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Índia entra em estado de emergência em surto do vírus letal Nipah e deixa 100 pessoas em quarentena

  • Bahia Notícias
  • 27 Jan 2026
  • 16:38h

Foto: Reprodução / Shutterstock

A Índia entrou em alerta após a confirmação de um surto do vírus letal Nipah no estado de Bengala Ocidental. Até o momento, cinco casos foram registrados, todos envolvendo médicos e enfermeiros ligados a um mesmo hospital. Quase 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena, e os pacientes estão sendo tratados em Calcutá, capital do estado. Um deles está em estado crítico, segundo informou o departamento de saúde local.

 

O vírus Nipah (NiV) circula principalmente entre morcegos do gênero Pteropus, que se alimentam de frutas, mas pode ser transmitido a outros animais e a humanos por meio de alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infecção pode se manifestar de diferentes formas, desde doenças respiratórias até encefalite — inflamação no cérebro, que pode ser fatal.

 

No Brasil, não há qualquer alerta ou registro da doença até o momento. A infectologista Kamilla Moraes, da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que, apesar do risco global, não há motivo para alarme imediato no país. “Atualmente não temos nenhum alerta sobre o vírus no Brasil. É importante sempre estarmos atentos aos surtos internacionais. No cenário de globalização, existe sempre um risco de transmissão. Mas no momento não temos nenhum alerta ou casos no país”, afirmou.

 

Os sintomas iniciais do vírus Nipah geralmente incluem febre, dor de cabeça, mialgia (dor muscular), vômitos e dor de garganta. Em alguns casos, podem surgir tontura, sonolência, alteração da consciência e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda. Há também relatos de pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo desconforto respiratório agudo.

 

Nos quadros mais severos, a encefalite e as convulsões podem evoluir rapidamente para coma em 24 a 48 horas. O período de incubação costuma variar de 4 a 14 dias, mas já houve registros de até 45 dias. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade local de vigilância epidemiológica e atendimento médico.

 

Atualmente, não existem medicamentos ou vacinas específicas contra a infecção pelo vírus Nipah. A OMS classifica o agente como uma das doenças prioritárias para o seu Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento. O tratamento disponível é baseado em cuidados intensivos de suporte, voltados principalmente para o manejo de complicações respiratórias graves e neurológicas.

BRB vai contratar empresa para recuperar ativos e compensar perdas com Master

  • Por Adriana Fernandes | Folhapress
  • 27 Jan 2026
  • 12:32h

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O BRB (Banco de Brasília) vai contratar nos próximos dias uma empresa para a recuperação de ativos na tentativa de compensar eventuais perdas com a compra de carteiras de crédito consignado fraudulentas do Banco Master.
 

O escritório Machado Meyer Advogados e a Kroll Brasil apresentam ainda nesta semana um relatório preliminar com o mapeamento da intrincada cadeia de fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, que têm relação com o BRB.
 

As duas empresas já foram contratadas pelo banco do governo do Distrito Federal para fazer uma investigação independente (auditoria forense) sobre irregularidades nos negócios com o Master. Esse tipo de auditoria se concentra na investigação, quantificação de danos e identificação dos autores.
 

É feita uma investigação contábil especializada para detectar provas das fraudes e os crimes financeiros. O trabalho de investigação inclui os fundos que passaram a ser sócios de uma parcela considerável do banco do Distrito Federal.
 

Os investigadores já detectaram achados importantes sobre a sobreposição de fundos que estão no conglomerado BRB e no Master, de acordo com pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem.
 

Como revelou a Folha, o BRB tem participação em oito fundos de investimento que aparecem no esquema de fraudes do banco de Vorcaro. Os fundos Cartago, CMX Realty III, Jeitto, Kyra, Strelitzia, Supreme Realty, Tessalia e Texas I são listados pelo Banco Central como parte do conglomerado do BRB.
 

Os investimentos do banco de Brasília nesses fundos mostram um tipo de ligação até então desconhecido entre o BRB e o banco de Vorcaro, liquidado em novembro pelo Banco Central. Alguns desses fundos foram entregues ao BRB para compensar parte das perdas que o banco estatal teve com a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito podres do Master.
 

O BRB também não descarta pedir o arresto (medida judicial preventiva que visa à apreensão de bens de um devedor) de ações do próprio banco que estão em posse dos fundos com ligação com Vorcaro. Entre eles, o Borneo, administrado pela gestora Reag, e o Deneb, administrados pela Master Corretora, que compraram participação no BRB.
 

Segundo um integrante do banco do DF, existem mecanismos jurídicos que permitem o arresto dessas ações para a tesouraria da instituição como um mecanismo para garantir a cobertura de eventuais prejuízos com a compra de carteiras de crédito sem lastro real.
 

Na operação de devolução das carteiras fraudadas, o BRB recebeu de Vorcaro R$ 10 bilhões de ativos do Master, que estão sendo auditados, faltando em valores atuais R$ 2,6 bilhões.
 

O Banco Central já cobrou que o BRB faça uma provisão (reconhecimento contábil no seu balanço de um passivo, que pode representar uma despesa futura) desse valor para cobrir a perda.
 

A auditoria independente foi contratada pelo novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que assumiu o comando do banco após Paulo Henrique Costa ser afastado, em novembro do ano passado, no dia da liquidação do Master pelo Banco Central. Sob Costa, o BRB havia feito uma oferta para comprar o Master, que foi rejeitada pelo BC.
 

Os auditores estão fazendo um pente-fino na gestão de Paulo Henrique Costa e na relação dele com o ex-presidente do Conselho de Administração do BRB, Marcelo Talarico. A interlocutores, Costa tem afirmado que o BRB vai ganhar dinheiro com as carteiras adquiridas do Master, e que o pedido de provisão determinado pelo BC é feito por prudência e não significa perda.
 

