- Bahia Notícias
- 26 Set 2025
- 14:42h
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que considera legítimo o debate sobre a redução das penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, mesmo após o PT ter fechado posição contra o Projeto de Lei da Dosimetria e a PEC da Blindagem.
Em entrevista ao Metrópoles nesta quinta-feira (25), Wagner declarou que respeita a posição da legenda, mas não vê a discussão “como uma afronta à democracia”.
“Não se trata de ceder ou não ceder. Trata-se de achar razoável ou não. Eu sempre digo que acho razoável porque, repare, é o Código Penal. No Código Penal está estabelecido o que é crime e possui pena para Golpe de Estado. Eu acho que o Congresso pode se debruçar sobre isso e dizer: está de menos, está demais, vamos aumentar ou reduzir. Eu não vejo nenhuma afronta nisso”, afirmou.
Segundo o senador, a revisão da dosimetria das penas é algo comum no processo legislativo. “O Código Penal é alterado o tempo todo”, acrescentou.
Wagner, no entanto, destacou que eventuais mudanças não devem beneficiar os mandantes dos atos contra a democracia.
“Nós vamos afrouxar um pouco a mão para o que eu chamo de massa de manobra, os ‘magrinhos’. E vamos concentrar o peso da punição naqueles que precisam ser mais severamente punidos. Quem financiou aquela baderna não fez pouca coisa. Depredaram o Palácio do Planalto. Aí não dá pra dizer que tudo bem, né?”, disse.
- Bahia Notícias
- 26 Set 2025
- 12:20h
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, respondeu, nesta quinta-feira (25) as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que disse que a taxa Selic "nem deveria estar em 15%". Segundo Galípolo, as declarações não foram vistas por ele de forma pejorativa e considera "um luxo" ter comentarios do ministro da Fazenda sobre política monetaria com grande "delicadeza, gentileza e educação".
"No caso específico das falas do meu amigo Fernando Haddad e estendo também ao querido Ceron, secretário do Tesouro, pessoalmente acho um luxo que tenhamos um ministro da Fazenda e um secretário do Tesouro fazendo comentários sobre política monetária com a delicadeza, gentileza e educação da forma que eles fizeram. É absolutamente legitimo que o ministro da Fazenda faça uma análise sobre o que o BC deveria fazer, assim como o mercado", declarou ele.
A taxa de juros atual é a maior desde julho de 2006 e o BC indicou que pretende manter assi por um periodo "bastante prolongado",
"O papel do BC é um pouco mais difícil do que de outras autarquias e secretarias, porque às vezes tem que desagradar um pouco. Nesse caso específico, mesmo com a Selic em 15%, praticamente se gabarita no livro-texto as condições de contorno para ter feito uma elevação 15% e manter a taxa de juros em uma condição contracionista", declarou ele.
O presidente do BC também falou sobre a minima histórica na taxa de desemprego, com renda na maxima histórica, assim como recordes em importações e viagens como termômetros de uma atividade aquecida.
"Se 5% não está em pleno emprego, não sei quando o Brasil esteve próximo do pleno emprego. É a taxa mais baixa da série histórica, com renda na máxima da série histórica. Com as viagens batendo recorde, de importações batendo recorde. Por onde você olhar, é difícil reunir condições de contorno, pela teoria econômica que você decidir se apoiar, que, em um cenário de inflação fora da meta e com o desemprego tão baixo, a reação da política monetária não deveria ser essa", disse ele.
- Por Leonardo Almeida/Bahia Notícias
- 26 Set 2025
- 10:36h
Foto: Arquivo / Agência Brasil
O estado da Bahia registrou 5.684 casos de crimes ambientais entre 2022 e março deste ano. Do acordo com levantamento da Fiquem Sabendo, agência especializada em jornalismo de dados, os crimes ambientais estiveram presentes em 395 de 417 municípios baianos durante o período, representando cerca de 94,7% das cidades do estado.
A capital baiana, Salvador, foi, de forma isolada, a região com mais delitos ambientais entre 2022 e 2025, registrando 368 casos. Em seguida aparece os municípios de Ilhéus (165), Formosa do Rio Preto (130) e Feira de Santana (114). Confira o top 10:
- SALVADOR: 368
- ILHÉUS: 165
- FORMOSA DO RIO PRETO: 130
- FEIRA DE SANTANA: 114
- VITÓRIA DA CONQUISTA: 113
- MUCURI: 103
- ENTRE RIOS: 103
- PORTO SEGURO: 91
- ALAGOINHAS: 88
- LUÍS EDUARDO MAGALHÃES: 88
- SÃO DESIDÉRIO: 87
- CAMAÇARI: 81
- JUAZEIRO: 72
- ITANAGRA: 71
- ESPLANADA: 67
Em todo o estado, foram contabilizados 23 diferentes tipos de crimes ambientais. O principal delito, representando 67,47% do total de casos, foi o incêndio, seja ele em florestas ou em outras localidades. Em termos numéricos, foram reportados 3.811 queimadas entre 2022 e 2025., foram reportados 3.811 queimadas entre 2022 e 2025.
