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- Por Gustavo Zeitel | Folhapress
- 30 Nov 2025
- 08:38h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
"Que horas que o senhor começou a fazer isso, seu Jair?", pergunta a diretora penitenciária Rita Gaio, sugerindo trivialidade na entoação. Seu interlocutor, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), admite ter usado, na tarde anterior, ferro quente para violar a tornozeleira. "Curiosidade", diz ele no vídeo em que só ouvimos vozes e vemos o objeto avariado. Bolsonaro acabaria preso na sede da Polícia Federal, em Brasília.
Em toda a operação, a única fotografia do ex-mandatário reduz sua figura a um vulto.
Em 2018, quando foi preso, o hoje presidente Lula (PT) criou um fato midiático, saindo da sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, nos braços dos apoiadores.
Para aliados de ambos os políticos e pesquisadores do tema, Bolsonaro não conseguiu capitalizar politicamente o episódio de sua prisão, deixando um vácuo na direita, que, acuada, agora tenta se reorganizar.
A deputada federal Rosana Valle (PL-SP) pondera que o ex-presidente já cumpria medida cautelar em sua casa no momento em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu prendê-lo preventivamente, sob justificativa de risco de fuga.
Nesta semana, o magistrado confirmou que Bolsonaro cumpriria a pena por tentativa de golpe de Estado na sede da PF. Nesse contexto, diz a deputada, não houve margem para a mobilização de apoiadores.
"As pessoas de direita estão se sentindo acuadas, porque a gente acredita que a nossa liberdade está cerceada", diz Valle.
"Não acredito em enfraquecimento do bolsonarismo, não há abandono de Bolsonaro. O que existe é cautela, preocupação para não aumentar esse clima de exceção. A direita está se rearticulando."
A deputada diz ainda que o PL Mulher, presidido pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, pode ser um trunfo no processo de rearticulação. As viagens de Michelle estão mantidas até o fim do ano e, segundo a parlamentar, há o desejo de reforçar o trabalho do grupo com as famílias conservadoras.
Em sua decisão pela prisão preventiva, Moraes assinalou que os agentes deveriam respeitar a dignidade de Bolsonaro, cumprindo o mandado no início da manhã, sem algemas e, sobretudo, sem exposição midiática. Ele citaria o precedente de Lula para manter Bolsonaro na PF, e não em um presídio.
Há sete anos, o então juiz Sergio Moro não ignorou a questão midiática. Ele também vetou o uso de algemas durante a ação para prender Lula, determinando o cumprimento da pena numa sala reservada na sede da PF em Curitiba, onde o petista ficaria 580 dias.
Naquela altura, era a Lava Jato, e Lula estava condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex de Guarujá.
O Supremo anularia, em 2021, as condenações, considerando a Justiça do Paraná incompetente para julgar aqueles processos, após a revelação de mensagens que revelavam conversas entre Moro e procuradores da operação.
De toda sorte, as medidas do então juiz, hoje senador pelo União Brasil-PR, para impedir a exploração midiática no momento da prisão de Lula se mostraram ineficazes.
De 5 a 7 de abril de 2018, o petista transformou a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP) em um bunker, retardando a ação dos agentes federais.
No momento de se entregar, protagonizou uma imagem sua carregado pelos seus apoiadores, aglomerados na porta do edifício. A foto seria repercutida pela mídia estrangeira. Roubando os holofotes para si, fez um discurso afirmando que não era mais um ser humano, mas uma ideia.
Na época, ainda gravou uma série de vídeos para a campanha do PT ao Planalto. A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), que acompanhou os momentos que antecederam a rendição, avalia que Lula conseguiu manter a coesão da militância petista, algo que Bolsonaro não soube fazer.
"Ninguém vacilou diante do que poderia ocorrer com Lula. O discurso do presidente reconectou o PT à base histórica", diz. "Bolsonaro tem um bloco de partidos dividido e só mantém o apoio dos fanáticos."
Ela diz ser cedo para decretar o fim do bolsonarismo, pois, segundo ela, as novas lideranças de direita deverão dialogar, nas próximas eleições, com o legado do ex-presidente.
Professor de Comunicação da PUC-Rio e pesquisador da relação entre mídia e política, Arthur Ituassu concorda que o petista conseguiu mobilizar o eleitorado de esquerda antes e durante o tempo de reclusão.
