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- Por Isabella Menon | Folhapress
- 08 Mai 2026
- 08:55h
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, definiu seu homólogo do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como um "homem bom" e "um cara esperto".
O republicano foi questionado por jornalistas após o encontro entre os chefes de Estado, nesta quinta-feira (7) e se eles firmaram algum acordo.
Trump afirmou que o encontro foi permeado por discussões a respeito de tarifas. "Falamos sobre tarifas e eles gostariam de ter um pouco de alívio nelas. Tivemos uma reunião muito boa", disse ele.
O encontro entre os presidentes foi classificado como uma "visita de trabalho", formato que não conta com cerimonial e formalidades esperadas de uma visita de Estado. A recente visita do rei Charles 3º aos EUA, por exemplo, uma visita de Estado, teve agenda protocolar mais ampla e incluiu jantar formal e discurso no Congresso americano.
A reunião desta quinta, que teve início no Salão Oval, reuniu cinco ministros brasileiros, entre eles Mauro Vieira (Relações Exteriores) Wellington Lima e Silva (Justiça e Segurança), Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), além de Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Do lado americano, estiveram reunidos o representante do comércio dos EUA, Jamieson Greer, a chefe do gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o vice-presidente, J. D. Vance, o secretário do comércio, Howard Lutnick e o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
O encontro incluiu uma reunião e um almoço na Casa Branca que durou três horas. Pela rede Truth Social, Trump tinha classificado Lula como um presidente "dinâmico". O republicano afirmou ainda que o encontro teria transcorrido bem e que os representantes dos dois países tinham concordado em se reunir nos próximos meses, conforme necessário. As partes concordaram em voltar a se reunir nos próximos 30 dias para reavaliar o tema.
À Folha de S.Paulo, a deputada democrata Sydney Kamlager-Dove, co-presidente do Brazil Caucus, frente legislativa que trata das relações com o Brasil, comentou sobre o encontro entre os presidentes e criticou o tratamento do governo Trump ao Brasil no último ano, com a imposição de tarifas e sanção ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
"O Brasil é um parceiro fundamental na América Latina. No entanto, a política da gestão tem sido amplamente guiada por pessoas que buscam enfraquecer a democracia e o sistema judiciário brasileiro", afirmou ela.
Para Kamlager-Dove, a imposição de tarifas irresponsáveis, sanções a juízes brasileiros e ameaças de designar organizações como terroristas estrangeiras "criaram atritos onde poderia haver cooperação". "Fico satisfeita em ver uma mensagem positiva saindo do encontro entre Trump e Lula e espero que o governo possa trabalhar para aproximar o Brasil, e não afastá-lo".
No ano passado, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ela e outros deputados afirmaram, por meio de carta, que o presidente Trump abriu uma guerra comercial para "defender o seu colega líder da tentativa de golpe".
Eles pediam, em setembro do ano passado, que Trump encerrasse "imediatamente seus esforços para minar a democracia brasileira", suspendendo "tarifas ilegais que afetam a economia americana".
- Por Ana Cora Lima | Folhapress
- 07 Mai 2026
- 14:47h
Foto: Instagram
Gilberto Gil, 83, colocou à venda o apartamento em que vive com a mulher, Flora Gil, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O imóvel fica no Edifício Chopin, ao lado do Copacabana Palace, e passou por reforma realizada pelo casal.
O músico mora na unidade, de 344 m², no quarto andar do prédio, desde 2019. A venda foi confirmada por Flora, mas o valor não foi divulgado. "Vamos sair do Chopin com o coração partido, mas a minha família é enorme, ficou pequeno para nós. Não queremos deixar Copacabana de jeito nenhum. Amamos o bairro", disse a empresária à colunista Lu Lacerda.
Gilberto Gil e Flora se mudaram para o bairro há cerca de sete anos, após deixarem um apartamento de 600 m² em São Conrado, também na zona sul. À época, afirmaram que o imóvel havia se tornado grande demais depois da saída dos filhos. Agora estão a procura de uma propriedade entre 450 m² e 500 m²
O edifício é conhecido por reunir moradores famosos, como Narcisa Tamborindeguy, Fábia Porchat e Regina Gonçalves, além de já ter abrigado Maitê Proença. Inaugurado em 1956, o prédio tem 12 andares e 60 apartamentos.
As unidades variam entre 300 m² e 344 m², com até quatro quartos, três suítes, cinco banheiros e duas vagas de garagem. Apartamentos maiores, com vista frontal para o mar, hall privativo e áreas amplas, podem chegar a R$ 8,5 milhões. Já os laterais, de cerca de 300 m², têm três quartos, uma suíte, três banheiros e uma vaga.
"O Chopin é um edifício clássico e tem uma localização excelente. Se o apartamento foi modernizado e a decoração for de primeira, esse preço pode passar dos R$ 10 milhões", disse a corretora Priscilla Jucá.
A reportagem entrou em contato com corretores e imobiliárias do Rio para apurar os valores. Segundo Cintia Mileppe, apartamentos de 340 m² a 360 m² em Copacabana variam entre R$ 6,5 milhões e R$ 9 milhões. "O Chopin é um imóvel conhecido e esses valores tendem a ser mais altos. Tudo depende da negociação. O proprietário pode começar pedindo R$ 11 milhões e fechar por R$ 10 milhões."
Para Victor Cassiano, corretor associado à Somma Rio, um apartamento de 344 m² no Chopin por R$ 9 milhões pode ser considerado um bom negócio. "Depende muito de alguns fatores do imóvel, mas a média fica entre R$ 18 mil e R$ 22 mil o metro quadrado. Como se trata do Edifício Chopin, de frente para o mar e em bom estado, estamos falando de um preço dentro do esperado."
- Por Isadora Albernaz | Folhapress
- 07 Mai 2026
- 10:09h
Foto: Diego Gurgel/Secom
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O STJ (Superior Tribunal de Justiça) condenou nesta quarta-feira (6) o ex-governador do Acre Gladson Cameli (PP) a 25 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações por um esquema envolvendo contratos públicos.
A corte também decretou a perda do cargo de Cameli, apesar de ele já ter renunciado ao Executivo estadual no início de abril para concorrer a uma vaga ao Senado, e determinou o pagamento de multa e de indenização ao estado do Acre no valor de R$ 11,7 milhões.
Em nota divulgada nas redes sociais, Cameli disse ter recebido a decisão com serenidade e afirmou que irá recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal). "Ressalto que essa etapa no STJ não altera de forma alguma, a minha confiança no resultado final da Justiça", afirmou.
