wesleyana também emitiram alertas de viagem. Já a Universidade de Yale está organizando um seminário online para responder a preocupações de alunos sobre políticas de imigração de Trump.
- Por Mayara Paixão | Folhapress
- 25 Nov 2024
- 11:07h
Foto: Reprodução / X
Todas as eleições às quais concorreu ele venceu, diz um aliado próximo de Yamandú Orsi, 57, como se a apertada vitória nas eleições para presidente do Uruguai, de acordo com as projeções, fosse a mera ordem natural das coisas. Orsi era conhecido, mas nunca havia tido tamanha projeção.
O homem que em março do próximo ano assumirá a Presidência em um contexto simbólico importante no país -os 40 anos de retorno da democracia- foi por duas gestões consecutivas (2015-2020 e 2020-2024) governador do departamento de Canelones, que com 520 mil habitantes (15% da população nacional) circunda Montevidéu no mapa.
Formado professor de história, ele cresceu trabalhando com o pai em um armazém da região e também ali começou a militar na Frente Ampla, o agrupamento de forças de esquerda e centro-esquerda fundado em 1971, quando Orsi ainda era criança. Não ter nascido na capital Montevidéu tem sido um dos motes de sua campanha.
Desde a redemocratização, nenhum outro presidente do Uruguai era de outra região que não Montevidéu. De Julio María Sanguinetti, 88, o primeiro eleito nas urnas, passando por José "Pepe" Mujica, 89, que é padrinho político de Orsi, até o atual presidente, Luis Lacalle Pou, 51, todos haviam nascido no centro do poder. Orsi fugiu à lógica
No prólogo que fez em um livro sobre outro de seus "professores", como chama o ex-governador de Canelones Marcos Carámbula, ele escreve sobre o objetivo compartilhado de "promover e alimentar narrativas para além das fronteiras montevideanas".
E faz autocrítica inclusive para a Frente Ampla: "Os frente-amplistas começaram a processar um novo relato do qual faz parte entender que não há apenas um interior, mas muitos e bem distintos".
Foi um argumento muito usado em sua campanha para apontar que Orsi seria uma peça-chave para fortalecer a articulação entre o Uruguai rural e o urbano -a ver o que ele fará nos próximos cinco anos.
Com Orsi a esquerda voltará ao poder após uma janela de cinco anos ocupada por Lacalle Pou, quem interrompeu 15 anos consecutivos da Frente na Presidência ao ser eleito em 2019.
O futuro presidente pertence à mesma força política de Mujica, o MPP (Movimento de Participação Popular), que, fundado em 1989, marcou a entrada dos ex-guerrilheiros tupamaros na política institucional.
Orsi é uma renovação de antigos quadros nacionalmente conhecidos, como Tabaré Vázquez, morto em 2020, e Pepe Mujica, a velha guarda da esquerda uruguaia. Chama Pepe de uma espécie de professor, mas a bem da verdade é muito diferente do "maestro".
Conhecido por seus discursos com quê filosófico, Pepe Mujica sempre aderiu à arte do improviso. Na última eleição municipal no Brasil, em outubro, enviou vídeos de apoio a vários candidatos da esquerda. Gravava-os assim: um assessor colocava à sua frente um papel com o nome do(a) candidato e pronto, Mujica começava a falar para a câmera do celular como se conhecesse aquela pessoa de longa data.
Bem distante da espontaneidade, Orsi chegou a reservar um dia no primeiro turno da campanha, derrubando agendas, para preparar o discurso que faria no momento do resultado. As palavras pareciam milimetricamente calculadas.
Na noite do domingo que antecedeu o segundo turno, quando ele participou de um debate televisionado com o adversário Álvaro Delgado (Partido Nacional), não fugiu do script previamente acordado para eixos temáticos. Delgado fez várias perguntas para que Orsi respondesse, mas ele não respondeu a nenhuma.
Durante os próximos cinco anos, uma centro-esquerda renovada, mas ainda altamente influenciada pela velha guarda, governará o Uruguai. E Orsi terá inevitavelmente que sair do roteiro para lidar com desafios domésticos, mas também os internacionais --este último um tema no qual até aqui demonstrou pouco traquejo político.
