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Funai fez relatório ilegal contra servidores, acusa MPF

  • por Vinicius Sassine | Folhapress
  • 27 Jul 2022
  • 16:10h

Foto: Divulgação

A presidência da Funai (Fundação Nacional do Índio) produziu um relatório de inteligência ilegal para perseguir e acusar falsamente servidores do próprio órgão e associações indígenas, afirma o MPF (Ministério Público Federal) em denúncia contra o presidente da fundação, Marcelo Augusto Xavier da Silva.
A Procuradoria da República no Amazonas denunciou Xavier à Justiça Federal por denunciação caluniosa, em razão da iniciativa do presidente da Funai de provocar a abertura de inquérito policial contra servidores do órgão e associações. A denúncia foi assinada por quatro procuradores no último dia 21.

O presidente da Funai, que é delegado da Polícia Federal, sabia da inocência dos acusados, tinha ciência da "inexistência de qualquer ato ilegal" e imputou falsos crimes aos servidores, que agiram em defesa dos indígenas, conforme a denúncia do MPF.

 

Foram vítimas da ação de Xavier nove servidores da Funai, outras três pessoas, três associações e o procurador da República Igor Spíndola, que promoveu o arquivamento do inquérito provocado pelo presidente da Funai.
 

O caso envolve o processo de licenciamento ambiental do Linhão de Tucuruí, que atravessaria a terra indígena Waimiri-Atroari. Xavier acusou servidores da Funai de distorcer e manipular informações, para retardar o licenciamento. Ele chegou a apontar crimes de tráfico de influência e prevaricação.
 

A denúncia do MPF afirma que houve "uso indevido de documentos equiparados a relatórios de inteligência, a despeito de não estar a Funai incluída no Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência)".
 

A Funai não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação do texto.
 

O relatório considerado ilegal foi feito em 4 de novembro de 2020. Ele descreve "entraves" nas tratativas para a construção da linha de transmissão de energia entre Boa Vista e Manaus. O documento tem como anexos três informações técnicas e um diagrama sobre a Associação Comunidade Waimiri-Atroari, conforme o MPF.
 

"O documento trazia toda a sorte de ilações contra servidores da Funai e outras pessoas relacionadas com os direitos indígenas que seriam afetados com o empreendimento", diz o MPF na denúncia.
 

O presidente da Funai enviou o documento à PF e à Abin (Agência Brasileira de Inteligência), conforme os procuradores da República. "A cada passo da representação criminal era realizado mais outro, na seara da inteligência de Estado."
 

A PF chegou a questionar a existência de documentos apresentados como classificados (quando há algum grau de sigilo) na representação feita, conforme a denúncia, o que foi alterado na sequência pela presidente substituta da Funai.
O MPF questionou o presidente da Funai sobre o envio do relatório à PF, que passou a ser parte do inquérito. "O próprio denunciado confessou a autoria do relatório ilegal de inteligência", cita a denúncia.

O procurador Igor Spíndola, que hoje atua no Pará, arquivou a investigação provocada por Xavier por enxergar ausência de provas, de hipótese investigativa e de caracterização de crimes por parte dos acusados.

A investigação criminal provocada pelo presidente da Funai foi uma forma de "pressão política" e configurou-se como crime, já apontava o integrante do MPF. Xavier, então, fez uma representação contra o procurador na PGR (Procuradoria-Geral da República), que também acabou arquivada.

"As imputações realizadas pelo denunciado não foram feitas de boa-fé. Elas consistiram, na verdade, em constrangimento aos servidores da Funai e comunidade indígena, desrespeitando direitos constitucionalmente garantidos e questionando a compensação financeira devida pela União", afirmam os procuradores na denúncia contra Xavier.

"A Funai é órgão indigenista por excelência, cuja função primordial é a de salvaguardar e garantir os direitos dos povos indígenas no Brasil", diz a acusação, que pede condenação pelo cometimento de crime, reparação por danos morais no valor de R$ 100 mil e perda de função pública em caso de condenação.

O presidente da Funai já havia sido denunciado pelo MPF, em Brasília, por um caso semelhante, revelado pelo jornal Folha de S.Paulo.

Xavier provocou a abertura de um inquérito pela PF para investigar um procurador federal que atua na própria Funai e que elaborou um parecer jurídico a favor dos indígenas.

O presidente da Funai apresentou notícia-crime à PF em Brasília contra o procurador Ciro de Lopes e Barbuda, em razão do parecer elaborado pelo servidor vinculado à AGU (Advocacia-Geral da União) e com atuação na Funai.

O presidente da Funai acusou o procurador de apologia do crime, e essa iniciativa resultou na abertura de inquérito pela PF.

O Ministério Público Federal, porém, discordou da tramitação do procedimento, apontou crime de constrangimento ilegal na iniciativa do presidente da Funai e disse ser necessária imediata correção pelo Judiciário. O MPF pediu à Justiça Federal o arquivamento do caso, o que ocorreu, segundo o MPF.

Houve ainda outros pedidos de investigação, formulados pelo presidente da Funai, contra indígenas e defensores da pauta ambiental.

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Ministério da Agricultura dispensa obrigatoriedade do prazo de validade em vegetais frescos

  • Bahia Notícias
  • 27 Jul 2022
  • 07:21h

Foto: Sistema CNA/SENAR-PR

Os produtores brasileiros não vão mais precisar informar o prazo de validade em vegetais frescos embalados. Isso porque o Ministério da Agricultura publicou uma portaria fazendo a dispensa da obrigatoriedade da divulgação dessa informação. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já previa a dispensa em resolução de 2002.

