BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"

Mega-Sena pode pagar R$ 38 milhões neste sábado (31)

  • Agência Brasil
  • 31 Jul 2021
  • 16:28h

As apostas podem ser feitas até as 19h | Foto: Reprodução

A Mega-Sena pode pagar R$ 38 milhões neste sábado (31) ao apostador que acertar as seis dezenas do concurso 2.395. O sorteio será realizado a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço Loterias Caixa, localizado no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo (SP), com transmissão ao vivo pelas redes sociais (perfil @LoteriasCAIXAOficial no Facebook) e pelo canal da Caixa no Youtube.

As apostas podem ser feitas até as 19h de hoje em qualquer lotérica do país, no portal Loterias Caixa e no app Loterias Caixa (disponível para Android e iOS). Clientes do banco também tem a opção de apostar por meio do Internet Banking Caixa.

O valor de uma aposta simples (6 dezenas) na Mega-Sena é de R$ 4,50. Por se tratar de um concurso com final 5, o prêmio recebe ainda um adicional, conforme regra da modalidade. Saiba mais no Caixa Notícias.

Brasileiro tem o menor índice de felicidade em 15 anos

  • Central Press
  • 30 Jul 2021
  • 08:36h

Foto: Reprodução

A pandemia chegou e afetou inúmeros setores que impactam na economia brasileira. A preocupação com a manutenção da saúde aumentou, assim como o medo de contrair o vírus. Esses são alguns fatores que contribuíram para a situação atual: o brasileiro tem o menor índice de felicidade média em 15 anos, desde que o número começou a ser medido, em 2006. É o que aponta uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em meio às dificuldades, ainda é possível apostar na ciência para reverter ou minimizar esse cenário. E o estudo científico explora e entende a busca pela felicidade.

De acordo com o idealizador do Congresso Internacional de Felicidade, Gustavo Arns, a ciência da felicidade é um campo multidisciplinar que reúne estudos da psicologia positiva, ciências das emoções e neurociência e que nos auxiliam a compreender o tema. "É uma ciência recente mas que já tem 2 décadas de estudos e que nos traz uma perspectiva mais ampla de profunda do que é a felicidade, como podemos ser mais felizes, bem como lidar com a ansiedade e o stress”, explica.

Com as tristezas trazidas e intensificadas na pandemia, o especialista ainda comenta que a busca pela felicidade também está em saber lidar com o sentimento de tristeza. “Uma vida feliz é aquela em que entendemos o lugar da tristeza que sentimos e usamos isso como uma forma combustível para uma ação consciente. Quando se trata de felicidade, os momentos felizes são considerados apenas a primeira camada. O objetivo é encontrar camadas mais profundas de satisfação com a vida e bem-estar”, afirma.

Para auxiliar, por meio da ciência, a percepção de felicidade no dia a dia das pessoas, Gustavo Arns oferece gratuitamente, nos dias 2, 3 e 4 de agosto, aulas on-line, na Jornada da Felicidade. O especialista vai explicar, com ferramentas práticas, como as pessoas podem aplicar essa ciência na vida pessoal e profissional. As três aulas da Jornada da Felicidade acontecem de segunda a quarta-feira, sempre às 19h30, no YouTube do Congresso Internacional de Felicidade. Para participar, é preciso se inscrever antecipadamente pelo site.

Ossos de boi, arroz e feijão quebrado formam cardápio de um Brasil que empobrece

  • RENAN MARCEL | FELIPE BETIM | EL PAÍS
  • 28 Jul 2021
  • 17:44h

(Foto: EL PAÍS)

Em Cuiabá, a capital de Mato Grosso e do milionário agronegócio brasileiro, uma fila se forma na rua lateral do Atacadão da Carne antes das 9h desta quarta-feira. O açougue é conhecido pelo preço “mais em conta”. Mas na última semana ganhou uma involuntária fama nacional justamente por causa dessa fila, onde centenas de pessoas esperam horas debaixo do sol quente, sentados na calçada, até que uma porta lateral se abra às 11h e um funcionário comece a distribuição do que restou da desossa do boi. São, de fato, ossos com resquícios da carne vendida e que servem de uma improvisada fonte de proteína da população mais humilde. “É a maior felicidade a gente conseguir um ossinho aqui, porque está feia a crise! Eu estou desempregado e não tem para onde a gente recorrer. Faz tempo que eu não como carne, se não fosse o ossinho. Tudo está caro!”, conta Joacil Romão da Silva, de 57 anos.

Pandemia leva famílias para as ruas de São Paulo e acelera mudança de perfil da população sem-teto

A pandemia de coronavírus aprofundou ainda mais a situação precária vivida por milhões de brasileiros. O desemprego aumentou, os preços subiram e a fome explodiu. São mais de 19 milhões de brasileiros passando fome, segundo a última pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN). Em 2018, eram 10,3 milhões. A perda de poder aquisitivo deixou, ainda, mais da metade do Brasil sem acesso pleno e permanente a alimentos. São 116,8 milhões de brasileiros (55,2% da população) que não necessariamente comem as três refeições por dia (insegurança alimentar). Três anos atrás, o IBGE registrava 36,7% da população nesse status, o que já era alto em comparação com 2013: 22,9%.

A ação do açougue de Cuiabá já ocorre há mais de 10 anos. Mas, antes da pandemia, a fila reunia entre 20 e 30 pessoas, segundo Edivaldo Oliveira, de 58 anos, dono do local. “Agora, triplicou ou mais. Hoje são 200 pessoas. Estamos com dificuldade para atender e a gente está se esforçando ao máximo. Mas é muita gente mesmo”, conta. Os sinais de desarranjo estão por toda parte. Nos preços, que saltaram 15,3% entre julho de 2020 e junho 2021 somente no caso dos alimentos (IPCA). No alto desemprego, que já atinge cerca de 15 milhões de pessoas no Brasil. No aumento da população morando nas ruas e nas filas de doação de marmita vista em qualquer ponto de São Paulo.

Os supermercados já oferecem opções mais baratas inclusive para substituir o arroz e o feijão, os dois principais alimentos da dieta brasileira. Um pacote de cinco quilos de arroz ficou 48% mais caro no último ano e pode chegar a 30 reais em alguns locais. Assim, algumas marcas oferecem nos supermercados os chamados “fragmentos de arroz”, opção mais barata, por vezes usada como ração para animais. Uma das empresas que passou a oferecer é a Rampinelli, que colocou esse produto no cardápio em 2016. Os mercados também já têm disponível a “bandinha de feijão” —feijão quebrado. O preço do feijão preto subiu 22% no último ano e o pacote de um quilo chega a custar 10 reais em alguns supermercados, enquanto que as bandinhas de feijão valem metade do preço.

