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- Bahia Notícias
- 29 Jul 2025
- 10:44h
Foto: Lula Marques / Agência Brasil
O tenente-coronel Mauro Cid, delator das investigações que apuram uma suposta trama golpista no país, apresenta nesta terça-feira (29) suas alegações finais ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL), Cid é um dos principais colaboradores do processo que se aproxima da fase decisiva.
Em 14 de julho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, protocolou no STF o parecer final da ação penal que investiga a tentativa de subversão institucional. No documento, o chefe do Ministério Público Federal solicitou a condenação dos réus envolvidos, entre eles o ex-presidente Bolsonaro.
Com a manifestação da Procuradoria-Geral da República, foi aberto o prazo de 15 dias para a apresentação das alegações finais por parte de Mauro Cid, etapa que se encerra nesta terça. Após essa fase, será iniciado o prazo para as alegações finais conjuntas dos demais investigados que integram o chamado núcleo 1 do inquérito, que inclui Jair Bolsonaro.
- Bahia Notícias
- 29 Jul 2025
- 09:09h
Foto: Instagram
A influenciadora digital Deolane Bezerra, a mãe da ex-A Fazenda e a casa de apostas Esportes da Sorte, terão que responder em instância federal sobre a Operação Integration.
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decidiu enviar à Justiça Federal o processo envolvendo a operação que teve além de Deolane, outros influenciadores investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro.
A decisão da juíza Andréa Calado da Cruz, da 12ª vara criminal da capital, se tornou pública na segunda-feira (28), sob alegação de incompetência da Justiça Estadual para seguir com o caso.
Para a magistrada, as investigações trouxeram indícios de evasão de divisas, movimentações financeiras no exterior e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Dias antes, a subprocuradora-geral de Justiça em Assuntos Jurídicos de Pernambuco, Norma Mendonça Galvão de Carvalho, fez um pedido de arquivamento do caso.
O Ministério Público de Pernambuco alega que as apostas esportivas foram legalizadas e pede o arquivamento do caso por não haver "indícios de crime".
- Por Folhapress via BahiaNotícias
- 29 Jul 2025
- 08:13h
Foto: Lula Marques / Agência Brasil
O ministro dos Transportes, Renan Filho, comemorou a aprovação da Nova Lei do Licenciamento Ambiental pelo Congresso, devido à necessidade de acelerar a liberação de obras de infraestrutura, mas também admitiu que vê espaço para eventuais vetos pelo presidente Lula.
Um dos possíveis vetos, segundo ele, poderia ser a autodeclaração de licenciamento, que passou a ser prevista pelo texto da lei. "A proposta pode ser organizada, para que a autodeclaração seja liberada apenas para situações de baixíssimo impacto", disse Renan Filho em entrevista ao C-Level, videocast semanal da Folha de S.Paulo.
O ministro afirmou ainda que as ameaças tarifárias impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não terão impacto sobre os investimentos e concessões na área de infraestrutura no Brasil. O chefe da pasta de Transportes disse que, até o fim do ano, será feito o primeiro leilão de uma nova ferrovia pelo governo Lula.
Os investimentos atuais em infraestrutura, segundo o ministro, chegaram a volume recorde neste ano. O efeito político desses resultados, porém, já não tem a força que tinham no passado. "Você pensa, 'se o investimento hoje é maior, deveríamos estar com uma aprovação maior hoje', mas o mundo mudou muito, não é mais como antes. É um mundo muito mais dividido e polarizado".
O presidente Lula teve queda de popularidade no começo do ano. Há sinais de recuperação, mas a leitura da população parece não refletir esses investimentos que o senhor está citando.
O mundo mudou, não é mais aquele. Veja que a gente está em máxima histórica de investimento em infraestrutura. Você pensa, "se o investimento hoje é maior, nós deveríamos estar com uma aprovação maior hoje", mas o mundo está muito mais dividido e polarizado. O presidente Lula tem tentado ampliar o diálogo e alinhou um argumento forte no que concerne à defesa da justiça tributária. Acho que isso é relevante.
- Bahia Notícias
- 28 Jul 2025
- 14:20h
Foto: Câmara dos Deputados
O deputado federal Níkolas Ferreira (PL-MG) se tornou réu após o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) aceitar a denúncia do Ministério Público que investiga uma "campanha sistemática de desinformação" durante o segundo turno das eleições municipais de 2024. Segundo o processo acolhido pela Justiça eleitoral, a campanha teria o objetivo de prejudicar a imagem de Fuad Noman, ex-prefeito de Belo Horizonte e falecido em março deste ano.
O parlamentar federal e o deputado estadual Bruno Engler (PL) podem ser declarados inelegíveis caso sejam condenados por suposta disseminação de informações falsas contra Noman. O Ministério Público compreendeu que as ações dos réus visavam favorecer Engler, que foi o candidato do PL na corrida eleitoral.
A decisão foi assinada pelo juiz Marcos Antônio da Silva, da 29ª, nesta sexta-feira (25). No texto, ele afirmou que a denúncia do Ministério Público traz detalhes que reforçam que os réus violaram a legislação. Segundo o g1, também são alvos da ação a deputada estadual Delegada Sheila (PL) e Coronel Cláudia (PL), que foi candidata a vice-prefeita na chapa de Engler.
De acordo com o MP, os denunciados participaram de uma campanha organizada de desinformação nos últimos dias da eleição, com o objetivo de influenciar o resultado do segundo turno em Belo Horizonte. As publicações foram feitas em redes sociais, rádio, TV e internet.