Através de nota, o secretário de Defesa Agropecuária, José Guilherme Leal, disse que essa decisão é importante para combater o desperdício de alimentos no país.  "Anualmente toneladas de frutas são perdidas no Brasil em razão da expiração do prazo de validade, sem que, no entanto, estejam impróprias para o consumo. Ao comprar vegetais frescos, o consumidor consegue identificar se estão podres, murchos ou com odor, ou seja, se não estão bons para consumo", disse.

Antes da publicação dessa portaria, os alimentos vencidos tinham que ser jogados fora e não poderiam ser destinados a outros fins, como doação. Agora, os produtores de frutas não necessitam mais colocar a data de validade nas embalagens. Entretanto, os estabelecimentos comerciais continuam sendo obrigados a vender apenas hortifrútis que atendam aos requisitos mínimos de identidade e qualidade.

Donos de bares e restaurantes criticam proposta de trocar vale por dinheiro

  • por Joana Cunha | Folhapress
  • 26 Jul 2022
  • 16:34h

Imagem ilustrativa | Foto: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

Donos de bares e restaurantes, por meio da Abrasel (associação do setor), reagem à sugestão do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) para o pagamento dos vales refeição e alimentação em dinheiro na medida provisória que propõe novas regras para o benefício.
 

Em carta enviada aos deputados, a Abrasel diz que as mudanças terão consequências gravíssimas, se aprovadas, para o setor, gerando perdas enormes, desemprego e falências para os estabelecimentos, que ainda sofrem as consequências da pandemia e da inflação.
 

Estudo apresentando pela Abrasel no documento mostra que, na possibilidade de o voucher ser entregue em dinheiro, apenas 35% dos trabalhadores utilizariam o benefício para o fim a que se destina.

Laudo dirá se Adélio Bispo, que esfaqueou Bolsonaro, pode deixar penitenciária

  • por Marcelo Rocha | Folhapress
  • 26 Jul 2022
  • 10:15h

Foto: Divulgação / PM-MG

O exame psiquiátrico que vai apontar se Adélio Bispo, autor da facada em Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2018, tem condições de retornar ao convívio social correu nesta segunda-feira (25).

O procedimento foi realizado por dois peritos no presídio federal de Campo Grande, onde ele se encontra internado. Uma assistente técnica indicada pela defesa acompanhou.

O prazo para o laudo pericial ser anexado ao processo é de 30 dias. O caso está sob a responsabilidade da 5ª Vara Federal Criminal na capital sul-mato-grossense.

O atentado em Juiz de Fora (MG) ocorreu em 6 de setembro, a um mês do primeiro turno das eleições. Adélio foi preso no ato e confessou o crime.
Em 2019, ao julgá-lo pela tentativa de assassinato, a Justiça Federal em Minas Gerais o considerou inimputável (não pode ser condenado) por questões de saúde mental.

Foi estipulada medida de segurança de internação por prazo mínimo de três anos, "ao fim do qual deveria ser realizada a perícia médica para verificação da manutenção ou cessação da periculosidade".

A sentença transitou em julgado (sem possibilidade de novos recursos) em julho de 2019. Por essa razão foi agora realizada uma nova perícia.

Responsável pela defesa de Adélio durante a tramitação do processo, o advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior afirmou que o exame é similar ao que foi feito anteriormente.

O criminalista diz acreditar em alguma melhora de seu antigo cliente, o suficiente para que a Justiça transfira Adélio da internação para um tratamento ambulatorial fora do presídio.

"Caso isso se confirme, vejo que o juízo terá uma decisão difícil a tomar. Estamos em um momento político bem delicado. Correrá perigo fora da penitenciária", disse Oliveira Junior.

Sem dúvidas quanto à autoria, objeto de um primeiro inquérito, uma segunda apuração foi instaurada pela Polícia Federal para averiguar o envolvimento de terceiros e possíveis mandantes.

Em junho de 2020, com base nas conclusões da Polícia Federal, o Ministério Público Federal em Minas Gerais se manifestou pelo arquivamento provisório do inquérito policial.

No documento enviado à Justiça Federal, a Procuradoria afirmou ter concluído que Adélio concebeu, planejou e executou sozinho o crime.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o réu já estava em Juiz de Fora quando o ato de campanha do então candidato à Presidência foi programado e que, portanto, o autor da facada não se deslocou até a cidade com o objetivo de cometer o crime.

Os representantes da Procuradoria disseram ainda que Adélio não mantinha relações pessoais com nenhuma pessoa na cidade mineira, tampouco estabeleceu contatos que pudessem ter exercido influência sobre o atentado.

Os membros do MPF frisaram que ele não efetuou ou recebeu ligações telefônicas ou troca de mensagens por meio eletrônico com possível interessado no atentado ou pessoas relacionadas ao crime. Naquele mesmo mês, a Justiça Federal homologou o arquivamento.

Bolsonaro questiona até hoje o trabalho realizado pela PF, que não coletou qualquer evidência de que Adélio tenha sido auxiliado por outras pessoas ou obedecido a um mandante.

Em novembro passado, porém, com base em um pedido de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) mandou reabrir o caso.

O tribunal autorizou que a PF vasculhe dados bancários e o conteúdo do celular apreendido em poder de Zanone Oliveira Júnior.