"O que ocorre agora é um vazio na direita, uma disputa para ver quem ocupa o lugar de Bolsonaro", afirma. "Na esquerda, não houve isso, em nenhum momento a liderança de Lula foi questionada." Há estratégias por trás disso, é claro.
Para o professor, o petista foi exitoso ao se apresentar como vítima durante o processo que enfrentou. No caso de Bolsonaro, Ituassu ressalta o papel que o STF teve para impedir que o ex-presidente explorasse politicamente a prisão.
"Se uma vigília ao redor do condomínio dele acontecesse, isso provocaria um fenômeno midiático, análogo ao episódio de Lula", afirma.
Para Leandro Aguiar, doutor em comunicação pela UnB, Lula e Bolsonaro mostraram posturas bem diferentes diante da prisão: Lula ambicionou se posicionar como mártir, enquanto Bolsonaro pediu anistia mesmo antes de ser condenado, mostrando um comportamento individualista.
Na visão de Aguiar, o desfecho da trama golpista, com o vídeo da tornozeleira, faz lembrar as cenas de um filme B com enredos rocambolescos e personagens arquetípicos, entre eles um herói que deseja satisfazer os prazeres narcísicos. "O mártir precisa aceitar o martírio, e individualistas não dão bons mártires", diz.
- Por Guilherme Xavier e Flavio Latif | Folhapress
- 29 Nov 2025
- 12:56h
Foto: X
Um torcedor do Palmeiras morreu em Lima nesta sexta-feira (28), véspera da final da Libertadores. Ele realizava um passeio turístico pela capital peruana quando a tragédia aconteceu.
Segundo relatos da Polícia Nacional do Peru (PNP), ele saltou de maneira repentina do ônibus em que estava e bateu contra a estrutura da Ponte Bajada. O veículo passava pela zona de Miraflores, um dos bairros mais importantes da cidade.
A informação inicial é do portal peruano "RPP" e foi confirmada pelo UOL. De acordo com o general Enrique Felipe Monroy, da PNP, que o palmeirense apresentava sinais de embriaguez no momento da ocorrência.
"Antes de mais nada, lamentamos profundamente a trágica morte deste cidadão brasileiro, torcedor do Palmeiras. Trata-se de uma situação acidental, sem qualquer relação com crime ou violência entre torcidas rivais, quero deixar isso bem claro. nesta sexta-feira (28), por volta das 16h18, próximo à praia de Los Yuyos, no sentido norte-sul, ou seja, de Miraflores para Barranco, ele estava em um Mirabus", disse, antes de completar:
"Segundo as testemunhas, ele estava pulando eufórico no segundo andar e elas não perceberam que ele ia atravessar a passarela perto da praia de Los Yuyos, e acabou se chocando contra a ponte", finalizou.
A identidade do torcedor do Palmeiras não foi revelada. Ele chegou a ser socorrido no local e foi encaminhado a um hospital, mas chegou ao local sem vida.
Autoridades locais estimam que 45 mil torcedores de Palmeiras e Flamengo estejam em Lima para a final da Libertadores. A bola rola neste sábado (29), a partir das 18h (de Brasília), no Monumental.
- Bahia Notícias
- 29 Nov 2025
- 08:47h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O filme 'O Agente Secreto', aposta do Brasil no Oscar de 2026, entrou para a lista da icônica revista francesa Cahiers du Cinéma, que elege o Top 10 melhores filmes de 2025.
A produção de Kleber Mendonça Filho, que traz Wagner Moura como protagonista, ocupa a 4ª colocação no ranking feito pelos especialistas.
- Eureka — Lisandro Alonso
- Horizon: An American Saga – Chapter 3 — Kevin Costner
- Voyages en Italie — Sophie Letourneur
- O Agente Secreto — Kleber Mendonça Filho
- Megalopolis — Francis Ford Coppola
- Kinds of Kindness — Yorgos Lanthimos
- Emilia Pérez — Jacques Audiard
- Nosferatu — Robert Eggers
- The Brutalist — Brady Corbet
- The End — Joshua Oppenheimer
O filme estreou nesta semana em Nova York, com distribuição da Neon, e recebeu 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, um dos principais agregadores de críticas da internet.
Em sua terceira semana em cartaz, o longa superou a marca de 750 mil espectadores no Brasil. De acordo com o Comscore, a produção já faturou R$ 18,7 milhões desde a estreia, sendo a maior bilheteria de 2025.
