- Bahia Notícias
- 20 Mai 2025
- 10:38h
Foto: Divulgação / Ibama
O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, aprovou nesta segunda-feira (19) o Plano de Proteção e Atendimento à Fauna Oleada (PPAF), apresentado pela Petrobras para operações na Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial brasileira. A autorização foi concedida mesmo diante de parecer técnico da própria autarquia que aponta falhas no planejamento e insuficiência para mitigar impactos ambientais.
O plano da estatal integra o Plano de Emergência Individual (PEI) para atividades de pesquisa sísmica no Bloco FZA-M-59. Entre as medidas previstas estão a instalação de estruturas de atendimento à fauna oleada nos municípios de Oiapoque e Vila Velha do Cassiporé, no estado do Amapá.
Também estão contemplados no documento o uso de embarcações especializadas e a realização de resgates aéreos de animais, com a proposta de reduzir o tempo de transporte dos espécimes afetados para um intervalo entre 10 e 12 horas.
Apesar da aprovação, o corpo técnico do Ibama registrou críticas ao PPAF. De acordo com o parecer, o plano “trabalha no limite das exceções previstas em manuais oficiais” e sua eficácia somente poderá ser comprovada com “a realização de simulações em campo”.
A decisão ocorre em meio à pressão do governo federal para que o Ibama autorize a exploração de petróleo na região. A Petrobras tem expectativa de investir cerca de US$ 3 bilhões na Margem Equatorial entre 2025 e 2029. A área de interesse se estende do litoral do Rio Grande do Norte ao Amapá, sendo considerada estratégica para a ampliação das reservas nacionais de petróleo.
As informações são do Metrópoles.
- Por Tamara Nassif | Folhapress
- 20 Mai 2025
- 08:35h
O mercado parece ter saído mais forte da prova de fogo das últimas semanas. Com o arrefecimento das tensões comerciais causadas pela cruzada tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Bolsas pelo mundo -inclusive a brasileira- estão registrando disparadas que pareciam estar fora do radar até pouco tempo atrás.
O Ibovespa renovou seu recorde histórico nominal mais uma vez nesta segunda-feira (19) e chegou até a ultrapassar o inédito patamar de 140 mil pontos ao longo do período de negociações. O fechamento deste pregão -uma alta de 0,32%, a 139.636 pontos- colocou a Bolsa brasileira mais próxima do chamado "bull market", ou "mercado de touro" em português.
O termo significa um momento de valorização de um determinado índice, como o Ibovespa, por um período significativo de tempo. A metáfora alude ao momento de ataque do touro, que golpeia a presa com os chifres em um movimento que parte de baixo e vai para cima. Nas definições técnicas, essa "chifrada" aparece quando um índice está 20% acima da mínima atingida no último ciclo de baixa.
"Considerando a mínima do dia 13 de janeiro, quando houve um ponto de inflexão nos mercados, a alta acumulada do Ibovespa chega a 17%. Não estamos tecnicamente em um ‘bull market’, mas estamos muito próximo dele", diz Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos.
O motivo por trás da disparada é o mesmo que suscitou pânico nos mercados no mês de abril: a política dos Estados Unidos.
Está em curso uma "rotação" para fora dos mercados norte-americanos, sobretudo os que estão mais sujeitos a volatilidades causadas pelo vaivém do presidente. "A política tarifária fez com que os recursos, principalmente de fundos de pensão europeus, migrassem de lugar. Quando os gestores tiraram esse dinheiro, alocaram uma parte nos mercados emergentes, e o Brasil capturou um pouco dessa dispersão", diz João Piccioni, CIO (chefe de investimentos) da Empiricus Gestão.
"Não foi um volume muito grande, mas foi o suficiente para provocar essa ebulição no mercado." A rotação, ele acrescenta, já era antecipada por algumas gestoras de investimentos antes da virada do ano.
Segundo relatório do Santander, as novas entradas de investidores estrangeiros na Bolsa somaram mais de R$ 20 bilhões desde o dia 17 de abril. O braço de análise do banco estima que o movimento ganhe tração nos próximos meses, "dada a contínua diversificação das ações americanas para o resto do mundo".
O relatório cita dados do Departamento do Tesouro dos EUA. De acordo com a autoridade americana, os estrangeiros detinham 17,8% dos títulos de ações do país em 2024 -o equivalente a US$ 16,8 trilhões (R$ 94 trilhões) do valor de mercado total do segmento.
"Cada ponto percentual de realocação equivale a US$ 950 bilhões em potenciais fluxos de diversificação no mercado internacional. O Brasil poderia ganhar aproximadamente US$ 26,5 bilhões (R$ 150 bilhões) em entradas de capital, considerando um cenário modesto de realocação."
Ou seja, a menos que haja alguma reversão na tendência dos investidores globais, o mercado prevê que a Bolsa brasileira continuará em tempos de fartura.
