STF e TSE adotam estratégia nas redes para rebater narrativa golpista de Bolsonaro

  • Matheus Teixeira | Folhapress
  • 09 Ago 2021
  • 09:17h

(Foto: Reprodução)

O STF (Supremo Tribunal Federal) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) têm recorrido a ações fora dos processos para se contrapor ao presidente Jair Bolsonaro e fazer frente à guerra de narrativa sobre as urnas eletrônicas e as recentes decisões da corte.

Na internet, os tribunais fizeram ao menos quatro publicações para desmontar as versões do presidente da República a respeito de temas que têm colocado os Poderes em conflito.

O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, também tem dado indiretas ao chefe do Executivo em redes sociais.

Em uma publicação em 28 de julho, o STF afirmou que "uma mentira contada mil vezes não se torna verdade", em relação às declarações de Bolsonaro de que a corte o impediu de agir no enfrentamento da pandemia da Covid-19. O presidente reagiu e classificou o texto como "criminoso".

Por meio de nota, o Supremo afirmou que o "combate à desinformação deve se dar no mesmo ambiente no qual a desinformação circula".

Além disso, os presidentes do Supremo, Luiz Fux, e do TSE, Luís Roberto Barroso, aproveitaram sessões televisionadas para passar duros recados a Bolsonaro.

Na quinta (5), Fux chegou a adiar um julgamento que não tinha relação com o Palácio do Planalto para rebater os ataques do chefe do Executivo. Na data, os ministros voltaram do intervalo da sessão e o presidente disse que se viu "instado a suspender" o encontro para responder a Bolsonaro.

O presidente tinha acabado de fazer duros ataques ao ministro Alexandre de Moraes, a exemplo do que vem fazendo com Barroso. Fux disse que as ofensas não atingem apenas os dois, mas toda a corte.

Na oportunidade, o chefe do STF também recorreu a um gesto político simbólico para dar o recado: anunciou o cancelamento da reunião entre os chefes dos três Poderes que vinha articulando desde julho.

"Diálogo eficiente pressupõe compromisso permanente com as próprias palavras, o que, infelizmente, não temos visto no cenário atual", disse.

A estratégia de ações fora dos processos se somou às iniciativas formais contra a ofensiva de Bolsonaro.

Na semana passada, no retorno do recesso de julho do Judiciário, o STF e o TSE adotaram as medidas mais contundentes contra o chefe do Executivo, que havia aumentado o tom no último mês contra as instituições.

Primeiramente, a corte eleitoral decidiu, por unanimidade, abrir um inquérito para apurar as acusações feitas pelo presidente, sem provas, de que o TSE frauda as eleições. Depois, Barroso assinou uma queixa-crime contra chefe do Executivo e recebeu o aval do plenário da corte eleitoral para enviá-la ao STF.

Na quarta-feira (4), o corregedor-geral do TSE, ministro Luís Felipe Salomão, solicitou ao Supremo o compartilhamento de provas dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos com a ação que pode levar à cassação de Bolsonaro.

No mesmo dia, Moraes aceitou a queixa-crime de Barroso e incluiu o presidente como investigado no inquérito das fake news.

Antes dessa sequência de ações, porém, Barroso aproveitou a primeira sessão do TSE no semestre e fez o discurso mais incisivo contra os ataques de Bolsonaro.

O chefe da corte eleitoral disse que quem repete uma mentira muitas vezes será "perenemente prisioneiro do mal". Também afirmou que a obsessão do chefe do Executivo por ele "não faz nenhum sentido e sobretudo não é correspondida" e que não há risco de não haver eleições no ano que vem caso não seja implementado o voto impresso.

Além dos discursos, foram usadas outras ações, como publicações na internet a fim de fazer frente às narrativas falsas criadas por Bolsonaro para animar a própria militância e estimular os ataques às instituições.

Ultimamente, Barroso tem aproveitado as dicas de pensamentos e de músicas que costuma dar todas as sextas-feiras para mandar indiretas a Bolsonaro.

Nesta semana, ele recomendou uma frase de Mario Quintana a seus seguidores: "Aquilo que falam de mim não me diz respeito".

Em outra oportunidade, ele recomendou um pensamento sem autor que também tinha a ver com o contexto dos ataques que o presidente vem fazendo contra ele: "Quando um homem de bem responde um insulto com outro insulto, ele permite que o mal vença. Não é preciso responder. O mal consome a si mesmo".

Nas páginas oficiais das redes sociais, o STF e o TSE têm desmentido mais diretamente as declarações do chefe do Executivo. Com essa estratégia, ganham celeridade para se contrapor a Bolsonaro e não precisam aguardar o rito e o tempo dos processos judiciais para responder às ofensivas do presidente.

Já na eleição de 2020, o tribunal eleitoral havia feito uma parceria com agências de checagem para dar celeridade às respostas da corte para as fake news sobre o sistema eleitoral.

Neste ano, porém, pela primeira vez a estratégia de checar informações se direcionou às declarações do presidente da República.

Quando o chefe do Executivo afirmou que Barroso defende redução da maioridade para o estupro de vulnerável, por exemplo, a página oficial do Supremo nas redes sociais fez uma publicação no mesmo dia para afirmar que é "falsa" a declaração do presidente.

