BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"
- Bahia Notícias
- 30 Jan 2026
- 08:13h
Foto: TV Globo
Representante do Brasil na mídia internacional desde que os holofotes se viraram para ele durante a divulgação do longa 'O Agente Secreto', Wagner Moura voltou a falar sobre política nas entrevistas pré-Oscar e fez uma análise do cenário global.
À revista, o baiano comparou a resposta do Brasil e dos Estados Unidos frente a ameaças autoritárias, e frisou que o Brasil foi mais firme que o país norte-americano pelo passado sombrio.
"Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem o que é isso, como é essa sensação ou o quanto isso é ruim."
O ator ainda citou o fato de 'O Agente Secreto' ter sido desenvolvido em um momento considerado delicado para ele, o governo Bolsonaro. Crítico da gestão do militar, o baiano frisou que o papel dele como ator foi de utilizar a arte para se manifestar.
"Esse é um filme que nasceu de como eu e Kleber e eu nos sentimos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. Como nos sentíamos em relação ao nosso papel como artistas. Isso acontece lentamente. E se você não reage às pequenas coisas, é aí que elas assumem o controle."
- Por Diego Felix | Folhapress
- 29 Jan 2026
- 14:12h
Foto: Rosinei Coutinho / CSO / STF
O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), devolveu à Justiça de São Paulo uma denúncia apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o empresário Nelson Tanure. Acusado de uso de informações privilegiadas na construtora Gafisa, Tanure tentava vincular o caso ao Banco Master, pois a procuradoria apontava o banco de Daniel Vorcaro como um braço financeiro e operacional do empresário.
A denúncia, apresentada no final de dezembro, foi remetida ao STF há pouco mais de uma semana. Em seu despacho, o ministro Dias Toffoli, relator das investigações do Master no Supremo, afirmou não ver relação entre os casos e determinou a devolução do processo à 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, segundo noticiado inicialmente pelo jornal O Globo e confirmado pela Folha de S.Paulo.
Em nota nesta quarta-feira (28), a defesa de Tanure disse que o empresário tem décadas de experiência profissional no mercado e jamais havia sido acusado de qualquer prática supostamente delitiva nas empresas em que foi ou é acionista.
Alguns pontos do caso são importantes, segundo os advogados de Tanure, para atestar sua inocência. Um deles é que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) não apontou ilicitude na operação de compra da incorporadora Upcon pela Gafisa, entre 2019 e 2020; o delegado da Polícia Federal que investigou o caso não teria encontrado indícios de crime e a operação foi amplamente debatida pelos acionistas da Gafisa.
"O empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure lastima mais uma vez a açodada denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos no bojo do processo", diz em nota o advogado Pablo Naves Testoni.
ENTENDA O CASO
De acordo com o Ministério Público, Tanure e o empresário Gilberto Benevides praticaram insider trading (uso de informação privilegiada) na operação de aquisição da incorporadora Upcon pela Gafisa, ocorrida entre 2019 e 2020.
Segundo a denúncia, eles teriam feito uma série de movimentações financeiras para inflar o valor de mercado da Upcon e, consequentemente, receber mais ações com poder de voto da construtora na operação de compra e venda.
Na época narrada pela denúncia, Tanure era acionista relevante da Gafisa e membro do conselho de administração, cujo mandato teve início em abril de 2019. Benevides, por outro lado, era acionista controlador da Upcon e responsável direto pelas negociações.
De acordo com a procuradoria, Tanure utilizou estruturas societárias com duas offshores sediadas em paraísos fiscais e o fundo de investimento Singular Plus com o objetivo de ocultar sua participação na Gafisa e realizar operações dissimuladas com a Upcon.
Os procuradores remontaram um caso que aconteceu dias antes da conclusão da compra, em fevereiro de 2020. À época, a Upcon recebeu um aumento repentino de R$ 150 milhões em seu capital social e impulsionou seu valor de mercado em quase 1.400%.
O valor de mercado da Upcon era importante dentro da operação porque determinaria qual seria o montante de ações a serem repassadas da Gafisa aos controladores da Upcon. Neste caso, a Gafisa não utilizou recursos de caixa e fez a compra com o repasse de ações.
Segundo as investigações, Tanure e Benevides, sabendo que o laudo de avaliação da Upcon seria feito dali a poucos dias, aportaram dinheiro ao capital social da incorporadora para inflar o valor de mercado e aumentar o tamanho das ações a serem pagas pela Gafisa.
Para realizar a integração dos valores ao capital social, Benevides obteve um empréstimo junto à corretora Planner. Segundo as investigações, o dinheiro emprestado era, na verdade, de Tanure, que utilizou o fundo de investimento Singular Plus para internalizar as garantias dadas no negócio.
O Master, apesar de não ser denunciado no caso da Gafisa, é apontado na denúncia como um braço financeiro e operacional que permitiu a concentração acionária necessária para inflar ativos e viabilizar garantias nas operações de Tanure pelo mercado, criando um cenário de liquidez manipulada.
