BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"

Mais de 700 moradores de duas cidades de MG são retirados da região por risco em barragens

  • Terra
  • 08 Fev 2019
  • 11:36h

Foto: Globocop

 Cerca de 500 moradores do município de Barão de Cocais, a 80 km de Belo Horizonte, foram retirados de suas casas na manhã desta sexta-feira, 8, depois que soou uma sirene que monitora a barragem da Vale. A informação é da Prefeitura da cidade e surge duas semanas após o rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão de Brumadinho, que deixou mais de 150 mortos e cerca de 180 desaparecidos.O Corpo de Bombeiros afirmou que também foram acionadas sirenes na cidade de Itatiaiuçu e moradores do distrito de Pinheiros foram deslocados em razão do risco de rompimento da barragem que pertence à mineradora ArcelorMittal. O coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais coronel Flávio Godinho, afirmou hoje, 8, que as minas em Barão de Cocais e Itatiaiçu foram paralisadas. "As operações nas duas minas estão temporariamente suspensas e só retomarão as atividades após as empresas Vale e ArcelorMittal apresentarem os laudos comprovando a estabilidade das barragens". As informações foram repassadas pelo governo de Minas. Em nota no Facebook, a Prefeitura de Barão de Cocais informou que diante de observações e monitoramentos realizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), Defesa Civildo Estado e do município, e pela empresa Vale, foi acionado o Nível 2 de risco na barragem Sul Superior da Mina do Gongo Soco. A informação até esse instante é de um desnível na estrutura. "Por esse motivo, seguindo as recomendações repassadas pelos entes responsáveis e pela mineradora, os moradores da comunidade do Socorro e adjacências estão sendo evacuados neste momento por ônibus da Vale e demais veículos de apoio." A Prefeitura de Barão de Cocais ressalta que o procedimento está sendo realizado por precaução. Conforme a administração municipal, os moradores estão sendo encaminhados ao ginásio poliesportivo da cidade. De acordo com um comunicado da Vale, a retirada de pessoas foi determinada depois que a ANM foi informada pela mineradora que ela estaria dando início ao nível 1 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM). A nota ressalta ainda que a decisão é preventiva e foi tomada após a empresa de consultoria Walm negar a Declaração de Condição de Estabilidade à estrutura. Os deslocamentos começaram durante a madrugada e abrangem comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras, todas em Barão de Cocais. A Vale informou que está intensificando as inspeções na barragem Sul Superior como medida de segurança e implantado equipamentos com capacidade de detectar movimentações milimétricas na estrutura. Moradores de bairro de Itatiaiuçu são retirados de região após tocar sirene.Cerca de 200 pessoas do bairro de Pinheiros, em Itatiaiuçu, a 80 quilômetros de Belo Horizonte (MG), foram retiradas de suas casas por volta das 4h desta sexta-feira, e levadas para um hotel, após soar a sirene que monitora a barragem de rejeitos de Serra Azul da empresa ArcelorMittal no município. Segundo o sargento Leandro Faria, do 2º Pelotão de Bombeiros de Itaúna, que fica a 32 quilômetros de Itatiaiuçu, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 2h, por medida de precaução após riscos estruturais da mina. A mina de Serra Azul produz 1.2 milhões de toneladas de concentrado e minério granulado. A barragem de rejeitos, que é do tipo à montante - mesmo modo de construção das que romperam em Mariana e Brumadinho -, está desativada desde outubro de 2012. De acordo com o Corpo de Bombeiros, se houver o rompimento da barragem, os rejeitos podem atingir a BR-381, que liga Belo Horizonte a São Paulo e o Rio Manso. Em nota, a ArcelorMittal informou que a medida foi de precaução, visto que a comunidade se situa a 5 km de distância da barragem. A empresa concluiu que não se pode correr absolutamente "nenhum risco, e que, apesar do transtorno para a comunidade, esta é a decisão correta". Segundo o presidente da empresa no Brasil, Benjamin Baptista, ainda não há previsão de retorno das famílias retiradas do local. "Pedimos desculpas à comunidade local pelo transtorno. Procuraremos retornar as pessoas para suas casas o tão logo possível, embora à esta altura não seja possível dizer quando será", disse em nota. Segundo a empresa, os membros da comunidade permanecerão acomodados no novo local enquanto testes adicionais estão em andamento e até que a segurança da barragem de rejeitos possa ser 100% garantida.

Geólogo da Vale diz que sensor de barragem reportou 'anormalidade' 15 dias antes do rompimento

