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Moraes nega prisão domiciliar e mantém Bolsonaro detido na Polícia Federal

  • Bahia Notícias
  • 01 Jan 2026
  • 11:27h

Foto: Rosinei Coutinho / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou, nesta quinta-feira (1º), o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para concessão de prisão domiciliar humanitária após a alta hospitalar do DF Star, onde ele está internado desde o dia 24.

 

Com a decisão, Bolsonaro deverá retornar à Superintendência da Polícia Federal assim que deixar o hospital. O ex-presidente está preso desde novembro, após condenação de 27 anos por envolvimento na trama golpista. Em coletiva na quarta-feira (31), médicos confirmaram que a previsão de alta está mantida para esta quinta.

 

Na decisão, Moraes afirmou que a defesa não apresentou fatos novos capazes de alterar o indeferimento anterior do pedido, feito em 19 de dezembro de 2025. Segundo o ministro, não há requisitos legais para a concessão da prisão domiciliar.

 

O magistrado citou ainda descumprimentos reiterados de medidas cautelares e atos concretos que indicariam tentativa de fuga, incluindo a destruição dolosa da tornozeleira eletrônica, como fundamentos para a manutenção do regime fechado.

 

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses, sendo 24 anos e nove meses de reclusão e dois anos e seis meses de detenção, com início do cumprimento da pena em regime fechado.

 

Moraes destacou que não houve agravamento do estado de saúde do ex-presidente. Ao contrário, apontou melhora do quadro clínico após cirurgias eletivas, conforme laudos médicos apresentados pela própria defesa.

 

O ministro também afirmou que todas as prescrições médicas podem ser cumpridas na PF, onde há plantão médico 24 horas, sem prejuízo à saúde do custodiado.

 

A decisão mantém autorizado o acesso integral da equipe médica de Bolsonaro, incluindo fisioterapeuta, além do fornecimento de medicamentos e alimentação preparada por familiares.

Bolsonaro tem previsão de alta para esta quinta; condenado pediu antidepressivos durante internação

  • Por João Gabriel | Folhapress
  • 01 Jan 2026
  • 09:34h

Foto: Sergio Lima / AFP

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por liderar a tentativa de golpe após as eleições de 2022, deve ter alta nesta quinta-feira (1º) caso seu quadro permaneça estável e, durante sua internação, pediu para fazer uso de remédios antidepressivos, segundo sua equipe médica.
 

Nesta quarta (31), ele passou por um novo exame de endoscopia na manhã, apresenta quadro estável e não teve intercorrências.
 

Nos últimos dias, ele sofreu com picos de hipertensão e teve crises de soluço —motivo pelo qual foi submetido a três procedimentos cirúrgicos, respectivamente no sábado (27), na segunda (29) e terça (30).
 

O ex-presidente foi internado no hospital DF Star, em Brasília (DF), no último dia 24, para fazer uma cirurgia de hérnia.
 

Segundo seus médicos, seu quadro é do que se chama de "soluços persistentes", algo extremamente raro. Ao mesmo tempo, ele sofre com uma situação de apneia do sono considerada severa pela equipe que o acompanha, com até 50 registros dentro de uma hora durante a noite.
 

Esta segunda intercorrência tem causado hipertensão, e ele passou a dormir com auxílio do aparelho Cpap, que ajuda na respiração.
 

Segundo sua equipe, o estado psicológico afeta o quadro de saúde de Bolsonaro, como de qualquer outro paciente, e como ele está abalado, passou-se a usar medicamento para depressão.
 

"O próprio [ex-]presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo. Então foi introduzido [durante a internação] esse tratamento e a gente espera que passe a fazer algum efeito em alguns dias", afirmou Claudio Birolini, médico que acompanha a saúde do ex-presidente.
 

"Obviamente ele não está feliz, né? [Seu ânimo] oscila um pouco, a gente percebe uma piora considerável nos momentos de soluços prolongados", completou.
 

A ida ao hospital precisou ser autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), já que Bolsonaro atualmente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
 

Após essa intervenção, seus médicos decidiram realizar um novo procedimento, desta vez para tentar controlar os seus soluços.
 

O primeiro procedimento, para bloqueio do nervo frênico direito, foi realizado no último sábado e durou entre 45 minutos e 1 hora.
 

Na última segunda, foi realizado uma intervenção para bloqueio do nervo frênico esquerdo, que teve a duração semelhante.
 

Como os soluços retornaram na manhã de terça, ele passou por uma nova intervenção, para reforçar os dois bloqueios.
 

Desde então, segundo sua equipe, seu quadro é estável e sem intercorrências. A endoscopia desta quarta foi realizada para "avaliação do refluxo gastroesofágico".
 

Seus médicos devem passar no hospital novamente na manhã desta quinta para avaliar a saúde do ex-presidente e, provavelmente, confirmar a alta. Sua ida para a Superintendência, porém, depende de acertos logísticos feitos com a Polícia Federal.
 

Bolsonaro seguirá fazendo uso de medicamentos e também do Cpap, para controle da apneia do sono.
 

Após as três cirurgias para tratar dos soluços, os médicos concluíram que houve melhora, mas que ele precisará seguir fazendo tratamentos não invasivos para tentar controlar esse problema.
 

Segundo o boletim médico divulgado nesta quarta, a endoscopia revelou a "persistência de esofagite e gastrite".
 

"[Ele] segue em tratamento para doença do refluxo gastroesofágico, em fisioterapia respiratória, terapia de CPAP noturno e medidas preventivas para trombose", completa o documento.
 

