Morre avó de Daniel Cady, marido de Ivete Sangalo: "Uma das pessoas mais importantes da minha vida"

  • Bahia Notícias
  • 13 Set 2025
  • 10:14h

Foto: Instagram/Bahia Notícias

O nutricionista Daniel Cady, marido de Ivete Sangalo, anunciou nas redes sociais na última sexta-feira (12), o falecimento da avó, dona Iracema.

 

Em uma postagem compartilhada no Instagram, Cady mostrou alguns momentos ao lado da matriarca da família e se declarou para dona Iracema, sem revelar a causa do falecimento.

 

“Hoje me despeço de uma das pessoas mais importantes da minha vida: minha querida avó Iracema. Ela foi muito mais que avó, foi presença, foi carinho, foi cuidado, foi como uma segunda mãe. Estava comigo em todos os momentos: nas alegrias, nas dificuldades, sempre com amor, abraço, beijo, palavra de conforto ou uma comida feita com afeto”, escreveu.

 

Daniel ainda falou sobre como era viver com ela na infância e como foi a experiência dela após crescer.

 

"Tive a bênção de conviver de perto com ela, de dividir a vida, a casa, os dias — e cada instante foi um presente. Como era bom quando ela me colocava para dormir, quando preparava aquelas comidas que só ela sabia fazer, quando me enchia de carinho de um jeito único. Minha avó foi companhia, proteção, ternura. Foi amor em forma de pessoa."

 

O marido de Ivete ainda fez questão de falar sobre o legado que a avó deixou na terra. "É assim que vou sempre me lembrar dela: sorrindo, cuidando, transmitindo calor humano em cada gesto. Só tivemos bons momentos. Só guardo boas lembranças. E é isso que levo comigo: a certeza de que fui amado de todas as maneiras possíveis por uma mulher maravilhosa. Descanse em paz, vó. O seu amor continua vivo em mim".

 

A situação acontece em um momento em que a família está "separada". Isso por que, Ivete Sangalo está em São Paulo desde o início da semana para os ensaios do The Town, onde a artista se apresenta neste sábado (13). A cantora não comentou a situação.

 

O velório aconteceu na sexta-feira (12), no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador.

Pena de Bolsonaro deve permitir regime semiaberto a partir de 6 anos de prisão

  • Por Arthur Guimarães de Oliveira e João Pedro Abdo | Folhapress
  • 13 Set 2025
  • 08:09h

Foto: Antonio Augusto/ STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e 3 meses de prisão, pode progredir para o regime semiaberto a partir de cerca de 6 anos de cumprimento de pena.
 

O julgamento de Bolsonaro e outros sete acusados de trama golpista terminou na última quinta-feira (11). Ainda cabem recursos da decisão.
 

Os réus foram condenados pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado democrático de Direito.
 

Com exceção de Alexandre Ramagem, cuja ação penal foi suspensa em parte pela Câmara, eles também foram condenados A decisão sobre onde Bolsonaro deverá cumprir pena cabe a Alexandre de Moraes, relator do caso. O ministro deve determinar o local após o fim do processo, quando não houver mais recursos disponíveis.
 

Pela Lei de Execução Penal, a punição é aplicada de forma progressiva, com a transferência para o regime menos rigoroso quando o alvo tiver cumprido uma parte dela.
 

Os réus da trama golpista devem cumprir 16% ou 25% da pena para solicitar a ida ao semiaberto, segundo especialistas.
 

Mauricio Dieter, professor de criminologia da USP, diz que a diferença é que a fração de 25% é aplicável aos crimes praticados com violência, incluindo organização criminosa, abolição violenta do Estado de Direito, golpe e dano qualificado.
 

Segundo ele, mesmo as penas de detenção, que normalmente são cumpridas em regimes mais brandos, começam em regime fechado em razão da unificação das penas e da presença de crimes que exigem regime fechado.
 

Assim, considerando a pena total de Bolsonaro de 27 anos e 3 meses, chega-se a 9.945 dias. Aplicando o percentual de 25%, o resultado é de 2.486 dias, equivalentes a aproximadamente 6 anos e 10 meses de cumprimento antes da progressão.
 

O advogado criminalista Renato Vieira, doutor em direito processual penal pela USP, também afirma que o percentual deve ser aplicado sobre a soma das penas, porque é o total da condenação que determina a progressão de regime.
 

Ele ressalva, no entanto, que esse raciocínio pode gerar uma distorção, já que o cômputo unificado pode incluir delitos sem violência ou grave ameaça. Ao aplicar o percentual mais alto, dificulta-se a progressão geral.
 

Conforme explica Helena Lobo da Costa, professora de direito penal da USP, no caso do ex-presidente, a incidência das porcentagens deveriam depender do tipo de pena a qual o réu foi condenado.
 

"O crime de deterioração de patrimônio tombado não traz a violência ou grave ameaça como elementos, razão pela qual eu entendo que teria de ser aplicado o percentual de 16%", afirma ela.
 

"Para os demais, como envolvem violência ou grave ameaça, aplica-se 25% -inclusive para a organização criminosa armada, que exige o emprego de arma de fogo, o que caracteriza, a meu ver, ameaça."
 

Por essa lógica, o aplicável seria o percentual de 25% sobre a pena de 22 anos e 3 meses, resultante dos crimes de golpe, abolição e organização criminosa. A isso se somaria o percentual de 16% relativo ao crime de deterioração sob a pena de 2 anos e 6 meses.
 