  • 08 Fev 2019
  • 10:33h

Foto: Carlos Eduardo Alvim

O blog obteve os depoimentos à Polícia Federal dos três funcionários da Vale que na tarde desta quinta-feira (7) deixaram o presídio Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Eles estavam presos desde 29 de janeiro devido ao rompimento da barragem número 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho. Todos saíram com as cabeças cobertas por peças de roupa e entraram em carros que os esperavam na frente da cadeia. Rodrigo Artur Gomes de Melo, Ricardo de Oliveira e Cesar Augusto Paulino Grandchamp prestaram depoimento no último dia 31. Deles, o que tinha mais informações sobre a situação da barragem era o geólogo Cesar Grandchamp. Ele explicou o problema ocorrido em junho de 2018, já citado em depoimentos de outros envolvidos na operação da barragem, quando houve aumento na pressão da estrutura durante a colocação de drenos, o que poderia provocar uma erosão no caminho percorrido pela água. Grandchamp disse que o problema foi resolvido e que, apesar do aumento rápido da pressão durante o incidente, a situação foi resolvida e voltou à normalidade. Este episódio já havia sido citado por Makoto Namba, funcionário da empresa alemã TÜV SÜD, que auditou a barragem. Namba foi o responsável pelo laudo de estabilidade dado à barragem em setembro de 2018. Também foi preso e prestou depoimento no dia 1º. Segundo Namba, ainda durante os estudos, foram apresentadas sugestões à Vale para drenagem do lençol freático e também para aumentar a estabilidade da barragem. Ele explicou que a burocracia do processo e as discussões sobre qual solução utilizar fizeram com que, ainda em janeiro, a Vale contratasse um prestador de serviço para as obras. Grandchamp confirmou parte dessas informações. Ele disse ter rejeitado o modelo de drenagem inicialmente proposto pela TÜV SÜD. Depois, a empresa propôs um outro modelo, que ele aceitou, embora não conhecesse. Por isso, afirmou que solicitou a diversos fornecedores de tecnologias diferentes "soluções para viabilizar a drenagem da barragem". Grandchamp disse à Polícia Federal que recebeu ofertas de sete empresas e que "referidas propostas só vieram a conhecimento do declarante apenas no início de janeiro/2019". Sobre os e-mails revelados nesta quarta-feira (6) pela TV Globo, que demonstram que dois dias antes do rompimento da barragem funcionários da Vale e da TÜV SÜD já discutiam leituras "discrepantes" de sensores da estrutura, Grandchamp disse não ter conhecimento dos e-mails, mas confirmou a leitura discutida nas mensagens. Segundo ele, o sensor do tipo piezômetro era automatizado e enviou por e-mail, no dia 10, uma leitura com "anormalidade". De acordo com o depoimento, as leituras mostravam que, caso o piezômetro não estivesse com problemas, "seria um sinal de que a barragem estaria com problemas". O geólogo contou que a mensagem "dava conta de que estavam analisando qual era o problema", mas afirmou que "não é normal que uma leitura dessa, feita no dia 10, chegue ao dia 25 sem que alguma avaliação e providência efetiva seja adotada".

Outros depoimentos

Os outros funcionários da Vale que prestaram depoimento foram o gerente executivo do Complexo Paraopeba, Rodrigo Artur Gomes de Melo, e Ricardo de Oliveira, gerente de Meio Ambiente. Gomes de Melo afirmou que estava em férias desde 17 e janeiro, que não recebeu os e-mails discutindo a leitura dos sensores e que não tinha informações sobre problemas na barragem. Ele confirmou ter recebido informações sobre o incidente de junho de 2018, mas disse que os relatos eram de que a situação havia sido resolvida. Ricardo de Oliveira explicou à Polícia Federal que "estudos que projetavam a direção que a lama iria percorrer após o rompimento da barragem consideravam possível que o rejeito atingisse o refeitório, a sede administrativa e eventuais canteiros de obras próximos a estas construções".

Incêndio deixa 10 mortos e 3 feridos no Centro de Treinamento do Flamengo

  • G1
  • 08 Fev 2019
  • 07:18h

Foto: Reprodução/TV Globo

Dez pessoas morreram em um incêndio no alojamento da categoria de base do Flamengo no Ninho do Urubu, na Zona Oeste do Rio, no início da manhã desta sexta-feira (8). Três pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, e foram levadas para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra. Um deles se chama Cauã e tem 14 anos. Nas instalações devastadas pelo fogo, segundo o tenente-coronel Douglas Henaut, dormiam atletas entre 14 e 17 anos do clube, mas ainda não há identificação dos mortos. No Ninho do Urubu, em Vargem Grande, treinam o time profissional do Flamengo e as equipes de jovens. O incêndio começou por volta das 5h10 e foi debelado às 7h30.A Zona Oeste foi uma das mais afetadas com o temporal desta quarta-feira (6). Na manhã desta sexta o Ninho do Urubu continuava sem luz e sem água em decorrência da chuva.

Instalações retorcidas

Imagens feitas pelo Globocop mostram uma área do CT do clube completamente destruída pelas chamas. Por volta das 7h20 as chamas já tinham sido controladas e bombeiros atuavam apenas no rescaldo. A destruição provocada pelo fogo foi tão grande, que era difícil identificar o que funcionava no local no início desta manhã. Na área onde ocorreu o incêndio, imagens do Globocop mostravam apenas postes retorcidos e equipamentos incinerados. O Centro de Treinamento Presidente George Helal, conhecido como Ninho do Urubu, em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio, é um centro de treinamento que é utilizado pela equipe de futebol profissional do Flamengo e por suas categorias de base. O espaço é considerado um dos mais modernos Centro de Treinamento da América Latina, e um dos maiores do mundo e conta com um módulo profissional, dois campos, campo de treinamento para goleiros, além de outras estruturas. Em 2018, ano de inauguração do novo módulo profissional, a estrutura pré-existente foi deixada para as categorias de base e, para o futebol profissional, foi disponibilizado um novo módulo, com novos alojamentos, um parque aquático, academia, mais um campo de futebol (totalizando cinco).

Número de mortos em Brumadinho sobe para 157, aponta Defesa Civil

  • Terra
  • 08 Fev 2019
  • 07:03h

(Foto: Reprodução)

Subiu para 157 o número de mortos pelo rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Há ainda 182 desaparecidos, segundo informou nesta quinta-feira, 7, a Defesa Civil de Minas Gerais. O último balanço do órgão indica ainda que a tragédia deixou 133 desabrigados. A barragem da mineradora Vale se rompeu no dia 25 de janeiro. Os rejeitos atingiram a área administrativa da empresa, uma pousada e comunidades que moravam perto da mina. As causas da tragédia ainda não foram esclarecidas. A principal linha de investigação sobre as causas do colapso é o acúmulo anormal de água e a falha no sistema de drenagem da barregem. A Superintendência da Polícia Federal (PF) confirmou que "uma das linhas de apuração aponta para a possibilidade de acúmulo de água e saturação da barragem e para uma possível falha no sistema de drenagem como eventuais causas de saturação da barragem e de seu consequente rompimento".

