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Coalizão Negra Por Direitos irá protocolar pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro

  • Ascom | Coalizão
  • 30 Nov 1999
  • 00:00h

(Foto:: MST)

A Coalizão Negra por Direitos, articulação que reúne 150 organizações e coletivos do movimento negro, irá propor um pedido de impeachment contra o atual Presidente da República Jair Bolsonaro, pelos crimes de responsabilidade por ele praticados, uma vez que agravam a política de genocídio contra a população negra. Apontamos, especialmente, atos do Presidente contra a saúde pública no contexto da pandemia COVID-19, a insuficiência das medidas emergenciais, que deveriam estar cautelosamente voltadas às famílias negras, empregadas domésticas, trabalhadoras/es informais negros/as, comunidades quilombolas, populações rurais negras, populações negras de nossas favelas, periferias e bairros, pessoas em situação de rua e população carcerária. São muitos os crimes de responsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro que atentam diretamente e objetivamente contra a vida da população negra e suas comunidades. As ações empreendidas e autorizadas por ele demonstram que não só os seus discursos são racistas, mas o exercício de sua gestão pública também. Em nosso pedido de impedimento ressaltamos que em 2018 éramos 38,1 milhões de pessoas negras vivendo abaixo da linha da pobreza, o que significa 33% do total da população negra do Brasil. Que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado e que o número de mortes decorrentes da brutalidade policial bate recordes no país. Por isso, não podemos admitir a condução de políticas públicas, como faz o Presidente da República, que aumentam a exclusão, a violência e sobretudo, perpetuam e radicalizam o racismo e o genocídio da população negra. Essa construção evidencia a relevância de vozes múltiplas do movimento negro que a décadas fórmula projetos políticos democráticos e antirracistas para o Brasil. Portanto, pelos próximos 10 dias vamos mobilizar adesões e assinaturas de representantes de movimentos, entidades, instituições, grupos e coletivos negros, de favelas, periferias, dos campos, das águas e das florestas. Sobretudo, todos eles, serão compostos por pessoas negras ou ainda, com composição de maioria negra, tais como associações diversas, casas de matriz africana, slams, posses, capoeiras, comunidades de samba, jongos e empreendimentos negros de todas as áreas. Por fim, também estarão conosco representantes de organizações mistas com reconhecida trajetória no compromisso antirracista e personalidades públicas, assinando como “aliadas”. Este pedido está em consonância com o nosso manifesto. Enquanto houver racismo não haverá democracia. E mais do que uma ação de impedimento com o objetivo da defesa da democracia e dos direitos fundamentais, MOVIMENTO NEGRO PELO IMPEACHMENT está pautando a construção de uma sociedade brasileira verdadeiramente antirracista.

Mulheres devem ser principais cuidadoras de filhos recém-nascidos para 69%, diz Datafolha

  • Por Vitória Macedo | Folhapress
  • 30 Nov 1999
  • 00:00h

Foto: Arquivo / Agência Brasil

As mulheres devem ser as principais responsáveis por cuidar de filhos recém-nascidos para 69% dos brasileiros. Ao mesmo tempo, 67% acham que homens e mulheres deveriam ter direito ao mesmo período de licença do trabalho para cuidar do bebê. É o que diz pesquisa Datafolha.

A carga de responsabilidade de trabalho, mas também dentro de casa com múltiplas tarefas e cuidados com as crianças, recai sobre as mulheres. Diante desse cenário, 71% dos homens concordam que mulheres são as principais responsáveis pelos recém-nascidos e 67% das mulheres também concordam com a afirmação.

A maioria também endossa que licença-maternidade e paternidade deveriam ter o mesmo período. Foram 64% de homens e 69% das mulheres. No Brasil, as mães têm direito a um período de 120 dias enquanto os pais podem tirar 5 dias corridos após o nascimento do filho.

A pesquisa de opinião foi realizada nos dias 19 e 20 de março, com 2.002 pessoas de 147 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A idade tem impacto nos resultados. Entre as pessoas de 60 anos ou mais, 83% concordam que as mulheres devem cuidar dos recém-nascidos, ante 54% dos jovens de 16 a 24 anos.

Por outro lado, 71% dos mais jovens, entre 16 e 24 anos, concordam que homens e mulheres devem ter o mesmo período de licença do trabalho. Dos entrevistados com 60 anos ou mais, 68% são favoráveis.

Em relação ao nível de escolaridade, 86% dos entrevistados que têm até o ensino fundamental concordam a que mulher deve cuidar dos filhos assim que nascem, contra 52% daqueles que têm curso superior

Já 76% dos entrevistados com ensino fundamental concordam com o mesmo período de licença para mulheres e homens, ante e 56% têm ensino superior.

A afirmação de que as mulheres devem cuidar dos recém-nascidos é mais endossada entre os mais pobres: 74% do que ganham até dois salários mínimos contra 47% dos que ganham mais de dez salários mínimos.

O mesmo acontece entre os que concordam que homens e mulheres devem ter o mesmo tempo sem trabalhar depois que têm filho: são 74% entre aqueles que ganham até dois salários e 51% entre os que ganham mais de dez.

Os empresários são os que menos concordam que homens e mulheres deveriam ter a mesma licença de trabalho (50%).

Entre as regiões do país, 76% dos entrevistados no Nordeste concordam que mulheres e homens deveriam ter direito ao mesmo tempo de licença, ao passo que as pessoas também concordam mais que as mulheres devem ser as principais responsáveis pelo cuidado dos filhos recém-nascidos (75%).

O Sudeste é o que menos concorda com as duas afirmações: 62% para licença de homens e mulheres e 65% sobre as mulheres serem as principais cuidadoras.