BUSCA PELA CATEGORIA "Brasil"
- por Tatiana Cavalcanti | Folhapress
- 08 Mar 2022
- 16:45h
Foto: Divulgação
A pele de tilápia já foi usada na reconstrução do canal vaginal de 25 mulheres do país, a grande maioria delas na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, hospital público que integra o Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará. A técnica brasileira, pioneira no mundo, passou a ser utilizada há cinco anos em Fortaleza para pacientes com a rara síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser e é custeada pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Geralmente, a paciente com a condição rara nasce sem os dois terços superiores da vagina, segundo Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês. Em consequência, essas mulheres também não podem engravidar e têm restrições em relações sexuais.
"Por alguma razão desconhecida, pode ocorrer ainda uma formação rudimentar do útero, ele é muito pequeno, às vezes, até sem a cavidade, ou pode não existir", afirma o médico.
Segundo Pupo, o diagnóstico costuma chegar entre os 14 e 16 anos, com um incomum atraso na menstruação. Em outros casos, a síndrome é detectada quando a mulher relata ao médico ter dificuldades na hora da relação sexual.
Foi o caso da operadora de fábrica Maria Jucilene Moreira Marinho, 27, a primeira mulher no mundo a se submeter ao procedimento de reconstrução vaginal com a pele de tilápia, em abril de 2017.
Jucy, como é chamada, achou estranho não ter menstruado ao chegar aos 15 anos. Foi então que ela decidiu ir ao ginecologista com a mãe onde morava, em Lavras da Mangabeira, no interior do Ceará. Ela relata ter sofrido com o despreparo do profissional.
"O médico me disse que eu não menstruava porque estava grávida. Avisei que era virgem e, mesmo assim, ele insistiu que eu estava gestante. Só após o exame do toque é que ele percebeu que eu falava a verdade."
Ela conta que o médico a encaminhou para realizar um ultrassom, mas quando o técnico não localizou o útero nem os ovários, teve de se contentar com a informação de que a máquina estava com falhas.
Ali começava uma saga de três anos em consultas, exames e até uma cirurgia desnecessária no hímen antes de, finalmente, receber o diagnóstico de Rokitansky.
"Esse último médico que fez a cirurgia à toa ficou inconformado por não resolver o caso e pagou meus exames. Foi quando cheguei ao hospital de Fortaleza e, finalmente, recebi o diagnóstico correto."
Leonardo Bezerra, professor-adjunto de ginecologia da UFC (Universidade Federal do Ceará), conta que a cirurgia com a tilápia dura 30 minutos. "Fazemos o canal vaginal recobrindo-o com a pele do peixe em volta em um molde de acrílico. É minimamente invasivo"
Posteriormente, as células dos tecidos da paciente e fatores de crescimento são liberadas pela pele de tilápia e, assim, surge um novo tecido com células iguais à de uma vagina real.
Bezerra se inspirou na técnica usada para queimaduras, criada na mesma universidade e já usada com sucesso. "Demonstrou ter cicatrização mais rápida, limpa e sem processo inflamatório."
Apesar do alivio de descobrir o que acontecia com ela, Jucy diz que entrou em depressão. "Chorei, meu sonho era ter três filhos. Demorei para conseguir me relacionar, porque não queria explicar a síndrome, que não poderia engravidar. É exaustivo."
Pouco depois do diagnóstico, Jucy conheceu o empresário Marcus Vinícius, 28, que mora em Cerquilho, no interior de São Paulo, e começaram a namorar virtualmente. "Ele foi compreensivo, disse que esperaria e que poderíamos adotar uma criança. Que o amor é isso."
A princípio, Jucy seria submetida a cirurgia com a própria pele -- procedimento rotineiro usado há anos, de custo mais elevado, em que se retira o material da coxa da paciente.
Foi quando ela conheceu Leonardo Bezerra, médico que pela primeira vez teve a ideia de usar a pele de tilápia em pacientes com essa condição.
"Me ligaram perguntando se eu toparia fazer cirurgia experimental. Falaram que eu seria cobaia, mas que seria menos invasiva. Aceitei porque a equipe me passou confiança desde o início."
Jucy afirma que não teve problemas e nem dores no pós-operatório. "Fiquei dez dias internada e tive uma rápida recuperação", diz. "Agora posso dizer que sou a paciente pioneira no mundo. Sinto-me muito bem em saber que fui a primeira e agora essa mesma cirurgia ajuda a tantas meninas."
Três meses depois ela finalmente teve relações com seu namorado, e atual marido, após quatro anos de espera. "Não sangrou e nem senti dor, foi só coisa boa."
Parte da equipe pioneira no procedimento, Zenilda Bruno, médica ginecologista chefe da Divisão Médica da aternidade-Escola Assis Chateaubriand, aponta que a grande vantagem da cirurgia com o peixe é que, além de ser mais rápida, ela não é invasiva, não tem cheiro de peixe e tem pós-operatório indolor.
"Outro grande benefício é a falta de cicatriz, isso é muito importante para a autoestima da mulher."
Outra que topou a reconstrução vaginal com tilápia foi a estudante Tainá Fogaça de Souza, 19, que tinha 16 anos quando recebeu o diagnóstico de Rokitansky.
"Após uma ressonância magnética, eu descobri que eu não tinha o canal vaginal completo e tinha um útero que não se desenvolveu. Isso explicou porque os médicos só viam meus ovários e não viam o útero em ultrassons."
A estudante conta que o diagnóstico foi um baque. "Fiquei sem chão", diz. Tainá conta que inicialmente passou por consulta com um médico que a orientou a usar os dilatadores vaginais. "Mas eu não me adaptei."
Foi aí que sua mãe e a avó começaram a pesquisar e descobriram a cirurgia com a tilápia. "Na consulta com o doutor Leonardo ele me passou muita segurança e, ainda, me colocou em contato com outras pacientes. Ganhei uma rede de apoio que compreendia exatamente o que eu estava passando. Foi fundamental no processo."
Tainá conta que tem sensibilidade na região do canal vaginal. "Quando faço ultrassom, agora, percebo o que acontece."
Em Minas Gerais, duas mulheres foram operadas com pele de tilápia no fim de 2021 no Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, que vai receber outras pacientes do estado com o mesmo diagnóstico e em tratamento no SUS.
Segundo o hospital público mineiro, a síndrome de Rokitansky é uma doença que afeta 1 em cada 5.000 nascidas vivas.
