Adolescente resgatada diz que era obrigada a fazer até 16 programas por noite em garimpos na Terra Yanomami
- g1 RR
- 16 Mar 2023
- 16:10h

Foto: g1
A adolescente de 15 anos resgatada em um garimpo ilegal na Terra Yanomami, onde era obrigada a se prostituir, contou que tinha que fazer até 16 programas por noite. O relato foi dado ao conselheiro tutelar Franco Rocha, que acompanha o caso junto à Polícia Federal.
Levada ao garimpo com uma promessa de trabalhar como cozinheira, quando chegou na região foi obrigada a se prostituir. A menina foi resgatada pela PF durante um patrulhamento noturno no Rio Mucajaí, na Terra Indígena Yanomami.
"Ela falou que enquanto estava lá, passava a noite inteira sendo explorada. Geralmente eram de 15, 16 programas por noite", informou o conselheiro.
Ela estava na região de Walopali, onde há um ponto de fiscalização da PF contra os garimpeiros. O conselheiro acrescentou que a menina foi atraída pelas redes sociais com a promessa de receber até R$ 5.800 por mês. Esse valor seria pago em ouro ou dinheiro.
"Ela ficou animada pela quantidade de dinheiro. Eles foram buscá-la em casa dela, aqui em Boa Vista, em um carro super luxuoso. Inicialmente, ela ficou confiante que ia trabalhar na área da cozinha e que eles iam pagá-la. Quando chegou, a realizada foi outra. Eles a obrigaram a ir para os cabarés, inúmeros, lá dentro. E que se ela não fosse, iriam deixá-la rodada, como costumam dizer. Não iria pagá-la, e ainda corria o risco de ser assassinada porque eles a ameaçaram de morte. Então, ela não teve outra alternativa", contra Franco, que ouviu a menina logo após o resgate.
No barco abordado pela PF, os agentes identificaram que outras mulheres, inclusive a garota, tinham sido cooptadas por agenciadores para se prostituírem no garimpo. A adolescente havia sido dada como desaparecida pela família e, na abordagem, a PF identificou o B.O. que comunicava o sumiço da menina.
Além das violências sofridas pela menina, a PF investiga a organização criminosa envolvida na cooptação de mulheres e adolescentes para se prostituírem nas áreas de garimpo de Roraima.
O delegado responsável pelo procedimento de resgate da menina, Marco Bontempo, disse à Rede Amazônica esta foi a primeira vez que ficou tão evidente a logística utilizada para exploração sexual na Terra Yanomami .
"Existe um esquema logístico dentro do garimpo que passa pela etapa de cooptação dessas jovens, por rede social e outros meios, até o transporte delas de barcos ou aéreo", disse ele, acrescentando que:
"A PF já tinha conhecimento de “cabarés” no garimpo, mas essa é a primeira vez que identificam uma logística tão estruturada, e que é uma das logísticas que mantém o garimpo", disse o delegado do caso.




















