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Venezuela escala crise com Brasil e acusa Itamaraty de tentar se fazer de vítima

  • Por Folhapress
  • 03 Nov 2024
  • 10:14h

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em mais um capítulo da crise desatada entre o governo Lula (PT) e a ditadura venezuelana, o regime liderado por Nicolás Maduro publicou, neste sábado (2), uma mensagem nas redes sociais em que acusa o a diplomacia brasileira de posar de vítima.

A nota deste sábado, assinado pelo Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, diz que o Itamaraty empreendeu uma "agressão descarada e grosseira" contra Maduro e contra as instituições venezuelanas, "numa campanha sistemática e violadora dos princípios da carta da ONU".

"O governo bolivariano exorta, uma vez mais, à burocracia do Itamaraty a desistir de imiscuir-se em temas que só competem aos venezuelanos, evitando deteriorar as relações diplomáticas entre ambos os países, para o qual devem assumir uma conduta profissional e diplomaticamente respeitosa, tal qual demonstrou a venezuelana por meio de sua política externa", diz o texto.

O comunicado da chancelaria é uma reação à nota, publicada na sexta-feira (1º), em que o Itamaraty responde à escalada retórica da ditadura comandada por Maduro desde que o Brasil vetou o ingresso de Caracas como nação parceira do Brics.

Segundo Caracas, a nota brasileira "tenta enganar a comunidade internacional, fazendo-se passar por vítima numa situação em que, claramente, agiu com o intuito de nos vitimar".

No documento, o governo brasileiro dizia constatar "com surpresa o tom ofensivo adotado por manifestações de autoridades venezuelanas em relação ao Brasil e aos seus símbolos nacionais".

Declarava ainda que a "opção por ataques pessoais e escaladas retóricas, em substituição aos canais políticos e diplomáticos, não corresponde à forma respeitosa com que o governo brasileiro trata a Venezuela e o seu povo".

E finalizava afirmando que "o governo brasileiro segue convicto de que parcerias devem ser baseadas no diálogo franco, no respeito às diferenças e no entendimento mútuo".

A Venezuela era candidata a ser parceira do Brics e tinha o apoio da Rússia, mas sua adesão foi vetada pela delegação brasileira na cúpula do mês passado --e mesmo Vladimir Putin precisou admitir que a entrada do país de Maduro só seria possível com o aval do Brasil.

Maduro acusou o Itamaraty de estar vinculado ao Departamento de Estado americano e chamou um diplomata brasileiro de fascista em reação ao veto. Depois, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela informou que convocou seu embaixador em Brasília para consultas após declarações de autoridades brasileiras --dentre elas, o "mensageiro do imperialismo norte-americano" Celso Amorim, nas palavras da pasta.

Nas relações diplomáticas, a convocação de um embaixador é um evidente sinal de contrariedade e primeiro passo para potencial rompimento de relações bilaterais.

A crise diplomática ganhou ares mais grotescos quando a Polícia Nacional Bolivariana, controlada pelo chavismo, publicou em suas redes sociais uma imagem que mostra a silhueta do presidente Lula e a bandeira brasileira acompanhada da mensagem de que Caracas "não aceita chantagens de ninguém". A publicação foi posteriormente apagada.

Tarcísio avançou sinal ao mudar currículo sem diretrizes nacionais, dizem especialistas

  • Por Lucas Lacerda | Folhapress
  • 02 Nov 2024
  • 10:13h

Foto: Ciete Silvério / Governo do Estado de SP

As mudanças determinadas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o ensino médio e parte do fundamental com início em 2025 indicam falta de consistência e um horizonte limitado para a educação, segundo críticos, e uma aposta no reforço para competências fundamentais para outras áreas do conhecimento, para quem vê a decisão como favorável.

Entre as principais medidas estão a volta dos tempos de 50 minutos e seis aulas diárias, a ampliação da carga de língua portuguesa e matemática, com redução de geografia e ciências, e a redução das aulas de Projeto de Vida.

É consenso que o governo pode ter avançado o sinal ao fazer mais uma reforma curricular, já que os parâmetros de outra reforma, a do ensino médio, ainda estão sendo discutidos pelo Conselho Nacional de Educação e podem levar SP a novas modificações no currículo.

Outro consenso entre os ouvidos, desta vez positivo, é sobre a retomada dos 50 minutos de aula, que haviam sido reduzidos para 45 minutos na gestão João Doria, à época no PSDB, para encaixar uma sétima aula diária de temas como inovação e tecnologia.

Já o reforço em língua portuguesa e matemática divide opiniões. Para o professor da Faculdade de Educação da USP Fernando Cássio, essa opção indica um direcionamento para melhorar resultados em avaliações de desempenho das redes, como o Saeb.

"A toada é sempre entupir estudantes de aula de português e matemática, vislumbrando desempenho em provas de larga escala. Não é um desenho curricular preocupado com acesso ao conhecimento, nem com base nacional curricular, é estratégia para produzir resultado de avaliação", diz o pesquisador, crítico das reduções de geografia e ciências na grade curricular, o que para ele limita o acesso do aluno a outras áreas de conhecimento.

Já para Claudia Costin, ex-diretora global de educação do Banco Mundial e especialista em políticas educacionais, o incremento nas disciplinas é fundamental para permitir o desenvolvimento em outras áreas.

"Se o jovem não sabe ler e entender um texto mais complexo, não terá bom desempenho em história e geografia. Se não sabe matemática, quando chegar ao ensino médio, vai mal em química e física. E a tendência é fortalecer o pensamento matemático, não é só ensinar fórmulas."

A Secretaria da Educação afirmou, em nota, que as mudanças para 2025 mostram consistência e continuidade no projeto pedagógico atual, mantendo os dois itinerários formativos e o ensino técnico.

"A quantidade de aulas de ciências, geografia e história na nova matriz curricular está em linha com o padrão para esses componentes em outras redes, públicas e privadas."

A pasta chefiada por Renato Feder diz ainda que o aumento da carga de língua portuguesa e de matemática "visa preparar os estudantes em áreas que são essenciais para a vida em sociedade e adequada inserção no mundo do trabalho. Os resultados das avaliações, em SP e no Brasil, reforçam a urgência de um olhar mais enfático para esses conteúdos."

Para Debora Cristina Goulart, professora da Unifesp e integrante da Rede Escola Pública e Universidade (Repu), a compensação da perda em geografia com uma matéria de geopolítica para quem escolher o itinerário de humanas não resolve o problema de uma formação incompleta, algo que ela aponta ser o problema central na reforma do ensino médio.