Ana Paula dos Anjos, de 38 anos, também busca ajuda no Atacadão da Carne. O preço do alimento subiu 38% no último ano. Além disso, ela conta que há um ano e dois meses está afastada do trabalho por causa de um acidente que sofreu na empresa. Sem assistência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e sem auxílio da empregadora, virou rotina frequentar a fila em busca de doação. “Estou me virando, passando por necessidade. Sou eu quem sustento a casa e muitas vezes deixo de comer para alimentar meus filhos. Três vezes na semana estou aqui”, conta ela, que cuida dos quatro filhos sozinha. “Meus filhos choram querendo as coisas para comer e o jeito é pedir ajuda.”

Além de recorrer ao Atacadão da Carne para a alimentação diária, Celina Mota, de 56 anos, também consegue no mercadinho do bairro legumes e frutas que não foram vendidos e seriam descartados. “Conversei com o rapaz lá e ele me arranjou essas verduras, que eu cozinho um pedaço a cada dia. Com os ossinhos vai ajudar. Dá para ir vivendo”, garante ela, que também está desempregada. É com a ajuda que recebe que ainda consegue alimentar os netos. “Eu faço ensopado, frito, corto tudinho e congelo para ir comendo durante a semana. E assim vou me virando”, complementa, mostrando tomates, banana e batata doce que conseguiu arrecadar.

O açougue não atende somente pessoas dos bairros periféricos da região. De acordo com Edvaldo Oliveira, o dono do local, já houve registro de pessoas de cidades vizinhas enfrentando a chamada “fila dos ossinhos”. “Eu vejo que a fome e a necessidade dessas pessoas são muito grandes. Para pegar uma sacolinha de um quilo ou um quilo e meio de ossinho, elas chegam antes das 9h e ficam às vezes até 13h esperando. E elas são gratas por isso, por algo que as pessoas que têm mais estabilidade não dão valor algum”, comenta. A esposa do comerciante, Samara Oliveira, de 38 anos, espera que a exposição que o açougue ganhou inspire outros empresários a serem solidários. “Não é só de carne que eles precisam, eles precisam de arroz, feijão, precisam de uma farmácia que venha aqui ajudar com remédios, de roupas. É um ‘oi, como vai, você está bem?’”, afirma.

A fila tornou-se um ícone da pobreza do Brasil de hoje e foi noticiado em todo o país. Gente, como Gustavo da Silva Costa, de 25 anos, se solidarizou e levou mais de 20 quilos de frango para doar. “É uma quantidade que, infelizmente, foi pouco devido à quantidade de pessoas aqui”, afirma. A distribuição dos frangos não demorou nem um minuto, as pessoas correram até onde o rapaz estava para receber um pacote. “Eu vi uma reportagem e decidi ajudar. Muita gente pode somar e ajudar essas pessoas, que realmente precisam. No mercado de trabalho, infelizmente, não tem mais oportunidades”, afirma o motoboy.

Briga entre KondZilla e Brasil Paralelo escancara a guerra cultural sob Jair Bolsonaro

  • Felipe Maia | Folhapress
  • 24 Jul 2021
  • 13:13h

Imagem: Reprodução

Um contraponto musical pôs duas produtoras audiovisuais brasileiras em pé de guerra. De um lado está a KondZilla, poderosa agência de funk de São Paulo, e do outro está a Brasil Paralelo, empresa do Rio Grande do Sul que vem ganhando terreno com suas produções de cunho conservador. O mais recente desses trabalhos é um documentário sobre música.

Em "A Primeira Arte", imagens de MCs e funkeiros da produtora paulistana são exibidas sob trilha sonora tétrica e efeitos de câmera fantasmagóricos, enquanto cânones como Mozart e Monteverdi são celebrados na tela. Uma oposição que parece reeditar embates de fundo cultural no Brasil sob o governo Bolsonaro.

Ao verificar que trechos de seus clipes tinham sido usados no documentário, a KondZilla notificou a Brasil Paralelo exigindo a retirada de suas imagens do vídeo. Em debate estaria a legislação e direitos autorais.

A produtora gaúcha resolveu partir para o ataque e entrou com uma ação contra a KondZilla em maio. A Brasil Paralelo sustenta que a KondZilla a acusa indevidamente de violação de copyright.

 

O documentário, disponível no YouTube, está dividido em três partes. Em "Ressonância", se discutem aspectos gerais de som e música, como frequência e nota. A segunda parte, "Consonância", trata dos grandes nomes e formas musicais europeias. Em "Dissonância" -termo que pode ser traduzido como um som incômodo-, tem espaço a história da indústria da música pop anglo-saxônica dos últimos cem anos, além de breves passagens sobre o Brasil.
 

"A gente quis mostrar que a música é um fundamento da civilização", afirma Lucas Ferrugem, sócio da Brasil Paralelo e um dos roteiristas do documentário. "É uma retrospectiva histórica do desenvolvimento ocidental, então é impossível pular o pop, o funk, o hip-hop, o blues, o jazz."
 

As quase quatro horas de entrevistas e imagens replicadas de outros filmes e vídeos da internet constroem uma narrativa de antagonismos. Nela, há uma música que aspira ao belo, ao divino, ao apolíneo, e há outra que profana esses valores por razões que vão da industrialização à falta de conhecimento de quem a faz e escuta. É como se houvesse uma hierarquia, com prateleiras para o que seria "folclore", "arte", "expressão popular", "Música" com letra maiúscula.
 

"Para ser honesto, eu acho que, sim, existe baixa e alta cultura", afirma Ferrugem. "Mas acho que o documentário não reflete isso. Nosso papel é a função crítica, e não discutir o que é arte e o que não é. Quem seria arrogante para ter essa resposta?"
 

Tema de conversa de boteco e almoço no domingo, ideias sobre a natureza da cultura vem sendo amplamente discutidas nas ciências sociais e nas artes desde o início do século 20. Na música, o debate ganha forma primeiro em dois polos -nas expedições de etnomusicologia que, como subproduto da empresa neocolonial, se dedicam a pesquisar músicas não europeias a partir do século 19, e, anos depois, no desenvolvimento de teorias críticas por nomes como Walter Benjamin e Theodor Adorno -ferrenho crítico do jazz.
 

Nos anos 1970, pensadores como Stuart Hall e Pierre Bourdieu avançaram na questão ao estabelecer recortes e vínculos entre cultura, individualidade e classe. Seus estudos sobre identidade e capital cultural vão reverberar em dinâmicas atuais, como onivorismo cultural e cosmopolitismos. Termos que, numa era de música abundante, se refletem em marcadores sociais como o chavão "eu escuto de tudo".
 

Essa frase descolada não tem vez em "A Primeira Arte". Amarrado por falas de uma dezena de homens brancos -músicos e filósofos e um editor de site opinativo-, o projeto da Brasil Paralelo é de caráter subjetivo, metafórico e anedotário. Isso não seria problema, não fosse a aura universalista e maniqueísta que pretende ter a obra. Em vez de ser um filme sobre música, é um filme sobre ideias sobre música. E muitas dessas são ultrapassadas ou questionadas como lugares-comuns pela pesquisa ou por artistas.
 