- Por Folhapress via Bahia Notícias
- 24 Nov 2024
- 08:03h
Foto: Divulgação / Ministério da Saúde
O primeiro transplante de pulmão duplo totalmente robótico do mundo foi realizado no NYU Langone Health, nos Estados Unidos. A inovação marca um avanço significativo na cirurgia robótica e consolida o centro médico acadêmico como referência global nesse procedimento.
Segundo informações divulgadas pelo NYU Langone Health, a cirurgia foi liderada pela médica Stephanie H. Chang, professora associada do Departamento de Cirurgia Cardiotorácica da NYU Grossman School of Medicine e diretora do Programa de Transplante de Pulmão do NYU Langone Transplant Institute.
A equipe transplantou os pulmões de Cheryl Mehrkar, uma paciente de 57 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), uma condição progressiva que dificulta a respiração. O procedimento utilizou o sistema robótico Da Vinci Xi em todas as etapas, uma tecnologia que permite maior precisão e reduz o trauma para o paciente.
A técnica envolveu pequenas incisões entre as costelas, o que possibilitou a remoção do pulmão afetado, a preparação do local cirúrgico e o implante dos novos pulmões de maneira minimamente invasiva.
O transplante ocorreu em 22 de outubro de 2024, apenas quatro dias após Cheryl ser incluída na lista de espera, após meses de avaliação médica realizada por Jake G. Natalini, professor assistente do Departamento de Medicina, e por Luis F. Angel, diretor médico de transplante de pulmão do NYU Langone Transplant Institute.
A cirurgia foi coordenada por Stephanie Chang, com o auxílio de Travis C. Geraci, professor assistente do Departamento de Cirurgia Cardiotorácica, e Eugene A. Grossi, titular da cátedra Stephen B. Colvin de Cirurgia Cardiotorácica.
"Estou muito grata ao doador e à sua família por me darem outra chance de vida", declarou Mehrkar em uma publicação do NYU Langone Health. Ela foi diagnosticada com DPOC em 2010, e sua condição piorou após uma infecção por Covid-19 em 2022.
Ao longo de sua vida, Mehrkar foi ativa, trabalhando como instrutora de mergulho, motociclista e conquistando o cinturão preto de caratê junto com seu marido, com quem possuía um dojo. Após se aposentar do caratê, tornou-se técnica voluntária de emergência em um departamento de bombeiros no condado de Dutchess, em Nova York, e segue contribuindo com sua comunidade.
Mehrkar compartilhou que, por muito tempo, foi informada de que não estava doente o suficiente para um transplante. No entanto, a equipe do NYU Langone Health focou na sua qualidade de vida, e ela expressou sua gratidão aos médicos e enfermeiros por lhe darem esperança.
"É um privilégio poder ajudar os pacientes a retornarem a uma vida saudável", disse Chang. "Com esses sistemas robóticos, o objetivo da equipe é minimizar o impacto dessa cirurgia importante, reduzir a dor pós-operatória e oferecer os melhores resultados possíveis", completou.
Em 2023, o NYU Langone Transplant Institute realizou 76 transplantes de pulmão e foi reconhecido por retirar rapidamente os pacientes da lista de espera e por sua alta taxa de sobrevivência. O centro é líder global em cirurgia robótica, realizando mais de 2.000 procedimentos assistidos por robô anualmente, além de treinar cirurgiões de todo o mundo.
- Por Julia Chaib | Folhapress
- 22 Nov 2024
- 11:43h
Foto: Reprodução/Youtube
O presidente eleito Donald Trump pode fazer do perdão a acusados no âmbito da invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, uma de suas primeiras medidas à frente do governo dos Estados Unidos.
Pelo menos é com isso que contam algumas das 1.500 pessoas acusadas de crimes relacionados à tentativa de impedir que o então eleito, Joe Biden, fosse confirmado presidente da República.
Diferentemente do que ocorre no Brasil, a anistia aos condenados pelo episódio não precisa de autorização do Legislativo. O presidente americano tem, segundo a Constituição, poderes para perdoar qualquer pessoa que tenha sido acusada de um crime federal.
