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- Por Ronne Oliveira/Bahia Notícias
- 12 Jan 2026
- 12:43h
Foto: Reprodução / TV Globo
O ator baiano Wagner Moura conquistou, na madrugada desta segunda-feira (12), o Globo de Ouro 2026 pela categoria 'Melhor Ator em Filme de Drama', pelo desempenho no longa brasileiro “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, também vencedor de melhor filme em língua não inglesa no evento. A cerimônia aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, mas madrugou o sentimento de brasilidade e euforia nas redes sociais.
Em seu momento do discurso do ator baiano emocionando que avisa "O Agente Secreto é um filme sobre a memória ou a falta dela, é sobre traumas. Uma geração que vive com esses traumas, eu acho que se os traumas podem passar por gerações, os valores também podem", reflete o Wagner.
Natural de Salvador, Wagner superou nomes de peso de Hollywood, consolidando-se como um dos grandes destaques da noite e colocando a Bahia e o cinema brasileiro ganha maior evidência no cenário internacional. Emocionado, o ator subiu ao palco para receber a estatueta e ressaltou a importância do reconhecimento para produções nacionais faladas em português " Viva o Brasil, viva a cultura brasileira", conclui.
A vitória marca um capítulo histórico em sua carreira, já que ele havia sido indicado ao Globo de Ouro anteriormente por sua participação na série "Narcos", mas conquistou a estatueta máxima em uma das categorias mais prestigiadas da premiação. O baiano chegou a brincar que carregava o santinho da Fernanda Torres, primeira mulher a levar a estatueta na categoria feminina.
O BAIANO BRILHA
Antes de se tornar um dos atores brasileiros mais reconhecidos internacionalmente, Wagner Moura estudou comunicação social com habitação em jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom - UFBA). Ele credita parte de sua carreira à experiência universitária, marcada por debates culturais, vivências coletivas e um ambiente de intenso intercâmbio artístico e político.
A passagem pela universidade pública foi decisiva para a formação humana e artística do ator, ajudando a construir camadas do personagem Marcelo, que ele interpreta em "O Agente Secreto". No longa, ambientado no Brasil de 1977, Marcelo é justamente um professor universitário, perseguido pela vigilância e tensões políticas da ditadura, refletindo inquietações e senso crítico que ecoam na trajetória do ator.
Moura também administrou uma pequena empresa de relações-públicas na UFBA e já trabalhou como repórter no programa de entrevistas baiano. Participou de diversos projetos teatrais, entre eles a peça "A Máquina", que viajou por Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, impulsionando sua carreira junto a colegas como Lázaro Ramos e Vladimir Brichta.
Na televisão, estreou com pequenos papéis em séries como 'Carga Pesada' e 'Sexo Frágil', e em telenovelas com 'A Lua Me Disse' e 'JK', interpretando uma versão jovem do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ex-presidente. Em 2007, seu papel como Capitão Nascimento em 'Tropa de Elite', de José Padilha, consolidou seu reconhecimento nacional e furou a bolha internacional.
Bem como, o filme político rendeu ao filme o Urso de Ouro no Festival de Berlim, a partir dali participa de filmes em Hollywood. Agora anda cada vez mais passos mais perto pelo Oscar (o maior prêmio para um ator), vencendo o 'Globo de Ouro' em 2026 e fazendo a vida de todo o Brasil prestar, como avisava sobre a necessidade de sorrir, Fernanda Torres.
- Bahia Notícias
- 12 Jan 2026
- 10:41h
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Um conjunto de desgastes entre Ricardo Lewandowski com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com a Secretaria de Comunicação Social (Secom) teria levado à saída do ex-ministro da Justiça da pasta, no Governo Federal. De acordo com publicação do O Globo, Lewandowski estaria ainda sofrendo “fogo amigo” dos colegas de Esplanada.
Ele deixou o cargo em meio a falta da aprovação da principal bandeira de sua administração: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A tramitação pode retardar por conta da incerteza sobre o novo comando do ministério.
Segundo a publicação, Lewandowski estaria se sentido mais contrariado por alguns de seus colegas de governo. Conforme interlocutores da gestão, isso teria ocorrido de uma forma mais clara durante a ideia de criar uma secretaria extraordinária vinculada à Casa Civil para concentrar as ações do governo na área da segurança pública.
Mesmo não sendo aprovada por Lula, Lewandowski entendeu que havia uma pressão interna para enfraquecer o seu ministério. Em uma tensa reunião no mês de novembro, ele chegou a questionar se Rui teria interesse em seu cargo.
“Se quiser a segurança pública, pode ficar para você”, disse.
Nos bastidores da administração federal, Lewandowski apontou que não se sentia “bem tratado” pelo governo e se sentia isolado nas articulações no Congresso.
Após a saída de Lewandowski, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), Rui Costa e o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, têm defendido uma indicação em conjunto. O nome da ala baiana para comandar a pasta é o de Wellington Cesar Lima e Silva, advogado-geral da Petrobras.
Wagner é um dos principais apoiadores do nome de Wellington ao cargo. Quando era governador da Bahia, ele chegou a indicar César para o comando do Ministério Público do estado. Já Rui e Sidônio atuam de forma mais discreta para indicar o chefe do jurídico da Petrobras.
- Por Ana Paula Branco, Júlia Galvão e Luciana Lazarini | Folhapress
- 12 Jan 2026
- 08:37h
Foto: Agência Brasil
Profissionais com carteira assinada, empregadores de trabalhadores domésticos e contribuintes avulsos pagarão novos valores de contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em 2026.
A Previdência divulgou a nova tabela de contribuição válida desde o dia 1º de janeiro para trabalhadores com carteira assinada, empregados domésticos e trabalhadores avulsos. Os novos valores serão descontados a partir do pagamento de fevereiro.