A cirurgia ainda está em fase de pesquisa e só é realizada e paga pelo SUS em pacientes que participam do estudo. O encaminhamento pode ser feito por qualquer unidade de saúde do país. O Ministério da Saúde informou que, por ser experimental, o procedimento ainda não está incorporado em sua relação oficial.
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Entenda a cirurgia
Quando é indicada
Para a reconstrução do canal vaginal de pacientes com síndrome de Rokitansky
Como é o procedimento
Abre-se espaço entre a vagina e o reto, forrando-o com a pele de tilápia
Por ter colágeno tipo 1, a pele de tilápia se torna tão resistente quanto a humana
Um molde em formato de vagina, então, é colocado nesse espaço para impedir que as paredes da "nova vagina" se juntem
Enquanto isso, as células dos tecidos da paciente e fatores de crescimento são liberadas pela pele de tilápia
Assim, surge um novo tecido com células iguais à de uma vagina real
Fontes: Leonardo Bezerra e Zenilda Bruno, da Universidade Federal do Ceará, e Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
A médica dermatologista e co-fundadora do Instituto Roki Claudia Melotti, 51, também foi diagnosticada com Rokitansky, já na vida adulta, e optou pelo tratamento apenas com dilatadores.
"Além de eficientes, têm resultados em dois meses, é um tratamento bem mais barato. Um quite custa em média R$ 100. Usei e foi suficiente, sem cirurgia."
Segundo a ginecologista Claudia Takano, coordenadora do Ambulatório de Malformações Genitais da Unifesp, é consenso entre os especialistas que a primeira linha de tratamento deve ser a dilatação vaginal, e não cirúrgica.
"É seguro, tem baixo custo, risco e apresenta altas taxas de sucesso, em torno de 90% a 96%, semelhantes às da cirurgia", diz.
Zenilda explica que a cirurgia é indicada em casos de pacientes com canal vaginal inferior a três centímetros (o normal é de 10 cm). "Aí não é possível abrir o canal apenas com dilatadores."
Takano explica que mulheres que têm ovário preservado podem congelar óvulos e gerar a uma criança com a ajuda de barriga de aluguel, ou mesmo se submeter a um transplante de útero, usado exclusivamente para uma gestão e, depois, retirado.
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- por Idiana Tomazelli, Marianna Holanda, Alexa Salomão e Julia Chaib | Folhapress
- 08 Mar 2022
- 07:57h
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
A disparada nos preços do petróleo na esteira do conflito entre Rússia e Ucrânia levou o governo Jair Bolsonaro (PL) a discutir internamente e com o Congresso Nacional a possibilidade de segurar temporariamente os reajustes de preços da Petrobras.
Após um lucro recorde de R$ 106,6 bilhões registrado pela companhia em 2021, a avaliação no governo é de que é possível haver uma "colaboração dos acionistas" para minimizar os efeitos da cotação do petróleo sobre o preço nas bombas.
O cálculo também é político. Pré-candidatos ao Planalto, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), têm defendido abertamente um maior controle sobre os preços praticados pela estatal.
Nesse contexto, interlocutores do presidente afirmam que uma contenção temporária de preços agora seria preferível a um tabelamento posterior mais duradouro, caso algum dos adversários de Bolsonaro vença as eleições.
A leitura de auxiliares do chefe do Executivo é que a manutenção da política de paridade internacional de preços da Petrobras fortaleceria candidatos de oposição, ao obrigar a companhia a promover reajustes superiores a 20% nos combustíveis.
Integrantes do governo também admitem a possibilidade de acionar o botão de calamidade se daqui a três meses o conflito não houver cessado —o período é considerado uma janela razoável para se ter uma ideia do rumo da guerra, se terá fim ou uma escalada.
Em caso de acionamento dessa cláusula, o governo teria mais liberdade para ampliar gastos, inclusive por meio de créditos extraordinários (fora do teto), ao mesmo tempo em que ficariam proibidas as concessões de reajustes ao funcionalismo.
Na ala política, há defensores da decretação imediata de calamidade, uma vez que a cotação do barril de petróleo já ultrapassou os US$ 100 em meio à guerra na Europa. Um grupo de ministros acredita que seria possível editar uma medida provisória para criar um fundo de compensação à alta do combustível. A equipe econômica, porém, avalia não ser o momento de recorrer à calamidade, pois é preciso acompanhar os desdobramentos do conflito.
Nesta segunda-feira (7), o presidente chegou a admitir a possibilidade de mudanças na política de preços da Petrobras.
"Tem uma legislação errada feita lá atrás que você tem uma paridade com o preço internacional [dos combustíveis]. Ou seja, o petróleo —o que é tirado do petróleo— leva-se em conta o preço fora do Brasil. Isso não pode continuar acontecendo", disse Bolsonaro, durante entrevista a uma rádio de Roraima.
O presidente também já defendeu a redução do lucro da companhia para conter a alta nos combustíveis.
Auxiliares do chefe do Executivo afirmam que ele é simpático à ideia de segurar temporariamente os reajustes e que, em decorrência disso, é possível que o lucro da Petrobras seja menor este ano.
Um dos projetos de lei em tramitação no Senado Federal sob a relatoria do senador Jean Paul Prates (PT-RN) traz algumas diretrizes para a política de preços internos dos combustíveis, incluindo a redução da volatilidade. O governo não deve se opor à aprovação desse trecho, que daria a base para seguir adiante com a trava temporária.
Técnicos ressaltam, porém, que o texto não é taxativo, e sua adoção dependeria de aprovação pela Petrobras. Nesse sentido, a indicação de Rodolfo Landim para a presidência do Conselho de Administração da estatal é considerada um ativo para avançar na discussão.
Segundo um integrante do governo, a ideia é fazer uma contenção dos preços por alguns meses, para evitar que o excesso de valorização do barril de petróleo —que já passa dos US$ 120— onere demais o bolso dos consumidores. Isso seria razoável porque parte dos custos da estatal se dá em reais, sem impactos das oscilações no mercado internacional.
A expectativa é que, ao fim do conflito, os preços não se manterão nessas cotações. Por isso, não há necessidade de repassar todo e qualquer movimento de preços para as bombas. O congelamento dos reajustes seria uma "condição transitória e de guerra", segundo uma fonte do governo.
A possibilidade representa uma mudança no discurso do governo. No início de 2021, Bolsonaro chegou a dizer que jamais interferiria na companhia.
Em evento no BTG, em 23 de fevereiro, o presidente atrelou a mudança nos preços como algo defendido pelo seu principal adversário político, o ex-presidente Lula (PT).
