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- Redação
- 15 Ago 2021
- 07:47h
09, 21, 25, 26, 36 e 53 foram os números que saíram no último sorteio | Foto: Reprodução
Nenhum apostador conseguiu acertar as seis dezenas da Mega-Sena sorteadas na noite de sábado (14), pelo concurso 2.400.
Com isso, o prêmio acumulou e agora pode pagar R$ 34 milhões no próximo sorteio.
Os números sorteados foram 09, 21, 25, 26, 36 e 53. O próximo concurso, na quarta-feira (18) deverá pagar R$ 34 milhões
As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) do dia do concurso, em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal. A aposta simples custa R$ 4,50.
- Washington Luiz | Folhapress
- 12 Ago 2021
- 11:12h
(Foto: Reprodução)
Senadores aprovaram nesta quarta-feira (11) a suspensão da prova de vida para os beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) até 31 de dezembro deste ano devido à pandemia. O projeto segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Anualmente, a comprovação deve ser feita nos bancos onde o segurado recebe o pagamento ou nas agências do INSS. Esse procedimento estava suspenso desde março do ano passado, mas voltou a ser exigido em junho deste ano.
O relator do texto, senador Jorge Kajuru (Podemos-GO), reconheceu que o mecanismo é importante para evitar fraudes, mas defendeu que ele deve ser suspenso em razão dos riscos provocados pela Covid-19.
“Não se justifica, no entanto, neste momento tão grave de crise sanitária, que a prevenção a possíveis fraudes fique acima da preservação da vida de milhões de brasileiros, com o risco de corte do benefício a que fazem jus, valores estes que garantem a sua própria subsistência e de sua família”, argumentou.
De acordo com o INSS, até junho, dos 36 milhões de segurados, 23,6 milhões já haviam realizado a prova de vida.
A proposta inicial mantinha a comprovação para este ano, mas permitia que os aposentados e pensionistas pudessem enviar os documentos comprobatórios por meios eletrônicos ou pelos Correios. O trecho foi retirado na Câmara dos Deputados e acatado pelos senadores.
"O mais acertado para o momento atual é promover a suspensão de tal procedimento, até 31 de dezembro de 2021, esperando que até lá os brasileiros já estejam imunizados pela vacinação [contra a covid-19], razão pela qual somos favoráveis ao acolhimento do novo texto proposto pela Câmara dos Deputados", completou Kajuru.
Pelas regras do projeto, a partir de 2022, todos os bancos deverão usar sistemas de biometria para realizar a prova de vida dos segurados e dar preferência máxima de atendimento para os beneficiários com mais de 80 anos ou com dificuldades de locomoção. A intenção é evitar demoras e exposição dos idosos a aglomerações.
O texto também autoriza que a prova de vida seja realizada por representante legal ou por procurador do beneficiário, legalmente cadastrado no INSS. A primeira via da procuração não será cobrada.
Além disso, o projeto determina que as ligações telefônicas realizadas de telefone fixo ou móvel que visem à solicitação dos serviços deverão ser gratuitas e serão consideradas de utilidade pública.
Enquanto o projeto não for sancionado, os beneficiários do INSS devem continuar a fazer a prova de vida conforme as regras do instituto para evitar o corte do pagamento. Para informações sobre o calendário, o beneficiário pode entrar em contato com a instituição onde recebe os benefícios ou ligar para o telefone 135.
Em agosto, segundo o cronograma do INSS, será a vez de quem teria que fazer a comprovação em julho e agosto de 2020.
A maior parte dos segurados pode fazer a prova de vida no banco responsável por pagar o benefício, preferencialmente na agência onde a conta foi aberta. É necessário levar um documento de identidade com foto, que pode ser o RG, a carteira de motorista ou a carteira de trabalho.
Alguns bancos também permitem que a prova de vida seja feita por meio de biometria, nos caixas eletrônicos ou nos seus próprios aplicativos, se o beneficiário já tiver a biometria cadastrada.
Quem não puder ir ao banco por dificuldades de locomoção ou por motivo de doença pode fazer a prova de vida por meio de um procurador cadastrado no INSS. Para idosos com mais de 80 anos, é possível solicitar o atendimento em casa, também por meio do telefone 135.
Aqueles que perderem a data precisam ir presencialmente ao banco fazer a regularização.
Após seis meses do fim do prazo, o benefício é encerrado por falta da renovação da senha e será preciso recorrer ao Meu INSS para a reativação.
Caso o pagamento só esteja bloqueado ou o benefício esteja suspenso, o beneficiário deve ir ao banco e realizar a prova de vida. Com isso, o benefício pode ser reativado e os pagamentos liberados.
- Redação
- 10 Ago 2021
- 17:29h
(Foto: Reprodução)
O concurso 2.398 da Mega-Sena pode pagar terça-feira (10) um prêmio de R$ 65 milhões para quem acertar as seis dezenas. Como o sorteio será realizado às 20h, em São Paulo (SP), as apostas poderão ser feitas até às 19h do dia do sorteio, em qualquer lotérica do Brasil ou por meio do site Loterias Caixa. O valor mínimo para participar é R$ 4,50. Em homenagem ao Dia dos Pais, excepcionalmente, nesta semana, os sorteios serão terça, quinta e sábado, como parte da série especial Mega-Semana dos Pais. Normalmente os sorteios ocorrem às quartas e aos sábados.
- Com informações da Agência Câmara de Notícias
- 10 Ago 2021
- 07:32h
Presidente disse que esse desfile é inédito, mas não acredita que tenha relação com a votação sobre o voto impresso | Foto: Reprodução
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que não apoia a demonstração marcada para esta terça-feira (10), na qual as Forças Armadas vão promover um desfile na Esplanada dos Ministérios com tanques e armamentos. Os veículos militares passarão em frente ao Congresso e ficarão estacionados logo adiante, em frente ao Palácio do Planalto.
Segundo o Comando da Marinha, o objetivo do desfile é convidar o presidente da República, Jair Bolsonaro, para participar de treinamento das três Forças, evento que acontece desde 1988 em Formosa (GO), mas é a primeira vez que esse desfile acontece na área central de Brasília. Está prevista para o mesmo dia a votação da proposta que torna obrigatório o voto impresso (PEC 135/19). Segundo Lira, “é uma trágica coincidência”.
Lira disse ainda que esse desfile é inédito, mas não acredita que tenha relação com a votação sobre o voto impresso. Segundo ele, se os deputados quiserem, a votação pode ser adiada.