Há, por um lado, o pressuposto da sofisticação. Segundo essa linha, a complexidade encontrada em grandes nomes como Bach é o devir da música. Suas fugas e contrapontos de enorme dificuldade seriam o apogeu da arte. "Tem uma virtuosidade técnica aí que não é alcançada por outros gêneros", diz Ferrugem. "Uma sinfonia com mil pessoas de Mahler é uma conquista da humanidade."
 

Há no documentário também um apreço pela ideia do autêntico, visto em menções à Bíblia e ao folclore, obra de um povo que guardaria tradições e formas anteriores a qualquer indústria. Surge na tela Ariano Suassuna, em trecho de uma palestra, disparando ataques jocosos à banda paraense Calypso. Escritor inconteste, Suassuna carrega controvérsias como homem político. Quando secretário da Cultura de Pernambuco, na década de 1990, era avesso ao movimento manguebeat.
 

Esses dois eixos delimitam todas as tentativas de análise do documentário da Brasil Paralelo. Mesmo quando ameaça escapar aos ditames da música de tradição europeia, "A Primeira Arte" fica preso às supostas sofisticação e autenticidade. A produção celebra a inventividade da música do século 20, mas apenas no caso do atonalismo de Claude Debussy. Quando se propõe a pincelar o hip-hop, questiona ao espectador por qual razão o rap teria perdido o "seu elemento de protesto".
 

O resultado é uma ode ao passado, um passado imaginado e seletivo. Talvez por isso, ou por um ímpeto megalomaníaco, há inclusive erros e omissões sensíveis na produção.
 

A afirmação de que o jazz era uma música que reunia famílias, por exemplo, não bate com o conflito racial americano que atravessa o gênero principalmente na primeira metade do século 20. Ao louvar Richard Wagner, o documentário não menciona que, embora tenha sido uma espécie de pop star em vida, sua obra não era unanimidade em seu tempo. A estreia do compositor em Paris, em 1861, foi incompreendida pelo público segundo relatos e escritos da época.
 

A realidade da produção musical e fonográfica brasileira não poderia estar mais distante daquilo que é bem quisto em "A Primeira Arte". Pouco se fala de grandes compositores do país, mesmo abordando música de câmara ou de formas nacionais como modinhas e lundus do século 19 e a queridinha bossa nova.
 

O ritmo, elemento de grande protagonismo em gêneros como o samba, também serve a antagonismos no filme. "O ritmo toca o corpo, a melodia e a harmonia tocam a alma", diz um dos entrevistados da Brasil Paralelo. Gráficos de projetos realizados por dois sites de análise de dados se sucedem à fala como forma de sustentar o argumento de que a música, hoje, se tornou um pastiche fundado no batuque e na batida.
 

Entram nesse balaio o sertanejo pop, o trap, a pisadinha, e o funk, ilustrado por clipes da KondZilla. As imagens são acompanhadas por um narrador que fala de sexualização, materialismo, infidelidade e violência.
 

"A nossa intenção foi falar da história da música, e não é uma questão de que uma parte a gente gosta, outra parte não gosta", diz Lucas Ferrugem, sócio da produtora. "O funk apareceu no Brasil como uma coisa muito divertida, bacana, folclórica e sempre foi legítima. O que não gosto é quando essa música tenta passar uma imagem de objetificação da mulher, de destruição da mulher."
 

Segundo Caio Mariano, advogado da KondZilla, a lei que teria permitido o uso dos clipes da produtora não deve ser vista como carta branca. "A Brasil Paralelo fez um documentário sobre música e, ao abordar o universo funk, utilizou materiais da KondZilla Filmes sem autorização e de uma forma distorcida com claro intuito preconceituoso sobre o gênero", diz.
 

Ambas as produtoras travaram um primeiro debate acerca da questão, mas não houve acordo. "Foi um contato diplomático", afirma Ana Flávia, advogada da Brasil Paralelo. "O documentário não faz nenhum tipo de discussão para analisar pessoas, mas, sim, analisar estilos. E há menção a todas as fontes, isso traz uma segurança jurídica para a gente."
 

A KondZilla tomou conhecimento do processo a partir do contato da reportagem. "Não atenderam a nosso pedido de retirar os trechos dos nossos clipes e agora ficamos sabendo dessa judicialização", diz Mariano, por telefone. "Não vamos nos manifestar previamente. Da forma como foi utilizado [o material da KondZilla], com o intuito de ser um preconceito, é óbvio que causa prejuízo."
 

A KondZilla é hoje uma superpotência do funk, uma holding com quatro empresas que vai além da produção de videoclipes. Sob o comando do fundador da companhia, Konrad Dantas, estão o gerenciamento de artistas populares do funk e do atual pop brasileiro -como Kevinho e Kekel-, parcerias publicitárias com marcas de peso e uma série da Netflix em vias de lançar a segunda temporada, neste semestre.
 

A caminhada para o sucesso da KondZilla não é tão diferente assim dos passos dados pela Brasil Paralelo. Ambas começaram de forma independente, apoiadas na distribuição online de seus vídeos, de maneira gratuita. As duas afirmam prescindir de dinheiro público. A Brasil Paralelo, aliás, relembra constantemente esse fato em suas redes sociais.
 

O projeto de ambas, contudo, pouco tem em comum. Embora tenha surgido às margens do que é legitimado como cultura brasileira, hoje a KondZilla é centro de um universo pujante. Ano após ano o funk vem se confirmando como um dos estilos mais ouvidos do país, segundo as plataformas de streaming. Ainda assim, o gênero tem em seus principais atores o alvo de discriminações. Em fevereiro deste ano, o MC Salvador da Rima foi preso sem justificativa pela polícia de São Paulo enquanto estava na casa de um amigo.
 

A julgar pelo documentário "A Primeira Arte", a Brasil Paralelo refuta não só produtos do pop atual, como também rechaça a estrutura da indústria com que lucram. A própria natureza da produtora parece conflitar com esses ideais. Na internet, ser pop é fundamental para conquistar altas cifras -sejam elas das plataformas como o YouTube ou de assinantes, caso da empresa gaúcha.
 

No Brasil, já data de décadas esse embate que opõe gêneros e formas musicais, que contesta estruturas e legitimações de lugar e classe.
 

Um dos maiores sambistas do país, o baiano Riachão escreveu sua primeira música ao ler numa capa de jornal que só no Rio de Janeiro é que se sabia compor sambas. Nos anos 1950, João Gilberto causou discórdia entre os ouvidos acostumados aos vozeirões da rádio e entre a nascente crítica musical brasileira -nos moldes da relação entre Adorno e o jazz, o pesquisador José Ramos Tinhorão critica a bossa nova de um ponto de vista marxista.
 