"A endoscopia mostrou o quadro que ele já tinha, que é uma gastrite e uma esofagite erosiva. Provavelmente nós suspeitamos que essa esofagite é muito causadora dos soluços", afirmou Brasil Caiado, cardiologista da equipe médica.
 

Bolsonaro irá receber uma série de orientações de autocuidado que terá que seguir, por exemplo comer de forma mais fracionada e não deitar depois de se alimentar para não ter refluxo.
 

Ainda de acordo com Birolini, ele seguirá com curativos depois da alta e precisará se atentar para em com especial atenção ao risco de queda em razão do uso do Cpap.

Lula fecha o ano sem sancionar projeto aprovado pelo Congresso para proibir descontos em benefícios do INSS

  • Bahia Notícias
  • 31 Dez 2025
  • 14:40h

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fechar o ano de 2025 sem sancionar o PL 1546/2024, que proíbe o desconto de mensalidades associativas em benefícios pagos a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O projeto, originário da Câmara, foi aprovado em definitivo pelo Senado em 12 de novembro, mas só foi enviado para sanção presidencial em 12 de dezembro.

 

A proposta, de autoria do deputado federal Murilo Galdino (Republicanos-PB), ficou por um mês parada na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador não deu explicações sobre o motivo da demora para o envio da proposta ao Palácio do Planalto.

 

Pela data de chegada para avaliação da Casa Civil, a Presidência da República tem até 6 de janeiro para sancionar a medida.

 

Atualmente, a legislação permite o desconto de mensalidade pagas a associações, sindicatos e outras instituições de aposentados, desde que autorizado pelo beneficiário. Com a mudança, aprovada nas duas casas do Congresso, o desconto fica proibido. 

 

A proposta também determina a devolução de descontos associativos e parcelas de empréstimos consignados debitados indevidamente em benefícios previdenciários. De acordo com o texto, caso a entidade responsável não devolver o dinheiro ao beneficiário em 30 dias após notificação, caberá ao INSS o ressarcimento.

 

Pelo projeto, caso a entidade responsável não devolver o dinheiro ao beneficiário em 30 dias após notificação, caberá ao INSS ressarcir o beneficiário e, posteriormente, cobrar da instituição financeira. O prejuízo à Previdência seria coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), caso o INSS não consiga reaver os valores junto à entidade responsável em caso de intervenção ou de liquidação da instituição.

 

Esse trecho foi alvo de críticas do governo, mas foi aprovado para que o projeto não precisasse de nova avaliação pela Câmara. O indicativo é que essa parte da proposta será vetada pelo presidente Lula, em acordo com o Congresso.

 

O tema dos descontos nos benefícios dos aposentados tem apelo político desde abril, quando a Polícia Federal e a CGU (Controladoria-Geral da União) deflagraram uma operação contra descontos irregulares que se tornou um escândalo de proporções nacionais. O episódio motivou a criação da CPMI do INSS, que reúne deputados e senadores.

 

A operação da PF e da CGU mostrou que entidades conseguiam efetuar descontos diretamente nos rendimentos de beneficiários do INSS sem a devida autorização. Em tese, essas organizações deveriam oferecer serviços em troca dos descontos (quando autorizados), mas há indícios de que nem isso era feito.

 

O projeto que está na mesa do presidente Lula estipula medidas de segurança para os casos em que os descontos diretos em aposentadorias seguirão permitidos, como em empréstimos consignados. Passa a ser necessária identificação biométrica do beneficiário que aceitar o desconto, entre outras providências.

 

Além disso, a proposta estabelece regras para sequestro de bens de investigados ou acusados por descontos indevidos em benefícios do INSS. Poderão ser sequestrados todos os bens do titular acusado e de empresas dos quais seja sócio, além de outras hipóteses.

Banco Central aponta gestão fraudulenta e descumprimento de normas ao justificar liquidação do Banco Master

  • Bahia Notícias
  • 31 Dez 2025
  • 12:44h

Foto: Marcello Casal Jr. / EBC

Em resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central (BC) afirmou que a liquidação do Banco Master se deu em razão de uma “profunda e crônica crise de liquidez” da instituição e de um “grave e reiterado descumprimento de normas que disciplinam sua atividade” por parte da empresa de Daniel Vorcaro.

 

Conforme reportagem do Estadão, a instituição chefiada por Gabriel Galípolo informou ainda que, sete dias após decretar a liquidação do Banco Master, o BC fez uma nova comunicação de crime ao Ministério Público Federal (MPF) por suspeitas na condução da instituição.

 

O órgão regulador detectou indícios de gestão fraudulenta, operações sem lastro e uso de artifícios destinados a criar aparência de legalidade para operações desprovidas de substância econômica.

 

De acordo com documento sigiloso enviado pelo Banco Central ao TCU na segunda-feira (29), ao qual o Estadão teve acesso, as evidências colhidas sugerem que recursos do Master foram “reciclados por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas”, com o objetivo de dar aparência formal a transações com a mesma origem e o mesmo beneficiário final.

 

“Tal dinâmica, além de violar princípios de transparência e segregação fiduciária, pode configurar fraude na gestão e simulação de operações financeiras, nos termos da legislação penal aplicável”, afirmou o Banco Central.

 

O BC destacou ainda que a liquidação do Master, decretada em novembro, foi a solução adequada após o “esgotamento de alternativas” buscadas desde o início do mapeamento de problemas na operação do banco. Segundo o órgão, uma eventual reversão da medida poderia acarretar danos graves ao sistema financeiro.