"Alguém decide que quer fazer algo na área de fisioterapia ou biologia, vai para um itinerário nessas áreas, e vai perder as humanidades. Tudo bem um fisioterapeuta ou um biólogo não ter humanidades?", diz a pesquisadora. "É uma visão de formação do jovem muito medíocre e simplória."

A redução do Projeto de Vida, que será abordado no ensino médio em uma aula semanal no terceiro ano, pode ter sido um sinal de que essa iniciativa falhou, diz Goulart.

Para ela, o projeto de vida era a espinha dorsal do então novo ensino médio e previa a discussão com os estudantes do que eles poderiam escolher. "Só que o projeto de vida foi implantado em São Paulo desde o sexto ano do fundamental. Quando chegava ao ensino médio, o estudante não aguentava mais ouvir falar daquilo, era muito não conteúdo, muita não aula."

"Eu acho uma pena", diz Costin. "Desconfio de que tiraram por causa da necessidade de melhorar a aprendizagem, especialmente porque nós não estamos conseguindo. O resultado brasileiro no Pisa é um desastre, tanto no de língua quanto no de matemática, mas acho uma pena, eu manteria."

Apresentadores da Globonews discutem sobre "lugar de fala" durante programa

  • Bahia Notícias
  • 02 Nov 2024
  • 08:15h

Foto: Reprodução / Globonews

Uma discussão entre os apresentadores Sandra Coutinho e Demétrio Magnoli tem gerado repercussão nas redes sociais. A situação ocorreu durante o programa “Em Pauta” desta sexta-feira (1°) da Globonews.

Coutinho opinava sobre a dificuldade de a candidata democrata a presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, de conquistar votos, sobretudo pelo fato de ser mulher. Ao que Magnoli reagiu, interrompendo a colega e afirmando que teria também o “lugar de fala” mesmo não sendo mulher, o que foi também ironizado por Sandra Coutinho.

A comentarista segue no comentário, Demétrio volta a interromper, e Sandra cita que o colega comete mansplaining, termo em inglês derivado da junção das palavras ‘man’ (homem) e ‘explaining’ (o ato de explicar). A prática consiste quando um homem faz uma argumentação a uma mulher, supondo que ela não entenda do assunto abordado.

Ministros se reúnem com Pacheco e parlamentares para tentar destravar mercado de carbono

  • Por Thaísa Oliveira | Folhapress
  • 01 Nov 2024
  • 18:10h

Foto: Pedro Gontijo / Senado Federal

O senador Efraim Filho (PB), líder do União Brasil, afirmou nesta quinta-feira (31) que o Congresso vai tentar votar a regulamentação do mercado de carbono antes da COP 29 (29ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que ocorrerá entre os dias 11 e 22 de novembro no Azerbaijão.

"A grande mobilização que está acontecendo para a construção de consensos é votar a regulamentação do mercado de carbono antes da COP29, para que o Brasil, que é o anfitrião da COP30, já possa chegar a Baku com esse tema votado e aprovado", disse.

A declaração de Efraim ocorreu após reunião entre o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), e os relatores do projeto na Câmara, Aliel Machado (PV-PR), e no Senado, Leila Barros (PDT-DF).

Senadores acusam o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de ter patrocinado uma mudança no regimento interno da Casa que fez com que os deputados ficassem com a palavra final deste e de outros projetos.

O mercado de carbono é um dos principais projetos da agenda verde do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O país vai sediar a COP30, em Belém (Pará), em 2025, e espera levar a Baku o projeto de lei já aprovado.

O prazo é considerado apertado porque o Congresso Nacional vai sediar a Cúpula do P20, reunião de presidentes dos parlamentos dos países do G20, entre os dias 6 e 8 de novembro. Efraim afirmou que, se houver consenso, o mercado de carbono pode ser votado antes, entre os dias 4 e 5, ou na semana seguinte.

O mercado de carbono permite que empresas e países compensem emissões de gases de efeito estufa adquirindo certificados ligados a iniciativas de preservação ambiental, como por exemplo projetos de reflorestamento. Uma fábrica poluente, por exemplo, pode comprar os títulos verdes de forma a neutralizar suas emissões.

A senadora Leila Barros (PDT-DF) foi designada a relatora do projeto no Senado e já teve conversas com o deputado Aliel Machado (PV-PR), que foi o relator na Câmara, para chegar a uma redação que agrade a ambas as Casas e acelere a aprovação.

"Hoje, em reunião com o presidente do Senado, senadores, ministros do governo e o relator do projeto na Câmara, avançamos para o consenso necessário à votação nos próximos dias. Estamos muito perto do acerto final", afirmou a senadora na internet.

"O mercado de carbono incentivará empresas a adotarem práticas sustentáveis e atrairá investimentos, colocando o Brasil na vanguarda das soluções climáticas globais. Um passo importante para um futuro mais verde", disse.

Nos últimos dias, um impasse nas negociações era a obrigação de o poder público repassar a indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária no mínimo 70% dos ganhos com vendas de créditos de carbono gerados nessas terras. O percentual tem gerado discussões entre parlamentares.

O mercado de carbono não é uma unanimidade entre ambientalistas. Muitas vezes exaltado como uma grande oportunidade para o Brasil no debate das mudanças climáticas, é também visto com ceticismo por parte da comunidade científica que questiona sua eficácia na contenção do aquecimento global.

Quando o STF decidirá sobre caso que teve Bolsonaro indiciado pela PF

  • STF vai julgar recurso de advogados de Bolsonaro, representando o PP, contra decisão de Dias Toffoli
  • João Pedroso de Campos/Metrópoles
  • 01 Nov 2024
  • 14:04h

Foto:Hugo Barreto/Metrópoles

STF marcou para 15 de novembro o julgamento que vai decidir se serão anuladas as investigações e provas da Operação Venire, que apurou fraudes em cartões de vacina contra a Covid-19 e levou a Polícia Federal a indiciar Jair Bolsonaro pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações.

O plenário do Supremo vai julgar, em sessão virtual, um recurso de advogados do PP contra uma decisão de Dias Toffoli, que em setembro negou o pedido de anulação do caso. Embora feita em nome do partido, a solicitação foi protocolada por advogados de Bolsonaro, em março deste ano. No mesmo mês, o ex-presidente foi indiciado pela PF.