A maioria da Corte Especial do STJ (colegiado com os integrantes mais antigos do tribunal) seguiu o voto da relatora do caso, Nancy Andrighi. Os ministros João Otávio de Noronha, Sebastião Reis Júnior e Raul Araújo divergiram principalmente quanto à pena.
Segundo a relatora, Gladson Cameli era líder de um esquema que visava seu enriquecimento e contava com o seu irmão Gledson de Lima Cameli, além de um núcleo político composto por servidores comissionados de alto escalão.
"Extraem-se dos autos diversas movimentações financeiras que apontam que a verba desviada do erário enriqueceu Gladson e seu núcleo familiar", afirmou a ministra.
Gladson Cameli se tornou réu no STJ em 2024, após ter sido acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de receber mais de R$ 6 milhões em propina. Durante o processo no STJ, a defesa do ex-governador negou as irregularidades.
Os autos apontam que houve contratação fraudulenta da empresa Murano Construções, que teria recebido R$ 18 milhões para a realização de obras viárias e de edificação.
Análises técnicas também indicaram que teria havido um sobrepreço de R$ 8,8 milhões, além de um superfaturamento de R$ 2,9 milhões nos serviços contratados.
A CGU (Controladoria-Geral da União) apontou irregularidades como o pagamento por insumos e serviços que não foram efetivamente fornecidos. Isso foi possível, segundo a denúncia, a partir de fraudes nas medições e termos assinados por servidores que integravam o esquema.
A Murano e empresas subcontratadas por ela -uma das quais tem como sócio o irmão do ex-governador-- pagaram propina ao chefe do Executivo estadual em valores que superam os R$ 6,1 milhões, por meio do pagamento de parcelas de um apartamento em bairro nobre de São Paulo e de um carro de luxo, segundo as investigações.
Embora a denúncia trate apenas dos crimes praticados no âmbito do contrato firmado pelo Governo do Acre com a Murano, afirmou a PGR, o esquema se manteve mesmo após o encerramento da contratação.
O órgão afirma que há indícios de fraudes em oito contratos, e a estimativa é que os prejuízos aos cofres públicos alcancem quase R$ 150 milhões.
- Bahia Notícias
- 07 Mai 2026
- 08:33h
Foto: Divulgação / PF
A Polícia Federal apontou que Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, deixou uma residência em Trancoso, na Bahia, minutos antes da chegada dos agentes federais durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada em 14 de janeiro de 2026. As informações são do jornal O Globo.
Segundo a PF, câmeras de segurança registraram Felipe saindo do imóvel em um carrinho de golfe pouco antes do cumprimento do mandado judicial.
Nesta quinta-feira (7), ele foi alvo de um mandado de prisão temporária expedido pelo ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal. Felipe foi detido em Minas Gerais durante a nova fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a investigação, a medida foi autorizada sob o entendimento de que ele poderia obstruir as apurações.
Na decisão, André Mendonça afirmou que os atos atribuídos ao investigado indicam “potencial acesso do investigado a informações privilegiadas”.
Ao chegarem ao imóvel em Trancoso, os policiais relataram ter encontrado um cenário descrito como de “abandono abrupto”, com roupas de cama desarrumadas e aparelhos de ar-condicionado ligados. Segundo a PF, dispositivos eletrônicos não foram localizados na residência.
“Conforme consignado no Relatório Circunstanciado de Diligências da equipe BA-40, o cumprimento de mandado de Terravista, em Trancoso/BA, revelou que o investigado se evadiu do local poucos minutos antes da chegada da Polícia Federal, em circunstâncias absolutamente incompatíveis com uma saída ordinária”, diz trecho da representação da PF.
“Verificou-se a ausência completa de dispositivos eletrônicos pessoais, notadamente aparelhos de telefonia e computadores, o que demonstra que a evasão foi acompanhada de retirada seletiva de objetos diretamente relacionados à investigação”, acrescentaram os agentes federais.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 06 Mai 2026
- 16:55h
Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Foi aprovado, na sessão deliberativa desta terça-feira (5) do Senado Federal, o projeto de lei, de autoria do governo federal, que cria a Universidade Federal Indígena (Unind). Como também já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto segue agora para a sanção presidencial.
No Senado, o projeto foi relatado por Eduardo Braga (MDB-AM), que manteve o texto da Câmara. Na defesa do projeto, o senador Braga lembrou que seu estado tem a maior população indígena do Brasil, além de salientar que há uma grande demanda no país pelo estudo dos conhecimentos dos povos originários.
“Não é uma universidade simplesmente para ensinar novas práticas, mas para aprofundar no conhecimento de uma cultura milenar, de um povo que estava aqui antes de nós sermos descobertos, e que tem uma relação homem-natureza absolutamente diferenciada”, disse o relator.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a aprovação, destacou a importância do projeto e o esforço de Eduardo Braga para garantir a urgência da deliberação da matéria em Plenário.
“Foi a solicitação de Vossa Excelência, em várias ocasiões, que fez com que a Mesa Diretora ficasse atenta a uma matéria tão relevante para os povos originários brasileiros”, afirmou Alcolumbre.
O projeto foi elaborado pelo governo Lula como forma de responder “às desigualdades históricas de acesso à educação superior”. Pelo texto aprovado nas duas casas do Congresso, a Universidade Federal Indígena (Unind) terá sede em Brasília, como uma estrutura multicampi dedicada à formação superior de povos indígenas de todas as regiões do país.
A iniciativa, vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), envolveu um processo de escuta e consulta a lideranças, educadores, jovens, anciãos e organizações indígenas, em 20 seminários regionais, em 2024.
A Unind tem como pilares a autonomia dos povos indígenas, com a promoção de ensino, pesquisa e extensão sob uma perspectiva intercultural; a valorização de seus saberes, línguas e tradições; a produção de conhecimento científico em diálogo com práticas ancestrais; o fortalecimento da sustentabilidade socioambiental; e a formação de quadros técnicos capazes de atuar em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas.
De acordo com o projeto que segue para sanção, a nova universidade terá processos seletivos próprios, com o objetivo de ampliar o ingresso de candidatos indígenas conforme a diversidade linguística e cultural. Com a oferta inicial de 10 cursos e previsão de oferecer até 48 cursos de graduação, a Unind atenderá aproximadamente 2,8 mil estudantes indígenas nos primeiros quatro anos de implantação.
