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Bolsonaro e a herança maldita do 7 de Setembro: o golpe na pauta

  • Levi Vasconcelos
  • 08 Set 2021
  • 18:26h

Pode não ter golpe, mas confusão, sim | Foto: Revista Fórum

E eis que no 7 de Setembro de 2021 deu o barulho, incomodativo na medida em que o arauto principal, o presidente Bolsonaro, mais uma vez, atacou o STF, se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como ‘canalha’ e agrediu o arcabouço institucional sem pudor..

Bolsonaro atirou também contra governadores e prefeitos, segundo ele, responsáveis pelos graves problemas da economia, por terem impostos regras que limitavam a circulação de pessoas durante a pandemia. Foi de Alexandre  de Moraes a decisão dizendo que governadores e prefeitos também tinham autoridade para impor regras.

E se não houvesse as restrições, o que faria o Brasil (se tornaria caso único no planeta)? Tomar cloroquina. O preço disso em vidas seria um terror. E Bolsonaro: “Chega de mimimi, todos nós vamos morrer um dia’.

Confusão

Se o tom do recado de ontem, nas ruas e na boca de Bolsonaro, é o golpe, fica a pergunta: ele tem condições de dar o golpe?

O próprio Bolsonaro já admitiu em conversas reservadas que ‘a conjuntura internacional não ajuda’. Claro, em 1964, quando houve o golpe militar, o ponto xis do discurso era a ameaça comunista. Tal ameaça hoje só existe na cabeça dos bolsonaristas.

Diz o general Mourão, o vice, que os militares não estão ‘dispostos a embarcar nessa aventura’. Mas Bolsonaro está a pouco mais de um ano das eleições e não tem partido, e ainda assim reúne muita gente.

Pode não ter golpe, mas confusão, sim.

Mega-Sena sorteia nesta quarta-feira prêmio acumulado em R$ 40 milhões

  • Redação
  • 08 Set 2021
  • 12:37h

(Foto: Reprodução)

A Mega-Sena sorteia nesta quarta-feira (8) o prêmio acumulado em R$ 40 milhões. As seis dezenas do concurso 2.407 serão sorteadas, a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço Loterias Caixa, localizado no Terminal Rodoviário Tietê, na cidade deem São Paulo. As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet. De acordo com a Caixa, caso apenas um apostador ganhe o prêmio da faixa principal e aplique todo o valor na poupança, receberá R$ 120,4 mil de rendimento no primeiro mês. O valor de uma aposta simples, com seis dezenas marcadas, custa R$ 4,50.

CNM refuta fala do presidente da República sobre enfrentamento da pandemia por prefeitos

  • Da Agência CNM de Notícias
  • 08 Set 2021
  • 09:40h

(Foto: Divulgação CNM)

Em postagens publicadas no Twitter , a Confederação Nacional de Municípios (CNM) rebateu fala do presidente República, Jair Bolsonaro, nesta terça-feira, 7 de setembro, na Avenida Paulista, em relação às medidas adotadas por prefeitos no enfrentamento da pandemia. A entidade destacou que "as ações de restrição de circulação e atividades econômicas adotadas pelos gestores locais salvaram milhares de vidas no Brasil, apesar da postura contrária do chefe do Executivo federal".

A CNM também lembrou que o Brasil já perdeu mais de 584 mil vidas em decorrência das coronavírus. E alertou que a "ação de prefeitos e prefeitas, embasada pela Constituição e reforçada em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), foi determinante para que esse quadro não fosse ainda mais grave, já que não houve a coordenação nacional necessária para o enfrentamento dessa crise mundial e que transcende o planejamento local".

Por fim, a entidade apontou que os "Municípios primaram por medidas que tomaram por base o cunho científico, e não posicionamentos políticos e eleitoreiros, evitando, com isso, uma verdadeira catástrofe no país". As postagens foram uma resposta à fala de Bolsonaro na qual ele afirmou que a ação de governadores e prefeitos foi pior do que o vírus e contrária à Constituição Federal. Por fim, a entidade apontou que os "Municípios primaram por medidas que tomaram por base o cunho científico, e não posicionamentos políticos e eleitoreiros, evitando, com isso, uma verdadeira catástrofe no país".

As postagens foram uma resposta à fala de Bolsonaro na qual ele afirmou que a ação de governadores e prefeitos foi pior do que o vírus e contrária à Constituição Federal.

