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- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 06 Jun 2025
- 12:09h
Foto: Reprodução Redes Sociais
Apresentada desde o início do ano como uma das saídas para melhorar a gestão federal nesta reta final do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reforma ministerial empacou nas últimas semanas, e poucas trocas aconteceram nos últimos meses no primeiro escalão do governo. Para complicar a situação, faltam apenas dez meses para a desincompatibilização dos ministros que desejam disputar as eleições de 2026, o que dificulta a atração de nomes para ingressar na Esplanada dos Ministérios.
Além de não conseguir efetuar medidas com que contava para melhorar a relação com os partidos que dão sustentação ao governo no Congresso Nacional, o presidente Lula deve enfrentar, no ano que vem, uma saída em massa de ministros que vão disputar algum cargo nas eleições de outubro.
Há uma perspectiva de que mais de 20 ministros dos atuais 38 se desincompatibilizem para disputar algum cargo nas próximas eleições. E diante do impacto que será para o governo essa saída em massa de ministros, há a perspectiva de que o presidente Lula faça novas mudanças optando por nomes que permaneçam no governo até o final de 2026.
Um desses nomes seria o do deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP), cotado para entrar na Secretaria-Geral da Presidência no lugar do atual titular, Márcio Macêdo. Boulos já deu declarações de que, se ingressar no governo, não pretende disputar as eleições.
Entre os atuais ministros, há a avaliação que não sairão de seus postos para disputar as eleições os seguintes nomes:
Camilo Santana (Educação), Wolney Queiroz (Previdência Social), Márcia Lopes (Mulheres), Esther Dweck (Gestão e Inovação), General Amaro (Gabinete de Segurança Institucional), Jorge Messias (Advocacia Geral da União), José Múcio (Defesa), Frederico Siqueira Filho (Comunicações), Sidônio Palmeira (Secom), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Ricardo Lewandowski (Justiça), Vinícius de Carvalho (CGU), Marina Silva (Meio Ambiente) e Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social).
Caso os demais ocupantes de cargos de ministros confirmem suas candidaturas, todos deverão deixar seus cargos até o início de abril do próximo ano. Esse é o prazo previsto pela Justiça Eleitoral para respeitar o prazo de desincompatibilização, que exige o afastamento de ocupantes de cargos do Executivo ao menos seis meses antes do pleito.
Entre os ministros que poderiam sair do governo para se candidatar estão os seguintes nomes:
Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais); Alexandre Padilha (Saúde); Alexandre Silveira (Minas e Energia); André de Paula (Pesca e Aquicultura); André Fufuca (Esportes); Anielle Franco (Igualdade Racial); Carlos Fávaro (Agricultura); Celso Sabino (Turismo); Fernando Haddad (Fazenda); Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio); Jader Filho (Cidades); Luciana Santos (Ciência e Tecnologia); Luiz Marinho (Trabalho); Márcio França (Empreendedorismo); Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário); Renan Filho (Transportes), Rui Costa (Casa Civil); Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos); Simone Tebet (Planejamento); Sônia Guajajara (Povos Indígenas); Waldez Góes (Integração).
Levantamento realizado pelo Bahia Notícias sobre as pesquisas eleitorais divulgadas em 25 estados (Roraima e Santa Catarina ainda não tiveram sondagens para 2026) revela que ministros do governo Lula já aparecem em boa situação em eventuais candidaturas aos governos estaduais ou ao Senado. Não há pesquisas para a Câmara dos Deputados ou assembleias legislativas.
Veja abaixo algumas das pesquisas divulgadas recentemente e como os ministros aparecem em disputas para as quais tiveram seus nomes testados pelos institutos. Em alguns estados há mais de um cenário para Senado ou governo.
Região Nordeste
Alagoas
Governo
Renan Filho (MDB) - 43,5% (Ministro dos Transportes)
JHC - 43% (PL)
(Instituto Falpe)
Bahia
Senado
Rui Costa (PT) - 43,8% (Ministro da Casa Civil)
Jaques Wagner (PT) - 34%
(Paraná Pesquisas)
Maranhão
Senado
Carlos Brandão (PSB) – 43,2%
Weverton Rocha (PDT) – 41,1%
Eliziane Gama (PSD) – 18,5%
Pedro Lucas (União Brasil) – 12,8%
André Fufuca (PP) – 12,1% (Ministro dos Esportes)
(Paraná Pesquisas)
Pernambuco
Senado
Humberto Costa (PT): 31%
Anderson Ferreira (PL): 21%
Silvio Costa Filho (Republicanos): 15% (Ministro dos Portos e Aeroportos)
(Real Time Big Data)
Região Centro-Oeste
Mato Grosso
Governo
Janaína Riva (MDB) - 21,9%
Wellington Fagundes (PL) - 19,4%
Otaviano Pivetta (Republicanos) - 16,9%
Jayme Campos (União Brasil) - 11,8%
Carlos Fávaro (PSD) - 4,3% (Ministro da Agricultura)
Senado
Mauro Mendes (União Brasil) - 60,8%
Janaína Riva (MDB) - 29,2%
Pedro Taques - 18,3%
Jayme Campos (União Brasil) - 15,1%
José Medeiros (PL) - 13%
Carlos Fávaro (PSD) - 11,2% (Ministro da Agricultura)
(Paraná Pesquisas)
Mato Grosso do Sul
Senado
Reinaldo Azambuja (PSDB) - 38,3%
Simone Tebet (MDB) - 29,2% (Ministra do Planejamento)
Região Sudeste
Minas Gerais
Senado
Romeu Zema (Novo) - 52,7%
Rodrigo Pacheco (PSD) - 24,3%
Carlos Viana (Podemos) - 18,9%
Newton Cardoso Jr. - 12%
Eros Biondini (PL) - 11,2%
Alexandre Silveira (PSD) - 9,2% (Ministro das Minas e Energia)
(Paraná Pesquisas)
Rio de Janeiro
Senado
Flávio Bolsonaro (PL) – 39,8%
Benedita da Silva (PT) – 27,2%
Clarissa Garotinho (União) – 18,4%
Alessandro Molon (PSB) – 15,1%
