BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"
(Foto: Reprodução)
O laudo da perícia referente ao caso de estupro coletivo de uma menina de 16 anos, ocorrido na última semana no Rio de Janeiro, não apontou indícios de violência. A informação foi divulgada pelo programa Bom Dia Rio, da TV Globo, nesta segunda-feira (30). De acordo com o jornal, o resultado foi influenciado pela demora da vítima em registrar o caso na Polícia Civil e realizar o exame de corpo de delito. O laudo será divulgado oficialmente na tarde desta segunda-feira (30). A Polícia Civil realiza buscas desde a madrugada desta segunda (30) para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra seis suspeitos de participar do abuso sexual. O crime ocorreu no Morro do Barão, na Praça Seca, zona oeste do Rio de Janeiro. A ação é coordenada pela delegada Cristiana Onorato, da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), e pelo diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, Ronaldo de Oliveira.
Polícia Civil faz operação para prender suspeitos de estupro no Rio
A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) deflagra nesta segunda-feira (30) uma operação policial para cumprir seis mandados de prisão e de busca e apreensão de aparelhos celulares e computadores expedidos na investigação do crime sofrido por uma adolescente de 16 anos, no Morro São José Operário, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Entre os procurados pela polícia estão Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, o jogador do time de futebol Boa Vista, apontado como namorado da vítima, Raí de Souza, que admitiu ser o autor do vídeo onde a jovem aparece desacordada e o mesmo que aparece acenando para as câmeras de TV na entrada da delegacia, Marcelo Miranda Correa, suspeito de divulgar as imagens, Raphael Assis Duarte Belo, que aparece em uma foto fazendo selfie com a jovem desacordada na cama, Sérgio Luiz da Silva Júnior, o Da Rússia, apontado como chefe do tráfico no Morro do Barão, e Michel Brasil da Silva, também suspeito de divulgar o vídeo. Além de mandados de prisão, a polícia também cumpre mandados de busca e apreensão na casa dos suspeitos. As buscas são realizadas na Cidade de Deus, Taquara, Recreio, Favela do Rola e Praça Seca.
A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) deflagra nesta segunda-feira (30) uma operação policial para cumprir seis mandados de prisão e de busca e apreensão de aparelhos celulares e compu
Segundo os agentes que participam da ação, Lucas não foi encontrado no endereço que ele informou durante depoimento na Delegacia de Combate aios Crimes de Informática (DRCI). Diversas delegacias dão apoio. A operação é coordenada pelos delegados Cristiana Bento, da Dcav, que assumiu as investigações neste domingo, e Ronaldo Oliveira, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada. O advogado do suspeito Marcelo Miranda informou que os policiais estavam na Cidade de Deus e já tinham ido até a casa de seu cliente, que ainda não havia sido localizado às 7h45 desta segunda. Em entrevista para o Fantástico, a adolescente contou que sofre ameaças e disse que se sentiu desrespeitada na delegacia onde prestou depoimento. "O próprio delegado me culpou", afirmou, ressaltando que pediu para que o depoimento ao delegado-titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), Alessandro Thiers, fosse interrompido.“O próprio delegado me culpou. Quando eu fui à delegacia eu não me senti à vontade em nenhum momento. Eu acho que é por isso que muitas mulheres não fazem denúncias. Tentaram me incriminar, como se eu tivesse culpa por ser estuprada”, relatou a menor, que afirma que chegou a pedir para que o depoimento fosse interrompido.
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- Estadão Conteúdo
- 30 Mai 2016
- 06:58h
Presidente em exercício Michel Temer | Foto: Reprodução / TV Globo
Aos 7 anos de idade, completados em 2 de maio, Michel Miguel Elias Temer Lulia Filho, mais conhecido como Michelzinho, é proprietário de pelo menos dois imóveis cujos valores somados superam R$ 2 milhões. O pai, Michel Miguel Elias Temer Lulia, de 75 anos, presidente em exercício da República, passou para o nome do único herdeiro do seu casamento com Marcela Temer dois conjuntos comerciais que abrigam seu escritório político em São Paulo. Localizados no Edifício Lugano, no Itaim-Bibi, zona sul da capital paulista, cada conjunto tem 196 m² e valor venal de R$ 1.024.802, segundo a Prefeitura de São Paulo – os dados são públicos e podem ser consultados na internet. O valor de mercado costuma ser de 20% a 40% mais alto do que o valor de referência usado pela Prefeitura para calcular o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Mesmo assim, na declaração de bens que Temer apresentou à Justiça Eleitoral em 2014, cada conjunto é avaliado em apenas R$ 190 mil. Isso é comum nas declarações de políticos, pois os imóveis costumam ser declarados pelo valor de quando foram comprados. A legislação não obriga a atualização do valor.
Líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB) | Foto: Divulgação
Líderes dos sete maiores partidos do Congresso não querem se comprometer com a pauta econômica do presidente em exercício Michel Temer, principalmente em relação às duas medidas prioritárias: o teto dos gastos públicos e a reforma da Previdência. Apesar de reconhecerem a necessidade dos projetos, eles dizem ser necessário discutir mudanças nas propostas. A resistência existe até nas bancadas do PMDB, partido do qual Temer é presidente licenciado. Os líderes ouvidos pelo Estado representam 326 deputados e 58 senadores, o equivalente a aproximadamente dois terços de cada Casa. O número é superior aos três quintos da Câmara (308) e do Senado (48), quantidade necessária de votos para aprovar Propostas de Emenda à Constituição (PEC), que é o caso dos principais projetos econômicos de Temer. No caso da PEC do teto fiscal, segundo o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), a medida limitará gastos com Saúde e Educação, medida que não agrada aos líderes de PP, PR, PSD e DEM na Câmara, que disseram que vão “estudar a proposta”. No Senado, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), sugeriu que a proposta seja modificada. “A função do Estado está muito vinculada a educação, saúde e segurança, são as três grandes demandas da população. Seria possível encontrar um mecanismo para preservar esses setores, mesmo que se exijam cortes maiores em outras áreas”, afirmou o tucano, que diz concordar com o teto fiscal em si, mas defende mudanças na proposta original.
(Foto: Divulgação)
Uma resolução publicada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) nesta sexta-feira (27) determina que todos os carros em circulação no Brasil tenham placas no padrão do Mercosul até 2020. De acordo com a publicação, a medida já valerá para carros zero-quilômetro a partir de 2017. A nova placa foi definida em consenso pelos países membros do Mercosul. Ela possui fundo branco e margem superior azul. Do lado esquerdo, haverá o logotipo do bloco econômico, enquanto ao lado direito virá a bandeira do país de origem. O objetivo da mudança é coibir possíveis clonagens de veículos.
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A OMS (Organização Mundial de Saúde) informou nesta sextafeira (27) que "cancelar ou mudar o local de realização dos Jogos Olímpicos de 2016 não vai alterar significativamente a propagação internacional do vírus da zika". A declaração ocorreu em resposta à divulgação de uma carta enviada à organização e assinada por 150 cientistas de diferentes partes do mundo. Eles pedem que a realização da Olimpíada seja adiada ou transferida do Rio de Janeiro para outro local devido ao surto de zika, "em nome da saúde pública". Para os especialistas, as descobertas recentes sobre o zika tornam "antiética" a manutenção dos Jogos no Rio. Entre os signatários estão Philip Rubin, consultor científico da Casa Branca, médicos e especialistas em ética médica de instituições como as universidades de Oxford, no Reino Unido, e Harvard e Yale, nos Estados Unidos. Para a OMS, porém, "não há nenhuma justificativa de saúde pública para adiar ou cancelar os Jogos" com base na avaliação atual do vírus da zika. "A OMS continuará monitorando a situação e atualizando as recomendações, se necessário", informou a organização, em nota. Ao todo, cerca de 60 países registram transmissão do vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. "Pessoas continuam a viajar entre esses países e territórios por diversas razões. A melhor forma de reduzir os riscos de infecção é seguir as recomendações direcionadas aos viajantes", afirma a OMS. A organização mantém a recomendação de que grávidas não viajem para áreas de transmissão do vírus, o que inclui o Rio de Janeiro. Desde outubro de 2015, o vírus tem sido relacionado no Brasil à ocorrência de complicações em bebês, como a microcefalia, quadro que indica a possibilidade de uma má formação no cérebro durante a gestação. Para diminuir os riscos, a OMS orienta que parceiros sexuais das gestantes que retornarem de áreas com circulação do vírus sejam aconselhados "a praticar sexo seguro ou abstinência durante toda a gravidez".