O g1 entrou em contato com Nikolas e Sheila, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Engler e Coronel Cláudia disseram que só vão se manifestar nos autos.
A denúncia aponta que os envolvidos distorceram trechos do livro “Cobiça”, escrito por Fuad Noman. A obra traz um relato fictício de abuso, mas os denunciados sugeriram que o texto incentivava o crime. Também acusaram o ex-prefeito de permitir que menores tivessem acesso a conteúdo sexual no Festival Internacional de Quadrinhos de BH. Ambos os episódios foram alvo de decisões da Justiça Eleitoral que classificaram o conteúdo como ilegal.
A participação de Nikolas Ferreira foi considerada central, já que o deputado utilizou seu alcance nas redes sociais para disseminar conteúdo falso e ofensivo, e ainda descumpriu uma ordem judicial que exigia a retirada das postagens com desinformação. As informações são do g1.
- Por Juliana Arreguy | Folhapress
- 28 Jul 2025
- 12:25h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Após um dias de trégua, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a criticar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por tentar encontrar uma solução para o tarifaço de Donald Trump sem envolver a pauta da anistia a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"É hora dos homens tirarem os adultos da sala", escreveu Eduardo nas redes sociais neste domingo (27), a cinco dias do início da aplicação de tarifas de 50% dos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A frase, embora não cite Tarcísio nominalmente, é uma referência à fala do governador durante o evento Expert XP 2025, no sábado (26), no qual Tarcísio disse que sua gestão tem articulado, junto a parlamentares e empresários nos EUA, "de forma profissional, silenciosa, para ver se conseguimos atenuar esses efeitos".
"Quando a gente fala em soberania, a pior agressão à soberania é a divisão interna. A divisão interna é o que enfraquece o país. Então, se a gente não botar a bola no chão, não agir como adulto e não resolver o problema, quem vai perder é o Brasil", disse o governador na ocasião.
A fala de Tarcísio surgiu num contexto de críticas indiretas ao governo Lula (PT). O governador disse que, hoje, há uma tendência de "tirar proveito político de tudo" e que "nunca vamos fortalecer o assalariado prejudicando o empregador" –uma resposta ao "nós contra eles" usado pela gestão petista.
Eduardo observou que a carta de Trump anunciando as tarifas citava suposta perseguição política contra Bolsonaro pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Para o filho do ex-presidente, não há como negociar o tarifaço sem tratar do aspecto político envolvendo seu pai e outros réus investigados pela trama golpista.
"Desconfie de quem se mostra preocupado com a Tarifa-Moraes e não fala dos presos políticos ou crise institucional, ignorando a carta do Trump que é expressa na solução do problema", escreveu ele neste domingo. "Estão te enganando, jogando para a plateia e prolongando o sofrimento de quem dizem defender", acrescentou.
"Na União Europeia ninguém fingiu nos termos ditos por Trump. No Brasil, até hoje, certas autoridades propositalmente dizem não entender as premissas originais das sanções", disse em outra postagem sobre o acordo firmado entre os EUA e o bloco europeu, neste domingo, para reduzir as tarifas de 30% para 15%.
Também neste domingo, ele atacou de forma direta o governador do Paraná, Ratinho Junior, por ter dito que Trump "não pegou o Brasil para discutir esse assunto por causa de Bolsonaro."
"O Bolsonaro não é mais importante que a relação entre Brasil e Estados Unidos", disse o governador paranaense também neste sábado, no mesmo debate que Tarcísio na Expert XP.
"Trump postou diversas vezes citando Bolsonaro, fez uma carta onde falou de Bolsonaro, fez declarações para a imprensa defendendo nominalmente o fim da perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores. Desculpe-me governador Ratinho Jr., mas ignorar estes fatos não vai solucionar o problema, vai apenas prolongá-lo ao custo do sofrimento de vários brasileiros", disse Eduardo.
"Imagino os americanos olhando para este tipo de reação e pensando: o que mais podemos fazer para estas pessoas entenderem que é sobre 'Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores' como expresso na carta, posts e entrevistas de Trump?", continuou o deputado licenciado.
Tarcísio e Ratinho Junior são apontados como possíveis presidenciáveis para 2026, em especial diante de um vácuo aberto no campo da direita com a inelegibilidade de Bolsonaro. Segundo aliados, isso tem levado Eduardo, que também mira o Palácio do Planalto nas eleições do ano que vem, a desferir ataques aos governadores, vistos como adversários e possíveis entraves dentro de seu próprio campo político.
Por intermédio do pai e de aliados, como o ex-apresentador Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, Eduardo havia levantado a bandeira branca e decretado as pazes com o governador.
O deputado passou a criticar Tarcísio após uma série de restrições impostas a ele e a Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica pelo pai, a proibição de contato entre os dois e o bloqueio de contas do parlamentar, que está em autoexílio nos EUA desde março em busca de sanções contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
- Por Guilherme Botacini | Folhapress
- 28 Jul 2025
- 08:23h
Foto: Gabriela Hipólito/Divulgação
As Nações Unidas realizam nesta segunda-feira (28), em Nova York, uma conferência para debater o estabelecimento da solução de dois Estados no Oriente Médio, uma tentativa de fazer avançar as discussões sobre o tema em meio ao recrudescimento da situação humanitária na Faixa de Gaza que, no entanto, deve resultar em poucas medidas concretas.
A conferência é presidida pela França e pela Arábia Saudita, e tem o Brasil na liderança de um dos oito grupos de trabalho estabelecidos, ao lado de Senegal.