Anielle Franco (PT) – 14,5% (Ministra da Igualdade Racial)
(Paraná Pesquisas)
São Paulo
Senado
Primeiro cenário
Eduardo Bolsonaro (PL) - 36,5%
Fernando Haddad (PT) - 32,3% (Ministro da Fazenda)
(Paraná Pesquisas)
Segundo cenário
Eduardo Bolsonaro (PL) - 36,5%
Geraldo Alckmin (PSB) - 34,6% (Vice-Presidente)
Capitão Derrite (PL) - 23,6%
Ricardo Salles (Novo) - 14,4%
Luiz Marinho (PT) - 11,8% (Ministro do Trabalho)
(Paraná Pesquisas)
Governo
Primeiro cenário
Tarcísio de Freitas (Republicanos) - 42,1%
Geraldo Alckmin (PSB) - 21,1%
Erika Hilton (PSOL) - 9,4%
Alexandre Padilha (PT) - 5,5% (Ministro da Saúde)
(Paraná Pesquisas)
Segundo cenário
Tarcísio de Freitas (Republicanos) - 46,5%
Márcio França (PSB) - 11,9% (Ministro do Empreendedorismo)
Erika Hilton (Psol) - 9,7%
Alexandre Padilha (PT) - 7,1% (Ministro da Saúde)
Região Sul
Paraná
Senado
Ratinho Junior (PSD) - 62,3%
Roberto Requião (PDT) - 26,8%
Beto Richa (PSDB) - 25,2%
Filipe Barros (PL) - 19,8%
Gleisi Hoffmann (PT) - 16,3% (Ministra das Relações Institucionais)
(Paraná Pesquisas)
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- Bahia Notícias
- 06 Jun 2025
- 10:07h
Foto: Lula Marques/ EBC
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta sexta-feira (6) o recurso apresentado pela defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) contra a decisão que a condenou a dez anos de prisão. A parlamentar foi responsabilizada por envolvimento na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.
O julgamento será realizado em ambiente virtual, com início às 11h e encerramento às 23h59. Participam da análise os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin.
Além do recurso de Zambelli, também será apreciada a apelação do hacker Walter Delgatti Neto, condenado a 8 anos e 3 meses de prisão no mesmo processo. Segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, a invasão ao sistema do CNJ foi executada por Delgatti a mando da deputada.
A sessão acontece em meio à repercussão da fuga de Zambelli do Brasil. A deputada deixou o país no início da semana, após ter sua prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. Zambelli desembarcou em Roma na manhã de quinta-feira (4), depois de passar pelos Estados Unidos. Ela possui cidadania italiana e, segundo interlocutores, deve permanecer na Itália por tempo indeterminado.
A decisão da Primeira Turma poderá consolidar o cumprimento da pena imposta à parlamentar. Caso o recurso seja rejeitado, a prisão preventiva de Zambelli poderá ser convertida em prisão definitiva, sem necessidade de autorização da Câmara dos Deputados, já que a medida passaria a ter caráter de execução penal.
A Procuradoria-Geral da República já se manifestou no processo, afirmando que o objetivo da prisão não é antecipar a pena, mas assegurar a aplicação da lei diante da tentativa da parlamentar de se esquivar do cumprimento da decisão judicial.
Com a manutenção da condenação, também poderá ser decretada a perda automática do mandato de Zambelli, além de facilitar um eventual pedido de extradição. A deputada ainda não se manifestou publicamente sobre o julgamento.
- Por Folhapress via Bahia Notícias
- 06 Jun 2025
- 08:20h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Atraso no aluguel de agências, falta de pagamento de terceirizados e dificuldades no atendimento do plano de saúde dos funcionários estão entre os problemas denunciados pelo Sintect-SP (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba) como reflexo da crise financeira dos Correios.
"Estamos diante de um colapso financeiro e operacional", diz Douglas Melo, diretor da entidade.
O sindicato afirma que houve paralisação de motoristas terceirizados por falta de pagamento às transportadoras, responsáveis pela distribuição de cargas em regiões como a zona sul de São Paulo, afetando centros logísticos como os de Jaguaré, Santo Amaro, Guarulhos, Cajamar. No Rio de Janeiro, o complexo Benfica também teria sido prejudicado, segundo o representante.
"São toneladas de encomendas paradas, sem previsão de entrega. Não é só São Paulo que está com problemas. A empresa perdeu o controle", diz o diretor. Ele aponta relatos de suspensão no abastecimento da frota própria dos Correios por inadimplência em postos de combustíveis.
À Folha de S.Paulo os Correios afirmam que "a prestação dos serviços de transporte ocorre dentro da normalidade". "A empresa está em contato com os parceiros logísticos e trabalha para resolver pontualmente eventuais pendências, assegurando a continuidade das operações", diz.
Os Correios afirmam, por meio de nota, que estão realizando ajustes para a melhoria da malha operacional. "Com foco na continuidade e qualidade dos serviços, a estatal está adotando uma série de ações corretivas e contingenciais para garantir a regularização dos prazos e minimizar impactos nas entregas. Além disso, a empresa está ampliando sua capacidade de distribuição, com operações extras aos fins de semana, e monitoramento diário e dedicado da evolução das entregas."
Desde 30 de maio, a estatal, que já lidava com sobrecarga de trabalho, segundo o sindicato, assumiu mais uma atribuição: atender aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
As agências dos Correios são a única opção de atendimento presencial para pedir restituição de descontos indevidos de associações e sindicatos, já que o INSS, diante dos escândalos das fraudes, não criou um canal presencial em suas agências. A consulta e o pedido de devolução são feitos também pelo site ou aplicativo Meu INSS ou por telefone, na Central 135.