A medida ocorre devido ao número crescente de estudos que apontam também para a transmissão sexual do vírus da zika. RECOMENDAÇÕES Em meio à polêmica sobre a recomendação do grupo de cientistas em relação à Olimpíada, a OMS voltou a reforçar algumas orientações a turistas e atletas que pretendem viajar para o evento. A primeira é que seja feita uma consulta a um profissional de saúde antes da viagem, além de seguir as orientações das autoridades de saúde do país. Outras medidas são usar repelentes "sempre que possível" durante o dia, além de vestir roupas que cubram o corpo para se proteger de picadas de mosquitos. O uso de preservativo em relações sexuais também é recomendado, "ou se abster de sexo durante a estadia e por, pelo menos, quatro semanas após seu retorno, particularmente se apresentaram ou apresentam sintomas de infecção pelo vírus da zika", diz a organização. Os turistas devem optar por acomodações com ar condicionado, o que permite manter as janelas fechadas, e evitar visitas a áreas sem água encanada e com problemas de saneamento, cenário que aumenta a possibilidade de haver focos do mosquito no local, informa a OMS.
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- Último segundo
- 28 Mai 2016
- 20:04h
(Foto: Reprodução)
O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, afirmou nesta sexta-feira (27) em entrevista que o estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 16 anos na zona oeste do Rio fere a dignidade de todas as mulheres. Segundo ele, por determinação direta do presidente em exercício Michel Temer (PMDB), a Polícia Federal está à disposição para ajudar no caso."Esse é um atentado à dignidade não só da vítima, mas à de todas as mulheres", afirmou Moraes, que neste momento concede entrevista coletiva ao lado do secretário de Estado de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. O ministro viajou especialmente para tratar do caso. Beltrame também disse que o crime é uma agressão a todos os cidadãos. "Seja lá com o auxílio de quem for, não vamos permitir que um crime desse tipo fique impune", disse o secretário. "Não vamos deixar passar em branco.. Neste momento, segundo o secretário de Segurança, a polícia realiza uma operação no morro da Barão, onde a adolescente foi estuprada no último final de semana. Até a tarde desta sexta-feira, a polícia havia identificado quatro homens envolvidos, seja por participação direta no ato ou pela divulgação das imagens. Porém, as autoridades não haviam pedido a prisão de nenhum deles.
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O presidente da Câmara afastado, deputado Eduardo Cunha (PMDBRJ), entrou com queixacrime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Jean Wyllys (PSOLRJ) por calúnia, difamação e injúria com base no que disse o parlamentar durante a sessão na Casa que deu continuidade ao processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff. De acordo com Cunha, Wyllys teria cometido crimes contra sua honra durante a sessão plenária de 17 de abril, quando o chamou de "ladrão" ao votar contra a admissibilidade do processo de impeachment. "Eu quero dizer que eu estou constrangido de participar dessa farsa sexista, dessa eleição indireta, conduzida por um ladrão, urgida por um traidor, conspirador, apoiada por torturadores, covardes, analfabetos políticos e vendidos", disse Wyllys na sessão. A defesa do peemedebista alega que o deputado do PSOL tinha "claro intuito de levantar dúvida quanto à regularidade das suas condutas utilizandose premeditadamente de
