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- Por Jéssica Maes | Folhapress
- 25 Nov 2023
- 08:21h
Céu de Manaus em época de queimadas | Foto: Raphael Alves/Fotos
O Brasil emitiu 2,3 bilhões de toneladas brutas de gases de efeito estufa (GtCO2e) em 2022 —queda de 8% em relação a 2021, quando foram lançados na atmosfera 2,5 bilhões de toneladas de carbono.
Mesmo assim, a taxa registrada no último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL) ainda é a terceira maior desde 2005, ficando abaixo apenas de 2019 e 2021, também durante o mandato do ex-presidente.
Os dados são da nova coleção do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), elaborada pelo Observatório do Clima e lançado nestaquinta-feira (23), em Brasília.
A redução nos números do ano passado foi puxada pela queda na taxa de desmatamento na amazônia e por chuvas abundantes que encheram as reservas de hidrelétricas e causaram uma diminuição recorde no acionamento de termelétricas a carvão e gás.
Considerando as emissões líquidas -ou seja, descontando do total de emissões as remoções de carbono feitas por florestas regeneradas, unidades de conservação e terras indígenas- a queda é de 11%: de 1,9 GtCO2e para 1,7 GtCO2e no mesmo período.
Essa medida é a usada pelo governo federal na meta assumida no Acordo de Paris, conhecida como NDC. O compromisso brasileiro é de 1,3 GtCO2e de emissões líquidas em 2025 e de 1,2 GtCO2e em 2030
DESMATAMENTO E AGROPECUÁRIA LIDERAM EMISSÕES
Apesar de uma queda de 15% entre 2021 e 2022, o principal culpado pelas emissões brutas brasileiras continua sendo o setor de mudança de uso da terra (que considera, basicamente, o desmatamento): ele representou 48% do total em 2022, ou 1,12 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente.
A maioria (75%) desse total, 837 milhões de toneladas, veio do desmate na amazônia -que, na comparação com outros biomas, tem áreas maiores devastadas e libera mais carbono devido ao tipo de formação florestal.
Apesar da elevada taxa de desmatamento na amazônia, que ficou em 11,5 mil km² no ano passado, o relatório destaca que a perda da vegetação nativa no cerrado ocorre num ritmo três vezes maior. As emissões no bioma representaram 14% do total do setor, sobretudo devido à alta no desmatamento na região do Matopiba, formada pelos estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
"O desmatamento na amazônia, infelizmente, ainda é o botão de volume das emissões de gases de efeito estufa do Brasil", diz Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e uma das autoras do relatório.
"O novo governo tem agido para reduzir esse volume, o que tem surtido efeito na amazônia, mas vai ser preciso continuar esse esforço de comando e controle e políticas de incentivo à economia sustentável para levá-lo a zero, como prometeu o presidente, assim como incluir outros biomas nessa tendência", afirma.
O segundo setor com maior participação nas emissões brasileiras é o da agropecuária, que respondeu por 27% do total do último ano, com 617,2 milhões de toneladas de gases de efeito estufa (MtCO2e) -alta de 3% em relação a 2021. O número é o maior da série histórica do Seeg, iniciada em 1990.
Esse aumento, o maior para o segmento desde 2003, foi puxado pelo aumento do rebanho bovino, que chegou a 234,4 milhões de cabeças no ano passado, segundo o IBGE (alta de 4,3% em relação ao ano anterior).
Do total de emissões do setor, a pecuária representou 80% (496 MtCO2e) e a agricultura, 20% (121,2 MtCO2e). Desde 1970, segundo o levantamento, as emissões da agropecuária saltaram 191%.
"Somando as emissões por desmatamento e outras mudanças de uso da terra com as do setor agropecuário, conclui-se que a atividade agropecuária responde por 75% de toda a poluição climática brasileira", destaca o relatório.
De acordo com um estudo de 2022, publicado na revista Science, de 90% a 99% do desmatamento tropical são impulsionados pela agropecuária, mesmo que nem toda a área desmatada seja colocada em produção.
QUEDA EM ENERGIAS FÓSSEIS E AUMENTO DE RENOVÁVEIS
Já o setor de energia teve uma queda de 5%, chegando a 412 MtCO2e. A redução foi causada pela queda recorde na geração termelétrica (-49%) devido ao excesso de chuvas. Por sua vez, a geração hidrelétrica cresceu 18%, e a de outras fontes renováveis, como eólica e solar, aumentou 15%.
"Somente essas condições climáticas fizeram com que o Brasil reduzisse o equivalente a 36 milhões de toneladas, ou um Uruguai, na geração de eletricidade. Isso compensou em parte o aumento das emissões dos transportes, que são o maior consumidor de combustíveis fósseis da matriz brasileira", diz Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente, organização responsável pelas contas do setor.
Os setores de resíduos (91 MtCO2e, oscilação de 1% para baixo) e processos industriais (78 MtCO2e, queda de 6%) representaram, respectivamente, 4% e 3% do total de emissões do país em 2022.
A ROTA PARA CUMPRIR PROMESSAS CLIMÁTICAS
As emissões de carbono são a medida usada globalmente para monitorar o avanço do aquecimento global e o cumprimento das NDCs (contribuições nacionalmente determinadas, na sigla em inglês), os compromissos dos países no Acordo de Paris.
Neste ano, o governo federal corrigiu a "pedalada" climática da NDC instituída durante o governo Bolsonaro, que mudava a base de cálculo e permitia um aumento nas emissões brasileiras. Agora, o Brasil voltou a assumir os parâmetros da sua primeira NDC, de 2015.
