BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"

Dengue cresce 50% em 20 dias

  • Tribuna da Bahia
  • 13 Fev 2016
  • 07:00h

(Foto: Reprodução)

Entre 3 e 23 de janeiro o Ministério da Saúde registrou 73 mil casos de dengue no País. Diante desse quadro o governo pretende visitar três milhões de residências em 356 municípios de todo o Brasil. Mais de 220 mil militares vão participar da mobilização.  Os dados do Ministério da Saúde revelam que seis em cada dez casos ocorreram na região Sudeste.  Os estados que mais tiveram notificações de dengue foram Mato Grosso do Sul, Tocantins, Espírito Santo e Minas Gerais. Nesse período quatro pessoas morreram por causa da doença: duas no Paraná, uma no Mato Grosso do Sul e outra em Rondônia. Em 2015, nesse mesmo período, a dengue já havia tirado 50 vidas. 

Mudanças na Lei: Pensão alimentícia ficará mais rigorosa a partir de março

  • 12 Fev 2016
  • 14:01h

(Reprodução)

A pensão alimentícia é um direito de toda criança, adolescente e idoso. As mudanças no Código Civil tornaram mais rigorosas as leis quanto às pensões. As novas medidas entrarão em vigor a partir de 18 de março. A Rádio Cristal convidou a advogada e professora da faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo, Cristiane Beuren, para tirar dúvidas e esclarecer as mudanças no código. A legislação anterior tinha regras especificas para a lei, porém muitas coisas a justiça deliberava sem estar previsto em lei. Por exemplo, o fato de o requerente ter a pensão avaliada em 30% do salário do requerido não estava previsto em lei, a decisão, era uma jurisprudência da justiça. A mudança a partir de março prevê em lei este número. O que muda? O rigor. No momento que for entrado com a execução de que o devedor atrasou um mês, o Juiz já poderá emitir um mandado de prisão. A justiça deverá dar três dias para o pagamento ou justificava do não pagamento, porém, já é determinado que o valor fosse a protesto no cartório. Com o protesto, essas informações geram a situação de inadimplente para o devedor. “Basta um mês de atraso que já pode ser pedido à prisão do devedor, não necessariamente os três meses”, destacou Cristiane quanto às novas mudanças na lei. Quanto a pena, agora está na lei. A pena será de um a três meses em regime fechado, sem possibilidade de alteração. “Ir pra cadeia não significa que são pagas as pensões. O tempo que o devedor está preso, ele necessita continuar pagando, pois assim que sair, continua sendo devedor sendo possível novamente a sua prisão”, destacou Beuren. A pensão alimentícia deve ser paga até o momento em que o pai, mãe ou responsável entre na justiça pedindo a exoneração do pagamento, do contrário continuará pagando.

Número de acidentes em estradas federais na Bahia cai 41% neste Carnaval

  • 12 Fev 2016
  • 12:49h

(Foto: Reprodução)

O número de acidentes durante o Carnaval nas estradas federais que cortam a Bahia caiu 41% em relação ao mesmo período do ano passado - em todo país, a queda foi de 48%. Foram 81 acidentes registrados contra 138 acidentes em 2015. Em 2016, foram 12 mortes registradas durante o período nas estradas federais baianas, um aumento em relação as sete mortes do ano passado. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou os dados da Operação Carnaval nesta quinta-feira (11). A operação aconteceu entre os dias 5 e 10 de fevereiro. Dos 12 mortos, cinco foram em acidentes com colisão frontal, três de saída de pista, um de atropelo a pedestre, uma colisão transversal, uma queda de moto e uma colisão traseira. Estes acidentes com morte aconteceram na BR-110 (cinco), BR-16 (dois), BR-101 (dois), BR-324, BR-407, BR-420. Assim, o número de mortos aumentou 71%, ante as sete mortes registradas em 2015. Em 2016, 84 pessoas ficaram feridas em acidentes, mesmo número registrado no ano passado.  No total, 11.090 veículos foram fiscalizados, 12.002 pessoas foram abordadas, sendo 2.939 autuadas. Foram notificados 929 motoristas por ultrapassagem proibida, 294 por não usar cinto de segurança e 53 motociclistas foram flagrados sem capacete. Os radares captaram 4.859 imagens de veículos em excesso de velocidade.

 

Rodovias estaduais
A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) também divulgou nesta quinta-feira o balanço da Operação Carnaval 2016. Em seis dias de operação, foram registrados 37 acidentes, que resultaram em 40 feridos e duas mortes nas rodovias estaduais. A operação aconteceu entre os dias 4 e 10 de fevereiro. Em 2016, foram 5.230 veículos abordados pela PRE, um aumento de 40,5% em relação ao ano passado. Do total de motoristas abordados, 814 veículos foram autuados e 102 retidos. O número de apreensão de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) foi 25,71% maior este ano. Em 2016, foram 35 carteiras recolhidas. No total, 6.270 pessoas foram abordadas, 32% a mais que o ano passado.

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País terá neste sábado Dia de Mobilização para Combate ao Aedes aegypti

  • 12 Fev 2016
  • 11:17h

(Foto: Divulgação)

O  governo federal promove neste sábado (13) o Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Aedes aegypti. A ideia é mobilizar famílias no combate ao mosquito transmissor do Zika, que também é vetor da dengue e da chikungunya.  Três milhões de famílias deverão ser visitadas em suas casas, em 350 municípios. Para isso, a presidenta Dilma Rousseff determinou o deslocamento de seus ministros a vários estados a fim de participar ativamente da mobilização, conversando com prefeitos, governadores e batendo nas portas das casas. Os destinos de alguns membros do primeiro escalão já foram definidos, como os do titular da Saúde, Marcelo Castro, que seguirá para Salvador, e do chefe da Casa Civil, ministro Jaques Wagner, que irá a São Luís.