As faixas de contribuição foram atualizadas seguindo o índice de inflação acumulado no ano passado, de 3,90%, medido pelo INPC, o mesmo percentual aplicado no reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo. Essas alíquotas, relativas aos salários de janeiro, deverão ser recolhidas apenas em fevereiro, uma vez que, em janeiro, os segurados pagam a contribuição referente ao mês anterior.
VEJA A NOVA TABELA DE DESCONTOS DO INSS
_Tabela de contribuição dos segurados empregados, empregado doméstico e trabalhador avulso, válida desde janeiro_
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$) - ALÍQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS DE RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.621,00 - 7,50%
de 1.621,01 até 2.902,84 - 9%
de 2.902,85 até 4.354,27 - 12%
de 4.354,28 até 8.475,55 - 14%
A pedido da reportagem o advogado Wagner da Silva e Souza, sócio do escritório Roberto de Carvalho Santos e Wagner Souza Sociedade de Advogados, simulou quanto o trabalhador irá recolher pelos próximos 12 meses ao INSS, considerando o reajuste da tabela de contribuição pela inflação do ano anterior, e também o valor do novo salário mínimo, de R$ 1.621.
Os valores de contribuições de autônomos e facultativos também são calculados considerando os limites mínimos do salário mínimo e máximo do teto do INSS, que subiu para R$ 8.475,55.
PARA TRABALHADORES COM CARTEIRA ASSINADA E DOMÉSTICOS
As alíquotas, que variam de 7,5% a 14%, são progressivas e incidem de acordo com a faixa salarial do trabalhador com carteira assinada, domésticos e trabalhadores avulsos. A mudança é aplicada desde a reforma da Previdência, válida desde novembro de 2019.
Os índices são aplicados sobre cada faixa de remuneração, como se fossem fatias do salário, e não sobre o valor cheio. No caso do assalariado, o recolhimento é feito diretamente pela empresa.
O INSS ainda deve divulgar os valores exatos de cada faixa de contribuição para 2026. Veja a simulação que o advogado Wagner da Silva e Souza fez para os valores de contribuição ao INSS para diferentes níveis de renda, considerando o salário mínimo vigente e o teto:
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - CONTRIBUIÇÃO AO INSS
R$ 1.621,00 - R$ 121,58
R$ 2.000,00 - R$ 155,69
R$ 2.500,00 - R$ 200,69
R$ 3.000,00 - R$ 248,60
R$ 3.500,00 - R$ 308,60
R$ 4.000,00 - R$ 368,60
R$ 4.500,00 - R$ 431,51
R$ 5.000,00 - R$ 501,51
R$ 5.500,00 - R$ 571,51
R$ 6.000,00 - R$ 641,51
R$ 6.500,00 - R$ 711,51
R$ 7.000,00 - R$ 781,51
R$ 7.500,00 - R$ 851,51
R$ 8.000,00 - R$ 921,51
R$ 8.475,55 - R$ 988,09
PARA TRABALHADORES AUTÔNOMOS
O pagamento de contribuição ao INSS dos contribuintes individuais, facultativos e donas de casa de baixa renda sobre um salário mínimo segue o novo piso nacional, de R$ 1.621.
Os autônomos que prestam serviços a pessoas físicas (e não a pessoas jurídicas) podem contribuir com 11% sobre o salário mínimo. Neste caso, porém, o segurado terá direito somente à aposentadoria por idade e no valor do salário mínimo.
VEJA QUANTO IRÁ CONTRIBUIR AO INSS EM 2026
_Cálculos consideram alíquota de 11%_
Salário de contribuição - Valor contribuição previdenciária
R$ 1621 - R$ 178,31
R$ 2000 - R$ 220
R$ 2500 - R$ 275
R$ 3000 - R$ 330
R$ 3500 - R$ 385
R$ 4000 - R$ 440
R$ 4500 - R$ 495
R$ 5000 - R$ 550
R$ 5500 - R$ 605
R$ 6000 - R$ 660
R$ 6500 - R$ 715
R$ 7000 - R$ 770
R$ 7500 - R$ 825
R$ 8000 - R$ 880
R$ 8475,55 - R$ 932,31
_Fonte: Wagner Souza, sócio do escritório Roberto de Carvalho Santos e Wagner Souza Sociedade de Advogados_
Outro tipo de recolhimento de contribuição de autônomos é com a alíquota de 20% em cima de um valor que deve ser entre o salário mínimo e o teto do INSS.
VEJA QUANTO IRÁ CONTRIBUIR AO INSS EM 2026
_Cálculos consideram alíquota de 20%_
Salário de contribuição - Valor contribuição previdenciária
R$ 1621 - R$ 324,20
R$ 2000 - R$ 400
R$ 2500 - R$ 500
R$ 3000 - R$ 600
R$ 3500 - R$ 700
R$ 4000 - R$ 800
R$ 4500 - R$ 900
R$ 5000 - R$ 1000
R$ 5500 - R$ 1100
R$ 6000 - R$ 1200
R$ 6500 - R$ 1300
R$ 7000 - R$ 1400
R$ 7500 - R$ 1500
R$ 8000 - R$ 1600
R$ 8475,55 - R$ 1695,11
_Fonte: Wagner Souza, sócio do escritório Roberto de Carvalho Santos e Wagner Souza Sociedade de Advogados_
Neste ano, a contribuição mensal do MEI (Microempreendedor Individual) passou a R$ 81,05, valor equivalente a 5% do novo salário mínimo. Em 2025, o valor era de R$ 75,90. Além do pagamento ao INSS, o microempreendedor precisa pagar taxas ligadas a sua atividade: ICMS (para comércio e indústria) e/ou ISS (para prestação de serviços). O recolhimento é feito em uma guia única, chamada de DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).
O pagamento mensal também garante acesso a essas pessoas benefícios previdenciários como aposentadoria por idade, auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão, desde que a contribuição esteja em dia e seja cumprida a carência exigida para cada benefício.
