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Brasileiros deportados por governo Trump em programa voluntário dizem ter sido expulsos à força

  • Por Alexandre Rezende e Renan Marra | Folhapress
  • 31 Ago 2025
  • 08:07h

Foto: Shealah Craighead / Casa Branca

Brasileiros que desembarcaram nesta semana no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), vindos dos Estados Unidos, afirmam que deixaram o país depois de serem coagidos a aderir a um programa de deportação voluntária lançado este ano pelo governo de Donald Trump. A medida, dizem, buscou acelerar a saída do grupo do território americano.
 

Os brasileiros também reclamam das condições de transporte e relatam maus-tratos durante o processo de deportação. O voo partiu do estado da Louisiana e chegou ao Brasil às 18h13 da quarta-feira (27), após escala na República Dominicana. O desembarque, testemunhado pela reportagem da Folha, foi rápido. O grupo atravessou o portão em menos de 30 minutos. Eles vestiam uniformes usados em centros de detenções e traziam apenas uma sacola com alguns pertences. Nem todos portavam documentos.
 

Na saída, foram recebidos por funcionários da ONU e do Ministério dos Direitos Humanos, que se surpreenderam com as condições em que o grupo se encontrava.
 

O governo dos EUA contratou a Gol para trazer deportados ao Brasil. À coluna Painel S.A. a companhia aérea informou que só fretou o Boeing 737 MAX-8 para o transporte de deportados voluntários. No entanto, brasileiros que estavam na aeronave disseram que a maior parte do grupo estava presa havia meses no país e que nenhum deles optou pela saída do território americano.
 

Ainda segundo relatos, eles teriam sido coagidos a assinar o documento de autodeportação já na entrada da aeronave, após a soltura das algemas pelos oficiais do ICE (Agência Federal de Imigração e Alfândega, o serviço de imigração americano).
 

Procurada, a embaixada dos EUA em Brasília afirmou que o país deporta pessoas que violaram as leis de imigração locais. Disse ainda que os voos de deportação são feitos de forma segura, respeitosa e frequente. A representação não respondeu, contudo, aos questionamentos sobre relatos de maus-tratos.
 

"Estrangeiros em situação ilegal que solicitarem a saída pelo aplicativo podem ter direito a viagem gratuita para seus países, um bônus de US$ 1.000 e reencontro com a família durante a partida. Além disso, podem manter a elegibilidade para retornar legalmente aos EUA", escreveu a representação diplomática em nota.
 

Um dos deportados foi Erivelton Natalino da Silva, que morava com a esposa nos EUA havia mais de 20 anos --ela continua no país com duas filhas do casal. Silva diz que os dois tinham o número social, necessário para residentes permanentes ou para trabalhadores temporários, e uma vida estável. Em janeiro, segundo ele, receberam a aprovação de mais cinco anos de permanência enquanto aguardavam a cidadania americana.
 

Tudo mudou em 6 de junho, de acordo com seu relato, quando foi abordado e preso. O advogado da família que cuidava do processo de residência definitiva entrou com uma petição para impedir a deportação, mas não adiantou.
 

Segundo a esposa, Erivelton já tinha sido submetido a três tentativas de deportação, mas, por ter um processo de permanência tramitando na Justiça, era impedido de embarcar. Então, a saída encontrada pelos agentes do serviço de imigração foi colocar o homem no voo de deportação voluntária, supostamente de forma clandestina. Na quarta (27), sem documentos, ele desembarcou em Minas Gerais para surpresa da família, que não sabia do seu paradeiro e ainda tinha esperanças de que a situação fosse revertida.
 

Carlos Fagundes é outro brasileiro que estava no voo. Ele já havia passado por oito penitenciárias diferentes durante os três meses em que ficou detido. Enquanto aguardava a deportação, disse que fez os trajetos entre penitenciárias sempre algemado, em ônibus e sem alimentação ou água.
 

"Chegamos a ficar até 20 horas sem comer nem beber nada. A gente via a comida, a garrafa de água, mas eles não queriam nos dar. No voo de volta saímos às 6h e só fomos comer à meia-noite", disse. "Nos EUA não existe mais lei, nem de imigração."
 

Nos centros de detenção, afirmou, os brasileiros ficavam amontoados. "Era impossível ficar de pé. Se a gente ficasse, pisava nos outros. Foram muitos dias sem tomar banho e sem escovar os dentes."
 

Sem dinheiro nem passaporte, Carlos aguardava a esposa no saguão do aeroporto para voltar para sua casa no Espírito Santo.
 

Imigrantes relatam também que, assim como a higiene pessoal, a alimentação era restrita. Um colega de Carlos que não quis se identificar disse que as refeições do grupo consistiam em três sanduíches para todo o dia.
 

Alguns dos passageiros mostraram à reportagem uma cópia de um documento que dizem ter sido obrigados a assinar com instruções para a retirada do auxílio de US$ 1.000. No papel, consta o endereço de email do Project Homecoming, o nome em inglês do programa para a saída voluntária.
 

Ainda no Aeroporto de Confins, em frente a uma casa de câmbio, alguns tentavam descobrir onde poderiam sacar o valor da ajuda. Enquanto outros, que ainda levavam alguma quantia em dólares, tentavam fazer a conversão para terminar a viagem.
 