Senador chama Bolsonaro de 'criminoso golpista' e diz que 'impeachment é seu destino'

  • Bahia Notícias
  • 07 Set 2021
  • 16:22h

Foto: Reprodução / Facebook

Um dos integrantes da CPI da pandemia, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) comentou a participação do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações realizadas neste 7 de Setembro e fez duras críticas ao mandatário.

“Não é preciso aguardar o fim do dia para apontar que Bolsonaro é um criminoso golpista, que manipula a massa para esconder rachadinhas, centrão, mansões suspeitas e a incompetência que jogou o Brasil em uma crise sanitária, econômica e social gigante”, disse Alessandro sobre o presidente, que nesta terça (7) ampliou o tom de ameaças aos outros poderes da República, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF) a quem sugeriu que os membros devem “se enquadrar” ou “pedir pra sair”.

“O impeachment é seu destino”, previu Alessandro Vieira, para o futuro de Bolsonaro.

Fux diz que não irá a encontro após Bolsonaro mencionar Conselho da República

  • Bahia Notícias
  • 07 Set 2021
  • 15:49h

Foto: Marcos Corrêa / PR

Após o presidente Jair Bolsonaro aumentar o tom de ameaças e afirmar que se reunirá com chefes de outros poderes no Conselho da República (saiba mais), o ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), não estará no encontro.

De acordo com informações da coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, Fux afirmou a um interlocutor que não participará da reunião.

O Conselho da República é um órgão consultivo da Presidência da República para discutir “intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; e as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”. Ele é formado pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-A), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do STF, Luiz Fux, pelos líderes das maiorias e das minorias na Câmara e do Senado, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, e mais seis brasileiros natos.

Acusado de operar 'rachadinhas' de Flávio, Queiroz vai a ato pró-Bolsonaro no Rio

  • Bahia Notícias
  • 07 Set 2021
  • 13:44h

Foto: Reprodução / Instagram

Denunciado pelo Ministério Público por ter operado um esquema conhecido como “rachadinha” enquanto trabalhava como assessor parlamentar no gabinete do atual senador e ex-deputado Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro, o  ex-policial Fabrício Queiroz decidiu participar das mobilizações de direita neste 7 de Setembro.

Por meio de sua conta no Instagram, Queiroz publicou fotos nas quais aparece vestido com a camisa da seleção brasileira de futebol, dentro de um carro, rumo às manifestações em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, na capital fluminense.

'Independência é comida no prato, e não fuzis', diz Rui em referência a Bolsonaro

  • BN
  • 07 Set 2021
  • 10:43h

Foto: Manu Dias / GOVBA

O governador Rui Costa usou as redes sociais, nesta terça-feira (7), para celebrar a Independência do Brasil ao mesmo tempo em que provocou o presidente Jair Bolsonaro. “Independência é verdade que constrói e não a mentira que destrói; Independência é comida no prato, e não fuzis”, publicou o governador baiano, em uma referência à recente declaração de que é preciso deixar que as pessoas comprem fuzis - sem reclamar da dificuldade para comprar feijão (lembre aqui).

A declaração de Rui acontece em meio a um ambiente de tensão em cidades como Brasília e São Paulo, onde o presidente promete participar de atos com viés golpista contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e também ao Congresso Nacional. Políticos das mais diversas matizes têm manifestado preocupação com o tom adotado por apoiadores do presidente, que versa contra instituições republicanas.

“Independência é um sonho que se constrói dia a dia; Independência é amar, é respeitar, é saber conviver com o contrário, é dar as mãos na dura batalha contra o ódio”, afirmou o baiano.

Manifestantes entram em confronto com a PM durante a madrugada em Brasília

  • Bahia Notícias
  • 07 Set 2021
  • 09:40h

Foto: Reprodução / Twitter / @metropoles

Manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entraram em confronto com a Polícia Militar, em Brasília, na madrugada desta terça-feira (7). As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

O grupo tentava passar bloqueio da PM para que caminhoneiros tivessem acesso à Esplanada dos Ministérios. Para conter os ânimos, policiais usaram spray de pimenta e os manifestantes responderam com rojões.

Após a situação ser controlada, os apoiadores de Bolsonaro tentaram negociar a liberação da via. Após pedidos para que eles se afastassem, a PM voltou a usar spray de pimenta. Revoltada, uma mulher acusou os policiais de serem “comunistas”.