“No país polarizado, isso dá cabimento para que se especule algum tipo de pressão. Entramos em contato com o presidente Bolsonaro, que garantiu que não há esse intuito. Mas não é usual, é uma coincidência trágica dos blindados para Formosa. Isso apimenta este momento”, afirmou.
Lira voltou a defender a votação pelo Plenário da proposta do voto impresso, pois ele avalia que, em razão da polêmica, apenas a rejeição pela comissão não seria suficiente para acalmar os ânimos dos defensores da proposta. Ele cobrou respeito ao resultado da decisão do Legislativo e propôs que o Tribunal Superior Eleitoral aumente o número de urnas a serem auditadas para garantir mais transparência à população. Hoje, apenas 100 urnas são auditadas ao final da votação nas sessões eleitorais.
“O que importa é ter serenidade, colocar água na fervura e que não haja vencedores e vencidos. Estamos falando de eleições limpas, transparentes e com autonomia”, disse.
“Eu tenho por hábito ser otimista e um politico que cumpre acordo. Comuniquei ao presidente Bolsonaro sobre a votação pelo Plenário, e que ele merecia uma resposta final do Plenário da Casa. E ele respeitaria o resultado. E isso vai ocorrer. Vamos ver como as coisas vão andar, espero que os acordos sejam cumpridos”, afirmou Lira, ao ser questionado sobre o comportamento do presidente no caso de derrota da proposta.
Fundo eleitoral
Lira defendeu o fundo eleitoral para financiar as eleições do próximo ano. A Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada em julho prevê uma fórmula para o cálculo do montante a ser repassado ao fundo e tem sido alvo de polêmicas. Esse valor pode chegar a R$5,3 bilhões. Ele negou que os recursos saiam de áreas sensíveis como saúde, educação. Segundo o presidente, o que foi estabelecido foi uma meta de cálculo baseada em 25% do gasto bienal do Tribunal Superior Eleitoral.
“Quem não quer o financiamento público não usa, não é obrigado a usar. Mas muitos que votam contra, na eleição pedem recursos públicos”, disse.
Lira afirmou que é preciso financiar as eleições e defendeu que se volte a discutir a possibilidade de financiamento privado nas campanhas .”De onde vamos tirar dinheiro para financiar a democracia? O tráfico, a milícias, pessoas ricas? Isso é um assunto sério”, disse.
- Redação
- 09 Ago 2021
- 16:31h
Sacos foram despejados em protesto pela falta de coleta de lixo domiciliar. Prefeitura de Cubatão afirmou que iniciou uma operação emergencial | (Foto: Solange Freitas/G1)
O hall de entrada da Prefeitura de Cubatão (SP) amanheceu, nesta terça-feira (19), coberto de lixo. Os sacos foram despejados em protesto pela falta de coleta de lixo domiciliar, que está suspensa na cidade.
A Terracom, que é responsável pela limpeza na cidade, não está recebendo o repasse dos valores para a empresa. Com isso, as lixeiras em diversos bairros ficaram repletas de sacos de lixo. A Prefeitura de Cubatão deve repassar cerca de R$ 13 milhões à Terracom.
De acordo com a Terracom, a prefeitura deve os pagamentos referentes aos meses de dezembro de 2015 a maio 2016. A administração municipal já foi notificada judicialmente no início de julho.
Em nota, a Prefeitura de Cubatão afirmou que iniciou uma operação emergencial para garantir a limpeza após as feiras livres deste fim de semana.
- Bahia Notícias
- 05 Ago 2021
- 19:47h
Foto: Nelson Jr./SCO/STF
O presidente do Supremo tribunal Federal (STF), Luiz Fux, cancelou, na tarde desta quinta-feira (5), uma reunião marcada anteriormente e que envolveria os chefes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. A decisão de Fux é uma reação aos sucessivos ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), a membros do Judiciário, a exemplo do ministro Luís Roberto Barroso, que também ocupa a presidência do Superior Tribunal Eleitoral (STJ). O anúncio foi feito publicamente durante reunião com membros da Corte.
Fux enfatizou que Bolsonaro tem mantido uma postura incompatível com o pretendido “Sua excelência mantém a divulgação de fatos fora da realidade e insistes em colocar sobre suspeição a higidez do processo eleitoral. O STF está cancelando a reunião outrora anunciada entre os chefes de Poderes, pois pressupõe um respeito mútuo entre os integrantes”, enfatizou.
Para o presidente da Suprema Corte, o diálogo pressupõe compromisso com a própria palavra e Bolsonaro não estaria respeitando tais premissas. Fux enfatizou já ter feito alerta ao presidente sobre questões concernentes aos "limites da liberdade de expressão".
- Bahia Notícias
- 05 Ago 2021
- 18:41h
Sindicalistas protestam contra privatização | Foto: Lula Bonfim / Bahia Notícias
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (5), o texto-base do projeto de lei que viabiliza a privatização dos Correios, com 286 votos a favor, 173 contra e duas abstenções. A aprovação ocorreu na forma do parecer apresentado pelo relator, deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA).
Os deputados vão analisar agora os destaques, pedidos pontuais de mudança ao texto aprovado. Finalizada essa etapa, o projeto segue para análise dos senadores. As informações são do portal G1.
Em seu parecer, o relator incluiu que a empresa que comprar os Correios terá exclusividade mínima de cinco anos sobre os serviços postais, ou seja, carta, cartão postal, telegrama e demais correspondências.
O relator também incluiu em seu texto um dispositivo que prevê a estabilidade por 18 meses para funcionários da estatal após privatização da empresa. Eles só poderão ser demitidos neste período por justa causa.
A empresa que vier a comprar os Correios terá, ainda, que disponibilizar aos funcionários um Plano de Demissão Voluntária (PDV), com período de adesão de 180 dias a contar da privatização.
O texto autoriza, ainda, a transferência dos empregados dos Correios para qualquer órgão da administração pública que solicitar o funcionário. No projeto da privatização da Eletrobras, os parlamentares incluíram dispositivo similar, que foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro sob o argumento de inconstitucionalidade.
As medidas voltadas aos funcionários foram incluídas no texto para diminuir a resistência à privatização da estatal, considerada uma das "joias da coroa" do governo federal. Até maio, os Correios tinham 90.875 funcionários.
- Redação
- 04 Ago 2021
- 16:36h
Ação pede que edital divulgando resultados final da prova objetiva e provisório da discursiva seja corrigido | Foto: Reprodução
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação, na última quinta-feira (29), com pedido de tutela de urgência, para que a Justiça Federal determine à União e ao Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) que apliquem a reserva de 20% das vagas garantidas a candidatos negros em todas as fases do Concurso Público da Polícia Federal 2021 (Edital nº 1 – DGP/PF, de 15 de janeiro de 2021), e não apenas no momento da apuração do resultado final. O concurso é destinado ao provimento de vagas nos cargos de delegado, agente, escrivão e papiloscopista da Policial Federal (PF).
