- Por Fernanda Brigatti | Folhapress
- 03 Fev 2026
- 16:45h
Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (2) o texto-base da medida provisória (MP) que cria o Gás do Povo, programa que troca o pagamento do Auxílio-Gás pela retirada de botijões diretamente nos revendedores.
Uma das vitrines eleitorais da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta foi aprovada com votos favoráveis de 415 deputados federais, garantindo uma vitória ao governo na primeira sessão deliberativa do ano.
Até agora, o programa está rodando em todas as capitais e o governo prevê chegar a todos os municípios até o mês de março. A adesão voluntária tem preocupados integrantes o governo, como mostrou a Folha de S. Paulo, mas a expectativa do setor é que mais comércios decidam participar conforme o programa avança.
Levantamento do Sindigas (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) aponta que, na média, a adesão em todas as capitais está em 35%. Nas cidades incluídas na primeira fase do programa, a entidade calcula que 52% das revendas estejam cadastradas. Nas 17 que começaram em 26 de janeiro, a adesão está entre 25% e 30%.
Até dezembro, os beneficiários recebiam o valor equivalente ao preço médio do botijão na região em que moram. Agora, passam a retirar o botijão diretamente nas revendedoras participantes. Esses comerciantes receberão o pagamento em até dois dias. O texto aprovado na Câmara prevê um prazo máximo de sete dias úteis para as lojas receberem.
Têm direito ao botijão as famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal igual ou inferior a meio salário mínimo. A prioridade será para as famílias beneficiárias do Bolsa Família. Até que todos tenham acesso ao botijão gratuito, o pagamento do valor será mantido.
O relatório aprovado pela Câmara nesta segunda amplia o escopo do programa e inclui a possibilidade de instalação de biodigestores e outros sistemas de cocção de baixa emissão de carbono. O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), relator do texto na comissão mista que analisou a MP, diz que a inclusão busca atender regiões rurais onde falta acesso ao botijão.
Junto à essa possibilidade, Leal também incluiu como público-alvo do programa as cozinhas solidárias e comunitárias, que poderão, segundo o texto aprovado, ser financiadas pelo Ministério de Minas e Energia, por entes subnacionais (estados e municípios) ou por recursos decorrentes de multas e termos de ajustamento de conduta (TACs) em infrações ambinetais.
"Os biodigestores são uma inovação que já existe, pode usar desejos para produzir o gás, já existe em alguns lugares. A ideia é espalhar um pouco mais e incluir um forma de financiamento, abrir a possibilidade de os biodigestores serem financiados", diz Hugo Leal.
A lei que trata de crimes contra a ordem econômica também foi alterada por meio da MP, no trecho que se refere ao uso do GLP em motores, saunas, caldeiras e para o aquecimento de piscina. Esses usos deixam de ser enquadrados na legislação, mantido apenas o veto para fins automotivos.
O relator incluiu no relatório final dois jabutis, como são chamadas propostas sem relação com o projeto original, que, segundo ele, foram acordados com integrantes do governo e na comissão. "Só ficaram temas que tinha acordo. Biometano, gasoduto, tinha mais coisa [em anális na comissão], mas não teve consenso."
Os dois tratam de mudanças que chegaram a ser propostas pelo governo em MPs que não chegaram a ser votadas. O primeiro, na frente de energia, permite que agentes anteriormente desligados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e que ainda possuam débitos relacionados à repactuação do risco hidrológico (chamado de GSF) possam participar do chamado mecanismo concorrencial previsto no novo marco do setor elétrico.
O outro incorpora o texto de uma outra medida provisória, a 1.315/2025, que amplia a renúncia fiscal do Executivo em R$ 800 milhões por meio da depreciação acelerada para indústria naval e de petróleo. A medida original também foi apresentada em setembro do ano passado, mas a comissão mista que a analisaria sequer foi instalada e perderia a validade em nos próximos dias.
MP QUE ABRIU CRÉDITO PARA COMBATE À GRIPE AVIÁRIA É APROVADA
Na primeira sessão deliberativa do ano, os deputados federais aprovaram também uma medida provisória de abertura de crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões liberados no ano passado pelo governo Lula para que o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) reforçasse ações de vigilância.
Em setembro, quando a medida provisória foi enviada, a pasta atuava no combate à gripe aviária (identificada no país alguns meses antes) e a outras pragas como a mosca-da-carambola, vassoura-de-bruxa da mandioca e monilíase do cacaueiro. A preocupação, à época, era com o risco de dispersão dessas pragas, que poderiam reduzir a disponibilidade de frutas, cacau e mandioca, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.
- Por Luísa Martins | Folhapress
- 03 Fev 2026
- 14:35h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Iniciadas em 2023, as investigações sobre as joias presenteadas pela Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro tramitam em ritmo lento em todas as frentes de apuração -criminal, administrativa e fiscal, sendo que essa última sob risco de prescrição.
Um conjunto composto por seis itens -um relógio, uma caneta, um anel, um par de abotoaduras e um rosário, todos da marca suíça Chopard- entrou no Brasil em 2021 sem ser declarado nem detectado pelas autoridades brasileiras.
Na mesma ocasião, um assessor do então ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) foi flagrado no Aeroporto Internacional de Guarulhos com outro kit de joias, que acabou apreendido pela Receita Federal.
O estojo que passou despercebido foi entregue a Bolsonaro, que tentou vender as joias no exterior. Os bens sob suspeita foram avaliados pela PF (Polícia Federal) em mais de R$ 6,8 milhões.