momento de grande atenção sobre as atividades do parlamento brasileiro para ofendêlo". "O querelado (Wyllys), sem sombra de dúvidas, pretendia imputar ao ofendido (Cunha) fato criminoso que sabia não ter ocorrido, tanto que afirmou que seria um conspirador, vendido, que estaria conduzindo uma eleição indireta, tudo no intuito de transmitir a ideia de que, conjuntamente com pessoas que praticariam tortura, estaria praticando um 'golpe'", escrevem os advogados do deputado afastado na peça. De acordo com o documento, as ofensas de Wyllys a Cunha excedem os direitos à liberdade de expressão, de opinião e de crítica assegurados pela Constituição e extrapolam a imunidade parlamentar. Para o peemedebista, a prerrogativa que assegura aos congressistas ampla liberdade "não pode ser banalizada a ponto de ser entendida como uma 'carta branca' conferida ao parlamentar para que ofenda covarde e gratuitamente outras pessoas, inclusive publicamente". Para evitar "celeumas ainda maiores, tais quais enfrentamentos físicos que são rotineiramente noticiados pela imprensa internacional", a peça de Cunha ainda cobra do Supremo uma providência "diante dos lamentáveis acontecimentos verificados no âmbito do parlamento brasileiro para coibir excessos trazidos a efeito por parlamentares que se aproveitam de suas prerrogativas para praticar crimes, o que é muito mais grave do que uma quebra de decoro parlamentar". Os defensores de Cunha ainda mencionam a cusparada que Wyllys deu no deputado Jair Bolsonaro (PSCRJ) logo após votar contra o impeachment de Dilma. Durante a votação do dia 17 de abril, Cunha foi criticado por diversos adversários e anunciou que iria estudar medidas cabíveis para se defender. O pedido contra Wyllys, no entanto, foi o primeiro a chegar ao STF e está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes. "Embora vários parlamentares tenham manifestado inconformismo ou irresignação com a condução da votação do impeachment da então presidente da República, inclusive dirigindo críticas ao ofendido (Cunha), este somente cuidou de propor ação penal contra quem tenha o feito de maneira verdadeiramente ofensiva", justifica a defesa do peemedebista. Em nota, a assessoria de Wyllys acusa Cunha de "mais uma manobra desesperada para calar denúncias". O deputado afirma não ter dito nenhuma mentira sobre o seu adversário, que tem como base a denúncia no âmbito da Lava Jato contra o peemedebista. "Ser processado por Eduardo Cunha é um elogio que o enche de orgulho. O deputado não vai se calar nem permitirá que o réu o intimide ou ameace e continuará denunciando o golpe e defendendo a democracia como tem feito até agora", diz o comunicado.
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(Foto: Reprodução)
Médicos brasileiros formados no exterior têm até o dia 1º de junho para se elegerem para uma das 282 vagas do Mais Médicos que não foram preenchidas por profissionais com diploma emitido no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, apesar das vagas remanescentes, os médicos com registro brasileiro, que possuem prioridade nas inscrições, ocuparam 79,5% das vagas ofertadas. Os interessados devem entregar a documentação na sede do Ministério da Saúde, em Brasília, para análise. A previsão é que no dia 13 de junho a pasta divulgue as inscrições validadas. Depois, os profissionais formados no exterior devem escolher os municípios de preferência entre os que tenham vagas disponíveis, nos dias 22 e 23 de junho. Caso sobrem vagas depois desta etapa da seleção, serão abertas inscrições para médicos estrangeiros formados no exterior. Criado no governo da presidente afastada Dilma Rousseff, em 2013, o Mais Médicos conta com 18.240 médicos em 4.058 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), levando assistência para cerca de 63 milhões de pessoas. Somando com os residentes em Medicina de Família e Comunidade, esse número chega a 65 milhões de brasileiros beneficiados.