De acordo com o MPF, a União e o Cebraspe descumpriram a Lei de Cotas (Lei 12.990/2014), pois incluíram, no número limite de correções de provas discursivas para cotistas, os candidatos negros que obtiveram nota suficiente para estarem no número de correções de provas discursivas para vagas de ampla concorrência.
Dessa forma, a aplicação do percentual de 20% estaria restrita aos candidatos aprovados, ou seja, que foram submetidos a todas as etapas do concurso, o que contraria o entendimento dos tribunais.
O procurador da República Ramiro Rockenbach, na ação, afirma que a metodologia adotada “leva à concorrência de candidatos negros apenas entre si e tem como consequência prática a probabilidade de que, ao final do concurso, as vagas reservadas não sejam preenchidas totalmente”.
- Redação
- 04 Ago 2021
- 07:22h
Lucas Santos sofreu comentários homofóbicos após simular beijo com um amigo; "Como sempre, destilaram ódio na internet. Nesse TikTok nojento", disse a Walkyria | Foto: Instagram
Após seu filho de 16 anos ter sido encontrado morto em casa, a cantora Walkyria Santos (ex-Magníficos) utilizou seu perfil no Instagram e culpou os ataques que Lucas Santos sofreu nas redes sociais, após vídeo no TikTok. O adolescente havia gravado um vídeo na plataforma, onde aparece simulando um beijo com um amigo.
“Hoje eu perdi meu filho, mas preciso deixar esse sinal de alerta aqui. Tenham cuidado com o que vocês falam, com o que vocês comentam. Vocês podem acabar com a vida de alguém. Hoje sou eu e a minha família quem chora”, escreveu, na noite de terça-feira (4).
A publicação foi acompanhada de um vídeo, no qual Walkyria aparece abraçada a uma blusa, dizendo que ainda sentia o cheiro do filho pois foi a última blusa que ele usou. Chorando, ela lamentou a morte, que ocorreu na segunda-feira (3).
Walkyria comentou sobre o vídeo do filho que teve grande repercussão no TikTok. Segundo ela, tratava-se de uma “brincadeira de adolescentes com amigos”. No vídeo citado pela cantora, seu filho Lucas e o amigo aparecem simulando que iriam se beijar. O vídeo teve grande repercussão e Lucas passou a sofrer ataques homofóbicos. Ele chegou a gravar outro vídeo explicando a brincadeira com o amigo e chegou a citar o medo da reação de uma tia.
“Ele pensou que as pessoas achariam engraçado, mas não foi isso que aconteceu. Como sempre, destilaram ódio na internet, deixando comentários maldosos. Meu filho acabou tirando a vida. Estou desolada, acabada, sem chão, mas estou aqui como uma mãe pedindo para que vocês vigiem, para que fiquem alertas”, desabafou.
Walkyria contou que Lucas já havia dado sinais que sofria de problemas relacionados a saúde mental e que ela fez o que pôde para ajudá-lo com conversas e visitas ao psicólogo. “Mas foi só isso, comentários na internet, nesse TikTok nojento, que fizeram com que ele chegasse a esse ponto. Que Deus conforte o coração da minha família. E que vocês vigiem, porque essa internet está doente, quando as pessoas são um pouco fracas e não se aguentam… que vocês vigiem”, alertou.
Após o desabafo, a cantora recebeu o apoio de artistas, como sua conterrânea da Paraíba, Juliette Freire, além de Solange Almeida, Xand Avião, Flay e Gil Mendes
- Mateus Vargas | Folhapress
- 03 Ago 2021
- 11:48h
(Foto: Reprodução)
O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta segunda-feira (2) propostas de taxar grandes fortunas e disse que ser rico no Brasil se tornou um crime.
"Alguns querem que eu taxe grandes fortunas no Brasil. É um crime agora ser rico no Brasil. A França, há poucas décadas, fez isso. O capital foi para a Rússia", disse o presidente durante evento no Ministério da Cidadania.
A declaração de Bolsonaro ocorre no momento em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta calibrar a proposta preliminar da segunda fase da reforma tributária, que mexe nas regras do Imposto de Renda e desagradou empresários.
"Querem que se aumente carga tributária, que se tabele preços, como a Argentina fez com a carne. Não só faltou no mercado, como subiu de preço", disse ainda Bolsonaro.
Provável candidato à Presidência e líder nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também citou a França ao criticar, no último dia 26, proposta de taxar grandes fortunas.
"O problema não é taxar grandes fortunas, porque você pode taxar grandes fortunas e elas voarem para outro país. Eu lembro que a França taxou grandes fortunas e empresários foram embora. O problema é ter uma política de imposto de renda que seja justa, que as pessoas paguem de acordo com o que ganham", disse Lula.
O presidente fazia críticas, no discurso, aos governos da Argentina e da Venezuela. Ele afirmava que o Brasil pode entrar em crise se permitir a volta de governos de esquerda.
Atrás nas pesquisas eleitorais, Bolsonaro tem dito que há um complô para fraudar as eleições em 2022 e impedir a sua reeleição ao Planalto.
"Escolhas erradas, populista, demagógicas. Vendendo ilusão. Prometendo paraíso. Dividir riqueza e renda. Alguém conhece algum empresário socialista? Algum empreendedor comunista?", disse o presidente sobre os países governados pela esquerda.
O jornal Folha de S.Paulo mostrou, em janeiro, que a França, antes considerada referência, desistiu em 2018 de tributar riqueza líquida e restringiu a base a imóveis.
Também provável candidato ao Planalto em 2022, Ciro Gomes (PDT) rebateu a fala de Lula contrária ao aumento das taxas sobre grandes fortunas. “O PT sempre defendeu esta taxação, e nunca teve coragem de implantá-la em seus governos. Fazer os super-ricos pagarem impostos não só é possível, como absolutamente necessário”, disse Ciro, em 28 de julho, nas redes sociais.
A proposta preliminar da segunda fase da reforma tributária, que mexe nas regras do Imposto de Renda, causou gritaria entre empresários ao colocar uma taxação de 20% sobre a distribuição de lucros e dividendos aos acionistas e cortar o IR para as empresas abaixo do que elas gostariam.
Assustado com a repercussão, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ao empresariado que estava disposto a calibrar pontos da reforma. O texto do relator, Celso Sabido (PSDB-PA), ainda está em discussão e diversas mudanças na versão preliminar já ocorreram.