Convertendo em dias, 22 anos e 3 meses equivalem a 8.120 dias. Aplicando 25%, chega-se a cerca de 5 anos e 7 meses. Sobre a pena de deterioração, 16% corresponde a pouco menos de 5 meses adicionais.
 

Essa interpretação desconsidera a condenação pelo crime de dano qualificado, cuja pena foi de 2 anos e 6 meses de detenção, por esta pena não admitir o regime inicial fechado.
 

Sem o crime de dano qualificado na conta, o total chega a 6 anos. Com ele, ou seja, adicionando um percentual de 25% (por causa da qualificadora de violência) sobre os 2 anos e 6 meses, daria perto de 6 anos e 7 meses.
 

A progressão de regime ainda depende de fatores como bom comportamento e remição -redução da pena por meio de trabalho ou estudo-, o que pode antecipar a passagem para um regime mais brando.
 

Ex-diretor da Abin e deputado federal, Alexandre Ramagem é condenado a 16 anos pelo STF e perde mandato

  • Por Leonardo Almeida
  • 12 Set 2025
  • 16:47h

Foto: Tomaz Silva / EBC

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), o deputado federal Alexandre Ramagem (PL), foi condenado a cumprir 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (11). 

 

No julgamento de Ramagem, os ministros também formaram maioria para a perda do mandato de Ramagem na Câmara dos Deputados. Na condenação, não foi estabelecida multa.

 

A pena inicial sugerida pelo ministro relator, Alexandre de Moraes, foi de 17 anos de reclusão. Todavia, a ministra Carmen Lucia propôs que a pena fosse de 16 anos, 1 mês e 15 dias, o que foi acatado pelo relator e acompanhado por Flávio Dino e Cristiano Zanin.

 

Ramagem foi o último condenado pelo STF em julgamento da trama golpista nesta quinta.

 

Confira as penas:
Jair Bolsonaro: 27 anos e três meses
Mauro Cid: 2 anos
Braga Netto: 26 anos
Anderson Torres: 24 anos
Almir Garnier: 24 anos
Augusto Heleno: 21 anos
Paulo Sérgio Nogueira: 19 anos
Alexandre Ramagem: 16 anos, 1 mês e 15 dias.

 

Marco Rubio critica STF e ameaça resposta dos EUA à prisão de Bolsonaro: "Responderemos a caça às bruxas"

  • Bahia Notícias
  • 12 Set 2025
  • 14:21h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio que Washington dará uma resposta "adequada" ao que classificou como "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração veio após o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Bolsonaro por cinco crimes diferentes, entre eles, tentativa de golpe de Estado.

 

Em publicação no X (antigo Twitter), Rubio atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de "violador de direitos humanos sancionado".

 

"As perseguições políticas pelo violador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam, enquanto ele e outros membros do Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro", escreveu o chefe da diplomacia norte-americana.

 

Na sequência, acrescentou: "Os Estados Unidos responderão adequadamente a esta caça às bruxas".

 

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter ficado surpreso com a decisão do STF que condenou Jair Bolsonaro pela acusação de tentativa de golpe de Estado. 

 

Ao ser questionado por jornalistas ao deixar a Casa Branca, o republicano não comentou sobre a possibilidade de aplicar novas sanções a autoridades brasileiras, mas estabeleceu um paralelo entre o caso brasileiro e os processos judiciais que ele próprio enfrentou.

 

"Eu assisti ao julgamento. Eu o conheço bem. Como líder estrangeiro, achei que ele foi um bom presidente. É muito surpreendente que isso tenha acontecido. É muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram de jeito nenhum. Mas só posso dizer o seguinte: eu o conheci como presidente do Brasil. Ele era um homem bom, e não vejo isso acontecendo", declarou Trump.

Itamaraty rebate Rubio e diz que ameaças dos EUA não intimidarão Brasil: “Continuamos a defender a soberania”

  • Bahia Notícias
  • 12 Set 2025
  • 12:17h

Foto: Marcelo Camargo / EBC

O Itamaraty respondeu as ameaças do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que prometeu reagir a “caças às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Brasil. Em nota emitida nesta quinta-feira (11), a pasta afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) deu resposta ao golpismo ao condenar Bolsonaro em julgamento.

 

"O Poder Judiciário brasileiro julgou, com a independência que lhe assegura a Constituição de 1988, os primeiros acusados pela frustrada tentativa de golpe de Estado, que tiveram amplo direito de defesa. As instituições democráticas brasileiras deram sua resposta ao golpismo. Continuaremos a defender a soberania do País de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem", diz a nota do Itamaraty.

 

"Ameaças como a feita hoje pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em manifestação que ataca autoridade brasileira e ignora os fatos e as contundentes provas dos autos, não intimidarão a nossa democracia", completa

 

A Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, sob acusação de liderar uma trama para permanecer no poder.

 

Após a condenação, Marco Rubio disse que Washington dará uma resposta "adequada" ao que classificou como "caça às bruxas" contra Bolsonaro. 
 

 

Em publicação no X (antigo Twitter), Rubio atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de "violador de direitos humanos sancionado".

 

"As perseguições políticas pelo violador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam, enquanto ele e outros membros do Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro", escreveu o chefe da diplomacia norte-americana.

 

Na sequência, acrescentou: "Os Estados Unidos responderão adequadamente a esta caça às bruxas".

