Por Francis Juliano / Victor Hernandes/Bahia Notícias
15 Out 2025
08:17h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
O deputado estadual Binho Galinha foi suspenso do Partido Renovação Democrática (PRD), do qual é filiado. A suspensão chega dez dias depois do parlamentar ser preso por associação a uma organização criminosa e ser apontado por chefiar uma milícia responsável por lavar dinheiro há mais de uma década.
A informação da suspensão foi confirmada pelo presidente do PRD da Bahia, o deputado Marcinho Oliveira, em entrevista ao Bahia Notícias, nesta quarta-feira (15). O dirigente comunicou que a decisão não há prazo para a revogação da medida e que a suspensão deve ser mantida até o julgamento do mérito final do processo.
RELEMBRE
O parlamentar é acusado de liderar organização criminosa, com atuação principalmente na região de Feira de Santana. Conforme as informações da Operação Estado Anômico, o grupo criminoso é responsável por delitos como lavagem de dinheiro, obstrução da justiça, jogo do bicho, agiotagem, receptação qualificada, comércio ilegal de armas, usurpação de função pública, embaraço a investigações e tráfico de drogas.
Ele foi alvo de busca e apreensão realizada pela PF em sua residência no último dia 1º, mas não foi encontrado na época. Além disso, a esposa de Binho Galinha, Mayana Cerqueira da Silva, e o seu filho, João Guilherme Cerqueira da Silva, foram presos durante a operação da polícia federal.
Foto:Mario Agra / Câmara dos Deputados Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O deputado federal Eduardo Bolsonaro respondeu, nesta segunda-feira (13), a um corte de entrevista do senador Ciro Nogueira, na qual o parlamentar afirmou que o deputado teria causado "prejuízos gigantescos" ao Brasil durante sua atuação nos Estados Unidos. Segundo Eduardo, a atuação dele representou apenas um prejuízo aos interesses pessoais do senador.
"Prezado Ciro Nogueira, o prejuízo foi gigantesco para o seu plano pessoal; não se pode confundir o seu interesse com o do Brasil. Compadeço-me do seu sentimento, pois também foi um grande prejuízo para mim. A diferença é que estou disposto a sacrificar os meus interesses pessoais pelo Brasil", escreveu Eduardo em seu perfil no X, antigo Twitter.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro respondeu, nesta segunda-feira (13), a um corte de entrevista do senador Ciro Nogueira, na qual o parlamentar afirmou que o deputado teria causado "prejuízos gigantescos" ao Brasil durante sua atuação nos Estados Unidos. Segundo Eduardo, a atuação dele representou apenas um prejuízo aos interesses pessoais do senador.
"Prezado Ciro Nogueira, o prejuízo foi gigantesco para o seu plano pessoal; não se pode confundir o seu interesse com o do Brasil. Compadeço-me do seu sentimento, pois também foi um grande prejuízo para mim. A diferença é que estou disposto a sacrificar os meus interesses pessoais pelo Brasil", escreveu Eduardo em seu perfil no X, antigo Twitter.
O Ministério da Saúde recebeu, nesta segunda-feira (13), o primeiro lote do medicamento trastuzumabe entansina, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), em 2022, para o tratamento do câncer de mama. Nesta primeira remessa, chegaram 11.978 unidades e cerca de 1.144 pacientes devem ser beneficiados.
O remédio é indicado para quem ainda continuou com a doença após a quimioterapia inicial, geralmente em casos de câncer de mama HER2-positivo em estágio 3, informou a pasta. Ao todo, serão quatro lotes do medicamento, sendo que as próximas entregas estão previstas para dezembro deste ano, março e junho do próximo ano. Segundo o ministério, os insumos atenderão a 100% da demanda atual pelo medicamento no SUS.
Segundo informações da Agência Brasil, o medicamento será repassado às secretarias estaduais de Saúde, que farão a distribuição de acordo com os protocolos clínicos vigentes. O investimento total do governo federal é de R$ 159,3 milhões para a compra de 34,4 mil frascos-ampola do medicamento.
O diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, José Barreto Campello Carvalheira, falou à imprensa, no local em que a carga foi recebida, no almoxarifado do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
“É gigantesco o avanço para a oncologia nacional. É uma medicação que vai reduzir em 50% a mortalidade das pacientes que têm HER2- positivo, que é um tipo de câncer de mama. É uma grande vitória do povo brasileiro. O Ministério da Saúde fica orgulhoso de poder estar fazendo essa entrega hoje dentro do Outubro Rosa”, disse o diretor.
“Nas pacientes que ficam com restos tumorais, no câncer de mama, você pode colocar [esse medicamento] agora à disposição para fazer um novo tratamento. Ele garante 50% de redução de mortalidade, 50% menos recidiva local, é realmente um grande avanço, é diminuição de mortalidade”, explicou. Segundo Carvalheira, a previsão é que o medicamento chegue aos pacientes já a partir deste mês, até o começo de novembro.
O presidente Luiz Inácio Lula da SIlva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13), em Roma, que o Brasil não tem problema com Israel, mas sim com o premiê Binyamin Netanyahu.
