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- Por Nathalia Garcia | Folhapress
- 24 Abr 2025
- 16:38h
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quarta-feira (23) que nenhum projeto, incluindo o PL da anistia aos envolvidos nos atos golpistas, vai prejudicar o andamento da reforma do Imposto de Renda no Congresso Nacional.
O ministro Fernando Haddad (Fazenda), por sua vez, prometeu apoio técnico ao relator, deputado Arthur Lira (PP-AL).
"A pauta do Imposto de Renda é uma prioridade no Parlamento, nós colocamos isso desde o primeiro momento", disse Motta em evento organizado pela CNN Brasil, que também teve a participação do presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney.
Questionado se tivesse de escolher entre pautar o projeto do IR ou da anistia no plenário, o presidente da Câmara disse que tem buscado agir com serenidade e equilíbrio e pregou o diálogo.
Motta disse que tem conversado sobre o tema da anistia com líderes partidários, presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e com membros do Judiciário e do Executivo. Na visão dele, o país não precisa de uma crise institucional em um cenário já de crise internacional, em referência à guerra tarifária deflagrada pelos Estados Unidos.
"As matérias legislativas têm sua ordem de chegada, mas penso que, para a população brasileira, numa ordem de prioridade, a matéria do Imposto de Renda tem um apelo maior porque estamos tratando de possibilitar às pessoas que menos têm ter uma renda a mais", afirmou.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que isenta o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5.000 por mês e cria um imposto mínimo para milionários. A proposta de compensação será cobrada de pessoas com ganhos a partir de R$ 600 mil anuais. A alíquota será progressiva, até atingir o patamar máximo de 10% para quem ganha a partir de R$ 1,2 milhão ao ano.
Segundo Motta, será instalada nos próximos dias a comissão especial que vai analisar o projeto do IR. "A comissão apresentará um calendário para que a matéria possa ser discutida e votada. Após a matéria sair da comissão, nós vamos levar ao plenário também, com toda a prioridade que o tema requer, até porque o prazo é até o fim do ano para que seja votada nas duas Casas", disse.
A comissão especial será presidida pelo deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), um dos vice-líderes do governo na Câmara, e a relatoria ficará com o deputado Arthur Lira (PP-AL). Segundo Motta, o ex-presidente da Câmara foi escolhido para a função por ser um deputado "experiente e com capacidade de diálogo com todos os campos políticos da Casa e com o setor produtivo."
"Nossa função é trabalhar para melhorar o texto do governo", afirmou o presidente da Câmara, que falou também em encontrar "a compensação menos danosa possível ao país".
No painel do evento, Haddad disse que ainda não teve oportunidade de discutir o projeto com Lira, mas que sabe as dúvidas que o ex-presidente da Câmara tem com relação à proposta.
"Não faltará apoio técnico do Ministério da Fazenda para ele formar o melhor juízo possível a respeito desse projeto, porque é um projeto muito bem pensado", afirmou o ministro. "Do nosso ponto de vista, sempre abertos ao diálogo, nós chegamos a um desenho muito satisfatório. Não vai machucar ninguém", acrescentou.
Motta voltou a defender a necessidade de revisão de gastos para melhorar a eficiência da máquina pública, ressaltando que as pautas do governo e do Congresso devem caminhar juntas. "Não há como o Congresso enfrentar uma agenda dessa se não houver do Executivo também a concordância para se discutir esses temas", disse.
Especialistas avaliam que o risco de esgotamento das despesas livres do Poder Executivo, sinalizado no envio do PLDO (projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, escancarou a insustentabilidade do arcabouço fiscal proposto pelo governo.
Quanto aos impactos das tensões geopolíticas sobre a economia global, Haddad disse não ver risco de recessão no Brasil neste ano. "Minha expectativa é que vamos ter novos capítulos desse confronto [entre Estados Unidos e China] nas próximas semanas e possivelmente o quadro vai mudar. Antes disso, é difícil prever o que vai acontecer com a economia mundial nesse e nos próximos anos."
O ministro da Fazenda falou também sobre as ações do governo para melhorar o ambiente de crédito no Brasil. Questionado sobre novas fontes de recursos para crédito imobiliário em meio à retirada de recursos da poupança, ele disse que o governo está devendo uma solução de crédito secundário para o mercado imobiliário, mas ressaltou que o tema está em estudo.
- Bahia Notícias
- 24 Abr 2025
- 14:36h
Foto: Divulgação / INSS
O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, foi demitido nesta quarta-feira (23). A demissão foi decidida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início da tarde. Conforme informações da jornalista Andréia Sadi, o governo ainda não possui um novo nome para o cargo.
Stefanutto tinha sido afastado da função nesta quarta-feira (23) pela Justiça, por seis meses, após a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizarem uma operação conjunta contra fraudes no INSS. As investigações da PF apontam descontos indevidos de valores de aposentados e pensionistas do INSS, que foram realizados no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as investigações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Em entrevista coletiva pela manhã, o presidente do PDT e ministro da Previdência, Carlos Lupi, disse que a indicação de Stefanutto na presidência do INSS era de "inteira responsabilidade" dele.