Neste caso, o destaque de incêndios fica por Salvador, o qual registrou 339 casos durante o período. Um detalhe é que, no total, essa modalidade de crime ambiental foi reportada 378 municípios, conforme o levantamento da Fiquem Sabendo.
Além das queimadas, os delitos ambientais com números expressivos foram: desmatamento e destruição de florestas (695); caça e morte de animais da fauna (460); cortes de árvores (349); e extração de minerais em floresta (145).
Do total de crimes ambientais, 2.834 (49,85%) foram registrados na zona rural, enquanto 661 (11,62%) foram denunciados na região urbana. Outro destaque foram os delitos em via pública, que chegaram em 460 (8,1%) casos durante o período.
- Por Cézar Feitoza | Folhapress
- 26 Set 2025
- 08:29h
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
O ministro Luís Roberto Barroso deixa a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) na segunda-feira (29) após ter comandado a corte durante a primeira condenação de um ex-presidente por golpe de Estado na história do país.
A decisão foi o auge de um período conflituoso entre o magistrado, o STF e o bolsonarismo. Antes mesmo de assumir o principal cargo do Poder Judiciário, o ministro já era alvo constante de Jair Bolsonaro (PL). E declarações dadas pelo magistrado antes de assumir o comando do tribunal incendiaram a relação entre os apoiadores do ex-presidente e a corte.
Barroso, que será sucedido por Edson Fachin, não participou do julgamento da trama golpista, mas esteve na sessão que definiu as penas dos acusados de formar o núcleo central. "Acredito que nós estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional", discursou após a condenação.
"Desejo, muito sinceramente, que estejamos virando uma página da vida brasileira. E que possamos reconstruir relações, pacificar o país e trabalharmos por uma agenda comum, verdadeiramente patriótica. Com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade", completou.
Indicado ao STF por Dilma Rousseff em 2013, Barroso assumiu a presidência do Supremo dez anos depois, com discurso em defesa da unidade nacional. "A democracia venceu e precisamos trabalhar pela pacificação do país", disse em sua posse.
Meses antes, duas declarações dele se tornaram munição do bolsonarismo para questionar a isenção do ministro. Numa delas, em Nova York, o magistrado reagiu a apoiadores do ex-presidente que hostilizavam os integrantes do tribunal.
"Perdeu, mané, não amola", respondeu Barroso. A frase, proferida menos de um mês depois da derrota eleitoral de Bolsonaro para Lula, virou um mantra do bolsonarismo e acabou pichada por uma manifestante na estátua A Justiça, em frente ao Supremo, durante os ataques de 8 de Janeiro.
Em outro momento, Barroso discursava no 59º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), em julho de 2023, quando afirmou: "Nós derrotamos o bolsonarismo".
A declaração motivou um pedido de impeachment contra ele no Senado. De 2021 a julho deste ano, ele foi o segundo maior alvo de representações do tipo, atrás apenas de Moraes. O último apresentado por parlamentar é de autoria da deputada Caroline de Toni (PL-SC), com base também nessas declarações.
O ministro disse em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que a fala foi inoportuna.
"Foi uma frase infeliz. Primeiro que o 'nós' dava impressão de que foi o Supremo. Eu quis dizer que foi a sociedade brasileira. Isso foi logo depois da eleição. Segundo, nunca fui de fulanizar o debate, eu não gosto de fulanizar", disse. "Portanto, eu queria dizer o 'extremismo'."
O julgamento sobre a trama golpista levou o Supremo aos holofotes nos cenários interno e externo. O protagonismo natural do presidente do tribunal, porém, acabou ofuscado pela atuação do ministro Alexandre de Moraes -relator do processo e alvo preferencial do bolsonarismo.
Além disso, as ações penais sobre a tentativa de golpe ficaram restritas à Primeira Turma , o que reduziu as atenções e os temas sensíveis no plenário do tribunal.
Ainda assim, durante a gestão de Barroso, o Supremo sofreu dois dos mais marcantes ataques desde a redemocratização: um homem se explodiu em frente à sede do tribunal, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou sanções contra ministros da corte.
Francisco Wanderley Luiz morreu ao se deitar em um explosivo em frente ao STF, numa tentativa de ataque ao tribunal, em novembro de 2024. Os ministros estavam no plenário da corte em sessão quando o homem se aproximou.