Para a equipe do Seeg, os objetivos -de 1,3 GtCO2e de emissões líquidas em 2025 e 1,2 GtCO2e em 2030- são alcançáveis. Assumindo que as emissões dos outros setores permaneçam estáveis, a meta de 2025 seria atingida, avaliam, com uma redução de 33% na taxa de desmatamento na amazônia nos próximos dois anos.
No último ciclo avaliado pelo programa Prodes, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de agosto de 2022 a julho de 2023, houve redução de 22,3% no desmate da amazônia na comparação com o período anterior.
"[A projeção para 2025] é desafiadora, mas factível, dado que boa parte dessa redução pode ser realizada através do corte do desmatamento a patamares já alcançados no Brasil no passado, particularmente entre 2009 e 2012", afirma David Tsai, coordenador do Seeg.
Já a meta de 2030 "poderia ser excedida em muito, caso o governo cumpra a promessa de Lula de zerar o desmatamento", escreve o grupo responsável pelo Seeg.
Logo em sua primeira viagem internacional após a eleição de 2022, para a COP27, a cúpula do clima da ONU, no Egito, Lula afirmou que não mediria esforços para alcançar o desmatamento zero em todos os biomas do país até o final da década. O mandato atual vai até o final de 2026.
Se o desmatamento realmente acabar até 2030, os pesquisadores projetam que as emissões líquidas naquele ano serão de 685 milhões de toneladas -número 43% menor do que a meta atual.
"Se o governo estiver falando sério sobre ser o grande defensor da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima da média pré-industrial, terá de aumentar a ambição da NDC atual já para 2030, como todos os grandes emissores precisam fazer", diz Tsai.
O Brasil é o sexto maior poluidor climático, com 3% do total global, ficando atrás de China (26%), EUA (11%), Índia (7%), Rússia (3,8%) e Indonésia (3%). Se a União Europeia (6%) for tratada como um país, o Brasil se torna o sétimo maior emissor.
Ao longo deste ano, o desmate tem caído na floresta amazônica, mas bate recordes no cerrado, segundo dados do Inpe. Além disso, o governo petista vem incentivando o aumento da exploração de combustíveis fósseis, como petróleo e gás.
Sobre isso, Tsai explica que, como esse aumento na produção seria para exportação e a maior parte das emissões destes fósseis acontece durante a queima, não na produção, esse montante entraria para a conta dos países que estão comprando e usando esses combustíveis.
"O que vai acontecer é que o Brasil vai estar exportando emissões", afirma ele. "Claro que isso não quer dizer que o Brasil está livre para produzir petróleo, porque isso acaba sendo uma incoerência lógica do ponto de vista de contribuir com uma economia global descarbonizada."
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- Por Maria Paula Giacomlli | Folhapress
- 24 Nov 2023
- 13:32h
Foto: Reprodução / Instagram
Os acontecimentos sinistros no Rio de Janeiro durante a passagem de Taylor Swift pela cidade, na última semana, assustaram o mundo e chegaram ao ponto de afetar o bem estar mental de fãs da cantora. Uma das swifties presentes na apresentação da última sexta-feira (17), no Engenhão, era Mariana Marcarini, 23.
Foi neste show que morreu Ana Clara Benevides, jovem que passou mal quando Taylor cantava a segunda música, "Cruel Summer". Ela chegou a ser levada para o hospital, mas foi vítima de parada cardiorrespiratória. Mariana ficou bastante impactada quando soube do ocorrido.
Ela havia saído de Guarulhos, São Paulo, e estava hospedada no bairro de Copacabana. Além do show no Rio, Mariana também tinha planos de assistir às três apresentações de Taylor em São Paulo, que acontecem em 24, 25 e 26 de novembro.
Mais do que planos, Mariana tinha em mãos os disputados ingressos para todos esses dias. Ela foi uma das milhares de pessoas que passaram mal no Engenhão no último dia 17, em meio a sensação térmica de 60ºC, e perdeu mais da metade do show na enfermaria. "Mediram minha pressão e me deram um remédio sublingual ("Clonazepan", me disse a moça que me atendeu) e mais um para enjoo", conta.
Mariana voltou para Guarulhos abalada e decidiu vender as entradas para os dois primeiros shows em São Paulo. Diz que só vai à apresentação de domingo (26) se sua mãe a acompanhar.
"É certeza que minha mãe vai, estou contando com isso. Mas, se realmente acontecer algo e ela não for, prefiro não ir também. Não vou encarar outro show desses sozinha de jeito nenhum, por mais fã da Taylor Swift que eu seja."
Ela conta que a morte da fã de Taylor Swift a fez temer por ocorrências ruins. "Fiquei com isso na cabeça, pensando que poderia ter sido eu. Desde então estou muito mal, tive crises de pânico, e isso me fez querer desistir de ir aos shows de São Paulo. Estou tentando ao máximo me acalmar, tirei as notificações do X (antigo Twitter) porque só tem notícia ruim e isso me fazia piorar."
- Por Folhapress
- 23 Nov 2023
- 15:29h
Foto: Reprodução / G1
Um prédio desabou na manhã desta quinta-feira (23) em Gramado (RS), após dias de chuva na região. O desmoronamento ocorreu às 5h40 no bairro Três Pinheiros. O local está isolado pela prefeitura após aparecimento de rachaduras.
A edificação, que tinha cinco pavimentos, estava interditada pela Defesa Civil desde 18 de novembro. Cerca de 100 pessoas moravam no prédio, segundo a agência meteorológica MetSul.
Ninguém ficou ferido na ocorrência e a área segue isolada. Equipes do Corpo de Bombeiros, Brigada Militar e Polícia Civil estão no local.