Assim como Carlos Fagundes, Erivelton deverá ter dificuldades para receber o auxílio prometido pelo governo americano. Para conseguir acessar a quantia, a pessoa precisa enviar uma comprovação de que já está no país de origem, além de uma foto do passaporte, documento que eles não possuem mais.

Roger Federer entra para o seleto grupo de atletas bilionários, segundo a Forbes

  • Bahia Notícias
  • 23 Ago 2025
  • 18:50h

Foto: @ici_officiel

O suíço Roger Federer, que se aposentou das quadras em 2022, se tornou oficialmente bilionário, de acordo com levantamento publicado pela revista especializada Forbes. O ex-tenista tem fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões), impulsionada principalmente por investimentos e patrocínios fora das quadras.

 

Federer disputou sua última partida profissional na Laver Cup de 2022, ao lado do amigo Rafael Nadal, e conquistou seu último título em 2019, em Basileia, sua cidade natal. Dentro de quadra, ele colecionou 103 títulos e passou 310 semanas como número 1 do mundo, acumulando quase US$ 131 milhões em prêmios — marca que só fica atrás de Novak Djokovic (US$ 189 milhões) e Rafael Nadal (US$ 135 milhões).

 

Apesar dos números expressivos no circuito, o maior diferencial de Federer está no campo comercial: durante a carreira, ele faturou cerca de US$ 1 bilhão em patrocínios e empreendimentos, mais que o dobro de Djokovic ou Nadal. Ele foi o tenista mais bem pago do mundo por 16 anos consecutivos e, em 2020, chegou a liderar todos os esportes, com ganhos de US$ 106,3 milhões antes de impostos.

 

Clube dos bilionários

Federer agora integra um seleto grupo de atletas que superaram a marca de US$ 1 bilhão em renda. Entre eles estão LeBron James, Tiger Woods, Phil Mickelson, Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Floyd Mayweather. O primeiro atleta a entrar nesse clube foi o romeno Ion Tiriac, em 2007, hoje com fortuna avaliada em US$ 2,3 bilhões.

 

Outros nomes de destaque incluem Michael Jordan (US$ 3,8 bilhões), Magic Johnson (US$ 1,5 bilhão) e Junior Bridgeman (US$ 1,4 bilhão). Entre os ainda ativos em seus esportes, apenas LeBron James e Tiger Woods atingiram a marca.

 

Estratégia de negócios

O suíço soube explorar sua imagem de atleta carismático e sofisticado, firmando contratos com marcas de peso como Rolex, Lindt, Mercedes-Benz e Moët & Chandon. Em 2018, surpreendeu ao trocar a Nike pela japonesa Uniqlo, em acordo estimado em US$ 300 milhões por 10 anos.

 

No mesmo período, aproveitou a liberdade contratual e investiu na marca suíça de calçados On, adquirindo cerca de 3% da empresa. Hoje, a companhia tem valor de mercado próximo a US$ 15 bilhões, com as ações em alta de 86% desde o IPO em 2021 — o que rendeu a Federer mais de US$ 375 milhões.

 

Além disso, Federer é cofundador da Team8 e da Laver Cup, que se tornou um evento oficial da ATP e altamente lucrativo. Também investiu em startups, como a chilena NotCo, focada em alimentos à base de plantas, avaliada em US$ 1,5 bilhão.

 

Popularidade imbatível

Mesmo aposentado, Federer segue como um dos atletas mais influentes do mundo. Ele mantém 43,5 milhões de seguidores somando Facebook, Instagram e X (antigo Twitter), ficando atrás apenas de Rafael Nadal no tênis. Seu índice de engajamento nas redes sociais (2,3%) supera com folga os de Djokovic (1,2%) e Nadal (0,5%).

 

Carismático, elegante e estratégico nos negócios, Roger Federer continua a expandir seu legado muito além das quadras de tênis — agora como um dos poucos atletas bilionários da história.

Surto de chikungunya e outras doenças transmitidas por mosquitos é registrada na Europa

  • Bahia Notícias
  • 21 Ago 2025
  • 08:12h

Foto: Shammiknr/Pixabay

O Continente Europeu registrou surto de doenças causadas por mosquitos nas últimas temporadas. O Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, sigla em inglês), emitiu alerta sobre a disseminação das enfermidades de uma forma mais longa e mais intensa, especialmente nos casos dos vírus do Nilo Ocidental e de chikungunya.

 

O ECDC revelou que o mosquito transmissor do vírus Chikungunya, o Aedes albopictus, foi identificado em 16 países da Europa e em 369 regiões do continente. Dez anos atrás, foram notificados episódios do tipo em apenas 114 regiões europeias. 

 

Segundo a entidade, via Agência Brasil, questões climáticas e ambientais, a exemplo do aumento das temperaturas, verões mais longos, invernos mais amenos e alterações nos padrões de precipitação, estão influenciando o surto das doenças.  

 

A diretora do ECDC, Pamela Rendi-Wagner explicou que a combinação desses fatores impacta na proliferação das doenças. De acordo com a especialista, este seria o novo normal desse problema de saúde. 

 

“A Europa está entrando em uma nova fase — em que a transmissão mais longa, disseminada e intensa de doenças transmitidas por mosquitos está se tornando o novo normal”, afirmou Rendi-Wagner.