Os cursos de graduação e de pós-graduação a serem ofertados serão voltados às áreas de interesse dos povos indígenas, com ênfase em gestão ambiental e territorial, gestão de políticas públicas, sustentabilidade socioambiental, promoção das línguas indígenas, saúde, direito, agroecologia, engenharias e tecnologias e formação de professores.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), estão inclusos, ainda, cursos em áreas consideradas estratégicas para o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas, para a atuação profissional nos territórios e a inserção profissional indígena em diferentes setores do mercado de trabalho.
- Por Folhapress
- 06 Mai 2026
- 14:25h
Foto: Freepik
O dólar registra firme queda nesta terça-feira (5), em meio ao maior apetite global por risco, impulsionado pela queda dos preços internacionais do petróleo.
Analistas também repercutem a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta manhã, que indica uma postura mais cautelosa do Banco Central diante das incertezas relacionadas à guerra no Irã.
Às 13h12, a moeda norte-americana caía 1,11%, cotada a R$ 4,911 (na mínima, o dólar chegou a R$ 4,909). Caso se confirme, seria a menor cotação desde 26 de janeiro de 2024, quando fechou a R$ 4,910.
No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,46%, a 186.455 pontos, impulsionada pela alta da Ambev —cujos resultados de 1º trimestre vieram mais fortes do que o projetado.
O comportamento de apetite por risco é global. Nos EUA, as Bolsas S&P 500, Dow Jones e Nasdaq sobem entre 0,54% e 0,98% durante o pregão.
No câmbio, o dólar se desvaloriza frente a moedas emergentes, como peso mexicano e rand sul-africano, o que indica uma busca por ativos de mercados alternativos.
Investidores continuam acompanhando o cenário de tensão no Oriente Médio nos mercados doméstico e internacional. Relatos de passagens de embarcações, contudo, têm animado analistas.
O conflito no Oriente Médio tem sido responsável pelo bloqueio do fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. A paralisação tem gerado um temor de um repique inflacionário global por levar os preços de petróleo a dispararem.
As cotações da commodity subiram mais de 5% na segunda-feira (4), mas registram queda durante o pregão desta terça. Por volta das 13h, o Brent, referência mundial, era negociado a US$ 110,50, em queda de 3,43%.
O ânimo surge de relatos de passagem pela importante via global. Segundo a empresa Maersk, uma das principais do transporte marítimo, um de seus navios-petroleiros, Alliance Fairfax, conseguiu atravessar o estreito sem incidentes.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou nesta terça-feira (5) a capacidade militar do Irã e disse que o país deveria "hastear a bandeira branca". Teerã, por sua vez, aumentou o tom das ameaças.
"Sabemos perfeitamente que a continuidade da situação atual é insustentável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos", disse Mohamad Bagher Ghalibaf, chefe do Parlamento e o principal negociador do Irã, em uma mensagem na rede social X.
Na segunda-feira, EUA e Irã travaram uma disputa de versões. Os norte-americanos informaram que dois navios dos EUA atravessaram o estreito de Hormuz.
Já o Irã disse ter bombardeado um navio da Marinha dos EUA, o que foi negado pelos norte-americanos. Por fim, os EUA relataram que impediram seis embarcações do Irã na região, o que foi desmentido pelos iranianos.
No ambiente doméstico, ata do Copom é o destaque. Na ata divulgada nesta terça-feira, o comitê disse ver impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e piora nas expectativas no longo prazo.
Apesar do cenário mais desafiador, o comitê avaliou que os eventos recentes não impedem a continuação do ciclo de queda de juros, julgando a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica como a mais adequada.
"As últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados", afirmou.
O colegiado do Banco Central optou por um ajuste conservador depois de ver as projeções para inflação mais distantes da meta de 3% e não sinalizou abertamente o rumo de seus próximos movimentos.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
No acumulado de 12 meses até março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 4,14%. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que sinaliza uma tendência para a inflação oficial do país, mostrou em abril pressão sobre preços de combustíveis e alimentos.
Analistas concordam que a ata não trouxe sinais sobre os próximos passos do Copom, mas indica uma postura dependente de dados.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a ata do Copom deve ser lida como uma peça-chave para calibrar as apostas sobre a Selic, "especialmente depois da alta recente do petróleo e da elevação das incertezas geopolíticas no Oriente Médio".
Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, reforça que a ata não sinaliza corte em junho, mas, sob o cenário de arrefecimento da atividade e perda de fôlego nos núcleos de inflação, destaca que este deve ser o cenário-base. "Avaliamos que a ata de hoje segue consistente com a nossa expectativa de que o comitê cortará a Selic", diz
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, afirma que o comunicado reforça que a taxa está sendo reprecificada para cima. "Para o investidor, a leitura prática é que juro real alto veio para ficar mais tempo. A renda fixa indexada à inflação segue como o lugar mais óbvio da carteira. Bolsa exige seletividade —o cenário não favorece nomes muito alavancados nem teses dependentes de queda rápida de juros".
A ata também sinaliza que o diferencial de juros do Brasil e EUA deve se manter em alta. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destaca uma combinação de dólar global mais fraco e fluxo favorável para ativos de risco de maneira geral.
"Há uma percepção de descompressão no Irã, apesar de o cessar-fogo continuar frágil. Ao mesmo tempo, o mercado local ainda se beneficia do diferencial de juros".
Para Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, o dólar opera em queda em um ambiente de maior apetite ao risco, com o diferencial de juros doméstico voltando a pesar. "A combinação de dólar global mais comportado, entrada de recursos para renda fixa local e performance favorável das commodities sustenta o real. Além disso, a leitura de política monetária ainda contracionista no Brasil reforçam o carry trade".
No carry trade, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhos com o diferencial de juros. O comportamento é citado como um dos principais responsáveis pela alta recente da Bolsa e do real.
- Bahia Notícias
- 06 Mai 2026
- 12:51h
Reprodução/TV Alba via Youtube
A votação do pedido de urgência para o projeto que autoriza a Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A (Embasa) a contratar um empréstimo de cerca de R$ 5,5 bilhões foi suspensa nesta terça-feira (5), na Assembleia Legislativa da Bahia, por falta de quórum.
A proposta, enviada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), não chegou a ser analisada após duas verificações de presença solicitadas pela oposição. Ao final, apenas 31 deputados registraram presença, número abaixo do mínimo de 32 exigido para votação.
A presidente da Casa, Ivana Bastos (PSD), atribuiu o impasse à falta de compromisso de parlamentares. Segundo ela, a base governista tinha número suficiente para aprovar a urgência, mas a ausência de um parlamentar foi decisiva para travar a sessão.
O líder do governo na Alba, Rosemberg Pinto (PT), disse que pretende apurar os motivos da ausência, inclusive de deputados que estavam na Casa, mas não participaram da votação.
