Ser mulher é enfrentar um desafio diferente todos os dias. É superar barreiras, muitas vezes, invisíveis. Apesar de serem a maioria da população brasileira (51,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE), elas ainda enfrentam cenários desiguais, seja na divisão das tarefas domésticas ou nos ganhos no mercado de trabalho. Muitas vezes, elas assumem tripla jornada. Saem para trabalhar, cuidam da casa, dos filhos. Em vários lares, elas são arrimo e sustentam sozinhas suas famílias.
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), em 2018, 45% dos domicílios brasileiros eram comandados por mulheres. Mas, apesar de liderarem casas e assumirem as contas, as mulheres ainda têm de lidar com a discriminação. Estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostra que 90% da população mundial ainda tem algum tipo de preconceito na questão da igualdade de gênero em áreas como política, economia, educação e violência doméstica. Segundo o estudo, que analisou dados de 75 países, cerca de metade da população considera que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres, e mais de 40% acham que os homens são melhores diretores de empresas. Além disso, 28% dos consultados consideram justificado que um homem bata na sua esposa. Apesar da longa jornada enfrentada por elas ao longo da história, os números mostram que ainda há muito a caminhar.
Marco histórico
Considerado marco histórico na luta das mulheres por mais oportunidades e reconhecimento, o 8 de março foi instituído como Dia Internacional da Mulher, pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975. Muitos historiadores relacionam a data a um incêndio ocorrido, em 1911, em Nova York, no qual 125 mulheres morreram em uma fábrica têxtil. A partir daí, protestos sobre as más condições enfrentadas pelas mulheres trabalhadoras começaram a ganhar espaço.
Para a juíza Martha Halfeld, primeira mulher a ocupar a presidência do Tribunal de Apelações da Organização das Nações Unidas, não há mais espaço para a ideia de “concessão masculina”. Tudo o que as mulheres conseguiram, ao longo da história, foi com base em muito trabalho, dedicação e suor. Na visão da juíza, o 8 de março deve ir muito além de flores ou presentes. “Oferecer a rosa, pode ser visto como: eu te concedo uma assistência. Eu, homem, te concedo aquilo. Hoje, não existe mais espaço para eu concedo. Não, nós conquistamos. E nós conquistamos com muito trabalho um espaço de perfeita igualdade em termos intelectuais, pelo menos. Temos tanta capacidade intelectual quanto qualquer homem”, afirma Halfeld que permanece na presidência da Corte até janeiro de 2022 e segue na ONU até 2023.
Livro como arma
Para conquistar um espaço na academia e na literatura, a mineira Conceição Evaristo sabe o quanto teve de lutar. Sua primeira arma foi o livro, que a acompanhou desde a infância pobre vivida em Belo Horizonte. “Eu não tinha muita coisa em termos materiais. Brinquedo era uma coisa rara, passear era uma coisa muito rara, viajar muito menos. Então, o livro vem preenchendo um vazio. A escola onde estudei os meus primeiros anos primários tinha uma biblioteca muito boa. Desde menina, eu sempre gostei de leitura.”, conta. Segunda de nove irmãos, a escritora foi criada pela mãe e por uma tia. Conceição, que trabalhou como empregada doméstica e lavadeira, foi a primeira da família a conseguir um diploma universitário. Depois da graduação, veio o mestrado, o doutorado e as aulas em universidades públicas. Em paralelo aos estudos, ela se dedicava a outra paixão: a escrita. Seus contos e poemas foram publicados na Série Caderno Negros, na década de 1990, e seu primeiro livro, o romance Ponciá Vicêncio, foi publicado em 2003.
Em 2019, foi a homenageada do Prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira. “Foi preciso um prêmio me legitimar. Enquanto eu não ganhei o Jabuti, as pessoas não acreditaram que estavam diante de uma escritora negra”, afirma. Reconhecida como uma das escritoras brasileiras mais importantes da atualidade, Conceição conta que as barreiras que teve de enfrentar por toda sua vida foram o combustível para suas obras. “A minha escrita é profundamente contaminada pela minha condição de mulher negra. Quando eu me ponho a criar uma ficção, eu não me desvencilho daquilo que eu sou. As minhas experiências pessoais, as minhas subjetividades, o lugar social que eu pertenço, isso vai vazar na minha escrita de alguma forma.” Para ela, o 8 de março é uma data para ser celebrada, mas também um momento de reflexão e de vigília constante. “Todas as mulheres precisam ficar alertas àquilo que é do nosso direito, àquilo que nós temos de reivindicar sempre porque nada, nada nos é oferecido, tudo é uma conquista”, conclui.