Conhecido nos anos 1980 por seu programa em que quebrava discos de artistas brasileiros -de Lobão a Caetano Veloso-, Flávio Cavalcanti não é tão diferente assim do histriônico Sikêra Jr. e seus ataques ao funk.
 

O que se vê hoje, contudo, é o limiar das orientações políticas e filosóficas tomando o palco. Se é incongruente ler a música fora desse campo -assim como não é factível apartar essa arte de recortes de gênero e raça-, no Brasil do governo Bolsonaro a música se torna o próprio campo de batalha. É, por exemplo, o caso recente do Festival de Jazz do Capão, na Bahia. Na ocasião, a Secretaria Especial da Cultura negou financiamento público ao evento em parecer que menciona Deus e alma como fins últimos da música.
 

Versão tão diversa quanto essa ou quanto ao imbróglio entre KondZilla e Brasil Paralelo é o que tem vivido Thiago Barbosa Alves de Souza. Além de ser pianista, ele faz seu doutorado na Universidade de São Paulo, onde pesquisa o trabalho de produtores de funk da cidade. No começo de julho, ele foi convidado pela Secretaria de Cultura a levar seu trabalho ao Theatro Municipal como parte dos preparativos para o centenário da Semana de 1922. Sobre o palco, sentado ao piano de cauda, o jovem tocou trechos de peças de compositores clássicos brasileiros, como Villa Lobos, e também de funkeiros, como DJ Ery.
 

Nenhum vídeo ou áudio da apresentação foi divulgado até o momento, mas uma série de fotos no Instagram em que o pianista fala da experiência foi suficiente para gerar polêmica. Comentários desfavoráveis à performance começaram a surgir em grupos e perfis online dedicados a canto lírico ou música de câmara. "As pessoas nem têm noção do que fomos fazer ali, mas só de ver a foto já teve gente que falou que a estávamos excluindo a ópera", diz o artista e pesquisador. "O preconceito é demais."
 

Barbosa tem formação de conservatório e resolveu pesquisar funk ao entrar no curso de música da Unesp. "Na graduação comecei a me descontentar com essa estrutura de ensino, comecei a ver que ali tinha moralismo, racismo, preconceito", diz ele.
 

Hoje, o perfil Canal do Thiagson no Instagram tem cerca de 8.500 seguidores que acompanham sua pesquisa, além de explicações bem-humoradas e detalhadas sobre funk.
 

Por causa do sucesso nas redes sociais, o jovem foi convidado por um coletivo de historiadores marxistas a analisar o documentário "A Primeira Arte" numa transmissão na plataforma Twitch. "Existe um moralismo, uma inadequação ao presente, e uma visão apocalíptica que funciona bem", diz ele. "Esse discurso do apocalipse funciona para documentários de esquerda ou de direita, porque dá uma visão de que o passado era melhor."
 

A apresentação de Barbosa no Municipal soa como uma síntese dessa díade que, no caso da KondZilla e da Brasil Paralelo, virou caso de Justiça.
 

"Se o funk está no Theatro Municipal, aquele espaço se torna mais familiar e mais pessoas podem frequentar", diz ele. "E também para que essa cultura erudita não morra de vez, porque é algo restrito, é importante esse diálogo com a sociedade.

CONTINUE LENDO

Bolsonaro faz novo ataque a sistema eleitoral e justifica troca de militares pelo centrão

  • por Daniel Carvalho e Danielle Brant | Folhapress
  • 23 Jul 2021
  • 10:07h

Foto: Pedro Ladeira / Folhapress

Em mais uma tentativa de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (22) que não pode admitir que "meia dúzia [de] pessoas, de forma secreta" contabilizem os votos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
"Eu não estou acusando servidores do TSE. Eu não posso admitir que meia dúzia de pessoas tenham a chave criptográfica de tudo, e essa meia dúzia pessoas, de forma secreta, conte os votos numa sala lá do TSE. Isso não é admissível", disse Bolsonaro em entrevista à rádio Banda B, de Curitiba.

"A própria Constituição fala em contagem pública dos votos. O que que nós queremos? Olha o que que eu estou querendo. Estou querendo transparência. Nada mais além disso. Não podemos terminar as eleições de 2022 e o povo aí ficar na dúvida. 'Será que este cara ganhou? Será que o processo foi limpo, foi transparente?'", afirmou o presidente. Bandeira do bolsonarismo, o voto impresso quase foi derrotado em reunião na sexta-feira (16) em uma comissão especial da Câmara, mas uma manobra de governistas adiou a votação para 5 de agosto, depois do recesso parlamentar, que vai de 18 a 31 de julho.

O tema tem sido usado insistentemente por Bolsonaro para fazer ameaças golpistas contra as eleições de 2022. Ele já afirmou, várias vezes, que, se a mudança não ocorrer, não haverá eleições. Uma reação de 11 partidos, porém, virou o jogo e, até a última sexta, garantia uma maioria para rejeitar a proposta.

Mesmo que avance na comissão especial, para aprovar uma PEC são necessários ao menos 308 votos na Câmara (de um total de 513 deputados) e 49 no Senado (de um total de 81 senadores), em votação em dois turnos. Para valer para as eleições de 2022, a proposta teria que ser promulgada até o início de outubro.

Ou seja, as chances de a proposta prosperar para o próximo pleito eram consideradas remotas mesmo antes de fala de Bolsonaro admitindo a provável derrota.

Nas últimas semanas, Bolsonaro provocou uma crise institucional ao afirmar que as eleições de 2022 podem não ocorrer caso não seja adotado uma modalidade de voto confiável —na visão dele, o impresso.

Sem apresentar provas, Bolsonaro alegou mais uma vez ter indícios de fraude na eleição presidencial de 2014, apesar de o próprio derrotado no segundo turno daquele ano, o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), ter declarado não acreditar que tenha existido essa irregularidade naquela disputa.

 

O mandatário também já afirmou —de novo sem provas— que houve fraude na eleição de 2018, quando ele derrotou Fernando Haddad (PT). A alegação de Bolsonaro é que ele teria recebido mais votos do que os que foram computados. Ele nunca apresentou evidências dessa acusação.

Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, fez coro a Bolsonaro e disse em nota que existe no país uma demanda por legitimidade e transparência nas eleições.

Segundo ele, mais uma vez levantando uma bandeira bolsonarista, a discussão sobre o "voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso é legítima".

“Acredito que todo cidadão deseja a maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes no Executivo e no Legislativo em todas as instâncias”, afirmou o militar.

Também nesta quinta-feira, no início desta tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), publicou no Twitter uma mensagem na qual afirma que as decisões sobre o sistema político-eleitoral cabem ao Congresso e que as eleições são inegociáveis.

"Seja qual for o modelo, a realização de eleições periódicas, inclusive em 2022, não está em discussão. Isso é inegociável. Elas irão acontecer, pois são a expressão mais pura da soberania do povo?", escreveu.

Na entrevista desta quinta-feira, Bolsonaro ainda confirmou o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para comandar a Casa Civil e justificou a troca de um militar por um líder do centrão na reforma ministerial que decidiu conduzir agora, momento de fragilidade do governo.