Stefanutto é o segundo presidente do INSS a cair no atual mandato de Lula. No mesmo cargo, em 2023, Glauco Wamburg foi exonerado por suposto uso irregular de passagens e diárias pagas pelo governo.
Na ausência de Rui Costa, a exoneração é assinada pela ex-ministra Miriam Belchior, atual secretária-executiva da Casa Civil. O nome do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, não aparece no ato de exoneração. As informações são do g1.
- Por Leonardo Almeida/Bahia Notícias
- 24 Abr 2025
- 12:40h
Foto: Valter Campanato / EBC
O presidente da empresa estatal Telecomunicações Brasileiras (Telebras), Frederico Siqueira Filho, deve ser o próximo ministro das Comunicações, substituindo Juscelino Filho (União), que pediu demissão do cargo no início deste mês de abril. Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, a indicação de Siqueira ocorreu após acordo entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Juscelino Filho.
A chegada do novo ministro acontece, também, depois de um constrangimento dentro do governo Lula. Nesta semana, após ser anunciado como novo comandante da pasta das Comunicações, o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas (União-MA) rejeitou o convite para permanecer como deputado federal. A recusa gerou surpresa dentro do governo, visto que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, já tinha anunciado a substituição.
Juscelino Filho deixou o cargo no dia 8 de abril ao pedir demissão após ser alvo de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Segundo a PGR, quando era deputado federal, Juscelino teria direcionado recursos para Vitorino Freire (MA), cidade na qual sua irmã era prefeita.
Frederico de Siqueira Filho é engenheiro civil pernambucano. Graduado pela Universidade de Pernambuco, ele construiu uma sólida carreira na operadora Oi, onde atuou por 21 anos em diversos cargos de liderança, incluindo diretor de Relações Institucionais (2008–2018) e diretor de Vendas Corporativas para o Governo na Oi Soluções, liderando equipes comerciais nas regiões Norte e Nordeste.
Em maio de 2023, Frederico assumiu a presidência da Telebras, empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações. Durante sua gestão, destacou-se por revitalizar a estatal, firmando parcerias com empresas privadas de satélites para ampliar o acesso à internet em áreas remotas. Sob sua liderança, a Telebras também avançou em projetos como o Gesac (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão) e o programa “Aprender Conectado”, voltado à conectividade em escolas públicas.
- Bahia Notícias
- 24 Abr 2025
- 10:10h
Foto: Lula Marques / EBC
O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou o processo contra o ex-governador da Bahia e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), no caso da compra de 300 respiradores pulmonares que não foram entregues em sua gestão durante o período da pandemia da Covid-19. Os equipamentos foram comprados em 2020 e custaram R$ 48,7 milhões.
De acordo com informações da coluna de Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo, o processo contra Rui Costa foi arquivado por 5 votos a 2. Além disso, o TCU o determinou uma tomada de contas especial contra a empresa que faria a entrega dos equipamentos para recuperar os danos causados ao erário público.
Na época da aquisição, Rui Costa também presidia o Consórcio do Nordeste, que reunia os estados da região e foi responsável pela aquisição dos respiradores na empresa Hempcare, o qual é especializada na produção de medicamentos à base de maconha.
O pagamento foi realizado de forma antecipada, mas não honrou o contrato. O ministro do TCU Jorge Oliveira, que relatou o processo, considerou em seu voto que o pagamento adiantado foi feito à empresa "sem que houvesse prévias e efetivas cautelas aptas a reduzir o risco" de calote. No caso, ele votou a favor do prosseguimento do precosso.
O ministro Bruno Dantas abriu a divergência no voto revisor —segundo ele, não em relação "à gravidade dos fatos ou mesmo na participação de agentes públicos envolvidos". Mas sim na "avaliação da reprovabilidade das condutas, dado o contexto em que ocorreram".
Ele afirmou no voto que não seria possível a aplicação a gestores públicos sem considerar que na época enfrentavam a maior pandemia do século, ainda sem saber exatamente as dimensões que poderia alcançar.
"A interpretação jurídica não pode desconsiderar o contexto histórico em que os atos e fatos ocorrem, condição fundamental para que seu significado possa ser adequadamente compreendido. É por isso que, passados apenas cinco anos, causa-me perplexidade vislumbrar a possibilidade de o tribunal vir a responsabilizar aqueles que se encontravam na linha de frente desse combate cruel, para dizer o mínimo, justamente em seu momento mais crítico e incerto” disse ele.
Os ministros Walton Alencar, Benjamin Zymler, Aroldo Cedraz e Antonio Anastasia seguiram o voto de Bruno Dantas, contra os votos de Jorge Oliveira, Augusto Nardes e Jhonatan de Jesus.
- Por Folhapress
- 24 Abr 2025
- 08:28h
Foto: Divulgação/Bahia Notícias
Jeremy Renner, 54, deu detalhes do processo de escrita de "My Next Breath" ("Meu Próximo Suspiro", em tradução livre), livro em que fala sobre o acidente que sofreu há dois anos, ao ser quase esmagado por seu limpa-neves.
O ator do MCU ("Marvel Cinematic Universe", ou "Universo Cinematográfico Marvel") enxergou a criação da obra como uma ferramenta de cura emocional. "Escrever sobre isso foi muito catártico emocionalmente, ter que repassar tudo palavra por palavra. Eu não falo sobre isso. Faz parte da minha vida todos os dias, e é sempre um lembrete maravilhoso da força do espírito humano e de quão frágil o corpo é e quão incrível ele é na recuperação", afirmou ele à revista People.