As informações podem revelar quem custeou os honorários advocatícios, o que, para Bolsonaro e seus aliados, levará a polícia ao suposto mentor do crime.

No início do ano, a PF escolheu um outro delegado, que inclusive já investigou o PCC (Primeiro Comando da Capital), para dar continuidade à investigação. A tarefa de Martin Bottaro Purper é esclarecer se Adélio contou com a ajuda de terceiros ou agiu a mando de alguém.

O trabalho havia sido iniciado por Rodrigo Morais Fernandes. Em dezembro passado, ele foi designado pela direção da polícia para missão de dois anos numa força-tarefa em Nova York, nos Estados Unidos. A atuação de Fernandes foi alvo de críticas de Bolsonaro e aliados.

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Turbilhão Feminino: Invicta, Seleção encara Paraguai valendo vaga na final da Copa América

  • por Fernanda Barros
  • 26 Jul 2022
  • 08:48h

Foto: Thais Magalhães / CBF

A Seleção Brasileira Feminina faz uma excelente campanha em Copa América! A equipe que nesta edição é comandada pela Técnica Pia Sundhage entra em campo nesta terça-feira (26), às 21h (horário de Brasília) contra o Paraguai pela semifinal.

A partida da semifinal é decisiva, vale vaga na final do Torneio e contará com transmissão ao vivo pelo SBT (canal aberto) e SporTV (canal fechado).

CAMPANHA E GOLEADAS

Até aqui foram quatro jogos e quatro vitórias, sendo 17 gols marcados e nenhum sofrido. Relembre a campanha na Fase de Grupos:

Brasil 4x0 Argentina

Uruguai 0x3 Brasil
Venezuela 0x4 Brasil
Brasil 6x0 Peru

ARTILHARIA

A artilharia é de Adriana, com 5 gols na competição, que inclusive marcou dois gols no primeiro duelo (contra a Argentina) e mais dois no segundo (contra o Uruguai). Em segundo, Debinha com 4 gols, a atleta já ultrapassa a marca de 50 gols pela Seleção Canarinha.

E por falar em recordes, as atletas que também vem fazendo história com a camisa amarelinha são Tamires e Bia Zaneratto: após a partida contra a Venezuela, Tamires se juntou a Debinha e alcançou a marca de 125 jogos pelo Brasil. Já Zaneratto acumula nessa competição três assistências, dois gols marcados e boas atuações na armação de jogadas de ataque.

Acompanhe tudo sobre o Futebol Feminino Brasileiro através das nossas redes sociais: @turbilhaofeminino (Instagram) e @TurbilhaoF (Twitter).

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STJ mantém prisão de empregado de pet shop que enforcou cachorro durante tosa

  • Bahia Notícias
  • 25 Jul 2022
  • 11:24h

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão do funcionário de um pet shop que foi flagrado enforcando um cachorro, que morreu sufocado, durante a tosa. O caso aconteceu em Maceió em janeiro deste ano, e o homem de 24 anos foi preso em flagrante.
O caso teve ampla repercussão nacional após a divulgação das imagens do empregado puxando com violência a coleira de um cão da raça shih tzu, por diversas vezes, durante o procedimento.

O pedido de liminar para que o homem fosse posto em liberdade foi negado pelo vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Jorge Mussi, no exercício da presidência, na última quinta-feira (21). 
Mussi justificou que o pedido de relaxamento da prisão preventiva não se enquadra nas hipóteses de urgência que justificam a interferência do tribunal durante o plantão judiciário.
Além disso, "considerando que o pedido se confunde com o próprio mérito da impetração, deve-se reservar ao órgão competente a análise mais aprofundada da matéria por ocasião do julgamento definitivo", avaliou Mussi.

Política é assunto intocável na 'Turma da Mônica', diz Mauricio de Sousa

  • por Folhapress
  • 24 Jul 2022
  • 10:50h

Foto: Reprodução

Afastado da prancheta para supervisionar o trabalho dos 400 artistas que emprega, Mauricio de Sousa diz que o segredo para manter o sucesso da "Turma da Mônica" conservado é observar e copiar a realidade, simples assim, com cuidado para não ficar para trás, mas tampouco avançar o sinal.

É por isso, o desenhista afirma a este jornal, que ele prefere não se envolver com política nem deixar que discussões políticas façam parte de suas histórias. "Meus personagens são crianças, e criança não mexe com política. A gente não faz ativismo. Tenho que usar o velho recurso da borracha. 'Apaga.' Isso é intocável."

É uma estratégia adotada desde a ditadura militar, período em que presidiu a Associação dos Desenhistas de São Paulo, tida como comunista, e acabou banido dos jornais que compravam suas tirinhas por se envolver em articulações políticas contra o domínio das produções americanas, que saíam mais baratas para os veículos brasileiros à época.

Isso não significa que a "Turma da Mônica" tenha parado no tempo, diz Sousa, que planeja criar personagens gays, tem dado destaque aos com deficiência e garante que Milena, sua primeira personagem negra do sexo feminino, criada há cerca de cinco anos, terá o mesmo protagonismo de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão.

"O politicamente correto é uma das coisas chatas que existem. Às vezes, dou uma forçadinha, para não alterar totalmente a liberdade que precisamos ter numa cena de humor, mas também faço concessões."