"O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) fez exatamente o oposto: votou pela continuidade da ação penal contra um jovem de 18 anos que manteve relações com uma menina de 13", disse o texto.

No caso da live, no dia 29 de julho, em que Bolsonaro prometia comprovar a ocorrência de fraude nas urnas eletrônicas, o TSE montou uma força-tarefa para rebater em tempo real a narrativa de Bolsonaro.

A corte fez 13 publicações no Twitter e enviou diversos boletins com checagens de informação à imprensa.

Na quinta passada, o TSE recorreu novamente às redes sociais para rebater Bolsonaro.

Em entrevista à rádio Jovem Pan e posteriormente em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que o próprio tribunal eleitoral teria reconhecido que um hacker invadiu seu sistema interno. A admissão teria sido feita em um inquérito da Polícia Federal.

De acordo com a corte, "o próprio TSE encaminhou à PF as informações necessárias à apuração dos fatos e prestou as informações disponíveis". E concluiu: "A investigação corre de forma sigilosa e nunca se comunicou ao TSE qualquer elemento indicativo de fraude".

Juliana Cesario Alvim, professora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e doutora em direito, afirma que a atuação de ministros fora dos autos precisa ser separada entre as situações que fortalecem e as que enfraquecem a corte.

Um pronunciamento do presidente com a posição institucional do tribunal sobre temas relevantes na abertura dos trabalhos no semestre, na visão dela, é adequado e ocorre no local certo, enquanto declarações fora das sessões com críticas a integrantes da própria corte ou com a intenção de pressionar outro ministro, estão no outro extremo.

Em relação ao uso das redes sociais pelos tribunais, ela disse acreditar que tem de acontecer de maneira cautelosa. "Na medida em que pode fortalecer o tribunal, torná-lo mais acessível, mais próximo das pessoas, também pode se desvirtuar para algo que, de alguma maneira, ajude a erodir a legitimidade da corte", disse.

"O tribunal tem de calibrar isso, não se pode banalizar a presença da corte nas redes, colocar a corte em um lugar que ela não pode estar, que é no debate do varejo, do bate-boca da internet", afirmou.

Questionada, a assessoria do STF afirmou que "é preciso difundir informações corretas para o mesmo público anteriormente submetido às mentiras".

O Supremo também mencionou que uma das iniciativas ocorre por meio do projeto #VerdadesdoSTF, idealizado para desmentir boatos e inverdades na internet.

A corte afirmou ainda que prepara um programa mais amplo de combate à desinformação no âmbito do tribunal, com ações institucionais e de comunicação.

"A ideia é realizar capacitação de servidores, debates e parcerias com entidades e órgãos públicos para aprimorar o combate à desinformação. A previsão é de formatação do programa até o fim de agosto", afirmou.

Itabuna, Guanambi, Conquista e Eunápolis lideram nº de casos ativos da Covid-19 na Bahia

  • Lula Bonfim
  • 09 Ago 2021
  • 08:24h

(Foto: Reprodução)

Quatro municípios do interior ultrapassaram Salvador e passaram a liderar o ranking de locais com mais casos ativos da Covid-19 no estado: Itabuna, Guanambi, Vitória da Conquista e Eunápolis. As cidades se concentram nas regiões sul, extremo sul e sudoeste da Bahia e, neste momento, são as únicas com mais de 100 contaminados pelo novo coronavírus em território baiano.

Itabuna lidera o ranking, com 183 casos ativos da Covid-19, enquanto Guanambi tem 153. Terceiro maior município da Bahia, Vitória da Conquista vem logo depois, com 142 contaminados pelo novo coronavírus, seguida de Eunápolis, com 121.

 

Salvador liderou a estatística durante a maior parte da pandemia, quase sempre com mais de 1.000 casos ativos da doença, mas o número tem reduzido drasticamente nas últimas semanas e a capital baiana agora aparece apenas na quinta colocação do ranking, com 85 contaminados pelo vírus.

 Barreiras (77), Caculé (72), Porto Seguro (70), Luís Eduardo Magalhães (67) e Itaberaba (48) encerram a lista dos 10 municípios da Bahia com mais casos ativos da Covid-19. No total, o estado acumula, neste momento, 3.626 contaminados pelo vírus.

E o Frio Continua: Brumado vai ter semana fria com mínimas girando em torno dos 16 graus

  • Brumado Urgente
  • 09 Ago 2021
  • 07:30h

A Serra das Éguas amanheceu nublada e acompanhada de garoa que deixou uma sensação térmica ainda menor | Foto: Brumado Urgente

O inverno mais rigoroso do que em anos anteriores deve continuar firme e forte nesta semana . O céu deve continuar encoberto na maioria dos dias, com algumas aberturas de sol, deve ocorrer garoa também em alguns dias da semana.

Em Brumado a segunda-feira (09) começou com garoa e o céu bastante nublado com temperaturas na casa dos 20 graus, com registros de mínima de 16º e o máximo de 27º

O frio vai continuar sendo um personagem muito atuante, especialmente nas cidades mais frias da região, a exemplo de Vitória da Conquista, então, haja agasalho! As temperaturas mínimas podem chegar na casa dos 11 graus, com sensação térmica de 9 graus nas áreas mais altas, onde também o vento gelado é mais forte. As máximas não passarão dos 26 graus.