CHUVAS NO RS
Até o momento, 24 mil pessoas estão desalojadas no Rio Grande do Sul devido às chuvas. O dado foi divulgado ontem pela Defesa Civil.
Cinco pessoas morreram desde o retorno das chuvas no estado. Duas mortes foram causadas por outro desmoronamento em Gramado.
Ao todo, 13 rodovias estaduais estavam completamente interditadas na manhã de hoje. Outras 10 estão parcialmente bloqueadas por deslizamento de terras, comprometimentos de pontes e aumento do nível dos rios.
Vias interditadas, segundo a Defesa Civil:
VRS-817, km 10, em Alto Alegre
RSC 480, km 01, em Nonoai
ERS 550, km 23, em Pirapó
ERS 324, km 51, entre Planalto e Nonoai
ERS 453, km 74, em Boa Vista do Sul
ERS 129, km 50, em Colinas
RSC 453, Acesso 9130, km 03, em Imigrante
ERS 130, km 37, em Venâncio Aires
VRS 851, km 09, entre Nova Bassano e Serafina Corrêa
ERS 448, km 23, em Nova Roma do Sul
ERS 122, km 41, entre São Vendelino e Farroupilha
ERS 431, km 13, em Bento Gonçalves
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- Bahia Notícias
- 23 Nov 2023
- 13:27h
Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Flickr
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para a viagem de 10 dias que fará por países do Oriente Médio e pela Alemanha. O petista embarcará para o tour internacional na segunda-feira (27). No roteiro, estão previstas vistas a Arábia Saudita, Catar, Dubai (onde participará da COP28) e Berlim.
Pacheco sinalizou que deve aceitar o convite. Aliados ponderam, contudo, que ele pode mudar de ideia, caso Lula envie sua indicação para a PGR antes da viagem, conforme publicado pelo Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.
Nesse caso, dizem esses aliados, Pacheco pode acabar optando por ficando no Brasil para organizar a sabatina e a votação da indicação do novo PGR no Senado.
- Bahia Notícias
- 23 Nov 2023
- 09:10h
Foto: YouTube
A família do produtor Henrique Bahia, que faleceu no acidente aéreo que vitimou Marília Mendonça e outras quatro pessoas, entrou em um acordo com a empresa Sentimento Louco Produções Artísticas, responsável pelo espólio da sertaneja, para o pagamento de uma pensão vitalícia paga pela família Mendonça para o filho de Bahia.
O acordo foi revelado pelo jornalista Leo Dias, após uma decisão judicial publicada na última quarta-feira (22), que colocou fim nos trâmites que corriam desde julho, após o processo movido pelos parentes de Bahia contra a equipe da cantora para que os direitos do filho do produtor fossem garantidos.
Na ação, o empresário pedia o reconhecimento do vínculo empregatício com a cantora. Na época, George Bahia, pai de Henrique, se pronunciou nas redes sociais sobre o caso. “Que a Justiça seja feita e que reconheçam o seu vínculo empregatício, em nome do seu legado, do seu profissionalismo e de tudo que você representou para os que trabalharam e conviveram com você!”.
- Por Idiana Tomazelli | Folhapress
- 23 Nov 2023
- 07:52h
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desistiu de contar com R$ 12,6 bilhões em repasses de depósitos judiciais da Caixa Econômica Federal para fechar as contas de 2023 e adiou essa receita para 2024.
A justificativa do Executivo é que a transferência pode não se concretizar ainda neste ano.
O efeito colateral da decisão é conveniente à equipe econômica, uma vez que ajuda no cumprimento da meta de déficit zero no ano que vem -pressionada por frustrações nas medidas de arrecadação extra no Congresso Nacional- sem grande risco de descumprir o objetivo de 2023.
Com a retirada do valor das estimativas do Orçamento de 2023, o governo deve ter um rombo de R$ 177,4 bilhões neste ano, ou R$ 203,4 bilhões aos olhos do Banco Central, órgão responsável pelo cálculo oficial das estatísticas de finanças públicas.
A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) autoriza um rombo de até R$ 213,6 bilhões, o que corresponde a 2% do PIB.
A retirada dos depósitos da Caixa tem potencial para gerar ruído com o TCU (Tribunal de Contas da União).
Os procedimentos para contabilizar novas receitas e despesas no Orçamento seguem uma série de regras e passam por uma fiscalização criteriosa do tribunal, que cobra do Executivo algum grau de segurança e rigor nas estimativas incluídas no Orçamento -uma vez que elas balizam decisões como liberar ou frear gastos.
A inclusão das receitas com os depósitos, antes mesmo de a União ter certeza se o dinheiro deveria mesmo ser repassado à União, já era considerada controversa nos bastidores.
Agora, a retirada dos valores deve suscitar questionamentos de por que, em primeiro lugar, o governo decidiu contabilizá-las, apesar dos riscos.
Os valores totais dos depósitos já estão mais próximos dos R$ 15 bilhões, mas a Caixa pediu um prazo até abril de 2024 para concluir a auditoria sobre o tema.
Dos valores já mapeados, R$ 7,7 bilhões são "seguramente de interesse da União", ou seja, são depósitos ligados a ações que envolvem órgãos da União e, por isso, devem ser repassados à conta única do Tesouro.
Outros R$ 7,2 bilhões são considerados "depósitos possivelmente de interesse da União". Os R$ 3,14 bilhões restantes ainda não foram classificados.
Em entrevista coletiva, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que a Receita Federal optou pela retirada do valor diante de obstáculos operacionais para garantir o recebimento ainda em 2023. Ele afirmou ainda que o TCU vem acompanhando o tema em conjunto com o governo federal.