Foi na gestão de Costa que o BRB fez a compra das carteiras com fraudes.

Ancelotti e Samir Xaud participam de reunião no Planalto com Lula e Infantino; confira

  • Bahia Notícias
  • 27 Jan 2026
  • 10:29h

Foto: Reprodução / Instagram / @lulaoficial

O técnico da Seleção Brasileira Masculina, Carlo Ancelotti, participou na última segunda-feira (26) de uma reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da Fifa, Gianni Infantino. O encontro integrou a agenda institucional de lançamento da marca da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.

 

Além do Mundial Feminino, a conversa também abordou a possibilidade de o Brasil se candidatar para sediar a Copa do Mundo de Clubes de 2029. A proposta, já debatida no âmbito da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), recebeu sinalização positiva do governo federal durante a reunião.

 

Ancelotti esteve acompanhado de dirigentes da CBF, entre eles o presidente da entidade, Samir Xaud, e o vice-presidente Gustavo Dias Henrique. O ministro do Esporte, André Fufuca, também participou do encontro com Infantino.

 

Após a reunião, Samir Xaud afirmou que a presença do treinador reforça o alinhamento entre a seleção, a CBF e as instituições envolvidas na organização de grandes eventos esportivos no país. O dirigente reiterou que o Brasil está preparado para receber o Mundial de Clubes.

 

"A gente acredita que o Brasil está apto a receber esse evento grandioso [Mundial de Clubes], mas isso requer muitas conversas, muitos ajustes, mas o Brasil vai sim colocar a sua candidatura para 2029", afirmou.

 

Em outro momento, em tom descontraído, Lula dirigiu-se a Ancelotti durante o encontro e fez uma brincadeira sobre o futuro do treinador no futebol brasileiro.

 

"Você ganha a Copa do Mundo esse ano e depois vem para o Corinthians ganhar o Mundial", brincou. 

Vale lembrar que o italiano Carlo Ancelotti está em fase avançada de negociações para renovar seu contrato e permanecer à frente da Seleção Brasileira até 2030. 

Hugo Motta comandará primeira reunião de líderes no ano e deve ser pressionado a instalar CPI do Banco Master

  • Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
  • 27 Jan 2026
  • 08:26h

Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Apesar de esta ser a última semana de recesso parlamentar, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), antecipou o retorno do calendário legislativo e agendou uma reunião de líderes para esta quarta-feira (28/1). Motta já quer definir com os líderes as prioridades da Câmara para o primeiro semestre, principalmente diante de um ano que deve ser tumultuado por conta das eleições de outubro. 

 

A reunião convocada por Motta fará com que os líderes partidários retornem a Brasília seis dias antes da sessão solene do Congresso Nacional que marca o começo do ano legislativo. Alguns líderes, entretanto, anteciparam que não devem comparecer à reunião na residência oficial da Câmara.

 

Hugo Motta pretende sinalizar aos líderes que pretende priorizar neste mês de fevereiro o andamento de duas pautas ligadas à segurança pública: o projeto de lei (PL) Antifacção e a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança. Os parlamentares consideram que a segurança será um dos grandes temas das eleições neste ano, e a intenção é aprovar as duas matérias como resposta à sociedade.

 

Outro assunto que aparecerá na reunião de líderes é a necessidade de aprovação do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. Essa é uma das prioridades do governo Lula em 2026. 

 

Na semana passada, Hugo Motta já havia antecipado que iria que vai tratar do acordo entre União Europeia e Mercosul quando se reunisse com os líderes partidários, e afirmou que acredita em uma “rápida aprovação” pelo Congresso.

 

“Minha intenção é dar prioridade ao seu exame pela Câmara dos Deputados assim que o recebermos do Poder Executivo. Vou tratar desse assunto na próxima reunião de líderes e estou certo de que o espírito na Casa é amplamente favorável à rápida aprovação do acordo, pelos impactos positivos que terá para o Brasil e para todos os demais participantes”, disse Motta em entrevista à Globonews.

 

Logo na primeira semana de trabalho, a partir da próxima segunda (2), a Câmara dos Deputados deve discutir a medida provisória do Gás, que perde a validade no próximo dia 11 de fevereiro. Publicada em 4 de setembro, essa medida provisória alterou as regras para oferta de gás de cozinha a famílias de baixa renda. O texto já foi aprovado na comissão mista e aguarda votação na Câmara. 

 

Além da MP do gás, a Câmara iniciará o ano legislativo com outras 24 medidas provisórias aguardando votação. A maior parte está em tramitação em comissões mistas — formadas por senadores e deputados federais. E todos os textos terão de passar, primeiro, pelo Plenário da Câmara dos Deputados e, em seguida, pelo Plenário do Senado.

 

Na reunião, os líderes também poderão levar à mesa quais são suas prioridades. A expectativa é que o PT e a liderança do governo apresentem as apostas do Palácio do Planalto para as eleições. Entre elas, aparece a proposta para acabar com a escala 6x1.

 

Já a oposição deve reivindicar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as fraudes no Banco Master também. Os parlamentares de oposição prometem pressionar Motta para que a comissão seja instalada imediatamente. 

 

A oposição também deve manter pressão permanente sobre o presidente da Câmara em relação à retomada de um projeto de anistia total aos presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe. Apesar de ter sido aprovado o projeto que reduziu as penas desses crimes, os líderes da oposição vão tentar retomar propostas que anistiam por completo quem participou desses crimes, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diretores do Banco Master e do BRB prestam depoimentos na PF nesta segunda-feira; saiba mais

  • Bahia Notícias
  • 26 Jan 2026
  • 14:03h

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal vai ouvir depoimentos de alguns dos investigados na Operação Compliance Zero, a partir desta segunda-feira (26). A investigação da PF apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). 