 

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, irá para Aracaju; a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, visitará o Recife; o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, participará da ação em Maceió, e Ricardo Berzoini, titular da Secretaria de Governo da Presidência da República, viajará a Manaus. O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, por sua vez, irá a São Paulo. Ele vai se encontrar com o governador do estado, Geraldo Alckmin, em Campinas. “Estaremos presente nos estados. Acho que a presença dos ministros é um testemunho do compromisso e do esforço do governo federal para a contenção do mosquito e dos males que ele causa”, afirmou Rebelo. As Forças Armadas deslocaram cerca de 220 mil militares para a ação. Eles vão acompanhar os agentes de saúde no trabalho de conscientização, casa a casa. Foram usados dois critérios para definir as cidades que serão visitadas na campanha; municípios com a presença de unidades militares e os com maior incidência do mosquito Aedes aegypit, conforme dados do Ministério da Saúde. “A campanha é de mobilização, de convocar a população a fazer parte do esforço de combate ao mosquito e essa mobilização terá que ser feita de casa em casa. Nosso propósito é alcançar pelo menos 3 milhões de domicílios e distribuir pelo menos 4 milhões de folhetos neste sábado”, acrescentou Aldo Rebelo.

Emergência internacional

No início do mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência internacional de saúde pública em virtude do aumento de casos de microcefalia associados à contaminação pelo vírus Zika. A situação é preocupante, segundo a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, por causa  de fatores como a ausência de imunidade entre a população, a falta de vacinas, tratamentos específicos e testes de diagnóstico rápidom além da possibilidade de disseminação global da doença. Transmitido pelo Aedes aegypiti, o mesmo transmissor da dengue e da chikungunya, o Zika provoca dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. A grande preocupação, no entanto, é a relação entre o Zika e a ocorrência de microcefalia.

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Brasileiras buscam pílulas abortivas em ONGs por medo do zika

  • 12 Fev 2016
  • 08:03h

(Foto: Reprodução)

O aumento de casos de microcefalia associados à epidemia do zika vírus reacendeu nas últimas semanas o debate sobre a descriminalização do aborto. E, como no Brasil o procedimento só é permitido em casos de estupro, risco de vida da gestante ou quando o feto é anencéfalo, algumas brasileiras têm driblado a legislação proibitiva por meio de ONGs que remetem ao País medicamentos com efeito abortivo. Uma das vias encontradas por essas gestantes é a organização internacional Women Help Women (WhW), que tem recebido centenas de e-mails de mulheres da América Latina. Integrante da organização, Cecília Costa confirma ao iG que o grupo viu um aumento nos pedidos de informação e de serviços de mulheres que temem que o bebê tenha malformação provocada pelo vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da chikungunya.

 

Basta uma rápida olhada nas páginas da WhW nas redes sociais para se deparar com pedidos de gestantes brasileiras pelos métodos, baseados em medicamentos proibidos em território brasileiro que provocam o chamado aborto farmacológico.  Formada por médicos, ativistas, conselheiros e trabalhadores sociais espalhados por quatro continentes, a Women Help Women oferece consultas online e fornece pílulas de mifepristona e misoprostol, vetadas no País desde 1998. "Até que as leis entrem em acordo com a realidade e as necessidades concretas das mulheres, o serviço da Women Help Women pode apoiar as gestantes do Brasil e de outros países", defende Cecília. "O aborto farmacológico é uma forma muito segura e eficaz de interromper uma gravidez e pode ser usado de forma segura no primeiro trimestre de gestação."

Debate ganha fôlego no País
Na segunda-feira (8), o jornal norte-americano "The New York Times" publicou um artigo no qual o surto do zika vírus foi classificado como "uma oportunidade única para o Brasil mudar o modo como trata os direitos reprodutivos das mulheres". O texto faz eco ao discurso propagado na semana anterior pelo periódico britânico "Independent", que considerou "mais importante do que nunca" que os países da América Latina revejam suas leis sobre o aborto. Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, o senador Paulo Paim (PT-RS) não concorda com as avaliações estrangeiras. Para ele, a discussão a respeito do combate ao mosquito transmissor do zika é muito mais urgente do que qualquer debate em torno de novas regras para o aborto. "A discussão sempre vai estar na ordem do dia do Legislativo. É uma questão que divide corações, mentes e religiões. E é uma decisão de fórum muito intimo da mulher", diz Paim. "Mas eu não consigo imaginar alguém optar pelo aborto simplesmente pela ameaça de contaminação pelo zika vírus." Se a explosão de casos de microcefalia não tem apelo para fazer com que a descriminalização avance no Senado, a esperança dos grupos que lutam por esse direito pode estar no Supremo Tribunal Federal. É para lá que será enviada uma ação movida por um grupo de advogados, acadêmicos e ativistas que pede a liberação do aborto em casos de fetos com a malformação. O argumento é que o Estado é "responsável pela epidemia de zika" por não ter erradicado o mosquito. "O mosquito [Aedes aegypti] se prolifera em lugares em que o Estado não é eficaz, e isso atinge a população pobre. Então, a mulher pobre é penalizada duas vezes, porque é ela que vai se submeter a práticas arriscadas de aborto", afirma a psicóloga Rosângela Talib, coordenadora da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, um dos grupos que lutam pela legalização do aborto no País. "As mulheres não têm culpa dessa situação [fetos com microcefalia] e não podem ser obrigadas a continuar com a gravidez." Rosângela reconhece que uma possível resposta positiva do STF à ação pode só sair quando o surto do zika vírus for controlado no País – já que é a epidemia que justifica o pedido de descriminalização – e, por isso, pede agilidade: "É uma questão de saúde pública. Se a OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um alerta mundial, é porque a coisa é séria". Na semana passada, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) despontou como a principal voz daqueles que são contrários à interrupção de gestações de fetos com microcefalia. Mas se engana quem pensa que o núcleo anti-aborto conta apenas com grupos ligados à religião: o discurso dos católicos encontrou reforço no Conselho Federal de Medicina. "A incompatibilidade com a vida foi a essência para a fundamentação do STF quando se manifestou favoravelmente pelo aborto de fetos anencéfalos. No caso de fetos com diagnóstico de microcefalia, em princípio, não há incompatibilidade com a vida", analisa o CFM em nota. Como o debate segue aberto, ONGs como a WhW encontram caminho aberto para continuar "exercendo a função do Estado" ao prover métodos abortivos no País. Mesmo que, por vezes, os medicamentos que oferece acabem interceptados pelas autoridades brasileiras antes de chegarem às suas destinatárias.