- Bahia Notícias
- 11 Jan 2026
- 12:40h
Foto: Daniel Torok / Casa Branca
Os EUA e forças aliadas lançaram uma série de ataques "em larga escala" contra o grupo jihadista Estado Islâmico na Síria. Essa é uma nova represália após uma ofensiva em dezembro que matou três americanos no país do Oriente Médio, informou o comando militar central (Centcom, na sigla em inglês) norte-americano.
Não foram divulgados números de mortos ou feridos. Ataque feito hoje faz parte de uma operação lançada em 19 de dezembro do ano passado, como resposta ao ataque de 13 de dezembro. Na ocasião, foram mortos dois soldados norte-americanos e um intérprete civil dos EUA.
Ataque visou toda a Síria, diz o comunicado do Centcom. "Como parte do nosso compromisso contínuo de erradicar o terrorismo islâmico contra os nossos combatentes, prevenir futuros ataques e proteger as forças americanas e parceiras na região", alegou o comando central.
A ofensiva atingiu pelo menos 35 locais e incluíram o disparo de mais de 90 munições de precisão e mais de 20 aeronaves, disse um oficial à CBS News. As aeronaves incluíam F-15Es, A-10s, AC-130Js, MQ-9s e F-16s jordanianos.
Em um post no X, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, escreveu: "Jamais esqueceremos e jamais cederemos."
"Nossa mensagem permanece firme e se você ferir nossos combatentes, nós o encontraremos e o mataremos em qualquer lugar do mundo, não importa o quanto você tente fugir da justiça", disse a Centcom.
- Por Renata Galf/Bahia Notícias
- 11 Jan 2026
- 10:35h
Foto: Antonio Augusto/STF
Caso a proposta encampada pelo presidente da corte, Edson Fachin, de se criar um código de conduta no STF (Supremo Tribunal Federal) avance, um segundo debate que se coloca é o de como criar um desenho que tenha efetividade.
Para além de estabelecer regras limitando o recebimento de presentes, a participação em eventos ou as manifestações públicas dos magistrados, impõem-se perguntas quanto a se haveria algum organismo responsável por fiscalizar tal cumprimento e, ainda, se algum tipo de sanção seria aplicada.
Professores de direito constitucional e público consultados pela Folha avaliam que uma possibilidade seria a criação de uma comissão de ética dentro do STF que pudesse receber e avaliar denúncias. Há também quem veja risco na criação de uma comissão. A maioria defende, porém, que um organismo do tipo não deveria ter caráter punitivo.
O novo rol de regras funcionaria como ferramenta de cobrança pública e de constrangimento.
Um ponto que poderia ter efeito concreto seria a obrigatoriedade de transparência sobre valores recebidos por atividades extras, como pela participação em palestras.
Apontados como inspirações para o debate brasileiro, tampouco os códigos de conduta da Alemanha e dos Estados Unidos preveem um mecanismo de implementação e fiscalização. Nos EUA, tal lacuna é motivo de críticas desde a aprovação do código no fim de 2023.
Do mesmo modo, um estudo da Fundação FHC de outubro passado, que também tem servido de referência e bebe na fonte desses exemplos internacionais, não adentra a seara da implementação.
Órgão de cúpula do Judiciário, o Supremo não está sob o controle do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que tem competência, por exemplo, para instaurar processos de infração disciplinar contra magistrados de modo geral.
Com isso, eventuais infrações disciplinares dos ministros não estão submetidas a um órgão externo -com exceção do impeachment, reservado para situações extremas. No cenário atual, já há uma percepção de que algumas das regras, como a que veda a manifestação de opinião sobre processo pendente de julgamento, são descumpridas por parte dos ministros de modo recorrente.
A Folha questionou o STF via assessoria se está sendo discutido como violações a um eventual código de conduta poderiam ser fiscalizadas, mas não houve resposta. Perguntou-se ainda se a criação de uma comissão seria uma possibilidade e se se avaliava a previsão de alguma punição.
Elival da Silva Ramos, professor titular de direito constitucional da USP (Universidade de São Paulo) e ex-procurador-geral do estado de São Paulo, também aponta como caminho a criação de uma comissão de ética que, a partir do recebimento das denúncias, requisitaria prestação de informações para avaliar caso a caso. Na hipótese de condutas criminais, caberia encaminhamento à PGR (Procuradoria-Geral da República).
Carlos Ari Sundfeld, professor da FGV Direito SP e advogado, diz que uma eventual comissão de ética poderia ser composta, por exemplo, por ex-magistrados, professores de direito e pessoas públicas de respeitabilidade. Diz que os ministros, tanto por serem diretamente envolvidos quanto pelo volume de trabalho, dificilmente iriam integrá-la.
Ele aponta que seria legítimo que os procedimentos tramitassem em sigilo, argumentando que isso poderia evitar que o mecanismo de denúncia fosse usado para buscar criar impedimentos.
Além disso, defende o caráter não punitivo, já que, se for uma violação grave, o Senado tem a competência para instaurar processo de impeachment contra os ministros.
Vera Karam de Chueiri, que é professora titular de direito constitucional da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e conselheira na Comissão de Ética Pública da Presidência, também vê como caminho possível a criação de uma comissão no próprio STF.
Ela diz que denúncias sem fundamento deveriam ser excluídas já em um primeiro filtro e defende um organismo de caráter preventivo e educativo, a que os ministros pudessem fazer consultas prévias em caso de dúvida, e que pudesse emitir recomendações e advertências.
Professor da FGV Direito SP e um dos subscritores do estudo da Fundação FHC, Rubens Glezer vê com ressalvas a possibilidade de criação de um mecanismo de fiscalização como uma comissão ou algo do tipo. Ele avalia que uma maioria de ministros poderia usar tal organismo para controle de vozes dissidentes dentro da corte.
E, apesar de considerar válida a preocupação quanto à efetividade da medida, pondera que, se não fizesse diferença a aprovação de um código, não haveria motivo para haver resistência à sua aprovação, como tem se noticiado.
Em dezembro, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), apresentou um projeto de lei prevendo a criação de um código de conduta para o tribunal.