Parte disso também se explica pelo que o mercado resumiu como "Bolsa barata". Segundo Piccioni, boa parte das empresas listadas fez o "dever de casa" nos últimos anos e apresentou resultados sólidos nos balanços financeiros, e o valor das ações não necessariamente acompanhou essa melhora de performance.
"As ações ficaram muito defasadas, e as empresas do ciclo doméstico estão surpreendendo. Várias delas estão subindo mais de 40% no ano, e agora o investidor local parece estar mais confortável para voltar para a Bolsa de novo. Não à toa, o Ibovespa está rompendo as máximas históricas sem o suporte da Vale e da Petrobras, as duas maiores empresas do índice, que estão longe de seus próprios recordes", diz Piccioni.
O momento também se ampara no possível fim do ciclo de altas da taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano. O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, chegou a dizer nesta segunda que a autoridade monetária está dependente de novos dados sobre a economia para decidir o que fará com os juros nas próximas reuniões.
Segundo o relatório do Santander, conversas com investidores estrangeiros indicaram que eles já haviam previsto uma interrupção nas altas da Selic e que isso foi um catalisador para adicionar ações brasileiras às carteiras.
"Tudo isso cria um ambiente favorável para se investir em ações. Claro, os fundamentos do Brasil não são dos melhores. Os juros altos, mais cedo ou mais tarde, vão bater na economia, e as políticas fiscais expansionistas prejudicam bastante a relação risco-retorno. Mas eu acredito que boa parte disso já está sendo considerada pelo investidor, e, como o Brasil representa uma posição pequena em relação ao resto do mundo, ainda há espaço para mais alocações estrangeiras aqui", diz Villegas, da Genial Investimentos.
Para quem não tem investimentos na Bolsa, os efeitos dessa disparada são menos palpáveis. Eles aparecem, sobretudo, como um novo dinamismo na economia, onde grandes empresas aproveitam dos bons ventos para colocar novos produtos e serviços no mercado. "É um momento onde as companhias costumam ser mais vocais sobre elas mesmas, incentivando o consumo, aquecendo a atividade e dando um impulso novo para alguns segmentos", afirma Piccioni.
- Bahia Notícias
- 19 Mai 2025
- 18:20h
Foto: Reprodução/Instagram/@kaka
Presente na final da Kings League, realizada no último domingo (18), no Allianz Parque, Kaká falou pela primeira vez sobre os rumores que o colocam como possível integrante da comissão técnica de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira. O pentacampeão mundial, que brilhou sob o comando do treinador italiano no Milan, afirmou estar preparado para assumir qualquer função que venha a ser oferecida.
"Se a Seleção achar que eu posso ajudar, estou pronto, preparado. Parei de jogar em 2017, desde esse período eu me preparei. Fiz curso em negócios no esporte em Harvard, curso de gestão desportiva na Uefa, curso de treinador na CBF. Três Copas do Mundo, mais de 15 anos servindo a seleção. Se surgir a oportunidade, estou pronto para voltar a servir a seleção", declarou Kaká, em entrevista à CazéTV.
Kaká e Ancelotti construíram uma parceria vitoriosa entre 2003 e 2009, no Milan, período em que conquistaram juntos títulos como a Série A, a Liga dos Campeões, o Mundial de Clubes, a Supercopa da UEFA e a Supertaça da Itália. Foi também sob o comando do italiano que o brasileiro viveu seu auge, sendo eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2007, ano em que foi artilheiro da Champions League. Em 2013, os dois se reencontraram no Real Madrid, mas a passagem foi breve, já que o ex-jogador deixou o clube ainda no início da temporada para retornar ao Milan.
A estreia de Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira está marcada para junho, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O primeiro desafio será contra o Equador, no dia 5, no Estádio Monumental Isidro Romero Carbo, em Guayaquil. Já no dia 10, o Brasil encara o Paraguai, na Neo Química Arena, em São Paulo.
Antes dos compromissos pelas Eliminatórias, Ancelotti fará a sua primeira convocação na próxima segunda-feira (26). Vale lembrar que o treinador divulgou, no último domingo, a pré-lista de convocados da Seleção Brasileira, que conta com 50 nomes. Entre eles estão Neymar, do Santos, Oscar, do São Paulo, Pedro, Gerson, Léo Ortiz, Danilo, Wesley e Alex Sandro, do Flamengo.
Procurada pelo Bahia Notícias, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não confirmou oficialmente a participação de Kaká na nova comissão técnica do Brasil.
- Bahia Notícias
- 19 Mai 2025
- 16:20h
Foto: Reprodução / Redes sociais/Bahia Notícias
O influenciador digital e padre Patrick Fernandes, que soma 6,6 milhões de seguidores nas redes sociais, manifestou interesse em depor na CPI das Bets e teve sua solicitação aceita pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). A comissão ainda precisa aprovar o pedido até 14 de junho.