"O que os senhores achariam se essas medidas fossem implementadas: se revogarmos a autonomia do Banco Central, a reforma trabalhista, se volta o imposto sindical, se reestatizarmos as empresas que foram desestatizadas, se o governo começar a interferir nos preços da Petrobras e da energia, se viermos a fortalecer o MST", disse no evento.
O governo Dilma Rousseff (PT) chegou a ser acusado de usar a Petrobras como ferramenta macroeconômica para controle da inflação. Durante o período da petista, a estatal não repassava os aumentos provenientes da flutuação do preço no exterior, o que gerou críticas sobre o impacto nas contas da empresa.
A intervenção deixou de existir a partir do governo de Michel Temer (MDB), quando o então presidente da Petrobras Pedro Parente implementou a regra de preço atrelado aos valores negociados no exterior.
Na prática, a Petrobras já tem segurado o ritmo dos aumentos nos preços dos combustíveis no governo Bolsonaro. Os últimos reajustes nos preços da gasolina e do diesel foram feitos no dia 12 de janeiro, ou seja, os valores praticados já estão defasados. Dentro do governo há quem cite que a contenção não gerou maiores ruídos no mercado financeiro.
Nos últimos dias, Bolsonaro foi aconselhado por ministros da ala política a apresentar alguma solução. Segundo fontes do governo, o presidente chegou a discutir o problema dos combustíveis com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no fim de semana e também na manhã desta segunda-feira.
O chefe da Economia tem evitado falar sobre o assunto, mas não deve ser obstáculo para a proposta de congelar temporariamente os preços praticados pela Petrobras. .
Nos bastidores, a equipe de Guedes tem se posicionado contra ideias que que envolvam o uso de dinheiro do Tesouro Nacional na concessão de subsídios ao preço do diesel e da gasolina.
Em meio à escalada nas cotações do petróleo, outros ministros do governo voltaram à carga com propostas para a União bancar um subsídio usando receitas de dividendos da Petrobras e royalties de petróleo. A ideia seria usar o dinheiro para ressarcir a companhia e outros importadores pelo não repasse dos reajustes, em modelo semelhante ao adotado no governo Temer em 2018 para contornar a greve dos caminhoneiros.
Na avaliação da equipe econômica, a medida poderia gerar uma fatura de R$ 120 bilhões, comprometendo o teto de gastos, a principal âncora fiscal do governo.
Interlocutores da equipe econômica afirmam reservadamente que a missão do governo é defender as contas públicas. Além disso, há integrantes do governo que dizem preferir lidar com as consequências de um congelamento temporário nos preços do que os efeitos adversos de um rombo maior.
Já uma solução estrutural, na avaliação da Economia, depende do aumento da concorrência no mercado de combustíveis (hoje concentrado nas mãos da Petrobras) e da aprovação de um projeto de lei complementar que altera a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), para mudar a alíquota atual (um porcentual sobre um valor) para uma cobrança fixa sobre o litro.
O projeto está em tramitação no Senado Federal e deve ser votado nesta semana. Há uma articulação do governo para incluir, em acerto com o Ministério da Economia, a desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel. A medida deve drenar R$ 18 bilhões dos cofres públicos e, segundo cálculos internos, teria um impacto de até R$ 0,50 nas bombas.
Para tentar conciliar o texto, o senador Jean Paul Prates enviou uma carta a governadores se colocando à disposição para conversar sobre os projetos.
No documento, o relator avalia que o texto que cria um fundo de compensação "é uma boa solução emergencial e estrutural para o atual e futuros momentos de volatilidade no custo internacional do petróleo, mas que não basta".
Além disso, ressalta não ver a mesma disposição para o diálogo no que diz respeito ao projeto de lei complementar que muda o cálculo do ICMS.
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- por Cristiane Gercina | Folhapress
- 07 Mar 2022
- 14:51h
Foto: Divulgação
Os contribuintes que tentam baixar o programa para declarar e enviar o Imposto de Renda 2022 nesta segunda-feira (7) encontram falhas e dificuldades para fazer o download. Em muitos casos, não é possível baixá-lo. O aplicativo também está fora do ar.
A Receita liberou o programa gerador da declaração do IR às 8h desta segunda (7). Esse é o prazo inicial para que o contribuinte preste contas ao fisco. A data-limite vai até 29 de abril. Quem é obrigado a declarar e perde o prazo paga multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido.
O prazo já começa com atraso de ao menos uma semana em relação a anos anteriores. O motivo é a operação-padrão dos servidores da Receita após o governo federal tirar verba do órgão no Orçamento de 2022 para cumprir promessa de reajuste a outras categorias do funcionalismo público, como os policiais.
Quem tentou o baixar o programa logo nos primeiros minutos conseguiu o acesso, porém, o download está lento, indicando, muitas vezes, até uma hora para ser instalado no computador. Já quem tentou abaixar após 8h30 não teve sucesso no acesso. Há uma tela de erro.
No caso do aplicativo, a mensagem que aparece é a de que o sistema está em manutenção. "Estamos em manutenção. Voltaremos no dia 7/03/2022 e você poderá fazer sua declaração do IRPF 2022". Não há prazo para que o app seja liberado, mas, na coletiva em que informou as regras e novidades no IR em fevereiro, a promessa era de que o aplicativo poderia ser acessado também a partir desta segunda.
Em ano anteriores, a prestação de contas começa em 1º de março e a Receita liberava o programa dias antes, para o contribuinte se familiarizar com as regras e novidades. Neste ano, isso não foi possível. Com a falha no download, a entrega do IR poderá atrasar ainda mais.
A Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) confirmou a falha nesta manhã. Segundo Mauro Silva, presidente da entidade, a mobilização dos servidores, com entrega de cargos de chefia, operações meta zero e equipes reduzidas, tem reflexos nos serviços prestados aos cidadãos.
"O fluxo normal do trabalho ficou afetado e algumas coisas que são relativas a Imposto de Renda acabam afetadas também, então evidentemente que isso tem reflexo da mobilização dos auditores, porque as equipes não estão completas, sem as chefias das comunicações entre equipes, planejamentos, os cronogramas acabam não sendo realizados da melhor maneira, então deve ser reflexo", diz.
Em entrevista anterior, Silva havia afirmado que o atraso poderá atingir não apenas o início do prazo, mas pode resultar em adiamento na reta final.
Procurada, a Receita Federal ainda não se posicionou sobre o assunto.