Bolsonaro veta suspensão da prova de vida do INSS até 31 de dezembro

  • Agência Brasil
  • 04 Set 2021
  • 08:20h

Foto: Divulgação / Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei, aprovada pelo Congresso, que dispõe sobre medidas alternativas para os beneficiários da Previdência Social durante o estado de calamidade pública da pandemia, mas vetou o dispositivo o que suspende até 31 de dezembro deste ano a prova de vida para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A sanção com o veto foi publicada na edição desta sexta-feira (3) do Diário Oficial da União (DOU). O projeto foi aprovado pelo Congresso no dia 11 de agosto.

Na justificativa do veto, Bolsonaro escreveu que o estado de emergência em saúde pública, gerado pela pandemia, “não é motivo para suspender a prova de vida”. Segundo ele, “existem diversos meios para a realização da prova, com prazo escalonado. A suspensão da comprovação levaria ao pagamento indevido de benefícios”.

Bolsonaro alegou também que o texto traz medidas alternativas para a realização da prova de vida e que, por esse motivo, foi feita a opção de vetar a suspensão total do procedimento até o fim do ano. Entre as alternativas estão:

– bancos deverão usar sistemas de biometria para realizar a prova de vida dos segurados;

– bancos também deverão dar preferência máxima de atendimento para os beneficiários com mais de 80 anos ou com dificuldades de locomoção;

– prova de vida pode ser realizada por representante legal ou por procurador do beneficiário, legalmente cadastrado no INSS.

Prova de vida

O procedimento de prova de vida estava suspenso desde março do ano passado, para não expor o segurado ao risco do contágio por Covid-19, mas voltou a ser exigido em junho deste ano. A prova de vida deve ser feita anualmente nos bancos onde o segurado recebe o pagamento ou nas agências do INSS.

Maia questiona orientação sexual de Bolsonaro: ‘acho que é gay’; veja vídeo

  • Redação
  • 03 Set 2021
  • 11:36h

Ex-presidente da Câmara diz que formação militar seria uma das explicações | Foto: Carolina Antunes/PR

O ex-presidente da Câmara Federal, o deputado Rodrigo Maia (PSD-RJ), questionou a orientação sexual do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante participação no podcast Derrete Cast, na noite desta quinta-feira (2).

O parlamentar disse acreditar que Bolsonaro é homossexual. “Eu tenho uma grande dúvida [se o Bolsonaro é gay]. Eu acho que é. Não tem nenhum problema”, opinou Maia, ao acusar o chefe do Executivo de não tem coragem de assumir a homossexualidade.

“Não tem uma mulher que ele admire, ele não gosta. Qual é o problema? Não estou brincando. Acho que esse debate tem que fazer. Ele não consegue assumir o que ele é. Falo sério. As pessoas acham que falo brincando, mas depois me dão razão”, completou.

Para Maia, a formação militar seria uma das explicações. “Como ele tem a formação militar, que é muito reacionária, muito atrasada neste aspecto da orientação sexual, ele prefere dizer que é machão”, avaliou.

Morre aos 82 anos o ator Sérgio Mamberti

  • Redação
  • 03 Set 2021
  • 06:41h

(Foto: Reprodução)

O ator Sérgio Mamberti, de 82 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira (3) em São Paulo. O artista estava internado em um hospital da rede Prevent Sênior, na capital paulista. A informação foi confirmada por um dos filhos do ator, Carlos Mamberti.

Ao G1, Carlos afirmou que o pai estava intubado, com uma infecção nos pulmões. Ele morreu em decorrência de falência múltipla de órgãos.

Em julho deste ano, Mamberti havia sido hospitalizado para tratar de uma pneumonia e chegou a passa por uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após cerca de 15 dias, se recuperou e teve alta.

O ator colecionou inúmeros papéis de destaque. Foi nas séries que viveu seu personagem mais querido, o saudoso Dr. Victor do Castelo Rá-tim-bum.

Também participou de produções da TV Globo, como “A diarista” e “Os normais”. “Atualmente, esteve no elenco de “3%”, série brasileira produzida pela Netflix.

Mamberti dirigiu peças importantes no circuito paulista. Em 2019, estreou, ao lado de Rodrigo Lombardi, a premiada “Um panorama visto da ponte”.

Polícia Federal investiga possíveis atos de preparação para terrorismo

  • Redação
  • 02 Set 2021
  • 16:22h

(Fotos: Revista VEJA)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (2) a Operação Trastejo, que investiga possíveis atos preparatórios de terrorismo. As investigações apontam para o recrutamento e radicalização por meio virtual de um jovem, que passou a assumir uma visão religiosa extremista e violenta, com potencial para provocar atos definidos em lei como terrorismo.