“Vou conversar com os parlamentares que não puderam estar presentes hoje. Alguns estavam na Casa e não desceram para votar. Precisamos entender o que aconteceu e buscar uma solução”, declarou.
Esse é o 24º empréstimo apresentado pelo Governo do Estado, que junto com os anteriores perfaz um total de R$ 32 bilhões. O deputado Tiago Correia (PSDB), líder da bancada de Oposição na Alba afirmou que "isso mostra que o governo não tem conseguido mobilizar nem convencer seus próprios aliados. Esse esvaziamento é muito simbólico".
O texto prevê a captação de recursos para investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário em diversas regiões do estado. A expectativa da base governista é retomar a votação na próxima semana.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 06 Mai 2026
- 10:48h
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Em uma reunião tensa e tumultuada, que teve mais de nove horas de duração, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, na noite desta terça-feira (5), a suspensão do mandato dos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS). Os três parlamentares ficarão afastados da Câmara por um total de 60 dias.
No processo movido contra o deputado Zé Trovão, foram 15 votos pela suspensão e quatro contrários. Já nos casos de Marcel van Hattem e Pollon, a votação foi de 13 votos a favor e quatro contra.
Os deputados van Hattem e Marcos Pollon receberam a punição por terem ocupado a Mesa Diretora no plenário da Câmara, no início do mês de agosto do ano passado, com isso impedindo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de sentar em sua cadeira. Já o deputado Zé Trovão foi punido por ter impedido, com seu corpo, que o presidente da Câmara chegasse à Mesa Diretora.
A análise dos processos no Conselho de Ética foi marcada por intensa discussão entre deputados governistas e de oposição, além de diversas manobras regimentais para tentar adiar a votação. O presidente da Câmara, Hugo Motta, não abriu a Ordem do Dia no plenário e com isso garantiu a realização da reunião até o fim. Caso a Ordem do Dia fosse iniciada no plenário, a reunião do Conselho teria que ser interrompida.
Hugo Motta foi alvo de diversas críticas durante a reunião, em especial por sua atitude de não realizar a sessão deliberativa no plenário, programada para esta terça. O gesto foi interpretado pela oposição como uma tentativa de pressionar pela votação no Conselho de Ética.
No último discurso antes dos votos, Zé Trovão e Van Hattem afirmaram que repetiriam a ocupação, enquanto Pollon disse que a sanção seria uma “medalha” a eles. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu assim o farei”, declarou Zé Trovão. “Se for preciso, faremos quantas vezes for necessário”, completou Marcel van Hattem, que é candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul.
Os três parlamentares punidos afirmaram que irão apresentar recurso à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) contra a suspensão. Se a medida for rejeitada, eles também poderão recorrer ao plenário.
- Por Maria Clara Matos e Júlia Galvão | Folhapress
- 05 Mai 2026
- 14:46h
Foto: Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os bancos iniciam nesta terça-feira (5) a abertura de cadastros para o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo federal. O fechamento dos acordos, porém, ainda depende da liberação de garantias pelo FGO (Fundo Garantidor de Operações), mecanismo que cobre parte das perdas das instituições em caso de inadimplência. Sem essa etapa, as renegociações não começam.
Bancos como Itaú Unibanco, Bradesco e C6 Bank divulgaram seus canais de renegociação.
Pelo desenho do programa, débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026 poderão ser renegociados com descontos entre 30% a 90%, a uma taxa de juros máxima de 1,99% ao mês.
O programa é para dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), que devem estar em atraso entre 90 dias e dois anos. Os cidadãos que aderirem terão até 35 dias para pagar a primeira parcela.
A nova edição do programa terá quatro linhas: uma para Famílias (para pessoas com renda de até cinco salários mínimos), o Fies (estudantes inadimplentes), Empresas (micro e pequenos negócios) e Rural (agricultores familiares).
Para a principal frente do governo, o "Desenrola Família", voltado para pessoas, podem participar brasileiros com renda até 5 salários-mínimos, ou seja, que ganhem até R$ 8.105 mensais.
Os bancos, por sua vez, terão a responsabilidade de destinar à educação financeira o equivalente a 1% do valor garantido pelo FGO (Fundo Garantidor de Operações), além de lidar com a proibição de envio de recursos a casas de apostas via cartão de crédito, crédito parcelado, Pix crédito e Pix parcelado.
Segundo o governo, quanto maior o tempo de atraso, maior tende a ser o desconto aplicado. Após descontos, o valor total renegociado é de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira. Os bancos participantes também podem limpar dívidas de até R$ 100 e bloquear CPFs em apostas online por 12 meses.
ITAÚ
A adesão poderá ser feita diretamente nos canais oficiais do banco. O Itaú Unibanco informou que vai ter a renegociação aos clientes elegíveis em todos os seus canais — aplicativo, WhatsApp (11) 4004-1144, site e parceiros credenciados de renegociação.
C6 BANK
A adesão dos clientes pode ser feita no aplicativo do banco ou pelos telefones (3003-6116 para capitais e regiões metropolitanas e 0800-6606116 para demais localidades).
BRADESCO
O Bradesco abriu um formulário online para pré-cadastro de interessados e prepara um programa paralelo, com condições próprias, para clientes que não se enquadrem nas regras do governo, seja por atraso menor ou maior do que o previsto ou por renda superior ao estabelecido como elegível, também será lançado pelo banco.
Os clientes podem fazer a adesão pelo site https://renegocie.bradesco.com.br.
A rede de agências do banco e os canais de atendimento telefônico, como (11) 2357-8080 no Whatsapp e SAC 0800-7048383, também irão oferecer suporte ao programa.
SANTANDER
O Banco está realizando os testes necessários para iniciar a oferta do serviço aos clientes o mais brevemente possível, dentro das condições definidas pelo governo.
"A instituição coloca seus canais à disposição dos clientes para atendimento e esclarecimento de eventuais dúvidas", afirma o Santander, em nota.
Outras instituições, como Nubank, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BTG Pactual/Pan, ainda não detalharam cronograma nem canais de adesão.
- Bahia Notícias
- 04 Mai 2026
- 18:02h
Foto: Divulgação / PM
Policiais militares do Esquadrão de Motociclistas Fênix do 12º Batalhão recuperaram uma carreta com carga roubada no município de Candeias e prenderam um suspeito. A ação foi realizada na noite deste sábado (2), resultando na recuperação de 45 mil litros de combustível.
Os militares receberam a denúncia de que uma carreta de combustíveis roubada no município de Candeias, teria seguido para a cidade de Camaçari. Rondas foram realizadas, objetivando a localização do veículo e, após informações, o veículo foi interceptado e apreendido na Rua Beta do Polo Industrial.