Sundfeld (FGV) e Elival (USP) avaliam, porém, que haveria vício de iniciativa em tal projeto. Segundo eles, pelo teor do texto, ele só poderia tramitar no Legislativo em uma proposta de iniciativa do Supremo.
À Folha o deputado Chico Alencar afirmou que não teve a pretensão de fazer um projeto pronto e acabado e que ele será alvo de debates. "Simplesmente dizer que só cabe ao Supremo legislar a esse respeito não avança na questão que é da imparcialidade, integridade, transparência e impessoalidade da atuação dos ministros", afirmou ele, acrescentando que, se o próprio tribunal conseguir aprovar algo antes, seria ainda melhor.
Apesar de não prever como seria o organismo e os atores exatos responsáveis por essa análise, o texto diz que qualquer pessoa pode apresentar denúncia fundamentada ao STF, que deverá, por sua vez, dar uma resposta.
Lucas Mourão, advogado e assessor jurídico do gabinete do deputado, diz que essa questão ainda seria amadurecida. Ele argumenta, porém, que a existência de um órgão colegiado para análise das condutas é uma premissa fundamental.
- Por Folhapress
- 11 Jan 2026
- 08:28h
Foto: Reprodução / Freepik
O acordo entre União Europeia e Mercosul aprovado na sexta-feira (9) pelos países europeus pode baratear produtos bastante consumidos pelo brasileiro e conhecidos pela qualidade na Europa, como chocolates, queijos, azeites e molho de tomate. O tratado comercial prevê redução de alíquotas para vários alimentos a partir de um cronograma pré-definido.
Os chocolates europeus, por exemplo, hoje são taxados em 20% pelo Brasil, mas ficarão imunes aos tributos a partir do décimo ano de vigência do acordo, que ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu. O cronograma de cortes, no entanto, já começa logo no primeiro ano de tratado.
Os queijos da UE, que hoje têm alíquota de 16%, também terão isenção de tributos de importação a partir do décimo ano. Nesse caso, haverá uma cota anual de 30 mil toneladas em todo o Mercosul –quando essa quantidade for atingida, os importadores precisarão voltar a pagar impostos de importação. A mozarela, porém, seguirá sendo taxada em 28%.
Já os azeites produzidos nos países europeus, taxados em 10%, terão a alíquota zerada a partir do 15º ano, mas também já ficarão mais baratos a partir do primeiro ano de vigência, devido aos cortes graduais.
A redução nos impostos de importação de azeite, aliás, pode gerar um impacto significativo nas compras dos brasileiros. Hoje, quase todo o azeite consumido no Brasil vem de fora do país, sendo que Portugal é de longe o maior exportador do alimento para o Brasil (em 2025, foram 10 mil toneladas, contra 662 vindo da Argentina, o segundo colocado).
Estão na lista também de produtos que deverão chegar mais baratos ao Brasil os molhos de tomate, sobretudo os italianos –principal origem dos molhos importados pelo Brasil. Nesse caso, em dez anos, os molhos verão as taxas de 18% de importação serem zeradas.
Os consumidores de kiwi no Brasil também devem se beneficiar com o acordo. A maior parte da fruta vendida em supermercados brasileiros vem de fora, sendo Grécia e Itália o segundo e o terceiro maiores vendedores, atrás apenas do Chile. Nesse caso, a redução será integral logo no primeiro ano de vigência.
Os vinhos europeus, por sua vez, terão alíquotas de 20% a 27% reduzidas a zero entre o oitavo e décimo ano, a depender do tipo de vinho. Já os vinhos brancos produzidos em algumas regiões específicas da Europa serão isentos logo no primeiro ano do acordo.
A manteiga também terá sua alíquota reduzida, ainda que o Brasil importe muito pouco desse produto. Nesse caso, assim que o acordo entrar em vigência, a manteiga europeia terá uma alíquota reduzida em 30% –hoje, a alíquota aplicada pelo governo brasileiro é de 16%.
ASSOCIAÇÕES EMPRESARIAIS CELEBRAM ACORDO
Se na União Europeia agricultores manifestam contrários ao acordo com medo de que a carne brasileira tome parte do mercado europeu, no Brasil há euforia com o tratado.
O agronegócio brasileiro será o maior beneficiado com o acordo. As tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários enviados pelo Mercosul para o bloco europeu serão eliminadas, com destaque para carnes suína e de frango, açúcar, pecuária bovina e óleos e gorduras vegetais.
Simulações feitas pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por exemplo, mostram que, até 2040, as exportações de carnes de suínos e aves aos países europeus cresceriam 19,7%.
Após a aprovação do acordo, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) publicou uma nota, afirmando que o tratado comercial representa um avanço no comércio entre os dois blocos. A entidade celebra a possibilidade de o Brasil exportar mais frango, carne suína e ovo para a União Europeia.
Já a CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse que o acordo representa um passo significativo para a inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria nacional.
"O acordo também prevê o reconhecimento recíproco de indicações geográficas, protegendo produtos regionais brasileiros com selo de origem e ampliando oportunidades para marcas nacionais no mercado europeu, como café e queijos", diz em nota.
- Por Victoria Bechara | Folhapress
- 10 Jan 2026
- 12:23h
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), José Hiran da Silva Gallo, negou ao STF (Supremo Tribunal Federal) qualquer intenção de intervir na execução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em ofício ao ministro Alexandre de Moraes, Gallo afirmou que "jamais pretendeu exercer qualquer competência correicional em relação à Polícia Federal".
A manifestação ocorreu após o magistrado anular sindicância aberta pelo CFM para apurar as condições de atendimento médico a Bolsonaro e determinar que Gallo prestasse depoimento à PF em até dez dias.
No ofício desta sexta, o presidente do conselho disse que os esclarecimentos prestados no ofício "evidenciam a inexistência de justa causa" para a oitiva.
