BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"
- Por Felipe Gutierrez | Folhapress
- 19 Jun 2025
- 09:04h
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Economistas e especialistas que acompanham a política monetária brasileira afirmam que, após a nova alta de 0,25 ponto percentual da Selic (taxa básica de juros), que foi de 14,75% para 15% ao ano nesta quarta-feira (18), os juros devem ser mantidos nesse patamar até o início de 2026.
"Até dezembro deste ano [a Selic] vai ficar em 15% e, na primeira reunião do ano que vem, vai começar uma queda", diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings.
Segundo ele, nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), mesmo com manutenção da taxa no mesmo patamar, as atas devem sinalizar que em algum momento um ciclo de queda de taxas vai começar.
Gabriel de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, também diz que espera que o juro fique estável em 15% pelos próximos seis meses.
Para ele, houve duas surpresas nesta quarta-feira: o aumento da taxa e o tom do comunicado do Copom, com frases que ele classificou como "hawkish" (um jargão do mercado financeiro para se referir a política rigorosa ou restritiva).
Barros chamou a atenção para um trecho do comunicado que diz que "para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado".
Na nota do Banco Central, a expressão "bastante prolongado" é usada três vezes.
Para André Perfeito, economista-chefe da APCE, isso significa pelo menos de seis a oito meses de manutenção do atual patamar de juros, "para ancorar as expectativas no período relevante, que é de 2026 para frente".
Segundo ele, a alta de 0,25 ponto percentual serve mais para sinalizar, porque na prática não faz tanta diferença se os juros são de 14,75% ou 15%.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, afirma que pode ser que a taxa nominal não fique exatamente em 15% o tempo inteiro. Para o economista, agora inflação dos alimentos não está tão alta e os juros altos devem começar a fazer efeito no setor de serviços, mas pode haver uma mudança "a depender do que vier pela frente".
"O cenário é uma queda moderada no final do ano por causa desse cenário de inflação um pouco mais comedida, desde que não haja turbulência negativa no ano que vem."
Para ele, o BC provavelmente vai evitar mexer nos juros durante o período eleitoral do ano que vem. Por isso, as mudanças devem acontecer antes de as eleições realmente entrarem em pauta.
Em nota, a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) afirmou que "a medida pode restringir ainda mais os investimentos produtivos, ampliar os custos de produção, reduzir a competitividade da indústria brasileira e levar a impactos negativos sobre a geração de empregos e a renda das famílias."
O presidente da entidade, Flávio Roscoe, afirma que o Banco Central e o governo têm adotado medidas antagônicas: enquanto a autoridade monetária faz uma política contracionista, o governo expande os gastos públicos.
"Não há alinhamento. O Banco Central aumenta as taxas de juros e o governo segue em ciclo de expansão para que o cenário econômico não piore. O dinheiro público é gasto em forças que se anulam. Por isso que não tem o efeito da taxa de juros."
Para Roscoe, a política monetária vai continuar restritiva enquanto não houver equilíbrio nas contas públicas.
Adriana Dupita, analista de mercados emergentes da Bloomberg, afirma que a decisão e a nota de hoje têm três grandes objetivos: desestimular o mercado a incorporar em seus projetos novas altas de juros e ao mesmo tempo evitar que os agentes financeiros projetem em seus investimentos que vai haver corte de juros no futuro próximo e, finalmente, dar credibilidade aos diretores do Copom.
O aumento de 0,25 ponto, segundo ela, é um custo baixo a se pagar para convencer o mercado financeiro de que vai haver cortes na curva de juros.
Antes da divulgação da nova Selic, a Bloomberg afirmava que após a decisão anterior, quando a taxa foi levada a 14,75%, o Banco Central foi vago em relação a qual seria o próximo passo, o que fez com que os analistas se dividissem a respeito de qual seria a ação.
Antes da reunião dos últimos dois dias, os economistas ouvidos pelo Banco Central esperavam que o Copom encerrasse a sequência de alta da Selic e mantivesse o índice em 14,75%
Por um lado, a taxa de inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em maio foi de 0,23%, uma desaceleração em comparação ao mês anterior, quando havia sido 0,43%. Ao mesmo tempo houve uma alta nos preços internacionais de petróleo.
Essa é a quarta decisão do Copom desde que Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central.
- Por Nicola Pamplona | Folhapress
- 18 Jun 2025
- 18:20h
Foto: Embratur/Portal da Copa
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) concedeu na manhã desta terça-feira (17) 19 novas áreas para exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, que se tornou foco de protestos de ambientalistas e gera embate dentro do próprio governo.
As áreas foram arrematadas pela Petrobras, as americanas Exxon e Chevron e a chinesa CNPC, com o pagamento de bônus de assinatura acumulado de R$ 844 milhões. O resultado do leilão amplia a área concedida para exploração na bacia de 5,7 mil para 21,9 mil quilômetros quadrados.
Ao todo, o leilão arrecadou R$ 989 milhões com a concessão de 34 das 172 áreas oferecidas pela ANP. Além da Foz do Amazonas, houve lances por blocos nas bacias de Santos, Pelotas e Parecis -as duas últimas também consideradas novas fronteiras exploratórias.
