Lula diz que não quer saída de Rui Costa, mas afirma que não impedirá candidatura de ministros

  • Por Ana Clara Pires/Bahia Notícias
  • 09 Out 2025
  • 10:39h

Foto: Reprodução / YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (8), que não gostaria que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, deixasse o governo federal, mas ressaltou que não pretende impedir que integrantes de sua equipe concorram nas eleições de 2026. A declaração foi dada em entrevista a rádio Piatã FM.

 

“O problema que eu tenho é que eu não gostaria que o Rui deixasse o governo. Mas eu também não tenho o direito de exigir sacrifício do ministro que tem oportunidade de se eleger. Então, quem quiser ser candidato será liberado para ser candidato”, declarou Lula.

 

Durante o discurso, o presidente destacou a importância da renovação de lideranças políticas no país e elogiou o grupo político baiano ligado ao PT. “Eu não vou impedir o crescimento e o surgimento de novas lideranças do Brasil, porque o Brasil está precisando. E o Rui é uma liderança extraordinária da Bahia”, afirmou.

 

Lula também relembrou a trajetória eleitoral do ex-governador Jaques Wagner, de quem é aliado histórico, e ressaltou a força política do PT na Bahia.

 

“Quando o Jaques foi candidato a primeira vez, ele tinha 3% das intenções de voto, e Paulo Souto tinha 60%. Eu não queria que o Jaques fosse candidato. Ele foi e se elegeu no primeiro turno. Foi reeleito no primeiro turno, e elegeu o Rui, que também foi reeleito no primeiro turno”, disse.

 

O presidente ainda mencionou o atual governador Jerônimo Rodrigues, destacando o potencial político do grupo baiano.

 

“Sou muito grato ao Jaques, muito grato ao Rui e muito grato ao Jerônimo, que é uma promessa política extraordinária a nível nacional. O Jerônimo é, efetivamente, um menino de ouro. Acho que a Bahia merece um governador da qualidade dele”, concluiu Lula.

STF mantém prisão preventiva de condenado por planejar atentado com explosivo em aeroporto de Brasília

  • Bahia Notícias
  • 09 Out 2025
  • 08:36h

Foto: TV Senado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido de liberdade e manteve a prisão preventiva de Alan Diego dos Santos Rodrigues. A decisão foi proferida na Petição 12445, acatando argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a custódia diante do risco de reiteração de crimes e da gravidade das condutas.

 

Alan Diego está preso desde junho deste ano por decisão do ministro, após a PGR apresentar denúncia contra ele e outras duas pessoas pelos crimes de tentativa de abolição do Estado de Direito e golpe de Estado, além de requerer sua prisão preventiva.

 

Conforme os autos do processo, ele instalou um explosivo em um caminhão-tanque estacionado nas imediações do Aeroporto de Brasília. Alan confessou ter recebido o artefato no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, onde pessoas defendiam um golpe de Estado.

 

Em maio de 2023, a Justiça do Distrito Federal já o havia condenado a cinco anos e quatro meses de prisão pelos crimes de explosão e incêndio. A investigação sobre eventuais crimes contra o Estado Democrático de Direito foi subsequentemente encaminhada ao STF para análise.

Presidente do Equador, Daniel Noboa é alvo de atentado

  • Bahia Notícias
  • 08 Out 2025
  • 16:28h

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Equador, Daniel Noboa, foi alvo de um atentado nesta terça-feira (7), na província de Cañar, na região central do país. Segundo informações divulgadas por integrantes do governo, o veículo que transportava o presidente foi “atacado” por um grupo de aproximadamente 500 pessoas, a caminho de um evento. 

 

O grupo também teria atirado pedras. Pelo menos cinco pessoas foram presas, segundo o relato da ministra de Energia, Inés María Manzano. Manzano disse que o carro em que estava o presidente ficou com marcas de bala, indicando que o veículo foi alvejado. 

 

Segundo a ministra, Daniel Noboa não se feriu, mas os governistas classificaram o ataque como uma "tentativa de assassinato". Noboa enfrenta uma onda de protestos de povos indígenas contra o aumento do preço do diesel. No sábado (5), ele declarou estado de emergência em 10 das 24 províncias do país. 

Governo Lula consegue aprovar, por apenas um voto de diferença, a MP 1303, que tributa aplicações financeiras

  • Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
  • 08 Out 2025
  • 14:20h

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Por apenas um voto de diferença (13 a favor e 12 contra), foi aprovado, na comissão mista, o relatório do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) à medida provisória 1303/2025, que tributa aplicações financeiras. A MP agora seguirá ao plenário da Câmara dos Deputados, e deve ser votada ainda na sessão desta terça.

 

A medida ainda precisa ser aprovada no plenário da Câmara e do Senado, e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até as 23h59 desta quarta (8), prazo final de validade da MP.

 

Durante toda a tarde, o deputado Carlos Zarattini negociou mudanças no texto, que busca elevar alíquotas para compensar a redução no aumento do IOF. Um novo relatório foi divulgado no meio da tarde, com ajustes do relator na redação da medida e mais detalhes sobre as regras do programa Regime Especial de Regularização de Bens Cambial e Tributária, o "Rerct Litígio Zero Bets".