Mais de 300 mil beneficiários do INSS em todo o país já foram atendidos pelos Correios até esta terça-feira (3).
Com um prejuízo de R$ 2,59 bilhões no ano passado, os Correios têm um plano para cortar despesas em R$ 1,5 bilhão em 2025, que inclui PDV (Programa de Desligamento Voluntário), incentivo à redução da jornada com diminuição de pagamento e suspensão temporária de férias, entre outras medidas.
Mas o sindicato pede o oposto: a contratação dos 3.500 concursados aprovados em seleção realizada em dezembro de 2024. "O concurso foi homologado e ninguém foi chamado. Essa mão de obra seria essencial para desafogar as unidades", diz Melo.
Segundo a estatal, até o momento, o PDV 2024 teve 1.176 empregados desligados e 2.716 ainda inscritos, totalizando 3.892 adesões em todo o Brasil. "Considerando um universo de aproximadamente 85 mil empregados dos Correios no país, esse número representa cerca de 4,6% do quadro nacional. Em São Paulo, onde há em torno de 23 mil empregados, o total de adesões ao PDV em nível nacional corresponde a aproximadamente 17% do efetivo do estado", afirma a empresa.
Em meio à pressão sobre as contas da estatal, a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios) e seus sindicatos filiados -incluindo o Sintect-SP- protocolaram junto à direção dos Correios a pauta de reivindicações de sua campanha salarial. A primeira reunião de negociação deve ocorrer até 24 de junho.
"A Findect entende que os trabalhadores e trabalhadoras não são responsáveis por esse colapso administrativo e financeiro, e reafirma: não aceitaremos que a conta da crise recaia sobre quem move a empresa todos os dias", disse a entidade, por comunicado.
Uma das medidas dos Correios contestadas pelo Sintect é o plano de fechar ou fundir agências para reduzir custos. Um dos alvos seria o complexo Palma, na zona oeste de São Paulo.
O sindicato afirma que ao menos duas unidades paulistas estão em situação crítica por falta de pagamento de aluguel: Campo Limpo, na capital paulista, que teria ordem judicial de despejo, e Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, onde a agência teria sido despejada e o centro de distribuição, que assumiu a operação, também corre risco de ser removido, ainda segundo a entidade. Questionada sobre esse ponto, a estatal não respondeu.
Entre 2023 e 2025, foram fechadas 120 agências dos Correios, segundo a empresa. À Folha de S.Paulo os Correios afirmam se tratar de "medidas de otimização de custos com locação de imóveis" para um "plano mais amplo de sustentabilidade e eficiência operacional dos Correios". Dos imóveis ocupados por agências dos Correios, 65% são alugados.
"A ação contempla o encerramento de unidades instaladas em imóveis alugados e localizadas em áreas com sombreamento -ou seja, regiões onde há sobreposição de cobertura por outras agências próximas. Essa reestruturação é realizada com base em critérios técnicos e operacionais, e não implicará prejuízo à população nem impactará as metas de universalização postal", diz a estatal.
Douglas Melo diz que os funcionários também enfrentam problemas com o plano de saúde, que estaria praticamente suspenso no Brasil inteiro. "O trabalhador paga sua parte, mas a empresa não repassa os valores. Fui com meu filho ao médico e precisei recorrer ao SUS [Sistema Único de Saúde], porque não há hospital credenciado atendendo", afirma.
À Folha de S.Paulo, os Correios negam falhas. "As disposições da Resolução Normativa ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar] nº 566/2022 estão sendo observadas e, portanto, está mantida a garantia de atendimento dos beneficiários da Postal Saúde", disse a estatal.
Segundo os Correios, a central de atendimento do plano de saúde direciona os beneficiários ao prestador "que atenderá o serviço ou procedimento demandado especificamente, na hipótese de qualquer indisponibilidade na rede".
- Por Ana Pompeu | Folhapress
- 05 Jun 2025
- 16:20h
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (4) a instauração de um novo inquérito contra a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), para apuração de suposta coação no curso do processo no qual ela foi condenada e obstrução de investigação de infração penal sobre organização criminosa.
"As diversas entrevistas da ré, em 3/6/2025, indicam que a sua fuga do território nacional se reveste, além da tentativa de impedir a aplicação da lei penal, também, na reiteração das condutas criminosas de atentar contra as instituições, por meio de desinformação para descredibilizar das instituições democráticas brasileiras e de interferir no andamento de processos judiciais em trâmite nesta corte", diz o relator.
Na mesma decisão, ele determinou à Polícia Federal que, em dez dias, faça a oitiva da parlamentar, além de monitorar e preservar conteúdo postado nas redes sociais dela ou de pessoas ligadas a ela, que tenha, segundo o ministro, pertinência com a investigação.
Como a parlamentar saiu do Brasil, o ministro autorizou que o depoimento seja feito por escrito.
"Em virtude de encontrar-se fora do território nacional, defiro a possibilidade de que os esclarecimentos sejam dados por escrito e que a mesmo seja notificada, inclusive, por seus endereços eletrônicos", disse.
Moraes também determinou ao Banco Central para que informe, detalhadamente, os valores e os remetentes de movimentações feitas por Pix para Zambelli nos últimos 30 dias.
Pouco antes da decisão, o ministro também pediu ao presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, a convocação de sessão virtual extraordinária para julgar na sexta (6) os recursos da deputada.
Ela foi condenada por unanimidade pelo colegiado a dez anos de prisão sob acusação de comandar invasão aos sistemas institucionais do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Também nesta quarta, Moraes determinou a prisão preventiva da parlamentar. O relator ainda incluiu na lista de perfis a serem bloqueados uma conta fake com o sobrenome da parlamentar e duas contas associadas a familiares da parlamentar.
O relator ainda comunicou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a decisão da prisão.