Trump e Putin se reúnem no Alasca e planejam encontro com Zelensky para negociar fim da guerra

  • Bahia Notícias
  • 16 Ago 2025
  • 10:31h

Foto: Reprodução / Casa Branca

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, se reuniram nesta sexta-feira (15) em Anchorage, no Alasca, para tratar da guerra na Ucrânia. O encontro, que durou quase três horas, terminou com o compromisso de organizar uma nova reunião, desta vez com a presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, segundo a agência Reuters.

 

Trump participou da cúpula acompanhado do secretário de Estado, Marco Rubio, e do enviado especial, Steve Witkoff. Do lado russo, estiveram presentes o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, e o assessor de política externa, Yuri Ushakov.

 

Após a reunião, o ministro da Defesa da Rússia, Andrey Belousov, afirmou que o clima entre as partes era “excelente”. O enviado especial russo Kirill Dmitriev classificou as conversas como “notavelmente boas”, de acordo com a agência Interfax.

 

O encontro ocorreu em uma sala de uma base da Força Aérea dos EUA. Trump havia antecipado que seu objetivo era obter de Putin um compromisso em favor de um cessar-fogo e de um diálogo direto com Zelensky para encerrar o conflito, iniciado em fevereiro de 2022.

 

Na chegada a Anchorage, Putin foi recebido por Trump com tapete vermelho na pista da base aérea. Os dois líderes se cumprimentaram, mas não deram declarações à imprensa. Em seguida, seguiram juntos na limusine presidencial americana até o local da reunião.

Rapper Sean Kingston é condenado a 3 anos e meio de prisão por fraude

  • Por Folhapress via BahiaNotícias
  • 16 Ago 2025
  • 08:28h

Foto: Divulgação

O rapper Sean Kingston, dono do hit "Beautiful Girls", foi condenado a 3 anos e meio de prisão por fraude eletrônica, em um processo que também envolve sua mãe.
 

As informações são da CBS News. A fraude que condenou o cantor foi de cerca de R$ 5,4 milhões (US$ 1 milhão).
 

O artista de 35 anos foi considerado culpado do processo em março, assim como sua mãe, Janice Turner. A dupla foi condenada por conspiração para cometer fraude eletrônica e quatro acusações de fraude eletrônica.
 

Em julho, Janice foi sentenciada a 5 anos de prisão. O anúncio da pena de Sean havia sido adiado.
 

De acordo com promotores federais, Kingston e Turner orquestraram um esquema para obter itens de luxo sem pagar por eles. Entre os itens, há um SUV de luxo, joias, relógios caros e uma TV do tamanho de uma parede.
 

Turner e Kingston alegaram falsamente ter feito pagamentos eletrônicos pela mercadoria, mas os investigadores confirmaram posteriormente que os pagamentos nunca foram concluídos. As autoridades apresentaram evidências de que a dupla usou recibos falsos de transferência eletrônica como comprovante de pagamento.
 

Sean Kingston e sua mãe já tinham sido presos em maio de 2024.

Campeã de fisiculturismo morre aos 37 anos nos Estados Unidos

  • Bahia Notícias
  • 15 Ago 2025
  • 08:53h

Foto: Reprodução/X/@hayleysmash

O fisiculturismo perdeu mais um nome importante em 2024. Hayley McNeff, campeã americana e figura conhecida nas competições da modalidade nos anos 2000, morreu no último dia 8 de agosto, aos 37 anos. Natural de Concord, Massachusetts, ela teve a morte descrita em seu obituário como "inesperada, porém pacífica". A causa não foi divulgada e o funeral será realizado neste sábado (16).

 

McNeff conquistou destaque ao vencer títulos como o East Coast Classic de 2009 e também marcou presença no documentário "Raising The Bar", lançado em 2016, no qual falou sobre sua trajetória no esporte. "A busca por ficar enorme nunca vai acabar. Não há limite. Espero que chegue o dia em que eu possa me olhar no espelho 100% do tempo e dizer 'é isso, cara, estou enorme'", declarou na produção.

 

Além das competições, a atleta se dedicava a outras paixões, como o mergulho e o esqui. Após deixar os palcos, voltou aos estudos e cursou psicologia.

 

O falecimento de Hayley se soma a uma série de perdas recentes no fisiculturismo. Em junho, Zunila Hoyos Mendez, de 43 anos, foi morta em um ataque com martelo. No mês anterior, Gui Bull faleceu aos 30 anos. Também morreram neste ano Vito Pirbazari, ator e fisiculturista que participou da série “Dogs in Berlin”, após passar mal em uma esteira, e Jodi Vance, de 20 anos, vítima de um ataque cardíaco em março.

Ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe é sentenciado a 12 anos de prisão domiciliar

  • Por Douglas Gavras | Folhapress
  • 02 Ago 2025
  • 10:22h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

A Justiça da Colômbia sentenciou nesta sexta-feira (1º) o ex-presidente Álvaro Uribe a uma pena de 12 anos de prisão domiciliar, que deve começar a ser cumprida imediatamente. Uribe, que governou o país de 2002 a 2010 e foi condenado no início da semana por suborno e fraude processual, agora deve recorrer da decisão.
 