ACM Neto rebate colunista e nega aliança com Bolsonaro para 2022

  • Redação
  • 09 Ago 2021
  • 07:28h

"Não sei de onde alguém pode imaginar que existe qualquer tipo de acordo, já que a prioridade do DEM é lançar candidato à Presidência" | Foto: Reprodução

Presidente nacional do DEM e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto negou que esteja articulando “qualquer tipo” de aliança com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a quem apoiou nas eleições de 2018.

A declaração do democrata ocorre após o colunista José Casado, da Veja, publicar que Bolsonaro e Neto teriam se acertado e firmado parceria para as eleições de 2022, com intermédio do pastor Silas Malafaia.

Segundo a reportagem, o ex-prefeito de Salvador teria se aliado ao presidente da República e a grupos ativistas evangélicos para disputar o governo da Bahia. O sinal verde da aliança teria sido a intervenção que Neto fez no DEM do Rio de Janeiro, passando o comando para Malafaia.

Em sua defesa, ACM Neto disse que foram feitas “ilações absolutamente improcedentes”. “É lamentável que um colunista da Veja, sem me ouvir,  faça ilações absolutamente improcedentes sobre as eleições. Não sei de onde alguém pode imaginar que existe qualquer tipo de acordo com Bolsonaro para 2022, já que a prioridade do Democratas é lançar candidato à Presidência”, declarou.

Baianos criam novo dispositivo para testagem rápida de teor alcoólico

  • Redação
  • 09 Ago 2021
  • 07:04h

Em contato com a saliva do indivíduo, dispositivo detecta teor do álcool no sangue de forma mais prática, rápida e higiênica | Foto: Divulgação/Secti

Um novo dispositivo de testagem rápida para medição de teor alcoólico na saliva foi desenvolvido por estudantes de biotecnologia, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Vitória da Conquista. A invenção consiste em um equipamento pessoal que pode ser carregado facilmente para qualquer lugar, como um chaveiro.

À frente do projeto, Natália Aboboreira explica que para utilizar o protótipo basta levar a extremidade da fita até a boca, durante 5 segundos, para, em seguida, colocar a fita na ampola com a solução reagente e aguardar por até 2 minutos. Os resultados são exibidos pela mudança de cor do reagente colorimétrico, consequência da reação realizada.

Natália conta que a ideia de desenvolver o projeto surgiu através do Desafio de Inovação Aberta da Ambev, do qual participou junto aos colegas Natália Padre e Nilton Lima. “Enxergamos o desafio como uma oportunidade, visto que temos afinidade com os temas empreendedorismo e inovação, além das partes mais técnicas como o processo de fermentação e a fabricação de bebidas alcóolicas. Além do prazer em estudar, a ocasião ofertava vislumbrar soluções para um problema que tínhamos interesse em resolver”, declarou.

Para a estudante, o produto surge como uma ferramenta que vem para estimular o uso moderado e consciente de álcool, além de ser uma solução mais viável em comparação aos dispositivos similares que já existem no mercado.

“O preço é menor, em relação às atuais alternativas, e até mais higiênico. Outro benefício é a capacidade de reutilização e a facilidade de interpretação de resultado, que acompanha um manual de instruções. A proposta é ser de uso pessoal, sendo possível mensurar o estado de embriaguez utilizando a dosagem de álcool na saliva, pois a quantidade da substância no sangue e na saliva estão correlacionadas”.

O anseio do grupo em levar o projeto para frente vem também da vontade de estimular o uso consciente como forma de diminuir possíveis acidentes de trânsito e problemas de saúde, principalmente para o público mais jovem. Em fase de prototipação e testes em laboratório, o equipamento vem para funcionar de maneira rápida e prática, definindo o nível de álcool no sangue dos indivíduos testados.

Além disso, o protótipo tem impacto direto na produtividade e saúde coletiva, ao contribuir para a redução de acidentes e efeitos nocivos causados pelo uso exacerbado do álcool. “O dispositivo visa alcançar o consumo moderado e ter efeito na mudança de comportamento dos seus usuários, de forma que o álcool seja relacionado a situações de diversão e descontração, e não de descontrole e perigo”, finalizou Natália.

Pai assume missão de criar 6 filhos sozinho após perder esposa para Covid: 'me cobro muito mais'

  • Por Suzanne Oliveira, G1 RR
  • 08 Ago 2021
  • 15:36h

Pai assume missão de criar seis filhos sozinho após perder esposa para Covid-19 | Reprodução G1

“É difícil no início? É. Mas, depois a gente vê que não é impossível e eu amo ser pai. Se eu não pudesse ter filhos biológicos, eu adotaria, porque o amor é o mesmo. Amor é amor. A gente só sente e pronto. Não tem como comparar e medir”.
São com essas as palavras que o enfermeiro Gracione da Silva Santos, de 42 anos, descreve a paixão por ser pai. Há pouco mais de um ano, ele assumiu a missão de cuidar sozinho dos seis filhos após perder a esposa Almiza Cristina Prado, que morreu aos 37 anos depois de contrair o coronavírus, em julho de 2020.