Eduardo Bolsonaro afirma que EUA pode enviar caças e navios de guerra ao Brasil em cenário futuro

  • Bahia Notícias
  • 12 Set 2025
  • 10:15h

Foto: Reprodução / YouTube / Metrópoles

No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) declarou que os Estados Unidos poderiam, no futuro, enviar “caças F-35 e navios de guerra ao Brasil”.

A afirmação foi feita em entrevista a uma coluna do site Metrópoles, em resposta a comentários da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavit. Ao se referir ao julgamento de Jair Bolsonaro, Leavit disse que Donald Trump “não tem medo de usar meios militares para proteger liberdade de expressão”.

Questionado sobre a hipótese de uma intervenção norte-americana no Brasil, Eduardo Bolsonaro afirmou: "Acho que nesse momento não. Mas se o regime brasileiro for consolidado e tiver uma evolução igual à da Venezuela, com eleições que não são nada transparentes, sem a ampla participação da oposição, regado a censura e prisões políticas, no Brasil pode perfeitamente no futuro ser necessária a vinda de caças F-35 e de navios de guerra, porque é o atual estágio da Venezuela".

O parlamentar acrescentou: "E você não consegue consertar mais aquilo com remédios diplomáticos como as sanções. Então poderia ser um uso para o futuro. Acho que a porta-voz da Casa Brana, Karoline Lavit, foi muito feliz falando isso porque demonstra a disposição do governo Trump em defender as pautas da liberdade. Eu acho que se as autoridades brasileiras tiverem juízo, elas vão prestar muita atenção nesse discurso".

Vigília pós-condenação em condomínio de Bolsonaro tem pedido por 'milagre' e provocação de petistas

  • Por Marianna Holanda | Folhapress
  • 12 Set 2025
  • 08:11h

Foto: Reprodução / YouTube

Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) se reuniram em uma vigília em frente ao condomínio do ex-presidente após a sua condenação no STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e três meses de prisão.
 

Os discursos criticavam o ministro Alexandre de Moraes, do STF, clamavam por Bolsonaro candidato à Presidência em 2026 e pediam por proteção à família do ex-presidente.
 

"Começa a vir a dúvida, começa a ter preocupação. E agora, Jesus, quem Bolsonaro vai indicar [à Presidência]? Sabem qual a resposta?", questionou Eduardo Torres, irmão de Michelle Bolsonaro, em cima do carro de som.
 

Os cerca de 40 apoiadores que se reuniam no terreno descampado em frente ao condomínio Solar de Brasília gritavam "Bolsonaro". "E se tudo der errado, quem é candidato?", a que respondiam mais uma vez o nome do ex-presidente em coro.
 

"O candidato será Jair Messias Bolsonaro. O milagre nem começou, mas viveremos esse milagre", concluiu Torres.
 

O carro de som também teve oração de pastores e fala do líder do PL na Câmara e também pastor, Sóstenes Cavalcante (RJ). Uma faixa com os dizeres "Volta Bolsonaro" e uma bandeira do Brasil estavam penduradas no veículo.
 

Um Bolsonaro de papelão em tamanho real foi colocado em frente ao carro de som.
 

Apoiadores de diferentes idades ajoelhavam e oravam, embrulhados em bandeiras do Brasil ou de Israel. Por vezes, foram interrompidos por carros de pessoas críticas ao ex-presidente, que passavam aos gritos de "cadeia" e buzinavam. Alguns chegavam a entrar no estacionamento de terra onde estava o carro de som para provocar os bolsonaristas.
 

"Estou aqui hoje para agradecer a Deus, por vocês estarem aqui no nono dia de oração pelo presidente Bolsonaro por sua família pelos demais réus que hoje foram condenados com ele, bem como estamos orando por todos os outros patriotas que ao longo dos últimos meses estão sendo condenados por pura perseguição política", disse Sóstenes.
 

"Neste país, quem é conservador, quem luta por Deus, pátria, família e liberdade está sendo perseguido por um homem... E aqui, como estou entre irmãos de Cristo, vou usar linguagem de evangélicos que sou, por um ministro da Suprema Corte endemoniado, isso que é ministro Alexandre de Moraes, principados das trevas ocuparam seu coração cheio de ódio para perseguição", completou.

Fux minimiza golpismo ao tratá-lo como 'rudes acusações' e 'choro de perdedor', dizem especialistas

  • Por Ana Gabriela Oliveira Lima | Folhapress
  • 11 Set 2025
  • 16:02h

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

"Desabafo", "choro de perdedor", "rudes acusações", "declarações inflamadas" e "bravatas". Foram essas algumas das palavras usadas pelo ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), para se referir às atitudes de Jair Bolsonaro (PL) e aliados que levaram o ex-presidente ao banco dos réus por tentativa de golpe.
 

O ministro votou pela absolvição de todos os crimes imputados ao ex-presidente. Ele entendeu não haver provas de que o político tenha praticado atos de execução do golpe. Com a divergência, Bolsonaro tem 2 votos a 1 pela condenação. Votaram a favor de penalizar o ex-presidente os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
 

Para especialistas ouvidos pela Folha, a perspectiva adotada pelo ministro minimiza o cenário golpista, em um voto longo que trouxe divergências sobre a interpretação da PGR (Procuradoria-Geral da República).
 

O ministro permeou nesta quarta-feira (10) seu voto com fala sobre a necessidade de que os atos praticados pelos réus precisam se enquadrar na letra fria da lei como "mão que calça a luva". Ele disse que o ex-presidente não cometeu crimes contra o Estado ao discutir minutas golpistas com os chefes das Forças Armadas.
 