Os mandados de prisão temporária e busca e apreensão, foram expedidos pela Justiça Federal da Seção Judiciária de Maringá. Segundo a Polícia Fderal, foram apreendidos uma espingarda calibre 32 e muitos simulacros de arma.

A PF apurou que o indivíduo vinha mantendo contato direto com radicais islâmicos no exterior, manifestando intenção de viajar para outros países, como o Iraque, e incorporar-se a organizações terroristas.

Ainda de acordo com a polícia, o investigado circulou vídeos em grupos na internet em que, encapuzado, exibia armas, munição, rádio comunicador, cédulas de dólares americanos, dentre outros itens, proferindo conteúdo extremista e manifestando desejo de executar mortes de inocentes em uma ação suicida.

O preso possui extenso histórico de registros criminais, incluindo posse de entorpecente, ação penal pela prática do crime de homicídio qualificado e condenação por posse irregular de arma de fogo e outra por tentativa de roubo.

A investigação da PF também constatou que o preso possui treinamento para o manuseio e emprego de armas, além de motivação (radicalismo religioso) e meios (armas e munições).

Conforme previsão da Lei de Enfrentamento ao Terrorismo sobre a prática de atos preparatórios ao terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito (art. 5º, caput, da Lei n. 13.260/2016), a Polícia Federal desencadeou a operação de hoje. As penas previstas na lei chegam a 30 anos de reclusão.

Como o investigado divulgava ser professor de música por meio das redes sociais, o nome da operação é uma referência a um defeito no braço do instrumento de corda que provoca problemas na emissão do som.

Se você quer paz, se prepare para a guerra, diz Bolsonaro às vésperas do 7 de setembro

  • Ana Luiza Albuquerque | Folhapress
  • 01 Set 2021
  • 15:59h

(Foto: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira (1), em evento da Marinha no Rio de Janeiro, que, para se ter paz, é preciso se preparar para a guerra. "Com flores não se ganha a guerra. Se você fala de armamento (...) Se você quer paz, se prepare para a guerra", disse.

A fala de Bolsonaro ocorreu após a entrega de uma medalha para o boxeador Hebert Conceição, que ganhou o ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. "Enfia a porrada, Hebert!", afirmou o presidente.

Bolsonaro deu a declaração a sete dias dos protestos de raiz golpista e de pautas autoritárias em seu favor que estão marcados para o feriado de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e na avenida Paulista, em São Paulo. O presidente prometeu comparecer e discursar nos dois atos.

Nesses protestos, Bolsonaro espera contar com milhares de apoiadores para ganhar fôlego em meio a uma crise institucional provocada por ele mesmo, além das crises sanitária, econômica e social no país.

Isolado, Bolsonaro perde apoio nas classes política e empresarial, além de aparecer distante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em diferentes pesquisas de opinião sobre a corrida eleitoral de 2022.

Bolsonaro foi ao Rio de Janeiro para participar de solenidade de entrega da Medalha Mérito Desportivo Militar no Cefan (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes) da Marinha, na zona norte da cidade. Foram homenageados cinco atletas militares medalhistas que disputaram as Olimpíadas de Tóquio.

O presidente esteve acompanhado dos ministros Walter Braga Netto (Defesa), João Roma (Cidadania) e Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência).

Em rápido discurso, Bolsonaro também disse que, desde o primeiro dia da pandemia, nunca deixou de "estar no meio do povo". Omitiu, porém, que provocou aglomerações em série e ignorou as mais básicas recomendações sanitárias, como usar máscara, por exemplo.

Bolsonaro ainda afirmou que "tinha que saber como se sentiam" os milhões de trabalhadores informais que foram obrigados a ficar dentro de casa.

Um dia antes, em meio a um cenário de recrudescimento da crise institucional entre os Poderes e da escalada de discursos de cunho autoritário, Bolsonaro afirmou que a população brasileira nunca teve uma oportunidade como a que terá com os atos do próximo dia 7 de Setembro .

O presidente, porém, não deu detalhes sobre qual seria essa oportunidade e para fazer o que exatamente no feriado.

As declarações foram dadas em Uberlândia (MG). "A vida se faz de desafios. Sem desafios a vida não tem graça. As oportunidades aparecem. Nunca outra oportunidade para o povo brasileiro foi tão importante ou será importante quanto esse nosso próximo 7 de Setembro", afirmou o presidente em discurso de improviso no interior mineiro.