"Antes, a Mônica colocava um tijolo dentro do Sansão para bater no Cebolinha. É impossível hoje. Até a fala do Chico Bento precisei mudar um pouquinho, porque as professoras não gostavam do 'caipirês'. Eu sou sensível ao que pode magoar e não ser aceito pela família."

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Chefes tóxicos atingem 8 em cada 10 executivos

  • por Daniele Madureira | Folhapress
  • 24 Jul 2022
  • 08:01h

Foto: Reprodução

"Preciso de ‘mais gás’ em você". A cobrança sutil, em um email enviado pelo chefe poucas semanas depois de iniciar o novo trabalho, deixou Renato (nome fictício), 36, incomodado. Analista sênior de TI de uma grande empresa de telecomunicações, ele tentava fazer o seu melhor depois de herdar tarefas de um colega recém-demitido, delegadas pelo chefe que tirou férias logo após a sua contratação, no regime remoto.
O incômodo inicial deu lugar a um mal-estar profundo quando, nas reuniões online, ele, um analista sênior, passou a ser comparado depreciativamente com um analista júnior. Críticas enviadas pelo chefe por email não raro tinham outros analistas copiados, alguns com dez anos ou mais de casa, que deixaram de ser promovidos com a chegada de Renato.

Contratado em meio à pandemia e morando em Belo Horizonte (MG), distante da sede da empresa, em São Paulo, ele não encontrou receptividade na equipe. Não sabia com quem conversar para resolver dúvidas simples, enquanto questões urgentes, que envolviam terceiros, demoravam horas para serem respondidas. Passou a trabalhar de madrugada para conseguir solucionar pendências sozinho.

As cobranças por resultados aumentavam. Renato diz que o chefe repetia que ele era um analista sênior em uma das maiores empresas do setor do mundo, e que por isso ele saberia como agir, uma vez que a empresa não tolerava erros.

Mas Renato já não sentia mais confiança em si mesmo e começou a sofrer de ansiedade, enfrentando episódios de pânico quando avistava o nome do chefe nas chamadas do celular. Achava que seria demitido a qualquer momento.
 

Ele afirma que se sentia "um lixo".
 

O problema de Renato e de 78% dos altos executivos do país se chama "chefe tóxico". Foi o que identificou uma pesquisa feita pela consultoria em gestão e educação executiva BTA Associados, entre março e abril deste ano, com 321 profissionais dos níveis de gerência, diretoria, presidência e conselhos de empresas.
 

"Perguntamos aos executivos se eles já trabalharam ou trabalham com um chefe tóxico e 78% disseram que sim", afirma a psicóloga Betania Tanure de Barros, sócia da BTA e especialista em comportamento organizacional.
 

Como principais características de um chefe tóxico, que pratica assédio moral, os executivos apontaram desonestidade, agressividade, narcisismo e incompetência.
 

"É um perfil completamente oposto ao de um líder de referência, apontado pelos entrevistados como alguém íntegro, com visão estratégica, competência técnica, que tem escuta aberta, boa comunicação e empatia", afirmou Betania. A pesquisa identificou que 82% já trabalharam ou trabalham com um líder assim.
 

26% ACREDITAM QUE VÃO ADOECER POR CONTA DO TRABALHO
 

A maior parte dos executivos ouvidos na pesquisa da BTA diz sofrer hoje algum nível de assédio moral no trabalho. Os casos mais graves indicaram altos níveis de angústia para 42% dos entrevistados, de ansiedade para 60% e de estresse para 62%. Mais de um quarto dos executivos (26%) afirmaram que podem adoecer com o trabalho.
 

"Durante a pandemia, as empresas acabaram negligenciando, de alguma maneira, o treinamento dos líderes. Houve muito investimento em tecnologia, mas liderança ficou em segundo plano", afirma Betania. No final de 2020, outra pesquisa da BTA apontou que 84% das companhias tinham intenção de reduzir ou, no máximo, manter os investimentos em desenvolvimento dos seus executivos.
 

"Agora há uma predominância de líderes com competências medianas em um ambiente altamente demandante", afirma.
 

Ao mesmo tempo, o trabalho remoto permitiu um nível de assédio maior em termos de cobrança, porque não existem espectadores, diz Tatiana Iwai, professora de comportamento e liderança do Insper.
 

"O executivo não está diante de uma equipe, a não ser em reuniões online, e os diálogos são privados", afirma Tatiana. "Neste tipo de ambiente, a pressão pode ser muito mais intensa."
 

As empresas reconhecem e mantêm este tipo de liderança tóxica porque, na maioria das vezes, ela entrega resultados, diz a sócia da BTA, Vânia Café.
 

"Justamente pela assertividade e certa agressividade destes líderes na condução da equipe, eles conseguem cumprir metas. Isso leva a empresa a relevar o comportamento tóxico", afirma a especialista.
 

Tatiana Iwai destaca, no entanto, que grandes escândalos corporativos –como o que ocorreu com a Caixa Econômica Federal recentemente– não acontecem da noite para o dia.
 

"São comportamentos tóxicos que vão se tornando regulares e acabam moldando a cultura daquela empresa", diz ela. "No entanto, em algum momento, tudo isso vem à tona e compromete a imagem da companhia com todos os seus públicos de interesse: funcionários, fornecedores, consumidores, comunidade e investidores."
 

