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- Por Isabella Menon | Folhapress
- 14 Fev 2026
- 14:25h
Foto: Divulgação/Polícia de Fairfax
A babá brasileira Juliana Peres Magalhães foi condenada pela Justiça dos Estados Unidos a 10 anos de prisão por homicídio. A sentença foi proferida no condado de Fairfax (no estado da Virgínia) na tarde desta sexta-feira (13).
Ela foi considerada culpada de participar dos assassinatos de Christine Banfield e Joseph Ryan em 2023. Além do período presa, terá que cumprir mais dois anos de liberdade condicional. À época, ela mantinha um relacionamento com Brendan Banfield, pai da família para a qual trabalhava e marido de Christine.
Segundo a investigação, ele e Juliana elaboraram um plano para matar a mulher que envolvia o uso de um site fetichista e treinamento de tiro. Em depoimento, a brasileira disse que o objetivo do crime era permitir que eles pudessem ficar juntos.
Durante a audiência nesta sexta-feira, familiares de Joseph testemunharam sobre o caso. Sua mãe, Deirdre Fisher, leu um depoimento emocionado em que relatou a dor da perda do filho.
"Perdi meu confidente, que me ouvia sem julgamento e que custava dizer que eu deveria me tratar com mais carinho. Perdi a chance de ser um dia ser chamada de avó e nunca mais serei chamada de mãe. Perdi minha rocha e a pessoa que sempre esteve por mim", afirmou Fisher. Ela se emocionou durante a fala e afirmou que o filho foi morto a sangue frio e por motivos fúteis. "Meu filho não é descartável."
A tia Sangita Ryan também esteve presente e afirmou que Juliana teve a oportunidade de impedir a tragédia, mas não fez.isso. "Ela teve a oportunidade de deter esse crime. Ela poderia ter impedido, mas não fez. Ela poderia ter protegido a criança que cuidava, mas não fez. Apesar de ter falado a verdade, isso não tira a responsabilidade."
Juliana está presa desde a época do crime e aceitou um acordo com a Procuradoria de Fairfax, no qual confessou participação na trama e se declarou culpada pela morte de Ryan. Antes do acordo, ela respondia por homicídio em segundo grau (que tem uma pena maior) e uso ilegal de arma de fogo.
Com a colaboração na investigação, a acusação foi reclassificada para " manslaughter", um tipo de homicídio com pena menor, de no máximo dez anos de prisão.
De acordo com os autos do processo, Juliana e Brendan criaram um perfil falso em um site de fetiches, se passando por Christine. Por meio desse perfil, marcaram um encontro com Ryan na casa da família. O plano era matar Christine e fazer parecer que o crime havia sido cometido por ele.
Brendan foi considerado culpado pelos assassinatos em um veredito divulgado no fim de janeiro. Ele também foi condenado por uso de arma de fogo e por colocar uma criança em perigo —a filha do casal, então com quatro anos, estava na residência no momento do crime.
A posutra de Brendan foi classificada pela Promotoria como "monstruosa" por cometer os crimes e ainda mentir no banco das testemunhas. Segundo a acusação, ele desejava construir uma vida com Juliana e não via outra forma de fazê-lo sem matar a esposa.
Segundo o jornal The New York Times, durante a audiência, o advogado de Brendan, John Carroll, alegou que Juliana teria iniciado conversas com um jornalista interessado em comprar sua história. De acordo com mensagens apresentadas no tribunal, o plano seria produzir um documentário para a Netflix sobre o caso.
Após a audiência da sentença, os advogados de Juliana e de Bredan não quiseram comentar os detalhes e as decisões com a imprensa.
- Por Folhapress
- 14 Fev 2026
- 12:25h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A sessão reservada do STF (Supremo Tribunal Federal) na quinta-feira (12) que terminou com a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master teve críticas à atuação da Polícia Federal e preocupação com a imagem do tribunal, segundo reportagem do Poder360.
De acordo com o portal, 8 dos 10 ministros votariam pela permanência de Dias Toffoli no caso. Só Fachin e Cármen Lúcia sinalizavam ser contrários. Prevaleceu a proposta do ministro Flávio Dino para que o tribunal soltasse uma nota conjunta de apoio a Toffoli e, em troca, o ministro entregasse o caso para redistribuição. Após sorteio, o novo relator passou a ser André Mendonça.
Os ministros se reuniram para discutir um relatório de 200 páginas elaborado pela PF e entregue ao STF que serviria para arguir a suspeição de Toffoli na relatoria do caso Master. O Poder 360 reproduziu falas dos magistrados na íntegra, o que levantou suspeitas de que alguém gravou o encontro.
Uma ala do STF suspeita do próprio ministro Dias Toffoli, que nega.
No encontro dos dez ministros, Toffoli teria dito que olharia "nos olhos" de Fachin e declarado "não ter nada a temer", segundo o Poder360.
Gilmar Mendes teria afirmado que "o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar".
Alexandre de Moraes teria dito que a investigação sobre Toffoli era ilegal e afirmado ter alertado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que, se houvesse um achado sobre uma autoridade com prerrogativa de foro, a polícia não poderia seguir atuando sem autorização.
Segundo o site, Moraes disse ser "amigo" de Andrei Rodrigues, mas que votaria a favor de Toffoli.
Luiz Fux teria feito uma das intervenções mais curtas da sessão: "O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo".
