Brumado e a nova realidade do crime na cidade
- Daniel Simurro
- 05 Fev 2014
- 11:23h

(Composição: Daniel Simurro / Brumado Urgente)
O município de Brumado foi promovido, em pouco menos de duas décadas, do status de uma cidade pacata, para uns dos municípios mais violentos da região, tendo ainda que ostentar o desagradável título de polo regional de distribuição de entorpecentes. Fazendo um retrospecto histórico, os grandes catalisadores desta transformação foram o enorme vácuo na área social e, consequentemente, a infiltração silenciosa de membros de facções criminosas, que vieram para Brumado no início do fenômeno da interiorização da violência no Brasil, atrás do “Eldorado criminal” e, de forma quase imperceptível, começaram a construir uma rede aliciadora de adolescentes e jovens que foram, pouco a pouco, ingressando no mundo das drogas, sem muitos alardes, sem quase ninguém perceber, já que o município era tido como pacato, o que podia ser comprovado pelos índices de violência muito baixos para a época. As autoridades, diante disso, preferiram ficar na “zona de conforto”, acreditando que a situação não seria alterada, mas, quase duas décadas depois, ficou claro que o crescimento da criminalidade teve na ausência do Estado, tanto na parte preventiva como na repressiva e, principalmente na área social, com a ausente geração de empregos e de oportunidades para os jovens e para as suas famílias, um de seus maiores propulsores, já que a ociosidade é uma das principais parceiras do crime. Hoje, a página policial brumadense é bastante agitada, contanto já com sequestros-relâmpagos, estupros, quadrilhas especializadas em roubos de carros e motos e um forte braço do tráfico, que serve toda a região. Os brumadenses estão com medo, as casas estão cada vez mais repletas da parafernália eletrônica visando à proteção; as ruas, no período noturno estão cada vez mais vazias; os olhares do consciente coletivo mostram que existe algo errado no ar; rondas policiais ostensivas não são frequentes como antes na cidade; os jovens parecem robotizados; até as crianças são assaltadas; as autoridades parecem que não sabem o que fazer; e o governo do estado camufla a situação, já que é ano eleitoral e o povo fica, diante disso, à mercê da sorte, contando, única e exclusivamente, com o Deus Todo-Poderoso para a sua proteção. Um dos pontos mais debatidos na imprensa local é a insuficiência do contingente policial para conter as sucessivas ondas de violência, mas, na prática, pouca coisa vem sendo feita nesse sentido. É para piorar a situação poderemos ter o “replay” do que aconteceu nas últimas eleições, onde inúmeros policiais militares, que eram lotados na 34ª CIPM, tiveram que ser transferidos para Vitória da Conquista e outros centros da Bahia, durante o período eleitoral para satisfazer os “caprichos políticos” do governo do estado, que buscavam a manutenção dos seus tentáculos no poder. Agora já se cogita que outros policiais que estão na ativa em Brumado poderão ir para Barra da Estiva, já que o deputado Marquinos Viana (PV) estaria conseguindo, junto ao governo do estado, a instalação de uma CIPM naquela cidade . Segundo informações o major Silvio Berlink, que comanda a 34ª CIPM, bateu o “pé-firme” e disse que nenhum componente do pelotão irá sair, já que não existem condições para isso. Como é ano eleitoral, possivelmente o filme irá se repetir, e a “caravana dos poderosos” estará por aqui novamente, prometendo a solução para todos os problemas, restando-se saber se a população ficará sentada confortavelmente na “poltrona do conformismo”, ou “subirá a rampa” do “palácio da indignação” e reivindicará os seus direitos com o “ímpeto dos inconformados”. A questão da violência é séria e precisa de uma resposta à altura, então, espera-se que medidas de impacto sejam efetivadas com urgência, para que a sociedade brumadense respire mais aliviada, já que o “nitrogênio do medo” vem invadindo os pulmões do povo, que, “como bom brasileiro, não desiste nunca e fica na esperança de dias melhores, mesmo sabendo que o ano começa depois de fevereiro”




















"Parabéns ao editorial do BRUMADO URGENTE, pela brilhante sintetização da violência e onda de assaltos no nosso município, só para complementar gostaria de observar que o nosso Código Penal está ultrapassado, arcaico e do jeito que é acaba favorecendo mais o marginal do que o cidadão de bem. Onde um marginal de 15, 16 ou 17 anos qua mata, aterroriza suas vitimas, estupra, sequestra, alicia, lidera quadrilha não pode ser penalizado exemplarmente por ainda não ser considerado de maioridade ? É por isto que só aumentar o efetivo policial e construir mais presídios nunca será a solução definitiva para conter o aumento da criminalidade no Brasil - ESTA FALTANDO SERIEDADE E COMPROMISSO DOS NOSSOS POLÍTICOS NAS MATÉRIAS QUE MAIS PREOCUPAM A NAÇÃO. "