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- Por Folhapress
- 02 Jun 2025
- 13:12h
Foto: Serviço de Emergência ucraniano via AP
Um dia antes de se reunir novamente com a Rússia para tentar negociar um cessar-fogo, a Ucrânia atacou ao menos cinco bases aéreas do país adversário neste domingo (1º). De acordo com a imprensa local, foram danificados 41 aviões de guerra em regiões tão distantes da frente quanto a Sibéria, em um dos maiores reveses de Moscou em mais de três anos de guerra.
A ofensiva ocorreu horas após a Rússia usar 472 drones e 7 mísseis para atacar a Ucrânia durante a noite, segundo Kiev —números que fazem desta ofensiva a maior executada pelo Kremlin desde o início do conflito, em fevereiro de 2022. Pelo menos 12 soldados morreram e mais de 60 ficaram feridos após um projétil atingir um campo de treinamento, segundo o Exército ucraniano.
Os ataques evidenciam que as cartas militares dos dois lados se intensificam apesar dos esforços de negociação para encerrar o conflito, uma promessa de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A Rússia, por exemplo, vem aumentando a quantidade de drones lançados contra a Ucrânia em seus bombardeios noturnos —há duas semanas, Moscou lançou 273 dispositivos contra o país vizinho, o que na época já havia superado o então recorde de 267 artefatos russos disparados em fevereiro deste ano.
O ataque ucraniano deste domingo, no entanto, foi um dos mais importantes da guerra até aqui. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou ofensivas em cinco regiões, separadas e distantes entre si—Ivanovo, Riazan, Amur, Murmansk e Irkutsk. As defesas aéreas teriam repelido os ataques em todas as regiões, exceto nas últimas duas, segundo a pasta.
"Nas regiões de Murmansk e Irkutsk, o lançamento de drones de uma área próxima a aeródromos resultou em incêndios em várias aeronaves", informou o ministério, sem especificar o número de aviões danificados. Segundo a pasta, os incêndios foram extintos e não houve vítimas. Alguns indivíduos envolvidos nos ataques teriam sido detidos.
Segundo o governador de Irkutsk, uma das principais divisões administrativas da região, no leste da Rússia, este foi o primeiro ataque do tipo naquela parte da Sibéria.
Vídeos e fotos publicados nas redes sociais mostram bombardeiros russos em chamas na base aérea de Belaia, ao norte de Irkutsk. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente as imagens, mas uma autoridade de inteligência ucraniana disse à agência de notícias que o órgão de segurança realizou um grande ataque com drones contra 41 aeronaves militares russas.
De acordo com esse funcionário, Kiev escondeu drones carregados de explosivos dentro de pequenos galpões de madeira que foram levados para perto das bases aéreas em caminhões. O teto dos galpões foi levantado por um mecanismo acionado remotamente, permitindo que os dispositivos voassem e iniciassem o ataque.
A operação, que recebeu o codinome "Teia de Aranha", de acordo com a autoridade de segurança ucraniana, foi necessária pela distância dos alvos, alguns a mais de 4.000 km da linha de frente ucraniana —distância fora do alcance dos drones ou mísseis balísticos que Kiev possui em seu arsenal.
O ataque foi supervisionado pessoalmente pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e pelo chefe da agência de inteligência doméstica, Vasil Maliuk, segundo o mesmo funcionário, que falou sob condição de anonimato. Ele disse ainda que as aeronaves atingidas incluíam bombardeiros Tu-95 e Tu-22, que a Rússia usa para disparar mísseis de longo alcance contra a Ucrânia.
Também houve um ataque de drones na região de Murmansk, no norte da Rússia, segundo autoridades locais. A base aérea de Olenia, que abriga aviação estratégica, está localizada nessa região.
Neste domingo, Zelenski disse que a operação com drones foi "absolutamente brilhante".
"Um resultado absolutamente brilhante. E um resultado alcançado de forma independente pela Ucrânia," escreveu Zelenski no aplicativo de mensagens Telegram, observando que a operação levou mais de um ano e meio para ser preparada.
"Esta é a nossa operação de maior alcance." Falando pouco depois, em seu pronunciamento em vídeo noturno, o líder ucraniano destacou que 117 drones foram utilizados no ataque às bases russas. "A Rússia sofreu perdas muito concretas, e de forma justificada," disse.
O Ministério da Defesa russo anunciou neste domingo a captura de mais um vilarejo na região de Sumi, no nordeste da Ucrânia, onde avança com tropas em local que pode se transformar em uma nova frente de batalha e domínio russo. Até aqui o avanço é lento, mas cresce dia a dia na área fronteiriça próxima à russa Kursk, onde há poucos meses tropas ucranianas eram repelidas pelo Exército russo.
Negociadores ucranianos que estarão nas conversas entre as partes, previstas para ocorrer na manhã desta segunda-feira em Istambul, apresentarão ao lado russo uma proposta de roteiro para alcançar um acordo de paz duradouro, de acordo com uma cópia do documento vista pela agência Reuters.
O roteiro proposto começa com um cessar-fogo completo de ao menos 30 dias, seguido pela devolução de todos os prisioneiros mantidos por cada lado da disputa e das crianças ucranianas levadas para território controlado pela Rússia. Depois, há a previsão de uma reunião entre o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski e o russo, Vladimir Putin.
Segundo o plano, Moscou e Kiev trabalharão para definir os termos com a participação dos Estados Unidos e da Europa. Autoridades ucranianas disseram no início desta semana que enviaram o plano ao lado russo antes do encontro.
Os termos ucranianos, no entanto, são em grande parte os mesmos termos anteriormente apresentados por Kiev, segundo o documento.
As diretrizes excluem qualquer restrição à força militar ucraniana após a assinatura de um acordo de paz, qualquer reconhecimento internacional da soberania russa sobre partes da Ucrânia tomadas pelo Kremlin e reparações a Kiev. O documento também afirma que a localização atual da frente de batalha será o ponto de partida para negociações sobre território.
Os termos divergem consideravelmente das exigências que a Rússia fez publicamente nas últimas semanas, o que indica que as conversas podem seguir se arrastando.
- Bahia Notícias
- 29 Mai 2025
- 12:24h
Foto: Shealah Craighead / Casa Branca
O Tribunal do Comércio Internacional dos Estados Unidos bloqueou o “tarifaço” adotado pelo presidente Donald Trump. Em decisão proferida nesta quarta-feira (28), a Corte entendeu que a aplicação de tarifas contra os produtos importados pelos EUA foram consideradas ilegais. Segundo o portal Bloomblerg, a medida representa um duro golpe a um dos pilares da agenda econômica do republicano.
A decisão, no entanto, ainda pode ser revertida. Para isso, Trump deverá contestar a medida e acionar a Justiça Federal dos Estados Unidos.
A ação para a suspensão do tarifaço foi movida por estados liderados por Democratas, além de um grupo de pequenas empresas. Conforme o Bloomblerg, eles argumentavam que Trump invocou de forma indevida uma lei de emergência para justificar as tarifas.
A decisão é um dos maiores reveses judiciais sofridos por Trump até agora, em meio a uma onda de processos contra decretos presidenciais em que ele testa os limites do poder executivo.
- Bahia Notícias
- 26 Mai 2025
- 14:27h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O quadrinista norte-americano Peter David morreu, no último sábado (24), aos 68 anos. O profissional assinou os gibis de "O Incrível Hulk" e "Wolverine", "Homem-Aranha 2099" e personagens da DC Comics.