Kassio Nunes Marques teria afirmado que não caberia arguição de suspeição no caso. "Para mim, isso é um nada jurídico", afirmou, segundo a reportagem. Disse ter lido "rapidamente" o relatório da PF e não ter visto "nada" que justificasse "a suspeição ou o impedimento do ministro Toffoli".
Para Kassio, realizar uma sessão extraordinária para analisar a arguição seria "incabível". "Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil", afirmou, de acordo com o portal.
A ministra Cármen Lúcia teria manifestado preocupação com a imagem do tribunal. "Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo", disse, segundo o Poder360.
Cármen teria afirmado ter "confiança" em Toffoli, mas que era necessário "pensar na institucionalidade". Defendeu que fosse realizada na sexta-feira (13) uma sessão extraordinária para resolver o caso antes do Carnaval, "para isso não ficar sangrando, porque não é só você [Toffoli] que sangra, é a Corte inteira", de acordo com a reportagem.
Cristiano Zanin teria dito que votaria pela permanência de Toffoli, segundo o Poder360.
"Sou há um ano e meio relator de um caso que envolve três ministros do STJ [Superior Tribunal de Justiça] e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo", teria afirmado, de acordo com o portal.
Flávio Dino teria classificado o relatório da PF como "lixo jurídico".
O ministro teria cobrado Fachin: "Eu acho, senhor presidente, que o senhor deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência", sugerindo que o presidente do STF deveria ter rechaçado o relatório de Andrei Rodrigues quando o recebeu.
Dino teria dito ser a favor da relatoria permanecer com Toffoli e que suspeição de ministros do STF só poderia ser considerada em situações extremas, como "pedofilia, e se tiver prova, e de estupro, e se tiver prova". Completou: "E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF futebol clube", segundo o portal.
A reportagem não reproduz a íntegra do que foi falado no encontro e não fica claro quando a tendência mudou para afastar Toffoli da relatoria. A proposta da nota conjunta partiu de Dino, que teria sugerido incluir que "o ministro Dias Toffoli, num gesto de grandeza e em defesa da institucionalidade, tendo em vista o apoio recebido, encaminhará o caso para redistribuição".
O ministro André Mendonça teria dito que a investida da Polícia Federal pode acontecer com qualquer um ali e teria indagado: "Quero saber se vão dar esse tratamento para mim".
Zanin alertou que reconhecer a suspeição de Toffoli levaria a "tudo o que foi feito de coleta de provas até agora ser declarado nulo", segundo o Poder360. Dino teria emendado: "E muita gente vai ficar feliz. E talvez seja isso que esteja por trás de tudo".
Fachin teria insistido em levar o caso ao plenário no dia seguinte, mas ficou em minoria, diz a reportagem.
Toffoli disse que entendia ter maioria e que encaminharia à presidência o pedido para redistribuição do processo. "Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do processo. Eu preferia que fosse diferente, mas se for a decisão hoje para parar hoje… é melhor e eu aceito", teria declarado, segundo o Poder360.
- Bahia Notícias
- 14 Fev 2026
- 10:52h
Foto: STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino votou nesta sexta-feira (13) contra a aplicação da Lei da Anistia para crimes cometidos durante a Ditadura Militar, como o de ocultação de cadáver. O julgamento, no entanto, foi interrompido após o ministro Alexandre de Moraes solicitar vista do processo.
Dino é o relator da ação que discute os limites da Lei da Anistia de 1979. Para ele, a legislação não se aplica a crimes que se estendem no tempo, com natureza permanente.
O ministro argumentou que crimes como ocultação de cadáver e sequestro mantêm a consumação ativa ao longo do tempo, já que a privação de liberdade ou o desaparecimento da vítima continuam produzindo consequências.
O julgamento ocorre em plenário virtual e estava previsto, antes do pedido de Moraes, para seguir até o dia 24 de fevereiro.
- Por Raphael Di Cunto | Folhapress
- 14 Fev 2026
- 08:48h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se queixaram da postura do governo Lula (PT) na crise que levou à saída de Dias Toffoli da função de relator do inquérito sobre o Banco Master na corte. Os magistrados fizeram chegar ao Palácio do Planalto a avaliação de que a Polícia Federal teria agido fora da lei e de que petistas tentam explorar o caso politicamente.
As críticas dos ministros direcionadas à PF dizem respeito principalmente ao material entregue ao presidente da corte, Edson Fachin, em que investigadores apontam conexões entre Toffoli e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para os magistrados, essa apuração foi feita de forma ilegal porque não teve autorização do STF.
Além disso, integrantes do Supremo disseram ao Planalto que o governo tentou tirar proveito político da situação ao divulgar, de forma reservada, relatos de que Lula queria a saída de Toffoli da relatoria e que via desgastes no tribunal.
O mal-estar ganhou corpo no STF, e ministros do tribunal avaliam fazer uma investigação sobre as condutas da PF e da Receita Federal em um inquérito na corte, segundo três fontes ouvidas pela Folha de S.Paulo. Como a PF e a Receita estão sob o comando de nomes de confiança do governo, os magistrados estenderam a responsabilidade ao Planalto.
Depois de receber os recados, o governo instalou uma operação de redução de danos. O Planalto orientou ministros a evitarem qualquer tom político em comentários sobre a situação do caso Master, sem críticas ao trabalho de magistrados. Mesmo em conversas reservadas, o discurso oficial seria o de que a PF deve ter uma atuação técnica.