O episódio gerou um procedimento no TCU (Tribunal de Contas da Uniãlo), uma apuração aduaneira e uma investigação penal, pela qual o ex-presidente já foi indiciado perante o STF (Supremo Tribunal Federal).
Desde que Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal, em julho de 2024, não há novidades no processo, cujo futuro está nas mãos do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ele pode denunciar o ex-presidente ao STF, pedir mais diligências ou requerer o arquivamento. A interlocutores ele tem afirmado que definirá "em breve" qual desses caminhos será tomado. O inquérito tem o ministro Alexandre de Moraes como relator.
De acordo com a PF, elementos de provas apontam para "uma associação criminosa voltada para a prática de desvio de presentes de alto valor" e incorporação desses recursos ao patrimônio de Bolsonaro por meio de lavagem de dinheiro.
Em relação ao processo fiscal, a Receita acendeu alerta para o risco de prescrição, já em outubro deste ano, dos crimes de descaminho e advocacia administrativa, caso o TCU não compartilhe com o órgão informações sobre as joias, que ainda precisam ser periciadas.
O delegado da Receita responsável pelo caso, Emanuel Boschetti, enviou um ofício à corte de contas em dezembro, pedindo "atenção especial" para o processo, sob pena de "inviabilizar a atuação tempestiva e ocasionar o perecimento do direito de punir do Estado", que é de cinco anos a partir da data da infração.
Procurado pela Folha de S. Paulo, o TCU afirma que "o processo foi enviado para área técnica para exame do referido ofício da Receita Federal", que "não há decisão do tribunal sobre o tema" e que, neste momento, "não há informações públicas".
O processo administrativo, em que se discute se as joias sauditas são itens pessoais ou patrimônio público, também não tem data para ser apreciado no plenário do TCU. O caso está sob relatoria do ministro Augusto Nardes.
A corte de contas julgou em 2024 um caso semelhante envolvendo um relógio recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi no sentido de que o petista não precisava devolvê-lo, pois a lei não prevê que esses presentes sejam considerados bens públicos.
O entendimento do TCU sobre o relógio de Lula deu esperança à defesa de Bolsonaro, mas o caso específico sobre as joias do ex-presidente ainda está pendente de julgamento, quase três anos depois da petição inicial.
O gabinete de Nardes informou à reportagem que "o assunto foi encaminhado à unidade técnica para a instrução" e que a tomada de contas deve ser levada ao colegiado "assim que forem retomadas as atividades" após o recesso.
A defesa de Bolsonaro também foi procurada pela reportagem, mas não respondeu. Atualmente, o ex-presidente está preso na unidade conhecida como Papudinha, apelido do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda.
Ele cumpre pena de 27 anos e três meses, imposta pela Primeira Turma do STF em setembro passado, por liderar uma organização criminosa que buscava dar um golpe de Estado.
- Bahia Notícias
- 03 Fev 2026
- 12:31h
Foto: Instagram/Bahia Notícias
A empresária Amanda Vasconcelos Tavares Reis, de 28 anos, esposa do cantor Henrique, da dupla com Juliano, foi presa em Orlando, nos Estados Unidos, na última segunda-feira (2).
A jovem foi detida por dirigir com a carteira de habilitação vencida. De acordo com informações, do g1, não há registros públicos que confirmam se houve pagamento de fiança ou se a Justiça da Flórida liberou Amanda.
O registro oficial do Gabinete do Xerife do Condado de Orange (Orange County Sheriff’s Office), indica que a brasileira enfrenta duas acusações criminais e o motivo principal da prisão é a fuga de uma abordagem policial.
Foto:Bahia Notícia
Segundo o relatório da polícia, o crime cometido pela esposa do cantor é considerado grave, uma felonia de terceiro grau, por ter ignorado uma ordem de parada.
Até o momento, a assessoria do cantor não se pronunciou sobre o ocorrido.
- Por Mariana Brasil | Folhapress
- 03 Fev 2026
- 10:29h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que o Congresso Nacional dê prioridade às pautas relativas ao Acordo Mercosul-União Europeia, ao fim da escala de trabalho 6x1 e à regulação dos trabalhos por aplicativo, em mensagem enviada ao Legislativo nesta segunda-feira (2).
Ainda nesta tarde, o presidente enviou ao Congresso o texto do acordo comercial para apreciação. O despacho foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União.
As três pautas listadas no documento enviado pelo presidente às Casas são as principais bandeiras defendidas pela gestão neste primeiro semestre. Além dessas, também são citadas a PEC da Segurança, o PL Antifacção e a MP (Medida Provisória) do programa Gás do Povo.
"Nosso próximo desafio é o fim da escala 6x1 de trabalho, sem redução de salário. O tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família", diz trecho.
"Dentre os desafios nacionais inerentes ao Executivo e ao Legislativo para 2026, destaco ainda a urgente necessidade de regulação do trabalho por aplicativos, uma demanda importante das novas categorias profissionais, que não podem ter sua mão de obra precarizada e dependem de defesa institucional do Estado brasileiro para mediar melhores condições de trabalho."
Além de trazer um texto assinado pelo presidente da República, o documento também detalha avanços do governo até então e as prioridades para o ano que se inicia. Anos eleitorais, como este, têm um período de deliberação e votação mais curtos nas Casas, devido às restrições que o calendário eleitoral impõe.
Como costuma ocorrer, a mensagem foi enviada pessoalmente pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e lida no plenário da Câmara dos Deputados. O presidente Lula não participa de forma presencial desta etapa. Neste ano, o texto foi lido pelo deputado federal Carlos Veras (PT-PE), primeiro-secretário da Câmara.