A causa da morte não foi revelada, mas o artista enfrentava problemas renais e quadros de derrames. Além de trabalhar em histórias da Marvel, David assinou gibis do Aquaman, Supergirl e Justiça Jovem.
Segundo o site Omelete, a passagem do quadrinista pela série de "O Incrível Hulk" marcou a estreia dos "Thunderbolts", que recentemente estrelaram nos cinemas com a produção "Novos Vingadores".
- Por Renan Marra | Folhapress
- 23 Mai 2025
- 10:06h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Criticado por aliados da Europa que exigem um cessar-fogo urgente na Faixa de Gaza e, ao mesmo tempo, pressionado por parceiros de coalizão que ainda pedem a intensificação dos ataques, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, tem equilibrado as tensões com o argumento de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoia as ações atuais das forças israelenses no território palestino.
Netanyahu e Trump conversaram por telefone logo depois do assassinato de dois funcionários da embaixada de Israel em Washington, na noite de quarta-feira (21). Em comunicado divulgado nesta quinta, o gabinete de Bibi, como o premiê israelense é conhecido, divulgou que os dois discutiram a manutenção do conflito em Gaza e que o americano reiterou apoio aos objetivos de Tel Aviv, inclusive ao controverso plano que prevê a transferência da população palestina para países árabes —o que pode configurar deslocamento forçado e limpeza étnica.
Rechaçada pela ONU e por várias outras organizações que falam em violação dos princípios básicos do direito internacional, a proposta para retirar os cerca de 2,3 milhões de habitantes de Gaza foi apresentada pelo próprio Trump, em janeiro, quando ele falou em fazer de Gaza a "Riviera do Oriente Médio". Nesta semana, tornou-se uma das bandeiras de Netanyahu, que condicionou pela primeira vez o fim do conflito à implementação do plano.
Nesse sentido, Netanyahu opta por acenar e se aproximar mais dos políticos extremistas que sustentam a coalizão da qual ele faz parte, a mais à direita da história de Israel, a despeito da pressão internacional e da catástrofe humanitária em Gaza —a fome teria provocado a morte de 29 crianças e idosos nos últimos dias, e milhares continuam em risco, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
O premiê também subiu o tom contra aliados que têm manifestado preocupação com a crise em Gaza. Em especial, França, Reino Unido e Canadá foram alvo de críticas diretas. Segundo Netanyahu, o posicionamento dos três países encorajam o Hamas "a continuar lutando eternamente". "Eles querem que Israel se renda e aceite que o exército de assassinos em massa do Hamas sobreviva, reorganize-se e repita o massacre de 7 de outubro [de 2023]", disse Netanyahu em vídeo no qual falou em inglês.
Os três países ameaçaram nesta semana adotar medidas concretas se Israel continuasse com "ações escandalosas" em Gaza. Em seguida, o Reino Unido suspendeu as negociações com Israel sobre um acordo de livre comércio, e a União Europeia afirmou que revisará um pacto sobre relações políticas e econômicas devido ao conflito.
Pressionado, Netanyahu autorizou entregas limitadas de ajuda a Gaza pela passagem de Kerem Shalom, no sul. Farinha e outros suprimentos começaram a chegar nesta quinta a algumas das áreas mais vulneráveis de Gaza, depois que Israel liberou a passagem de caminhões, embora em número insuficiente para compensar a escassez causada pelo bloqueio de 11 semanas, segundo autoridades palestinas.
Muitos outros caminhões ainda estavam na fronteira, e as pessoas aguardavam para receber alimentos com medo de que multidões desesperadas tentassem saquear os veículos quando chegassem, de acordo com o Crescente Vermelho Palestino, braço da Cruz Vermelha na região.
Saques a caminhões foram relatados pela ONU. "Não foi um ato criminoso envolvendo homens armados. [Essas ações] refletiram o alto nível de ansiedade entre os moradores de Gaza que não sabem quando ocorrerá a próxima entrega de ajuda humanitária", disse Stéphane Dujarric, porta-voz da organização.
Israel impôs o bloqueio a todos os suprimentos, em março, sob a justificativa de que o Hamas estava apreendendo as entregas para seus combatentes —acusação que o grupo terrorista nega. No início deste mês, um monitor global de fome disse que meio milhão de pessoas em Gaza enfrentam inanição.
A alimentação não é a única parte afetada pelo bloqueio. O ministro da Saúde, Majed Abu Ramadan, disse que apenas sete ou oito hospitais dos 36 de Gaza estavam funcionando, e apenas parcialmente, e que mais de 90% dos estoques médicos agora estavam zerados devido ao bloqueio. Já a frota de ambulância em operação foi reduzida para um terço do total devido à escassez de combustível.
Israel afirma que os relatos de grupos humanitários sobre condições semelhantes à fome são exagerados. Também exige que as forças de Tel Aviv sejam as responsáveis pela distribuição da ajuda em Gaza.
- Por Folhapress
- 22 Mai 2025
- 12:20h
Foto: Reprodução | Fibonacci Blue/Flickr
O governo de Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (21) o fim de um acordo para supervisão federal sobre os departamentos da polícia de Minneapolis e Louisville mesmo após investigações terem apontado que ambas as corporações violaram de forma rotineira os direitos civis da população negra.
A decisão representa um recuo nas políticas de responsabilização policial implementadas após os assassinatos de George Floyd e Breonna Taylor, que eram negros, nas duas cidades, em 2020. Os casos levantaram debates sobre racismo nas corporações e motivaram protestos massivos dentro e fora dos Estados Unidos.
Harmeet Dhillon, procuradora-geral no Departamento de Justiça, afirmou que o controle das polícias deve permanecer com as comunidades locais, não com "burocratas que não foram eleitos". Disse ainda que a pasta vai encerrar processos contra as duas cidades e retirar as conclusões anteriores que apontavam violações constitucionais. A medida atinge também outras seis forças policiais nos estados de Arizona, Tennessee, Nova Jersey, Nova York, Oklahoma e Louisiana, cujos inquéritos por abusos serão encerrados.
"A microgestão federal da polícia local deve ser uma rara exceção, não a norma", disse Dhillon a repórteres.
Minneapolis e Louisville, que aceitaram firmar acordos com o governo durante a gestão de Joe Biden, informaram que pretendem manter os compromissos com a reforma policial mesmo sem a supervisão federal.
O prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, disse que a cidade está comprometida com a transformação da polícia, o que não será barrado "por Trump nem por ninguém em Washington". Em Louisville, o prefeito Craig Greenberg, também democrata, anunciou a contratação de um monitor independente, no valor de US$ 750 mil (R$ 4,2 milhões), para acompanhar a implementação das mudanças. Nos dois casos, os acordos preveem modificações no treinamento, nos protocolos de uso da força e nos sistemas internos de disciplina.
A decisão do governo Trump foi anunciada às vésperas da data que marca cinco anos da morte de Floyd, no próximo domingo (25). Ele foi assassinado em Minneapolis por Derek Chauvin, um policial branco que o sufocou com o joelho por quase nove minutos. A vítima chegou a dizer, várias vezes, que não estava conseguindo respirar. Sua frase, que virou slogan do movimento antirracista, foi ignorada.