"Foi um resultado extremamente positivo, demonstrando grande confiança por parte dos investidores no potencial petrolífero do Brasil", disse após o leilão da diretora-geral interina da ANP, Patrícia Baran.
A bacia da Foz do Amazonas respondeu por 40% dos blocos ofertados e 85% da arrecadação. Foi a primeira vez que áreas na região foram arrematadas em leilões do governo desde 2003. Nos últimos anos, dificuldades para a obtenção de licença ambiental afugentaram investidores.
O leilão desta terça, porém, poderia ser a última oportunidade para as petroleiras, já que as manifestações interministeriais que garantem aval ambiental para o leilão vencem nesta quarta-feira (18). A ANP ofereceu 47 áreas.
A Foz do Amazonas é a principal aposta de governo e petroleiras para repor as reservas brasileiras de petróleo após o esgotamento do pré-sal, esperado para a próxima década. Passou a atrair atenção após descobertas gigantes de petróleo na Guiana e no Suriname.
No leilão desta terça, as áreas foram disputados por dois consórcios, um formado por Petrobras e Exxon e outro por Chevron e CNPC. As duas primeiras ficaram com dez dos blocos arrematados, mas perderam a disputa para as concorrentes em nove deles.
Exxon e Chevron já atuam na Guiana e no Suriname, que tiveram importantes descobertas de petróleo nos últimos anos, atraindo o interesse do setor para a margem equatorial brasileira.
Com o leilão desta terça, a bacia da Foz do Amazonas passará a ter 28 blocos com contratos ativos de concessão. Nove deles foram licitados no início dos anos 2000, entre eles o bloco 59, alvo de embate entre a Petrobras e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).
Na porta do hotel onde o leilão foi organizado e em Bonn, na Alemanha, organizações ambientalistas e representantes de comunidades indígenas realizavam protestos. O Ministério Público Federal do Pará tentou suspender a oferta na Justiça mas não teve sucesso.
"Ao assumir dez blocos em consórcio com a ExxonMobil Brasil, a Petrobras se coloca como protagonista de um projeto político arriscado que está cavando um buraco na credibilidade ambiental do Brasil", afirmou após o resultado a porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade.
A diretora-geral interina da ANP defendeu a abertura de novas fronteiras petrolíferas no país apesar de alertas contra a queima de combustíveis fósseis.
"As fontes mais tradicionais da energia serão por muito tempo fundamentais para atender a crescente demanda para a energia a esse ciclo fundamental para o crescimento econômico e o atendimento às necessidades de nossa população", afirmou.
Também consideradas bacias de novas fronteiras, Parecis e Pelotas tiveram blocos arrematados no leilão. Na primeira, que fica no Mato Grosso, a estreante Dillianz levou uma área. Na segunda, consórcio formado por Petrobras e Galp pagou R$ 11,5 milhões por três áreas.
Na bacia de Santos, foram 11 blocos concedidos por R$ 133 milhões em bônus de assinatura. Os vencedores foram as empresas Karoon (com seis blocos), Shell (com três) e Equinor. A agência tentou licitar blocos na bacia Potiguar, mas não teve interessados.
- Bahia Notícias
- 18 Jun 2025
- 16:30h
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O advogado Eduardo Kuntz afirmou que só encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) conversas com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, agora porque considerou o momento mais estratégico para a defesa de seu cliente, Marcelo Câmara, investigado por tentativa de golpe.
Segundo Kuntz, o diálogo com Cid, que critica a condução de sua delação premiada, estava guardado desde o ano passado. O advogado decidiu usar o material após Câmara ser intimado a apresentar defesa no processo que tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Kuntz defende que a delação de Cid possui vícios e, por isso, suas provas derivadas seriam inválidas, o chamado “fruto da árvore envenenada”. Ele relatou que a conversa aconteceu por meio de um perfil no Instagram e que chegou a suspeitar de uma possível ação controlada da Polícia Federal.
"Eu estava com esse material desde o ano passado esperando o melhor momento de usar. Confesso que quase usei no caso das vacinas, quando o meu cliente, Marcelo Câmara, foi indiciado pela Polícia Federal. O procurador-geral da República, no entanto, arquivou o processo e não teve denúncia. Então, eu não usei. Ontem, o Câmara foi intimado a apresentar a defesa no caso do golpe e considerei o momento oportuno. Juntei todas as armas que eu tenho para demonstrar os problemas do processo. Por conta disso, só ontem que eu juntei a conversa com Cid", disse o advogado ao Globo.
O conteúdo foi incluído em uma investigação defensiva iniciada por Kuntz em 2023. Ele nega qualquer tentativa de obstrução e diz estar seguro de que agiu dentro da legalidade. Já Mauro Cid nega ter sido o autor das mensagens.
- Por Julia Chaib | Folhapress
- 18 Jun 2025
- 14:26h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta segunda-feira (16) que se preocupa com o conflito entre Israel e Irã no Oriente Médio e que deve abordar o tema de alguma forma no breve discurso que fará nesta terça-feira (17) durante reunião ampliada do G7 no Canadá.
"Qualquer conflito me preocupa. Sou um homem que nasceu para a paz. Então, em um momento em que o mundo está precisando de muito recurso para a transição energética, para combater a miséria no mundo, você ver dinheiro sendo gasto com conflito, obviamente me incomoda profundamente. E é isso que quero falar um pouco amanhã", disse.