DECLARAÇÃO PRÉ-PREENCHIDA COMEÇA NO DIA 15
Neste ano, o fisco espera receber 34,1 milhões de declarações. Há novidades que podem auxiliar no preenchimento do IR e ajudar os contribuintes a cumprirem o prazo. Em 2022, quem tiver conta gov.br nível prata ou ouro poderá preencher o Imposto de Renda em várias plataformas.
Isso significa que o contribuinte pode começar a declarar o IR no computador e terminar de fazê-lo de forma online, pelo Meu Imposto de Renda, dentro do e-CAC (Centro de Atendimento Virtual da Receita Federal), ou no celular ou tablet.
Além disso, a partir de 15 de março, estará disponível a declaração pré-preenchida do IR, também para quem tem conta gov.br nível prata ou ouro. A estimativa da Receita Federal é que 10 milhões de usuários tenham acesso a essa funcionalidade.
É obrigado a declarar o Imposto de Renda 2022 o contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis de mais de R$ 28.559,70 em 2021, o que inclui salário, aposentadoria e pensão, por exemplo. Se recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 40 mil também está obrigado a declarar.
Quem teve movimentações na Bolsa de Valores, passou a morar no país em 2021 e aqui estava em 31 de dezembro ou teve lucro com a venda de bens e direitos no ano também entra na lista de obrigatoriedade.
Contribuintes com bens e direitos acima de R$ 300 mil em 31 de dezembro de 2021 são obrigados a declarar o Imposto de Renda. Quem deve enviar a declaração por outros motivos não pode se esquecer de informar todos os bens que possui.
É recomendável fornecer o número da matrícula do imóvel, se houver, além do nome do cartório de registro. Há, ainda, outras regras que obrigam a prestação de contas ao fisco.
SAIBA TUDO SOBRE A DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA
Prazo de envio:
Das 8h desta segunda (7) até as 23h59 do dia 29 de abril
O programa para preencher e enviar a declaração será liberado nesta segunda (7)
Quem declara
É obrigado a declarar o Imposto de Renda o contribuinte que se enquadra em uma ou mais regras de obrigatoriedade, que são:
Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 em 2021
Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 40 mil
Obteve ganho de capital na alienação de bens ou direitos sujeito à incidência do imposto
Teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias
Fez operações em Bolsas de Valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas
Tinha, em 31 de dezembro de 2021, posse ou propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, acima de R$ 300 mil
Obteve receita bruta na atividade rural em valor superior a R$ 142.798,50
Quem quer compensar, em 2021 ou anos seguintes, prejuízos da atividade rural de 2021 ou anos anteriores
O contribuinte que passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês e encontrava-se nessa condição em 31 de dezembro de 2021
Valor das deduções no IR
Com dependentes: R$ 2.275,08 por dependente
Com educação: limite individual de até R$ 3.561,50 no ano
Limite do desconto simplificado: R$ 16.754,34
PARA QUEM TEM RESTITUIÇÃO PARA RECEBER:
Calendário de pagamentos
Lote - Data do pagamento
1º - 31 de maio
2º - 30 de junho
3º - 29 de julho
4º - 31 de agosto
5º - 30 de setembro
Têm prioridade na restituição, nesta ordem:
idosos acima de 80 anos
contribuintes entre 60 e 79 anos, contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou doença grave, profissionais cuja maior fonte de renda seja o magistério, por ordem de envio da declaração
Como será a restituição:
A opção de informar a agência e conta bancária para receber o valor permanece
A partir deste ano, a restituição poderá ser paga por Pix, para o titular que tenha chave com seu número de CPF
PARA QUEM TEM IMPOSTO A PAGAR:
Quando é o vencimento das cotas
1ª cota ou cota única: até 29 de abril
Da 2ª à 7ª cota do imposto: até o último dia útil do mês
8ª cota: até 30 de novembro
Para pagar com débito automático, é preciso enviar a declaração até 10 de abril
Para destinar parte do valor a pagar para fundos do idoso e da criança e adolescente, a destinação deve ser feita até 29 de abril
Como pagar
Com Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais)
Pelo Pix: O Darf terá um QR Code
CONFIRA AS NOVIDADES DA DECLARAÇÃO DE 2022
PIX
O contribuinte terá a opção de receber a restituição do Imposto de Renda por Pix
Essa opção só será disponível para chave Pix igual ao CPF do titular da declaração
O objetivo, segundo a Receita, é reduzir a necessidade de reagendamento da restituição de contas inválidas
Também será possível pagar o imposto devido por Pix
AUXÍLIO EMERGENCIAL
A declaração não terá a opção de devolução do auxílio emergencial recebido indevidamente
O auxílio é rendimento tributável e deve ser declarado por todos que são obrigados a enviar o IR
É o caso de quem conseguiu emprego após receber o auxílio e é obrigado a declarar por alguma das regras da Receita
DECLARAÇÃO PRÉ-PREENCHIDA
Estará disponível a partir de 15 de março para 10 milhões de contribuintes
Para acessá-la, será preciso ter cadastro nível ouro ou prata no portal gov.br
Já estarão preenchidos rendimentos recebidos de empresas e gastos com saúde informados pelos convênios ao fisco
Podem estar preenchidos gastos com saúde que tiverem sido informados pelo profissional de saúde
Usuários com conta gov.br nível ouro e prata poderão ter acesso à declaração pré-preenchida em qualquer plataforma, como desktop, celulares e tablet
DEPENDENTES E ALIMENTANDOS
Será necessário declarar se o dependente mora ou não com o titular
Para alimentandos (que recebem pensão alimentícia), os declarantes terão que informar quem paga a pensão, se o titular ou o dependente
RENAVAM DO CARRO
Será obrigatório informar o número do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) do veículo
AÇÕES JUDICIAIS
A ficha RRA, de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, terá um campo para o contribuinte informar os juros da ação judicial
BENS E DIREITOS
A ficha Bens e Direitos traz um novo agrupamento dos códigos, divididos entre bens móveis, bens imóveis, participações societárias, aplicações e investimentos, criptoativos, entre outros.
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- por Folhapress
- 07 Mar 2022
- 09:42h
Imagem ilustrativa | Foto: Geraldo Falcão / Agência Petrobras
As cotações do petróleo voltaram a disparar no mercado internacional neste domingo (6), após o governo americano confirmar que discute com países da Europa a proibição da importação de petróleo da Rússia, em resposta à invasão na Ucrânia.
Dados da Bloomberg apontam que o barril do petróleo tipo Brent chegou a bater a máxima de US$ 139,13 (R$ 706,11) na noite deste domingo no Brasil, com a reabertura dos mercados na Ásia. A alta reflete o temor de investidores pelos potenciais impactos econômicos da guerra.