Na segunda-feira (28), ele foi considerado culpado pela juíza Sandra Heredia, por obstrução da justiça e suborno de testemunhas, incluindo paramilitares durante o conflito armado no país.
 

O documento, de mais de 1.000 páginas, vazou pouco antes da leitura no tribunal, que ocorreu às 16h de Brasília. Além da pena, a sentença deixa o ex-presidente inelegível.
 

"O estabelecimento prisional responsável pela vigilância deverá proceder à sua imediata transferência para o seu domicílio, onde cumprirá prisão domiciliar, sendo-lhe efetuados os controles correspondentes", diz a sentença.
 

O Ministério Público havia pedido uma pena de prisão de nove anos.
 

Uribe, o primeiro ex-presidente condenado na Colômbia, disse nos últimos dias que estava preparando seus argumentos para o recurso.
 

"Você tem que pensar muito mais na solução do que no problema. Por isso estou na preparação da argumentação para sustentar o recurso da minha defesa material", escreveu o ex-presidente de 73 anos na rede X, no início da semana, em sua primeira reação à condenação.
 

Após a condenação, os advogados dele entrarão com um recurso que será analisado pelo Tribunal Superior de Bogotá. O tribunal terá até 16 de outubro para decidir se mantém a condenação ou anula a decisão.
 

O caso pelo qual o político foi condenado começou em 2012, quando ele processou o senador Iván Cepeda. Em 2018, o tribunal reverteu a decisão e começou a investigar Uribe por adulteração de testemunhas.
 

Uribe chegou a receber ordem de prisão domiciliar em 2020, quando a máxima instância da Justiça colombiana avaliou que sua liberdade poderia atrapalhar o curso da investigação. À época senador, ele renunciou ao cargo em uma estratégia que transferiu o caso para a Justiça comum, que suspendeu a ordem de prisão e reiniciou o processo.
 

Ele, que sempre defendeu sua inocência, diz que as acusações são uma "vingança da esquerda" e de antigos aliados que se tornaram inimigos. O político afirmou que está sendo alvo de uma perseguição política e que sua condenação poderá impactar negativamente a direita conservadora nas eleições presidenciais de 2026.
 

O processo culminou no que foi chamado de "julgamento do século" pela imprensa local, resultando na condenação do ex-presidente, que ouviu o veredito de casa.
 

"Estamos interessados na verdade, não em vingança", disse Cepeda em uma entrevista. "A independência da segunda instância deve ser respeitada e Uribe não pode, neste momento, usar sua influência e seu poder para tentar pressionar os juízes novamente."
 

Durante a sessão, Uribe chegou a se exaltar com a juíza, após ela dizer que os filhos do ex-presidente seriam os responsáveis pelo vazamento da sentença antes do horário de leitura. O partido de Uribe, Centro Democrático, reagiu.
 

"O ex-presidente Uribe expressa seu firme e enérgico protesto contra esta mais recente violação, que viola não apenas seus direitos, mas também os de seus filhos. O advogado de defesa, Dr. Jaime Granados, foi claro e categórico em resposta à alegação infundada do juiz: nem os filhos do ex-presidente nem sua equipe jurídica vazaram a decisão para a mídia", disseram em nota. O partido marcou uma manifestação em apoio a ele para o dia 7 de agosto.
 

"São 1.114 páginas para condenar um inocente. 'O Processo', de Kafka, é brincadeira perto da imaginação dos que odeiam Uribe", escreveu a senadora María Fernanda Cabal. "Enquanto um guerrilheiro indultado está no poder, o melhor presidente da história da Colômbia ficará preso por crimes que não cometeu."
 

Sem mencionar o caso, a conta oficial da Presidência da Colômbia, no X, publicou que "o presidente Gustavo Petro reitera que este governo defende a independência da Justiça e não exerce pressão sobre as suas decisões".
 

À imprensa colombiana, um dos filhos de Uribe, Jerónimo, disse que a prisão do ex-presidente é parte de uma estratégia de Petro e se trata de um "lawfare [perseguição judicial] da extrema esquerda".
 

"Isso, com todo o respeito ao senhor Jerónimo, é uma calúnia. Minha estratégia não é condenar Uribe, é libertá-lo. Quem construiu a estratégia para a condenação do ex-presidente Álvaro Uribe foi o próprio ex-presidente, que iniciou o processo denunciando Iván Cepeda e, depois, ao renunciar ao Senado, se colocou nas mãos da juíza", respondeu Petro em sua conta no X.
 

O ex-presidente Iván Duque publicou nesta sexta-feira um vídeo no qual afirma que um grupo de apoiadores vai solicitar a tribunais internacionais que se manifestem a respeito da condenação. "Tratados de direitos humanos foram violados e não há uma única prova que justifique uma condenação. Uribe é inocente", afirmou.

México desbanca EUA e já é segundo maior comprador de carne brasileira

  • Por André Borges | Folhapress
  • 02 Ago 2025
  • 08:19h

Foto: Reprodução / Freepik

As exportações brasileiras de carne bovina dão sinais de que, em meio à queda acentuada registrada nas vendas para os Estados Unidos, puxada pela sobretaxa imposta pelo presidente Donald Trump, já estão migrando para outros destinos. A principal evidência desse movimento vem do México.
 