Ao mesmo tempo, descartou relação do político com o 8 de Janeiro e disse que não é possível responsabilizar suas falas pela violência de terceiros.
 

Fux classificou declarações de Bolsonaro como "choro de perdedor" e afirmou que o desabafo de candidatos derrotados nas eleições não pode ser entendido como ataque ao Estado democrático de Direito.
 

"Deve ser rejeitada, sim, a interpretação ampliativa desse novel tipo penal para abranger condutas que configurem mera irresignação do resultado eleitoral, sem capacidade ou dolo de arruinar as multifacetadas instituições que garantam o governo democrático do país", afirmou.
 

"Obviamente, o legislador não teve intenção de amesquinhar o direito penal. Quanto mais para criminalizar o funcionamento corriqueiro dos órgãos políticos ou desabafo de candidatos derrotados a cargos públicos, comumente chamado de 'choro de perdedor'", disse.
 

Para Juliana Izar Segalla, professora de direito da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), toda a fala de Fux tentou minimizar a tentativa de golpe.
 

"Inclusive a esdrúxula afirmação de que jamais poder-se-ia cogitar do artigo 359-M [golpe de Estado], por ausência de deposição de governo legitimamente constituído", afirma ela.
 

Segundo a especialista, o posicionamento do ministro chama a atenção, "porque o tipo penal do artigo descreve a própria tentativa como crime. Se o golpe tivesse se consumado, não haveria esse julgamento", diz.
 

Segalla destaca entender que o ministro agiu incoerentemente com sua tradição mais punitivista. Para ela, as expressões do ministro sobre "desabafo" e "choro de perdedor" podem ter como objetivo normalizar ações e reações dos réus, minimizando a seriedade do que chama de clara tentativa de golpe. Ela diz imaginar, porém, que tais falas não vão, juridicamente, trazer impacto para o julgamento.
 

Para Diego Nunes, professor de direito da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Fux adotou no voto uma interpretação excessivamente restritiva, em que não aceita a possibilidade de autogolpe (ou seja, de Bolsonaro tentar permanecer ou retornar por meios ilícitos ao poder).
 

Nunes também interpreta que Fux entendeu que a "minuta de golpe" seria um ato inidôneo, ou seja, incapaz de ameaçar o Estado democrático. "A questão é que a minuta não é um texto solto, mas uma proposta apresentada e discutida por vários dos réus", diz o especialista.
 

"A partir das provas do processo, a meu ver essas falas do ministro minimizam o poder de ação e influência que um presidente no cargo -e que depois de sair continua a ser um líder político de peso- possa ter sobre o seu entorno e sobre os seus apoiadores em geral", diz Nunes.
 

Para Danilo Pereira Lima, professor de direito constitucional do Centro Universitário Claretiano e doutor em direito público pela Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), o voto de Fux minimizou o conjunto probatório apresentado pela PGR.
 

Ele entende que, com isso, o "ministro Fux deu sua colaboração para que movimentos políticos golpistas continuem a realizar seus ataques contra as instituições democráticas. O voto foi tão contraditório que o ministro seguiu com a condenação do ajudante de ordens [Mauro Cid], mas poupou o responsável pelas ordens golpistas, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro", afirma Lima.

Fundador da Oracle, Larry Ellison se torna pessoa mais rica do mundo e ultrapassa Elon Musk após ações dispararem

  • Bahia Notícias
  • 11 Set 2025
  • 14:28h

Foto: Oracle via oracle.com

O fundador da multinacional Oracle Corporation, Larry Ellison, se tornou a pessoa mais rica do mundo ao ultrapassar Elon Musk nesta quarta-feira (10). A fortuna do empresário registrou um salto após as ações da ações da Oracle dispararem mais de um terço, impulsionadas pelo boom da inteligência artificial. A participação de Ellison na empresa de software, cerca de 41%, disparou para um valor de mais de US$ 397 bilhões (R$ 2,14 trilhões).

 

Isso superou o patrimônio líquido total de Musk de aproximadamente US$ 384 bilhões (R$ 2,07 trilhões), de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.

 

A CEO da Oracle, Safra Catz, celebrou um "trimestre surpreendente" nos resultados trimestrais divulgados na terça-feira (9) à noite, que incluíram o grupo assinando "quatro contratos de vários bilhões de dólares com três clientes diferentes" nos três meses até o final de agosto.

 

Segundo a Folha de São Paulo, esses acordos ajudaram a elevar as reservas da Oracle, que se refletirão em receitas futuras, para US$ 455 bilhões no trimestre (R$ 2,46 trilhões), superando as expectativas dos analistas e acima dos US$ 138 bilhões do período anterior (R$ 746 bilhões).

 

O salto na riqueza de Ellison ocorre enquanto o negócio mais valioso de Musk, a Tesla, está enfrentando dificuldades em meio a uma reação negativa dos consumidores sobre o envolvimento do bilionário com a administração Trump e preocupações dos investidores sobre o cancelamento de iniciativas de veículos elétricos pelo presidente.

 

O preço das ações da Tesla caiu um quarto desde dezembro. A participação de 16% de Musk na empresa vale atualmente cerca de US$ 187 bilhões (R$ 1 trilhão).

 

A Oracle, que demorou a direcionar seu negócio para serviços de computação em nuvem, beneficiou-se de um aumento na demanda por infraestrutura de data center de startups de IA e outros grandes grupos de tecnologia.