Na verificação veicular, foi constatado que o caminhão trator que arrastava a carga ostentava placa divergente das características do veículo, pertencendo a outro veículo roubado.
Na ação, foram apreendidos dois semirreboques, dois caminhões tratores e duas placas frias.
O condutor do veículo foi detido e juntamente com a carga e o automóvel foram apresentados à delegacia para registro do fato e adoção das medidas cabíveis.
- Por Folhapress via Bahia Notícias
- 04 Mai 2026
- 16:59h
Foto: Arquivo histórico do Itamaraty
O adjetivo "histórico" acompanhou os relatos sobre a derrota do presidente Lula (PT) na quarta (29). Como se sabe, 42 senadores votaram contra a escolha de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto 34 se manifestaram a favor do advogado-geral da União.
O Senado não se contrapunha à indicação de um presidente da República para uma vaga no tribunal desde 1894, quando Floriano Peixoto comandava o país.
Floriano e Lula saíram chamuscados com o veto dos senadores, mas há uma diferença de grau entre esses dois momentos.
O "não" para o Marechal de Ferro, como o militar alagoano era chamado, soou mais veemente do que o recebido pelo líder petista, afinal cinco nomes da confiança de Floriano foram barrados no Senado em um intervalo de apenas três meses, de setembro a novembro de 1894.
Naquela década final do século 19, o Brasil enfrentava um período de transições, lembra Carlos Ari Sundfeld, professor titular da FGV Direito. Não apenas vivia ainda a passagem da monarquia para a república, proclamada em 1889; estava em meio à mudança de um cenário de poderes regionais consolidados para um quadro de forte centralização.
"Ao buscar essa centralização, Floriano vai se chocar com o Senado, que representava esses núcleos regionais", afirma Sundfeld.
Além disso, o estilo abertamente autoritário do segundo presidente do país provocava insatisfações crescentes entre os parlamentares.
Mas esse mal-estar entre o Executivo e o Senado não explica por completo as decisões tomadas 132 anos atrás. O Marechal de Ferro não se importava com o alcance do repertório jurídico dos seus escolhidos e foi castigado pela soberba.
Conheça os cinco indicados de Floriano, que foram rechaçados pelos senadores em três momentos.
UM MÉDICO, O PRIMEIRO REJEITADO
A Constituição de 1891 era pouco específica em relação aos atributos necessários para um ministro do STF, uma brecha usada por Floriano para indicar alguns nomes para o tribunal. A Carta apontava apenas "notável saber e reputação"; os textos seguintes, inclusive a Constituição atual, passaram a contemplar o notável saber jurídico.
Em outubro de 1893, o presidente escolheu para uma das vagas abertas o médico Cândido Barata Ribeiro, que assumiu a função no mês seguinte. Naquela época, como lembra a jurista Maria Ângela de Santa Cruz Oliveira, era possível ocupar o cargo provisoriamente, antes que o Senado avaliasse a nomeação.
Baiano formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (hoje integrada à UFRJ), Barata Ribeiro havia dirigido instituições de saúde e se envolvido em campanhas pela abolição da escravatura e pelo fim da monarquia. Também tinha sido nomeado por Floriano prefeito do Distrito Federal, cargo que exerceu por seis meses.
Em setembro de 1894, quando Barata Ribeiro já completava 11 meses no cargo, o Senado colocou o nome dele em votação e o rejeitou por larga margem. A recusa se deu porque "era médico e não tinha formação acadêmica jurídica", registra Oliveira em seu estudo sobre o tema.
MAIS DOIS NOMES RECUSADOS PELO SENADO
Em decretos publicados em setembro de 1894, Floriano indicou outros aliados para cargos de juízes do STF. Dos seis nomes escolhidos por ele, dois saíram derrotados em votações no Senado no mês seguinte: o general Inocêncio Galvão de Queiroz e o subprocurador da República Antônio Sève Navarro.
A reprovação do baiano Galvão de Queiroz não foi uma surpresa. Engenheiro, havia sido condecorado pela atuação na Guerra do Paraguai e percorrido diversos estados ocupando funções militares estratégicas até se tornar general. Depois, foi eleito senador.
Era um expoente nas searas militar e política, mas nunca uma referência nas letras jurídicas. Para vetar o nome de Galvão de Queiroz, os senadores apontaram a mesma razão apresentada semanas antes para reprovar Barata Ribeiro.
O caso do pernambucano Sève Navarro parece menos óbvio. Bacharel em direito, ocupou cargos como promotor público e juiz em cidades do interior gaúcho. Atuou como advogado em Pelotas —na ilustração acima, lê-se, sob o nome dele, a frase "uma das glórias do foro pelotense".
Da carreira jurídica, saltou para a esfera política. Foi deputado provincial no Rio Grande do Sul e, mais tarde, federal. Sob a presidência de Deodoro da Fonseca, chegou a subprocurador da República.
Ao contrário de Galvão de Queiroz, Sève Navarro havia trilhado um caminho bem-sucedido no campo do direito. Ainda assim, sua indicação foi rejeitada. É provável que, neste caso, a decisão tenha sido motivada menos pelo currículo do advogado e mais pelos atritos entre Floriano e os senadores.
NÃO A GENERAL E A DIRETOR DOS CORREIOS
Em outubro de 1894, o Marechal de Ferro apresentou suas últimas indicações para o STF –ele deixou a presidência em meados do mês seguinte. Dos cinco nomes de Floriano, dois não receberam votação suficiente do Senado.
A recusa em relação ao general Ewerton Quadros seguiu as razões apontadas nos casos de Barata Ribeiro e Galvão de Queiroz. Formado em engenharia, o maranhense foi um dos comandantes militares com atuação decisiva durante a Revolta da Armada e a Revolução Federalista, conflitos que ocorreram durante o governo Floriano.
Era definitivamente um homem das armas, não da Constituição.
Uma curiosidade em relação a Quadros é que, paralelamente à carreira militar, foi um defensor enfático da doutrina espírita. Escrevia regularmente na imprensa ligada à religião e foi um dos nomes-chave na fundação da Federação Espírita Brasileira, da qual se tornou o primeiro presidente.
Há menos clareza sobre os motivos que levaram o Senado a recusar a indicação para o STF de Demosthenes da Silveira Lobo, então diretor-geral dos Correios. O prestigiado senador Campos Salles, eleito presidente quatro anos depois, defendeu a escolha de Silveira Lobo, mas o apoio resultou insuficiente.