O atentado ocorreu num momento em que Barroso tentava reabrir o Supremo ao público, com a retirada das grades que restringiam o acesso ao tribunal.
Em fevereiro de 2024, Barroso fez um ato com os presidentes dos demais Poderes para a retirada dos gradis em torno do edifício-sede. Na ocasião, ele disse ser um "gesto simbólico de normalidade democrática e de confiança na volta da civilidade das pessoas".
A partir da tentativa de atentado, o ministro voltou a reforçar os protocolos de segurança.
Ele também precisou buscar conciliação no Supremo diante das sanções impostas pelo governo Trump contra os ministros do tribunal, que incluiu revogação de vistos de oito ministros, inclusive o próprio Barroso, e a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes e sua esposa.
Foram do próprio Moraes, porém, as principais reações nesse caso. Ele que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro e manteve interlocução próxima com banqueiros para entender o alcance das restrições impostas pelo governo americano.
Barroso é o ministro que tem relações mais próximas com os Estados Unidos. Morou e estudou no país, onde tem imóvel, e é professor colaborador da Harvard Kennedy School. Por causa das restrições, aconselhou um de seus filhos a voltar ao Brasil e deixar o cargo que ocupava na BTG Pactual em Miami.
Internamente, o ministro consolidou as boas relações com Gilmar Mendes, um antigo desafeto com quem protagonizou os embates mais famosos da história da corte. A reaproximação havia começado na presidência de Bolsonaro, com a pandemia e os ataques ao STF.
O decano se tornou um apoio inclusive nas negociações políticas, já que é conhecido por sua habilidade na articulação com diversos setores, enquanto Barroso não tinha entrada fácil em gabinetes da direita no Congresso.
Os rumores de que o ministro deve sair do Supremo após deixar a presidência seguem fortes, mas o próprio Barroso não nega a possibilidade.
Uma decisão sobre o assunto só deve ser tomada após o recesso do Judiciário, de dezembro a fevereiro.
- Por Leonardo Almeida/Bahia Notícias
- 25 Set 2025
- 16:25h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
O secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, anunciou que o presidente da França, Emmanuel Macron, virá para Salvador antes da COP30 que será realizada em Belém (PA), em novembro. Em primeira mão para o programa Linha de Frente, da Antena 1 Salvador 100.1, nesta quarta-feira (24), Sodré informou que o mandatário francês virá no dia 5 de novembro, em evento que deve ser realizado na Cidade Baixa.
Para a Antena 1, o secretário detalhou que os diálogos para o encontro foram iniciados após o diplomata francês, Olivier Poivre d'Arvor, visitar Salvador para conhecer o berçário de corais da Ilha de Itaparica. Após a visitação, Poivre informou que iria sugerir a Macron a possibilidade de vir a Salvador antes de partir para a COP30 em Belém.
“Isso foi uma construção nossa da Secretaria de Meio Ambiente, a gente recebeu o senhor Olivier Poivre d'Arvor, que é um assessor técnico especial do presidente Macron, ele veio para Salvador, nós fizemos uma visita com ele num berçário de corais na Iha de Itaparica. E nós estamos construindo em conjunto com o consulado francês, com a embaixada, governo federal, por conta dos 200 anos de relação, um fórum chamado Fórum Nosso Futuro. Vai ser dia 5 de novembro, um dia antes da abertura oficial da COP”, anunciou Sodré.
“Ele é um fórum focado em intercâmbio de jovens. Serão 100 jovens africanos, 100 jovens franceses, 100 jovens baianos. A gente vai fazer um evento, provavelmente, na Cidade Baixa, a gente ainda está definindo alguns detalhes, mas é até que o presidente Macron venha participe da abertura” completou o secretário.
- Bahia Notícias
- 25 Set 2025
- 14:58h
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse, nesta quarta-feira (24), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não precisa de "diplomacia de ninguém", em especial de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o ministro, o ex-presidente só falava com outros chefes de Estado de forma vergonhosa, dando ênfase nas vezes em que se referenciava e se declarava ao presidente Donald Trump (Republicanos).
No começo da audiência, Haddad respondeu ao deputado Evair Melo (PP-ES) que começou sua fala na audiência pública pedindo que o ministro "implore" para que Lula fique mais tempo nos Estados Unidos para conversar presencialmente com Trump.
“Não há nada mais importante. Faça esse apelo ao Lula. Ele pode até ficar com a Janja, não há problema nenhum. Vamos dar 5 dias de folga a ele. Mas que ele fique lá e possa aceitar o convite presidencial do presidente Trump”, disse o parlamentar.