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PF pede Fundo Nacional de Combate à Corrupção

  • 12 Fev 2016
  • 07:21h

(Foto: Reprodução)

Agentes, delegados, escrivães, peritos e papiloscopistas da Polícia Federal entregaram nesta quinta-feira, 11, ao diretor geral da corporação, Leandro Daiello, uma extensa pauta de reivindicações em busca do “fortalecimento, autonomia e valorização da PF”. O documento é histórico, porque redigido conjuntamente pelas principais entidades de classe dos policiais federais – nos anos recentes, as relações entre algumas associações e sindicatos foram marcadas por discordâncias e tensões. Leandro Daiello manifestou satisfação diante do entendimento das categorias da PF. Ele informou que encaminhará as propostas ao Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal está atrelada. A pauta de reivindicações, dividida em três capítulos, foi aprovada no dia 29 de janeiro, na sede da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, em Brasília. Os federais querem uma nova estrutura organizacional para a instituição. No capítulo “Em relação à autonomia da Polícia Federal”, eles pedem: vedação ao contingenciamento dos recursos orçamentários destinados à PF pelos próximos cinco anos; aumento real (descontada a inflação) dos recursos para investimento da PF em 10% ao ano, pelo prazo mínimo de cinco anos. Sugerem a criação de Delegacias de Combate à Corrupção em todas as unidades da PF. Pedem a criação do Fundo Nacional de Combate à Corrupção e Crime Organizado, destinado exclusivamente à estruturação e atuação da PF contra malfeitos na administração pública. 

Igrejas cristãs vão ajudar no combate ao Aedes aegypti

  • 12 Fev 2016
  • 07:01h

(Foto: Reprodução)

O encontro da presidenta Dilma Rousseff com representantes do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), nesta quarta-feira (10), selou o acordo para que a instituição religiosa colabore com erradicação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya, no País “Como estamos na Campanha da Fraternidade Ecumênica, que tem como tema ‘Casa Comum, Nossa Responsabilidade’, e como foco o saneamento básico, nós vamos trabalhar também nesse sentido [de combate ao mosquito]. A questão do cuidado com a casa comum é nossa também, não só do poder público. Começa na nossa casa, passa pelo nosso bairro e vai até o nosso município”, disse.  “Saímos mais envolvidos na questão e, certamente, as igrejas vão participar dessa campanha de enfrentamento ao Aedes aegypti e, consequentemente, ao zika vírus”, acrescentou.

 

O representante da Aliança de Batistas do Brasil (ABB), Joel Zeferino, reconhece a questão como parte do papel social da igreja. “Dois terço dos focos do Aedes aegypti estão dentro das casas das pessoas. É muito difícil para o Estado, entrar de casa em casa e fazer esse combate. É preciso, então, conscientizar a população para se fazer esse tipo de controle perene”, ressaltou Zeferino.

Mobilização nacional

Neste sábado (13), o governo irá mobilizar 220 mil militares das Forças Armadas para cumprir a meta de visitar 3 milhões de residências, em 356 municípios, para conscientizar e orientar a população no combate ao mosquito. Também serão distribuídos panfletos com um número de telefone local que irá receber denúncias de locais onde possivelmente haja proliferação do mosquito.

Campanha da Fraternidade

Neste ano, a Campanha da Fraternidade será ecumênica, reunindo todas igrejas cristãs do Brasil, como católicas e evangélicas, por exemplo. O tema é “Casa Comum, Nossa Responsabilidade” e trata de saneamento básico. Durante a manhã desta quarta (10), o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, participou do lançamento da campanha., realizada no Brasil desde 1963. Esta é a quarta vez que a inciativa será feita de forma ecumênica.

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OAB pede investigação de blogs e perfis na internet que vendem carteira para advogar

  • 11 Fev 2016
  • 18:01h

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O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Claudio Lamachia pediu que a Polícia Federal investigue um blog e perfis em redes sociais que anunciam venda de carteiras da entidade. “Toda a tentativa de incentivo ao cometimento de um crime desta natureza deve ser denunciada as autoridades responsáveis, para que uma investigação torne possível a punição dos autores”, afirmou Lamachia. O presidente da Ordem classifica a venda de carteiras como uma tentativa de golpe. “O único meio possível para o ingresso dos bacharéis de direito na advocacia é o Exame de Ordem”, salientou. O departamento de Tecnologia da Informação do Conselho Federal da OAB está monitorando os sites e perfis, para que uma lista de possíveis autores do golpe seja investigada pela Polícia Federal.