Quatro policiais foram condenados após a morte de Floyd, sendo que Chauvin, que o sufocou com o joelho, foi sentenciado a 22 anos e meio de prisão. No caso de Breonna nenhum agente foi acusado de envolvimento no crime, mas, em agosto de 2022, o Departamento de Justiça acusou quatro agentes de violar direitos civis por ter "colocado em perigo" a vizinhança.
O fim da supervisão motivou críticas de ativistas e defensores dos direitos civis. Ben Crump, advogado das famílias de Floyd e Breonna, afirmou que a decisão do Departamento de Justiça "tenta apagar a verdade" e "contradiz os princípios fundamentais da justiça".
Para ele, os acordos não eram gestos simbólicos, mas respostas concretas a anos de mobilização e sofrimento das comunidades impactadas. As medidas também expõem um vazio deixado pela gestão Biden: embora 12 investigações por padrão de abuso policial tenham sido iniciadas em seu mandato, nenhuma delas resultou em acordos vinculativos com os tribunais, o que facilitou sua reversão.
- Por Michele Oliveira | Folhapress
- 21 Mai 2025
- 16:20h
A Câmara da Itália aprovou, nesta terça-feira (20), o decreto-lei que limita o acesso à cidadania italiana para descendentes nascidos no exterior. Com a decisão, o texto apresentado em março pela coalizão de Giorgia Meloni, e aprovado na semana passada pelo Senado, torna-se definitivo.
Pelas novas regras, a transmissão e o reconhecimento da cidadania por direito de sangue só vale para duas gerações nascidas fora da Itália. A medida, tratada como urgente pelo governo, significa uma mudança na Lei da Cidadania, de 1992, que não estipulava limite de gerações. A lei foi aprovada com 137 votos a favor e 83, contra.
Durante a tramitação no Senado, o decreto sofreu alterações, sendo a principal delas a substituição do termo "nascido na Itália", em referência aos ascendentes, pelo trecho "possui ou possuía no momento da morte exclusivamente a cidadania italiana".
Ou seja, pela nova regra, uma pessoa nascida fora do país europeu só será considerada italiana se ao menos um genitor ou um avô/avó tiver somente a cidadania italiana. Ao mesmo tempo em que remove a necessidade de o parente ter nascido na Itália, pode restringir ainda mais o acesso, ao excluir aqueles que têm ou tiveram dupla cidadania, como a brasileira, além da italiana.
Além desse caso, pode ser considerada italiana uma pessoa cujo genitor tenha morado na Itália por pelo menos dois anos sem interrupção após a aquisição da cidadania e antes do nascimento do filho.
O texto não sofreu alterações na Câmara. Nesta terça (20) foram rejeitadas, por votação, dezenas de emendas apresentadas pela oposição, assim como já havia acontecido, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais.
As regras valem para pedidos de cidadania apresentados após o anúncio do decreto, em 28 de março. Quem obteve a cidadania antes disso não perde o direito.
O governo justifica a medida pela necessidade de coibir o que vê como exageros nos pedidos feitos por descendentes de antigos emigrados que vivem na América do Sul e que não teriam mais vínculo com a Itália. Nos últimos anos, prefeitos de pequenos municípios e representantes de tribunais de Justiça reclamaram do alto volume de solicitações, principalmente as apresentadas por via judicial, em que o autor não precisa morar na Itália.
As agências no exterior que oferecem serviços ligados a pedidos de cidadania, como a localização de documentos antigos ou a entrada com o processo judicial, são criticadas por comercializarem o direito ao passaporte italiano. Além disso, integrantes do governo se queixam do fato de os interessados na cidadania não terem interesse em morar na Itália, mas somente circular com facilidade dentro da União Europeia e entrar nos Estados Unidos sem visto.
"É escandaloso ver a cidadania italiana à venda. É escandaloso ver o leilão de antepassados. Existem solicitações de cidadania ligadas a um antepassado que chegou ao Brasil nos anos 1850, da sexta geração", afirmou, durante debate no plenário, o deputado Giovanni Maiorano, do partido Irmãos da Itália, o mesmo da primeira-ministra Meloni. "Com esse decreto, colocamos fim a práticas anômalas, quando não ilegítimas, que querem presentear a cidadania a quem não tem nada a ver com a Itália."
A medida sofreu críticas da oposição italiana, seja pelo conteúdo, seja pela forma. Parlamentares questionaram o uso, da parte do governo, do mecanismo do decreto para mudar a lei de 1992, em vez de utilizar o procedimento padrão, com apresentação de projeto de lei, que tem tramitação mais lenta e mais discussão entre os parlamentares.
"Esse decreto é uma ferida profunda, dolorosa e injusta. Ele não nasce para responder a uma emergência, mas para construir uma barreira contra quem tem sangue italiano mas vive no exterior", disse o deputado Nicola Carè, do Partido Democrático. "As verdadeiras vítimas [do decreto] não são os espertinhos do passaporte [italiano], mas as famílias. Os filhos e netos de imigrantes italianos, a quem agora é dito ‘você não é italiano o suficiente para merecer a cidadania do seu avô'", disse.
Integrantes da oposição preveem uma corrida ao Judiciário contra o decreto, visto como discriminatório, com recursos contra pontos que violariam princípios constitucionais.
A medida impacta diretamente descendentes de italianos que moram no Brasil e na Argentina, países que receberam milhões de emigrados a partir do fim do século 19. Só no Brasil, um contingente de 1,4 milhão chegou de 1870 a 1920. Estima-se que hoje existam 30 milhões de descendentes no país.
Segundo dados da relação técnica que embasa o decreto, o número de cidadãos italianos que vivem fora da Itália saltou 43% de 2013 a 2024, atingindo 6,4 milhões. Desse total, 70% nasceram fora do país. No Brasil, esse percentual chega a 96% –dos 873,9 mil cidadãos italianos residentes, como expatriados ou com dupla cidadania, 840 mil nasceram fora da Itália.
Além do direito de sangue, pela legislação de 1992, é possível se tornar cidadão italiano por tempo de residência no país —adultos de fora da União Europeia podem fazer o pedido após dez anos morando legalmente na Itália–, e por casamento. Genitores residentes no país que tenham obtido a cidadania podem transmiti-la aos filhos menores de 18 anos. Jovens nascidos na Itália de genitores estrangeiros –e residentes sem interrupção– também podem se tornar italianos quando completam 18 anos.
- Por Folhapress
- 19 Mai 2025
- 12:29h
Foto: Alan Santos/Presidência da República
Neste domingo (18), a Rússia realizou seu maior ataque de drones contra a Ucrânia desde o início da guerra entre os dois países, em 2022, destruindo casas e matando ao menos uma mulher. Segundo a Força Aérea ucraniana, foram lançados 273 dispositivos, total que supera o recorde de 267 artefatos russos disparados em fevereiro, no terceiro aniversário do conflito.
O bombardeio acontece um dia antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutir uma proposta de cessar-fogo com seu homólogo russo Vladimir Putin. No sábado (17), menos de 24 horas após autoridades de Kiev e Moscou se reunirem em busca de trégua, outro ataque com drone russo atingiu um veículo e matou nove pessoas em Sumi, no nordeste da Ucrânia.
O serviço de inteligência ucraniano afirmou acreditar que a Rússia pretende disparar um míssil balístico intercontinental ainda neste domingo (18) como uma tentativa de intimidar o Ocidente, acusação que não foi contestada pelo Kremlin até o momento.