Ao ser questionado se o acordo de paz em Gaza abriria espaço para o Brasil melhorar suas relações diplomáticas com Israel, o presidente afirmou que "o Brasil não tem problema com Israel". "O Brasil tem problema com Netanyahu. A hora que Netanyahu não for mais governo, não haverá nenhum problema entre Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa", declarou.
"Nós sabemos que o povo judeu não concordava em muita parte com aquela guerra. Eu estou feliz porque, veja, eu não sei se é definitivo ou não, mas eu estou feliz porque é um começo muito promissor", declarou o presidente sobre o andamento do processo de paz, que nesta segunda teve um avanço importante com a libertação dos reféns pelo grupo terrorista Hamas e, em contrapartida, a soltura de quase 2.000 prisioneiros palestinos por Israel.
"O fato de o presidente Trump ter ido a Israel, ter ido ao Parlamento e ter falado, é um sinal muito importante. E agora vai ter reunião no Egito com os países da Europa. Eu acho importante. Eu espero que aqueles que ajudaram Israel na sua posição de virulência agora ajudem a ter uma paz definitiva", afirmou Lula.
Brasil e Israel vivem uma crise diplomática sem precedentes, e o governo Lula se firmou como uma das vozes mais críticas à campanha militar israelense em Gaza. Desde o ano passado, após uma série de rusgas, o Brasil não tem embaixador em Israel, assim como o país do Oriente Médio está sem representante de alto nível em Brasília.
As declarações ocorreram após discurso do presidente na abertura do Fórum Mundial da Alimentação, na capital italiana. Em sua fala, Lula disse que "a fome é irmã da guerra, seja ela travada com armas e bombas ou com tarifas e subsídios". "Conflitos armados, além do sofrimento humano e da destruição da infraestrutura, desorganizam cadeia de insumos e de alimentos", declarou. "Da tragédia em Gaza à paralisia da Organização Mundial do Comércio, a fome tornou-se sintoma d o abandono das regras e das instituições multilaterais."
O evento acontece até sexta (17) na sede da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Lula foi o terceiro a falar, após o diretor-geral da entidade, Qu Dongyu, e o rei do Lesotho, Letsie 3o. Entre as autoridades presentes no plenário, o chefe de governo de Bangladesh, Muhammad Yunus, com quem Lula teria uma bilateral em seguida.
O principal dia do fórum será na quinta (16), quando estarão presentes o papa Leão 14 e as principais autoridades italianas, o presidente Sergio Mattarella e a primeira-ministra Giorgia Meloni. A cerimônia é marcada pela comemoração dos 80 anos da FAO.
Antes, o presidente participou de reunião sobre a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa do Brasil lançada no G20 do Rio, no ano passado. O encontro foi liderado pelo Brasil pela Espanha.
No fim de julho, a FAO anunciou que o Brasil saiu do Mapa da Fome, por ter menos de 2,5% da população em risco de subnutrição ou sem acesso à alimentação suficiente no triênio de 2022 a 2024. O país havia voltado para o Mapa da Fome pelos resultados entre 2019 a 2021.
Pela manhã, Lula foi recebido pelo papa Leão 14, no Palácio Apostólico, no Vaticano. Foi o primeiro encontro entre os dois desde que o americano Robert Prevost foi eleito, em maio.
Na breve reunião, de menos de meia hora, Lula convidou o papa para a COP30, a conferência de clima da ONU (Organização das Nações Unidas), que acontece em novembro em Belém. O papa respondeu que não poderá participar devido aos compromissos com o Jubileu, mas garantiu a representação do Vaticano em Belém.
Lula viaja acompanhando da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Dias ( Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar).
Não há previsão de encontros entre o presidente e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que deverá participar, no Egito, da reunião de líderes sobre o acordo de paz entre Hamas e Israel. O petista voltará nesta tarde ao Brasil.
Uma interferência no Sistema Interligado Nacional (SIN) provocou a interrupção no fornecimento de energia elétrica em diferentes estados do país na madrugada desta terça-feira (14). De acordo com as companhias de energia que atuam nas regiões afetadas, o problema causou apagões em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Amazonas, Minas Gerais e Santa Catarina.
No Rio de Janeiro, a distribuidora Light informou que cerca de 450 mil clientes ficaram sem energia. A empresa explicou que, devido à falha no SIN, foi necessário acionar o Esquema Regional de Alívio de Carga, um procedimento utilizado para equilibrar o sistema elétrico e evitar colapsos maiores. Em bairros da Zona Norte, Baixada e Zona Oeste, o fornecimento foi restabelecido após aproximadamente 30 minutos.
No estado do Amazonas, a concessionária Amazonas Energia relatou que as cidades de Manaus, Parintins e Itacoatiara foram atingidas. O apagão durou cerca de uma hora, com a normalização do serviço registrada às 00h25. Em São Paulo, a Enel informou que 937 mil clientes tiveram o fornecimento interrompido temporariamente. A empresa destacou que o serviço foi totalmente restabelecido em cerca de oito minutos. Ainda não há confirmação oficial sobre as causas da interferência.
O SIN é responsável por integrar praticamente toda a capacidade de geração e transmissão de energia do Brasil, permitindo que os estados troquem eletricidade de acordo com a demanda.