"Encaminho a Vossa Excelência os termos da decisão proferida nos autos em referência, cuja cópia segue anexa, para ciência e adoção das providências cabíveis, especialmente, para fins do cumprimento do item 2.2.", afirmou Moraes no ofício endereçado a Motta.
O item 2.2 da decisão prevê o bloqueio dos vencimentos da deputada e quaisquer outras verbas, inclusive destinadas ao gabinete da parlamentar.
- Bahia Notícias
- 05 Jun 2025
- 12:45h
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O levantamento da Quaest, divulgado nesta quinta-feira (6), mostra um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao menos cinco possíveis adversários em um eventual segundo turno nas eleições presidenciais de 2026. Os dados revelam uma mudança no panorama eleitoral desde a última pesquisa, divulgada em abril, quando Lula aparecia com vantagem sobre todos os nomes testados, exceto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a sondagem, realizada entre os dias 29 de maio e 1º de junho com 2.004 entrevistados, Lula teria 41% das intenções de voto, mesmo percentual de Bolsonaro, que está atualmente inelegível. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Além de Bolsonaro, outros quatro nomes apresentam desempenho competitivo contra o atual presidente: Tarcísio de Freitas (Republicanos): 40% contra 41% de Lula; Michelle Bolsonaro (PL): 39% contra 41% de Lula; Ratinho Jr. (PSD): 39% contra 40% de Lula; Eduardo Leite (PSD): 36% contra 40% de Lula.
Apesar de Lula manter a dianteira numérica em todos os cenários, os resultados estão dentro da margem de erro e caracterizam empate técnico. A pesquisa indica um cenário eleitoral mais acirrado do que o observado nos primeiros meses do ano e aponta o crescimento de nomes da oposição no imaginário do eleitorado.
- Por Victor Hernandes / Ana Clara Pires/Bahia Notícias
- 05 Jun 2025
- 08:30h
Foto: Victor Hernandes / Bahia Notícias
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta semana que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou pessoalmente o desejo de participar da inauguração da fábrica da montadora chinesa BYD, na cidade de Camaçari, na Bahia. A presença do presidente no evento ainda depende de ajustes em sua agenda oficial.
"Eu falei com o presidente ontem, ele estava na França, e ele disse: ‘Olha, mande revisar a minha agenda que eu quero ir’", afirmou Rui Costa. Segundo ele, a equipe do governo está trabalhando para compatibilizar os compromissos presidenciais. “Segunda-feira, quando ele chega na segunda de noite, terça-feira, vamos despachar com ele. Terça-feira, semana que vem, o Márcio [França, ministro do Empreendedorismo] está lá na quarta e ele bate o martelo.”
A instalação da fábrica da BYD, no terreno onde antes funcionava a unidade da Ford, representa um marco na política de reindustrialização e transição energética defendida pelo governo federal. A chegada do empreendimento é vista como estratégica para o desenvolvimento econômico do estado e a geração de empregos.
Durante a mesma entrevista, Rui Costa também foi questionado sobre as articulações políticas para a eleição de 2026, especialmente a respeito da possível candidatura do senador Angelo Coronel à reeleição. Lideranças do PT e do PSD indicaram que a decisão sobre a composição da chapa majoritária poderia depender do desempenho de Lula e do ministro Rui Costa em pesquisas eleitorais.
O ministro, no entanto, evitou entrar no debate sobre 2026. "Olha, gente, eu sinceramente tenho dito a vocês: no Brasil, a eleição é sempre nos anos pares, né? 2022, 2024, agora 2026. E os anos ímpares são os anos que a gente tem que se dedicar ao trabalho", afirmou. "Então, 2025 é o ano que eu digo do trabalho, da entrega. E se a gente antecipar o debate eleitoral, ninguém trabalha nesse país. Então eu estou focado esse ano no trabalho."
- Por Adriana Fernandes e Mariana Brasil | Folhapress
- 04 Jun 2025
- 16:24h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu nesta terça-feira (3) que o país deveria fazer um corte "na desoneração" para ajustar o Orçamento deste ano. Durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o presidente usou a palavra desoneração no singular, sem especificar o tipo de incentivo a que se referia.
Lula mencionou benefícios concedidos a empresas, com cortes de encargos como impostos e outros tributos. Ele declarou que o governo perde R$ 800 bilhões em arrecadação com benefícios fiscais.
Há diversos incentivos tributários no país, dentre os quais está a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores e municípios, que foi prorrogada e tem prazo para terminar em 31 de dezembro de 2027.
No início da entrevista, o presidente citou a perda de arrecadação com a desoneração da folha de pagamentos, sem a compensação necessária, como causa da alta do IOF anunciada pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) na semana retrasada.
"Agora o governo fica se matando para a cortar R$ 30 bilhões do Orçamento? Esse dinheiro poderia ser retirado da desoneração, desses R$ 800 bilhões. Acontece que as pessoas acham que é um direito adquirido."
Nesse contexto, o presidente fez comentários sobre a qualidade de vida de uma classe a qual se referiu como "deserdada" e disse que pretendia trazer o povo para o "andar de cima", contexto em que relembrou uma conversa com o jornalista Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha de S.Paulo, morto em 2007.
"[É] o que o velho Octavio Frias chamava de 'o andar de baixo'. Ele dizia: 'Lula, você não vai chegar no andar de cima porque eles não vão deixar'. Eu cheguei, mas eu não quero sozinho ter chegado ao andar de cima, quero trazer o povo para o andar de cima, então temos que discutir com leveza, muita seriedade", afirmou.
Lula defendeu a revisão das desonerações ao ser questionado sobre o pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que o governo recue imediatamente da alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas chamadas operações de risco sacado. A taxação começou a valer no dia 1º de junho e sofre forte resistência do empresariado nacional.
Na resposta, Lula desconversou sobre o pedido e disse que iria falar com a cúpula do Congresso e lideranças dos partidos. O presidente deu a entender que não sabia do que se tratava as operações de risco sacado.