Brasil: Homem que decepou mãos da ex-companheira tem pena reduzida

  • 07 Fev 2019
  • 19:05h

Foto: Diego Vara/Agência RBS

O homem acusado de tentar matar a companheira e de decepar as mãos dela durante uma discussão em São Leopoldo, no Vale do Sinos, interior do Rio Grande do Sul, teve a pena reduzida pela Justiça gaúcha, em julgamento de apelação no dia 31 de janeiro. O crime aconteceu em agosto de 2015. Elton Jones Luz de Freitas chegou a ser condenado a 17 anos e quatro meses de prisão em regime inicial fechado. Com a nova decisão, a pena foi reduzida para 14 anos de reclusão em regime fechado, com progressão para o semiaberto em dois anos. Ao G1, o Ministério Público comunicou que analisa a possibilidade de recorrer da decisão. A defesa do homem justificou "ocorrência de erro ou injustiça na aplicação da pena" e também pediu a anulação do Júri, o que foi negado pelos desembargadores Rosaura Borba, Luíz Mello Guimarães, e Victor Barcelos Lima. No seu voto, a relatora Rosaura destacou a "compensação realizada na origem entre a agravante do recurso que dificultou a defesa da vítima com a atenuante da confissão espontânea [do réu]". Os outros desembargadores a acompanharam.

Julgamento

O Tribunal do Júri condenou Elton Jones Luz de Freitas, no dia 27 de março de 2018, a 17 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Os jurados consideraram Elton culpado pela tentativa de matar sua ex-companheira. Ele respondeu por tentativa de homicídio triplamente qualificado, ao tentar matar sua ex-namorada Gisela Santos de Oliveira com diversos golpes de facão, o que resultou na amputação das mãos e do pé direito dela.

Relembre o caso

Conforme a denúncia encaminhada pelo Ministério Público (MP), após discutir com Gisele e inconformado com o fim da relação, o agressor a trancou no quarto e tentou matá-la. Além das facadas no rosto, no couro cabeludo e nos membros inferiores, o réu ainda lesionou os braços direito e esquerdo da ex-companheira, assim como o pé direito, que tiveram que ser amputados. Ainda de acordo com o MP, durante a tentativa de execução, o réu dizia: "Morra, sua desgraçada". O crime foi considerado triplamente qualificado, por ter sido cometido por meio cruel, ter tido o recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além do emprego de violência doméstica e familiar. Ela precisou se fingir de morta para sobreviver, e foi socorrida por vizinhos, que chamaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) assim que viram seu estado. Gisele foi encaminhada para atendimento médico e cirúrgico de urgência no Hospital Centenário, inclusive com internação na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), o que evitou a morte.

Técnico é baleado por guarda civil no telhado de casa enquanto instalava ar-condicionado

  • 07 Fev 2019
  • 13:32h

Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Um técnico em refrigeração foi baleado enquanto instalava um aparelho de ar-condicionado em uma casa no Jardim Novo Mundo, em Goiânia. Segundo a família, Mateus Batista Rodrigues, de 22 anos, foi atingido quando estava sobre o telhado da residência pelo guarda civil municipal Rodrigo Fernandes, vizinho do imóvel e lotado em Senador Canedo, Região Metropolitana da capital. Ele está internado e precisará ser operado. A Prefeitura de Senador Canedo informou que lamenta o que aconteceu, que o guarda não estava de serviço e que o caso já está sendo investigado.O fato aconteceu na noite de quarta-feira (6). De acordo com a empresária Poliana Viana, chefe de Mateus, o rapaz estava uniformizado e foi baleado no peito. Ela disse que o guarda só não efetuou um novo disparo porque a dona da residência interveio. “Não teve nenhum contato verbal antes do tiro. Só houve contato verbal após o tiro. Depois do tiro, a senhora que tinha contratado o serviço entrou no meio e pediu para o guarda não dar o segundo tiro, foi quando o guarda mandou Mateus descer do telhado. O rapaz [o atirador], pelo que o vizinho me falou, tinha bebido o dia todo", afirma. Poliana disse que chegou ao local cerca de cinco minutos após o ocorrido. Ela própria socorreu o jovem e o levou para ao Centro de Apoio Integral à Saúde (Cais) do Jardim Novo Mundo. Segundo familiares, a bala perfurou o pulmão e está alojada nas costas dele. De lá, Mateus foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). A unidade de saúde informou que o quadro dele é considerado estável, consciente e respirando de forma espontânea. Sogra de Mateus, a dona de casa Cleides Rosa Araújo afirmou que ele até tentou se render para explicar que não era um criminoso, mas não adiantou. “Ele falou que chegou a levantar os braços para cima, mas o cara assim mesmo atirou nele. Ele estava de uniforme e no horário de serviço. A pessoa não sabe nem direito o que está acontecendo e simplesmente atira em outra sem saber o que aconteceu”, lamenta. Segundo a TV Anhanguera, após o disparo, o guarda fugiu de casa.

Nota da Prefeitura de Senador Canedo

A Prefeitura de Senador Canedo informa que o caso já está sendo investigado pela Corregedoria da Guarda Municipal. O servidor, assim, como a tropa, tem direito a porte de arma em serviço, mediante a curso específico conforme a legislação. O guarda municipal não estava em serviço. A administração municipal também lamenta profundamente o caso e acompanhará a vítima e seus familiares.