A Uber anunciou que, a partir de janeiro de 2026, entrará em vigor uma atualização nos critérios de aceitação de veículos das categorias Uber Black e Uber Comfort em diversas cidades do Brasil. A medida, segundo a empresa, tem como objetivo aprimorar a experiência dos passageiros e fortalecer a atratividade dos serviços premium, com base em pesquisas de satisfação e análises do mercado automotivo.
De acordo com o novo regulamento, a categoria Uber Black — voltada a veículos de luxo — passará por ajustes no ano mínimo de fabricação dos automóveis aceitos, que varia conforme a cidade. Em São Paulo, por exemplo, o Volkswagen Virtus só será aceito se fabricado a partir de 2026, enquanto o Renault Duster precisará ser, no mínimo, do ano 2023.
Além disso, a plataforma informou que alguns modelos deixarão de ser aceitos, independentemente do ano de fabricação. Entre os veículos descontinuados estão o Renault Kardian, Citroën Basalt, Chery Tiggo 3X, Peugeot E-2008, entre outros.
Os carros da categoria Black devem obrigatoriamente possuir ar-condicionado, quatro portas e estar nas cores preto, chumbo, prata, cinza, azul-marinho, marrom ou branco. Já os motoristas que desejam atuar nesse segmento precisam ter realizado mais de 100 viagens em outras categorias da plataforma (exceto Uber Moto, Envios Moto e Uber Táxi) e manter uma avaliação mínima de 4,85.
Na categoria Uber Comfort, os requisitos também serão revisados. O ano mínimo de fabricação dos veículos continuará variando conforme o modelo e a localidade. Em São Paulo, por exemplo, os modelos Etios Sedan, Voyage, Prisma, Logan e Cobalt precisarão ser, no mínimo, de 2019, enquanto o Volkswagen Polo deve ser de 2023 ou mais recente.
A empresa destacou ainda que o Renault Logan será totalmente descontinuado da categoria Comfort a partir de julho de 2026, independentemente do ano de fabricação. Os motoristas que atuam no Comfort deverão manter avaliação mínima entre 4,80 e 4,85, a depender da cidade, e ter concluído mais de 100 viagens na plataforma.
Por Ranier Bragon e Carolina Linhares | Folhapress
14 Out 2025
08:25h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O projeto para reduzir penas de condenados por atos golpistas, que originalmente tratava de anistia, deve atravessar mais uma semana sem ser votado pela Câmara dos Deputados, segundo líderes de partidos de esquerda.
Este é o quarto adiamento após a proposta ter a tramitação em regime de urgência aprovada pelo plenário no dia 17 do mês passado -desde aquele momento, o relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) vem repetindo que o mérito seria analisado na semana seguinte, promessa que não se concretizou.
Embora parte dos deputados ainda diga ter esperanças de que o projeto seja incluído na pauta, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já anunciou 16 projetos que devem ser votados nesta semana, e o da redução de penas não está na lista.
As propostas citadas por Motta tratam de infância e de educação, em alusão ao Dia das Crianças e ao Dia dos Professores.
A redução de penas em discussão deve beneficiar tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no julgamento da trama golpista, quanto os presos e condenados pelos ataques de 8 de Janeiro de 2023.
Líderes partidários contrários à votação da redução de penas afirmam que ouviram de Motta a decisão de que o projeto não será votado nesta semana. Procurada pela reportagem, a assessoria do presidente da Câmara afirmou que a pauta desta terça (14) já está definida, mas não esclareceu se a anistia ainda pode ser incluída.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a proposta, que foi costurada em um acordo do centrão com o STF (Supremo Tribunal Federal), enfrenta resistência no PL e no PT. O partido de Bolsonaro ainda defende publicamente uma anistia ampla. Já o PT de Lula é contra inclusive a redução de penas.
Além dessa divergência, há um cenário de incerteza no Senado.
"Ninguém nem conhece esse projeto. Ele [Paulinho] nunca deu publicidade ao que ele está fazendo. No Senado, ninguém sabe disso, ninguém fala disso. Esse negócio de anistia, na minha opinião, é letra morta, não vai andar para lugar nenhum", afirmou à Folha de S.Paulo o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Os deputados cobram também uma posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas essa definição não teria ocorrido até o momento.
Outro entrave para o avanço da matéria é, segundo parlamentares, o fato de que o texto final não foi apresentado ainda por Paulinho, que vem recolhendo sugestões em diversas bancadas e também com a cúpula da Câmara e do Senado. O relator já disse que pode apresentar seu parecer nesta semana.
Como mostrou a Folha, Paulinho tem discutido com o centrão, grupo que hoje comanda a Câmara dos Deputados, um texto que diminui o tempo de prisão de Jair Bolsonaro (PL) em regime fechado de 6 anos e 10 meses para algo em torno de 2 a 3 anos.
De acordo com deputados, o avanço do projeto esbarra na falta de votos na Câmara. Paulinho afirmou no fim de setembro que o texto só seria votado quando houvesse aval dos senadores, para evitar o mesmo fim da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Blindagem.
Nas últimas semanas, o relator fez reuniões com as bancadas de 14 partidos, obtendo apoio de 9 delas ao seu texto -que somam 206 deputados, menos da metade da Câmara.