Às 21h19, a commodity oscilava em alta de 9,22%, cotada a US$ 129,00 (R$ 654,70).
Na tarde deste domingo (6), o secretário de Estado americano, Anthony Blinken afirmou que os Estados Unidos estão "seriamente engajados" em uma discussão com a União Europeia sobre a possibilidade de proibir importações de petróleo russo.
O governo Biden está sob pressão dos legisladores americanos para dar mais esse passo, em resposta aos ataques da Rússia contra as cidades e a população ucraniana.
"Estamos em discussões muito ativas com nossos parceiros europeus sobre a proibição da importação de petróleo russo para nossos países, enquanto, é claro, mantemos um fornecimento global estável de petróleo", disse Blinken em entrevista à NBC.
O preço do petróleo já teve uma disparada de mais de 20% somente durante a semana passada, por causa dos conflitos no Leste Europeu, que reduziram a oferta proveniente da Rússia, uma das principais produtoras globais da matéria-prima.
Em entrevista à CNN também neste domingo, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen foi mais reticente sobre a proposta de corte de importações.
Antes de impossibilitar que Putin financie suas guerras, disse, a União Europeia deveria "se desfazer de sua dependência de combustíveis fósseis russos".
- por Luiz Antonio Cintra | Folhapress
- 06 Mar 2022
- 10:46h
Foto: Djalma Martinhão / Embrapa
A dependência do Brasil da importação de fertilizantes é uma das principais fragilidades do país diante da guerra entre Rússia e Ucrânia.
A situação, no entanto, poderia ser diferente. Uma tentativa de mudar esse cenário foi empreendida pela Vale, que investiu US$ 7 bilhões em mineração de nitrogênio, fósforo e potássio entre 2009 e 2011.
O plano --frustrado-- almejava colocar o Brasil no clube restrito dos fornecedores globais, a trinca Canadá, Rússia e Belarus.
Localizadas no Brasil, Argentina e Canadá, as minas que a Vale foi adquirindo produziriam os três itens mais usados pelos produtores rurais brasileiros, que anualmente repõem os nutrientes consumidos pelas lavouras.
Sem esses nutrientes, a produtividade --principalmente da soja, do milho, da cana e do café-- ficaria prejudicada. Ou mesmo inviabilizada, do ponto de vista econômico.
Àquela altura, a entrada repentina da Vale na extração de fertilizantes surpreendeu os especialistas, dadas as diferenças abissais entre esse negócio e seu foco original, na mineração para abastecer a metalurgia e a siderurgia.
Já em 2016, alguns anos após o pico das cotações das commodities (2011-13), em prazo curtíssimo para uma mineradora, a Vale acelerou a desmontagem desses projetos, argumentando que haviam deixado de ser economicamente viáveis.
Segundo o economista Ricardo Machado Ruiz, professor do Cedeplar (Centro de Desenvoldimento e Planejamento Regional), da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a entrada da Vale no ramo de fertilizantes se adequava ao projeto do então CEO Roger Agnelli, que dirigiu a empresa entre 2001 e 2011.
O plano era aprofundar a internacionalização e a especialização em mineração desenhada ainda na gestão do antigo embaixador e ex-presidente da Vale Jorio Dauster.
"A Vale chegou a entrar pesado em fertilizantes. Só na Argentina, o projeto Rio Colorado chegou a ter investimentos próximos a US$ 5 bilhões, mas é preciso tomar cuidado com esses valores porque os minerais oscilam muito", diz Ruiz.
Na avaliação do economista, a entrada no segmento de fertilizantes em 2009 chamou a atenção dos especialistas por serem operações muito distintas. "A Vale pretendia ser um global player nessa área. Entrou em nitrogênio, fósforo e potássio para poder fornecer fertilizantes, um nicho em que só é possível ser um fornecedor relevante no mundo se vender os três itens do [fertilizante] NPK", diz o economista.
A queda das commodities depois de 2014 pegou a empresa altamente endividada.
"Com a saída da Vale, perdemos uma empresa que tem o Brasil como base econômica e política, com projetos de pouco mais de US$ 7 bilhões, saindo da indústria de fertilizantes porque estava sobrealavancada, focando o seu negócio principal, em uma estratégia empresarial defensiva que as circunstâncias na época exigiam", diz Ruiz.
Para o professor da UFMG, foi uma oportunidade e tanto que o país deixou passar.
"Com a Vale, o Brasil tinha a possibilidade de se tornar um player em um setor estratégico para a economia, porque temos um agrobusiness que responde por parte da nossa produção e exportação, e que é importante particularmente para as exportações e a balança comercial", resume o economista, que foi conselheiro do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Procurada, a Vale não se manifestou até a publicação da reportagem.
"A saída da Vale mostra a incapacidade dos governos brasileiros de formular soluções para setores críticos, apostando que a globalização seria algo incontestável", argumenta Ruiz.
"Numa lógica empresarial, a Vale tomou a decisão correta. Incorreta foi a incapacidade do Brasil de formular uma política com fontes confiáveis para insumos estratégicos como os fertilizantes."
A conta da inoperância agora bate na porta com as dificuldades de importação de fertilizantes em decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia, tirando o sono de produtores rurais no Brasil todo, em particular os do cerrado, cujo solo menos rico em nutrientes exige maiores doses de fertilizantes aplicados anualmente.
Resta a saída precária encontrada pela ministra Tereza Cristina, da Agricultura, que desembarcará no Canadá em busca de mais fertilizantes, enfrentando um jogo em que a demanda encontra hoje um mercado "travado", como dizem os especialistas.
A agricultura brasileira foi pega no contrapé, já que muitos produtores fecharam 2021 com a expectativa de que os gargalos logísticos e de produção surgidos na pandemia estariam solucionados a partir do segundo trimestre.
"No início do ano, os nitrogenados já estavam caindo, e era esperado que, passado o período do plantio da safra no hemisfério Norte, os preços dos fertilizantes começassem a cair. Mas a entrada da Rússia na guerra provocou um revés no mercado, e será muito difícil resolver esse problema a curto prazo porque a falta de fertilizante é generalizada", diz José Carlos Hausknecht, da consultoria MB Associados.
"A ministra disse que até outubro não teremos problemas, mas até outubro não plantamos nada, por isso não irá faltar. E estamos com os estoques muito baixos", afirma.
Já a Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) estimou em nota do dia 3 que o país tem estoque para três meses, deixando claro que esses produtos estão no mercado, não em estoques oficiais que poderiam ser distribuídos de forma organizada.