Políticos do centrão que têm bom trânsito no STF avaliam que o episódio do afastamento de Toffoli da relatoria do processo envolvendo o Master pode abalar a relação de Lula com a Corte, que foi a principal fiadora do governo desde o fim da gestão Jair Bolsonaro (PL), atuando para auxiliar na governabilidade diante de uma base instável no Congresso.
Um dirigente partidário que conversou com ministros do STF durante a crise afirmou que a oposição não entendeu que mira suas armas para os alvos errados ao convocar manifestações pelo impeachment de Toffoli e do ministro Alexandre de Moraes para o dia 1º de março.
Após as conversas, ele diz que os ministros já teriam mudado de lado e estão hoje mais incomodados com o atual governo do que simpáticos à gestão petista.
A relação de Lula com os ministros já não era mais tão fluida desde a escolha de Jorge Messias para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso no tribunal. O grupo formado por Moraes, Gilmar Mendes, Toffoli e Flávio Dino advogava pela indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
As investigações sobre Toffoli pela PF, que na segunda-feira (9) entregou um relatório de 200 páginas sobre as relações do ministro com o Banco Master para afastá-lo da relatoria do processo, agravaram as queixas. O STF rejeitou a suspeição do ministro, que se afastou voluntariamente do processo. André Mendonça foi sorteado para o seu lugar.
Para os ministros, a PF agiu de forma ilegítima ao investigar Toffoli –que tem prerrogativa de foro– sem autorização judicial. Parte deles também defende que a Receita Federal estaria participando desses vazamentos, o que tem rendido críticas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
Toffoli admitiu que recebeu dinheiro da venda da participação em um resort, mas negou que tenha relação de amizade com Daniel Vorcaro, dono do Master.
A cúpula do Congresso e o centrão atuam para blindar Toffoli e conter a discussão sobre o impeachment por causa do caso do Master. Em telefonemas ao longo da quinta-feira (12) com Toffoli e outros ministros, dirigentes partidários e a cúpula do Congresso procuraram tranquilizar o magistrado e afirmaram que o Legislativo não tomará iniciativas de investigá-lo ou pressioná-lo para que deixe o cargo.
Eles criticam o que chamam de uma "Lava Jato 2", com o "vazamento seletivo" de informações contra políticos e os ministros do Supremo e o "pré-julgamento" de Toffoli pela opinião pública. Um deles afirma que o STF passou a ser alvo dos mesmos procedimentos que eles já viviam com a PF.
Um grupo de parlamentares defende nos bastidores a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os vazamentos, mas ninguém ainda tomou a iniciativa de recolher assinaturas para propor o colegiado –e três pedidos de CPI sobre o Banco Master aguardam decisão dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que resistem a instalar essas investigações.
Além das reclamações sobre a atuação da PF, a cúpula do centrão também está com a Receita Federal no radar. Os políticos dizem que há direcionamento de investigações para atacar adversários políticos e vazamento de informações para a imprensa para colocá-los em suspeição.
Haddad tem elogiado o papel da Receita Federal sob a gestão de Robinson Barreirinhas e afirmado que as operações em curso têm seguido a legalidade para chegar aos "verdadeiros ladrões da nação". O ministro deve deixar o cargo até abril para concorrer nas eleições deste ano.
- Por Carolina Faria | Folhapress
- 13 Fev 2026
- 16:50h
Foto: Reprodução / Facebook
A reunião entre o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), prevista para ocorrer nesta quinta-feira (12), foi adiada para depois do Carnaval. Segundo o governador, o encontro servirá para discutir estratégia política, apoios e os próximos passos nas eleições de 2026.
A reunião marcará o primeiro encontro entre eles desde a crise entre o governador e o clã Bolsonaro há cerca de um mês.
A declaração foi dada em evento em Guarulhos (Grande SP) para o anúncio de R$ 80 milhões em obras de infraestrutura no município. Tarcísio ressaltou o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à sua trajetória política e afirmou: "Agora nós vamos segurar a mão do Flávio, vamos com tudo".
Além disso, o governador disse que estar trabalhando para eleger dois senadores por São Paulo. Uma das vagas, segundo ele, já está definida, com o nome do seu ex-secretário Guilherme Derrite (PP), que classificou como "bem posicionado e consolidado". Já a segunda candidatura, afirmou, será escolhida com base em pesquisas de intenção de voto.
Tarcísio negou que haja favorito para a segunda vaga e afirmou que a composição será construída em diálogo com os partidos aliados. "É normal que os partidos façam pleitos por essas vagas. A gente vai montar esse grupo dentro de uma lógica de harmonia, com todo mundo motivado para vencer as eleições", afirmou.
Sobre a disputa jurídica envolvendo o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), disse que São Paulo ingressou com ação no STF (Supremo Tribunal Federal) depois de aderir ao novo regime e ser cobrado por regras anteriores. "Estou num regime e querem me cobrar pelo outro. Não faz o menor sentido", afirmou.
O governador ainda comentou a situação de Bolsonaro, que está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha, em Brasília. "O presidente não tem saúde para estar no regime fechado, ele precisa estar com a família para ter a melhor assistência possível", disse.
- Bahia Notícias
- 13 Fev 2026
- 14:25h
Foto: Tânia Rego / Agência Brasil
O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro absolveu, na noite desta quarta-feira (11), os policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, acusados de homicídio qualificado pela morte do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos. O caso ocorreu em agosto de 2023, na Cidade de Deus, zona oeste da capital fluminense.