EMPRESAS TÓXICAS TÊM MAIOR ROTATIVIDADE
 

A contrapartida do comportamento de assédio moral é a dificuldade de atração e a perda de talentos, diz Vânia Café. "As empresas criam reputação no mercado, com base na sua cultura de liderança. Uma empresa –ou equipe– de alta rotatividade pode ser um indicativo de assédio moral", afirma.
 

Flávio (nome fictício), 45, está há décadas na área de vendas e se orgulha de saber trabalhar sob pressão. É executivo de contas de uma multinacional de tecnologia e atende clientes do governo federal, em Brasília.
 

Ele afirma que as empresas costumam estipular metas superestimadas porque, caso algum setor falhe, outro pode compensar. Flávio também diz que os chefes fazem pressão para que os vendedores se tornem amigos dos clientes, sem entender que a construção desse tipo de relação é demorada.
 

O problema é que, quando chega o fim do ano e o executivo precisa atingir sua meta, começa a assumir riscos.
 

Ele conta que, em seu trabalho anterior, fez uma encomenda de equipamentos para alguns clientes que, posteriormente, desistiram da compra. Quando isso ocorreu, ele relata ter sido alvo de muita pressão —segundo Flávio, seu chefe gritava: "Tem milhões de reais em equipamentos parados. Você prometeu que sairia dia 15 de agosto e agora é 30 de setembro e está tudo parado. A divisão América Latina e a divisão Américas contavam com isso. Como você falha assim? É o segundo mês que você falha".
 

Como resultado, diz ter desenvolvido um quadro de ansiedade. Ele conta que passou a ter dificuldade para se concentrar, que não podia mais beber, porque o álcool o desequilibrava emocionalmente, desencadeando choros, e que teve problemas de libido.
 

A saída que encontrou foi terapia e a religião espírita, diz. Um tempo depois, deixou o trabalho.
 

Hoje Flávio reclama da carga de trabalho, que aumentou muito na pandemia. Segundo ele, são inúmeras reuniões todos os dias, e cada uma define uma nova tarefa a ser realizada por ele. O vendedor diz ainda que não consegue mais impor limites ao seu horário de trabalho, usando o tempo antes e depois do expediente para ter um momento privado para pensar e definir estratégias.
 

Agora, ele diz que já estuda um plano B: dar adeus à vida executiva e se concentrar na vida no campo.
 

WHATSAPP NO LEITO DA UTI
 

Já Renato, em Belo Horizonte, deixou depois de seis meses a empresa de telecom e passou a trabalhar em uma companhia de tecnologia. Ainda hoje faz terapia, mas já superou as crises de pânico.
 

A gota d’água para ele no antigo emprego foi a falta de empatia do chefe com a sua doença: Renato pegou Covid no início de 2021 e ficou 20 dias internado, 10 deles na UTI. Ele diz que sua imunidade estava baixa porque vinha dormindo mal e comendo muito em razão da ansiedade, e que pertencia a um grupo de risco, por ser obeso. Renato diz ter ficado com 70% do pulmão comprometido.
 

Levou o laptop para o hospital e continuou trabalhando. Alguns dias depois, porém, avisou o chefe que seria encaminhado à UTI, por conta do agravamento do quadro, e levaria apenas o seu celular pessoal, para se comunicar com a mulher.
 

Cinco dias depois, em um dos momentos mais críticos da terapia, quando estava sendo submetido ao ventilador mecânico para suprir a carência de oxigênio, sem conseguir falar, recebeu uma mensagem por WhatsApp: "Oi, quando puder, me liga". Era o chefe, querendo que Renato providenciasse um atestado médico.

 

QUAL É O PERFIL DO LÍDER TÓXICO?
 

Desonesto - 23%
Agressivo e desrespeitoso - 22%
Narcisista - 20%
Incompetente - 13%
Centralizador e autoritário - 11%
Exerce pressão excessiva - 6%
Inseguro - 5%
Fonte: BTA Associados

 

QUAL O PERFIL DO LÍDER DE REFERÊNCIA?
 

Íntegro - 28%
Está aberto a ouvir e desenvolve boa comunicação - 24%
Tem visão estratégica - 17%
Tem competência técnica - 13%
Tem empatia - 11%
Descentralizador - 11%
Desenvolve pessoas e a equipe - 11%
Motiva pessoas e a equipe - 10%
Fonte: BTA Associados

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FGTS vai distribuir 99% do lucro de 2021; veja quanto vai receber

  • por Cristiane Gercina | Folhapress
  • 23 Jul 2022
  • 12:29h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou, em reunião extraordinária nesta sexta-feira (22), a distribuição de 99% do lucro do fundo em 2021 aos trabalhadores.
O valor total registrado no ano passado foi de R$ 13,3 bilhões e serão distribuídos R$ 13,2 bilhões, o maior desde que o dinheiro começou a ser dividido com os cotistas.

Em 2022, o pagamento será antecipado e a Caixa Econômica Federal deve liberar o dinheiro assim que a decisão for publicada.

O índice de distribuição será de 0,02748761 sobre o saldo nas contas existentes em 31 de dezembro de 2021. Isso significa que, a cada R$ 100, devem ser creditados R$ 2,75 na conta. Ao todo, 106,7 milhões devem receber. São 207,8 milhões de contas com saldo.

Na reunião, o conselho debateu outras pautas. Antes de aprovar a distribuição do lucro, representantes dos trabalhadores, das empresas e do governo aprovaram o lucro do FGTS no ano passado, de R$ 13,3 bilhões.
Em 2020, o saldo positivo do fundo ficou em R$ 8,5 bilhões. Desse total, a Caixa distribuiu R$ 8,1 bilhões, o equivalente a 96% do lucro.