Para a jurista Maria Ângela de Santa Cruz Oliveira, é possível que tenham pesado contra ele as acusações feitas na tribuna por dois outros senadores, Coelho Rodrigues e Coelho e Campos.
O que esses parlamentares disseram contra Silveira Lobo? As respostas estariam nas atas das sessões secretas dessa época, mas elas nunca foram encontradas.
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- Por Lucas Leite | Folhapress
- 04 Mai 2026
- 14:23h
Foto: Bruno Peres / Agência Brasil
Com a popularização da inteligência artificial, os estudantes buscam maneiras práticas de aliar as plataformas à rotina de estudos para os vestibulares e para o Enem. A presença dessas tecnologias também já entrou no modo como os candidatos encaram o planejamento e a escrita de uma redação.
O uso correto das IAs garante o equilíbrio entre a facilidade digital e o esforço intelectual exigido no dia da prova, o que afasta o risco de dependência passiva da ferramenta.
"O uso da inteligência artificial precisa ser encarado da mesma forma que se aprende a usar outras ferramentas ou oportunidades", explica Cláudio Hasen, professor e gerente pedagógico da plataforma Descomplica.
"IA de forma alguma pode escrever por você. Assim como quando um aluno cola na prova e não aprende nada do que colocou ali, por mais que a resposta esteja certa, pedir um texto pronto para a ferramenta é um erro idêntico", afirma Hasen.
A importância da escrita à mão no aprendizado
A facilidade da IA traz um ponto de atenção para o desempenho final do estudante. O candidato não deve abandonar a prática e o uso do lápis e do papel. O educador Sandro Bonás, CEO da Conexia Educação, empresa do Grupo SEB, compara o processo de aprendizado a um treino de alta intensidade.
"Já temos robôs humanoides, mas não os levamos à academia para fazer ginástica em nosso lugar. Se a IA fizer a redação, não é o seu cérebro que vai se desenvolver. O desenvolvimento cognitivo pressupõe estresse, desconforto e tensão", afirma Bonás.
Os especialistas ressaltam que o aluno não consolida o aprendizado caso peça à IA para escrever um parágrafo, por exemplo. Amanda Rassi, coordenadora pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, também alerta para o risco do bloqueio criativo no instante em que o estudante se depara com a folha de prova.
"O aluno não vai aprender a escrever só lendo. Lendo você aprende a ler. Escrevendo você aprende a escrever", afirma a coordenadora, que defende a prática no formato físico.
O uso da IA é para preparação e na correção da redação.
A tecnologia ajuda a potencializar os estudos quando o estudante adota a ferramenta nas fases que antecedem e sucedem a escrita.
Na etapa de estruturação, por exemplo, o uso da IA ajuda o estudante a organizar as ideias principais ao solicitar repertórios socioculturais pertinentes, como referências históricas e recomendações de livros e filmes.
Após a conclusão da escrita manual, o estudante tem a chance de buscar ajustes de vocabulário, correção de erros gramaticais e de ortografia.
"Vamos supor que o tema seja violência e o aluno acabe repetindo muitas vezes essa palavra. Ele pode, depois do texto pronto, enviar o material para uma IA e pedir sugestões de sinônimos", explica Rassi.
A variação das notas e a busca por erros
Apesar dos benefícios na revisão textual, a coordenadora adverte sobre uma possível "ilusão" das notas que plataformas abertas, não específicas para essa correção, atribuem. Um estudo interno do Redação Nota 1000 submeteu um mesmo texto cinco vezes à mesma inteligência artificial, como o ChatGPT, e o resultado revelou uma variação aleatória na pontuação.
"Enviamos a mesma redação com o mesmo comando e repetimos esse processo cinco vezes. Há modelos de linguagem que variam a nota nas cinco tentativas. O ponto central é que não dá para confiar", alerta Rassi.
A especialista reforça que depender dessa avaliação pode gerar falsas expectativas aos estudantes. "Sempre é preciso ter um pé atrás, principalmente quando falamos de nota."
Para contornar essa limitação técnica, Cláudio Hasen propõe uma mudança de foco na hora de avaliar os resultados. "Mais importante do que a nota final é perceber um padrão. A nota pode mudar, mas o candidato perde pontos nos mesmos critérios. Isso é uma informação valiosíssima.".
A identificação de uma falha recorrente em uma competência gramatical, por exemplo, possibilita ao estudante direcionar os estudos exatamente para aquela deficiência.
O papel dos pais no processo de estudo com a IA
O equilíbrio na adoção dessa rotina digital de estudos também demanda uma participação familiar. Sandro Bonás afirma que a IA de acesso livre atua como "batata frita" para o cérebro, enquanto o estudo tradicional representaria o "brócolis".
O educador sugere um modelo de estudo em conjunto entre pais e filhos para diminuir os riscos. "A recomendação é a do uso compartilhado. Costumo dizer que o adulto funciona como um córtex pré-frontal auxiliar --enquanto o do aluno ainda não se formou totalmente--, ajudando a atuar como um freio para esse estudante."
Os especialistas reforçam os cuidados ao lembrar que as ferramentas reproduzem vieses e preconceitos, como os raciais, de gênero e de classe presentes na rede. "A IA também traz preconceitos embutidos na linguagem. Por isso, mais uma vez, é necessária a capacidade de raciocínio crítico sobre as informações que ele está recebendo", explica a coordenadora.
O educador compara o acesso irrestrito ao ambiente virtual com o abandono de uma criança em uma grande capital. "Eu estou liberando meu filho numa metrópole, numa cidade livre, sem um adulto por perto. Eu não faria isso no mundo físico, não vou fazer isso numa IA", afirma Bonás.
- Por Patrícia Campos Mello | Folhapress
- 04 Mai 2026
- 10:18h
Foto: Reprodução / TSE
O uso de inteligência artificial já provoca um terremoto nas campanhas eleitorais deste ano. Com ferramentas de IA, equipes mandam mensagens cada vez mais segmentadas, marqueteiros substituem pesquisas qualitativas por "eleitores sintéticos" para testar a eficácia, vídeos e publicações na internet que levavam um dia e meio para ficarem prontos são finalizados em poucas horas.
Ao mesmo tempo, as campanhas pisam em ovos por causa da resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que restringe a utilização de IA. Está claro para elas que deepfakes eleitorais (vídeos e áudios não autorizados que emulam candidatos ou outras figuras públicas) estão proibidos. Mas existem dúvidas sobre a legalidade de certos recursos.