Brasil: Menina de 8 anos cai do 4º andar de prédio; tela de proteção foi cortada

  • G1
  • 07 Fev 2019
  • 12:26h

Foto: Reprodução/Google Street View

Uma menina de 8 anos caiu do 4º andar de um prédio no Parque Três Meninos, em Sorocaba (SP), na madrugada desta quinta-feira (7).De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a ocorrência foi registrada às 4h36, em um condomínio na Rua João Delgado Hidalgo.O Samu enviou uma ambulância e um caminhão do Corpo de Bombeiros até o local da ocorrência. A criança teve fraturas em membros inferiores e trauma do crânio.Ainda de acordo com o Samu, ela foi socorrida e encaminhada ao Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). O estado de saúde atualizado ainda não foi divulgado.Segundo informações passadas pela Polícia Militar, a madrasta da criança disse que saiu levar o marido ao trabalho e quando retornou, cerca de 10 minutos depois, a menina estava caída do lado de fora do prédio.Ainda segundo o relato da mulher, a própria criança teria cortado a tela de proteção com uma tesoura. A madrasta foi levada para a delegacia e, questionada pela TV TEM, não quis se pronunciar sobre o assunto. Conforme apurado pela TV TEM, o pai foi ao hospital acompanhar o atendimento da menina.As causas do acidente ainda serão investigadas pela Polícia Civil.

Chuva deixa 5 mortos, causa deslizamentos e quedas de árvores no Rio

  • 07 Fev 2019
  • 11:23h

Foto: Alba Valéria Mendonça/G1

Cinco pessoas morreram e uma está desaparecida depois da tempestade da noite da quarta-feira (6) no Grande Rio. A forte chuva acompanhada de ventania causou apagões, derrubou árvores, alagou vias e fechou a Avenida Niemeyer, onde um trecho da ciclovia desabou. Dois ônibus foram atingidos por deslizamento de terra e árvore na Avenida Niemeyer. Em um deles, uma mulher morreu e outra pessoa é procurada. A mulher que morreu estava sentada atrás do banco do motorista, que conseguiu sair do veículo e teve escoriações. Com a força do deslizamento de terra, o ônibus foi jogado contra a mureta da avenida e invadiu a ciclovia. Duas retroescavadeiras são usadas nos trabalhos. Os bombeiros tentam tirar uma árvore que está em cima do ônibus, exatamente no local onde estaria uma pessoa. Houve quedas de barreira em vários pontos da Avenida Niemeyer - a ciclovia caiu perto de São Conrado, e o ônibus foi atingido quase no extremo oposto. O prefeito Marcelo Crivella confirmou que a situação mais crítica é na Niemeyer. "Vai demorar mais de um dia inteiro para normalizar", disse. Duas pessoas morreram em Barra de Guaratiba, uma na Rocinha, uma no Vidigal e uma na Avenida Niemeyer. Um morador do Vidigal relatou o resgate às vítimas: "Foi desesperador", contou ele, que teve a casa destruída pela chuva. A Prefeitura afirma que a morte no Vidigal foi causada por um muro que desabou. Às 10h45, uma menina foi resgatada com vida do alto do Vidigal. Ela foi levada de helicóptero e o estado de saúde dela não foi informado.A comunidade do Vidigal fica na Zona Sul do Rio de Janeiro. A ciclovia Tim Maia fica na Avenida Niemeyer, que está entre o mar e o Morro do Vidigal. A Rocinha também fica na Zona Sul da cidade.

E-mails indicam que Vale soube de problemas em sensores de Brumadinho dois dias antes do rompimento de barragem

  • 07 Fev 2019
  • 08:11h

Uma troca de e-mails entre profissionais da Vale e duas empresas ligadas à segurança da barragem de Brumadinho mostra que, dois dias antes do rompimento, a Vale já havia identificado problemas nos dados de sensores responsáveis por monitorar a estrutura. Os e-mails foram identificados pela Polícia Federal. Até esta quarta-feira, havia a confirmação de 150 mortos e 182 desaparecidos em decorrência do mar de lama liberado após o rompimento da barragem. A Vale informou em nota que, no segundo dia útil após o rompimento da barragem, entregou voluntariamente documentos e e-mails a procuradores da República e à Polícia Federal. "A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades", diz o texto da nota .A TV Globo teve acesso aos depoimentos prestados por dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, André Jum Yassuda e Makoto Namba, responsáveis por laudos de estabilidade da barragem. Os advogados Augusto de Arruda Botelho e Brian Alves Prado, que defendem os engenheiros, disseram que não vão comentar. Yassuda e Namba foram presos pela Polícia Federal na semana passado. Nesta terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que eles fossem libertados. Ao questionar Namba, o delegado Luiz Augusto Nogueira, da Polícia Federal, se refere à existência de e-mails trocados entre funcionários da Vale, da TÜV SÜD e da Tec Wise, outra empresa contratada pela Vale. As mensagens começaram a ser trocadas no dia 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até as 15h05 do dia seguinte. A barragem se rompeu em 25 de janeiro. Nas perguntas, o delegado diz que o assunto das mensagens "diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10/01/2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 (cinco) piezômetros automatizados". No depoimento não constam, no entanto, detalhes sobre as mensagens. O engenheiro afirma que só ficou sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem. Depois de lidas as mensagens para ele, Namba foi questionado sobre "qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem". Namba respondeu, segundo o relatório da Polícia Federal, que "após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis". A TÜV SÜD informou em nota que fará tudo o que estiver ao alcance "para contribuir para uma investigação abrangente", mas devido às investigações em andamento com as quais contribui, "não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais".

Engenheiro se disse pressionado

No depoimento, o engenheiro Makoto Namba também relatou uma reunião com funcionários da Vale sobre o laudo de estabilidade assinado por ele. Namba disse que um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha perguntou a ele: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”.Namba disse à PF ter respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018, mas assinou o documento.Segundo ele, “apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”.

