Mudança climática: Brasil não tem cumprido metas de redução nas emissões de gases

  • 29 Set 2015
  • 20:02h

(Foto: Reprodução)

Se o processo de adaptação da economia às mudanças climáticas pudesse ser comparado a uma corrida de cavalos, o Brasil poderia ser facilmente comparado ao chamado cavalo paraguaio – aquele que no jargão dos jóqueis dispara na frente no início da disputa, porém vai perdendo força e acaba ultrapassado pelos outros. Espontaneamente, o país estabeleceu metas de redução nas  emissões. O problema é que o Brasil não está cumprindo o que decidiu fazer de maneira voluntária. O mundo está ficando cada vez mais quente, com graves prejuízos para a continuidade da vida no planeta. Esse cenário é causado pela destruição da camada de ozônio, provocada pela emissão de gases do efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo e derivados, e pelo desmatamento. No primeiro semestre deste ano, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) registrou o período mais quente já registrado na história. Aqui no Brasil, os principais desafios estão no aumento do consumo de energia a partir de combustíveis fósseis, reduzir o desmatamento ilegal e ampliar as  ações para uma agricultura de baixo carbono, destaca a pesquisadora Mariana Xavier Nicolletti, da Fundação Getulio Vargas.Ela diz que faltam sinais práticos de uma transição para a economia de baixo carbono no Brasil. “Há sinalizações do governo, com a possibilidade de assumir um posicionamento mais ambicioso na Cop21 (Conferência Mundial do Clima, em Paris, no mês de dezembro)”, lembra. Segundo ela, esses atos simbólicos são importantes, entretanto, é preciso “ver os desdobramentos em políticas públicas nacionais para que as metas sejam alcançadas”. Falta a percepção de que a mudança é estratégica para o futuro, diz Mariana. “Ainda existe uma ideia de que os investimentos na economia de baixo carbono podem ser protelados, principalmente agora no atual contexto de crise”, lamenta Mariana. “A gente tem uma conquista grande em relação ao desmatamento, que se reflete nas emissões brasileiras, mas, por outro lado, temos um desafio grande na geração de energia e também na agropecuária”, ressalta.

Bomba térmica 

Com a crise hídrica, que reduziu a oferta de água nos reservatórios das grandes hidrelétricas brasileiras, o país vem garantindo o abastecimento de energia utilizando cada vez mais energia térmica, produzida sobretudo à base de derivados de petróleo. Segue no caminho inverso ao que deveria, acredita a diretora do CDP Latin América, Juliana Lopes. Ela explica que a necessidade de evitar o aquecimento do planeta é o pano de fundo para uma série de mudanças e o estabelecimento de uma economia baseada no baixo consumo de carbono. “O Brasil estabeleceu metas para a redução das emissões entre 36% e 38% até o ano de 2020. Com o compromisso do governo, houve a construção de uma série de plataformas setoriais, envolvendo o manejo de ecossistemas e mudanças operacionais no setor produtivo, principalmente na indústria”, lembra Juliana. O problema é que o ímpeto apresentado inicialmente pelas autoridades brasileiras não vem sendo mantido, diz a diretora do CDP. “Hoje, se compararmos a situação no Brasil com a de outros países, alguns que nem tinham uma posição tão destacada na discussão inicial, percebemos que estamos ficando para trás”, avisa. Ela acredita que o principal problema por aqui está no setor energético, onde sobrariam estímulos ao consumo de combustíveis fósseis, no lugar de políticas para acelerar o uso de energia renovável. “Um ponto importante nesta discussão é que a crise hídrica tem a ver com as mudanças que estão acontecendo no clima”, acrescenta. Por outro lado, Juliana Lopes aponta um comprometimento do setor industrial, principalmente em atividades que enfrentam concorrência internacional, na mudança de paradigmas de produção. “Existe um esforço de repensar atividades mais intensivas, que é o que pode ser feito individualmente. É óbvio que este esforço seria mais efetivo com um trabalho de cima, no sentido de modificar a matriz energética”, acredita. Para Juliana, ainda há tempo para o país retomar o fôlego e voltar a disputar a corrida. “Os números ainda são assustadores, porém, com esforço, é possível obter os resultados necessários. Agora, é importante a sociedade como um todo perceber que atitudes micro podem ter resultados macro”, destaca.

E você, o que  pode fazer pelo clima do mundo?

Saiba a origem da carne A criação de gado na Amazônia é uma das principais causas de desmatamento ilegal. Procure saber se o produto tem uma origem certificada no açougue ou supermercado. 

Use madeira certificada  Busque produtos que sejam feitos com madeira de origem certificada. Verifique se a madeira possui o selo FSC, que significa o uso de reflorestamento. 

Guarde o carro  Sempre que for possível, opte pelo transporte coletivo e procure manter o carro guardado na garagem. Em um ano, um carro que roda 30 quilômetros por dia emite gases que precisariam de 17 árvores crescendo por 37 anos para absorver. 

Prefira o etanol  Se tiver que utilizar o carro para se locomover, opte por abastecer com etanol, que é produzido a partir da cana-de-açúcar, à gasolina ou diesel, que são produzidos à base de petróleo

Repense o consumo  O processo de fabricação de qualquer produto envolve o consumo de matéria-prima e, muitas vezes, o consumo de energia. Opte por aqueles baseados em processos com baixo consumo de energia e, sempre que possível, que reaproveitem matérias-primas. 

Investigue as empresas  Você pode buscar empresas cujos processos operacionais são certificados para emitir menos gases causadores do efeito estufa. 

Combata o desperdício   Restos de comida são a maior parte do lixo que é produzido no Brasil. Quando é depositado inadequadamente em lixões, os dejetos orgânicos emitem metano na atmosfera, que é um dos gases causadores do efeito estufa. 

Recicle Diversos produtos que são jogados no lixo comum podem ser utilizados para a reciclagem. Papel, vidro, plástico e alumínio são alguns deles. Quando se utiliza produtos recicláveis, preserva-se materiais que ainda estão na natureza.


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