A declaração foi dada assim que Lula chegou ao hotel em que ficará hospedado em Calgary, cidade perto das montanhas de Kananaskis, onde ocorre a cúpula do G7, grupo com sete das principais economias do mundo. Ao desembarcar no aeroporto, foi recebido por líderes indígenas do Canadá.
O presidente evitou comentar a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de antecipar a volta para Washington devido à escalada da tensão no Oriente Médio. Lula não terá a chance de encontrá-lo pessoalmente pela primeira vez -não havia previsão de que os dois pudessem conversar às margens da cúpula.
O G7 é composto pelo anfitrião Canadá, e por Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. A União Europeia também faz parte.
O Brasil foi um dos seletos países não membros convidados para participar da reunião ampliada do bloco, que também inclui África do Sul, Austrália, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Índia e México.
Lula foi questionado sobre uma declaração de Trump, que reclamou do fato de a Rússia não participar mais do grupo -o país integrou o G7 de 1998 a 2014, quando foi expulso depois de anexar a Crimeia, então território da Ucrânia. O brasileiro afirmou que, com a existência do G20, nem haveria motivo para o G7 existir. "No fundo, depois do G20, não há nem necessidade de existir o G7. O G20 é mais representante. Agora, é uma questão cultural isso", disse.
"[O G7] existe desde 1975, desde a crise do petróleo. Os primos ricos se reúnem, mas eles estão no G20. Acho que o G20 tem mais importância, densidade humana. De qualquer forma, sou convidado desde que fui eleito em 2003 e eu participo para não dizer que eu recuso a festa dos ricos", disse.
Lula aceitou uma reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. Ele também se reunirá com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e com o premiê alemão, Friedrich Merz. O presidente brasileiro também deve ter encontros com representantes da comissão e do conselho da União Europeia e tenta encaixar uma bilateral com a Coreia do Sul.
- Por Aline Gama /Bahia Notícias
- 18 Jun 2025
- 12:23h
Foto: STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) cassou uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que havia garantido a um procurador do Estado aposentado o direito ao recebimento de honorários advocatícios como parte de seus proventos de aposentadoria. O caso, analisado pelo ministro André Mendonça, envolvia um procurador que se aposentou em 1997 e buscava a incorporação desses valores com base no princípio da paridade com os servidores em atividade.
A controvérsia teve início quando o procurador aposentado ingressou na justiça para exigir que os honorários sucumbenciais fossem somados aos seus proventos de aposentadoria. A sentença de primeira instância acolheu parcialmente o pedido, determinando que o Estado da Bahia incorporasse os honorários, com base no argumento de que se tratava de uma vantagem remuneratória genérica. O Estado recorreu, alegando que a decisão contrariava o entendimento firmado pelo STF que proíbe a incorporação de honorários aos proventos de aposentadoria.
Ao analisar o recurso, a 6ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça da Bahia manteve o direito do procurador aposentado aos honorários, mas alterou a terminologia da sentença, substituindo "incorporação" por "rateio". O STF, no entanto, considerou que a mudança foi meramente semântica e não resolveu o cerne da questão: a decisão continuou a tratar os honorários como uma vantagem genérica, ignorando que a ADI já havia estabelecido que esses valores são vinculados ao exercício da advocacia pública e, portanto, não podem ser incorporados à aposentadoria.
O ministro André Mendonça destacou no voto que, embora o rateio de honorários a aposentados seja possível se previsto em lei, a legislação baiana atual (Lei Complementar nº 43/2017) não permite o benefício para quem está aposentado há mais de cinco anos, como é o caso em questão, que se aposentou em 1997. Além disso, o STF reafirmou que os honorários advocatícios são remunerações pelo exercício da profissão e, por isso, não podem ser estendidos a quem já não está em atividade, sob pena de violar o regime constitucional de subsídios.
- Por Folhapress via BahiaNotícias
- 18 Jun 2025
- 08:10h
Foto: Reprodução / Instagram
O premiê Luís Montenegro, reconduzido ao cargo no último dia 5, usou uma metáfora futebolística em sua fala na Assembleia da República, o Parlamento de Portugal, nesta terça-feira (17): "Vamos jogar de cabeça, com os dois pés, e até parar a bola no peito quando necessário".
A sessão parlamentar deu início à discussão do programa de governo de Montenegro, em especial à parte denominada "Agenda Transformadora". Se o premiê jogar no ataque como promete, o resultado da partida pode afetar fortemente a vida dos brasileiros e demais imigrantes que vivem no país.
Um dos dez itens da Agenda Transformadora é implantar, na teoria, "uma política de imigração regulada e humanista". O programa detalha o que o governo pretende fazer na prática. Os imigrantes enfrentarão mais dificuldades para conseguir documentos para seus filhos e cônjuges por meio do recurso do Reagrupamento Familiar.
O tempo mínimo para pedir um passaporte português vai aumentar, indo além dos cinco anos da lei atual. Os vistos de trabalho serão restritos aos que possuem "elevada qualificação". O governo quer ainda construir centros de detenção para imigrantes sem documentos e criar meios para que sejam deportados mais facilmente, entre outras medidas.