 

“Diante do esgotamento de todas as alternativas de solução de mercado, da identificação de crítica situação econômico-financeira, que impediria a instituição de honrar suas obrigações, e da verificação de irregularidades graves – com indícios de crimes que afetavam o valor dos ativos do conglomerado e comprometiam sua solvência –, a liquidação foi decretada como medida indispensável para a proteção do sistema financeiro e da poupança popular”, frisou o BC.

 

O documento foi enviado ao TCU como resposta a um pedido de explicações feito pelo ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo que analisa as providências adotadas pelo Banco Central em relação ao Master. No despacho, o ministro havia apontado possível “precipitação” do órgão regulador.

 

Ainda conforme revelou o Estadão, o Banco Central apresentou uma lista de irregularidades identificadas ao longo do processo de supervisão do banco, entre elas atrasos na entrega de documentos contábeis, esgotamento de carteiras de crédito geradoras de caixa, comprometimento da solvência do conglomerado, incapacidade de recomposição do recolhimento compulsório, realização de operações estruturadas sem fluxo financeiro relevante e cessão de carteiras de crédito ao BRB com ativos considerados insubsistentes ou cuja existência não pôde ser comprovada.

Prefeitura suspende barraca envolvida em agressões a turistas em Porto de Galinhas

  • Por Folhapress
  • 31 Dez 2025
  • 10:41h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

A Prefeitura de Ipojuca (PE) afirmou nesta terça-feira (30) que suspendeu o estabelecimento de Porto de Galinhas envolvido nas agressões a um casal de Mato Grosso, no último sábado (27), após uma divergência sobre a cobrança pelo aluguel de barraca e cadeiras.
 

O município afirmou ainda que cobrou o afastamento dos funcionários envolvidos e anunciou uma ampliação na fiscalização de irregularidades na orla, incluindo "a prática de venda casada e da exigência de consumação mínima nas barracas".
 

A prefeitura também declarou que considera as agressões "um fato grave incompatível com os valores de respeito, acolhimento e hospitalidade que norteiam o destino".
 

Johnny Andrade e Cleiton Zanatta contam que foram abordados por um rapaz oferecendo o aluguel de barraca e cadeira logo que chegaram à praia e que combinaram um valor pelo serviço. Mas relatam que, no momento de pagar a conta, o preço cobrado foi outro.
 

"Foi quase o dobro. Aí nós questionamos, e eu falei que pagaria o valor combinado. Nisso ele passou a mão na cadeira e já a jogou em mim. Tentei me defender, me jogaram no chão, e quando eu me dei conta eram uns dez, 15, em cima da gente, batendo na gente", disse Johnny em um vídeo que ele publicou na sua rede social, ao lado do companheiro.
 

Eles contam que são empresários e escolheram Porto de Galinhas para passar alguns dias de férias. Um dos destinos turísticos mais conhecidos do Nordeste brasileiro, a praia pertence ao município de Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco.
 

"Tentei pedir ajuda. Todo mundo filmando, mas ninguém nos ajudou", acrescentou ele, que aparece no vídeo com o rosto machucado, com o olho esquerdo inchado.
 

A investigação de lesão corporal está sob responsabilidade da Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Divisão Especial de Apuração de Homicídios. O governo do estado afirma ter identificado 14 suspeitos de participação na agressão.
 

O casal retornou nesta terça-feira (30) para Cuiabá.

Dólar cai 11,19% em 2025, maior queda em 9 anos

  • Por Folhapress
  • 31 Dez 2025
  • 08:37h

Foto: Reprodução / Jornal de Brasília

O dólar encerrou o último pregão do ano em queda acumulada de 11,19% em 2025, a R$ 5,487, o maior recuo desde 2016, quando a moeda americana perdeu 17,8%. No dia, em sessão marcada pela liquidez reduzida nos mercados internacionais, a divisa dos Estados Unidos caiu 1,50%.
 

Já o Ibovespa fechou o ano em alta de 33,7%, a 161.125 pontos, e subiu 0,39% nesta terça-feira.
 

O forte fluxo de recursos estrangeiros para o mercados emergentes, incluindo o Brasil, deu impulso à valorização da moeda brasileira e ao Ibovespa.
 

Esse movimento de dinheiro de fora foi impulsionado pelo fato de o Federal Reserve (o banco central americano) ter reduzido a taxa de juros dos EUA da banda de 4,25% a 4,5% ao ano para 3,5% a 3,75% ao ano.
 

Além disso, os receios em torno da política econômica protecionista do presidente dos EUA, Donald Trump, também estimularam os estrangeiros a aumentar o apetite ao risco representado por emergentes.
 

Durante o pregão desta terça, os agentes avaliaram a ata da última reunião de política monetária de dezembro do Federal Reserve.
 

O documento mostrou que o Fed concordou em cortar a taxa básica de juros somente depois de um debate com muitas nuances sobre os riscos que a economia norte-americana enfrenta no momento.
 

Até mesmo alguns dos que apoiaram o corte de juros reconheceram que "a decisão foi finamente equilibrada ou que eles poderiam ter apoiado a manutenção do intervalo da taxa básica inalterado", dados os diferentes riscos enfrentados pela economia dos EUA.
 