Segundo Ceron, a AGU (Advocacia-Geral da União) emitiu um ofício nesta terça-feira (21) informando que R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões devem, ainda assim, ingressar nos cofres do Tesouro em 2023, o que, se confirmado, ajudará no resultado efetivo das contas.
O secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Paulo Bijos, disse encarar o ingresso e posterior retirada da arrecadação do Orçamento como "um evento natural", demonstrando ceticismo com potenciais ruídos em torno do tema.
"Todas as informações são tranquilas no sentido de que agora, diante de dificuldade operacional, a receita não entraria necessariamente em 2023", afirmou.
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- Por Alexa Salomão | Folhapress
- 22 Nov 2023
- 13:24h
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O setor de energia se mobilizou nesta terça-feira (21) para se posicionar contra uma MP (medida provisória) que prorrogaria subsídios e criaria custos adicionais para conta de luz, elevando ainda mais essa despesa para famílias e empresas.
Fontes que acompanham a redação do texto afirmam que os itens que serão incluídos ainda estão em discussão, mas o que foi vazado causou impacto no setor.
O que se conta é que a Casa Civil trata da redação, mas, como um texto do gênero demanda apoio do MME (Ministério de Minas e Energia), a pasta também passou a discutir o conteúdo.
A Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a Abrace Energia e a União Brasil Energia, entidades que representam pequenos e grandes consumidores, incluindo as maiores indústrias do Brasil, enviaram cartas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao vice-presidente Geraldo Alckmin solicitando que não assinem a medida provisória.
"Nós confiamos que todas as medidas seriam discutidas com transparência com o setor e estamos surpresos com o procedimento adotado. Nossa carta é para pedir ao presidente Lula que escute quem paga essa conta", diz Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente.
"Ainda não sabemos se e como a MP vai sair, mas a prorrogação de subsídios vai na contramão do interesse do consumidor e da modernização do setor elétrico", afirmou Paulo Pedrosa, presidente da Abrace.
A Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia) divulgou nota afirmando que recebeu com "assombro" a possibilidade de prorrogação de subsídios. O Fase (Fórum das Associações do Setor Elétrico), que reúne 32 associações, enviou carta contra a MP ao ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Houve reação até do segmento de mercado livre. "É surpreendente que a gente esteja tratando desse assunto quando a fala do ministro diz exatamente o contrário, que é preciso reduzir a tarifa", diz Rodrigo Ferreira, presidente da Abraceel (Associação dos Comercializadores de Energia Elétrica).
É dado como certo que a MP vai prever a extensão por 36 meses do desconto de 50% para projetos de geração renovável pelo uso do fio da transmissão —Tust e Tusd (sigla para tarifas de uso do sistema de transmissão e de distribuição).
A diferença do valor é dividida pelos demais consumidores. Pela regra atual, tem direito ao desconto quem protocolou projetos até março de 2022.
Estimativa preliminar da Abrace aponta que a extensão levaria a um adicional de R$ 6 bilhões ao ano dentro da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que reúne subsídios do setor e são pagos na conta de luz.
O valor da CDE para ano que vem, sem esses novos custos, já está estimado em R$ 37,2 bilhões, 6,5% acima da conta deste ano.
A prorrogação do desconto do fio foi defendida inclusive por governadores do Nordeste. O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste enviou ofício a Lula, ainda em maio deste ano, relatando que atrasos na finalização de novas linhas de transmissão comprometiam a viabilidade dos parques eólicos e solares e defendendo que seria mais adequado estender o desconto do fio.
Especialistas do setor são unânimes em afirmar que hoje fontes renováveis são rentáveis, não necessitando de incentivos, e que subsídios apenas ajudam as empresas do setor a ter lucros maiores.
O deputado Danilo Fortes (União Brasil-CE), que acompanha as discussões, afirmou à Folha que a medida provisória trata especificamente da prorrogação do desconto do fio para casar o prazo de conclusão do parque de energia renovável com a conclusão das obras de linha de transmissão de energia.
"Venho defendendo essa medida desde o fim do ano passado e ela vai viabilizar R$ 60 bilhões em investimentos no Nordeste", afirmou.
Também circula a informação de que o governo cogita dar andamento a outros temas, que poderiam ou não ser incluídos na MP, e todas as alternativas acabam criando algum custo adicional para a conta de luz.
Existe quem defenda que a MP possa atender outras demandas, que hoje estão alocadas em projetos ainda em tramitação no Congresso. Uma leva de medidas, por exemplo, já está no substitutivo do projeto de lei 11.247, de 2018, que cria o marco regulatório das eólicas offshore.
O relatório do deputado Zé Vitor (PL-MG) saiu há alguns dias, e a análise do conteúdo tem causado surpresa entre especialistas.
Uma das medidas que estão no relatório e eventualmente poderia ser incluída na MP é a permissão para que aportes da Eletrobras em fundos setoriais possam ser utilizados no abatimento de aumentos tarifários extraordinários acima de 15%. Essa emenda poderia aliviar especialmente a conta de luz do Amapá, que vem causando polêmica e há pressa em solucionar o problema.
A Equatorial Energia comprou a antiga CEA (Companhia de Energia do Amapá) em 2021. A concessionária estava endividada e o novo contrato de prestação de serviços exige altos investimentos.
Para cumprir todas as demandas, a empresa teve direito a fazer um reajuste extraordinário, estimado em 44,41%, pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Em agosto, o próprio presidente Lula, em entrevista a rádios da região, criticou a privatização da distribuidora durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e acusou a Equatorial de assaltar o consumidor do estado.
Aos ouvintes Lula disse que trataria do tema com carinho e buscaria soluções. Neste mês, a questão esquentou. Foi debatida na Comissão de Infraestrutura do Senado.