 

 

Segundo a coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles, depois dos depoimentos a Justiça vai determinar se o caso vai se manter no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se as investigações voltam para a Justiça Federal, em Brasília, ou para a Justiça de São Paulo. 

 

De acordo com a publicação, estão previstos oito depoimentos na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), de forma remota por videoconferência e presencialmente. Devem ser escutados os ex-diretores do BRB e do Banco Master, além de empresários como Augusto Ferreira Lima – ex-sócio de Daniel Vorcaro. 

 

Eles estão envolvidos dentro do inquérito que investiga crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Na lista dos que devem ser escutados nesta segunda estão Dário Oswaldo Garcia Junior (ex-diretor financeiro do BRB) André Felipe de Oliveira Seixas Maia (ex-funcionário do Banco Master), Henrique Souza e Silva Peretto (empresário ligado a empresas envolvidas nas operações investigadas); Alberto Felix de Oliveira – superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master.

 

Já na terça, serão escutados Robério Cesar Bonfim Mangueira (superintendente de operações financeiras do BRB), Luiz Antonio Bull (executivo e diretor ligado ao Banco Master); Angelo Antonio Ribeiro da Silva – executivo e sócio do Banco Master; Augusto Ferreira Lima (ex-sócio do Banco Master).

 

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa não serão escutados. Eles prestaram depoimentos em 30 de dezembro.

Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

  • Por Catia Seabra | Folhapress
  • 26 Jan 2026
  • 08:56h

Foto: Divulgação Agência Brasil

O presidente Lula (PT) tem manifestado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), na relatoria do inquérito do Banco Master.
 

O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.
 

Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros sobre Toffoli e chegou a afirmar, em desabafos, que o ministro deveria renunciar a seu mandato na corte ou se aposentar, segundo relatos colhidos pela Folha.
 

Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito --eles já discutiram o assunto no fim do ano passado.
 

Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.
 

O presidente está incomodado com o desgaste institucional ao Supremo causado por notícias que expuseram laços de parentes do ministro com fundos ligados à teia do banco. De acordo com aliados, o petista também reclamou do sigilo imposto ao processo e do receio de que a investigação seja abafada.
 

A auxiliares Lula tem defendido as investigações e afirmado que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos, evitando críticas por eventuais interferências. "Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões", afirmou Lula na sexta-feira (23).
 

Além disso, haveria a percepção de que o caso pode abalar políticos de oposição e deverá prosseguir, ainda que respingue em governistas.
 

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com políticos do centrão e também com aliados do governo do PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo.
 

Desde o fim do ano passado, o presidente monitora a evolução do inquérito. Ele teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF.
 

A medida aconteceu uma semana antes de o jornal O Globo revelar que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais para defender os interesses do Master.
 

Nas palavras de um aliado, o presidente passou a desconfiar que o caso terminaria em uma "grande pizza". Em dezembro, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
 

Na conversa, descrita como amistosa pelo próprio Lula, o presidente teria dito que tudo que seu governo desvendou deveria ser levado às últimas consequências. Ainda segundo relatos, ele queria entender se essa era a disposição no tribunal, mesmo após a decretação do sigilo.
 

Em resposta, segundo relatos, o ministro disse que nada seria abafado e que o sigilo era uma medida justificável. Lula, então, afirmou que Toffoli faria a coisa certa. O presidente disse ainda, segundo informação do colunista Lauro Jardim, confirmada pela Folha, que a relatoria seria uma oportunidade para que Toffoli reescrevesse sua biografia.
 

Essa conversa aconteceu antes de revelações que põem em xeque a atuação do ministro. Toffoli está sob pressão devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas vão desde o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.
 

A interlocutores Toffoli disse que, neste momento, descarta abdicar do processo por não ver elementos que comprometam a sua imparcialidade.
 

O ministro indicou a interlocutores que nem a viagem de jatinho na companhia do advogado nem a sociedade entre seus irmãos e o fundo de investimentos comprometem sua imparcialidade. E, como mostrou a Folha, em sua história, o STF só reconheceu o impedimento ou a suspeição de ministros em casos de autodeclaração.
 

Responsável pela indicação de Toffoli para o tribunal, Lula coleciona decepções com o ex-advogado do PT. Toffoli, por exemplo, impediu que Lula assistisse ao velório do irmão, tendo pedido desculpas ao presidente anos depois.
 

O pedido de perdão ocorreu em dezembro de 2022, após a eleição de Lula. O ministro do Supremo Tribunal se desculpou por não ter autorizado o petista a comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, quando estava preso em Curitiba. Vavá morreu em janeiro de 2019.

Anos após desastre, contaminação do solo em Brumadinho ainda prejudica crescimento de vegetação

  • Por Jéssica Maes | Folhapress
  • 25 Jan 2026
  • 10:24h

Foto: Antonio Cruz / EBC

Em 25 de janeiro de 2019, uma avalanche de lama tóxica tomou a cidade de Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale. A tragédia, que deixou 272 vítimas, segue moldando a paisagem da região, mesmo anos depois.
 

Um novo estudo mostra que a contaminação do solo na bacia do rio Paraopeba continua prejudicando a restauração da flora da região —e que, por isso, essa recuperação não acontecerá sozinha.
 

Metais como ferro, manganês e níquel impactam a germinação e o crescimento das plantas, especialmente espécies maiores, impedindo que a vegetação volte ao seu estado original.
 

Segundo informações do governo de Minas Gerais, o desastre jogou 7,8 milhões de m³ de rejeitos na calha do ribeirão Ferro-Carvão, o mais próximo da barragem da Vale, e outros 2,2 milhões de m³ atingiram a calha do rio Paraopeba.
 