Patrick, que é pároco da Paróquia São Sebastião, em Parauapebas (PA), afirma receber propostas diárias de publicidade de casas de apostas, mas diz recusá-las. Em vídeo publicado no TikTok, o padre criticou duramente o impacto desses jogos: “Todo momento, vem pessoas aqui falidas, viciadas, tomadas por conta desses joguinhos. Eu sei o estrago que isso está fazendo na vida de tantas pessoas e famílias. Esse negócio de jogar com responsabilidade? Pelo amor de Deus, não existe isso, não”.
Além da atuação religiosa, o padre também escreve livros, participa de eventos em todo o país e monetiza seus perfis com publicidade, exceto de apostas. Para ele, é importante que a CPI ouça vozes que se posicionam contra esse mercado. “A CPI também precisa ouvir pessoas que a todo momento recebem essas propostas e têm a dignidade de não aceitar, que não se vendem pelo dinheiro”, afirmou.
- Bahia Notícias
- 19 Mai 2025
- 14:25h
Foto: Luiz Agner / IBGE
A confirmação de um caso de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, já começa a gerar efeitos no mercado interno. Um dos principais impactos pode ser a queda no preço dos ovos, item que acumulou alta de 12,32% nos últimos 12 meses, segundo o IPCA. As informações são da Folha de São Paulo.
Com a suspensão temporária das importações por países como China, União Europeia, México e Chile — que juntos representam 28% das exportações brasileiras de frango e ovos em 2024 —, o excedente que seria enviado ao exterior deve ser redirecionado ao mercado interno. A sobreoferta pode pressionar os preços para baixo, avaliam especialistas.
O economista Andre Braz, do FGV Ibre, explica que o aumento da oferta, tanto de frango quanto de ovos, tende a provocar uma redução temporária nos preços ao consumidor. Ele afirma que, em um segundo momento, os produtores devem ajustar a produção para evitar prejuízos com os custos de criação.
Em Minas Gerais, por exemplo, o governo estadual já determinou o descarte de 450 toneladas de ovos fecundados vindos do Rio Grande do Sul como medida preventiva. Ao todo, cerca de 1,7 milhão de ovos foram destruídos após a confirmação da presença do vírus H5N1 na granja gaúcha.
Felipe Vasconcellos, sócio da gestora Equus Capital, reforça que a indústria terá que se adaptar ao novo cenário, buscando alternativas para cortes ou produtos tradicionalmente destinados à exportação. A expectativa é de que a pressão sobre o mercado interno seja sentida nas próximas semanas.
O Ministério da Agricultura informou que os países com restrições regionais — como Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes — continuam recebendo produtos de outras áreas do país. No entanto, a ruptura nos principais mercados pode exigir reorganização na logística e no armazenamento de ovos e frango, o que também influencia nos preços.
Apesar da instabilidade inicial, especialistas acreditam que o ajuste na produção e a possível retomada das exportações devem reequilibrar o setor nos próximos meses.
- Por Folhapress
- 19 Mai 2025
- 12:29h
Foto: Alan Santos/Presidência da República
Neste domingo (18), a Rússia realizou seu maior ataque de drones contra a Ucrânia desde o início da guerra entre os dois países, em 2022, destruindo casas e matando ao menos uma mulher. Segundo a Força Aérea ucraniana, foram lançados 273 dispositivos, total que supera o recorde de 267 artefatos russos disparados em fevereiro, no terceiro aniversário do conflito.
O bombardeio acontece um dia antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutir uma proposta de cessar-fogo com seu homólogo russo Vladimir Putin. No sábado (17), menos de 24 horas após autoridades de Kiev e Moscou se reunirem em busca de trégua, outro ataque com drone russo atingiu um veículo e matou nove pessoas em Sumi, no nordeste da Ucrânia.
O serviço de inteligência ucraniano afirmou acreditar que a Rússia pretende disparar um míssil balístico intercontinental ainda neste domingo (18) como uma tentativa de intimidar o Ocidente, acusação que não foi contestada pelo Kremlin até o momento.
Nas ruínas de sua casa na região de Obukhiv, Natalia Piven, 44, conta que precisou se esconder com o filho em um porão para sobreviver à primeira onda de drones russos. Depois, eles correram para um abrigo antiaéreo em um jardim de infância, antes que o próximo ataque chegasse à vila. Uma mulher de 28 anos que era vizinha de Piven foi morta. Segundo as autoridades ucranianas, outras três pessoas ficaram feridas.
"Não consigo superar isso, simplesmente não consigo. Eu podia ouvir claramente o drone voando em direção à minha casa", disse Piven à agência Reuters.
Como esforço para restaurar laços com os EUA após o bate-boca com Trump na Casa Branca, em fevereiro, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski se reuniu por 40 minutos com o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio neste domingo (18), em Roma, onde assistiram à missa inaugural do pontificado do papa Leão 14. Após a missa, Zelenski também se encontrou com o novo pontífice.
- Por Tamara Nassif | Folhapress
- 19 Mai 2025
- 10:22h
Foto: Reprodução / YouTube / CNN Brasil
Não existem muitas certezas em um mercado tão volátil quanto o financeiro -e o governo Donald Trump está pondo à prova uma das poucas que conseguiram se manter de pé ao longo das últimas décadas.