Participam também Qatar, Canadá, México, Turquia, Irlanda, Jordânia, Espanha, Indonésia, Itália, Noruega, Japão, Egito, Reino Unido, União Europeia e a Liga Árabe.
O evento estava marcado inicialmente para junho, mas foi suspenso após os ataques de Israel ao Irã, em conflito que durou 12 dias e fechou o espaço aéreo de países da região. Remarcada, a conferência foi rebaixada a nível ministerial.
A conferência se propõe a ser uma plataforma para se chegar a consensos "motivados pelo imperativo de traduzir compromissos em ações concretas e coordenadas". A linguagem diplomática, porém, esconde os obstáculos políticos do evento, que são um reflexo da própria paralisia da ONU para lidar com conflitos ativos no mundo.
Israel, parte afetada pelas discussões, é contrário à realização da conferência sob o argumento de que implementar um Estado palestino após os ataques do Hamas do 7 de Outubro significa premiar a ofensiva terrorista e criar uma plataforma para destruir Israel, nas palavras do premiê Binyamin Netanyahu.
Israel e as Nações Unidas estão em rota de colisão desde o ataque do Hamas e o início da reação de Tel Aviv em Gaza.
As mais recentes rusgas se devem ao fato de que Israel tem contornado o sistema operado pela ONU de ajuda humanitária no território palestino e acusado a organização internacional de se aliar ao Hamas; a ONU rejeita essa acusação e afirma que Israel propositalmente deixa de criar condições para o trabalho humanitário em Gaza, onde a fome e a insegurança alimentar atingem hoje níveis catastróficos.
Os Estados Unidos, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e principal fiador da guerra de Tel Aviv em Gaza, também se opõem à realização da conferência e vão boicotá-la.
"Os EUA se opõem a qualquer passo que reconheceria unilateralmente um suposto Estado palestino, o que adiciona obstáculos legais e políticos significativos à resolução do conflito e poderia coagir Israel durante a guerra, consequentemente dando apoio a seus inimigos", diz Washington em telegrama diplomático visto pela agência Reuters ainda em junho.
A admissão de um novo Estado-membro nas Nações Unidas passa pela aprovação de sua recomendação pelo Conselho de Segurança, no qual os EUA têm poder de veto, antes de ser aprovado pela Assembleia-Geral.
Apesar das limitações práticas da conferência, o evento indica os objetivos dos países participantes, em particular dos que a presidem, França e Arábia Saudita.
Nesta quinta-feira (24), o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que seu país vai reconhecer o Estado palestino, um movimento há meses antecipado e que só será formalmente anunciado em setembro, durante a próxima Assembleia-Geral da ONU.
Neste mês, o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, deixou claro que a conferência se conecta a esse objetivo. "A meta [da conferência] é rascunhar como será a Gaza no pós-guerra e preparar o reconhecimento de um Estado palestino pela França e outros países que vão buscam essa abordagem", disse Barrot.
A articulação de Paris almeja um duplo movimento: países árabes condenarão o Hamas e pedirão seu desarmamento pela primeira vez na conferência, uma medida desenhada para atrair mais países europeus a reconhecerem o Estado palestino, de acordo com o chanceler francês.
"Pela primeira vez, países árabes condenarão o Hamas e pedirão seu desarmamento, o que selará seu isolamento definitivo. Os países europeus, por sua vez, confirmarão sua intenção de reconhecer o Estado da Palestina. Metade dos países europeus já o fizeram, todos os outros estão considerando", disse Barrot em entrevista ao semanário Le Journal du Dimanche.
Mais de 140 países já reconhecem um Estado palestino atualmente, incluindo o Brasil e vários países europeus, como Espanha, Noruega e Irlanda.
A França, no entanto, importante aliado de Israel principalmente nas primeiras décadas do estabelecimento do Estado judeu —e que abriga as maiores comunidades judaicas e árabes da Europa— é o primeiro país do G7 a tomar esse passo.
A realização da conferência foi aprovada pela Assembleia-Geral da ONU em dezembro de 2024.
Na ocasião, a resolução foi aprovada com 157 votos favoráveis, incluindo do Brasil, e 8 contrários (Argentina, Hungria, Israel, Micronésia, Nauru, Palau, Papua-Nova Guiné e Estados Unidos), além de 7 abstenções (Camarões, República Tcheca, Equador, Geórgia, Paraguai, Ucrânia e Uruguai).
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- Por Ranier Bragon, Raphael Di Cunto, Victoria Azevedo | Folhapress
- 27 Jul 2025
- 12:07h
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Os cinco partidos de centro e de direita que integram a coalizão de Lula (PT) pretendem aguardar os reflexos políticos da crise em torno da sobretaxa anunciada por Donald Trump e do recente cerco de Alexandre de Moraes a Jair Bolsonaro (PL) para avaliar se recalibram a rota prevista para as eleições de 2026.
Apesar de a maioria ressaltar que ainda é cedo para movimentações mais contundentes, há avaliação entre alguns deles de que Bolsonaro, parentes e aliados mais ferrenhos estão por ora em situação de isolamento. Essa leitura, no entanto, não significa que o grupo tenha se inclinado a seguir no barco lulista.
A percepção de congressistas desse campo é que não há garantias de que Lula conseguirá uma recuperação robusta de popularidade. Por isso, alguns desses partidos mantêm no radar um plano de desembarque, embora haja discordâncias internas sobre a melhor data para deixar o governo.