Estarão na sede do legislativo apenas quem tiver que comparecer para cumprir exigênca legal; presidente destaca gravidade | Foto: Reprodução
Com permissão de entrada de poucos servidores, a Assembleia Legislativa retoma os trabalhos nesta segunda-feira (8) de forma remota. Apenas aqueles que precisam comparecer à sede do parlamento para o cumprimento de alguma obrigação legal atuará presencialmente. Com uso da tecnologia, deputados têm sessão programada para às 15hs Para o presidente do Legislativo, as restrições de atividades e de circulação determinadas pelo executivo são coerente com o momento, em que os sistemas público e privado de saúde podem entrar em colapso. “Chama a atenção, que mesmo com a abertura de novos leitos clínicos e de UTI, pelo governo do Estado e pela prefeitura de Salvador, os índices de ocupação não recuaram, prova, por si só, da gravidade do momento”, completou. Está na pauta o projeto que autoriza contratação de crédito de R$500 milhões pela Embasa, junto ao Banco do Brasil, para investimento em saneamento e a votação de decretos reconhecendo o status de “calamidade pública” de municípios por conta da pandemia.
Por três vezes o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) rejeitou as ofertas de vacinas contra a Covid-19 feitas pela farmacêutica Pfizer em 2020.
Com isso, deixou de obter quase 3 milhões de doses em meio à escassez de imunizantes. O volume, que estava previsto até fevereiro deste ano, é equivalente a cerca de 20% das doses já distribuídas no Brasil até agora.
O anúncio feito pelo Ministério da Saúde nesta última semana de que pretende comprar doses da vacina da empresa norte-americana ocorreu quase sete meses após a primeira oferta apresentada, que previa que as primeiras entregas fossem feitas ainda em dezembro de 2020.
Duas das propostas feitas antes da que o governo diz ter aceitado agora — o contrato ainda não foi assinado— previam vacinas já em dezembro, quando imunizante passou a ser aplicado em países como Reino Unido e EUA. A terceira previa as vacinas em janeiro. Agora, membros do ministério tentam negociar com a empresa entregas a partir de maio.
Segundo a Folha de S.Paulo, a Pfizer não foi a única a ter propostas rejeitadas. Documentos mostram que outros laboratórios também tiveram ofertas que previam entregas mais cedo ignoradas, a exemplo do Instituto Butantan, que hoje é responsável por pelo menos 78% das vacinas já distribuídas no país contra a Covid.
Além disso, embora o ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, tenha afirmado recentemente que encontrou dificuldade em negociações com o consórcio Covax Facility, da Organização Mundial de Saúde, pessoas ligadas às conversas apontam que foi da pasta a decisão de adquirir doses para apenas 10% da população por meio da iniciativa.
Hoje, além da Coronavac, o Brasil aplica a vacina Oxford/AstraZeneca, cuja entrega tem enfrentado atrasos.
As propostas da Pfizer ao governo
Proposta de 14 de agosto de 2020
500 mil doses em dezembro de 2020
1,5 milhão de doses em janeiro ou fevereiro
5 milhões de doses no segundo trimestre
33 milhões de doses no terceiro trimestre
30 milhões de doses no quarto trimestre
Proposta de 18 de agosto de 2020
1,5 milhão de doses em dezembro de 2020
1,5 milhão de doses em janeiro ou fevereiro
5 milhões de doses no segundo trimestre
33 milhões de doses no terceiro trimestre
29 milhões de doses no quarto trimestre
Proposta de 11 de novembro de 2020
?2 milhões de doses em janeiro/fevereiro
6,5 milhões de doses no segundo trimestre
61,5 milhões de doses, meio a meio, nos terceiro e quarto trimestres?
Proposta de 15 de fevereiro
2 milhões de doses em maio
7 milhões de doses em junho
10 milhões de doses em julho
10 milhões de doses em agosto
10 milhões de doses em setembro
20 milhões de doses em outubro
20 milhões de doses em novembro
21 milhões de doses em dezembro
Está em curso no Judiciário da Bahia, mais especificamente na 14ª Vara de Família de Salvador, uma "ação de investigação de paternidade e petição de herança" que envolve personagens poderosos: ACM, o dono da Bahia por quase quatro décadas; a embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, conhecida do grande público como "a melhor amiga da Lady Di"; e o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, um dos mais influentes quadros do Itamaraty no final do século passado, hoje muito adoentado.