 

Antes do aumento de 42% na quarta-feira para US$ 344 (R$ 1.861), o preço das ações da Oracle já havia subido mais de 40% este ano. Seu valor de mercado aumentou de US$ 678 bilhões (R$ 3,66 trilhões) para US$ 967 bilhões (R$ 5,2 trilhões) no início das negociações na quarta-feira.

 

Em uma teleconferência com investidores na terça-feira, Catz disse que a Oracle havia assinado "contratos significativos de nuvem com um quem é quem da IA, incluindo OpenAI, xAI, Meta, Nvidia, AMD e muitos outros".

 

A receita de seu negócio de infraestrutura saltaria de US$ 18 bilhões (R$ 97,3 bilhões) neste ano para US$ 144 bilhões (R$ 779 bilhões) em cinco anos, ela previu. A previsão foi quase 60% superior aos US$ 91 bilhões (R$ 492,3 bilhões) esperados por Wall Street.

 

Em comparação, a receita da Amazon Web Services, a maior empresa de nuvem, ultrapassou US$ 107 bilhões (R$ 579 bilhões) em seu último ano completo.

Com voto favorável de Luiz Fux, STF forma maioria para condenar Braga Netto por trama golpista e plano de assassinato

  • Por Leonardo Almeida/Bahia Notícias
  • 11 Set 2025
  • 12:25h

Foto: Fernando Frazão / EBC

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, votou pela condenação do ex-ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, pelo crime de abolição do Estado Democrático de Direito. Com o voto desta quarta-feira (10), o STF garante maioria na Primeira Turma para condenar o militar.

 

Segundo o ministro, Braga Netto participou de um plano que previa o assassinato do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação. “O réu Braga Netto, em unidade com Rafael Martins de Oliveira e Mauro César Barbosa Cid, planejou e financiou o início da execução de atos destinados a ceifar a vida do relator dessa ação penal, o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.

 

Fux também votou pela condenação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid pelo mesmo crime, consolidando maioria contra ele. No entanto, divergiu em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, para quem votou pela absolvição em todas as acusações.

 

Fux foi o terceiro a se manifestar no julgamento. Na véspera, Alexandre de Moraes e Flávio Dino haviam votado pela condenação de Bolsonaro e de outros sete réus. Ainda restam os votos das ministras Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, com expectativa de conclusão até sexta-feira (12).

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Braga Netto de integrar o núcleo central da organização que planejava um golpe de Estado, com influência política e militar. Como prova, cita documentos como a chamada “Operação 142”, apreendida em sua assessoria, que previa ofensivas contra o STF e decretos de exceção para impedir a posse de Lula.

 

A defesa do general nega as acusações e sustenta que a delação de Mauro Cid, considerada “mentirosa”, é a principal base da denúncia. Os advogados afirmam que não há provas materiais de que Braga Netto tenha financiado ações golpistas ou participado dos ataques de 8 de janeiro, atribuindo as acusações a disputas internas nas Forças Armadas.

Cientistas brasileiros criam medicamentos com proteínas da placenta para pessoas tetraplégicas

  • Bahia Notícias
  • 11 Set 2025
  • 10:22h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

Uma equipe de brasileiros descobriu que é possível reverter parte da mobilidade prejudicada por uma lesão na medula espinhal com uma proteína presente na placenta, a laminina. O tratamento está em fase experimental, mas já conseguiu mostrar eficácia.

 

O bancário Bruno Drummond de Freitas e outros participantes do estudo receberam um medicamento, polilaminina, criado a partir da proteína laminina. O bancário conseguiu ter a recuperação completa dos movimentos, após realizar o tratamento 24 após um acidente de carro que lesionou parte da medula espinhal. 

 

“No início, os médicos disseram que eu ficaria em cadeira de rodas para o resto da vida. Depois, que talvez conseguisse andar com muletas. Mas eu nunca perdi a esperança. Um dia, ainda no hospital, mexi o dedão do pé e aquilo foi um choque para todo mundo. A cada semana, eu evoluía mais”, relembra ele. 

 

A pesquisa foi liderada pela professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, e acabou contando com outros pesquisadores e especialistas. 

Copa do Mundo de 2026: Entenda o formato da repescagem na corrida pelas últimas vagas

  • Por Thiago Tolentino/Bahia Notícias
  • 11 Set 2025
  • 08:17h

Foto: Divulgação/FIFA

A Copa do Mundo de 2026 já tem contornos definidos. Com sede tripla inédita — Estados Unidos, México e Canadá —, o torneio será o primeiro da história com 48 seleções participantes, abandonando o tradicional formato com 32 equipes. Até o momento, 18 seleções já carimbaram o passaporte para o Mundial, mas ainda restam caminhos em aberto. Entre eles, o mais dramático: a repescagem internacional.

 

Duas das 48 vagas sairão da repescagem, espécie de “torneio mundial” entre continentes. A disputa contará com seis seleções: uma de cada confederação, com exceção da Uefa, que não participa, e da Concacaf, que terá direito a duas vagas por sediar a competição.

 

Até agora, já estão confirmados:

  • Oceania: Nova Caledônia
  • América do Sul: Bolívia
  • América do Norte e Central: 2 seleções ainda a definir
  • Ásia: 1 seleção ainda a definir
  • África: 1 seleção ainda a definir

 

COMO VAI FUNCIONAR?
O playoff será disputado em março de 2026, em cidades dos países-sede, o que servirá também como evento-teste para a Copa. Na primeira fase: quatro equipes sorteadas se enfrentam em dois jogos eliminatórios; na segunda fase: os vencedores encaram as duas seleções mais bem ranqueadas no ranking da Fifa entre as participantes e na última fase: apenas duas seleções garantem vaga no Mundial.