No início deste mês, Tanure foi alvo de buscas pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada inicialmente em dezembro, que apura irregularidades relacionadas ao Master.
O empresário é investidor de inúmeras empresas brasileiras, como a petroleira Prio, a rede de supermercados Dia e a Gafisa. A apuração policial investiga suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
- Bahia Notícias
- 29 Jan 2026
- 10:22h
Foto: Alberto Maraux / SSP-BA
O mandante de homicídios na cidade de Ipiaú estava no sistema prisional e ganhou a liberdade após ser beneficiado pela Saidinha de Natal em 2025.
O integrante da facção não retornou no dia 5 de janeiro, como foi determinado pela Justiça. Em liberdade, o criminoso passou a ordenar assassinatos de rivais.
O traficante de drogas e armas, autor também de homicídios, lavagem de dinheiro, roubos e corrupção de menores estava custodiado no Conjunto Penal de Jequié.
CAPTURA
Na tarde de quarta-feira (28), o criminoso foi localizado na localidade de Barra Grande, município de Maraú, por equipes da FICCO Bahia e das Polícias Civil e Militar.
Durante a prisão em uma pousada de luxo, o integrante de facção ofereceu R$ 300 mil para ser solto. Além dele, outros dois comparsas foram capturados.
- Bahia Notícias
- 28 Jan 2026
- 16:37h
Foto: Rosinei Coutinho/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu prazo de 48 horas para que o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), preste esclarecimentos sobre a Lei Estadual nº 19.722/2026, que extingue cotas raciais e mantém apenas reservas de vagas para pessoas com deficiência, estudantes oriundos da rede pública estadual e critérios exclusivamente socioeconômicos. A decisão foi publicada na última segunda-feira (26).
No despacho, o ministro também intimou a Assembleia Legislativa de Santa Catarina e a Reitoria da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) a se manifestarem sobre a aplicação da norma, especialmente em relação ao processo seletivo do primeiro vestibular de 2026. Gilmar Mendes ainda determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentem pareceres sobre o pedido de suspensão imediata da lei.
ENTENDA
O Supremo Tribunal Federal foi acionado contra a Lei nº 19.722/2026 por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) protocolada pelo PSOL, pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela Educafro. A ação questiona a constitucionalidade da norma por proibir políticas de ação afirmativa com base em critérios étnico-raciais em instituições de ensino superior públicas ou financiadas com recursos públicos.
Sancionada na última quinta-feira pelo governador Jorginho Mello, a lei veda a adoção de cotas raciais e outras políticas afirmativas semelhantes. Permanecem autorizadas apenas reservas de vagas destinadas a pessoas com deficiência, estudantes da rede pública estadual e critérios estritamente socioeconômicos. A norma também prevê sanções em caso de descumprimento, como aplicação de multas, anulação de processos seletivos e suspensão de repasses de recursos públicos.
- Por Manoella Smith | Folhapress
- 28 Jan 2026
- 14:45h
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Um juiz federal de Minnesota, nos Estados Unidos, intimou o chefe do ICE, a agência de imigração americana, a comparecer ao tribunal nesta semana para explicar o que o magistrado descreveu como falhas repetidas no cumprimento de ordens judiciais relacionadas às operações no estado.
Segundo o juiz, o governo de Donald Trump não cumpriu as ordens de realizar audiências para imigrantes detidos pelo ICE nas operações realizadas no estado. "A paciência do tribunal chegou ao fim", afirma o juiz Patrick J. Schiltz na petição protocolada na noite de segunda-feira (26), segundo a imprensa americana.
O diretor interino do ICE, Todd Lyons, deve comparecer pessoalmente ao tribunal na próxima sexta-feira (30). Minnesota tem sido palco de embate entre o governo democrata local e a Casa Branca após dois americanos terem sido mortos a tiros por agentes federais durante operações em menos de um mês.
O juiz ameaçou instaurar procedimentos por desacato contra Lyons após, segundo o magistrado, a agência ter deixado de realizar audiências de fiança com imigrantes detidos, apesar de determinações judiciais emitidas por tribunais em Minneapolis que exigiam esse processo.
Schiltz diz que o ICE não se preparou nem tomou providências para lidar "com as centenas de pedidos de habeas corpus e outras ações judiciais que certamente" seriam apresentados à Justiça em decorrência das operações.
Manifestações em larga escala têm dominado as ruas de diferentes cidades do estado, em especial de Minneapolis, palco das operações que resultaram nos dois óbitos.
A ordem judicial ocorre logo após Trump enviar a Minneapolis o encarregado das fronteiras, Tom Homan, que deve assumir o comando do ICE na cidade -hoje, é a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, quem controla os agentes federais no local.
Segundo a imprensa americana, Trump também demitiu o comandante de operação do ICE em Minneapolis. Gregory Bovino, conhecido como um defensor da truculência das operações de deportação e por usar roupas que suscitaram comparações com trajes nazistas.