Nas ruínas de sua casa na região de Obukhiv, Natalia Piven, 44, conta que precisou se esconder com o filho em um porão para sobreviver à primeira onda de drones russos. Depois, eles correram para um abrigo antiaéreo em um jardim de infância, antes que o próximo ataque chegasse à vila. Uma mulher de 28 anos que era vizinha de Piven foi morta. Segundo as autoridades ucranianas, outras três pessoas ficaram feridas.
"Não consigo superar isso, simplesmente não consigo. Eu podia ouvir claramente o drone voando em direção à minha casa", disse Piven à agência Reuters.
Como esforço para restaurar laços com os EUA após o bate-boca com Trump na Casa Branca, em fevereiro, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski se reuniu por 40 minutos com o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio neste domingo (18), em Roma, onde assistiram à missa inaugural do pontificado do papa Leão 14. Após a missa, Zelenski também se encontrou com o novo pontífice.
- Por Tamara Nassif | Folhapress
- 19 Mai 2025
- 10:22h
Foto: Reprodução / YouTube / CNN Brasil
Não existem muitas certezas em um mercado tão volátil quanto o financeiro -e o governo Donald Trump está pondo à prova uma das poucas que conseguiram se manter de pé ao longo das últimas décadas.
Desde que assumiu a Casa Branca pela segunda vez, em 20 de janeiro deste ano, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos têm titubeado à luz da política tarifária do presidente.
Tradicionalmente, os investidores compram os apelidados "treasuries" como uma espécie de aposta segura. O fundamento por trás é que, aconteça o que acontecer, de guerras a choques econômicos, o governo dos EUA será capaz de honrar suas dívidas.
É o equivalente ao Tesouro Direto, no qual títulos públicos federais são emitidos como forma de financiar parte da máquina do Estado, e o rendimento desses papéis é a remuneração paga pelo governo pelo empréstimo recebido.
Os títulos têm vencimentos variados. O mais monitorado é o de dez anos, considerado um indicador da confiança dos investidores sobre a economia dos EUA no longo prazo.
Quando Trump anunciou o tarifaço do último 2 de abril, o "dia da libertação", houve uma venda em massa dos papéis por causa dos temores de uma recessão. O rendimento do de dez anos subiu de pouco menos de 4% para cerca de 4,5%, no que foi a alta mais expressiva em quase 25 anos. O de 30 anos saiu de 4,52% para 4,80%. A rentabilidade é inversamente proporcional aos preços, isto é, os investidores estão pagando menos e exigindo mais retornos para enfim dar o voto de confiança de que a dívida será paga.
Em paralelo, o valor do dólar frente às principais moedas globais se deteriorou. Os índices de Wall Street tombaram, resultando em perdas acumuladas de 11,53% no Nasdaq Composite, 7,8% no S&P 500 e 7,5% no Dow Jones nos primeiros cem dias de governo Trump.
Os movimentos denunciam que parte da confiança depositada nos Estados Unidos está se erodindo e, ainda, que o status de porto seguro global de investimentos está ameaçado.
Na sexta-feira (16), a agência Moody's rebaixou a nota de crédito dos títulos da dívida dos EUA, que perderam o nível máximo (triplo A, de menor risco), devido a preocupações com o aumento da dívida pública. Quanto maior a percepção de risco, maior a taxa de retorno cobrada pelos investidores, o que explica a alta de juros desses títulos após o anúncio. Pela primeira vez na história, o país não mantém a nota máxima em nenhuma das três principais agências de classificação de risco.
"É como se os investidores estivessem vendo os Estados Unidos, a economia mais forte e robusta do mundo, como um mercado emergente. Nos últimos 25 anos, se buscou muito os títulos americanos com a narrativa de que eram os mais seguros. E essa mudança na política americana pode levar a uma diversificação de lugares para se colocar o dinheiro", diz Lourenço Neto, economista e diretor de operações na Miura Investimentos.
O efeito no mercado de títulos, segundo a maioria dos analistas, foi o que fez Trump recuar de sua cruzada tarifária. Em tese, equacionar a dívida pública americana é a principal razão por trás das medidas, que elevariam a arrecadação do Estado. No entanto, se o investidor cobra mais para financiar essa dívida, ela fica mais cara para o governo.
Trump não chegou a admitir publicamente, mas disse ter achado "que o pessoal [os investidores] estava passando um pouco dos limites". Na sequência, anunciou uma trégua de 90 dias para a maioria dos parceiros comerciais aos quais tinha imposto "tarifas recíprocas" e estabeleceu um piso básico de 10% sobre todas as importações.
"Os treasuries seguraram ele. Mas não sei até que ponto é um recuo substancial. Diria que ele estava blefando e piscou", diz André Perfeito, economista-chefe e sócio da consultoria APCE (Associação Brasileira de Produtos Controlados).
Os títulos de dez anos ensaiaram uma recuperação conforme o presidente "piscava". No início deste mês, o movimento foi mais acentuado depois que os EUA e a China sinalizaram a possibilidade de uma trégua para cessar a guerra tarifária, oficializada no dia 12.
Ficou acertado que, durante 90 dias, os EUA reduzirão de 145% para 30% as tarifas adicionais sobre produtos chineses, enquanto a China diminuirá as taxas para 10%, ante os 125% de hoje. O resultado foi uma melhora nos ativos norte-americanos. O dólar voltou a subir globalmente, embora ainda aquém dos níveis anteriores à posse de Trump, e os índices de Wall Street seguiram o mesmo caminho.
Mas a incerteza persiste. "Não vejo como uma solução duradoura. O que aconteceu foi uma corrida contra o tempo para evitar que a economia global desligasse antes do meio do ano. Vejo esse acordo apenas como uma tentativa bastante desesperada para limpar a barra de Trump, que blefou alto na guerra tarifária e agora precisa ganhar tempo", diz Perfeito.
E, na visão do economista, há ainda outro problema que precisa ser equacionado: a força do dólar. Uma moeda mais fraca impulsionaria exportações, o que ajudaria a balancear o "insustentável" déficit público dos Estados Unidos. "Se as tarifas são de 30% e o dólar sobe 30%, ficou no zero a zero e o problema não foi resolvido", afirma.
A principal moeda do mundo tem perdido força em resposta ao comportamento errático de Trump. "Talvez minar a credibilidade do presidente dos EUA seja o instrumento necessário para desvalorizar o dólar. Se for intencional, é uma jogada de mestre, mas duvido que seja o caso."
No meio acadêmico, a tese de declínio da hegemonia do dólar tem ganhado força. Professor de Harvard e ex-economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Nacional), Kenneth Rogoff afirma que há em curso um processo estrutural de enfraquecimento da moeda desde antes da posse de Trump. Com a volta do republicano à Casa Branca, o processo pode ter sido acelerado.
"Embora o dólar quase certamente continue sendo a moeda dominante do mundo por pelo menos mais algumas décadas, é provável que ele caia alguns degraus. Espere que o iene e o euro ganhem espaço na economia legal, e as criptomoedas farão o mesmo na economia subterrânea", escreveu ele em artigo para a The Economist, no início deste mês.
Enquanto os rumos da economia global -e dos ativos norte-americanos- seguem indefinidos, há ao menos um consenso entre os especialistas: a postura errática de Trump inspira incerteza nos operadores.