(Divulgação)
Nos últimos três dias, no Facebook, usuários promoveram uma campanha contra a violência sexual com o uso de um avatar (imagem principal do perfil) que diz “Eu luto pelo fim da cultura do estupro”. Páginas de políticos, como a da presidente afastada Dilma Rousseff, e de jornais como o CORREIO, também passaram a usar o avatar. No Twitter, a hashtag #EstuproNãoÉCulpadaVítima foi o segundo assunto mais comentado do Brasil, com 174 mil tweets publicados. Mas, afinal, o que significa “cultura do estupro”? Pois, o termo vem do inglês (‘rape culture’), surgiu na década de 1970 e foi cunhado pelas feministas dos Estados Unidos. O objetivo era mostrar como a sociedade culpava as próprias vítimas da violência sexual por terem sofrido a agressão, tornando “normal” a violência contra a mulher. “À medida em que o corpo da mulher é objetificado, que você considera a mulher uma propriedade do homem, por omissão, você termina sendo conivente. Essa cultura do estupro é o que deixa essas coisas aconteceram, porque fecha os olhos. A impunidade em relação aos estupradores termina legitimando esse tipo de comportamento, já que não há nenhuma sanção em relação a isso”, explica a professora da Ufba Márcia Tavares, integrante do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher (Neim) e coordenadora do Observatório da Lei Maria da Penha. Segundo a pesquisadora, a cultura do estupro faz parte da maneira como os homens são educados na sociedade. “É o que faz com que eles achem que, se está com decote, se está sozinha em um bar, é porque está pedindo. Então (as pessoas) não veem (o estupro) como errado, mas como uma punição merecida, acreditam que ela buscou isso”. Por isso, é preciso discutir igualdade de gênero desde as escolas. “A discussão não defende esse ou aquele comportamento sexual, ela defende o respeito”, concluiu.
Raí de Souza admitiu à polícia ter sido responsável por divulgação, na internet, de imagens de adolescente que afirma ter sido vítima de estupro coletivo no Rio (Foto: Daniel Silveira/G1)
A Polícia Civil ouviu na noite desta sexta-feira (27) um jovem que diz ser responsável pela divulgação, na internet, das imagens da adolescente que denunciou ter sido vítima de estupro coletivo no Rio. Identificado como Raí de Souza, o rapaz, de 22 anos, não estava entre os suspeitos identificados até então pela polícia como envolvidos no caso. "A versão dele aponta que ele filmou e que quando ele comenta que 'trinta passaram aqui' que estava fazendo referência a um funk", disse o delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), que investiga o caso. Raí compareceu à Cidade da Polícia juntamente com Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, jogador de futebol que a adolescente disse à polícia ser seu namorado e com quem ela teria saído na noite anterior ao ocorrido. Segundo o delegado, Lucas negou namorar a garota e Raí foi quem assumiu ter tido relações sexuais com ela.
Raí, que chegou na delegacia acenando para fotógrafos e cinegrafistas, ironizando a "fama" do amigo Lucas, não quis falar com a imprensa. Seu advogado, Claúdio Lúcio, confirmou que ele admitiu ser autor das imagens, mas negou que tenha ocorrido estupro. "Ele falou o quê, tá lá no depoimento dele, que ele realmente tinha filmado, que ele tava falando que 'é dos 30', tentando se vangloriar, mas que realmente não foi ele, que não houve estupro, houve um ato sim, permitido pela suposta vítima", disse o advogado. O advogado que representa Lucas, Eduardo Antunes, também negou que tenha ocorrido estupro. Questionado sobre a citação no vídeo divulgado com as imagens da vítima nua e desacordada de que 30 homens teriam praticado ato sexual com ela, ele também disse se tratar de uma menção a uma música conhecida na comunidade onde o caso ocorreu. “A questão dos 30 foi que existe um rap conhecido na comunidade que exalta um dos personagens lá do local dizendo que ‘o fulano é o cara, engravidou mais de 30’. Foi isso que me foi passado, eu não conheço o teor da música”, disse Eduardo. Além de Raí e Lucas, o delegado Alessandro Thiers ouviu nesta sexta-feira uma garota que disse ter se relacionado sexualmente com Lucas na mesma noite e no mesmo local onde a adolescente e Raí mantiveram relações sexuais. O imóvel, que segundo o delegado é denominado como "abatedouro" [lugar usado para sexo], localizado na comunidade do Morro do Barão, na Zona Oeste do Rio, foi periciado após operação policial na tarde desta sexta.