Especialistas veem Bovino como a peça central da ofensiva de Trump. Agora, ele voltará ao cargo que tinha antes do governo Trump, como oficial do CBP, a agência de proteção de fronteiras, na Califórnia.
No sábado (24), o enfermeiro Alex Pretti, 37, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação do ICE em Minnesota. O governo Trump diz que Pretti havia ameaçado os policiais. Vídeos da cena não comprovam essa versão.
Em 7 de janeiro, a poeta Renee Nicole Good, 37, também foi morta a tiros em seu próprio carro. A Casa Branca também tentou culpá-la pelo episódio afirmando que ela teria tentado atropelar um agente -versão também contestada pelas imagens do incidente.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o comissário de Segurança Comunitária de Minneapolis, Todd Barnette, criticou a atuação dos agentes federais e disse que batidas, detenções e agressões conduzidas pelo ICE estão fazendo com que imigrantes revivam traumas de seus países de origem.
- Por Lucas Marchesini e Adriana Fernandes | Folhapress
- 28 Jan 2026
- 12:27h
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O rombo causado pelo Banco Master no BRB pode ser maior do que os R$ 2,6 bilhões mapeados até o momento pelo Banco Central. Isso porque, ao ressarcir o banco estatal de Brasília, Daniel Vorcaro usou como moeda fundos com créditos inadimplentes (dívidas não pagas ou em atraso), ações que perderam valor e imóveis, que são ativos de menor liquidez.
Em novembro, o Banco Central detectou que R$ 12 bilhões em carteiras de crédito vendidos pelo Master ao BRB eram fraudados e determinou que o valor fosse ressarcido ao banco estatal de Brasília. O BRB informou que havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões.
A investigação preliminar conduzida pelo BRB para mapear as perdas com o Master identificou que, nesse montante, estão oito fundos ligados ao banco de Vorcaro. Conforme mostrou a Folha, eles foram repassados ao BRB e hoje fazem parte do conglomerado do banco.
A reportagem identificou que esses fundos investiram em negócios imobiliários ligados à família Vorcaro, têm mais de R$ 800 milhões em créditos inadimplentes, além de papéis da Ambipar, empresa da área de resíduos sólidos que está em recuperação judicial.
Procurado, o BRB informou que "qualquer estimativa de necessidade de aporte de capital vai considerar, integralmente, todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master".
"Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado e Meyer, que conta com apoio técnico da Kroll", afirmou.
Como a Folha mostrou, o BC já mandou o BRB reservar R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas com a fraude provocada pela negociação com o Master.
O maior dos oito fundos repassados ao BRB é o Jeitto, focado em crédito, com uma carteira de mais de R$ 1 bilhão. Desse total, R$ 952 milhões estavam inadimplentes em dezembro de 2025, o que levou a um provisionamento de R$ 873 milhões (reserva de capital para arcar com potenciais perdas).
A origem desses créditos são empréstimos concedidos pelo Banco Master, e havia um contrato entre a instituição de Vorcaro e o fundo para que concessões com inadimplência superior a 90 dias fossem pagas pelo fundo, o que parou de acontecer ainda no primeiro semestre de 2025.
Diante disso, o Master notificou os fundos em outubro do ano passado "reiterando formalmente a necessidade de realização da recompra dos direitos creditórios em aberto", conforme comunicado divulgado pelo fundo.
A notificação não levou a uma regularização da situação e o fundo suspendeu a compra de qualquer direito creditório novo enquanto o impasse não se resolve.
O segundo maior fundo entre os repassados pelo Master ao BRB é o Kyra, com uma carteira de R$ 882 milhões. O valor todo tem como base ações da Ambipar, que está em recuperação judicial.
Hoje, uma ação da empresa vale R$ 0,26. Antes de a Ambipar ingressar na Justiça com o pedido para suspender o pagamento de dívidas, as ações chegaram a valer R$ 10,75. Desde então, o papel não se recuperou.
A queda se refletiu na avaliação de outro fundo repassado pelo Master ao BRB, o Texas I.
Em setembro de 2025, a carteira do fundo valia R$ 634 milhões, sendo R$ 530 milhões em ações da Ambipar. Em dezembro de 2025, o patrimônio líquido do fundo era de R$ 122 milhões. O valor da ação no último relatório não é discriminado, mas a queda aconteceu no mesmo período em que os papéis da Ambipar despencaram.
O BRB não informou a data em que o fundo foi repassado pelo Master nem o valor dos ativos na ocasião.
O terceiro fundo em valor é o Supreme Realty, focado em investimentos imobiliários, com uma carteira de R$ 737 milhões.
Desse total, R$ 264 milhões se referem a um investimento em um projeto imobiliário tocado por Nathalia Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro. O montante está dividido em duas empresas, a MG I Desenvolvimento Imobiliário, na qual Nathalia é diretora, e a Brazil Realty Empreendimentos.
A MG I é dona de uma outra empresa, a Minas Gerais II Desenvolvimento Imobiliário, que por sua vez detém 69,5% de um terreno denominado "Campo do Meio" com 76 mil m². Ele fica em Contagem (MG), cidade na região metropolitana de Belo Horizonte. A Brazil Realty é dona dos 30,5% restantes do terreno.