"Construir reputação é difícil; destruir é facinho. Um pedaço dessa reputação não vai ser de fácil retorno, mas não acho que políticas pouco cuidadas de um presidente poderão corroer toda a solidez de uma economia como a americana", diz Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.
"Acredito que a credibilidade e a segurança dos ativos estão, sim, um pouco balançadas. Mas a extensão e a magnitude disso são outros fatores de incerteza nessa história."
- Por Mayara Paixão | Folhapress
- 14 Mai 2025
- 10:26h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
Difícil idealizar como um homem em sua casa em Bruxelas possa ser um dos máximos influenciadores da política de um pequeno país na América do Sul. Para isso está o exemplo da relação do Equador com Rafael Correa, 62, ex-presidente que vive asilado na capital belga.
Um mês após a eleição geral no país, o economista que permaneceu por dez anos no poder após despontar em 2007 como uma liderança política jovem, com elogiada trajetória acadêmica e habilidades que incluíam falar quíchua, insiste que houve fraude.
Correa afirma que pouca atenção tem sido dada ao tema e fala sobre o assunto nesta entrevista, a primeira ao Brasil neste universo eleitoral. A diferença oficial de votos entre a sua candidata, Luisa González, e o reeleito Noboa, porém, foi muito expressiva: mais de 1,1 milhão.
As missões de observação eleitoral não embasaram as afirmações sobre fraude e confirmaram a reeleição de Noboa, ainda que a Organização dos Estados Americanos tenha dito que observou "casos isolados nos quais a tinta da caneta manchava a cédula quando esta era dobrada" e que "os inconvenientes foram resolvidos assim que observados".
Em resposta, a autoridade eleitoral afirma que a Constituição só prevê que urnas sejam reabertas quando há inconsistências, como falta de assinaturas, nas atas eleitorais daquele centro, para que assim os votos possam ser recontados. "A lei não estabelece a abertura de urnas por denúncias de supostas tintas transferíveis, e todas as missões de observação eleitoral ratificaram a absoluta transparência do processo."
Rafael Correa fala por videochamada sobre as fragmentações da esquerda, sua relação com o movimento indígena e com Lula (PT) e as razões para a escolha do nome de Luisa González.
PERGUNTA - Os fiscais eleitorais do Revolução Cidadã possuem cópias das atas de votação. Se houve fraude, uma alternativa não seria publicar todas essas cópias para comprovar?
RAFAEL CORREA - Se a fraude tivesse sido digital, sim, mas é uma fraude nas urnas, e isso é o que não se entende.
Recebemos essas atas em um processo de apuração rápida, e elas nos dão o mesmo resultado que o CNE porque já vieram com os resultados fraudulentos. Há pontos cegos, que foram descuidos nossos. Você tem razão, tínhamos um delegado em cada mesa, 42 mil no total, mas, quando as cédulas de votação são impressas, ninguém as revisa.
Elas são impressas na gráfica militar, que está sob controle do governo. Quando os kits eleitorais são montados -com as cédulas, as canetas, os materiais para as urnas-, ninguém controla esse processo. Assim, eles podem incluir cédulas e votos pré-preparados. E foi isso que fizeram.
É necessário realizar um exame forense das cédulas. E não nos permitiram abrir uma única urna. Por quê? É claro que a fraude está lá. Já sabíamos que havia fraude -matematicamente, criticamente o resultado é impossível. Então isso [a análise das tintas] acendeu nosso alerta.
P. - Chama a atenção que líderes políticos importantes do Revolução Cidadã, como Pabel Muñoz ou Aquiles Álvarez (prefeitos de Quito e Guayaquil, respectivamente, as cidades mais importantes), tenham prontamente reconhecido a vitória de Noboa. Parece haver uma insatisfação com o fato de o sr. ter escolhido González, uma pessoa de máxima lealdade, em vez deles, que têm raízes sociais.
RC - Pergunte a eles agora, porque estão convencidos de que houve fraude.
Foram feitas pesquisas que nos colocam como vencedores depois da eleição. Isso poderia ser inverossímil porque, após a eleição, ocorre o que se chama de triunfalismo, um efeito que pode inflar os pontos do vencedor. Ou seja: se você ganha com 40%, após a eleição 50% dizem ter votado em você, pois as pessoas querem se associar ao vencedor por várias razões, até medo. Apesar disso, seis pesquisas pós-eleitorais nos colocam em empate técnico ou com Luisa como vencedora.
Claro, é um pouco preocupante que haja a indisciplina, mas também é preciso entender o caos daquele momento. Até para reagir, pode ter havido descoordenação.
P. - O que chama de indisciplina não é um sinal de descontentamento na esquerda?
RC - Sempre se quer procurar a quinta pata do gato. Claro, há diferentes grupos na esquerda. Mas asseguro que isso é muito menor do que em outros movimentos políticos. Só a nós perguntam isso.
P. - Estou perguntando porque estamos em uma entrevista com o sr.
RC - O Revolução Cidadã é uma amálgama. Eu sou conservador moralmente, não acredito no aborto, não acredito no casamento gay, mas há pessoas que acreditam. Naturalmente, há essas divisões, que são normais e até saudáveis em um movimento político.
Acredito que todos dizem que houve fraude. O que falta consenso é sobre como. Num momento disseram que a questão das tintas era como algo impossível. Me ridicularizaram. Mas descobrimos que há dois tipos de canetas, sendo uma com tinta transmissível e que desaparece. Os loucos são eles.
P. - Lula parabenizou Noboa menos de 24 horas após o segundo turno. O que pensa da resposta dele?
RC - Bom, eu não teria me apressado. Mas todos sabemos o peso que o Itamaraty tem no Brasil. Fidel Castro dizia: "O único país do mundo governado por um prédio é o Brasil, porque é governado pelo Itamaraty." Há uma influência muito forte de uma diplomacia que age praticamente de forma independente do governo. É preciso considerar se Lula teve ou não informações em tempo hábil antes de o Itamaraty se pronunciar.
P. - Como vê a dificuldade da esquerda na região em renovar suas lideranças? Ocorre no Equador, no Brasil. Isso não acontece com a direita. Tem certeza de que isso não acontece?
RC - Noboa é filho de Álvaro Noboa, um ex-candidato à Presidência. As lideranças não são ruins, especialmente em países em desenvolvimento. Elas são altamente desejáveis. E somos um dos movimentos que mais renovam.
Propor um novo nome é uma coisa. O que quero dizer é que esse nome tenha capital político próprio para ganhar uma eleição.
P. - Respeito muito sua opinião e visão, mas é necessário ter capital político próprio? Você quer que tenham o peso político das lideranças fundadoras?
RC - Isso não existe. E o peso político que têm, em parte, vem do partido. Onde está o problema nisso?
As lideranças fundadoras sempre terão mais peso. Na Venezuela, quem terá mais peso do que o comandante Hugo Chávez?
O importante é administrar essas lideranças para o bem comum.
P. - O sr. mantém uma relação próxima com o regime. Não acredita que houve erros nos anos de Maduro no poder? Quem não comete erros?
RC - Mas me incomoda a hipocrisia. Nunca reconheceriam um governo que invade embaixadas, que ignora refugiados políticos, que coloca seu próprio vice-presidente sem respeito às leis, que não pede licença para ser candidato. E isso não é Maduro, é Noboa. Isso não significa que não tenham sido cometidos erros, que eu mesmo às vezes pedi publicamente que se corrigissem.