Os presidentes do Legislativo, Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado, e Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, comandam a cerimônia.
Esta segunda-feira também marca o início dos trabalhos do judiciário, no STF (Supremo Tribunal Federal), onde o presidente também participou. Diferentemente de anos anteriores, Lula discursou na cerimônia.
Tanto em sua fala no Supremo, quanto na mensagem escrita para o Congresso, o presidente citou o combate ao crime organizado com foco em seus financiadores, com elogio específico à operação Carbono Oculto, que apurou crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo gestoras da Faria Lima.
"O ano passado também entrou para a história pela maior ofensiva contra o crime organizado de todos os tempos. E, pela primeira vez, o combate às facções criminosas chegou ao andar de cima. A Operação Carbono Oculto desmantelou um esquema bilionário que utilizava distribuidoras, refinarias, postos de gasolina e fintechs para lavagem de dinheiro do crime", diz a carta.
Neste contexto, Lula também destacou como prioridade, a aprovação da PEC da Segurança, proposta oriunda do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Junto a ela, o PL Antifacção.
"Esses esforços serão fortalecidos com propostas legislativas do nosso Governo. A primeira delas é a PEC da Segurança Pública, que cria o ambiente adequado para maior cooperação da União com os Estados, hoje responsáveis pela gestão da segurança pública. Outra é a aprovação do PL Antifacção, que endurece o combate ao crime organizado ao prever penas mais severas aos seus líderes e ao restringir a progressão de pena."
- Por Maurício Leiro / Victor Hernandes/Bahia Notícias
- 03 Fev 2026
- 08:26h
Foto: Feijão Almeida / GovBA / Marcelo Camargo/Agência Brasil
Após a turbulenta saída do senador Angelo Coronel do PSD e de rumores sobre um novo destino do partido na Bahia, uma ligação do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, para o governador, Jerônimo Rodrigues (PT), teria servido para reaproximar os laços e acalmar possíveis desentendimentos.
Segundo informações obtidas pela reportagem com lideranças do grupo do PSD, Kassab realizou uma chamada de telefone com Jerônimo nesta segunda-feira (2). Durante o contato, o ex-prefeito de São Paulo teria agradecido por ter uma “posição firme” na relação com o seu partido.
Ainda na ocasião, Kassab teria feito endossos para o ex-governador do estado, o senador Jaques Wagner. O dirigente do partido teria ainda efetuado contato com o presidente do PSD baiano, Otto Alencar, depois do encontro do senador com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizado nesta segunda em Brasília.
Por meio de telefone, Otto e Kassab teriam tratado sobre filiações do partido e acerca da manutenção da sigla na base do governo estadual baiano. Na ligação, ambos relembraram a relação histórica e de apoio que tiveram na política baiana.
O encontro chega em meio a tensões e novas discussões a respeito de uma possível saída do partido do grupo petista. Além disso, a possível retirada do comando de Otto na sigla, também chegou a ser especulada entre membros da cúpula.
Um dos fatos que teria influenciado o assunto seria a chegada de Ronaldo Caiado ao partido. O traçado poderia retirar o poder e comando do presidente estadual do PSD, Otto Alencar, fazendo com que o senador não conseguisse determinar o destino do partido e como seria a caminhada dos filiados, em decorrência da chegada de Caiado.
O tema ainda sofreu maior influência na manhã desta terça-feira (3) por conta da possível articulação para a chegada do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, ao Partido Social Democrático (PSD) da Bahia para as eleições de 2026.
Informações reveladas ao Bahia Notícias por interlocutores do ex-prefeito apontaram que a ideia e a eventual movimentação deve ser um dos temas discutidos e comentados, durante a viagem do atual vice-presidente do União para Brasília, também nesta terça.
- Por Folhapress
- 02 Fev 2026
- 16:45h
Fotos ilustrativas: Reprodução / Agência Brasil / Médico Sem Fronteiras
Israel anunciou neste domingo (1º) a reabertura da fronteira da cidade de Rafah, na Faixa de Gaza, com o Egito, apenas para moradores do território palestino. A reabertura da passagem, fundamental para a entrada de ajuda humanitária, estava prevista no plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aprovado por Tel Aviv e pelo grupo terrorista Hamas em outubro.
O anúncio foi feito pelo Cogat, braço do Ministério da Defesa israelense que supervisiona assuntos civis em Gaza. "Uma fase piloto começou em coordenação com a missão [de assistência de fronteiras] da União Europeia (Eubam) e as autoridades competentes", afirmou o órgão. Não houve menção à passagem de ajuda humanitária.
O trânsito de pessoas pelo local, em ambas as direções, deve ser autorizado a partir de segunda-feira (2). Os líderes do Egito e da Jordânia, no entanto, reagiram ao anúncio condenando o que classificaram de tentativas de deslocar a população palestina.
Durante um encontro na capital do Egito, Cairo, o ditador do país, Abdul Fatah Al-Sisi, e o rei Abdullah 2º, da Jordânia, "renovaram sua afirmação da posição firme do Egito e da Jordânia rejeitando quaisquer tentativas de deslocar o povo palestino de sua terra", de acordo com um comunicado do regime egípcio.
Segundo um representante do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, cerca de 20 mil pessoas esperam pela reabertura para deixar Gaza e receber tratamento no Egito. A fronteira estava fechada desde maio de 2024, quando o Exército israelense assumiu o controle da passagem.