Renner afirma na obra que chegou a ver "seu olho esquerdo através do olho direito" ao ter a cabeça esmagada pelo aparelho. "Não sou assombrado pelo incidente — pelo menos não com muita frequência — pelas imagens, pelos sons. Mas me lembro da minha nova realidade, e ela é maravilhosamente positiva. Eu não morri."
Ele foi atingido pelo limpa-neves ao tentar evitar que a máquina ferisse seu sobrinho, Alex, 29. "Se eu melhorar, ele vai melhorar. Coloquei imagens na cabeça daquele garoto que ele não consegue esquecer, então farei tudo o que puder para melhorar. Então, eu o curo, e ele me cura. É uma coisa linda."
"My Next Breath" será lançado no próximo dia 29 nos Estados Unidos. Por enquanto, a obra não possui previsão de ser publicada no Brasil.
- Por Isabela Palhares | Folhapress
- 23 Abr 2025
- 17:07h
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O Ministério da Educação anunciou nesta quarta-feira (23) uma avaliação anual para os concluintes de medicina, o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). A primeira aplicação da prova deve ocorrer já em outubro deste ano.
O exame terá a mesma matriz de referência do Enare (Exame Nacional de Residência), que é feito pela Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) para selecionar candidatos a vagas de residência médica em todo o país. Ou seja, utiliza os mesmos critérios para pontuação e tenta medir as mesmas habilidades e conhecimentos.
Assim, a nova avaliação tem como objetivo avaliar a qualidade do ensino ofertado pelos cursos de medicina no país e também ajudar na seleção de alunos para residências médicas.
A medida faz parte de um esforço do governo federal para melhorar a qualidade da formação médica no país. Participaram do anúncio os ministros Camilo Santana, da Educação, e Alexandre Padilha, da Saúde. Os dois destacaram a preocupação com o ensino que é ofertado, sobretudo, em faculdades privadas.
"O Enamed aponta para o que tem que ser observado, que são as instituições de ensino. Não é o aluno o responsável pela sua formação, mas a instituição. Isso é ainda mais importante no nosso país, em que a maioria das matrículas de medicina são pagas, senão a gente vai continuar tendo instituições faturando sem ofertar uma boa formação médica", disse Padilha.
Camilo já havia demonstrado preocupação com a qualidade dos cursos de medicina em faculdades particulares. Segundo ele, os resultados do Enamed vão subsidiar uma comissão, formada por conselhos médicos e de educação, a estabelecer novas estratégias de regulação dessas graduações.
O ministro da Educação disse ainda que pretende, em um segundo momento, criar uma prova que vai avaliar os estudantes na metade do curso de medicina. "[Vamos ter] uma prova de progresso para que a gente possa apontar para as instituições as correções necessárias para formar um bom médico. Para não descobrir falhas apenas no fim do curso."
A prova será aplicada anualmente a todos os concluintes de medicina. A expectativa é de que já neste ano ela seja feita por 42 mil estudantes. Outros médicos já formados também podem fazer a prova para tentar uma vaga de residência pelo Enare.
Atualmente, os cursos de medicina só são avaliados a cada três anos no país pelo Enade, em uma prova com 40 questões —sendo dez com conteúdos de formação geral e 30 de conhecimentos específicos.
O Enamed terá 100 questões objetivas de múltipla escolha e vai abranger todas as áreas previstas nos currículos dos cursos de medicina, que são: clínica geral; cirurgia geral; ginecologia e obstetrícia; pediatria; medicina da família e comunidade; saúde mental; e saúde coletiva.
Qualidade do ensino médico
Resultados do último Enade, aplicado, em 2023, mostraram que 27,3% dos cursos de faculdades particulares têm notas consideradas baixas. Nas universidades públicas, esse índice foi de 6%.
Foram avaliados 31 mil concluintes de 309 cursos de medicina de todas as regiões do país. Desses, 190 são de instituições privadas de ensino e 52 ficaram com conceito Enade 1 e 2. Esse patamar é considerado inadequado e pode acarretar ações de regulação nesses cursos.
Na outra ponta de desempenho, apenas 4,7% dos cursos privados de medicina, ou seja, nove deles, alcançaram a nota 5, a máxima.
Além disso, 82 cursos privados obtiveram a nota 3, que é considerada regular.
Na rede pública, foram avaliados 119 cursos e 7 obtiveram o conceito Enade 1 e 2 —dois deles são de universidades federais, dois de universidades estaduais e três são municipais. A nota máxima foi obtida por 35 cursos de instituições públicas. E a nota 3, regular, foi obtida por 21 delas.
- Atividades com colaboradores, comunidades e contribuição para o Livro Azul, do IBRAM, destacaram a importância do uso consciente e mostraram práticas sustentáveis adotadas pela empresa na operação
- ASCOM: RHI Magnesita I Janaina Massote
- 23 Abr 2025
- 15:51h
Os participantes de Brumado conheceram atitudes simples e eficazes para o uso consciente da água (RHI Magnesita/ Divulgação)
A RHI Magnesita reforçou seu compromisso com a sustentabilidade e com a gestão responsável da água ao promover uma série de atividades educativas voltadas para colaboradores e comunidades anfitriãs, entre o fim de março e primeira quinzena de abril. As ações aconteceram em cinco cidades: Brumado, Santaluz e Aratu, na Bahia; Uberaba e Contagem, em Minas Gerais.