À época, um mês antes de morrer, Almiza, já infectada com o vírus, deu à luz a Valentina em um parto de emergência no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. A bebê nasceu prematura e teve que ser levada para a UTI neonatal da Maternidade, mas ganhou alta logo depois.

Hoje, com um ano de idade, a caçula divide a atenção do pai com os irmãos Thales, de 23 anos, filho do primeiro casamento de Gracione, além de Ayla, 15, Pedro, 12, Abraão, 8, e Gael, 3, filhos do enfermeiro com Almiza.

Apesar da perda e mudança na rotina em ter que cuidar dos seis filhos sozinho, Gracione celebra o Dia dos Pais neste domingo (8) certo de que o sonho da juventude se transformou numa missão: "ser pai é amar sem medidas".

"Eu acho que Deus dá um dom para o homem que é ser pai, e esse dom é maravilhoso. A gente não pode desistir com as dificuldades. Elas estão aí para fazer a gente amadurecer. Têm coisas que só a gente passando para ver".

A morte da esposa, no entanto, não foi a única perda enfrentada por Gracione em menos de um ano. Outras três pessoas da família, que ele considerava cruciais para seguir em frente, também partiram: seu pai, a avó dele e sua mãe.

“Nesse último ano, minha vida mudou muito. Depois que minha mulher faleceu, simplesmente depois, meu pai faleceu, um mês depois foi minha avó materna e, a oito dias de completar um ano da perda da minha esposa, minha mãe faleceu. Então, perdi quatro pessoas cruciais na minha vida em menos de um ano”, conta.

A melhor campanha olímpica do Brasil é preta, é baiana, é nordestina

  • Alicia Klein | UOL
  • 08 Ago 2021
  • 14:07h

Hebert Conceição comemora o nocaute que garantiu a medalha de ouro no boxe dos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: Xinhua/Ou Dongqu

O ouro conquistado há pouco no futebol garantiu ao Brasil sua melhor campanha em Jogos Olímpicos. Não que nosso desempenho seja magnífico considerando o tamanho do país, mas é notável à luz da (não) importância dada ao esporte historicamente. O país rico que é pobre, que sobrevive de talento natural lapidado na base de suor e sufoco. Ostentamos cinco ouros em esportes individuais até agora: Italo Ferreira (Baía Formosa, RN), Rebeca Andrade (Guarulhos, SP), Ana Marcela Cunha (Salvador, BA), Isaquias Queiroz (Ubaitaba, BA), Hebert Conceição (Salvador, BA)..

Hebert Conceição entrou no ringue ao som de Olodum: "Nobre guerreiro negro de alma leve / nobre guerreiro negro lutador / que os bons ventos calmos assim te levem aonde você for." Ao nocautear o ucraniano, nosso negro lutador soltou gritos de alegria, dor, força. Muito emocionado, olhou para as câmeras e mandou: "É a medalha para o nobre guerreiro, tenho muito orgulho em ser brasileiro". Negro, nobre, forte, guerreiro de ouro. 

Seu conterrâneo, Isaquias Queiroz, único brasileiro a conquistar três medalhas em uma única edição dos Jogos, em 2016, botou no peito a que faltava: o ouro. Deixou claro em todas as eliminatórias que era o homem a ser batido, que era o mais forte, o mais determinado, com mais sangue nos olhos. Afinal, ele remava por Jesús. Jesús Morlan, o técnico espanhol que revolucionou sua vida e nossa canoagem, levado em 2018 por um câncer no cérebro. Em um esporte sem tradição no Brasil, Isaquias se tornou o melhor de todos. Um ícone

Ambos os baianos dourados da madrugada fizeram questão de lembrar os mortos pela pandemia. Não deixaram de tomar vacina. Não ignoraram nosso luto, nem em seu maior momento de glória. "Dedico muito a cada uma das famílias que perderam um ente querido para a Covid-19", disse Isaquias. Hebert lembrou que há "muitas pessoas muito tristes, que perderam seus empregos e seus entes queridos. Espero ter proporcionado um pouco de felicidade e um breve sorriso, que tenha feito a diferença na vida de todos vocês."

Oxum, padroeira da Bahia, é a deusa do ouro. Que ela siga olhando por seus filhos e derrame suas bênçãos sobre todos nós. 

Brasil chega a 50% da população imunizada contra a Covid com a primeira dose

  • Redação
  • 08 Ago 2021
  • 11:54h

(Foto: Reprodução)

O Brasil atingiu a marca de mais 50% da população vacinada contra a Covid-19, exatos 50,16% o que equivale a 106.221.963 doses aplicadas desde o começo da campanha de imunização no país.

O dado foi divulgado pelo consórcio dos veículos de imprensa, que aponta ainda em um relatório que 1 em cada 5 brasileiros completaram o ciclo de imunização com as duas doses.

No país, 44.938.520 pessoas que tomaram as duas doses ou a dose única e estão totalmente imunizados, valor que corresponde a 21,22% dos brasileiros.