Código de Mineração vira polêmica em disputa pela liderança do PMDB

  • 11 Fev 2016
  • 15:57h

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A polêmica disputa pela liderança do PMDB na Câmara ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira, 11. Agora, o motivo de troca de acusações entre aliados do atual líder, Leonardo Picciani (RJ), que tenta a recondução ao posto, e de Hugo Motta (PB), seu rival é o Código de Mineração, empacado na Casa há três anos. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apoiador de Motta, e o antigo relator do texto, Leonardo Quintão (MG), aliado de Picciani, são os protagonistas da troca de farpas. Cunha rebateu Quintão, que, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, disse que seu relatório, que dá nova redação ao texto de 1967, está pronto para votação desde o início de 2014, mas não foi à votação por culpa do presidente da Câmara. “Ele que nunca colocou para votar”, afirmou Quintão mais cedo. A reação de Cunha foi imediata. “Em primeiro lugar, o presidente da Câmara em 2014 era Henrique (Henrique Eduardo Alves, PMDB-RN). Em segundo lugar, Quintão era relator na comissão especial e não conseguiu votar na comissão por falta de apoio”, afirmou Eduardo Cunha. O atual presidente da Câmara disse ter conversado com Quintão no ano passado e que comunicou a ele que o destituiria da relatoria da comissão especial criada para tocar o novo texto. “Chamei ele em agosto para café na minha casa. Comuniquei que iria recriar a comissão e ele não seria mais relator”, afirmou Cunha. Quintão diz que foi destituído da relatoria do colegiado em retaliação ao seu apoio a Picciani na disputa pela liderança. Em seu lugar, foi nomeado o deputado Laudívio Carvalho (MG). “Ele não consegue votar faz três anos. Essa é a verdade. Não tem nada a ver com liderança”, retrucou Cunha, que disse ter colocado o texto na pauta do plenário na semana passada a partir do pedido feito da presidente Dilma Rousseff em mensagem ao Congresso. A troca de acusações públicas começou a partir de reportagem publicada hoje pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, segundo a qual deputados do grupo de Picciani irão procurar o paraibano para propor uma “saída honrosa” que não desgaste Cunha, interessado em impedir a recondução do atual líder. Contando com a derrota de Motta, aliados de Picciani, encabeçados por Quintão, querem procurá-lo na próxima semana para propor que ele desista da disputa para evitar que Cunha seja derrotado no momento em que tenta garantir sua permanência na presidência da Câmara e salvar seu mandato diante das investigações da Operação Lava Jato. “Quem está precisando de saída honrosa é Quintão, por isso a polêmica”, reagiu Cunha.

Executivo da Andrade Gutierrez volta à prisão cinco dias após sair da cadeia

  • 11 Fev 2016
  • 13:01h

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A Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou nesta quarta-feira (10) a prisão preventiva do presidente da construtoraAndrade Gutierrez, Otavio Marques de Azevedo. O executivo foi preso por volta das 17h, na casa dele, em São Paulo, e levado para a carceragem da PF na capital paulista. Azevedo estava em  prisão domiciliar desde a última sexta-feira (5), em razão do acordo de delação premiada firmado no âmbito da Operação Lava Jato. Pelo acordo, o executivo poderia passar a cumprir pena em casa assim que a delação fosse formalizada. Os depoimentos da delação ainda não foram prestados. Segundo o advogado Juliano Breda, a defesa entrará nesta quinta (11) com pedido de revogação da prisão preventiva.

 

Otávio Marques de Azevedo voltou à prisão porque tinha um segundo mandado de prisão, e a Justiça Federal no Rio de Janeiro entendeu que a decisão do juizSérgio Moro – que cumpriu o que estava previsto no acordo de delação – não valia para as investigações da Lava Jato que estão no Rio. Essas investigações são sobre as fraudes em obras da estatalEletronuclear. Essa apuração tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) mas, em outubro do ano passado, o relator da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, entendeu que o caso não está relacionado diretamente ao esquema de corrupção naPetrobras, origem das investigações da Lava Jato, e o remeteu para a Justiça Federal no Rio. Otavio de Azevedo havia sido solto na sexta-feira junto com outro executivo da Andrade Gutierrez, Elton Negrão. Eles assinaram acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral do República (PGR), mas os termos ainda não foram homologados pela Justiça. Os dois estavam presos no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. De lá, seguiram para a Justiça Federal, onde colocaram a tornozeleira eletrônica e foram liberados. Ambos são acusados dos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e tinham sido presos na 14ª fase da Lava Jato. Estavam detidos no Paraná desde junho de 2015.

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Receita Federal libera lote de declarações retidas na malha fina

  • 11 Fev 2016
  • 09:51h

(Foto: Reprodução)

A Receita Federal liberou da malha fina mais um lote de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física. Além de 2015, foram liberadas declaração retidas nos exercícios de 2008 a 2014. O crédito bancário para 63.885 contribuintes será realizado no dia 15 de fevereiro, totalizando o valor de R$ 150 milhões. Para saber se o contribuinte teve a declaração liberada no lote residual, ele deve acessar a página da Receita na Internet ou ligar para o Receitafone 146. Ainda há a possibilidade de consulta pelo aplicativo para tablets e smartphones que facilita consulta às declarações do IRPF e situação cadastral no CPF. Com ele é possível consultar, diretamente nas bases da Receita Federal, informações sobre liberação das restituições.Os montantes de restituição para cada exercício e a respectiva taxa selic aplicada podem ser acompanhados na tabela a seguir: A restituição ficará disponível no banco durante um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá requerê-la por meio da Internet, mediante o Formulário Eletrônico – Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no Centro Virtual de Atendimento e-CACno link Extrato do Processamento da DIRPF. Caso o valor não seja creditado, o contribuinte poderá contatar pessoalmente qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para a Central de Atendimento pelo do telefone 4004-0001 (capitais).