Os dois agentes, que integravam o Batalhão de Choque, também foram inocentados da acusação de tentativa de homicídio contra Marcos Vinicius de Sousa Queiroz. Os adolescentes estavam juntos em uma motocicleta quando foram atingidos por disparos de fuzil. Marcos foi baleado na mão e sobreviveu. Em depoimento, ele afirmou que Thiago não estava armado no momento do crime.
O julgamento durou dois dias e foi marcado por intensos debates entre acusação e defesa. A decisão pela absolvição foi tomada pela maioria dos sete jurados. Os policiais ainda respondem a outro processo por fraude processual.
O juiz Renan Ongaratto, responsável pela sessão, afirmou que o Judiciário não ignora a dor da família das vítimas, mas destacou que o veredicto representa a decisão do tribunal do júri.
Em nota, a Anistia Internacional criticou o resultado do julgamento e declarou que o caso desviou o foco ao retratar o adolescente como criminoso, em vez de vítima da letalidade policial.
- Por Matheus dos Santos | Folhapress
- 13 Fev 2026
- 12:36h
Foto: Divulgação/Braskem
As ações da Braskem caíram 11,26% e encerraram o pregão cotadas a R$ 9,61 na Bolsa de Valores brasileira. Segundo analistas, a desvalorização acompanha notícia de que a empresa estaria por trás do calote de R$ 3,6 bilhões que uma única empresa deu no Banco do Brasil no quarto trimestre de 2025.
A empresa nega ter a dívida. "A Braskem informa que não tem dívida com o referido banco, assim como não tinha em 2025", afirmou em nota à imprensa. A companhia também divulgou comunicado ao mercado com a negativa.
"No mercado, a possibilidade de a Braskem ter dado um calote no Banco do Brasil, prejudicando o resultado do balanço da instituição, pressionou os papéis. Há apreensão com a situação econômica da empresa", afirma João Daronco, analista da Suno Research.
Segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela coluna Painel S.A., a Braskem estaria por trás do calote. A informação já havia sido veiculada anteriormente pelo terminal Broadcast. A operação de crédito que estava inadimplente, porém, foi regularizada em janeiro deste ano, segundo as mesmas pessoas.
No balanço do quarto trimestre, divulgado na última quarta-feira (11), o Banco do Brasil informou que a inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,17%, ante 3,16% no ano anterior.
Na carteira de pessoas jurídicas, o índice atingiu 3,75%, impactado principalmente por um caso específico na carteira de títulos e valores mobiliários (TVM), no valor de R$ 3,6 bilhões, conforme consta no balanço -montante que, segundo relatos de mercado, estaria relacionado à Braskem.
"Trata-se de uma companhia que já se encontra em situação delicada, tanto pelo cenário macroeconômico quanto pela dinâmica desfavorável dos preços petroquímicos. No caso da Braskem, o que agrava esse quadro é o nível elevado de endividamento", afirma Daronco, da Suno.
Uma das maiores petroquímicas do mundo, a Braskem enfrenta um ciclo de baixa nos preços das matérias-primas, além da concorrência de produtos americanos. A empresa também lida com incertezas relacionadas ao passivo do afundamento das minas de sal-gema em Maceió.
Também nesta quinta-feira, a petroquímica informou o mercado que a Petrobras não exerceu seu direito de preferência em uma potencial venda da fatia de 38,3% detida pela Novonor (ex-Odebrecht). A petroleira estatal possui outros 36,1% do capital total da Braskem.
- Por Lucas Marchesini e Diego Felix | Folhapress
- 13 Fev 2026
- 10:33h
Foto: Rosinei Coutinho / STF
A Maridt Participações, empresa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, contratou Guilherme Lippi, que é sócio do escritório do advogado Walfrido Warde desde 2014. Warde foi um dos principais profissionais da equipe de defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a partir de 2017, e deixou de atuar para ele no final de janeiro deste ano.
Lippi aparece como advogado da Maridt em dois documentos apresentados na Junta Comercial de São Paulo em dezembro de 2022 e janeiro de 2023, quando a empresa era sócia do fundo Arleen no resort Tayayá, no interior do Paraná. Esse fundo pertence a uma rede controlada pelo Banco Master.
A participação de um sócio de Warde como advogado da empresa de Toffoli representa mais um vínculo entre o ministro e um profissional que atuava a favor de Vorcaro. Na ocasião, Warde também contava em seu escritório com a advogada Roberta Rangel, então mulher do ministro.
O nome de Lippi aparece em atas de assembleias gerais extraordinárias dos acionistas. A primeira, de 5 de dezembro de 2022, consolida o estatuto social da Maridt. Na época, os diretores da empresa eram os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugenio Dias Toffoli.
A segunda ata, de 14 de março de 2023, trata da substituição de José Carlos Dias Toffoli na diretoria por um outro parente do ministro, Igor Luiz Pires Toffoli. Nos dois casos, o nome dos acionistas é deliberadamente omitido.
A firma Warde Advogados afirmou que a Maridt não é cliente da banca, "que observa, para além disso, que está sujeita aos deveres de sigilo que pautam a advocacia".
A reportagem apurou que a atuação de Lippi com a Maridt se deu sem vinculação direta com o escritório. O advogado Warde também não teria atuado no Supremo no escândalo Master. Warde participou da defesa do ex-banqueiro no caso em outras frentes, segundo fontes próximas a ele.
