"Depressão - Psicóloga fala sobre uma das doenças mais incapacitantes no mundo"
- Dra. Fernanda Araújo
- 31 Mai 2022
- 14:03h

Foto: Arquivo pessoal
Neste texto serão abordados os sinais, sintomas e tratamento de um transtorno extremamente prevalente nos consultórios de psicologia:
A DEPRESSÃO. De acordo com estudo epidemiológico a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%.
De acordo com a OMS, a depressão situa-se em 4º lugar entre as principais doenças mais incapacitantes no mundo. A DEPRESSÃO normalmente é relatada pelos pacientes como uma perda de vitalidade. Inicialmente, vem como uma grande tristeza o tempo inteiro, não as vezes, nem de forma pontual, mas estão presentes quase todos os dias, na maior parte do dia.Após esse primeiro estágio, vêm os sintomas de APATIA e ANEDONIA. Apatia significa uma grande falta de vontade e Anedonia, uma grande perda de prazer, que é quando tudo em volta da vida dessa pessoa começa a perder o sentido: sair, ver amigos, comer uma comida favorita, fazer o esporte favorito, ir a festas, não geram mais a sensação de prazer e felicidade que antes geravam.Com isso, cada vez mais o quadro se agrava fazendo com que a pessoa não queira mais fazer nada disso (mesmo sendo algo que gostava MUITO).
Em casos mais graves ainda, não somente a falta de vontade de fazer coisas rotineiras existe, mas o quadro evolui para atividades básicas do dia a dia, como tomar banho, pentear o cabelo, cuidar da higiene básica e até levantar da cama passam a custar um esforço muito grande. Diversos pacientes relatam como “um grande peso em cima dos ombros” o tempo inteiro.A fadiga e perda de energia, a expressão facial, a postura de prostração, retardo psicomotor (movimentos mais lentos), capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, sentimentos de inutilidade e culpa começam a ficar intensos nessa fase.
Esse é o momento de maior gravidade, pois, a partir da grande sensação de culpa e inutilidade, a vida perdendo o sentido e função, surgem os pensamentos recorrentes de morte como forma de “parar a dor”.O suicídio no quadro depressivo surge na cabeça do paciente como um meio de se livrar do sofrimento que se sente. O paciente, em sua tamanha distorção cognitiva (de pensamentos) começa a ver a morte por um lado (absurdamente) positivo pois deixará de “ser um peso” para os familiares, deixará de sentir o vazio e a dor diária, deixará de “dar trabalho”, e infelizmente esses motivos fazem muito sentido para quem está doente.
É de tamanha importância que essas informações cheguem a toda sociedade, pois, quanto mais cedo o paciente ou a família identificarem os sintomas iniciais e buscarem o tratamento, mais rápida será a evolução. Quanto mais grave chegar o estágio da depressão mais complexo e custoso será o tratamento.
O TRATAMENTO de primeira escolha, padrão-ouro apontado pela ciência, é a junção de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) Psicóloga e a medicação, prescrita pelo médico Psiquiatra. Dentro da TCC, na psicoterapia com a Psicóloga, também existe atualmente o protocolo de Ativação Comportamental como a melhor opção para tratamento da depressão.
Existem casos de episódio depressivo leve (em seu estágio inicial), com início no periparto (conhecida como depressão pós-parto), a depressão mista (com sintomas de ansiedade), e a depressão refratária, a mais grave, que é quando o paciente já teve múltiplos episódios não tratados, que não respondem mais aos tratamentos convencionais (psicoterapia+medicação). Nesse caso o paciente passa para tratamentos mais complexos ainda estudados pela ciência e em constante evolução.
É de fundamental importância compreender sobre essa doença, de causa multifatorial, para diminuir cada vez mais o julgamento, a desinformação, e a hostilização dessas pessoas que sofrem, principalmente em casos onde a pessoa reconhece que talvez não haja motivos para estar triste. Imagine o desespero que é perceber a vida acontecendo, mas, sua cabeça não funciona de acordo com a realidade?! Sempre digo que o “mundo é um reflexo dos nossos olhos”. Por isso a distorção em casos de depressão é tão grande e geram intenso sofrimento e confusão para quem sente virando uma grande “bola de neve”. A rede de apoio familiar, o nãojulgamento, o acolhimento, juntamente com os tratamentos de maior evidência cientifica disponíveis (TCC+Medicação), são a solução para este sofrimento tão grande para quem sente e para quem está próximo. Em qualquer sinal observado em si mesmo, ou em alguém que você conhece, procure uma Psicóloga e psiquiatra para avaliação e tratamento. Muitas pessoas já foram e continuam sendo salvas, não deixe para depois. O tratamento existe!
Fernanda Araújo Psicóloga Cognitivo-Comportamental - CRP 03/19241 Trabalha com psicoterapia para Adultos em Brumado-BA e de forma On-line Produz conteúdos diários sobre saúde Mental em seu Instagram Siga @Psifernanda.ac





















"Muito informativo, amei! Melhor psicóloga"