A Folha de S.Paulo reuniu informações sobre as vendas de carnes ao exterior registradas até 28 de julho. Os dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) apontam que o setor, enquanto registra um volume histórico de exportação global, vê a queda das vendas aos norte-americanos e a entrada de novos países no topo da lista dos principais compradores.
 

O México, que até o ano passado sequer figurava na lista dos dez maiores importadores da carne brasileira, acaba de ultrapassar as compras feitas pelos Estados Unidos, ficando em segundo lugar do ranking, só atrás da China, que também segue em expansão.
 

Em abril, quando o presidente Donald Trump impôs uma taxa global de 10% sobre produtos que entram nos EUA, o país tinha chegado ao recorde de importação da carne brasileira. Foram gastos US$ 229 milhões naquele mês, para comprar 44,2 mil toneladas da proteína. Em junho, esse volume despencou para 13,5 mil toneladas e US$ 75,4 milhões, refletindo não apenas a tarifa já em vigor, mas também a ameaça de que o índice poderia subir para 50%.
 

No mês passado, o problema se acentuou. Os EUA gastaram, entre 1º e 28 de julho, US$ 68,7 milhões, para adquirir 12,3 mil toneladas da carne brasileira. Trata-se de uma queda abrupta de 70% em relação a abril.
 

Em linha diametralmente oposta, o México despontou como um dos maiores destinos da produção brasileira. O país, que em janeiro deste ano havia comprado apenas 3,1 mil toneladas de carne, saltou para 11 mil toneladas em abril e fechou junho com o volume histórico de 16,2 mil toneladas, um aumento de 423% em apenas seis meses.
 

Entre 1º e 28 de julho, o resultado seguiu acelerado, com o México já tendo gastado US$ 69 milhões com carne brasileira, superando ligeiramente os EUA (US$ 68,7 milhões). Em volume, a quantidade ficou equivalente, com 12,3 mil toneladas pelo importador americano e 12,1 mil toneladas pelo lado mexicano.
 

A reviravolta no mercado também é puxada pelo Chile, que saiu de US$ 45 milhões em importação de carne brasileira em janeiro para chegar a US$ 47 milhões em abril e, em julho, atingir mais de US$ 66,5 milhões, muito próximo, portanto, de México e Estados Unidos.
 

A China, que importa mais da metade da carne brasileira vendida ao exterior, segue expandindo a sua participação. Em junho, os chineses desembolsaram US$ 740 milhões. Entre 1º e 28 de julho, o saldo já chega a mais de US$ 732 milhões, para comprar 132 mil toneladas da proteína. Trata-se do segundo maior volume de compras mensais da história.
 

Os resultados globais da exportação de carne bovina pelo Brasil, que é o maior exportador da proteína em todo o planeta, reforçam o entendimento de que tem havido, de fato, uma mudança no destino dos negócios.
 

O mês de julho, ainda que considerados apenas os dados obtidos até o dia 28, já é o mês de recorde de exportação de carne, com movimentação de US$ 1,352 bilhão no período. Essa cifra mensal, que já superou o resultado de junho (US$ 1,313 bilhão), é a maior da última década. O resultado de julho, se comparado ao mesmo mês do ano passado, é de ao menos 30% de alta.
 

A partir de 6 de agosto, a carne brasileira será sobretaxada em 50%, conforme anunciado pelo governo americano. A tendência, portanto, é de que essa movimentação de mercado cresça ainda mais, agora que a decisão foi tomada.
 

O governo federal e os produtores brasileiros seguem mobilizados junto às autoridades e à indústria importadora dos EUA, na tentativa de renegociar a sobretaxa e demonstrar que, na realidade, é um cenário que também não interessa ao consumidor americano.
 

O Brasil é hoje o maior exportador de carne bovina para os EUA, seguido por Austrália, Nova Zelândia e Uruguai.
 

O governo também tenta ampliar a lista de exceções para poupar mais empresas do tarifaço do republicano. Os negociadores esperam que as tratativas se arrastem por um longo período. Uma das apostas é na abertura de um canal de diálogo do ministro Fernando Haddad (PT), da Fazenda, com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.
 

A posição no governo Lula é que as discussões sobre os assuntos econômicos devem se manter e até se intensificar, independentemente das sanções financeiras impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
 

O diagnóstico de auxiliares de Lula é que Bessent é um conselheiro de Trump que foi acionado por outros países que fecharam acordos comerciais com os EUA. Ele é visto como alguém com maior influência do que o secretário de Comércio, Howard Lutnik -que tem mantido conversas com o vice-presidente Geraldo Alckmin.

P. Diddy pede que condenação seja anulada ou que ele passe por um novo julgamento

  • Por Folhapress
  • 01 Ago 2025
  • 12:08h

Foto: YouTube

O rapper e empresário Sean "P. Diddy" Combs, condenado no início de julho por transporte para fins de prostituição, agora tenta anular a condenação, ou, como alternativa, que passe por um novo julgamento.
 

Diddy foi condenado com base na Lei Mann, dedicada a combater o tráfico sexual e aplicada em casos de transporte para fins sexuais entre estados. A defesa do artista argumenta, nos documentos apresentados ao juiz Arun Subramanian, nesta quarta-feira, que ele não lucrou com a prostituição, não teve relações sexuais com os profissionais envolvidos nem organizou a logística dos encontros.
 