O ministro respondeu ao parlamentar de forma incisiva.
“O Lula não está precisando de lição de diplomacia de ninguém. Se aconteceu alguma coisa durante o discurso dele na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), da qual o senhor deveria se envergonhar em relação ao governo anterior, é a forma como o Lula é tratado no mundo inteiro por todos os chefes de Estado. O senhor tem um presidente que fala com quem quiser na hora que quiser, seja o presidente da China, da Rússia, da França ou seus primeiros-ministros. Eu não vi o seu presidente [Bolsonaro] cumprimentar um chefe de Estado a não ser de forma vergonhosa para falar ‘I love you’ para o Trump“, afirmou durante audiência na Comissão da Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural que ocorreu na Câmara dos Deputados.
Haddad continuou a falar que o presidente do Brasil não vai se sujeitar da mesma forma como o ex-presidente Bolsonaro se colocava durante seu governo.
“O Lula não vai se dispor a esse tipo de humilhação. Ele anda de cabeça erguida. Ela não nega a origem humilde que ele tem, mas ele sabe se fazer respeitar, como ele está fazendo agora. Por isso, 500 mil pessoas foram para a rua no domingo pedir respeito à nossa soberania e à nossa democracia. Sinceramente, alguém que passou 4 anos de vergonha querendo vir dar lição de diplomacia ao presidente Lula”, disse, ironizando a fala de Evair de Melo.
- Bahia Notícias
- 25 Set 2025
- 12:40h
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá viajar ao Amazonas em outubro para inaugurar a pavimentação da BR-319, rodovia que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A visita está prevista para ocorrer cerca de um mês antes do início da COP30, em Belém (PA).
De acordo com lideranças do Partido dos Trabalhadores, já há preparativos para receber o presidente no estado para o lançamento oficial da obra.
A iniciativa é alvo de críticas de ambientalistas, que apontam riscos de aumento do desmatamento na região em razão da intervenção. O projeto também tem gerado embates políticos, incluindo manifestações contrárias de parlamentares direcionadas à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).
- Por Gabriel Gama | Folhapress
- 25 Set 2025
- 10:20h
Foto: Reprodução / CNA / Wenderson Araujo / Trilux
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) propôs a destinação de parte do financiamento climático internacional para o agronegócio. A posição consta no documento "Agropecuária Brasileira na COP30", divulgado nesta quarta-feira (24), com as demandas da entidade para a conferência da Organização das Nações Unidas que será realizada em novembro em Belém.
"Temos a convicção de que a agricultura tropical é, sem dúvida, a oportunidade que melhor se apresenta de custo-efetividade para projetos e ações que possam ser encaminhadas com recursos do financiamento climático", disse Muni Lourenço, presidente da comissão de meio ambiente da CNA, ao falar sobre a meta global de alcançar US$ 1,3 trilhão para conter as mudanças climáticas.
Marta Salomon, especialista sênior em políticas climáticas do Instituto Talanoa, criticou a exigência. "Esse dinheiro não é para produtores rurais brasileiros, é para financiar a adaptação e a redução das emissões de gases de efeito de estufa nos países mais pobres do mundo", disse.
Em 2024, as nações reunidas na COP29 concordaram em mobilizar US$ 300 bilhões anuais, com o objetivo de chegar a US$ 1,3 trilhão. Cabe à COP30 mostrar o caminho para alcançar esse montante.
"Se eles estão pedindo uma parcela da meta global de financiamento climático, é uma bobagem, porque não é assim que funciona", afirmou Salomon. "Tem muita gente na fila antes."
Nelson Ananias, coordenador de sustentabilidade da CNA, rebateu as críticas e afirmou que os repasses respeitariam o Acordo de Paris. "Esse dinheiro precisa chegar ao produtor rural, porque senão fica dentro de ministérios ou de ONGs que usam esse dinheiro para criar 'soluções' para o setor agropecuário", disse à reportagem.
Em nota divulgada à imprensa, a CNA declarou que "considera fundamental que o financiamento climático chegue diretamente aos produtores rurais, facilitando a implementação de tecnologias de baixo carbono e contribuindo para dar escala às ações de mitigação e adaptação".
O documento publicado nesta quarta diz que o agronegócio é um celeiro de soluções para a crise climática e foca na fragilidade diante do aquecimento global. Para a entidade, a transição justa "deve considerar o papel estratégico do setor agropecuário como fornecedor de alimentos e a vulnerabilidade na ocorrência de eventos climáticos".
O texto não menciona a contribuição para as emissões brasileiras. O Seeg (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa) calcula que a agropecuária brasileira emitiu 631 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) em 2023 -a maior quantidade já registrada-, correspondente a 27,5% do total nacional naquele ano.