"A cada dia que passa, meu estado piora e minha vida me escapa", disse Mohammed Shamiya, 33, à agência de notícias AFP. Ele sofre de uma doença renal que requer tratamento de diálise e espera conseguir sair de Gaza para receber atendimento médico.
Também neste domingo, Israel anunciou que a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) deverá interromper suas atividades na Faixa de Gaza por ter se recusado a fornecer uma lista de seus funcionários palestinos —algo "aplicável a todas as instituições humanitárias que operam na região", segundo o Ministério da Diáspora israelense, responsável pelo registro das ONGs.
Em dezembro, a pasta afirmou que proibiria a atuação de 37 organizações humanitárias, incluindo a Médicos Sem Fronteiras, em Gaza a partir do dia 1º de março por não apresentarem informações detalhadas sobre os colaboradores palestinos. Segundo o ministério, dois funcionários da MSF teriam vínculos com o Hamas e com o Jihad Islâmico, o que a ONG nega.
A Médicos Sem Fronteiras afirmou neste domingo que a decisão de proibir suas atividades em Gaza é um "pretexto para impedir a ajuda".
Na sexta-feira, a ONG havia divulgado um comunicado afirmando ter aceitado neste mês, como medida excepcional, compartilhar uma lista parcial de seus colaboradores palestinos e estrangeiros, desde que houvesse compromissos claros do governo israelense a respeito de sua segurança.
"Apesar dos esforços reiterados, nos últimos dias ficou claro que não era possível qualquer diálogo com as autoridades israelenses para obter as garantias necessárias", disse a ONG, que decidiu, então, não compartilhar a relação de funcionários palestinos e estrangeiros com as autoridades de Tel Aviv.
Apesar do cessar-fogo, Israel lançou no sábado (31) um de seus ataques aéreos mais violentos da última semana contra a Faixa de Gaza, atingindo uma delegacia administrada pelo Hamas e áreas com tendas e apartamentos que abrigavam palestinos que precisaram se deslocar. Ao menos 32 pessoas morreram, incluindo três crianças, segundo autoridades de saúde do território.
Na sexta-feira (30), Israel admitiu pela primeira vez que os bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza mataram pelo menos 25 mil civis ao longo da guerra. O conflito começou em 7 de outubro de 2023, com um ataque terrorista do Hamas, e teve uma trégua, ainda que frágil, acordada no ano passado.
As próximas fases do plano de Trump para Gaza preveem que a administração seja entregue a tecnocratas palestinos, que o Hamas se desarme e que as tropas israelenses se retirem do território, enquanto uma força internacional mantém a paz e Gaza é reconstruída. O Hamas até agora rejeitou o desarmamento e Israel indicou repetidamente que usará força se o grupo não ceder pacificamente.
- Por Nathalia Garcia | Folhapress
- 02 Fev 2026
- 14:27h
Fotos: Reprodução / Agência Brasil
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma reestruturação do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para aumentar o cerco a crimes financeiros depois de uma série de episódios que colocaram à prova a segurança do sistema em 2025.
O plano em discussão, ao qual a Folha teve acesso, prevê a criação de 66 cargos comissionados e seis subunidades regionais. A proposta de decreto presidencial foi encaminhada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao Ministério da Gestão. O prazo dado para resposta é de cerca de um mês.
Ao contextualizar o tema em documento que terá Lula como destinatário, Galípolo argumenta que a evolução das transações financeiras, que passaram a incorporar novas tecnologias, como criptoativos, e a integrar fluxos monetários em uma escala global, impõe desafios operacionais e analíticos ao Coaf.
O presidente do BC destaca também que houve ampliação de responsabilidades do órgão desde 2019, quando o Coaf passou a ser vinculado administrativamente à autoridade monetária, em um momento de maior necessidade de processar um grande volume de informações -hoje, são mais de 7,5 milhões de comunicações por ano.
Com a reestruturação proposta, o número total de cargos comissionados -funções de confiança para as quais não há exigência de concurso público- subirá de 75 para 141. Dos 66 novos postos, 48 serão destinados à reestruturação da sede e outros 18 à implementação das subunidades.
Na exposição de motivos, em esboço obtido pela Folha, Galípolo reproduz apontamentos feitos em nota técnica elaborada pelo próprio Coaf sobre a limitação de pessoal e a defasagem da estrutura atual do órgão.
Ao diagnosticar a situação, o presidente do BC cita impacto do reduzido quadro de funcionários efetivos sobre a capacidade operacional da unidade de inteligência financeira e menciona que a alta rotatividade de servidores cedidos de outros órgãos dificulta a consolidação de equipes técnicas especializadas.
Além disso, avalia que a estrutura da organização precisa ser atualizada para atender a demandas legais, tecnológicas e operacionais do sistema de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Essa defasagem, segundo ele, compromete a celeridade das análises de inteligência e a efetividade das ações de supervisão.
A criação de novos cargos em ano de eleições, como é o caso de 2026, não é vedada pela legislação eleitoral. No entanto, as regras da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) trazem impedimento em caso de aumento de despesa nos 180 dias finais do mandato.
De 4 de julho até a posse dos eleitos, é proibido nomear ou contratar servidores. No entanto, existem exceções legais, entre elas, para cargos em comissão e funções de confiança, como é o caso proposto pelo Coaf.
A reestruturação do órgão ganha contorno poucos meses depois de o próprio Banco Central endurecer uma série de regras regulatórias para fortalecer a segurança do sistema financeiro nacional depois de ataques hackers e da identificação da infiltração do crime organizado na economia.