Novos depoimentos na próxima semana
Segundo Thiers, mais três pessoas serão ouvidas na próxima semana para ajudar a polícia a esclarecer o caso. O delegado, no entanto, não disse qual seria o envolvimento dessas três pessoas e enfatizou o empenho das investigações para elucidar o estupro coletivo. O delegado afirmou que, por enquanto, só é possível afirmar a ocorrência do crime previsto no artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para quem divulga imagens pornográficas envolvendo menores - a pena prevista nestes casos pode ser de até seis anos de prisão. Em coletiva realizada no começo da tarde, no entanto, o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou haver "indícios veementes" de que houve estupro. “Há indícios, veementes, de que de fato houve. Mas a polícia pode afirmar e assinar um documento dizendo que houve? Ainda não. Precisa de um resultado de um laudo, precisa do confronto do laudo com outros depoimentos que ainda não aconteceram. A presunção da polícia não se baseia em ‘ouvi dizer’. Se a polícia se baseasse nisso, três ou quatro deles já estariam mortos como foi amplamente divulgado em vários sites e redes sociais”, declarou Veloso.
Vítima prestou novo depoimento
A adolescente prestou novo depoimento à Polícia Civil na tarde desta sexta-feira (27). De acordo com a delegada Cristiana Bento, da Delegacia de Atendimento a Criança e Adolescente Vítima (DACV), a menina conversou com um psicólogo e prestou depoimento no sistema de "relato livre".
'Esse crime não ficará impune', garante ministro
O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, garantiu na noite desta sexta-feira que o estupro coletivo praticado contra a adolescente não ficará impune. Ao lado dele, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, diz que "falta detalhe jurídico" para pedir prisão de suspeitos de envolvimento no caso. "Nós temos absoluta certeza que esse crime não ficará impune e que todos os envolvidos serão presos e condenados", afirmou Moraes após se reunir com Beltrame no Centro Integrado de Comando e Controle, no Rio.Questionado sobre por quê a Polícia Civil ainda não pediu a prisão dos envolvidos no caso que já foram identificados, Beltrame afirmou que faltam "detalhes jurídicos" para isso. "Se o delegado que preside o inquérito não pediu as prisões, podem ter certeza de que faltou algum elemento que fundamente o pedido", disse o secretário. Beltrame enfatizou o caráter criminoso de todos os envolvidos no caso. "Seja quem praticou o ato ou quem divulgou as imagens, todos são criminosos e serão presos. É preciso sempre reforçar que a adolescente é vítima", destacou. O secretário confirmou uma operação policial foi realizada na tarde desta sexta-feira na região da Praça Seca, em Jacarepaguá, ligada à busca pelos estupradores da jovem, mas não quis dar detalhes da ação. O ministro da Justiça e Cidadania reiterou que o governo do Rio de Janeiro terá todo o apoio do governo federal para investigar o caso. "Coloquei a Polícia Federal à disposição, mas estou certo de que a Polícia Civil tem totais condições de esclarecer esse crime bárbaro, que agride a todos nós", ressaltou Alexandre de Moraes. O ministro também anunciou que se reunirá com todos os secretários estaduais de segurança na próxima terça-feira (31) para estabelecer uma agenda conjunta de combate à violência contra as mulheres e o grande número de homicídios. "Espero que na próxima terça-feira já possamos anunciar a formatação de um departamento de combate à violência contra a mulher no âmbito da Polícia Federal”, disse.
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- Estadão Conteúdo
- 28 Mai 2016
- 08:42h
(Imagem Ilustrativa)
Se o teto para o crescimento dos gastos públicos proposto pelo governo Michel Temer for aprovado pelo Congresso Nacional, as contas públicas só devem começar a registrar superávit no último ano de mandato do próximo presidente da República. E, mesmo com a implementação daquele que pode ser o maior arrocho nas despesas da história do País, o superávit primário (a economia para pagamento dos juros da dívida pública) de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2022 não será suficiente para estabilizar a trajetória da dívida sem um aumento de impostos. Projeções feitas pelo especialista em finanças públicas Rodrigo Orair, do Ipea, apontam que os gastos do governo podem cair quatro pontos porcentuais em dez anos, passando de 19,8% do PIB este ano para 15,8% em 2026. As simulações, que usam como parâmetro a média de estimativas dos analistas do mercado financeiro para crescimento da economia e inflação, sugerem que somente em 2026 o superávit primário chegaria a um patamar mais confortável, de 2,2% do PIB. As previsões usadas foram as do boletim Focus, do Banco Central. “O teto de gastos não é suficiente para conter o endividamento e o aumento da carga tributária será inevitável, mais cedo ou mais tarde. A grande questão é como fazer”, diz Orair. Ele avalia que a proposta apresentada pela equipe do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de limitar o crescimento dos gastos à inflação do ano anterior, é bastante “ousada”, mas de difícil implementação, principalmente pela pressão demográfica com o envelhecimento da população. Ele lembra que o envelhecimento dos brasileiros leva hoje a uma expansão anual de 2% do estoque de beneficiários da Previdência.