A Folha conversou com integrantes das equipes de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidatos à Presidência, de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), pré-candidatos ao Governo de São Paulo, e de deputados federais e estaduais. Alguns pediram para não se identificar, afirmando serem informações estratégicas.
Uma das campanhas majoritárias conta com uma equipe de 54 pessoas dedicadas a fazer impulsionamento com nanosegmentação. A campanha consegue customizar uma mensagem do candidato para, por exemplo, atingir mulheres da zona oeste de São Paulo sem plano de saúde e que têm probabilidade de passar a apoiar o político.
Softwares que usam IA monitoram a chamada "sentimentalização" --como as contas de redes sociais reagem a cada conteúdo. Milhões de perfis de redes sociais são "tagueados" para que sejam mapeados os temas que mais reverberam e como ressoam conteúdos do candidato e dos concorrentes.
Todas as campanhas ressaltam, porém, que é importante ter humanos no relacionamento direto com eleitores, porque as pessoas não gostam de interagir com robôs.
Uma campanha quis avaliar qual foi a repercussão do embate entre Romeu Zema, prê-candidato do Novo à Presidência, com o STF (Supremo Tribunal Federal). Em cinco segundos, conseguiu mapear nas redes sociais potenciais detratores e apoiadores, as teses-chave e ter sugestões de resposta.
Todas as principais pré-candidaturas têm IAs treinadas com discursos, reportagens, entrevistas e materiais do candidato e rivais.
"A IA vai 'aprendendo' o tom do discurso do candidato, suas expressões, como ele se posiciona em relação a temas", diz Nara Alves, sócia-diretora da Ela Marketing Político, que trabalha para candidatos de vários partidos.
Isso é usado para os briefings (a descrição do que se espera de cada peça de propaganda política) e para os roteiros, determinando o que seria adequado para falar em determinada cidade. Eles também conseguem ter versões do candidato mais irônico, sério ou agressivo -e depois testam o que funciona melhor usando software de "social listening", que mede reações nas redes sociais.
"A IA vem revolucionando cada processo das campanhas, da criação de conteúdo à segmentação de mensagens e mobilização de apoiadores", diz Bruno Bernardes, sócio da PLTK, agência do marqueteiro Pablo Nobel, responsável pela campanha de Tarcísio.
Os deepfakes, que estão proibidos por resolução de TSE desde 2024, são criticados por todos os marqueteiros.
Segundo Bernardes, a última eleição presidencial argentina mostrou o perigo. Vídeos falsos usando deepfake com a ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher contestando Javier Milei e o candidato peronista Sergio Massa cheirando cocaína viralizaram a duas semanas do segundo turno em 2023.
As contas produzindo e disseminando esses conteúdos não são diretamente ligadas aos candidatos.
Para o advogado eleitoral Hélio Silveira, esse deve ser um dos principais problemas da eleição.
Silveira, que trabalhou na campanha da deputada Tábata Amaral (PSB) à Prefeitura de São Paulo em 2024 e na de Fernando Haddad (PT) ao governo em 2022, espera um uso massivo de contas falsas para distribuir mensagens atacando candidatos, muitas delas com IA.
Apesar de os deepfakes serem a faceta mais visível do uso eleitoral de IA, é nos bastidores que a tecnologia vem fazendo transformações radicais. Para além da segmentação, a criação do conteúdo ganhou muita agilidade.
Um vídeo de Ronaldo Caiado abre com uma imagem de IA de uma bandeira do Brasil tomando tiros e começa a sangrar como se fosse carne humana.
"O Brasil assiste indignado, assustado e impotente à morte de milhares de filhos seus, vítimas da criminalidade", diz o pré-candidato no vídeo.
Segundo o marqueteiro de Caiado, Paulo Vasconcelos, sem IA, levaria quatro dias para fazer a peça. Com IA, demorou algumas horas.
Os locutores dos vídeos foram 100% substituídos por IA, assim como a geração de imagens de apoio.
MANIPULAÇÃO DE CONTEÚDO
Durante a campanha, segundo a resolução do TSE, será preciso informar que o conteúdo foi manipulado. Além disso, no período entre as 72 horas que antecedem e as 24 horas que sucedem o término do pleito serão proibidos conteúdos alterados por IA que usem imagem ou voz de candidato ou pessoa pública, mesmo que rotulados.
Algumas campanhas estão recorrendo a chatbots para poupar gastos com pesquisas qualitativas, em que grupos de leitores opinam de forma mais aprofundada sobre temas.
O "eleitor sintético" da SVA Solutions-Galaxies cria, usando dados de grupos reais de eleitores, perfis que reúnem características de determinados segmentos. Por exemplo, "viúvas do PSDB", pessoas de centro-direita que costumavam votar nos tucanos e rejeitam Bolsonaro ou esquerdistas frustrados com o PT.
Esses perfis servem para testar mensagens ou mesmo gerenciar crises. "Quando temos pouca verba para fazer uma pesquisa ampla e entender como lidar com determinada questão do candidato, é uma opção", diz Andrés Benedykt, marqueteiro do candidato a deputado federal José Dirceu (PT).
Uma pesquisa qualitativa bem feita com mil entrevistados pode sair R$ 150 mil. O eleitor sintético custa R$ 65 mil por mês e pode ser acionado a qualquer momento.
Algumas ferramentas ainda suscitam dúvida nos departamentos jurídicos. A customização de mensagens usando IA, com a adaptação de vídeo ou áudio de candidatos para chamar eleitores pelo nome ou mencionar suas cidades de origem, ainda é zona cinzenta.
Alguns advogados acreditam que, desde que haja aviso de uso de IA, seja autorizado pelo candidato e não se trate de propaganda negativa, não há problema.
Newsletter FolhaJus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha *** Outros acham que se trata de deepfake. Só seria possível usar IA para melhorar qualidade do áudio e vídeo. A resolução do TSE veda o uso "para prejudicar ou para favorecer candidatura" de conteúdo sintético em formato de áudio ou vídeo para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de uma pessoa.
De qualquer maneira, muitos marqueteiros advertem que certos usos de IA podem sair pela culatra. "Acho arriscado fazer customização com áudio, qualquer estranhamento pode acabar gerando rejeição no eleitor", diz o marqueteiro Felipe Pimentel.
- Por Juliana Arreguy | Folhapress
- 01 Mai 2026
- 10:11h
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Após uma semana de derrotas do governo Lula (PT) no Congresso Nacional, movimentos de esquerda apostam no apelo pelo fim da escala 6x1 para dobrar a pressão sobre o Legislativo nos atos de 1º de Maio, celebrados nesta sexta-feira.