Na sexta-feira (29), Sabino afirmou que seu texto vai voltar a prever a tributação de recursos de pessoas físicas brasileiras em paraísos fiscais. O endurecimento estava no projeto do governo –mas foi retirado na versão seguinte, de Guedes e Sabino, apresentada a líderes em 13 de julho.
A proposta original previa, por exemplo, uma tributação de 20% de dividendos e isenção para até R$ 20 mil por mês para pessoas físicas que recebem de micro e pequenas empresas. O relator quer ampliar o desconto para empresas de um mesmo grupo, entre outras isenções. Em compensação, ele chegou a mencionar o fim de subsídios a alguns setores, como à indústria química.
A tributação para empresas também mudou radicalmente desde que deixou o Ministério da Economia. No original, a alíquota de IR seria cortada aos poucos, em cinco pontos percentuais: de 15% para 12,5%, em 2022, e 10% no ano seguinte.
Agora, o deputado apresentou uma nova versão uma nova versão do texto também para representantes de estados e municípios prevendo um corte de 7,5 pontos no primeiro ano, de 2,5 pontos no segundo e outros 2,5 pontos no terceiro
- Agência Brasil
- 31 Jul 2021
- 16:28h
As apostas podem ser feitas até as 19h | Foto: Reprodução
A Mega-Sena pode pagar R$ 38 milhões neste sábado (31) ao apostador que acertar as seis dezenas do concurso 2.395. O sorteio será realizado a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço Loterias Caixa, localizado no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo (SP), com transmissão ao vivo pelas redes sociais (perfil @LoteriasCAIXAOficial no Facebook) e pelo canal da Caixa no Youtube.
As apostas podem ser feitas até as 19h de hoje em qualquer lotérica do país, no portal Loterias Caixa e no app Loterias Caixa (disponível para Android e iOS). Clientes do banco também tem a opção de apostar por meio do Internet Banking Caixa.
O valor de uma aposta simples (6 dezenas) na Mega-Sena é de R$ 4,50. Por se tratar de um concurso com final 5, o prêmio recebe ainda um adicional, conforme regra da modalidade. Saiba mais no Caixa Notícias.
- Central Press
- 30 Jul 2021
- 08:36h
Foto: Reprodução
A pandemia chegou e afetou inúmeros setores que impactam na economia brasileira. A preocupação com a manutenção da saúde aumentou, assim como o medo de contrair o vírus. Esses são alguns fatores que contribuíram para a situação atual: o brasileiro tem o menor índice de felicidade média em 15 anos, desde que o número começou a ser medido, em 2006. É o que aponta uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em meio às dificuldades, ainda é possível apostar na ciência para reverter ou minimizar esse cenário. E o estudo científico explora e entende a busca pela felicidade.
De acordo com o idealizador do Congresso Internacional de Felicidade, Gustavo Arns, a ciência da felicidade é um campo multidisciplinar que reúne estudos da psicologia positiva, ciências das emoções e neurociência e que nos auxiliam a compreender o tema. "É uma ciência recente mas que já tem 2 décadas de estudos e que nos traz uma perspectiva mais ampla de profunda do que é a felicidade, como podemos ser mais felizes, bem como lidar com a ansiedade e o stress”, explica.
Com as tristezas trazidas e intensificadas na pandemia, o especialista ainda comenta que a busca pela felicidade também está em saber lidar com o sentimento de tristeza. “Uma vida feliz é aquela em que entendemos o lugar da tristeza que sentimos e usamos isso como uma forma combustível para uma ação consciente. Quando se trata de felicidade, os momentos felizes são considerados apenas a primeira camada. O objetivo é encontrar camadas mais profundas de satisfação com a vida e bem-estar”, afirma.
Para auxiliar, por meio da ciência, a percepção de felicidade no dia a dia das pessoas, Gustavo Arns oferece gratuitamente, nos dias 2, 3 e 4 de agosto, aulas on-line, na Jornada da Felicidade. O especialista vai explicar, com ferramentas práticas, como as pessoas podem aplicar essa ciência na vida pessoal e profissional. As três aulas da Jornada da Felicidade acontecem de segunda a quarta-feira, sempre às 19h30, no YouTube do Congresso Internacional de Felicidade. Para participar, é preciso se inscrever antecipadamente pelo site.
- RENAN MARCEL | FELIPE BETIM | EL PAÍS
- 28 Jul 2021
- 17:44h
(Foto: EL PAÍS)
Em Cuiabá, a capital de Mato Grosso e do milionário agronegócio brasileiro, uma fila se forma na rua lateral do Atacadão da Carne antes das 9h desta quarta-feira. O açougue é conhecido pelo preço “mais em conta”. Mas na última semana ganhou uma involuntária fama nacional justamente por causa dessa fila, onde centenas de pessoas esperam horas debaixo do sol quente, sentados na calçada, até que uma porta lateral se abra às 11h e um funcionário comece a distribuição do que restou da desossa do boi. São, de fato, ossos com resquícios da carne vendida e que servem de uma improvisada fonte de proteína da população mais humilde. “É a maior felicidade a gente conseguir um ossinho aqui, porque está feia a crise! Eu estou desempregado e não tem para onde a gente recorrer. Faz tempo que eu não como carne, se não fosse o ossinho. Tudo está caro!”, conta Joacil Romão da Silva, de 57 anos.
Pandemia leva famílias para as ruas de São Paulo e acelera mudança de perfil da população sem-teto
A pandemia de coronavírus aprofundou ainda mais a situação precária vivida por milhões de brasileiros. O desemprego aumentou, os preços subiram e a fome explodiu. São mais de 19 milhões de brasileiros passando fome, segundo a última pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN). Em 2018, eram 10,3 milhões. A perda de poder aquisitivo deixou, ainda, mais da metade do Brasil sem acesso pleno e permanente a alimentos. São 116,8 milhões de brasileiros (55,2% da população) que não necessariamente comem as três refeições por dia (insegurança alimentar). Três anos atrás, o IBGE registrava 36,7% da população nesse status, o que já era alto em comparação com 2013: 22,9%.
A ação do açougue de Cuiabá já ocorre há mais de 10 anos. Mas, antes da pandemia, a fila reunia entre 20 e 30 pessoas, segundo Edivaldo Oliveira, de 58 anos, dono do local. “Agora, triplicou ou mais. Hoje são 200 pessoas. Estamos com dificuldade para atender e a gente está se esforçando ao máximo. Mas é muita gente mesmo”, conta. Os sinais de desarranjo estão por toda parte. Nos preços, que saltaram 15,3% entre julho de 2020 e junho 2021 somente no caso dos alimentos (IPCA). No alto desemprego, que já atinge cerca de 15 milhões de pessoas no Brasil. No aumento da população morando nas ruas e nas filas de doação de marmita vista em qualquer ponto de São Paulo.