Esses tópicos constituem, num primeiro momento, apenas uma carta de intenções. Como Portugal é um país semiparlamentarista, todas as medidas ainda serão discutidas, eventualmente modificadas e submetidas à votação numa Assembleia da República em que o governo não tem maioria. A discussão que se seguirá -e que poderá durar semanas ou meses- reflete uma mudança recente na sociedade portuguesa. Até o ano passado imigração não era um assunto importante no debate público. Agora é um dos tópicos centrais.
Em março de 2024, a imigração era apenas a 11a preocupação dos eleitores, num levantamento feito pelo instituto brasileiro Ipespe para a CNN de Portugal. Em outubro, 10% dos portugueses consideravam que se tratava de um debate prioritário no país, de acordo com o centro de pesquisas Aximage. Este número subiu para 41% no último mês de abril em levantamento do mesmo centro.
Parte desse crescimento pode ser atribuído ao discurso violento contra os imigrantes nas redes sociais do Chega, sigla de ultradireita em Portugal. Outra parte se deve a fatos concretos. Os portugueses se acostumaram a ver nos telejornais filas imensas em frente à sede da Agência para Integração, Migrações e Asilo (Aima), o órgão responsável por lidar com os estrangeiros que vivem em Portugal.
Discurso e imagens criaram a percepção de uma "imigração descontrolada", para usar o mantra criado pelo Chega -e, durante a campanha eleitoral deste ano, repetido por vários integrantes da Aliança Democrática, a coligação de centro-direita que ganhou o pleito e governa o país.
O que vem ocorrendo com os imigrantes em Portugal é fruto de escolhas políticas recentes. Há pelo menos duas décadas a União Europeia recomenda admitir estrangeiros apenas pela via do visto obtido no país de origem. Em vez de investir no aumento de sua estrutura de consulados espalhados pelo mundo, Portugal decidiu criar um meio alternativo: permitir que os imigrantes entrassem no país com visto de turista e deixar que pedissem autorização de residência a posteriori, por meio de uma figura jurídica denominada Manifestação de Interesse --seria uma jabuticaba portuguesa se em Portugal houvesse jabuticabas.
O governo português, no entanto, não investiu o suficiente para atender os imigrantes que entraram em Portugal com visto de turista e se acumulam nas filas da Aima para conseguir documentos definitivos.
"Na prática, as pessoas já não conseguem agendamentos para Reagrupamento Famliar, a não ser invocando a tutela jurisdicional", diz a advogada brasileira Érica Acosta, especialista em imigração. "Desde outubro de 2024 não há vagas para pedidos de concessão de autorização de residência." Para advogada, as medidas propostas pelo governo podem ter o efeito de "institucionalizar a negligência".
Alguns fatos podem servir para embasar o debate. É graças aos cerca de 1,3 milhão de imigrantes que vivem oficialmente no país que a seguridade social fecha a conta -os estrangeiros pagam impostos e, mais jovens que a média da população, usam pouco os hospitais públicos e o sistema previdenciário.
- Bahia Notícias
- 17 Jun 2025
- 18:44h
Foto: Reprodução/Redes sociais
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, autorizou, nesta segunda-feira (16), a posse e diplomação de Rubem Vieira de Souza como prefeito de Itaguaí (RJ), na Baixada Fluminense.
A decisão é válida até o julgamento feito pelo Tribunal Superior Eleitoral sobre um recurso que discute o "terceiro mandato consecutivo" do Dr. Rubão.
O político venceu as eleições de 2024 com 39% dos votos da cidade, entretanto teve sua candidatura vetada em todas as instâncias. Ele foi eleito também no ano de 2020 e, no mesmo ano, ocupou um mandato-tampão na chefia do executivo.
Durante julho e dezembro de 2020, ele era vereador e ocupou o cargo de prefeito diante do afastamento temporário do titular.
A decisão do ministro Dias Toffoli entender que a posse no cargo para esperar a conclusão no TSE se impõe diante dos riscos para os direitos de Dr. Rubão e para a soberania dos eleitores.
O TSE estava para julgar o recurso em março, mas foi prorrogado após pedido de Nunes Marques.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 17 Jun 2025
- 14:39h
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Após a votação, na noite desta segunda-feira (16), do requerimento de urgência para o projeto que susta os efeitos do decreto do governo federal que elevou as alíquotas do IOF, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não quis definir uma data para a apreciação da matéria. Com a urgência aprovada, o projeto de decreto legislativo pode ser colocado em pauta a qualquer momento no plenário.
Hugo Motta afirmou, ao falar sobre a aprovação da urgência, que a votação se mostrou simbólica sobre o sentimento dos parlamentares a respeito do aumento de impostos por parte do governo federal.
“Vamos aguardar quais serão os próximos passos. A Câmara dos Deputados seguirá nessa agenda defendendo o que é bom para o Brasil. Os líderes estão conscientes. Há uma convergência de agendas e eu tenho plena confiança de que o Poder Legislativo, a Câmara e o Senado, ao lado do Poder Executivo, conseguirão implementar essa agenda que é importante para o Brasil”, afirmou Motta.
O projeto de decreto legislativo, de autoria do líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), foi aprovado com 346 votos a favor e 97 contra. Diversos partidos da base do governo, como União Brasil, PSD, PP, Republicanos, PDT e MDB, orientaram suas bancadas a votar a favor da proposta.