Desde que assumiu a Casa Branca pela segunda vez, em 20 de janeiro deste ano, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos têm titubeado à luz da política tarifária do presidente.
Tradicionalmente, os investidores compram os apelidados "treasuries" como uma espécie de aposta segura. O fundamento por trás é que, aconteça o que acontecer, de guerras a choques econômicos, o governo dos EUA será capaz de honrar suas dívidas.
É o equivalente ao Tesouro Direto, no qual títulos públicos federais são emitidos como forma de financiar parte da máquina do Estado, e o rendimento desses papéis é a remuneração paga pelo governo pelo empréstimo recebido.
Os títulos têm vencimentos variados. O mais monitorado é o de dez anos, considerado um indicador da confiança dos investidores sobre a economia dos EUA no longo prazo.
Quando Trump anunciou o tarifaço do último 2 de abril, o "dia da libertação", houve uma venda em massa dos papéis por causa dos temores de uma recessão. O rendimento do de dez anos subiu de pouco menos de 4% para cerca de 4,5%, no que foi a alta mais expressiva em quase 25 anos. O de 30 anos saiu de 4,52% para 4,80%. A rentabilidade é inversamente proporcional aos preços, isto é, os investidores estão pagando menos e exigindo mais retornos para enfim dar o voto de confiança de que a dívida será paga.
Em paralelo, o valor do dólar frente às principais moedas globais se deteriorou. Os índices de Wall Street tombaram, resultando em perdas acumuladas de 11,53% no Nasdaq Composite, 7,8% no S&P 500 e 7,5% no Dow Jones nos primeiros cem dias de governo Trump.
Os movimentos denunciam que parte da confiança depositada nos Estados Unidos está se erodindo e, ainda, que o status de porto seguro global de investimentos está ameaçado.
Na sexta-feira (16), a agência Moody's rebaixou a nota de crédito dos títulos da dívida dos EUA, que perderam o nível máximo (triplo A, de menor risco), devido a preocupações com o aumento da dívida pública. Quanto maior a percepção de risco, maior a taxa de retorno cobrada pelos investidores, o que explica a alta de juros desses títulos após o anúncio. Pela primeira vez na história, o país não mantém a nota máxima em nenhuma das três principais agências de classificação de risco.
"É como se os investidores estivessem vendo os Estados Unidos, a economia mais forte e robusta do mundo, como um mercado emergente. Nos últimos 25 anos, se buscou muito os títulos americanos com a narrativa de que eram os mais seguros. E essa mudança na política americana pode levar a uma diversificação de lugares para se colocar o dinheiro", diz Lourenço Neto, economista e diretor de operações na Miura Investimentos.
O efeito no mercado de títulos, segundo a maioria dos analistas, foi o que fez Trump recuar de sua cruzada tarifária. Em tese, equacionar a dívida pública americana é a principal razão por trás das medidas, que elevariam a arrecadação do Estado. No entanto, se o investidor cobra mais para financiar essa dívida, ela fica mais cara para o governo.
Trump não chegou a admitir publicamente, mas disse ter achado "que o pessoal [os investidores] estava passando um pouco dos limites". Na sequência, anunciou uma trégua de 90 dias para a maioria dos parceiros comerciais aos quais tinha imposto "tarifas recíprocas" e estabeleceu um piso básico de 10% sobre todas as importações.
"Os treasuries seguraram ele. Mas não sei até que ponto é um recuo substancial. Diria que ele estava blefando e piscou", diz André Perfeito, economista-chefe e sócio da consultoria APCE (Associação Brasileira de Produtos Controlados).
Os títulos de dez anos ensaiaram uma recuperação conforme o presidente "piscava". No início deste mês, o movimento foi mais acentuado depois que os EUA e a China sinalizaram a possibilidade de uma trégua para cessar a guerra tarifária, oficializada no dia 12.
Ficou acertado que, durante 90 dias, os EUA reduzirão de 145% para 30% as tarifas adicionais sobre produtos chineses, enquanto a China diminuirá as taxas para 10%, ante os 125% de hoje. O resultado foi uma melhora nos ativos norte-americanos. O dólar voltou a subir globalmente, embora ainda aquém dos níveis anteriores à posse de Trump, e os índices de Wall Street seguiram o mesmo caminho.
Mas a incerteza persiste. "Não vejo como uma solução duradoura. O que aconteceu foi uma corrida contra o tempo para evitar que a economia global desligasse antes do meio do ano. Vejo esse acordo apenas como uma tentativa bastante desesperada para limpar a barra de Trump, que blefou alto na guerra tarifária e agora precisa ganhar tempo", diz Perfeito.