Com o tema “Água – essencial para a vida”, as atividades incentivaram atitudes simples e eficazes para o uso consciente do recurso, tanto em casa quanto no ambiente de trabalho. Atividades dinâmicas abordaram o processo de destilação da água, saneamento básico e o reuso da água para tarefas do dia a dia, como lavar pisos e carros. Dicas práticas também foram compartilhadas, como reduzir o tempo de banho, fechar a torneira ao escovar os dentes e evitar o descarte inadequado de resíduos.
“A RHI Magnesita realiza ações para promover práticas sustentáveis e incentivar o uso responsável da água em todas as unidades e nas comunidades onde atua. Essas iniciativas refletem o nosso compromisso com a preservação dos recursos naturais”, explica Carlos Eduardo Rodrigues, gerente de Meio Ambiente da empresa.
Entre os participantes, estiveram colaboradores, jovens aprendizes, alunos e professores da rede pública, e crianças de projetos sociais. Eles tiveram a oportunidade de aprender, de forma lúdica e prática, sobre o valor da água para o planeta. Para Douglas Assis de Jesus, aprendiz da unidade de Brumado, foi uma descoberta. “Eu não fazia ideia de como funcionava o saneamento básico. Foi um aprendizado importante. Agora sei que pequenas atitudes podem fazer muita diferença para evitar o desperdício.”
Práticas sustentáveis na operação
Além das ações educativas, a RHI Magnesita também investe em tecnologias e processos industriais voltados para a preservação da água. Um exemplo é a unidade de Brumado (BA), que alcança atualmente 90% de recirculação e reuso de água industrial, evitando o consumo de 998 m³ por hora. A empresa também contribui para a preservação de 22 nascentes na região da Serra das Éguas.
“A companhia implementa métodos eficientes nas etapas de britagem, sinterização e beneficiamento de minério, sempre com foco na otimização do uso da água. Esses processos são continuamente monitorados e aperfeiçoados para reduzir desperdícios e ampliar a sustentabilidade da operação”, complementa Rodrigues.
Paralelamente às práticas internas, a empresa mantém parcerias com organizações locais para apoiar projetos comunitários de educação ambiental, reforçando seu papel ativo na proteção dos ecossistemas e no desenvolvimento sustentável das regiões onde está presente.
Livro Azul
A RHI Magnesita também participou do lançamento do Livro Azul – Boas Práticas em Gestão e Manejo dos Recursos Hídricos na Mineração, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), no dia 3 de abril, em Belo Horizonte (MG).
A publicação, disponível em formato digital, reúne experiências de 16 empresas do setor mineral. A RHI Magnesita contribuiu com duas iniciativas implementadas em sua unidade de Brumado (BA), que demonstram como a otimização e o uso sustentável da água podem ser aplicados de forma efetiva nas operações minerárias.
Durante o evento, a empresa também esteve representada no painel de apresentação e na roda de conversa com especialistas de grandes mineradoras. A participação reforça o compromisso da RHI Magnesita com a sustentabilidade e com a gestão eficiente dos recursos naturais, além de posicionar a companhia como referência no desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor.
Sobre a RHI Magnesita
A RHI Magnesita é o fornecedor líder global de produtos, sistemas e soluções refratárias de alta qualidade que são essenciais para processos de alta temperatura, superiores a 1.200°C, em uma ampla variedade de indústrias, incluindo aço, cimento, metais não ferrosos e vidro. Com uma cadeia de valor verticalmente integrada, de matérias-primas a produtos refratários e soluções totalmente baseadas em desempenho, a RHI Magnesita atende clientes em todo o mundo, com mais de 20.000 funcionários em 68 unidades de produção, 10 unidades de reciclagem e mais de 70 escritórios de vendas. A RHI Magnesita pretende alavancar sua liderança em termos de receita, escala, portfólio de produtos e presença geográfica diversificada para atingir estrategicamente os países e regiões que se beneficiam de perspectivas de crescimento econômico mais dinâmico.
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- Bahia Notícias
- 23 Abr 2025
- 12:20h
Foto: Unsplash / Reprodução
Uma pílula anticoncepcional masculina sem hormônio entrou em testes clínicos pela primeira vez. Os resultados iniciais indicaram que o YCT-529 limitou de forma eficiente a produção de espermatozoides em camundongos e primatas não humanos. O produto registrou ainda poucos efeitos colaterais.
Segundo O GLOBO, em camundongos machos, o anticoncepcional age até um mês após o início do uso. O item reduz e impede as gestações nas parceiras fêmeas em quase 100%. De acordo com a reportagem, os macacos machos precisaram de uma dosagem maior do produto, mas provocaram também uma queda rápida na contagem de espermatozoides sem apresentar efeitos colaterais.
No entanto, de forma similar aos anticoncepcionais hormonais femininos, os produtos indicados aos homens também podem causar efeitos indesejados, como ganho de peso, depressão ou aumento do colesterol “ruim”, conforme apresentou o teste.