O fundo tem um investimento em outro projeto de Nathalia Vorcaro, o Mountain View, um residencial do Minha Casa, Minha Vida em Contagem estimado em R$ 388 milhões. Ele é tocado pela empresa Focus Participação, que também tem a irmã de Daniel Vorcaro como diretora.
O Master repassou outro fundo imobiliário para o BRB, o CMX Realty, que também contém projetos ligados à família Vorcaro. Do total de R$ 118 milhões do fundo, R$ 108 milhões se referem a um projeto chamado Pedra Histórica, em Brumadinho (MG).
O projeto é tocado por duas empresas, a CMX Realty e a Pedra Histórica Holding e Participações. Seus diretores participam de outros projetos tocados pelas empresas do pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, e Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.
Questionado, o Master afirmou que "não houve transferência de ativos ocultos, não registrados ou fora dos critérios contábeis e regulatórios aplicáveis". "As operações realizadas seguiram os parâmetros técnicos de avaliação vigentes à época", informou.
Já o BRB acrescentou que o valor do possível aporte necessário para cobrir eventuais perdas será estabelecido após o encerramento das apurações em curso.
"Todos os ativos efetivamente cedidos ao BRB estavam registrados no balanço do Banco Master e integravam as demonstrações financeiras da instituição", informou, em nota, a instituição financeira.
"Esses ativos eram periodicamente auditados e precificados conforme metodologias formais de avaliação e de classificação de risco, previstas no manual de rating adotado pelo banco e observadas pelas instâncias de supervisão", acrescentou.
- Por Bianca Andrade/Bahia Notícias
- 28 Jan 2026
- 10:32h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
Vencedor do Globo de Ouro de 2025 na categoria Melhor Ator por 'O Agente Secreto', e indicado ao Oscar pelo mesmo papel no longa de Kleber Mendonça Filho, o ator Wagner Moura pode colocar mais uma honraria na prateleira de casa em 2026.
Um projeto de resolução foi apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia na última semana para conceder ao artista a Comenda 2 de Julho, a mais alta honraria concedida pela Alba.
Na proposta apresentada por Fátima Nunes (PT), a deputada reforça a importância de Wagner Moura para a cultura baiana e brasileira, exaltando personagens do ator desde muito antes de ganhar o mundo com 'O Agente Secreto'.
“É inegável a contribuição deste grandioso artista para a arte, a cultura e, principalmente, para o cinema brasileiro. Wagner Moura carrega o nome da Bahia para o mundo”, afirma a deputada.
Para Fátima Nunes, o reconhecimento de Moura com a comenda reforça ainda o posicionamento firme do ator em defesa da democracia.
Criada em 1999, a Comenda Dois de Julho é conferida às pessoas que contribuem ou tenham contribuído para o desenvolvimento político e administrativo da Bahia e do Brasil.
Entre os artistas reconhecidos com o título estão Carlinhos Brown, Bell Marques, Kocó de Lordão, Manno Góes, Bela Gil, Margareth Menezes, Nelson Rufino e Chocolate da Bahia.
SOBRE WAGNER
Soteropolitano de nascimento e rodelense de criação, o artista, que foi criado no município localizado a 540km da capital, carrega com orgulho o "molho baiano" ao redor do mundo.
Wagner, que se formou em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, decidiu seguir o caminho na arte e se tornou um dos principais representantes da cultura local para o Brasil, com papéis marcantes em produções que variaram de novelas, como 'Paraíso Tropical', séries como 'JK' e 'Sexo Frágil' e longas como 'O Homem do Ano', 'Carandiru', 'Cidade Baixa', 'Tropa de Elite', 'Saneamento Básico', 'Ó Paí Ó', além de se desafiar como diretor na produção 'Marighella', trabalho reconhecido com prêmios no cinema brasileiro.
No cenário internacional, o artista se destacou ao protagonizar a série Narcos (2015–2017), interpretando o narcotraficante Pablo Escobar. Desde então, o baiano virou referência brasileira para o mundo.
Recém-indicado ao Oscar, o baiano descobriu o fato enquanto estava em um avião e foi informado por um amigo da conquista. A cerimônia do Oscar 2026 acontecerá no dia 15 de março, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia.
- Por Liz Barretto/Bahia Notícias
- 28 Jan 2026
- 08:51h
Foto: Agência Senado
O senador Otto Alencar (PSD) afirmou, em entrevista à Antena 1, que não apoiará a candidatura de Ronaldo Caiado caso o presidenciável migre para o PSD. A declaração acontece em meio à saída do governador de Goiás do União Brasil, confirmada nesta terça-feira (27).
Questionado por Maurício Leiro e Rebeca Menezes, no programa Bahia Notícias no Ar, o senador garantiu que seguirá com o apoio ao presidente Lula mesmo se sua sigla decidir escolher um nome para disputar à Presidência da República.