- Bahia Notícias
- 28 Nov 2025
- 16:20h
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (26), a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para contribuintes que recebem até R$ 5 mil por mês. A medida, considerada uma das principais promessas econômicas do governo, também cria descontos parciais para rendas de até R$ 7.350. As novas regras passarão a valer já na declaração do próximo ano.
Na Bahia, o impacto será imediato para cerca de 641,7 mil contribuintes. Segundo o Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal (CETAD), 420.919 trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais deixarão de pagar o imposto a partir de 2026. Outros 220.839 contribuintes, que recebem entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil, passam a ter descontos progressivos. Atualmente, aproximadamente 656,7 mil baianos já estão isentos do IR. Com a mudança, o número subirá para cerca de 1,07 milhão de declarantes totalmente isentos.
Para compensar a redução na arrecadação e preservar o equilíbrio fiscal, a nova lei aumenta a tributação sobre altas rendas, acima de R$ 600 mil por ano. A previsão é que cerca de 140 mil contribuintes de maior renda sejam alcançados pela medida. A cobrança será gradual, com alíquota máxima de até 10% sobre os rendimentos. Quem já paga essa porcentagem (ou mais) não sofrerá alterações. Assim, segundo o governo, não haverá impacto adicional nas contas públicas nem comprometimento de serviços oferecidos à população.
- Por Aline Gama /Bahia Notícias
- 28 Nov 2025
- 14:40h
Foto: Dorivan Marinho / STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (27), ao julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 973, que discute uma eventual omissão do Estado no enfrentamento às violações de direitos da população negra. Até o momento, todos os oito ministros que votaram reconheceram a existência de racismo estrutural e de violações graves, embora haja divergências sobre a configuração de um "estado de coisas inconstitucional". O julgamento será retomado em data a ser definida.
Três votos já proferidos, os do relator, ministro Luiz Fux, e dos ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia, adotaram a tese do "estado de coisas inconstitucional". De acordo com essa doutrina, a situação se caracteriza por uma violação massiva, contínua e estrutural de direitos fundamentais que atinge um grande número de pessoas, exigindo atuações coordenadas dos Poderes do Estado para ser superada. Para essa corrente, há uma omissão estatal sistêmica, que demanda a adoção de um plano nacional de enfrentamento ao racismo com participação do Judiciário.
A ministra Cármen Lúcia defendeu que a comprovação do estado inconstitucional se dá pela "insuficiência de providências tomadas pelo poder público, que não ofereceu resposta adequada ao racismo histórico e estrutural". Ela afirmou que a Constituição Federal "precisa ser plena para negros e brancos, e para isso é preciso haver providências do poder público e da sociedade em geral".
Outros cinco ministros, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, embora tenham reconhecido o racismo estrutural e as graves violações, não acolheram a tese do "estado de coisas inconstitucional". O entendimento comum entre eles é que existe um conjunto de medidas já adotadas ou em andamento para sanar as omissões históricas.
Para o ministro Cristiano Zanin, "se há políticas públicas sendo implementadas, não é o caso de se reconhecer um estado inconstitucional, mas uma situação de insuficiência de providências". Ele citou julgamentos anteriores do Tribunal, como a ADPF das Favelas e a ADPF sobre a Amazônia, onde o STF também não reconheceu a figura da omissão total.
O ministro André Mendonça concordou com a existência de racismo estrutural no país, mas ponderou que, a seu ver, "não está caracterizado o chamado racismo institucional". Em sua avaliação, o racismo está presente na sociedade, "mas não de forma institucionalizada".
Alexandre de Moraes acrescentou que, desde a Constituição de 1988, "houve avanços no combate ao racismo estrutural no âmbito dos três Poderes, com leis mais protetivas, a criação de estruturas e órgãos de promoção da igualdade racial e ações afirmativas". O ministro argumentou que "não se pode dizer que, ao longo desses 37 anos, tenha havido, por parte do Estado brasileiro, uma política voltada para a manutenção do racismo estrutural".
Apesar da divergência sobre o enquadramento jurídico, a totalidade dos votos proferidos até agora converge para o reconhecimento de violações sistêmicas e para a necessidade de o poder público adotar providências efetivas de reparação.