Deputado do PSL quer proibir venda de anticoncepcionais no Brasil

  • 06 Fev 2019
  • 18:14h

(Foto: Reprodução)

Um projeto de lei (PL) apresentado, na última segunda-feira (4), pelo deputado Márcio Labre (PSL-RJ) quer proibir o uso de métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte, no Brasil. O PL 261/2019 sugere a "proibição do comércio, propaganda, distribuição e implantação pela rede pública de saúde de micro abortivos". No texto, são listados como "micro abortivos" o DIU (dispositivo intrauterino), a pílula de progestógeno, o implante subcutâneo, a pílula do dia seguinte, a pílula RU-486 e "qualquer outro dispositivo, substância ou procedimento que provoque a morte do ser humano já concebido, ao longo de toda sua gestação, sobretudo antes da implantação no endométrio". Segundo o deputado, a proposta "visa proteger a saúde da mulher". Labre defende que a polícia apreenda e destrua todo o material encontrado, com a possibilidade de interdição de estabelecimentos que desumpram as normas. Há ainda a sugestão de multa no valor de mil a 10 mil salários mínimos, para pessoas físicas, e de 1% a 30% do faturamento anual, para pessoas jurídicas. "Conto, primeiramente com a proteção de Deus. Em segundo lugar, com o apoio de vários movimentos Pró-Vida dispersos pelo País, cujo impacto sobre a opinião pública tem-se tornado cada vez maior nos nossos dias", afirma o deputado na justificativa do projeto. O texto ainda critica o Ministério da Saúde pela distribuição da pílula do dia seguinte e acusa a pasta de orientar o aborto até a quinto mês de gestação. Por meio de nota, o ministério ressaltou que o medicamento Levonorgestrel, mais conhecido como pílula do dia seguinte, "é um método eficaz e seguro usado para a anticoncepção hormonal de emergência que está disponível na atenção básica e UPA". A pasta lembrou ainda que a interrupção da gestação é permitida apenas em casos de estupro, risco à vida da mulher ou gravidez de feto anencéfalo.

Criança de 9 anos tem mãos queimadas com ferro de passar e mãe será indiciada por tortura

  • 06 Fev 2019
  • 17:06h

Foto: Arquivo Pessoal

Uma mulher de 24 anos é suspeita de queimar as mãos do próprio filho, um menino de 9 anos, com um ferro de passar roupa. O menino teria mexido em moedas que pertencem a uma tia e, por isso, foi queimado, segundo a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). A mãe foi detida e levada à delegacia na noite desta terça-feira (5), no bairro Novo Israel, Zona Norte de Manaus. Como não houve flagrante, ela foi liberada e vai responder por tortura. Segundo a Polícia Civil, em depoimento na delegacia, a mulher relatou que a criança havia mexido em uma moeda de uma tia dele e confessou que, como castigo, ela colocou o ferro de passar roupa quente nas mãos do próprio filho. A titular da Depca destacou que imediatamente a criança foi afastada da mãe e levada para realizar os procedimentos médicos necessários. A delegada Joyce Coelho destacou que a mulher foi indiciada por tortura e um Inquérito Policial (IP) foi instaurado em torno do caso. De acordo com uma investigadora da Depca, a criança contou aos policiais que atenderam a ocorrência que foi espancada antes de sofrer as queimaduras com um ferro de passar roupa. As mãos da criança ficaram tomadas por bolhas em decorrência da queimadura. O menino sofreu as queimaduras na segunda-feira (4), dentro de casa. Além da criança, a mãe tem outro filho, de 6 anos. A criança que foi queimada foi levada para um abrigo. O outro segue sob guarda da mãe.

Brumadinho: número de mortes confirmadas chega a 150

  • 06 Fev 2019
  • 15:14h

Foto: Tahiane Stochero/G1

A Defesa Civil de Minas Gerais atualizou, no início da tarde desta quarta-feira (6), o número de vítimas do rompimento da barragem Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Até o momento, 150 corpos já foram resgatados. A Polícia Civil identificou 134 mortos e 182 pessoas seguem desaparecidas. As informações foram dadas pelo tenente coronel Flávio Godinho, coordenador da Defesa Civil Estadual de Minas Gerais. Ainda de acordo com Godinho, a rodovia Alberto Flores segue interditada e a previsão da liberação é de três semanas. A vale vai custear uma estrutura definitiva no local, para a circulação nos dois sentidos.A empresa também vai arcar com o transporte escolar das crianças de Casa Branca para Brumadinho. O serviço vai começar nesta quinta-feira (7) e vai acontecer de duas em duas horas, de 8h às 20h. Uma van sairá de Casa Branca e a outra da sede de Brumadinho.

A funcionária da Vale que alertou sobre o desastre e fugiu de ré em caminhão com 90 toneladas