Publicado no início do mês na revista científica Environmental Pollution, o artigo é assinado pelos pesquisadores Jerusa Schneider, Jefferson Picanço e Maíra Silva, do grupo de pesquisa Criab (Conflitos, Riscos e Impactos Associados a Barragens), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
 

A análise faz parte da pesquisa de doutorado de Silva, que está estudando a contaminação ambiental das áreas de mata ciliar da chamada zona quente, a mais próxima e mais impactada pelo rompimento da barragem.
 

"O rompimento da barragem traz profundos impactos à qualidade do solo e da vegetação", diz a cientista. "Esses elementos tóxicos reduzem drasticamente a emergência das plantas do banco de sementes do solo, prejudicando a velocidade e a sincronia da germinação."
 

O banco de sementes é uma reserva biológica que funciona como um estoque, de onde vão brotar novas mudas. Esse reservatório é uma parte fundamental da resiliência e restauração natural de ecossistemas.
 

Para o estudo, amostras de solo foram coletadas em Brumadinho em 2022, durante o período de cheia, considerado estratégico por favorecer a mobilização dos rejeitos. Foram definidos cinco pontos de coleta, incluindo um ponto de controle localizado rio acima da área impactada, distante da barragem.
 

O material foi levado para a Unicamp, onde foi conduzido um experimento de 202 dias. Nesse período, foram monitoradas temperatura, umidade e emergência das plantas.
 

"As plantas até emergem, crescem, mas depois acabam morrendo", afirma Silva. "Isso indica um efeito de contaminação aguda e reforça a preocupação com a regeneração e a restauração ecológica."
 

O ferro, em especial, forma uma camada sobre a semente, dificultando a germinação e facilitando a entrada de outros elementos tóxicos, especialmente para espécies de maior porte. Acabam resistindo apenas as gramíneas, que têm mecanismos para absorver o tipo de ferro presente no rejeito, além de alta capacidade de dispersão.
 

Com isso, a paisagem fica homogeneizada, o que pode levar a uma perda de biodiversidade ainda maior.
 

A bióloga acrescenta que em visitas recentes à região estudada a situação continuava a mesma —ou seja, a vegetação não conseguiu se recuperar por conta própria, como aconteceria em locais não contaminados.
 

"Nesses locais praticamente só tem gramíneas, não tem nenhuma espécie arbórea. E essas áreas continuam erodindo", conta ela. De raízes mais curtas, espécies como gramas e capins não conseguem reter a terra das margens. "A erosão acaba com todo o sistema, tanto o rio como a mata ciliar".
 

Natural do Vale do Ribeira, da comunidade Ivaporunduva, no município de Eldorado (SP), Maíra Silva se tornou, em 2017, a primeira quilombola a receber o título de mestre pela Unicamp.
 

"Eu venho de uma região que foi impactada pela mineração de chumbo. Foram 50 anos de depósito desse material no rio Ribeira", diz, explicando como surgiu seu interesse no seu campo de pesquisa.
 

"Ambientes poluídos precisam de um olhar diferenciado. Essas substâncias podem afetar inclusive os serviços ecossistêmicos, que são fundamentais para as populações do entorno", afirma Silva.
 

Ela espera que o estudo recém-publicado possa ajudar quem trabalha com reflorestamento e restauração a pensar estratégias que tenham um bom desempenho nesse tipo de ambiente.

Lula diz que “não quer votos” de agressores de mulheres: “Voto amaldiçoado”

  • Por Fernando Duarte / Leonardo Almeida/Bahia Notícias
  • 24 Jan 2026
  • 12:41h

Foto: Max Haack / Ag Haack / Bahia Notícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou maior participação masculina no combate ao feminicídio durante seu discurso no evento de aniversário do MST, realizado no Parque de Exposições, em Salvador. Em pronunciamento nesta sexta-feira (23), o petista também afirmou que “não quer votos” de agressores de mulheres e os considerou como “amaldiçoados”.

 

“Todos nós, em cada discurso que a gente tiver, na porta de fábrica, na igreja, na porta da loja, no Congresso, a gente tem que dizer homem que bate mulher, não é homem. Não é homem. Nessa campanha, eu vou dizer em alto e bom som: o cara que levanta a mão para bater uma mulher não precisa votar em mim. Eu não quero um voto amaldiçoado. (...) E nós temos que saber, todos nós, homens, que temos que comprar essa vida. Falar com os nossos companheiros no local de trabalho: ‘Aí eu estou com raiva’. Mete a cabeça na parede porr4’”, afirmou Lula.

De olho na caminhada promovida por Nikolas, Moraes proíbe acampamentos ou faixas em frente à Papudinha

  • Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
  • 24 Jan 2026
  • 10:25h

Foto: Reprodução Redes Sociais

Em decisão anunciada nesta sexta-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que as forças de segurança do Distrito Federal removam barracas e acampamentos montados em frente ou nas imediações do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Nos últimos dias, manifestantes haviam montado barracas e instalado faixas pedindo a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e anistia aos presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. 

 

Moraes atendeu pedido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que identificou a instalação das barracas e faixas nos últimos dias. Na entrada do complexo da Papuda está o 19º Batalhão de Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, onde no momento cumpre pena o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

 

Em sua decisão, o ministro do STF ordena a retirada imediata de qualquer estrutura montada próximo ao complexo, e proíbe a ocupação de áreas ao redor das unidades prisionais. Moraes também autorizou a prisão em flagrante de pessoas que desobedecerem às ordens policiais durante a operação.

 

No comunicado enviado a Moraes, a PGR cita que “um grupo de pessoas dirigiu-se à Penitenciária Federal de Brasília - Complexo da Papuda, onde instalou barraca em frente à sede do estabelecimento prisional, com o objetivo declarado de exercer pressão sobre esta Suprema Corte”.