"Está na hora da agropecuária entrar como grande aliada no combate ao aquecimento global, cortando as emissões, inclusive por desmatamento", diz Salomon. "É um setor que pode se comportar de uma forma mais clara, e não só pedindo recursos para remediar uma situação em que contribui de forma tão forte."
João Martins da Silva Junior, presidente da CNA, afirmou em evento de lançamento do documento: "Todo dia sai filme de exploradores de ouro e contrabandistas de madeira, mas nunca sai alguma coisa provando que é um produtor rural que está destruindo a mata".
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), da bancada ruralista, participou do encontro e disse que o agronegócio deve se impor nas discussões da cúpula em Belém. "A gente precisa sair na frente falando, porque senão, a conversa que vem de lá para cá, junto com órgãos governamentais, vai tomar conta e dominar o discurso da COP."
Marinho afirmou que a agricultura familiar carece de produtividade e criticou a demarcação de terras indígenas e áreas de proteção ambiental no Pará. Ele defendeu a isenção de impostos para tratores agrícolas e afirmou que já conversou com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, sobre a proposta.
"Não temos absolutamente nada do governo, senão o Ibama e o ICMBio prendendo, queimando, fazendo tanta coisa. Lá no Pará a gente se arrepia quando vê", disse, ao criticar a atuação dos institutos federais de fiscalização do uso de recursos naturais e conservação da biodiversidade.
A CNA também defendeu que a agropecuária seja reconhecida como capaz de gerar créditos de carbono, certificados de remuneração por redução ou remoção de uma tonelada de CO2e da atmosfera.
Salomon afirma que a demanda expressa uma contradição, pois o setor foi poupado de um limite anual de emissões na lei que estabeleceu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa. "Como não tem teto de emissão, também não poderia se beneficiar dos créditos de carbono", diz.
Emendas ao texto garantiram que o setor possa gerar créditos. A legislação ainda precisa ser regulamentada.
O documento da CNA faz críticas à lei antidesmatamento da União Europeia, conhecida como EUDR. A entidade argumenta que não se deve legitimar "medidas comerciais unilaterais com justificativas climáticas, reconhecendo os impactos desproporcionais que tais instrumentos impõem aos países em desenvolvimento".
Salomon afirmou que a legislação seria eficiente para reduzir emissões e o desmate. "A agropecuária está cuidando do seu bolso ao não querer nenhuma restrição de mercado a produtos, mesmo aqueles produzidos em área de desmatamento", disse.
A CNA também colocou como prioridade o combate ao que chama de estigmatização dos agricultores da amazônia e pediu a criação de um mandato de agricultura tropical no Acordo de Paris.
- Bahia Notícias
- 25 Set 2025
- 08:48h
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
O ministro Edson Fachin rejeitou propostas de associações do meio jurídico que pretendiam organizar uma festa em homenagem à sua posse como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para a próxima segunda-feira (29).
De acordo com a programação, a cerimônia será realizada em formato discreto. O Hino Nacional será executado pelo coral do STF, o Supremo Encanto, formado majoritariamente por servidores da Corte.
Com perfil considerado reservado, Fachin costuma repetir a frase: “À política o que é da política, ao direito o que é do direito”. A postura é vista como uma sinalização à parte do Congresso Nacional que tem feito críticas ao que considera ativismo judicial.
- Por Juliana Arreguy | Folhapress
- 24 Set 2025
- 16:01h
Foto: Marcelo Camargo / EBC
Após três semanas de tentativas, Wagner Rosário, ex-ministro de Jair Bolsonaro, foi aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) para uma cadeira de conselheiro do TCE-SP (Tribunal de Contas de São Paulo).
A aprovação ocorreu nesta terça-feira (23), exatos 21 dias após Rosário ter sido sabatinado pelos deputados na Alesp -em outras indicações ao TCE, os conselheiros foram aprovados pelos parlamentares no mesmo dia em que foram sabatinados.
Dos 94 deputados, 59 votaram a favor de Rosário e 16 votaram contra. Eram necessários ao menos 48 votos para a aprovação. Os votos a favor vieram da base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que o indicou ao cargo e de quem foi colega da mesma turma na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras.
Parte do entrave à indicação, pela oposição, se deve ao fato de o nome de Rosário ter sido submetido ao plenário da Alesp no mesmo dia em que teve início o julgamento de Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal).
Rosário foi controlador-geral da União do governo Bolsonaro e estava na reunião ministerial de julho de 2022, na qual o ex-presidente teria instruído seus aliados a desacreditarem das urnas eletrônicas. Na ocasião, Rosário defendeu a formação de uma força tarefa para auditar as urnas e criticou relatório de fiscalização feito pelos técnicos do órgão que ele chefiava.