Na avaliação desse grupo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sofreu arranhões no episódio das tarifas —a imagem com o boné Maga (Make America Great Again), símbolo do trumpismo, é citada como deletéria para seus intentos eleitorais—, mas ainda é a opção número 1 do centrão para enfrentar Lula em 2026.
Lideranças ouvidas pela reportagem reconhecem que não devem fazer nenhum movimento neste momento, justamente para evitar respingos pelas críticas que o bolsonarismo recebeu com o caso da sobretaxa.
Um cardeal do centrão diz que, por outro lado, com o bolsonarismo fragilizado, o grupo terá mais poder de influenciar quem será o candidato da direita em 2026. Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica por ordem de Moraes e não pode se manifestar nas redes sociais.
Tudo o que o grupo mais quer é uma candidatura que seja apoiada pelos Bolsonaros, mas que não tenha o sobrenome da família na cabeça de chapa.
Enquanto o quadro não se define na direita, os partidos se posicionam para entrar no ano eleitoral. União Brasil e PP devem oficializar a formação da federação União Progressista em evento previsto para o dia 19 de agosto. Integrantes das duas siglas dizem que esse é o primeiro passo para discutir se os partidos permanecerão ou não na Esplanada dos Ministérios de Lula.
"Logo depois, eu vou propor que os partidos e suas bancadas se reúnam e proíbam qualquer membro do partido de participar desse governo", disse o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), em entrevista à Jovem Pan na segunda-feira (21).
Apesar de lideranças defenderem o desembarque ainda neste ano, há nomes influentes nos dois partidos que avaliam não ser o momento adequado. Essas siglas possuem juntas quatro ministérios, além do comando da Caixa Econômica Federal e de estatais.
Na Esplanada, o PP tem o Ministério dos Esportes, chefiado pelo deputado licenciado André Fufuca (MA), e o comando da Caixa —apesar de deputados e senadores afirmarem que a chefia do banco é uma indicação do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL) e não do partido.
O União Brasil comanda os ministérios do Turismo, com o deputado licenciado Celso Sabino (PA), do Desenvolvimento Regional, com Waldez Goés, e das Comunicações, com Frederico de Siqueira Filho. Esses dois últimos foram indicações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Há uma avaliação de que o rompimento com o governo poderia gerar desconforto nas próprias bancadas, já que deputados e senadores têm indicações em cargos federais nos estados.
Integrantes dos dois partidos contrários ao desembarque imediato atribuem a pressão a Ciro Nogueira e ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Eles defendem adiar essa decisão para abril, para que o cenário eleitoral fique mais claro. Esse é o prazo também para que os ministros que serão candidatos deixem os cargos.
Ciro Nogueira tem o objetivo de ser vice em eventual chapa presidencial de Tarcísio. Na quinta-feira (24), ele publicou em suas redes sociais que espera o dia em que o Brasil terá um presidente "da estatura de Bolsonaro ou Tarcísio".
Do lado do governo, a avaliação é que há muita espuma nos discursos do centrão, mas que a leve recuperação da popularidade de Lula, caso se consolide e progrida, pode melhorar o cenário para o Palácio do Planalto.
Integrantes do centrão avaliam que Lula ganhou fôlego, primeiro, com a campanha de defesa de menos impostos para os pobres e mais para os mais ricos. Depois, com a repercussão da ameaça de sobretaxa de Trump, o que deixou bolsonaristas na defensiva e chamuscou Tarcísio, que teve que modular seu discurso no decorrer da crise, sendo alvo de fogo amigo dentro do bolsonarismo.
Dois líderes do PSD dizem que a interferência de Trump pode ser um elemento adicional para fazer Tarcísio recuar e disputar a reeleição em São Paulo, deixando a chapa presidencial encabeçada por um nome da família Bolsonaro.
Já um deputado do Republicanos que, há duas semanas, dava o governo como acabado agora afirma que Lula se recuperou, e que os partidos cogitam adiar o desembarque para esperar o cenário ficar mais claro.
Um auxiliar de Lula ressalta que ameaças desses partidos de entregar os cargos se arrastam há meses e que não há qualquer informe nesse sentido, por enquanto.
O Palácio do Planalto reconhece que o apoio formal dessas siglas na eleição é muito improvável e trabalhará para que as legendas que hoje ocupam cargos na Esplanada fiquem neutras nas eleições do próximo ano, sem apoiar formalmente a candidatura do campo bolsonarista.
A ideia é também investir no apoio regional de lideranças desses partidos, como já ocorreu na eleição de 2022. O possível rompimento do União Brasil, por exemplo, não significará o afastamento de Davi Alcolumbre, visto no governo como o principal aliado na legenda.
Nesse contexto, parte dos lulistas defende que a vice-presidência, hoje ocupada por Geraldo Alckmin (PSB), possa entrar nas negociações. O cargo serviria para tentar atrair o apoio do MDB, já que há fortes lideranças do partido vinculadas ao governo, em especial o governador do Pará, Helder Barbalho.
Mas, entre os emedebistas, o discurso é de que um apoio formal do partido no primeiro turno só ocorrerá com uma grande recuperação da popularidade de Lula, que torne o presidente favorito e diminua a forças das alas oposicionistas.
Além disso, o tarifaço de Trump ampliou a exposição de Alckmin e voltou a fortalecer alas que defendem sua permanência como vice de Lula também em 2026.
- Bahia Notícias
- 27 Jul 2025
- 10:04h
Foto: Divulgação via Bahia Notícias
A Justiça Federal no Acre decidiu suspender, de forma provisória, uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que estabelecia restrições ao atendimento médico de pessoas trans. A medida foi tomada após um pedido do Ministério Público Federal (MPF).