E, na visão do economista, há ainda outro problema que precisa ser equacionado: a força do dólar. Uma moeda mais fraca impulsionaria exportações, o que ajudaria a balancear o "insustentável" déficit público dos Estados Unidos. "Se as tarifas são de 30% e o dólar sobe 30%, ficou no zero a zero e o problema não foi resolvido", afirma.
A principal moeda do mundo tem perdido força em resposta ao comportamento errático de Trump. "Talvez minar a credibilidade do presidente dos EUA seja o instrumento necessário para desvalorizar o dólar. Se for intencional, é uma jogada de mestre, mas duvido que seja o caso."
No meio acadêmico, a tese de declínio da hegemonia do dólar tem ganhado força. Professor de Harvard e ex-economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Nacional), Kenneth Rogoff afirma que há em curso um processo estrutural de enfraquecimento da moeda desde antes da posse de Trump. Com a volta do republicano à Casa Branca, o processo pode ter sido acelerado.
"Embora o dólar quase certamente continue sendo a moeda dominante do mundo por pelo menos mais algumas décadas, é provável que ele caia alguns degraus. Espere que o iene e o euro ganhem espaço na economia legal, e as criptomoedas farão o mesmo na economia subterrânea", escreveu ele em artigo para a The Economist, no início deste mês.
Enquanto os rumos da economia global -e dos ativos norte-americanos- seguem indefinidos, há ao menos um consenso entre os especialistas: a postura errática de Trump inspira incerteza nos operadores.
"Construir reputação é difícil; destruir é facinho. Um pedaço dessa reputação não vai ser de fácil retorno, mas não acho que políticas pouco cuidadas de um presidente poderão corroer toda a solidez de uma economia como a americana", diz Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.
"Acredito que a credibilidade e a segurança dos ativos estão, sim, um pouco balançadas. Mas a extensão e a magnitude disso são outros fatores de incerteza nessa história."
- Bahia Notícias
- 19 Mai 2025
- 08:20h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Os números de estupro no Brasil atingiram níveis preocupantes. Em 2023, foram registrados 83.988 casos na Polícia Civil, um aumento de 91,5% em comparação a 2011, quando houve 43.869 ocorrências. A situação é ainda mais grave quando se observa que 76% das vítimas são pessoas em situação de vulnerabilidade, sendo a maioria crianças e adolescentes. A cada hora, sete casos de abuso sexual contra menores são registrados no país.
O dia 18 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, reforçando a importância do tema e, diante dessa realidade cruel, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) anunciou campanhas de conscientização, “Se você repara, deve ajudar a parar”, para alertar a população sobre os sinais de violência sexual e incentivar as denúncias. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 revelam que a maioria dos abusos contra crianças e adolescentes é cometida por familiares ou conhecidos, com 61,7% dos casos ocorrendo dentro de casa.
Segundo o Disque 100, em 2024, a Bahia registrou 33.761 denúncias de violações de direitos humanos, sendo 13.740 envolvendo crianças e adolescentes, incluindo crimes sexuais. Até 5 de maio de 2025, o estado já contabilizou 568 denúncias de estupro de vulnerável, ocupando o quinto lugar no ranking nacional.
Denúncias de crimes dessa natureza podem ser registradas pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, e ao Ministério Público, em todo o estado, por meio do Disque 127, das Promotorias de Justiça mais próximas e pelo site de atendimento ao cidadão. Os processos tramitam em segredo de justiça.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) alerta sobre a necessidade dos pais e responsáveis estarem atentos a quaisquer sinais de alteração de comportamento e humor das crianças e adolescentes, acompanhando as suas interações sociais, acionando as autoridades e a rede de proteção, em caso de identificação de práticas suspeitas de violência infantojuvenil, inclusive em ambientes virtuais.
- Bahia Notícias
- 17 Mai 2025
- 16:14h
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil
Um total de 1,345 milhão de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) solicitaram reembolso dos valores descontados de forma não autorizada por entidades associativas. O balanço divulgado pela instituição nesta sexta-feira (16) contabiliza os três primeiros dias de solicitações, recebidas pelo órgão desde a última quarta-feira (14).
Os pedidos foram realizados por meio do aplicativo Meu INSS, pelo site de mesmo nome ou pelo telefone 135. Em números totais, 1.370.635 segurados consultaram a plataforma Meu INSS ou o atendimento telefônico para obter informações sobre descontos de entidades associativas, sendo que apenas 24.818 informaram que o desconto foi autorizado.
Segundo o INSS, foram feitos 34.960.465 de acessos à plataforma Meu INSS. Desse total, 5.997.999 de segurados buscaram informações sobre consulta dos descontos no Meu INSS, e 2.836.350 buscaram a plataforma para informar que não tiveram descontos.
Por meio do aplicativo, o beneficiário pode consultar quanto teve de descontos ao longo dos últimos anos e informar se foram autorizados ou não, abrindo, assim, um processo administrativo para receber o dinheiro de volta. São 41 entidades associativas contestadas em todos esses lançamentos, abrangendo todas que têm ou tinham algum credenciamento com o órgão para fazer o desconto.