"Quando eu coloco um militar dentro do governo, há críticas também: 'Mais um militar'. Boto um parlamentar: 'Ah, um parlamentar'. Pessoal, se você tem críticas a deputados do centro, não vote mais nesses candidatos por ocasião das eleições do ano que vem. É simples a coisa", afirmou Bolsonaro.

Diante das críticas por se aproximar ainda mais do centrão, o mandatário disse ter nascido do grupo de partidos conhecido pela troca de apoio por cargos e emendas.

"Todo e qualquer partido tem gente boa e gente que não está muito interessada em fazer a coisa certa. Agora, eu tenho e pretendo, dentro das quatro linhas da Constituição, buscar apoio dentro do Parlamento."

Bolsonaro disse que a reforma ministerial é algo "praticamente certo". "Vamos botar um senador aqui na Casa Civil que pode manter um diálogo melhor com o Parlamento brasileiro", afirmou Bolsonaro?.

O mandatário disse já ter conversado com o senador e que o convite foi aceito. Ele o encontrará na segunda-feira (26) para o acerto final.

"Não vamos ter problema nenhum no tocante a bem conduzirmos as questões afetas à Casa Civil. E a Casa Civil é o ministério mais importante nosso, é o que trata da coordenação entre os ministérios. Então, é uma pessoa que nos interessa pela sua experiência, que pode, no meu entender, fazer um bom trabalho aqui", declarou.

Bolsonaro minimizou o descontentamento do atual titular da Casa Civil, o general Luiz Eduardo Ramos, que será deslocado para a Secretaria-Geral, um ministério que tem menos relevância, apesar de ficar fisicamente localizado próximo ao presidente, no Palácio do Planalto.

"Na área militar é assim, a gente costuma tomar algumas decisões sem ouvir muita gente. Se bem que o Ramos está todo dia aqui, cinco, seis vezes comigo. Ele sabe qual é o comportamento e a nossa intenção", disse Bolsonaro.

"Ele não saiu. Ele continua sendo ministro, um ministério importante que ele ocupa também, chama-se ministro palaciano, está o tempo todo em contato conosco. E esses ministros palacianos sempre trazem informações de outros ministérios."

Bolsonaro também confirmou que o atual chefe da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni, vai ocupar o Ministério do Trabalho e Previdência, que será recriado a partir do desmembramento de duas secretarias do ministro Paulo Guedes (Economia).

"Esse que é o quadro pintado aqui agora. Nenhuma mudança drástica no meu entender. Acho que melhora a interlocução com o Parlamento e nós continuamos dentro da normalidade aqui, conduzindo o destino da nação", afirmou.

Bolsonaro aproveitou a entrevista para rebater críticas por sua aproximação com o centrão, o que ele e aliados condenaram durante toda a campanha presidencial de 2018.

Naquela época, o atual titular do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, chegou a cantar "se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão". Bolsonaro disse que não pode governar com apenas um quinto da Câmara e disse que o termo "centrão" é pejorativo.

"São alguns partidos que lá atrás se uniram na campanha do [Geraldo] Alckmin [do PSDB] e ficou então rotulado centrão como algo pejorativo, como algo danoso à nação. Não tem nada a ver. Eu nasci de lá", disse Bolsonaro, apesar de o centrão ser um grupo anterior à disputa.

"Nós temos 513 parlamentares. [...]. São pouco mais de 200 pessoas. Se você afastar esse partido de centro, sobram 300 votos para mim. Se afasta cento e poucos parlamentares de esquerda, PT, PC do B e PSDB, eu vou governar com um quinto da Câmara. Não tem como governar com um quinto da Câmara."

As mudanças serão feitas em meio a uma série de pressões sobre Bolsonaro, incluindo mais de cem pedidos de impeachment na Câmara, perda de popularidade, desvantagem sobre Lula nas pesquisas eleitorais para 2022, investigação da CPI da Covid no Senado, instabilidades na base governista e negociações do fundo eleitoral bilionário.

A aliança de Bolsonaro com o centrão, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma série de pedidos de impeachment que já se acumulavam na Câmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaustão durante a campanha de 2018, de que o presidente não se renderia ao que chamava de a velha política do “toma lá, dá cá”.

Para atender o centrão, o governo faz promessas de liberação de bilhões em emendas parlamentares e agora prepara até a recriação de ministérios, contrariando outro discurso da campanha, o do enxugamento da máquina pública.

Hoje o governo Bolsonaro tem 22 ministérios, 7 a mais do que os 15 prometidos na campanha eleitoral —sob a gestão de Michel Temer (MDB), seu antecessor, eram 29 ministérios. A administração atual chegou a ter 23 ministérios, mas o Banco Central perdeu este status com a aprovação de sua autonomia.

CONTINUE LENDO

'Por minha Pátria eu morro e mato', diz general que assumiu logística da Saúde

  • Redação
  • 19 Jul 2021
  • 11:44h

Ridauto Fernandes, novo diretor de Logística do MS | Foto: Divulgação / Exército

Ridauto Fernandes, general da reserva, vai substituir Roberto Dias na Diretoria de Logística do Ministério da Saúde. O cargo é tido como alvo de disputa entre os militares ligados a Eduardo Pazuello e o Centrão. A chegada do general também traz conforto ao presidente Jair Bolsonaro, que terá um seguidor fiel no cargo. As informações são da coluna Malu Gaspar, do Globo.

Em maio de 2020, durante a crise entre Bolsonaro e o STF, Fernandes chegou a defender a decretação de estado de sítio. Apesar de pouco ativo nas redes sociais, ele continua manifestando apoio a Pazuello e Bolsonaro em listas restritas no aplicativo WhatsApp.

Em novembro do ano passado, o general protestou em uma dessas listas contra um artigo intitulado "O perigoso esporte de humilhar generais", publicado pelo jornalista Fernando Gabeira no jornal O Globo.

Ainda de acordo com a coluna, Ridauto escreveu: "Por alguns valores, um militar passa (facilmente) por cima de muita coisa. Desculpem os que se sentirem ofendidos, mas por minha Pátria eu morro. E também mato e faço coisas que não vou listar aqui, para não provocar chiliques", ao se indignar com a afirmação que o presidente rebaixava as Forças Armadas ao desautorizar Pazuello em negociações de vacinas.

Na mensagem, ele não explicou que coisas faz que não poderia listar e acrescentou: "Se eu achar que minha Pátria estiver precisando, aceito de cabeça erguida humilhações e cusparadas. E, se achar que minha Pátria estiver precisando, providenciarei para que aquele que a esteja agredindo seja neutralizado. Adoro essa palavra, neutralizado".

O general foi procurado pela coluna e disse que a mensagem expressa seu pensamento e que tem orgulho disso. "Destaco que, na data em que o expressei, não integrava qualquer órgão de governo e, portanto, falava somente por mim, com a liberdade que a lei me garantia".