Nesse tipo de operação, o fornecedor antecipa o valor que tem a receber. A empresa que compra (o "sacado") assume a responsabilidade de pagar o valor ao banco no prazo combinado. O risco sacado é uma alternativa para empresas que querem facilitar o pagamento aos fornecedores e também para os fornecedores que precisam de dinheiro mais rápido.
- Por Ana Gabriela Oliveira Lima / Pâmela Zacarias | Folhapress
- 04 Jun 2025
- 14:19h
Foto: Lula Marques | Agência Brasil
O pedido de prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República) nesta terça-feira (3) tem respaldo legal, apontam especialistas ouvidos pela Folha.
A Procuradoria fez o pedido após a parlamentar anunciar que deixou o país e que não pretende voltar.
A deputada foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em maio a 10 anos de prisão e perda de mandato sob acusação de invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A parlamentar também sinalizou que pretende pedir licença do cargo.
Segundo especialistas ouvidos pela Folha, a ida de Zambelli ao exterior é um caso clássico que embasa a prisão preventiva. Eles afirmam que não havia nenhum impedimento legal para que ela saísse do país, uma vez que a condenação no STF não havia transitado e que não havia contra ela nenhuma medida cautelar como retenção do passaporte.
O documento da parlamentar já havia sido apreendido em 2023, durante operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Entretanto, foi devolvido a Zambelli depois de concluída a etapa de investigação do caso da invasão aos sistemas do CNJ.
Apesar da falta de impeditivo legal para deixar o país, a ação de Zambelli enseja o pedido de prisão preventiva. Isso porque a ação que visa dificultar a aplicação da lei penal, ou seja, que ela seja responsabilizada pelos crimes que cometeu se considerada culpada em etapa sem possibilidade de apelação, é um dos requisitos para esse tipo de prisão de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro.
"Se não há uma ordem judicial que a impeça de sair do país, por qualquer motivo, mesmo que ela esteja respondendo a um inquérito ou a uma ação penal, ela pode sair tranquilamente. Pode sair, pode voltar, pode sair de novo. Enfim, não há impedimento legal", afirma Thiago Bottino, professor da FGV Direito.
"Por outro lado, se ela estiver respondendo a uma ação penal e o magistrado responsável entender que a saída do país tem como objetivo fugir de uma eventual responsabilização criminal, atrapalhar a instrução processual ou a investigação policial, ou até mesmo continuar praticando crimes, o juiz pode determinar seu retorno ao país ou até decretar sua prisão preventiva."
Juliana Izar Segalla, doutora em direito constitucional pela PUC-SP e professora da Universidade Estadual do Norte do Paraná, também avalia que a viagem de Zambelli deu à PGR (Procuradoria-Geral da República) fundamento legal para solicitar a preventiva.
Feito o pedido, o Judiciário pode decretar a medida e acionar a Interpol.
Caso Zambelli esteja em trânsito entre países, a polícia internacional pode retê-la e enviá-la ao Brasil. Se já estiver no país onde pretende pedir asilo, cabe ao Brasil fazer o pedido de extradição.
Nesse caso, a entrega da parlamentar vai depender das regras daquele país e do acordo que tem com o Brasil, explica Luisa Ferreira, professora da FGV Direito.
Em entrevista à CNN, a deputada disse estar nos Estados Unidos. Ela sinalizou, porém, que pretende ir para a Itália por ter passaporte e cidadania no país. "Eu tenho um passaporte italiano, pode colocar Interpol atrás de mim, eles não me tiram da Itália", disse Zambelli em entrevista à CNN.
Segundo Welington Arruda, mestre em Direito e Justiça pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), o cumprimento de eventual pena no exterior dependeria de acordos bilaterais de cooperação penal e transferência de sentenciados, o que exige trâmites diplomáticos complexos.
A situação, explica o especialista, lembra em parte o caso do ex-jogador de futebol Robinho, cuja extradição foi negada para a Itália após ele se refugiar no Brasil, aproveitando-se de sua cidadania brasileira. O atleta, no entanto, cumpre pena no Brasil, pois o STJ (Superior Tribunal de Justiça) validou a condenação pela Justiça italiana.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 04 Jun 2025
- 12:10h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A desaprovação do governo Lula subiu de 53% em março para 56% no final de maio, e a aprovação caiu de 41% para 39%. É o que mostra uma nova pesquisa PoderData divulgada nesta terça-feira (3) pelo site Poder360.
Os novos números da aprovação do trabalho do presidente Lula mostram uma tendência ininterrupta de alta na visão negativa dos entrevistados. Há um ano, em maio de 2025, pesquisa feita pelo PoderData mostrava a desaprovação a Lula na casa de 45%, e de lá pra cá esse percentual subiu até os atuais 56%.
Em sentido inverso, a aprovação do presidente segue em trajetória de queda no mesmo período. Na pesquisa de maio de 2024, Lula tinha aprovação de 47%, percentual que caiu para os 39% medidas neste levantamento atual.
Na apresentação dos dados estratificados pelo PoderData, é possível perceber que a desaprovação ao trabalho do presidente Lula vem subindo de forma consistente em todas as faixas etárias.
Na faixa de 16 a 24 anos, a desaprovação subiu de 44% em janeiro deste ano para 49% agora em maio; na faixa de 25 a 44 anos, foi de 55% a 58% no mesmo período; entre as pessoas de 45 a 59 anos, foi de 54% a 60%, o maior percentual entre todas as faixas; por fim, na de 60 anos ou mais, passou de 47% em janeiro para 50% agora em maio.
Já no recorte por regiões, o Nordeste segue como sendo o lugar com maior aprovação ao presidente Lula, mas também nessa região há mais pessoas desaprovando do que aprovando o líder petista. A desaprovação chegou a 49% no Nordeste, enquanto a aprovação foi de 47%.