Pelo segundo ano consecutivo, o presidente não deve participar dos atos sindicais da data. Em 2024, Lula criticou a baixa adesão ao ato realizado em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Para evitar expor o petista, pré-candidato à reeleição, a um novo desgaste de imagem caso os a sejam novamente esvaziadas, a opção foi por preservá-lo.
O receio de baixa adesão aos atos também fez com que as manifestações não sejam centralizadas em 2026, como vinha ocorrendo desde 2018. O Rio de Janeiro será exceção, com um grande ato marcado para iniciar às 14h na praia de Copacabana, na zona sul da cidade.
Em São Paulo, as frentes reunirão parte dos políticos mais próximos de Lula para enviar um recado ao Congresso, cuja relação de tensão com o governo foi agravada pela rejeição à indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), na quarta (29), e à derrubada do veto ao PL da Dosimetria, na quinta (30).
Por isso, a principal aposta da esquerda será na defesa do fim da escala 6x1, que já havia sido uma das tônicas do 1º de Maio do ano passado e é aprovada por 71% da população, segundo o Datafolha.
Há duas semanas, o governo Lula enviou um projeto de lei propondo a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem a diminuição de salário. O projeto próprio é mais flexível do que a PEC (proposta de emenda à Constituição) da escala 4x3, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e tramita de forma mais rápida no Congresso.
O governo quer aprovar o texto antes das eleições deste ano, algo que tem colocado os deputados e senadores em situação delicada –rejeitar a proposta, na visão dos políticos, pode custar a reeleição de muitos deles. Por isso, vários queriam evitar que o projeto fosse votado em ano eleitoral.
A irritação de governistas com o Congresso após a sequência de derrotas da última semana, em especial o veto à indicação de Messias, fez com que eles tenham se empenhado a aprovar o fim da escala 6x1 o quanto antes.
"A classe trabalhadora está fungando no pescoço dos deputados para que a lei passe", disse Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pré-candidato a deputado federal pelo PT-SP.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, berço político do presidente Lula, organizará um dos principais atos desta sexta-feira, com início previsto para às 9h. A mobilização será no centro da cidade e contará com discursos e apresentações musicais –a principal será de Glória Groove, que emplacou o hit "Vermelho" em 2022 e teve a música adotada pela militância petista durante a eleição de Lula à Presidência.
A partir das 16h, o ato do ABC deve contar com a presença dos ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), além do presidente do PT, Edinho Silva, e do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato ao governo paulista.
Haddad se juntará às pré-candidatas ao Senado em SP, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), no ato promovido pela Força Sindical às 8h, na sede do movimento, no bairro da Liberdade. O trio é visto no PT como o possível palanque de esquerda no estado, que também tem Márcio França (PSB) pleiteando uma candidatura a senador.
Às 9h, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo, o movimento VAT (Vida Além do Trabalho) reunirá manifestantes em defesa da redução da jornada do trabalho. Devem participar Erika Hilton e o vereador do Rio de Janeiro, Rick Azevedo (PSOL), além da própria Marina Silva.
Presidente da Força Sindical, Miguel Torres disse que a data é importante para lembrar as conquistas dos trabalhadores e pressionar por novas, como o fim da escala 6x1, que classificou como "um clamor geral da classe trabalhadora brasileira".
Ele também defendeu a descentralização dos atos, acrescentando que eles valorizam as categorias na defesa de pautas próprias. "Acredito que o número de participantes em todo o país será muito expressivo, representativo e com muita consciência de classe", disse ele, negando que o objetivo de fragmentar as manifestações tenha sido por receio de que elas sejam esvaziadas.
De forma inusitada para o 1º de Maio, movimento que historicamente foi capitalizado pela esquerda, grupos de direita se reunirão na avenida Paulista, na região central de São Paulo, a partir das 11h.
O ato da Paulista será promovido por Patriotas do QG, Marcha da Liberdade e Voz da Nação, movimentos que integram o Projeto União Brasil, organização sem ligação com o partido de mesmo nome e que reúne grupos conservadores. O trio reservou o 1º de Maio na Paulista com antecedência, critério utilizado pela Polícia Militar para ceder a via aos movimentos, e não à esquerda.
Nas redes sociais, os movimentos alegam que o ato servirá para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pedir a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado, e se posicionar contra o fim da escala 6x1.
O senador Marcos Do Val (Podemos-ES) confirmou presença no evento. No Instagram, o Patriotas do QG divulgou um vídeo feito com o auxílio da IA (Inteligência Artifical), na qual simula um convite feito pela ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália.
"Amigos patriotas, apesar de estar presa, faço um convite a todos os brasileiros: dia 1º de Maio vamos todos para as ruas manifestar. Flávio presidente, Bolsonaro livre e Supremo é o povo. Juntos somos mais fortes", diz a versão computadorizada de Zambelli.
ATOS DA ESQUERDA
São Paulo (SP)
- 8h: Sindicato dos Metalúrgicos de SP e Mogi e Força Sindical – Palácio do Trabalhador, na Liberdade
- 9h: CSP Conlutas – Praça da República, no centro
- 9h: Movimento VAT – Praça Roosevelt, no centro
São Bernardo do Campo (SP)
- 9h: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Paço Municipal, no centro
Rio de Janeiro (RJ)
- 14h: Posto 5, praia de Copacabana
ATO PROMOVIDO PELA DIREITA
São Paulo (SP)
- 11h: Patriotas do QG – avenida Paulista, em frente à Fiesp
- Bahia Notícias
- 01 Mai 2026
- 08:08h
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem atuado nos bastidores com a oposição nos últimos dias em movimentos que, segundo relatos, buscam enfraquecer o chamado Caso Master e fortalecer sua projeção para uma eventual reeleição ao comando da Casa em 2027.
A estratégia teria passado por duas votações recentes consideradas relevantes: a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada, pelo Congresso Nacional, de vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que trata das penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro.
De acordo com as informações, a rejeição de Messias convergia com interesses tanto da oposição quanto de Alcolumbre, ao representar um recado político ao governo federal. No caso do presidente do Senado, a movimentação também teria como objetivo atingir o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF.
Mendonça foi apontado como um dos principais articuladores da indicação de Messias, tendo feito contatos diretos com senadores da oposição em busca de apoio à aprovação do nome. A iniciativa seria parte de uma estratégia para ampliar sua base de alinhamento dentro da Corte.
Diante desse cenário, aliados avaliam que a articulação para a rejeição da indicação pode ter envolvido também o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), e o ministro do STF Alexandre de Moraes, cujos nomes já foram mencionados no contexto do Caso Master.
As informações são do Metrópoles.