Publicada em abril, a norma proibia o uso de bloqueadores hormonais em crianças e adolescentes trans, vetava o início da terapia hormonal antes dos 18 anos e elevava para 21 anos a idade mínima para cirurgias com efeito esterilizante. Além disso, a regra previa a criação de um cadastro nacional com dados de pacientes trans.
O juiz federal Jair Araújo Facundes, responsável pela decisão, destacou que o CFM não consultou profissionais de outras áreas da saúde, como psicologia e serviço social, nem ouviu a sociedade civil antes de publicar a norma. Para ele, mudanças desse tipo exigem debates mais amplos.
O magistrado também afirmou que a regra viola direitos constitucionais, como o acesso à saúde, a privacidade e a liberdade de escolha. Segundo ele, qualquer restrição à autonomia das pessoas deve ser fundamentada em justificativas claras e bem embasadas.
A decisão tem caráter provisório e mantém a suspensão da norma até que haja uma análise mais aprofundada do caso.
- Bahia Notícias
- 26 Jul 2025
- 12:44h
Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil
Representantes de movimentos sociais, partidos políticos, juristas, universidades, centrais sindicais e organizações da sociedade civil realizaram nesta sexta-feira (25) ato em defesa da soberania nacional. O evento foi realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, no centro da capital paulista.
Segundo a Agência Brasil, um manifesto foi lido durante o ato com as críticas às tentativas de intervenção na democracia brasileira. O ato ocorre diante das tarifas impostas aos produtos brasileiros pelo presidente do Estados Unidos, Donald Trump, sob a justificativa de que o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), estaria sofrendo perseguição no país.
O manifesto, assinado pelas organizações participantes do ato, repudia qualquer "forma de intervenção, intimidação ou admoestação" com objetivo de intimidar ou ameaçar o país.
"Intromissões estranhas à ordem jurídica nacional são inadmissíveis. Neste grave momento, em que a soberania nacional é atacada de maneira vil e indecorosa, a sociedade civil se mobiliza, mais uma vez, na defesa da cidadania, da integridade das instituições e dos interesses sociais e econômicos de todos os brasileiros", diz a carta.
O documento destaca ainda que legislação brasileira permite a todos os acusados o direito à ampla defesa e que os processos são julgados com base em provas, "e as decisões são necessariamente motivadas e públicas".
"Exigimos o mesmo respeito que dispensamos às demais nações. Repudiamos toda e qualquer forma de intervenção, intimidação ou admoestação, que busque subordinar nossa liberdade como nação democrática. A nação brasileira jamais abrirá mão de sua soberania, tão arduamente conquistada".
Mais de 100 entidades assinaram o manifesto.
- Por Adrielly Souza | Folhapress
- 26 Jul 2025
- 10:30h
Foto: Reprodução via Bahia Notícias
O público da 15ª edição da Expert XP 2025, realizada em São Paulo, teve uma noite incomum nesta sexta-feira (25): foi Arnold Schwarzenegger quem subiu ao palco como uma das atrações principais do evento.
Aos 77 anos, o astro de Hollywood, ex-fisiculturista e ex-governador da Califórnia compartilhou reflexões sobre liderança, saúde e superação pessoal, além de momentos bem-humorados sobre a própria trajetória.
Durante sua palestra, Schwarzenegger abordou a importância da disciplina como ferramenta para transformar sonhos em metas concretas. "Disciplina é o alicerce de qualquer sucesso", afirmou ele, que também destacou o valor de se manter motivado mesmo diante de obstáculos. O discurso incluiu ainda trechos sobre liderança inspiradora e o impacto de decisões consistentes ao longo da vida.
Apesar do foco motivacional, Schwarzenegger também se permitiu brincar com a vida pessoal. Ele relembrou uma situação recente envolvendo seu filho Patrick Schwarzenegger, ator da série "The White Lotus", da HBO. Em entrevista ao canal Actors on Actors, da Variety, Arnold contou ter se surpreendido ao ver o filho em uma cena de nudez.
"Eu estava assistindo e, de repente, vejo a bunda dele. Pensei: 'O que está acontecendo aqui? Isso é loucura'", relatou, entre risos. Ainda assim, ele reconheceu que já esteve na mesma posição no passado. "Depois pensei: 'Arnold, olá! Você fez o mesmo em Conan e O Exterminador do Futuro. Então não reclame'."
- Por Bianca Andrade I Bahia Notícias
- 25 Jul 2025
- 18:23h
Foto: Divulgação I via Bahia Notícias
O cantor Wesley Safadão teve a apresentação que seria realizada no 16º Festival Internacional da Cana-de-Açúcar, na cidade de Pindoretama, no Ceará, suspensa pela Justiça após um pedido feito pelo Ministério Público do estado.
A decisão, que surpreendeu o público, se deu pela necessidade do município de investir recursos na saúde e educação.
Previsto para acontecer a partir do dia 24 de julho até o dia 27 de julho no estádio Costão, a festa, que tinha um investimento previsto de R$ 1.690.000,00, para contratar cinco atrações Safadão, Taty Girl, Forró Real, Gil Mendes e Tito.
"O investimento representa valores desproporcionais considerando o atual quadro dos serviços públicos prestados à população, inclusive em áreas como saúde e educação. A Promotoria de Justiça de Pindoretama tem procedimentos instaurados por irregularidades na estrutura física, hidráulica e elétrica de escolas, creches, hospitais e Unidades Básicas de Saúde de Pindoretama, o que torna os serviços públicos precários e demanda investimentos de recursos por parte da Prefeitura", diz a nota publicada no site do MP-CE.