 

A mudança feita pelo relator abre a possibilidade de cobrança retroativa de recursos não declarados por bets. A proposta entrou no parecer de Zarattini após a retirada do aumento da alíquota da contribuição sobre apostas esportivas de quota fixa - de 12% para 18%.

 

Entre as alterações dispostas na terceira versão do parecer de Zarattini está a previsão de inclusão, no programa, de ativos virtuais decorrentes da exploração das bets. Também consta do novo texto que o regime abrange todos os operadores que ofertaram apostas de quota-fixa no País, ainda que os beneficiários finais sejam estrangeiros, e que a declaração de regularização não será utilizada para instruir processo criminal ou administrativo.

 

O parecer de Zarattini ainda esclareceu que a base de cálculo da tributação será o montante declarado como objeto de regularização. O texto aprovado na comissão especial trouxe outras mudanças, pequenas, como a exclusão de alteração na governança das sociedades anônimas.

 

Houve ainda um "ajuste de técnica legislativa" no item que trata da previsão de que a isenção das carteiras dos fundos de investimento se estende aos juros sobre capital próprio recebidos por Fundos de Investimento em Participações (FIP), Fundos de Investimento em Ações (FIA) e Fundo de Investimento em Índice de Mercado (ETF).

 

Depois de intensas negociações desde a semana passada, principalmente com a bancada do agronegócio, Zarattini decidiu recuar na intenção de aumentar a alíquota a ser cobrada na taxação das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e das Letras de Crédito Agropecuário (LCA). O novo texto do relator manteve a atual isenção sobre essas duas letras de crédito. A MP editada pelo governo Lula previa originalmente a taxação uma alíquota de 5% para títulos hoje isentos.

 

O governo federal passou a tarde inteira negociando o parecer. O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), manifestou preocupação com a possibilidade de a MP não ser aprovada a tempo, e disse que isso levaria a uma perda de arrecadação de R$ 35 bilhões. Segundo o líder do PT, há um movimento de partidos de oposição que querem prejudicar o governo e "cavar uma crise no País com um forte impacto fiscal".

Professores brasileiros perdem ao menos 21% do tempo de aula para manter disciplina

  • Bahia Notícias
  • 08 Out 2025
  • 12:30h

Foto: Bruno Peres / Agência Brasil

Os professores brasileiros perdem, em média, 21% do tempo de aula para manter a ordem em sala. O dado é da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024, divulgada nesta segunda-feira (6), pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Assim, cerca de uma a cada cinco horas de aula é perdida para conseguir a atenção dos estudantes no ensino fundamental brasileiro. 

 

O estudo compara a educação em 53 países, com base em entrevistas com professores e diretores dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). No mesmo levantamento, quase metade dos professores brasileiros indicou que são bastante interrompidos pelos alunos, cerca de 44%. Em comparação com a OCDE, uma média de apenas 18% dos professores de todos os países avaliados relatou o problema.

 

Em relação ao estresse sofrido no dia a dia, o relato dos professores brasileiros é semelhante ao dos docentes dos países da OCDE: 21% dizem que o trabalho é muito estressante, enquanto a média da OCDE é 19%. O índice aumentou em 7 pontos percentuais em relação à 2018 no Brasil.

 

Quanto aos impactos na saúde mental e física, o Brasil supera a média dos demais países pesquisados. Entre os professores brasileiros, 16% dizem que a docência impacta negativamente na saúde mental, enquanto entre os países da OCDE, a média é 10%. Já a saúde física é muito impactada pela profissão, de acordo com 12% dos professores brasileiros, enquanto a média da OCDE é 8%. As informações são da Agência Brasil. 

Governo deve elevar limite para compra de imóvel com FGTS e liberar R$ 20 bi em crédito da poupança

  • Por Idiana Tomazelli e Nathalia Garcia | Folhapress
  • 08 Out 2025
  • 10:03h

Foto: Joédson Alves / EBC

O novo modelo de crédito habitacional deve injetar, de forma imediata, pelo menos R$ 20 bilhões em recursos para a contratação de financiamentos para a compra da casa própria. As mudanças serão anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em evento na próxima sexta-feira (10) em São Paulo.
 

O desenho ainda deve vir acompanhado do aumento do valor máximo dos imóveis financiados por meio do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que permite o uso do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para a compra da casa própria. Desde 2019, esse teto é de R$ 1,5 milhão. Segundo quatro interlocutores do governo, o valor pode subir para perto de R$ 2 milhões.
 

- Como usar o FGTS para comprar um imóvel? Confira as exigências
 

As mudanças fazem parte de um novo modelo que vem sendo discutido por Executivo, Banco Central e instituições financeiras para criar uma alternativa sustentável ao financiamento habitacional, já que a poupança, hoje principal fonte de recursos baratos para o crédito à compra da casa própria, tem dado sinais de esgotamento diante de outros tipos mais rentáveis de investimento.
 

A transição para o novo modelo prevê a liberação imediata de uma parcela de 5% dos recursos da poupança, hoje parada em depósitos compulsórios no Banco Central.
 

A partir disso, o valor adicional efetivamente disponível vai depender da adesão inicial dos bancos que operam o crédito imobiliário. No caso da Caixa Econômica Federal, líder do segmento, esse montante equivale a algo entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões.
 