Ministério da Saúde confirma terceira morte pelo vírus da zika

  • 11 Fev 2016
  • 08:04h

(Foto: Reprodução)

O Ministério da Saúde confirmou a terceira morte pelo vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, no Brasil. O paciente era uma jovem de 20 anos, do município de Serrinha, no Rio Grande do Norte. Ela ficou internada em Natal durante 11 dias com problemas respiratórios. A morte foi em abril do ano passado, mas o resultado dos exames saiu apenas agora. No final de novembro, o Instituto Evandro Chagas confirmou o primeiro caso de morte pelo vírus da zika no Brasil. A vítima foi um homem que morava no estado do Maranhão. Segundo os especialistas, o paciente tinha lúpus, uma doença que afeta o sistema imunológico, e por isso não resistiu à zika. O segundo caso de morte ligada ao vírus da zika foi o de uma menida de 16 anos, do município de Benevides, no Pará. O comunicado foi feito pelo ministério no dia 28 de novembro. Ela morreu no final de outubro. Os dados mostram que os sintomas começaram em 29 de setembro, e que a coleta de sangue foi feita sete dias depois, quando o caso foi notificado, em 6 de outubro. Ela apresentou dor de cabeça, náuseas e petéquias (pontos vermelhos na pele e mucosas). "O teste foi positivo para o vírus, confirmado e repetido", disse o ministério na ocasião. A doença é transmitida pela picada dos mosquitos da família “aedes”, a mesma que transmite dengue e a febre chikungunya. A prevenção é evitar lixo acumulado e não deixar água parada como criadouro de mosquitos.

 

Casos de microcefalia
O Ministério da Saúde também confirmou no final do ano passado a relação entre o vírus da zika e o surto de microcefalia na região Nordeste. Na época, o Instituto Evandro Chagas, na capital paraense, encaminhou o resultado de exames realizados em uma bebê, nascida no Ceará, com microcefalia e outras malformações congênitas. Em amostras de sangue e tecidos, foi identificada a presença do vírus Zika. A partir desse achado do bebê que veio à óbito, o Ministério da Saúde passou a considerar confirmada a relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia. Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial. As investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.

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O aborto e a microcefalia

  • Por Lucio Carvalho / OI
  • 11 Fev 2016
  • 06:30h

(Foto: Reprodução)

Além de motivar a atenção de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a recente epidemia causada pelo Zika vírus tem levado os governantes de países de todo o mundo a sugerirem cautela para turistas em visita às regiões mais afetadas, especialmente o Brasil, país que tem mais casos reportados e diagnosticados até o presente momento. A OMS, inclusive, acaba de declarar , por intermédio de sua diretora-geral, Margaret Chan, que a disseminação do Zika vírus e sua provável ligação com casos de microcefalia tornaram-se uma emergência de saúde pública internacional. É a terceira vez que a OMS faz uma declaração desta monta. Antes, apenas a pólio e o vírus Ebola haviam motivado o alerta global. No que isso afetará o desenvolvimento do contexto em solo brasileiro ainda é muito impreciso dizer. Antes disso, talvez fosse relevante para o debate público, além de se debater a prevenção do incremento de casos, considerar a primazia do interesse e da dignidade da imagem da pessoa com deficiência, antes de se deflagrar mais uma onda de temor, como já vem ocorrendo episodicamente na imprensa, por parte de setores governamentais e, obviamente, entre as pessoas comuns também, principalmente nas redes sociais, onde debates e discussões acaloradas têm lugar garantido. As razões para o temor são realmente graves, sobretudo porque sua disseminação está relacionada à propagação do aedes aegypti, mosquito vetor da doença que tem nos meses de verão seu pico de infestação, como informa periodicamente o Ministério da Saúde (MS), através dos LIRAs (Levantamento Rápido do Índice de Infestação) metropolitanos, mas também porque a microcefalia decorrente da infecção pelo vírus Zika não tem cura ou tratamento disponível e ainda é pouquíssimo conhecida pelos cientistas, embora grandes investimentos tenham sido realizados em todo o mundo no sentido de conhecer melhor o vírus e, em algum prazo incerto, até mesmo colaborar com terapêuticas. Dada a perspectiva de uma cura ser praticamente inviável ou pelo menos encontrar-se em longínquo horizonte, tal investimento tem sido largamente empregado na prevenção, através da busca pelo desenvolvimento de vacinas e da ampliação paulatina de conhecimento acerca da ação do vírus. Porém, enquanto a vacina não está disponível, outra realidade é a de que não existe, de fato, nenhuma prevenção disponível a não ser a detecção precoce durante a gestação e a consequente interrupção, ainda que realizada à margem da legalidade, isto porque em território brasileiro ela é facultada somente nos casos de anencefalia, situações em que não existe no feto a presença de massa encefálica compatível com o desenvolvimento da vida, resultando em gestações destinadas à morte do nascituro . É importante lembrar ainda que, no Brasil, o aborto é proibido pela lei, com exceção de quando a gestação envolve risco de morte da mãe ou é resultante de estupro.