A mulher de Toffoli, a advogada Roberta Rangel, entrou no escritório de Warde em 2021 e ficou até fevereiro de 2023. Os dois se divorciaram no ano passado.
Toffoli não comentou a ligação entre sua empresa e a banca que advoga para Vorcaro. Sua nota afirma que "a Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil".
"Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas", afirmou o ministro.
A Folha de S. Paulo revelou que Toffoli era sócio da Maridt Participações, empresa que detinha uma participação no resort Tayayá. A revelação veio após a PF (Polícia Federal) consultar o STF (Supremo Tribunal Federal) sobre uma possível suspeição de Toffoli em relação ao caso Master.
A consulta se baseou em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro que mencionavam o ministro.
Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), como mostrou a Folha de S. Paulo, a empresa dos irmãos Toffoli dividiram o controle do Tayayá, no Paraná, com o fundo de investimentos Arleen, que compõe a rede de fundos fraudulentos do Banco Master.
O Arleen entrou na sociedade em 2021, comprando cotas de empresas que pertenciam aos irmãos e a um primo de Toffoli. O Arleen era de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.
Em nota, Toffoli afirmou que nunca soube quem era o gestor do Arleen e que jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro
Zettel vendeu o Arleen para um empresário amigo do ministro Dias Toffoli, Alberto Leite, que ficou com as cotas do fundo entre fevereiro e julho de 2025, como mostrou a Folha de S. Paulo.
Hoje, o Tayayá pertence ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que comprou as participações de todos os sócios. O empresário também é advogado e atuou para a JBS.
A PF também encontrou no celular de Vorcaro conversas entre o banqueiro e Toffoli. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela reportagem com uma autoridade que acompanha as investigações.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 13 Fev 2026
- 08:29h
Foto: Gustavo Moreno/STF
Em sorteio realizado pelo Supremo Tribunal Federal na noite desta quinta-feira (12), o ministro André Mendonça foi escolhido como o novo relator da investigação que apura possíveis fraudes cometidas pelo Banco Master. Mendonça assume o lugar que foi deixado pelo ministro Dias Toffoli.
A decisão de Toffoli de deixar a relatoria do processo foi tomada após uma longa reunião comandada nesta quinta pelo presidente do STF, Edson Fachin, e que contou com a presença de todos os ministros. A reunião teve início por volta das 16h15 e se estendeu até às 19h, quando os ministros fizeram uma pausa, para depois retomarem as conversas das 20h até às 20h30.
O ministro André Mendonça agora vai herdar todas as provas e atos relacionadas ao processo do Banco Master. A saída de Toffoli e o sorteio de um novo relator aconteceu após uma reunião em que participaram todos os magistrados.
Os magistrados decidiram rejeitar a ação que podia retirar Toffoli da relatoria e o ministro pediu que o presidente da Corte fizesse um novo sorteio para a escolha de outro relator. Em uma nota assinada por todos os 10 ministros, os colegas de Corte expressaram apoio pessoal a Toffoli e rejeitaram a existência de indícios que apontassem para a suspeição do então relator.
“Respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR”, diz o texto assinado pelos ministros.
Segundo a jornalista Monica Bergamo, durante a reunião, os ministros fizeram críticas à Polícia Federal por investigar Dias Toffoli sem autorização. De acordo com fontes consultadas pela jornalista, o novo relator, André Mendonça, teria sido o que verbalizou a crítica mais contundente à PF, com a maioria dos magistrados concordando com suas observações.
“Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”, teria dito o ministro André Mendonça, em relatos feitos à jornalista da Folha de S.Paulo.
Para investigar um integrante do Supremo, a PF precisa de autorização da própria Corte. Para ministros do tribunal, o relatório entregue pela corporação a Fachin deixa evidente que os indícios apresentados pela PF contra Toffoli não foram encontrados por acaso pelos agentes.
- Bahia Notícias
- 12 Fev 2026
- 16:21h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Ministério Público Federal (MPF) consideraram insuficientes as respostas apresentadas pela empresa X após uma Recomendação conjunta sobre falhas envolvendo a ferramenta de inteligência artificial Grok.
A plataforma afirmou ter removido milhares de publicações e suspendido centenas de contas, além de adotar medidas de segurança. No entanto, os órgãos apontaram ausência de evidências, relatórios técnicos ou mecanismos que comprovem a eficácia das ações. Testes preliminares indicaram que ainda há circulação de conteúdos incompatíveis com as recomendações.
Diante disso, Senacon e ANPD determinaram que o X adote imediatamente medidas para impedir que o Grok produza conteúdos sexualizados envolvendo crianças, adolescentes ou adultos sem consentimento, além de exigir informações detalhadas sobre as providências adotadas. A ANPD também deu prazo de cinco dias úteis para a empresa comprovar a eficácia das medidas.
O MPF ainda determinou o envio de relatórios mensais com dados sobre remoção de conteúdos e suspensão de contas relacionadas à produção de deepfakes, destacando falta de transparência nas respostas da empresa.
- Bahia Notícias
- 12 Fev 2026
- 14:16h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaria atrás de Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Ratinho Jr. em um eventual segundo turno em São Paulo, segundo pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta quinta-feira (12). O levantamento consultou 1.580 eleitores entre os dias 06 e 10 de fevereiro de 2026, apresentando uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
No cenário espontâneo, o presidente Lula lidera com 21,1%, seguido por Jair Bolsonaro com 14,4%, Flávio Bolsonaro com 5,8% e Tarcísio de Freitas com 5,1%. Contudo, o dado mais expressivo é o de eleitores que ainda não sabem ou não opinaram, que somam 47,2%.