O mercado também repercutiu os dados do mercado de trabalho doméstico. A taxa de desemprego do Brasil caiu a 5,2% no trimestre até novembro, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em agosto, que servem de base de comparação, apontam dados divulgados nesta terça (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 

O resultado renova a mínima da série histórica iniciada em 2012. Até então, a menor taxa havia sido de 5,4% até outubro deste ano.
 

Foram divulgados também dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que mostraram que o Brasil criou mais vagas de trabalho formal do que o esperado por economistas em novembro. O país abriu 85.864 empregos com carteira assinada.
 

Nesta segunda (29), o Tesouro Nacional informou que o governo central registrou um déficit primário de R$ 20,172 bilhões em novembro. Economistas projetavam um rombo menor, de R$ 13,5 bilhões, segundo pesquisa da Reuters.
 

Após a divulgação do relatório, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que o resultado primário deste ano deve ficar "mais próximo do centro da meta do que do piso".
 

Também na segunda, a pesquisa Focus mostrou que analistas consultados pelo Banco Central voltaram a reduzir marginalmente suas expectativas para a inflação neste ano e no próximo.
 

Os economistas reduziram a estimativa para o IPCA em 2025 a 4,32%, de 4,33% estimados há uma semana, no que foi o sétimo corte consecutivo da projeção. Para 2026, a expectativa teve a sexta queda consecutiva, para uma mediana de 4,05%, de 4,06% na semana anterior.

Desemprego cai a 5,2% até novembro e renova mínima da série histórica

  • Por Leonardo Vieceli | Folhapress via Bahia Notícias
  • 30 Dez 2025
  • 11:05h

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A taxa de desemprego do Brasil caiu a 5,2% no trimestre até novembro, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em agosto, que servem de base de comparação, apontam dados divulgados nesta terça (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 

O resultado renova a mínima da série histórica iniciada em 2012. Até então, a menor taxa havia sido de 5,4% no trimestre até outubro deste ano. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre intervalos com meses repetidos, como é o caso dos finalizados em outubro e novembro.
 

A marca de 5,2% veio abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 5,4%, conforme a agência Bloomberg.
 

Os dados divulgados pelo IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que investiga tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.
 

No trimestre encerrado em novembro, o IBGE encontrou 5,6 milhões de pessoas em busca de trabalho, o menor número de desempregados já registrado na série.
 

Ao longo da Pnad, o maior contingente de desocupados ocorreu no trimestre encerrado em março de 2021, na pandemia de Covid-19. À época, esse indicador chegou a quase 15 milhões de pessoas.
 

A menor desocupação da série histórica foi acompanhada por um novo recorde no número de pessoas ocupadas com algum tipo de trabalho no país: 103,2 milhões.
 

Com isso, o nível de ocupação, isto é, a proporção de pessoas com 14 anos ou mais de idade que estavam trabalhando, renovou o maior percentual da série: 59%.
 

Em nota, Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, disse que "a manutenção do contingente de trabalhadores em elevado patamar ao longo de 2025 tem assegurado a redução da pressão por busca de trabalho, reduzindo consideravelmente a taxa de desocupação".
 

Os indicadores de emprego e renda vêm em uma trajetória de recuperação no país. Segundo analistas, o movimento refletiu uma combinação de fatores.
 

O desempenho aquecido da economia em meio a medidas de estímulo do governo federal, as mudanças demográficas e os impactos da tecnologia na geração de vagas são questões apontadas para explicar o desemprego baixo.
 

A retomada do mercado de trabalho, porém, não eliminou questões como a informalidade considerada elevada no país. Economistas destacam que ainda há um contingente grande de empregos vistos como mais precarizados.

BC avalia entrar com mandado de segurança no STF para evitar acareação no caso Master

  • Por Adriana Fernandes | Folhapress
  • 29 Dez 2025
  • 12:11h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

O Banco Central deve entrar com um recurso no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a participação de um diretor do regulador na acareação ordenada pelo ministro Dias Toffoli no caso Banco Master. O recurso em análise pela área jurídica da autoridade monetária é um mandado de segurança, de acordo com duas pessoas que acompanham o caso e foram ouvidas pela reportagem.
 

Neste sábado (27), após um pedido de esclarecimento do banco, o magistrado reafirmou a necessidade da acareação e da participação de representante do BC, embora tenha dito que o regulador e o diretor Aílton de Aquino (Fiscalização) não figuram como investigados. A audiência está prevista para terça-feira (30).
 

O BC havia solicitado que Toffoli esclarecesse se Aquino foi chamado para a audiência do STF na condição de testemunha, acusado ou pessoa ofendida.
 

"Tendo em vista que o objeto da investigação tange a atuação da autoridade reguladora nacional, sua participação nos depoimentos e acareações entre os investigados é de especial relevância para o esclarecimento dos fatos", afirmou Toffoli no despacho.
 

Esse despacho de Toffoli informando que nem o Banco Central nem o diretor de fiscalização figuram como investigados no caso Master, porém, reforçou os argumentos jurídicos contrários à acareação, instrumento utilizado na produção de prova criminal.
 

Além da participação de Aquino, o ministro determinou a convocação de Daniel Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), instituição que fez uma proposta de compra do banco liquidado em março.
 

O formato põe em confronto Vorcaro e Costa, que são investigados, e Aquino, um dos responsáveis no órgão regulador pela fiscalização da atuação do Master e do BRB. A acareação foi determinada diretamente pelo ministro, sem um pedido anterior de investigadores.
 