Os supermercados já oferecem opções mais baratas inclusive para substituir o arroz e o feijão, os dois principais alimentos da dieta brasileira. Um pacote de cinco quilos de arroz ficou 48% mais caro no último ano e pode chegar a 30 reais em alguns locais. Assim, algumas marcas oferecem nos supermercados os chamados “fragmentos de arroz”, opção mais barata, por vezes usada como ração para animais. Uma das empresas que passou a oferecer é a Rampinelli, que colocou esse produto no cardápio em 2016. Os mercados também já têm disponível a “bandinha de feijão” —feijão quebrado. O preço do feijão preto subiu 22% no último ano e o pacote de um quilo chega a custar 10 reais em alguns supermercados, enquanto que as bandinhas de feijão valem metade do preço.
Ana Paula dos Anjos, de 38 anos, também busca ajuda no Atacadão da Carne. O preço do alimento subiu 38% no último ano. Além disso, ela conta que há um ano e dois meses está afastada do trabalho por causa de um acidente que sofreu na empresa. Sem assistência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e sem auxílio da empregadora, virou rotina frequentar a fila em busca de doação. “Estou me virando, passando por necessidade. Sou eu quem sustento a casa e muitas vezes deixo de comer para alimentar meus filhos. Três vezes na semana estou aqui”, conta ela, que cuida dos quatro filhos sozinha. “Meus filhos choram querendo as coisas para comer e o jeito é pedir ajuda.”
Além de recorrer ao Atacadão da Carne para a alimentação diária, Celina Mota, de 56 anos, também consegue no mercadinho do bairro legumes e frutas que não foram vendidos e seriam descartados. “Conversei com o rapaz lá e ele me arranjou essas verduras, que eu cozinho um pedaço a cada dia. Com os ossinhos vai ajudar. Dá para ir vivendo”, garante ela, que também está desempregada. É com a ajuda que recebe que ainda consegue alimentar os netos. “Eu faço ensopado, frito, corto tudinho e congelo para ir comendo durante a semana. E assim vou me virando”, complementa, mostrando tomates, banana e batata doce que conseguiu arrecadar.
O açougue não atende somente pessoas dos bairros periféricos da região. De acordo com Edvaldo Oliveira, o dono do local, já houve registro de pessoas de cidades vizinhas enfrentando a chamada “fila dos ossinhos”. “Eu vejo que a fome e a necessidade dessas pessoas são muito grandes. Para pegar uma sacolinha de um quilo ou um quilo e meio de ossinho, elas chegam antes das 9h e ficam às vezes até 13h esperando. E elas são gratas por isso, por algo que as pessoas que têm mais estabilidade não dão valor algum”, comenta. A esposa do comerciante, Samara Oliveira, de 38 anos, espera que a exposição que o açougue ganhou inspire outros empresários a serem solidários. “Não é só de carne que eles precisam, eles precisam de arroz, feijão, precisam de uma farmácia que venha aqui ajudar com remédios, de roupas. É um ‘oi, como vai, você está bem?’”, afirma.
A fila tornou-se um ícone da pobreza do Brasil de hoje e foi noticiado em todo o país. Gente, como Gustavo da Silva Costa, de 25 anos, se solidarizou e levou mais de 20 quilos de frango para doar. “É uma quantidade que, infelizmente, foi pouco devido à quantidade de pessoas aqui”, afirma. A distribuição dos frangos não demorou nem um minuto, as pessoas correram até onde o rapaz estava para receber um pacote. “Eu vi uma reportagem e decidi ajudar. Muita gente pode somar e ajudar essas pessoas, que realmente precisam. No mercado de trabalho, infelizmente, não tem mais oportunidades”, afirma o motoboy.
- Felipe Maia | Folhapress
- 24 Jul 2021
- 13:13h
Imagem: Reprodução
Um contraponto musical pôs duas produtoras audiovisuais brasileiras em pé de guerra. De um lado está a KondZilla, poderosa agência de funk de São Paulo, e do outro está a Brasil Paralelo, empresa do Rio Grande do Sul que vem ganhando terreno com suas produções de cunho conservador. O mais recente desses trabalhos é um documentário sobre música.
Em "A Primeira Arte", imagens de MCs e funkeiros da produtora paulistana são exibidas sob trilha sonora tétrica e efeitos de câmera fantasmagóricos, enquanto cânones como Mozart e Monteverdi são celebrados na tela. Uma oposição que parece reeditar embates de fundo cultural no Brasil sob o governo Bolsonaro.
Ao verificar que trechos de seus clipes tinham sido usados no documentário, a KondZilla notificou a Brasil Paralelo exigindo a retirada de suas imagens do vídeo. Em debate estaria a legislação e direitos autorais.
A produtora gaúcha resolveu partir para o ataque e entrou com uma ação contra a KondZilla em maio. A Brasil Paralelo sustenta que a KondZilla a acusa indevidamente de violação de copyright.
O documentário, disponível no YouTube, está dividido em três partes. Em "Ressonância", se discutem aspectos gerais de som e música, como frequência e nota. A segunda parte, "Consonância", trata dos grandes nomes e formas musicais europeias. Em "Dissonância" -termo que pode ser traduzido como um som incômodo-, tem espaço a história da indústria da música pop anglo-saxônica dos últimos cem anos, além de breves passagens sobre o Brasil.
"A gente quis mostrar que a música é um fundamento da civilização", afirma Lucas Ferrugem, sócio da Brasil Paralelo e um dos roteiristas do documentário. "É uma retrospectiva histórica do desenvolvimento ocidental, então é impossível pular o pop, o funk, o hip-hop, o blues, o jazz."
As quase quatro horas de entrevistas e imagens replicadas de outros filmes e vídeos da internet constroem uma narrativa de antagonismos. Nela, há uma música que aspira ao belo, ao divino, ao apolíneo, e há outra que profana esses valores por razões que vão da industrialização à falta de conhecimento de quem a faz e escuta. É como se houvesse uma hierarquia, com prateleiras para o que seria "folclore", "arte", "expressão popular", "Música" com letra maiúscula.
"Para ser honesto, eu acho que, sim, existe baixa e alta cultura", afirma Ferrugem. "Mas acho que o documentário não reflete isso. Nosso papel é a função crítica, e não discutir o que é arte e o que não é. Quem seria arrogante para ter essa resposta?"