O órgão afirmou ainda que cumpriu a decisão judicial, mas disse que a sindicância resguarda a atuação dos médicos e assegura a regularidade da atuação dos próprios órgãos públicos envolvidos.
O conselho declarou ter recebido mais de 40 denúncias formais sobre possível falta de atendimento a Bolsonaro e disse que as queixas "expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada" ao ex-presidente.
"O Conselho Federal de Medicina adotou o procedimento previsto na legislação de regência, promovendo os encaminhamentos administrativos cabíveis, sempre sem qualquer juízo antecipado sobre os fatos", afirmou o CFM ao ministro.
O órgão também declarou ter "compromisso permanente com a observância das determinações emanadas do Poder Judiciário, em consonância com o princípio da harmonia entre os Poderes da República".
Bolsonaro foi ao hospital na quarta para exames após uma queda, mas retornou no dia seguinte à prisão na Superintendência da Polícia Federal de Brasília.
Segundo o boletim médico do hospital DF Star, os exames de imagem evidenciaram "leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica".
- Bahia Notícias
- 10 Jan 2026
- 10:21h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
O ano de 2025 terminou com o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão já registrado no Brasil. Os dados são de um levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Ao todo, foram contabilizadas 4.515 denúncias envolvendo trabalho escravo, trabalho infantil escravo e situações análogas à escravidão. O número representa um aumento de 15,3% em relação a 2024, quando foram registradas 3.959 denúncias.
Este é o quarto ano consecutivo de recorde no país. Desde 2021, o número de denúncias cresce de forma contínua. Em um recorte de dez anos, entre 2015 e 2025, o aumento supera 300%, saltando de 1.106 para 4.515 registros.
A Bahia registrou 255 denúncias em 2025, ocupando a quarta posição entre os estados com mais ocorrências.
São Paulo lidera com folga o ranking nacional, com 1.129 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 679, e Rio de Janeiro, com 364. Juntos, os estados da Região Sudeste concentraram 2.307 denúncias, mais da metade do total registrado em todo o país.
- Por Gabriel Barnabé | Folhapress
- 10 Jan 2026
- 08:16h
Foto: Daniel Torok / Casa Branca
Um agente do ICE matou Renee Nicole Good a tiros na quarta-feira (7) em Minneapolis. No dia seguinte, em Portland, oficiais do CBP —órgão de imigração e controle de fronteiras— dispararam contra um casal. Em ambos os casos, as investigações são, agora, conduzidas por autoridades federais, sob críticas de órgãos estaduais que, via de regra, estariam também envolvidos nesse processo.
Autoridades de Minnesota renovaram nesta sexta (9) seus apelos para que agentes estaduais sejam autorizados a ajudar na investigação do assassinato de Renee, 37, por um agente do ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos.
Dois dias depois da morte da poetisa, as autoridades federais de imigração permanecem em Minneapolis, escolas públicas foram fechadas e a Guarda Nacional de Minnesota foi acionada no que o gabinete do governador Tim Walz, do Partido Democrata, descreveu como uma medida de precaução.
Autoridades estaduais e locais pressionam para que o Departamento de Investigação Criminal de Minnesota seja autorizado a investigar o caso junto com o FBI, conforme anunciado inicialmente nas horas após o incidente.
Depois que o governo Trump e os líderes democratas de Minnesota discutiram sobre as circunstâncias do assassinato, no entanto, funcionários estaduais disseram que seus investigadores tiveram o acesso às provas negado e estavam se retirando do caso.
"Nosso pedido é que se aceite a verdade", disse o prefeito Jacob Frey, também democrata, na sexta, ao acrescentar que estava preocupado com o fato de o governo federal já ter dado como concluído que o incidente foi legítima defesa. "Nosso pedido é que se inclua o Departamento de Investigação Criminal neste processo, porque nós, em Minneapolis, queremos uma investigação justa."
Na sexta, Mary Moriarty, a procuradora do condado de Hennepin, onde fica Minneapolis, e o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, anunciaram que iriam coletar provas apresentadas por civis publicadas online que poderiam ser usadas em uma investigação independente.
"Tenho estado ao telefone e em reuniões com autoridades policiais, líderes judiciais e autoridades eleitas, discutindo maneiras de garantir que uma investigação completa e transparente possa ocorrer e ser compartilhada com nosso escritório", disse Moriarty em um comunicado.
Kristi Noem, importante aliada de Trump e secretária de Segurança Interna dos EUA, disse na quinta que os investigadores estaduais não foram excluídos e que "eles não têm jurisdição nesta investigação". Na prática, promotores estaduais enfrentariam obstáculos legais e práticos caso tentassem apresentar acusações criminais contra o agente do ICE —um funcionário federal— que abriu fogo e matou Renee.
No dia seguinte ao incidente em Minneapolis, agentes do CBP (Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras) atiraram em duas pessoas em Portland, no Oregon, em uma ação que classificaram de "abordagem veicular direcionada", afirmando que o motorista tentou atropelar os agentes.
Autoridades federais divulgaram nesta sexta (9) os nomes do casal baleado. Segundo o Departamento de Segurança Interna, Luis David Nico Moncada e Yorlenys Betzabeth Zambrano-Contreras entraram de maneira irregular nos EUA vindos da Venezuela.
Segundo esses funcionários, ambos eram associados à Tren de Aragua, uma gangue com raízes em uma prisão venezuelana que tem sido alvo frequente do presidente Trump. Nenhuma das autoridades forneceu provas para essa afirmação. Segundo elas, o homem já havia sido preso por infrações de trânsito nos EUA anteriormente e tinha uma ordem de deportação.
A investigação, nesse caso, também está sendo conduzida por autoridades federais, que disseram na manhã desta sexta que as duas pessoas foram hospitalizadas e que seriam levadas sob custódia do FBI após receberem alta.
Autoridades municipais e estaduais afirmaram, na noite após o ataque, que não receberam nenhuma informação das autoridades federais e sequer sabiam qual agência havia atirado nos dois.