“No palanque do PSB Bahia não. Aqui na Bahia vamos apoiar com todas as letras Luiz Inácio Lula da Silva em sua reeleição e a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues. Isso já conversei com deputados federais, a maioria deles consentiram. O Kassab já sabe disso”, destacou Otto.
O senador ainda afirmou que, apesar de não ter problemas com o candidato, a decisão não foi planejada. “Não tenho nenhuma crítica a ele, mas aqui na Bahia não não vamos aceitar uma mudança de caminho de última hora”, disparou.
- Bahia Notícias
- 27 Jan 2026
- 16:38h
Foto: Reprodução / Shutterstock
A Índia entrou em alerta após a confirmação de um surto do vírus letal Nipah no estado de Bengala Ocidental. Até o momento, cinco casos foram registrados, todos envolvendo médicos e enfermeiros ligados a um mesmo hospital. Quase 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena, e os pacientes estão sendo tratados em Calcutá, capital do estado. Um deles está em estado crítico, segundo informou o departamento de saúde local.
O vírus Nipah (NiV) circula principalmente entre morcegos do gênero Pteropus, que se alimentam de frutas, mas pode ser transmitido a outros animais e a humanos por meio de alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infecção pode se manifestar de diferentes formas, desde doenças respiratórias até encefalite — inflamação no cérebro, que pode ser fatal.
No Brasil, não há qualquer alerta ou registro da doença até o momento. A infectologista Kamilla Moraes, da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que, apesar do risco global, não há motivo para alarme imediato no país. “Atualmente não temos nenhum alerta sobre o vírus no Brasil. É importante sempre estarmos atentos aos surtos internacionais. No cenário de globalização, existe sempre um risco de transmissão. Mas no momento não temos nenhum alerta ou casos no país”, afirmou.
Os sintomas iniciais do vírus Nipah geralmente incluem febre, dor de cabeça, mialgia (dor muscular), vômitos e dor de garganta. Em alguns casos, podem surgir tontura, sonolência, alteração da consciência e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda. Há também relatos de pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo desconforto respiratório agudo.
Nos quadros mais severos, a encefalite e as convulsões podem evoluir rapidamente para coma em 24 a 48 horas. O período de incubação costuma variar de 4 a 14 dias, mas já houve registros de até 45 dias. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade local de vigilância epidemiológica e atendimento médico.
Atualmente, não existem medicamentos ou vacinas específicas contra a infecção pelo vírus Nipah. A OMS classifica o agente como uma das doenças prioritárias para o seu Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento. O tratamento disponível é baseado em cuidados intensivos de suporte, voltados principalmente para o manejo de complicações respiratórias graves e neurológicas.
- Por Adriana Fernandes | Folhapress
- 27 Jan 2026
- 12:32h
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O BRB (Banco de Brasília) vai contratar nos próximos dias uma empresa para a recuperação de ativos na tentativa de compensar eventuais perdas com a compra de carteiras de crédito consignado fraudulentas do Banco Master.
O escritório Machado Meyer Advogados e a Kroll Brasil apresentam ainda nesta semana um relatório preliminar com o mapeamento da intrincada cadeia de fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, que têm relação com o BRB.
As duas empresas já foram contratadas pelo banco do governo do Distrito Federal para fazer uma investigação independente (auditoria forense) sobre irregularidades nos negócios com o Master. Esse tipo de auditoria se concentra na investigação, quantificação de danos e identificação dos autores.
É feita uma investigação contábil especializada para detectar provas das fraudes e os crimes financeiros. O trabalho de investigação inclui os fundos que passaram a ser sócios de uma parcela considerável do banco do Distrito Federal.
Os investigadores já detectaram achados importantes sobre a sobreposição de fundos que estão no conglomerado BRB e no Master, de acordo com pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem.
Como revelou a Folha, o BRB tem participação em oito fundos de investimento que aparecem no esquema de fraudes do banco de Vorcaro. Os fundos Cartago, CMX Realty III, Jeitto, Kyra, Strelitzia, Supreme Realty, Tessalia e Texas I são listados pelo Banco Central como parte do conglomerado do BRB.
Os investimentos do banco de Brasília nesses fundos mostram um tipo de ligação até então desconhecido entre o BRB e o banco de Vorcaro, liquidado em novembro pelo Banco Central. Alguns desses fundos foram entregues ao BRB para compensar parte das perdas que o banco estatal teve com a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito podres do Master.
O BRB também não descarta pedir o arresto (medida judicial preventiva que visa à apreensão de bens de um devedor) de ações do próprio banco que estão em posse dos fundos com ligação com Vorcaro. Entre eles, o Borneo, administrado pela gestora Reag, e o Deneb, administrados pela Master Corretora, que compraram participação no BRB.
Segundo um integrante do banco do DF, existem mecanismos jurídicos que permitem o arresto dessas ações para a tesouraria da instituição como um mecanismo para garantir a cobertura de eventuais prejuízos com a compra de carteiras de crédito sem lastro real.