 

Serão, ao todo, quatro partidas com clima de decisão. O formato é novidade. Até a edição de 2022, no Catar, a repescagem era composta por confrontos diretos entre confederações — América do Sul contra Ásia, África contra Oceania. Na Europa, um sistema à parte reunia 12 seleções em três chaves, das quais três equipes avançavam. Agora, com a ampliação do Mundial, a Fifa padronizou a fórmula global.


Enquanto isso, a lista de classificados para a Copa já chegou em 18 Seleções. Veja a lista abaixo:

  • África (CAF): Marrocos e Tunísia (7 vagas diretas ainda em disputa)
  • Ásia (AFC): Austrália, Irã, Japão, Jordânia, Coreia do Sul e Uzbequistão (2 vagas restantes)
  • América do Norte (Concacaf): Canadá, México e Estados Unidos (3 vagas a definir)
  • América do Sul (Conmebol): Argentina, Brasil, Equador, Colômbia, Paraguai e Uruguai (sem vagas restantes)
  • Europa (Uefa): ainda sem classificados (16 vagas diretas em jogo)
  • Oceania (OFC): Nova Zelândia (vaga única definida)

 

A cerimônia de abertura está marcada para 11 de junho de 2026, e a grande final acontece em 19 de julho. Antes disso, em 5 de dezembro de 2025, o sorteio dos grupos revelará o caminho de cada seleção. Até lá, a repescagem seguirá como a última chance de sonho para equipes que ainda buscam o palco maior do futebol mundial.

Com quedas de preços em alimentação, habitação e transportes, mês de agosto registra deflação de -0,11%

  • Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
  • 10 Set 2025
  • 16:34h

Foto: Vitor Vasconcelos / SECOM-PR

Graças a quedas acentuadas de preços nos setores de Habitação, Alimentação e Transportes, a inflação brasileira registrou deflação no mês de agosto, com resultado negativo de -0,11%. Foi o que revelou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (10). 

 

A deflação registrada pelo IBGE em agosto ficou 0,37 ponto percentual abaixo da taxa de 0,26% de julho. E o resultado de -0,11% é o primeiro índice negativo desde agosto de 2024 (-0,02%), além de ter sido o mais intenso desde setembro de 2022 (-0,29%). 

 

No ano, o IPCA acumula alta de 3,15%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice ficou em 5,13%, abaixo dos 5,23% dos 12 meses imediatamente anteriores. 

 

A variação e o impacto negativo mais intensos vieram do grupo Habitação (-0,90% e -0,14 p.p.), devido à queda na energia elétrica residencial (-4,21%), subitem que exerceu o impacto mais intenso no índice (-0,17 p.p.). 

 

Também tiveram quedas em agosto o grupo Alimentação e bebidas (-0,46% e -0,10 p.p.) e Transportes (-0,27% e -0,06 p.p.), que exercem maior peso na composição do IPCA juntamente com Habitação.

 

Além deles, Comunicação e Artigos de residência também tiveram deflação (ambos com -0,09% de variação) e os demais grupos registraram variações e impactos positivos:  Educação (0,75%), Saúde e cuidados pessoais (0,54%), Vestuário (0,72%) e Despesas pessoais (0,40%).

 

Habitação saiu de um aumento de 0,91% em julho para uma queda de 0,90% em agosto. Essa queda, segundo o IBGE, configurou o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real. 

 

O grupo foi influenciado pela energia elétrica (-4,21% e -0,17 p.p.), com queda em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu, apesar de estar em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 na conta e luz a cada 100 Kwh consumidos. 

 

Já o grupo Alimentação e bebidas (-0,46%), de maior peso no índice, teve deflação pelo terceiro mês consecutivo (-0,18% em junho e -0,27 em julho). A queda de agosto foi influenciada pela alimentação no domicílio, com -0,83%, após redução de 0,69% em julho. 

 

O IBGE destaca as reduções de preços no tomate (-13,39%), batata-inglesa (-8,59%), cebola (-8,69%), arroz (-2,61%) e café moído (-2,17%). Já a alimentação fora do domicílio desacelerou na passagem de julho (0,87%) para agosto (0,50%). 

 

Transportes saiu de 0,35% em julho para -0,27% em agosto. O resultado reflete a queda nas passagens aéreas (-2,44%) e nos combustíveis (-0,89%). 

 

Pelo lado das altas, o grupo Educação variou 0,75% em agosto com a incorporação de reajustes nos cursos regulares (0,80%), principalmente por conta dos subitens ensino superior (1,26%) e ensino fundamental (0,65%). A alta dos cursos diversos (0,91%) foi influenciada pelos cursos de idiomas (1,87%).

 

No Vestuário (0,72%), destacam-se as altas na roupa masculina (0,93%) e nos calçados e acessórios (0,69%). Em Saúde e cuidados pessoais (0,54%), sobressaem as altas nos itens de higiene pessoal (0,80%) e no plano de saúde (0,50%).

 

Quanto aos índices regionais, a cidade de Vitória (ES) apresentou a maior variação (0,23%) por conta da energia elétrica residencial (7,02%) e da taxa de água e esgoto (4,64%). A menor variação (-0,40%) foi registrada em Goiânia e Porto Alegre, devido às quedas na energia elétrica residencial (-7,77% e -6,68%) e na gasolina (-2,20% e -2,69%).