- Bahia Notícias
- 28 Nov 2025
- 12:16h
Foto: Gustavo Moreno / STF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se a favor da concessão de prisão domiciliar ao general da reserva Augusto Heleno, de 78 anos. O militar foi preso na última terça-feira (25) por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de integrar o que a Corte definiu como o "núcleo crucial" de uma organização criminosa que atuou para promover um golpe de Estado e manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
A prisão foi executada pela Polícia Federal e pelo Exército após o caso transitar em julgado, quando não cabem mais recursos. Heleno foi encaminhado ao Comando Militar do Planalto, em Brasília. Durante o exame de corpo de delito realizado após a detenção, o general alegou ser portador de Alzheimer desde 2018.
Em seu parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que "as circunstâncias postas indicam a necessidade de reavaliação da situação do custodiado". Ele afirmou que "a manutenção do custodiado em prisão domiciliar é medida excepcional e proporcional à sua faixa etária e ao seu quadro de saúde, cuja gravidade foi devidamente comprovada".
Gonet acrescentou, conforme o documento, que a saúde de Heleno "poderá ser vulnerado caso mantido afastado de seu lar e do alcance das medidas obrigacionais e protecionistas que deverão ser efetivadas pelo Estado". O procurador-geral também citou que a situação do réu se assemelha a de outros condenados que tiveram a custódia domiciliar, em caráter humanitário, concedida pela Suprema Corte.
As informações são do G1.
- Por Constança Rezende | Folhapress
- 28 Nov 2025
- 10:14h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O STF (Supremo Tribunal Federal) divulgou informações e um vídeo, nesta quinta-feira (27), sobre o Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como "Papudinha", local onde o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) Anderson Torres está preso.
De acordo com a nota do tribunal, o espaço possui uma área total coberta de 54,76 metros com quarto, banheiro, lavanderia, cozinha, sala e área externa de 10,07 metros.
Ainda segundo o Supremo, a capacidade do local é para quatro pessoas, mas será usada exclusivamente como Sala de Estado Maior para apenas um custodiado.
"O espaço oferece geladeira, chuveiro com água quente, armários, cama de casal e TV. São oferecidas cinco refeições por dia (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia). O banho de sol é feito na área externa da cela, permitindo inclusive a prática de exercícios físicos, com total privacidade e sem controle de horário", disse.
A corte também informou que o local possui posto de saúde com dois médicos clínicos, três enfermeiros, dois dentistas, um assistente social, dois psicólogos, um fisioterapeuta, três técnicos de enfermagem, um psiquiatra e um farmacêutico.
"Além disso, o espaço está a 8,2 km de distância da UPA de São Sebastião e 15,8 km de hospitais particulares de Brasília, como o Sírio Libanês", acrescentou.
Torres foi condenado em setembro, por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição do Estado democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.
- Bahia Notícias
- 28 Nov 2025
- 08:12h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação "Putridum Malum III" (Mal Podre III) visando desarticular uma organização criminosa altamente estruturada. O grupo era especializado no comércio irregular de eletrônicos importados e utilizava mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos ilegalmente.
A ação cumpriu um total de nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Os mandados foram cumpridos contra pessoas físicas e jurídicas, sendo sete em Salvador (Bahia) e dois na cidade de São Paulo (São Paulo).
Como parte das medidas judiciais, foi determinado o bloqueio de R$ 76 milhões das contas dos envolvidos, visando atingir o patrimônio adquirido através das atividades ilícitas e dificultar a continuidade dos crimes.
Os investigados na Operação "Putridum Malum III" irão responder pelo crime de Descaminho, que consiste em iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, saída ou consumo de mercadoria.
- Por Gustavo Gonçalves | Folhapress
- 27 Nov 2025
- 14:57h
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
I presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que não sabe o número exato de questões armazenadas no BNI (Banco Nacional de Itens), que reúne as perguntas utilizadas nas provas do Enem, mas negou que haja uma escassez que prejudique a elaboração de novas provas. "Se tivermos menos de 100 mil itens, vou ficar muito surpreso", disse ele em entrevista à reportagem.
Palacios explicou que o órgão, ligado ao Ministério da Educação e responsável pelo exame federal, produz desde 2009 as questões, também chamadas de itens, e que continua utilizando perguntas elaboradas em momentos diferentes, inclusive algumas pré-testadas há mais de uma década. "A última prova tem item que foi pré-testado em 2013", afirmou.