P. - Quais erros?
RC - Por exemplo, que deviam abrir as urnas, mas não fizeram porque têm seus mecanismos internos. Noboa também não o fez. Mas, no caso de Noboa, não se questiona. No caso de Noboa, não acontece nada. Essa dupla moral é terrível.
Raio-x
Rafael Correa, 62
Nascido e criado em Guayaquil, escoteiro na infância e juventude, formou-se economista no Equador e completou a formação superior na Bélgica e nos EUA. Professor, teve breve experiência como ministro das Finanças em 2005, e em 2007 conquistou o Palácio de Carondelet. Governou por uma década, em dois mandatos. Em 2020, foi condenado a oito anos de prisão por um caso de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht, que ele nega e classifica como perseguição judicial. Vive asilado na Bélgica. É casado e tem três filhos.
- Bahia Notícias
- 12 Mai 2025
- 18:35h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma publicação no Truth Social na noite de sábado, declarou sua intenção de expandir as relações comerciais com a Índia e o Paquistão. Além disso, ele sugeriu uma possível mediação no conflito da Caxemira, afirmando: "Trabalharei com a Índia e o Paquistão para ver se, depois de 'mil anos', uma solução pode ser encontrada para a região."
O comentário ocorreu em meio a uma escalada de tensões entre os dois países, que nos últimos quatro dias enfrentaram o pior confronto militar em décadas. Apesar de um cessar-fogo ter sido acordado, Índia e Paquistão rapidamente se acusaram mutuamente de violações do acordo.
Em sua declaração, Trump elogiou a "força, sabedoria e coragem" de ambos os países, destacando sua capacidade de "reconhecer que era hora de encerrar a agressão, evitando mortes e destruição em larga escala".
No entanto, as alegações sobre o papel dos EUA no acordo geraram controvérsia. Enquanto Trump afirmou, em outra publicação, que a trégua foi mediada pelos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão posteriormente esclareceu que "três dúzias de países" participaram dos esforços diplomáticos para viabilizar o acordo.
- Por Folhapress
- 12 Mai 2025
- 12:26h
Foto: Reprodução / Agência Lusa
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, aceitou a proposta que seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, fez mais cedo neste domingo (11) de negociar a paz na guerra no Leste Europeu em conversas realizadas na Turquia.
É o mais perto que os líderes já chegaram de um acordo desde quando Putin invadiu a Ucrânia, em fevereiro de 2022, e desencadeou o mais grave confronto entre a Rússia e o Ocidente desde a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962.
"Oferecemos às autoridades de Kiev que retomem as negociações já na quinta, em Istambul", disse Putin em um comunicado televisionado do Kremlin, na madrugada de domingo (noite de sábado no Brasil). Apesar do avanço, o presidente russo ofereceu poucas concessões até o momento, e, agora, afirma que as possíveis conversas devem ser realizadas sem pré-condições.
"Nossa proposta, como se diz, está sobre a mesa. A decisão agora cabe às autoridades ucranianas e a seus curadores, que parecem estar guiados por ambições políticas pessoais, não pelos interesses de seus povos", disse ele mais tarde ao agradecer à China, ao Brasil, aos países africanos e do Oriente Médio e aos EUA por seus esforços de mediação.
A confirmação de Zelenski veio após pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um primeiro momento, o republicano celebrou a proposta. "Um dia potencialmente grandioso para a Rússia e a Ucrânia!", escreveu em sua rede social, a Truth Social.
Em seguida, afirmou que estava começando a duvidar da Ucrânia. "O presidente russo, Putin, não quer um acordo de cessar-fogo com a Ucrânia, mas sim se reunir na quinta-feira, na Turquia, para negociar um possível fim do banho de sangue", disse ele.
Antes de aceitar, Zelenski afirmou pela rede social X que o aceno era um sinal de que os russos começaram a considerar o fim do conflito, mas que, para isso, era preciso garantir "o primeiro passo para realmente acabar com qualquer guerra" —uma trégua. "Esperamos que a Rússia confirme um cessar-fogo total, duradouro e confiável a partir de amanhã, 12 de maio", disse.
A demanda é encampada por representantes de grandes potências europeias, que exigiram um cessar-fogo incondicional de 30 dias sob o risco de novas sanções à Rússia durante um encontro com Zelenski em Kiev na véspera. O grupo inclui o presidente da França, Emmanuel Macron, e os primeiros-ministros da Alemanha, Friedrich Merz, da Polônia, Donald Tusk, e do Reino Unido, Keir Starmer.
Ao confirmar sua presença em Istambul, Zelenski reforçou o pedido. "Não faz sentido prolongar os assassinatos. Estarei esperando por Putin na Turquia na quinta. Pessoalmente, espero que desta vez os russos não procurem desculpas", escreveu no X.
Ao comentar a questão neste domingo, após retornar da Ucrânia, Macron afirmou que a proposta de Putin "é um primeiro passo, mas não é suficiente". "Um cessar-fogo incondicional não é precedido por negociações, por definição", afirmou a jornalistas.
Em seu discurso da manhã no Kremlin, Putin rejeitou o que chamou de ultimatos vindos de potências europeias. Segundo ele, a Rússia já havia proposto diversas tréguas, incluindo uma na Páscoa e, mais recentemente, uma de 72 horas para as celebrações dos 80 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial.
A desconfiança entre as duas partes paira mesmo durante esses acordos. Neste domingo, Putin afirmou que a Ucrânia atacou a Rússia com 524 drones aéreos, 45 drones marítimos e vários mísseis ocidentais durante a última trégua concluída no sábado, determinada unilateralmente por Moscou.
Segundo a agência de notícias estatal Tass, o Ministério da Defesa russo afirmou, também neste domingo, que a Ucrânia teria violado a trégua de três dias mais de 14 mil vezes e que as tropas de Kiev teriam feito cinco tentativas de romper a fronteira sul da Rússia.
As acusações acontecem também por parte da Ucrânia. Kiev não relatou nenhum lançamento de mísseis russos de longo alcance contra suas cidades nos últimos dias, mas acusa Moscou de centenas de violações na linha de frente.
Apesar do apelo de Putin, a Rússia lançou neste domingo um ataque com drones contra Kiev e outras regiões da Ucrânia, ferindo uma pessoa nos arredores da capital e danificando várias residências, segundo autoridades locais.
- Por Douglas Gavras | Folhapress
- 10 Mai 2025
- 11:33h
Foto: Jorge Cerdan -/AFP
Enquanto espera pela missa das 18h, Hugo Torres, 70, faz um prognóstico. "Daqui a um ano, quando as pessoas se derem conta de que o papa esteve aqui, não vai ter lugar vazio". O engenheiro industrial e morador de Trujillo (a 500 km de Lima) diz se lembrar de quando Robert Prevost morou na cidade peruana.
"Dava para ver que era um homem culto e preparado, mais do que a média dos sacerdotes. Por se tratar de uma comunidade recente, os padres daqui também eram muito jovens, ele era como uma espécie de referência para eles também", conta Torres.
Uma sequência de casas baixas e coloridas e prédios recentes abraça a igreja de tijolos marrons da ordem dos agostinianos. Nos fundos, crianças ensaiam uma apresentação musical; na lateral, antes da missa, um grupo com fiéis de todas as idades canta hinos religiosos e dança próximo a um retrato do novo pontífice.