Talvez um paralelo – ainda que bastante forçado – do pânico em torno da microcefalia possa ser encontrado somente entre aquelas populações que estiveram expostas à radiação atômica, como no Japão pós-guerra (1945), ou então em guerras nas quais se utilizaram amplamente armas químicas, como a do Vietnã (1955-1975), por exemplo. Em casos como estes, a exposição a componentes químicos com severa ação biológica sempre suscitou temores, principalmente entre as mulheres, de que má-formações pudessem vir a ocorrer de modo acentuado, ou seja, diferentemente dos padrões normais, situações em que aconteceriam numa distribuição demográfica mais ou menos previsível. Ao contrário do que se poderia imaginar de imediato, a explosão presente de casos de microcefalia no Brasil não é o primeiro episódio do surgimento deste temor na história (apesar de que possa parecer numa busca aos meios de comunicação), que é tão antigo quanto a própria história da medicina moderna ou até mesmo aquém daí. Pouco provável também, numa situação corriqueira, é a possibilidade de uma pessoa dimensionar antecipadamente a probabilidade de um filho vir a nascer com alguma deficiência. Algumas poucas situações atualmente podem ser detectadas precocemente através de exames pré-natais, embora as tecnologias de rastreamento sejam aperfeiçoadas dia a dia. Da mesma forma, compreender o significado e o impacto da deficiência envolve muitas situações incomparáveis, dado que o acesso à atenção precoce, de questões de saúde, de serviços e outras necessidades ocorram às pessoas de maneira tão desigual quanto a sociedade brasileira é desigual. De outro modo, o temor por que a situação de deficiência possa vir a acontecer, este sim pode ser de algum modo dimensionado. Como é muito difícil ou impossível – ainda mais em uma época marcada por epidemias – sentir-se seguro ou imune de todo a uma condição que aparentemente não escolhe classe social ou status econômico para manifestar-se, como parece ser o caso da infecção pelo Zika (embora a distribuição de casos indique incidência distinta geograficamente e estreitamente relacionada às condições sanitárias), é compreensível que o risco seja ainda mais presente e considerado e o temor por isso mesmo aumente. Some-se o alerta generalizado que as autoridades e também os meios de comunicação têm preferido realizar, até mesmo porque os dados oficiais sobre incidência e contaminação não são absolutamente confiáveis, dadas as características sintomatológicas da infecção pelo Zika e dúvidas no meio científico e governamental inclusive a respeito dos critérios de enquadramento dos recém-nascidos no diagnóstico. O resultado explosivo da combinação do compreensível temor das autoridades sanitárias em alertar a população, dos meios de comunicação em muitas vezes repassar informações sem apuração detalhada e de declarações irresponsáveis das autoridades legais não é outro, como se vê, que o de disseminação do pânico. Prova disso é o levantamento divulgado no dia 31 de janeiro pela Folha de S.Paulo, dando conta do aumento substancial da procura e realização do aborto em situações clandestinas, uma vez que, como já dito, a interrupção no Brasil é permitida apenas em casos de anencefalia. Isso sem falar na coleção de declarações, no mínimo estranhas, do titular da pasta da Saúde, Marcelo Castro, que já chegou a manifestar-se recomendando que as mulheres contraiam o vírus Zika antes da idade fértil, num movimento espontâneo visando à imunização, além de afirmar publicamente que a guerra contra o aedes é perdida, entre outras curiosidades sem maior efeito ou sentido.

A omissão do Estado brasileiro

Por outro lado, o que a reportagem da Folha  revela está muito longe do que não se saiba. O aborto clandestino existe de fato há muito tempo no Brasil e, bem como demonstra a repórter especial sobre saúde do jornal, Claudia Colluci, vem sendo procurado sobretudo por pessoas de elevado nível econômico que o realizam sem maiores dificuldades, ainda que em situações nebulosas. Ao que tudo indica, o procedimento é relativamente tranquilo, envolvendo apenas a ingestão de um medicamento e está muito distante da realidade disponível a quem não pode arcar com seus custos, que parecem não ser poucos. “Tranquilo”, evidentemente, se comparado às condições incrivelmente insalubres em que ocorre para aquela parcela da população que não pode pagar por técnicas como a medicamentosa e nem muito menos acontece dentro de alguma margem mínima de segurança. É muito importante reafirmar isto, porque o pensamento em vigor em boa parte do senso comum é o de que a decisão pelo aborto poderia ser popularizada e utilizada indistintamente a partir da abertura de brechas na lei. Trata-se de um argumento recorrente entre aqueles que defendem a manutenção da proibição em todos os casos e até mesmo a revogação dos casos em que atualmente é permitido pela justiça. Incrivelmente, a situação do aborto no Brasil vem ocorrendo há décadas nesta mesma situação, à margem da lei, à margem de qualquer fiscalização acerca das condições de segurança procedimental e, principalmente, à margem de mínimas condições de dignidade, isso a despeito de qualquer juízo moral ou religioso que se possa realizar a respeito. Por essas ironias ou exatamente por causa disso, o assunto é dos mais amortecidos tanto no meio jurídico quanto nos meios de comunicação, sendo muitas vezes mais fácil encontrar análises da situação e uma abordagem desimpedida do tema no exterior, isto mesmo quando se trata da realidade brasileira. Mas a reportagem veiculada pela Folha ainda desnuda uma outra situação que revela ainda mais a extensão do temor disseminado em relação à microcefalia, uma vez que diz respeito a casos não diagnosticados de infecção pelo vírus Zika. É isto mesmo, segundo a jornalista Claudia Colluci, a atitude seria um comportamento de antecipação à possibilidade do risco. Ora, se o nome dessa situação não é pânico, o que seria? E o que essa realidade vertida em notícia pode informar a respeito tanto sobre o temor generalizado à deficiência? Sobre o acesso distinto aos serviços de saúde e direitos reprodutivos? E, sobretudo, a respeito da omissão do Estado brasileiro em providenciar condições sanitárias que poderiam, se recursos fossem investidos, ter evitado a propagação dos casos e nascimentos?