O pré-teste é uma das etapas de produção do exame federal, que adota uma metodologia chamada de TRI (Teoria de Resposta ao Item).
Nesse sistema, a nota final do candidato não depende apenas do número de respostas corretas, mas da coerência do padrão de acertos -por exemplo, quando um participante acerta uma questão difícil e erra itens considerados fáceis. A escala de dificuldade é definida nos pré-testes.
As declarações de Palacio ocorrem após a divulgação de que o estudante de medicina Edclay Teixeira mostrou em uma live no Youtube, antes do segundo dia do Enem, ao menos cinco questões muito semelhantes às que apareceram nos cadernos de ciências da natureza e matemática.
Em outro vídeo, publicado em janeiro, ele explicou seu método de "previsão" das questões, dizendo ter participado do Prêmio Capes Talento Universitário, iniciativa federal destinada a estudantes em início de graduação.
Palacios afirmou que as semelhanças observadas resultam da memorização de itens usados em pré-testes, não de vazamento. Segundo ele, o Inep realiza de dois a três pré-testes por ano, cada um com cerca de 800 questões avaliadas, totalizando mais de 4.000 itens testados nos últimos anos.
"O pré-teste é de questões de prova, não da prova do Enem", disse. "Sem pré-testes, não é possível produzir resultados comparáveis entre diferentes edições do exame", disse o presidente.
À reportagem professores afirmaram que situações parecidas já ocorreram em anos anteriores. Segundo eles, o estudante de medicina costuma participar de pré-testes e memorizar as questões -e, em outras ocasiões, teria pedido a conhecidos fizessem isso para ele, às vezes em troca de dinheiro.
Essas aplicações, segundo Palacios, seguem protocolos de segurança rigorosos, como uso de detectores de metal, proibição de celulares e restrição de anotações. Ele afirmou que os participantes são informados sobre as regras pelo aplicador, não podem sair com rascunhos nem levar equipamentos e o procedimento é semelhante ao do próprio Enem.
Um participante do Prêmio Capes ouvido pela reportagem relatou que não se lembra de assinar termo específico sobre sigilo, apenas de aceitar condições gerais de participação. Disse também que circulava entre os estudantes a "fofoca" de que as questões aplicadas poderiam integrar o BNI.
Questionado sobre a possibilidade de adotar sigilo formal nos pré-testes, após a divulgação de questões semelhantes às do Enem, Palacios respondeu que as aplicações já são cercadas de medidas de segurança e de uma "presunção de sigilo".
O presidente informou ainda que, após a divulgação dos vídeos, o Inep realizou uma avaliação em grande escala para verificar o alcance dos materiais publicados. "Verificamos que não havia nenhum indício de que alguém tivesse tido acesso à prova antes da aplicação. O que existiam eram questões semelhantes, com maior ou menor proximidade, mas nenhuma idêntica", afirmou. "Ninguém viu a prova."
Palacios declarou ainda que as notas do Enem 2023 e 2024 seguem integralmente válidas para os processos seletivos, incluindo o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que a partir de 2026 permitirá o uso da nota obtida em três últimas edições do exame.
Ele reafirmou ainda o plano de transformar o Enem em um instrumento de avaliação da educação básica, além de mantê-lo como principal porta de entrada para o ensino superior. Segundo ele, o exame deverá se tornar a referência nacional para medir a qualidade do ensino médio, por mobilizar os estudantes e refletir de forma mais fidedigna a aprendizagem nessa etapa.
- Bahia Notícias
- 27 Nov 2025
- 12:50h
Foto: Divulgação / PM-BA
A Polícia Militar da Bahia (PM-BA) realiza, nesta quinta-feira (27), mais uma edição da Operação Força Total, iniciativa que amplia a presença policial em pontos estratégicos e fortalece as ações de prevenção em todo o estado.
A Força Total contará com a participação de policiais de todas as unidades da Corporação — convencionais, especializadas e administrativas —, permitindo um reforço no policiamento ostensivo. As equipes atuarão com rondas ampliadas, abordagens qualificadas e monitoramento de áreas de grande circulação, polos turísticos e regiões que exigem atenção contínua.