A Bahia não aparece entre os estados com maior porcentagem da população imunizada, isto é, com o ciclo completo, primeira e segunda dose ou dose única. Liderando o ranking aparece o Mato Grosso do Sul (34,34%), seguido do Rio Grande do Sul (27,97%), São Paulo (24,48%), Espírito Santo (22,73%) e Santa Catarina (21,97%).    

No estado, 6.628.856 receberam a primeira dose da vacina (44,4%). No caso da segunda dose, metade deste número pode se considerar totalmente imunizado, 2.775.646 (20,28%). A dose única foi aplicada apenas em 251.752.

Brasil encerra as Olimpíadas com o melhor desempenho da história do país

  • Redação
  • 08 Ago 2021
  • 10:25h

Na 12ª posição, país registra recorde de ouro e medalhas | Foto: NSC Total

Pela primeira vez, o Brasil terminou uma edição das Olimpíadas em 12° lugar, sendo uma posição acima da edição Rio 2016. A classificação é resultado do recorde de ouro e de medalhas, que foi impulsionado pelos atletas do nordeste.

Ao todo, foram 21 medalhas, sendo sete de ouro, seis pratas e oito bronzes. O Brasil empatou com Canadá e Nova Zelândia em número de ouros e pratas, mas a delegação canadense assegurou o 11º lugar por ter 11 bronzes.

Curiosamente, na última Olimpíadas, o Brasil conseguiu ultrapassar a Hungria e a Coreia do Sul, mas também foi superada pelo Canadá.

Beatriz Ferreira perde para irlandesa e fica com a prata no boxe: 'Desculpa, Brasil'

  • Leandro Aragão
  • 08 Ago 2021
  • 09:37h

(Foto: GE)

A baiana Beatriz Ferreira ficou com a medalha de prata no boxe, dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Na madrugada deste domingo (8), ela foi derrotada pela irlandesa Kellie Harrington na final da categoria até 60kg, por decisão unânime dos juízes.

"Desculpa, pai. Desculpa, Brasil", disse a baiana logo após o anúncio do resultado.

Bia Ferreira chegou em Tóquio candidata ao ouro em Tóquio. Ela e Kellie Harrington já haviam se enfrentado em uma competição oficial. Em 2018, a irlandesa foi campeã mundial. No ano seguinte, a baiana ficou com o mesmo título, mas naquela ocasião sua algoz olímpica não participou por estar machucada. Apesar de lamentar a derrota, Bia já mira na próxima Olimpíada que será em Paris no ano de 2024.

"Saí do Brasil com a meta de conseguir a mãe de todas, não consegui, tentei mudar de cor, mas não consegui. Vou continuar trabalhando para que ela mude. Claro que o objetivo era o ouro, o ouro não veio, mas estou contente com essa aqui. Sou medalhista olímpica, é para poucas. O trabalho continua, não vou parar por aqui. Vou vender caro", afirmou em entrevista ao SporTV. "Acredito que representei bem, não foi o ouro, mas foi a medalha de prata que tem sabor de ouro", continuou. "Tá logo ali. Aguardem", finalizou.

Esta foi a primeira vez que Beatriz Ferreira disputou os Jogos Olímpicos. Na Rio 2016, ela esteve no evento esportivo, mas como sparring da conterrânea Adriana Araújo, medalhista de bronze em Londres-2012. Antes de chegar em Tóquio, Bia foi campeã dos Jogos Sul-Americanos 2018, dos Jogos Pan-Americanos 2019 e do Mundial 2019, que aconteceu na Rússia.

Programa de Estágio da RHI Magnesita tem vagas para Brumado; inscrições terminam na próxima quinta (12)

  • Redação
  • 08 Ago 2021
  • 09:02h

São diversas áreas do conhecimento contempladas no processo seletivo, que receberá inscrições até 12/08 e conta com 71 oportunidades em todo o Brasil. | Foto: Reprodução

A RHI Magnesita lançou a edição 2021 de seu Programa de Estágio, com 71 vagas distribuídas para Brumado (BA), Contagem (MG), Volta Redonda (RJ) e São Gonçalo do Amarante (CE). As inscrições vão até o dia 12/08 e devem ser feitas na plataforma da Eureca.

Neste mesmo período, os candidatos iniciarão a “Trilha Online”, onde passarão por algumas etapas de conhecimento do negócio. O processo será online desde a inscrição a Masterclass, que consiste em uma apresentação com gestores sobre as áreas da RHI Magnesita com o propósito de solucionar um desafio ligado a realidade da empresa. Para participar é preciso ter disponibilidade para atuar de modo híbrido (presencial e on-line), conforme a cidade correspondente à vaga pretendida. Outro pré-requisito do Programa é ter previsão de conclusão do curso entre novembro de 2022 e dezembro de 2023.

As 71 vagas abertas para esta edição são direcionadas às mais variadas áreas do conhecimento, como Engenharias, Administração, Gestão, Tecnologia da Informação (TI), Direito, Geologia, Contabilidade e Economia, dentre outras. Entre os benefícios oferecidos pelo Programa estão bolsa-estágio no valor de R$ 1.417; vale-transporte; seguro de vida; auxílio home office no valor de R$ 300; inclusão no “Pleno Apoio” (assistência psicológica e consultoria financeira e jurídica); e GymPass (plataforma corporativa de atividade física).