Como mostrou a Folha de S.Paulo, Dias Toffoli teria indicado a integrantes de seu gabinete que pretende esclarecer o momento em que o Banco Central tomou conhecimento das suspeitas sobre as operações do Master, as medidas na fiscalização do mercado de títulos bancários e determinar eventuais responsáveis por falhas no processo.

Entenda o procedimento que deve ser feito nesta segunda para tratar crise de soluços de Bolsonaro

  • Por Jéssica Maes | Folhapress
  • 29 Dez 2025
  • 10:08h

Foto: Marcelo Camargo / EBC

Após uma forte crise de soluços na última semana, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a um procedimento médico para aplacar os sintomas. No sábado (27), foi realizado o bloqueio do nervo frênico direito e a intervenção no lado esquerdo deve ocorrer nesta segunda-feira (29).
 

A previsão, segundo o hospital DF Star, em Brasília -onde Bolsonaro está internado desde a semana passada para operar uma hérnia-, é de que o bloqueio esquerdo seja realizado no início da tarde.
 

O QUE É O NERVO FRÊNICO
Há dois nervos frênicos, um de cada lado do corpo. Eles se originam na região cervical e descem até o diafragma, músculo localizado no tórax usado na respiração.
 

O nervo frênico é o principal responsável por controlar o diafragma. Soluços são causados por contrações involuntárias e repetidas do diafragma, causando o fechamento da glote (a "tampa" da laringe, que regula a passagem de ar pelo pulmão) e gerando o som característico.
 

COMO FUNCIONA O BLOQUEIO DO NERVO FRÊNICO
 

O bloqueio médico desse nervo -feito com a aplicação local de anestésico e, opcionalmente, outras medicações- interrompe temporariamente os impulsos nervosos que estão provocando os espasmos do diafragma.
 

O procedimento é usado em casos graves de soluços persistentes, que não melhoram com medicamentos. Segundo a equipe médica de Bolsonaro, a medida foi adotada após uma alta dose de medicação não ter amenizado os sintomas, que estariam ocorrendo diariamente há meses.
 

O bloqueio não é uma cirurgia. Com o paciente sedado, o nervo é localizado por meio de um ultrassom. Então, é realizada uma punção, por onde é aplicado o anestésico -e, no caso do ex-presidente, também um medicamento corticóide, para prolongar os efeitos da intervenção.
 

QUAIS OS RISCOS DO PROCEDIMENTO
Como o diafragma está envolvido na respiração, tanto a frequência cardíaca como o nível de oxigenação do sangue do paciente são monitorados durante e após o procedimento. Também por esse motivo, o bloqueio é realizado em duas etapas, evitando um impacto indesejado.
 

De acordo com o radiologista intervencionista Mateus Saldanha, que realizou o procedimento em Bolsonaro, a ocorrência de falta de ar pode ser um dos efeitos colaterais do procedimento.
 

"Ao bloquear o diafragma, a pressão abdominal pode subir e comprimir a cavidade torácica", explicou o médico em coletiva de imprensa no sábado.
 

Além disso, há o risco de, inadvertidamente, em vez de bloquear o nervo frênico, a medicação atingir o plexo branquial, rede nervosa que controla os membros superiores, afetando os movimentos das mãos e braços.
 

QUAL É O PRAZO PARA A ALTA MÉDICA
Não é possível saber com certeza a data da alta médica antes da realização do procedimento. A previsão, no entanto, é que o paciente fique ao menos 48h em observação após a realização do bloqueio, segundo Claudio Birolini, cirurgião que integra a equipe médica do ex-presidente.
 

Assim, se a evolução do quadro de saúde de Bolsonaro for satisfatória, ele deve deixar o hospital na quarta-feira (31).
 

Na sequência, retornará à carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, em Brasília, onde cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
 

O ex-presidente passa por procedimentos médicos frequentemente devido à facada da qual foi vítima durante a campanha eleitoral de 2018. Em abril deste ano, por exemplo, o político foi submetido a uma operação de 12 horas para desobstrução intestinal.

Carla Zambelli troca de cela em presídio após agressões de outras detentas na Itália

  • Bahia Notícias
  • 27 Dez 2025
  • 14:37h

Foto: Lula Marques / EBC

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi transferida de cela após relatar agressões sofridas dentro da unidade penitenciária na cidade de Roma, capital da Itália. Segundo a defesa, a ex-parlamentar foi atacada por outras detentas em ao menos três ocasiões distintas, antes do mês de setembro.

 

De acordo com o advogado Fábio Pagnozzi, Zambelli chegou a comunicar as agressões à administração do presídio, mas não houve providências imediatas. Ainda segundo a defesa, a justificativa apresentada foi a alta rotatividade de presas na unidade.

 

Segundo publicação do Metrópoles, diante do risco à integridade física da ex-deputada, os advogados solicitaram a mudança de local de custódia. O pedido foi atendido, e Zambelli deixou a cela que ocupava no andar térreo para ser transferida a um pavimento superior da penitenciária.

 

Zambelli está presa na Itália após deixar o Brasil para não cumprir pena decorrente de condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso envolvendo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

No dia 14 de dezembro, a ex-parlamentar comunicou oficialmente à Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados a renúncia ao mandato. Com a formalização do pedido, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou a convocação do suplente Adilson Barroso (PL-SP), que deverá assumir a vaga conforme prevê o regimento interno da Câmara e a legislação eleitoral.