A Caixa deve entrar forte no novo modelo de crédito habitacional, por isso o valor da liberação de seu compulsório é tratado pelos técnicos como uma espécie de piso para a nova política neste momento.
 

O valor disponível pode ficar maior à medida que outros bancos que também têm recursos parados no compulsório façam a adesão. Mas a adoção do modelo por outras instituições ainda é incerta, visto que o teto de juros do SFH pode ser um entrave. Hoje, a maior parcela do financiamento dos bancos se enquadra no SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário), que concede empréstimos a taxas de mercado.
 

O período de teste deve durar até o fim de 2026 e foi um pedido do setor da construção civil, que temia os efeitos de uma mudança muito brusca no modelo e defendeu uma fase de testes. O pleno funcionamento do novo desenho, se bem-sucedido, deve se dar a partir de 2027.
 

Como mostrou a Folha, o novo modelo de crédito habitacional vai fixar um prazo para o uso mais flexível dos recursos da poupança pelas instituições financeiras. Ao fim do período, os bancos precisarão conceder novos financiamentos imobiliários para continuar usufruindo dos recursos da caderneta com maior liberdade na aplicação.
 

O novo modelo de crédito habitacional prevê maior flexibilidade no uso de recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que são uma fonte de captação mais barata para os bancos, pois a remuneração aos poupadores fica abaixo das taxas de mercado.
 

Hoje, os bancos recebem os depósitos dos clientes na poupança e precisam direcionar pelo menos 65% dos recursos para operações de financiamento imobiliário, além de deixar 20% do valor depositado compulsoriamente no BC.
 

No novo modelo, não haverá direcionamento da poupança para o crédito imobiliário, nem depósito compulsório. O dinheiro da caderneta ficará sem carimbo, e o banco poderá usá-lo para fazer outras aplicações com rendimentos maiores, desde que tenha concedido financiamentos habitacionais em valor correspondente.
 

O prazo para esse uso flexível vai variar conforme o valor dos imóveis financiados, de forma a incentivar os bancos a centralizarem seus recursos nas operações dentro do SFH.
 

Segundo duas pessoas a par das discussões, o prazo padrão será de cinco anos e valerá para os financiamentos fora do SFH, isto é, acima de R$ 2 milhões. Dentro do SFH, haverá dois prazos para a flexibilização da poupança: sete anos no caso de financiamentos de imóveis até R$ 1 milhão e seis anos no caso de operações entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões.
 

A intenção é quebrar o vínculo direto que existe hoje entre poupança e crédito imobiliário e incentivar a migração para fontes de financiamento (funding) de mercado, usando instrumentos que já existem, como a LCI (Letra de Crédito Imobiliário).
 

Os ganhos obtidos pelas instituições com o uso flexível da poupança, por sua vez, seriam usados para manter juros menores no crédito habitacional, amenizando o repasse do custo de mercado para os mutuários. Simulações feitas pelos técnicos indicam que usar a poupança para fazer essa equalização é suficiente para manter estável o custo do crédito imobiliário para os tomadores.
 

Na prática, o novo modelo funcionará da seguinte maneira: o banco empresta R$ 100 em crédito imobiliário, tendo como fonte de recursos R$ 100 captados no mercado por meio de LCI. A concessão do financiamento habitacional desbloqueia R$ 100 da poupança para uso livre.
 

Inicialmente, o Banco Central pretendia aceitar qualquer tipo de financiamento habitacional como contrapartida ao uso livre da poupança, descontando apenas operações do FCVS (Fundo de Compensação de Variações Salariais), fundo público criado para regularizar passivos do antigo sistema de habitação, e prejuízos acumulados em função de aquisições feitas no passado.
 

No governo, porém, havia uma preocupação de que isso acabasse concentrando recursos apenas em financiamentos para famílias de maior renda.
 

Pelo desenho final, segundo pessoas que participam das discussões, além do incentivo por meio dos prazos diferenciados, 80% do valor liberado irá para o SFH, com taxa de juros máxima de 12% ao ano. Os outros 20% irão para o SFI. A divisão valerá inclusive para os recursos liberados do compulsório.
 

Nesta terça-feira (7), o ministro Jader Filho (Cidades) confirmou que o novo modelo será anunciado na próxima sexta-feira.
 

Havia a expectativa de que a linha de crédito para reformas também fosse anunciada nesta sexta. No entanto, isso deve ocorrer em outro momento, já que o governo ainda faz ajustes no sistema que vai operacionalizar esses financiamentos.

Brasil ultrapassa 50 mil vagas anuais em Medicina após abertura de 77 novos cursos, alertam pesquisadores

  • Bahia Notícias
  • 08 Out 2025
  • 08:20h

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil ultrapassou a marca de 50 mil vagas anuais em cursos de Medicina, segundo levantamento da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Ministério da Educação (MEC) autorizou 77 novos cursos e ampliou turmas em outras 20 instituições, somando 5.461 novas vagas. Com isso, o país passa a ter 494 escolas médicas, das quais 80% estão em instituições privadas, o que acende o alerta de pesquisadores sobre a qualidade da formação médica diante da rápida expansão.