No processo, aberto em 2019 e correndo em segredo de Justiça, Luiz Antônio Flecha de Lima, o Tota, pede a suspensão do inventário de ACM, que morreu em 2007.
Os advogados relatam que sua mãe, Lúcia, "teve um relacionamento afetivo" com ACM em 1974.
O resultado da relação foi o nascimento de Tota no ano seguinte: "como Lúcia era casada com Paulo Tarso", o menino foi registrado "como filho do casal". Lúcia morreu há quatro anos.
De acordo com os advogados, "é certo que ACM sempre teve conhecimento da sua paternidade, pois sempre dedicava carinho e atenção" a ele desde a sua infância.
A ação relata que em junho de 2007, um mês antes de morrer, ACM, então hospitalizado, revelou a Tota que era o seu pai biológico.
Já Lúcia "evitava tratar do assunto com o filho, mesmo após a morte" do ex-ministro. Mas em 2017, já com problemas de saúde e "como uma de suas últimas vontades" antes de morrer, admitiu a Tota que ele era filho do ex-governador baiano.
Em junho passado, Antônio Carlos Magalhães Júnior, primogênito de ACM e inventariante do espólio, concordou em fazer o exame de DNA pedido por Tota.
A pandemia, no entanto, travou o teste fundamental para a conclusão da ação. A previsão é que a coleta do material genético seja feita apenas após a vacinação contra a Covid ter sido concluída no país.
Finalmente, os advogados pedem ainda que, se "a paternidade post mortem de ACM" for declarada, na certidão de nascimento de Tota seja mantido também o "nome do seu pai constante no atual registro, Paulo Tarso Flecha de Lima, haja vista a relação paternal que também os une".
O governo da Bahia gastou, somente em 2020, R$ 1,8 bilhão com ações para conter a disseminação da Covid-19 ou minimizar seus efeitos na sociedade. A informação foi divulgada no último sábado (6) pelo portal G1. Os gastos incluem investimento em auxílios emergenciais, montagem de leitos, abertura de hospitais de campanha, contratação de equipes, estrutura para vacinação, entre outros. Da verba, foi empenhado R$ 1,5 bilhão em instalação de leitos hospitalares, contratação de profissionais e compra de medicamentos. Os outros R$ 350 milhões foram gastos com cestas básicas para estudantes e centro de acolhimento. "Essa é uma crise sanitária, onde a economia é um desdobramento. Fica muito difícil fazer uma previsão, já que não temos certeza de quando essa segunda onda vai passar, até porque o processo de vacinação está acontecendo muito aquém do desejado", disse o secretário da Fazenda do estado, Manoel Vitório.
Amanda Nunes venceu Megan Anderson por finalização aos 2m03s do R1 — Foto: Getty Images
A maior da história do MMA feminino mostrou mais uma vez segue soberana. No co-evento principal do UFC 259, realizado na madrugada deste sábado para domingo, em Las Vegas (EUA), Amanda Nunes simplesmente aniquilou Megan Anderson em 2m03s de luta para conquistar a vitória por finalização com uma chave de braço. Com o resultado, a Leoa, que também é dona do título do peso-galo (até 61kg), mantém seu cinturão dos penas (até 66kg). Esta foi a 12ª vitória consecutiva de Amanda, que possui a segunda maior sequência do Ultimate na atualidade, atrás apenas de Kamaru Usman, com 13. Amanda entrou disposta a resolver rápido. Sem respeitar a vantagem de envergadura da australiana, a Leoa ditou o ritmo, balançou Anderson com uma bomba de direita, colocou a desafiante no solo e encaixou um triângulo invertido antes de ir para a chave de braço para conseguir uma rápida finalização.