(Foto: Daniel Simurro | Brumado Urgente)
A ex-senadora Marina Silva (Rede) afirmou que as recentes revelações que vieram a público com base em gravações telefônicas mostram que PT e PMDB “convergem” no esforço de enfraquecer a Operação Lava Jato. Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 27, na capital gaúcha, ela também voltou a defender a cassação da chapa da presidente da República afastada, Dilma Rousseff, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por entender que há elementos trazidos pela própria Lava Jato que indicam que a eleição de 2014 “foi fraudada” pelo uso de dinheiro oriundo do esquema de corrupção em contratos da Petrobrás. Embora defenda novas eleições, Marina disse que “ainda não sabe” se concorrerá à Presidência pela terceira vez. “As revelações feitas de conversas de parte da cúpula do PT e agora de parte da cúpula do PMDB demonstram que qualquer pessoa que tenha conhecimento mínimo do que está ocorrendo da política brasileira sabe que o ponto em que eles (esses dois partidos) se encontram e convergem na mesma profundidade, na mesma proporção, é no arrefecimento da Lava Jato”, disse. De acordo com Marina, o impeachment não pode ser classificado como golpe porque está previsto na Constituição e porque, segundo ela, houve crime de responsabilidade cometido por Dilma. “Mais de R$ 60 bilhões foram usados em operações de crédito sem autorização do Congresso, sem que nós tivéssemos lastro necessário para essas operações”, relatou. Para a fundadora da Rede Sustentabilidade, no entanto, embora seja um processo legal o impeachment não alcança a finalidade desejada de “passar o Brasil a limpo”, uma vez que mantém o PMDB no poder, na figura do agora presidente em exercício, Michel Temer.
- Último segundo
- 28 Mai 2016
- 07:01h
(Foto: Reprodução)
O estupro coletivo que aconteceu no Rio nesta semana é "o caso mais grave já ocorrido no Brasil", afirmou Samira Bueno, cientista social e diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), organização não governamental (ONG) que formula análises e pesquisa as estatísticas sobre a violência no País.A especialista lembra que, até então, o episódio mais chocante havia sido o das quatro meninas do Piauí. No caso carioca, disse Samira, além da quantidade de agressores, choca o fato de nenhum dos envolvidos ter tentado impedir a violência e "ainda terem postado o vídeo nas redes, se orgulhando do que fizeram".
"O que chama a atenção é a brutalidade em pensar que mais de 30 homens estupraram a adolescente e nenhum deles, em momento algum tentou impedir", disse ela, que ressalta ainda o aspecto cultural da violência. "O estupro está vinculado à cultura machista e misógina, que entende que os homens têm direito de ferir a mulher." As estatísticas das Secretarias de Segurança Pública de todo País, reunidas pelo FBSP, mostram que mulheres de diferentes classes e raças são violentadas, "embora as negras sejam as principais vítimas letais", segundo a cientista social. A vítima do estupro coletivo não é negra. Uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos, segundo estatística recolhida pela FBSP. Como apenas de 30% a 35% dos casos são registrados, é possível que a relação seja "de um estupro a cada minuto", de acordo com Samira. Ao todo, no Brasil 47,6 mil mulheres foram estupradas em 2014, última estatística divulgada. No Estado do Rio, foram 5,7 mil casos. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão vinculado à Secretaria de Segurança do Estado, revelam 507 queixas de estupro na cidade do Rio, neste ano. O número é 24% inferior ao de igual período (janeiro a maio) de 2015, quando houve 670 registros. Na região da 28.ª Delegacia de Polícia, que inclui a Praça Seca, onde aconteceu o estupro coletivo, foram registrados 20 casos em 2016.