 

No total, o país ganhou 5.461 novas vagas em menos de dois anos. Com isso, o Brasil chega a 494 escolas médicas em 2025, com 50.974 vagas anuais de graduação, das quais 80% estão em instituições privadas.

 

A região Nordeste concentrou 43% das novas vagas (2.365), seguida pelo Sudeste (1.225), Norte (835), Sul (729) e Centro-Oeste (307). Os estados que mais receberam novos cursos foram Pará, Bahia e São Paulo, com oito cada. Entre as capitais, destacam-se São Luís (MA), que sozinha obteve cinco autorizações, e Belém (PA), Teresina (PI) e Boa Vista (RR), com dois cursos cada.

 

Entre os municípios do interior, chamaram atenção aqueles que receberam duas autorizações simultâneas: Feira de Santana (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Sobral (CE), Tianguá (CE), Cariacica (ES), São Mateus (ES), Ariquemes (RO), Santarém (PA) e Joinville (SC).

 

A região Nordeste concentrou 43% das novas vagas (2.365), seguida pelo Sudeste (1.225), Norte (835), Sul (729) e Centro-Oeste (307). Os estados que mais receberam novos cursos foram Pará, Bahia e São Paulo, com oito cada. Entre as capitais, destacam-se São Luís (MA), que sozinha obteve cinco autorizações, e Belém (PA), Teresina (PI) e Boa Vista (RR), com dois cursos cada.

 

Entre os municípios do interior, chamaram atenção aqueles que receberam duas autorizações simultâneas: Feira de Santana (BA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Sobral (CE), Tianguá (CE), Cariacica (ES), São Mateus (ES), Ariquemes (RO), Santarém (PA) e Joinville (SC).

 

Evolução do número de vagas de graduação de Medicina entre 2004 a 2025.

Guerra em Gaza completa dois anos com melhor chance para paz até aqui

  • Por Renan Marra e Victor Lacombe | Folhapress
  • 07 Out 2025
  • 14:18h

Foto: Unicef/Dar Al Mussawir

Apesar das acusações de genocídio, de dezenas de milhares de mortes e de uma crise humanitária sem precedentes, a guerra na Faixa de Gaza completa dois anos nesta terça-feira (7) com o quadro mais promissor para a implementação de uma trégua duradoura desde o início do conflito, em outubro de 2023.
 

Pressionados por Donald Trump e por países árabes e muçulmanos, representantes de Israel e do grupo terrorista Hamas iniciaram nesta segunda-feira (6), no Egito, uma nova tentativa para discutir os detalhes do plano de paz proposto pelos Estados Unidos. O texto prevê, entre outros pontos, a libertação dos reféns ainda mantidos sob o poder da facção e a retirada gradual das tropas israelenses do território palestino.
 

Após meses de impasse e sem perspectivas de cessar-fogo, diplomatas afirmam que a exaustão militar, o colapso das condições de vida e a crescente pressão internacional criaram um ambiente em que a paz voltou a ser uma possibilidade real.
 

"Sim, Israel está [diplomaticamente] mais isolado hoje", afirma à Folha a coronel da reserva Pnina Baruch, israelense que fez parte de equipes de negociação com palestinos. "Mas, se houver um acordo e a guerra terminar, isso pode mudar."
 

Baruch, que também integra o Instituto de Estudos de Segurança Nacional, da Universidade de Tel Aviv, diz que o distanciamento internacional é resultado de um processo que mistura uma campanha de deslegitimação de Israel, a ascensão de um discurso simplificador nas redes sociais e uma gestão política que falhou em explicar essa complexidade ao mundo. "Há uma tendência de enxergar tudo em preto e branco, vítima e agressor, bons e maus."
 

Ao mesmo tempo, ela diz que o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, o mais à direita da história do país, agrava a situação ao adotar durante o conflito uma retórica "combativa e racista", nas palavras dela. "Temos ministros que falam em ‘apagar Gaza’ e ‘expulsar palestinos’. Isso dá munição a quem nos acusa de genocídio", diz.
 

Baruch se refere, sobretudo, aos ministros extremistas Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, que sustentam a coalizão de Netanyahu e que, ao longo do conflito, manifestaram-se várias vezes de forma contrária ao fim da guerra. Em relação à proposta de Trump, eles afirmaram que aceitar o plano seria como assinar um acordo de rendição e reconhecer a derrota de Israel no campo de batalha.
 

Netanyahu, por sua vez, equilibra-se entre a ameaça de colapso de sua coalizão e os protestos diários que exigem o fim dos ataques em Gaza e a assinatura de um acordo para a libertação dos reféns.
 

As denúncias de genocídio também se intensificaram, impulsionadas pela conclusão de uma comissão de inquérito das Nações Unidas que apontou o crime em Gaza. O governo israelense rejeitou o relatório, chamando as informações de "falsas e politizadas".
 

Para analistas, o contexto internacional ajuda a explicar o novo impulso por uma trégua. O isolamento de Tel Aviv, diz Ralph Wilde, professor de direito internacional do University College London, reflete uma mudança gradual na disposição de governos ocidentais em tolerar o que ele descreve como um padrão persistente de ilegalidades.
 

Para o professor, muitos países apenas agora começam a reconhecer a extensão dessas violações. "O que vemos é uma reação tardia e parcial. Há uma preocupação crescente com o bloqueio de Gaza e com a violência dos colonos na Cisjordânia."
 