Quando a pesquisa passa para os cenários estimulados, a direita ganha vantagem numérica. Em um primeiro cenário, Flávio Bolsonaro aparece com 37,8% das intenções de voto, contra 33,7% de Lula. Já em um segundo cenário, com a presença de Tarcísio de Freitas, o atual governador atinge 40,3%, enquanto Lula mantém 33,9%.
A situação para o governo federal torna-se ainda mais complexa nas simulações de segundo turno. Em um eventual confronto direto, Tarcísio de Freitas venceria Lula com 53,7% contra 36,0%.
Contra Flávio Bolsonaro, o placar seria de 49,1% para o senador e 38,2% para o petista. Lula também aparece atrás de Ratinho Junior, que soma 47,5% contra 37,0% do atual presidente. O comparativo histórico mostra que a vantagem de Tarcísio sobre Lula em São Paulo cresceu, passando de 50,4% em agosto de 2025 para os atuais 53,7%.
A avaliação da administração federal em São Paulo reflete esses números eleitorais, com uma desaprovação majoritária de 54,7% contra 42,1% de aprovação. Na classificação detalhada, 38,5% dos paulistas consideram a gestão "péssima", enquanto apenas 12,3% a classificam como "ótima".
A pesquisa foi realizada com uma amostra representativa que atinge um grau de confiança de 95,0%, utilizando entrevistas pessoais e domiciliares em 78 municípios paulistas.
- Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
- 12 Fev 2026
- 10:09h
Foto: Antonio Augusto/STF
Em nota pública divulgada nesta quinta-feira (12), o ministro Dias Toffoli, por meio do seu gabinete no Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter qualquer relação pessoal ou financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O ministro também buscou esclarecer sua sociedade com a empresa Maridt.
Segundo informação divulgada na noite desta quarta (11) pela jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ministro do STF havia recebido dinheiro da Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo ligado aos negócios de Daniel Vorcaro. Mensagens sobre essa operação apareceram na perícia feita pela Polícia Federal no celular do dono do Banco Master e de outras pessoas envolvidas nas investigações.
Na nota pública, o gabinete de Dias Toffoli explica que a Maridt é uma empresa familiar organizada como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações regularmente apresentadas à Receita Federal. Segundo o gabinete, todas as declarações da empresa e de seus acionistas “sempre foram devidamente aprovadas”.
O ministro integra o quadro societário, mas a administração da empresa é feita por parentes. A nota afirma que essa condição é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que veda apenas que magistrados exerçam atos de gestão.
A nota informa que a Maridt integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025, quando foi concluída sua saída por meio de duas operações sucessivas: venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021; alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Ainda segundo o gabinete, todas as operações foram declaradas à Receita Federal e ocorreram “dentro de valor de mercado”. O gabinete afirma também que a ação relativa à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro em 28 de novembro de 2025, “quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”.
Um relatório entregue pela Polícia Federal ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, reúne mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, nas quais os dois discutem transferências financeiras relacionadas à empresa Maridt.
O conteúdo do documento elaborado pela PFfoi compartilhado por Fachin com outros ministros do STF. A Polícia Federal sustenta que Dias Toffoli seria suspeito para continuar na relatoria do processo que envolve o banco Master, ligado ao grupo controlado por Vorcaro.
O ministro Edson Fachin, conforme descrito no relatório, já teria notificado Dias Toffoli para que ele apresente explicações sobre os fatos mencionados.
Leia abaixo a íntegra da nota de Toffoli:
"A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas. O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.
De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador. A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025.
A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel"
- Por Claudia Colluci | Folhapress
- 12 Fev 2026
- 08:02h
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil
Um grupo de pesquisadoras e gestores públicos está elaborando uma proposta inédita a ser levada à OMS (Organização Mundial da Saúde): enquadrar o feminicídio na CID (Classificação Internacional de Doenças, sistema adotado mundialmente para registrar causas de adoecimento e morte.
A iniciativa, que tem apoio do Ministério da Saúde, busca tirar o feminicídio da invisibilidade estatística na área da saúde, onde hoje essas mortes aparecem apenas como "homicídio", "agressão" ou "causa externa", e criar bases para uma política de vigilância, prevenção e intervenção semelhante à usada em outras emergências sanitárias.
Em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios e, como resposta ao problema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou no dia 4 o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A ação foi anunciada em parceria com os Poderes Legislativo e Judiciário, mas os detalhes práticos para implementar os objetivos do pacto não foram apresentados.
De acordo com a médica epidemiologista Fátima Marinho, pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e uma das colaboradoras do projeto, será proposta a criação da categoria Violência contra a Mulher na próxima atualização da CID-11 e, dentro dela, entraria o feminicídio.
O objetivo vai além da nomenclatura. A ideia é que a criação de um código na CID permita estruturar uma vigilância contínua do feminicídio, integrando dados de saúde, segurança pública, Justiça, assistência social, entre outros. "Se você não tiver vigilância, não consegue alimentar um sistema nem pensar em prevenção", diz Marinho.
O tema vem sendo discutido com organismos internacionais, como OMS, ONU Mulheres e UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime). "O feminicídio não é um homicídio qualquer. É um crime de ódio, marcado por gênero, e exige uma articulação de informações muito mais complexa", afirma.