• Confira aqui informações sobre as vagas, como áreas do conhecimento, local, atividades e exigências para o cargo;

“O Programa de Estágio da RHI Magnesita busca oferecer aos estagiários e estagiárias uma vivência ativa em nossas rotinas. Nosso objetivo é criar um elo entre experientes profissionais e o time de estágio, promovendo experiência de mercado, aliada a aprendizado e ganho técnico. Mesmo sendo constantemente reinventado, o programa de estágio virou tradição na nossa empresa, sendo a porta de entrada para excelentes profissionais que temos e tivemos. Isso faz com que o nosso time tenha muito entusiasmo em colaborar com a formação prática dos estudantes”, afirma Matheus Oliveira, Gerente de Recursos Humanos.

 

Olimpíadas de Tóquio: Desempenho de medalhistas que nasceram na Bahia rende memes na internet

  • João Souza, G1 BA
  • 08 Ago 2021
  • 08:43h

Desempenho dos baianos nas Olimpíadas de Tóquio rende memes na internet — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Quatro baianos já colocaram a medalha de ouro no pescoço em comemorações na Olimpíadas de Tóquio. O desempenho dos atletas nascidos na Bahia rendeu memes na internet.

Das sete medalhas de ouros do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio até agora, três foram conquistados por Ana Marcela (maratona aquática), Isaquias Queiroz (Canoagem) e Hebert Conceição (Boxe). O jogador Daniel Alves também comemorou a conquista, com a seleção brasileira de futebol.

O número de medalhas da Bahia virou pauta para diversos memes na internet. Com três ouros, a Bahia fica atrás apenas do Brasil, entre os países da América do Sul. Os baianos também subiram mais vezes no lugar mais alto do pódio que países como Portugal, Espanha, Grécia, México.

Em sábado histórico, três baianos receberam medalhas de ouro nas olimpíadas

Com o desempenho desses e cheios de orgulho, os baianos sugeriram a criação do Comitê Olímpico Baiano (COB) ou (COBA).

Desempenho dos baianos nas Olimpíadas de Tóquio rende memes na internet — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Seleção feminina de vôlei perde para os EUA e fica com sua 1ª prata em Olimpíadas

  • Carlos Petrocilo e Daniel E. de Castro | Folhapress
  • 08 Ago 2021
  • 08:20h

(Foto: GE)

De desacreditada à medalha de prata, a seleção brasileira feminina de vôlei encerrou neste domingo (8) sua jornada nas Olimpíadas de Tóquio com derrota na decisão diante dos Estados Unidos, por 3 sets a 0 (25/21, 25/20 e 25/14).

Sem conseguir encontrar caminhos para fazer frente às americanas, as brasileiras tiveram que se contentar com o vice-campeonato, o primeiro da história da seleção feminina, sua quinta medalha olímpica. A prata se soma aos bronzes de 1996 e 2000 e aos ouros de 2008 e 2012.

Foi a única medalha conquistada pelo vôlei brasileiro em Tóquio, já que a seleção masculina terminou na quarta posição e as duplas da praia foram eliminadas cedo.

As americanas, treinadas pelo lendário Karch Kiraly, foram campeãs pela primeira vez e devolveram a derrota sofrida nas duas decisões em que as brasileiras sagraram-se campeãs.

Das 11 atletas que estiveram na final deste domingo pelo lado verde-amarelo, 9 subiram no pódio pela primeira vez: as ponteiras Gabi e Ana Cristina, as levantadoras Macris e Roberta, as centrais Carol Gattaz, Carol e Bia, a oposta Rosamaria e a líbero Camila Brait.

As ponteiras Fernanda Garay e Natália, campeãs em Londres-2012, eram as mais experientes com a camisa da seleção e as únicas, além de Gabi, que participaram da eliminação em casa nas quartas de final de 2016, para a China.

A oposta Tandara, ouro em 2012, foi cortada na sexta-feira (6), antes das semifinais, quando o resultado de um exame antidoping que fez no Brasil no dia 7 de julho levou a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) a comunicar o COB (Comitê Olímpico do Brasil) sobre sua suspensão.

Comandante de três ouros olímpicos, um com a seleção masculina em 1992 e os dois da seleção feminina, José Roberto Guimarães, 67, conheceu a sua primeira derrota em uma decisão.

Ele chegou ao ginásio da Ariake Arena para a partida deste domingo sabendo que sua equipe precisava jogar de forma diferente para bater as americanas, após duas derrotas nos últimos meses durante a Liga das Nações, uma delas também na decisão.

Mas as mudanças tentadas não se traduziram em quadra. Se na final da Liga das Nações o jogo pelo menos foi parelho, em Tóquio as brasileiras não esboçaram uma reação consistente em nenhum momento. Não houve mexida de Zé Roberto, torcida da delegação presente no ginásio ou música do DJ da arena que fosse capaz de mudar o cenário.

As brasileiras não conseguiram conter as investidas de Jordan Larson, Michelle Bartsch-Hackley Andrea Drews, responsáveis por 41 pontos somadas.