O julgamento começa em 15 de novembro e será encerrado no dia 26 de novembro. No plenário virtual, o relator, Toffoli, apresentará seu relatório e seu voto no sistema digital do STF. Até o fim do prazo, os demais dez ministros devem indicar no mesmo sistema se concordam com a posição dele ou se divergem.

Deflagrada em maio de 2023, a Operação Venire mirou supostas fraudes nos cartões de vacinação de Bolsonaro, do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e de familiares dele. Além de ter sido preso na operação, Cid foi alvo de mandado de busca e apreensão, que recolheu celular e computadores dele. Bolsonaro também teve o celular apreendido pela PF.

No material apreendido com Cid, que os advogados querem anular, os investigadores reuniram provas decisivas para incriminar o ex-presidente nas apurações sobre planos golpistas tramados em seu governo.

Entre elas está o vídeo da reunião em julho de 2022, na qual Bolsonaro e ministros trataram abertamente de um possível golpe. A filmagem foi encontrada em um computador de Mauro Cid, que fechou acordo de delação premiada com a PF.

A equipe de advogados do PP, que inclui Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser, defensores de Bolsonaro, argumentou que a Petição n° 10.405 do STF, a partir da qual a Operação Venire foi deflagrada, foi ilegalmente instaurada por Alexandre de Moraes no STF.

Os advogados sustentaram que a petição é um “inquérito travestido”, aberto sem participação ou pedido da Procuradoria-Geral da República ou da PF. Assim, as investigações tramitariam sem os devidos controles previstos em lei aos inquéritos, em um quadro de desrespeito aos princípios do “devido processo legal” e da ampla defesa.

Ao decidir negar o pedido, em 26 de novembro, Dias Toffoli sequer analisou o mérito da ação, uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).

Em despacho de oito páginas, o ministro negou andamento ao caso no STF, sob o entendimento de que ADPFs não são cabíveis quando há outros meios recursos judiciais para reverter uma decisão. Toffoli considerou que o PP se valeu indevidamente da ação para recorrer da decisão de Moraes.

Lula e governadores divergem sobre soluções para a segurança pública

  • Governadores temem que a PEC proposta pelo governo Lula vá interferir nas atribuições dos estados sobre a segurança pública
  • Daniela SantosIsabella Cavalcante/Metropóles
  • 01 Nov 2024
  • 12:12h

Foto:VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com governadores terminou sem consenso sobre as possíveis soluções para o problema da segurança pública no país.

O governo apresentou, na quinta-feira (31/10), a proposta de emenda à Constituição (PEC) que traz alterações na política de segurança pública adotada por estados e União. Entre as mudanças, o texto amplia as atribuições da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal e constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

O chefe do Executivo convocou ministros, governadores e membros dos poderes Judiciário e Legislativo para apresentar o texto e debater soluções. Ao final, o balanço dos governadores é que a proposta não abrange os problemas enfrentados pelos estados e ainda precisa de passar por modificações.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), elogiou a iniciativa de Lula em colocar o tema em pauta, mas apontou possível interferência na autonomia dos estados.

A proposta do governo pretende colocar sob o guarda-chuva da União a competência de estabelecer política nacional de segurança pública e defesa social. O texto aponta que as diretrizes do plano “serão de observância obrigatória por parte dos entes federados [ou seja, estados e municípios]”. Hoje, a segurança é responsabilidade dos governos estaduais.

“Não é um produto pronto. Eu acho que a finalidade do governo federal é justamente ouvir os governadores. Nós tivemos um primeiro contato com o texto agora, e o importante agora é gerir esse texto, fazer proposições, fazer propostas”, ressaltou o governador.

 

Durante a reunião, Tarcísio pediu mais integração com sistemas da União para combater o crime organizado. Uma das sugestões apresentadas pelo governador é o compartilhamento de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que monitora movimentações financeiras, com as polícias estaduais. Ele também cobrou mais controle nas fronteiras e mudanças nas regras das audiências de custódia.

Assim como Tarcísio, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, demonstrou preocupação com a invasão da competência dos estados. “Tem um item que a gente vai ter que tomar cuidado, que é eles [Polícia Federal] poderem investigar organização criminosa. Isso faria com que eles pudessem investigar tudo, porque todo processo eles acabam colocando como organização criminosa”, disse o titular do Palácio Guabanara.

Apesar da crítica, Castro pontuou que a ideia de transformar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) em uma polícia ostensiva pode ser positiva.

Mudanças na legislação

Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, colocou-se como a voz mais alta contra a PEC e chegou a dizer que seu estado não teria problemas com a criminalidade. O chefe do Executivo local defendeu que os estados e o Distrito Federal tenham liberdade para legislar sobre a política penal e rever questões como a audiência de custódia e a progressão de pena.

Ao fim do encontro, Caiado foi ironizado pelo presidente. Na fala, Lula também reforçou que a PEC “não é produto acabado, ela abre a porta para o tema principal a ser encontrada uma solução, que passa por mudança de lei,

O titular do Planalto justificou a necessidade de um sistema unificado de segurança para conter o crime organizado antes que ele se espalhe ainda mais. “O crime organizado hoje não é mais o bandido comum que a gente estava habituado a lidar. Hoje é uma organização poderosa, envolvida em todos os setores da sociedade, inclusive a nível internacional”, frisou.

Mais recursos para segurança

Outro ponto levantado pelos governadores é a necessidade de mais investimento em segurança pública. O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), defendeu a retirada dos gastos no setor da Lei de Responsabilidade Fiscal e do teto de gastos. “Uma das formas de a gente melhorar o combate, com certeza, é tendo mais recurso para investir”, ressaltou.

O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), destacou que a proposta de constitucionalizar o Fundo Nacional de Segurança Pública pode ser uma forma de ampliar os investimentos na área, como ocorreu com o Fundeb, na educação.

“É um primeiro sinal de que irão aumentar os recursos do governo federal para os estados atuarem na segurança pública”, disse Fonteles.

Quais são os pontos principais?

A PEC da Segurança Pública visa alterar cinco artigos da Constituição (21, 22, 23, 24 e 144) a fim de atribuir à União a coordenação da política de segurança pública no país. As mudanças estão baseadas em três pilares: a constitucionalização do SUSP, a atualização das competências da PF e da PRF e colocar o Fundo Nacional de Segurança Pública e Política Penitenciária na Constituição.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, idealizador da PEC, tentou tranquilizar os governadores e assegurou diversas vezes que as mudanças propostas já acontecem a nível de lei e, agora, estariam adicionadas à Constituição.