- Bahia Notícias
- 23 Abr 2025
- 10:42h
Foto: Reprodução/STF
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acatou, nesta terça-feira (22), a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), acusando o planejamento de um ato golpista contra o Estado Democrático de direito em 2022, contra o "núcleo 2". A denúncia foi aceita de forma unanime.
Segundo a denúncia feita pela PGR, eles são os responsáveis por gerenciar as ações da organização do ato. Agora, eles se tornaram réus no tribunal.
Este segundo núcleo é composto pelo delegado da Polícia Federal (PF) e ex-secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), Fernando de Sousa Oliveira; o ex-assessor especial de Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins; o ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Costa; ex-diretora de inteligência do Ministério de Justiça, Marilia Alencar; Homem de confiança de Bolsonaro e ex-numero dois da Secretaria-Geral da Presidência, Mario Fernandes e Silvinei Vasquez, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, foi o primeiro a votar e foi acompanhado por Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da turma.
- Bahia Notícias
- 23 Abr 2025
- 08:39h
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), abre as inscrições para a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), nesta terça-feira (22).
A iniciativa selecionará 130 propostas de cursinhos populares gratuitos voltados a preparar estudantes para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros vestibulares que dão acesso às instituições de ensino superior.
A iniciativa selecionará 130 propostas de cursinhos populares gratuitos voltados a preparar estudantes para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros vestibulares que dão acesso às instituições de ensino superior.
As inscrições poderão ser feitas no portal Prosas até o dia 6 de maio. Terão prioridade os cursinhos populares que não recebem apoio financeiro direto ou indireto. A relação com todos os inscritos deverá ser divulgada em 7 de maio, no portal do MEC.
Segundo o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Hugo Silva, os cursinhos populares são trincheiras de resistência e de luta pela democratização do acesso ao ensino superior.
“Em um país marcado pela desigualdade, são nesses espaços, em conjunto com a política de cotas, que se constroem estratégias e ferramentas para avançar na educação superior para juventude periférica”, afirma.
Com um investimento inicial de R$ 24,8 milhões para o ciclo 2024-2025, a rede apoiará 130 cursinhos já no primeiro ano, beneficiando até 5.200 estudantes do Brasil. Até 2027, o valor global chega a R$ 99 milhões, com cerca de 324 cursinhos populares apoiados.
“Por isso, é urgente que esses cursinhos sigam existindo e se inscrevam no edital da Rede Nacional de Cursinhos Populares, para obter apoio didático, financeiro e de capacitação para professores”, acrescenta Hugo.
- Bahia Notícias
- 22 Abr 2025
- 17:20h
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem encontro marcado com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários da Casa, logo após o feriado, com a missão de frear o avanço do projeto da anistia.
A reunião, que acontecerá em tom de jantar político, faz parte da estratégia do Palácio do Planalto para reverter o clima desfavorável no Congresso. Segundo auxiliares presidenciais, Lula contará com o apoio da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para tentar convencer os parlamentares da base aliada a barrarem a proposta.
A movimentação já vinha sendo articulada nos bastidores e segue o modelo de aproximação adotado no início do mês, quando Lula recebeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e outros senadores na residência oficial.
A ideia do Planalto é repetir a dose, agora com os deputados, e ganhar fôlego nas negociações para conter o avanço da proposta que tem gerado preocupação no governo. As informações são do colunista Igor Gadelha.
- Por Carolina Nogueira | Folhapress
- 22 Abr 2025
- 15:40h
Foto: Reprodução/Bahia Notícias
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou o pedido de Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do governo Jair Bolsonaro (PL), para circular livremente em Brasília na próxima semana, durante o julgamento da denúncia contra ele por tentativa de golpe de Estado.
O julgamento está marcado para ocorrer na terça (22) e quarta-feira (23). A defesa de Martins havia solicitado que ele pudesse circular pela capital durante o dia, mas Moraes negou o pedido e reiterou a decisão anterior, que autorizava apenas sua presença no STF durante o julgamento.
O ministro já havia permitido a vinda de Martins a Brasília, mas restringiu os deslocamentos ao trajeto entre o aeroporto, o hotel e a sede do Supremo.
Segundo Moraes, "a autorização para acompanhar o julgamento corresponde a uma excepcional alteração da situação do denunciado, em respeito ao princípio da ampla defesa, mas não significa uma verdadeira licença para fazer turismo ou atividades políticas em Brasília, uma vez que o denunciado encontra-se no cumprimento de diversas medidas cautelares diversas da prisão".
Martins integra o núcleo dois da denúncia do golpe, composto por autoridades de segundo escalão do governo Bolsonaro que, segundo a acusação, atuaram para manter o ex-presidente no poder mesmo após sua derrota para Lula (PT). De acordo com a denúncia, coube a Martins levar a Bolsonaro a primeira versão da minuta golpista, além de oferecer apoio jurídico à trama.
Há um mês, o advogado de Martins, Sebastião Coelho, causou tumulto durante a sessão que analisava a denúncia contra Bolsonaro. Ele tentou entrar no plenário sem estar inscrito e foi barrado pela segurança do STF. Do lado de fora da sala, gritou, atrapalhou os trabalhos e acabou detido por desacato, sendo liberado pouco tempo depois.