Após se reunir com o relator no último dia 30, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sinalizou abertura a um texto que signifique redução de penas, não anistia.
A frase do presidente do partido de Bolsonaro foi, de acordo com quem acompanhou o encontro, a de que ele não poderia ser contra um projeto que signifique a soltura de pessoas hoje presas pelos ataques às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Duas em cada dez ações na Justiça do Trabalho terminaram em acordo nos primeiros oito meses deste ano, segundo dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). De janeiro a agosto, 21% dos 3,4 milhões processos no Judiciário trabalhista de todo o país chegaram ao final após conciliação entre as partes.
O índice é considerado baixo por especialistas, embora seja maior do que o registrado em 2024, quando houve acordo em 18% das ações. Um dos estímulos para o crescimento pode ser a mudança nas regras de conciliação aprovadas pelo CNJ por indicação do então presidente do órgão, ministro Luís Roberto Barroso, que na época também presidia o STF (Supremo Tribunal Federal).
A nova regra, que passou a valer em outubro de 2024, liberava a homologação de acordos extrajudiciais fechados entre empregado e empregador após o fim do contrato de trabalho sem que a necessidade de ingressar com uma ação judicial.
A advogada Cláudia Abdul Ahad Securato, sócia do Securato Advogadas, afirma que o Judiciário trabalhista é conhecido pela disponibilidade de propor acordo entre as partes, que costumam ser sugeridos por juízes logo na primeira instância, mas que muitas empresas não aceitam por medo de abrir precedentes para futuras ações ou porque não possuem recursos financeiros para pagar o que é proposto.
Para ela, o acordo é o melhor caminho, caso haja capacidade de pagamento por parte do empregador. "Fechar um acordo é a forma mais segura de encerrar o processo. Para as empresas, isso serve para evitar sustos com condenações em valor superior ao pretendido, e para os trabalhadores, a principal vantagem é a rapidez", diz.
Lucas Pena, diretor da Pact Insights, consultoria de tecnologia de dados para reduzir passivos trabalhistas, afirma que o percentual de conciliação varia conforme o tribunal do país, e há regiões nos quais mais acordos são fechados. No entanto, para ele, o índice ainda é muito baixo.
Para Pena, caso as empresas monitorassem de forma mais assertiva o ambiente de trabalho e o passivo trabalhista, maiores seriam os índices de conciliação a ser alcançados, evitando condenações em valores maiores do que o esperado. Isso traria economia de gastos tanto para empregadores quanto para a Justiça.
Outro ponto, segundo ele, é que as companhias não se planejam nos casos em que houve, realmente, violação às regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). "A gente tem a CLT há quantos anos? É uma lei relativamente estável. Não vai mudar. Aliás, só mudou uma vez, em 2017", afirma ele, referindo-se à reforma trabalhista.
O advogado afirma que, mesmo com a disposição de juízes de primeira instância em oferecer acordo, esse percentual de conciliação é ainda menor nessa esfera do Judiciário, e chegaria a 2% dos casos.
"Se você não alcançou um acordo no primeiro ano de vida desse processo, ele provavelmente nunca mais se tornará um acordo. O que é uma incongruência, porque a verdade é que você tem muito mais incerteza antes da primeira condenação do que depois", diz.
"O que acontece em grande parte é tratar aquele processo como uma briga infinita, como se aquilo não fosse um crédito e uma dívida. Porque, a partir da primeira condenação, a verdade é que aquilo não é só mais um processo, é um crédito para quem está reclamando aqueles direitos e uma dívida para quem está devendo."
A tecnologia criada por ele, que é engenheiro com passagem pelo mercado financeiro e reestruturações empresariais, tem como base o uso da tecnologia e da IA (inteligência artificial) para levantar o passivo trabalhista das empresas. Há ainda revisão humana de todo o processo.
"Muitas empresas familiares eram pegas de surpresa por passivos de dezenas de milhões de reais. Isso não aparece do dia para a noite, é uma tendência que vem se repetindo ano após ano", afirma.
Segundo ele, a empresa calcula com precisão o risco de cada processo e, com isso, propõe negociações estratégicas. O sistema cruza informações internas das empresas com dados públicos e usa inteligência artificial para estimar valores reais dos litígios.
A Pact acompanha grandes empresas e diz que, dos maiores problemas que vê, a gestão da jornada e o desvio de função é o que mais tem levado companhias a serem processadas e perder altos valores.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido da defesa de Jair Bolsonaro e decidiu manter a prisão domiciliar e outras medidas cautelares impostas ao ex-presidente. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (13).
Em sua fundamentação, o ministro citou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que apontava a possibilidade de fuga do ex-presidente. Moraes afirmou que as medidas são necessárias para evitar esse risco e para assegurar o cumprimento da lei.
"As providências mantidas pela Suprema Corte, além disso, são imprescindíveis para evitar a fuga do distrito da culpa, hipótese cuja probabilidade restou reconhecida nos autos da ação penal correlata, bem como para assegurar a execução da pena recentemente imposta ao réu pela Primeira Turma, que determinou o cumprimento de sanção privativa de liberdade em regime fechado", diz a decisão.