Tema de conversa de boteco e almoço no domingo, ideias sobre a natureza da cultura vem sendo amplamente discutidas nas ciências sociais e nas artes desde o início do século 20. Na música, o debate ganha forma primeiro em dois polos -nas expedições de etnomusicologia que, como subproduto da empresa neocolonial, se dedicam a pesquisar músicas não europeias a partir do século 19, e, anos depois, no desenvolvimento de teorias críticas por nomes como Walter Benjamin e Theodor Adorno -ferrenho crítico do jazz.
Nos anos 1970, pensadores como Stuart Hall e Pierre Bourdieu avançaram na questão ao estabelecer recortes e vínculos entre cultura, individualidade e classe. Seus estudos sobre identidade e capital cultural vão reverberar em dinâmicas atuais, como onivorismo cultural e cosmopolitismos. Termos que, numa era de música abundante, se refletem em marcadores sociais como o chavão "eu escuto de tudo".
Essa frase descolada não tem vez em "A Primeira Arte". Amarrado por falas de uma dezena de homens brancos -músicos e filósofos e um editor de site opinativo-, o projeto da Brasil Paralelo é de caráter subjetivo, metafórico e anedotário. Isso não seria problema, não fosse a aura universalista e maniqueísta que pretende ter a obra. Em vez de ser um filme sobre música, é um filme sobre ideias sobre música. E muitas dessas são ultrapassadas ou questionadas como lugares-comuns pela pesquisa ou por artistas.
Há, por um lado, o pressuposto da sofisticação. Segundo essa linha, a complexidade encontrada em grandes nomes como Bach é o devir da música. Suas fugas e contrapontos de enorme dificuldade seriam o apogeu da arte. "Tem uma virtuosidade técnica aí que não é alcançada por outros gêneros", diz Ferrugem. "Uma sinfonia com mil pessoas de Mahler é uma conquista da humanidade."
Há no documentário também um apreço pela ideia do autêntico, visto em menções à Bíblia e ao folclore, obra de um povo que guardaria tradições e formas anteriores a qualquer indústria. Surge na tela Ariano Suassuna, em trecho de uma palestra, disparando ataques jocosos à banda paraense Calypso. Escritor inconteste, Suassuna carrega controvérsias como homem político. Quando secretário da Cultura de Pernambuco, na década de 1990, era avesso ao movimento manguebeat.
Esses dois eixos delimitam todas as tentativas de análise do documentário da Brasil Paralelo. Mesmo quando ameaça escapar aos ditames da música de tradição europeia, "A Primeira Arte" fica preso às supostas sofisticação e autenticidade. A produção celebra a inventividade da música do século 20, mas apenas no caso do atonalismo de Claude Debussy. Quando se propõe a pincelar o hip-hop, questiona ao espectador por qual razão o rap teria perdido o "seu elemento de protesto".
O resultado é uma ode ao passado, um passado imaginado e seletivo. Talvez por isso, ou por um ímpeto megalomaníaco, há inclusive erros e omissões sensíveis na produção.
A afirmação de que o jazz era uma música que reunia famílias, por exemplo, não bate com o conflito racial americano que atravessa o gênero principalmente na primeira metade do século 20. Ao louvar Richard Wagner, o documentário não menciona que, embora tenha sido uma espécie de pop star em vida, sua obra não era unanimidade em seu tempo. A estreia do compositor em Paris, em 1861, foi incompreendida pelo público segundo relatos e escritos da época.
A realidade da produção musical e fonográfica brasileira não poderia estar mais distante daquilo que é bem quisto em "A Primeira Arte". Pouco se fala de grandes compositores do país, mesmo abordando música de câmara ou de formas nacionais como modinhas e lundus do século 19 e a queridinha bossa nova.
O ritmo, elemento de grande protagonismo em gêneros como o samba, também serve a antagonismos no filme. "O ritmo toca o corpo, a melodia e a harmonia tocam a alma", diz um dos entrevistados da Brasil Paralelo. Gráficos de projetos realizados por dois sites de análise de dados se sucedem à fala como forma de sustentar o argumento de que a música, hoje, se tornou um pastiche fundado no batuque e na batida.
Entram nesse balaio o sertanejo pop, o trap, a pisadinha, e o funk, ilustrado por clipes da KondZilla. As imagens são acompanhadas por um narrador que fala de sexualização, materialismo, infidelidade e violência.
"A nossa intenção foi falar da história da música, e não é uma questão de que uma parte a gente gosta, outra parte não gosta", diz Lucas Ferrugem, sócio da produtora. "O funk apareceu no Brasil como uma coisa muito divertida, bacana, folclórica e sempre foi legítima. O que não gosto é quando essa música tenta passar uma imagem de objetificação da mulher, de destruição da mulher."
Segundo Caio Mariano, advogado da KondZilla, a lei que teria permitido o uso dos clipes da produtora não deve ser vista como carta branca. "A Brasil Paralelo fez um documentário sobre música e, ao abordar o universo funk, utilizou materiais da KondZilla Filmes sem autorização e de uma forma distorcida com claro intuito preconceituoso sobre o gênero", diz.
Ambas as produtoras travaram um primeiro debate acerca da questão, mas não houve acordo. "Foi um contato diplomático", afirma Ana Flávia, advogada da Brasil Paralelo. "O documentário não faz nenhum tipo de discussão para analisar pessoas, mas, sim, analisar estilos. E há menção a todas as fontes, isso traz uma segurança jurídica para a gente."
A KondZilla tomou conhecimento do processo a partir do contato da reportagem. "Não atenderam a nosso pedido de retirar os trechos dos nossos clipes e agora ficamos sabendo dessa judicialização", diz Mariano, por telefone. "Não vamos nos manifestar previamente. Da forma como foi utilizado [o material da KondZilla], com o intuito de ser um preconceito, é óbvio que causa prejuízo."
A KondZilla é hoje uma superpotência do funk, uma holding com quatro empresas que vai além da produção de videoclipes. Sob o comando do fundador da companhia, Konrad Dantas, estão o gerenciamento de artistas populares do funk e do atual pop brasileiro -como Kevinho e Kekel-, parcerias publicitárias com marcas de peso e uma série da Netflix em vias de lançar a segunda temporada, neste semestre.
A caminhada para o sucesso da KondZilla não é tão diferente assim dos passos dados pela Brasil Paralelo. Ambas começaram de forma independente, apoiadas na distribuição online de seus vídeos, de maneira gratuita. As duas afirmam prescindir de dinheiro público. A Brasil Paralelo, aliás, relembra constantemente esse fato em suas redes sociais.
