Bahia registra alta nas hospitalizações de crianças menores de 2 anos por VSR, causador da bronquiolite

  • Por Liz Barretto/Bahia Notícias
  • 28 Abr 2026
  • 12:21h

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A Bahia registrou um aumento nas hospitalizações de crianças menores de 2 anos por infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite. O avanço dos casos preocupa especialistas e acompanha uma tendência nacional de crescimento das infecções respiratórias graves entre o público infantil.

 

De acordo com o boletim InfoGripe da Fiocruz, houve aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças pequenas em quatro das cinco regiões do país, incluindo o Nordeste. A análise aponta que o VSR é o principal responsável pela elevação das hospitalizações nessa faixa etária, especialmente entre bebês e crianças de até dois anos.

 

Segundo o Ministério da Saúde, o vírus responde por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e um dos principais motivos de internação infantil no país. A doença é caracterizada pela inflamação nos bronquíolos, ramificações de pequeno calibre dos brônquios. As terminações têm menos de 1 milímetro e são essenciais na condução de ar nos pulmões.

 

O pneumologista e diretor de Assuntos de Saúde Pública da Associação Bahiana de Medicina (ABM), Guilhardo Fontes, alerta que crianças com menos de dois anos e idosos são os principais grupos afetados. “A doença acomete mais crianças porque o sistema imunológico está em formação, mas recentemente já percebemos que pessoas de mais idade também podem ter bronquiolite, pelo mesmo agente etiológico que é o VSR”, explicou o diretor.

 

Em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde ampliou as estratégias de prevenção no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as principais medidas está a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gestação. O que permite a transferência de anticorpos ao bebê ainda durante a gravidez, garantindo proteção nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade.

 

A vacina contra o VSR foi viabilizada por meio de parceria com o Instituto Butantan, com transferência de tecnologia para produção nacional. Desde dezembro de 2025, mais de 1,6 milhão de doses já foram distribuídas em todo o país.

 

Como estratégia complementar, o Ministério também incorporou ao SUS, em fevereiro deste ano, o nirsevimabe — um anticorpo monoclonal que oferece proteção imediata contra o vírus. A medida é voltada principalmente a recém-nascidos prematuros e crianças de até 23 meses com comorbidades, grupo considerado de maior risco. Até o momento, cerca de 300 mil doses foram distribuídas.

 

No campo regulatório, a Anvisa aprovou este mês a ampliação do uso da vacina Arexvy, permitindo sua aplicação em adultos a partir dos 18 anos. O imunizante, que utiliza tecnologia de proteína recombinante, é indicado para prevenir doenças do trato respiratório causadas pelo VSR, que também pode impactar adultos, especialmente aqueles com comorbidades.

 

Especialistas alertam que, apesar de ser mais associado à infância, o Vírus Sincicial Respiratório circula em todas as faixas etárias e pode provocar complicações importantes. Em crianças pequenas, os sinais de alerta incluem dificuldade para respirar, chiado no peito, cansaço, recusa alimentar e febre.

 

Diante desse cenário, a recomendação é que pais e responsáveis mantenham a vacinação em dia e procurem atendimento médico ao surgimento dos primeiros sintomas, especialmente em bebês. A prevenção, para Guilhardo Fontes, ainda é a principal estratégia para reduzir hospitalizações e evitar agravamentos.

 

“A amamentação é fundamental, mas essa vacina passa por via transplacentária, então aumenta a resistência imunológica das crianças. O imunizante pode seguramente ser dado a criança ou a gestante e a vacina é a melhor forma de prevenção”, assegurou o pneumologista.


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