Tatuadores contam os segredos que escondem os estilos de tatuagens
- Aline Damázio
- 17 Mai 2015
- 15:09h

Tatuagem de Leão do estudante Caio Cézar (Foto: Divulgação)
A técnica aperfeiçoada cria inúmeros estilos, como um "carimbo" de cada tatuador. É essa identificação que faz com que chegue a ter fila de espera para quem quer ter a pele tatuada por nomes como o versátil Dologa, ou um desenho mais tradicional, como feito pelo tatuador Cacá, ou Dimak, ou até uma new school de Junior. Os futuros tatuados são tratados como telas de arte itinerante. Tatuador há 11 anos, Dologa, que tem um estúdio de tatuagem no bairro do Garcia, o Doga Tatoo, conta como o aperfeiçoamento da arte cria um público cada vez maior e que costuma retornar ao local para fazer novas "tatoos". Doga é um dos tatuadores que realizam o Flash Day neste domingo (17) para expor desenhos feitos pelos mais variados estilos. "Para desenvolvermos essas técnicas de tatuagem, optamos por não ter um catálogo. O cliente vem e conversa conosco sobre o que ele pensa em tatuar, e daí criamos um desenho exclusivo para ele. Preferimos fazer assim, logo a maioria das tatoos que fazemos é dessse modo. Não é só pelo dinheiro, apreciamos fazer trabalho autoral", revela. Respeitados pela aposta em novos estilos, os tatuadores de Salvador ganharam o mérito artístico, e hoje se destacam por terem passado da improvisação para a especialização em pouco tempop&g
Arte milenar praticada ao longo da história pelos indígenas, africanos e culturas orientais, a tatuagem sempre se renova. Ela migrou do underground para virar objeto de desejo de artistas, jogadores de futebol e milhares de anônimos que fazem questão de expor essa arte dos desenhos.
Em Salvador, houve uma especialização e segmentação de estilos. Ainda assim, segundo os próprios tatuadores, a versatilidade é pré-requisito para todos os profissionais de tatuagem.
Esquerdinha, que tatua há 25 anos, faz a conta de quantos tatuadores chegaram em seu estúdio, atualmente na Pituba, para aprender as técnicas de tatuar. "Mais de 10 tatuadores aprimoram a técnica acompanhando o meu dia a dia de tatuagem", revela.
Esquerdinha pertence a uma das primeiras gerações de tatuadores da Bahia, junto com Bhinga e Jodair. Ele conta como foi a evolução da profissão de tatuadores aqui em Salvador.
"Eu comecei a tatuar na casa de minha mãe, na Cidade Baixa. Eu mesmo soldava minhas agulhas e dava um jeito de utilizar agulha de costura. Há uns 20 anos, quem viajava tatuando utilizava bateria de carros de 12 watts para alimentar a máquina de tatuar, que na maioria dos casos também era feita ou adaptadas pelos tatuadores, pois aqui ainda não vendia esse tipo de material." conta.
Segundo o tatuador, a higienização e o aperfeiçoamento caminharam juntos a evolução da arte. "Para garantir a assepsia do procedimento, eu buscava informações com profissionais de saúde de como ferver as agulhas, como armazenar as pigmentações, uso de luvas. Ao mesmo tempo que fomos observando as características da pele, a cicatrização, as cores que melhor se adaptam a cada tipo de derme, além da questão de ser uma cidade que o sol é predominante, para orientarmos os nossos clientes", lembra o tatuador.
Para quem acha que tatuar é somente pegar uma máquina e sair riscando a pele dos voluntários, Esquerdinha alerta: "É necessário ter sensibilidade com a dor do cliente, perceber quando se dever 'pegar mais leve' para não machucar, ter uma certa leveza na mão, ter o conhecimento da inclinação da agulha para determinado traço, além dos movimentos diversos que se faz de acordo com cada risco que você quer reproduzir", explica Esquerdinha.
"Tem gente que aprecia arte em quadros, uma em escultura... Eu admiro arte na pele, por isso continuo tatuando com o mesma vontade de fazer sempre da melhor forma como se fosse o começo de minha carreira", conta.



