Durante o julgamento, testemunhas –entre elas, duas ex-namoradas do rapper, a cantora Cassie Ventura e uma mulher que usava o pseudônimo "Jane"– afirmaram que Diddy não teve relações sexuais com os profissionais, apenas observava ou gravava os encontros. Ventura e Jane geralmente organizavam as viagens, os hotéis e os pagamentos para os trabalhadores sexuais.
 

Segundo a defesa, Diddy era apenas um voyeur. "Vários tribunais estaduais determinaram que pagar por voyeurismo —isto é, ver outras pessoas fazendo sexo— não é prostituição", afirmam os advogados.
 

Afirmam ainda que os tais encontros, gravados por ele, estariam protegidos pela primeira emenda da Constituição Americana, que garante a liberdade de expressão, religião, imprensa e de reunião. Diddy estaria, segundo a defesa, produzindo pornografia amadora para seu próprio consumo.
 

Diddy foi considerado culpado de dois casos de transporte para fins de prostituição, mas declarado inocente de tráfico sexual e associação criminosa. Caso sua condenação não seja anulada, ele pede um novo julgamento, onde apenas evidências relacionadas a essas acusações sejam admitidas.
 

O artista aguarda sua sentença, prevista para 3 de outubro, sob custódia em um centro de detenção em Brooklyn, no estado de Nova York. A pena pelos dois crimes pode chegar a até 20 anos de prisão.

Após ser atingido por tsunami, distrito russo declara estado de emergência

  • Bahia Notícias
  • 30 Jul 2025
  • 18:01h

Foto: Reprodução / CNN Newsource

O distrito de Severo-Kurilsk, localizado no extremo sul da Península de Kamchatka, no leste da Rússia, decretou estado de emergência após ser atingido por ondas provocadas por um tsunami. A informação foi divulgada pela agência estatal russa TASS.

O tsunami ocorreu após um terremoto de magnitude 8,8 atingir a costa da península. De acordo com relatos da agência e imagens divulgadas nas redes sociais, as ondas arrastaram contêineres e deslocaram embarcações que estavam atracadas no porto local.

Segundo os serviços regionais de emergência, quase 300 pessoas foram retiradas da área portuária de forma preventiva. As informações foram repassadas à agência estatal RIA News.

Atirador mata quatro pessoas em Nova York, incluindo policial; autor era ex-segurança de cassino

  • Por Folhapress
  • 29 Jul 2025
  • 12:48h

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Um homem armado com um fuzil matou quatro pessoas, entre elas um policial, ao abrir fogo em plena luz do dia em Nova York, antes de tirar a própria vida. O atirador foi identificado como Shane Tamura, de 27 anos, natural de Las Vegas.

Segundo a comissária da Polícia de Nova York (NYPD), Tamura era ex-jogador de futebol americano em sua antiga escola e tinha histórico de problemas de saúde mental. De acordo com as investigações, ele atravessou o país nos dias que antecederam o ataque.

As autoridades informaram ainda que Tamura havia sido recentemente demitido do cargo de segurança em um cassino de Las Vegas.

População saqueia caminhões de comida em Gaza; fome matou mais de 130

  • Por Folhapress
  • 28 Jul 2025
  • 18:30h

Foto: Dawoud Abu Alkas / Reuters

Caminhões que faziam a distribuição de ajuda humanitária no norte da Faixa de Gaza foram saqueados pela população faminta após cruzar a fronteira do enclave neste domingo (27).
 

Cerca de dez veículos cruzaram a fronteira com insumos para a Cidade de Gaza, mas nem todos chegaram ao destino. "Muitos cercaram os caminhões. A população, que estava desesperada por um saco de farinha, saqueou os veículos", afirmou o jornalista Hani Mahmoud, da Al Jazeera, que está no local.
 

População foi vista em cima dos caminhões, retirando os sacos e carregando os insumos nas costas. Imagens divulgadas por agências de notícias mostram que algumas pessoas ficaram feridas na confusão para tentar pegar os alimentos.
 

O saque da carga preocupa, já que os alimentos iriam para a cidade mais populosa do enclave. O medo da população, segundo o jornalista, é de que a comida que deveria ser distribuída seja vendida no mercado paralelo por preços abusivos.
 

Cenas de desespero foram vistas no primeiro dia da "pausa tática" de Israel para permitir a entrada de ajuda humanitária. Após pressão internacional, o país de Benjamin Netanyahu anunciou que pausará todos os dias por 10 horas os ataques para que corredores humanitários levem alimentos até três pontos de Gaza. A pausa de hoje vai durar até as 20h (14h no horário de Brasília).
 

Três áreas diferentes do enclave têm ataques paralisados para receber os alimentos, segundo o Exército. Além da Cidade de Gaza, onde os saques aconteceram, caminhões vão passar por Deir al-Balah, no centro, e al-Mawasi, no sul, segundo dados divulgados pelo próprio exército de Israel.
 

Ajuda aérea também foi enviada, mesmo com alertas sobre risco à população. As Forças de Defesa de Israel publicaram vídeos de mantimentos sendo jogados de paraquedas. Segundo o Exército, açúcar, enlatados e farinha foram entregues. Em 2024, um equipamento defeituoso fez com que os insumos caíssem no mar e 12 palestinos morressem afogados.
 