  • G1
  • 06 Fev 2019
  • 13:10h

Foto: VITOR FLYNN/BBC NEWS BRASIL

Há mais de dez dias da tragédia de Brumadinho (MG), os olhos castanhos de Ana Paula da Silva Mota ainda passam grande parte do tempo opacos e ausentes, como se estivessem revendo as cenas que ela viveu a partir das 12h28 de 25 de janeiro. Naquele exato minuto, a motorista dos megacaminhões da Vale olhou em direção às montanhas que circundam a mina Córrego do Feijão e viu uma imensa avalanche emergir do local onde ficava a barragem principal, a apenas 550 metros de onde estava. "Eu estava de frente para a barragem. Acho que fui uma das primeiras pessoas a ver (a avalanche). Não dava para acreditar", diz Ana Paula, de 30 anos. Em poucos segundos, a encosta verde de 87 metros de altura, que sustentava 11,7 milhões de toneladas de rejeito de minério de ferro, cedeu e se transformou em uma onda marrom densa. Tinha mais de 300 metros de comprimento e, em alguns pontos, até 20 metros de altura. Segundo o Corpo de Bombeiros, a velocidade inicial era de 80 quilômetros por hora. "A onda veio muito rápido. Mas também parecia que estava em câmera lenta. É algo muito estranho, não consigo explicar", fala Ana Paula, mãe de uma menina de 8 anos e um menino de 3 anos. O local onde a funcionária da Vale estava era o trecho final de uma estrada de terra que descia desde a área de extração de minério, no alto, até o terminal de carregamento do trem, na parte mais baixa do complexo mineiro, muito perto da barragem. Nessa estrada, Ana Paula dirigia o gigantesco e potente Fora de Estrada 777, veículo usado para transportar minério, com cinco metros de altura e 11 de comprimento - o pneu, por exemplo, é mais alto que a motorista. Na sua caçamba, havia 91 toneladas de minério, que seriam despejados nos vagões do trem. Era um trabalho que ela amava, com o qual havia sonhado por muitos anos e que iniciara alguns meses antes, em junho de 2018. No primeiro momento, Ana Paula não entendeu o que estava acontecendo. "Achei que era uma detonação na mina", diz ela. Só instantes depois, compreendeu que a barragem havia estourado. "A gente achava que essa barragem estava seca. Olhando de cima, parecia um campo de futebol, firme, duro, não tinha esse lamaçal. Ninguém imaginava que estava assim por dentro", conta. Além disso, "eu nunca tive receio dessa barragem, porque a Vale sempre passava muito treinamento de segurança. Inclusive, uns três meses antes, tinham feito uma simulação (de evacuação de emergência)", acrescentou Ana Paula. Mas, "quando caiu a ficha, peguei o rádio transmissor (do veículo) e comecei a gritar desesperada: 'corre, foge, a barragem estourou'. Quem estava naquela faixa (de rádio) me escutou gritando. Depois, fiquei sabendo que teve gente que escapou porque ouviu uma mulher chorar e gritar no rádio. Era eu", diz ela. Ana Paula ainda tentou chamar a central pelo rádio, mas escutou apenas um silêncio - o local havia sido rapidamente soterrado. Em apenas 30 segundos, a avalanche chegou a cerca de 100 metros do megacaminhão de Ana Paula. Inundou de lama o começo da estrada onde estava o veículo, destruiu parte das instalações da Vale localizadas ali, e despencou em cima de um grupo de pessoas que tentava escapar. "Minha vontade era me jogar naquela lama para ajudar a salvar as pessoas, mas não tinha jeito. A onda era muito mais forte que qualquer um de nós", fala ela. A partir daquele ponto, se a onda tivesse seguindo em linha reta, poderia ter encoberto toda a estrada onde estava o megacaminhão de Ana Paula. Mas o mar de lama fez uma curva exatamente na encosta onde ficava a via, e se deslocou rumo ao terminal de carregamento. De lá, seguiu para a área administrativa e o refeitório - onde, acredita-se, estava a maior parte das vítimas. Assim, a trabalhadora assistiu atônita à maior parte da avalanche desviar da sua direção e correr pelo seu lado direito, destruindo tudo que havia pela frente. "Hoje, eu não posso mais olhar para uma montanha. Senão, eu vejo a onda vindo outra vez", desabafa. No total, Ana Paula calcula que perdeu "muito mais que vinte" colegas na tragédia. Sua tia Rosário, que também trabalhava na Vale, está desaparecida.

A fuga de ré com 91 toneladas na caçamba

Enquanto a barragem se rompia, um outro megacaminhão de minério começava a subir a estrada onde estava Ana Paula, no sentido oposto. Vazio, tinha acabado de descarregar minério nos vagões do trem. O motorista, que dirigia de costas para a barragem, estava alheio à iminência da tragédia. Como o veículo é muito barulhento, o trabalhador usava protetores auriculares, que podem ter impedido que ouvisse o rompimento do reservatório e o som de árvores e construções sendo engolidas pela lama. Foi Ana Paula quem o alertou. "Eu buzinei e dei luz, desesperada, para avisar meu colega. Ele não ouviu minha buzina, mas acabou percebendo o sinal de luz e acelerou para subir a estrada". Mas havia outro problema: a estrada não comportava a passagem simultânea de dois caminhões de minério. Então, para que o colega pudesse acelerar, Ana Paula teve que tomar uma decisão corajosa e arriscada: encostou seu Fora de Estrada à direita da via e ficou parada, adiando a própria fuga. Enquanto isso, a lama ia varrendo a mina. "Se não fosse isso, a onda tinha quebrado em cima dele. Foi por muito pouco", conta a funcionária da mina Córrego do Feijão. Depois de passar por Ana Paula, esse segundo megacaminhão subiu por uma estrada lateral e se afastou da destruição da lama. Esse momento, ocorrido às 12h29, foi registrado por uma câmera de segurança da Vale - a mesma que gravou o rompimento da barragem, um minuto antes. A imagem do veículo em fuga foi exibida pelas emissoras de TV na última sexta-feira. Quando viu a cena, Ana Paula relembrou de tudo que viveu e quase desmaiou. "Fiquei com tontura, meu corpo ficou bambinho", relata. Já o colega que dirigia o veículo mostrado na mídia, ainda muito abalado, não quis dar entrevista - por isso, a BBC News Brasil optou por preservar seu nome. Após o colega conseguir fugir, era a vez de Ana Paula fazer algo para sair dali. A missão era difícil, já que a frente do seu megacaminhão estava virada para a direção oposta à rota de fuga. Manobrar o veículo era impossível - a estrada era estreita, o veículo enorme, e não haveria tempo para isso. "Então, eu pensei: vou dar ré", lembra ela. "Só que era uma subida e o caminhão estava cheio de minério. Eu achava que não ia subir de ré, mas era minha única opção. Então, fui dando ré e pedindo a Deus para me salvar. Eu dava ré e a lama ia chegando mais perto. Foi Deus que colocou a mão atrás do caminhão e puxou". Foram cerca de 150 metros de ré - sempre de frente para a barragem, observando toda a destruição causada pela lama. Até que Ana Paula chegou ao entroncamento da estrada pela qual seu colega havia subido minutos antes. Então, embicou o megacaminhão de frente e dirigiu para longe dali. Essa cena também foi captada pela câmera de segurança da Vale. Às 12h31, três minutos após o rompimento da barragem, quando parecia não haver mais vida alguma naquele local, o Fora da Estrada 777 de Ana Paula emergiu da poeira que havia sido levantada pela passagem da lama. Carregado de minério, o veículo se movia lentamente, último sobrevivente daquele campo de guerra. "Se eu tivesse entrado em choque, paralisado, como aconteceu com muita gente, não teria saído dali. Eu acho que foi Deus que deixou minha cabeça boa para fazer o que eu fiz", acredita a motorista dos super caminhões. Já fora de risco, a única coisa em que Ana Paula pensava era abraçar os filhos. Desde a tragédia, o mais novo pede abraços a todo momento. "Meu psicológico está abalado, mas tenho que ter força pelos meus filhos".