Para demonstrar a viabilidade da ideia, a pesquisadora desenvolveu um marco conceitual e uma matriz de decisão baseada em evidências, com cinco níveis de classificação (do "feminicídio com 100% de certeza" ao "não foi feminicídio").
A lógica segue a epidemiologia: trabalhar com probabilidades, como já ocorre em doenças infecciosas, para que casos suspeitos também entrem no radar do sistema.
Estudos conduzidos pela pesquisadora mostram que a dependência exclusiva dos registros criminais distorce o fenômeno. No Rio Grande do Norte, por exemplo, apenas mortes de mulheres com medida protetiva vigente entram na estatística oficial de feminicídio.
O resultado é perverso: mulheres brancas, com maior acesso à Justiça, aparecem mais nos dados, enquanto mulheres negras e pobres, que recorrem mais à saúde e menos à polícia, ficam invisíveis.
A matriz de decisão está sendo testada em municípios como Goiânia, Recife, Rio de Janeiro e nos estados de Goiás e Rio Grande do Norte. Em Goiânia, foi criado um comitê que cruza dados da saúde com os da segurança com objetivo de mapear a violência contra a mulher.
Esse cruzamento de informações já indicou, por exemplo, que as mulheres que sofrem agressões físicas e que são internadas podem ser mortas em um período entre 3 e 32 dias após o registro da violência.
O comitê já registrou um caso em que uma mulher foi notificada com suspeita de violência e dois dias depois morreu. A causa básica de morte constava como acidente de transporte não especificado. Ao fazer a investigação, a equipe encontrou testemunhas que confirmaram que o companheiro havia jogado-a do caminhão.
O município de Goiânia abriga a Patrulha Mulher Mais Segura, da Guarda Civil Metropolitana, que acompanha cerca de 13 mil mulheres com medidas protetivas. "Hoje, quando uma mulher é morta, isso aparece nos sistemas de saúde só como homicídio ou agressão, escondendo a motivação de gênero", afirma a comandante Luiza Sol, responsável pela patrulha.
"Ao integrar o histórico que a patrulha acompanha, por exemplo, ameaças, descumprimento de medidas, comportamento do agressor, com os dados da saúde, conseguimos mostrar que o feminicídio é o desfecho de um ciclo de violência, não um fato isolado", explica Sol.
Essa integração de bases de dados é uma estratégia já usada por pesquisadores da Fiocruz Minas. A socióloga Paula Bevilacqua, que coordena um grupo de pesquisa sobre violência, gênero e saúde, explica que estudos com dados do Ministério Público e sistemas nacionais de saúde mostram que muitas vítimas de feminicídio passaram repetidas vezes por unidades básicas, ambulatórios e hospitais antes de morrer.
"Elas aparecem no Sistema de Notificação de Violência, em atendimentos ambulatoriais, com sinais claros de agressão. A saúde perde oportunidades de identificar o risco e acionar a rede de proteção", diz. Segundo ela, os dados estão pulverizados e raramente conversam entre si, o que dificulta respostas coordenadas.
Para Marinho e Bevilacqua, tratar o feminicídio como uma questão de saúde pública é fundamental para romper esse ciclo. Estudos indicam que a violência de gênero está associada a adoecimento crônico, sofrimento mental e morte, afetando de forma desigual mulheres negras, pobres, periféricas, indígenas e trans.
"Não é um fenômeno distribuído igualmente", afirma Bevilacqua. "Há marcas de racismo, desigualdade social e controle territorial." Nesse contexto, explica, a criação de um código na CID daria visibilidade ao problema e sustentaria políticas de prevenção, formação de profissionais e atuação intersetorial.
O grupo trabalha contra o relógio. Há prazo para enviar a proposta à OMS até o fim de fevereiro. A expectativa é que a estratégia se torne um bem público, incorporando inclusive ferramentas de inteligência artificial para identificar padrões de risco a partir de dados da atenção primária, secundária e hospitalar. "A ideia é agir antes da fatalidade", resume Fátima Marinho. "Não é ampliar números por ampliar, mas usar a informação para salvar vidas."
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que está avaliando proposta para aprimorar o registro de casos de feminicídio no âmbito dos sistemas de informação em saúde, incluindo a possibilidade de incorporação desse modelo à CID. "Essa avaliação, ainda em fase inicial, envolve análises de viabilidade operacional, metodológica e normativa, além de discussões com especialistas e entes federativos", diz o ministério.
- Bahia Notícias
- 11 Fev 2026
- 14:44h
Foto: Reprodução / Freepik
O Brasil alcançou a marca de 7 milhões de imóveis atendidos por sistemas de geração própria de energia solar. É o que aponta levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).
A potência instalada nessa modalidade soma 44 gigawatts (GW), distribuídos em telhados, fachadas e pequenos terrenos. Desde o início da expansão do setor, os investimentos acumulados chegam a R$ 196 bilhões.
A tecnologia está presente em 5.566 municípios brasileiros, abrangendo todas as regiões do país. As residências concentram a maior parte das unidades consumidoras, com cerca de 79,7% do total, seguidas pelos estabelecimentos comerciais (9,6%) e pelo setor rural (8,7%).
Minas Gerais lidera o ranking estadual, com aproximadamente 1,8 milhão de unidades consumidoras com geração própria de energia solar. Na sequência aparecem São Paulo (962 mil), Rio Grande do Sul (525 mil), Paraná (466 mil) e Bahia (461 mil).