Nas outras regiões, o quadro é o seguinte:
Sudeste - aprovação 38%; desaprovação - 55%
Sul - aprovação 29%; desaprovação 65%
Centro-Oeste - aprovação 34%, desaprovação - 63%
Norte - aprovação 38%; desaprovação 58%.
Em relação ao sexo dos entrevistados, os homens desaprovam mais o trabalho do presidente do que as mulheres. A desaprovação está em 62% entre os homens, e 50% entre as mulheres, e a aprovação ficou em 32% entre os homens, e 44% entre as mulheres.
Onde também cresceu a desaprovação da atuação de Lula como presidente foi entre os entrevistados que se declaram católicos. Nesse grupo, pela primeira vez nas pesquisas PoderData a desaprovação (48%) superou a aprovação (45%).
Já entre os entrevistados que afirmam ser evangélicos, a desaprovação ao líder petista atingiu o seu maior patamar. A desaprovação subiu de 69% na pesquisa de março para 70% agora em maio, e a aprovação caiu de 26% para 25% no mesmo período.
A pesquisa PoderData foi realizada de 31 de maio a 2 de junho de 2025. Foram entrevistadas 2.500 pessoas com 16 anos de idade ou mais em 218 municípios nas 27 unidades da Federação. Foi aplicada uma ponderação paramétrica para compensar desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução, região e renda. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O intervalo de confiança do estudo é de 95%.
- Bahia Notícias
- 04 Jun 2025
- 10:05h
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT) disse, nesta terça-feira (3), que o Banco Central vai baixar a taxa básica de juros "logo, logo". Em entrevista coletiva, o presidente disse que o BC tomara a decisão correta.
“Estamos conscientes de que a inflação está controlada, começou a cair o preço dos alimentos e logo, logo, o Banco Central vai tomar uma atitude correta de começar a baixar os juros. Estão muito altos”, disse ele.
As declarações feitas pelo petista vão de encontro com as que foram dadas por Gabriel Galípolo de que baixar a Selic não se encontra "nos debates do Comitê de Política Monetária.
O banco Central elevou a taxa Selic para 14,75% ao ano, o maior nível desde 2006.
- Bahia Notícias
- 03 Jun 2025
- 15:09h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou, nesta segunda-feira (2), que ficou "sem acreditar na capacidade de distorção dos fatos" após falas do ex-presidente Michel Temer (MDB) sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) expor a "falta de projeto" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita no X, antigo Twitter.
“Li a declaração do Michel Temer sobre o governo do presidente Lula e fiquei sem acreditar na capacidade de distorção dos fatos. O governo Lula vem transformando a realidade do Brasil, que encontrou literalmente de gavetas vazias e sem projetos estruturantes para o país”, escreveu o ex-governador da Bahia.
Confira a postagem de Rui Costa:
Foto: Reprodução/Redes sociais
O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou, na última sexta-feira (30), que o governo Lula tem uma falta de projeto e que o IOF. As informações são do site Poder 360.
“É a tal história de falta de projeto, né? No meu governo, foi um governo de 2 anos e meio, mas eu tinha um programa que era a Ponte Para o Futuro. Tudo o que fizemos estava na Ponte Para o Futuro. Por isso que eu acho que deu razoavelmente certo”, disse ele após participação no Fórum Lide COP30, em Bonito, Mato Grosso do Sul.
- Por Nicola Pamplona | Folhapress
- 03 Jun 2025
- 13:20h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (2) corte de 5,6%, ou R$ 0,17 por litro, no preço da gasolina vendida por suas refinarias. O novo valor, de R$ 2,85 por litro, passa a vigorar nesta terça (3).
Foi o primeiro corte no preço do combustível desde julho de 2024. Considerando que a mistura vendida nos postos tem 27% de etanol, a estatal espera um repasse ao consumidor final de R$ 0,12 por litro.
"Com o reajuste anunciado, a Petrobras reduziu, desde dezembro de 2022, os preços da gasolina para as distribuidoras em R$ 0,22 por litro, uma redução de 7,3%. Considerando a inflação do período, esta redução é de R$ 0,60 por litro ou 17,5%", afirmou a empresa, em nota.
A redução do preço da gasolina tem grande impacto na inflação, já que o combustível é o produto com maior peso no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), referência para a definição da política monetária do país.
Segundo o economista André Braz, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), caso o repasse estimado pela Petrobras for atingido, a queda da gasolina terá um impacto negativo de 0,10 ponto percentual no IPCA.
"Considerando que a inflação de junho poderá ficar próxima 0,30% esse reajuste encolheria a inflação que inicia o mês pressionada pelo aumento da conta de luz pressionada pela prática da bandeira vermelha", afirmou ele.
O corte era esperado pelo mercado, diante da queda das cotações internacionais do petróleo, principalmente após o início da guerra tarifária do presidente dos Estados Unidos Donald Trump e de aumento da produção por países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
Nesta segunda, por exemplo, o preço médio da gasolina nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,08 por litro acima da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
A estatal, porém, vinha afirmando que aguardava a estabilização dos preços às vésperas do verão no Hemisfério Norte, quando o mercado de gasolina fica mais aquecido, pressionando as cotações internacionais.
Em 2024, a Petrobras já promoveu quatro reajustes no preço do diesel, um aumento no início do ano e depois três cortes. Na abertura do mercado desta segunda, o preço do combustível nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,04 por litro acima das cotações internacionais.
- Por André Fontenelle | Folhapress
- 03 Jun 2025
- 11:20h
Foto: Fellipe Sampaio / SCO / STF
Em evento nesta segunda-feira (2) em Paris, o ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou que o julgamento sobre o Marco Civil da internet que será retomado nesta quarta-feira (4) no tribunal, "pode significar, pelo menos, um esboço de regulação da mídia social".
A fala ocorreu no Seminário Franco-Brasileiro de Rádio e Televisão, organizado pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) na embaixada do Brasil na França.