Novo salário mínimo injetará R$ 81,7 bi na economia, estima Dieese

  • Bahia Notícias
  • 27 Dez 2025
  • 12:34h

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

O novo salário mínimo de R$ 1.621, previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026, representa um marco importante para a economia brasileira, com o potencial de injetar R$ 81,7 bilhões no mercado ao longo do ano. Segundo estimativas detalhadas do Dieese, esse montante considera não apenas o aumento direto na renda das famílias, mas também o estímulo ao consumo e o consequente incremento na arrecadação tributária.

 

A medida deve alcançar diretamente cerca de 61,9 milhões de pessoas, abrangendo um público diversificado que inclui 29,3 milhões de aposentados e pensionistas do INSS, além de 17,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 10,7 milhões de autônomos e quase 4 milhões de empregados domésticos.

 

O reajuste nominal de 6,79% foi estabelecido seguindo a política permanente de valorização do salário mínimo, que busca garantir ganhos reais acima da inflação. No entanto, o cálculo para 2026 apresentou uma particularidade devido ao novo arcabouço fiscal. Para chegar ao valor final, somou-se a variação integral da inflação medida pelo INPC, que foi de 4,18%, ao crescimento do PIB de dois anos anteriores.

 

Embora o PIB de 2024 tenha registrado uma alta de 3,4%, o repasse desse crescimento foi limitado pelo teto de 2,5% imposto pelo novo regime fiscal da União. Essa combinação resultou no acréscimo de R$ 103 sobre o valor vigente anteriormente.

 

Do ponto de vista das contas públicas, o impacto é substancial, pois o salário mínimo atua como o principal indexador das despesas obrigatórias do governo federal.

 

O Dieese aponta que cada R$ 1 de aumento no piso nacional gera um custo adicional de R$ 380,5 milhões aos cofres públicos, totalizando uma pressão de R$ 39,1 bilhões apenas na Previdência Social para o próximo ano. Esse peso ocorre porque cerca de 70,8% dos beneficiários do INSS recebem exatamente o valor do piso, e 46% de todos os gastos previdenciários estão diretamente vinculados a esse reajuste. Assim, o grande desafio da gestão econômica será harmonizar o fortalecimento do poder de compra da população com a necessidade rigorosa de controle dos gastos e cumprimento das metas fiscais estabelecidas.

Anvisa analisa proposta de ensaio clínico para vacina brasileira contra Covid

  • Por Luana Lisboa | Folhapress
  • 27 Dez 2025
  • 10:30h

Foto: Marcelo Camargo / EBC

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que analisa com prioridade a proposta de iniciar um ensaio clínico de fase 3 para a SpiN-Tec, a primeira vacina contra Covid totalmente desenvolvida em território brasileiro.
 

Conforme a agência, a área técnica mantém contato permanente com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para oferecer aconselhamento para que a proposta seja ajustada para atender aos requisitos regulatórios que comprovem segurança e eficácia.
 

A SpiN-Tec é produzida pelo CT Vacinas (Centro Nacional de Vacinas), e tem coordenação da UFMG, com apoio financeiro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Prefeitura de Belo Horizonte.
 

O ensaio clínico fase 3 é a etapa final e mais abrangente antes da aprovação regulatória. A previsão é que o estudo envolva cerca de 5.000 voluntários no país para avaliar a segurança da vacina em larga escala.
 

O protocolo da fase 3 está em análise na Anvisa desde maio, mas no último dia 17 a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e a farmacêutica Hipolabor, que está conduzindo o projeto junto com o CT Vacinas/UFMG, assinaram contrato que libera os recursos de R$ 121 milhões que serão usados para a execução da fase 3. Os recursos são oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), gerido pela Finep.
 

A contratação da proposta pela agência de inovação era condicionada à comprovação da conclusão dos ensaios clínicos fase 1 e 2 e da apresentação de pedido de anuência da Anvisa para início do ensaio fase 3.
 

Segundo a Finep, as etapas iniciais da fase 3 estão em andamento, como a preparação para a produção do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) e fabricação do imunizante. A aplicação da vacina nos voluntários está prevista para o segundo semestre de 2026.
 

Para a futura produção do imunizante, a Hipolabor investirá cerca de R$ 150 milhões na construção de uma nova área na planta fabril da empresa em Montes Claros (MG).
 

A fase 2 avaliou a imunogenicidade -isto é, capacidade de gerar resposta imune- da vacina em um esquema de dose única como reforço após um esquema inicial completo com as vacinas monovalentes atualmente disponíveis contra Covid (Coronavac, Pfizer e AstraZeneca) ou com reforço da bivalente há pelo menos seis meses.
 

Durante os estudos, que envolveram o monitoramento de 320 voluntários por 12 meses, com coletas de sangue e consultas médicas, metade dos voluntários recebeu uma dose da Spin-Tec e a outra metade da Pfizer bivalente.
 

A SpiN-Tec é formulada a partir de uma proteína do vírus, a Spike ou espícula (gancho molecular usado pelo vírus para entrar nas células) modificada para induzir a produção de anticorpos sem causar a infecção.
 

De acordo com os responsáveis pelo desenvolvimento do imunizante, o custo de fabricação da vacina produzida pelo CT Vacinas é menor do que as outras existentes no mercado, por envolver uma tecnologia que já é conhecida das farmacêuticas públicas e privadas brasileiras.
 

Outro benefício apontado são os dados que indicam que a vacina se mantém estável por até dois anos na geladeira, sem a necessidade de gastos com logística e armazenamento em freezers.
 

Em caso de sucesso nos testes de fase 3, a SpiN-Tec deve ser liberada aos brasileiros a partir de 2028, segundo a UFMG.