Por lei, o lucro do FGTS é depositado até o dia 31 de agosto do ano seguinte. No entanto, na reunião, José Aguiar, da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), pediu que a Caixa tente antecipar o valor a ser distribuído.

O motivo, segundo ele, é diminuir o impacto da inflação sobre o dinheiro dos trabalhadores. A questão apontada é que a Caixa leva cinco dias úteis para depositar os valores nas contas do fundo. Representante do banco informou que é possível fazer a antecipação. A urgência foi aprovada.

A operação de pagamento, no entanto, só ocorrerá quando houver publicação do balanço de 2021.

QUANTO OS TRABALHADORES PODERÃO RECEBER, EM R$

Valor no FGTS; Valor a ser recebido (com arredondamento)

100; 2,75

500; 13,74

1.000; 27,49

2.000; 54,98

3.000; 82,46

4.000; 109,95

5.000; 137,44

6.000; 164,93

7.000; 192,41

8.000; 219,90

9.000; 247,39

10.000; 274,88

20.000; 549,75

30.000; 824,63

40.000; 1.099,50

50.000; 1.374,38

60.000; 1.649,26

70.000; 1.924,13

80.000; 2.199,01

90.000; 2.473,88

100.000; 2.748,76

110.000; 3.023,64

120.000; 3.298,51

130.000; 3.573,39

140.000; 3.848,27

150.000; 4.123,14

160.000; 4.398,02

170.000; 4.672,89

180.000; 4.947,77

190.000; 5.222,65

200.000; 5.497,52

COMO CONSULTAR OS VALORES

Para saber os valores disponíveis no seu FGTS, é preciso fazer a consulta por meio do aplicativo. O total a ser distribuído por trabalhador, no entanto, só aparecerá na conta ou nas contas após a Caixa Econômica Federal liberar o pagamento, o que está previsto apenas para agosto.

1- Abra ou atualize o app FGTS

2- Clique em "Entrar no aplicativo"

3- Em seguida, informe CPF e vá em "Próximo"; depois, digite sua senha e clique em "Entrar"

4- Clique nas imagens solicitadas pelo aplicativo para confirmar que você não é um robô

5- Na página inicial, abaixo, vá em "Meu FGTS"

6- Na página seguinte, aparecerão todas as contas do Fundo de Garantia; para ver o extrato de cada uma delas, clique em "Ver extrato"

7- Para cada conta será creditada o lucro correspondente; é preciso conferir os valores em cada extrato

VEJA QUANTO JÁ FOI PAGO AOS TRABALHADORES, EM R$

Ano-base; Ano de pagamento; Valor distribuído (em bilhões)

2020; 2021; 8,1

2019; 2020; 7,5

2018; 2019; 12,2

2017; 2018; 6,2

2016; 2017; 7,3

COMO É FEITO O PAGAMENTO?

A distribuição é realizada pela Caixa na conta de cada trabalhador. Os valores são creditados e, no extrato do FGTS, aparece a informação "AC CRED DIST RESULTADO ANO BASE 12/XXXX (aqui será informado o ano a que se refere o pagamento)".

QUANDO SACAR

O saque do lucro do FGTS não pode ser feito imediatamente após a liberação. O trabalhador só poderá usar esse dinheiro caso se enquadre em uma das situações de retirada previstas na lei 8.036/90 para o saque do FGTS, como demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria e doença grave, por exemplo. Veja as 16 situações de saque do FGTS permitidas por lei.

QUEM TEM DIREITO AO LUCRO DO FGTS?

Todas as contas vinculadas ao FGTS, sejam elas ativas ou inativas, têm direito de receber o lucro do ano anterior. O pagamento é feito até o dia 31 de agosto de cada ano, para quem tinha saldo em 31/12 do ano-base. O lucro aparece separadamente em cada uma delas.

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Robson Conceição lutará por título unificado dos superpenas em 23 de setembro

  • Bahia Notícias
  • 23 Jul 2022
  • 10:23h

Foto: Reprodução / Instagram - @toprank

O baiano Robson Conceição está perto de lutar mais uma vez pelo título dos superpenas. Após vencer o americano Xavier Martínez, em janeiro deste ano (lembre aqui), o Brabo terá pela frente Shakur Stevenson, no dia 23 de setembro, pelo cinturão unificado da WBC e da WBO. 

O confronto ocorrerá no Prudential Center em Newark, New Jersey (EUA). Shakur venceu justamente o algoz de Robson da última vez que o baiano subiu no ringue para disputar o cinturão: Oscar Valdez. 

Em seu cartel, Robson possui 18 lutas, com 17 vitórias, sendo oito por nocaute, e uma derrota. Stevenson, por sua vez, venceu as 18 lutas que fez na carreira, sendo 9 por nocaute. 

Defensoria da União alerta para riscos de uso de Auxílio Brasil em empréstimos

  • por Fábio Zanini | Folhapress
  • 23 Jul 2022
  • 08:08h

Foto: Divulgação

A Defensoria Pública da União (DPU) divulgou nota técnica alertando para riscos envolvidos na utilização do Auxílio Brasil em empréstimos consignados, possibilidade aberta por uma medida provisória do governo de Jair Bolsonaro (PL) que foi aprovada pelo Congresso.
O comprometimento pode chegar a 40% do Auxílio, que subiu de R$ 400 para R$ 600 após a aprovação da PEC Kamikaze pelo Congresso.