O ministro registrou em seu despacho o que classificou como "fundado receio de fuga" e lembrou que Bolsonaro já descumpriu medidas cautelares anteriormente. A decisão também menciona a condenação do ex-presidente pela Primeira Turma do STF na Ação Penal 2668, na qual foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados a atos golpistas.
"A manutenção da prisão domiciliar e a manutenção das medidas cautelares impostas ao réu são necessárias e adequadas para cessar o acentuado periculum libertatis, demonstrando não só pela condenação do réu na AP 2668, mas também pelos reiterados descumprimentos das medidas cautelares", afirmou Moraes.
A defesa de Jair Bolsonaro havia enviado um pedido ao STF no fim de setembro solicitando a retirada das medidas cautelares, incluindo a prisão domiciliar e a proibição de uso de redes sociais. O pedido foi negado.
É importante ressaltar que a prisão domiciliar atualmente em vigor não decorre da condenação na ação penal da trama golpista. Uma eventual prisão para cumprimento dessa sentença específica só ocorrerá após o esgotamento de todos os recursos legais cabíveis pela defesa.
Por Idiana Tomazelli e Nathalia Garcia | Folhapress
13 Out 2025
14:44h
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Um projeto de resolução do Senado propõe limitar o endividamento da União e pode não só travar a gestão da dívida pelo Tesouro Nacional, mas também ampliar o poder de barganha do Congresso Nacional nas negociações políticas com o Poder Executivo.
A chance de aprovação da proposta acendeu um alerta na equipe econômica e no Banco Central, que emplacaram mudanças para atenuar a gravidade dos problemas. Ainda assim, eventual avanço da medida seria um risco político e econômico, na visão de integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por ser um projeto de resolução do Senado, o texto, uma vez aprovado, não se submete à sanção do presidente da República, ou seja, Lula não poderá vetá-lo.
O texto regulamenta um dispositivo da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) que determina que, se o limite da dívida for rompido, a União fica sujeita a penalidades como um corte de pelo menos 25% nos primeiros quatro meses após o estouro.
"Imediatamente teríamos que fazer um ajuste primário adicional de R$ 150 bilhões, R$ 200 bilhões num único exercício, o que equivale a mais de 2% do PIB, muito difícil de se imaginar", alertou o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. Economistas defensores da iniciativa, por sua vez, veem na proposta justamente uma forma de conter o avanço das despesas federais.
O projeto tramita na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, mas o governo conseguiu adiar sua votação. O presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que também é autor do projeto, concordou com a realização de audiências públicas, a primeira realizada na última terça-feira (7).
Na ocasião, o secretário especial de análise governamental da Casa Civil, Bruno Moretti, argumentou que a União emite títulos da dívida para pagar inclusive benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Segundo ele, se o país chegasse à situação em que o limite de endividamento fosse atingido, a proibição a novas emissões "levaria ao não pagamento dessas despesas obrigatórias" —o que, para o secretário, abre inclusive uma discussão sobre a constitucionalidade da medida.
A situação seria semelhante ao que se vê hoje nos Estados Unidos, onde o Congresso fixa um limite para a dívida. De tempos em tempos, o presidente dos EUA precisa enfrentar duras negociações com o Legislativo para conseguir ampliar o teto. Enquanto isso, parte dos serviços públicos é interrompida.
O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), relator da proposta, considera que a legislação americana apresenta um "defeito sério" e descarta paralelo com o Brasil. "No nosso caso não existe [risco] porque não há limite fixo [para dívida], é percentual do PIB. Nós nunca teremos shutdown [apagão] se aprovarmos essa resolução, porque a saída está bem clara", disse.
Em seu parecer, ele propõe um teto de 80% do PIB para o indicador da DBGG (dívida bruta do governo geral), com ajustes para descontar obrigações de estados e municípios e as operações compromissadas do BC (quando a autoridade monetária vende títulos do Tesouro no mercado para manter a taxa básica Selic no patamar definido).
A dívida bruta, que em agosto (dado mais recente) estava em 77,5% do PIB, ficaria em 65,2% do PIB quando feitos os ajustes previstos no projeto de resolução. Embora a estimativa seja inferior aos 80%, o próprio governo projeta crescimento da dívida nos próximos anos (devido à lenta recuperação das contas), o que poderia deixar o Executivo vulnerável perante o Congresso no futuro.
Esse tipo de poder de barganha é uma das principais preocupações do governo, que hoje já sofre pressão de deputados e senadores para liberar mais rapidamente as emendas parlamentares —que, por sua vez, abocanham um valor cada vez maior no Orçamento Federal. Só neste ano, são R$ 50,4 bilhões.
Para um técnico, instituir um limite de dívida para a União é, do ponto de vista político, "mil vezes pior" do que lidar com as emendas.
O Executivo federal já viveu experiência semelhante. Entre 2019 e 2021, o governo precisou de autorizações especiais do Congresso para descumprir a chamada regra de ouro do Orçamento e poder pagar despesas correntes, como benefícios previdenciários e salários de servidores, via emissão de dívidas. Em 2020, o valor do crédito chegou a R$ 343,6 bilhões, em cifras nominais.