 

No seu pedido de intervenção, a PGR afirma que “os manifestantes prometem uma 'caminhada da paz' (...) com o propósito de causar protesto ostensivo contra decisões do Supremo Tribunal Federal”.

 

A Procuradoria também menciona que há “chamamento para que outros cidadãos se unissem ao movimento, propagando que a pauta do ato será 'justiça e liberdade' para os envolvidos nos atos de insurgência de 8 de janeiro”.

 

O movimento citado pela PGR é a caminhada iniciada na última segunda (19) pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que saiu a pé da cidade mineira de Paracatu rumo a Brasília, onde pretende chegar no próximo domingo (25) e comandar uma manifestação. Mais de 30 parlamentares se juntaram ao grupo, que no momento possui centenas de manifestantes que estão a 60Km da capital federal. 

 

O despacho de Alexandre de Moraes atendendo a PGR foi direcionado às secretarias de Segurança Pública e de Assuntos Penitenciários do DF, à Polícia Militar e à Superintendência da Polícia Federal na capital. O documento determina que cabe “especialmente à Polícia Militar do Distrito Federal a adoção de todas as providências necessárias à efetiva remoção dos referidos indivíduos do local e vigilância externa do local”. 

 

Alexandre de Moraes, no texto da decisão, faz referência aos eventos de 8 de janeiro de 2023 e afirma que os direitos de reunião e livre manifestação devem ser garantidos, mas não são absolutos, sendo necessário impedir excessos. 

 

“O exercício dos direitos de reunião e manifestação não pode ser confundido com o propósito de repetir os ilegais e golpistas acampamentos realizados na frente dos quartéis do Exército, para subverter a ordem democrática e inviabilizar o funcionamento das instituições republicanas, em especial o Supremo Tribunal Federal, que culminaram na tentativa de Golpe de Estado”, afirmou Moraes.

 

Durante a semana, houve a instalação de algumas barracas de manifestantes e colocação de faixas. A Polícia Militar pediu que as pessoas saíssem do local, alegando se tratar de área de segurança máxima. 

Com 12 cursos abaixo da média, Bahia teve maior número de participantes no Enamed no Nordeste; ABM defende mudanças

  • Por Victor Hernandes/Bahia Notícias
  • 24 Jan 2026
  • 08:37h

Foto: Leonardo Rattes / Saúde GovBA

Apesar de ter 12 cursos de Medicina abaixo da média, a Bahia registrou o maior volume de participantes no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) do Nordeste. O estado liderou a quantidade de estudantes de medicina que participaram do certame na região nordestina.

 

 

As informações foram constatadas após a soma de suas unidades de ensino. Os participantes estavam distribuídos nas 22 instituições de ensino que participaram do estudo. O estado registrou 2.688 participantes no exame. Desses, 1.193 inscritos eram da capital baiana e 1.495 do interior. 

 

A Universidade Salvador (Unifacs foi a que obteve mais participantes, com 355 inscritos, seguido pelo Centro Universitário Zarns - Salvador com 319, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) com 291 inscritos, Universidade Federal da Bahia (UFBA) com 164 inscritos; e Universidade do Estado da Bahia (UNEB) com 64 inscritos. 

 

A cidade de Vitória da Conquista obteve 220 inscritos, sendo 149 na Afya (FCM VIC); 38 na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); e 33 na Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

 

Na lista das outras cidades participantes estão: Juazeiro (195 inscritos): Faculdade Estácio de Juazeiro. Barreiras (142 inscritos): Uninassau (80 inscritos) e Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) (62 inscritos); Lauro de Freitas (141 inscritos): UNIME; Itabuna (116 inscritos): Afya; Guanambi (114 inscritos): Afya (58 inscritos) e UNIFG (56 inscritos); Teixeira de Freitas (105 inscritos): Universidade Federal do Sul da Bahia (FSB); Alagoinhas (101 inscritos): Faculdade Estácio; Eunápolis (88 inscritos): Faculdade Pitágoras (48 inscritos) e UNESULBAHIA (40 inscritos); Jacobina (73 inscritos): Faculdade AGES; Irecê (43 inscritos): Faculdade AGES; Ilhéus (39 inscritos): Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC); Paulo Afonso (37 inscritos): UNIVASF; Feira de Santana (30 inscritos): Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS); Santo; Antônio de Jesus (26 inscritos): Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); e Jequié (25 inscritos): Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

 

As faculdades privadas tiveram significativamente mais inscritos no Enade de Medicina na Bahia em comparação com as instituições públicas. Do total de 2.688 concluintes inscritos no estado, 2.065 alunos pertencem a instituições privadas (incluindo as categorias "Privada com fins lucrativos" e "Privada sem fins lucrativos"), enquanto 623 alunos pertencem a instituições públicas (Federais e Estaduais). 

 

O volume de inscritos em faculdades privadas é mais de três vezes superior ao das faculdades públicas no cenário da Medicina baiana, conforme os registros das fontes. Entretanto, as universidades públicas concentraram os conceitos mais elevados, enquanto as particulares apresentam uma variação maior, predominando nos conceitos intermediários e baixos.

 

A UFRB em Santo Antônio de Jesus obteve o Conceito 3. A única instituição pública com desempenho abaixo da média foi a UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) em Teixeira de Freitas, que obteve o Conceito 2. 

 

ASSOCIAÇÃO PEDE MUDANÇAS
Em entrevista ao BN, o diretor da Associação Baiana de Medicina, Hélio Braga, alertou para os riscos relacionados a médicos mal formados que geram desperdício de recursos na saúde pública e suplementar através de diagnósticos errados, tardios e pedidos de exames desnecessários.

 

“Na verdade, o teste pôde demonstrar algo que já era esperado por todos: que pelo crescimento desordenado da faculdade de medicina, com muitas faculdades sem campos de prática, sem hospitais, sem ambulatórios, a formação seria inadequada”, disse. 