De 1992 a 1999, o agora papa Leão 14 foi padre fundador da paróquia de Nossa Senhora de Montserrat. Ele também ajudou a fundar uma outra na cidade, a de Santa Rita de Cássia.
Apesar de ter nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost tem uma ligação antiga com o Peru. Ele foi ordenado sacerdote em 1982 e, três anos depois, foi enviado em sua primeira missão a Chulucanas, localidade próxima a Piura.
Em 1988, chegou a Trujillo para dirigir o projeto de formação comum para aspirantes agostinianos dos vicariatos de Chulucanas, Iquitos e Apurímac. Ocupou diferentes postos na hierarquia da igreja até 1999, quando voltou para os Estados Unidos. Em 2014, o papa Francisco o nomeou administrador apostólico da Diocese de Chiclayo. No ano seguinte, Prevost se tornou cidadão peruano.
Nas três cidades onde ele viveu, os sinos das igrejas tocaram para comemorar a escolha do novo papa na quinta-feira (8). Isso depois de a fumaça branca anunciar na Basílica de São Pedro que os 133 cardeais votantes do conclave tinham chegado a uma conclusão sobre quem guiaria a Igreja Católica após a morte do papa Francisco.
Nesta sexta-feira (9), o que se via em Trujillo era uma fila de carros tomando a entrada do pequeno aeroporto. Religiosos, jornalistas e curiosos vieram à região para conhecer um pouco mais da vida do novo papa no norte do Peru.
"Eu não me esqueço da emoção de estar perto quando o papa Francisco visitou o Peru e a nossa cidade, em 2018", diz o motorista Jair Acuña, 48. "A multidão não me deixou chegar tão perto assim, mas ficou para sempre marcado na minha memória. Vimos Prevost ao lado de Francisco e agora estamos esperando que o nosso Leão volte ao Peru como papa."
"É um orgulho para os peruanos ter um papa que viveu aqui, que adotou o Peru como sua casa e que tinha a identidade peruana", resume a professora aposentada María Dulce Camazos, 62, enquanto leva a neta para um evento em comemoração do Dia das Mães na paróquia. Ela diz se recordar de Prevost como um religioso nobre e, ao mesmo tempo, humilde. "Sempre tinha uma palavra de consolo para os que mais precisavam dela."
Terceira cidade mais populosa do país, Trujillo ainda conserva muitas características do período colonial, inclusive no destaque que os prédios religiosos têm no horizonte.
O seminário onde o pontífice atuou como professor, fica a alguns passos da praça central, que é dominada pelo edifício amarelo vivo da Catedral de Santa Maria, ao lado do prédio do arcebispado.
"É a nossa obrigação, como católicos, amar a todos os povos, mas é claro que dá um orgulho saber que esse homem tem uma relação tão profunda, uma história com o nosso país", diz o vendedor ambulante Hector Mendéz, 52, enquanto arruma suas flores em frente ao prédio da Universidade Católica de Trujillo. "Nos sentimos até mais importantes desde que ele foi escolhido."
- Por Marcos Guedes | Folhapress
- 07 Mai 2025
- 08:42h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
Começa nesta quarta-feira (7) o conclave que definirá o substituto de Francisco, o papa de maior conexão com o futebol. O próximo sumo pontífice terá de lidar com a demanda por uma Igreja Católica mais palatável às novas gerações, busca que no papado encerrado no mês passado, com a morte de Francisco, incluiu o esporte.
Não foi, claro, um tema central. Mas o apreço do argentino -nascido Jorge Bergoglio e notório torcedor do San Lorenzo- pelo futebol ajudou a ilustrar a busca por uma Igreja mais leve e aberta aos anseios da sociedade do século 21. Em 2019, por exemplo, ele abençoou a criação primeiro time feminino do Vaticano.
Mas a ligação da Igreja com a bola não se iniciou neste milênio. As associações esportivas do Vaticano listam como episódio histórico um jogo de 7 de janeiro de 1521, no Pátio do Belvedere, que teve na plateia o papa Leão 10. Era uma partida de "calcio florentino", uma modalidade brutal que ainda é disputada na Itália e fica entre o futebol e o rúgbi.
O futebol propriamente dito tem seus primeiros registros após a Segunda Guerra Mundial, encerrada há oito décadas. Houve em 13 de abril de 1946 um amistoso entre funcionários administrativos e funcionários do Governatorato do Vaticano. No ano seguinte, foi organizado um campeonato entre os funcionários da Santa Sé, com quatro equipes.
Mas, nas peladas de rua, nos grandes estádios ou na sede da Igreja, futebol é futebol. O clima esquentou na final, entre os trabalhadores das Vilas Pontifícias e os da Fábrica de São Pedro, e uma briga que envolveu jogadores e público impediu o término da competição e provocou um hiato de duas décadas.
Clubes foram fundados a partir de 1966, e uma liga tomou forma em 1972. O campeonato teve diferentes formatos, porém prosperou, e hoje o Vaticano, como boa parte das nações de tradição no futebol, tem três competições: uma liga, uma copa e uma disputa entre o vencedor de cada uma das anteriores, a supercopa.
Os certames são organizados pela ASD (Associazione Sportiva Dilettantistica - Sport in Vaticano), que em 2015 deixou de ser exclusivamente uma associação de futebol e passou a incluir outros esportes, como o atletismo. As partidas não ocorrem no Vaticano, menor Estado soberano do mundo, mas logo ao lado, em um campo no qual se pode observar a Basílica de São Pedro.
O Vaticano tem ainda uma seleção, que fez sua primeira partida oficial em 1994 e desde então atua esporadicamente. O time branco e amarelo chegou a ser pontualmente dirigido por Giovanni Trapattoni, histórico treinador italiano, e estabeleceu uma espécie de rivalidade com Mônaco, seu adversário em uma série de amistosos.
Os jogadores, funcionários da Santa Sé, não são nascidos no Vaticano, raro Estado soberano que não é filiado à Fifa (Federação Internacional de Futebol). Isso não impede uma relação institucional, e a federação prometeu recentemente cumprir um desejo do papa Francisco, um grande jogo beneficente com estrelas mundiais do esporte.
"Ele era um líder incrível e um fã do nosso lindo esporte", disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino. "No nosso último encontro, compartilhamos a vontade de organizar um jogo com lendas da Fifa em campo: posso confirmar que será disputado em setembro. O papa Francisco estava convencido de que o futebol poderia verdadeiramente unir o mundo."
Nesse esforço, além de apoiar a midiática Clericus Cup –que reunia seminaristas do mundo todo para um campeonato em Roma e foi interrompida na pandemia de Covid-19–, Francisco deu seu impulso à formação de um time feminino no Vaticano. A estreia ocorreu há seis anos, em um amistoso com o time profissional da Roma.
"Mesmo que o resultado seja 30 a 0, não importará", afirmou na ocasião Danilo Zennaro, representante da ASD, prevendo um inevitável desequilíbrio, comprovado no placar de 10 a 0. "Não importa. O que importa é criar conexões e amizades. Tínhamos times masculinos havia décadas. Era justo que as mulheres que trabalham no Vaticano tivessem também a chance de jogar."
Papa de 2013 a 2025, Francisco acostumou-se a receber delegações esportivas, sempre registrando o "poder unificador do esporte" e apontando que "a vitória começa na humildade". A prática também era recorrente no papado de João Paulo 2º (1978-2005), que recepcionou em 1984 os jogadores do São Paulo –presentes na Itália para amistoso com a Roma.