Endossar o plano de Trump, nesse contexto, é um passo na direção certa, afirma Baruch, a militar da reserva israelense. O Hamas aceitou na sexta-feira (3) partes da proposta e, no mesmo dia, o gabinete de Netanyahu afirmou que "Israel está preparado" para a implementação imediata da primeira fase de um eventual acordo.
 

Várias questões, no entanto, continuam sem solução, incluindo se o Hamas aceitará se desarmar, uma das principais exigências de Israel.
 

Não à toa, o biólogo e ativista palestino Mazin Qumsiyeh, da Universidade de Belém, na Cisjordânia, manifesta ceticismo sobre a eficácia do plano, que ainda prevê a criação de um governo tecnocrático palestino. "É um plano de farsantes. Trump é um criminoso de guerra, e Netanyahu quer transformar Gaza em negócio imobiliário."
 

Para ele, a paz só será possível com o que chama de "descolonização real". "Você não pode acabar com uma guerra enquanto um sistema racista permanece no poder", diz. Ele rejeita também a solução de dois Estados, defendida há décadas pela ONU. "Essa ideia é uma miragem. Não quero um Estado palestino fictício; quero que o mundo boicote Israel, como fez com o apartheid na África do Sul."
 

A guerra começou após o mega-ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando terroristas invadiram o sul de Israel, mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram mais de 250. Desde então, a ofensiva israelense devastou Gaza, provocando uma catástrofe humanitária. Segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, mais de 67 mil palestinos morreram, e a maioria da população vive hoje em abrigos improvisados, sem acesso regular a água potável, energia ou medicamentos.

Crânio humano é encontrado dentro de lixeira na região do Comércio, em Salvador

  • Bahia Notícias
  • 07 Out 2025
  • 12:20h

Foto: Divulgação/Bahia Notícias

Um crânio humano foi encontrado por pedestres na manhã desta segunda-feira (6) dentro de uma lixeira na Rua Riachuelo, região do Comércio, em Salvador, em um ponto conhecido como Praça da Mãozinha.

 

De acordo com testemunhas, a ossada teria sido deixada no local poucas horas antes da descoberta. O achado mobilizou equipes do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que realizaram a perícia e recolheram o material para análise.

 

O perito criminal Montenegro informou que se trata de “uma peça de crânio humano, com partes ausentes, como a arcada dentária inferior”, e destacou que, até o momento, não há indícios de crime violento. Segundo ele, “aparentemente, é um descarte aleatório”, mas o caso seguirá sob investigação.

 

O material foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exames periciais que poderão auxiliar na identificação da vítima e na determinação da origem da ossada.

Polícia investiga incêndio na casa de juíza que bloqueou ação de Trump na Carolina do Sul

  • Por Folhapress
  • 07 Out 2025
  • 10:13h

Foto: Reprodução / Redes Sociais

A polícia da Carolina do Sul investiga um incêndio que atingiu a casa de praia de uma juíza estadual e de um ex-senador democrata em Edisto, no sábado (4). A casa pertence à juíza Diane Goodstein e ao marido, Arnold Goodstein.

Um porta-voz da Divisão de Polícia da Carolina do Sul disse à NBC News que investiga o caso e, até o momento, não há evidências de incêndio criminoso.

Os investigadores pediram também que não sejam compartilhadas informações não verificadas.

Goodstein e familiares pularam de janelas da casa para escapar do fogo e receberam atendimento em um hospital.

Políticos democratas lembraram que Goodstein emitiu recentemente uma decisão temporária bloqueando a tentativa do governo Trump de apreender registros de votação estaduais.

O deputado democrata Daniel Goldman, de Nova York, afirmou no domingo (5) que Donald Trump e seus apoiadores estavam "divulgando informações falsas e ameaçando juízes que decidem contra Trump, incluindo o juiz Goodstein". Ele culpa a extrema direita pelo incêndio.

O vice-chefe de gabinete de Trump, Stephen Miller, disse que Goldman espalha "mentiras desprezíveis".

Jovem que diz ter sido adotado por Leonardo e Poliana na Bahia desabafa: "Minha mãe está chateada com a forma que foi falado"

  • Bahia Notícias
  • 07 Out 2025
  • 08:12h

Foto: Instagram/Bahia Notícias

Um homem identificado como João Dias, afirma ser o adolescente adotado e devolvido pelo cantor Leonardo e sua esposa, Poliana Rocha, há 17 anos, em Ilhéus, na Bahia.

Após a repercussão da revelação feita por Poliana em um programa da RedeTV!, o rapaz apareceu nas redes sociais e afirmou que descobriu a história do casal por terceiros.

Segundo João, a mãe ficou chateada com a forma que tudo foi contada pela mulher de Leonardo.

"Meu nome é João, o que a Poliana fala na entrevista dela. Sei que tem muita gente querendo saber onde está essa pessoa, quem é, e sou eu. Quero me pronunciar logo, só que tem muita gente mandando mensagem no meu perfil (...) Já chegou no ouvido da minha família, da minha mãe, ela está um pouco chateada com a forma que foi falado. Eles não querem aparecer, então vou me pronunciar porque a história é minha. Logo vou contar da forma certa", disse ele.