"Estamos há anos com a capacidade de produção de fertilizantes estagnada. Temos todo o problema do custo Brasil que dificulta a exploração, além de nossas reservas não serem suficientes", afirma Hausknecht.
"Poderíamos usar o gás natural para fazer os [fertilizantes] nitrogenados, mas o custo do gás aqui é muito elevado, acaba ficando mais barato importar do que produzir."
A dificuldade de concorrer se ampliou em 1997, quando o governo Fernando Henrique Cardoso isentou de impostos os fertilizantes importados, que são tributados somente no caso de circulação por mais de um estado brasileiro.
E a situação é mais complicada porque a Belarus também está embargada --empresas brasileiras que negociarem com o país podem sofrer represálias dos EUA e União Europeia, que impuseram sanções em 2020 por considerar que o ditador Aleksandr Lukachenko, aliado de Vladimir Putin, fraudou a eleição presidencial.
Para o analista sênior Bruno Fonseca, do Rabobank, especialista em insumos agrícolas, a estratégia do governo federal de minimizar a escassez é apropriada, já que a duração da guerra é imprevista.
"Será difícil conseguir repor tudo o que a Rússia nos fornece, é um volume muito grande, mas provavelmente vamos conseguir aumentar as compras no Canadá com preços mais altos", resume Fonseca.
No caso mais crítico, do cloreto de potássio, Canadá, Rússia e Belarus somam 80% da necessidade brasileira. "E, no cloreto de potássio, vamos ter de competir com os EUA", diz Fonseca, que cita a Europa como outro concorrente de peso.
Uma das maiores consumidoras de fertilizantes e de alimentos do mundo, a China está construindo suas bases agrícolas e de exploração mineral na Eurásia e na África, o que, na avaliação de Ruiz, da UFMG, poderá criar um problema para o Brasil em alguns anos.
"Com essa estratégia, a China pode se tornar global player em agribusiness, usando fertilizantes da Rússia. Com isso, pode ocorrer um deslocamento da oferta russa para a Eurásia e a África", diz Ruiz.
"Não poderíamos ter deixado o agribusiness brasileiro com um flanco desse tipo aberto. Hoje, temos desconfiança sobre a oferta mundial, e o governo brasileiro sofre pressões e restrições de oferta de grandes produtores de fertilizantes, em particular da Rússia, que, aliás, recentemente comprou aqui a Eurochem."
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- Bahia Notícias
- 05 Mar 2022
- 14:05h
Pietro é neto de Emerson Fittipaldi | Foto: Divulgação
O piloto russo Nikita Mazepin não fará parte do time da Haas na temporada 2022 da Fórmula 1. O anúncio foi feito pela própria equipe, neste sábado (5), e tem como base a invasão da Rússia à Ucrânia.
De acordo com o site ge.globo, o brasileiro Pietro Fittipaldi, neto do bicampeão mundial Emerson FIttipaldi, é cotado para substituí-lo. Ele disputou duas corridas pela equipe em 2020.
Pietro compete com o italiano Antonio Giovinazzi, atualmente titular da Dragon Racing na Fórmula E. Na F1, Giovinazzi teve experiência entre 2019 e 2021, na Alfa Romeo.
A pré-temporada da Fórmula 1 terá início no Bahrein, no próximo final de semana, entre 10 e 12 de março. A ideia é que o novo titular da equipe já assuma o volante. O GP do Bahrein está marcado para o dia 20 de março, e abre a temporada da categoria.
"Se Nikita não puder correr, por um ou outro motivo, a primeira opção será Pietro. Obviamente, ele está conosco há alguns anos. E então veremos o que faríamos a seguir. Nos últimos anos precisávamos de um piloto reserva com a Covid por perto. Pietro sempre esteve por perto, conhece o time, conhece o carro. Para pular de um dia para o outro, não há ninguém melhor do que Pietro", afirmou Gunther Steiner, chefe da Haas, em entrevista ao jornalista Bob Varsha, no último mês.
- por Joana Cunha | Folhapress
- 04 Mar 2022
- 16:13h
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
A ACSP (associação comercial) prevê que em breve o reflexo da guerra na Ucrânia começará a impactar o comércio e pesar no bolso do consumidor brasileiro.
Os gargalos no comércio internacional devem chegar à ponta do consumo com repasse no preço de peças de vestuário, calçados e cosméticos, com o aumento dos custos logísticos.
A expectativa da ACSP para o crescimento do comércio neste ano, que é de 1,6% na comparação com 2021, está mantida. Porém, a entidade já vislumbra desaceleração das vendas no varejo.
- Bahia Notícias
- 01 Mar 2022
- 18:14h
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
A ministra Tereza Cristina, titular do Ministério da Agricultura, já fez um levantamento dos múltiplos problemas que o Brasil pode enfrentar por causa da guerra da Rússia contra a Ucrânia. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
De acordo com a publicação, a importação de fertilizantes, trigo, soja, outros grãos e carne para a Rússia e a Ucrânia podem ser afetadas.
“O ministério avalia que, como o mundo todo, sofreremos impactos. Mas ainda não está claro o tamanho deles. É preciso tranquilidade e cautela. Temos muitas alternativas, e já estamos estudando todas elas. Temos plano A e plano B”, afirmou a ministra à coluna.
O mais imediato obstáculo é a importação de fertilizantes, fundamentais para a agricultura. O Brasil adquire no exterior 85% do volume aplicado nas lavouras. A Rússia responde por cerca de 30% do suprimento ao país. A Belarus, nação aliada de Vladimir Putin, por cerca de 20%.
O Brasil já vinha enfrentando problemas para comprar os fertilizantes da Belarus -o cloreto de potássio, produzido pelo país, é um dos fertilizantes mais usados por agricultores brasileiros nas culturas de soja e milho.
Em novembro do ano passado, a ministra Tereza Cristina viajou à Rússia para tentar contornar o problema e aumentar a garantia de fornecimento de fertilizantes, evitando que eles faltem no Brasil, o que pode impactar no preço dos alimentos da safra deste ano.
Tereza Cristina afirma que, caso o comércio de adubos da Rússia para o Brasil seja inviabilizado, há alternativas. “O potássio é o maior problema. Mas podemos comprá-lo do Canadá, de Israel, do Chile, de Omã”, disse.
O Brasil importa 60% de tudo o que consome de trigo e uma parte desse volume vem da Rússia. Porém, a maior parte das compras é feita na Argentina, EUA e no Canadá. A alternativa poderia ser aumentar a importação desses países.