 

O profissional revelou ainda que a entidade atua promovendo cursos de atualização e congressos para qualificar a formação médica.

 

“Nós da Associação Baiana de Medicina, como uma das nossas principais funções é a parte de ensino, temos realizado uma série de cursos de atualização, de reciclagem, congressos, para que a gente possa melhorar a formação dos médicos”, contou. 

 

O representante cobrou ainda a realização do exame de proficiência, conforme proposto pelo conselho federal da classe junto ao Senado, para garantir que apenas médicos com formação adequada exerçam a profissão, protegendo a população de diagnósticos equivocados.

 

“Dessa forma a gente consegue proteger a nossa população, que é quem mais sofre com os diagnósticos equivocados e formações inadequadas e ajuda também na questão de redução de desperdícios na área de saúde”, observou. 

 

Segundo Hélio, as entidades médicas (CFM, AMB, Sindicato dos Médicos) estão unidas na defesa do teste de proficiência. 

 

“É algo que a gente vem tentando há muitos anos fazer esse teste de proficiência, mas muitas universidades que tinham formação inadequada tinham receio de que se houvesse esse teste, fosse publicizado a formação inadequada que eles têm”, explicou. 

 

Braga comentou ainda que a ABM planeja aproximar-se de ligas estudantis para estimular eventos científicos e suprir a falta de professores médicos em algumas faculdades, onde mais de 50% dos professores não são médicos. 

 

“Nas diversas faculdades baianas existem alguns grupos de estudo, ligas. Vamos fazer uma maior aproximação com essas ligas para que a gente possa estimular eventos científicos. Muitas instituições de medicina não têm médicos em toda a sua totalidade de professores. Através da Associação, realizaremos esses cursos com médicos bem formados".

Prontuário de vítima do DF mostra nível de potássio três vezes maior que o máximo aceitável

  • Por Raquel Lopes | Folhapress
  • 23 Jan 2026
  • 16:36h

Foto: Reprodução TV Globo

O prontuário médico do servidor público João Clemente Pereira, 63, aponta que a taxa de potássio encontrada em seu organismo chegou a ficar três vezes acima do valor máximo aceitável. Ele é um dos três pacientes mortos no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
 

Segundo as investigações e relatos feitos à família, o nível anormal teria sido provocado pela aplicação de um medicamento, que aumenta o nível de potássio no organismo, administrado por três técnicos de enfermagem, presos sob suspeita de envolvimento nos casos.
 

Após a divulgação das prisões, ao menos seis famílias procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal para relatar mortes consideradas suspeitas ocorridas no mesmo hospital.
 

Além dele, os técnicos teriam feitos mais duas vítimas: Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, e Miranilde Pereira da Silva, 75. Os investigadores dizem acreditar que pode haver mais mortes ligadas aos suspeitos no próprio hospital e em outras instituições nas quais atuaram, tanto na rede pública quanto privada.
 

De acordo com a família, João Clemente Pereira sofreu quatro paradas cardíacas. No dia 17 de novembro, durante as três primeiras, o referencial de potássio registrado foi de 14,9. Já na quarta parada, que aconteceu na madrugada do dia seguinte e levou ao óbito, o referencial foi de 7,5.
 

Segundo Miguel Antônio Moretti, membro do Conselho Administrativo da Sociedade Brasileira de Cardiologia e médico assistente do InCor, o potássio é um eletrólito fundamental para o funcionamento do organismo, especialmente do coração. O valor considerado aceitável no organismo humano varia entre 3,5 e 5 mmol/l.
 

No entanto, quando os níveis de potássio no sangue se elevam de forma excessiva -quadro conhecido como hipercalemia- podem ocorrer distúrbios graves do ritmo cardíaco, levando à parada cardíaca e risco de morte súbita.
 

"A elevação do potássio costuma estar associada a condições clínicas específicas, como insuficiência renal, distúrbios hormonais, algumas situações relacionadas ao diabetes ou uso inadequado de suplementação. Por isso, trata-se de uma substância cujo manuseio clínico exige extremo cuidado e controle rigoroso em ambiente hospitalar", disse.
 

Valéria Leal Pereira, 29, filha de João Clemente, explica que o pai deu entrada no hospital Anchieta no dia 4 de novembro queixando-se de tontura e dor de cabeça. Ele mesmo dirigiu até a unidade de saúde, conversando e totalmente consciente.
 

Após exames, foi diagnosticado com um coágulo cerebral, necessitando de uma cirurgia de drenagem de emergência. Embora a cirurgia na cabeça tenha corrido bem, João enfrentou complicações durante a intubação, que exigiram quatro anestesistas e três tentativas de ser entubado. Esse incidente fez com que ele permanecesse na UTI até o dia de seu falecimento.
 

No dia 17 de novembro, após 13 dias de internação, João sofreu três paradas cardíacas consecutivas. Segundo a filha, os médicos não conseguiram explicar o motivo, já que o paciente não possuía cardiopatias.
 

Na madrugada de 18 de novembro João Clemente não resistiu à quarta parada cardíaca e morreu. O atestado de óbito registrou causas como infarto, septicemia e hipertensão.
 

A família só descobriu a verdade na última semana, após serem chamados no hospital para uma conversa com membros da diretoria e da advocacia do hospital. Lá eles informaram que um funcionário havia administrado uma injeção letal.
 

A investigação apontou que o criminoso fraudava o sistema do hospital para prescrever a medicação de alto risco.
 

A família acredita que houve falhas nos protocolos de segurança: a medicação, que deveria ter dupla checagem por dois profissionais da farmácia, foi manuseada por uma técnica de enfermagem que nem sequer pertencia ao setor da UTI.
 