O núcleo dois, do qual Martins faz parte, é classificado como "gerencial" pela PGR (Procuradoria Geral da República). O grupo teria atuado na organização do plano para reverter o resultado das eleições e impedir a posse de Lula (PT).
- Por Julia Chaib | Folhapress
- 22 Abr 2025
- 13:39h
Foto: Reprodução / silviobm
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, vão a Roma para o funeral do papa Francisco nesta semana. "Estamos ansiosos por comparecer", afirmou Trump em post na sua rede social Truth Social.
Será a primeira viagem internacional do republicano desde que tomou posse, em 20 de janeiro.
Trump esteve com o papa em visita ao Vaticano em 2017, no seu primeiro mandato. O presidente americano tinha divergências com o pontífice, sobretudo em relação às políticas de imigração.
- Por Ranier Bragon | Folhapress
- 22 Abr 2025
- 11:34h
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) afirma que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) mostrou não ser Arthur Lira (PP-AL) na negociação para o encerramento da greve de fome que fazia havia oito dias.
Glauber passou a dormir na Câmara após o Conselho de Ética recomendar a cassação do seu mandato devido à agressão a um integrante do MBL (Movimento Brasil Livre).
Na quinta-feira (17), o psolista encerrou o protesto após Motta -que chegou ao cargo com apoio de Lira- assegurar uma pausa de 60 dias na tramitação do processo.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, a primeira após o fim da greve de fome, Glauber reafirmou as acusações contra o ex-presidente da Câmara dizendo que qualquer deputado sabe que ele está por trás de tudo. Lira sempre negou essas acusações.
*
PERGUNTA - Qual será sua postura daqui em diante?
GLAUBER BRAGA - A gente ainda ainda está finalizando [o recurso à Comissão de Constituição e Justiça, a ser entregue nesta terça-feira]. Daí vou procurar dialogar com aqueles deputados que queiram ouvir os argumentos que eu tenho a apresentar.
A gente vai continuar a mobilização com os movimentos, com a sociedade civil organizada. Tem, por exemplo, um ato na quinta-feira [24], no Rio de Janeiro.
Não tem mudança de tática, de rota. A minha ação que pode ser considerada mais dura dentro do Conselho foi em relação ao relator [Paulo Magalhães, do União Brasil da Bahia, que Glauber acusou de trabalhar a mando de Lira].
Eu procurei manter uma relação firme, algumas vezes dura, mas respeitosa. Agora, com o relator eu não tinha como não dizer de forma muito explícita quem era o responsável pela assinatura daquele relatório: Arthur Lira.
P - O sr. se arrepende de ter agredido o membro do MBL?
GB - Um provocador vai ao seu encontro por sete vezes. Depois, dentro do Congresso Nacional, xinga a sua mãe da maneira mais baixa e mais rasteira. Minha mãe estava com Alzheimer já avançado e viria a falecer alguns dias depois.
Em condições parecidas, a sua reação seria diferente?
P - Mas um deputado não tem que ter um "couro" mais duro em relação a esse tipo de coisa?
GB - Agressões, ataques com a presença da extrema direita mais dura no Congresso eu vivencio toda semana e já tenho um couro mais duro. Agora, quando mexeu especificamente com a vida e com a história da minha mãe, eu realmente não me aguentei.
Se emocionalmente essa é uma questão que eu tenho que trabalhar com mais profundidade, pode ser. Um parlamentar tem que ter uma maior compreensão e casca dura, é verdade, mas eu também sou um ser humano. E eu não deixo de ficar revoltado e ferido quando falam de uma pessoa que eu amo tanto e que estava incapaz de fazer a sua defesa.
P - O sr. chamou Lira, repetidas vezes, de bandido. Mantém essas afirmações?
GB - O que acontece com o Orçamento secreto [a distribuição de emendas parlamentares mediante baixíssima transparência] é um escândalo de grandes proporções.
E quem diz que eu não preciso adjetivar, tudo bem. Vamos aos fatos. O que acontece no município de Rio Largo, em Alagoas, é um escândalo. O município que teve um ex-prefeito preso não sei quantas vezes. Que, num espaço de tempo curtíssimo, recebeu R$ 90 milhões do orçamento secreto.
Um município onde dinheiro do orçamento secreto foi pego depois de 200 saques na boca do caixa por empresas privadas num beco, a ser entregue ao prefeito. Isso não é banal.
Arthur Lira, em uma ligação que fez para o deputado José Rocha [União-BA], desviou do seu objetivo original na comissão [de Integração Nacional da Câmara] aproximadamente R$ 300 milhões para os fins buscados pelo Arthur Lira no seu projeto de poder em Alagoas.
P - Quais elementos o sr. tem para afirmar que Artur Lira está por trás da tentativa de cassar o seu mandato?
GB - Ele disse no plenário que ficaria muito feliz quando eu não mais ali estivesse. Depois ele dá uma entrevista e, quando o apresentador questiona os casos de violência por parte da extrema direita, ele fala: "Não é só da direita não, é da esquerda também".
Então eu recebo informação de um deputado: "O relator [no Conselho de Ética] se encontrou com Arthur Lira e está pressionando ele para modificação do relatório".