O episódio foi explorado por deputados do PT e do PSOL na sabatina de Rosário, que foi duramente questionado sobre a eficácia das urnas, mas não respondeu se confia nos dispositivos. Ele também foi criticado pelas suspeitas de irregularidades na compra de vacinas durante a pandemia, que entraram na mira da CPI da Covid, e por não ter identificado e investigado o esquema bilionário de manipulação de créditos de ICMS em São Paulo enquanto CGE.
Entre os deputados da base, a demora para a aprovação de Rosário se deu por causa de viagens feitas pelos parlamentares para Israel e Taiwan, nas duas últimas semanas. Foram necessárias cinco sessões para que o controlador tivesse o nome aceito na casa, à qual o TCE é vinculado.
IMPORTÂNCIA DO TCE-SP
Uma cadeira de conselheiro do TCE é vista como estratégica por partidos e lideranças políticas porque o seu titular fica responsável por julgar as contas do governo estadual e dos municípios paulistas, à exceção da capital, que tem as contas analisadas pelo TCM (Tribunal de Contas Municipal).
Além disso, o cargo é acompanhado de benefícios como salários de R$ 44 mil, manutenção do posto até os 75 anos de idade e gabinetes com 33 funcionários, sendo 31 deles comissionados.
Rosário foi indicado para a vaga do ex-conselheiro Antônio Roque Citadini, que se aposentou no mês passado. É a terceira das quatro aposentadorias previstas neste mandato de Tarcísio, sendo duas vagas a serem preenchidas por indicação da Alesp e outras duas por indicação do governador.
Os postos anteriores ficaram com o ex-deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP) e com o advogado Maxwell Borges. Bertaiolli foi indicado pela Alesp em 2023 após uma articulação do secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD) com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Ele foi aprovado com 62 votos a favor.
Maxwell foi indicado em 2024 por Tarcísio a pedido do ministro André Mendonça, do STF, e aprovado por 88 deputados, incluindo votos do PT.
- Por Marianna Holanda | Folhapress
- 24 Set 2025
- 14:40h
Foto: Reprodução / YouTube / CNN Brasil
Parlamentares e aliados de Jair Bolsonaro (PL) minimizaram a fala do presidente Donald Trump sobre o presidente Lula (PT) em discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (23). Eles afirmam que não se trata de um gesto concreto e que dificilmente haverá reversão das tarifas impostas pelo governo americano ou melhora da crise entre os dois países após conversa entre seus líderes.
Nas horas que seguiram o surpreende discurso do americano, parte dos bolsonaristas ficou sem reação, buscando entender quais são os próximos passos, já que Trump é conhecido por sua imprevisibilidade. Reservadamente, disseram não poder calcular se haveria prejuízo ao grupo político.
Um aliado disse ver prejuízo ao grupo político e teme que Lula possa abrir uma porta de diálogo que até então só existia com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo.
Na avaliação geral, o discurso dos bolsonaristas é de que a crise poderia até mesmo piorar após uma conversa entre eles, ainda que seja mais controlada por telefonema.
Eles afirmam que há mais divergências do que convergências entre os dois líderes, e isso ficaria exposto num diálogo entre os dois --cujos discursos na ONU tiveram trocas de críticas. Citam a postura pró-Palestina de Lula contra a pró-Israel de Trump, a proximidade com a gestão do antecessor Joe Biden, o Judiciário brasileiro, dentre outros pontos.
"[Lula] será cobrado sobre o projeto de anistia. E aí? Cheque. Lula termina o dia de hoje em uma posição política infinitamente pior do que começou", disse Figueiredo.
Eles também cogitaram diferentes explicações para a postura elogiosa do americano ao petista. Dentre os argumentos, há o de que o gesto Trump seria, na verdade, calculado e uma forma de estratégia de negociação. O objetivo seria de expor o presidente brasileiro que, chamado para uma reunião publicamente, não teria como não participar.
O governo brasileiro tem enfrentado barreiras para buscar diálogo com a administração Trump, que impôs duras tarifas a produtos brasileiros, após intensa articulação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e do empresário Paulo Figueiredo. Este é primeiro e maior gesto desde que a crise começou, no início de julho.
Após o discurso de Trump, Eduardo foi às redes para destacar os momentos de sua fala em que criticou o governo brasileiro, por suposta perseguição judicial e por supostamente interferir em direitos de cidadãos americanos, praticando censura.