Cerca de 9 milhões de segurados começaram a ser notificados desde terça-feira (13) sobre descontos por entidades e associações. Agora, é possível saber o nome da entidade à qual o aposentado ou pensionista que teve desconto, por meio do serviço Consultar Descontos de Entidades Associativas, disponível no aplicativo.
Investigação
Os descontos dos aposentados e pensionistas são alvo de investigação pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que apuram a atuação de organizações criminosas para fraudar os benefícios previdenciários, associando de forma não autorizada os segurados do INSS.
Ao todo, desde quinta-feira (15), mais de 4,3 milhões de usuários consultaram a plataforma Meu INSS para verificar quanto tiveram de desconto. O prazo para solicitar um eventual reembolso é indeterminado.
As associações que tiverem seus descontos contestados por um segurado terão de apresentar uma documentação individualizada, no prazo de 15 dias úteis, para comprovar a adesão voluntária do beneficiário aos descontos ou efetuar o recolhimento do dinheiro devido.
Em caso de pagamento, o valor será repassado ao Tesouro Nacional para posterior devolução na conta do segurado. Essas organizações poderão usar uma plataforma própria disponibilizada pela Dataprev. As informações são da Agência Brasil.
- Bahia Notícias
- 17 Mai 2025
- 14:35h
Foto: Real Federación Española de Piragüismo
O brasileiro Isaquias Queiroz, dono de cinco medalhas olímpicas, brilhou mais uma vez nas águas de Szeged, na Hungria. Na manhã deste sábado (17 de maio), o canoísta venceu a final A da prova masculina do C1 500m na primeira etapa da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade 2025, com o tempo de 1:47.80. A prata ficou com Zakhar Petrov, que completou o percurso em 1:48.34, enquanto o romeno Catalin Chirila levou o bronze, marcando 1:48.51.
O também brasileiro Gabriel Nascimento, que havia se destacado nas fases iniciais, finalizou a prova na quinta colocação, com o tempo de 1:50.17. Na sexta-feira (16), Isaquias e Gabriel já haviam demonstrado força ao vencerem suas respectivas baterias iniciais.
O campeão olímpico seguiu dominando nas semifinais, registrando o melhor tempo da fase classificatória. A vitória mantém o retrospecto positivo de Isaquias em Szeged, onde, em 2024, também conquistou o ouro na mesma prova, com a marca de 1:45.88. Naquela ocasião, Gabriel havia disputado a final B, conquistando a segunda colocação.
- Bahia Notícias
- 17 Mai 2025
- 12:25h
Foto: Mário Agra / Ag. Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta sexta-feira (16), que deve propor, na próxima semana, a votação para urgência de projetos de lei destinados a impedir fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Por meio das redes sociais, ele comunicou: “Comuniquei aos líderes da Câmara dos Deputados que, na próxima semana, pautarei a urgência de projetos de lei destinados a impedir fraudes no INSS. Seguindo e sempre respeitando o regimento da Casa, vamos analisar, reunir e votar tudo o que pode compor um Pacote Antifraude. Esse tema, que é urgência para milhões de brasileiros, é urgência para a Câmara dos Deputados.”, escreveu no X, antigo Twitter.
A proposta ocorrer após a revelação de um esquema de fraudes envolvendo a organização, que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024. Os valores eram descontados de forma não autorizada por entidades associativas, diretamente da folha de pagamento dos beneficiários.
Conforme dados do INSS, cerca de 1,34 milhão de brasileiros já contestaram as cobranças e pediram a devolução dos valores. Os projetos da Câmara devem criar mecanismos que impeçam novas práticas de descontos fraudulentos em benefícios previdenciários.
Hugo Motta, por sua vez, garantiu que os projetos serão analisados de forma conjunta e com celeridade, devido à gravidade do problema.
- Bahia Notícias
- 17 Mai 2025
- 10:44h
Foto: Divulgação / FPF
O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, oficializou neste sábado (17) sua candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O pleito está marcado para o próximo dia 25 de maio.
Em nota oficial, Bastos afirmou já contar com o apoio de algumas federações e da "maioria dos clubes das Séries A e B" do Campeonato Brasileiro. De acordo com informações do portal ge.globo, as federações de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso manifestaram apoio ao dirigente.
Agora, o presidente da FPF busca consolidar seu nome junto aos clubes. Dirigentes das equipes das Séries A e B se reúnem virtualmente na manhã deste sábado para discutir o direcionamento da eleição, que foi convocada após a destituição de Ednaldo Rodrigues do comando da entidade.
A decisão de afastamento de Ednaldo e a convocação do novo pleito foram determinadas pelo interventor nomeado pela Justiça, Fernando Sarney. As eleições estão agendadas para um domingo, dia de rodada do Brasileirão, e as inscrições das chapas devem ser realizadas até o próximo dia 20 de maio.
Enquanto isso, dirigentes de clubes da Libra e da LFU (Liga Forte Futebol) demonstram insatisfação por estarem sendo "praticamente ignorados" no processo de definição das candidaturas e pretendem debater estratégias para influenciar o cenário eleitoral.