Os ataques cibernéticos se intensificaram em 2025 após megaoperação realizada contra a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios regulares da economia formal, como os setores de combustíveis e financeiro.
O Coaf também está no centro de um inquérito sigiloso aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para apurar se houve quebra de sigilo na Receita Federal ou no Coaf de integrantes da corte e familiares.
Além do reforço de funcionários, a reestruturação do Coaf prevê a criação de seis subunidades de inteligência financeira com o objetivo de ampliar sua presença regional.
Segundo nota técnica do órgão, que subsidiou o documento de Galípolo, a carência de estruturas locais restringe a capacidade de resposta rápida, limita a compreensão individualizada dos riscos e ameaças de cada região, e dificulta o compartilhamento eficiente de dados com órgãos estaduais e regionais.
Cada subunidade será composta por um coordenador-geral, dois coordenadores e oito servidores especializados. Análise financeira, inteligência estratégica, fiscalização suplementar de pessoas supervisionadas na região e cooperação com autoridades estaduais e federais estão entre as principais funções que deverão ser exercidas.
As localidades sugeridas são Campo Grande (MS) e Foz do Iguaçu (PR), por serem rotas de tráfico e de crimes transfronteiriços; Recife (PE), pela presença de facções criminosas; Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), pela grande concentração de instituições financeiras e pelo alto volume de comunicações; além de Belém (PA).
Em algumas delas, como Belém, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, o BC tem sede. Já cidades como Campo Grande e Foz do Iguaçu a autarquia não tem representação local.
A implementação da subunidade do Rio de Janeiro responde a uma determinação judicial de Moraes nos autos da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) das Favelas, que restringe operações policiais nas comunidades do município.
Para instalação física e tecnológica e para aquisição de equipamentos das seis subunidades em 2026, o investimento inicial calculado é de R$ 2,49 milhões. Já o gasto anual para manutenção delas, incluindo remuneração de cargos comissionados e despesas operacionais, é estimado em cerca de R$ 30,8 milhões.
A expectativa interna é que a reestruturação organizacional traga benefícios como aprimoramento analítico, melhora na governança e consolidação de uma política nacional integrada de inteligência financeira.
"A proposta reforça o papel do COAF como autoridade central do sistema nacional de inteligência financeira, garantindo a sustentabilidade de sua missão e o cumprimento das recomendações de organismos internacionais, como o GAFI [Grupo de Ação Financeira], em termos de autonomia, estabilidade e capacidade técnica. Como resultado, ocorrerá o fortalecimento da atividade de combate ao crime organizado", diz Galípolo no documento.
O aumento de pessoal e a criação de núcleos regionais fazem parte de um plano mais amplo para reforçar o trabalho do Coaf, que inclui renovação de sistema para elaboração de relatórios de inteligência financeira, com uso de inteligência artificial. Ricardo Saadi, ex-diretor da Polícia Federal, assumiu o comando do Coaf em meados do ano passado, após receber do BC promessa de mais investimentos.
- Bahia Notícias
- 02 Fev 2026
- 12:25h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Em uma noite para a cultura baiana, Caetano Veloso e Maria Bethânia foram os grandes vencedores da categoria "Melhor Álbum de Música Global" na 68ª edição do Grammy Awards, realizada neste domingo (1º). O prêmio foi concedido pelo aclamado disco "Caetano e Bethânia Ao Vivo", registro da turnê que reuniu os irmãos nos palcos após décadas.
Os irmãos de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, eram os únicos brasileiros indicados nesta edição da premiação americana. Embora não tenham comparecido ao evento para receber o troféu pessoalmente, a vitória ressoa como um marco em suas trajetórias.
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Maria Bethânia: Em sua primeira indicação ao Grammy americano, a cantora já estreia com vitória, levando seu primeiro gramofone dourado.
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Caetano Veloso: Este é o 3° Grammy do artista, que soma agora cinco indicações ao longo da vida. Ele já havia vencido em 2000 (pelo álbum Livro) e em 2001 (pela produção do disco João Voz e Violão, de João Gilberto).
O álbum "Caetano e Bethânia Ao Vivo" superou nomes influentes da música mundial. Entre os principais concorrentes estavam o nigeriano Burna Boy, o senegalês Youssou N’Dour, o indiano Siddhant Bhatia e o grupo multinacional Shakti.
- Por Folhapress
- 02 Fev 2026
- 10:23h
Foto: Divulgação / Les Films Pelleas
Mehdi Mahmoudian, um dos três corroteirista do filme "Foi Apenas um Acidente" ao lado do diretor Jafar Panahi, foi preso no Irã, neste sábado, ao lado de outros dois signatários de uma carta com críticas ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
O governante é acusado de cometer crimes contra a humanidade, em meio aos recentes protestos contra os líderes religiosos, no poder há quase quatro décadas.
O próprio Panahi também assinou a carta, ao lado do cineasta Mohammad Rasoulof, de "A Semente do Fruto Sagrado", além da ativista e Nobel da Paz Narges Mohammadi. Os ativistas Abdollah Momeni e Vida Rabbani também foram detidos.
As informações foram divulgadas pela Neon, distribuidora do filme de Panahi nos Estados Unidos, após a vitória da Palma de Our, no ano passado, dessa que é uma coprodução francesa. No Oscar, o trabalho concorre aos prêmios de melhor roteiro original e melhor filme internacional, ao lado de "O Agente Secreto" e "Valor Sentimental".