Ridauto Fernandes se formou na turma da Academia Militar das Agulhas Negras em 1981 e chegou a general de Brigada em 2017, mas deixou as forças para trabalhar em consultorias.

Bolsonaro defende Pazuello e diz que 'propina, é pelado dentro da piscina'

  • Anna Virginia Balloussier e Renato Machado | Folhapress
  • 19 Jul 2021
  • 08:17h

(Foto: Reprodução)

Em entrevista neste domingo (18) logo após ter recebido alta hospitalar, o presidente Jair Bolsonaro culpou os lobistas e disse que "lá em Brasília não falta gente tentando vender lote na lua" para defender o general Eduardo Pazuello, seu ex-ministro da Saúde.
 
"Quando fala em propina, é pelado dentro da piscina", e não gravando vídeo de um encontro com representantes que diziam ter 30 milhões de doses da chinesa Coronavac para vender, afirmou o presidente em São Paulo.
 
Reportagem da Folha de S.Paulo nesta sexta (16) revelou que, em reunião fora da agenda, Pazuello prometeu a um grupo de intermediadores adquirir o lote dos imunizantes que foram formalmente oferecidos ao governo federal, mas por quase o triplo do preço estabelecido pelo Instituto Butantan.

Apesar de Pazuello ter dito na gravação que havia assinado um memorando de entendimento para a compra, a negociação não prosperou.

"O Élcio [Franco, coronel e então secretário-executivo do ministério] trabalhou muito bem nessa questão, não tem um centavo nosso despendido com essas pessoas que foram lá vender vacina", disse o chefe do Executivo nacional. "Brasília é o paraíso dos lobistas, dos espertalhões. Ou não é?

 

 

Questionado se não era estranho um ministro topar conversar com representantes que se dizem autorizados a vender imunizantes, Bolsonaro afirmou que, se estivesse no ministério, "teria apertado a mão daqueles caras todos".
 

"Ele não estava sentado à mesa. Geralmente, tira fotografia sentado na mesa negociando. E se fosse propina não dava entrevista, meu Deus do céu, não faria aquele vídeo. Dá para você entender isso aí?"
 

Bolsonaro disse a jornalistas de São Paulo que todo repórter de Brasília sabe do lobby que se passa na capital federal.
 

"Todos vocês da mídia nos pressionavam por vacinas, então muitas pessoas foram recebidas lá no ministério", afirmou. "Se você ver o próprio traje do Pazuello, ele tá sem paletó, aquele pessoal se reuniu com o diretor responsável por possíveis compras no ministério, e na saída ele conversou com o pessoal.”
 

"Agora, aquele vídeo… Se fosse algo secreto, negociado superfaturado, ele estaria dando entrevista, meu Deus do céu? Ou estaria escondidinho lá no porão do ministério? É só analisar isso aí."
 

Na saída do hospital, sem máscara, Bolsonaro disse que esqueceu o nome do policial militar Luiz Paulo Dominghetti Pereira, que, em entrevista à Folha e depois em depoimento à CPI da Covid, acusou um diretor do ministério de pedir propina de US$ 1 por cada uma das 400 milhões de doses que ofertava da AstraZeneca.
 

A negociação, considerada fantasma já que nunca houve garantia de conseguir o produto para o governo, resultou na demissão de Roberto Ferreira Dias horas após a entrevista à Folha.
 

"São pessoas que não têm credibilidade nenhuma", segundo Bolsonaro. "É motivo de orgulho para mim saber que todos esses possíveis contratos não deram mais que um passo."
 

A negociação de 11 de março, com Pazuello e tratada por Bolsonaro na entrevista, teve o desfecho registrado em um vídeo em que o general da ativa do Exército aparece ao lado de quatro pessoas que representariam a World Brands, empresa de Santa Catarina que lida com comércio exterior.
 

A Folha também obteve a proposta da World Brands.
 

Ela oferece os 30 milhões de doses da vacina do laboratório chinês Sinovac pelo preço unitário de US$ 28 a dose, com depósito de metade do valor total da compra (R$ 4,65 bilhões, considerando a cotação do dólar à época) até dois dias após a assinatura do contrato.
 

Naquela data, o governo brasileiro já havia anunciado fazia dois meses a aquisição de 100 milhões de doses da Coronavac via Butantan, pelo preço de US$ 10 cada. A demissão de Pazuello seria tornada pública quatro dias depois desse encontro.
 

Além da discrepância no preço, o encontro fora da agenda contradiz o que Pazuello afirmou à CPI, em 19 de maio. Aos senadores o general disse que não liderou as negociações com a Pfizer sob o argumento de que um ministro jamais deve receber ou negociar com uma empresa.
 

"Pela simples razão de que eu sou o dirigente máximo, eu sou o 'decisor', eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo", disse o general à CPI.
 

No vídeo, um empresário que Pazuello identifica como "John" agradece a oportunidade e diz que podem ser feitas outras parcerias "com tanta porta aberta que o ministro nos propôs".
 

A reunião dos empresários foi marcada com o gabinete de Elcio Franco. Segundo ex-assessores da pasta, Pazuello foi chamado à sala, ouviu o relato da reunião e fez o vídeo.
 

Segundo um ex-auxiliar do então ministro, a ideia era propagandear nas redes sociais o avanço em uma negociação, no momento em que o governo era pressionado a ampliar o portfólio de vacinas.
 

O general da ativa enviou uma nota à Folha na qual afirma que, no período à frente da pasta, "em momento algum" negociou a obtenção de vacinas com empresários, "fato que já foi reiteradamente informado na CPI da Pandemia e em outras instâncias judicantes".
 

Encaminhada como "Notificação Extrajudicial", com pedido de direito de resposta, a nota foi publicada na sequência a toda a imprensa pela Secom (Secretaria de Comunicação Social). A Folha negará. A secretaria afirmou que o mesmo procedimento seria adotado em relação à CNN Brasil e ao jornal O Globo.
 

Bolsonaro deixou o hospital Vila Nova Star, unidade de elite, acompanhado do apóstolo Valdemiro Santiago (Igreja Mundial do Poder de Deus), aliado evangélico conhecido por usar roupas de caubói.
 

Saiu com disposição de atacar a CPI da Covid ("será que não entenderam que só Deus me tira daquela cadeira?") e um de seus rivais prediletos, o governador paulista, João Doria. Alfinetou o tucano, que se reinfectou com Covid mesmo tendo se imunizado com a vacina na qual apostou, a Coronavac.
 

Divulgou sua nova coqueluche contra a Covid, a proxalutamida, um bloqueador de hormônios masculinos (antiandrógeno). Ainda em desenvolvimento, o remédio não tem liberação de uso em nenhum lugar do mundo até o momento.
 

“Nós temos que tentar, como já sempre disse. Na guerra do Pacífico, não tinha sangue para os soldados, e resolveram botar água de coco e deu certo”, acrescentou o mandatário."
 