Redes
Na quinta-feira (26), as redes sociais foram inundadas de campanhas contra a violência sexual contra mulheres. Fotos de perfis foram cobertas com as frases "Precisamos falar sobre a cultura do estupro" e "Eu luto pelo fim da cultura do estupro". Em outra campanha, a imagem de uma mulher sangrando, pendurada como Jesus à cruz, era disseminada nas redes. Usuários ainda compartilharam mensagens como "Não foram 30 contra 1, foram 30 contra todas. Exigimos justiça!".
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- Último segundo
- 27 Mai 2016
- 19:03h
O estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro que desencadeou um amplo debate sobre a existência de uma cultura do estupro no Brasil ganhou páginas e sites de publicações pelo mundo nesta sexta-feira (27). Órgãos de imprensa de diferentes continentes relataram a investigação do crime e a campanha massiva que tomou as redes sociais no Brasil. "O Brasil encara sua própria crise de Nirbhaya", escreveu o jornal The Times of India, em referência ao episódio de 2012 em que uma estudante indiana foi estuprada por uma gangue em um ônibus em movimento em Nova Déli e morreu em decorrência de graves ferimentos internos. "Com menos de dois meses antes da chegada ao Rio de atletas de ponta e centenas de milhares de amantes do esporte para as Olimpíadas, a reputação da cidade sofreu um sério impacto com um estupro coletivo de uma menina de 16 anos por mais de 30 homens em uma favela da cidade", escreve o jornal.
A publicação descreve um país "completamente sacudido" pela brutalidade do crime, embora ressalte que "crimes sexuais não são incomuns nas favelas onde quadrilhas armadas operam". O jornal faz uma crítica à cobertura do caso pela imprensa brasileira, apontando "silêncio" dos principais meios do país sobre o tema. Afirma ainda que o crime "reviveu memórias" de 2013, quando uma turista americana foi sequestrada por três homens em uma van no Rio e estuprada por oito vezes na frente do namorado francês. "Quando a Índia foi abalada pelo caso Nirbhaya em dezembro de 2012, a grande mídia brasileira cobriu o episódio em detalhes, rotulando a Índia como "lugar perigoso para mulheres". Mas a como mídia aqui continua calada sobre o caso do Rio e outro estupro coletivo registrado no Estado do Piauí na semana passada, está sob duras criticas de todos os lados", escreve o correspondente do jornal em São Paulo, Shobhan Saxena.
Repercussão global
"Brasil chocado enquanto a polícia busca por 30 homens que estupraram menina de 16 anos", é o titulo do texto do Jerusalem Post, de Israel. O jornal cita o debate suscitado pelo "caso chocante" e lembra que o "vídeo do ataque se tornou viral" no Brasil, despertando indignação de usuários de redes sociais que denunciaram o episódio a autoridades. Em versão online, o jornal The Australian mencionou que o ataque veio à tona "logo depois que dois meninos, de 14 e 16 anos, foram filmados sendo torturados e mortos por uma gangue de traficantes de drogas em Niterói". Diz que o aumento na criminalidade no Rio "levantou temores" para os Jogos Olímpicos. O diário The Globe and Mail, do Canadá, diz que o estupro coletivo ocorre em meio a um "amplo cenário daquilo que ativistas estão chamando de um ambiente propício (ao estupro) no Brasil". A publicação destaca que horas antes de o caso virar destaque na imprensa o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), havia mantido uma reunião de alto nível com Alexandre Frota, "um ator e estrela de reality show que já disse que não teria pudores em fazer sexo com uma mulher sem consentimento". Cita também o episódio em que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi condenado a pagar indenização à deputada Maria do Rosário (PT-RS) por ter dito que ela "não merecia ser estuprada". "A reputação de Bolsonaro parece não ter sofrido: uma pesquisa de opinião mostrou que ele é a principal opção para presidente dos 5% de brasileiros mais
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