Na bancada da Bahia na Câmara, 24 deputados votaram a favor do requerimento, onze votaram contra, e quatro não votaram. Confira abaixo como votaram os deputados baianos:
Votaram a favor da urgência
Adolfo Viana (PSDB)
Alex Santana (Republicanos)
Antonio Brito (PSD)
Capitão Alden (PL)
Charles Fernandes (PSD)
Claudio Cajado (PP)
Dal Barreto (União)
Diego Coronel (PSD)
Elmar Nascimento (União)
Félix Mendonça Jr (PDT)
Gabriel Nunes (PSD)
João Leão (PP)
José Rocha (União)
Leo Prates (PDT)
Leur Lomanto Jr. (União)
Márcio Marinho (Republicanos)
Mário Negromonte Jr. (PP)
Neto Carletto (Avante)
Otto Alencar Filho (PSD)
Paulo Azi (União)
Paulo Magalhães (PSD)
Raimundo Costa (Podemos)
Ricardo Maia (MDB)
Rogéria Santos (Republicanos)
Votaram contra a urgência
Alice Portugal (PCdoB)
Bacelar (PV)
Daniel Almeida (PCdoB)
Ivoneide Caetano (PT)
Jorge Solla (PT)
Joseildo Ramos (PT)
Josias Gomes (PT)
Lídice da Mata (PSB)
Pastor Isidório (Avante)
Valmir Assunção (PT)
Waldenor Pereira (PT)
Não votaram
Arthur O. Maia (União)
João Carlos Bacelar (PL)
Roberta Roma (PL)
Zé Neto (PT)
- Bahia Notícias
- 17 Jun 2025
- 10:37h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
O Supremo Tribunal Federal (STF), seguindo o voto do relator, ministro Dias Toffoli, decidiu levar ao plenário uma questão que pode impactar o atual modelo de direitos autorais da classe artística.
O tribunal irá analisar se contratos antigos de cessão de direitos autorais, assinados antes da era digital, permitem que músicas sejam exploradas em plataformas de streaming atualmente, sem uma autorização específica.
A ação foi proposta por Roberto Carlos e pelo espólio de Erasmo Carlos, falecido em 2022, que questionam o uso digital de obras criadas décadas atrás. Eles argumentam que "a evolução tecnológica exige uma nova interpretação contratual".
De acordo com O Globo, o advogado das partes, Berith Lourenço Marques Santana, afirmou que, com essa decisão, o STF abre caminho para consolidar uma tese “que protegerá todos os artistas, garantindo maior transparência, remuneração justa e segurança jurídica na exploração de músicas na era digital”.
A ação teve início em 2019, quando Roberto e Erasmo Carlos entraram na Justiça contra a Editora Fermata, pedindo a rescisão de contratos de direitos autorais assinados entre 1964 e 1987 e, com isso, recuperar a posse de 72 músicas, entre elas “Namoradinha de um amigo meu”, “É preciso saber viver” e “Se você pensa”.
- Por Eduardo Sodré | Folhapress
- 17 Jun 2025
- 08:31h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
Durante a apresentação do SUV compacto Tera, em maio, a Volkswagen anunciou sua ferramenta de IA (Inteligência artificial) generativa, chamada Otto.
Com lançamento previsto para o segundo semestre, o simpático avatar, que remete à primeira geração da Kombi, poderá responder perguntas que não se limitam às funções do carro, além de aprender com os questionamentos e hábitos do motorista. Recursos desse tipo, contudo, são apenas espuma em um mar de possibilidades.
As principais aplicações de IA no setor automotivo brasileiro devem contemplar a segurança viária. Um trabalho conduzido pela UFF (Universidade Federal Fluminense) em parceria com o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) pretende fazer o automóvel se comunicar com outros veículos, pedestres, infraestrutura viária e sistemas de gestão de tráfego.
A tecnologia que permite a conectividade foi desenvolvida pelo CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações). Gustavo Correa Lima, gerente de Soluções de conectividade da organização, diz que as informações do usuário são protegidas por algoritmos criptográficos.
O funcionamento do sistema depende da estabilidade e disseminação da rede de telefonia 5G, mas trata-se de um primeiro passo. Informações de trânsito em tempo real, atualização de rotas, avisos sobre interrupções nas vias e diagnósticos remotos de problemas nos carros são algumas das possibilidades.
Na China, a Xiaomi tem avançado em soluções conectadas. Seu primeiro carro, o sedã SU7, está apto para rodar sem motorista em cidades que tragam toda a infraestrutura necessária para isso. Entretanto, são necessários mais testes e validações.
No setor de frotas, a inteligência artificial pode ajudar a reduzir os custos da operação, e não apenas com a otimização de rotas.
"A manutenção de veículos de frota era feita com base na quilometragem ou em inspeções periódicas. Agora, os sensores IoT [sigla em inglês para "internet das coisas"] e a IA analisam o desempenho de cada veículo em tempo real, prevendo falhas antes que elas ocorram", diz, em nota, Paulo Guimarães, CEO da MaxiFrota.
O cruzamento de informações permite ao sistema analisar se uma peça tem desgaste anormal e acelerado. O motivo do problema pode estar na forma como o veículo é conduzido, e aí entra outra funcionalidade: o monitoramento dos motoristas.