O Congresso rapidamente se deu conta do poder que tinha em mãos e passou a usar o crédito como moeda de troca para acelerar emendas ou aprovar projetos de seu interesse. O governo, por sua vez, pendurou na autorização especial aqueles gastos que dificilmente o Legislativo barraria, como benefícios sociais.
O problema do limite da dívida, na visão de técnicos do governo, é que potencialmente o Congresso terá o poder de desbloquear ou não a execução de um volume significativo de despesas, sobretudo em um contexto de déficit primário —ou seja, as despesas ainda superam a arrecadação do governo.
Para além do problema político, o governo argumenta que limitar o endividamento não produzirá os resultados que o Congresso diz buscar.
"A questão central são as medidas capazes de afetar a trajetória da dívida. Não é o limite em si que vai nos colocar frente a uma trajetória sustentável", afirmou Moretti durante a audiência pública. "Mais eficiente seria pactuar com Congresso medidas efetivas de controle da despesa obrigatória para que aumentasse a resiliência do arcabouço fiscal."
Nos bastidores, integrantes do governo também apontam certa incoerência do Legislativo, que cobra ajuste fiscal e controle da dívida, mas toma decisões justamente na direção contrária.
Só na última semana, a Câmara derrubou a MP (medida provisória) que elevaria impostos para reforçar a arrecadação e ajudaria a segurar despesas obrigatórias, além de ter dado sinal verde a uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que afrouxa as regras de aposentadoria de agentes comunitários de saúde —uma pauta-bomba com impacto de dezenas de bilhões de reais para a União.
A versão inicial do parecer de Guimarães criava uma situação ainda pior, pois alcançava até mesmo as operações compromissadas do BC. A autoridade monetária perderia liberdade de usar um de seus principais instrumentos para gestão de liquidez do sistema financeiro, o que reduziria sua capacidade de ação no combate à inflação.
"A redação original teria um impacto bastante grande na forma de atuação e operacionalização, tanto da atividade que o Tesouro Nacional desempenha quanto da política monetária, com efeito que basicamente provocaria uma mudança de regime", afirmou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a jornalistas em setembro.
Segundo ele, a equipe técnica forneceu subsídios ao relator, que acolheu as ressalvas feitas pelo órgão. Galípolo, contudo, disse que não cabe ao BC fazer qualquer tipo de juízo sobre propostas legislativas.
Apesar dos ajustes, Bruno Carazza, professor associado da Fundação Dom Cabral, critica a proposta e diz que ela pode de fato aumentar o poder de barganha do Congresso sem necessariamente resolver o problema das finanças do país.
"Não é por falta de regras fiscais que a gente não equilibra as contas públicas. Ter mais essa regra não sei se vai trazer retorno que a gente precisa. Seria o comprometimento de toda a classe política, de todos os Poderes, com essa maior disciplina fiscal. Isso, infelizmente, a gente não tem no Brasil, nem no Executivo, nem no Legislativo e nem no Judiciário", afirmou.
O calor do verão resolveu dar as caras antes da hora — e, junto com ele, veio uma explosão de ritmo! No último domingo, 12 de outubro de 2025, às 13h, o cantor Chris Pimenta lançou oficialmente sua nova música “Tropa Perigosa”, uma faixa que promete ser o hino do verão.
Com batidas envolventes, letra marcante e aquela energia contagiante que é a marca registrada de Chris Pimenta, “Tropa Perigosa” já está conquistando fãs por onde passa. A canção traz uma mistura perfeita entre clima de festa, alto astral e aquele toque provocante que combina perfeitamente com a temporada mais quente do ano.
“Venha fazer parte da tropa do Pimenta!” — é o convite que o cantor faz aos fãs e novos ouvintes, prometendo muita música boa, dança e boas vibrações.
A música está disponível nas principais plataformas digitais, e o público já começou a compartilhar vídeos e stories curtindo o som que tem tudo para dominar as playlists deste verão.
Se o sol chegou antes do tempo, pode apostar: a trilha sonora já está garantida com Chris Pimenta e sua “Tropa Perigosa”!
Um estudo apresentado na UEG Week 2025, principal congresso europeu sobre gastroenterologia, apontou que o consumo de bebidas adoçadas artificialmente — como refrigerantes “diet” ou “zero” — pode estar mais associado a problemas no fígado do que as versões com açúcar comum.
A pesquisa acompanhou mais de 123 mil pessoas do banco de dados britânico UK Biobank por cerca de 10 anos. Nenhum dos participantes tinha histórico de doenças hepáticas no início do estudo.
De acordo com os resultados, quem consumia mais de 250 gramas por dia de bebidas com adoçantes artificiais — o equivalente a uma lata — teve um risco 60% maior de desenvolver doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, condição que pode evoluir para cirrose e câncer de fígado. No grupo que consumia bebidas adoçadas com açúcar, o aumento de risco foi de cerca de 50%.
Durante o período de acompanhamento, 1.178 participantes desenvolveram a doença hepática gordurosa e 108 morreram por causas relacionadas ao fígado. Segundo os pesquisadores, apenas as bebidas diet apresentaram relação com mortes por doenças hepáticas, o que chamou atenção.
