Deputado federal do RS diz que Bahia é lugar sujo e de pobreza e é alvo de críticas

  • g1 RS
  • 08 Fev 2023
  • 19:04h

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O deputado federal pelo Rio Grande do Sul Mauricio Marcon (Podemos) disse que a Bahia é um lugar "sujo" e de "pobreza". Ele ainda comparou o estado nordestino ao Haiti. As declarações foram dadas em live realizada na noite de domingo (5) no perfil pessoal do parlamentar no Instagram. (Veja vídeo acima)

''A gente teve lá na Bahia, é um Haiti assim, não tem explicação. É uma pobreza, é tudo pichado, é sujo. E é uma área turística. A gente fica imaginando onde não é'', disse Marcon.

Em publicação postada no início da tarde desta quarta-feira (8), que denominou como "nota à sociedade", Mauricio Marcon afirmou que sua fala foi "maldosamente distorcida por grupos que e pessoas que visam única e exclusivamente destruir a imagem de quem pensa diferente". O deputado federal alega que a declaração teve o intuito de "fazer uma crítica construtiva, a qual deveria ser encarada de forma positiva, pois tem como objetivo a busca por melhorias para este estado com imenso potencial turístico".

Autodeclarado conservador e antipetista, o deputado fez as críticas ao comentar o volume de votos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. Lula venceu a corrida presencial com 72% dos votos válidos e só perdeu em dois dos 417 municípios baianos.

Após a publicação do vídeo, o deputado recebeu críticas na publicação. No Twitter, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa rebateu as declarações.

 

"Caro deputado Marcon: instrua-se, eduque-se, retenha essa baba ofídico-peçonhenta que emana da tua boca, seiva da violência que grassa em nosso país. Conheça direito a Bahia, o seu peso histórico, a sua estupenda arte, as suas magníficas igrejas e a sua contribuição para a formação da nacionalidade brasileira'', disse Joaquim Barbosa.

O deputado estadual do RS Leonel Radde (PT) afirma que registrou um boletim de ocorrência contra Marcon pelas "falas racistas e repletas de preconceito".

"Não é possível que o nosso país conviver com esse tipo de racista na política! Fascista!", escreveu o político petista em uma rede social.

A titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), Andrea Mattos, afirma que o inquérito será remetido à Polícia Federal (PF). Ela esclarece que a imunidade parlamentar está limitada a eventuais delitos cometidos no exercício do mandato e em razão das funções realizadas. Os demais casos são julgados de acordo com a regra comum.

 

''Fazendo uma analise preliminar das falas do senhor deputado não vislumbro que praticar, induzir e incitar a discriminação de procedência nacional traga quaisquer benefícios à democracia, porquanto é conduta que não deve ser tolerada pelo direito'', avalia a delegada.


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