Na operação de devolução das carteiras fraudadas, o BRB recebeu de Vorcaro R$ 10 bilhões de ativos do Master, que estão sendo auditados, faltando em valores atuais R$ 2,6 bilhões.
O Banco Central já cobrou que o BRB faça uma provisão (reconhecimento contábil no seu balanço de um passivo, que pode representar uma despesa futura) desse valor para cobrir a perda.
A auditoria independente foi contratada pelo novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que assumiu o comando do banco após Paulo Henrique Costa ser afastado, em novembro do ano passado, no dia da liquidação do Master pelo Banco Central. Sob Costa, o BRB havia feito uma oferta para comprar o Master, que foi rejeitada pelo BC.
Os auditores estão fazendo um pente-fino na gestão de Paulo Henrique Costa e na relação dele com o ex-presidente do Conselho de Administração do BRB, Marcelo Talarico. A interlocutores, Costa tem afirmado que o BRB vai ganhar dinheiro com as carteiras adquiridas do Master, e que o pedido de provisão determinado pelo BC é feito por prudência e não significa perda.
Foi na gestão de Costa que o BRB fez a compra das carteiras com fraudes.
- Bahia Notícias
- 27 Jan 2026
- 10:29h
Foto: Reprodução / Instagram / @lulaoficial
O técnico da Seleção Brasileira Masculina, Carlo Ancelotti, participou na última segunda-feira (26) de uma reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da Fifa, Gianni Infantino. O encontro integrou a agenda institucional de lançamento da marca da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
Além do Mundial Feminino, a conversa também abordou a possibilidade de o Brasil se candidatar para sediar a Copa do Mundo de Clubes de 2029. A proposta, já debatida no âmbito da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), recebeu sinalização positiva do governo federal durante a reunião.
Ancelotti esteve acompanhado de dirigentes da CBF, entre eles o presidente da entidade, Samir Xaud, e o vice-presidente Gustavo Dias Henrique. O ministro do Esporte, André Fufuca, também participou do encontro com Infantino.
Após a reunião, Samir Xaud afirmou que a presença do treinador reforça o alinhamento entre a seleção, a CBF e as instituições envolvidas na organização de grandes eventos esportivos no país. O dirigente reiterou que o Brasil está preparado para receber o Mundial de Clubes.
"A gente acredita que o Brasil está apto a receber esse evento grandioso [Mundial de Clubes], mas isso requer muitas conversas, muitos ajustes, mas o Brasil vai sim colocar a sua candidatura para 2029", afirmou.
Em outro momento, em tom descontraído, Lula dirigiu-se a Ancelotti durante o encontro e fez uma brincadeira sobre o futuro do treinador no futebol brasileiro.
"Você ganha a Copa do Mundo esse ano e depois vem para o Corinthians ganhar o Mundial", brincou.
Vale lembrar que o italiano Carlo Ancelotti está em fase avançada de negociações para renovar seu contrato e permanecer à frente da Seleção Brasileira até 2030.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 27 Jan 2026
- 08:26h
Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Apesar de esta ser a última semana de recesso parlamentar, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), antecipou o retorno do calendário legislativo e agendou uma reunião de líderes para esta quarta-feira (28/1). Motta já quer definir com os líderes as prioridades da Câmara para o primeiro semestre, principalmente diante de um ano que deve ser tumultuado por conta das eleições de outubro.
A reunião convocada por Motta fará com que os líderes partidários retornem a Brasília seis dias antes da sessão solene do Congresso Nacional que marca o começo do ano legislativo. Alguns líderes, entretanto, anteciparam que não devem comparecer à reunião na residência oficial da Câmara.
Hugo Motta pretende sinalizar aos líderes que pretende priorizar neste mês de fevereiro o andamento de duas pautas ligadas à segurança pública: o projeto de lei (PL) Antifacção e a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança. Os parlamentares consideram que a segurança será um dos grandes temas das eleições neste ano, e a intenção é aprovar as duas matérias como resposta à sociedade.
Outro assunto que aparecerá na reunião de líderes é a necessidade de aprovação do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Essa é uma das prioridades do governo Lula em 2026.
Na semana passada, Hugo Motta já havia antecipado que iria que vai tratar do acordo entre União Europeia e Mercosul quando se reunisse com os líderes partidários, e afirmou que acredita em uma “rápida aprovação” pelo Congresso.
“Minha intenção é dar prioridade ao seu exame pela Câmara dos Deputados assim que o recebermos do Poder Executivo. Vou tratar desse assunto na próxima reunião de líderes e estou certo de que o espírito na Casa é amplamente favorável à rápida aprovação do acordo, pelos impactos positivos que terá para o Brasil e para todos os demais participantes”, disse Motta em entrevista à Globonews.
Logo na primeira semana de trabalho, a partir da próxima segunda (2), a Câmara dos Deputados deve discutir a medida provisória do Gás, que perde a validade no próximo dia 11 de fevereiro. Publicada em 4 de setembro, essa medida provisória alterou as regras para oferta de gás de cozinha a famílias de baixa renda. O texto já foi aprovado na comissão mista e aguarda votação na Câmara.