O projeto também traz alternativas para viabilizar as chamadas térmicas jabutis da lei de privatização da Eletrobras.
Trata-se da obrigatoriedade de instalar 8 GW (gigawatts) de usinas a gás onde não há gás ou mercado consumidor, o que demandaria a construção de gasodutos para levar o insumo e de linhas de transmissão para direcionar a energia até centros consumidores.
Procurados pela Folha para explicar as propostas, Casa Civil e Ministério de Minas e Energia não responderam até a publicação deste texto.
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- Por Constança Rezende | Folhapress
- 22 Nov 2023
- 07:40h
Foto: Roberta Aline / MDS
A área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) encontrou 4,75 milhões de beneficiários irregulares no Bolsa Família até meados deste ano, o que equivale a mais de um quinto do público do programa.
Os técnicos concluíram que 22,5% das famílias não atendiam aos requisitos até maio de 2023, um mês antes de medidas de correção terem sido tomadas pelo governo. Entre as irregularidades, estão inconsistências de endereço, de renda e de composição familiar.
De acordo com o tribunal, as irregularidades poderiam gerar um prejuízo de R$ 34 bilhões aos cofres públicos neste ano caso nada fosse feito. As informações estão em um relatório obtido pela Folha e que será votado nesta quarta-feira (22) pelos ministros.
A auditoria foi realizada no CadÚnico (Cadastro Único) e fiscalizou R$ 285 bilhões de recursos do Bolsa Família entre janeiro de 2019 e junho de 2023.
Também foi constatado, por meio de cruzamento de dados do CadÚnico com dados de estados e municípios, a existência de 29,8 mil CPFs inválidos e 283 mil registros com indício de óbito.
Desde o início do ano, a União tem fechado o cerco contra possíveis fraudes no benefício. O principal motivo foi o crescimento do total de famílias de uma só pessoa que passaram a receber o Bolsa Família a partir de julho de 2022, ano em que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou a reeleição.
Em abril, houve bloqueio de 1,2 milhão de benefícios por cadastro desatualizado. Dados mais recentes, de outubro, apontam desligamento de 297,4 mil famílias do Bolsa Família por não atenderem às regras.
Os técnicos do TCU apontam como problemas no Bolsa Família a autodeclaração sem os devidos controles, além de falhas de supervisão e monitoramento de dados por parte do Ministério do Desenvolvimento Social.
Também dizem haver apoio e capacitação deficientes, verificação domiciliar de dados inadequada e diversas falhas na execução das atividades relacionadas ao programa nos municípios.
O órgão propôs, entre as medidas para sanar os problemas, que sejam estabelecidos sistemas de supervisão e monitoramento das gestões estadual e municipal nas atividades do Cadastro Único.
Além disso, que a pasta crie uma sistemática de avaliação periódica dos dados. Os técnicos também sugerem que o governo elabore estratégias mais eficientes de comunicação, capacitação e de apoio aos agentes do cadastro na esfera municipal.
Foi sugerido ainda informar ao Congresso Nacional as conclusões da auditoria para aprimorar a legislação sobre o assunto. Se o relatório for aprovado, o TCU fará o monitoramento das recomendações para garantir a implementação das medidas propostas.
No final de outubro, o governo federal criou um órgão específico para fiscalizar e combater fraudes no programa.
Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, no entanto, o desconhecimento nos municípios sobre as regras do programa Bolsa Família e o apagão de investimentos na rede de assistência nos últimos anos desafiam o atual governo na tarefa de revisar e atualizar o Cadastro Único de programas sociais.
A medida é considerada crucial para fazer os benefícios chegarem a quem realmente precisa, mas tem esbarrado na desinformação, na falta de capacitação dos agentes que atuam na ponta e no desmonte dos centros de atendimento.
O desafio do governo é identificar, com precisão, quem tem direito ao benefício e quem está burlando o cadastro, corrigir os problemas e incluir quem precisa e ainda está fora do alcance dos programas.
Tudo isso em um contexto de reestruturação da rede Suas (Sistema Único de Assistência Social), que foi sucateada. Os repasses caíram de R$ 2,4 bilhões em 2019 para R$ 905,7 milhões em 2022. No Nordeste, três municípios dividiram um único assistente social.
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- Bahia Notícias
- 21 Nov 2023
- 17:23h
Foto: Reprodução / SporTV
O ex-jogador Romário analisou o nível de Neymar na Seleção Brasileira, durante entrevista ao programa Boleiragem do canal fechado SporTV, na noite desta segunda-feira (20). Para o tetracampeão da Copa do Mundo, o atual dono da camisa 10 ainda não chegou ao seu patamar, que também conta com ídolos como Pelé, Zico e Ronaldo Fenômeno. Porém, ele vê potencial no astro do Al-Hilal, da Arábia Saudita.
"Não. Os números [com a seleção] são impressionantes. Ele é merecedor, um dos maiores que vi jogar com a seleção brasileira, mas quando fala de alto nível, de patamar bem acima, para mim ainda falta um pouquinho. Mas ainda pode chegar, mesmo tendo 30 e poucos anos, tem condição de chegar nesse patamar", declarou.
Aos 31 anos, Neymar é a maior referência técnica do atual elenco da Seleção. O atacante ficou de fora da última lista de convocados para a da Data Fifa deste mês de novembro por estar se recuperando de uma lesão joelho, sofrida durante a derrota do time Canarinho para o Uruguai no último dia 17 de outubro, pelas eliminatórias. Romário destacou a importância do craque para o selecionado.