O próprio Panahi tem um longo histórico de ameaças e prisões por suas críticas ao governo, e teve de rodar "Foi Apenas um Acidente" de forma clandestina.
Em nota, o cineasta afirma que conheceu Mahmoudian na prisão, também motivada por manifestações políticas, e lá ficaram juntos por sete meses, e que ele foi muito presente na concepção do roteiro e nas filmagens de sua última produção."
"Mahmoudian não é apenas um ativista de direitos humanos e um prisioneiro de consciência", escreveu, "ele é uma testemunha, um ouvinte e uma rara presença moral --uma presença cuja ausência é imediatamente sentida, tanto dentro quanto fora dos muros da prisão."
- Bahia Notícias
- 02 Fev 2026
- 08:19h
Foto: TV Globo
O terceiro paredão da temporada do Big Brother Brasil 26, foi, até então, o mais estratégicos para os brothers. da temporada.
Além da indicação da Líder Maxiane e da imunidade dada pelo Anjo Sarah, a dinâmica foi marcada pelo temido Big Fone que tocou quatro vezes e gerou até uma expulsão, e uma votação na casa que escancarou a divisão de grupos.
O ex-BBB Jonas foi a indicação em consenso do Big Fone. Babu, Marcelo e Juliano atenderam ao Big Fone em momentos distintos e, indicaram Jonas direto para a berlinda.
Já Ana Paula Renault foi o alvo da líder Maxiane, enquanto Brigido e Leandro foram os indicados pela casa com mais votos.
Na prova Bate e Volta, Brigido foi o participante escolhido por Breno para ficar de fora da dinâmica, e quem levou a melhor, conseguindo escapar da berlinda foi Jonas.
Com isso, o baiano Leandro disputa, mais uma vez, a permanência na casa contra Ana Paula e o também pipoca Brigido.
- Bahia Notícias
- 01 Fev 2026
- 12:16h
Foto: Micah & Sammie Chaffin / Unsplash
Brasileiros tiveram seus vistos menos rejeitados durante tentativas de viajar aos Estados Unidos em 2025. O percentual de vistos de turismo e negócios para brasileiros aprovados pelos Estados Unidos em 2025 foi maior do que no ano anterior, apesar das políticas de restrição do governo de Donald Trump, que atingiram diversos países.
Segundo informações divulgadas pelo G1, neste domingo (1°), o Departamento de Estado dos EUA registrou negativas para apenas 14,8% das solicitações de visto B1/B2 (turismo e negócios) feitas por brasileiros. A queda é de cerca de 0,6% em comparação ao ano de 2024, ainda no governo de Joe Biden, quando a taxa de rejeição foi de 15,4%.
O recorde nos últimos dez anos foi em 2020, durante o início da pandemia, quando a taxa de rejeição de vistos brasileiros chegou a 23,1%. O menor índice, por sua vez, foi em 2023, no governo Biden, quando os EUA negaram 11,9% das solicitações de visto a brasileiros.
RESTRIÇÕES
Uma medida que impactou o processo para obter o visto de turista, por exemplo, foi que menores de 14 anos e maiores de 79 voltaram a ser obrigados a realizar entrevista presencial, para obtenção do documento, a partir de outubro de 2025.
Já a suspensão temporária para a emissão de vistos para 75 países foi anunciada em 2026 e, apesar de incluir o Brasil, não afeta vistos de turismo e nem os demais da categoria de "não imigrantes".
Trump também emitiu uma ordem em abril de 2025 exigindo que turistas de 38 países, principalmente da África, Oceania e parte da Ásia, paguem um caução de até US$ 15 mil para que o documento seja emitido. O Brasil, no entanto, não faz parte da lista.
Além disso, desde junho de 2025, candidatos a vistos de estudante dos EUA passaram a ser obrigados a manter seus perfis em redes sociais abertos ao público para análise das autoridades americanas.
A verificação busca identificar “qualquer indício de hostilidade” contra cidadãos, instituições ou princípios dos EUA. No último mês de outubro, menores de 14 anos e maiores de 79 passaram a ser obrigados a realizar entrevista presencial para obtenção de visto, com algumas exceções.
A mudança vale para cidadãos de todos os países que precisam de visto para entrar nos EUA, incluindo brasileiros.
- Por Joana Cunha e Iran Alves | Folhapress
- 01 Fev 2026
- 10:12h
Foto: Divulgação/Banco Master
O patrimônio líquido do fundo Termópilas, que era administrado pela Reag e tem ligações com os negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, despencou quase R$ 1 bilhão, de acordo com novos dados divulgados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) neste mês.
As movimentações do Termópilas chamam a atenção porque o fundo realizou uma assembleia em 16 de novembro de 2025 —um domingo— um dia antes da prisão do dono do Master, para tratar de temas ligados à retirada de recursos.
Os novos dados do Termópilas divulgados no site da CVM mostram que o patrimônio líquido do fundo caiu de R$ 933,8 milhões no registro relativo ao período de maio a agosto de 2025 para R$ 11,1 milhões negativos no registro do intervalo de setembro a dezembro.
Informações registradas na Junta Comercial de São Paulo nos últimos anos indicavam o Termópilas como o principal acionista da Super Empreendimentos e Participações SA, uma empresa com capital acima de R$ 2,5 bilhões que teve o pastor e cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, como diretor entre 2021 e 2024.
Um comunicado divulgado pela defesa de Vorcaro à Folha em dezembro apontava o cunhado como sócio da Super. Zettel foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal neste mês. Ele foi preso ao tentar viajar para Dubai, mas foi liberado horas depois.