“Não é a PEC do Ministério da Justiça e Segurança Pública, não é a PEC do governo Lula […] Tomamos cuidado de manter a mesma terminologia, jamais a lei do Susp [Sistema Único de Segurança Pública] foi contestada. Tudo isso para evitar contestação jurídica. Estamos constitucionalizando aquilo que, hoje, é objeto de lei ordinária e aceita pacificamente desde 2018”, disse Lewandowski em sua apresentação da proposta.

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Casos de influenza B apresentam alta atípica para a estação

  • Por Gabriela Cupani | Folhapress
  • 01 Nov 2024
  • 10:43h

Foto: Reprodução / Pexels

Desde o início de agosto, o Brasil registra um aumento dos casos de influenza B, vírus causador da gripe.
 

Segundo os informes sobre síndromes gripais do Ministério da Saúde, enquanto no fim de julho esse patógeno tinha uma participação quase insignificante nos registros de srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave), no boletim divulgado no último dia 25 de outubro, ele já respondia por 12% dos casos e 13% dos óbitos --atrás apenas das mortes por Covid.
 

A alta vem sendo constante nos últimos dois meses. Somente em agosto, a taxa de casos e mortes praticamente dobrou, passando de cerca de 2% nos primeiros dias para 5% e 4%, respectivamente, ao final do mês.
 

Os registros do Ministério da Saúde também destacam um aumento na detecção desse patógeno em outubro, com crescimento nas regiões Sudeste e Sul.
 

A boa notícia é que uma queda começou a ser observada em laboratórios privados. Números desses estabelecimentos compilados no monitoramento feito pelo ITpS (Instituto Todos pela Saúde) mostram que a taxa de positivos saltou de 3,13% no início de agosto para 21,55% no fim de setembro. O último relatório, de 18 de outubro, mostrou uma pequena queda, ficando em torno de 18%.

Mesmo assim, ao lado do rinovírus, o influenza B é o principal vírus respiratório em circulação atualmente, segundo o ITpS. O da Covid representa 8,03% dos resultados positivos; o da Influenza A responde por 4,5%; e o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), 0,9%.
 

O surgimento desses vírus nesta época do ano surpreende, já que costumam apresentar pico no início do outono e inverno.
 

"Tem um fator da temperatura, pois este ano tivemos menos períodos de frio", avalia a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein.
 

O vírus da influenza é transmitido por meio de secreções ou gotículas ao tossir, falar ou espirrar; e ainda pelo contato com superfícies contaminadas. A maior aglomeração em ambientes fechados em razão do frio favorece essa disseminação.
 

Uma mudança na sazonalidade também foi observada em dezembro de 2021, quando houve um crescimento inesperado dos casos de gripe e VSR no verão.
 

BAIXA ADESÃO À VACINAÇÃO
 

Mas não são apenas fatores sazonais que influenciam nas altas recentes da gripe. "Também tem a questão da baixa adesão à vacina, pois isso influencia esses casos inesperados, em momentos diferentes", diz Gouveia.
 

Até o dia 25 de outubro, a vacinação contra a gripe atingiu apenas metade (52%) do público-alvo, que inclui crianças, gestantes, puérperas e idosos.
 

"Vale lembrar que os anticorpos após a vacinação duram, em média, de seis a 12 meses e por isso é preciso tomar a vacina todos os anos", frisa a médica.
 

A vacina da gripe protege contra os tipos de influenza A e B e está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) e na rede privada. Em e-mail enviado à Agência Einstein, o Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação contra a gripe para reduzir hospitalizações e mortes por influenza.
 

SINTOMAS DA INFLUENZA B
 

Os sintomas da gripe causada por esse agente incluem febre, calafrios, dor de garganta e de cabeça, dores musculares, tosse, coriza, fadiga e até vômito e diarreia, em alguns casos.
 

A maioria das pessoas se recupera em cerca de duas semanas, mas algumas podem apresentar complicações, como pneumonia. Falta de ar, desconforto respiratório, pressão baixa, piora no estado geral são sinais de alerta para o agravamento da doença.
 

Quem tiver esses sintomas deve fazer repouso e reforçar a hidratação. Medicamentos que não requerem prescrição, como antitérmicos, podem ser usados segundo orientação médica. Outra recomendação é usar máscara para evitar a proliferação do vírus.
 

Quem tem fatores de risco para complicações por influenza -- grávidas e puérperas, idosos, crianças menores de cinco anos, portadores de algumas doenças pulmonares, cardíacas, renais, diabetes, imunossuprimidos, entre outros -- deve ser monitorado mais de perto e pode receber indicação de antiviral logo no início. Qualquer pessoa que apresentar sinais de agravamento deve procurar atendimento médico.

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MEC realizará prova única de seleção para professores de escolas públicas

  • Bahia Notícias
  • 01 Nov 2024
  • 08:01h

Foto: Ângelo Miguel/MEC

O Ministério da Educação fará uma prova única para selecionar professores para escolas públicas de todo o país. O concurso unificado ficará disponível para estados e municípios que quiserem aderir à avaliação. Atualmente cada ente federado é responsável pelas seleções.

 

Apelidado de Enem dos professores, a seleção fará parte de um pacote de ações para valorizar os professores brasileiros da educação básica. Entre as medidas está também um “Pé-de-Meia” para as licenciaturas, ou seja, bolsas para apoiar estudantes que ingressem na universidade para seguir a carreira docente.

 

“A ideia é que o Ministério forneça as ferramentas para uma boa avaliação e que estados e municípios utilizem essa ferramenta da melhor maneira possível. Especialmente em municípios pequenos há uma dificuldade muito grande em organizar uma prova e organizar concursos. A ideia é que o ministério possa fornecer isso como uma ferramenta para estados e municípios”, afirmou o secretário executivo do MEC, Leonardo Barchini,

 

Segundo o secretário executivo, essa é uma demanda tanto de estados quanto de municípios. “A seleção de professores é um gargalo nesse país hoje, nós temos um movimento crescente de professores temporários em estados e municípios”, disse o secretário.