- Por Gabriela Caseff | Folhapress
- 17 Mai 2025
- 08:40h
Foto: José Cruz / Agência Brasil
Preparar comida no fogão à lenha não é saudável, polui o meio ambiente, afasta mulheres do mercado de trabalho e crianças da escola. Essa é a conclusão de uma pesquisa que mapeou a pobreza energética no Brasil a partir de entrevistas com especialistas da saúde, do setor de energia e com pessoas afetadas pelo problema pelo país, com dados de 2022 e 2023.
Segundo o estudo da Plataforma de Transição Justa, com curadoria da Agenda Pública, embora quase 100% dos lares brasileiros tenham gás de botijão ou encanado, 17% fazem uso de lenha ou carvão para cozinhar, em combinação com eletricidade (98%) e botijão (52%).
São 12,7 milhões de brasileiros enquadrados na chamada pobreza energética -quando há acesso inadequado a fonte de energia.
Caso de Patrícia Soares, 53, moradora de Pedra Azul, no norte de Minas Gerais. Todo sábado, ela e os filhos acordam às 5h e caminham 40 minutos até uma mata para "caçar lenha" com foice e facão.
"Com o dinheiro do gás a gente compra um remédio, carne e arroz, paga uma conta de luz. Uso gás só para fazer café ou esquentar a janta. Tanto que o botijão aqui em casa dura seis meses e já durou até um ano", afirma Soares, que é viúva e mãe de nove filhos.
O calor no local onde ela cozinha é forte. "Junta a quentura do fogão e das telhas quando o sol está quente, a gente fica agoniada, meio tonta", diz.
A pesquisa apontou que, em 2022, 30% dos lares da região Norte, 28% do Sul e 24% do Nordeste utilizavam lenha no preparo das refeições. No Sudeste, eram 8% dos domicílios nesta condição -incluindo locais urbanizados onde a lenha é feita de gravetos, sobras de feiras e restos de papelão.
"A face mais dramática da pobreza energética é a falta de gás. E ela tem rosto feminino. Mulheres cozinham com lenha porque não têm escolha", diz Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública e coordenador geral da pesquisa.
"São 18 horas por semana catando lenha, além da inalação da fumaça que gera problemas de saúde que vão de dores na coluna a doenças pulmonares", diz ele.
A cocção com lenha emite gases como monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, formaldeído e benzopireno. Partículas que inflamam vias respiratórias e pulmões, prejudicam o sistema imunológico e reduzem a capacidade de transporte de oxigênio do sangue.
Em 2020, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 3,2 milhões de pessoas em todo o mundo morreram devido a essa poluição doméstica -que é pouco conhecida, segundo Carlos Ragazzo, professor da Fundação Getulio Vargas.
"Você tem um problema de informação e outro de hábito. Pessoas de baixa renda estão acostumadas há gerações a cozinhar assim e não sabem do risco da lenha para sua saúde e de seus filhos, que ficam no mesmo ambiente fechado e insalubre", afirma ele.
Em uma pesquisa encomendada pelo Sindigás a Ragazzo, produzida em 2024, o professor avaliou o impacto de políticas como o Gás para Todos (antigo Auxílio Gás), criado na pandemia de Covid-19, quando houve escalada da fome e do uso de lenha e álcool para cocção de alimentos no país.
O programa atualmente custeia a compra de botijão de gás de 13 quilos para 5,4 milhões de famílias e passa por redesenho em uma tentativa de o governo Lula (PT) baratear o preço da energia para os mais pobres.
O presidente deve anunciar, em breve, auxílio-gás para 20 milhões de famílias ao custo de R$ 5 bilhões para os cofres públicos. A ideia é criar um voucher específico para o gás.
"Seria preciso garantir que o dinheiro esteja carimbado para aquele uso, ou seja, a pessoa recebe o benefício na medida em que compra o botijão", afirma o professor.
Países como Peru, Colômbia e Índia, diz Ragazzo, fizeram este movimento de atrelar o recurso à compra do GLP, aumentando o uso do gás para cocção nas residências. E usaram outro componente essencial: campanhas de conscientização, geralmente em parceria com lideranças comunitárias.
"É uma maneira eficiente de educar as pessoas sobre os malefícios do uso da lenha e fazer elas migrarem para outra fonte de energia", afirma ele.
Em ano de COP30 no Brasil, quando mudança climática e transição energética estarão na agenda da corte, a Plataforma Transição Justa faz as contas do desperdício: substituir lenha por eletricidade poderia economizar 34 minutos por dia e até US$ 62 por ano por família.
"Não tem uma solução definitiva, mas precisamos de programas sociais mais focalizados que deem conta dessa pobreza multidimensional", diz Sergio Andrade.