Atualmente, uma sócia do pastor —Ana Cláudia Queiroz de Paiva— permanece como diretora da Super.
Segundo reportagem da Folha, a Super integra uma lista de mais de 30 companhias suspeitas de tomar empréstimos fraudulentos do Master para alimentar uma rede de fundos que, segundo investigadores, desviavam dinheiro do banco para laranjas para retroalimentar o próprio Master.
Informações da investigação policial relatadas no processo apontam que, em maio de 2024, o fundo Astralo 95, então cotista do Termópilas, resgatou cerca de R$ 800 milhões em CDBs do Master e transferiu R$ 650 milhões para o fundo Termópilas, que por sua vez transferiu o valor à Super em uma conta mantida no Master.
A Super entrou no noticiário da crise do Master após uma reportagem da Folha mostrar que a empresa era dona da casa de R$ 36 milhões usada por Vorcaro para receber políticos em Brasília. Foi também a Super quem doou, em 2024, um apartamento de R$ 4,4 milhões para uma mulher que teve o nome citado em uma operação policial contra tráfico internacional de drogas em 2022.
Documentos mais recentes registrados na Junta Comercial de São Paulo, também divulgados neste mês, mostram que, em dezembro de 2025, o endereço da sede da Super foi alterado, e a firma passou a ocupar duas salas no mesmo local da Next Auditores, que elaborou relatórios de auditoria para outros fundos administrados pela Reag e ligados ao caso Master, como o Arleen e o Hans 95.
O Arleen fazia parte de uma rede de fundos ligados ao escândalo do Master e foi sócio dos irmãos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli por quatro anos no caso do resort Tayayá, no Paraná. Já o Hans 95 é um dos fundos que apareceram nas investigações sobre a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal e integra uma lista de fundos identificados pelo BC (Banco Central) como suspeitos de fazerem parte do esquema de fraude capitaneado por Vorcaro.
Procurados pela reportagem, Zettel e Ana Cláudia Queiroz de Paiva não se manifestaram. A assessoria de imprensa de Vorcaro disse, em nota, que ele "não participa da gestão, da administração nem das deliberações operacionais de fundos". A Reag não respondeu.
Questionada sobre a mudança de sede da Super, a Next Auditores afirmou em nota que no endereço para onde a empresa foi transferida funciona um coworking, espaço de escritórios compartilhados.
"Desconhecemos os motivos que levaram a Super Empreendimentos a alteração de seu endereço, bem como todas as demais centenas de empresas que estão localizadas nesse endereço. A coincidência de endereço decorre exclusivamente da contratação de serviços de coworking/domicílio comercial e facilidades administrativas. A Next não tem, nem jamais teve, qualquer vínculo societário, operacional ou contratual entre a Super Empreendimentos e a Next Auditores", diz a auditora em nota.
A reportagem da Folha foi visitar as novas salas da Super no escritório de coworking, mas não encontrou ninguém trabalhando no local.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que é difícil definir com precisão o que aconteceu com os recursos do Termópilas. As informações divulgadas na CVM estão incompletas ou desatualizadas. A composição da carteira do fundo, por exemplo, mostra apenas um retrato de junho de 2025, sem novas atualizações.
De acordo com o professor da USP Carlos Portugal Gouvêa, especialista em Direito Comercial, é muito incomum um fundo desse tipo ficar com patrimônio negativo.
"Como o FIP é um fundo para investimento em participações societárias, para que o patrimônio líquido fique negativo seria necessário que não apenas todos os investimentos restantes ficassem praticamente zerados, como também que um número grande de quotistas realizassem resgates substanciais e o fundo terminasse obrigações que superassem o valor dos ativos remanescentes", diz.
Ainda na avaliação do professor, trata-se de uma situação complexa.
"Caso o regulamento do fundo não tenha a previsão de responsabilidade limitada, os quotistas remanescentes poderiam ser obrigados a aportar recursos para cobrir o valor negativo. É uma situação extrema e que coloca os quotistas remanescentes em uma situação difícil. Quem fez o resgate no momento anterior ao fundo ter ficado com o patrimônio líquido negativo pode ter sido beneficiado com um valor de quotas que não refletia o valor real do fundo, pois os quotistas remanescentes ficariam com a dívida", afirma Gouvêa.
Pelas informações antigas da CVM é possível concluir que o Termópilas era controlado por um outro fundo de investimentos, que era seu único cotista, o Astralo 95. Os dados mais atuais indicam que hoje há dois fundos como cotistas subscritores. Não é possível saber quem são os beneficiários finais.
A recente mudança promovida no Termópilas pode estar ligada às medidas tomadas na assembleia de 16 de novembro de 2025 —véspera da prisão de Vorcaro—, que alterou pontos do regulamento do fundo e mexeu em regras ligadas a amortização e resgate total.
No dia 17, surgiram as notícias de que a Fictor fez proposta para comprar o Master, a Polícia Federal prendeu Vorcaro e, no dia seguinte, o BC anunciou a liquidação da instituição. O banqueiro foi solto 12 dias depois, mas usa tornozeleira eletrônica.
A assembleia do domingo aconteceu às 15h, e de forma remota. De acordo com a ata dessa assembleia, arquivada no site da CVM, foi "dispensada a convocação em virtude da presença da totalidade dos cotistas do fundo".