O aborto entre os direitos civis

Observando este cenário de intensas e conflituosas informações e expectativas, um grupo de pesquisadores, médicos, juristas e ativistas dos direitos das mulheres, planeja impetrar uma ação no STF possibilitando às mulheres realizarem no sistema público de saúde a interrupção nos casos de diagnóstico de microcefalia. O grupo, liderado, pela antropóloga Débora Diniz, que também esteve a frente da ação que culminou na jurisprudência sobre anencefalia, baseia-se em diversas premissas, de acordo com entrevista concedida à BBC, principalmente em uma que aponta a responsabilidade governamental em combater a causa da epidemia, ou seja, o próprio vetor aedes aegypti e em impedir o surgimento de situações evitáveis pela ação pública e a consequente disseminação de casos de microcefalia. A ação ainda visa obrigar o estado a, por responsabilidade direta, oferecer condições de tratamento e inclusão social lato senso das crianças nascidas com a microcefalia. Na entrevista, Débora ressalta que não se trata em nenhuma circunstância de obrigar quem quer que seja ao aborto, mas facultá-lo, uma vez que a causa da microcefalia seria de todo evitável, e a epidemia teria ocorrido por mera omissão ao cuidado com o vetor, não podendo comparar-se com intercorrências genéticas, por exemplo, que acontecem por razões totalmente fora do controle humano, ou outro tipo de acidentes, além de não se poder atribuir ao descuido materno. O objetivo da ação, portanto, seria apenas o de igualar as condições de diagnóstico e resolução, escapando ao ciclo de temor generalizado, sem necessariamente buscar uma solução para todas as situações, mas fundamentalmente garantindo o acesso da mulheres ao controle de suas vidas e permitindo a expansão de seus direitos reprodutivos em um cenário complexo, no qual já se verificam o incremento na busca de soluções “alternativas”, mas nas condições em que historicamente o aborto vem acontecendo no Brasil e, diga-se de passagem, há muito tempo já. Que a discussão a respeito do direito à interrupção em situações de diagnóstico de deficiência venha a ocorrer justamente no Brasil, onde o assunto chega ao extremo de ser tratado como política negociável no âmbito político-eleitoral, é fato que deveria ser irônico, não fosse trágico. Em países europeus e outros que garantem o direito ao aborto dentre os direitos civis, a discussão sobre o direito nestes casos obedece a uma outra lógica, muito menos suscetível às pressões religiosas e políticas do que aqui, como foi possível acompanhar nas últimas eleições presidenciais. Trata-se de nações que partiram da condição de livre escolha para soluções individuais em nada conflitantes com a situação do aborto, então esculpido como opção individual e amplamente disponíveis no mercado de saúde, como até mesmo a detecção precoce e avançada de alterações cromossômicas e outras situações até mesmo em nível embrionário.

Lazer e diversão são historicamente priorizados

Ao mesmo tempo, é importante dizer que existem no campo da bioética e na medicina, no mundo todo, pesquisadores que postulam tanto a ideia de fomentar a investigação pré-natal com fins de garantir a máxima saúde da prole ou até mesmo de desencargo econômico, como o norte-americano Peter Singer e outros (ver aqui). Ainda que ideias assim possam significar interferências por vezes radicais na reprodução assistida e exageros perfeccionistas que poderiam estar flertando, sim, com a ideologia eugenista, mesmo que numa versão atualizada e culturalmente palatável, é uma tendência, ao que tudo indica, cada vez mais bem recebida e absorvida pela cultura destes tempos. De outro lado, estão os que defendem que a mensagem de busca pela perfeição humana escaparia à própria alçada humana, acabando por significar na desvalorização daqueles indivíduos que já nasceram ou ainda venham a nascer com alguma deficiência, como se pudessem tratar-se de meros erros de programação, o que o filósofo norte-americano Michael Sandel chamou em seu livro  Contra a Perfeição: Ética na Era da Engenharia Genética , muito diretamente, de “nova eugenia”, ou “eugenia de livre mercado”. Até o presente momento, a perspectiva dominante é a de que o governo adote práticas de prevenção que estão ao seu alcance mais imediato, ou seja, nada além de um esforço de pouca monta incapaz de deter o avanço da proliferação do mosquito, e por vezes mais contribuindo na disseminação do pânico do que em adotar medidas de equiparação e atenção imediatas. Todavia, a perspectiva de debater o tema convida especialistas, estudiosos e instituições relacionadas às deficiências de um modo geral a manifestarem-se, sob pena de que a comunidade de famílias e pessoas com microcefalia acabe falando sozinha, como acontece nos grupos de microcefalia nas redes sociais, enquanto que a sua imagem e de seus próprios filhos é amplamente divulgada junto a mensagens de pânico, quando talvez justamente deveriam ser as primeiras pessoas a buscar-se e amparar-se, num momento crítico como o presente, com o esforço de toda a sociedade, entre setores governamentais, filantrópicos, científicos e civis. Alguém há de lembrar que, em vésperas de Carnaval, um tema sério assim deva esperar uns dias mais. Os direitos ao lazer e à diversão obviamente são historicamente priorizados por aqui, então é bastante possível que isso venha mesmo a acontecer. Talvez por esse tipo de prioridade pública a população do país acabe por conformar-se um estigma até mesmo pior que o de qualquer deficiência: o de que aqui não se pode estragar o carnaval, ainda mais na semana do Carnaval, em vésperas da grande festa nacional, mas pode destruir-se a vida das pessoas com a liberdade que, na prática e em situações onde ela realmente importa, pouquíssimos podem usufrui-la e para a qual a sociedade costuma ladrar ou gritar, festejar, enfim é Carnaval por aqui. Às vezes não parece que sempre é?

