Morre Douglas Franklin, ídolo do heptacampeonato e segundo maior artilheiro da história do Bahia
- Por Bia Jesus/Bahia Notícias
- 09 Ago 2026
- 16:01h

Foto: Arquivo
O torcedor do Bahia acordou, na manhã deste domingo (9), mais triste. Isso porque poucos jogadores atravessaram gerações na história do Bahia como Douglas Franklin. Símbolo de uma das épocas mais vitoriosas do Esquadrão, o ex-meia-atacante faleceu neste domingo (9), aos 76 anos, em São Paulo, após perder a batalha contra um câncer no intestino.
Segundo maior artilheiro da história tricolor, com 184 gols em 456 partidas, Douglas deixa uma trajetória que vai muito além dos números. Entre 1972 e 1980, foi protagonista do Bahia que conquistou sete Campeonatos Baianos consecutivos, entre 1973 e 1979, sequência que marcou uma geração e permanece como um dos grandes períodos da história do clube. Segundo o próprio Esquadrão, Douglas também é o líder histórico de assistências do Bahia.
Nascido em Santos, no dia 9 de setembro de 1949, Douglas da Silva Franklin começou a construir sua história no futebol justamente no clube de sua cidade. Formado pelo Santos, chegou ao profissional em uma época em que o Alvinegro Praiano reunia nomes como Pelé, Coutinho, Edu e Clodoaldo. Foi companheiro de Pelé e conquistou, entre outros títulos, o Campeonato Brasileiro de 1968 antes de deixar a Vila Belmiro.
UMA MUDANÇA DE DESTINO ANTES DO BAHIA
A chegada de Douglas a Salvador também ficou marcada por uma história que, décadas depois, ele próprio trataria como uma mudança de destino.
Em 1972, depois de deixar o Santos, o jogador estava encaminhado para defender o América-RJ. Douglas havia planejado viajar ao Rio de Janeiro para concluir a transferência, mas recebeu uma proposta do Bahia e mudou os planos. A aeronave que faria o trajeto para a capital fluminense sofreu um acidente na região de Petrópolis, provocando a morte das 25 pessoas a bordo. Douglas seguiu para Salvador.
O que seria apenas uma nova etapa da carreira tornou-se o período definitivo de sua história no futebol. Douglas chegou ao Bahia em 1972 e rapidamente passou a ocupar posição central no time. Técnico, habilidoso e dono de capacidade para criar e finalizar jogadas, encontrou no Esquadrão o ambiente no qual construiria sua condição de ídolo.
A partir de 1973, esteve no grupo que iniciou uma sequência sem precedentes no Campeonato Baiano. Foram títulos em 1973, 1974, 1975, 1976, 1977, 1978 e 1979. Douglas esteve presente em todas as sete conquistas, ao lado de Baiaco, Sapatão e Fito.
Naquele período, também dividiu o protagonismo ofensivo com outro personagem histórico do clube: Beijoca. Se o centroavante ficou eternizado pelo faro de gol e pela personalidade, Douglas era uma das principais fontes de criação de um Bahia que dominou o futebol estadual durante a década de 1970.
Ao todo, foram 184 gols, número que coloca Douglas atrás apenas de Carlito, dono de 233 tentos, na relação oficial de maiores goleadores da história do Bahia.
A importância do camisa 10, porém, não se limitava a colocar a bola na rede. Décadas depois de sua despedida, o próprio Bahia o reconhece como o jogador com mais assistências na história do clube.
Em entrevista concedida em 2013, Douglas apontou a união daquele elenco como um dos elementos responsáveis pela sequência de conquistas. O ex-jogador relatou que o grupo tinha liberdade, experiência e participação até mesmo em discussões sobre reforços. Também destacava a relação construída com a torcida, à qual atribuía parte importante do reconhecimento recebido depois de deixar os gramados.
Douglas deixou o Bahia em 1980. Depois da passagem que o eternizou no futebol baiano, defendeu a Portuguesa, teve uma curta passagem pelo Vitória e atuou também por Leônico e Barretos antes de encerrar a carreira profissional.
Mesmo longe dos gramados, permaneceu ligado ao futebol. Trabalhou com formação de jogadores e também exerceu a função de treinador, incluindo passagens pelo Camaçari e pelo Barretos.Nenhuma dessas experiências, contudo, alcançou a dimensão da relação construída em Salvador.
Neste domingo, ao comunicar a morte do ex-jogador, o Bahia definiu Douglas como “um dos maiores craques” de sua história e destacou a participação do camisa 10 na geração do heptacampeonato.
Douglas Franklin deixa o futebol como um dos nomes que ajudaram a construir a dimensão histórica do Esporte Clube Bahia. Um jogador que chegou a Salvador após uma mudança inesperada de destino e, durante oito anos, transformou a camisa tricolor em parte definitiva da própria história.
O velório ocorre neste domingo, em Barretos, no interior de São Paulo. O sepultamento está previsto para o início da tarde na mesma cidade.
VEJA O COMUNICADO COMPLETO DO BAHIA
Com gigantesco pesar, o Esquadrão lamenta o falecimento de um dos maiores craques da nossa história. Douglas, líder geral em assistências e segundo maior artilheiro do clube, nos deixou nesta manhã em São Paulo.
Ele defendeu o Esquadrão de 1972 a 1980, sendo estrela na campanha do heptacampeonato estadual seguido, com um total de 456 jogos. Nossa solidariedade a familiares e amigos.




