Um terço da população de Gaza não come há dias, segundo as Nações Unidas. O Programa Mundial de alimentos divulgou hoje um comunicado falando que a notícia sobre a pausa humanitária é boa, mas explicando que um cessar-fogo é a única forma de fazer com que os alimentos cheguem a todos.
 

"O Programa Mundial de Alimentos tem comida suficiente para alimentar toda a população de 2,1 milhões de pessoas em Gaza por quase três meses", disse a ONU, em nota.
 

Só 30% da comida necessária foi distribuída em Gaza desde a abertura parcial das fronteiras, em maio. Segundo o Programa Mundial de Alimentos, 22.000 toneladas foram entregues, mas 62.000 são necessárias para alimentar toda a população do país.
 

De ontem para hoje, seis pessoas morreram de fome. O número elevou para 133 o total de vítimas da desnutrição do país desde o início da guerra. O número de mortos subiu vertiginosamente nas últimas semanas, o que seria um reflexo dos dois meses e meio de bloqueio total de suprimentos à palestina por parte de Israel. No fim de maio, o bloqueio foi parcialmente aberto, mas a ajuda enviada não era suficiente, segundo as organizações.
 

Israel, que bloqueou qualquer entrada de ajuda em Gaza entre março e maio, segue culpando Organização das Nações Unidas pela fome no local. "Esperamos que a ONU colete e distribua os alimentos, sem atrasos ou desculpas", disse o Ministério das Relações Exteriores do país em nota.
 

Embarcação com insumos foi interceptada por Israel. Na noite de ontem, um barco do movimento ativista "Flotilha da Liberdade", que levava fórmula infantil, remédios e brinquedos, foi interceptado a 75 quilômetros da costa de Gaza. Vinte e uma pessoas de 10 países foram redirecionadas para a costa israelense, segundo o exército.
 


 

Do Brasil ao Japão, veja tarifas que devem ser aplicadas pelos EUA a partir de 1º de agosto

  • Por Folhapress
  • 28 Jul 2025
  • 16:04h

Foto: US Embassy

O Brasil é o mais atingido, com tarifa de 50% sobre todas as exportações nacionais, mas mais de 20 países e a União Europeia também foram incluídos na rodada de sobretaxas anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump, que deve vigorar a partir da próxima sexta-feira (1º).
 

Até agora, após negociações com os americanos, há seis casos de acordos comerciais com Washington: União Europeia, Reino Unido, Vietnã, Indonésia, Filipinas e Japão. Nesses casos, a tarifa foi reduzida, mas não eliminada.
 

A União Europeia fechou acordo neste domingo (27), com tarifas de 30% sendo reduzidas para 15%. A UE concordou, segundo Trump, com compras de US$ 750 bilhões do setor de energia, investimentos de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos e compras de equipamentos militares.
 

O Reino Unido, por exemplo, fechou acordo em 8 de maio, com o compromisso de reduzir cobranças não tarifárias sobre produtos importados. Ficou acertado ainda que os EUA ampliem em US$ 700 milhões as exportações de etanol e em US$ 250 milhões a venda de outros produtos agrícolas, como carne bovina, em troca de uma tarifa de 10%, em vez de 25%.
 

O Vietnã anunciou acordo em 2 de julho. Ao concordar com restrições sobre a quantidade de conteúdo chinês em produtos exportados, o país conseguiu a redução de tarifas de 40% para 20%.
 

Outro caso é do Japão, que em 22 de julho teve a tarifa inicial estipulada pelos EUA, de 24%, reduzida para 15% em troca de investimentos de US$ 500 bilhões nos EUA.
 

*
 

Veja abaixo exemplos de tarifas que o governo americano deve cobrar a partir de 1º de agosto
 

País - Tarifa
 

Reino Unido* - 10%
 

Japão* - 15%
 

Indonésia* - 19%
 

Filipinas* - 19%
 

Vietnã* - 20%
 

União Europeia* - 15%
 

Moldávia - 25%
 

Coreia - 25%
 

Cazaquistão - 25%
 

Malásia - 25%
 

Tunísia - 25%
 

Brunei - 25%
 

África do Sul - 30%
 

Bósnia e Herzegovina - 30%
 

Iraque - 30%
 

Líbia - 30%
 

Argélia - 30%
 

Sri Lanka - 30%
 

Bangladesh - 35%
 

Sérvia - 35%
 

Camboja - 36%
 

Tailândia - 36%
 

Laos - 40%
 

Mianmar - 40%
 

Brasil - 50%
 

*Fechou acordo com os EUA

Homem morre após ser puxado por máquina de ressonância magnética nos EUA

  • Bahia Notícias
  • 21 Jul 2025
  • 14:26h

Foto: Pixabay

Um homem de 61 anos morreu na última quinta-feira (17) após ser puxado por uma máquina de ressonância magnética enquanto usava uma corrente metálica no pescoço. O caso ocorreu em uma clínica médica em Westbury, Long Island, nos Estados Unidos.
 

Segundo testemunhas, o homem entrou na sala da ressonância após ouvir gritos de um familiar que passava pelo exame. Ele desrespeitou os alertas de segurança e acessou a área restrita usando um colar metálico.