Aprovado projeto de Rogéria Santos que busca proteger crianças e adolescentes dos riscos do mundo virtual

  • Por Edu Mota, de Brasília/Bahia Notícias
  • 31 Out 2024
  • 17:43h

Foto: Assessoria Deputada Rogéria Santos

A deputada Rogéria Santos, do Republicanos, a campeã de propostas legislativas apresentadas neste ano entre todos da bancada da Bahia na Câmara (foram mais de 500 proposições e ainda 63 relatórios a matérias de outros parlamentares) emplacou a aprovação de mais um dos seus projetos. Nesta quarta-feira (30), os membros da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família aprovaram o PL 2709/2024, da deputada Rogéria, que busca proteger crianças e adolescentes dos riscos que podem ser causados por conteúdos digitais, inclusive exploração sexual.

O projeto de Rogéria Santos, que tem como objetivo promover alterações na Lei n.º 8.069, de 12 de julho de 1990, que criou o Estatuto da Criança e do Adolescente, foi aprovado por unanimidade na Comissão, a partir do relatório favorável da deputada Missionária Michele Collins (PP-PE). A proposta agora seguirá para ser apreciada pelo Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de seguir para o plenário.

A deputada baiana busca com o projeto defender as crianças e adolescentes, por meio de campanhas permanentes, dos riscos presentes em conteúdos digitais que envolvam a violência e exploração sexual. Além das campanhas, a proposta atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente para incentivar o uso de tecnologias capazes de identificar e remover deepfakes e outros materiais prejudiciais às pessoas desta faixa etária.

Como argumenta a deputada Rogéria Santos, é de conhecimento geral que os crimes virtuais progridem, cada vez mais, pois a tecnologia tem sido utilizada por criminosos com o objetivo de alcançar novos alvos. Em relação a esses crimes, a pedofilia virtual é considerado um dos mais graves, justamente por envolver menores de idade a partir do uso de imagens e vídeos compartilhados na internet. 

"A deepfake é um desses exemplos de tecnologia ao alcance do crime. Vídeos são manipulados para apresentar uma face mais convidativa como a de uma criança ou adolescente, inclusive, com a voz compatível a idade. De tal forma, esses criminosos utilizam dessas imagens para atrair crianças e adolescentes e, assim, assediar suas vítimas. Muitas dessas imagens estão disponibilizadas na deepweb e darkweb", afirma a deputada. 

Outro ponto importante que o PL 2709/24 busca é a defesa de crianças e adolescentes que são vítimas da violência do ciberbullying e da cyberagressão. Na justificativa da proposição, Rogéria Santos coloca que a repercussão desse tipo de violência é por demais negativa na vida emocional e psicológica dos atingidos, podendo, em muitos casos, causar depressão, distúrbios psicológicos como ansiedade e até o suicídio.

"Essas evidências mostram que é crucial desenvolver estratégias educativas e preventivas que promovam a segurança online e o bem-estar das crianças. Nos termos da Constituição Federal em seu Art. 227 é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão", defende a deputada do Republicanos da Bahia.       

Pix ultrapassa cartão de crédito e vira principal meio de pagamento para compra online no Brasil, diz pesquisa

  • Por Laura Intrieri | Folhapress
  • 31 Out 2024
  • 15:38h

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Pix se tornou o método de pagamento mais comum entre brasileiros para compras online, mostra nova edição da TIC Domicílios, pesquisa sobre acesso à internet produzida pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação) divulgada nesta quinta-feira (31).

O indicador é medido em anos pares. Entre 2022 e 2024, a representação do Pix passou de 66% para 84% entre os usuários que compraram produtos na internet nos 12 meses anteriores, superando o cartão de crédito, que recuou de 73% para 67%. O boleto registrou maior queda, de 43% para 24%.

Há tendência de troca de boleto por Pix principalmente entre os mais pobres, que têm menos acesso a cartão de crédito, segundo Fabio Storino, coordenador da pesquisa. Descontos oferecidos por vendedores para o pagamento no Pix também pesam nessa decisão, de acordo com o especialista.

"O próprio Pix ganhou novas funcionalidades, como o agendamento e o parcelamento, incorporando vantagens antes restritas ao cartão de crédito", afirma. "Os dados mostram efeito democratizador dessa nova modalidade de pagamento."

O Pix por aproximação em celulares é a próxima novidade na mira do Banco Central. O presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (30) que a nova funcionalidade deve começar a funcionar "muito em breve".

A pesquisa do Cetic.br mostra que 46% dos usuários compraram produtos e serviços pela internet em 2024, o equivalente a 73 milhões de pessoas. Dessa parcela, nove em cada dez usam sites de compra e venda, crescimento de 18 pontos percentuais com relação a 2022. O total de entrevistados que comprou em páginas das próprias lojas passou de 59% a 35% no mesmo período.

Grande sites de ecommerce ganharam força durante a pandemia e retiveram a maior parte da clientela, segundo Storino.

CONECTIVIDADE

O Brasil tem 159 milhões de usuários de internet em 2024, chegando a 166 milhões com usuários de aplicativos que exigem conexão, aponta relatório do Cetic.br.

A desigualdade no acesso à internet entre os mais ricos e mais pobres recuou no Brasil. A diferença entre as classes mais altas e mais baixas caiu de 83 para 32 pontos percentuais desde 2015, mostra a TIC Domicílios. Atualmente, 83% dos domicílios têm conexão. O acesso é universal na classe A (100%) e atinge 68% nas classes D e E. Nas áreas urbanas, a taxa saltou de 13% em 2005 para 85% em 2024.

 

O estudo revela, por outro lado, desigualdade no acesso à internet de qualidade. Apenas 22% dos brasileiros com dez anos ou mais têm conectividade satisfatória, considerando fatores como custo, velocidade e acesso por múltiplos dispositivos.

A disparidade é maior entre classes sociais e regiões. Na classe A, 73% têm boa conectividade, ante apenas 3% nas classes D e E. No Sul, são 33% dos habitantes, enquanto no Nordeste o índice cai para 11%.

Entre homens, 28% têm acesso adequado; entre mulheres, 16%. O cenário permanece estagnado em relação a 2023. O país mantém 34% da população no pior nível de conexão e 22% no melhor patamar, dentro da margem de erro.

Desde 2008, o acesso à internet em casa foi de 42% para 98% dos usuários. No mesmo período, o uso de celular para conexão individual cresceu de 40% para 88% da população, enquanto centros pagos, como lan-houses, caíram de 48% para 7%.

Do total de usuários de internet, 52% verificaram se uma informação da internet era verdadeira e 48% adotaram medidas de segurança para proteger dispositivos e contas.