"Neymar é, para mim, e ainda vai ser por alguns anos, o grande nome que temos na seleção. Um cara que faz falta, por mais que não tenha atingido esse alto nível, atribuo isso também à falta de uma Copa do Mundo. Confio nele, tenho esperança que pode resolver nosso problema na nossa Copa", afirmou.
Sem Neymar, o Brasil encara a Argentina no clássico desta terça (21), às 21h30, no Maracanã, pela sexta rodada das eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O time Canarinho é o quinto colocado na tabela de classificação com sete pontos, dois a mais do que o Paraguai, que é o sétimo e está fora da zona de que dá vaga direta ao Mundial. Com 12, os argentinos ocupam a liderança isolada do certame.
- Bahia Notícias
- 21 Nov 2023
- 13:07h
Foto:Instagram/Bahia Notícias
O dia 20 de novembro, que deveria ser de celebração com a data da Consciência Negra, acabou sendo de decepção e ataques para a cantora Ludmilla, que foi alvo de ofensas racistas nas redes sociais.
Em texto publicado nas redes sociais, a funkeira falou sobre a exaustão em rebater as ofensas de cunho racial que sofre diariamente.
"Mais um dia da Consciência Negra no Brasil, mais um ano em que, na teoria, o mês de novembro faz com que o mundo nos olhe e ouça mais. Acontece que, na prática, veio à tona, nos últimos dias, um recorte do racismo que sofro em minha rotina, principalmente depois que me tornei artista. Um ódio gratuito jogado em mim por perfis racistas “vestidos” de fãs, que nem de longe lembram o público que gosta de música de verdade”, escreveu.
A cantora revelou que a equipe jurídica estava trabalhando para identificar os responsáveis pelas ofensas e para tomar as medidas cabíveis. “Minha equipe jurídica já está em ação para identificar os responsáveis por esta enxurrada de ataques, assim como a equipe da plataforma, que já foi acionada e já excluiu os posts denunciados”.
No desabafo, Ludmilla afirmou ainda que apesar da exaustão, não irá recuar nem deixar de ser quem ela é por causa dos ataques, mas demonstrou a frustração de ter que lutar contra algo que não deveria existir.
“Não dá mais para eu ter que responder por algo que fizeram comigo. Quem tem que falar ou mostrar a cara é quem faz isso, assim, impunemente. Exausta é pouco, mas não vou recuar - continuarei existindo e brilhando, doa a quem doer - e, mais uma vez, deixo aqui registrado: não há o que celebrar no dia 20 de novembro.”
- Bahia Notícias
- 21 Nov 2023
- 11:45h
Foto: Agência Brasil
Ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alertaram o presidente de que a demora na indicação de um procurador-geral da República poderá dificultar a aprovação do nome este ano e esticar pelo menos até fevereiro o mandato da PGR interina, Elizeta Ramos.
Lula havia sinalizado que indicaria na semana passada. Depois, o prazo passou para para esta segunda-feira (20). Com isso, ministros seguem na expectativa de que a indicação ocorra em breve. As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.
Até agora, não houve nenhum grande problema com Elizeta Ramos, mas alguns gestos indicaram ao Planalto que isso pode não perdurar por muito tempo. E, no recesso do Congresso, pode não ser possível aprovar às pressas um PGR e interromper com rapidez uma eventual mudança de rumo de Elizeta.
- Por Gabriel Vaquer/Folhapress
- 21 Nov 2023
- 09:38h
Foto: Divulgação/Globo
O STF (Supremo Tribunal Federal) negou na última sexta-feira (17) o afastamento da promotora Isabela Jourdanda Cruz Moura, do Ministério Público do Rio, pedido pelo humorista e ex-diretor da Globo Marcius Melhem.
Melhem acusava Isabela de ser parcial na condução das investigações sobre seus casos de assédio envolvendo o núcleo de humor da emissora entre 2015 e 2020. O ator também solicitava a suspensão da ação em que é réu por assédio sexual a três mulheres enquanto chefe na empresa de televisão.
O pedido foi negado pelo ministro Gilmar Mendes. Na sua visão, não ficaram comprovados vícios no caso, ou mesmo qualquer problema na investigação liderada por Isabela durante o período que comandou as investigações.
Melhem alega que Isabela atuava no caso por apenas 50 dias quando inquérito foi concluído, e que não poderia se inteirar sobre ele em tão pouco tempo.
"No caso concreto, não houve violação ao princípio do promotor natural, na medida em que a designação da promotora de justiça não se deu por meio de manipulações casuísticas e em desacordo com os critérios legais pertinentes, mas para o bom andamento do serviço, na condição de simples auxiliar", decidiu Gilmar.
Marcius Melhem virou réu na TJ-RJ por três casos de assédio sexual na Globo, que começaram a ser denunciados em 2019, após relatos de Dani Calabresa. O caso da humorista e de outras quatro denunciantes foram arquivados por uma questão jurídica.
O Ministério Público teria avaliado que a denúncia feita por Dani contra Melhem seja de importunação sexual. O crime não existia em 2017, quando o suposto ato teria ocorrido. À época, a lei só previa assédio sexual.
Procurada, a defesa de Marcius Melhem não se pronunciou até a atualização da reportagem.
- Bahia Notícias
- 20 Nov 2023
- 18:25h
Foto: Instagram/Bahia Notícias
Um perfil dedicado a cantora norte-americana Taylor Swift mobilizou a internet com uma vaquinha para arrecadar fundos na tentativa de custear o translado do corpo de Ana Clara Benevides, fã que morreu durante o 1º show da intérprete de ‘Cruel Summer’, na última sexta-feira (17), no Rio de Janeiro.