No dia da votação da admissibilidade [do processo], não deu outra.
Pergunte a deputados das mais variadas correntes ideológicas. Eles vão dizer o seguinte: "Não, o Glauber também é arestoso, briga com os deputados". Mas quando você pergunta: "Mas isso seria motivo de cassação de mandato?" Todos eles vão dizer: "Não, não seria". Todos vão te dizer que se trata do Arthur Lira. Para mim isso não é uma dúvida, é uma convicção.
P - Hugo Motta foi eleito graças a Lira. Como é que foi essa negociação com ele?
GB - Sâmia [deputada da PSOL e esposa de Glauber] e Lindbergh [Farias, líder do PT na Câmara] iniciaram esse diálogo. E apareceu então a proposta de que eu pudesse suspender ou encerrar a greve de fome para, a partir daí, serem garantidos os instrumentos de defesa.
O que eu posso dizer é que ele cumpriu aquilo que foi pactuado com Sâmia e Lindbergh.
Em determinado momento, ele também teve a preocupação de que eu não saísse da greve de fome. Na reta final, eu com Lindbergh e Sâmia na minha frente, pedi o telefone e falei: "Presidente, eu não faria isso com Lindbergh e com Sâmia".
O que eu tenho a dizer nesse exato momento, nesse episódio, é que ele deu a demonstração de que ele não é o Arthur Lira. Pode ter sido um candidato de continuidade, com os compromissos que tinham sido firmados com o Arthur Lira, mas a posição política que foi adotada por ele nesse episódio é diferente. Ele demonstrou que não é o Arthur Lira no comando da presidência da Câmara.
O que vem a partir daí, vamos esperar o desenrolar dos acontecimentos.
P - O sr. concorda com uma punição de advertência ou suspensão?
GB - É uma avaliação que vai ser feita pelos parlamentares. O que eu posso dizer é que a cassação faz parte de um processo de perseguição política e é injusta.
P - Como foram os dias de greve de fome? Esperava a visita de tantos ministros [nove] do governo Lula?
GB - Eu estava preparado para ficar uma quantidade de dias bem maior. Teve um único momento que eu balancei, quando deu uma alteração na taxa das enzimas do fígado. Poderia ser um episódio traumático para o meu filho e para a Sâmia. Mas eu me recompus.
Teve o acolhimento das mais diferentes pessoas, dos mais variados partidos. Por exemplo, um deputado do PP, o Fausto Pinato, que foi lá e disse: "Eu não voto a favor dessa cassação de jeito nenhum". Agora, a força foi daquela militância, que todo dia estava ali fazendo atividade.
Evidentemente fiquei tocado e agradecido pela presença deles [ministros]. Eu tenho a certeza de que foi muito importante para a ampliação da repercussão do que estava acontecendo.
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GLAUBER BRAGA, 42
Advogado e deputado federal no quinto mandato, é filho da ex-prefeita de Nova Friburgo Saudade Braga (1948-2024), de quem foi secretário de Gabinete e de Governo, entre outras funções. Disputou a Prefeitura de Nova Friburgo em 2016, mas ficou em segundo, sendo superado por Ricardo Bravo (PP)
- Por Pedro Lovisi | Folhapress
- 22 Abr 2025
- 09:29h
Foto: Divulgação EDP
Há alguns meses, tanto governo brasileiro quanto empresários estavam empolgados com a possibilidade de o Brasil ser o vanguardista na produção em escala de hidrogênio verde no mundo. O pioneirismo, apontavam, abriria portas de mercados avançados para a indústria nacional e permitiria o desenvolvimento do Nordeste, região que abriga os principais projetos do combustível no país.
Esse entusiasmo, no entanto, dissipou-se e os brasileiros caíram na real, nas palavras de alguns executivos do setor. A chegada de Donald Trump à presidência dos EUA só aumentou as incertezas preexistentes com o combustível do futuro, e até a Europa -que abrigará a primeira demanda desse mercado- deu alguns passos atrás nas últimas semanas.
O próximo primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, por exemplo, é reticente quanto às metas ambiciosas do atual governo e já questionou a viabilidade de substituir o uso de gás na produção de aço por hidrogênio verde. A narrativa pode ganhar força em caso de um cessar-fogo na guerra na Ucrânia e uma retomada de exportação de gás russo para a Europa.
Sem uma meta ambiciosa dos alemães, que lideram a pauta ambiental na Europa, dificilmente o mercado deve caminhar com a velocidade que se esperava.
"A Europa tinha uma missão publicada de 10 milhões de toneladas de importação, o que equivale a 60 gigawatts de eletrolisadores. Mas eles estão passando por conflitos e por uma série de coisas, o que faz com que a gente entenda que a demanda atual seja bem menor", diz Luis Viga, responsável pelo projeto da Fortescue no Brasil e presidente do conselho da ABHIV (Associação Brasileira da Indústria de Hidrogênio Verde). "Com isso, muitos projetos no mundo foram cancelados."
Especialistas também apontam que as pesquisas relacionadas à produção de hidrogênio verde avançaram menos do que o planejado e é difícil estimar quando o combustível terá o mesmo preço do hidrogênio cinza, feito a partir de combustível fóssil.