Victor Cavalcanti, CEO da Infleet, desenvolvedora de tecnologias para gestão de frota, cita como exemplo o uso de câmeras conectadas a sistemas de análise de comportamento. O equipamento é capaz de detectar o uso de celular ao volante e, automaticamente, enviar um alerta ao motorista.
Entretanto, há questões legais. A implementação de sistemas de IA para gerenciamento de veículos deve estar alinhada com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
"É fundamental obter o consentimento claro dos titulares dos dados, incluindo motoristas e usuários dos veículos. As empresas devem informar de maneira transparente sobre quais dados são coletados, como são utilizados e com quem são compartilhados", diz Victoria Luz, consultora de IA para negócios.
"Além das medidas técnicas, é fundamental adotar boas práticas operacionais para garantir a proteção contínua dos dados, como, por exemplo, treinamento, conscientização e auditorias regulares."
No setor de compra e venda, as soluções de IA ajudam a precificar modelos. Recém-chegada ao Brasil, a dinamarquesa Autorola lançou a ferramenta Indicata, que analisa mais de 600 mil anúncios online diariamente.
O objetivo é fornecer relatórios para lojistas sobre a dinâmica do mercado de usados, com indicações dos carros de melhor liquidez, histórico do veículo, o tempo médio em que um carro está à espera de um comprador e quais são seus concorrentes, entre outras informações.
"Com essas informações em mãos, o revendedor consegue estabelecer seu preço seguindo o que está ali [na pesquisa feita com uso de inteligência artificial] ou colocando uma oferta condizente com a sua visão [do mercado]", diz Marcelo Barros, diretor geral da Autorola no Brasil.
- Bahia Notícias
- 16 Jun 2025
- 18:29h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
Após pouco mais de um ano longe do SBT, a apresentadora Eliana confirmou que estará na edição deste ano do Teleton. A participação foi revelada pela própria artista em um vídeo gravado por um fã. “Eliana, acredito que a gente vá se ver no Teleton, se você for esse ano”, disse o fã. A apresentadora respondeu prontamente: “Vou, claro que vou”.
Eliana se despediu do SBT em junho de 2024, após 15 anos na emissora. Atualmente, integra o elenco da Globo, onde participa de projetos na TV aberta e em produções dos canais pagos do grupo. Desde sua chegada, já esteve à frente de atrações como The Masked Singer e Saia Justa, do GNT.
A 28ª edição da Campanha AACD Teleton já tem data marcada: será nos dias 7 e 8 de novembro, transmitida dos estúdios do SBT, em São Paulo. O evento deste ano será especial, celebrando os 75 anos da AACD, referência nacional em ortopedia e reabilitação de pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. A campanha é responsável por cerca de 40% da arrecadação anual da instituição, viabilizando mais de 850 mil atendimentos por ano. A direção do programa segue sob comando de Marcelo Kestenbaum.
Fora dos palcos do SBT, Eliana também tem sido assunto nas últimas semanas após ter seu nome cotado como possível substituta de Tadeu Schmidt na apresentação do Big Brother Brasil, segundo informações do colunista André Romano, do Observatório da TV. Na Globo, seu salário fixo gira em torno de R$ 450 mil mensais, podendo ultrapassar os R$ 3 milhões com publicidade e projetos especiais.
- Bahia Notícias
- 16 Jun 2025
- 16:27h
Foto: Marcel Camargo / Agência
O rio São Francisco vai ganhar uma nova hidrovia para transporte de cargas, ligando Pirapora, em Minas Gerais, ao Nordeste, chegando a Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. O projeto, apresentado pelo governo federal na última sexta-feira (13), prevê utilizar 1.371 quilômetros navegáveis, com estimativa de movimentar cinco milhões de toneladas.
Entre as cargas previstas estão insumos agrícolas, calcário, grãos, bebidas, minério, gesso, gipsita e sal. Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a hidrovia será estratégica para o desenvolvimento da região. Ele informou que, ainda em junho, vai assinar a delegação das obras para a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), que ficará responsável pela condução do projeto. Na sequência, serão realizados os estudos técnicos necessários.
O trajeto do Velho Chico corta o Distrito Federal, Goiás, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, impactando diretamente 505 municípios e mais de 11,4 milhões de pessoas.
O projeto foi dividido em três etapas. Na primeira, as operações se concentram em um trecho de 604 quilômetros entre Juazeiro, Petrolina, Sobradinho e Ibotirama, na Bahia. As cargas poderão ser escoadas por rodovias até o Porto de Aratu-Candeias, na Baía de Todos-os-Santos. A segunda etapa abrange 172 quilômetros entre Ibotirama, Bom Jesus da Lapa e Cariacá, também na Bahia, com conexão ferroviária até os portos de Ilhéus e Aratu-Candeias. Na terceira fase, a hidrovia se estende até Pirapora, em Minas Gerais, com mais 670 quilômetros de navegação.
O governo federal também confirmou que outras ações estão previstas para ampliar a navegabilidade nas hidrovias brasileiras, incluindo dragagens no rio São Francisco e no Tapajós, além da manutenção das hidrovias dos rios Madeira, Parnaíba e Paraguai.