Além disso, 60% dos usuários brasileiros de internet têm o celular como única forma de acesso. A proporção sobe para 98% entre analfabetos ou pessoas que só cursaram o ensino infantil e 86% para classe DE. Entre pessoas da classe A, somente 18% têm o celular como meio exclusivo.

"Quem acessa por múltiplos dispositivos faz uso mais diversificado e sofisticado da internet. Quanto melhor a conectividade, mais atividades a pessoa realiza e mais habilidades desenvolve", afirma Storino.

A pesquisa contabiliza 29 milhões de pessoas não usuárias de internet. Dessa parcela, a maioria está na área urbana (24 milhões), estudou até o ensino fundamental (22 milhões), é negra (17 milhões), da classe D e E (16 milhões), ou do sexo feminino (16 milhões).

Segundo o estudo, 61% dos usuários utilizaram sites e aplicativos de órgãos do governo para acessar serviços de saúde, impostos, trabalho, entre outros, nos últimos 12 meses. Entre os que têm nível superior, o percentual sobe para 83%; para os analfabetos ou que só cursaram educação infantil, cai para 10%.

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Ibama e cientistas apontam área de recife rica em biodiversidade e pouco estudada na Foz do Amazonas

  • Por Folhapress
  • 31 Out 2024
  • 13:15h

Foto: Divulgação / Victor Moriyama / Greenpeace

Pareceres técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e pesquisas científicas apontam a existência de uma extensa área de recifes na margem equatorial, onde Petrobras e governo Lula (PT) querem explorar petróleo.

Os recifes se estendem até a região da bacia Foz do Amazonas, na costa amazônica, onde está o chamado bloco 59.

Essas estruturas são ricas em biodiversidade, determinantes para a pesca em alguns trechos e pouquíssimo estudadas, o que amplia os riscos de um projeto de petróleo.

Em parte dos recifes há ocorrência de corais esparsos, menos frequentes em direção à costa norte, no Amapá, onde está o bloco 59, afirmam pesquisadores. No bloco, a 160 km da parte terrestre, está o poço que a Petrobras almeja perfurar.

O grande sistema de recifes da Amazônia, como é chamado, não se configura necessariamente em uma grande barreira de corais, com base nas informações científicas existentes até agora. Isso não significa que esse sistema tenha pouca relevância biológica, segundo os cientistas --pelo contrário.

Além disso, o sistema foi descrito há poucos anos --sua catalogação num artigo científico foi feita em 2016. A estimativa usada por cientistas é de que apenas 5% das manchas de recifes --que se estendem da Guiana Francesa ao Maranhão-- tenham sido mapeadas de alguma maneira.

No último dia 24, a diretora de exploração e produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, afirmou que não existem corais na bacia Foz do Amazonas e que uma afirmação do tipo é uma "fake news científica". Segundo Anjos, o que existem são "rochas carbonáticas".

As afirmações foram feitas em um evento na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e despertaram críticas na comunidade científica dedicada a estudos relacionados à biodiversidade na margem equatorial.

A Petrobras não respondeu aos questionamentos da reportagem.

No curso do processo de licenciamento do bloco 59 no Ibama, que negou a concessão da licença em maio de 2023, a discussão sobre os corais e recifes já foi mencionada em diferentes pareceres técnicos.

No atual estágio da licença --a Petrobras insiste por um aval para a perfuração do poço--, essa questão não vem sendo objeto de análise ou entrave para a autorização, pelo menos com base nos documentos públicos do licenciamento.

Um parecer técnico do Ibama, de abril de 2023, afirma que a área do bloco 59 está numa "bacia sedimentar com alto nível de sensibilidade ambiental, com pouco conhecimento sobre os fenômenos hidrodinâmicos e alta biodiversidade ainda insuficientemente conhecida".

"Algumas espécies foram publicadas recentemente, como a ocorrência dos corais amazônicos", cita o documento. "Publicações posteriores indicam que se trata de pesquisa ainda em curso e que demanda um maior aprofundamento."

Antes, em maio de 2018, um parecer do Ibama em processo sobre blocos de petróleo na bacia Foz do Amazonas apontou "possível sobreposição da área com regiões recém-descobertas de recifes". Dispersantes químicos não poderiam ser utilizados "nas áreas dos corais", conforme o documento, e precisariam ser proibidos, conforme o Ibama.

A própria Petrobras, em um posicionamento ao órgão ambiental em agosto de 2023, disse que "é inverídica a afirmação de que a Petrobras nega a ocorrência de formações biogênicas na região".

A posição da estatal, direcionada ao presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, faz referência a uma recomendação do MPF (Ministério Público Federal) no Amapá, que pediu que não haja concessão da licença. Segundo o MPF, faltam estudos sobre os recifes e, mesmo assim, a Petrobras repete o "falso argumento" de que inexistem recifes de corais na região a ser explorada.

"Todas as estruturas até então mapeadas foram consideradas nas análises de impactos e riscos ambientais elaboradas pela companhia", disse a estatal ao Ibama.

O pesquisador Rodrigo Moura, do Instituto de Biologia da UFRJ, é um dos autores do artigo científico, de 2016, considerado como referência na descoberta e descrição do "extenso sistema de recifes" na foz do rio Amazonas. À Folha, Moura disse que a existência do recife entre o Amapá e o Maranhão é um consenso, com possível extensão até a Guiana Francesa.

"A controvérsia vem da ideia de corais da amazônia. O recife que existe ali não é um recife típico, tal como a gente vê na grande barreira de corais da Austrália, no Caribe, em Abrolhos", afirmou. "É um recife peculiar, influenciado pela pluma [do rio]."

Segundo Moura, trata-se de um sistema "grande, complexo e ainda não completamente mapeado", que não tem um "análogo direto". "Não é um recife recoberto por corais, mas tem corais esparsos, menos frequentes em direção ao Amapá."

É preciso mapear o que existe, elaborar um plano de manejo e assegurar a sustentabilidade do uso, defende o professor. "É um recife muito usado pela pesca, com atividades de mineração de carbonatos na área do Maranhão. E tem essa equação complexa da perspectiva de exploração de petróleo. Exatamente como é o recife nós não sabemos ainda, porque ele não foi mapeado."

Conforme o pesquisador da UFRJ, o recife "agrega biodiversidade" e é "bem relevante" na amazônia, com abundância de esponjas.