A chegada da lama ao refeitório

Enquanto Ana Paula dava ré no seu megacaminhão, a avalanche de lama atingia a área administrativa da Vale e o refeitório, a cerca de 1,4 quilômetro da base da barragem. O trajeto levou em torno de dois minutos, apenas. Walcir Carvalho, de 30 anos, trabalha para uma empresa terceirizada que presta serviços elétricos para a Vale. No momento do rompimento da barragem, ele e seus oito colegas haviam acabado de almoçar no refeitório da mina Córrego do Feijão. A seguir, a maioria do grupo foi descansar em uma pracinha ali perto. Já Walcir e outros dois colegas foram tirar um cochilo nos veículos da firma, que estavam estacionados em fila indiana a poucos metros dali, sob a sombra de árvores. Mas, naquele dia, Walcir sentiu um incômodo diferente e não conseguiu pegar no sono. Por isso, saiu da caminhonete onde estava e foi se deitar na carroceria do veículo da frente. Minutos depois, ouviu um barulho de explosão muito alto. "Achei que era uma explosão da mina. Mas então começou a vir poeira com lama, as árvores começaram a quebrar. Quando olhei, a onda já estava chegando na caminhonete. Aí foi cada um correndo por si", conta Walcir, cujo olhar lembra o de Ana Paula, distante e assustado. "Nunca imaginamos que isso ia acontecer. A Vale tem um trabalho 100% em termos de segurança. E eu já trabalhei perto da barragem, parecia que era (feita de) terra. Nunca ficava água lá. Se enchia de água, uma bomba logo tirava", completa. A lama, portanto, foi uma surpresa também para Walcir. O funcionário relata que não ouviu nenhuma sirene - a própria Vale admitiu que o alerta sonoro de emergência não soou "devido à velocidade com que ocorreu o evento". "Quem estava em um lugar mais aberto conseguiu ouvir pessoas gritarem (e pode fugir antes). Já a gente, que estava embaixo das árvores, só ouviu a onda chegando mesmo", conta. Segundo ele, ainda houve quem escutou uma mulher gritar e chorar no rádio. Na fuga, o eletricista teve que pular um poste que caiu ao seu lado. "Minha sorte é que não estava eletrizado, senão eu tinha morrido na hora". Depois, atravessou uma área de mata e chegou em um ponto mais alto, a salvo da lama. Ali, também estavam outros sobreviventes. "Éramos umas 50 pessoas. Ficamos desesperados, procurando se nossos amigos também tinham conseguido fugir", diz Walcir. Mas seus dois colegas que também estavam cochilando nas caminhonetes não apareceram. Ao longo das buscas, um deles teve o corpo identificado. Já o outro continua desaparecido. "Não consigo falar sobre eles não", disse o eletricista, muito emocionado. Assim como os colegas de Walcir, há entre as vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão um grande número de terceirizados. Nesta terça-feira, 130 funcionários da Vale tinham sido identificados entre os mortos ou estavam desaparecidos. Já entre funcionários terceirizados ou pessoas da comunidade, o número era maior, de 189. Evangélico, Walcir acredita que foi salvo por um milagre. Dos três veículos da empresa, dois ficaram soterrados. Já o terceiro foi torcido pela lama, mas não afundou - "era a caminhonete onde estava minha Bíblia", diz o trabalhador. "Graças a Deus eu consegui fugir. Muitas pessoas que faleceram ficaram paralisadas, sem reação, hipnotizadas pelo que estavam vendo e não conseguiram escapar", relata.

Cada um que sobreviveu é um 'milagre'

Em circunstâncias extremas, o curso da vida pode ser completamente alterado por ações fortuitas - ou, dependendo do ponto de vista, por pequenos milagres. No caso de Ana Paula, foi o fato de estar descendo a estrada mais devagar que o de costume que a colocou fora do primeiro ponto de impacto da onda. "Se eu tivesse descido com uma marcha a mais, teria chegado mais rápido lá embaixo (na área dos vagões). E a onda teria quebrado em cima de mim", diz ela. Já no caso de Walcir, a dificuldade de cochilar fez com que se movesse para um lugar por onde foi mais fácil fugir. Além disso, seu supervisor tinha decidido liberar a equipe para almoçar antes de iniciarem o próximo serviço: uma manutenção em postes localizados justamente ao pé da barragem. "Se a gente não tivesse ido almoçar aquela hora, não estávamos aqui respirando". "Qualquer um que se salvou é um milagre", acredita Ana Paula. Até avistar a avalanche de lama, a motorista dos supercaminhões da Vale estava vivendo um dia normal de trabalho. Havia acordado às 4h, como de costume, feito café e enchido a garrafa térmica que levava todos os dias para o serviço. Às 5h50, saiu de casa para pegar o ônibus que conduzia os trabalhadores de Brumadinho até a mina. "Eu fico me lembrando do início daquele dia, quando estava esperando o ônibus junto com meus colegas de trabalho. Estávamos indo trabalhar felizes. Era meu sonho trabalhar lá. Mas, daquele grupo do ponto de ônibus, só eu sobrevivi". Desde então, está difícil pensar em outro assunto. Na semana que seguiu à tragédia, Ana Paula passou grande parte do tempo em frente à TV. "Meu marido, minha família, um monte de gente briga comigo para eu parar de ver notícias sobre isso. Mas eu não consigo. Acordo e já ligo o aparelho, para tentar saber de algum colega", fala ela. Assim como muitos funcionários da Vale que viram a lama e sobreviveram, Ana Paula passou alguns dias sem dormir. "Mas, se eu ficar na cama, de que vai adiantar eu ter sobrevivido?", questiona ela, que está sendo atendida por uma psicóloga contratada pela empresa - diversos profissionais da área foram disponibilizados pela mineradora para acompanhar quem foi afetado pelo desastre. "Ela (a psicóloga) falou para eu pensar que sobrevivi e ajudei outras pessoas a se salvarem", diz Ana Paula.