O prefeito de Vitória da Conquista, no Sudoeste, Herzem Gusmão, voltou neste sábado (6) para a UTI. O político usou as redes sociais para informar sobre o ocorrido. Segundo Gusmão, houve necessidade de mais oxigênio, o que obrigou a introdução de um cateter de alto fluxo e o retorno dele para a UTI. “A equipe médica achou por bem que eu voltasse para a UTI. Eu estou ainda necessitando de mais oxigênio. Então voltei para usar o cateter de alto fluxo”, comunicou. Herzem Gusmão está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 26 de dezembro quando foi transferido após agravamento da Covid-19. O diagnóstico de Covid-19 ocorreu no início de dezembro. No final da mensagem deste sábadp, o gestor afastado agradeceu as orações que recebe e saudou os conterrâneos.
As instituições empresariais – Fecomércio-BA, FCDL Bahia, CDL Salvador e Associação Comercial da Bahia – lamentam a decisão do prefeito de Salvador e do governador da Bahia, de manter o fechamento de lojas do comércio pelos próximos dias. Assim, o segmento solicita imediatas contrapartidas do poder público frente a decisão tão extrema.
As entidades recordam que no ano passado a crise foi terrível para todos e, ainda assim, o setor empresarial obteve subsídio do Governo Federal para pagar os funcionários, além de algumas linhas de crédito que foram facilitadas. Este ano, nem com essas iniciativas os empresários podem contar, criando um ambiente de absoluto abandono à própria sorte, deixando as empresas sem saber como honrar com as folhas de pagamento sem terem faturamento ou empréstimos.
As instituições têm posição contrária ao lockdown e são favoráveis a medidas de combate à pandemia, a exemplo do Plano de Retomada Econômica já apresentado pela Prefeitura de Salvador.
Por fim, os representantes do Comércio baiano reiteram as solicitações propostas aos governos estadual e municipais: aquisição urgente de vacinas; abertura de novos leitos; rígida punição para quem promove aglomerações irresponsáveis; apoio à criação de comitê público-privado para discutir medidas de combate à pandemia; parcelamento tributário para a sobrevivência das empresas; e concessão de linhas de crédito sem burocracia.
Em vídeo, secretário avaliou um ano desde que o primeiro caso da doença foi registrado na Bahia | Foto; Reprodução
O secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas, apelou para que a população mantenha os cuidados contra os avanços do novo coronavírus e fiscalize aqueles que saem de casa sem máscara, “agindo de forma irresponsável, pois elas deveriam ser banidas do convívio social”. Em um vídeo divulgado neste sábado (06), o secretário avaliou um ano desde que o primeiro caso da doença foi registrado na Bahia. “Ninguém esperava que a pandemia durasse até agora. Hoje completamos 1 ano do primeiro caso confirmado de Covid-19 na Bahia, e o cuidado não pode parar. Apenas juntos conseguiremos vencer essa batalha. Com o trabalho do governador Rui Costa temos uma das menores taxas de mortalidade do país e uma das melhores taxas de vacinação. Ainda assim, sem o apoio da população, isso não é suficiente. Meu apelo hoje é para que todos sejamos fiscais da saúde pública e corresponsáveis por essa vitória”, escreveu no Twitter. Já na gravação, Vilas-Boas alertou para o fortalecimento do vírus que, está mais agressivo e transmissível depois da descoberta das novas variantes. “Falta pouco para termos vacina em quantidade suficiente para toda a população”, afirmou.
Ao menos oito pessoas, lideradas pelo chanceler Ernesto Araújo, vão embarcar para o país | (Foto: Reprodução)
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mudou o discurso sobre a viagem do governo federal a Israel e afirmou neste sábado (06) que a comitiva irá ao país para tratar sobre vacinas contra o novo coronavírus. Nesta semana, ele afirmou que enviaria uma equipe para falar sobre um spray nasal contra a doença. O produto, que não tem comprovação científica, ainda está na fase inicial de testes. Em um vídeo divulgado nesta manhã, o presidente e membros da comitiva não citaram o spray e falaram apenas de “medicamentos”, sem especificar quais seriam. A viagem a Israel acontece neste sábado. Ao menos oito pessoas, lideradas pelo chanceler Ernesto Araújo, vão embarcar para o país. “Estamos buscando protocolos, acordos, na área de ciência e tecnologia, que será muito proveitoso para o momento que vivemos, o vírus, como um legado para o futuro”, disse. Ainda no vídeo, Bolsonaro afirmou que a meta da visita é “mais do que um intercâmbio” e pontuou que estudos realizados no Brasil serão apresentados em Israel. “Tem uma vacina brasileira em desenvolvimento”, afirmou.