A Bnef, braço da Bloomberg responsável por pesquisas sobre transição energética, apontou neste mês que dificilmente o quilo do hidrogênio verde custará, em algum momento, US$ 1, valor necessário para que se equipare ao hidrogênio cinza. Hoje, nas contas da consultoria, no melhor cenário possível, o combustível limpo custa US$ 3,2 por quilo na China.
Fora do gigante asiático e com tecnologias menos avançadas, no entanto, esse valor sobe para US$ 4 na Arábia Saudita, US$ 6,3 na Índia, US$ 6,7 na Espanha e US$ 7 no Brasil. As análises levam em conta projetos desconectados da rede elétrica, mas no caso do Brasil os projetos devem estar conectados, o que reduziria o atual preço para cerca de US$ 3,5, segundo executivo do setor.
Ainda assim, o avanço de alguns projetos fora do Brasil a partir de subsídios públicos e as dificuldades físicas para transportar o hidrogênio para a Europa colocaram alguns países mais próximos dos europeus na dianteira da corrida pelo primeiro fornecimento. No ano passado, um projeto de hidrogênio verde no Egito foi o campeão de um leilão organizado com o governo alemão para abastecer o país a partir de 2027.
"O que houve, na verdade, foi um choque de realidade de qual é o tamanho desse mercado e no que ele pode ser usado", diz Vinicius Nunes, chefe de pesquisa do mercado brasileiro de transição energética na Bnef. "Mas, ao mesmo tempo, não necessariamente o Brasil vai ser o fornecedor; o país pode até ser competitivo, mas há subsídios e regulações [que afetam a corrida]."
A proximidade dos projetos com a Europa é um dos pontos mais levados a sério nas análises de viabilidade feitas pelas grandes empresas do setor, segundo Hanane El Hamraoui, vice-presidente da HDF, empresa francesa com vários projetos de H2 verde no mundo.
O custo logístico do hidrogênio é alto e, em caso de transporte por navios, é necessário transformá-lo em amônia no país exportador e reconvertê-lo em hidrogênio no país importador. Uma das soluções mais viáveis encontradas pelos europeus é o transporte via gasodutos -em janeiro, Itália, Alemanha, Áustria, Argélia e Tunísia anunciaram um plano de avançar na construção da infraestrutura.
"Se quisermos evitar uma infraestrutura muito grande a ser instalada, projetos próximos ao mercado é melhor. O Egito, por exemplo, está próximo do mercado, assim como Marrocos e Tunísia", diz El Hamraoui.
O cenário desfavorável aos projetos brasileiros prejudica a assinatura de contratos com empresas interessadas em comprar antecipadamente a produção. Essas negociações são responsáveis por injetar investimentos nas instalações ou por facilitar a interlocução com bancos privados.
"Aqui no Brasil ninguém ainda tem contratos de offtake [fornecimento antecipado]. E todos os projetos grandes têm que ser financiados, porque o banco só vai emprestar se tiver offtake", diz Viga, da Fortescue. Executivos acreditam que esses contratos só serão assinados quando os projetos tiverem concluído suas engenharias.
Mas o primeiro grande contrato de offtake pode estar prestes a acontecer. No final de abril, a Hintco, organização responsável por gerir o leilão que consagrou o projeto no Egito, visitará São Paulo para apresentar seu novo leilão –desta vez com um lote dedicado apenas a projetos na América Latina e Oceania.
A Hintco garante o pagamento de 484 milhões de euros (R$ 3 bilhões) ao projeto vencedor em troca de fornecimento do hidrogênio verde para empresas europeias de 2028 a 2036 -em comparação, o projeto da Fortescue exige R$ 20 bilhões.
Vence o projeto com o menor preço, sendo que a diferença entre o valor vendido e o pago pelas empresas será bancado pelo governo da Alemanha. A quantia só será entregue ao projeto após o fornecimento, mas uma garantia antecipada de demanda pode facilitar a interlocução com bancos privados.
"Nós oferecemos acordos de compra de longo prazo, com preços fixos, e isso permite que os projetos tomem a decisão final de investimento e tenham um caso de negócio viável. Com isso, eles têm um comprador que está além de qualquer risco de crédito, já que o leilão é apoiado pelo governo alemão", diz Timo Bollerhey, CEO da Hintco. O vencedor deve ser anunciado no início do ano que vem.
A expectativa é que, caso o vencedor seja um projeto brasileiro, o andamento da primeira produção possa alavancar a demanda interna do país, o que desprenderia os interesses do Brasil das políticas europeias. "Uma vez que você comece a produzir e a aumentar a escala, o seu custo de produção diminuirá. E então isso chegará a um ponto onde também será interessante para o consumo local", diz Bollerhey.
A demanda local, aliás, é vista por alguns especialistas como a origem da real viabilidade dos projetos brasileiros de hidrogênio verde, hoje ainda muito voltados para exportação.
"O Brasil tem que olhar principalmente para o mercado doméstico, porque o maior uso hoje de hidrogênio no país é a Petrobras, então você já tem um uso que poderia ser descarbonizado. Se a possibilidade de exportação acontecer, acho que é ótimo, mas o Brasil tem que focar também projetos domésticos", diz Nunes, da BloombergNEF.