Ambos os tipos de bebida foram associados ao acúmulo de gordura no fígado. Quando os pesquisadores simularam a substituição de refrigerantes por água, houve uma redução no risco de desenvolver a doença: 12,8% no caso das bebidas com açúcar e 15,2% no caso das diet. No entanto, trocar uma pela outra não demonstrou nenhum benefício.
Os autores do estudo afirmam que os adoçantes artificiais podem interferir em processos metabólicos e na composição da microbiota intestinal, o que pode explicar os efeitos negativos mesmo na ausência de açúcar.
“Esses achados desafiam a percepção de que as versões ‘sem açúcar’ são automaticamente mais seguras. É necessário cautela e novos estudos para entender os efeitos metabólicos dos adoçantes artificiais”, alertam os pesquisadores.
O grupo Hamas libertou, na madrugada desta segunda-feira (13), os últimos 20 reféns israelenses ainda vivos que eram mantidos em cativeiro desde o ataque de 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, episódio que deu início à guerra em Gaza. A libertação encerra dois anos de conflito armado, marcado por bombardeios, operações militares e intensas negociações internacionais.
A ação faz parte de um acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas, que prevê também a libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos pelas autoridades israelenses.
O processo começou por volta das 2h (horário de Brasília), quando sete reféns foram entregues. Pouco depois, às 4h20min, outros 13 foram transferidos para a Cruz Vermelha, responsável pela mediação da operação humanitária.
Segundo o governo israelense, os reféns fazem parte de um grupo de 251 pessoas sequestradas durante o ataque do Hamas em 2023. Os corpos de 28 reféns mortos em cativeiro ainda não foram devolvidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a Israel por volta das 3h30min (horário de Brasília) para acompanhar a conclusão da operação e se reunir com familiares dos libertados. Recebido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo presidente Isaac Herzog, Trump afirmou que o conflito chega ao fim após dois anos de escalada militar.
“A guerra acabou”, declarou o mandatário americano a jornalistas a bordo do Air Force One.
O cessar-fogo entrou em vigor na sexta-feira (10), às 6h, e permitiu que cerca de 200 mil palestinos retornassem ao norte da Faixa de Gaza, área severamente destruída por bombardeios israelenses. No mesmo dia, o Exército de Israel anunciou a retirada de tropas da Cidade de Gaza, encerrando formalmente as operações terrestres no enclave.
Em 7 de outubro de 2023, o Hamas realizou um ataque sem precedentes a Israel, invadindo o país por terra, ar e mar. Milhares de civis foram mortos, e centenas, sequestradas. Um dos locais atacados foi o festival de música eletrônica Universo Paralello, que reunia cerca de 3 mil pessoas no deserto do Neguev.
O ataque motivou a declaração de guerra por parte de Israel, que iniciou uma ampla ofensiva na Faixa de Gaza, resultando em dezenas de milhares de mortos, segundo estimativas de organizações humanitárias.
Conheça os sete primeiros reféns libertos:
Matan Angrest (22 anos), militar, foi capturado enquanto tentava conter uma invasão do Hamas próximo à base de Nahal Oz.
Gali e Ziv Berman (28 anos), irmãos gêmeos e produtores musicais, foram sequestrados no kibutz Kfar Aza, incendiado durante o ataque.
Elkana Bohbot (36 anos), produtor do festival Nova, foi filmado algemado e ferido enquanto era levado por milicianos.
Evyatar David (24 anos) e Guy Gilboa Dalal (24 anos) foram raptados no festival e apareceram em vídeos divulgados pelo Hamas, visivelmente debilitados.
David e Ariel Cunio, irmãos israelenses-argentinos, foram sequestrados com familiares em Nir Oz; parte da família foi libertada em 2023.
Omri Miran (48 anos), terapeuta, foi um dos últimos a aparecer em vídeos divulgados pelo grupo, pedindo o fim dos bombardeios.
Matan Zangauker (25 anos), trabalhador de uma fazenda de cannabis medicinal, se tornou símbolo do movimento de famílias que pressionaram o governo israelense por negociações.
Ao longo dos últimos dias, sinais confusos e diversos passaram a circular no entorno do governador Jerônimo Rodrigues e da chamada “chapa dos sonhos” para 2026, formada por ele, pelo senador Jaques Wagner e pelo ex-governador Rui Costa. Nos cenários apresentados, ainda que especulativamente, o senador Angelo Coronel (PSD) manteria a cadeira a que tem direito, para tentar a reeleição, e Wagner e Rui seriam “obrigados” a escolher entre si o destino da segunda vaga do PT na majoritária do próximo ano.
Rui foi o único a falar publicamente sobre o tema na última semana. E reforçou o desejo de ser candidato ao Senado, ao mesmo tempo em que tentou apaziguar a relação com Coronel e o PSD. Mais recluso, Wagner, dessa vez, não concedeu entrevista ou falou diretamente sobre o assunto. Foi assim que surgiram rumores que sugerem ora que Rui pode substituir Wagner, ora que o desejo do ministro da Casa Civil pode ser adiado para 2026.