O terceiro problema é a exportação de soja brasileira para a Rússia. Com as sanções, os navios russos podem ter dificuldade para transportar o produto, o que pode afetar as vendas.
De acordo com a coluna, a Rússia importou 768,2 mil toneladas de soja em 2021, ou US$ 343,2 milhões, esse é o principal produto exportado aos russos.
O país compra também proteínas no Brasil, com destaque para a carne de frango. Foram 105,8 mil toneladas embarcadas no ano passado, ou US$ 167,1 milhões.
- Bahia Notícias
- 01 Mar 2022
- 10:31h
Foto: Reprodução / Latam
Um menino de 9 anos saiu escondido de Manaus e embarcou em um avião com destino a São Paulo no último sábado (26). O caso inusitado foi informado pela administradora do aeroporto, que investiga junto com a companhia aérea como a criança conseguiu viajar.
Segundo o G1, Emanuel Marques de Oliveira, morador de um bairro da capital amazonense, foi dado como desaparecido pela família, após a mãe acordar e não encontrá-lo em seu quarto.
A motivação, explicou a polícia, seria a vontade do menino em ir morar com familiares em São Paulo. O desejo foi explicitado pelo prório durante as oitivas. As investigações preliminares apontam que ele não tem histórico de violência familiar.
A mãe do pequeno viajante contou que perrcebeu que o filho não estava em casa nas primeiras horas da manhã deste sábado. "Acordei às 5h30, fui ao quarto dele, e vi que ele estava dormindo normalmente. Depois mexi um pouco no celular e levantei novamente, já às 7h30, quando percebi que ele não estava mais no quarto e comecei e me desesperar", afirmou.
Após ver que o menino não estava em casa, a mãe registrou um boletim de ocorrência e começou a divulgar a imagem dele pelas redes sociais. Um funcionário da empresa aérea Latam comunicou à família o paradeiro do "desaparedo", que estava em Guarulhos (SP).
"Assim que eles me contaram que ele estava lá [no Aeroporto de Guarulhos], avisei a delegada. Os policiais até perguntaram se eu podia ir buscá-lo, mas eu disse que não teria como fazer isso, e sim queria que a empresa Latam retornasse com o meu filho".
Ao site, a Polícia Civil disse que solicitou imagens das câmeras de segurança do terminal e apura a situação. A corporação afirmou ainda que o garoto agiu sem a ajuda de adultos e, antes de ir até o local, realizou pesquisas na internet de "como entrar em um avião despercebida".
Após trâmites e negociações entre o Conselho Tutelar e a Latam, o garoto voltou a Manaus na manhã de domingo (28). A família foi ouvida e ele permanece sob a tutela dos pais. As equipes da companhia aérea e do Aeroporto Internacional de Manaus apuram internamente o caso.
- por José Marques | Folhapress
- 27 Fev 2022
- 14:37h
Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República
O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste sábado (26), nas redes sociais, que a embaixada do Brasil em Kiev embarcou cerca de 40 brasileiros de trem para a cidade de Chernivtsi, na Ucrânia, próxima à fronteira com a Romênia.
De lá, eles irão para a embaixada brasileira em Bucareste. "Já houve confirmação de que outros brasileiros, acompanhados de outros cidadãos latino-americanos, cruzaram o mesmo ponto da fronteira hoje pela manhã e estão a caminho da capital romena", afirmou Bolsonaro.
"O Itamaraty lidera a operação em contato direto com autoridades da estação central de trens de Kiev, com as autoridades locais em Chernivtsi e com as autoridades migratórias romenas."
Segundo ele, caso queiram retornar ao Brasil, o governo providenciará meios de transporte, como aviões comerciais ou da FAB.
- Bahia Notícias
- 27 Fev 2022
- 10:30h
Foto: Reprodução/MME
Os consumidores que recebem o benefício da Tarifa Social de Energia Elétrica terão bandeira verde em março. Com isso, conforme decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), não haverá acréscimo na conta de luz desses usuários.
No entanto, para os demais usuários, continua vigente a Bandeira Escassez Hídrica, no valor de R$ 14,20 a cada 100kWh consumidos.
Esse valor extra foi necessário para cobrir os custos de energia, que ficaram mais caros em decorrência do enfrentamento do período de escassez de recursos hídricos, em 2021, o pior em 91 anos. A Bandeira Escassez Hídrica segue em vigor até abril de 2022.
Os consumidores beneficiados com a Tarifa Social de Energia Elétrica estão isentos da Bandeira Escassez Hídrica e pagam a bandeira tarifária divulgada mensalmente pela Aneel.
- Bahia Notícias
- 26 Fev 2022
- 14:39h
Foto: Divulgação
O ex-jogador de futebol, Mário Jardel, está fazendo sucesso na versão portuguesa do Big Brother, e conseguiu chegar à final do reality show. Além dele, os participantes Catarina Siqueira, Jorge Guerreiro, Kasha e Marta Gil. Com disso, o brasileiro pode sair do programa com o prêmio de 50 mil euros, o equivalente a R$ 308 mil.
Assim como a modelo Dayane Mello, Mário Jardel perdeu um familiar no período em que ele estava no reality. Na semana passada, o ex-jogador foi informado do falecimento da mãe, dona Maria de Fátima, aos 67 anos, e decidiu continuar no programa.
"Ela foi e me viu bem. Vou guardar isso. Que leve essa imagem para o céu", afirmou. No BBP, ele falou sobre a luta contra a dependência química
"Está sendo uma superação diária, porque não é fácil. Onde eu chego, me oferecem bebida, entre outras coisas. Estou sentindo, espiritualmente, que está na hora. Ou toma um rumo ou vai pra baixo. Ou morre ou se salva. Eu estou nessa luta", disse no programa.
- por Ricardo Della Coletta | Folhapress
- 25 Fev 2022
- 12:42h
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
O Itamaraty anunciou nesta quinta-feira (24) que prevê organizar um comboio para evacuação terrestre de brasileiros na Ucrânia. Ainda não há data definida para a ação.
A organização do comboio de saída dependerá da avaliação de aspectos de segurança, de disponibilidade de transporte e da possibilidade de deslocamento para um ponto de encontro comum -possivelmente a capital Kiev. Há no momento cerca de 500 brasileiros na Ucrânia, segundo o Itamaraty.
O Ministério das Relações Exteriores recomenda que deixem o país os brasileiros que estejam no leste da Ucrânia ou em regiões próximas às fronteiras internacionais no oeste ucraniano. A orientação foi transmitida pelo secretário de Comunicação e Cultura do Itamaraty, Leonardo Gorgulho.