"A gente acreditava muito que poderia ganhar, mas hoje foi o dia delas. A gente conquistou essa prata. Foi muito difícil, então a gente tem que celebrar. Encerro esse ciclo orgulhosa pelo o que a gente fez", disse Fernanda Garay.

Capitã da equipe, Natália destacou uma mistura de sentimentos com a derrota, mas considerou a trajetória acima do esperado. "A gente conseguiu passo por passo crescer na competição. Feliz por onde a gente chegou e triste porque sabe quanto é ruim perder uma final. A decepção vai ficar uns dias, mas quando a gente olhar para a prata vai ter muito orgulho dela também."

A seleção brasileira chegou ao Japão sob desconfiança cinco anos depois do seu pior resultado em 28 anos nos Jogos: a queda nas quartas de final na edição do Rio de Janeiro. Além disso, a equipe atravessou um ciclo atormentado por lesões e maus resultados, como o sétimo lugar no Mundial de 2018.

Houve baixas importantes no elenco, como as centrais bicampeãs Thaisa, que se aposentou da seleção em abril, e Fabiana, que recentemente teve um filho.

A líbero Camila Brait, que havia anunciado sua aposentadoria logo após ser cortada da lista final para o Rio-2016, retornou à seleção em 2019 e, na capital japonesa, teve a oportunidade de disputar sua primeira edição de Olimpíadas. E que também será a última.

"Não vou jogar mais pela seleção. Para mim foi muito especial estar aqui durante todo esse tempo. Ter voltado valeu muito a pena. Mas ano que vem eu não volto, dessa vez é de verdade", brincou a atleta.

"Uma amiga minha me perguntou ano passado se quando eu me aposentasse eu conseguiria dormir de consciência tranquila que eu tinha batalhado pela minha carreira e tentado disputar todos os campeonatos que existem. Eu falei 'acho que não', então precisei batalhar para jogar essas Olimpíadas. Realizei meu maior sonho, veio a prata e estou muito feliz", completou Brait.

Estados Unidos, Sérvia, Itália e China desembarcaram no Japão como principais cotados ao pódio. Surpreendentemente, a equipe chinesa, atual campeã olímpica, foi eliminada na primeira fase. As sérvias tiraram as italianas nas quartas e perderam para os EUA na outra semifinal –acabaram com o bronze.

A seleção brasileira chegou ao mata-mata de forma invicta e com um caminho teoricamente mais tranquilo. Nas quartas, superou a Rússia por 3 sets a 1 e marcou encontro com a Coreia do Sul, que protagonizou outra surpresa ao eliminar a Turquia.

No mesmo dia da semi, a seleção acordou com a notícia do corte de Tandara. Ela voltou para o Brasil horas depois, sem ter contato com o grupo, que fez um pacto para permanecer focado no confronto e não comentar o assunto antes de garantir a vaga na final e a medalha olímpica. A concentração imperou, e as brasileiras atropelaram as sul-coreanas por 3 sets a 0.

Com o lugar no pódio garantido, o clima no ginásio foi de muita festa e alívio. As jogadoras ficaram bastante tempo em quadra comemorando em meio a abraços e tiraram fotos.

Diante da frustração na final contra os EUA, são esses os registros vitoriosos que marcarão o retorno ao pódio após tantos percalços.

Auditoria de urnas eletrônicas teve baixa procura por partidos

  • Redação
  • 08 Ago 2021
  • 08:15h

Segundo dados do TSE, apenas uma legenda participou ativamente da etapa em que o código fonte que será usado nas urnas é aberto | Foto: Reprodução

Apesar dos bolsonaristas terem colocado a auditoria das urnas eletrônicas na ordem do dia, nesses 25 anos em que o sistema está em está em vigor no país foi baixíssimo o interesse dos partidos e entidades públicas em acompanhar o processo, como lembrou recentemente o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, em audiência na Câmara. A informação é do jornal O Globo.

Segundo dados do TSE, apenas uma legenda participou ativamente da etapa em que o código fonte que será usado nas urnas é aberto — momento em que os representantes das agremiações partidárias e outras instituições podem solicitar melhorias, tirar dúvidas ou conversar com a equipe técnica.

De acordo com os registros da Corte, o único partido que participou desta fase foi o PT, que o fez até 2002, quando Lula foi eleito pra a Presidência da República.

Os questionamentos e acusações sobre o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas têm sido uma pauta puxada principalmente pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Bolsonaro vem questionando, sem provas, a lisura das eleições e pede para que seja implementado, a partir do ano que vem, a impressão de um comprovante do voto — chegando até mesmo a ameaçar a realização do pleito caso isso não seja feito.

Energia cara acende alerta sobre onda de calotes no mercado livre

  • Nicola Pamplona | Folhapress
  • 07 Ago 2021
  • 13:34h

(Foto: Reprodução)

Com R$ 110 milhões em contratos de fornecimento de energia no mercado livre, a comercializadora Argon Energia pediu recuperação judicial nesta quinta (5), alegando dificuldades para comprar os volumes que se comprometeu a entregar diante da disparada dos preços provocada pela crise hídrica.