- Por Bianca Andrade/Bahia Notícias
- 27 Nov 2025
- 10:47h
Foto: Cibelle Levi/ Instagram
O ator baiano Wagner Moura, estrela de 'O Agente Secreto', foi convidado para apresentar uma categoria do prêmio Gotham Awards.
De acordo com a premiação, além do brasileiro, o evento contará com outras estrelas do cinema entregando os troféus, entre elas Elle Fanning, Ethan Hawke, Chris Rock, Andrew Scott, Amanda Seyfried e Kristen Stewart.
A premiação acontece no dia 1ª de dezembro, em Nova York, e dá início a temporada de prêmios do cinema mundial.
Além da apresentação, Wagner participa do evento como indicado a categoria de Melhor Performance de Protagonista por 'O Agente Secreto', contra Jennifer Lawrence, Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Josh O’Connor.
O longa de Kleber Mendonça Filho, que é a aposta do Brasil para o Oscar de 2026, também aparece indicado em Melhor Roteiro Original.
- Bahia Notícias
- 27 Nov 2025
- 08:44h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Um devastador incêndio de grandes proporções em um complexo residencial de arranha-céus no distrito de Tai Po, em Hong Kong, resultou na morte de 55 pessoas e deixou pelo menos 72 feridos, conforme o último balanço das autoridades locais. O fogo, que se tornou o mais letal na cidade em três décadas, irrompeu na quarta-feira (26) e continua sendo combatido pelo segundo dia consecutivo.
A situação é crítica, com cerca de 300 pessoas ainda desaparecidas, muitas delas presas nas torres em chamas, segundo o Corpo de Bombeiros. Até o momento, 51 vítimas foram confirmadas no local e outras quatro morreram após serem levadas ao hospital. Entre os mortos, está um bombeiro que atuava no resgate, informou a rede britânica BBC.
A causa exata do incêndio está sob investigação, mas a polícia acredita que a rápida propagação das chamas foi facilitada por telas de construção verdes e andaimes de bambu que estavam sendo usados em obras de reforma no complexo. As autoridades indicaram que as telas não atendiam aos padrões de segurança contra incêndio.
Três homens ligados à construtora Prestige Construction & Engineering Company, responsável pelas reformas, foram presos sob suspeita de homicídio culposo (quando não há intenção de matar).
"Temos motivos para acreditar que os responsáveis ??da empresa foram extremamente negligentes, o que levou a este acidente e fez com que o incêndio se alastrasse descontroladamente, resultando em um grande número de vítimas", declarou Eileen Chung, superintendente da polícia de Hong Kong.
Nesta quinta-feira (27), a polícia realizou buscas no escritório da construtora, apreendendo caixas de documentos como provas, de acordo com a Associated Press (AP News).
O chamado de emergência foi recebido às 3h51 (horário de Brasília). Centenas de agentes do Corpo de Bombeiros foram mobilizados, e o alerta de incêndio foi elevado ao nível 5, o mais alto da escala. Quatro dos oito blocos do complexo foram apagados, três estão sob controle, e um não foi atingido.
Os trabalhos de resgate são dificultados pelas condições extremas. Um porta-voz dos bombeiros expressou "muita preocupação" com a temperatura excessivamente alta dentro dos prédios, que impede a entrada das equipes de salvamento. Os feridos resgatados sofreram queimaduras graves e lesões por inalação.
O complexo atingido possui cerca de dois mil apartamentos distribuídos em oito torres de mais de 30 andares cada, e abriga aproximadamente 4,6 mil moradores.
O incêndio mais recente reaviva o debate sobre segurança em obras e construções em Hong Kong. O uso de andaimes de bambu, embora tradicional, é alvo de preocupação; a estrutura esteve envolvida em 22 mortes de trabalhadores entre 2019 e 2024 e em pelo menos três outros incêndios neste ano, segundo uma associação de vítimas de acidentes industriais.
O último grande incêndio na cidade havia ocorrido em 1996, matando 41 pessoas e resultando em mudanças nas normas de segurança contra incêndios em arranha-céus. Devido à tragédia, uma seção inteira da rodovia Tai Po foi fechada, e linhas de ônibus foram desviadas, com a polícia isolando os quarteirões vizinhos por segurança.
- Por Alex Sabino | Folhapress
- 26 Nov 2025
- 16:27h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Objeto central no debate político brasileiro desde a prisão de Jair Bolsonaro, a tornozeleira eletrônica é um artigo restrito. Cinco empresas disputam o setor no país com dispositivos que não são vendidos por seus fabricantes, são apenas alugados.