O diplomata disse ainda que brasileiros devem evitar áreas próximas a instalações militares ou a infraestruturas elétricas e de comunicações.
Segundo Gorgulho, a situação não é a mesma em todo o território ucraniano. "No caso de Kiev, estamos seguindo a recomendação do governo ucraniano, [para] que permaneçam em casa".
"Para os brasileiros que estão no leste [da Ucrânia] há uma recomendação que deixem a Ucrânia ou, no mínimo, desloquem-se a Kiev. Para os que estão muito próximos de fronteiras internacionais à oeste do país, a nossa recomendação é que também deixem o país por meios próprios".
- por Marcelo Toledo | Folhapress
- 25 Fev 2022
- 08:06h
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Com Rússia e Ucrânia --dois dos principais produtores e exportadores de trigo do mundo-- em guerra, os preços do pãozinho nas padarias e de alimentos dependentes do cereal em sua produção devem subir devido à alta dependência do Brasil da importação.
Quanto vai subir? Isso é incerto, dependendo da duração do conflito no Leste Europeu e de fatores como o comportamento do dólar. Depois de recuar a R$ 5 na quarta-feira (23), a moeda norte-americana subiu a R$ 5,10 nesta quinta (24).
O Brasil é um dos maiores importadores de trigo do mundo, tendo de buscar em outros países, especialmente a Argentina, 60% do que consome, segundo a Abitrigo (Associação Brasileira das Indústrias de Trigo).
Com isso, qualquer conflito envolvendo gigantes do setor, como são os casos de russos e ucranianos, abala o mercado. Neste ano, os embarques rumo ao Brasil somarão 6,5 milhões de toneladas, 85% deles provenientes da Argentina.
"O preço do trigo subiu muito nos últimos dias no mercado internacional, a Bolsa de Chicago chegou a fechar a área de trigo [nesta quinta] porque chegou no limite. Com Rússia sendo primeiro exportador mundial e Ucrânia o quarto, no mercado internacional a perspectiva de uma alta do produto elevou o preço em todos os mercados", disse Rubens Barbosa, presidente da Abitrigo.
Logo na abertura do mercado na cidade norte-americana, o trigo atingiu US$ 9,26 por bushel (27,2 quilos), 5,7% mais que o fechamento da véspera.
Para Barbosa, a previsão é que nos próximos quatro ou cinco meses o preço continue subindo, para estabilizar ou cair a partir de julho/agosto, quando começará a entrar a safra do hemisfério norte.
"Mas tudo dependerá da extensão da guerra. O trigo é um problema sério, ficamos na dependência, muito vulneráveis. É pandemia, frete, agora essa questão bélica, que nada tem a ver com a gente."
Apesar disso, a associação não projeta a possibilidade de desabastecimento nos próximos meses, pois as negociações da atual safra já foram efetuadas.
Outro problema que pode encarecer o trigo --e outras culturas-- é a incerteza em relação aos fertilizantes. A Rússia está entre os maiores produtores de cloreto de potássio e outros produtos nitrogenados para fertilizantes.
Pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) e docente da Esalq/USP, Lucilio Alves disse que, embora os países envolvidos diretamente na guerra sejam Rússia e Ucrânia, os preços da Argentina subirão, impactando o Brasil.
"Os preços internacionais sobem e o da Argentina vai subir porque, se não subir, outros mercados passarão a demandar mais produtos da Argentina. Isso acabaria causando reação também", afirmou.
Para chegar ao consumidor, o preço deverá levar "algumas semanas ou mais", na avaliação de Alves.
"O moinho tem de absorver e repassar ao próprio derivado do trigo. No repasse, incorpora outros tipos de custos, então esse repasse não é imediato. Depois tem o atacado e o varejo e, só depois, aí sim o consumidor. Num contexto médio nacional é para termos um certo delay."
O setor de panificação projeta que os aumentos que já têm ocorrido nos últimos meses seguirão, mas ainda por efeito da oscilação cambial, não da guerra.
"Os moinhos estão segurando os preços, não repassaram ainda totalmente o dólar, e nós também não conseguimos repassar o preço do aumento da farinha que houve. A renda das famílias não cresce. Mesmo com a recuperação do emprego, elas não têm a mesma renda, e nosso negócio depende disso", disse Antonio Saú Rodriguez, diretor de marketing da Sampapão, que engloba sindicato, associação, instituto e fundação ligadas à panificação em 32 cidades da Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo ele, como a safra atual já está comprada, se a guerra não durar muito talvez o Brasil consiga sofrer menos.
"O problema é que uma guerra a gente sabe quando começa, mas não quando nem como termina", disse.
Para Alves, do Cepea, a proximidade do período de plantio no Brasil, entre abril e junho, pode acabar atraindo mais produtores para o mercado em virtude dos esperados reajustes.
"Podemos ter um número maior de produtores querendo entrar na área de trigo diante do cenário internacional. Com esses preços, pode ser favorável ao produtor."
- Bahia Notícias
- 24 Fev 2022
- 16:53h
Foto: Paulo Sergio/Câmara dos Deputados
Por 246 votos a 202, a Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quinta-feira (24), o texto-base do projeto de lei que legaliza os jogos no Brasil, como cassinos, bingos, jogo do bicho e jogos on-line, mediante licenças em caráter permanente ou por prazo determinado.
A partir desta quinta-feira (24), o Plenário pode votar os destaques apresentados pelos partidos que tentaram realizar mudanças no parecer do deputado Felipe Carreras (PSB-PE) para o Projeto de Lei 442/91.
Segundo o texto, os cassinos poderão ser instalados em resorts como parte de um complexo integrado de lazer que deve conter, no mínimo, 100 quartos de hotel de alto padrão, locais para reuniões e eventos, restaurantes, bares e centros de compras.
Ainda conforme a matéria, o espaço do cassino deverá ser, no máximo, igual a 20% da área construída do complexo, podendo ser explorados jogos eletrônicos e de roleta, de cartas e outras modalidades autorizadas. As informações são da Agência Câmara.
Poderá haver três cassinos quando a população do estado for maior que 25 milhões (somente São Paulo, segundo estimativa de 2021 do IBGE). Para os estados com mais de 15 milhões e até 25 milhões, poderá haver dois cassinos (caso de Minas Gerais e Rio de Janeiro). Nos demais estados e no DF, com população de até 15 milhões de habitantes, poderá existir apenas um cassino.