Para comprovar a história, João mostrou uma foto ao lado do casal na fazenda que pertence a Leonardo, em Goiás.

"Tem gente dizendo que a foto que postei com o cantor Leonardo é montagem. Eu estou com a foto física aqui, que foi tirada lá em Goiânia na fazenda Talismã. Veio umas fotos no envelope que me foi enviado, mas quando chegou nas minhas mãos já tinha sido aberto, e só recebi essa foto", explicou.

Segundo Poliana, o garoto foi devolvido porque não fazia nada em casa, nem mesmo brincar com Zé Felipe.

"O menino começou a me chamar de mainha… E aquilo foi me incomodando, sabe? E acho que o Zé Felipe começou a ficar um pouco enciumado com o menino. Só que, em vez de brincar com o Zé Felipe, ele fica todo dia deitado no sofá. Sombra e água fresca. Ele ficou em casa um mês e meio. Ele não tava mais jogando bola com o Zé. Eu falei: ‘Gente, eu preciso devolver esse menino. Como vou fazer?’."

A esposa de Leonardo disse que após a devolução do adolescente, nunca mais entrou em contato com a família.

"Comprei passagem, coloquei ele no voo, comprei roupa e encaminhei ele pra voltar pra Bahia. E fiquei um ano pagando pensão pra ele. Não tive contato com a mãe."

 

Bahia tem oito novos cursos de medicina aprovados em menos de dois anos, revela USP

  • Por Cláudia Collucci | Folhapress
  • 06 Out 2025
  • 18:20h

Foto ilustrativa: Fabio Rodrigues / Agência Brasil

Em menos de dois anos, o MEC (Ministério da Educação) aprovou a abertura de 77 novos cursos de medicina no país, que, juntos, passaram a ofertar 4.412 vagas de graduação, mostra estudo inédito da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). A Bahia com o Pará e São Paulo lideram em número de novos cursos, oito para cada um. Em seguida, aparecem Ceará e Maranhão, com sete novos cursos cada.

 

No mesmo período, 20 cursos de medicina já em funcionamento foram autorizados pelo MEC a aumentar o número de vagas, somando outras 1.049, o que totaliza 5.461 vagas de janeiro de 2024 a setembro deste ano.
 

Com isso, o Brasil atingiu neste ano a marca de 494 cursos de medicina, 80% deles privados, com um total de 50.974 vagas de graduação. É o segundo país do mundo com maior número de escolas médicas, só perdendo para a Índia (cerca de 600), país com mais de 1,4 bilhão de habitantes -o Brasil tem 213 milhões, segundo o IBGE.
 

Os dados foram solicitados ao MEC por meio da LAI (Lei de Acesso a Informação) pelo grupo de pesquisa Demografia Médica no Brasil, da FMUSP, que há 15 anos acompanha a oferta de médicos e de cursos de medicina. Parte deles não estava na base pública oficial do MEC (cadastro e-MEC).
 

Além dos cursos já autorizados, há outros 150 processos com novos pedidos de abertura ainda em análise pelo MEC. Setenta e cinco processos que pediam a abertura dos cursos foram indeferidos.
 

"Causou-nos muito espanto tanto a quantidade de novos cursos quanto a autorização de mais vagas nos cursos antigos. Não há justificativa técnica ou evidências que justifiquem essa expansão", afirma Mario Scheffer, professor do departamento de saúde preventiva na USP e coordenador do grupo de pesquisa.
 

Segundo ele, um estudo anterior mostrou que nenhum país do mundo passou por uma expansão de vagas tão acelerada na última década como o Brasil.
 

A partir do programa Mais Médicos, o número de vagas dobrou, passando de 23 mil, em 2014, para mais de 50 mil neste ano. Com o atual número, a projeção é que em 2030 o país tenha 1,2 milhão de médicos -5,3 por mil habitantes, quase o dobro da taxa atual, de 2,98 por mil.
 

Questionado, o MEC informou em nota que desde 2013, em razão da Lei dos Mais Médicos, a autorização de novos cursos de medicina é condicionada à aprovação em chamamento público, em que são definidos, junto com o Ministério da Saúde, quais são os municípios aptos para receber novos cursos, com base na necessidade social e capacidade de instalação.
 

Diz ainda que, mesmo com a moratória instituída em 2018, houve grande expansão no período de 2017 a 2022, com a criação de mais de 20 mil novas vagas. De 2023 a 2025, segundo o MEC, a abertura de cursos em instituições privadas deu-se pelo "estrito cumprimento de decisões judiciais".
 

"É um crescimento irracional, absurdo e inaceitável, que ocorre de maneira desordenada, com condições precárias de formação. Não há campo de ensino prático adequado", afirma César Eduardo Fernandes, presidente da AMB (Associação Médica Brasileira).
 

Ele diz que o aumento de escolas privadas sem condições mínimas tem levado à formação de médicos de segunda categoria que hoje estariam alocados na atenção básica de saúde e nos pronto-atendimentos. Estabelecimentos privados de ensino superior que oferecem cursos de medicina refutam essas críticas.
 