De acordo com o Ministério Público, a Justiça determinou a intimação da Prefeitura para que adote todas as providências necessárias para a imediata suspensão dos shows e dos serviços para a realização do evento, incluindo a divulgação de cancelamento da festa, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil em caso de descumprimento da liminar.
- Por Ranier Bragon | Folhapress
- 25 Jul 2025
- 16:48h
Foto: Marcelo Camargo / EBC
Com base nas atuais regras da Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não perderá o mandato em 2025 por excesso de faltas mesmo que deixe de comparecer sem justificativa a todas as sessões até o fim do ano.
A permanência no mandato mesmo com o filho de Jair Bolsonaro vivendo nos Estados Unidos —e sem data para voltar— está amparada em Ato da Mesa de 2017 e também em posicionamento manifestado pela Câmara após ser questionada pela Folha.
A Constituição estabelece em seu artigo 55 que perderá o mandato o deputado ou o senador que faltar a um terço das sessões ordinárias do ano, salvo licença ou missão oficial.
No caso de Eduardo, a Câmara registra que até o momento ele faltou a 21% das sessões deliberativas de 2025 (4 de 19), no período em que estava no exercício do mandato —ele se licenciou de 20 de março até o último sábado (19) para tratar de interesses particulares.
O Ato da Mesa 19/2017, que regulamenta a contabilização de faltas para efeito de cumprimento da determinação constitucional, estabelece que a Mesa da Câmara analisará a partir de 5 de março de cada ano relatório de frequência elaborado pela área técnica com a assiduidade dos deputados no ano anterior.
Com o documento em mãos, o presidente da Câmara designa um membro da Mesa para relatar eventuais casos passíveis de cassação por falta, com direito a ampla defesa.
Ou seja, por essas regras, a checagem formal das faltas de Eduardo Bolsonaro em 2025 só será feita a partir de 5 de março de 2026.
O Ato da Mesa 19/2017 foi usado pela Câmara recentemente para determinar a perda do mandato do deputado Chiquinho Brazão (RJ) em abril deste ano. A decisão se baseou nas faltas de 2024 contabilizadas em nome do parlamentar, que fora preso em março daquele ano sob acusação de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em 2018.
O Regimento Interno da Câmara prevê em seu artigo 240 que qualquer deputado ou partido pode, sem uma data definida, provocar a Mesa da Câmara a declarar a perda do mandato de deputado por faltas. Estabelece, entretanto, que isso deve ser feito "consoante procedimentos específicos estabelecidos em Ato" e mediante "ampla defesa" do acusado.
Questionada pela reportagem sobre em qual momento é possível o início da análise pela Mesa de eventual pedido de cassação relativo a faltas, a assessoria de imprensa da Câmara afirmou que isso só pode ocorrer no fim do ano Legislativo, a partir de 23 de dezembro.
"[Nesta data] já se torna possível contabilizar essas eventuais faltas, cujo cálculo é feito a partir da contagem das sessões deliberativas nas quais o deputado está no exercício do mandato", disse a assessoria, ressaltando que as sessões não são contadas para efeito de falta se o parlamentar estiver de licença médica ou para tratar de assunto particular.
Eduardo Bolsonaro e a família estão nos Estados Unidos desde o primeiro trimestre. O parlamentar diz atuar diretamente junto ao governo de Donald Trump em busca de sanções contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Trump anunciou neste mês tarifas de 50% contra o Brasil, a serem implementadas a partir de 1º de agosto, alegando, entre outras coisas, uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro. Depois, o seu governo anunciou a proibição da entrada nos Estados Unidos de Moraes e seus "aliados na corte".
A reportagem não conseguiu contato com Eduardo Bolsonaro nesta quinta-feira (24).
Em recente live, Eduardo afirmou que não renunciará ao mandato e que, se quiser, consegue manter seu mandato "pelo menos até os próximos três meses".
O parlamentar disse em suas redes sociais que Moraes bloqueou suas contas e de sua mulher, mas que se preparou para este momento e não vai recuar.
Integrantes do PL dizem ter em mãos uma série de medidas a serem tomadas para manter o mandato de Eduardo Bolsonaro.
Entre as hipóteses cogitadas está a de licença médica, para tratamento por abalo psicológico, por exemplo. O regimento da Câmara, porém, determina que a concessão dessa licença exige "laudo de inspeção de saúde firmado por três integrantes do corpo médico da Câmara com a expressa indicação de que o paciente não pode continuar no exercício ativo de seu mandato".
O PL também diz ter a intenção de questionar aspectos regimentais e formais das regras estabelecidas pela Câmara para a determinação de cassação. Entre outros pontos, o entendimento clássico de que o termo "sessão legislativa" presente na determinação constitucional se refere ao ano legislativo.
O partido diz entender que a expressão pode significar a legislatura como um todo, quatro anos, o que ampliaria consideravelmente o número de faltas permitidas aos deputados.
- Bahia Notícias
- 25 Jul 2025
- 12:04h
Foto: Marcelo Camargo / EBC
O general da reserva do Exército, Mário Fernandes, admitiu em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) ser o autor do documento intitulado "Punhal Verde e Amarelo", que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro Alexandre de Moraes. Durante seu depoimento nesta quinta-feira (24), Fernandes afirmou que o conteúdo não passava de um "pensamento digitalizado", uma análise pessoal sobre o cenário político pós-eleitoral que ele teria feito por conta própria. O
O general, que foi secretário-executivo da Secretaria-Geral de Jair Bolsonaro (PL), declarou que o texto foi impresso no Palácio do Planalto, onde trabalhava na época, mas garantiu que o documento foi destruído logo em seguida e não foi compartilhado com ninguém.