Nils Edvin Neto, professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) e pesquisador da área de oceanografia, também participa de estudos sobre os recifes na margem equatorial. Segundo ele, o sistema tem, entre os organismos, corais. "O termo correto é recife. Mas dizer que é uma 'fake news' já é outra história."

A própria Petrobras financia estudos sobre esses recifes, segundo o professor. O edital aberto em 2024 com essa finalidade cita a necessidade de filmagem e coleta de algas calcárias, corais, esponjas e outros componentes da fauna local.

"É uma base para muitos recursos pesqueiros, importante para a biodiversidade como um todo, além de corredor de conexão com a fauna do Caribe. Outras importâncias podem ser melhor estudadas, como a fixação de carbono", diz o pesquisador da UFPA.

Campanhas do Greenpeace apontam a existência de corais amazônicos. A ONG, que já fez expedições até locais da margem equatorial, criticou a fala da diretora da Petrobras.

Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo em 16 de agosto, feita a partir de apuração na região em terra mais próxima do bloco 59, mostrou como a pressão de Lula e da Petrobras ignora a existência de mangues sensíveis e de abundância de peixes, que atraem milhares de pescadores do Amapá e do Pará, principalmente.

A região de Oiapoque (AP) segue o ciclo das marés, e eventuais vazamentos de óleo podem contaminar comunidades que precisam se adaptar a essas marés, conforme lideranças indígenas e de pescadores. A Petrobras afirma que não haverá toque de óleo na costa brasileira, em caso de vazamentos. Oiapoque tem ocupações urbanas que crescem com a expectativa do empreendimento.

No último dia 11, técnicos do Ibama negaram os argumentos apresentados pela Petrobras e disseram em parecer não haver elementos para revisão do indeferimento da licença. O presidente do órgão enviou ofício à Petrobras, no dia 25, em que lista questões a serem esclarecidas pela estatal. "Os avanços apresentados pela Petrobras permitem o prosseguimento das discussões", disse.

Abstenção cresce no 2º turno, alcança 29% do eleitorado e preocupa TSE e especialistas

  • Por Mateus Vargas e Mariana Brasil | Folhapress
  • 30 Out 2024
  • 18:20h

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A alta abstenção no segundo turno das eleições municipais neste ano preocupa o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e entidades que acompanham a organização do pleito no Brasil.

Dos 33,9 milhões de eleitores das 51 cidades que tiveram disputa no domingo (27), mais de 9,9 milhões faltaram à votação.

O montante equivale a 29,26% do total. É próximo ao registrado no segundo turno de 2020 (29,53%), quando o pleito foi realizado durante a pandemia da Covid-19. Mas supera o da eleição municipal de 2016 (21,55%).

Presidente do TSE, a ministra Cármen Lúcia demonstrou preocupação com o percentual e disse que a Justiça Eleitoral ainda vai se debruçar sobre os dados de comparecimento no segundo turno. "A gente vai ter que apurar em cada local", afirmou após a divulgação dos resultados no domingo.

O maior percentual de abstenção, de 34,43%, foi registrado nos municípios de Goiás. Na outra ponta do mesmo ranking estão as cidades do Ceará, com 16,28% de abstenção no segundo turno.

No estado de São Paulo, 31,42% dos eleitores das 18 cidades com votação no domingo faltaram às urnas.

"Talvez agora a gente não possa mais negar que é um tema para ser trabalhado. Precisamos olhar para esse dado com a mesma complexidade e detalhe que o eleitorado do Brasil exige", disse Ana Claudia Santano, coordenadora-geral da ONG Transparência Eleitoral Brasil.

A presidente do TSE afirmou, ainda na data do segundo turno, que é preciso avaliar se medidas para facilitar o acesso às urnas foram bem divulgadas.

"Em Pernambuco, temos ônibus, vans que vão buscar. Isso foi amplamente divulgado? Temos de ver em cada local o que aconteceu, por que está acontecendo e o que a gente pode fazer para que a abstenção, onde tem aumentado, não volte a acontecer."

Para Bruno Andrade, coordenador-geral adjunto da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, um dos fatores que podem corroborar para uma alta abstenção é a falsa compreensão de que a obrigação com as eleições estaria cumprida com a votação apenas no primeiro turno.

"Pelos dados disponíveis, é rotineiro que, em eleições municipais, a abstenção seja maior no segundo turno. Mesmo nas eleições gerais, tirando a última de 2022, há uma redução no comparecimento no segundo turno", diz ele.

Andrade diz ainda que o poder público, sobretudo a Justiça Eleitoral, deve buscar soluções e cita estratégias que podem ajudar a reduzir os índices de abstenções.

"Buscar novos locais de votação que tenham mais facilidade de acesso, fornecer transporte aos eleitores que estejam em zonas rurais longe de locais de votação, coletar informações de eleitores para atender melhor àqueles que têm algum tipo de deficiência", diz.

A ministra disse ainda que que a abstenção em alguns locais ficou abaixo do que já havia sido registrado.

"Por exemplo, no Amazonas, onde tínhamos tanta preocupação sobre estiagem, que fez com que estradas que são rios não mais existissem, tivemos ali um menor índice de abstenção do que a gente tinha apurado antes. Ou seja, ali funcionou este recado dado, porque talvez a nossa preocupação também fosse maior", disse Cármen.

Ela também citou que as mudanças climáticas podem ter influenciado na abstenção em alguns locais.

"Em Porto Velho, de manhã, teve chuva intensa. O eleitorado que teria de ir de manhã, precisou ir à tarde. Mas para aqueles que têm o voto facultativo, por exemplo, os mais velhos, isso desanima? Isso leva a não ir? Foi pouco divulgado que a acessibilidade seria tranquila?", declarou.

Para Santano, da Transparência Eleitoral, é preciso observar diversos dados para lidar com a abstenção, como o comparecimento dos idosos que têm voto facultativo, jovens, pessoas privadas de liberdade e os casos de assédio eleitoral.

Ela defende que aumentar a sanção para quem deixa de votar não é a melhor medida para aumentar o comparecimento nas eleições. "A gente precisa voltar a trabalhar com os valores democráticos, com a importância do voto."

A multa para quem não vai votar hoje é de R$ 3,51 por turno.

"Saio desse segundo turno das eleições preocupada. Em vários outros países de voto facultativo, a abstenção está ali em torno de 40%, em alguns casos 45%. Pois a gente talvez esteja caminhando para isso no voto obrigatório", afirmou ainda.