Na pauta do STF está a retomada da análise de recursos contra normas do Marco Civil. Em questão estão a responsabilidade civil das plataformas digitais por conteúdos de terceiros e a obrigação de remover conteúdos ofensivos ou de ódio sem ordem judicial prévia.
No discurso, Gilmar afirmou que o debate sobre o tema no Brasil está em "um momento de inflexão histórica" que exige "uma revisão fundamental de nossas premissas conceituais e marcos regulatórios".
Ele chegou a afirmar que a manutenção do status quo perpetua "um regime de irresponsabilidade" que permite às plataformas "exercerem poder quase que soberano sobre o discurso público sem qualquer supervisão democrática".
Em diversos momentos, indicou um cenário favorável a algum tipo de regulação das plataformas.
Segundo ele, o direito à liberdade de expressão "tem sido paradoxalmente invocado não para proteger posições individuais, mas para erguer um escudo protetivo dos modelos de negócios de empresas em contrapartida às frentes regulatórias".
O Marco Civil da internet é uma lei de 2014 que estabelece direitos e deveres para o uso da internet no país. À época, o artigo 19 foi aprovado sob o argumento de assegurar a liberdade de expressão. O objetivo era evitar que as redes removessem conteúdos em excesso por medo de serem responsabilizadas.
O ministro do STF expôs razões pelas quais, para ele, "regular as redes sociais não é tolher ou, de qualquer forma, mitigar o direito fundamental à liberdade de expressão".
Um desses argumentos seria que "as plataformas digitais não são meros condutores de informação, mas um verdadeiro ou verdadeiros reguladores do discurso online".
Outro seria a "desagregação política no discurso online". "Essa desagregação não é um efeito colateral da atuação das plataformas, mas sim um elemento crítico" do modelo de negócio das empresas do setor, segundo ele.
"É legítimo afirmar que boa parte do sistema de moderação de conteúdo online no Brasil já está concentrado no exercício de estratégias de autorregulação por parte das plataformas. A suficiência da autorregulação suscita, porém, controvérsias diante da veiculação e impulsionamento massivo de conteúdos de terceiros potencialmente ilícitos", afirmou Gilmar.
"Todos esses fatores levam a crer que, embora o artigo 19 tenha sido de inegável importância para a construção de uma internet plural e aberta no Brasil, hoje o dispositivo parece que se mostra ultrapassado", concluiu o ministro.
- Por Cristiana Camargo | Folhapress
- 03 Jun 2025
- 09:50h
Foto: Reprodução/Polícia Civil do Rio de Janeiro
Amigos e familiares do MC Poze do Rodo, preso desde a última quinta-feira (29) no presídio de Bangu 3, no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro, organizam uma manifestação para receber o cantor, que será solto nesta terça-feira (3), por determinação da Justiça.
A influenciadora Vivi Noronha, mulher do cantor e mãe de três dos cinco filhos dele, pediu nas redes sociais que os apoiadores do artista compareçam às 13h nos arredores do presídio e levem um quilo de alimento não perecível para ser doado a famílias que precisam de ajuda.
"Foram quatro dias gritando", disse Vivi em vídeo divulgado após a decisão do Tribunal de Justiça do Rio que concedeu habeas corpus ao cantor, preso sob suspeita de apologia do crime e envolvimento com o CV (Comando Vermelho). "Graças a Deus vencemos", ela completou.
A decisão que revogou a prisão temporária, assinada pelo desembargador Peterson Barroso Simão, foi comemorada por apoiadores de MC Poze —nome artístico de Marlon Brendon Coelho Couto da Silva— com gritos e bebidas jogadas para cima.
Dois dos amigos cruzaram de joelhos uma quadra esportiva, para pagar promessa feita pela soltura do cantor.
"É isso que o estado teme. O perigo da cultura que Poze propaga é esse aqui, identidade de classe hackeando a alienação da força do trabalho", disse a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ) ao comentar vídeo de um grupo festejando a decisão judicial.
O desembargador considerou a prisão, realizada pela Polícia Civil do Rio, uma medida desnecessária no atual estágio das investigações.
Na decisão, o magistrado avaliou que os elementos de prova mais relevantes para a apuração dos fatos já foram reunidos e determinou a libertação do artista mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Em trecho da decisão, Simão fez duras críticas à forma da prisão do artista. "Há indícios que comprometem o procedimento regular da polícia. Pelo pouco que se sabe, o paciente teria sido algemado e tratado de forma desproporcional, com ampla exposição midiática, fato a ser apurado posteriormente", escreveu.
Outro parlamentar do PSOL-RJ, o pastor Henrique Vieira, também comentou de forma positiva a decisão de soltar o artista.
"A liberdade de MC Poze é também símbolo de luta contra a seletividade penal e o racismo estrutural", disse. "Preto, favelado e artista —sua existência incomoda um sistema que criminaliza a periferia".
A prisão gerou debates sobre a criminalização do funk e a relação entre cultura e crime. Políticos e figuras públicas se pronunciaram, destacando a necessidade de diferenciar a expressão artística da apologia do crime.
Segundo a Polícia Civil, a investigação apontou que Poze faz shows exclusivamente em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, e que as apresentações têm a presença de traficantes armados. Disse ainda que o repertório das músicas faz apologia ao tráfico e incita confrontos entre facções rivais.
O advogado de Poze, Fernando Henrique Cardoso, afirmou que "essa é uma narrativa antiga e já debatida".
Poze foi preso em casa, num condomínio no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. Agentes usaram algemas e conduziram o cantor durante parte do trajeto sem camisa e descalço.
- Por Folhapress
- 02 Jun 2025
- 11:05h
Foto: Divulgação / Pablo Jacob / Governo de SP
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) projeta aumentar o gasto com benefícios tributários em São Paulo no ano que vem, na contramão da promessa de cortes que fez para reduzir essas despesas.