Mais tarde, depois de participar de uma motociata pelas ruas de Uberlândia, Bolsonaro fez um novo discurso no qual citou que os três Poderes devem se submeter à vontade da população.

"Vocês que devem dar o norte para todos nós que estamos em Brasília. E esse norte será dado com muito mais ênfase, com muito mais força no próximo dia 7 [de Setembro]", disse o presidente.

Em seguida, ele classificou os protestos da próxima semana como um momento ímpar, no qual ele e seus apoiadores dariam "um recado para o Brasil e para o mundo, dizendo para onde esse país irá".

"Creio que chegou a hora, de nós, no dia 7 [de Setembro], nos tornarmos independentes para valer. E dizer que não aceitamos que uma ou outra pessoa em Brasília queira impor a sua vontade. A vontade que vale é a vontade de todos vocês", afirmou o presidente.

Ao final do discurso, apoiadores gritaram "eu autorizo". O discurso foi feito em cima de um trio elétrico em clima de comício. Bolsonaro estava cercado de apoiadores, e as caixas de som tocavam jingles da campanha eleitoral de 2018.

Após denúncias contra empresa no Fantástico, repórter da Globo é ameaçada

  • Redação
  • 31 Ago 2021
  • 14:37h

Na matéria, empresas eram denunciadas por golpes de pirâmide financeira | Foto: Reprodução/TV Globo

A repórter Lívia Torres, da TV Globo, foi ameaçada por manifestantes após fazer uma reportagem para o Fantástico. Na matéria, empresas eram denunciadas por golpes de pirâmide financeira.

A reportagem foi exibida no último dia 15 e mostrava como as empresas utilizam Bitcoins para aplicar golpes. Entre as empresas citadas estava a GAS Consultoria, com sede em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Com isso, uma manifestação foi realizada em frente à sede da TV Globo, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (27). Em nota, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) apoiou a jornalista e repudiou as ameaças feitas.

“O episódio é gravíssimo e exige providências imediatas das autoridades, identificando e levando à Justiça os responsáveis. Ameaças a jornalistas têm se multiplicado nos últimos tempos. Em boa medida elas são estimuladas pelo comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que hostiliza a imprensa quase diariamente. A democracia pressupõe uma imprensa livre e é obrigação do poder público impedir qualquer tipo de ameaça ou intimidação”, diz o comunicado da ABI.

'Não desejo provocar rupturas, mas tudo tem limite', diz Bolsonaro em nova ameaça

  • Mateus Vargas e Larissa Garcia | Folhapress
  • 29 Ago 2021
  • 09:20h

(Foto: Reprodução)

Em novo episódio da crise institucional provocada por ele mesmo, o presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (28), durante um culto em Goiânia, que não deseja dar golpe ou causar ruptura, mas que "tudo tem limite".

"Temos um presidente que não deseja nem provoca rupturas, mas tudo tem um limite em nossa vida. Não podemos continuar convivendo com isso", disse o presidente durante evento na Assembleia de Deus.

Bolsonaro ainda projetou três alternativas para seu futuro: "Estar preso, ser morto ou a vitória". O presidente estimulou que lideranças evangélicas participem de atos pró-governo marcados para o feriado de 7 de Setembro.

Antes, ele criticava ações do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que atingiram bolsonaristas.

"Sei que a grande, grande maioria dos líderes evangélicos vão participar desse movimento de 7 de Setembro. E assim tem de fazê-lo. Está garantido em nossa Constituição. Espero que não queiram tomar medidas para conter esse movimento", disse Bolsonaro.

O presidente tem feito declarações golpistas e sugerido que as eleições de 2022 podem não ocorrer caso seja mantido o sistema de votação com as urnas eletrônicas --a PEC do voto impresso foi derrotada na Câmara.

Bolsonaro também disse aos apoiadores, no culto, que não há chance de ser preso. "Nenhum homem aqui na terra vai me amedrontar". "Vivo? Dependo de Deus. Uma vitória, ao lado de vocês", afirmou.

Em outro trecho de seu discurso, o presidente disse que não quer dar um golpe. "Eu já sou presidente. Vou querer dar um golpe em mim mesmo?"

A escalada do discurso autoritário provocou desgaste institucional e ocorre também em meio às crises sanitária da Covid-19 (que, apesar da redução de mortes e casos, ainda preocupa especialistas devido ao avanço da variante delta) e econômica (com temor de crescimento medíocre e inflação em alta).

