Aos 63 anos, Bruna Lombardi ainda encanta os seus fãs e mostra que não tem idade para a beleza
- Patrícia Kogut
- 20 Set 2015
- 16:18h

BRUNA LOMBARDI (FOTO: CARLOS ALBERTO RICCELLI)
Bruna Lombardi é amiga da fama e garante que a notoriedade só lhe trouxe coisas boas: acolhimento, chance de conhecer o mundo, dinheiro. Era campeã de cartas na TV Globo antes mesmo de estrear na emissora. Ainda recebe convites para voltar à televisão, da qual está afastada desde 2002. É parada por fãs, que clamam por sua volta. Vídeos em que aparece, seja defendendo a adoção de cachorros ou dando dicas de como economizar água, são visualizados por milhões. A página recém-criada no Facebook, em que transmite “mensagens positivas”, tem um milhão e meio de curtidas e um alto engajamento: ou seja, o internauta comenta, interage. E os comentários, que chegam a mais de cem mil por semana, são, surpresa nos atuais tempos, positivos.
Outro dia, a mãe de um menino contou à atriz, produtora e escritora, no meio da rua, que a criança era fã da página: “Mamãe, a Bruna escreve essas coisas para deixar a gente feliz, não é?’’ E ainda nem se falou do Instagram, criado por ela “há minutos”, onde vem exibindo forma invejável, com direito a piercing no umbigo. Aos 63 anos. As fotos postadas, feitas pelo marido, Carlos Alberto Riccelli — autor das imagens que ilustram este perfil —, são em sua maioria atuais e sem retoques, ela afirma. Os dois adoram brincar de fotógrafo e modelo, e as poses comportadas acabam evoluindo para outras mais sensuais. Natural, dizem marido e mulher, de um casal “que faz tudo junto, se curte e cuja relação fica cada vez mais gostosa”.
Bruna só não é amiga dos números.
— Tenho uma relação quase infantil com o tempo. Eu e Ri nunca sabemos dizer há quantos anos estamos juntos, não celebramos datas. Não me ligo em idade. Tenho 63. E daí? Não significa nada. Eu acho envelhecer um privilégio. As pessoas que não envelheceram é porque se foram. Então, eu penso: que outra opção eu tenho? Eu não posso me responsabilizar por números — filosofa Bruna, na intimidade de sua casa no bairro do Morumbi, em São Paulo, onde recebeu a equipe com um bolo feito de ingredientes orgânicos e sem manteiga.
A responsabilidade vem nesta nova e “inesperada” fase de sua longa carreira. Com o sucesso do que diz e mostra nas redes sociais, Bruna recebeu um convite da editora Sextante e lança, até o fim do ano, um livro baseado nas mensagens que posta — já é autora de outros oito. Além disso, prepara um portal chamado Rede Felicidade, no qual pretende “traduzir o que falo no Face, no Instagram, nas entrevistas”. É ela quem escolhe cada frase, mensagem e foto. A nova fase começou meio que por acaso, há cerca de um ano. Devido à grande quantidade de páginas falsas em seu nome, ela resolveu criar uma verdadeira. E começou a postar o que pensava sobre a vida. Os textos são dela ou de pessoas que deseja homenagear, como o amigo Mario Quintana, “de quem fui próxima até o fim da vida”. “Simples assim’’ e “Veio de uma forma muito orgânica” são frases que gosta de repetir:
— Tenho uma caixinha em que guardo essas mensagens desde meus tempos de menina, sempre gostei de escrever. Agora não posso ficar um dia sem postar, as pessoas cobram, dizem que precisam disso. Mas não vejo isso como um peso. Gostaria de dizer para as pessoas que elas conseguem ser felizes e positivas com mais facilidade e que não precisamos ser essa geração tarja preta.
Amigos e família dizem que Bruna sempre foi assim: feliz, leve, simples. A diferença agora é que esse seu lado tornou-se público.
— Além da beleza, ela é uma das mulheres mais inteligentes que conheço e sempre teve isso de se interessar pelos outros e pelas grandes causas. Bruna tem credibilidade, nunca intimidou o espectador, as donas de casa não ficavam com raiva, apesar da beleza. Tenho encanto eterno por ela — diz José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que levou Bruna para a TV (a estreia foi na novela “Sem lenço, sem documento”, em 1977).
Àquela altura, já havia estampado as maiores revistas do país, como modelo. Um dos primeiros convites veio de Costanza Pascolato, que a conhecia desde criança, da comunidade italiana de São Paulo (Bruna nasceu no Rio, mas mudou-se para São Paulo ainda pequena), e editava a “Claudia”.
— A gente vivia atrás de rostos novos. Como ela era baixinha (tem 1,60m e não faz ideia de seu peso) e sem estrutura de modelo, o plano era sempre americano. O rosto dela era arrasador, e ainda é. Um dos olhares mais bonitos que já vi — diz Costanza que, ao ser indagada sobre o cabelão de Bruna, apesar de a moda ditar que isso não cai bem em mulheres acima dos 40, comenta: — Ela pode. E que sorte a dela!
No dia da entrevista e da sessão de fotos para a Revista O GLOBO, Bruna foi ao salão. Fez uma escova e arrumou as unhas. A manicure lhe deu boas-vindas, já que há semanas ela não aparecia por lá. O cabelo comprido, diz, ela mantém por ser mais prático:
— Não tenho que ficar cortando toda hora, quando está sujo ou desarrumado enfio um lápis e prendo.
O marido acha sexy e brinca com ele nas fotos, tiradas sempre em casa. Na intimidade. Os três — ela, Riccelli e o filho dos dois, Kim, de 30 anos — vivem entre São Paulo e Los Angeles, cidade para onde se mudaram em 1993 “atrás de desafios, de estudo”. Bruna tem consciência de que fez escolhas para muitos duvidosas: ela e o marido eram protagonistas absolutos na TV e resolveram investir em cinema fora, cujo retorno financeiro “não era mais o mesmo”. Mas garante que nunca se arrependeu e que tomar esta decisão “foi zero difícil”.



