“É um arquivo digital. Nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilado de dados, um estudo de situação meu, uma análise de riscos que eu fiz e, por costume próprio, resolvi digitalizar. Não foi mostrado a ninguém, não foi compartilhado com ninguém. Hoje me arrependo de ter digitalizado isso”, declarou o general ao STF.
Segundo a Polícia Federal, o plano teria sido elaborado em novembro de 2022, logo após a vitória de Lula nas eleições presidenciais, e discutido por militares na residência do general Braga Netto, ex-ministro Bolsonaro e então candidato a vice-presidente na chapa derrotada. As investigações da Operação Contragolpe apontam que o documento incluía detalhes sobre uma possível tentativa de golpe de Estado, com a eliminação física do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.
Durante seu depoimento, Fernandes também mencionou que membros do entorno do ex-presidente Bolsonaro discutiam a elaboração de um decreto com justificativas que poderiam servir de base para uma intervenção do Poder Executivo sobre os outros Poderes. O general afirmou ter questionado o general Marcos Antonio Ramos, assessor de Bolsonaro, sobre a legalidade dessas discussões, insistindo que qualquer ação deveria se manter "dentro da Constituição Federal, não acima".
Fernandes também defendeu o ex-presidente, afirmando que Bolsonaro sempre buscou agir dentro dos limites da legalidade.
O general Mário Fernandes é réu no núcleo 2 do inquérito que investiga as tentativas de golpe após as eleições de 2022. O caso continua em andamento no STF, com os ministros analisando novas provas e depoimentos para determinar se o chamado "Punhal Verde e Amarelo" foi apenas um exercício teórico ou parte de um plano mais amplo contra a democracia brasileira.
- Por Edu Mota, de Brasília
- 25 Jul 2025
- 10:54h
Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias
Depois de quatro meses de queda, o indicador que revela a prévia da inflação oficial brasileira voltou a subir no mês de julho. É o que mostra o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta sexta-feira (25) pelo IBGE.
De acordo com o indicador, a prévia da inflação de julho apresentou alta de 0,33%, após o índice de 0,26% registrado em junho. Apesar da subida, o resultado de julho ainda está menor do que o verificado em maio, que foi de 0,36%.
No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,40% e, nos últimos 12 meses, a variação foi de 5,30%, acima dos 5,27% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2024, a taxa havia sido de 0,30%.
O índice apurado neste mês ficou mais alto também do que o verificado em julho do ano passado, quando o IPCA-15 foi de 0,30%. Na série histórica, esse patamar de 0,33% é o maior em um mês de julho desde 2021.
Segundo o IBGE, a maior variação de preços em julho veio do grupo Habitação, com 0,98%. Além de Habitação, quatro dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta no mês de julho: Transportes (0,67%), Despesas pessoais (0,25%), Saúde e cuidados pessoais (0,21%) e Comunicação (0,11%).
Por outro lado, os grupos de Alimentação e bebidas (-0,06%), Artigos de residência (-0,02%) e Vestuário (-0,10%) mostraram variação negativa, enquanto Educação (0,00%) teve variação nula.
Responsável pela maior variação e o maior impacto no índice, o grupo Habitação mostrou desaceleração em relação a junho, quando subiu 1,08%. O aumento de 3,01% nos preços da energia elétrica residencial contribuiu para o resultado do grupo.
Já o grupo Transportes apresentou aceleração de junho (0,06%) para julho (0,67%). A alta foi impulsionada pelas passagens aéreas (19,86%) e pelo transporte por aplicativo (14,55%).
Por outro lado, os combustíveis recuaram 0,57% em julho, com quedas nos preços do gás veicular (-1,21%), do óleo diesel (-1,09%), do etanol (-0,83%) e da gasolina (-0,50%).
Em Saúde e cuidados pessoais (0,21%), o subitem plano de saúde subiu 0,35%, consequência da incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No caso dos planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 6,06%, valendo a partir de maio de 2025 e cujo ciclo se encerra em abril de 2026, enquanto para aqueles contratados antes da Lei, os percentuais autorizados foram de 6,47% e 7,16%, dependendo do plano.
A queda de preços de Alimentação e bebidas (-0,06%) em julho foi a segunda seguida. Em junho, esse grupo recuou 0,02%. A alimentação no domicílio teve redução de 0,40% nos preços em julho, ante a variação de -0,24% observada em junho. As quedas da batata-inglesa (-10,48%), da cebola (-9,08%) e do arroz (-2,69%) impactaram o resultado. No lado das altas, destacou-se o tomate (6,39%), depois da queda de 7,24% no mês anterior.
Em relação à alimentação fora do domicílio, ocorreu aceleração de junho (0,55%) para julho (0,84%), em virtude dos aumentos do lanche (de 0,32% em junho para 1,46% em julho) e da refeição (de 0,60% em junho para 0,65% em julho).
A respeito dos índices regionais, a maior variação foi registrada em Belo Horizonte (0,61%), por conta das altas da gasolina (4,49%) e da energia elétrica residencial (3,89%). Já o menor resultado ocorreu em Goiânia (-0,05%).