O perfil Update Swift Brasil, que se descreve como a principal fonte de informações sobre a cantora e compositora no país, e tem o apoio da Universal Music Brasil, iniciou a campanha após a mãe de Ana Clara, Adriana Benevides, revelar que a T4F (Time For Fun) não prestou auxílio financeiro para que o corpo da filha fosse levado para o Mato Grosso, onde a família vive, para ser velado.
“É com pesar que informamos que a família de Ana teve que recorrer a um empréstimo para possibilitar seu retorno para casa. Infelizmente a T4F segue decepcionando e não ofereceu suporte nessa questão. A família e amigos próximos disponibilizaram uma forma de ajudarmos. Neste momento tão difícil, contamos com a nossa união para conseguirmos proporcionar um auxílio necessário e certo consolo. Cada contribuição fará diferença para superarmos juntos esse desafio.”
Em menos de 24 horas após o apelo, o perfil informou que o valor arrecadado pelos fãs conseguia ajudar a família. “Graças a todos vocês que ajudaram, a família da Ana entrou em contato conosco e nos informou que as doações já cobrem todos os custos. Obrigada a todos que contribuíram doando ou espalhando a notícia.”
Por meio de vídeo, a mãe de Ana Clara agradeceu a ajuda e a mobilização dos fãs. ”Ontem a gente iniciou uma vaquinha pedindo ajuda. Graças a Deus. agora de manhã a gente já conseguiu. Nós conseguimos o valor que dá para fazer tudo que a gente queria. Graças a Deus, foi muita gente que doou. E eu quero que Deus abençoe todos vocês”, afirmou em vídeo.
Esta não foi a primeira mobilização do fã clube. No dia seguinte à morte de Ana Clara, o perfil se movimentou na web para conseguir doações de água para os fãs na fila, além de ter feito a campanha para arrecadar donativos para homenagear Taylor com uma projeção no Cristo Redentor. Foram arrecadados panetones e água para doar para pessoas carentes nas ruas do Rio.
- Por Renato Machado | Folhapress
- 20 Nov 2023
- 16:31h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), Paulo Pimenta, disse nesta segunda-feira (20) que o presidente eleito da Argentina, Javier Milei, deveria ligar para se desculpar com o o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pimenta se referia às séries de declarações que Milei proferiu contra o brasileiro, quando, por exemplo, chamou o brasileiro de corrupto.
"Eu [se fosse o presidente Lula] não ligaria [para parabenizar Milei]. Só depois que ele me ligasse para me pedir desculpa, ofendeu de forma gratuita o presidente Lula, cabe a ele um gesto como presidente eleito, de ligar para se desculpar. Depois que acontecesse isso, eu pensaria na possibilidade de conversar", afirmou Pimenta.
Neste domingo (19), o ultraliberal Javier Milei, 53, foi eleito presidente da Argentina, superando o candidato governista, o atual ministro da Economia, Sergio Massa. Milei impôs ao peronismo sua quarta derrota em 40 anos de democracia.
Durante a campanha, Milei proferiu uma série de ataques contra o presidente Lula. Disse que, se eleito, não negociaria com o brasileiro. Um dos momentos de maior tensão foi quando o ultraliberal chamou o petista de corrupto e comunista, além de acrescentar que não pretendia encontrá-lo, caso seja eleito, durante entrevista a um jornalista peruano.
"Um comunista", afirmou Milei, ao que o jornalista acrescentou: "E um grande corrupto, não?".
"Por isso esteve preso", respondeu Milei.
- Por Marianna Holanda, Renato Machado e Nathália Garcia | Folhapress
- 20 Nov 2023
- 14:34h
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê na vitória de Javier Milei na Argentina, neste domingo (19), uma derrota para a região, e teme pelo futuro do Mercosul.
Do ponto de vista político, Milei está mais próximo de uma direita que faz oposição não só ao governo petista no Brasil, como a outros aliados, e critica o fortalecimento da região em bloco.
Além disso, auxiliares de Lula comparam a disputa à eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018 e dizem ser a pior derrota da história do peronismo.
O petista não ligou para o presidente eleito, mas falou em democracia, desejou sorte e êxito ao novo governo nas redes sociais — sem citar Milei diretamente. Bolsonaro, por sua vez, parabenizou o aliado e disse que a "esperança voltou a brilhar".
Chamou a atenção de governistas brasileiros, sobretudo, a margem na eleição, muito superior à esperada para Milei. O economista e deputado foi eleito com 55,8% dos votos válidos, contra 44,19% de Sergio Massa, com 94,09% das urnas apuradas.
Ainda candidato, Milei chegou a afirmar em entrevista que deixaria o Mercosul, em caso de vitória. Membros da equipe econômica ouvidos pela Folha consideram que a vitória traz mais incerteza para o cenário regional e para o avanço de acordos comerciais, como a negociação entre o Mercosul e a União Europeia.
Agora, interlocutores do chefe do Executivo e integrantes da equipe econômica dizem que resta saber se ele manterá o discurso radicalizado após eleito.
Disso também dependerá a postura do governo brasileiro. Auxiliares palacianos afirmam que Lula não atuará ou falará publicamente contra o novo presidente argentino. Poderá ser mais crítico, por exemplo, se ele acabar com a tarifa externa comum.
Nas últimas semanas, a campanha de Milei enviou recados ao governo brasileiro, por meio de sua embaixada, no sentido de abaixar ânimos e dizer que a relação com o país é muito relevante para a Argentina.
Auxiliares de Lula dizem não saber se ele participará da posse de Milei, em 10 de dezembro, mas muitos defendem que ele não vá, para evitar desgastes. Até mesmo porque há dúvidas se ele receberá convite do argentino.