O pedido reforça alertas sobre o risco de uma nova onda de calotes nesse mercado, onde geradores e consumidores negociam contratos bilaterais de fornecimento, com o cenário de preços altos, que deve se manter até o fim do ano.

A Argon não comenta o pedido, alegando confidencialidade, mas a reportagem apurou que entre os credores há outras comercializadoras, geradoras de energia e clientes como a Gol Linhas Aéreas, a Rio Preto Hotéis e a Rio JV Partners, da rede hoteleira Hyatt.

É a primeira empresa do segmento a recorrer à recuperação judicial após o início da crise hídrica, mas nas últimas semanas, compradores de energia no mercado livre começaram a receber cartas de outras comercializadoras informando dificuldades para honrar os contratos.

Os primeiros alertas levaram o diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) Efraim Cruz a solicitar à CCEE (Câmara Comercializadora de Energia Elétrica) informações sobre os contratos de diversas comercializadoras.

Ele quer que a câmara responsável pela gestão do mercado repasse informações sobre os contratos de uma série de comercializadoras e alerte sobre eventuais indícios de possibilidade de inadimplência elevada que possam gerar risco ao mercado.

Comercializadoras são empresas que atuam como intermediárias no mercado de energia, comprando contratos de eletricidade de geradores para vender aos consumidores finais, como indústrias, shoppings ou redes de varejo, por exemplo.

Segundo os dados da CCEE, há hoje 421 empresas habilitadas para atuar como comercializadoras no mercado livre, que vem apresentando forte crescimento nos últimos anos, como alternativa das empresas para fugir do aumento na conta de luz.

O mercado funciona como uma bolsa de energia, na qual vendedores, compradores e intermediários negociam contratos de suprimento. Ao fim de cada mês, a CCEE calcula quanto foi o consumo e promove a liquidação dos contratos.

Quando uma empresa não consegue comprovar a entrega, é obrigada a recorrer ao mercado de curto prazo e pagar o PLD (preço de liquidação de diferenças). Com o recrudescimento da crise hídrica, o preço usado nessa liquidação disparou, atingindo o valor máximo de R$ 583,88 na última semana de junho.

"Algumas comercializadoras apostaram numa curva de preços que não se concretizou", explica Ricardo Lima, que foi do conselho de administração da CCEE. "Apostaram que os preços não subiriam e, agora, se veem sem condições de comprar volumes suficientes para cumprir seus compromissos."

A princípio, o prejuízo de eventuais calotes é do cliente, que terá que pagar a diferença na hora da liquidação. Mas em outros momentos semelhantes, parte do rombo caiu no colo de todos os participantes do mercado, já que vítimas de calotes judicializaram a questão.

Ainda não é possível identificar o tamanho do problema, que começará a surgir na liquidação de julho, concluída apenas em setembro. Mas os alertas levam o mercado a pedir pelo reforço nas regras prometido pela Aneel na última onda de calotes, em 2019.

A CCEE tem duas propostas de reforço. Uma delas eleva as exigências para a habilitação de novas comercializadoras, com o estabelecimento de patrimônio líquido mínimo e a proibição de que sócios que já tiveram empresas monitoradas por condutas atípicas abram novas comercializadoras.

A medida impediria uma prática conhecida no mercado como "Revalida", na qual agentes que já tiveram problemas compram participação em alguma das diversas comercializadoras hoje inativas para voltar a operar.

A outra proposta melhora a avaliação de risco das operações, define condutas atípicas e estabelece sanções mais pesadas para agentes que não conseguirem cumprir seus compromissos.

"Um ambiente de contratação livre com agentes com capacidade de negociação, operações adimplentes e solvência financeira contribui inclusive para expansão do mercado livre e impulsiona a expansão econômica e atração de investimentos", defende a câmara, em uma das notas técnicas.

O advogado Luis Souza, sócio no Souza, Mello e Torres Advogados, destaca que no mercado financeiro é necessário que as corretoras façam depósitos de garantias, que definirão sua capacidade de operar com ações e outros títulos.

"Isso não existe no setor elétrico, então tem comercializadoras que dizem ter lastro e vendem a energia, mas a CCEE só terá ideia no dia da liquidação", afirma, defendendo a adoção de reforços de segurança.

O problema, ressalta, ocorre porque o sistema brasileiro é bastante dependente da energia hídrica, o que amplia o risco de volatilidade de preços. Em mercados mais térmicos, os riscos são menores.

Em nota enviada à reportagem, a CCEE disse que "tem acompanhado o cenário atual e atuará de acordo com a regulamentação vigente para mitigar possíveis impactos no mercado multilateral" e que o reforço na segurança é prioridade.

"Com o objetivo de aprimorar e reforçar a segurança de mercado, a instituição tem desenvolvido propostas para tornar os critérios de participação no mercado de energia mais rígidos e aplicar boas práticas do mercado financeiro, por exemplo, para garantir a liquidez", afirmou.

Procurada, a Aneel não havia se manifestado sobre o assunto até a publicação deste texto. A Abraceel (Associação Brasileira das Comercializadoras de Energia) disse na quarta que não conseguiria comentar o assunto esta semana por dificuldades de agenda.

Argon Energia disse que, "por questões de confidencialidade, não se posicionará sobre o assunto".