A cidade de Salvador foi a terceira entre todas as capitais com o menor resultado para julho, com IPCA-15 de 0,15%. Enquanto a média nacional subiu de 0,26% para 0,33% em julho, a capital baiana teve movimento inverso, com uma forte queda de 0,42% em junho para 0,15% em julho.
No ano, a inflação medida pelo IPCA-15 em Salvador está em 3,29%, menor do que a média nacional de 3,40%. E no indicador da prévia da inflação dos últimos 12 meses, a capital baiana aparece com média também menor do que a média nacional (4,90% na Bahia contra 5,30% em todo o Brasil).
- Por Douglas Gavras | Folhapress
- 25 Jul 2025
- 08:01h
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Enquanto o Brasil trava uma guerra com o governo dos Estados Unidos para evitar a alta de tarifas de importação, a Argentina aumentou em 55,4% a compra de produtos brasileiros no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 9,1 bilhões.
De janeiro a junho, os brasileiros venderam aos vizinhos do sul, principalmente, veículos de passageiros (21,6%), autopeças e acessórios (9,7%) e veículos para transporte de mercadorias (6,4%).
Mas mesmo em produtos tradicionais do país, como a carne bovina, a entrada de itens brasileiros escalou: era de cerca de US$ 1 milhão no primeiro semestre do ano passado e passou a US$ 22,9 milhões em igual período deste ano.
Os dados são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), parte deles compilada pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
No caso da carne, em volume, a participação do produto brasileiro no mercado vizinho ainda é pequena e não ameaça a produção local. A carne bovina fresca, refrigerada ou congelada equivale a 0,25% de toda a cesta de exportações.
Parte das compras foi feita por frigoríficos estrangeiros que operam no país, e a carne sempre foi importada por eles, mas era usada principalmente na composição de produtos processados, como hambúrgueres. Em 2025, um percentual da importação passou a ser destinado também a cortes, de acordo com representantes do setor na Argentina.
"É algo insólito, no país da carne e do churrasco, agora estamos importando esse tipo de alimento do nosso vizinho Brasil", diz um apresentador do canal de TV Crónica, em um programa de maio. "É mais barato importar do que produzir aqui."
Segundo a imprensa local, em cidades da Patagônia, no sul do país, o quilo da carne brasileira em março chegava a 9.000 pesos argentinos, enquanto a carne argentina custava 22 mil.
"Dependendo do supermercado, a gente encontra pão fatiado brasileiro ou leite uruguaio por preços melhores do que os locais", conta a dona de casa Nérida Arsas, 69, moradora de Buenos Aires.
Do outro lado do balcão, no primeiro semestre, os brasileiros compraram US$ 6,2 bilhões em produtos argentinos (alta de 1,6%), o que levou a balança a um superávit de US$ 3 bilhões a favor do Brasil. E não é que as relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o argentino Javier Milei tenham ficado mais calorosas.
De forma geral, a Argentina passou a comprar bem mais do exterior em 2025. Apenas no primeiro trimestre, as importações chegaram a 32% do PIB (Produto Interno Bruto), a maior porcentagem em 135 anos, de acordo com um relatório da consultoria Argendata. Esse cálculo também inclui os gastos de viagens de turistas no exterior.
O documento aponta alguns principais fatores para esse movimento, como a abertura comercial, com a redução de tarifas e desregulamentações, o que facilitou a entrada de produtos estrangeiros. Isso foi percebido das compras em sites de e-commerce estrangeiros ao setor de autopeças.
A valorização do peso argentino em relação ao dólar também tornou os bens importados mais acessíveis, além de aumentar o turismo ao exterior, inclusive as viagens de curta duração para compras em cidades de fronteira, por exemplo, com Brasil, Chile e Paraguai. Além disso, a queda da inflação tornou mais previsível os contratos de compra de insumos e bens importados.
O economista Santiago Bulat, professor da IAE Business School e sócio-diretor da Invecq Consultoria, pondera que a venda de produtos importados pela Argentina vinha de um patamar muito baixo em 2024, na fase mais dura do choque provocado pelas medidas de Milei.
"As importações caíram significativamente no ano passado, as empresas ainda tinham muitas dívidas de importações antigas e a atividade econômica cresceu fortemente nos primeiros meses deste ano, embora agora pareça estar mais estagnada", diz. Ele acrescenta que em julho o nível de importações vem diminuindo.
Ainda assim, a taxa de câmbio, que, ganhou alguma competitividade nas últimas semanas, permanece em um patamar baixo e acessível, complementa Bulat. "E, com a abertura feita pelo governo, setores como têxtil, eletrodomésticos e automotivo, entre outros, estão competindo com produtos do exterior."
Ainda que o ambiente macroeconômico tenha se estabilizado, o aumento de importações trouxe efeitos distintos para as empresas argentinas, sobretudo as de pequeno e médio porte, com muitas delas deixando de ser competitivas. Mais de 11% das empresas exportadoras pararam de vender ao exterior devido à perda de competitividade e 41,3% das PMEs notaram quedas nas vendas internas.
A IPA (associação de pequenas e médias empresas argentinas) alerta que as medidas de incentivo às importações, embora tenham reduzido preços, não foram acompanhadas por políticas que protejam as PMEs, resultando em um aumento do desemprego em setores como o têxtil e o metalúrgico.
"Por enquanto, esse aumento das importações da Argentina parece sustentável até o fim do ano, embora sem uma reforma tributária forte, alguns setores sofrerão mais do que outros, porque a carga de impostos (especialmente os provinciais) prejudica a competitividade dos produtos fabricados aqui", complementa Bulat.