A quantidade de tornozeleiras eletrônicas cresceu 20 vezes no Brasil entre 2016 e 2024, estimam empresas do setor. No ano passado, estavam em uso cerca de 122 mil unidades. O crescimento, segundo participantes da indústria, deve continuar.
"Nos próximos cinco anos, este número vai dobrar", diz Sávio Bloomfield, presidente da Spacecom, fabricante nacional e líder no mercado. O motivo é a tendência da Justiça de adotar regimes menos severos do que a prisão.
A Spacecom, com sede em Curitiba, domina 80% do mercado no Brasil, mas o equipamento usado por Bolsonaro era da UE Brasil Tecnologia. É a companhia que tem contrato com o governo do Distrito Federal.
Procurada pela reportagem, a UE Brasil não quis se manifestar sobre o tema ou passar informações. A alegação é que se trata de área sigilosa por lidar com assuntos de segurança pública.
As principais concorrentes são as fabricantes brasileiras Geocontrol, a Synergye e a britânica Buddi, que disputam contratos com governos estaduais e secretarias de segurança pública para fornecimento do equipamento, que são os clientes deste setor.
As tornozeleiras, dependendo do tipo de tecnologia que empregam, são alugadas por cerca de R$ 250 mensais por preso, o que pode representar uma economia para os cofres públicos.
Dados da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) mostram que o custo médio de cada preso no sistema carcerário varia entre R$ 1.100 e R$ 4.300, de acordo com o estado. Se considerada a média de R$ 2.331, cada detento custa ao poder público, por ano, R$ 28 mil.
Este total significa que o detento em regime fechado é R$ 25 mil mais caro que o aluguel anual da tornozeleira (R$ 3.000).
MONITORAMENTO
Em geral, as fabricantes de tornozeleiras oferecem mais do que as tornozeleiras em si ao poder público.
"É um acordo de prestação de serviço. Não se trata de apenas fazer a locação. Depende do que deseja cada estado no processo de licitação. É definida a quantidade de tornozeleiras, o valor, se teremos de colocar uma central de monitoramento ou isso ficará a cargo do estado, a quantidade de técnicos de campo. Tudo varia", afirma
Algumas tornozeleiras enviam sinais de localização uma central, por exemplo. As mais modernas enviam os dados uma vez a cada minuto.
O sistema é composto por transmissor GPS, modem de comunicação e uma central que funciona 24 horas por dia. Caso alguma anormalidade aconteça, o aparelho manda um aviso e o centro de monitoramento inicia os protocolos de emergência. Isso inclui acionar a polícia e o magistrado encarregado do caso.
A carcaça é feita de um plástico resistente, como poliuretano. A pulseira é de fibra sintética ou uma borracha resistente. Deve ser durável e à prova d'água. Na parte interna, tem sensores, dispositivo GPS e bateria. A trava de segurança pode ser de aço ou plástico reforçado, com sensores para alertar em caso de rompimento.
Todos os estados brasileiros têm contratos com empresas privadas para fornecimento de tornozeleiras eletrônicas.
Algumas empresas importam a parte eletrônica, que pode vir dos Estados Unidos, do Reino Unido ou da China. A Spacecom afirma trabalhar com tecnologia 100% nacional. O valor de fabricação de cada unidade depende da tecnologia, mas pode variar de R$ 2.000 a R$ 4.500.
"O futuro é a miniaturização ainda mais significativa do equipamento, com maior autonomia de bateria. As de hoje duram 48 horas", completa Bloomfield.
Os próximos modelos devem também aperfeiçoar sistemas antifraudes. Hoje, eles detectam se houve corte na fita de proteção, percebem calor excessivo (como no caso da solda usada por Bolsonaro), umidade, movimentos bruscos, impacto e se houve tentativa de cobri-lo com algum material para interromper o sinal.
Não carregar a bateria também é considerado uma infração do benefício concedido pela Justiça.
Os acordos para fornecimentos de tornozeleiras representaram, no ano passado, cerca de R$ 30,5 milhões de faturamento para as empresas. Mas a receita total é maior, já que serviços, como o monitoramento, a manutenção e o uso de pessoal para cuidar dos equipamentos, não estão incluídos neste montante.