Tanto a AMB quanto o CFM (Conselho Federal de Medicina) defendem que médicos recém-formados devam ser aprovados em exame de proficiência antes de começar a atender. Pesquisa Datafolha mostra que 96% dos brasileiros apoiam a medida. Um projeto de lei para criação de um Exame Nacional de Proficiência em Medicina está em tramitação no Senado desde 2024.
 

O MEC afirma que para assegurar a qualidade da formação médica atua em várias frentes, entre elas a criação do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que será aplicado anualmente, a partir deste ano.
 

"Haverá supervisão estratégica nos cursos de medicina que tiverem baixo desempenho, visitas de avaliação in loco nas instituições de ensino em 2026 e atualização das diretrizes curriculares nacionais de medicina", diz a pasta.
 

Entre as medidas cautelares estão impedimento de ampliação de vagas, suspensão de novos contratos do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), suspensão da participação do curso no Prouni (Programa Universidade para Todos), redução de vagas para ingresso e suspensão de ingresso de novos estudantes.
 

"É verdade que, com as novas diretrizes os cursos, passam a ter mais obrigações e os alunos também serão avaliados no quarto ano, antes do internato. Isso é muito importante, mas ainda não sabemos se haverá de fato fiscalização e fechamento de vagas em cursos mal avaliados", diz Scheffer.
 

Segundo o estudo da USP, a região Nordeste concentra 29 dos novos cursos autorizados pelo MEC, 37,7% do total. Em seguida, vem o Sudeste, com 19 (24,7%); Norte, com 13, (16,9%); Sul, com 12 (15,6%) e Centro-Oeste, com 4 (5,2%).

 

Um dado que chama a atenção são os municípios fora das capitais que receberam autorização para a abertura de mais de um curso de medicina. Por exemplo, Vitória da Conquista Luís Eduardo Magalhães, no interior da Bahia, ganharam dois cursos cada.
 

Sobral e Tianguá, no Ceará, também tiveram autorização para abrir dois cursos cada um. O mesmo ocorreu com Cariacica e São Mateus, no Espírito Santo, e Ariquemes, em Rondônia.
 

Segundo Mario Scheffer, como não há evidências que justifiquem esse tipo de expansão de vagas privadas, a suspeita recai para lobbies diversos, como pressões de prefeitos e parlamentares e de grupos privados de ensino e de hospitais.
 

"Há uma conjunção de lobbies nesse mercado de educação médica. Esses cursos que parecem avulsos são incorporados imediatamente por grandes grupos. Viraram a galinha dos ovos de ouro." O preço médio das mensalidades nas escolas médicas é de R$ 10,2 mil, com variação de R$ 5,1 mil a R$ 15,7 mil.
 

O MEC informa que não recebe pedidos de autorização de curso de medicina fora do chamamento público, exceto nos casos decorrentes de determinação judicial.

Anvisa autoriza compra emergencial de 2.600 frascos de Fomepizol contra intoxicação por metanol

  • Bahia Notícias
  • 06 Out 2025
  • 16:20h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, neste domingo (5), autorização para a importação excepcional de 2.600 frascos de Fomepizol, um medicamento injetável essencial para o tratamento de pessoas com intoxicação por metanol. O metanol é uma substância frequentemente associada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas ou falsificadas.

 

A medida emergencial foi solicitada pelo Ministério da Saúde e será coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Do total autorizado, 2.500 frascos serão adquiridos pelo Ministério da Saúde, e os 100 frascos restantes serão doados pelo fabricante. O prazo de entrega do medicamento ainda será negociado

 

O Fomepizol, que não possui registro no Brasil, é uma das principais opções de tratamento. A importação foi autorizada rapidamente com base na RDC 203/2017, que permite a entrada de produtos sem registro em caráter de excepcionalidade para situações de vigilância sanitária.

16% das crianças de até 6 anos já teriam sofrido racismo, segundo percepção de responsáveis, indica Datafolha

  • Por Lucas Lacerda | Folhapress
  • 06 Out 2025
  • 14:43h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Uma em cada seis crianças com até seis anos de idade (16%) já teria sido vítima de racismo no Brasil, de acordo com a percepção dos responsáveis por elas. Mais da metade dos casos (54%) teria ocorrido na creche ou na pré-escola.
 

Apesar disso, 22% da população acha que é raro que este público esteja exposto ao problema, e outros 10% afirmam que não há vítimas nessa faixa etária porque a sociedade brasileira praticamente não é racista.
 

É o que mostram dados de uma pesquisa Datafolha encomendada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, organização que trabalha no segmento da primeira infância no país. A pesquisa ouviu um total 2.206 pessoas em entrevistas presenciais realizadas em abril de 2025, sendo 822 responsáveis por cuidar de crianças de 0 a 6 anos. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para total da amostra e de 3 pontos percentuais para amostra de responsáveis.
 

O instituto perguntou aos responsáveis "a criança já foi tratada de forma diferente de outras crianças por causa de sua cor da pele, tipo de cabelo e outras características físicas?".
 

O levantamento faz parte de um estudo sobre a primeira infância no país, organizado pela fundação, e mostra como o racismo contra bebês e crianças é percebido. Entre os 132 responsáveis que relataram ter testemunhado situações que consideram racismo contra as crianças, o local mais frequente da ocorrência foi o ambiente escolar (54%) Em seguida estão espaços públicos como ruas, praças ou parques, indicado por 42% desse público, seguido pelo bairro ou vizinhança (20%).
 