- Por Folhapress
- 11 Fev 2026
- 12:41h
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), vem segurando a pressão de congressistas pela instalação de CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiguem o Banco Master. Para ganhar tempo, ele esvaziou as atividades do Senado e deve evitar sessões do Congresso.
A expectativa de aliados do senador é a de que ele decida a respeito do futuro das possíveis CPIs apenas depois do Carnaval. Antes, ele quer se reunir com o presidente Lula (PT), o que estava previsto para acontecer ainda nesta semana.
Integrantes da cúpula do Congresso dizem que a tendência é evitar o tema por causa do ano eleitoral. As movimentações em torno da eleição já dominam o Legislativo, com a proximidade da janela para deputados trocarem de partido em março, e as convenções em julho. Quanto mais o assunto for postergado, menos uma comissão destas terá tempo para funcionar.
Na última sexta-feira (6), a Polícia Federal realizou uma operação contra a Amprev (Amapá Previdência), gestora do regime próprio de previdência do estado, por investimentos feitos no Master e que devem gerar um rombo no fundo dos servidores do Amapá. Um dos alvos foi um aliado de Alcolumbre, Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev que foi tesoureiro de campanha do senador.
Em nota, o parlamentar disse defender que tudo seja apurado e esclarecido e que os verdadeiros culpados sejam punidos, com respeito ao devido processo legal.
Alcolumbre não marcou sessões deliberativas no Senado nesta semana, momento em que poderia ser cobrado para instalar uma CPI.
Há um pedido pendente desde o ano passado, feito pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE). Na semana passada, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) capitaneou um requerimento para uma CPI mista, composta por deputados e senadores, o que depende de uma sessão do Congresso, sob comando de Alcolumbre, para ser instalada.
O entendimento dos signatários é que a CPI mista deveria ser instalada obrigatoriamente na próxima sessão do Congresso. Mas parlamentares apostam que não ocorrerão sessões destas pelos próximos meses. Além de Alcolumbre, o governo também deseja evitá-las, para que não seja analisado o veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria, que reduziria as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados.
Já uma CPI no Senado depende de Alcolumbre decidir instalá-la ou não. No passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) já determinou a abertura de investigações do tipo, para respeitar o direito da minoria, como foi o caso da CPI da Covid. Procurado pela Folha, Alcolumbre não comentou.
Há um terceiro pedido de abertura de CPI protocolado, este na Câmara dos Deputados, mas o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não há possibilidade de abertura porque há uma fila de requerimentos para a abertura de outras comissões na frente, e apenas cinco podem funcionar por vez. Desde 2023, nenhuma CPI é instalada na Câmara.
Inconformado, o autor do requerimento, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), diz que ingressará com ação no STF se Motta insistir em manter seu pedido engavetado.
Oposição e governo têm diferentes alvos com estas CPIs. A esquerda atua para desgastar o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que era próximo do dono do Master, Daniel Vorcaro.
A oposição mira nos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que prestou consultoria ao Master, e outro ex-sócio do Master, Augusto Lima, que mantinha relações com o PT da Bahia.
Paralelamente, o presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), escalou um grupo de senadores para acompanhar o assunto e quer ouvir pessoas relacionadas ao escândalo. A comissão, no entanto, não tem força de polícia para obrigar o comparecimento nem quebrar sigilos fiscais, diferentemente do que ocorreria com uma CPI.
Nesta terça-feira (10), o presidente do PT, Edinho Silva, reforçou que o partido defende uma CPI para investigar o Master, caso que classificou como grave. Nos bastidores, porém, governistas afirmam preferir evitar CPIs em ano eleitoral, já que os colegiados têm potencial para criar turbulência política.
"Queremos, além de apurar se tivemos malfeitos e crimes, também proteger o sistema financeiro brasileiro que é um dos mais respeitados no mundo. [...] Investigação tem que ser feita. O que nós somos contra é politização das investigações, [...] transformar em instrumento de luta política", disse Edinho.
Congressistas da oposição cobram uma decisão do presidente do Senado, que ainda não deu sinalização de que irá instalar alguma CPI. Em uma reunião com Motta, nesta segunda-feira (9), deputados bolsonaristas pediram que ele cobrasse Alcolumbre sobre as CPIs.
A leitura de parlamentares da oposição é de que a CPI com mais chances de vingar é a do Senado, pois seria nela que Alcolumbre poderia exercer maior controle sobre os rumos da investigação.
Ainda assim, Girão não recebeu indicação de Alcolumbre de que pode instalar a CPI —pelo contrário, o senador se viu frustrado com a falta de sessões nesta semana e na anterior.
"Considero que a prioridade é uma CPI mista. Pela importância que o caso ganhou, quanto mais representatividade da sociedade tiver, melhor", diz o senador à Folha. "Mas, se a escolha do Davi Alcolumbre for a de fazer a do Senado, que seja composta por senadores verdadeiramente independentes, que queiram fazer uma investigação técnica para revelar tudo o que está oculto", completa.
Além das CPIs do Master, o compasso de espera imposto por Alcolumbre prejudica ainda outras demandas da oposição que dependem de sessão do Congresso, como a derrubada de vetos ao projeto de lei de redução de penas aos condenados por golpismo, chamado de PL da Dosimetria, e a prorrogação da CPI mista do INSS, que tenta ampliar as investigações para atingir Vorcaro.