O projeto de ambas, contudo, pouco tem em comum. Embora tenha surgido às margens do que é legitimado como cultura brasileira, hoje a KondZilla é centro de um universo pujante. Ano após ano o funk vem se confirmando como um dos estilos mais ouvidos do país, segundo as plataformas de streaming. Ainda assim, o gênero tem em seus principais atores o alvo de discriminações. Em fevereiro deste ano, o MC Salvador da Rima foi preso sem justificativa pela polícia de São Paulo enquanto estava na casa de um amigo.
A julgar pelo documentário "A Primeira Arte", a Brasil Paralelo refuta não só produtos do pop atual, como também rechaça a estrutura da indústria com que lucram. A própria natureza da produtora parece conflitar com esses ideais. Na internet, ser pop é fundamental para conquistar altas cifras -sejam elas das plataformas como o YouTube ou de assinantes, caso da empresa gaúcha.
No Brasil, já data de décadas esse embate que opõe gêneros e formas musicais, que contesta estruturas e legitimações de lugar e classe.
Um dos maiores sambistas do país, o baiano Riachão escreveu sua primeira música ao ler numa capa de jornal que só no Rio de Janeiro é que se sabia compor sambas. Nos anos 1950, João Gilberto causou discórdia entre os ouvidos acostumados aos vozeirões da rádio e entre a nascente crítica musical brasileira -nos moldes da relação entre Adorno e o jazz, o pesquisador José Ramos Tinhorão critica a bossa nova de um ponto de vista marxista.
Conhecido nos anos 1980 por seu programa em que quebrava discos de artistas brasileiros -de Lobão a Caetano Veloso-, Flávio Cavalcanti não é tão diferente assim do histriônico Sikêra Jr. e seus ataques ao funk.
O que se vê hoje, contudo, é o limiar das orientações políticas e filosóficas tomando o palco. Se é incongruente ler a música fora desse campo -assim como não é factível apartar essa arte de recortes de gênero e raça-, no Brasil do governo Bolsonaro a música se torna o próprio campo de batalha. É, por exemplo, o caso recente do Festival de Jazz do Capão, na Bahia. Na ocasião, a Secretaria Especial da Cultura negou financiamento público ao evento em parecer que menciona Deus e alma como fins últimos da música.
Versão tão diversa quanto essa ou quanto ao imbróglio entre KondZilla e Brasil Paralelo é o que tem vivido Thiago Barbosa Alves de Souza. Além de ser pianista, ele faz seu doutorado na Universidade de São Paulo, onde pesquisa o trabalho de produtores de funk da cidade. No começo de julho, ele foi convidado pela Secretaria de Cultura a levar seu trabalho ao Theatro Municipal como parte dos preparativos para o centenário da Semana de 1922. Sobre o palco, sentado ao piano de cauda, o jovem tocou trechos de peças de compositores clássicos brasileiros, como Villa Lobos, e também de funkeiros, como DJ Ery.
Nenhum vídeo ou áudio da apresentação foi divulgado até o momento, mas uma série de fotos no Instagram em que o pianista fala da experiência foi suficiente para gerar polêmica. Comentários desfavoráveis à performance começaram a surgir em grupos e perfis online dedicados a canto lírico ou música de câmara. "As pessoas nem têm noção do que fomos fazer ali, mas só de ver a foto já teve gente que falou que a estávamos excluindo a ópera", diz o artista e pesquisador. "O preconceito é demais."
Barbosa tem formação de conservatório e resolveu pesquisar funk ao entrar no curso de música da Unesp. "Na graduação comecei a me descontentar com essa estrutura de ensino, comecei a ver que ali tinha moralismo, racismo, preconceito", diz ele.
Hoje, o perfil Canal do Thiagson no Instagram tem cerca de 8.500 seguidores que acompanham sua pesquisa, além de explicações bem-humoradas e detalhadas sobre funk.
Por causa do sucesso nas redes sociais, o jovem foi convidado por um coletivo de historiadores marxistas a analisar o documentário "A Primeira Arte" numa transmissão na plataforma Twitch. "Existe um moralismo, uma inadequação ao presente, e uma visão apocalíptica que funciona bem", diz ele. "Esse discurso do apocalipse funciona para documentários de esquerda ou de direita, porque dá uma visão de que o passado era melhor."
A apresentação de Barbosa no Municipal soa como uma síntese dessa díade que, no caso da KondZilla e da Brasil Paralelo, virou caso de Justiça.
"Se o funk está no Theatro Municipal, aquele espaço se torna mais familiar e mais pessoas podem frequentar", diz ele. "E também para que essa cultura erudita não morra de vez, porque é algo restrito, é importante esse diálogo com a sociedade.
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- por Daniel Carvalho e Danielle Brant | Folhapress
- 23 Jul 2021
- 10:07h
Foto: Pedro Ladeira / Folhapress
Em mais uma tentativa de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (22) que não pode admitir que "meia dúzia [de] pessoas, de forma secreta" contabilizem os votos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
"Eu não estou acusando servidores do TSE. Eu não posso admitir que meia dúzia de pessoas tenham a chave criptográfica de tudo, e essa meia dúzia pessoas, de forma secreta, conte os votos numa sala lá do TSE. Isso não é admissível", disse Bolsonaro em entrevista à rádio Banda B, de Curitiba.
"A própria Constituição fala em contagem pública dos votos. O que que nós queremos? Olha o que que eu estou querendo. Estou querendo transparência. Nada mais além disso. Não podemos terminar as eleições de 2022 e o povo aí ficar na dúvida. 'Será que este cara ganhou? Será que o processo foi limpo, foi transparente?'", afirmou o presidente. Bandeira do bolsonarismo, o voto impresso quase foi derrotado em reunião na sexta-feira (16) em uma comissão especial da Câmara, mas uma manobra de governistas adiou a votação para 5 de agosto, depois do recesso parlamentar, que vai de 18 a 31 de julho.
O tema tem sido usado insistentemente por Bolsonaro para fazer ameaças golpistas contra as eleições de 2022. Ele já afirmou, várias vezes, que, se a mudança não ocorrer, não haverá eleições. Uma reação de 11 partidos, porém, virou o jogo e, até a última sexta, garantia uma maioria para rejeitar a proposta.
Mesmo que avance na comissão especial, para aprovar uma PEC são necessários ao menos 308 votos na Câmara (de um total de 513 deputados) e 49 no Senado (de um total de 81 senadores), em votação em dois turnos. Para valer para as eleições de 2022, a proposta teria que ser promulgada até o início de outubro.