 

Em Salvador, depois de já ter registrado 0,02% em julho, houve nova queda no índice e a capital baiana verificou deflação de -0,08% em agosto. No ano, a inflação em Salvador está em 2,94% (abaixo da média nacional de 3,15%), e no acumulado dos últimos 12 meses, a capital da Bahia registra 4,94% (também abaixo do total para o país, que é de 5,13%). 
 

Esposa de ex-primeiro-ministro é queimada viva em protestos no Nepal; país enfrenta mortes, renúncia de premiê e ataques

  • Bahia Notícias
  • 10 Set 2025
  • 14:20h

Foto: Reprodução / Redes sociais/Bahia Notícias

O Nepal vive a pior onda de protestos em décadas. Pelo segundo dia consecutivo, nesta terça-feira (9), manifestações violentas deixaram um rastro de destruição, mortes e ataques contra autoridades do país.

 

Entre os episódios mais graves está a morte de Rajyalaxmi Chitrakar, esposa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal. Ela morreu após ser queimada viva após a residência da família ser incendiada por manifestantes. Outros líderes políticos também foram feridos, incluindo ex-chefes de governo.

 

Vídeos gravados por manifestantes mostram a invasão à casa da ministra das Relações Exteriores, Arzu Rana Deuba, que foi agredida com chutes e socos. Seu marido, o também ex-primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba, aparece nas imagens com a camisa rasgada e o rosto ensanguentado enquanto era carregado por apoiadores. Residências de outras autoridades, como a do então premiê KP Sharma Oli, também foram alvo de vandalismo.

A violência tomou conta da capital, Catmandu, desde a segunda-feira (8), quando confrontos em frente ao Parlamento resultaram em pelo menos 19 mortos e mais de 100 feridos. Manifestantes desafiaram o toque de recolher e enfrentaram a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Oli acabou renunciando ao cargo pressionado pelos protestos.

 

O estopim da revolta foi a proibição temporária de redes sociais, como Facebook e Instagram, medida justificada pelo governo como forma de conter crimes virtuais, notícias falsas e discursos de ódio. A decisão, no entanto, gerou forte indignação popular. Jovens saíram às ruas com o slogan “Bloqueiem a corrupção, não as redes sociais”.

 

Os protestos expõem a instabilidade política e econômica do país, localizado entre Índia e China, que já enfrenta dificuldades desde a abolição da monarquia em 2008. A juventude nepalesa, marcada pela falta de oportunidades de trabalho, tem sido a principal força das mobilizações — muitos sobrevivem com empregos precários no exterior, enviando recursos para suas famílias no Nepal.

Assassinato brutal de ucraniana nos EUA vira munição política para Trump

  • Bahia Notícias
  • 10 Set 2025
  • 12:17h

Foto: Reprodução / Redes Sociais

O assassinato de Iryna Zarutska, 23, refugiada ucraniana morta a facadas em Charlotte, na Carolina do Norte, ganhou repercussão nacional após a divulgação, na sexta-feira (5), das imagens do ataque. O caso rapidamente se transformou em combustível para Donald Trump e seus aliados, que passaram a usá-lo como exemplo da "carnificina americana" -expressão adotada pelo republicano para descrever a situação da segurança pública no país, apesar de os índices de criminalidade estarem em queda.
 

O vídeo de segurança mostra Zarutska, com o uniforma da pizzaria em que trabalhava, sentada em um trem no fim de agosto. Ela está olhando para o celular quando, de repente, um homem sentado atrás dela se levanta, segurando uma faca na mão direita. Naquele momento, segundo a polícia, ele esfaqueou e matou Zarutska, no que pareceu ser um ataque aleatório e sem motivo aparente.
 

A polícia prendeu Decarlos Brown Jr. logo depois, acusando-o de homicídio doloso. O Departamento de Justiça americano formalizou nesta terça (9) acusações contra ele. O homem de 34 anos agora enfrenta uma acusação federal, após já ter sido preso sob a acusação estadual de homicídio em primeiro grau. Embora as acusações estaduais e federais possam resultar em penas de morte, o estado da Carolina do Norte não executa um detento desde 2006, enquanto o governo federal realizou execuções até 2021.
 

Embora Charlotte registre queda de 8% na criminalidade geral e de 25% nos crimes violentos no primeiro semestre deste ano, o caso se encaixa no padrão em que conservadores destacam crimes brutais para reforçar a narrativa de que o país vive uma onda de violência e que as grandes cidades e a mídia falham em enfrentá-la.
 

No sábado, o deputado Mark Harris, republicano que representa partes de Charlotte, chamou o ataque de "um microcosmo de uma epidemia nacional". Nesta segunda (8), a Casa Branca chamou Brown, que segundo as autoridades é sem-teto e tem problemas mentais, de "monstro perturbado" com uma "longa ficha criminal", culpando os democratas locais pelo assassinato e acusando-os de serem brandos com o crime.
 

"É o culminar dos políticos, promotores e juízes democratas da Carolina do Norte priorizando agendas woke que falham em proteger seus cidadãos quando eles mais precisam", disse o comunicado da Casa Branca.
 

Trump condenou o esfaqueamento e estabeleceu uma conexão entre o assassinato e suas ameaças de enviar agentes federais e tropas da Guarda Nacional para Chicago e outras cidades governadas pelos democratas. "Quando você tem assassinatos horríveis, você tem que tomar ações horríveis", disse o presidente republicano, antes de se referir especificamente a Chicago, que ele tem atacado em discursos e nas redes sociais há semanas.
 