O presidente ainda tem convocado a população para atos pró-governo no feriado de 7 de Setembro. Ele chegou a citar no último dia 4 a hipótese de "antídoto" fora das "quatro linhas da Constituição".

Nesta sexta-feira (27), Bolsonaro estimulou a população a se armar e fez comparação entre compra do fuzil e do feijão, no momento em que o governo federal é criticado pela alta dos preços de alimentos. "Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Povo armado jamais será escravizado", disse a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

"Eu sei que custa caro. Daí tem um idiota que diz 'ah, tem que comprar feijão'. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar."

Mais cedo neste sábado, Bolsonaro respondeu comentários em rede social afirmando que fuzil garante liberdade para trabalhar e se alimentar.

"Garante a sua liberdade para você trabalhar e se alimentar. Sem ela, você poderá depender de migalhas do Estado", escreveu a um internauta que postou uma foto de um fuzil no prato com a frase "não alimenta".

Bolsonaro também rebateu um perfil que tem a hashtag #fiqueemcasa na foto de capa. "No mais, fique em casa que a economia a gente vê depois. Dessa forma, quem vai plantar feijão para você comer?", disse em comentário.

Outro internauta reclamou da inflação e pediu a demissão do ministro da Economia, Paulo Guedes. O presidente replicou com "fica em casa que a Economia a gente vê depois".

A agenda de Bolsonaro em Goiânia começou nesta sexta. Ele participou de evento militar e, em horário de expediente, de nova motociata.

Os principais alvos das críticas de Bolsonaro são os ministros do STF Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

As Forças Armadas estão no centro da crise institucional. Bolsonaro promoveu no último dia 10 um desfile de blindados em frente ao Palácio do Planalto horas antes de a Câmara rejeitar proposta de voto impresso, ato lido como tentativa de intimidar o Congresso.

Além disso, o ministro da Defesa, Braga Netto, defendeu a discussão sobre a mudança no sistema de votação, ampliando a crise.

Não é de hoje que o presidente flerta com o golpismo ou faz declarações contrárias à democracia. Como governante, ele mantém este tipo de discurso.

"Alguns acham que eu posso fazer tudo. Se tudo tivesse que depender de mim, não seria este o regime que nós estaríamos vivendo. E apesar de tudo eu represento a democracia no Brasil", afirmou em uma formatura de cadetes em fevereiro deste ano.

Em 2020, Bolsonaro participou de manifestações que defendiam a intervenção militar. No passado, em uma entrevista em 1999 quando ainda era deputado, Bolsonaro disse expressamente que, se fosse presidente, fecharia o Congresso.

Hoje, por um lado, há incerteza quanto a se Bolsonaro teria ou não apoio suficiente para ser bem-sucedido em eventual tentativa de se manter no poder ao arrepio da lei.

Por outro lado, torna-se cada vez mais próxima da unanimidade a avaliação de que é preciso levar a sério o risco de que, em um cenário desfavorável, ele saia da retórica e chegue às vias de fato.

O presidente usa e abusa de retórica golpista como forma de manter o fantasma vivo, e se apresenta como um corpo único com os militares. A realidade é bem mais complexa.

Não há pilares para um golpe clássico, como alinhamento entre as três Forças e parte significativa da sociedade civil, seja para tirar Bolsonaro, seja para transformá-lo num ditador. Há uma compreensão clara de que isso não seria digerido pelas elites, pela população e no exterior.Bolsonaro claramente sonha com isso, e um roteiro de ruptura foi desenhado por seu ídolo Donald Trump, que viu hordas de apoiadores invadirem o Congresso para tentar impedir a validação da eleição de Joe Biden em 6 de janeiro.

Toda a defesa de que eleição sem voto impresso é fraude busca criar um arcabouço para, na visão dos mais pessimistas, forçar uma situação de conflito nas ruas caso Bolsonaro derreta de vez e seja derrotado nas urnas em 2022.

Isso levaria a impasses, como a decretação de uso de força federal ou mesmo estado de defesa em alguns locais. Há dúvidas se Bolsonaro iria atender a pedidos de ajuda de governadores opositores, por exemplo, o que levaria a crise para o Judiciário.

Comandantes são unânimes em dizer, durante conversas reservadas, que não há espaço para golpismos, mas o fato é que não houve nenhum teste de realidade sobre isso para atestar tal comprometimento.