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, avisou conselheiros que deve convocar para a próxima terça-feira (9) uma sessão extraordinária do plenário da entidade para tratar de eventuais omissões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da pandemia de Covid-19. A expectativa de integrantes é a de que o impeachment do presidente seja o tema da reunião. “Após reflexão e conversas com alguns conselheiros penso que podemos antecipar esse debate convocando uma sessão extraordinária para tratar da pandemia. Estou indicando a manhã da terça-feira, 09/03, 9h. Peço que todos coloquem em suas agendas, saíra convocação”, escreveu Santa Cruz em um grupo de WhatsApp. O plenário da OAB foi a instância da entidade que pediu o impeachment de Fernando Collor, Dilma Rousseff e Michel Temer.
Entre as categorias de trabalho afetadas pela pandemia estão os cuidadores de idosos. Uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que cerca de 200 mil profissionais da área perderam o emprego. O instituto também contabiliza 15 cuidadoras e 130 técnicos de enfermagem que foram vítimas da Covid-19. Os dados completos foram adiantados pelo blog de Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Eles devem ser divulgados mais detalhadamente na próxima terça-feira (9) pelo Ipea.
Ministro da Saúde da Índia Harsh Vardhan segura uma dose da vacina COVID-19 da Bharat Biotech chamada Covaxin Foto: Adnan Abidi / Reuters
O Brasil ainda está longe de chegar à marca de 70% de sua população vacinada, estimada como um limiar mínimo para imunidade coletiva contra o novo coronavírus. Após 49 dias de campanha de vacinação em curso, apenas 3,75% da população (5% dos adultos) recebeu a primeira dose do imunizante. E, se forem consideradas apenas as vacinas com contrato fechado no Brasil, o país deve chegar a abril do ano que vem ainda sem atingir a taxa almejada de 70% de vacinados com duas doses. O governo federal está em tratativas com mais fabricantes de vacina e divulgou nesta semana os prazos propostos em negociações. Se esses contratos se concretizarem, o Brasil teria capacidade de atingir o limiar dos 70% ainda antes do fim do ano. Esse segundo cenário inclui vacinas da Pfizer, Janssen, Sputnik V e Moderna.
Essa perspectiva mais otimista requer também a confirmação de “compras futuras” que o ministério lista a serem efetuadas com a AstraZeneca e a Sinovac, que detêm, respectivamente, os royalties das vacinas que vêm sendo produzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Instituto Butantan, a partir de setembro.
A projeção feita pelo GLOBO levou em conta os períodos necessários de intervalos entre doses aprovados para cada vacina (no Brasil ou no exterior) e considerou uma capacidade de aplicação de 2 milhões de doses por dia no Brasil, que especialistas consideram exequível. Seria difícil chegar a um limiar de 70% antes de dezembro, porque, quando a maioria dos lotes de vacina estiverem chegando, o Programa Nacional de Imunização (PNI) possivelmente já estará operando com sua capacidade total, sem condições de aplicar as novas doses em tempo hábil.
Um dado preocupante é que o Brasil só tem compra de vacina contratada para imunizar 65% de sua população. O Ministério da Saúde divulgou o recebimento de 275 milhões de doses de vacinas para o Brasil, incluindo na conta as já entregues e aplicadas (apenas 1,23% da população já recebeu as duas doses da vacina). Outros 140 milhões de doses viriam pelas “compras futuras” com AstraZeneca e Sinovac, e mais 161 milhões são as doses ainda “em tratativas”, segundo o cronograma do governo federal.
Se todos os negócios listados pela pasta se concretizarem, no ano que vem o Brasil já terá dose para vacinar 100% da população. Mas o ritmo atual de vacinação está lento, segundo especialistas, justamente por conta da falta de vacinas no sistema.
Segundo Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin, o Brasil tem experiência e estrutura suficientes para ter mais agilidade, mesmo num cenário de escassez de doses.
— O Brasil conseguiu vacinar 80 milhões de pessoas, na campanha contra Influenza, em apenas três meses. São 38 mil salas de vacinação no país inteiro, com profissionais treinados. É inaceitável o que estamos vendo — afirma. — Faltam experiência e organização para lidar com esse tipo de campanha, que é realmente complicada.