No ano passado, os conservadores usaram o assassinato de uma estudante de enfermagem na Geórgia, Laken Riley, por um imigrante venezuelano que havia entrado ilegalmente no país para alimentar o medo sobre o crime cometido por imigrantes. Enquanto alguns na esquerda apontam dados que mostram que os imigrantes são menos propensos a cometer crimes do que os americanos nativos, alguns conservadores argumentam que qualquer crime cometido por alguém que está ilegalmente no país poderia ter sido evitado com uma aplicação rigorosa das leis de imigração.
 

Trump destacou repetidamente o assassinato de Riley ao argumentar que as políticas de fronteira de seu antecessor, Joe Biden, tornaram o país menos seguro. Após o assassinato desta sexta, os críticos de Trump temem que ele use a morte de Zarutska para justificar o envio de tropas federais às cidades dos EUA, como fez em Washington, apesar de as estatísticas mostrarem uma queda nos crimes violentos em todo o país.
 

"Os aliados Maga de Trump estão tentando usar o trágico assassinato de uma funcionária em Charlotte, Carolina do Norte, para justificar sua ocupação ilegal das cidades dos EUA", escreveu o reverendo William Barber, o mais proeminente líder afro-americano dos direitos civis do estado, em uma mensagem de texto.
 

Brown, 34, tem um histórico conturbado: ele foi preso 14 vezes nos últimos 12 anos, de acordo com o Departamento do Xerife do Condado de Mecklenberg, onde fica Charlotte, incluindo acusações de assalto à mão armada, furto em lojas e danos à propriedade privada.
 

Em agosto de 2014, ele foi preso após apontar uma arma contra um homem e roubar-lhe US$ 450, um celular e moeda hondurenha, segundo documentos judiciais. Ele se declarou culpado de roubo com arma perigosa e cumpriu a pena mínima de seis anos e um mês.
 

Após sua libertação em setembro de 2020, Brown ficou um ano sob supervisão. Um porta-voz do Departamento de Correção de Adultos da Carolina do Norte se recusou a comentar mais sobre o caso, citando registros confidenciais da prisão.
 

A moradia e o estado mental de Brown parecem ter se tornado cada vez mais instáveis nos últimos meses. Em janeiro, quando a polícia realizou uma verificação de bem-estar, ele disse aos policiais que alguém lhe havia dado "um material artificial que controlava quando ele comia, andava, falava", de acordo com registros judiciais. Brown ficou chateado quando os policiais lhe disseram que não podiam fazer nada a respeito e ligou para o 911 [serviço de emergência americano].
 

Ele foi então acusado de uso indevido do 911. Brown foi libertado dias depois, com a magistrada Teresa Stokes concordando em libertá-lo sob a condição de que ele assinasse uma promessa por escrito de comparecer a futuras audiências. Nos documentos, "natureza e circunstâncias da ofensa" estão marcadas como um fato que apoiou as condições de libertação.
 

As tentativas de entrar em contato com Stokes não tiveram sucesso. A mãe de Brown, Michelle Ann Dewitt, disse em uma breve entrevista nesta segunda que, pouco depois de seu filho ser libertado da prisão em 2020, ele foi diagnosticado com esquizofrenia e começou a agir de forma "agressiva em casa". Ela acrescentou que acreditava que seu filho, que ela deixou em um abrigo para sem-teto dias antes do assassinato, não deveria ter sido deixado na comunidade após sua prisão em janeiro.
 

Agora acusado de homicídio doloso, Brown está novamente sob custódia. Um juiz ordenou uma avaliação de acuidade mental, de acordo com um documento judicial.
 

As tentativas da reportagem de entrar em contato com a família de Zarutska não tiveram sucesso.
 

Em sua declaração nesta segunda, a Casa Branca concentrou a crítica nos democratas da Carolina do Norte, citando vários deles pelo nome por promoverem o que chamou de "agendas woke" em vez de combater o crime. Seus alvos incluíram o ex-governador Roy Cooper, que está concorrendo ao Senado dos Estados Unidos em uma eleição em 2026 que pode ajudar a determinar o controle da Câmara.
 

A Casa Branca observou que, como governador, Cooper havia estabelecido uma "Força-Tarefa para a Equidade Racial na Justiça Criminal" que recomendou programas de diversão, eliminando a fiança em dinheiro para muitos delitos menores e outras reformas após o assassinato de George Floyd em Minneapolis em 2020.
 

Em um comunicado emitido também na segunda, o gabinete de Cooper chamou o assassinato de "um ato desprezível de maldade" e defendeu suas políticas enquanto estava no cargo. "Roy Cooper sabe que os habitantes da Carolina do Norte precisam estar seguros em suas comunidades; ele passou sua carreira processando criminosos violentos e traficantes de drogas, aumentando as penas para violência contra as forças da lei e mantendo milhares de criminosos fora das ruas e atrás das grades", disse o comunicado.
 

A prefeita de Charlotte, Vi Lyles, tem enfrentado críticas de seus oponentes pelo que eles descreveram como uma resposta inadequada ao assassinato e às preocupações com a segurança em Charlotte.
 

Dias após o incidente, Lyles divulgou um comunicado oferecendo condolências à família de Zarutska e chamando-o de "uma situação trágica que lança luz sobre os problemas com as redes de segurança social relacionadas aos cuidados de saúde mental". Na segunda, em uma carta publicada nas redes sociais, a prefeita culpou "uma falha trágica dos tribunais e magistrados" e prometeu aumentar a segurança em torno do sistema de transporte público da cidade.