"Tudo isso é um prenúncio do que estará sobre a mesa num eventual encontro entre Trump e Lula que, se confirmado, seria certamente no Salão Oval. E Lula não terá escolha: terá de ir. Note bem, será no momento, no local e nos termos que Trump escolheu -sendo que o Itamaraty está anulado, sem poder alinhar previamente a reunião", escreveu o deputado federal.
O encontro, contudo, deve ser por telefonema, segundo o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores). O gesto foi interpretado por bolsonaristas como fuga.
"Lula acaba de ter a oportunidade de ficar frente a frente com Trump, mas já está arrumando desculpas para fugir. Procura-se o Presidente da República", disse Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
Eles dizem que Trump faria com Lula o mesmo que fez com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, no Salão Oval. À época, o próprio Lula se referiu ao episódio como uma humilhação e cena grotesca.
A tese bolsonarista também ecoa em parte em integrantes do governo petista. Mesmo tendo visto o gesto de Trump como uma vitória para o brasileiro, eles temem que o americano use o diálogo entre os dois como uma forma de pressionar e até humilhar o líder petista.
Os dois tiveram uma breve interação na manhã desta terça-feira (23) pouco antes de o republicano discursar na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Trump sugeriu, e Lula aceitou, uma conversa para a próxima semana. O encontro foi divulgado pelo presidente americano ao final de sua fala, em que ele também disse que gostou do brasileiro e que teve uma "excelente química" com o petista.
- Bahia Notícias
- 24 Set 2025
- 12:35h
Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense F.C
Renato Portaluppi não é mais técnico do Fluminense. O anúncio ocorreu durante coletiva no Maracanã após a eliminação para o Lanús na última terça-feira (23), pelas quartas de final da Copa Sul-Americana.
"Eu nem deveria estar falando isso com vocês, quem vai se manifestar é o presidente. Mas acabei, antes de vir para cá, de pedir demissão para o presidente. A partir de agora, vai estar outro cara aqui, vocês vão fazer as mesmas perguntas para ele, e eu quero ver as respostas que ele vai dar", disparou Renato.
O treinador justificou a decisão como um pedido de descanso e fez críticas aos chamados "gênios da internet".
"Sempre procurei fazer o melhor possível pelo clube, em todos os sentidos. Infelizmente, saímos hoje de uma competição, mas estamos muito bem no Brasileiro e na Copa do Brasil. Como o Fluminense está bem, vou sair para descansar a cabeça e deixar alguns gênios da internet continuarem falando de futebol", completou.
Com a saída de Portaluppi, também deixam o clube os auxiliares Alexandre Mendes e Marcelo Salles. O interino Marcão, auxiliar permanente, assume o comando dos treinamentos da equipe.
CUCA DE VOLTA?
O nome de Cuca é apontado como favorito para substituir Renato Gaúcho. De acordo com as informações do repórter Edison Filho, da CNN Brasil, o anúncio de um novo comandante deve ocorrer ainda nesta quarta e o ex-técnico do Atlético-MG é o plano A do presidente Mário Bittencourt. Cuca já foi técnico do Flu em 2008 e 2009, este último, sendo importante para tirar a equipe carioca do risco de rebaixamento.
O JOGO
Dentro de campo, o Fluminense abriu o placar com Canobbio, mas Aquino empatou para o Lanús. Como havia perdido o jogo de ida por 1 a 0, na Argentina, o Tricolor se despediu da Sul-Americana pelo placar agregado de 2 a 1. Os argentinos enfrentam agora o vencedor de Universidad de Chile x Alianza Lima, que se enfrentam na quinta-feira (25), em Santiago.
Sem Renato, o Fluminense volta a campo neste domingo (28), contra o Botafogo, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro.
- Bahia Notícias
- 24 Set 2025
- 10:23h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O influenciador digital Hytalo Santos, e o marido do blogueiro, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, tiveram o pedido de habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB).
Após julgamento realizado na última terça (23), na Câmara Criminal, em João Pessoa, o desembargador relator do caso, João Benedito, voltou a frisar que apesar de não haver medidas cautelares contra os investigados, a ida de Hytalo e Euro para São Paulo durante investigações pode ser considerado um problema.
O magistrado também citou o fato do pedido de prisão preventiva ter sido fundamentado com provas, testemunhas e relatos.
“Eu estou entendendo que é necessário manter a prisão pelo menos por enquanto. Há necessidade de produzir provas em audiência, porque se não, a prova vai ficar efetivamente prejudicada.”
O casal, que se tornou réu por produzir e divulgar conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes após a denúncia do Ministério Público ser aceita, está preso desde o dia 15 de agosto.
Na época, Hytalo e Euro foram encontrados no interior de São Paulo e passaram um período detidos no estado, sendo transferidos para o presídio do Roger no dia 28 de agosto.