Em contraponto ao governo Trump, que mantém a mesma postura adotada no caso de Minneapolis, o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, disse que o Departamento de Justiça do estado, que ele lidera, conduzirá sua própria investigação sobre o caso e sobre o comportamento dos agentes federais.
Seu gabinete lutou contra tentativas federais de usar tropas da Guarda Nacional para reprimir manifestações em frente ao prédio do serviço de imigração em Portland no ano passado, porque, segundo argumentou à época, a resposta federal aos manifestantes era muitas vezes desproporcional ao nível de perigo.
"Nos últimos dois dias, tivemos dois tiroteios em dois estados diferentes", disse Rayfield nesta sexta. "Também tivemos alegações em tribunal de uso excessivo da força em Oregon. Há um sentimento de preocupação crescente neste estado. O nosso plano é entrar, analisar os fatos de forma objetiva para ver o que aconteceu e se houve alguma violação da lei estadual aplicável."
Rayfield disse que o FBI está cooperando com o que ele chamou de investigação "concomitante". "Ainda é cedo, mas estou otimista de que a cooperação continuará", disse. "Trabalhar juntos é como podemos reconstruir a confiança."
As autoridades policiais de Portland e Oregon não corroboraram a afirmação federal sobre a atividade do Tren de Aragua no estado. A comunidade venezuelana no Oregon é minúscula —0,005% da população, de acordo com dados recentes do Censo dos EUA.
- Bahia Notícias
- 09 Jan 2026
- 12:20h
Foto: Lula Marques / Agência Brasil
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de autorização para a instalação de uma televisão na sala onde ele cumpre pena, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O requerimento, apresentado na quinta-feira (8), será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Os advogados solicitaram especificamente uma Smart TV com acesso à internet. O objetivo, conforme o pedido, é permitir que o ex-presidente tenha acesso a programas jornalísticos, incluindo conteúdos veiculados na plataforma YouTube.
Em sua argumentação, a defesa fundamenta o pedido alegando que o "direito à informação constitui expressão direta da dignidade da pessoa humana e integra o conjunto mínimo de garantias asseguradas àquele que se encontra sob custódia estatal". A solicitação aguarda decisão do ministro relator.
As informações são do O Globo.
- Por Ricardo Della Coletta | Folhapress
- 09 Jan 2026
- 10:46h
Foto: Reprodução / Instagram
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem como principal preocupação a estabilidade da Venezuela, agora sob o comando de Delcy Rodríguez, ao mesmo tempo em que descarta pressionar o regime chavista por novas eleições.
Delcy assumiu oficialmente o poder na segunda-feira (5), dois dias depois de militares americanos terem capturado o ditador Nicolás Maduro durante ataque contra Caracas.
Passada quase uma semana, diplomatas e outros auxiliares de Lula dizem que a abordagem inicial do Brasil envolve duas frentes. Primeiro, denunciar publicamente o que o Planalto vê como uma violação do direito internacional e da soberania da Venezuela, além de um perigoso precedente que deixa outras nações da América Latina vulneráveis.
Segundo, contribuir, dentro das limitações do Brasil, para que haja um mínimo de estabilidade política na Venezuela. Assessores de Lula destacam que ainda não está claro o nível de coesão do chavismo em torno de Delcy, nem o arranjo que será construído entre Caracas e Washington.
Trump disse que os EUA administrarão o país até uma transição e que o regime venezuelano entregará de 30 a 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (7), o republicano afirmou que a supervisão americana sobre a Venezuela pode durar mais tempo e que o regime chavista, até o momento, tem aceitado tudo o que os EUA julgam necessário.
Já Delcy declarou que nenhum agente externo governará o país.
Para o governo Lula, Delcy conseguiu reunir em torno de si legitimidade interna (junto ao chavismo) e externa (ao ser tratada como interlocutora pelos EUA). Dessa forma, ela é vista como a melhor aposta para evitar um cenário de conflagração política e social na Venezuela, algo que pode ter efeitos negativos sobre o Brasil —os dois países compartilham mais de 2 mil quilômetros de fronteira.
Nesse sentido, o governo Lula tratou Delcy como líder do país na ausência de Maduro desde o primeiro momento. Como a Folha revelou, o próprio petista ligou para a chavista pouco depois de Maduro ter sido capturado. O objetivo do telefonema, segundo o Palácio do Planalto, era confirmar com autoridades do regime as notícias que chegavam pelos meios de comunicação.
Ainda no sábado (3), a secretária-geral do Itamaraty, embaixadora Maria Laura da Rocha, disse que o Brasil considerava Delcy a presidente interina. Já a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, compareceu à cerimônia de posse da líder interina, em mais um sinal de que o Planalto a reconhece como a nova governante do país.
Ainda na segunda-feira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), disse que o Brasil enviará à Venezuela insumos e medicamentos para pacientes que precisam de diálise. De acordo com ele, os bombardeios no país destruíram um centro de tratamento de pacientes renais.
O pedido ao ministério chegou pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde). Lula não só deu aval à ajuda como determinou que o Brasil contribua com o que for necessário. Um avião venezuelano deve pousar nesta sexta-feira (9) em Guarulhos para recolher os insumos.
Nas palavras de um auxiliar do petista, a disposição do governo federal de apoiar o país vizinho com medidas que evitem um agravamento da crise é total.
Se, por um lado, a estratégia prioriza a garantia da estabilidade política na Venezuela, por outro o Planalto e o Itamaraty têm ignorado pleitos por apoio a uma transição no país vizinho ou mesmo à realização de eleições.
Maduro foi declarado vencedor das últimas eleições venezuelanas, em julho de 2024, num pleito repleto de acusações de fraude e não reconhecido por uma série de governos.
Um grupo de países incluiu, na reação imediata aos ataques, a defesa de um processo de transição política na Venezuela.