 

A máquina, que opera com campos magnéticos de alta intensidade, atraiu o objeto com força, provocando o impacto. O homem sofreu um “episódio médico” não detalhado pelas autoridades e foi encaminhado ao hospital em estado grave, mas não resistiu e morreu às 14h36 do mesmo dia.

 

A Polícia do Condado de Nassau investiga o incidente e apura se houve falha nos protocolos de segurança da clínica.

Israel abre fogo perto de centro de ajuda em Gaza, e hospital fala em 32 mortos

  • Por Folhapress
  • 20 Jul 2025
  • 12:23h

Foto: Internet divulgação

Tiros de soldados israelenses mataram pelo menos 32 pessoas que se dirigiam a um posto de distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza na madrugada deste sábado (19), segundo o Ministério da Saúde do território palestino, controlado pelo Hamas, e o Hospital Nasser, em Khan Younis.
 

Casos do tipo viraram rotina desde que a FHG (Fundação Humanitária de Gaza), sistema de distribuição de ajuda apoiado por Israel e Estados Unidos, começou a operar, em maio.
 

Na última terça-feira (15), o escritório de direitos humanos da ONU em Genebra informou ter registrado pelo menos 875 assassinatos nas últimas seis semanas nos arredores dos pontos de ajuda em Gaza -a maioria deles perto de locais de distribuição da FHG.
 

Israel diz ter feito tiros de advertência contra suspeitos que se aproximaram de suas tropas após elas não atenderem a chamados para parar, a cerca de um quilômetro de um posto que não estava ativo naquele momento.
 

Um morador de Gaza, Mohammed al-Khalidi, contesta a versão. Ele disse à agência de notícias Reuters que estava no grupo que se aproximava do local e não ouviu nenhum aviso antes do início dos disparos. "Pensamos que eles tinham vindo para nos organizar para que pudéssemos obter ajuda, mas de repente vi os jipes vindo de um lado e os tanques do outro e eles começaram a atirar em nós", afirmou.
 

Outra testemunha contou à agência de notícias AFP que, antes do amanhecer, seguia com cinco parentes a um desses centros no sul de Khan Younis para buscar comida quando soldados israelenses começaram a atirar. "Meus familiares e eu não conseguimos nada", disse Abdul Aziz Abed, 37. "Todos os dias vamos lá e só recebemos balas."
 

Já a FHG afirmou que não houve incidentes ou mortes no local no sábado e que tem alertado repetidamente as pessoas para não se deslocarem aos seus pontos de distribuição à noite. O Exército disse estar revisando o incidente.
 

A fundação, que utiliza empresas privadas de segurança e logística dos EUA para levar suprimentos a Gaza, começou a distribuir alimentos para os palestinos no fim de maio, quando já enfrentava críticas a respeito de seus procedimentos. Às vésperas do início da operação, o próprio chefe da fundação naquele momento, Jake Wood, abandonou o cargo sob a justificativa de que a organização não conseguiria aderir aos "princípios humanitários de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência".
 

O caos na entrega de alimentos foi previsto pela ONU e por outras entidades que atuam no território palestino e que se recusaram a colaborar com o órgão devido ao seu modo de funcionamento, considerado pouco transparente.
 

Antes da operação, autoridades israelenses disseram que iriam verificar se as famílias atendidas tinham envolvimento com o Hamas antes de distribuir a comida -Tel Aviv afirma que o sistema anterior, liderado pelas Nações Unidas, permitiu que membros do grupo terrorista saqueassem carregamentos de ajuda humanitária destinados a civis, o que a facção nega.
 

Devido às restrições impostas por Israel no território palestino, a imprensa internacional não consegue verificar as informações de forma independente.
 

Resoluções da Assembleia-Geral da ONU determinam que a ajuda deve se guiar apenas pela necessidade das pessoas afetadas, sem qualquer distinção religiosa, política ou ideológica, e deve ser supervisionada por uma parte neutra.
 

De acordo com projeção da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC), iniciativa apoiada pela ONU, 100% da população em Gaza está em risco de insegurança alimentar, e 470 mil estão em "níveis catastróficos" de fome. No primeiro semestre deste ano, o território foi submetido a 11 semanas de bloqueio total por Israel.
 

"Alertamos que centenas de pessoas, cujos corpos estão completamente emagrecidos, estão agora em perigo iminente de morte", disse Sohaib Al-Hums, médico e diretor do hospital de campanha do Kuwait na área de Al Mawasi, em Khan Yunis. Ele afirmou que suas equipes atendem casos de "exaustão extrema" e "desnutrição grave" devido à privação prolongada de alimentos.
 

Além das mortes perto dos centros de distribuição, pelo menos mais 18 pessoas foram mortas em outros ataques israelenses em Gaza neste sábado, disseram autoridades de saúde do território. O Exército afirmou ter atingido depósitos de armas e postos de tiro de militantes em alguns locais do enclave.
 

A guerra começou após um ataque terrorista liderado pelo Hamas no sul de Israel que matou 1.200 pessoas e fez 251 reféns em outubro de 2023. A guerra de retaliação já matou cerca de 58 mil palestinos, segundo autoridades de Gaza, controlada pelo Hamas, deslocou quase toda a população e mergulhou o território em uma crise humanitária sem precedentes, deixando grande parte da região em ruínas.