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Lucio Carvalho é autor de Inclusão em Pauta (Ed. do Autor/KDP), A Aposta (Ed. Movimento) e do blog Em Meia Palavra . Editor da Inclusive – Inclusão e Cidadania 

 

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Confiança de micro e pequenos empresários tem leve melhora em janeiro

  • 11 Fev 2016
  • 06:17h

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O Indicador de Confiança dos micro e pequenos empresários (MPEs), calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apresentou leve melhora em janeiro, na comparação com dezembro. O indicador, que varia de 0 a 100, passou de 40,03 pontos para 42,03 pontos, mas segue abaixo do nível neutro (50 pontos). De acordo com a CNDL, esse resultado indica que os empresários entrevistados continuam pouco confiantes com as condições econômicas do país e de seus negócios. O Indicador de Confiança do SPC Brasil e da CNDL é baseado nas avaliações dos micro e pequenos empresários sobre as condições gerais da economia brasileira e também sobre o ambiente de negócios, além das expectativas para os próximos seis meses tanto para a economia quanto para suas empresas. Para 79% dos MPEs, a economia piorou nos últimos seis meses. De acordo com o Indicador de Condições Gerais, que mensura a percepção do empresariado tanto em relação à trajetória da economia como de seus negócios nos últimos seis meses, registrou em janeiro 26,60 pontos, o que representa leve melhora em relação ao mês de dezembro do ano passado, quando o número estava em 26,34 pontos. O subindicador das condições gerais para os negócios, que avalia apenas a percepção do empresário em relação ao seu próprio empreendimento, levando em consideração os últimos seis meses, também esboçou leve melhora, passando de 31,56 pontos em dezembro, para 31,64 pontos em janeiro. Já o subindicador condições gerais, que diz respeito à situação econômica do país, avançou de 21,11 para 21,57 pontos. Os resultados, muito abaixo dos 50 pontos, indicam que na percepção desses empresários, houve piora tanto da economia quanto dos negócios, explicou a CNDL. Com o início do ano, a expectativa dos micro e pequenos empresários sobre os próximos seis meses da economia e dos seus negócios apresentou melhora, apesar do ambiente econômico adverso. O indicador de expectativas para os negócios passou de 54,97 pontos para 58,5 pontos. O resultado, acima dos 50 pontos, mostra que a maior parte dos empresários está relativamente confiante em sua empresa. Já o subindicador de expectativas para a situação econômica do país ficou em 48,71 pontos, acima do observado em dezembro passado, quando estava em 45,61 pontos, porém abaixo dos 50 pontos. Considerando as expectativas sobre o faturamento da empresa nos próximos seis meses, para 30,1% dos entrevistados, haverá aumento, ao passo que para 19,9% haverá queda. Outros 46,6% dos entrevistados acreditam que seu faturamento não vai se alterar. Entre aqueles que acreditam que o faturamento vai crescer, 21,2% justificam dizendo que estão diversificando seu portfólio e 25% garantem estar buscando novas estratégias de vendas. Há ainda 10% de micro e pequenos empresários que afirmam que a crise não afeta o seu negócio. Dentre os que estão prevendo queda no faturamento, a maioria (54,1%) atribui o motivo à crise econômica. Outros 14,5% alegam que a demanda por seu produto e serviço está diminuindo, mas por razão externa à crise. O indicador e seus subindicadores mostram que houve melhora quando os pontos estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica que houve percepção de piora por parte dos empresários. A escala do indicador varia de 0 a 100, sendo zero indica a situação em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais da economia e dos negócios “pioraram muito”; e 100 indica que todos os entrevistados consideram que as condições gerais “melhoraram muito”.

Pesquisas indicam novas fontes para produção de gás natural no País

  • 10 Fev 2016
  • 19:03h

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Existem no litoral brasileiro áreas com acumulações de hidratos de gás que podem ser, no futuro, novas fontes para produção de gás natural no país, informa a Petrobras. De olho no potencial dos depósitos não convencionais, o Brasil trabalha em cooperação tecnológica com a Jogmec (Companhia Japonesa de Óleo, Gás e Metais), pioneira em testes de produção offshore de gás natural de hidratos de metano. O intercâmbio tecnológico entre as empresas foi formalizado em novembro de 2015. O acordo visa a exploração e produção de óleo e gás de depósitos não convencionais, incluindo óleos pesados, shale gas (conhecido como gás de xisto) e principalmente, hidratos de gás.

 

O Japão foi o primeiro país a extrair do fundo do mar um gás a partir de hidrato de metano, que consiste em uma molécula de gás aprisionada em uma estrutura de água cristalizada, devido às condições submarinas de pressão e temperatura. Porém, ainda não existem, no mundo, tecnologias para explorar e produzir comercialmente esses reservatórios, pela dificuldade técnica de garantia de escoamento e estabilidade na produção do gás natural. A Petrobras acredita que a transferência de conhecimento será um fator decisivo para desenvolver tecnologia a ser aplicada nas bacias de Pelotas (Rio Grande do Sul) e Foz do Amazonas, áreas de identificação de hidratos. A Jogmec desenvolve tecnologia para extrair o gás natural (metano) de forma estável e sem perdas fugidias desse gás. A produção do metano poderia ser consumida nos mercados locais ou transportada para longas distâncias, na forma de gás natural liquefeito (GNL). A aproximação da Petrobras com a Jogmec começou em 2005, quando foi assinado o primeiro Memorando de Entendimento com o nosso Centro de Pesquisas (Cenpes), sendo estendido em 2009. Em 2011, a companhia brasileira assinou um Specific Agreement com o E&P, em cobertura ao acordo anterior, para estudos de viabilidade de produção, no Brasil, de dutos flexíveis para os trabalhos no pré-sal.

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