A coordenadora da Transparência Eleitoral também avalia que movimentos contrários à política impactam na ida às urnas.

Para ela, há um cenário de deslegitimação dos partidos, com uma sensação para o cidadão médio "de que os problemas reais dele não estão sendo solucionados".

"Eu vi muitas análises falando da derrota da polarização e vitória da centralização ideológica. Será? Vendo pela parte do abstencionismo, a gente pode ver um cansaço, a gente pode ver um desencanto. Aquele eleitor que já não vê tanto sentido. Na hora da raiva, eles votam na candidatura antissistema. No segundo turno, como de fato não houve tantas candidaturas radicais, não tinha esse candidato antissistema. Então essa pessoa já perde totalmente a motivação de votar", afirmou ainda Ana Santano.

Para o professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e cientista político Marco Antonio Teixeira, disputas que dão mais espaço a embates violentos do que para debates voltados às demandas das cidades afasta o eleitor médio, o que corrobora com um número maior de cidadãos insatisfeitos com as opções restantes no segundo turno, conforme se observa em São Paulo.

"Teve uma campanha muito ruim, muito agressiva no primeiro turno, o que acabou com um grau um pouco menor se repetindo no segundo turno. Então o espaço para debate sobre os temas da cidade foi pouco e o perfil dos candidatos acabou não ajudando a prender o eleitor mais médio, mais padrão, que queria escutar o que cada um queria dizer", diz.

O professor indica que os partidos hoje se preocupam mais em emplacar candidatos com maiores chances de se eleger do que aqueles que promovem o debate. Para ele, isso afasta o eleitor médio e acarreta em abstenção.

"Isso está esvaziando o debate e a arena política como espaço propositivo e ajuda, de alguma maneira, a aumentar a abstenção", afirma.

Alcolumbre reserva cargo importante para Pacheco no Senado a partir de 2025

  • Bahia Notícias
  • 30 Out 2024
  • 16:25h

Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

Favorito para assumir a presidência do Senado a partir de 2025, Davi Alcolumbre (União-AP) tem prometido guardar um espaço importante para Rodrigo Pacheco (PSD-MG) quando o atual presidente deixar o posto.

Segundo informações do site Metrópoles, as negociações de Alcolumbre em troca de apoio passam pela reserva da presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para Pacheco. Atualmente o colegiado é ocupado pelo próprio Alcolumbre.

O cargo estaria reservado para Pacheco até ele decidir seus próximos passos. Nos bastidores, é especulado que o presidente Lula pode convidar o senador para assumir um ministério no governo.

Polícia Federal conclui que houve "falhas evidentes" da SSP-DF nos atos de 8 de janeiro

  • Bahia Notícias
  • 30 Out 2024
  • 14:34h

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) concluiu que houve "falhas evidentes" na ação da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) para conter os atos do dia 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e destruídas.

O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e mencionado pelo ministro Alexandre de Moraes em um despacho.

Relator do caso, ele pediu que Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse no inquérito que tem como alvos o governador Ibaneis Rocha (MDB), o então chefe da SSP-DF Anderson Torres e dois oficiais da Polícia Militar (PMDF).

'Já tentaram varias vezes, não conseguiram', diz Bolsonaro sobre hipótese de direita sem ele

  • Por Ranier Bragon e Thaísa Oliveira | Folhapress
  • 30 Out 2024
  • 12:32h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Depois de sofrer derrotas e, pela primeira vez, um relevante questionamento à sua liderança no campo conservador, Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (29) no Senado não enxergar a hipótese de uma direita sem ele.

"Já tentaram varias vezes, não conseguiram", disse o ex-presidente após se reunir com a bancada do PL no Senado e discutir uma anistia a ele [o ex-presidente está inelegível] e aos golpistas que vandalizaram a sede dos três Poderes.

"Esses caras juntam quantas pessoas no aeroporto, em um bate-papo em qualquer lugar do Brasil? Não sabem a linguagem do povo. Muitos têm uma utopia. Todos que tentaram se arvorar como líder através de 'likes' e de lacração não chegaram a lugar nenhum", disse Bolsonaro sem se referir a nomes. "São conhecidos como estrategistas intergalácticos."

O ex-presidente teve a sua liderança contestada de forma robusta com a candidatura de Pablo Marçal (PRTB) à Prefeitura de São Paulo, quando boa parte do seu eleitorado ignorou ataques e recomendação de voto em outro nome, o do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Já no segundo turno, Bolsonaro sofreu diversas derrotas em cidades em que se empenhou massivamente, entre elas Goiânia, em que foi derrotado pelo candidato do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), com quem travou uma queda de braço particular.

Bolsonaro chegou a passar todo o dia do segundo turno na capital de Goiás e, após a apuração apontar a derrota do seu nome, deixou a cidade sem falar com a imprensa. Em entrevista à Folha, Caiado disse que a eleição aplicou uma lição a Bolsonaro e que o país está cansado do seu jeito de fazer política.

"O Caiado é uma pessoa que, se você desagrada, ele vira seu inimigo. Por quatro vezes quando eu estava na Presidência, ele rompeu comigo. Na eleição agora, ele tinha um candidato, eu tinha outro. Enfrentemos a máquina do governo do estado, a máquina da prefeitura, e uma busca e apreensão inexplicável na sexta-feira antes da eleição", afirmou Bolsonaro nesta terça, se referindo à busca e apreensão contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) por suspeita de desvio da cota parlamentar.

Outro "aliado-desafeto" sobre quem Bolsonaro teceu comentários nesta terça foi o pastor Silas Malafaia, que na eleição chegou a exclamar "que porcaria de líder é esse" ao falar sobre o titubeio de Bolsonaro entre os nomes de Marçal e Nunes em São Paulo.

Bolsonaro disse que ficou chateado com Malafaia, mas que mandou "coraçãozinho" em reposta e que, para ele, está tudo bem.

O ex-presidente também mencionou o crescimento do PL nas eleições municipais, dizendo que boa parte do crescimento de outros partidos de centro e de direita se devem ao que ele chamou de um "amaciamento de terreno" feito pelo PL -e lamentou Fortaleza, onde o PT derrotou o bolsonarista André Fernandes (PL) por pouco mais de 10 mil votos. "Faltou um tiquinho."

Bolsonaro voltou ainda a afirmar que sua intenção é lançar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal, em 2026.