O presidente também foi na jugular do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, que desdenha de uma bandeira bolsonarista: o voto impresso. "A tecnologia que está aí é dos anos 1990. Por que essa vontade doida do ministro Barroso de buscar uma maneira de manter o sistema como está?"
 

Bolsonaro sustenta, sem nunca ter apresentado provas, que a urna eletrônica hoje adotada para as eleições é prato cheio para um pleito fraudulento. Vem dizendo que vai mostrar evidências, mas, até hoje, nada.
 

"Peço aí a Deus que o cidadão que vai demonstrar a vocês a fraude nas eleições esteja bem, ele está com Covid", disse no domingo.
 

Ignorando apelos que já partem de sua própria equipe, o mandatário afastou de novo a possibilidade de se vacinar contra a doença pandêmica.
 

Será o último da fila, disse. "Ei como chefe... Aprendi no Exército, primeiro os subordinados, primeiro quem tá atrás de mim. Depois que todos se vacinarem, aí vai chegar a minha vez."
 

A fala não tem respaldo científico, já que o presidente, além de ser idoso, e portanto teoricamente mais vulnerável, pode não só adoecer, mas ser um transmissor do coronavírus.
 

Talvez por um "milagre de Deus", ele não precisou se submeter a uma cirurgia, disse. Não prometeu seguir a dieta recomendada pelo cirurgião Antonio Macedo, líder da equipe que cuidou do quadro de obstrução intestinal que o levou a ser hospitalizado na quarta (14).
 

Diz que "não é exemplo para ninguém" nesse quesito. “Espero, em 10 dias, estar comendo um churrasquinho de costela."
 

Também neste domingo, o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que "mentir virou coisa natural no Brasil", em particular vindo do presidente da República.
 

O senador também elevou o tom e chamou de "assassinos" alguns dos responsáveis pelo enfrentamento da pandemia, especialmente pela omissão no caso do Amazonas. Sobre Bolsonaro, em particular, disse que mentir para ele é "é normal, ele é contumaz nisso, ele prevarica, desfaz fatos e cria versões".

Aziz também disse que o vídeo com Pazuello deixa claro que ele mentiu para a CPI, uma vez que havia afirmado não negociar imunizantes. Acrescenta que o presidente aceita esse tipo de comportamento, tanto que os nomeou —também o ex-secretário-executivo Elcio Franco— para cargos na Casa Civil.

"Um ministro da Saúde pode mentir, não tem problema nenhum, porque o presidente perdoa, passa a mão por cima, mantém lá do lado dele, no gabinete ao lado dele o general Pazuello e o coronel Élcio [Franco], que estavam negociando as vacinas". 

CONTINUE LENDO

Ministro do Desenvolvimento Regional recebe alta após cirurgia

  • Redação
  • 18 Jul 2021
  • 09:00h

Rogério Marinho passou por um procedimento cardíaco no extremo sul da Bahia | Foto: Reprodução

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, recebeu alta neste sábado (17), após passar por uma cirurgia. Ele estava internado em um hospital de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. 

Ontem (16), ele teve um mal-estar e precisou realizar a cirurgia para a colocação de um stent, uma espécie de “malha” feita de metal que é usada para restaurar o fluxo sanguíneo na artéria.

A informação foi divulgada pelo ministro em suas redes sociais. “Acabo de receber alta. Agradeço a todos pelas mensagens de apoio e orações. Na próxima sexta-feira, se Deus quiser, já estaremos de volta ao trabalho por um Brasil melhor”, escreveu.

Rogério Marinho estava a caminho de Porto Seguro, também no sul da Bahia, onde passaria férias com a família, quando sentiu o mal-estar. 

Rogério Marinho é internado em Teixeira de Freitas com 90% das veias obstruídas

  • Redação
  • 17 Jul 2021
  • 10:15h

O estado de saúde não foi divulgado | Foto: Edu Andrade/Ministério da Economia

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, está internado em Teixeira de Freitas, no interior da Bahia. Ele sofreu um mal estar súbito na noite desta sexta-feira (16), ao desembarcar no município vizinho, Porto Seguro.

Segundo nota oficial, divulgada pela prefeitura de Porto, surgiu a suspeita de que o ministro tenha sofrido um início de infarto e, por isso, ele foi levado às pressas para o Hospital Luís Eduardo Magalhães, onde foi atendido pela médica Mariana Cancela. Já no hospital, após os exames, não ficou claro se ele sofreu o princípio de infarto, mas, por precaução e pelo fato de Marinho já fazer uso de stent, um tipo de tubo que é inserido em um conduto do corpo para prevenir ou impedir a constrição do fluxo sanguíneo, os médicos acharam prudente ele ser transferido. Com isso, o ministro foi levado para o hospital de Teixeira de Freitas, onde pôde fazer um cateterismo.

Já na madrugada deste sábado (17), a angioplastia indicou 90% de obstrução das veias. De acordo com a nota, isso significa que, se ele não tivesse um atendimento rápido, correria sério risco de morte. Depois de se alimentar, o ministro descansa no leito hospitalar e tem previsão de alta para às 16h de hoje. 

A prefeitura de Porto Seguro soube que quando o mal estar aconteceu ele estava chegando à cidade para passar uma semana de férias com a esposa e a filha. Diante da intercorrência, o prefeito Jânio Natal prestou o apoio necessário e acompanhou o ministro até que ele fosse levado para Teixeira de Freitas. Agora, a gestão afirma que Marinho pretende retornar ao município para aproveitar as férias assim que for liberado do hospital.

 

Projeto inclui casais homoafetivos entre prioridades do programa Casa Verde e Amarela

  • Com informações da Agência Câmara de Notícias
  • 17 Jul 2021
  • 08:06h

Hoje já têm prioridade no programa as famílias em situação de risco, as chefiadas por mulheres e as famílias com idosos ou pessoas com deficiência | Foto: Ubirajara Machado/Ministério de Desenvolvimento Regional

O Projeto de Lei 1947/21 inclui casais homoafetivos com união reconhecida pelo Estado entre os grupos a serem priorizados na seleção e hierarquização dos beneficiários do programa habitacional Casa Verde e Amarela.

Em análise na Câmara dos Deputados, o texto altera a Lei 14.118/21, que trata do programa e já prevê que têm prioridade, nos critérios de seleção e de hierarquização dos beneficiários, as famílias em situação de risco ou vulnerabilidade, que tenham a mulher como responsável pela unidade familiar ou de que façam parte pessoas com deficiência ou idosos.

“O que se sente na prática é a pura discriminação velada, na qual famílias LGBT têm enormes dificuldades de serem selecionadas”, afirma o autor da proposta, deputado Rafafá (PSDB-PB).

“As demoras em conseguir respostas deixam clara a discriminação sutil e perversa ao qual esses cidadãos vêm sendo submetidos”, aponta.

