Lula aponta para queda da carga tributária e alto nível de subsídios em debate orçamentário, diz Haddad

  • Por Marianna Holanda | Folhapress
  • 17 Jun 2024
  • 17:03h

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse, nesta segunda-feira (17) que o nível de subsídios tributários chamou a atenção do presidente Lula (PT) em meio a um debate sobre revisão de gastos.

Esta foi a primeira reunião do núcleo do governo com o presidente para discutir o futuro fiscal e orçamentário do país. De acordo com a ministra Simone Tebet (Planejamento), que também acompanhou o debate, as soluções serão apresentadas a Lula numa futura reunião.

A titular do Planejamento disse ainda que o presidente ficou "mal impressionado" com o aumento de subsídios que, segundo ela, já chegam a quase 6% do PIB (Produto Interno Bruto).

"No plano da receita, uma preocupação muito grande com as renúncias fiscais, que continuam em um patamar de R$ 519 bilhões, em 2023, e também uma explicação que foi dada a ele [Lula] sobre a queda da carga tributária no ano passado", disse Haddad.

"A carga tributária no país caiu mais de 0,6% do PIB, o que foi considerado pelo presidente bastante significativo, à luz das reclamações que o próprio presidente nem sempre compreende de setores isolados que foram, enfim, instados a recompor essa carga tributária que foi perdida", afirmou ainda.

Já a ministra Simone Tebet falou da preocupação com o crescimento dos gastos da Previdência e dos gastos tributários também, citando relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre despesas fiscais da União.

"Há uma intersecção entre os dois aumentos, porque o aumento do gasto da previdência está relacionado também ao aumento da renúncia dos gastos tributários", disse.

"Esses números foram apresentados para o presidente, ele ficou extremamente impressionado, mal impressionado com o aumento dos subsídios que está batendo quase 6% do PIB do Brasil. Nós estamos falando da renúncia tributária, mas também das renúncias aqui dos benefícios financeiros e creditícios", afirmou.

A declaração foi dada no Palácio do Planalto, após reunião da JEO (Junta de Execução Orçamentária) com o presidente Lula (PT). Jornalistas não puderam fazer perguntas.

O encontro ocorre após o mercado intensificar a pressão para que o governo corte gastos, diante de crescente desconfiança dos investidores com o compromisso de Lula com o equilíbrio das contas públicas.


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