O governo da França, por exemplo, disse na segunda que a ação americana era contrária à Carta da ONU, mas destacou que foi aberta no país uma possibilidade de transição que precisa ser "pacífica, democrática e que respeite as escolhas do povo venezuelano".
Já o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que seu país defende há anos um processo de transição que respeite a vontade democrática dos venezuelanos.
A alta representante da União Europeia para Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, declarou que o respeito à vontade do povo venezuelano é o único caminho para "restaurar a democracia e resolver a crise atual". A fala da europeia foi endossada por todos os países da UE, com exceção da Hungria.
O governo Lula, por outro lado, concentrou todas as suas manifestações até o momento no fato de que a captura de Maduro viola o direito internacional e que os bombardeios têm consequências negativas para a região. Não houve qualquer menção a eleições ou a uma transição democrática no país vizinho.
Diferentes fatores explicam a linha brasileira, de acordo com auxiliares de Lula ouvidos pela Folha sob condição de anonimato.
O governo Lula sempre desconfiou da oposição venezuelana e nunca viu com bons olhos a possibilidade de que o grupo de María Corina Machado —considerada pelo Planalto uma liderança de extrema direita— chegasse ao poder.
Além disso, assessores de Lula dizem que fazer comentários sobre o processo político interno venezuelano violaria o princípio da não intervenção em assuntos internos de outros países.
Por último, o fato de o próprio Trump ter rechaçado a convocação de novas eleições no curto prazo na Venezuela e ter tratado Delcy como a líder do país enfraquece o movimento dos demais países por uma transição.
- Bahia Notícias
- 09 Jan 2026
- 08:39h
Foto: Reprodução Redes Sociais
Policiais da 29ª DP de Madureira, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, prenderam um chefe do tráfico da Bahia, nesta quinta-feira (8). O homem foi identificado como Diego Silva dos Santos, vulgo “Cangaço”. Ele tinha três mandados de prisão por homicídio expedidos pela Justiça.
Segundo a Polícia Civil, via O GLOBO, o traficante teria se casado no RJ e passou a utilizar o sobrenome da esposa para despistar autoridades policiais. Cangaço é uma das lideranças criminosas do Bonde do Maluco (BDM). A prisão aconteceu após um cruzamento de informações das polícias civis do Rio e da Bahia.
A apuração indicou que ele estava escondido em São Gonçalo por medo de sofrer represálias em seu estado natal. Os policiais conseguiram localizar o criminoso após identificarem a mudança no sobrenome de Cangaço.
Ele já havia sido preso anteriormente em 2009 e em 2015, por tráfico de drogas, na Bahia.
- Bahia Notícias
- 07 Jan 2026
- 16:40h
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reforçou o prazo até 14 de fevereiro para que aposentados e pensionistas solicitem o ressarcimento de valores descontados indevidamente dos benefícios.
Segundo o presidente do INSS, Gilberto Waller, cerca de 6,2 milhões de beneficiários já contestaram cobranças irregulares, e 4,1 milhões receberam a devolução diretamente na conta bancária. O montante ressarcido chega a R$ 2,8 bilhões. As informações foram dadas em entrevista ao programa A Voz do Brasil, nesta segunda-feira (5).
“O processo de ressarcimento segue aberto até o dia 14 de fevereiro. Quem ainda não fez a consulta ou não questionou os descontos tem até a primeira quinzena de fevereiro para contestar ou aderir ao acordo e receber”, afirmou Waller.
O prazo inicial para contestação terminaria em 14 de novembro, mas foi prorrogado após o governo federal identificar que cerca de 3 milhões de pessoas ainda não haviam procurado o órgão para reaver os valores.
A orientação do INSS é que os beneficiários façam a verificação o quanto antes para garantir o direito à devolução dentro do prazo estabelecido.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 07 Jan 2026
- 14:22h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Em meio à expectativa de o presidente Luiz Inácio Lula Silva sancionar com vetos o projeto que reduz penas aos presos e pelos atos do 8 de janeiro de 2023, além dos envolvidos na trama golpista, o evento para lembrar os três anos do vandalismo nas sedes dos três poderes, marcado pelo governo para a próxima quinta-feira (8), deve contar com ausências significativas.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmaram nesta terça (6) que não comparecerão ao evento que acontecerá no Palácio do Planalto. A solenidade vem sendo promovida desde 2024, para relembrar os atos criminosos de 8 de janeiro e reforçar a necessidade de defesa da democracia.
Davi Alcolumbre informou o governo que está no Amapá cumprindo agendas e dando andamento a compromissos de trabalho. Na mesma linha, Hugo Motta alegou compromissos pessoais para justificar a ausência na solenidade.
Também não foi confirmada ainda a presença do ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Fachin comandará uma agenda de eventos no Supremo voltados à lembrança do 8 de janeiro, na tarde do dia 8.
No ano passado, a solenidade sobre o 8 de janeiro não contou com a presença do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), assim como do presidente da Câmara na época, Arthur Lira (PP-AL). O presidente do STF naquele momento, ministro Luís Roberto Barroso, também não compareceu.
O presidente Lula pediu a presença de todos os seus ministros na cerimônia. Parte da Esplanada, no entanto, está em recesso.
A ministra Simone Tebet (Planejamento), por exemplo, já avisou que não deve comparecer. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também está em recesso e provavelmente também não comparecerá.
Já o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, promete levar uma numerosa caravana de representantes de movimentos sociais. O PT também convocou seus militantes para estarem presente na área externa do Palácio do Planalto, onde deve ser instalado um telão.
- Por Gabriel Lopes/Bahia Notícias
- 07 Jan 2026
- 12:20h
Arte: Mariana Ribeiro / Bahia Notícias
Destinada a cobrir despesas de interesse do mandato dos deputados federais, a cota parlamentar utilizada pelos baianos ultrapassou R$ 17 milhões em 2025. Segundo dados do Portal da Transparência da Câmara, o montante chega a R$ 17.439.842,11.