- Bahia Notícias
- 24 Set 2025
- 08:48h
Foto: Max Haack / Bahia Notícias
As audiências de instrução e julgamento dos réus da Operação El Patrón seguem no segundo dia nesta quarta-feira (24) em Feira de Santana. Três delegados [um deles federal] indicados pelo Ministério Público do Estado (MP-BA) foram ouvidos nesta terça-feira (23) como testemunhas de acusação.
Além das testemunhas de acusação estão previstas outras 77 de defesa. Os réus, que incluem o deputado Binho Galinha (PRD); a esposa dele, Mayana Cerqueira da Silva; e o filho do político, João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, devem ser ouvidos por último. Segundo a TV Subaé, o próprio Binho Galinha esteve presencialmente no Fórum Filinto Bastos, em Feira de Santana, nesta terça, acompanhando o julgamento. No total, 14 pessoas foram denunciadas.
Conforme apuração do Bahia Notícias, a defesa de Galinha tentou adiar a realização das audiências, alegando dificuldade em acessar documentos digitais do processo. No entanto, uma decisão da juíza Márcia Simões Costa recusou o pedido e determinou que a autoridade policial disponibilizasse a juntada de documentos em um prazo de cinco dias.
A realização das audiências foi possível após a Primeira Turma do STF manter os efeitos da Operação El Patrón e negar, por unanimidade, na última sexta-feira (12) um agravo regimental movido por Binho Galinha. A decisão veio após o Supremo reverter uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulava as provas colhidas pela Operação El Patrón contra o deputado e outros integrantes que integravam uma milícia em Feira de Santana.
Kléber Cristian Escolano de Almeida, o “Binho Galinha”, é apontado como pivô de uma organização criminosa que atua como milícia, prática de receptação, contravenção do jogo do bicho, extorsão, agiotagem, lavagem de capitais e outros delitos na região de Feira de Santana.
A El Patrón foi deflagrada no dia 7 de dezembro de 2023. Na ocasião foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva, 33 mandados de busca e apreensão, bloqueio de R$ 200 milhões das contas bancárias dos investigados e o sequestro de 40 propriedades urbanas e rurais, além da suspensão de atividades econômicas de seis empresas.
Desde a primeira fase da operação, o deputado Binho Galinha nega participação no crime e diz que confia na Justiça.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 23 Set 2025
- 16:23h
Foto: Reprodução Redes Sociais
A ação de Israel na Faixa de Gaza é um “genocídio”, os atos terroristas realizados pelo Hamas são “inaceitáveis” e é preciso que a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) se mobilize para estabelecer a paz na região, concluindo pela criação do Estado da Palestina.
Essas foram algumas das declarações dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao participar, nesta segunda-feira (22), de uma conferência na sede da ONU, em Nova York, para a busca de uma solução de dois Estados, que visa a coexistência pacífica entre um Estado palestino e o Estado israelense.
Na sua fala durante a conferência, o presidente Lula afirmou que a única palavra que poderia descrever o que ocorre atualmente na Faixa de Gaza é “genocídio”.
“Como apontou a Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados [grupo da ONU], não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio”, criticou Lula.
O presidente brasileiro também condenou o que chamou de “atos terroristas” liderados pelo grupo Hamas contra Israel, fazendo referência aos ataques ocorridos em 7 de outubro de 2023, que deram início ao conflito que dura até os dias atuais.
“Os atos terroristas cometidos pelo Hamas são inaceitáveis. O Brasil foi enfático ao condená-los. Mas o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis”, acrescentou o brasileiro.
Lula reforçou que apesar do ataque do Hamas, o direito à defesa de Israel não autoriza a “matança indiscriminada de civis”.
“O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas tentativa de aniquilamento do seu sonho de nação”, comentou.
O evento em prol da Palestina ocorre em paralelo à assembleia-geral, que terá sua abertura na manhã desta terça (23), com discurso inaugural feito pelo presidente Lula. A 2ª sessão da Confederação Internacional de Alto Nível para Resolução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados foi convocada pela França e Arábia Saudita.
Na sua declaração, Lula voltou a defender a criação do Estado da Palestina e criticou novamente o Conselho de Segurança da ONU.
“Tanto Israel, quanto a Palestina têm o direito de existir. Trabalhar para efetivar o Estado palestino é corrigir uma assimetria que compromete o diálogo e obstrui a paz. Saudamos os países que reconheceram a Palestina, como o Brasil fez em 2010. Já somos a imensa maioria dos 193 membros da ONU”, destacou.
“Diante da omissão do Conselho de Segurança, a Assembleia Geral precisa exercer sua responsabilidade”, completou Lula.