Atualmente, o Brasil possui 12 mil quilômetros de hidrovias navegáveis, com potencial para chegar a 42 mil quilômetros, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
- Bahia Notícias
- 16 Jun 2025
- 14:25h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, anunciou neste domingo (15) a venda de 50 carros voadores para a operadora brasileira de mobilidade aérea Revo. O contrato, avaliado em US$ 250 milhões, cerca de R$ 1,35 bilhão, inclui aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs, além de soluções operacionais e suporte pós-venda.
A primeira entrega está prevista para o quarto trimestre de 2027, ano em que a Eve planeja iniciar as operações comerciais dos veículos. As aeronaves ainda aguardam certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que deve ser concedida também em 2027.
Durante um evento em São Paulo, a empresa revelou que um protótipo em tamanho real já está em fase de testes na fábrica da Embraer, em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. Segundo Luiz Mauad, vice-presidente de serviços ao cliente da Eve, os primeiros voos de teste estão programados para 2025. Na ocasião, a empresa também apresentou ao público a cabine da aeronave.
A Eve divulgou ainda um estudo que projeta uma frota global de 30 mil eVTOLs em operação até 2045, com expectativa de atender mais de 3 bilhões de passageiros e gerar uma receita potencial estimada em US$ 280 bilhões. Atualmente, a empresa acumula cerca de 3 mil unidades de eVTOLs encomendadas.
- Por Júlia Galvão | Folhapress
- 16 Jun 2025
- 10:20h
Foto: Bruno Peres / Agência Brasil
O Pix automático, nova funcionalidade do sistema de pagamentos instantâneos, entra em operação nesta segunda-feira (16). A modalidade autorizará o débito automático de contas recorrentes, como água, luz, telefone, academias e serviços por assinatura sem a necessidade de confirmação a cada cobrança.
Para utilizar o serviço, o cliente deve definir regras, como um valor máximo a cada pagamento. Também é possível cancelar o agendamento até as 23h59 do dia anterior, caso não concorde com o valor cobrado.
Apesar do lançamento da modalidade nesta segunda-feira, sua adoção deve ser gradual. Inicialmente, poucas empresas estarão preparadas para oferecer a nova opção, o que pode atrasar o uso efetivo pelos consumidores.
Segundo o Banco Central, a novidade ampliará o acesso a pagamentos recorrentes para cerca de 60 milhões de brasileiros que hoje não têm cartão de crédito.
Segundo o estudo Beyond Borders 2025, realizado pelo Ebanx, o Pix automático deve movimentar ao menos US$ 30 bilhões no comércio digital nos dois primeiros anos de operação. Nesse mesmo período, a modalidade deve responder por 12% de todo o volume financeiro movimentado via Pix no comércio digital.
A pesquisa também aponta que, atualmente, pagamentos recorrentes com cartão de crédito somam US$ 50 bilhões por ano no Brasil. Deste montante, cerca de US$ 2 bilhões devem migrar para o Pix automático já no primeiro ano.
"O Pix trouxe 71,5 milhões de pessoas para o sistema financeiro formal apenas em seus dois primeiros anos. Hoje, 91% dos adultos brasileiros usam esse pagamento instantâneo lançado há menos de cinco anos. O Pix automático potencializará essa tendência ao desbloquear serviços de assinatura que antes eram inacessíveis para quem não tinha cartão", afirma Eduardo de Abreu, vice-presidente de produto do Ebanx.
QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE O PIX AUTOMÁTICO E O DÉBITO AUTOMÁTICO?
Embora as duas modalidades sirvam para pagamentos recorrentes, Ralf Germer, CEO e cofundador da PagBrasil, diz que há diferenças na experiência de uso e acessibilidade para empresas.
"No débito automático tradicional, a empresa precisa de convênios bancários individuais com cada banco do pagador, um processo complexo e burocrático". Além disso, nem todos os modelos de cobrança são compatíveis, o que gera limitações e custos.
"O Pix automático é uma opção menos burocrática e mais econômica. Sua arquitetura padronizada e integrada ao ecossistema do Pix dispensa a necessidade de convênios complexos ou intermediários", afirma.
Em relação ao controle do consumidor, ele aponta que no débito automático, o lojista pode agendar cobranças sem validação prévia dos valores ou frequências pelo banco, o que reduz o controle do usuário e torna o cancelamento mais difícil.
No Pix automático, é necessário o consentimento expresso e autenticado do consumidor, com parâmetros definidos por ele, como valor máximo, frequência e validade da autorização. O consumidor também recebe notificações antes de cada cobrança.
QUANDO USAR CADA SERVIÇO?
Segundo o especialista, o Pix automático é vantajoso para o consumidor em contextos que exigem controle, previsibilidade e segurança, já que, por funcionar com regras e prazos previamente validados, ele reduz o risco de cobranças indevidas.
Já o débito automático pode ser mais adequado em casos que envolvem contratos antigos de contas de consumo (viabilizado por empresas que só disponibilizam essa modalidade) ou em relações consolidadas com prestadores de serviço que ainda não aderiram ao Pix automático.
O PIX AUTOMÁTICO VAI SUBSTITUIR O DÉBITO AUTOMÁTICO?