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) cobre despesas como passagens aéreas, aluguel de escritórios, consultorias, divulgação da atividade parlamentar, entre outras. Na Bahia, o valor chega aos R$ 44.804,65 por mês para cada um dos 39 deputados do estado.
O consolidado mantém a média de volume de gastos dos parlamentares, já que no primeiro semestre, os benefícios concedidos custaram R$ 9.046.531,22 aos cofres públicos, conforme publicado pela reportagem.
Considerando a média bruta com o total gasto pelo número de deputados, o valor chega a R$ 447,1 mil por parlamentar dos mais de R$ 537,6 mil possíveis para utilização.
Confira abaixo a lista completa:
- Bacelar (PV): R$ 538.794,19
- Joseildo Ramos (PT): R$ 538.342,30
- Roberta Roma (PL): R$ 525.389,06
- Daniel Almeida (PCdoB): R$ 524.805,32
- Paulo Azi (União): R$ 512.217,55
- Lídice da Mata (PSB): R$ 506.992,42
- Rogéria Santos (Republicanos): R$ 504.382,04
- Gabriel Nunes (PSD): R$ 496.834,84
- Leur Lomanto Júnior (União): R$ 493.601,74
- Neto Carletto (Avante): R$ 492.550,49
- Arthura Maia (União): R$ 482.137,16
- Waldenor Pereira (PT): R$ 481.340,36
- João Leão (PP): R$ 478.988,27
- Josias Gomes (PT): R$ 472.818,74
- Jorge Solla (PT): R$ 469.882,78
- Valmir Assunção (PT): R$ 466.153,11
- Raimundo Costa (Podemos): R$ 464.675,79
- Zé Neto (PT): R$ 461.647,51
- Leo Prates (PDT): R$ 461.172,67
- Diego Coronel (PSD): R$ 458.125,85
- Ricardo Maia (MDB): R$ 457.421,84
- Alice Portugal (PCdoB): R$ 456.528,33
- Félix Mendonça Júnior (PDT): R$ 454.073,41
- Paulo Magalhães (PSD): R$ 453.452,66
- Otto Alencar Filho (PSD): R$ 453.145,18
- Capitão Alden (PL): R$ 440.560,85
- Mário Negromonte Jr. (PP): R$ 438.911,32
- Márcio Marinho (Republicanos): R$ 438.487,01
- Antonio Brito (PSD): R$ 435.214,21
- Charles Fernandes (PSD): R$ 434.935,23
- Claudio Cajado (PP): R$ 434.371,75
- Adolfo Viana (PSDB): R$ 425.142,02
- Ivoneide Caetano (PT): R$ 419.702,58
- Dal Barreto (União): R$ 389.918,11
- Alex Santana (Republicanos): R$ 370.963,26
- João Carlos Bacelar (PL): R$ 355.136,67
- Elmar Nascimento (União): R$ 341.461,65
- José Rocha (União): R$ 282.471,50
- Pastor Sargento Isidório (Avante): R$ 111.847,71
- Sérgio Brito (PSD): R$ 15.244,63
BENEFÍCIOS INCLUÍDOS
- Passagens aéreas;
- Telefones dos gabinetes, dos escritórios nos estados e dos imóveis funcionais, e as despesas com o celular funcional do deputado. As contas devem ser de comprovada responsabilidade do parlamentar;
- Manutenção de escritórios de apoio à atividade parlamentar, como locação de imóveis, energia elétrica, água e esgoto, acesso à internet, entre outros;
- Alimentação do deputado;
- Hospedagem, exceto no Distrito Federal;
- Despesas com locomoção por fretamento/aluguel de veículos:
- Combustíveis e lubrificantes (limite inacumulável de R$ 9.392,00 mensais);
- Serviços de segurança de empresas especializadas (limite inacumulável de R$ 8.700,00 mensais);
- Divulgação da atividade parlamentar (exceto nos 120 dias anteriores à data das eleições, se o deputado for candidato - Ato da Mesa 40/2012);
- Participação em cursos, congressos ou eventos, realizados por instituição especializada (limite mensal inacumulável de 25% do valor da menor cota);
- Complementação de auxílio-moradia, de acordo com o Ato da Mesa 104/88 (limite inacumulável de R$ 4.148,80 mensais).
A COTA
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), instituída pelo Ato da Mesa 43/2009, unificou a verba indenizatória (que vigorava desde 2001), a cota de passagens aéreas e a cota postal-telefônica. O saldo mensal não utilizado em um mês acumula-se ao longo do exercício financeiro, vedada a acumulação de um exercício financeiro para o seguinte.
A utilização da Cota Parlamentar pode ser feita por meio de reembolso ou por débito no valor da Cota. O deputado tem até 90 dias para apresentar a documentação comprobatória do gasto.
Os valores das notas fiscais apresentadas dentro desse prazo são debitados da cota do mês a que a despesa se refere. Desta maneira, antes de transcorridos os 90 dias, não é correto afirmar o total gasto por um parlamentar, uma vez que ele ainda pode apresentar documentos referentes a despesas de meses anteriores. O valor do reembolso referente ao uso da Cota é depositado na conta do deputado, em média, até três dias úteis depois da solicitação.
ADICIONAL
Alguns deputados recebem adicional de R$ 1.353,04 no valor da Cota mensal por exercer cargo de líder ou vice-líder de partido político ou de bloco parlamentar; líder do Governo na Câmara ou no Congresso; líder da Minoria; presidente ou vice-presidente de comissão permanente; e representante de partidos políticos com menos de um centésimo da composição da Casa.
A Cota mensal é acrescida de R$ 902,02 para os deputados que exercem cargos de vice-líder da Minoria ou do governo na Câmara ou no Congresso Nacional; e R$ 5.075,62 no caso de suplente de secretário da Mesa Diretora.
O adicional não é cumulativo caso o parlamentar exerça mais de um desses cargos. O deputado que se deslocar em missão oficial pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul fará jus a adicional de cota correspondente a 20% do valor da menor cota mensal por viagem realizada.