"Um hospital deveria zelar pela segurança do paciente. A gente entregou o nosso pai ali para o hospital cuidar e a gente esperava que ele fosse zelar pela saúde dele, não que fosse acontecer uma coisa dessa, um crime desse", disse.
 

João Clemente era descrito pela família como um homem querido, trabalhador e muito ligado aos parentes. Costumava estar presente no convívio familiar e já fazia planos para a aposentadoria. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.
 

A morte abalou os entes queridos, não apenas pela perda, mas pelas circunstâncias que vieram à tona semanas após o sepultamento.
 

"Ele sempre falou que quando aposentasse queria viajar mais com a família. Esse era um plano que foi interrompido por conta de um psicopata", disse.
 

A família agora quer uma investigação profunda da Polícia Civil para identificar todos os envolvidos e as brechas que permitiram o crime. Eles buscam não apenas a condenação dos culpados, mas que o hospital responda pelas falhas processuais que custaram a vida de João Clemente.
 

Os advogados da família, Elias Manoel Pereira Dias e João Francisco Alves Neto, apontam o que consideram falhas graves nos protocolos adotados pelo hospital.
 

Entre os pontos questionados está o controle da farmácia hospitalar na dispensação de medicamentos controlados. Segundo a defesa, um dos suspeitos teria retirado a substância mais de uma vez, sem que o procedimento fosse barrado.
 

Eles afirmam que o inquérito policial tramita sob sigilo, o que tem restringido o acesso integral da defesa aos autos, vídeos e laudos.
 

Agora, os advogados buscam a habilitação formal no processo e a produção de provas para embasar uma ação de reparação civil contra o hospital, sob a alegação de negligência e falha objetiva da instituição, além de eventual responsabilidade de outros profissionais envolvidos.
 

O Hospital Anchieta disse, em nota, que identificou atitudes e comportamentos atípicos atribuídos a profissionais que atuavam em sua unidade e, de forma proativa, responsável e ética, levou, após investigação interna, o caso às autoridades policiais competentes.
 

"Trata-se de um ato criminoso, isolado e individual, praticado por pessoas que agiram à margem da ética, da medicina e da lei, dentro de uma unidade de saúde", disse, em nota.
 

O hospital disse ainda que possui protocolos rigorosos de segurança, controle assistencial e compliance, além de manuais e rotinas consolidadas . Foi justamente esse conjunto de procedimentos que permitiu a rápida identificação dos fatos e o imediato acionamento das autoridades.

Wagner Moura descobriu indicação ao Oscar após ligação de amigo no avião; confira momento

  • Por Bianca Andrade/Bahia Notícias
  • 23 Jan 2026
  • 14:31h

Foto: Divulgação/Bahia Notícias

O momento em que Wagner Moura descobre a indicação ao Oscar de Melhor Ator pelo desempenho em 'O Agente Secreto' foi registrado pelo preparador de elenco do longa, Leonardo Lacca, que compartilhou no Instagram a cena com o baiano.

 

Alheio as redes sociais, Wagner não chegou a ver as postagens em homenagem à conquista dele, mas descobriu pelo amigo a indicação, já que, como foi revelado por Kleber Mendonça Filho, ele estava no avião.

 

"Waguinho, mais uma vez, ficou sabendo de uma notícia boa por mim. Em Cannes, ele tava com uma equipe de desconhecidos. Ainda bem que ele já pousou, tá indo pra casa abraçar os seus e comemorar sua indicação", disse Leonardo.

Foto:Bahia Notícia

A boa notícia foi comemorada por Wagner, que conta ainda com outras três indicações nas costas pelo filme, o de Melhor FilmeMelhor Filme Internacional e Melhor Elenco

 

"Léo, você é sempre o arauto das notícias incríveis quando estou em situação de não poder comemorar e abraçar ninguém", teria dito o artista.

 

Moura entrou para a história ao se tornar o primeiro homem brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator. O baiano se junta a Carlinhos Brown como artistas da terra a terem sido indicados a maior premiação do cinema mundial.

 

A cerimônia do Oscar 2026 acontecerá no dia 15 de março, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia.

Governo arrecada R$ 9,9 bilhões com tributação das bets em 2025

  • Bahia Notícias
  • 23 Jan 2026
  • 10:21h

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal arrecadou R$ 9,95 bilhões com a tributação de casas de apostas, as chamadas bets, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (22).

 

O montante representa um crescimento de 10,83% na arrecadação do setor. No ano passado, a receita havia sido de R$ 91 milhões.

 

Apenas no mês de dezembro, a arrecadação chegou a R$ 1,1 bilhão, contra R$ 28 milhões registrados no mesmo período do ano anterior, uma alta superior a 3.000%.

 

O resultado é fruto da aplicação de uma alíquota de 12% sobre a receita bruta dos jogos (GGR), além da incidência de outros tributos, como o PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).

PGR rejeita pedido de deputados para afastar Toffoli de investigação do Banco Master

  • Por Luísa Martins | Folhapress
  • 23 Jan 2026
  • 08:16h

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido de três parlamentares para que fossem reconhecidos o impedimento e a suspeição do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), na investigação do Banco Master.
 

Há outro requerimento semelhante, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que continua em análise pela PGR, ainda sem definição.
 

A representação dos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-SC) e Carolina de Toni (PL-SC) mencionava como justificativa para o afastamento de Toffoli a viagem de jatinho que ele fez com o advogado Augusto Botelho, que defende um diretor do Master.
 

Gonet afirmou que o caso da instituição financeira "já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República". Sendo assim, prossegue ele, "não há qualquer providência a ser adotada no momento".
 

Diferentemente da representação dos deputados, o ofício de Girão é mais amplo, e fala não só da viagem de jatinho, mas de outras condutas de Toffoli na relatoria da investigação sobre as fraudes financeiras.
 