Desde o início da campanha de vacinação contra a Covid-19, o Brasil deu a primeira dose do imunizante para, em média, 0,1% da sua população por dia. De acordo com o portal Our World in Data, da Universidade de Oxford, o ritmo de vacinação brasileiro fica bem abaixo do de outros países.
Cenário global
Os chilenos e americanos, por exemplo, vacinaram com pelo menos uma dose mais do que o dobro dessa parcela populacional (0,26% e 0,22%, respectivamente) diariamente. O Reino Unido tem quase o quádruplo (0,39%) de parcela da população imunizada por dia, e Israel, que ganhou destaque mundialmente na agilidade no processo, alcançou 0,77% da população vacinada por dia — um ritmo sete vezes maior do que o brasileiro.
O Chile, que tem a vacinação no estágio mais avançado da América Latina, conseguiu aplicar pelo menos uma dose em 20,4% da sua população (contra cerca de 4% do Brasil). Já os EUA imunizaram 16,2%, o Reino Unido está em 30,9% e Israel já tem a maior parte dos cidadãos com pelo menos uma dose da vacina contra Covid-19, com uma taxa de 56%. Todos esses países começaram, no entanto, suas campanhas quase um mês antes do Brasil.
O ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina prevê aceleração da vacinação no país apenas no começo do segundo semestre, com a chegada maior de doses, caso se confirmem a previsão da Fiocruz e os acordos com a Pfizer e a Janssen, principalmente.
— Quando atingirmos um número de 45 milhões de doses disponíveis num mês, vamos atingir “velocidade de cruzeiro”. Chegando a vacina, espero que aconteça no Brasil um pouco do que está acontecendo na Escócia e Israel, onde o número de casos caiu consideravelmente — avalia.
Vecina e a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, entendem que o Brasil tem a infraestrutura e o material humano necessários para conseguir aumentar o ritmo de imunização quando as doses chegarem. Até lá, no entanto, a especialista recomenda se proteger do vírus seguindo os protocolos sanitários.
— Aconselho a só sair se necessário. A gente vive o pior momento da pandemia e está difícil as pessoas acreditarem nisso. Em agosto do ano passado, estávamos assustados e em casa com o número de casos que a gente tinha. E hoje temos muito mais. Parece que a percepção mudou. As pessoas perderam o medo de pegar — diz.
Segundo Isabella, o poder público no Brasil precisa manter as medidas de contenção do vírus e, enquanto a vacinação seguir, monitorar a pandemia.
Especialistas afirmam que ainda não há um consenso sobre quando a imunidade coletiva pode ser atingida a ponto de reduzir a pandemia por si só, e há fatores novos complicantes para se fazer essas estimativas, como as novas variedades do vírus que circulam no Brasil e em outros países.
O concurso 2.350 da Mega-Sena, que será realizado hoje (6) à noite em São Paulo, deverá pagar R$ 22 milhões a quem acertar sozinho as seis dezenas. O sorteio será feito a partir das 20h no Espaço Loterias Caixa, no Terminal Rodoviário do Tietê. As apostas podem ser feitas até as 19h nas lotéricas de todo o país, pelo portal Loterias Caixa e pelo app Loterias Caixa, disponível para usuários das plataformas iOS e Android. Valor da aposta mínima é R$ 4,50. Caso apenas um apostador leve o prêmio principal da Mega-Sena e aplique todo o valor na caderneta de poupança, receberá R$ 25,5 mil de rendimento no primeiro mês. Se o ganhador preferir investir em automóveis, o valor seria suficiente para adquirir 42 carros esportivos de luxo, no valor de R$ 520 mil cada. No último concurso na quarta-feira (3), uma aposta simples de R$ 4,50, de Curitiba (PR), levou o prêmio de R$ 2,7 milhões. Por se tratar de concurso com final zero, o prêmio recebe o adicional de acumulações dos cinco sorteios anteriores, conforme regra da modalidade.
Seleção estava marcada para a próxima quarta-feira (10) | (Foto: Reprodução)
Por causa da piora da pandemia da Covid-19, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiu suspender a eleição de cinco novos desembargadores que estava marcada para a próxima quarta-feira (10). A sessão foi transferida para o dia 14. Duas vagas serão preenchidas pelo critério de merecimento, outras duas pelo critério de antiguidade e a outra reservada ao quinto constitucional, do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Para esta última, será formada uma lista tríplice a partir de uma eleição. A escolha final será do governador Rui Costa.