A DPU? aponta "risco de superendividamento das famílias em pobreza e extrema pobreza, violando o mínimo existencial e perpetuando parcela da população no ciclo vicioso da pobreza, especialmente considerando a ausência de limites de juro e regulamentação dos empréstimos".

 

 

A nota foi elaborada pelo Comitê Temático Especializado Renda Básica Cidadã e o Grupo de Trabalho Garantia à Segurança Alimentar e Nutricional da DPU.
O documento acrescenta que o uso do Auxílio em empréstimos representa risco à segurança alimentar das famílias em pobreza e extrema pobreza, desvio de finalidade dos programas de transferência de renda e "ampla possibilidade de fraudes".

A DPU recomenda o veto de Bolsonaro ao projeto aprovado pelo Congresso. O Auxílio Brasil é um dos principais trunfos do presidente na tentativa de se reeleger.

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OMS volta a debater se varíola dos macacos merece alerta máximo

  • Bahia Notícias
  • 22 Jul 2022
  • 18:08h

Foto: Divulgação / OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) iniciou, nesta quinta-feira (21), nova reunião do seu comitê de especialistas que analisa a situação da varíola dos macacos no mundo. O objetivo do encontro é avaliar se o crescimento de casos da infecção configura uma emergência de saúde pública mundial, nível mais alto de alerta para uma doença e patamar no qual está classificada a Covid-19.

De acordo com a OMS, no atual surto, já foram registrados 14 mil casos de varíola dos macacos em 71 países. No discurso de abertura do encontro, o diretor-geral Tedros Adhanom destacou que boa parte dos casos está sendo registrada em homens que fazem sexo com homens, mas mostrou preocupação sobre os estigmas que podem recair sobre o grupo caso a doença seja declarada uma emergência de saúde mundial.

Por outro lado, o diretor-geral acredita que essa particularidade pode ser utilizada para implementar intervenções de saúde específicas.

Outro fator apontado pelo diretor-geral durante seu discurso foi a falta de informação sobre a incidência da doença em algumas partes da África, o que impossibilita uma determinação sobre o quadro da doença no mundo. “Essa dificuldade da situação epidemiológica na região representa um desafio substancial para determinar intervenções que controlem essa doença historicamente negligenciada”, apontou Tedros.

A definição sobre o assunto que sairá do encontro desta quinta-feira será divulgada pela OMS nos próximos dias. As informações são do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

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Dilma diz que Temer tenta limpar sua imagem de golpista ao lhe chamar de honesta

  • por Bruno Leite
  • 22 Jul 2022
  • 10:16h

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A ex-presidenta da República, Dilma Rousseff (PT), se pronunciou através de uma nota, nesta sexta-feira (22), sobre as declarações recentes do seu ex-vice, Michel Temer (MDB), de que ela era uma pessoa honesta e teria sido destituída do cargo por conta do relacionamento rochoso com parlamentares de oposição.

No posicionamento da ex-chefe de Estado, o emedebista busca, com falas do tipo, "limpar sua inconteste condição de golpista" utilizando da sua "inconteste honestidade pessoal e política". 

De acordo com Dilma, Temer foi responsável por articular "uma das maiores traições políticas dos tempos recentes".

 "É de todo inócuo afirmar que não houve um golpe, pois este personagem se ofereceu como vice-presidente por duas vezes. E, assim, sabia por duas vezes qual era o programa político das chapas vitoriosas que foram eleitas em 2010 e 2014", destacou a petista.

A PEC do Teto de Gastos, a reforma trabalhista e a aprovação do PPI seriam provas materiais da citada traição, uma vez que elas não estavam no plano de governo da aliança que os elegeu para o Planalto.

Em entrevista ao UOL, dentre outras aspas, Michel Temer disse acreditar na legitimidade constitucional do processo de impeachment que tirou Rousseff da cadeira presidencial. Ele teria sido motivado, além da má relação com o Congresso, por uma pressão popular.

A ideia, no entanto, foi rejeitada por Dilma. No comunicado desta sexta, ela diz que a tal "dificuldade de diálogo" não seria uma razão legal para a consolidação do processo de impedimento.

A "dificuldade", nas palavras da ex-presidenta, era "uma integral rejeição às práticas do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, criador do Centrão, que queria implantar com o meu beneplácito o 'orçamento secreto', realizado, hoje, sob os auspícios de um dos seus mais próximos auxiliares na Câmara Federal".

"Finalmente, relembro que a História não perdoa a prática da traição. O senhor Michel Temer não engana mais ninguém. O que se conhece dele é mais que suficiente para evitá-lo, razão pela qual não pretendo mais debater com este senhor", concluiu Dilma na nota publicada em suas redes sociais.

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Alta da inflação reduz variedade de produtos nos supermercados

  • por Leonardo Vieceli | Folhapress
  • 20 Jul 2022
  • 13:32h

Foto: Reprodução / Twitter

Com o impacto da inflação sobre as vendas, os supermercados reduziram estoques e, consequentemente, a variedade de produtos disponíveis nas gôndolas nos últimos meses.
É o que indica pesquisa da Neogrid, empresa especializada em serviços de inteligência artificial para cadeias de suprimentos.