STF estende até 31 de janeiro prazo para aprovar distribuição de dividendos isentos de IR

  • Por Idiana Tomazelli | Folhapress
  • 27 Dez 2025
  • 08:26h

Foto: Wallace Martins/STF

O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu liminar para prorrogar até 31 de janeiro de 2026 o prazo para que empresas aprovem a distribuição de dividendos isentos de Imposto de Renda.
 

A decisão atendeu a um pedido da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que protocolou ação questionando a nova legislação do IR, que instituiu uma tributação de 10% sobre dividendos superiores a R$ 50 mil pagos por uma empresa a uma mesma pessoa física.
 

A lei, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, garantiu a isenção caso a distribuição seja aprovada até 31 de dezembro deste ano.
 

Para a CNI, a norma gera insegurança jurídica para empresas de diversos setores e interfere diretamente nas deliberações societárias, uma vez que exige a aprovação da distribuição de lucros antes mesmo do término do exercício fiscal.
 

Eu sua decisão, Nunes Marques ressaltou que a Lei das S.A. (Sociedades Anônimas) e o Código Civil estipulam que deliberações sobre balanço patrimonial, resultado econômico, destinação de lucro líquido e distribuição de dividendos ocorrerão nos quatro primeiros meses após o término ao exercício.
 

"Ao estabelecer a data limite de 31 de dezembro de 2025 para a aprovação da distribuição, a Lei n. 15.270/2025 [novas regras do Imposto de Renda] adiantou, consideravelmente, a sistemática atualmente vigente para tal finalidade", diz o ministro.
 

"Ademais, considerando a recentíssima publicação da norma, tem-se, na prática, a determinação de prazo exíguo para o cumprimento, pelas pessoas jurídicas, de diversos deveres instrumentais indispensáveis para uma adequada -e segura- apuração de resultados e deliberação em assembleia."
 

Como a lei foi publicada em 27 de novembro, Nunes Marques ressaltou que as companhias teriam pouco mais de um mês para se organizar e usufruir do benefício. Segundo o magistrado, o curto espaço de tempo "torna quase inexequível o cumprimento da condição legal para a isenção, podendo resultar, na prática, em disposição meramente formal, incapaz de ser executada pela maioria dos contribuintes".
 

Segundo ele, a imposição de prazo tão exíguo "pode atingir de forma ainda mais gravosa as empresas de pequeno porte e as optantes do Simples Nacional".
 

"Em atenção ao princípio democrático, parece-me evidente o intuito do legislador ordinário em desonerar os resultados decorrentes do exercício de 2025. Sendo assim, a prorrogação do prazo inicialmente previsto na norma para a aprovação da distribuição dos lucros e dividendos mostra-se medida mais razoável e consonante com a harmonia do sistema jurídico pátrio", argumentou.
 

A decisão, em caráter liminar, será levada a julgamento no plenário virtual do STF a partir de 13 de fevereiro de 2026. Como o prazo estendido por Nunes Marques já terá se encerrado, é possível que ele prevaleça na prática.

Selton Mello vira destaque internacional em 'Anaconda' e recebe elogios da crítica estrangeira

  • Por Luísa Monte | Folhapress
  • 26 Dez 2025
  • 14:03h

Foto: Divulgação/Bahia Notícias

Selton Mello tem ganhado espaço na crítica internacional com sua participação em "Anaconda" --um remake do clássico de 1997. O longa marca sua primeiro trabalho em Hollywood.
 

O ator vive Carlos Santiago, um domador de cobras, que contracena ao lado de nomes consagrados como Jack Black e Paul Rudd. Críticos de veículos especializados elogiaram a performance de Mello, destacando sua versatilidade e presença cênica.
 

Pete Hammond, do Deadline, escreveu que Mello "rouba cenas" como o tratador de anacondas, destacando sua atuação mesmo em meio ao elenco de Hollywood. No The New York Times, Beatrice Loayza escreveu que o ator traz uma "energia bizarra" ao filme, e que o resto dos personagens não consegue acompanhar o brasileiro.
 

No IndieWire, o jornalista David Ehrlich afirmou que a contribuição do brasileiro é "o trunfo de 'Anaconda'", ressaltando a mudança radical do ator -vindo de papéis sérios, como no drama "Ainda Estou Aqui" --para uma comédia leve e excêntrica.
 

O The AU Review e o JoBlo também apontaram Mello como um dos pontos altos do filme, comentando que sua interpretação adiciona energia e humor ao enredo. Outros veículos, como o The Guardian, apenas citam que Santiago é um personagem " excêntrico", mas não deixam de o incluir na crítica.
 

"Anaconda" chegou aos cinemas brasileiros nesta quarta-feira (25).

Dengue deve atingir 1,8 milhão de brasileiros em 2026 com metade das infecções em SP

  • Por Patrícia Pasquini | Folhapress
  • 26 Dez 2025
  • 12:01h

Foto: Divulgação

O Brasil poderá chegar a 1,8 milhão de casos prováveis de dengue em 2026. Destes, 54% são esperados no estado de São Paulo. O próximo ano deverá ser o segundo maior em número de infecções desde 2010.
 

A estimativa —que considera o período de 12 meses a partir de outubro de 2025— é resultado do InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge, um desafio internacional dos projetos InfoDengue e Mosqlimate, em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a FGV (Fundação Getulio Vargas).
 