Além da MP do gás, a Câmara iniciará o ano legislativo com outras 24 medidas provisórias aguardando votação. A maior parte está em tramitação em comissões mistas — formadas por senadores e deputados federais. E todos os textos terão de passar, primeiro, pelo Plenário da Câmara dos Deputados e, em seguida, pelo Plenário do Senado.
Na reunião, os líderes também poderão levar à mesa quais são suas prioridades. A expectativa é que o PT e a liderança do governo apresentem as apostas do Palácio do Planalto para as eleições. Entre elas, aparece a proposta para acabar com a escala 6x1.
Já a oposição deve reivindicar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as fraudes no Banco Master também. Os parlamentares de oposição prometem pressionar Motta para que a comissão seja instalada imediatamente.
A oposição também deve manter pressão permanente sobre o presidente da Câmara em relação à retomada de um projeto de anistia total aos presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe. Apesar de ter sido aprovado o projeto que reduziu as penas desses crimes, os líderes da oposição vão tentar retomar propostas que anistiam por completo quem participou desses crimes, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Bahia Notícias
- 26 Jan 2026
- 14:03h
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A Polícia Federal vai ouvir depoimentos de alguns dos investigados na Operação Compliance Zero, a partir desta segunda-feira (26). A investigação da PF apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Segundo a coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles, depois dos depoimentos a Justiça vai determinar se o caso vai se manter no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se as investigações voltam para a Justiça Federal, em Brasília, ou para a Justiça de São Paulo.
De acordo com a publicação, estão previstos oito depoimentos na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), de forma remota por videoconferência e presencialmente. Devem ser escutados os ex-diretores do BRB e do Banco Master, além de empresários como Augusto Ferreira Lima – ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Eles estão envolvidos dentro do inquérito que investiga crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Na lista dos que devem ser escutados nesta segunda estão Dário Oswaldo Garcia Junior (ex-diretor financeiro do BRB) André Felipe de Oliveira Seixas Maia (ex-funcionário do Banco Master), Henrique Souza e Silva Peretto (empresário ligado a empresas envolvidas nas operações investigadas); Alberto Felix de Oliveira – superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master.
Já na terça, serão escutados Robério Cesar Bonfim Mangueira (superintendente de operações financeiras do BRB), Luiz Antonio Bull (executivo e diretor ligado ao Banco Master); Angelo Antonio Ribeiro da Silva – executivo e sócio do Banco Master; Augusto Ferreira Lima (ex-sócio do Banco Master).
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa não serão escutados. Eles prestaram depoimentos em 30 de dezembro.
- Por Catia Seabra | Folhapress
- 26 Jan 2026
- 08:56h
Foto: Divulgação Agência Brasil
O presidente Lula (PT) tem manifestado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), na relatoria do inquérito do Banco Master.
O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.
Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros sobre Toffoli e chegou a afirmar, em desabafos, que o ministro deveria renunciar a seu mandato na corte ou se aposentar, segundo relatos colhidos pela Folha.
Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito --eles já discutiram o assunto no fim do ano passado.
Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.
O presidente está incomodado com o desgaste institucional ao Supremo causado por notícias que expuseram laços de parentes do ministro com fundos ligados à teia do banco. De acordo com aliados, o petista também reclamou do sigilo imposto ao processo e do receio de que a investigação seja abafada.
A auxiliares Lula tem defendido as investigações e afirmado que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos, evitando críticas por eventuais interferências. "Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões", afirmou Lula na sexta-feira (23).
Além disso, haveria a percepção de que o caso pode abalar políticos de oposição e deverá prosseguir, ainda que respingue em governistas.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com políticos do centrão e também com aliados do governo do PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo.
Desde o fim do ano passado, o presidente monitora a evolução do inquérito. Ele teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF.
A medida aconteceu uma semana antes de o jornal O Globo revelar que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais para defender os interesses do Master.
Nas palavras de um aliado, o presidente passou a desconfiar que o caso terminaria em uma "grande pizza". Em dezembro, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Na conversa, descrita como amistosa pelo próprio Lula, o presidente teria dito que tudo que seu governo desvendou deveria ser levado às últimas consequências. Ainda segundo relatos, ele queria entender se essa era a disposição no tribunal, mesmo após a decretação do sigilo.
Em resposta, segundo relatos, o ministro disse que nada seria abafado e que o sigilo era uma medida justificável. Lula, então, afirmou que Toffoli faria a coisa certa. O presidente disse ainda, segundo informação do colunista Lauro Jardim, confirmada pela Folha, que a relatoria seria uma oportunidade para que Toffoli reescrevesse sua biografia.
Essa conversa aconteceu antes de revelações que põem em xeque a atuação do ministro. Toffoli está sob pressão devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas vão desde o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.
A interlocutores Toffoli disse que, neste momento, descarta abdicar do processo por não ver elementos que comprometam a sua imparcialidade.