Há uma leitura, entre diplomatas e auxiliares palacianos, de que dificilmente vitória do ultraliberal representaria um retrocesso tão expressivo nas relações bilaterias entre os dois países, que já estariam consolidadas. A Argentina é o principal parceiro comercial da América do Sul.
A postura pública de Milei, contudo, ainda deixa dúvidas sobre como ele atuará. Durante a campanha, ele chamou o bloco de "união aduaneira defeituosa" e disse que a Argentina "seguiria seu próprio caminho".
Ele, que se autodeclara um "anarcocapitalista", diz discordar de qualquer tipo de intervenção de um Estado sobre as transações comerciais de outro.
Depois do primeiro turno, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse que estava acompanhando o pleito argentino "com interesse" devido ao Mercosul e defendeu na ocasião a integração regional.
Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu do governo argentino a presidência temporária do bloco econômico, com mandato até o fim de 2023, tendo a retomada da integração sul-americana como prioridade.
Segundo o governo brasileiro, o Mercosul movimentou US$ 46,1 bilhões no comércio interno em 2022. Já o intercâmbio comercial com o restante do mundo foi de US$ 727 bilhões no ano passado, dos quais US$ 398 bilhões referem-se a exportações. Os principais destinos das vendas do bloco são China, Estados Unidos e Países Baixos.
Milei disse também durante a campanha eleitoral que pretendia limitar o comércio com o Brasil. Hoje, a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do país, atrás apenas de China e Estados Unidos.
Neste ano, de janeiro a outubro, o superávit comercial do Brasil com a Argentina chegou a US$ 4,75 bilhões. No período, as vendas para os argentinos cresceram 12,5% e atingiram US$ 14,9 bilhões, enquanto as importações caíram 7,1% e chegaram US$ 10,15 bilhões.
Politicamente, a vitória de Milei também não é boa para o presidente Lula (PT). O então candidato, além de receber apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), manteve uma retórica de ataques ao presidente, a quem chamou de "corrupto" e ameaçou com a ruptura de relações com o Brasil.
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A esperança volta a brilhar na América do Sul. - Que esses bons ventos alcancem os Estados Unidos e o Brasil para que a honestidade, o progresso e a liberdade voltem para todos nós.
Lula, por sua vez, evitou confronto direto com Milei. No entanto, na reta final da corrida, reagiu pedindo que os argentinos escolhessem alguém que goste de democracia, num claro recado de sua preferência, apesar de não citar o nome do candidato.
Seus ministros foram mais vocais e celebraram o resultado do primeiro turno, que terminou com o governista Sergio Massa à frente. Alguns chegaram a postar fotos com Massa.
Ao longo da campanha, o candidato ultraliberal atacou por diversas vezes Lula e acusou o mandatário e o governo brasileiro de buscar influenciar nas eleições argentinas.
Um dos momentos de maior tensão foi quando Milei chamou o petista de corrupto e comunista, além de acrescentar que não pretendia encontrá-lo, caso seja eleito, durante entrevista a um jornalista peruano.
"Um comunista", afirmou Milei, ao que o jornalista acrescentou: "E um grande corrupto, não?".
"Por isso esteve preso", prosseguiu.
Milei também já acusou Lula de financiar a campanha de seu adversário, durante entrevista à emissora de televisão La Nación+. O candidato não apresentou nenhuma prova.
Em entrevista à revista britânica The Economist, Milei também disse que Lula promove "aberrações" em seu governo, atacando a liberdade de imprensa, perseguindo a oposição e jornalistas que "não seguem a linha promovida pelo governo".
O governo do presidente Lula resistiu a entrar em discussão com Milei, seguindo a lógica de que o confronto poderia dar mais destaque para o candidato e munição para as acusações de interferência.
No primeiro turno, contudo, ministros acabaram se posicionando, com mais ou menos contundência. Alexandre Padilha (Relações Institucionais) foi mais direto e parabenizou Sergio Massa pela posição após a primeira etapa do pleito. E acrescentou que estava "na torcida para que aqueles que desprezam a vida e a democracia sejam derrotados", escreveu em rede social.
O chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), Paulo Pimenta, também usou suas redes sociais para afirmar que o resultado do primeiro turno era uma "forte resposta do povo argentino".
"Uma forte resposta do povo Argentino nas urnas hoje. Parabenizo o primeiro colocado na eleição desse domingo, @SergioMassa. Viva a democracia", escreveu o ministro, postando uma foto ao lado de Massa.
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O presidente Lula esteve fora do embate na maior parte da campanha eleitoral argentina, mas na reta final decidiu fazer críticas veladas a Milei, ao sugerir que um presidente argentino precisa "gostar de democracia" e "gostar do Mercosul".
Logo após Milei falar que não negociaria com Lula, o brasileiro disse que Brasil e Argentina precisam estar juntos "sem divergência". As falas aconteceram durante a sua transmissão na internet, o Conversa com o Presidente. Como foi questionado pelo entrevistador, representante de uma empresa pública, a situação transmissão a impressão de que o presidente quis abordar essa questão.
"Quando a gente tiver divergência, senta em uma mesa e negocia e acaba com a divergência. Foi assim que eu convivi com a Argentina até agora", afirmou Lula, durante a transmissão.
O presidente brasileiro então acrescentou que Brasil e Argentina são interdependentes, com um país sendo responsável pela geração de emprego no vizinho. E disse que ambos os países podem crescer juntos.
"Para isso é preciso ter um presidente que goste de democracia, que respeita as instituições, que goste do Mercosul, que goste da América do Sul, e que pense na criação de um bloco importante", afirmou.
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