A frágil base de apoio a Dilma e a opção de Lula por governar com os picaretas
- Por Ricardo Noblat
- 21 Mai 2015
- 08:21h

Senador Lindbergh Farias (Foto: Dida Sampaio / Estadão)
Para que serve uma base de apoio tão ampla e cara se na hora do aperto parte dela simplesmente larga o governo de mão? E do que adianta seguir presenteando-a com cargos públicos, a maioria deles usada para aumentar a roubalheira? O PDT, por exemplo, deu as costas ao governo e está votando em peso contra as medidas do ajuste fiscal. Mas não abriu mão do Ministério do Trabalho, ocupado por gente sua. Ali são processadas tenebrosas transações. Nem por isso o governo abre mão do PDT. Acha que a qualquer hora precisará dele. E talvez possa contar com ele. Pobre governo! Dois senadores do PT declararam, ontem, guerra ao ajuste das contas públicas – Lindbergh Farias (RJ) e Paulo Paim (RS). O segundo foi mais discreto. Disse que a presidente Dilma não o decepcionou – mas a política econômica do governo, sim. Como se fosse possível distinguir entre a presidente e sua política econômica. Lindbergh Farias subiu no palanque outra vez. Pediu a cabeça do ministro Joaquim Levy, da Fazenda. Como se Levy pudesse fazer um ajuste contra a vontade de Dilma. - Vamos votar contra para ver se a presidente Dilma enxerga nossa posição. Os trabalhadores não podem ser penalizados por um aperto que não criaram. Com esse ajuste só os pobres vão pagar. Cadê as medidas em cima dos ricos? Os bancos nunca ganharam tanto. Agora vamos para o confronto público contra a política econômica – pregou Lindbergh. O sentimento do PT é esse, expresso por Lindbergh. O partido só não se pronuncia nos mesmos termos porque isso significaria retirar o apoio a Dilma. A eficácia do ajuste a ser anunciado continua incerta. O maior erro cometido por Lula ao se eleger presidente pela primeira vez foi comprar com dinheiro os movimentos sociais para que não lhe criassem problemas e governar de fato com os picaretas que foram aparecendo no meio do caminho.




