Após a divulgação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desejaria que Rui permanecesse no governo durante a campanha eleitoral, coube ao próprio Lula citar o pedido durante entrevista. Logicamente, o conteúdo, tratado com desdém por alguns petistas, mostrou que a apuração do editor de política do Bahia Notícias, Mauricio Leiro, mostrava um caminho não aventado até então. Só que o próprio presidente ponderou que não impediria nenhum dos ministros de ser candidato. Ou seja, mordeu e assoprou – algo típico de um político do calibre de Lula.
A conta de Rui, de ter o desejo de voltar as urnas em 2026 realizado, não leva em conta apenas o desejo da “chapa imbatível”, formada pelo criador dele, Wagner, e pelo pupilo, Jerônimo. É uma questão de sobrevivência. Tanto que, há algum tempo, circulam rumores de uma eventual substituição da candidatura à reeleição do governador por um retorno de Rui. É uma forma de manter recall político, dado à possibilidade de ficar duas eleições fora das urnas. A chance de perder musculatura e prestígio assusta, razão pela qual a maioria das situações criadas sempre colocam o ex-governador como protagonista das narrativas – e antagonista da manutenção da unidade da base aliada ao PT na Bahia.
Wagner conhece o sucessor bem. Sabe que, caso resolva mexer as peças no tabuleiro político, pode gerar a tão estabilidade do grupo, ao mesmo tempo em que pode contrariar os interesses de Rui. Talvez seja essa a razão pela qual ele foi um dos primeiros a defender a tal “chapa dos sonhos”, evitando escantear o pupilo antes das negociações serem iniciadas ou efetivadas. Ser afoito na política, pode custar mais do que amizades, algo que o abre-caminhos do PT na Bahia sabe mais do que outros.
Enquanto os sinais trocados circulam, Coronel e o PSD aguardam qual caminho seguir, sem também colocar o carro antes dos bois. Experimentados, sabem que um confronto direto e antecipado só geraria caos e tensão, algo evitável por agora. Talvez, na virada do ano, quando as perspectivas estiverem mais claras nos mais diversos cenários, aí sim pode ser o momento de incitar a guerra. Antes disso, é evitar perder as batalhas. Tal qual o disse me disse dos bastidores insiste em simular.
A venda de bebidas alcoólicas no Brasil vai além de bares, restaurantes e supermercados. Os consumidores, muitas vezes, procuram por preços mais baratos e compram em locais sem segurança, segundo levantamento da Unifesp. Para os especialistas, isto aumenta o risco de uso abusivo e de intoxicações, como ocorre atualmente com a crise do metanol.
Segundo a Terceira Pesquisa Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad 3), 23,3% dos brasileiros entrevistados disseram que compram bebidas "bem abaixo do preço normal". Mais de um terço dos brasileiros (36,4%) já participou de eventos "open bar", o que o relatório considera perigoso.
Um terço (33%) dos consumidores disseram que compram bebidas em lojas de conveniência em postos de gasolina, 16,7% em camelôs, 15,7% por aplicativos e 14,4% em padarias, locais considerados "não convencionais".
Clarice Madruga, professora de psiquiatria na Unifesp e coordenadora do levantamento, diz que em países como o Canadá e em certos estados dos Estados Unidos, que têm políticas regulatórias adequadas, estes pontos não seriam autorizados para a comercialização de álcool.
Segundo a pesquisadora, com estes dados, a ideia é chamar a atenção para a grande venda informal de bebidas alcoólicas no país. "A grande mensagem é a necessidade de licenciamento, que, além de organizar o mercado, também responde à urgência de controlar casos como o do metanol e de bebidas falsificadas, garantindo maior segurança sobre onde e o que está sendo vendido."
A coleta dos dados foi feita em 2023 com 16.608 participantes em 300 municípios do país, em seus domicílios. A metodologia é de autopreenchimento sigiloso.
O levantamento também investigou o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes de 14 a 17 anos. O estudo indica que 74,7% dos jovens dessa faixa etária que tentaram comprar bebidas no último ano nunca foram barrados por causa da idade.
A maioria obtém álcool em bares e botequins (76,1%), seguida por compras via adultos intermediários (44,9%), ambulantes (34,4%) e aplicativos de entrega (16,4%).
No Sudeste, o consumo em padarias e via delivery é mais frequente. Já no Nordeste e no Norte, o comércio informal, com ambulantes, domina o acesso.
A psiquiatra responsável pelo estudo diz que a ausência de licenças faz com que o controle sobre a venda para adolescentes seja "praticamente inexistente". "Muitos estabelecimentos não sofrem fiscalização e vendem para menores sem exigir documento de identidade", diz Madruga.
A pesquisadora destaca ainda que políticas que reduzem a densidade de pontos de venda mostraram-se eficazes em outros países, diminuindo acidentes e outros problemas relacionados ao consumo abusivo de álcool. "No entanto, essa regulação se torna inviável quando há comércio informal e, agora, também com a ampliação da venda por aplicativos", diz.
A pesquisa propôs políticas de saúde pública mais fortes, organizadas em cinco eixos, focando na redução do acesso de menores ao álcool, no controle da qualidade das bebidas, na restrição da publicidade e na promoção de consumo responsável. O relatório recomenda maior fiscalização, rastreabilidade, advertências sanitárias e limitação de promoções.