- Por Nathalia Garcia | Folhapress
- 16 Mai 2025
- 16:05h
Foto: Agência Brasil
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirmou nesta quinta-feira (15) que apresentará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na próxima semana um conjunto de medidas "pontuais" para cumprimento da meta fiscal deste ano.
O chefe da equipe econômica negou que será anunciado um pacote com iniciativas para elevar a popularidade do governo, depois de circularem boatos sobre reajuste do programa Bolsa Família e medidas voltadas ao setor de energia.
"As únicas medidas que estão sendo preparadas para levar ao conhecimento do presidente [Lula], que seria hoje [quinta], mas em função do falecimento do Mujica [ex-presidente do Uruguai] passou para semana que vem, são medidas pontuais para o cumprimento da meta fiscal", disse.
Segundo Haddad, foram identificados "gargalos" tanto do lado das despesas quanto do lado das receitas. "Não dá nem para chamar de pacote, porque são medidas pontuais", acrescentou.
Neste ano, o governo vai perseguir novamente uma meta zero, mas poderá entregar um resultado negativo em até R$ 31 bilhões.
O ministro da Fazenda também disse que não houve qualquer requisição por parte do Ministério do Desenvolvimento Social em relação ao Bolsa Família.
"Não tem demanda, estudo, pedido de orçamento para o MDS, zero. O orçamento do MDS é esse que está consignado. Não há da parte do MDS pressão sobre a área econômica para absolutamente nenhuma iniciativa nova. Isso vale para os demais ministérios também. Não há demanda de espaço fiscal para projetos novos", disse.
- Por Victor Hernandes/Bahia Notícias
- 16 Mai 2025
- 14:40h
Foto: Geovana Albuquerque / Arquivo Agência Saúde GDF
A Bahia registrou uma das médias mais críticas nos dados relacionados à quantidade de especialistas em Ginecologia e Obstetrícia do Brasil. Um levantamento da Demografia Médica 2025, acessado pela reportagem do Bahia Notícias, mostra que o estado tem uma média abaixo da razão nacional dos números de profissionais. Ambas categorias são consideradas exclusivas e essenciais para a saúde da mulher.
A pesquisa apontou que na comparação com o nível nacional de 37,07 especialistas por 100.000 mulheres, a Bahia tem somente 24,49 médicos por 100.000 pacientes do sexo feminino. A oferta desses profissionais entra na lista das unidades da Federação inferior a marca, dividindo o ranking com o Ceará (24,31), Amapá (23,29), Acre (21,46), Amazonas (20,09), Pará (15,34) e Maranhão (15,03).
Os números foram na contramão de outras regiões do país, a exemplo de Brasília, que liderou a média com 91,96, São Paulo em 47,38 Espírito Santo em 46,85 e Rio Grande do Sul 46,68, Mato Grosso do Sul, 41,06 e Rio de Janeiro com 40,93.
A Associação de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia (SOGIBA) informou ao Bahia Notícias, que por conta desses números, vai avaliar a atual distribuição dos ginecologistas e dos obstetras atuantes no estado. A entidade disse que vai acompanhar também possíveis fatores que contribuem para o atual cenário.
“É um indicador que merece uma análise mais aprofundada antes de qualquer manifestação da associação”, disse a associação ao BN.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Otávio Marambaia, afirmou que os dados obtidos em território baiano preocupam a entidade por conta da necessidade de mais especialistas da área. Segundo ele, a falta desses médicos pode ocasionar em diferentes problemas para as mulheres, principalmente das gestantes, que necessitam de serviços obstetras.
“Esse é um dado que preocupa, até porque precisamos de mais profissionais tecnicamente formados para atender as mulheres e, principalmente, naquele instante da mulher gestante, uma vez que nós temos hoje uma das taxas de mortalidade materno-infantil mais altas do Brasil, comparados a locais como a África Subsaariana, fazendo da Bahia um dos piores lugares para se nascer. Uma das causas disso é o número insuficiente de ginecologistas e obstetras, mormente pelas dificuldades encontradas nas condições de trabalho que esses profissionais têm que se submeter, principalmente na área pública”, observou.
O presidente do Cremeb indicou que o baixo número de trabalhadores do setor se deve a más condições de trabalho e por conta questões contratuais classificadas como precarizadas.
“A primeira questão é as más condições de trabalho. Segundo é a questão de vínculos empregatícios e contratos, que estão extremamente precarizados, onde os profissionais não têm segurança e, de fato, isso leva a uma insegurança que as pessoas preferem fazer outras especialidades onde não seja tão demandada”, considerou Marambaia.
O porta-voz ainda alertou a necessidade de ter uma quantidade duas vezes maior das duas classes, em especial na rede pública baiana.
“Diante da situação caótica em que nós estamos na assistência obstétrica na Bahia, eu acredito que, no mínimo, o dobro dos profissionais que já existem atuando deveriam ser formados para suprir a necessidade do estado. O número de profissionais para atender a saúde da mulher é um fato relevante. Isso é realmente um dado que necessita da atenção, principalmente, dos setores públicos", contou o médico.