A lista de deliberações descritas na ata da assembleia informa que, na reunião, se "aprovou ajuste nas matérias de competência da assembleia especial no que se refere a amortização ou resgate total, bem como no quórum de aprovação".
Na ocasião, houve uma reformulação no regulamento do fundo, adicionando detalhes sobre a amortização, que é um processo de pagamento de cotistas.
Procurada pela reportagem, a CVM diz que não comenta casos específicos. Em termos gerais, a autarquia afirma que os administradores de fundos que não cumprem exigências e prazos de entrega de informações estão sujeitos a multa e processo sancionador.
A Folha também tentou entrar em contato com o liquidante do Master, mas não teve resposta.
- Por Felipe Gutierrez | Folhapress
- 01 Fev 2026
- 08:07h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Mais de 50 organizações sociais, entre elas República.org, Transparência Brasil, Derrubando Muros e Movimento Orçamento Bem Gasto, endossaram uma proposta de regras para um código de conduta e ética para ministros dos tribunais superiores da Justiça, como o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) que foi elaborada pela OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil).
Segundo um documento enviado pelas entidades, a iniciativa de propor algumas normas começou a tomar forma após as revelações sobre as interações de ministros do STF com envolvidos no caso do Banco Master.
O ministro Dias Toffoli esteve em um voo particular para Lima, no Peru, junto com um dos advogados de um dos sócios do Banco Master, e a banca de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, teve um contrato com a instituição financeira.
Os organizadores, no entanto, afirmam que a iniciativa não "possui caráter personalista, acusatório ou partidário, nem se dirige contra ministros individualmente".
São sete propostas. Uma delas é que os ministros sejam obrigados a declarar antecipadamente qualquer vínculo pessoal, financeiro ou ideológico que possa comprometer sua neutralidade em um caso, podendo ser fiscalizados por um órgão ético independente.
Sugere-se que familiares próximos de ministros não podem advogar em casos que tramitam nos tribunais superiores. Também há proibição de aceitar presentes, vantagens ou participação em eventos pagos que possam influenciar decisões ou comprometer a imagem de independência do magistrado, e bens, agenda de compromissos, palestras, vínculos profissionais e convites recebidos pelos ministros devem ser divulgados publicamente de forma clara e acessível.
As entidades querem também que os ministros mantenham postura discreta e equilibrada em manifestações públicas e redes sociais, sem antecipar decisões, fazer declarações político-partidárias ou personalizar excessivamente seu papel institucional.
Sugere-se, ainda, que a participação de ministros em cursos, palestras e eventos acadêmicos remunerados deve ser regulamentada, especialmente quando patrocinados por escritórios de advocacia ou entidades com interesse em processos sob julgamento.
Por fim, as entidades dizem que é preciso criar um órgão independente para garantir que as regras estão sendo cumpridas.
Uma petição online sobre o tema já conta mais de 43 mil assinaturas.
- Bahia Notícias
- 31 Jan 2026
- 12:15h
Foto: Pedro França/Agência Senado
O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, afirmou que o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa quando teve a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária, em novembro do ano passado. A declaração foi feita em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), durante oitiva determinada pelo ministro Dias Toffoli, realizada em dezembro de 2025.
Segundo Aquino, a situação evidenciava uma grave crise de liquidez. Ele explicou que instituições do porte do Banco Master, que tinha cerca de R$ 80 bilhões em ativos, costumam manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em liquidez disponível. No entanto, às vésperas da liquidação, o banco contava com apenas R$ 4 milhões em caixa.
O diretor do BC também afirmou que o Banco de Brasília (BRB) deverá realizar uma provisão contábil de mais de R$ 5 bilhões em seu balanço, em razão de ativos inexistentes herdados do Banco Master. De acordo com Aquino, o banco estatal do Distrito Federal ainda mantém registrados cerca de R$ 2,3 bilhões em créditos do Master que não existem, além de outros ativos considerados ilíquidos ou de difícil recuperação.
Durante o depoimento, Aquino destacou que o impacto no balanço do BRB será significativo, com alta probabilidade de o ajuste superar os R$ 5 bilhões.
Ainda conforme o diretor de Fiscalização, após o Banco Central identificar que a carteira de crédito do Master adquirida pelo BRB continha créditos inexistentes, a então presidência do banco estatal iniciou um processo de internalização desses créditos. A medida previa a substituição dos ativos sem lastro por outros com garantia dentro do próprio Banco Master.
No entanto, segundo Aquino, o BRB não conseguiu encontrar ativos suficientes para cobrir o rombo. Mesmo após as tentativas de troca, permaneceram no balanço do BRB mais de R$ 2,3 bilhões em créditos sem lastro, já que o Banco Master não possuía ativos disponíveis para compensação. As informações são do Globo.
- Bahia Notícias
- 31 Jan 2026
- 10:28h
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a retomada do inquérito da Polícia Federal que apura irregularidades na compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste em 2020, época em que Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, atuava como governador da Bahia e presidiava o Consórcio Nordeste.
A informação foi divulgada pelo jornal 'Estado de S.Paulo'.
A investigação ganhou novo fôlego após a Procuradoria-Geral da República (PGR) sinalizar, em agosto do ano passado, a existência de novos fatos que poderiam ligar Rui Costa aos supostos crimes.
Na decisão da última sexta-feira (30), foi fixado que a investigação irá focar no prejuízo de R$ 48 milhões aos cofres públicos. Vale lembrar que o processo chegou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Flávio Dino.
A Polícia Federal terá um prazo de 90 dias para realizar novas diligências e reportar o andamento das apurações ao STJ.