Ou seja, as chances de a proposta prosperar para o próximo pleito eram consideradas remotas mesmo antes de fala de Bolsonaro admitindo a provável derrota.
Nas últimas semanas, Bolsonaro provocou uma crise institucional ao afirmar que as eleições de 2022 podem não ocorrer caso não seja adotado uma modalidade de voto confiável —na visão dele, o impresso.
Sem apresentar provas, Bolsonaro alegou mais uma vez ter indícios de fraude na eleição presidencial de 2014, apesar de o próprio derrotado no segundo turno daquele ano, o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), ter declarado não acreditar que tenha existido essa irregularidade naquela disputa.
O mandatário também já afirmou —de novo sem provas— que houve fraude na eleição de 2018, quando ele derrotou Fernando Haddad (PT). A alegação de Bolsonaro é que ele teria recebido mais votos do que os que foram computados. Ele nunca apresentou evidências dessa acusação.
Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, fez coro a Bolsonaro e disse em nota que existe no país uma demanda por legitimidade e transparência nas eleições.
Segundo ele, mais uma vez levantando uma bandeira bolsonarista, a discussão sobre o "voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso é legítima".
“Acredito que todo cidadão deseja a maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes no Executivo e no Legislativo em todas as instâncias”, afirmou o militar.
Também nesta quinta-feira, no início desta tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), publicou no Twitter uma mensagem na qual afirma que as decisões sobre o sistema político-eleitoral cabem ao Congresso e que as eleições são inegociáveis.
"Seja qual for o modelo, a realização de eleições periódicas, inclusive em 2022, não está em discussão. Isso é inegociável. Elas irão acontecer, pois são a expressão mais pura da soberania do povo?", escreveu.
Na entrevista desta quinta-feira, Bolsonaro ainda confirmou o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para comandar a Casa Civil e justificou a troca de um militar por um líder do centrão na reforma ministerial que decidiu conduzir agora, momento de fragilidade do governo.
"Quando eu coloco um militar dentro do governo, há críticas também: 'Mais um militar'. Boto um parlamentar: 'Ah, um parlamentar'. Pessoal, se você tem críticas a deputados do centro, não vote mais nesses candidatos por ocasião das eleições do ano que vem. É simples a coisa", afirmou Bolsonaro.
Diante das críticas por se aproximar ainda mais do centrão, o mandatário disse ter nascido do grupo de partidos conhecido pela troca de apoio por cargos e emendas.
"Todo e qualquer partido tem gente boa e gente que não está muito interessada em fazer a coisa certa. Agora, eu tenho e pretendo, dentro das quatro linhas da Constituição, buscar apoio dentro do Parlamento."
Bolsonaro disse que a reforma ministerial é algo "praticamente certo". "Vamos botar um senador aqui na Casa Civil que pode manter um diálogo melhor com o Parlamento brasileiro", afirmou Bolsonaro?.
O mandatário disse já ter conversado com o senador e que o convite foi aceito. Ele o encontrará na segunda-feira (26) para o acerto final.
"Não vamos ter problema nenhum no tocante a bem conduzirmos as questões afetas à Casa Civil. E a Casa Civil é o ministério mais importante nosso, é o que trata da coordenação entre os ministérios. Então, é uma pessoa que nos interessa pela sua experiência, que pode, no meu entender, fazer um bom trabalho aqui", declarou.
Bolsonaro minimizou o descontentamento do atual titular da Casa Civil, o general Luiz Eduardo Ramos, que será deslocado para a Secretaria-Geral, um ministério que tem menos relevância, apesar de ficar fisicamente localizado próximo ao presidente, no Palácio do Planalto.
"Na área militar é assim, a gente costuma tomar algumas decisões sem ouvir muita gente. Se bem que o Ramos está todo dia aqui, cinco, seis vezes comigo. Ele sabe qual é o comportamento e a nossa intenção", disse Bolsonaro.
"Ele não saiu. Ele continua sendo ministro, um ministério importante que ele ocupa também, chama-se ministro palaciano, está o tempo todo em contato conosco. E esses ministros palacianos sempre trazem informações de outros ministérios."
Bolsonaro também confirmou que o atual chefe da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni, vai ocupar o Ministério do Trabalho e Previdência, que será recriado a partir do desmembramento de duas secretarias do ministro Paulo Guedes (Economia).
"Esse que é o quadro pintado aqui agora. Nenhuma mudança drástica no meu entender. Acho que melhora a interlocução com o Parlamento e nós continuamos dentro da normalidade aqui, conduzindo o destino da nação", afirmou.
Bolsonaro aproveitou a entrevista para rebater críticas por sua aproximação com o centrão, o que ele e aliados condenaram durante toda a campanha presidencial de 2018.
Naquela época, o atual titular do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, chegou a cantar "se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão". Bolsonaro disse que não pode governar com apenas um quinto da Câmara e disse que o termo "centrão" é pejorativo.
"São alguns partidos que lá atrás se uniram na campanha do [Geraldo] Alckmin [do PSDB] e ficou então rotulado centrão como algo pejorativo, como algo danoso à nação. Não tem nada a ver. Eu nasci de lá", disse Bolsonaro, apesar de o centrão ser um grupo anterior à disputa.
"Nós temos 513 parlamentares. [...]. São pouco mais de 200 pessoas. Se você afastar esse partido de centro, sobram 300 votos para mim. Se afasta cento e poucos parlamentares de esquerda, PT, PC do B e PSDB, eu vou governar com um quinto da Câmara. Não tem como governar com um quinto da Câmara."
As mudanças serão feitas em meio a uma série de pressões sobre Bolsonaro, incluindo mais de cem pedidos de impeachment na Câmara, perda de popularidade, desvantagem sobre Lula nas pesquisas eleitorais para 2022, investigação da CPI da Covid no Senado, instabilidades na base governista e negociações do fundo eleitoral bilionário.
A aliança de Bolsonaro com o centrão, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma série de pedidos de impeachment que já se acumulavam na Câmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaustão durante a campanha de 2018, de que o presidente não se renderia ao que chamava de a velha política do “toma lá, dá cá”.
Para atender o centrão, o governo faz promessas de liberação de bilhões em emendas parlamentares e agora prepara até a recriação de ministérios, contrariando outro discurso da campanha, o do enxugamento da máquina pública.
Hoje o governo Bolsonaro tem 22 ministérios, 7 a mais do que os 15 prometidos na campanha eleitoral —sob a gestão de Michel Temer (MDB), seu antecessor, eram 29 ministérios. A administração atual chegou a ter 23 ministérios, mas o Banco Central perdeu este status com a aprovação de sua autonomia.
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