O ministro indicou a interlocutores que nem a viagem de jatinho na companhia do advogado nem a sociedade entre seus irmãos e o fundo de investimentos comprometem sua imparcialidade. E, como mostrou a Folha, em sua história, o STF só reconheceu o impedimento ou a suspeição de ministros em casos de autodeclaração.
Responsável pela indicação de Toffoli para o tribunal, Lula coleciona decepções com o ex-advogado do PT. Toffoli, por exemplo, impediu que Lula assistisse ao velório do irmão, tendo pedido desculpas ao presidente anos depois.
O pedido de perdão ocorreu em dezembro de 2022, após a eleição de Lula. O ministro do Supremo Tribunal se desculpou por não ter autorizado o petista a comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, quando estava preso em Curitiba. Vavá morreu em janeiro de 2019.
- Por Jéssica Maes | Folhapress
- 25 Jan 2026
- 10:24h
Foto: Antonio Cruz / EBC
Em 25 de janeiro de 2019, uma avalanche de lama tóxica tomou a cidade de Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale. A tragédia, que deixou 272 vítimas, segue moldando a paisagem da região, mesmo anos depois.
Um novo estudo mostra que a contaminação do solo na bacia do rio Paraopeba continua prejudicando a restauração da flora da região —e que, por isso, essa recuperação não acontecerá sozinha.
Metais como ferro, manganês e níquel impactam a germinação e o crescimento das plantas, especialmente espécies maiores, impedindo que a vegetação volte ao seu estado original.
Segundo informações do governo de Minas Gerais, o desastre jogou 7,8 milhões de m³ de rejeitos na calha do ribeirão Ferro-Carvão, o mais próximo da barragem da Vale, e outros 2,2 milhões de m³ atingiram a calha do rio Paraopeba.
Publicado no início do mês na revista científica Environmental Pollution, o artigo é assinado pelos pesquisadores Jerusa Schneider, Jefferson Picanço e Maíra Silva, do grupo de pesquisa Criab (Conflitos, Riscos e Impactos Associados a Barragens), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
A análise faz parte da pesquisa de doutorado de Silva, que está estudando a contaminação ambiental das áreas de mata ciliar da chamada zona quente, a mais próxima e mais impactada pelo rompimento da barragem.
"O rompimento da barragem traz profundos impactos à qualidade do solo e da vegetação", diz a cientista. "Esses elementos tóxicos reduzem drasticamente a emergência das plantas do banco de sementes do solo, prejudicando a velocidade e a sincronia da germinação."
O banco de sementes é uma reserva biológica que funciona como um estoque, de onde vão brotar novas mudas. Esse reservatório é uma parte fundamental da resiliência e restauração natural de ecossistemas.
Para o estudo, amostras de solo foram coletadas em Brumadinho em 2022, durante o período de cheia, considerado estratégico por favorecer a mobilização dos rejeitos. Foram definidos cinco pontos de coleta, incluindo um ponto de controle localizado rio acima da área impactada, distante da barragem.
O material foi levado para a Unicamp, onde foi conduzido um experimento de 202 dias. Nesse período, foram monitoradas temperatura, umidade e emergência das plantas.
"As plantas até emergem, crescem, mas depois acabam morrendo", afirma Silva. "Isso indica um efeito de contaminação aguda e reforça a preocupação com a regeneração e a restauração ecológica."
O ferro, em especial, forma uma camada sobre a semente, dificultando a germinação e facilitando a entrada de outros elementos tóxicos, especialmente para espécies de maior porte. Acabam resistindo apenas as gramíneas, que têm mecanismos para absorver o tipo de ferro presente no rejeito, além de alta capacidade de dispersão.
Com isso, a paisagem fica homogeneizada, o que pode levar a uma perda de biodiversidade ainda maior.
A bióloga acrescenta que em visitas recentes à região estudada a situação continuava a mesma —ou seja, a vegetação não conseguiu se recuperar por conta própria, como aconteceria em locais não contaminados.
"Nesses locais praticamente só tem gramíneas, não tem nenhuma espécie arbórea. E essas áreas continuam erodindo", conta ela. De raízes mais curtas, espécies como gramas e capins não conseguem reter a terra das margens. "A erosão acaba com todo o sistema, tanto o rio como a mata ciliar".
Natural do Vale do Ribeira, da comunidade Ivaporunduva, no município de Eldorado (SP), Maíra Silva se tornou, em 2017, a primeira quilombola a receber o título de mestre pela Unicamp.
"Eu venho de uma região que foi impactada pela mineração de chumbo. Foram 50 anos de depósito desse material no rio Ribeira", diz, explicando como surgiu seu interesse no seu campo de pesquisa.
"Ambientes poluídos precisam de um olhar diferenciado. Essas substâncias podem afetar inclusive os serviços ecossistêmicos, que são fundamentais para as populações do entorno", afirma Silva.
Ela espera que o estudo recém-publicado possa ajudar quem trabalha com reflorestamento e restauração a pensar estratégias que tenham um bom desempenho nesse tipo de ambiente.