Os relatos são mais frequentes entre os responsáveis pretos ou pardos (19%), ante a parcela de brancos (10%).
 

Já para a pergunta sobre a exposição de crianças na primeira infância ao racismo, a diferença de escolaridade tem impacto significativo. Com nível superior, são 74% os que concordam com a afirmação de que "O racismo é algo comum e mesmo crianças na primeira infância são vítimas de racismo", proporção que cai para 53% entre aqueles com ensino fundamental.
 

A discriminação na fase de 0 a 6 anos de idade compromete o desenvolvimento das crianças e poderá ter efeitos no futuro dessas vidas, segundo a CEO da fundação, Mariana Luz.
 

Isso porque até 90% da formação do cérebro ocorre nesse período, com competências que serão exigidas pelo resto da vida. E um dos elementos básicos para uma boa formação é a proteção, que tem como opostos abusos e violências, como o racismo.
 

"Então se essa criança, uma criança pequena, sofre racismo na sala de um colega num período no qual ela está formando a sua identidade, constituindo a sua autoestima, que ela precisa das experiências para se desenvolver plenamente, isso vai minar esse processo, isso vai gerar traumas e esse estresse tóxico vai impedir que ela se desenvolva nessa máxima potência."
 

Segundo a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, a criança que sofre discriminação passa a viver em alerta, gastando energia que seria direcionada ao desenvolvimento e aprendizado para tentar antecipar e se proteger de ataques.
 

"Imagine esse gasto de pensar que vão falar do cabelo, do nariz, que não vão querer brincar."
 

Entre os impactos também estão a rejeição da própria imagem, a tentativa de apagar a identidade racial e a propensão do desenvolvimento de doenças.
 

A creche e a pré-escola, assim, não podem ser vistas como alheias aos ambientes escolares dos mais velhos, porque o racismo também ocorre e precisa ser combatido nesses espaços. É o que diz a coordenadora-executiva da Ação Educativa, Edneia Gonçalves.
 

Toda a comunidade escolar, diz ela, precisa ser chamada a resolver os casos de racismo, com protocolos que precisam estar ou serem inseridos no projeto político-pedagógico de cada unidade. "Esses procedimentos da escola é que vão determinar como você vai acolher a vítima, como vai educar o racista e como vai mobilizar a comunidade escolar e fazer a autoavaliação nessa escola."
 

Grande parte do desafio está em como aplicar a lei 10.639, que estabelece o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana na educação básica e que já completou duas décadas ainda vista como esforço particular de alguns professores. Para Edneia, a questão é promover uma educação de qualidade, com repertório para que as crianças possam aprender e também construir e valorizar suas próprias identidades.
 

Para Viviana, da Oxfam Brasil, ainda faltam mecanismos de acompanhamento para verificar a aplicação da lei. A especialista destaca que é preciso educar toda a comunidade. "É pensar como é que as famílias continuam educando as crianças brancas para a reprodução do racismo. A gente olha a criança negra, mas eu me preocuparia com a criança branca."

Brasil investiga 209 casos suspeitos de intoxicação por metanol; 16 já foram confirmados

  • Bahia Notícias
  • 06 Out 2025
  • 12:39h

Foto: João Valério/Governo do Estado de SP

O Ministério da Saúde informou neste domingo (5) que o Brasil tem 209 casos em investigação de intoxicação por metanol após ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas. Outros 16 casos foram confirmados, sendo 14 em São Paulo e 2 no Paraná.

 

Os dados, consolidados pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (CIEVS), indicam que o estado de São Paulo concentra a maioria das notificações, com 14 confirmações e 178 casos ainda sob apuração.

 

Ao todo, 13 estados notificaram suspeitas, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rondônia, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará. Os casos registrados na Bahia e no Espírito Santo foram descartados. O Ceará teve o primeiro caso suspeito confirmado neste fim de semana.

 

Até o momento, o país contabiliza 15 mortes possivelmente relacionadas ao metanol, sendo duas confirmadas em São Paulo e 13 ainda em investigação, sete em São Paulo, três em Pernambuco, uma no Mato Grosso do Sul, uma na Paraíba e uma no Ceará.

 

Para reforçar o tratamento dos pacientes, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de etanol farmacêutico, antídoto usado em casos de intoxicação por metanol. Nesta primeira remessa, foram encaminhadas 580 ampolas a cinco estados: 240 para Pernambuco; 100 para Paraná; 90 para Bahia; 90 para o Distrito Federal; 60 para Mato Grosso do Sul.

 

O antídoto faz parte do lote de 4,3 mil ampolas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), fornecidas por hospitais universitários federais em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

 

A intoxicação por metanol é considerada uma emergência médica grave, podendo causar cegueira e morte. Os principais sintomas incluem visão turva, perda de visão, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese.

 

O Ministério da Saúde recomenda que pessoas que apresentem sintomas ou que tenham consumido bebidas de origem duvidosa procurem imediatamente atendimento médico e entrem em contato com o Disque-Intoxicação Anvisa: 0800 722 6001 e Centro de Controle de Intoxicações de SP (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800 771 373