O senador cita, por exemplo, decisões do ministro que teriam afetado a atuação da Polícia Federal na análise das provas do processo, além de informações que apontam para a relação entre familiares do ministro e "possíveis envolvidos no escândalo".
 

Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.
 

Além disso, a conduta do ministro à frente do caso tem sido questionada publicamente pela PF e interpretada como incomum por integrantes do BC (Banco Central), da PGR (Procuradoria-Geral da República) e do próprio Supremo, que já admite internamente viver uma crise de imagem.
 

Para contornar a situação, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma "saída honrosa" para o ministro Dias Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.
 

Toffoli sinalizou que essas variáveis não estão em jogo e argumentou que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.
 

Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo, se volta à primeira instância ou se o caminho é um meio-termo --um desmembramento da investigação, em que o ministro fica responsável por autoridades com foro e a Justiça Federal, pelos demais investigados.
 

O Código de Processo Penal prevê que um juiz está impedido de atuar nas ações em que seu cônjuge ou parente tenha participado; em que ele próprio tenha atuado no passado (como advogado ou juiz de instância inferior); ou em que ele ou seus familiares forem "diretamente interessados".
 

Já a suspeição tem caráter subjetivo e diz respeito a situações, por exemplo, em que o ministro é amigo íntimo das partes ou dos advogados, recebe presentes de pessoas interessadas na causa ou aconselha as partes. Se houver motivo de foro íntimo, ele não é obrigado a detalhá-lo.
 

Se Toffoli se declarasse suspeito ou impedido, todas as decisões assinadas até aqui seriam automaticamente anuladas, e a investigação voltaria à estaca zero. Os depoimentos já colhidos, a acareação entre banqueiros e os mandados de busca cumpridos na semana passada não teriam mais validade.

Ministros do STF defendem envio do caso Master à 1ª instância como 'saída honrosa' para Toffoli

  • Por Luísa Martins / José Marques e Adriana Fernandes | Folhapress
  • 22 Jan 2026
  • 14:40h

Foto: Reprodução/Bahia Notícias

ara contornar a crise de imagem enfrentada atualmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em razão dos desdobramentos do caso Master, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma "saída honrosa" para o ministro Dias Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.
 

Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.
 

A operação Compliance Zero —cujo principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — começou na Justiça Federal em Brasília, mas subiu para o Supremo depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.
 

Outra investigação, que se iniciou no âmbito da Justiça Federal em São Paulo, também foi enviada ao STF e fundamentou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, e que apura suspeitas de fraudes realizadas no Master por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.
 

Contudo, até agora, não há qualquer linha de apuração que aponte para o envolvimento do parlamentar nas fraudes bancárias, segundo investigadores a par do caso. Bacelar afirma que participou de um fundo para a construção de um condomínio na Bahia e que Vorcaro havia demonstrado interesse em adquirir parte do projeto, mas a transação não foi adiante.
 

Uma ala da corte afirma que Toffoli poderia aproveitar a falta de evidências contra Bacelar para devolver os autos ao primeiro grau —seria uma maneira de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.
 

Nessa hipótese, os termos dos depoimentos dos investigados, a ata da acareação entre banqueiros e os resultados dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) na semana passada seriam compartilhados com a Justiça Federal e a investigação não precisaria voltar à estaca zero.
 

O envio do processo à primeira instância também é defendido por integrantes do MPF (Ministério Público Federal), por pessoas próximas a Toffoli e por advogados que acompanham o caso, embora tenha sido a defesa de Vorcaro a autora do requerimento para que a investigação fosse supervisionada pelo STF.
 

Apesar desses apelos, Toffoli descarta abandonar a relatoria das investigações, como mostrou a Folha. A interlocutores, o ministro afirmou que não existe razão para abdicar do processo, pois não se enquadra nas hipóteses objetivas de impedimento previstas em lei, nem tem qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.
 

O Código de Processo Penal prevê que o juiz está impedido de atuar nas ações em que seu cônjuge ou parente tenha participado; em que ele próprio tenha atuado no passado (como advogado ou juiz de instância inferior); ou em que ele ou seus familiares forem "diretamente interessados".
 

Já a suspeição tem caráter subjetivo e diz respeito a situações, por exemplo, em que o ministro é amigo íntimo das partes ou dos advogados, recebe presentes de pessoas interessadas na causa ou aconselha as partes. Se houver motivo de foro íntimo, ele não é obrigado a detalhá-lo.
 

Toffoli sinalizou que essas variáveis não estão em jogo e argumentou que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.
 

Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo, se volta à primeira instância ou se o caminho é um meio-termo —um desmembramento da investigação, em que o ministro fica responsável por autoridades com foro e a Justiça Federal, pelos demais investigados.
 

Desde o início, o ministro tem tentado acelerar procedimentos da investigação, enquanto mantém controle completo sobre os seus rumos, o que já causou atritos com a PF. A acareação que ocorreu em 30 de dezembro entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, por exemplo, foi marcada antes de serem tomados os depoimentos dos investigados.
 

Toffoli acabou definindo que os dois fossem ouvidos pela delegada do caso nas horas que antecederam a acareação. Ele também determinou que ela fizesse aos banqueiros mais de 80 perguntas elaboradas pelo seu próprio gabinete.
 

Na última semana, Toffoli também decidiu que a PF, que pretendia tomar outros depoimentos do inquérito nas semanas entre o final de janeiro e o início de fevereiro, resumisse esse procedimento a dois dias. O cronograma ficou definido para os próximos dias 26 e 27.
 

Além disso, o ministro definiu, por conta própria, os peritos que vão analisar as provas obtidas na última fase da Compliance Zero, o que fez a própria PF pedir ajuda ao governo para questionar a decisão. A associação de delegados da corporação disse que as decisões do ministro são uma "afronta às prerrogativas" da categoria.