Outro time tricolor, o Fluminense, construiu relação ainda mais profunda com João Paulo 2º, que esteve no Brasil em 1980 e ganhou uma camisa de um garoto de dez anos. Pouco após a visita, o Fluminense venceu o primeiro turno do Campeonato Carioca nos pênaltis, em cima do Vasco, e a torcida entoou a canção "A Bênção, João de Deus".
Composta justamente para a recepção ao papa, a música de Péricles de Barros e Moacyr Geraldo Maciel se tornou bastante popular. A partir da vitória sobre o Vasco no primeiro turno -e da confirmação do título carioca na decisão, também contra o Vasco-, acabou tornando-se um mantra tricolor, entoado em momentos de aflição ou euforia.
Um desses momentos ocorreu em 2009, quando matemáticos apontavam 99% de risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. A arrancada que evitou a queda foi apontada por parte da torcida como "um evidente milagre" de João. Foi o que pensou Igor Viviani, o garotinho que entregara a camisa a João Paulo 2º em 1980 e que, em 2010, como diretor do Fluminense, oficializou o polonês como padroeiro oficial do clube.
Já o Corinthians tem são Jorge como padroeiro, mas teve de apelar a outro papa para preservar seu culto. Os torcedores amargavam um jejum de títulos que já se aproximava dos 15 anos, em 1969, quando ganharam novo motivo para desespero. Em episódio conhecido como "cassação de santos", Paulo 6º promoveu uma reordenação do calendário litúrgico, e nomes como o de são Jorge, celebrados em apenas algumas regiões do planeta, deixaram de fazer parte da lista oficial.
Então, o corintiano dom Paulo Evaristo Arns, que logo se tornaria arcebispo de São Paulo e cardeal, procurou o papa. De acordo com seu relato no livro "Corintiano Graças a Deus!", em uma audiência com Paulo 6º, afirmou: "Santo padre, nosso povo não está entendendo direito a questão. São Jorge é muito popular no Brasil, sobretudo entre a imensa torcida do Corinthians, o clube mais popular de São Paulo".
"Não podemos prejudicar nem a Inglaterra, nem o Corinthians", respondeu o papa, segundo o brasileiro, lembrando que o santo guerreiro também é patrono dos ingleses e ordenando sua inclusão nos calendários deles e dos brasileiros. "Caso contrário, seremos culpados de um equívoco."
Resta claro, acredite você ou não em cada palavra no relato de dom Paulo Evaristo Arns, que fé e futebol estão longe de ser incompatíveis, no catolicismo ou em outras religiões. Como observou em 2010 o monsenhor Claudio Paganini, que na ocasião atuava como diretor da Clericus Cup, "se você vai à missa às dez, almoça e depois vai ao campo, há tempo para tudo".
- Por Folhapress
- 06 Mai 2025
- 10:20h
Foto: Reprodução / YouTube / CNN Brasil
Em novo capítulo do embate entre a Casa Branca e a Universidade Harvard, o governo de Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (5) o congelamento dos recursos que seriam destinados a novas bolsas de pesquisas até que a instituição ceda a uma série de exigências.
Em carta enviada a Harvard, a secretária de Educação americana, Linda McMahon, volta a dizer que a universidade tem de rever questões relacionadas a antissemitismo no campus e mudar políticas que levam em consideração a raça do aluno. O documento afirma ainda que a universidade abandonou a busca pela "excelência acadêmica" enquanto emprega "relativamente poucos" professores conservadores.
"A carta é para informar que Harvard não deve mais buscar bolsas do governo, uma vez que nenhuma será fornecida", disse McMahon. Ela não informou o valor bloqueado nesta segunda. Procurada pela agência de notícias Reuters, a universidade não se manifestou.
A ação representa uma nova estratégia do governo Trump, cujas tentativas de congelar os fundos já existentes levantaram diversos questionamentos jurídicos e motivaram disputas nos tribunais.
O republicano exige uma série de ações de universidades americanas sob a ameaça de retirar subsídios. Harvard, por sua vez, foi a primeira grande instituição de ensino a desafiar o presidente.
Em resposta, o governo Trump intensificou as ações nos últimos dias. No último dia 2, o presidente voltou a afirmar que vai retirar o status de isenção fiscal do qual a instituição usufrui. "É o que eles merecem."
Trump classifica diversas entidades de educação e imprensa de esquerdistas, marxistas e tendenciosas. Ao justificar o cerco às universidades, porém, costuma afirmar que as instituições não fizeram o suficiente para coibir atos antissemitas durante os protestos contra a guerra na Faixa de Gaza em seus campi.
Em carta enviada a Harvard no dia 11 de abril, o Departamento de Educação americano exigiu que a universidade trabalhasse para diminuir a influência de docentes, funcionários e alunos que, segundo a gestão Trump, são "mais comprometidos com o ativismo do que com o conhecimento" e que um painel externo auditasse os membros da comunidade acadêmica para garantir "diversidade de pontos de vista".
O documento também exigiu que Harvard eliminasse qualquer política afirmativa baseada em raça, cor ou nacionalidade até agosto e reformasse seu processo de seleção de estudantes estrangeiros "para evitar a admissão de alunos hostis aos valores americanos". O governo exigia ainda que a instituição denunciasse às autoridades federais de imigração aqueles que desrespeitassem regras de conduta.
Mas Harvard se recusou a cumprir as exigências do governo, que, em retaliação, anunciou o congelamento de US$ 2,2 bilhões (quase R$ 13 bilhões) em fundos federais. Além disso, exigiu um pedido de desculpas da universidade, o que não aconteceu.
A instituição ainda processou o governo no final de abril pelo congelamento de recursos, sob o argumento que a medida desrespeita a Primeira Emenda da Constituição, que protege a liberdade de expressão.
Desde sua posse em janeiro, Trump tem pressionado as principais universidades dos EUA, afirmando que as instituições lidaram mal com os protestos pró-Palestina do ano passado e acusando-as de terem permitido que o antissemitismo se espalhasse nos campi.
Manifestantes, incluindo alguns grupos judeus, dizem que suas críticas às ações de Israel em Gaza estão sendo equivocadamente confundidas com antissemitismo.
- Bahia Notícias
- 05 Mai 2025
- 18:30h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicanos), afirmou, neste domingo (4), que as tarifas atuais, de 145% aplicadas sobre importações da China, deverão ser reduzidas “em algum momento”. A declaração foi dada em entrevista à NBC News, quando foi questionado sobre a possibilidade de cortar os tributos. “Por que eu faria isso?”, respondeu inicialmente o republicano, sugerindo que as tarifas têm dificultado os negócios com o líder chinês, Xi Jinping.
Apesar da resposta evasiva, Trump indicou que Pequim tem interesse em manter as relações comerciais com Washington, destacando que a economia chinesa estaria em colapso. O presidente norte-americano tem dado sinais recentes de flexibilização nas políticas de taxação internacional.
Durante uma entrevista anterior, concedida em 22 de abril no Salão Oval, Trump afirmou que os altos impostos sobre produtos chineses poderão ser “substancialmente” reduzidos, embora tenha descartado a possibilidade de eliminá-los por completo. Segundo ele, os Estados Unidos atravessam uma fase de “transição” nas relações comerciais com a China, e a meta é construir um novo acordo entre os dois países.