Na passagem de maio para junho, o chamado índice de ruptura até teve uma ligeira baixa, de 11,5% para 11%. O nível, contudo, ainda é considerado elevado pela Neogrid.

Na prática, o índice de 11% significa que, em uma lista com 100 itens, 11 não foram encontrados pelo consumidor nas gôndolas em junho.

 

 

A pesquisa analisa informações de 40 mil lojas espalhadas pelo Brasil, conforme Robson Munhoz, diretor de sucesso do cliente da Neogrid.
O índice de ruptura não chega a apontar desabastecimento. Sinaliza somente faltas pontuais de itens nas gôndolas, que podem estar associadas aos estoques mais baixos.

"O índice vem oscilando, mas ainda é considerado alto. No mês anterior, havia sido de 11,5% [...]. Quando fica em 11%, acende um alerta", afirma Munhoz.

Segundo ele, é sobretudo a inflação que está por trás do cenário. Diante da perda do poder de compra do consumidor, os supermercados tentam equilibrar os estoques, com foco naquilo que tem maior saída junto ao cliente no momento, indica o diretor.

"A causa raiz é a inflação."

Outro possível sinal da pressão inflacionária, conforme a pesquisa, é a queda nas vendas dos supermercados em unidades. Esse indicador atingiu em junho o menor patamar desde janeiro de 2020. A Neogrid diz que, por questões contratuais, não detalha os dados absolutos.

Entre os produtos, a pesquisa destaca a indisponibilidade do leite longa vida, cujos preços dispararam nos últimos meses. O índice de ruptura foi de 19,4% em junho, após 18,8% no mês anterior. O resultado é o maior desde abril de 2020 (20,3%), fase inicial da pandemia.

De janeiro a junho, o leite acumulou alta de 41,76% no país, pelo IPCA. Somente em junho, a alta foi de 10,7%.

"Não é desabastecimento, estamos longe disso. Mas o que acontece é que marcas têm de aumentar o preço e podem, momentaneamente, ficar de fora do dia a dia das lojas", aponta Munhoz.

Segundo ele, a ruptura do leite está associada a fatores como a produção menor. O quadro no campo foi impactado pelos custos, que ficaram mais altos com o clima adverso sobre as pastagens e a alta nos preços da ração consumida pelo gado, entre outros fatores.

A Neogrid destaca ainda a alta na ruptura em junho da categoria de ovos de aves. O índice atingiu 19,4% no mês passado, após 17% em maio. O novo resultado é o maior desde fevereiro deste ano (20,1%).

Em 12 meses até junho, a inflação brasileira acumulou alta de 11,89%. Nesse recorte, o IPCA está em dois dígitos, acima de 10%, há dez meses. Ou seja, desde setembro do ano passado.

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Área técnica do TCU não vê ilegalidade em gastos da Lava Jato

  • Bahia Notícias
  • 20 Jul 2022
  • 07:41h

Foto: Felipe Menezes / Metrópoles

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) não viu irregularidades no pagamento de diárias e passagens para procuradores da Operação Lava Jato, que investigou possíveis casos de corrupção na Petrobras.

A conclusão está em relatório divulgado na noite de segunda-feira (18). O relator da matéria é o ministro Bruno Dantas, de acordo com o Metrópoles

A Tomada de Contas Especial (TCE) no Ministério Público Federal (MPF), segundo a conclusão da assessora responsável pelo relatório, Ângela Brussamarello, identificou que os pagamentos não feriram a legislação e “gozam de legalidade e legitimidade”.

“O cenário vivenciado pela administração do parquet ao tempo dos fatos deve ser levado em consideração para avaliação das escolhas feitas. Até então, a estruturação de equipes em forças-tarefa era o modelo usual e que se mostrava com aptidão para fazer frente às necessidades de atuação conjunta, centralizada e temporária para apurações criminais e vinculadas as atividades finalísticas da área criminal do MPF”, explica.

O relatório cita os procuradores regionais Januário Paludo, Isabel Cristina Groba Vieira, Antonio Carlos Welter, Carlos Fernando dos Santos Lima e Orlando Martello Júnior. Segundo o documento, eles “somente podiam integrar a operação a partir de suas lotações de origens, sendo sua participação na força-tarefa custeada com o pagamento diárias e passagens quando necessários deslocamentos a ela vinculados”.

O TCU investiga o caso desde 2020. O tribunal diz que foram encontrados indícios de irregularidades. Segundo um relatório interno da Corte, os gastos de diárias e passagens aos procuradores foi de R$ 2,5 milhões entre 2014 e 2021.

Os responsáveis e envolvidos nos gastos estão sendo identificados ao longo do processo e podem apresentar defesa. Se condenados, contam com a possibilidade de ressarcir os recursos gastos, pagar multa ou ficar inabilitado para cargo público ou de confiança na administração pública.

Em abril, a Segunda Câmara do TCU decidiu que houve ilegalidade no pagamento de diárias, passagens e gratificações a procuradores da Lava Jato, em Curitiba (PR). Por unanimidade, a Corte decidiu abriu um processo chamado “tomada de contas especial”, que significa que o impacto aos cofres públicos serão quantificados.

Segundo os ministros do tribunal, os gastos não eram a opção mais econômica para os cofres públicos, sendo a transferência dos procuradores envolvidos a opção mais recomendada. Em nota divulgada à época, a assessoria do ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenou a Lava Jato, disse que o processo é uma “perseguição”. Ele negou irregularidades.

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