Tramitação
A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Aprovado texto-base de MP que cria documento eletrônico para transporte de cargas

  • Com informações da Agência Câmara de Notícias
  • 16 Jul 2021
  • 08:02h

Os deputados analisam agora os destaques apresentados pelos partidos na tentativa de mudar o texto | Foto: Divulgação/SSP-BA

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (15) o texto-base da Medida Provisória 1051/21, que cria o Documento Eletrônico de Transporte (DT-e), de emissão exclusivamente digital e obrigatória para autorizar os serviços de transporte de cargas no país.

Os deputados analisam agora os destaques apresentados pelos partidos na tentativa de mudar o texto.

A intenção da MP é reunir em um único documento todos os dados, obrigações administrativas, informações sobre licenças, registros, condições contratuais, sanitárias, de segurança, ambientais, comerciais e de pagamento, inclusive valor do frete e dos seguros contratados.

Segundo o texto do relator, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), a unificação de documentos e demais obrigações no DT-e deverão dispensar o transportador ou o condutor do veículo de portar versão física dos mesmos documentos durante o transporte.

Bolsonaro vai permanecer internado para tratamento clínico, indica boletim médico

  • Redação
  • 15 Jul 2021
  • 08:00h

(Foto: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vai permanecer internado para receber um tratamento clínico conservador. A equipe médica que o acompanha chegou a essa conclusão após avaliações clínicas, laboratoriais e de imagem.

A informação consta no boletim médico divulgado pelo Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, na noite desta quarta-feira (14). Inicialmente, foi afastada a possibilidade de uma nova cirurgia.

"O senhor presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, foi transferido na noite desta quarta-feira para o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após passar por uma avaliação no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, e ser diagnosticado com um quadro de suboclusão intestinal", disse a nota da unidade de saúde.

A internação do presidente no hospital de Brasília aconteceu na manhã de ontem depois que ele sentiu dores abdominais na madrugada. Já a transferência para São Paulo foi no início da noite, por volta de 18h50. Ele foi para o Vila Nova Star, pois é onde atende o cirurgião gástrico Antonio Luiz Macedo, médico que responde pelo tratamento do presidente desde o episódio da facada sofrida por ele em setembro de 2018 durante a eleição.

O feitiço vira contra o feiticeiro. O maior inimigo de Bolsonaro é ele mesmo

  • Levi Vasconcelos
  • 14 Jul 2021
  • 14:10h

(Foto: Reprodução)

Em entrevista à revista Piauí, Marcos Carvalho, o marqueteiro de Bolsonaro em 2018, desancou o ex-cliente: ‘Não se elege mais nem a síndico’. E faz ressalva: ‘A única perna que ele tinha era o discurso da honestidade. Perdeu’.

Carimba a tese a pesquisa do Datafolha divulgada no fim de semana: 70% dos brasileiros acreditam que há corrupção no governo. E o que diz Bolsonaro? Que o Datafolha ‘recebe dinheiro para fazer isso’. Como sempre, a todos acusa mesmo que nada prove.

E Marcos Carvalho vai além: ‘Os que tentam hoje ser a terceira via vão ser a segunda. Ele vai sofrer a derrota mais humilhante que um chefe de Estado na América Latina já sofreu’.

Será Bolsonaro vítima da pandemia? Pela forma como ele encarou o problema, claro. Começou ‘receitando’ a Cloroquina contra todos os argumentos científicos. E acabou enroscado com a Covaxin.

No tempero, ressalte-se, Bolsonaro dispara contra tudo e contra todos das formas mais chulas.  Só de ataques a jornalistas a Fenaj contabilizou, ano passado, 142 diretos dele. Sem falar que ele chamou Luis Barroso, ministro do STF e presidente do TSE, de ‘imbecil’ e ‘idiota’, e senadores da CPI de bandidos. Ele também acha que a sociedade é idiota?

Note-se que, como Marcos, que no seu imenso leque de inimigos muitos eram aliados, hoje todos raivosos. Bolsonaro nem tchum. Não vê que o maior inimigo dele é ele mesmo.

Ou melhor, é o feitiço contra o feiticeiro.

Bolsonaro é internado com crise de soluços para exames e agenda com chefes de Poderes é cancelada

  • Redação
  • 14 Jul 2021
  • 11:42h

(Foto: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu entrada nesta quarta-feira (14) no Hospital das Forças Armadas. Segundo a secretaria de comunicação do Planalto, Bolsonaro foi admitido no hospital por recomendação de sua equipe médica para investigar as causas do soluço apresentado nos últimos dias.

Bolsonaro teria uma reunião com o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19, prevista para 8h desta quarta. O encontro foi cancelado. O STF também divulgou nota informando o cancelamento da reunião entre os chefes de Poderes.

"Foi cancelada a reunião entre os presidentes dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo que aconteceria nesta quarta-feira (14). O encontro será oportunamente reagendado", diz o comunicado.

Bolsonaro já havia se queixado sobre uma crise de soluço de 11 dias. A apoiadores, disse também que teria que passar por uma nova cirurgia para corrigir uma hérnia.

"Peço desculpa a todos que estão me ouvindo, porque eu estou com soluço já tem cinco dias. Eu fiz uma cirurgia para implante dentário no sábado [3], já aconteceu comigo no passado, talvez, em função dos remédios que eu estou tomando, eu estou 24 horas por dia com soluço", disse Bolsonaro à rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul.

Frias ameaça processar jornalista que o chamou de 'otário' após censurar apoio a festival baiano

  • Redação
  • 13 Jul 2021
  • 08:58h

Foto: Roberto Castro Mtur

Titular da Secretaria Especial da Cultura (Secult), Mario Frias se irritou com as críticas de uma jornalista ao governo federal, após a Fundação Nacional de Artes (Funarte) vetar a captação de verba via lei de incentivo para o Festival de Jazz do Capão, na Bahia. A justificativa apresentada pelo órgão se baseou em um post de 2020, no qual o evento se declarava “antifascista e pela democracia.

Colunista do The Intercept Brasil, Fabiana Moraes denunciou o caso nas redes sociais, criticando o “teor religioso” e afirmando que o parecer apresentado pela Funarte para negar o apoio “fere tanto a liberdade de expressão quanto o princípio da laicidade do Estado brasileiro, garantidos constitucionalmente”. 

Em sua conta, Frias retuitou uma publicação do baiano André Porciúncula, titular da Secretaria Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), que acusava o Festival de Jazz do Capão de "fazer evento político/ideológico" e declarou: “Enquanto eu for Secretário Especial da Cultura ela será resgatada desse sequestro político/ideológico!”.

 

A jornalista, então, compartilhou a mensagem do secretário, criticando a postura autoritária. “Um pouco de poder a um otário e: ”, escreveu Fabiana, em referência à mensagem anterior de Frias. Irritado, ameaçou a colunista: “Nos veremos na Justiça, com um processo de injúria”.