Durante a campanha, o presidente eleito afirmou mais de uma vez que perdoaria os condenados que "fossem inocentes". Ele não detalhou como fará isso, mas, segundo estudiosos ouvidos pela Folha, basta um ato de Trump para livrar seus apoiadores das penas impostas.
O republicano tomará posse em 20 de janeiro do ano que vem. Cerca de 1.500 pessoas foram acusadas de crimes que incluem invasão de propriedade, agressão a policiais e conspiração sediciosa. Delas, ao menos 600 foram condenadas.
Trata-se da maior investigação da história do FBI, que trata de crimes federais, ocorrida após Trump se recusar a aceitar a derrota em 2020 e insuflar apoiadores ao dizer, sem provas, que houve fraude na eleição.
Com a expectativa de perdão, desde o dia 6 de novembro, quando Trump foi declarado vencedor, advogados de acusados têm usado a vitória do republicano para pedir adiamento ou anulação de suas condenações. Outros já escreveram diretamente ao presidente eleito pedindo a clemência.
O jornal The New York Times informou que a defesa de Joseph Biggs, um dos líderes do grupo extremista de direita Proud Boys (garotos orgulhosos), que teve papel relevante na invasão ao Congresso, enviou uma carta a Trump no dia seguinte à eleição com a solicitação de perdão.
Biggs cumpre pena de 17 anos por conspiração sediciosa. Segundo o veículo, outros integrantes do grupo pretendem fazer o mesmo.
A maior das penas impostas até agora foi de 22 anos de cárcere, imposta a Enrique Tarrio, um dos líderes do grupo. Tarrio é tratado como um dos mentores da conspiração e da insurreição.
Num outro caso, a defesa de Christopher Carnell, réu de 21 anos da Carolina do Norte, pediu à Justiça o adiamento de uma audiência do caso, que estava marcada para a semana passada. A juíza do Distrito de Columbia, Beryl Howell, negou a solicitação.
O argumento do pedido foi o perdão prometido por Trump. "O Sr. Carnell, que entrou no Capitólio aos 18 anos de forma não violenta em 6 de janeiro, espera ser aliviado da acusação criminal que está enfrentando quando a nova administração assumir o cargo", escreveu o advogado de Christopher Carnell no ofício à Justiça.
Trump afirmou em março deste ano que pretendia perdoar os invasores, a quem se referiu mais de uma vez como patriotas e prisioneiros políticos. "Estou disposto a perdoar muitos deles", escreveu Trump na plataforma Truth Social, em março. "Não posso dizer por cada um, porque alguns deles, provavelmente, perderam o controle."
Depois, o republicano repetiu ter a intenção de perdoar os acusados e disse que faria isso ainda nos primeiros dias à frente do governo.
Essa possibilidade preocupa advogados e cientistas políticos, que veem no eventual perdão uma forma de Trump driblar decisões judiciais e dar um salvo-conduto a esse tipo de comportamento.
"Se isso ocorrer, representa uma violação aos princípios da democracia", avalia Vincent Hutchings, professor de ciência política da Universidade de Michigan. "Esse poder de perdão deveria ser concedido pela Justiça, não pelo presidente."
Hutchings acredita que Trump levará adiante sua promessa. "Não vejo razão para ele não cumpri-la."
A invasão ao Capitólio ocorreu no dia da diplomação de Biden, semanas depois de Trump ter insistido que as eleições de 2020 tinham sido fraudadas. Mais de 140 policiais foram agredidos no 6 de Janeiro. Ao menos cinco pessoas morreram durante a invasão ou em consequência dela. A estimativa é de que os revoltosos causaram um prejuízo equivalente a mais de R$ 13 milhões.
A ação obrigou a Câmara e o Senado a trancarem suas portas e a paralisarem a sessão que deveria confirmar a vitória de Biden. A invasão aconteceu poucos minutos depois de o próprio Trump, durante manifestação na capital do país, Washington, insuflar ativistas a se dirigirem até a sede do Legislativo.