As análises para a próxima temporada sugerem um ano com características epidêmicas, mas sem sinais de alcançar os extremos de incidência observados em 2024.
 

O estudo reuniu esforços de 52 pesquisadores da África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, do Brasil, da Espanha, dos Estados Unidos, da Itália e do Reino Unido com os objetivos de apoiar o desenvolvimento e treinamento de modelos preditivos de dengue no Brasil e melhorar as previsões de surtos com a utilização de dados climáticos e epidemiológicos.
 

Ao todo, 15 equipes de pesquisa participaram da ação —chamada de Sprint—com 19 modelos diferentes de previsões de casos de dengue no Brasil. As previsões foram unificadas.
 

As projeções mostram que o patamar será menor do observado em 2024 —quando o Brasil alcançou mais de 6,5 milhões de casos prováveis e 6,3 mil mortes por dengue— e semelhante ao de 2025, que somou 1,6 milhão de infecções e 1.761 mortos até 6 de dezembro.
 

Acre e Tocantins (Norte), Rio Grande do Norte (Nordeste), São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo (Sudeste), e todas as unidades federativas do Sul e do Centro-Oeste têm a expectativa de alcançar coeficiente de incidência acima de 300 casos por 100 mil habitantes, o que é considerado epidemia, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).
 

Porém, em 2026, vale ressaltar que o Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Acre e Amapá deverão ter incidência mais baixa do que a registrada neste ano. Espera-se um coeficiente maior em Santa Catarina, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Os demais terão taxas semelhantes a atual, projeta a análise.
 

Minas Gerais preocupa os pesquisadores porque é um estado com altos números de dengue nos últimos anos e mais uma vez apresenta crescimento, de acordo com as projeções.
 

"Praticamente não tinha dengue no Sul e de alguns anos para cá a região passou a ser sempre o vice-campeão de casos. Os campeões eram Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O Nordeste, nos últimos anos, tem registrado poucos casos em relação ao Sudeste. E o Sul tem uma grande população virgem, que nunca teve dengue", explica Kleber Luz, coordenador do Comitê de Arboviroses da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e consultor para arboviroses da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), braço da OMS nas Américas e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O especialista não participou do estudo.
 

Na opinião do coordenador do estudo e professor da EMAp/FGV (Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas), Flávio Codeço Coelho, os investimentos em prevenção precisam continuar.
 

"Estamos com uma expectativa positiva para o ano que vem, porque não tem um aumento grande em relação a este ano. Climaticamente, vamos entrar em um ano tranquilo. Historicamente, com o La Niña, no clima global, temos menos casos de dengue no Brasil. Apesar de os números continuarem elevados, teremos uma folga aí, mas realmente os desafios climáticos são sérios e há um crescimento da doença em função do aumento das temperaturas médias", afirma Flávio.
 

"Nas cidades que não têm a experiência com a dengue, a população tende a sofrer um pouco mais. O diagnóstico é mais difícil porque os médicos locais não tem experiência com a doença e s vezes o município não está preparado para dar aquela assistência. A nossa maior preocupação no momento é essa expansão que a gente chama de interiorização da dengue. A partir dos grandes centros ela se espalha para as cidades de médio e pequeno porte", explica Flávio.
 

Para Kleber Luz, o Brasil não deverá ultrapassar dois milhões de casos. O infectologista chama a atenção para a possibilidade de entrada do sorotipo 3, que não causa epidemias no país há mais de 17 anos. Seu retorno é arriscado por causa da baixa imunidade da população.
 

A dengue é uma arbovirose transmitida pelo Aedes aegypti. A doença possui quatro sorotipos. Quando um indivíduo é infectado por um deles adquire imunidade contra aquele vírus, mas ainda fica suscetível aos demais.
 

BUTANTAN-DV
 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta terça-feira (26) o registro da Butantan-DV, vacina de dose única contra a dengue fabricada pelo Instituto Butantan.
 

As primeiras 1,3 milhão de doses serão destinadas até o final de janeiro de 2026 para profissionais da atenção primária à saúde, que atuam nas UBS's (Unidades Básicas de Saúde) e nas visitas às comunidades.
 

A ideia do Ministério da Saúde é ampliar a oferta no SUS (Sistema Único de Saúde) para os adultos com 59 anos e depois expandir às demais faixas etárias até chegar aos adolescentes de 15 anos.
 

Mesmo com a vacina, os investimentos em prevenção devem continuar, porque o Aedes aegypti também é o transmissor da chikungunya e do zika vírus.
 

DENGUE
 

Quem apresentar febre alta (38°C a 40°C) de início repentino e pelo menos duas manifestações —dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás nos olhos— deve procurar uma unidade de saúde.
 

Passada a fase crítica, a maioria se recupera. Em alguns casos, a doença pode progredir para formas graves e óbito.
 

Os sinais de alarme para a gravidade são dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico),
 

hipotensão postural (queda da pressão arterial ao levantar-se da posição sentada ou deitada), sensação de desmaio, letargia e/ou irritabilidade, aumento do tamanho do fígado, sangramento de mucosa e
 

aumento progressivo do hematócrito.
 

Não há tratamento específico para a dengue. Repouso e hidratação são essenciais.
 

Flávio Coelho reforça a importância do uso de repelente, principalmente no verão e na ocorrência de casos.
 

"O repelente vale também se você tem suspeita de dengue, porque se a gente transmite para um mosquito, ele passa para outra pessoa. Se estiver elegível para a vacina, recomendo que o faça", finaliza o professor da FGV.