Dentro do mercado de sistemas de monitoramento eletrônico no Brasil, as tornozeleiras são 0,21% do total. Com a inclusão de câmeras, monitores e demais sistemas biométricos, o mercado movimentou cerca de R$ 14 bilhões em 2024, segundo representantes do setor.
As tornozeleiras ganharam notoriedade durante a Operação Lava Jato. A doleira Nelma Kodama, primeira mulher presa no contexto do escândalo, conhecida como "dama do mercado", acumulou seguidores nas redes sociais ao postar fotos usando acessórios de luxo que combinavam com a tornozeleira.
Na época, fabricantes do setor receberam sondagens de grandes empresas envolvidas no escândalo interessadas em comprar tornozeleiras eletrônicas, que seriam doadas à Polícia Federal, de acordo com participantes do mercado. A vantagem seria que os equipamentos estariam disponíveis caso seus executivos fossem condenados por corrupção, o que poderia evitar a prisão deles.
"O mercado de tornozeleiras é um dos que mais vai se beneficiar da política de diminuir a população carcerária no país", constata Sávio Bloomfield.
- Bahia Notícias
- 26 Nov 2025
- 14:25h
Foto: Agência Brasil
A prisão dos quatro oficiais-generais condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado no Brasil abriu caminho para uma nova etapa no processo. A partir de agora, a Justiça Militar pode analisar se eles serão considerados indignos ou incompatíveis com o oficialato, o que pode resultar na perda do posto e da patente.
Entre os alvos estão os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, além do ex-comandante da Marinha Almir Garnier. Caso sejam declarados indignos, eles deixam de manter o vínculo formal com as Forças Armadas, mas o salário não é completamente suprimido: o pagamento é transferido às famílias. Com adicionais, a remuneração média mensal gira em torno de R$ 25 mil.
A Declaração de Indignidade para o Oficialato é aplicada quando um oficial recebe pena privativa de liberdade superior a dois anos. Nessa situação, o militar passa por uma representação proposta pelo Ministério Público Militar (MPM), que é julgada pelo Superior Tribunal Militar (STM).
Os procedimentos são regulamentados pelo artigo 142, § 3º, inciso VI, da Constituição Federal, e pelo artigo 112 do Regimento Interno do STM, que disciplinam a perda de posto e patente em casos envolvendo crimes considerados incompatíveis com a dignidade da função militar.
As informações são do Metrópoles.
- Bahia Notícias
- 26 Nov 2025
- 10:21h
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros cinco réus condenados no inquérito sobre a trama golpista passarão por audiência de custódia nesta quarta-feira (26). Os procedimentos, realizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por videoconferência, ocorrem ao longo da tarde. Os seis condenados foram presos na terça-feira (25).
Paralelamente, a Primeira Turma do STF deve concluir, até as 19h desta quarta, a análise da decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou o início do cumprimento das penas pelo grupo, considerado o "núcleo crucial" dos atos golpistas. O julgamento virtual começou na terça-feira, às 19h.
Na decisão em análise, o relator, ministro Alexandre de Moraes, rejeitou recursos das defesas e decretou o encerramento do processo. Em seu voto, o relator manteve as determinações, que incluem comunicar a decisão ao Tribunal Superior Eleitoral para a aplicação da inelegibilidade do grupo. A medida também deve ser comunicada ao Ministério Público Militar e ao Superior Tribunal Militar para o procedimento de perda de posto e patente dos militares envolvidos, e à Procuradoria-Geral da República para o cumprimento da pena de multa.
AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA
Os condenados presos vão passar por audiências de custódia, nos locais onde estão detidos. O cronograma é o seguinte:
Almir Garnier (Brasília)
- Horário: 13h
- Local: Estação Rádio da Marinha em Brasília
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Anderson Torres (Brasília)
- Horário: 13h30
- Local: 19º Batalhão de Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda
Augusto Heleno (Brasília)
- Horário: 14h
- Local: Comando Militar do Planalto
Jair Bolsonaro (Brasília)
- Horário: 14h30
- Local: Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal
Paulo Sérgio Nogueira (Brasília)
- Horário: 15h
- Local: Comando Militar do Planalto
Braga Netto (RJ)
- Horário: 15h30
- Local: 1ª Divisão do Exército, Vila Militar, Rio de Janeiro
As informações são do G1.