E daqui para frente, o que vai acontecer? "Não sei. Eu nem penso nisso. Eu vou ter que trabalhar, ficar em casa vai ser pior. Acho que não vão mandar a gente embora. A maior parte de Brumadinho trabalha lá (na Vale)", responde a funcionária da mineradora.

E quanto à barragem? "Quem dera eles tivessem falado (do risco) para a gente, mas eu não sei se sabiam ou não. Tem que esperar a investigação esclarecer".

Quatro jovens são presos suspeitos de decapitar homem para 'assustar' irmão da vítima

  • G1
  • 06 Fev 2019
  • 10:12h

Foto: Guilherme Henrique/TV Anhanguera

Quatro jovens foram presos pela Polícia Civil suspeitos de matar Erivaldo Ferreira da Rocha, de 32 anos, em Goiânia. Segundo a corporação, o grupo disse que matou a vítima para atingir o irmão dela, que teria uma rixa com eles. Os presos afirmaram que decapitaram o homem para que a morte tivesse “repercussão” e o parente dele soubesse do crime. “Os autores confessaram o crime e [disseram que] usaram um serrote. Segundo eles, a decapitação era para que o caso tivesse grande repercussão e chegasse até o irmão dele”, explicou a delegada Silvana Nunes. Segundo a delegada, o homem que seria o mandante do crime já estava na Penitenciária Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, e outro investigado foi morto no último dia 25 de janeiro. A cabeça da vítima foi encontrada em 13 de janeiro em frente a um shopping na Avenida Perimetral Norte, em Goiânia. Nela, havia a inscrição "TD2", que faz alusão à gíria “tudo dois”, que significa “tudo em paz”. Já o corpo dele foi achado quatro dias depois, boiando no Rio Meia Ponte, também na capital.

Falsa oferta de emprego

De acordo com as investigações, o corpo de Erivaldo tinha marcas de tiros e foi decapitado. Até esta terça-feira (5), a Polícia Civil informou que ainda aguarda laudo cadavérico para saber se ele foi decapitado quando ainda estava vivo ou depois de morto. Segundo a delegada, o rapaz foi atraído ao local do crime por uma proposta de emprego falsa. “A vítima não tinha conhecimento das companhias do irmão. Chamaram ele para capinar um lote no fundo da casa dos autores. Ele foi na inocência, mas era uma ‘casinha armada’. [Chegando lá] os autores deram dois tiros contra ele”, explicou. Nunes também esclareceu que, após a decapitação, a cabeça da vítima foi levada em um saco plástico por um dos autores até a frente do shopping. Já o corpo foi jogado no rio.

Sobe para 142 o número de mortos confirmados em Brumadinho

  • 06 Fev 2019
  • 07:09h

Foto: Carlos Amaral/G1

No 12º dia de buscas da tragédia de Brumadinho, nesta terça-feira, o número de mortes confirmadas subiu para 142, com 122 corpos identificados. Agora, segundo os Bombeiros, são 194 desaparecidos. O 12º dia de buscas começou por volta das 6h50. Os primeiros corpos ou restos mortais resgatados na lama chegaram ao campo usado como centro de operações do Corpo de Bombeiros por volta das 9h45, no Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH. Após mais de duas horas e meia de buscas, os corpos ou segmentos de corpos foram trazidos em um helicóptero da Polícia Militar do Paraná. Os trabalhos foram feitos em 22 pontos diferentes e contaram com a ajuda de 10 helicópteros e equipes de militares a pé, de barco, escavadeiras e máquinas anfíbias. Três equipes são reforçadas por militares da Força Nacional de Segurança e também continua a presença de militares de outros estados. Foram 399 profissionais envolvidos na operação nesta terça, sendo 200 do Corpo de Bombeiros de MG, 64 da Força Nacional, 110 bombeiros militares de outros estados e 25 voluntários.Por volta das 10h45, o helicóptero da Polícia Militar de Minas Gerais trouxe mais corpos ao centro de operações. Ao meio-dia, outro helicóptero trouxe mais corpos. Por causa de um enterro no cemitério do Córrego do Feijão, a família pediu que a movimentação dos helicópteros fossem paralisadas das 11h30 até o fim da homenagem. No começo da tarde, a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, composta por movimentos e acionistas que criticam a atuação da empresa, pediu a destituição da diretoria da Vale e o fechamento de outras minas da região. O grupo questionou a atuação da empresa nos últimos dias. Por volta das 19h, uma reunião tensa durou mais de 2 horas e contou com cerca de 450 moradores e produtores rurais, mas representantes da mineradora Vale não aceitaram as reivindicações emergenciais da comunidade.