Dados da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), enviada à Alesp (Assembleia Legislativa), apontam que o estado deve abrir mão de R$ 78,5 bilhões em impostos em 2026. Até o ano passado, a estimativa da Secretaria da Fazenda para o mesmo ano era de R$ 70,7 bilhões.
A LDO projeta, ainda, uma redução de 0,5% nas receitas totais do estado em 2026, embora preveja aumento da arrecadação de impostos, e uma diminuição menor, de 0,3%, no total de despesas.
Em 2024, com o programa São Paulo na Direção Certa, o governo Tarcísio anunciou que os 263 benefícios tributários seriam revistos, com o objetivo de cortar 15% dos gastos e reduzir em R$ 10,3 bilhões a renúncia.
O programa é uma das vitrines da gestão. Benefícios tributários são isenções, reduções de alíquotas ou concessões de créditos de ICMS que favorecem setores específicos da economia. Embora afirme que tentará a reeleição, Tarcísio é cotado para concorrer à Presidência.
Em eventos voltados ao mercado financeiro, o governador tem apresentado o programa como contraponto ao governo Lula (PT), que enfrenta dificuldades para manter o equilíbrio fiscal.
"Tocamos em um tema fundamental, superdifícil, que é a revisão de benefícios tributários. Muitos já não faziam mais sentido, precisavam ser extintos ou redesenhados", disse o governador, em evento promovido pelo Banco Safra, no início do mês.
"Conseguimos extinguir um terço dos benefícios que o estado concedia. Isso representa uma redução de 15% nos gastos tributários. Era necessário, porque havia incentivos muito antigos, obsoletos, que já não garantiam competitividade aos setores beneficiados", afirmou.
Embora a medida tenha sido elogiada pelo mercado financeiro, no fim do ano passado o plano enfrentou críticas por parte dos setores que perderam os descontos de impostos.
O apelido "Taxarcísio" chegou a ser ensaiado por setores como o de bares e restaurantes, cuja alíquota de ICMS praticamente triplicaria (de 3,2% para 12%). Diante das resistências, o governo aceitou negociar e, ao final, dos 263 benefícios revisados, 179 terminaram mantidos, sem alteração, em decretos publicados durante o recesso de fim de ano.
Segundo o governo, foram prorrogados benefícios para itens básicos, como arroz, feijão, farinha de mandioca, frutas frescas, produtos hortifrutigranjeiros, café, açúcar, manteiga, pães, bolachas, massas e medicamentos de baixo custo.
Na lista de benefícios cortados, o governo elenca o comércio de cavalos puro-sangue, mudas de seringueira, areia e pedra britada, ostras e vieiras, entre outros.
Para o tributarista Gabriel Quintanilha, professor convidado da FGV Direito Rio, a prorrogação de parte dos benefícios reduziu o impacto da medida. "Os incentivos cancelados têm impacto pequeno, enquanto os renovados concentram maior volume financeiro", diz.
Ele compara o caso dos cavalos puro-sangue, extintos, com os mantidos, como os voltados a materiais para o metrô. "É claro que o metrô precisa de incentivo", afirma. "Mas o volume de transações desse setor é bem maior."
O professor destaca que o processo deveria ser mais transparente, com maior participação da sociedade na escolha dos setores que deveriam ser beneficiados, uma vez que as isenções representam impostos que deixam de ser recolhidos e poderiam ser aplicados em áreas essenciais. "Benefícios fiscais só existem onde a tributação é excessiva."
A LDO traz os benefícios separados por setores, não por produtos. Há ressalvas técnicas em comparar dados de anos diferentes, pois os valores são baseados em estimativas e, a cada ano, variam as perspectivas de crescimento econômico, arrecadação e inflação.
Mesmo assim, auditores fiscais paulistas ouvidos pela reportagem destacam que a comparação dá indícios sobre a abrangência efetiva da medida.
No caso do setor agropecuário, a estimativa anterior era de uma renúncia de R$ 403 milhões. A atual é de R$ 1,1 bilhão (aumento de 182%). Nos setores de comércio e reparação de automóveis, que respondem por mais da metade da renúncia fiscal paulista, a comparação entre expectativas cresceu 44%, saltando de R$ 29,2 bilhões para R$ 42 bilhões— uma diferença de R$ 13 bilhões, o equivalente a seis vezes o valor reservado a investimentos na Educação neste ano.
No sentido oposto, as renúncias que mais caíram foram nas atividades administrativas (42%), atividades financeiras (52%) e informação e comunicação (96%). A queda, contudo, é compensada pelos setores em que houve aumento.
Ao comentar a revisão, a Secretaria da Fazenda e Planejamento afirmou, em nota, que "nenhum dos benefícios renovados foi majorado". Ou seja, não houve aumento nos percentuais de isenção.
Sobre a previsão de crescimento dos benefícios na LDO, a secretaria defendeu a efetividade da medida e apresentou outros cálculos, com uma projeção de que, sem elas, a renúncia fiscal em 2026 subiria para R$ 88 bilhões —dado que não consta em nenhum documento anterior.
A estimativa considera dados de arrecadação e renúncia observados ao longo do ano, após a elaboração da LDO. Segundo a secretaria, o programa fará com que as isenções fiquem equivalentes a 30% da arrecadação. No ano passado, elas representaram 34%.
"Se eu não tivesse feito o movimento em dezembro de 2024, com a revisão dos benefícios e a não renovação de 80 deles, eu obrigatoriamente teria que manter aquele universo [anterior de despesas]", disse o secretário-executivo da Fazenda e Planejamento, Rogério Campos, ao apresentar o novo valor.
O argumento, contudo, é criticado por parlamentares de oposição ao governo que analisam a LDO. "Os números são claros: as renúncias aumentaram mais que a receita tributária de um ano para o outro. Se houve revisão, ela foi ineficaz", disse o deputado Paulo Fiorilo (PT).