Por ter um custo menor e mais flexibilidade, o Pix automático é apontado pelo Banco do Brasil como uma evolução do débito automático. A expectativa é que a nova modalidade ganhe escala rapidamente, especialmente entre empresas de menor porte e, no médio prazo, deve substituir o sistema tradicional de débitos recorrentes.
ELE TAMBÉM IRÁ SUBSTITUIR O BOLETO?
É possível que a novidade substitua os boletos em contextos que envolvam o pagamento de mensalidade, serviços por assinatura e outras cobranças recorrentes. O Itaú espera que o Pix automático ajude a melhorar em até 30% o pagamento de clientes que hoje usam boletos e QR Codes. Em testes internos, o banco verificou que clientes que passam a pagar por recorrência, ou seja, de forma automática, tendem a manter os pagamentos em dia com mais frequência.
COMO FUNCIONA O PIX AUTOMÁTICO?
- O cliente deve checar se a empresa (como sua academia ou seu serviço de streaming) oferecem o Pix automático como forma de pagamento
- Depois, será necessário autorizar o pagamento das cobranças e definir regras, como o valor máximo de cada pagamento e se vai usar ou não linha de crédito
- Periodicamente, nos dias anteriores ao pagamento, a empresa enviará a cobrança ao banco do pagador
- O banco agenda o pagamento e notifica o cliente, que pode conferir, antes do pagamento e no app da sua conta, se está tudo certo
- No dia previsto, o banco efetiva o pagamento da cobrança de acordo com as regras definidas na autorização
É POSSÍVEL LIMITAR O VALOR DE CADA COBRANÇA?
Sim. O pagador pode definir um valor máximo para cada débito autorizado. Isso significa que, se uma cobrança ultrapassar esse limite, o pagamento não será feito automaticamente.
No entanto, esse valor máximo pode ter um valor mínimo, chamado de "piso", definido pelo recebedor. Por exemplo: se o piso for R$ 50, o pagador só poderá estabelecer um limite igual ou acima disso.
Esse limite pode ser ajustado na hora da autorização ou alterado depois, a qualquer momento. O banco do pagador verifica esse valor sempre que uma nova cobrança é agendada. Se a cobrança for maior do que o limite definido, ela não será agendada, e o pagador será avisado.
É importante saber que esse valor máximo é verificado na hora do agendamento da cobrança, e não no momento em que o dinheiro sai da conta. Se o pagador mudar o limite depois que uma cobrança já tiver sido agendada, a mudança não vale para essa cobrança.
O QUE ACONTECE SE O CONSUMIDOR NÃO TIVER SALDO NA CONTA?
Se não houver saldo o pagamento não será feito, e o pagador será notificado. O banco tentará novamente outras vezes no mesmo dia. Se mesmo assim o pagamento não for realizado, o usuário será avisado mais uma vez.
Em alguns casos, se o recebedor permitir, o banco pode tentar fazer o pagamento nos dias seguintes. As novas tentativas após o vencimento devem ocorrer em, no máximo, três datas diferentes, respeitar um prazo máximo de sete dias corridos após a data de liquidação original e não ultrapassar a data de início do próximo ciclo.
- Bahia Notícias
- 16 Jun 2025
- 08:13h
Foto: Divulgação / PC-BA
O Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia abriu inquérito para investigar o caso de trabalho escravo identificado pela Polícia Civil no município de Alagoinhas, a cerca de 80 km de Feira de Santana.
O resgate dos seis trabalhadores foi feito na quinta-feira (12) durante a operação "Em Chamas", que combate a produção e venda clandestina de fogos de artifício no estado. A fiscalização ocorreu nesses dois municípios e em Serrinha, na mesma região.
Os agentes encontraram o grupo de trabalhadores em situação degradante. Eles não tinham carteira assinada, não dispunham de equipamentos de proteção individuais ou coletivos. As vítimas também estavam sujeitas a condição degradantes de segurança e higiene.
A situação foi comunicada ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e aos órgãos de assistência social do município. Também foram acionadas as estruturas de suporte a vítimas de trabalho escravo antidas pelo governo do estado e pela Comissão Estadual de Combate ao Trabalho Escravo (Coetrae). A rede de assistência social está adotando peotocolos de suporte e acolhimento dos trabalhadores.
Para o procurador Ilan Fonseca, que atua nas operações para o combate à cadeia de produção ilegal de fogos de artifício na Bahia, "o resgate de trabalhadores em condições análogas às de escravizados pela Polícia Civil é fruto da integração de diversos órgãos públicos em torno de objetivos comuns, ampliando significativamente o alcance da fiscalização do trabalho e da própria atuação do MPT tanto no combate ao trabalho escravo quanto na produção ilegal de fogos, que expõe trabalhadores e a sociedade como um todo a uma série de riscos de acidentes e à degradação da condição humana".
Além do resgate dos trabalhadores, a operação apreendeu cerca de dois milhões de fogos de artifício somente em Alagoinhas. Três pessoas, incluindo dois proprietários de uma das fábricas, foram conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos. Os donos do negócio precisaram pagar fiança para deixar a unidade policial.
Já em Feira de Santana, os agentes apreenderam 13.500 unidades de fogos irregulares em pontos de venda não autorizados. Em Serrinha, foram encontrados sete mil fogos ilegais. Os materiais apreendidos serão destruídos pela Coordenação de Fiscalização de Produtos Controlados (CFPC).